Casa Zero Energy: Sustentabilidade e Autossuficiência
Casa Zero Energy: Sustentabilidade e Autossuficiência
energeticamente independente e
autossuficiente
1120292
Catarina André Ferreira
Agradecimentos
A elaboração da presente dissertação do Mestrado em Engenharia Eletrotécnica – Sistemas
Elétricos de Energia, contou com o apoio, direto e indireto, de várias pessoas e instituições, às
quais pretendo exprimir algumas palavras de agradecimento e realçar o seu devido valor.
Em primeiro lugar, pretendo agradecer ao meu orientador, Engenheiro Sérgio Ramos, pela
oportunidade, por estar sempre disponível e pronto a ajudar e por todas as ideias partilhadas
durante a elaboração desta dissertação. E não posso deixar de agradecer por todo o conhecimento
partilhado ao longo do meu percurso académico, tanto na Licenciatura em Engenharia
Eletrotécnica – Sistemas Elétricos de Energia como no presente Mestrado.
Ao gabinete OHM-E - Gabinete de Engenharia Eletrotécnica, por todo o apoio prestado, todo o
conhecimento partilhado e por todos os contactos disponibilizados. Em especial ao Engenheiro
André Gusmão por disponibilizar a sua habitação, para elaborar o estudo presente nesta
dissertação.
À minha família, em particular destaque, à minha mãe, à minha irmã, ao meu pai, aos meus avós
e ao meu tio Américo que sempre me motivaram e acima de tudo sempre acreditaram em mim.
Por último, mas não menos importante, ao meu namorado Raul Ribeiro, pelo apoio não só na
elaboração desta dissertação, mas também pelo apoio oferecido no decorrer de todo o meu percurso
académico, que sempre esteve presente. Agradeço por todo o incentivo, por nunca me deixar
desanimar, por todos os dias e noites de estudo partilhado, por todo o carinho e companheirismo.
E acima de tudo agradeço por sempre me apoiar e desafiar a aceitar novos desafios.
Obrigada a todos!
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Resumo
Nos tempos que decorrem é necessário apelar à sustentabilidade do mundo, para tal, é importante
apostar nos recursos energéticos. Esta atitude deve-se encontrar durante o desenvolvimento e
execução dos projetos numa perspetiva de desafio, numa sociedade onde o desenvolvimento
tecnológico deve ser colocado em prática para uma melhor qualidade de serviço.
As sociedades de hoje têm cada vez mais consciencialização para uma defesa ambiental, intervindo
nos seus projetos, tomando decisões alargadas neste âmbito. E desta forma pretende-se dizer que
poucos são os espaços, públicos ou privados, que não procuram adaptar-se “aos novos tempos”.
Durante a elaboração do projeto foi necessário ter consciência, apelando à sustentabilidade bem
como a modelos tecnologicamente avançados paralelamente a uma consciência de custos
financeiros que todas as decisões que foram tomadas ao longo da sua elaboração acarretaram para
o dono de obra.
O presente projeto visa estudar e apresentar soluções para construir uma habitação unifamiliar
energeticamente independente e autossustentável. A mesma exige um sistema de segurança com
garantia de fiabilidade, conforto e proteção, dando respostas às mais diversas e complexas
necessidades solicitadas.
Com a revolução industrial e tendo em conta a natureza do planeta, este trabalho visa a construção
de habitações sustentáveis, através de construção ecológica e utilização de fontes alternativas de
energia.
Por fim, é importante realçar que ao longo de todo o desenvolvimento do projeto foram tomadas
decisões de acordo com as regras técnicas bem como todas as normas vigentes de forma a garantir,
satisfatoriamente, o seu desenvolvimento e segurança tendo em conta a utilização prevista.
Palavras-chave
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Índice Geral
Capítulo 1....................................................................................................................................1
1.1. Introdução......................................................................................................................2
1.2. Contextualização E Motivação......................................................................................2
1.3. Empresa – Identificação E Caracterização ....................................................................5
1.4. Objetivos .......................................................................................................................8
1.5. Organização Do Texto ..................................................................................................8
1.6. Resumo ..........................................................................................................................9
Capítulo 2..................................................................................................................................10
2.1. Evolução Histórica Da Energia Elétrica......................................................................11
2.1.1. Revoluções Industriais .............................................................................................13
2.2. Importância Da Sustentabilidade ................................................................................14
2.3. Habitações Unifamiliares Sustentáveis .......................................................................16
2.3.1. Exemplo Da Casa Mais Sustentável Do Reino Unido ............................................16
2.3.2. Polo House...............................................................................................................18
2.3.3. Legion House, Liberty Place ...................................................................................24
2.3.4. Módulos Autosuficientes .........................................................................................25
2.4. Resumo ........................................................................................................................28
Capítulo 3..................................................................................................................................29
3.1. Identificação E Caracterização Dos Vetores Energéticos ...........................................30
3.2. Caraterização Criteriosa Do Tipo De Equipamentos E Eletrodomésticos
Eletricamente Mais Eficientes ................................................................................................33
3.2.1. Etiqueta De Eficiência .............................................................................................34
3.2.2. Eletrodomésticos Tipicamente Utilizados Nas Habitações .....................................36
[Link]. Eletrodomésticos Com Etiqueta Energética ........................................................36
[Link].1. Frigorífico ............................................................................................................36
[Link].2. Máquina De Lavar Roupa ....................................................................................37
[Link].3. Máquina De Lavar Loiça .....................................................................................37
[Link].4. Máquina De Secar Roupa ....................................................................................37
[Link].5. Máquina De Lavar E Secar Roupa ......................................................................38
[Link].6. Micro-Ondas ........................................................................................................38
[Link].7. Fornos ..................................................................................................................38
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5.1. Introdução........................................................................................................................76
5.2. Sistema Off Grid .............................................................................................................77
5.3. Caracterização E Constituição Da Habitação Em Estudo ...............................................77
