História da Polícia Militar de Pernambuco
História da Polícia Militar de Pernambuco
Criada por meio de um Decreto Imperial em 11 de junho de 1825, a Polícia Militar de Pernambuco
(PMPE) cumpre o papel de polícia ostensiva, na garantia da segurança e preservação da ordem
pública, previsão do Art. 144 da Constituição Federal de 1988. Em quase dois séculos de
existência, a PMPE, foi se adaptando aos tempos e se consolidou como uma Instituição de
prestígio e respeito no para a sociedade pernambucana. Nesse contexto, vamos contar,
brevemente, sobre a história do Quartel do Comando Geral, do Batalhão de Rádio Patrulha e da
presença feminina nas fileiras da corporação.
Patrimônio Histórico Estadual desde 1994, o prédio imponente que abriga o Quartel do Comando
Geral da PMPE, QCG, já foi um centro comercial, o Mercado Coelho Cintra. Criado pelo industrial
Delmiro Golveia, o mercado sofreu um incêndio e ficou em ruínas, depois abrigou a escola de
Artífices até que, em 18 de outubro de 1924, foi ocupado pela, então, Força Pública do Estado,
hoje, Polícia Militar de Pernambuco. Passaram-se 100 anos e o prédio continua sendo, além de
uma referência arquitetônica, o local-sede da Corporação policial cuja própria história perpassa a
história do Estado de Pernambuco. “Sentido alerta Patrulheiros, pelo dever de bem servir!”. Esse
é o lema do Batalhão de Radiopatrulha da PMPE (BPRp). Em 1951 nascia a primeira unidade no
Brasil dotada de viaturas com radiotransmissores: a Companhia de Vigilância de Radiopatrulha.
Pioneira no país nessa modalidade de patrulhamento de comunicação simultânea de ocorrências,
em 1970 passou a ser Batalhão e, atualmente, é uma tropa especializada em policiamento urbano.
E já que estamos rememorando um pouco de nossa história, um dos marcos da corporação foi o
ano de 1983 quando as primeiras mulheres ingressaram na PMPE. Foram 21 novas sargentos
que se formaram e, desde então, todos os concursos para ingresso na instituição contam com a
participação fundamental da força das mulheres, somando, atualmente, um efetivo de mais de 2
mil policiais femininas.
São quase 200 anos de história institucional que se confunde com a história daqueles
que a compunham, que envergam sua farda, seus valores e cumprem sua missão de
servir "até com risco da própria vida”. Mas não existe corporação sem corpo, sem
pessoas, sem nomes. Nesse bicentenário da PMPE nossa homenagem é para todos
os que dedicaram seu tempo e suas vidas ao que fizeram razão de existência:
construir uma sociedade mais justa, segura e humana. São bravos homens e mulheres
que escreveram a história dessa instituição e que deixaram legados de honra para as
novas gerações.
Rosana Alexandre de Sousa -ST PMPE
C
CONTEUDISTA
O conteudista de Policiamento Ostensivo Preventivo, Filipe Ágabo Tenório Amorim Pereira, é Major
da Polícia Militar de Pernambuco. Ele é Bacharel em Segurança Pública, Bacharel em Administração
(UPE), Bacharel em Direito, Pós-graduado em Ciências Jurídicas e tem MBA em Gestão
Governamental (UNB). Tem como especialidade o curso de Instrutor do Método Giraldi, Operações
urbanas, Gerenciamento de crises, Uso Diferenciado da Força, Agente da autoridade de trânsito,
Curso de Promotor de Direitos Humanos, Curso de técnica de ensino (Marinha do Brasil), Instrutor
de Armamento, Munição e Tiro, Atendimento Pré-Hospitalar Tático e Metodologia e Técnicas de
Ensino.
Ademais, pode gerar responsabilização criminal, diante do que preconiza o artigo 166
do Código Penal Militar, o qual prevê reclusão de 2 a 4 anos para quem publicar, sem
permissão, atos ou documentos que afetem a segurança ou a disciplina militar e se a
divulgação envolver segredos de Estado ou de serviço, a pena de reclusão pode chegar a
6 anos, conforme o artigo 324 do Código Penal Militar.
Além das penalidades criminais, aquele que divulgar tais informações pode ser punido
administrativamente, de acordo com o Regulamento Disciplinar da PMPE.
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos
e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
X - São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador,
salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação
judicial;
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da
lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens;
XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente
de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo
apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;
XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos
termos da lei;
XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por
eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a
ordem constitucional e o Estado Democrático;
LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade
judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos
em lei;
FASES DO FLAGRANTE
1ª PRISÃO CAPTURA 2ª CONDUÇÃO À 3ª LAVRATURA DO AUTO
AUTORIDADE POLICIAL DE PRISÃO EM
FLAGRANTE DELITO
(APFD)
interrupção da execução da condução do indivíduo o Delegado analisará as
conduta criminosa, apreendido até a Delegacia circunstâncias do caso
preservando o bem jurídico de Plantão para ser concreto e vislumbrando
tutelado e detenção do apresentado a Autoridade indícios mínimos de autoria e
possível autor. Policial (Delegado). materialidade mandará lavrar
o APFD.
1Ordem Judicial que determina a prisão de uma pessoa antes do julgamento como medida cautelar para
garantir o andamento do processo ou a segurança pública.
MANDADO DE PRISÃO TEMPORÁRIA4 O policial militar, após a busca pessoal,
MANDADO PARA EXECUÇÃO DE PENA5 verificará nos sistemas (BNMP2 e Polícia
Ágil3) se há, em desfavor da pessoa
abordada, mandado de prisão.
