INSTITUTO SUPERIOR MUTASA
DELEGAÇÃO DE CHIMOIO
CADEIRA: PRÁCTICAS PROFISSIONALIZANTES
RELATÓRIO DE VISITADO ESTUDO REALIZADO AO CENTRO DE
CAPTAÇÃO E TRATAMENTO DE ÁGUA DA ÁGUAS DA REGIÃO CENTRO
(AdRC) - CHICAMBA
Nome:
Rafael José
Curso: Gestão Ambiental e Desenvolvimento Rural
Chimoio, Abril de 2025
INSTITUTO SUPERIOR MUTASA
DELEGAÇÃO DE CHIMOIO
RELATÓRIO DE VISITADO ESTUDO REALIZADO AO CENTRO DE
CAPTAÇÃO E TRATAMENTO DE ÁGUA DA ÁGUAS DA REGIÃO CENTRO
(AdRC) - CHICAMBA
Trabalho de carácter avaliativo a ser submetido
no Instituto Superior Mutasa do curso de Gestão
Ambiental: 3˚ Ano
Docente: dr. Lemos Saimone Luís
Chimoio, Abril de 2025
Índice
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 2
1.1. Objetivos.................................................................................................................... 3
1.1.1. Geral ....................................................................................................................... 3
1.1.2. Objetivos Específicos ............................................................................................. 3
1.2. Metodologia de elaboração do trabalho..................................................................... 3
2. DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES REALIZADAS................................................. 5
2.1. Historial da Barragem de Chicamba .......................................................................... 5
2.2. Acompanhamento das estruturas operacionais .......................................................... 5
2.2.1. Sector de captação de água ..................................................................................... 5
[Link]. Monitoramento do nível de captação................................................................... 6
2.2.2. Sala de comando ..................................................................................................... 7
2.2.3. Processo de cloração e controle da qualidade da água ........................................... 9
2.2.4. Estação de bombagem e distribuição ................................................................... 10
2.2.5. Sala de ensaio microbiológico .............................................................................. 11
2.3. Componente Comunidade: Empregabilidade e acesso à água potável ................... 13
3. CONCLUSÃO ............................................................................................................ 14
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 15
1. INTRODUÇÃO
No âmbito da disciplina de Práticas Profissionalizantes e Gestão Integrada de Recursos
Hídricos, 47 estudantes do Curso de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Rural, nos regimes
presencial e a distância, do Instituto Superior Mutasa – Delegação de Chimoio, realizaram no
último sábado uma visita técnica ao Centro de Captação e Tratamento de Água da empresa
Águas da Região Centro (AdRC). Esta infraestrutura, anteriormente gerida pelo extinto Fundo
de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG), constitui um ponto
estratégico no sistema de abastecimento de água da região.
A actividade teve como principal objectivo proporcionar aos estudantes uma experiência
prática que complementasse os conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula,
promovendo a compreensão integrada dos processos de captação, tratamento e distribuição de
água potável. Acompanhados por dois docentes da instituição, os estudantes puderam observar
de forma detalhada as diferentes fases do processo, desde a origem da água até a sua entrega
segura ao consumidor final.
Durante a visita, os participantes também tiveram a oportunidade de conhecer os desafios
enfrentados pela AdRC nos últimos anos, especialmente no que diz respeito à crescente
demanda e à necessidade de uma gestão eficiente e sustentável dos recursos hídricos. Esta
experiência revelou-se de grande importância para a formação técnica e profissional dos
futuros gestores ambientais, permitindo-lhes reflectir sobre a realidade da gestão da água em
Moçambique e sua importância para o desenvolvimento sustentável das comunidades.
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1.1. Objetivos
1.1.1. Geral
Compreender os processos técnicos e operacionais envolvidos na captação, tratamento e
distribuição de água potável, no contexto da gestão integrada de recursos hídricos.
1.1.2. Objetivos Específicos
Conhecer as etapas do processo de captação e tratamento de água realizadas pela
AdRC.