5.4. Análise De Consumo.......................................................................................................80
5.4.1. Potência Necessária ......................................................................................................84
5.5. Sistema Fotovoltaico .......................................................................................................86
5.5.1. Análise Da Região Da Instalação .................................................................................86
5.5.1. Dimensionamento Do Sistema Fotovoltaico ................................................................88
[Link]. Dimensionamento Do Inversor E Determinação Das Perdas ....................................88
[Link]. Potência Do Gerador Fotovoltaico ............................................................................89
[Link]. Número De Módulos .................................................................................................90
[Link]. Número Mínimo E Máximo De Módulos Por Fileira ...............................................90
[Link]. Número Máximo De Fileiras Em Paralelo ................................................................92
[Link]. Solução Do Sistema Fotovoltaico .............................................................................92
5.6. Sistema Eólico .................................................................................................................93
5.6.1. Distribuição De Weibull E Distribuição De Rayleigh .................................................95
5.6.2. Dimensionamento Da Turbina .....................................................................................97
5.6.2. Distribuição De Prandtl ................................................................................................99
5.6.3. Cálculo Energético .....................................................................................................100
5.6.4. Solução Do Sistema Eólico ........................................................................................101
5.7. Reguladores De Carga ...................................................................................................102
5.8. Quadros Elétricos ..........................................................................................................102
5.9. Banco De Baterias .........................................................................................................104
5.10. Sistema Geotérmico ....................................................................................................106
5.11. Materiais A Empregar Na Instalação ..........................................................................109
5.12. Resumo ........................................................................................................................109
Capítulo 6................................................................................................................................110
6.1. Solução Do Projeto........................................................................................................111
6.2. Critérios De Avaliação Económica E Financeira De Projetos De Investimento ..........111
6.2.1. Valor Atualizado Líquido...........................................................................................112
6.2.2. Período De Recuperação Do Investimento ................................................................113
6.2.3. Taxa Interna De Rentabilidade ...................................................................................114
6.3. Cenários .........................................................................................................................114
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Índice de Figuras
Figura 1. Repartição da energia elétrica comercializada pela EDP, por tecnologia em 2015. [1] ..3
Figura 2. Evolução mensal das emissões específicas em 2015. [1] ................................................4
Figura 3. Emissões associadas a consumos médios anuais. [1] ......................................................5
Figura 4. Logotipo da empresa OHM-E ..........................................................................................5
Figura 5. Organigrama da empresa .................................................................................................7
Figura 6. Criação de luz com recurso ao fogo. ..............................................................................11
Figura 7. Evolução do Consumo Energético da Eletricidade e da Lenha entre 1989 e 2010 [11] 12
Figura 8. Primeira central elétrica em Pearl Street, Nova Iorque. .................................................12
Figura 9. Os três pilares da sustentabilidade .................................................................................14
Figura 10. Desenvolvimento económico. ......................................................................................15
Figura 11. Desenvolvimento Social. .............................................................................................15
Figura 12. Proteção Ambiental. .....................................................................................................15
Figura 13. Sustentabilidade e as suas dimensões. [4] ....................................................................16
Figura 14. Habitação Unifamiliar que em 2015 ganhou o prémio Swig Awards. ........................16
Figura 15. Habitação mais sustentável do Reino Unido. ...............................................................18
Figura 16. Polo House. [5].............................................................................................................19
Figura 17. Constituição do Imóvel. [6] .........................................................................................21
Figura 18. Passo a passo para a elaboração da arquitetura. [6] .....................................................22
Figura 19. Energia/Ventilação. [6] ................................................................................................23
Figura 20. Legion House. [7] ........................................................................................................24
Figura 21. Módulos Autossuficientes. [14] ...................................................................................25
Figura 22. Montagem e transporte dos módulos. ..........................................................................26
Figura 23. Interior dos módulos autossuficientes. .........................................................................27
Figura 24. Vetores energéticos em habitações. .............................................................................30
Figura 25. Consumo de energia na habitação por tipo de vetor. [13]............................................32
Figura 26. Distribuição do consumo de energia na habitação, por tipo de uso e fonte de energia –
2010. [13] ......................................................................................................................................33
Figura 27. Inquérito ao consumo de energia no setor doméstico em 2010. [16]...........................34
Figura 28. Etiqueta energética antiga vs etiqueta energética nova. [15] .......................................35
Figura 29. Iluminação LED [18] ...................................................................................................39
Figura 30. Radiação solar em Portugal. [19] .................................................................................43
Figura 31. Mapa de radiação solar na Europa. [19].......................................................................43
Figura 32. Capacidade Solar Fotovoltaica Instalada em Portuga. [20] .........................................44
Figura 33. Efeito fotovoltaico. [24] ...............................................................................................45
Figura 34. Sistema solar fotovoltaico. [21] ...................................................................................46