JURISPRUDÊNCIA:
STF. Plenário. (RE 846.854/SP) - reconheceu que as Guardas Municipais executam
atividade de segurança pública (art. 144, § 8º, da CF), essencial ao atendimento de
necessidades inadiáveis da comunidade (art. 9º, § 1º, da CF).
1.3.1 CONSTITUIÇÃO DE PERNAMBUCO (CE/PE)
A Constituição do Estado de Pernambuco, de 5 de outubro de 1989, no uso do Poder
Derivado Decorrente estabeleceu como órgãos de segurança do Estado de Pernambuco:
Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar como é possível constatar:
4 Ordem Judicial que determina a prisão por prazo determinado; o prazo só é iniciado com o cumprimento do
mandado.
2 Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões: [Link]
3 [Link]
5 Ordem Judicial emitida pelo juiz responsável pela sentença, determinando o cumprimento da pena imposta
Art. 105. A polícia Militar, força auxiliar e reserva do Exército, cabe com exclusividade a
polícia ostensiva e a preservação da ordem pública; e ao Corpo de Bombeiros Militar,
também força auxiliar e reserva do Exército, cabe a execução das atividades da defesa civil,
além de outras atribuições definidas em Lei. (Redação alterada pelo art. 1º da Emenda
Constitucional n˚ 4, de 22 de julho de 1994)
PODER DE POLÍCIA
Entende-se como Poder de Polícia a prerrogativa que o Estado tem para garantir e
impor que o uso e o gozo dos direitos fundamentais estejam em consonância com o interesse
público. Vale ressaltar que ele não decorre da hierarquia, e sim, de uma supremacia, pois
entre o Estado e o particular não existe relação de hierarquia.
O diploma normativo que apresenta o conceito de Poder de Polícia é o Código
Tributário Nacional (CTN):
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene,
à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de
atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público,
à tranquilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou
coletivos. (Redação dada pelo Ato Complementar nº 31, de 1966
4 Sanção de Polícia: Deve ter previsão legal, respeitando, assim, o princípio da legalidade. A
Constituição Federal de 1988 é a norma elementar do Direito Público que organiza a estrutura e o
funcionamento da República Federativa do Brasil. Ela estabelece a separação dos poderes e as
competências dos entes federados (União, Estados, Municípios e Distrito Federal), além de definir os
direitos e deveres dos brasileiros e estrangeiros residentes ou em trânsito no território nacional. A
Constituição também prestigia a dignidade da pessoa humana, especialmente na atuação dos órgãos de
segurança pública.
Direitos Fundamentais: A proteção dos direitos fundamentais é a finalidade principal dos órgãos de
segurança. O Artigo 5º da Constituição garante a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,
à segurança e à propriedade. Alguns dos direitos destacados incluem:
Segurança Pública: A segurança pública é um direito social previsto no Artigo 6º da Constituição, que
obriga os Estados a implementarem políticas públicas para prevenir e reprimir atos atentatórios à ordem
pública. Os órgãos responsáveis pela segurança pública incluem a polícia federal, polícia rodoviária
federal, polícia ferroviária federal, polícias civis, polícias militares e corpos de bombeiros militares.
TABELA DE EXEMPLOS:
Patrulhar
É exercer atividade rotineira de observação, fiscalização, proteção, reconhecimento ou, se
necessário, emprego de força.
Exemplo: Durante o patrulhamento noturno, a equipe observa comportamentos suspeitos
em uma praça pública, garantindo a segurança da área e abordando indivíduos que
apresentar atitudes suspeitas.
Itinerário de Patrulhamento
É a sucessão de pontos de passagem obrigatória.
Exemplo: O itinerário da patrulha inclui a ronda de três escolas, dois pontos de ônibus
movimentados e uma praça, passando obrigatoriamente por cada local a cada hora.
Posto
É constituído por um ponto base (PB) ou por vários pontos ao longo de itinerários.
Havendo vários PB, a fração que atuar no posto obedecerá a um CARTÃO-PROGRAMA.
A numeração é feita com base nas plantas da cidade, de sul para norte e de oeste para leste.
Esse critério visa facilitar a rápida localização dos pontos nas cartas ou mapas pelos
operadores que se revezam sistematicamente.
Exemplo: A equipe se posiciona no PB-3, que cobre a entrada de um terminal de ônibus,
revezando-se a cada 4 horas conforme o cartão-programa.
Ponto de Estacionamento
É o local onde a patrulha deve permanecer estacionada quando não estiver atendendo a
uma ocorrência policial ou em patrulhamento.
São eles:
PEP: Ponto de Estacionamento Principal
PES: Ponto de Estacionamento Secundário
Exemplo: Após finalizar o patrulhamento, a viatura se posiciona no PEP próximo ao mercado
central, aguardando possíveis chamados do COPOM.
Ponto Base
É o espaço físico que, por ser local de risco, exige a presença contínua da patrulha (PBF —
Ponto Base Fixo) ou temporária (PBAC — Ponto Base Atendendo ao COPOM).
Deve ser um espaço físico delimitado, que exija presença real ou potencial da patrulha
devido ao risco.
É conveniente que possua iluminação e identificação.
Quando motorizado, deve permitir deslocamento em, no mínimo, duas direções.
Exemplo: A patrulha mantém presença fixa no PBF em frente a uma escola de alto risco,
com deslocamento rápido para duas vias principais em caso de necessidade.
ATENÇÃO: O cumprimento do horário estipulado no cartão-programa exige que o policial
militar permaneça por um tempo determinado nos locais designados, com a obrigação de
atender prontamente às ocorrências nas proximidades.
Apresentação gráfica dos pontos, indicando a localização dos Pontos Bases, os itinerários
a serem percorridos e os horários a serem observados:
Atenção: Sempre que o efetivo chegar a um ponto base, deverá desembarcar da viatura.
