Bom dia
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 9, 38-40)
Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os
demónios em teu nome e procurámos impe-dir-lho, porque ele não anda connosco».
Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu
nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós».
Hoje, dia 22 de maio, seguimos a 31.ª Catequese do Papa, sobre a forma de oração que
é a meditação, olhando para Maria, que meditava todas as coisas em seu coração.
1. Para o cristão, “meditar” é procurar uma síntese: significa colocar-se diante da grande
página da Revelação para procurar fazer com que se torne nossa, assumindo-a
completamente. E depois de acolher a Palavra de Deus, o cristão não a mantém fechada
dentro de si, porque aquela Palavra deve encontrar-se com «outro livro», ao qual o
Catecismo chama «o da vida» (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2706). É isto que procuramos fazer
cada vez que meditamos a Palavra.
Nos últimos anos a prática da meditação recebeu grande atenção. Dela não falam só os
cristãos: há uma prática meditativa em quase todas as religiões do mundo. Mas trata-se
de uma atividade difundida também entre as pessoas que não têm uma visão religiosa
da vida. Todos nós temos necessidade de meditar, de refletir, de nos encontrarmos a nós
mesmos, é uma dinâmica humana. Especialmente no voraz mundo ocidental, as pessoas
procuram a meditação porque ela representa uma barreira elevada contra o stress diário
e o vazio que se alastra por toda a parte. Eis, então, a imagem de jovens e adultos
sentados em recolhimento, em silêncio, com os olhos meio fechados... Mas podemos
perguntar-nos: O que fazem estas pessoas? Meditam. É um fenómeno que deve ser
encarado de modo favorável: com efeito, não somos obrigados a correr o tempo todo,
possuímos uma vida interior que não pode ser espezinhada sempre. Portanto, meditar
é uma necessidade de todos. Meditar, por assim dizer, assemelhar-se-ia a parar e a dar
um respiro à vida.
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2. No entanto, apercebemo-nos de que esta palavra, quando é aceite no contexto
cristão, assume uma especificidade que não deve ser cancelada. Meditar é uma
dimensão humana necessária, mas meditar no contexto cristão vai além: trata-se de uma
dimensão que não deve ser cancelada. A grande porta por onde passa a oração de uma
pessoa batizada – recordemos mais uma vez – é Jesus Cristo. Para o cristão a meditação
entra pela porta de Jesus Cristo. Também a prática da meditação segue este caminho.
Quando o cristão reza, não aspira à plena transparência de si, não procura o núcleo mais
profundo do seu ego. Isto é lícito, mas o cristão procura outra coisa. A oração do cristão
é, antes de mais nada, um encontro com o Outro, com o Outro mas com o O maiúsculo:
o encontro transcendente com Deus. Se uma experiência de oração nos dá paz interior,
ou autodomínio, ou lucidez no caminho a empreender, estes resultados são, por assim
dizer, efeitos colaterais da graça da oração cristã que é o encontro com Jesus, isto é,
meditar significa ir ao encontro com Jesus, guiados por uma frase ou por uma palavra da
Sagrada Escritura..
3. Ao longo da história, o termo “meditação” teve diferentes significados. Também no
cristianismo, ele se refere a diferentes experiências espirituais. No entanto, é possível
traçar algumas linhas comuns, e nisto o Catecismo ajuda-nos novamente: «Os métodos
de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. [...] Mas um método não
passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da
oração: Cristo Jesus» (n. 2707). E aqui está indicado um companheiro de caminho, alguém
que guia: o Espírito Santo. Não é possível a meditação cristã sem o Espírito Santo. É Ele
que nos guia ao encontro com Jesus. Jesus disse-nos: “Enviar-vos-ei o Espírito Santo. Ele
ensinar-vos-á e explicar-vos-á. Ensinar-vos-á e explicar-vos-á”. E também na meditação,
o Espírito Santo é o guia para ir em frente no encontro com Jesus Cristo.