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Índice de Tabelas
Tabela 1. Potência instalada nos diversos países. [35] ..................................................................57
Tabela 3. Consumo diário..............................................................................................................81
Tabela 4. Resumo do consumo diário. ..........................................................................................82
Tabela 5. Equipamentos que funcionam em simultâneo no cenário diurno. .................................85
Tabela 6. Equipamentos que funcionam em simultâneo no cenário noturno. ...............................85
Tabela 7. Informação obtida através do PVGIS. ...........................................................................87
Tabela 8. Determinação da potência do gerador fotovoltaico. ......................................................89
Tabela 9. Quantidade de módulos do sistema. ..............................................................................90
Tabela 10. Determinação do número mínimo e máximo de módulos por fileira. .........................91
Tabela 11. Determinação do número máximo de fileiras em paralelo. .........................................92
Tabela 12. Análise da solução preconizada. ..................................................................................93
Tabela 13. Determinação de f (u) a partir da distribuição de Rayleigh. ........................................96
Tabela 14. Solução da implementação da Lei de Prandtl. .............................................................99
Tabela 15. Valores obtidos para a potência elétrica e a energia produzida anualmente. ............100
Tabela 16. Determinação da capacidade das baterias..................................................................105
Tabela 17. Investimento inicial – Caso 1. ...................................................................................115
Tabela 18. Dados para determinar os critérios de avaliação económica – Cenário 1. ................115
Tabela 19. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 1. ...........116
Tabela 20. Cash Flow – Cenário 1. .............................................................................................117
Tabela 21. Resultado da análise económica – Cenário 1. ...........................................................117
Tabela 22. Dados para determinar os critérios de avaliação económica – Cenário 2. ................118
Tabela 23. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 2. ...........119
Tabela 24. Cash Flow – Cenário 2. .............................................................................................120
Tabela 25. Resultado da análise económica – Cenário 2. ...........................................................120
Tabela 26. Dados para determinar os critérios de avaliação económica – Cenário 3. ................121
Tabela 27. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 3. ...........122
Tabela 28. Cash Flow – Cenário 3. .............................................................................................123
Tabela 29. Resultado da análise económica – Cenário 3. ...........................................................123
Tabela 30. Indicadores Económicos – Resumo dos cenários. .....................................................128
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GIGS Cobre-Índio-Gálio
Ni-Cd Níquel-cádmio
CC Corrente contínua
CA Corrente alternada
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Capítulo 1
Introdução
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1.1. INTRODUÇÃO
Sendo o mercado económico cada vez mais exigente e competitivo é fundamental que as
infraestruturas de suporte sejam de elevada fiabilidade, mas ao mesmo tempo economicamente
viáveis, daí que o projeto tenha que ter em conta a vertente económica e sustentável.
A poluição e o aquecimento global fazem com que cada vez mais pessoas se preocupem com os
efeitos secundários causados na natureza e procurem formas diferentes para diminuir ao máximo
a destruição do meio ambiente. E para que haja realmente uma mudança na mentalidade de todos,
nada melhor do que começar com a residência de cada pessoa.
É com base nestes requisitos que surge a necessidade de análise e estudo das melhores soluções, a
nível de segurança, do ponto de vista técnico, económico, sustentável e eficiente, para que o seu
resultado vá de encontro às necessidades do cliente.
Hoje em dia, a necessidade de uma consciencialização sobre os problemas ambientais é cada vez
maior, visto que o planeta está a “sofrer” com a poluição, a perda da biodiversidade e o
aquecimento global.
A produção de energia elétrica pode ser obtida através de energia renovável e energia não
renovável. O problema é que a energia não renovável causa inúmeros impactos negativos para o
meio ambiente e utiliza recursos esgotáveis para a produção de energia.
Desta forma verifica-se que produção de energia elétrica tem um impacto ambiental muito
significativo, principalmente no que diz respeito aos efeitos causados pela queima de combustíveis
fósseis, ao contrário da produção de energia renovável que não prejudica o meio ambiente. No
entanto, a construção de centrais hidroelétricas acarreta impactos, uma vez que esta implica
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Figura 1. Repartição da energia elétrica comercializada pela EDP, por tecnologia em 2015. [1]
Na produção de energia térmica resultam emissões de gases para a atmosfera, tais como, óxidos
de azoto (N𝑂𝑥 ), dióxido de carbono (C𝑂2 ), dióxido de enxofre (S𝑂2 ) e partículas.
Quando o dióxido de enxofre e os óxidos de azoto se misturam com a água, formam os chamados
ácidos sulfúrico e nítrico, que são os ácidos responsáveis pelas chuvas ácidas, afetando
consequentemente a saúde humana, o meio ambiente e os lagos.
Apesar do dióxido de carbono ser essencial à vida do Planeta Terra, hoje em dia é preocupante a
alta concentração em que se encontra. Este gás é responsável pelo efeito de estufa e
consequentemente pelo aquecimento global.
Quanto aos óxidos de azoto verifica-se que estes são responsáveis por danos na saúde humana e
responsáveis pela destruição da camada de ozono (esta camada impede a passagem de radiações
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Através da figura 2, verifica-se que a emissão de dióxido de carbono apresenta valores bastante
significativos. De notar, que o pico da emissão deste gás ocorre nos meses de verão, devido ao
facto das energias renováveis mais produtíveis em Portugal (hídrica e eólica) produzirem menor
quantidade de energia durante estes meses, implicando consequentemente a produção de energia
elétrica através da produção térmica, para poder assegurar o correto funcionamento do sistema
nacional de energia.
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Através da figura 3, observa-se que as emissões de dióxido de carbono e dos resíduos radioativos,
está relacionada com o consumo de energia. Ou seja, quanto maior é o consumo de energia elétrica,
maiores são as quantidades de emissões de 𝐶𝑂2 e dos resíduos radioativos.
A proteção do ambiente, a minimização dos impactos, a utilização racional dos recursos naturais
e a prevenção da poluição ambiental deve ser uma preocupação de todos, para que todos juntos se
consiga diminuir os impactos causados pela produção de energia elétrica.
A OHM-E, foi fundada em 1989 pelo Eng.º Fernando Silva Gusmão e representa uma referência
no domínio da elaboração de projetos de Engenharia Eletrotécnica.
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Os seus objetivos focam-se imenso em modelos tecnologicamente avançados (led’s, fibra ótica,
etc), adequados a cada tipo de instalação, atendendo às exigências dos seus clientes, promovendo
paralelamente a implementação de tecnologias detentoras de grandes vantagens económicas e
ecológicas.