Exemplo de itinerário e horários:
o 12h00: Assumir o posto no PB1.
o 13h00: Deslocar-se em patrulhamento do PB1 ao PB2, seguindo o itinerário
estipulado, e ali fazer permanência.
o 14h20: Deslocar-se em patrulhamento do PB2 ao PB3, seguindo o itinerário
estipulado, e ali fazer permanência.
Locais de Risco: lugar onde as condições favorecem a ocorrência que colocam em risco
tanto a segurança das pessoas quanto a proteção do patrimônio. Por esse motivo, é
fundamental que essas áreas recebam atenção redobrada e patrulhamento constante por
parte das autoridades responsáveis pela segurança pública.
Diante disso, o policial deve manter-se sempre atento e em alerta, a fim de não ser
surpreendido por situações inesperadas.
CARACTERISTICAS DO POLICIAMENTO OSTENSIVO
Totalidade
O Policiamento Ostensivo é uma atividade essencialmente dinâmica, originada da
necessidade coletiva de segurança da comunidade, garantindo a ordem e a tranquilidade
pública. Desenvolve-se sob os aspectos preventivo e repressivo, de acordo com os fatores
que possam ameaçar ou comprometer a Ordem Pública.
Sua execução se consolida por meio de um conjunto contínuo de ações planejadas e
operacionais, podendo ser desencadeada tanto por iniciativa própria quanto por solicitação
ou determinação superior.
Exemplo:
Se uma viatura da polícia identifica um indivíduo em atitude suspeita em uma praça
pública durante a madrugada, os agentes podem abordá-lo preventivamente, mesmo sem
um chamado específico. Por outro lado, se houver uma denúncia de um assalto em
andamento, a equipe deve agir repressivamente, intervindo para conter a ameaça.
Diante de ocorrências que envolvam pessoas ou objetos, quando necessário, os
envolvidos serão encaminhados aos órgãos competentes, ou estes serão informados para
adoção das providências cabíveis, desde que isso não comprometa o atendimento imediato
da situação.
Exemplo:
Se, durante uma abordagem, a polícia encontra um carro roubado, ele deve ser apreendido
e levado à Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos. Caso um cidadão encontre um
documento perdido e entregue à polícia, esta pode apenas comunicar o órgão responsável
para que o dono seja localizado.
Dinâmica
O desempenho do sistema de policiamento ostensivo deve priorizar o cumprimento e
o aperfeiçoamento contínuo dos planos de rotina, garantindo o envolvimento constante da
tropa com sua circunscrição. Esse engajamento possibilita um conhecimento detalhado do
território e dos hábitos da população, permitindo um serviço mais eficiente e direcionado às
necessidades da comunidade.
A manutenção dos efetivos e dos recursos operacionais é fundamental para a
execução desses planos, que estabelecem prioridades estratégicas. A presença policial
constante visa não apenas a prevenção de crimes, mas também a criação e manutenção da
sensação de segurança na população, fator essencial para a preservação da ordem e da
tranquilidade pública.
Quando o policiamento regular não é suficiente para atender às demandas
específicas de determinadas áreas, operações policiais-militares podem ser realizadas de
forma esporádica e suplementar. Essas ações ocorrem por meio da saturação, que consiste
na concentração intensiva de efetivo e recursos em locais estratégicos para conter situações
emergenciais, sem comprometer o policiamento de rotina.
Além disso, toda análise e planejamento administrativo ou operacional devem
considerar os objetivos globais da segurança pública, permitindo uma visão ampla e
integrada. Somente assim é possível alcançar máxima eficiência operacional e otimizar os
recursos disponíveis.
Por fim, o policiamento ostensivo não deve ser estruturado de forma rígida e inflexível.
Sua eficácia depende da capacidade de adaptação às diferentes situações e desafios,
garantindo respostas rápidas e eficazes para o restabelecimento da ordem pública sempre
que necessário.
Exemplo:
Um batalhão responsável por uma determinada região pode mapear pontos críticos
de criminalidade, ajustando as rotas das viaturas para intensificar a presença policial nesses
locais durante horários de maior incidência de crimes.
A estratégia operacional busca assegurar a presença constante dos efetivos e
recursos no cumprimento das diretrizes estabelecidas, garantindo a segurança por meio de
ações planejadas e da rápida resposta às demandas da sociedade.
Exemplo:
Se uma série de furtos a comércios ocorre em determinada área, a polícia pode
aumentar o patrulhamento a pé e com viaturas, estabelecer rondas nos horários de maior
movimento e orientar comerciantes sobre medidas preventivas.
Diante disso, torna-se evidente a importância de cumprir rigorosamente a Ordem de
Serviço e/ou o Cartão de Programa designado à equipe policial, uma vez que sua elaboração
é baseada em um estudo prévio voltado à prevenção de crimes, bem como a criação e
manutenção da sensação de segurança à população.
Legalidade
As atividades de policiamento ostensivo são desenvolvidas dentro dos limites
estabelecidos pela legislação. O exercício do poder de polícia é discricionário, mas nunca
arbitrário, sendo regido pelos princípios da legalidade e pelo respeito aos direitos e garantias
fundamentais previstos na Constituição Federal.
Em determinadas situações, o policial militar pode agir com discricionariedade na
defesa da moralidade pública e do bem comum. No entanto, mesmo nesses casos, sua
atuação deve sempre respeitar os limites impostos pelas garantias constitucionais,
assegurando que suas ações sejam legítimas e proporcionais.
Ação de Presença
A ação de presença tem como objetivo transmitir à comunidade uma sensação de
segurança, reforçando a certeza de que a cobertura policial-militar está ativa e eficaz.