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4. Assim, há muitos métodos de meditação cristã: alguns são muito sóbrios, outros mais
articulados; alguns enfatizam a dimensão intelectual da pessoa, outros a afetiva e
emocional. São métodos. Todos são importantes e dignos de ser praticados, na medida
em que podem ajudar a experiência da fé a tornar-se um ato total da pessoa: não reza
apenas a mente, reza o homem todo, a totalidade da pessoa, assim como não ora só o
sentimento. Os antigos costumavam dizer que o órgão da oração é o coração, e deste
modo explicavam que é a pessoa inteira, a partir do seu centro, do coração, que entra
em relação com Deus, e não apenas algumas das suas faculdades. Portanto, devemos
recordar sempre que o método é um caminho, não uma meta: qualquer método de
oração, se quiser ser cristão, faz parte daquela sequela Christi, que é a essência da nossa
fé. Os métodos de meditação são caminhos a percorrer para alcançar o encontro com
Jesus, mas se parares no caminho e só olhares para a estrada, nunca encontrarás Jesus.
Farás da estrada um deus, mas ela é um meio para te levar a Jesus. O Catecismo
especifica: «A meditação põe em ação o pensamento, a imaginação, a emoção e o
desejo. Esta mobilização é necessária para aprofundar as convicções da fé, suscitar a
conversão do coração e fortalecer a vontade de seguir a Cristo. A oração cristã dedica-
se, de preferência, a meditar nos “mistérios de Cristo”» (n. 2708).
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5. Eis, então, a graça da oração cristã: Cristo não está longe, mas está sempre em relação
connosco. Não há aspeto algum da sua pessoa divino-humana que não possa tornar-se,
para nós, um lugar de salvação e de felicidade. Cada momento da vida terrena de Jesus,
através da graça da oração, pode tornar-se nosso contemporâneo, graças ao Espírito
Santo, o guia. Mas sabeis que não se pode rezar sem a guia do Espírito Santo. É Ele que
nos guia! E graças ao Espírito Santo, também nós estamos presentes no rio Jordão
quando Jesus se imerge para receber o batismo. Também nós somos comensais nas
bodas de Caná, quando Jesus oferece o melhor vinho para a felicidade dos noivos, isto
é, o Espírito Santo que nos põe em relação com estes mistérios da vida de Cristo pois na
contemplação de Jesus experimentamos a oração para nos unirmos mais a Ele. Também
nós testemunhamos com assombro os milhares de curas realizadas pelo Mestre.
Peguemos no Evangelho, façamos a meditação daqueles mistérios do Evangelho e o
Espírito guia-nos a estar presentes ali. E na oração – quando rezamos – todos nós somos
como o leproso purificado, o cego Bartimeu que recupera a vista, Lázaro que sai do
sepulcro... Também nós somos curados na oração como foi curado o cego Bartimeu,
aquele outro, o leproso… Também nós ressuscitamos, como ressuscitou Lázaro, pois a
oração de meditação guiada pelo Espírito Santo, leva-nos a reviver estes mistérios da
vida de Cristo e a encontrarmo-nos com Cristo e a dizer, com o cego: “Senhor, tende
piedade de mim! Tende piedade de mim” – “O que queres?” – “Ver, entrar naquele
diálogo”. E a meditação cristã, guiada pelo Espírito leva-nos a este diálogo com Jesus.
Não há página alguma do Evangelho em que não haja lugar para nós. Para nós cristãos,
meditar é um modo de encontrar Jesus. E assim, só assim, de nos encontrarmos a nós
mesmos. E isto não significa fechar-nos em nós mesmos, não: ir ter com Jesus e nele
encontrar-nos a nós mesmos, curados, ressuscitados, fortalecidos pela graça de Jesus. E
encontrar Jesus salvador de todos, também de mim. E isto graças à guia do Espírito
Santo.
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