O grupo OHM-E atua sempre de acordo com um código de valores próprios, atuando com base
nas regras vigentes. Esta empresa tem como missão e objetivos o seguinte:
▪ Atuar com integridade;
▪ Competência;
▪ Responsabilidade e respeito por critérios de rentabilidade do negócio;
▪ Satisfação dos clientes;
▪ Assegurar a melhor qualidade de vida para toda a comunidade envolvente.
Ao longo destes 27 anos de existência o Grupo OHM-E desenvolveu inúmeros projetos de especial
relevância, quer a nível nacional como internacional, destacando-se os seguintes:
▪ AVENIDA E ROTUNDA DA BOAVISTA | Porto | Arq. Siza Vieira;
▪ MUSEU DO CARRO ELÉCTRICO | Porto | Arq. Alcino Soutinho;
▪ IGREJA SANTÍSSIMA TRINDADE | Fátima | Arq. Tombazis e Arq. Paula Santos;
▪ MUSEU DO NEOREALISMO | Vila Franca de Xira | Arq. Alcino Soutinho;
▪ INST. ABEL SALAZAR E FAC. DE FARMÁCIA DA UP| Porto | Arq. José Manuel
Soares;
▪ INEGI – FEUP| Porto | Arq. Pedro Ramalho;
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1.4. OBJETIVOS
Os objetivos iniciais propostos para o desenvolvimento da presente dissertação foram:
▪ Pesquisa de soluções já existentes de casas energeticamente independentes;
▪ Identificação e caraterização dos vários vetores energéticos que condicionam o consumo
de energia elétrica numa habitação;
▪ Caraterização criteriosa do tipo de equipamentos e eletrodomésticos eletricamente mais
eficientes;
▪ Identificação e caraterização de recursos renováveis com vista ao fornecimento de
eletricidade, aquecimento de ar e de água.
▪ Caraterização e integração dos itens anteriores numa única solução com vista ao desafio
de implementação de uma casa energeticamente autónoma.
Esta dissertação é constituída por 7 capítulos, sendo que o capítulo 1 trata-se da Introdução, na
qual são feitas algumas considerações gerais sobre a sustentabilidade. Também neste capítulo são
apresentados os objetivos do trabalho, a motivação para o realizar e a organização do texto.
No capítulo 4, são abordadas as energias renováveis que serão utilizadas no caso de estudo, tais
como, energia eólica, fotovoltaica, geotérmica e equipamentos de acumulação e de conversão.
O capítulo 5, corresponde ao caso de estudo, onde se começa por caracterizar a habitação a abordar,
seguindo-se por caracterizar todos os equipamentos e eletrodomésticos a instalar na mesma e suas
respetivas etiquetas energéticas. Neste mesmo capítulo encontra-se o dimensionamento do sistema
produtor de energia elétrica.
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No capítulo 6 é apresentada a solução final do sistema, bem como uma análise económica e
financeira, tendo em conta os diversos critérios de avaliação.
O capítulo 7 aborda as diversas conclusões, que se pôde obter com elaboração deste trabalho e
algumas perspetivas futuras.
1.6. RESUMO
O capítulo seguinte apresenta o estado da arte. Começa-se por expor a evolução histórica da
energia elétrica e referir a elevada importância da sustentabilidade nos dias de hoje. De seguida
são apresentados quatro casos existentes de habitações unifamiliares/edifícios sustentáveis.
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Capítulo 2
Habitações Unifamiliares Sustentáveis – Estado da Arte
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Desde a Pré-História que o Homem tende a melhorar a sua qualidade de vida, desenvolvendo e
evoluindo diversas formas de energia.
Antes do domínio do fogo, o Homem dependia apenas da luz natural para realizar as suas tarefas.
Com o aumento da habilidade e da inteligência, permitiu ao Homem resistir melhor aos perigos,
adaptar-se e, até, transformar o seu habitat.
Uma das mais importantes conquistas humanas foi o domínio do fogo, o controlo sobre esta fonte
de energia transformou imenso a vida do ser humano, permitindo-lhes aquecer e iluminar os seus
abrigos, afugentar animais ferozes, cozinhar alimentos e aperfeiçoar os instrumentos que
fabricavam. Desde então, o fogo passou a ser fundamental para a vida humana.
A partir desse momento, o fogo revolucionou a vida humana com a revolução industrial, a
construção de grandes fábricas e sua aplicação nos transportes. Nesse período, os combustíveis
fósseis, tais como, carvão mineral, petróleo e gás natural também evoluíram bastante. Até hoje
representam uma das mais importantes fontes de energia. Mas foi apenas há pouco mais de 100
anos que surgiu a energia elétrica, símbolo da Era da Informação.
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Figura 7. Evolução do Consumo Energético da Eletricidade e da Lenha entre 1989 e 2010 [11]
Na figura 7, verifica-se que com a evolução da energia elétrica, ocorreu uma diminuição no
consumo de lenha. Uma vez que, com o aparecimento da eletricidade, a população deixou de
utilizar a lenha para diversas tarefas do seu dia-a-dia, tais como, cozinhar, aquecer a sua habitação,
entre outras.
Com a chegada da energia elétrica, muitas atividades do quotidiano e algumas formas de energia
tornaram-se mais eficientes, tais como o calor, energia mecânica ou até mesmo a iluminação.
Em 1882, foi inaugurada a primeira central elétrica em Pearl Street, Nova Iorque, alimentando
uma rede de iluminação pública com 400 lâmpadas de 83 Watt cada, dentro de uma área com 1,5
km de raio. Esta data marca o início da era da energia elétrica, cuja produção global atingiu 22 720
TWh em 2012, exibindo uma taxa de crescimento anual média de 3% desde 1990. [3]
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As primeiras centrais elétricas eram acionadas por máquinas a vapor e geravam corrente contínua
por meio de dínamos, tipicamente à tensão de 110 Volt. [3]
Apesar de a maioria das pessoas pensarem que a energia eólica é uma energia moderna, esta já é
conhecida há mais de 3000 anos, quando as civilizações utilizavam cata-ventos para moer grãos,
transportar barcos à vela e até para bombear água. No entanto, a ideia de produzir energia elétrica
a partir do vento surgiu apenas em 1970, com a crise do petróleo.