Ação de presença real: ocorre quando há a presença física do policial militar em
determinado local, exercendo um efeito dissuasório, especialmente em áreas com
alta probabilidade de ocorrências.
Ação de presença potencial: refere-se à capacidade do policiamento ostensivo de
responder rapidamente a uma ocorrência iminente ou já em andamento, garantindo
uma intervenção ágil e eficaz.
Exemplos de ações de policiamento ostensivo:
1. Verificações localizadas de pessoas e/ou instalações;
2. Patrulhamento a pé e motorizado;
3. Investigações de campo;
4. Atendimento de emergências e prestação de primeiros socorros;
5. Fiscalização do cumprimento das normas de trânsito;
6. Colaboração no fluxo de trânsito local;
7. Atendimento a acidentes de trânsito.
8. Segurança escolar,
9. Prevenção de tumultos.
Orientação:
A orientação consiste em prevenir a ocorrência de delitos por meio do esclarecimento
ao cidadão sobre as medidas de segurança que deve adotar.
1. Sendo o policial-militar o responsável pela segurança pública, cabe a ele assumir
o papel de principal orientador da comunidade nesse aspecto. Uma orientação clara e
precisa faz com que o cidadão se sinta protegido e reconheça que é alvo da atenção
do policial, o que contribui para o fortalecimento da confiança e do respeito pelo serviço
prestado. Esse vínculo de confiança, por sua vez, proporciona benefícios significativos ao
policial-militar, facilitando o acesso a informações relevantes sobre delitos e indivíduos
suspeitos, otimizando assim seu trabalho operacional.
2. Os estabelecimentos comerciais, independentemente de sua natureza, devem
receber atenção especial do policial-militar no que se refere à orientação sobre as medidas
de segurança a serem adotadas. Da mesma forma, é essencial que o cidadão comum seja
devidamente instruído, sempre com cortesia e correção de atitudes, sobre as melhores
práticas para prevenir ou dificultar crimes, como arrombamentos residenciais, furtos de
bolsas, assaltos e roubos de veículos.
Exemplo de BO:
NOÇÕES SOBRE O PREENCHIMENTO DO BOE:
Ordem de Serviço
Instrumento formal e estratégico que estabelece as diretrizes, os objetivos e as
responsabilidades para a execução de uma missão específica. Ela serve como um guia
detalhado que orienta desde o planejamento até a implementação da operação, garantindo
que todas as ações estejam em consonância com as normativas legais e os padrões éticos
da corporação.
Principais Elementos de uma Ordem de Serviço:
Objetivo da Operação: Define claramente a finalidade da missão, seja ela voltada
para a prevenção, repressão ou investigação de atividades ilícitas, e os resultados
esperados.
Estrutura e Comando: Identifica os comandos responsáveis, as unidades envolvidas
e a cadeia hierárquica, garantindo que cada integrante saiba a quem se reportar e
quais são suas funções específicas.
Procedimentos Operacionais: Estabelece as táticas, os métodos de abordagem e
as técnicas a serem utilizadas, bem como os protocolos de comunicação e os
procedimentos de segurança que devem ser rigorosamente seguidos.
Recursos e Logística: Detalha os equipamentos, armamentos, viaturas e outros
recursos disponíveis, além das rotas de deslocamento e pontos de apoio,
fundamentais para a execução eficaz da operação.
Medidas de Contingência: Inclui planos de ação para situações imprevistas ou
emergenciais, assegurando uma resposta rápida e coordenada em caso de
desdobramentos inesperados.
Ao padronizar as ações e definir de forma clara as responsabilidades de cada elemento,
a Ordem de Serviço não só facilita a coordenação interna durante a operação, mas também
reforça o controle e a avaliação das atividades realizadas. Dessa forma, ela contribui
decisivamente para a eficiência do policiamento ostensivo e para a manutenção da ordem e
segurança da comunidade, promovendo uma atuação integrada e profissional por parte da
Polícia Militar.
DIM
3.2 DIRETORIA INTEGRADA DO INTERIOR I
DINTER I
End.:[Link] Barbosa,1122/Heliópolis/Garanhuns
Responsabilidade Territorial: Água Belas,
Angelim, Bom Conselho, Brejão, Caetés, Capoeiras,
Correntes, Garanhuns, iati, Lagoa de Ouro,
Palmeirinha, Paranatama, Saloá, São João e
Terezinha.
DINTER 2
DIRESP
6Conceito vago. “uma cláusula genérica, de conteúdo vago, impreciso e indeterminado, que remete a ampla e
plena subjetividade do policial” (JÚNIOR, Aury Lopes. Direito Processual Penal e sua Conformidade
Constitucional. Rio de Janeiro: Lúmen Juris,2009.)
Temporariamente, os direitos do cidadão poderão ser mitigados em prol do interesse
público. Diante disso, o Policial Militar poderá impedir o direito de ir e vir do cidadão, a fim
de realizar a busca pessoal e constatar se há algum objeto ilícito.
CASO PRÁTICO: o COPOM informa, via rádio, que há um indivíduo em determinada
localidade - portando arma de fogo, de boné preto, blusa verde e calça comprida – o qual
acabou de realizar um assalto nas proximidades onde sua equipe está fazendo rondas. Ato
contínuo, a equipe se depara com um cidadão com as características repassadas. Como
proceder?
Resposta: Na verbalização inicial, o policiamento deverá manter o armamento na
posição 4; é importante que o policial seja firme, alto e claro nos comandos: Parado! Polícia!