Analisar os mecanismos de controle de qualidade da água potável.
Compreender os desafios enfrentados pela AdRC no abastecimento de água à
população.
Relacionar os conhecimentos teóricos da disciplina com a prática observada durante a
visita.
1.2. Metodologia de elaboração do trabalho
A metodologia adoptada para a elaboração do presente relatório baseou-se em uma abordagem
qualitativa, com ênfase na observação directa, registros empíricos e análise reflexiva,
conforme preconizado por autores como Bogdan e Biklen (1994), que destacam a importância
da imersão no campo para a compreensão contextualizada dos fenômenos sociais.
Em primeiro lugar, utilizou-se a observação directa como técnica fundamental durante a visita
técnica às instalações da AdRC. Essa abordagem permitiu aos estudantes e docentes captar
aspectos operacionais e estruturais da instituição em seu contexto natural, de acordo com a
concepção de Minayo (2010), que entende a observação como uma ferramenta de apreensão
da realidade que permite maior proximidade com os sujeitos e os processos analisados.
Paralelamente, foi realizado registo fotográfico e anotações de campo, conforme orientação de
Flick (2009), que recomenda o uso de múltiplas fontes de dados para garantir a triangulação e
aumentar a confiabilidade da pesquisa. Os estudantes e docentes, durante a visita,
documentaram os elementos relevantes por meio de fotos e notas escritas, facilitando
posteriormente a análise e interpretação das informações.
Além disso, foram conduzidas entrevistas informais com técnicos e responsáveis da AdRC,
proporcionando uma compreensão mais aprofundada sobre os processos internos e as
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estratégias operacionais da instituição. Segundo Triviños (2007), entrevistas de carácter
informal são essenciais em pesquisas qualitativas, pois promovem maior espontaneidade e
liberdade na expressão dos sujeitos, contribuindo para a riqueza dos dados colectados.
Por fim, houve a sistematização das informações, com base nos conteúdos programáticos
abordados ao longo da disciplina. Essa sistematização seguiu a lógica da análise de conteúdo,
conforme Bardin (2016), permitindo a organização e categorização dos dados empíricos em
função dos objectivos do trabalho.
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2. DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES REALIZADAS
2.1. Historial da barragem de Chicamba
A Barragem de Chicamba, localizada a cerca de 30 quilómetros a oeste da cidade de Chimoio,
no planalto de Manica, província de Manica, Moçambique. A barragem está edificada no rio
Revué, principal afluente da margem esquerda do rio Búzi, numa garganta de afloramentos
quartzíticos conhecida como Chicamba Real.
A construção da barragem insere-se no contexto do aproveitamento hidroeléctrico do rio
Revué. Para além da produção de electricidade, o projecto contempla também o componente
de tratamento de água, com o objectivo de abastecer internamente a província de Manica. O
projeto teve início com a cerimónia de lançamento da primeira pedra em 2009 e foi concluído
com a inauguração oficial em 2011, representando um marco significativo na história da
produção e fornecimento de água na região.
2.2. Acompanhamento das estruturas operacionais
Os estudantes, acompanhados por técnicos especializados, realizaram uma visita guiada às
principais infraestruturas operacionais da barragem. Durante a actividade, tiveram a
oportunidade de observar de perto o funcionamento do sistema de captação e condução de
água, as turbinas geradoras de energia, as áreas de controle técnico e os dispositivos de
segurança instalados para garantir o funcionamento eficiente e seguro da estrutura.
A visita foi organizada de forma a permitir o acompanhamento detalhado dos diversos
sectores que compõem o complexo da barragem, conforme descrito a seguir:
2.2.1. Sector de captação de água
No sector de captação de água, os estudantes puderam compreender como se dá o processo de
desvio e direccionamento da água do rio Revué para os sistemas de condução. Este sector é
partilhado por duas entidades: a EDM (Electricidade de Moçambique), responsável pela
produção de energia eléctrica, e a AdRC (Administração Regional de Águas do Centro),
responsável pelo abastecimento de água potável.