Mais tarde, começaram a surgir os outros tipos de energia não renovável, tornando-se fulcral para
o progresso e o desenvolvimento sustentável, que por sua vez, dependem da utilização de energias
alternativas.
Até esse momento, a maioria das pessoas vivia como sempre foi feito por gerações, tinham uma
agricultura de subsistência, definida pelas colheitas e estações do ano, governada por uma pequena
elite política e social.
O século XVIII avançou como uma explosão sem precedentes, com novas ideias e novas invenções
tecnológicas, transformando o uso da energia e criando, de forma crescente, um país industrial e
urbanizado.
A primeira Revolução industrial ocorreu com a descoberta do ferro e do carvão. A Inglaterra foi
pioneira nesta revolução, devido à existência de minas de carvão mineral e minério de ferro. Com
o consumo cada vez maior do carvão, levou à procura de minas cada vez mais profundas, como
consequência, foi necessário encontrar um modo de bombear a água para fora das minas.
Inicialmente as pessoas usavam bombas tracionadas com o uso da força animal, para drenar a água
para fora das minas, com profundidade de cerca de 90 metros, no entanto, ainda ficava muito
carvão na parte subterrânea. Foi então que, em 1712, Thomas Newcomen, projetou uma máquina
que aproveitaria a energia do carvão, para produzir vapor e acionar uma bomba de água (primeira
máquina a vapor, comercializada e bem sucedida). Com esta revolução, foram construídas estradas
de ferro e inventados os navios e as locomotivas a vapor.
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A segunda Revolução Industrial, ocorreu no final no século XIX e início do século XX, nos
Estados Unidos. Esta revolução é marcada com a descoberta da energia elétrica e do uso do
petróleo como combustível. Foi possível aperfeiçoar as tecnologias usadas nas máquinas
industriais, tornando-as mais eficientes, resultando maior produtividade e redução de custos. Nesta
época, foram também efetuados avanços na área de telecomunicações (telefone e rádio).
A terceira Revolução Industrial, iniciou em meados do século XX, final da Segunda Guerra
Mundial, nos Estados Unidos. Trata-se de uma revolução tecnológica, na qual, a internet foi capaz
de desenvolver a globalização.
Durante bastante tempo, muitas pessoas acreditavam que a sustentabilidade estaria, diretamente
relacionada, apenas com o meio ambiente. Dessa forma, acreditava-se que a mesma, consistia
exclusivamente na manutenção das funções e componentes do ecossistema, de forma sustentável,
tomando novas medidas para preservar a fauna e a flora e proteger espécies em vias de extinção.
Hoje em dia, verifica-se que a sustentabilidade não se baseia unicamente no meio ambiente. A
sustentabilidade encontra-se assente em três pilares fundamentais:
Desenvolvimento
Económico
Desenvolvimento Proteção
Social Ambiental
14
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De notar, que para que uma organização se desenvolva, economicamente sustentável, não
deve praticar ações que prejudique os demais concorrentes, para obter maiores valias.
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Conclui-se que a sustentabilidade está assente em três pilares, sendo eles, social, ambiental e
económico. No entanto, para que um produto/serviço seja realmente desenvolvido
sustentavelmente, deve ser vivível, justo e viável.
Em 2015, uma habitação unifamiliar ganhou o prémio de melhor edifício doméstico, na categoria
de “Eficiência Energética” – Swig Awards. A moradia encontra-se localizada em West Kirby,
Sebúrdio e Liverpool, na Inglaterra.
Figura 14. Habitação Unifamiliar que em 2015 ganhou o prémio Swig Awards.
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Os proprietários desta moradia são Colin e Jenny Usber. Devido ao baixo consumo, este casal
consegue ter energia elétrica durante todo o ano, gastando apenas cerca de 17 euros anualmente.
Colin é arquiteto de profissão e foi ele que desenvolveu o projeto da sua habitação, apelando à
utilização de fontes renováveis em todo o decorrer do processo. Para tal, estudou as leis da
termodinâmica para posteriormente criar um sistema arquitetónico no qual a casa perde apenas um
grau Celsius por dia quando o aquecimento está desligado. As bases para a construção consistiram
em:
▪ Isolamento térmico;
▪ Produção da sua própria energia elétrica;
▪ Criação de um sistema de aquecimento.
Para tornar o projeto mais eficiente e viável, utilizou betão, janelas com vidro triplo e esquadrias
grossas para evitar as perdas de calor. Instalou painéis fotovoltaicos e banco de baterias,
produzindo energia elétrica para alimentar tomadas de usos gerais, equipamentos específicos e
iluminação normal.
Além disso, uma bomba de calor de alta tecnologia suga o ar exterior e aquece a água encanada
que corre por baixo do piso. Como o ar quente sobe, por ser menos denso do que o ar frio, o sistema
de ventilação fica nas regiões altas da casa – que tem um pé-direito altíssimo – e armazena o calor
gerado por chuveiros e fogões, devolvendo ar fresco para os espaços sociais.
O consumo total de energia elétrica desta habitação é de 3.453 kWh por ano, mas a produção de
energia através dos painéis fotovoltaicos é de 3.338 kWh, ou seja, a casa praticamente produz toda
a energia necessária (exceto 115 kWh, o que acarreta um custo de aproximadamente 17 euros
anuais em anergia elétrica).
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A construção deste imóvel, a compra do terreno e a demolição da habitação existente custou cerca
de 498.202,00€.