Mãos na cabeça! De costas para mim! O policial que realizará a busca pessoal se
aproximará do indivíduo com a arma no coldre e os demais membros da equipe colocará o
armamento na posição 3 ou 4, a depender da situação de risco, mantendo o controle de
cano;
Atenção: A busca pessoal deve ser iniciada com a imobilização das mãos, evitando
que o suspeito tenha acesso a algum objeto que esteja em seu corpo ou ao seu alcance;
atentando para a premissa de que “todo perigo vem das mãos”;
Após imobilização será aplicada a técnica ensinada na disciplina de abordagem:
1. O policial deslizará as mãos por toda a extensão corporal do cidadão, priorizando
a linha de cintura, virilhas, tórax, perna, bolsos das vestimentas e nos pertences
que estejam em sua posse - em ambos os lados.
2. A busca pessoal deve ser realizada, preferencialmente, na posição em pé. No
entanto, havendo resistência do abordado, o policial poderá colocá-lo na posição
de joelhos, obtendo mais segurança para continuar o procedimento. Assim,
diminuirá o risco de ação e reação.
7 “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à
integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por
escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da
prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.” (grifo nosso)
Desfecho 2: Finalizada a busca pessoal e nada de ilícito encontrado; o policial
deverá solicitar a identificação 8 da pessoa submetida ao procedimento e
constatando nada contra ela, após consulta BNMP e Polícia Ágil. Será encerrada
a abordagem agradecendo a colaboração e justificando a realização do
procedimento em prol da segurança da coletividade.
8“Art. 68. Recusar à autoridade, quando por esta, justificadamente solicitados ou exigidos, dados ou indicações
concernentes à própria identidade, estado, profissão, domicílio e residência:
(DECRETO-LEI Nº 3.688, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 - Lei de Contravenções Penais)
Exceção: Flagrante delito; Desastre; Prestar Socorro e durante o dia, por determinação
judicial.
CASO PRÁTICO: Indivíduo empreende fuga e ingressou em um imóvel residencial. Como
o Policial Militar deve proceder?
Resposta: havendo as condições adequadas para isso, o policiamento poderá iniciar um
acompanhamento ou busca em seu encalço, e caso essa pessoa ingresse em um imóvel
residencial, adotar o seguinte procedimento:
1. Realizar o reconhecimento do local adquirindo o máximo de informações possíveis
(dimensões do imóvel, número de moradores, vizinhança, existência de escadas,
saídas pelos fundos etc.) antes de adentrar;
2. Buscar a autorização do morador ou proprietário para o ingresso no domicílio,
apresentando-lhe as razões que motivaram aquela ação. De modo a comprovar o
pedido e formalizar a autorização concedida, tal fato deverá ser registrado,
preferencialmente, fazendo uso das câmeras corporais policiais (bodycams);
3. Em não estando disponíveis as bodycams, é possível a gravação do registro através
de equipamentos similares e equivalentes, como as câmeras pessoais, e as câmeras
de aparelhos de telefonia móvel; em qualquer dos casos, deverão ficar claras a
identificação visual e a declaração verbal dos policiais envolvidos na ocorrência, do
morador ou proprietário, e das testemunhas; as filmagens devem se manter íntegras
e sem qualquer corte ou edição;
4. Deverão ser registradas no vídeo pergunta e resposta decorrente sobre eventual
coação, por parte dos agentes policiais, para garantir a autorização do proprietário ou
morador, bem como das testemunhas; Exemplos não taxativos: "O senhor/A
senhora sofreu alguma coação ou ameaça para autorizar a entrada dos policiais?" ou
"O senhor/A senhora sente algum receio em não autorizar a entrada da polícia em
sua residência?"
Observação: Caso não seja possível o registro em vídeo por indisponibilidade de
equipamento, deverá ser empregado o formulário de autorização para ingresso
em domicílio constante no Anexo I do POP nº 50;
ATENÇÃO: Inexistindo a comprovada autorização do morador ou proprietário, bem como na
ausência de ordem judicial (e do Oficial de Justiça encarregado para tal), o efetivo policial
não deverá adentrar o domicílio, a não ser em caso de flagrante delito (quando não
for, demonstradamente, cabível a figura do flagrante retardado ou diferido9), ou nos
casos de desastre, ou ainda para prestar socorro a alguém;
9Flagrante retardado ou diferido é aquele em que é possível adiar a ação policial com o objetivo de conseguir
maiores informações sobre uma organização criminosa, por exemplo, ou nos crimes de drogas.
Em caso de dúvidas sobre a legitimidade do ingresso em domicílio o efetivo deverá adotar
medidas para guarnecer o imóvel e evitar eventuais fugas, e entrar em contato com o
COPOM para solicitar apoio (em sendo o caso) e orientações de como proceder.
JURISPRUDÊNCIA:
1. A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período
noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori”,
que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de
responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade
dos atos praticados.
STF. Plenário. RE 603616/RO, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4 e 5/11/2015
(repercussão geral) (Info 806).
2. O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante
delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem
a ocorrência de crime no interior da residência.
A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse
autorizar abordagem policial em via pública para averiguação, não configura, por si só,
justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem
determinação judicial.
STJ. 6ª Turma. REsp 1.574.681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017
(Info 606).
4.3 BUSCA EM VEÍCULO
O veículo poderá ser examinado mesmo sem mandado judicial, salvo se é utilizado
para a habitação do indivíduo, como trailer e motorhome.
10 “...a liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade, que é tonificada quando exercitada
gregariamente, conjuntamente, porque a dignidade da pessoa humana não se exaure no gozo de direitos
rigorosamente individuais, mas de direitos que são direitos coletivamente experimentados.” (Ayres Brito-
Ministro do Supremo Tribunal federal - ADPF 187)
4. Solicitar apoio dos órgãos municipais, trânsito (BPTran ou BPRV) e Corpo de
Bombeiros, se for o caso;
5. Verificar se há pontos sensíveis ou vulneráveis (Prédios Públicos, Centrais de Energia
e Hospitais);
6. Solicitar a desobstrução do trânsito com o apoio da Guarda Municipal de Trânsito e/ou
BPTran e BPRV;
6.1 bloquear as vias transversais, por onde a manifestação irá passar e buscar
minimizar os transtornos do trânsito no local.