A estrutura de captação conta com um barramento que regula o fluxo de água, garantindo o
funcionamento adequado dos sistemas. Possui também um poço profundo, que, devido à
sensibilidade dos equipamentos nele instalados, não pode, em hipótese alguma, ficar seco.
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Para assegurar a continuidade do abastecimento, o sistema dispõe de cinco grupos de
electrobombas — quatro operam simultaneamente e um permanece em modo de reserva
(standby), pronto para entrar em funcionamento caso um dos outros apresente falhas.
Dentre os equipamentos associados às bombas, destaca-se um tanque pneumático, cuja função
principal é proteger o sistema em casos de cortes ou oscilações de energia eléctrica, evitando
danos aos equipamentos e interrupções no fornecimento de água.
Outro componente fundamental deste sector é a torre de captação, que possui duas entradas de
água bruta. Na parte inferior da torre, encontram-se duas comportas de diâmetro 350 mm que
controlam a entrada da água. Essas comportas estão localizadas em diferentes níveis:
A comporta inferior é utilizada quando o nível de água do rio está baixo, permitindo a
captação mesmo em períodos de estiagem.
A comporta superior entra em funcionamento quando o nível de água está elevado.
Nesse caso, fecha-se a comporta inferior e abre-se a superior, garantindo que a água
entre no poço sem sobrecarregar os sistemas de captação.
Este sistema de dupla entrada permite uma gestão eficiente da captação, adaptando-se às
variações do nível do rio e assegurando o fornecimento contínuo de água tanto para a
produção de energia quanto para o abastecimento público.
Fig. 1: Sector de captação
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[Link]. Monitoramento do nível de captação
O monitoramento do nível de captação da água bruta é uma etapa fundamental para o
funcionamento eficiente e seguro da barragem. Segundo o técnico responsável que
acompanhou a visita, esse processo é controlado internamente e realizado em coordenação
entre as duas entidades que exploram a albufeira: a EDM (Electricidade de Moçambique) e a
AdRC (Administração Regional de Águas do Centro).
Essas duas instituições trabalham em conjunto para garantir que o volume de captação atinja
os parâmetros operacionais adequados: 1.700 m³/h quando estão em funcionamento os quatro
grupos de electrobombas, e 1.200 m³/h quando apenas três grupos estão activos. A cooperação
entre EDM e AdRC é essencial para garantir que os objectivos de produção de energia e
abastecimento de água sejam cumpridos sem comprometer a sustentabilidade da albufeira.
O nível de captação é ajustado com base na disponibilidade hídrica do rio Revué e nas
necessidades operacionais das duas instituições, garantindo o equilíbrio entre a geração de
energia e o fornecimento de água potável para a população. Essa coordenação
interinstitucional é essencial para assegurar uma gestão integrada dos recursos hídricos,
conforme defendem Tucci e Hespanhol (2000), que destacam a importância do planeamento
conjunto na gestão de bacias hidrográficas, especialmente em sistemas multifuncionais como
barragens com fins hidroelétricos e de abastecimento público.
A medição e controle do nível de captação são realizados por meio de sensores instalados nas
estruturas hidráulicas, que fornecem dados em tempo real sobre os volumes de entrada e a
variação dos níveis de água. Essas informações permitem ajustes imediatos nas operações de
captação e distribuição, prevenindo situações de escassez ou sobrecarga dos sistemas. Como
observa ANA (Agência Nacional de Águas, 2011), o uso de tecnologias de monitoramento
contribui para uma gestão eficiente, segura e sustentável dos recursos hídricos.
2.2.2. Sala de comando
A sala de comando da barragem é o centro operacional onde são realizadas todas as manobras
de controle dos sistemas electromecânicos. Actualmente, o sistema automático encontra-se
inactivo, o que obriga os operadores a utilizarem o modo manual para conduzir toda a
operação. Este modo requer atenção redobrada, visto que todas as acções — como o arranque,
a paragem dos equipamentos, a medição da frequência e a detecção de anomalias — devem
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ser executadas manualmente, o que aumenta a margem para falhas humanas e reduz a
eficiência operacional.