Em 2013 foi criada a Polo House para participar no D3 Natural Systems International
Architectural Design Competition. Este projeto é da autoria de Konrad Wójcik, um estudante de
arquitetura, da Dinamarca. Trata-se de um projeto residencial baseado na sustentabilidade do
Planeta.
Por enquanto, trata-se apenas de um projeto, mas poderá ser um caso real em breve.
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Este projeto foi inspirado na funcionalidade e estrutura das árvores e na sua relação com os
animais. É na árvore que os animais se abrigam e se protegem de predadores, do orvalho e das
condições climáticas, como muito calor, frio ou chuva. A casa também é uma forma de protesto
contra o desmatamento desenfreado. [5]
Segundo o arquiteto, a casa é prática e cômoda e possui um design muito funcional. Foi
dimensionada para habitarem apenas duas pessoas, mas em ocasiões especiais ela consegue alojar
até quatro pessoas.
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A arquitetura deste projeto foi muito bem pensada e elaborada, ela consiste em:
▪ Minimizar a poluição visual, uma vez que se assemelha a uma árvore;
▪ Possui um ângulo apropriado para receber a luz solar;
▪ Possui espaço para um mudroom;
▪ Duas colunas extras para equilibrar a construção.
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O objetivo era projetar uma unidade autossuficiente que não exigiria qualquer ligação à
infraestrutura técnica local (fornecedor de energia elétrica). Desta forma, a habitação pode ser
colocada em qualquer lugar do mundo sem perturbar o ambiente.
O que torna este projeto sustentável, vai para além da escolha inteligente dos materiais de
construção, ou seja:
▪ Contém 40m² para instalar painéis fotovoltaicos. A sua inclinação de 25 graus favorece a
produção de energia elétrica;
▪ Equilíbrio da luz solar, uma vez que não possui diretamente iluminação solar;
▪ Entrada e saída de ventilação natural;
▪ Energia livre do solo;
▪ Contém um biodigestor, que pode ser utilizado com qualquer tipo de resíduos para formar
energia elétrica e gás;
▪ Aproveitamento da água da chuva;
▪ Em todas as estações, depende da temperatura exterior;
▪ Fonte de energia em caso de emergência;
▪ Utilização de lâmpadas LED;
▪ Sistema de energia geotérmica;
▪ Maximização da luz natural.
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A Legion House foi construída originalmente em 1902, em Sidney, pelo YWCA e funcionou como
um hostel para mulheres. A construção é considerada Património Histórico e é protegida pelo seu
significado social.
Como parte da sua reforma, a Legion House passou a ter mais dois andares (ficando com cinco
andares no total) e, com uso de tecnologia de ponta, tornou-se um dos melhores projetos
arquitetónicos de sustentabilidade do mundo. A energia utilizada provém de um processo chamado
gaseificação de biomassa, que produz gás combustível, usado para produzir energia. Essa é
efetivamente uma fonte de energia sem emissão de carbono, já que os gases do efeito estufa
liberados na produção de energia se igualam com o absorvido na criação de biomassa. Um sistema
de feixes refrigerados fornece ar condicionado para todo o espaço. A ventilação proporcionada
pelo sistema utiliza 100% de ar fresco do exterior. Num ano normal de chuvas, a água utilizada
em todo o prédio provem totalmente da água da chuva capturada no telhado. Isso é possível graças
à utilização de tecnologia avançada de conservação de água, sanitários a vácuo e utilização de
reciclagem de águas pluviais de alta qualidade.
Este projeto já recebeu 3 prémios, sendo eles, 2014 World Architecture Festival Award, 2014
Sustainability Awards e 2014 Green Globe Awards.
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Estes módulos foram dimensionados para poder responder a diversas funções, tais como, posto de
vigia contra incêndios, habitação com tipologia T0, observatório ambiental, bar, quiosque, entre
outros. Podem ser instalados em parques, praças, praias, zonas onde não é possível ter acesso a
infraestruturas e em lugares que não permitem grandes alterações ao terreno.
Estes protótipos foram desenvolvidos para retribuírem conforto e excelência aos seus utilizadores,
e contêm as seguintes características:
▪ Dimensões: 3,00m de largura, 9,00m de comprimento e uma área de 27m²;
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De notar, que os painéis fotovoltaicos ocupam uma área de 17,5m², as baterias situadas no interior,
ocupam 0,75m² e o inversor ocupa 0,10m².
Quanto ao sistema de iluminação proposto, verifica-se que é do tipo EIB, permitindo o controlo
(ligar, desligar e regular a intensidade luminosa) de todas a iluminação, através de controlo remoto
ou comandos locais. As lâmpadas instaladas são do tipo fluorescentes de baixo consumo.
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Instalações Mecânicas
No que se refere ao dimensionamento das instalações mecânicas, foram averiguadas três soluções
distintas:
▪ Apenas aquecimento das águas de consumo, por meio de um painel solar, apoiado por uma
resistência elétrica abastecida pelo painel fotovoltaico; [14]
▪ Aquecimento das águas de consumo por meio de um painel solar apoiado por uma caldeira
mural a gás propano, a qual produzirá também água quente a 90 ºC, para alimentar um
radiador para aquecimento ambiente; [14]
▪ Aquecimento das águas de consumo por meio de um painel solar apoiado por uma
resistência elétrica abastecida pelo painel fotovoltaico, e climatização ambiental por meio
de uma unidade de climatização de expansão direta do tipo bomba de calor, abastecida
eletricamente pelo painel fotovoltaico. [14]
2.4. RESUMO
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Capítulo 3
Conceitos de Estudo
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Hoje em dia, o consumo de energia elétrica é um fator muito relevante em todo o tipo de edifícios,
sem exceção do setor residencial, uma vez que todos os equipamentos utilizados nas habitações
(tomadas de usos gerais, eletrodomésticos, iluminação, entre outros) necessitam de alimentação
elétrica.