7. Nos casos em que ocorrer deslocamento, deve solicitar o emprego de, ao menos,
01(uma) Viatura à frente da manifestação, com o intermitente ligado, 02(duas)
colunas de policiamento a pé (patrulhas com no mínimo 05 PM’S) e, pelo menos, 01
(uma) viatura na parte final do grupo de manifestantes, com o intermitente ligado;
8. Proceder a abordagem naqueles cidadãos que causar fundada suspeita, evitando,
assim, que pessoas se infiltrem no movimento para cometer ilícitos;
9. Verificar a documentação do veículo utilizado pelos manifestantes e do condutor –
atendendo as normas de trânsito.
10. Delimitar o local da manifestação.
11. Realizar o Boletim de Ocorrência esclarecendo os impactos da manifestação e
relatando se ocorreu alguma intercorrência.
11
Princípios previstos no Art. 2º, da Lei 13.060, de dezembro de 2014, a qual
Disciplina o uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em todo o
território nacional.
1. Não disparar arma de fogo contra pessoas, exceto em casos que configurem
legítima defesa própria ou de terceiros contra perigo iminente de morte ou lesão
grave;
2. Descartar o uso de armas de fogo contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou
que não represente risco imediato de morte ou de lesão aos Policiais Militares ou
terceiros;
3. Não realizar disparos de arma de fogo contra veículos que desrespeitem o bloqueio
policial em via pública, exceto quando o ato represente um risco de morte ou lesão
aos Policiais Militares ou terceiros.
4. Desconsiderar os chamados “disparos de advertência”12 como prática aceitável,
por não atenderem aos princípios elencados e em razão da imprevisibilidade de
seus efeitos.
5. Não apontar a arma de fogo contra pessoas de forma indiscriminada, buscando o
policial, sempre que possível, adotar a posição SUL ou posição 03;
6. Sempre que possível, ter na guarnição no mínimo 02 (dois) instrumentos de menor
potencial ofensivo.
ATENÇÃO: Quando o uso da força causar lesão ou morte de pessoas, o Policial Militar
deverá assegurar a imediata prestação de assistência e socorro médico aos feridos;
promover a correta preservação do local da ocorrência e comunicar, imediatamente, ao seu
superior imediato.
8.1 RECEBIMENTO
Para a execução dessa atividade, a guarnição deverá iniciar com a preparação e
inspeção de todo o armamento e equipamento necessários. Em seguida, será
responsável pela preparação e inspeção da viatura designada para o transporte. A
viatura deverá ser verificada para garantir que esteja devidamente abastecida, além de
serem conferidos os locais de abastecimento disponíveis, caso necessário.
A guarnição também realizará uma vistoria completa na viatura, com especial
atenção ao compartimento onde o escoltado será transportado, removendo quaisquer
12Pode caracterizar o crime de Disparo de arma de fogo: “Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição
em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não
tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.” (Lei
10.826 de 22 de dezembro de 2003 -Estatuto do Desarmamento)
objetos que possam ser usados para a prática de atos ilícitos ou que facilitem tentativas de
fuga. Após essa vistoria, a viatura deverá permanecer sob o controle da guarnição.
O escoltado será recebido individualmente, e os policiais militares realizarão a busca
e a imobilização, utilizando algemas quando necessário. Em seguida, procederão à
conferência da identidade do escoltado, comparando-a com o ofício de apresentação,
e verificarão seu estado de saúde por meio de inspeção visual e uma breve entrevista,
a fim de avaliar sua integridade física.
8.2 CONDUÇÃO
O embarque do preso na viatura só deve ser iniciado após a conclusão da ação
anterior e a confirmação das condições reais do preso. Uma vez que o preso tenha sido
embarcado, a sirene só deve ser acionada quando for efetivamente necessária, seja
para garantir a integridade física dos envolvidos ou para garantir maior agilidade e segurança
durante os deslocamentos da escolta.
O "giroflex" deverá ser utilizado em todos os deslocamentos da escolta, a fim de
facilitar a visibilidade, salvo em situações específicas onde não seja necessário. Sempre
que possível, a escolta deverá ser realizada com um número superior de policiais ao
número de presos, na proporção de dois policiais para cada escoltado.
Quando a viatura possuir compartimento de segurança (xadrez), o policial responsável
pela condução ou escolta só poderá soltar o antebraço do escoltado após ele ter sido
colocado dentro da viatura. No entanto, se não houver viatura com compartimento xadrez,
os seguintes procedimentos deverão ser adotados:
No caso de escolta de uma pessoa presa em uma viatura composta por dois
policiais militares, o escoltado será conduzido no banco traseiro, algemado com as
mãos para trás e seguro pelo cinto de segurança. Ele deverá sentar-se no lado oposto
ao motorista, com as portas traseiras travadas e os vidros fechados.
Quando a viatura for composta por três policiais militares, o escoltado será
conduzido no banco traseiro, algemado com as mãos para trás e posicionado do lado
oposto ao motorista. A porta traseira do lado da pessoa presa deverá estar travada, e
o vidro fechado, enquanto a porta do lado do policial ficará destravada.
Se a viatura for composta por quatro policiais militares, o escoltado será colocado
no meio do banco traseiro, algemado com as mãos para trás e seguro pelo cinto de
segurança. As duas portas traseiras deverão ficar destravadas.
Por fim, a escolta de duas ou mais pessoas presas não deverá ser realizada em viaturas
que não possuam compartimento de segurança (xadrez).