Segundo Ogata (2010), os sistemas automáticos de controle são projectados para garantir
maior precisão, confiabilidade e segurança na operação de sistemas industriais. A ausência de
automatização, portanto, pode comprometer o desempenho e a capacidade de resposta em
situações críticas.
Os equipamentos nesta sala estão organizados em diferentes circuitos operacionais. No
momento da visita, os circuitos 3 e 4 encontravam-se em manutenção preventiva, com o
objectivo de assegurar a continuidade e segurança do funcionamento dos sistemas. A
manutenção regular dos circuitos é essencial para evitar avarias maiores, como destaca Bastos
(2017), ao afirmar que a manutenção preventiva é um dos pilares fundamentais para a
durabilidade e eficiência dos sistemas electromecânicos.
Outro componente importante presente na sala de comando é o variador de frequência (VFD –
Variable Frequency Drive), cuja função é controlar a velocidade de rotação dos motores
eléctricos, optimizando o consumo energético e garantindo uma operação mais estável. De
acordo com Bolton (2015), o uso de variadores de frequência é uma prática consolidada na
engenharia de controle, pois permite adaptar a velocidade do motor às necessidades do
sistema, resultando em economia de energia e maior vida útil dos equipamentos.
Portanto, a sala de comando representa o cérebro do sistema de captação e distribuição de
água da barragem. Mesmo operando de forma manual, ela continua desempenhando um papel
essencial na coordenação dos processos e na detecção de eventuais anomalias, embora a
reactivação do sistema automático seja recomendada para garantir maior eficiência e
segurança.
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Fig 2: Monitoramento do nível de caudal e a sala de comando
2.2.3. Processo de cloração e controle da qualidade da água
Após a etapa de filtração, inicia-se o processo de desinfecção da água por meio da cloração,
etapa essencial para a eliminação de microrganismos patogênicos e garantia da potabilidade
da água distribuída. Esse procedimento é realizado com o auxílio de um doseador automático,
que introduz o cloro em intervalos regulares de uma em uma hora, com o objectivo de
alcançar uma concentração residual de cloro livre entre 1,2 e 1,5 mg/L, conforme as
recomendações técnicas para garantir a eficácia da desinfecção sem comprometer a qualidade
sensorial da água.
De acordo com o técnico responsável, quando a produção atinge 40.000m3/dia, esse controle
se torna ainda mais rigoroso, a fim de assegurar que toda a água tratada esteja em
conformidade com os parâmetros de segurança sanitária definidos pela Organização Mundial
da Saúde (OMS) e pela legislação nacional.
A limpeza dos sistemas de cloração e dos tanques de armazenamento é realizada com
periodicidade mensal, como parte do plano de manutenção preventiva, essencial para evitar o
acúmulo de resíduos e o comprometimento da eficiência do processo. A limpeza e
manutenção periódica dos sistemas de tratamento são indispensáveis para manter a qualidade
da água tratada e garantir o funcionamento ideal dos equipamentos (VON SPERLING, 2005).
Além disso, a aplicação controlada de cloro é uma prática amplamente reconhecida e
recomendada em sistemas de abastecimento público. Como destaca APHA (2012), o
monitoramento contínuo da dosagem de desinfectante e da concentração residual garante a
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protecção da população contra doenças de veiculação hídrica e contribui para a credibilidade
do sistema de abastecimento.
Fig 3: Sala de tratamento
2.2.4. Estação de bombagem e distribuição
Após o processo de tratamento, a água é conduzida para uma caixa de acumulação, equipada
com comportas e condutas específicas. Uma dessas condutas direcciona o fluxo para os filtros,
e a outra serve como linha de transpasse de segurança. Após a filtração, a água segue para o
reservatório principal, de onde é bombeada para os pontos de consumo através da estação de
bombagem.