A sociedade atual deverá assumir um papel mais ativo no que se refere à eficiência energética,
uma vez que esta permite diminuir a consumo de energia primária e ainda contribui para uma
poupança económica.
A eletricidade nas habitações é o vetor energético com maior percentagem. Ela está
presente no dia-a-dia de praticamente toda a sociedade, desde quando se liga um
eletrodoméstico até quando se passeia à noite por um jardim público.
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▪ Gás Natural: Em Portugal não existe produção de gás natural. O abastecimento de gás
natural no mercado português é realizado através de contratos “take-or-pay” com os países
que fornecem este combustível.
Pode-se encontrar este gás no subsolo, por acumulações em rochas porosas, isoladas do
exterior por rochas impermeáveis. É o resultado da degradação da matéria orgânica de
forma anaeróbica, oriunda de quantidades extraordinárias de micro-organismos que, em
eras pré-históricas, se acumulavam nas águas litorâneas dos mares da época. Essa matéria
orgânica foi soterrada a grandes profundidades e, por isso, a sua degradação deu-se fora do
contacto com o ar, a grandes temperaturas e sob fortes pressões. [11]
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A figura seguinte apresenta o consumo de energia, expresso em tep, nos anos de 1989, 1996 e
2010.
Verifica-se que, em 2010, a eletricidade surge como a principal fonte de energia consumida no
setor doméstico em Portugal, representando a maioria do consumo total de energia.
Neste contexto, é importante analisar a distribuição dos vetores energéticos utilizados nas
habitações por tipo de uso e fonte de energia.
Tendo em conta a figura seguinte, observa-se que é na cozinha que se concentra o maior consumo.
Com exceção do aquecimento de águas, conclui-se que o vetor da eletricidade é o que possui maior
percentagem de consumo.
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Figura 26. Distribuição do consumo de energia na habitação, por tipo de uso e fonte de energia – 2010. [13]
O consumo de energia elétrica nas habitações está diretamente relacionado com diversos fatores,
sendo que um deles é o tipo de eletrodomésticos que se utiliza.
Em Portugal, uma das causas do aumento de consumo de energia deve-se à ineficiência dos
eletrodomésticos utilizados nas habitações, e dos procedimentos e hábitos de utilização dos
mesmos.
Com algumas pequenas intervenções nos edifícios, é possível poupar até 30-35% de energia,
mantendo as mesmas condições de conforto. [15]
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A figura seguinte demonstra a repartição dos consumos de eletricidade pelas diversas utilizações
finais:
A etiqueta energética da União Europeia foi criada para colmatar as dificuldades dos consumidores
na hora de comprar os seus eletrodomésticos, uma vez que esta etiqueta informa o consumidor
sobre determinadas características dos equipamentos. Desta forma o consumidor, consegue
verificar se o equipamento é mais ou menos eficiente energeticamente e avaliar o potencial de
redução de custos de energia elétrica.
A estrutura da etiqueta foi elaborada de forma uniforme para todos os produtos de uma mesma
categoria, para que o consumidor consiga comparar as diversas características dos mesmos,
facilitando a sua escolha na hora de compra.
Toda a informação que consta na etiqueta é baseada em ensaios normalizados, tal como prevê a
legislação. [15]
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No entanto, com a evolução tecnológica, surgiu a necessidade de fazer uma revisão às diretivas
sobre rotulagem energética e sobre conceção ecológica de produtos, resultando a adoção da
Diretiva 2010/30/CE e da Diretiva 2009/125/CE.
Surgindo, consequentemente uma nova etiqueta energética. A nova etiqueta energética classifica
os produtos até à classe A+++ e foram alterados alguns critérios da sua atribuição face à etiqueta
antiga.
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Como foi referido anteriormente, verifica-se que a escolha dos equipamentos para as habitações
deve ser feita de forma consciente, para se obter uma maior eficiência energética e um consumo
de energia elétrica inferior.
De seguida serão apresentados e caracterizados os equipamentos mais comuns que se utilizam nas
habitações.
O frigorífico consome imensa energia elétrica, uma vez que está 24 horas por dia ligado à rede
elétrica, apesar de não estar 24 horas em funcionamento. Este equipamento é desligado para
limpeza, manutenção ou ausência prolongada dos habitantes.
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tecnologia são diferentes dos aparelhos de refrigeração por compressão, que representam
a tecnologia predominante. [15]
Desde 1 de dezembro de 2011, este eletrodoméstico com capacidade nominal superior a 3kg
passou a ser de classe A.
Depois de uma centrifugação a 1.000 rpm existe um remanescente de humidade de 60%. Quer isto
dizer que se a carga da máquina for de 6 kg de algodão, no final da lavagem a roupa contém cerca
de 3,5 litros de água que têm que ser eliminados pelo processo de secagem.
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Por isso, é tão importante centrifugar a roupa o máximo possível para poupar energia durante a
secagem. Na etiqueta energética da máquina de secar está indicado se a lavagem é de extração ou
condensação.
Este equipamento permite lavar e secar roupa apenas com um único eletrodoméstico
Numa máquina de lavar e secar roupa é possível secar metade da roupa que se pode lavar (6 kg
lavados contra apenas 3 kg secos). A sua etiqueta energética, na verdade, unifica duas etiquetas,
com especial atenção para a lavagem. [15]
[Link].6. MICRO-ONDAS
A utilização deste eletrodoméstico tem vindo a aumentar nos últimos anos, por ser um
equipamento mais cómodo, fácil e rápido. Algumas pessoas também utilizam este equipamento
em substituição do forno, que implica consequentemente uma redução do consumo de energia
(uma vez que o forno consomo mais energia do que o micro-ondas).