8.3 ENTREGA
A equipe de escolta deve verificar, por meio da conferência da documentação
funcional, a competência da pessoa que assumirá a custódia do escoltado. É
fundamental ter atenção especial em locais com presos em regimes de liberdade, pois
eles podem ser confundidos com os funcionários, colocando em risco a segurança da
escolta.
Caso seja necessário utilizar elevadores, os policiais devem garantir que o espaço
esteja vazio, utilizando-o apenas para a equipe de escolta e o escoltado. Isso evita
exposição desnecessária a riscos e protege a imagem do preso.
Na entrega do escoltado à autoridade, será realizada uma nova busca pessoal e a
conferência dos dados de identificação. Após esse procedimento, as algemas serão
retiradas e o escoltado entregue ao responsável pela custódia.
Durante o período de espera para a audiência, o escoltado só poderá manter
contato com pessoas autorizadas pelo juiz, e isso ocorrerá sob a vigilância da escolta.
Se o contato for restrito por determinação judicial, a equipe realizará nova busca assim que
o escoltado retornar ao local.
A autoridade deve ser informada sobre o histórico do escoltado e orientada a não
retirar as algemas sem a devida justificativa. A equipe de escolta também deve ficar atenta
aos populares presentes durante a audiência, mantendo a segurança do ambiente.
Por fim, os policiais militares devem adotar uma postura firme e profissional, demonstrando
preparo e capacidade para realizar a escolta com segurança e eficiência.
ATENÇÃO: caso seja detectada a presença de policiais militares de folga que não foi
previamente autorizado, desuniformizados ou não, na área das buscas ao suspeito e que
seja voluntário, este DEVE se apresentar na sede da unidade de origem, para que seja
regularizada sua presença nas buscas.
CASO PRÁTICO:
Após uma ocorrência que resultou no falecimento de um policial militar, foi iniciada
uma operação para capturar o autor do homicídio. Durante a ação, realizada em uma área
de alta criminalidade, um policial de folga, agindo por iniciativa própria, resolveu participar
da detenção de um suspeito sem se apresentar previamente ao seu Comandante de
Unidade. Sem o uniforme adequado e sem a devida autorização, ele se juntou a outros
policiais que também não cumpriram o protocolo de comunicação com o comandante da
operação. Ao final, o suspeito foi encontrado morto no local.
Sequência dos Eventos Problemáticos:
1. Iniciativa Irregular:
o Um policial militar de folga, agindo por conta própria, decidiu participar da
detenção de um suspeito.
o Sem se apresentar previamente ao seu Comandante de Unidade, ele não
seguiu o protocolo exigido para atuar em operações oficiais.
2. Falta de Uniforme e Autorização:
o O policial compareceu sem o devido uniforme, comprometendo a identificação
e a autoridade da ação.
o A ausência de autorização formal impediu que ele tivesse o respaldo
necessário para participar da operação.
3. Coordenação Deficiente:
o O policial se juntou a outros colegas que, igualmente, não seguiram os
protocolos de comunicação com os respectivos comandantes.
o Essa falta de comunicação resultou em uma abordagem desorganizada e sem
comando centralizado.
Possíveis consequências para os policiais que atuaram de forma irregular podem ser
graves e abrangentes, incluindo:
10.1 Diplomatas13:
Ao identificar um diplomata por meio de passaporte ou documento expedido pelo
Itamaraty, os policiais devem:
13 Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas (1961) incorporada ao ordenamento jurídico brasileiro
por meio do Decreto nº 56.435/1965, art. 29:O agente diplomático é inviolável. Não pode ser preso ou detido
de nenhuma forma. O Estado acreditado deve protegê-lo contra qualquer ataque à sua pessoa, liberdade ou
dignidade.
Avaliar a Situação: Compreender a natureza do ocorrido e impedir a continuidade
de qualquer atividade criminosa.
Assistência às Vítimas: Se houver vítimas, acionar imediatamente serviços de
emergência, como SAMU ou Corpo de Bombeiros.
Respeito à Imunidade: Reconhecer a imunidade absoluta do diplomata, anotando
sua função e país representado. Objetos relacionados ao possível delito devem ser
apreendidos, mas a autoridade deve ser liberada sem detenção.
10.2. Parlamentares14 (Senadores e Deputados):
Para autoridades com imunidade relativa, os policiais devem:
Identificação: Solicitar documentos oficiais (RG, CPF, CNH) para confirmar a
identidade e o cargo.
Análise do Envolvimento:
o Como Vítima ou Testemunha: Registrar os dados e notificar COPOM e o
Oficial de Operações para orientações.
o Como Autor de Crime Afiançável: Liberar a autoridade após registro
detalhado da ocorrência, incluindo informações de vítimas e testemunhas.
o Como Autor de Crime Inafiançável: Conduzir a autoridade à delegacia
competente, respeitando suas prerrogativas legais e garantindo procedimentos
conforme a legislação vigente.
10.3. Outras Autoridades (Juízes, Advogados, Promotores etc.):
Para profissionais com prerrogativas específicas:
Juízes15:
o Após a identificação e confirmação da função, devido à imunidade funcional,
os policiais devem evitar a detenção do magistrado.
o Devem comunicar imediatamente o ocorrido COPOM e aguardar orientações,
sem conduzir o juiz à delegacia.
14Constituição Federal, art. 53, § 2º:Os parlamentares não podem ser presos, salvo em caso de flagrante
de crime inafiançável. Nesse caso, a prisão deve ser comunicada à Casa Legislativa (Câmara ou Senado),
que decide sobre a manutenção da prisão.
15Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LC nº 35/1979) Art. 33, inciso II: Os juízes só podem ser presos
por crime inafiançável ou após sentença judicial condenatória transitada em julgado, salvo em flagrante
de crime inafiançável, devendo a prisão ser comunicada ao tribunal competente.
Procuradores, Promotores de Justiça do Ministério Público e Magistrados (Juízes,
Desembargadores e Ministros de Tribunais Superiores):
o Solicitar a presença do Oficial de serviço, informando-o a respeito da situação
da autoridade.
o Nesse caso a imunidade é absoluta, e só podem ser presos em flagrante por
crime inafiançável. Diante disso, deve-se confirmar o enquadramento do crime
junto ao Oficial de serviço, ou na impossibilidade deste, contactar o
CIODS/COPOM.
10. 4 Advogados,16 Procuradores e Defensores Públicos17:
Verificar se o crime decorreu de ato ligado ao exercício da profissão, e em caso
afirmativo, aguardar as instruções que serão colhidas pelo CIODS/COPOM, por meio do
plantão da Seccional da OAB.
Na Capital ou interior do Estado, o responsável pela condução à Delegacia de Polícia,
deverá:
o Comunicar previamente a OAB os fatos, registrando o nome, a matrícula, o posto e
função de quem recebeu tal informação, para que, àquela Ordem, querendo,
acompanhe a apresentação na Delegacia através de um representante da Seccional
da OAB.
Condução na Viatura:
o A condução deve ser efetuada sempre na cabine da viatura, respeitando a
dignidade da autoridade.
o Em casos de flagrante de resistência ou risco à integridade da equipe, é
permitido o uso da força necessária e proporcional.
16Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/1994) Art. 7º, § 3º: O advogado só pode ser preso em flagrante por
crime inafiançável, devendo a OAB ser imediatamente comunicada para acompanhar o caso.
17Lei Complementar nº 80/1994 (Lei Orgânica da Defensoria Pública) Art. 44, II: Os defensores públicos
têm prerrogativa de serem presos somente em flagrante por crime inafiançável, com comunicação
imediata ao defensor público-geral.
o Todas as ações devem ser detalhadamente registradas no Boletim de
Ocorrência (BO), incluindo, sempre que possível, a identificação de
testemunhas.
10.5 Militares Estaduais, das FFAA e Policiais Civis
A. Procedimentos Iniciais
1. Verificação da Ocorrência
o Conhecer a natureza do fato, identificando o tipo, as circunstâncias e se há
vítimas.
o Providenciar o socorro imediato às vítimas.
2. Identificação da Autoridade
o Solicitar que a autoridade se identifique, preferencialmente por meio de
documento de conhecimento público (ex.: passaporte, RG (funcional ou civil),
CNH etc.).
o Avaliar se a autoridade está na condição de vítima, testemunha ou autora do
delito.
3. Comunicação com o COPOM
o Informar ao COPOM sobre o ocorrido, repassando o máximo de informações
disponíveis e solicitando orientação sobre os procedimentos a serem
adotados.
B. Procedimentos para Autoridades que configuram como Autoras do Delito
Condução à Delegacia
o Independentemente de o crime ser afiançável ou não, todos os envolvidos
deverão ser conduzidos à delegacia de Polícia Civil.
o A autoridade deve ser formalmente apresentada ao titular da repartição, que
se manifestará sobre o tema e determinará a liberação, se for o caso.
2. Acompanhamento do Oficial de Operações
o Em todos os casos que envolvam autoridades (Oficiais das FFAA, da PM, do
CBM ou Delegados), o Oficial de Operações da respectiva área deve ser
acionado para acompanhar a condução da autoridade infratora.
3. Comunicação Imediata em Casos Específicos
o Se o infrator for Oficial das FFAA ou Delegado, a respectiva Força ou
Repartição deverá ser notificada com urgência para adotar as providências
cabíveis e conduzir o infrator à delegacia.
o Se não for possível a condução pela própria Força/Repartição, deverá ser
informado à PMPE os motivos da impossibilidade, registrando o nome,
matrícula, posto e função do responsável pela decisão (para registro no BO).
4. Uso da Viatura da PMPE
o O Oficial das FFAA ou Delegado não deverá ser conduzido na viatura da PMPE
sem que sua respectiva Força declare formalmente a impossibilidade de
condução.
5. Procedimento de Condução em Função da Hierarquia
o Para infratores da PM, do CBM ou de Oficiais das FFAA:
A condução deverá ser realizada por um militar estadual de mesma
patente ou superior, obedecendo à hierarquia e disciplina.
o Para infratores Delegados:
Se a repartição não dispuser de condições para o deslocamento, a
condução deverá ser efetuada pelo Oficial de Operações ou por outro
Oficial designado pelo COPOM.
6. Condução de Praças e Demais Agentes
o No caso de Praças das FFAA, PM ou CBM, bem como Comissários, Agentes
e Escrivães das Polícias (Federal ou Civil) infratores, a condução obedecerá
aos mesmos critérios, com a diferença de que a presença do Oficial de
Operações será dispensada, salvo determinação expressa.
CASO PRÁTICO: Durante o patrulhamento, a equipe policial recebeu uma denúncia via
rádio indicando que um homem em um veículo vermelho, placa XXXX, havia adquirido 100
porções de cocaína de um traficante local. Ao localizar o veículo correspondente à descrição,
os policiais realizaram a abordagem e o condutor se identificou como deputado federal.
Durante a revista, encontraram uma maleta sob o banco do carona contendo substância
semelhante à cocaína. Diante dessa situação, como os policiais devem proceder?
RACISMO
TORTURA
TRÁFICO DE DROGAS
TERRORISMO
CRIMES HEDIONDOS
AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS CONTRA O ESTADO DEMOCRÁTICO
DE DIREITO