A partir do reservatório, a água tratada é distribuída simultaneamente para diversas
localidades, incluindo a cidade de Chimoio, a vila de Manica, a vila de Gondola e a localidade
de Messica, desde que o reservatório atinja um nível operacional adequado. Segundo o técnico
responsável, o tempo de trânsito da água nas condutas até esses destinos não ultrapassa 30
minutos, evidenciando a eficiência do sistema de distribuição.
Entretanto, o sistema enfrenta desafios pontuais relacionados à qualidade da água distribuída,
especialmente no que se refere à turbidez. O técnico explicou que os principais factores que
contribuem para o aumento da turbidez da água na rede são:
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Rupturas nas tubulações, que permitem a entrada de partículas e contaminantes no
sistema.
Ligações clandestinas, que comprometem a integridade e a pressão da rede de
distribuição, facilitando a intrusão de sedimentos e microrganismos.
Quando se detecta um aumento anormal da turbidez, a medida imediata adoptada é a descarga
da água na rede, ou seja, o esvaziamento controlado dos trechos afectados para purgação dos
contaminantes. Durante esse processo, a distribuição de água é temporariamente interrompida
até que os níveis de qualidade sejam restabelecidos.
Essa prática está em consonância com os princípios de gestão operacional de sistemas de
abastecimento de água, que visam garantir a segurança e a potabilidade da água entregue à
população. Conforme destaca Von Sperling (2005), o controle da turbidez é um indicador
essencial da eficácia do sistema de tratamento e distribuição, sendo necessário intervir
rapidamente sempre que os limites estabelecidos forem ultrapassados.
Fig 4: Estação de bombagem e distribuição
2.2.5. Sala de ensaio microbiológico
Na sala de ensaio microbiológico, realizam-se análises fundamentais para o monitoramento da
qualidade da água bruta captada, com o objectivo de garantir a eficiência do tratamento e a
segurança da água distribuída à população.
Entre os principais ensaios realizados estão os testes para a presença de coliformes fecais, que
são indicadores microbiológicos amplamente utilizados para detectar a possível contaminação
por esgoto ou matéria orgânica de origem fecal. A identificação desses microrganismos
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permite avaliar o grau de contaminação da água e orientar os procedimentos de desinfecção
mais adequados, em conformidade com os padrões estabelecidos pela Organização Mundial
da Saúde (OMS) e pela legislação nacional.
Além dos ensaios microbiológicos, são também realizados ensaios de tratabilidade da água,
com o uso de produtos como o Sudofloc. Este reagente atua como coagulante e auxilia na
remoção de partículas em suspensão, matéria orgânica e microrganismos por meio dos
processos de coagulação e floculação. Tais testes são essenciais para ajustar a dosagem dos
reagentes no tratamento da água conforme a variabilidade das características da água bruta.
Os ensaios químicos complementares também são realizados com reagentes específicos para
determinar parâmetros como pH, alcalinidade, dureza, ferro, manganês, entre outros, que
influenciam directamente na escolha dos processos de tratamento e na qualidade final da água.
Segundo Von Sperling (2005), o controle laboratorial da água em todas as suas etapas – desde
a captação até a distribuição – é fundamental para garantir que a água tratada esteja de acordo
com os padrões de potabilidade e que o processo de tratamento seja continuamente otimizado.
Além disso, a American Public Health Association (APHA, 2012) destaca que a realização de
ensaios laboratoriais rotineiros é uma exigência em qualquer sistema de abastecimento
moderno, sendo parte integrante do controle de qualidade da água.
Fig 5: Ensaio microbiológico
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2.3. Componente Comunidade: Empregabilidade e acesso à água potável
A barragem e os sistemas associados ao seu funcionamento não beneficiam apenas os centros
urbanos e industriais, mas também exercem um impacto positivo directo sobre as
comunidades circunvizinhas. Um dos principais reflexos dessa interacção é a empregabilidade
local. A operação da infra-estrutura hidráulica e eléctrica tem proporcionado oportunidades de
trabalho para membros da comunidade, seja em actividades de apoio logístico, manutenção,
vigilância ou em serviços operacionais. Essa integração fortalece o vínculo entre a
infraestrutura e a população local, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico da
região.
Além disso, a barragem desempenha um papel crucial na garantia do acesso à água potável
para as comunidades locais. Foram identificadas duas fontes de abastecimento comunitário,
onde a água, já tratada, é disponibilizada à população. Essas fontes representam um avanço
significativo no combate a doenças hídricas e na promoção da saúde pública, especialmente
em áreas onde o acesso à água segura ainda é um desafio.
Conforme afirma Dias (2000), os projectos de infraestrutura hídrica que incorporam acções
voltadas à comunidade promovem não apenas benefícios técnicos e económicos, mas também
valores sociais, como inclusão e equidade no acesso aos recursos hídricos. A existência dessas
fontes de água potável reforça o compromisso do empreendimento com a responsabilidade
social e ambiental.
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3. CONCLUSÃO
A visita de estudo ao Centro de Captação e Tratamento de Água da Águas da Região Centro
(AdRC), localizado em Chicamba, constituiu uma oportunidade enriquecedora para o
aprofundamento dos conhecimentos teóricos e práticos sobre o funcionamento de um sistema
de abastecimento de água de grande escala. Foi possível observar de forma directa as
diferentes etapas do processo, desde a captação da água no rio Revué, o seu tratamento físico-
químico e microbiológico, até a sua distribuição final para os centros urbanos de Chimoio,
Gondola, Manica e Messica.
Durante a visita, os estudantes puderam acompanhar o funcionamento de sectores estratégicos
como o sistema de captação com os grupos de electrobombas, a sala de comando, o sector de
dosagem de cloro, a estação de bombagem, o laboratório de ensaios microbiológicos e as
estruturas de monitoramento técnico. Também se evidenciou a importância da articulação
entre as duas empresas operadoras — AdRC e EDM — para garantir um fornecimento
contínuo de água com qualidade, atendendo às necessidades da população com um caudal de
até 1.700 m³/h.
Além dos aspectos técnicos, a visita permitiu identificar o papel social da infraestrutura,
destacando a empregabilidade de membros da comunidade local e a existência de duas fontes
de abastecimento directo de água potável para uso comunitário.
Em suma, a actividade contribuiu significativamente para consolidar a compreensão dos
estudantes sobre os desafios e boas práticas na gestão de recursos hídricos, e destacou a
importância da sustentabilidade, da qualidade e da segurança no fornecimento de água para o
desenvolvimento das populações.
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4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Agência Nacional de Águas – ANA. (2011). Manual de Usos Consuntivos da Água e
Acessos aos Recursos Hídricos. Brasília: ANA.
APHA – American Public Health Association. (2012). Standard Methods for the
Examination of Water and Wastewater. 22nd ed. Washington, D.C.
Bardin, L. (2016). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.
Bastos, M. F. (2017). Gestão da Manutenção Industrial: Estratégias e Práticas. Rio de
Janeiro: LTC.
Bogdan, R. & Biklen, S. (1994). Investigação qualitativa em educação: uma
introdução à teoria e aos métodos. Porto: Porto Editora.
Bolton, W. (2015). Controle e Automação Industrial. 6. ed. São Paulo: Cengage
Learning.
Flick, U. (2009). Introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre: Artmed.
Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa.
São Paulo: Paz e Terra.
Minayo, M. C. S. (2010). O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde.
São Paulo: Hucitec.
Ogata, K. (2010). Engenharia de Controle Moderno. 5. ed. São Paulo: Pearson
Prentice Hall.
Triviños, A. N. S. (1987). Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa
qualitativa em educação. São Paulo: Atlas.
Tucci, C. E. M., & Hespanhol, I. (2000). Águas Urbanas: Política, Planejamento e
Gestão. Brasília: ANA.
Von Sperling, M. (2005). Introdução à Qualidade das Águas e ao Tratamento de
Esgotos. 3. ed. Belo Horizonte: UFMG.
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