[Link].7. FORNOS
A etiqueta energética para fornos elétricos distingue o forno em três tamanhos (pequeno, médio e
grande) e a classe de cada forno varia consoante o tamanho.
[Link].8. PLACAS
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▪ Resistência convencional;
▪ Vitrocerâmica;
▪ Indução.
A arquitetura da luz começa a ser uma necessidade emergente pela exigência das sociedades
contemporâneas que vivem cada vez mais o seu quotidiano em contacto com a luz artificial.
Vários estudos sociológicos mostram a importância da luz na vida humana; a influência da luz,
por exemplo, na produtividade ou nas manifestações de humor – alegria ou tristeza.
Daí que, quando se projeta, para além das questões científicas a observar, deverá ter-se em conta
a importância de uma boa iluminação contextualizada em vários ambientes procurando sempre o
conforto dos utentes e a qualidade ambiental dos espaços.
Para a consecução dos objetivos referidos, tornar-se-á necessário implementar no projeto modelos
tecnologicamente avançados adequados às especificidades dos ambientes a iluminar – otimizar os
graus de adequações às exigências e ainda promover a implementação de tecnologias ecológicas
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Quando se pretende escolher a melhor iluminação para as habitações, deve-se ter em conta o
seguinte:
▪ Segurança
o Segurança na circulação de pessoas;
o Segurança na deslocação de veículos;
▪ Económicas
o Economia de energia;
o Redução de potência de contrato;
o Baixa de custos fixos;
▪ Ergonómicas
o Melhoria das condições de habitabilidade;
o Motivação para a ocupação dos espaços;
o Sensação de conforto e amenidade do lugar;
▪ Ecológicas
o Redução do efeito de estufa;
o Contributo para uma melhoria ambiental.
Para preconizar uma solução que reúna todos estes requisitos, deve-se optar por escolher lâmpadas
LED. Para além de terem um baixo consumo, possuem um tempo de vida útil superior e uma maior
robustez (não se partem com tanta facilidade). Como não existem perdas de calor, toda a energia
fornecida às lâmpadas LED é consumida na iluminação e ainda contém à disposição, variadas
cores, permitindo inúmeros efeitos de iluminação.
3.3. RESUMO
O presente capítulo abordou diversos assuntos importantes e fundamentais para a escolha dos
diversos eletrodomésticos/iluminação a utilizar em habitações, de forma a tornarem-na mais
sustentável e eficiente.
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Capítulo 4
Energias Renováveis
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4.1. INTRODUÇÃO
Hoje em dia, a população começa a ter mais consciencialização pelo meio ambiente. E sabe-se que
produção de energia elétrica, principalmente resultante da queima de combustíveis fósseis, causa
um grande impacto no meio ambiente. No entanto, e ao contrário da energia obtida através da
queima de combustíveis fósseis, a energia renovável, não causa dados, pelo menos, danos tão
fortes para o ambiente.
A integração das energias renováveis nas habitações unifamiliares é fundamental para tornar as
casas mais eficientes, sustentáveis e amigas do ambiente.
No final de 2008, o Parlamento Europeu aprovou o pacote para a energia e clima. Os novos
objetivos definem que a União Europeia, até 2020 – Diretiva 2009/28/CE, conhecida como a meta
20-20-20:
▪ Reduzir em 20% as emissões de gases com efeito de estufa;
▪ Aumentar para 20% a quota parte das energias renováveis no consumo de energia (final);
▪ Aumentar para 20% a eficiência energética;
▪ Aumentar para 10% a incorporação de energias renováveis nos combustíveis utilizados nos
transportes.
A energia solar é aquela cuja fonte principal é o sol. Esta pode ser transformada em energia elétrica
ou energia térmica. As duas principais formas de aproveitar a energia solar são aquecer a água e
produzir energia elétrica usando painéis solares térmicos e fotovoltaicos, respetivamente.
Através de coletores solares, a energia solar pode ser transformada em energia térmica, e usando
painéis fotovoltaicos a energia luminosa pode ser convertida em energia elétrica.
Uma grande vantagem da energia solar é que ela permite a produção de energia, no mesmo local
de consumo, através da integração da arquitetura.
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Portugal é um dos países que apresenta maior disponibilidade de radiação solar. Este facto, torna-
se vantajoso para Portugal uma vez que facilita a produção de energia a partir deste recurso
renovável.
Tal como se pode verificar na imagem seguinte, Portugal apresenta níveis de radiação solar
superiores aos níveis de radiação disponíveis na Alemanha. Em Portugal o número médio anual
de horas de sol varia entre 2200 e 3000 horas, enquanto na Alemanha os valores médios variam
entre 1200 e 1700 horas. [19]
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Tal como se pode verificar pela figura seguinte, a potência solar total instalada entre 2000 e 2015
teve um aumento de cerca de 453 MW.
O efeito fotovoltaico foi observado pela primeira vez em 1839, pelo físico francês Alexandre
Edmond Becquerel. Numa das suas experiências verificou que, quando os elétrodos de
platina/prata se encontravam exposto à luz, originava o chamado efeito fotovoltaico, uma vez que
ocorria uma diferença de potencial nos extremos de uma estrutura de material semicondutor.
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Em 1904, o físico Albert Einstein explicou este efeito, ou seja, a transformação parcial de energia
luminosa em energia elétrica, através da sua teoria da relatividade. Mais tarde, em 1954 nos
laboratórios Bell, fabricou-se pela primeira vez, o protótipo de célula fotovoltaica de silício. E
quatro anos depois, a energia solar foi aplicada no espaço.
O efeito fotovoltaico não é nada mais nada menos que a conversão de energia solar em energia
elétrica. Esse fenómeno ocorre quando a luz/radiação solar incide sobre uma célula fotovoltaica.
A luz solar é composta de fotões, ou partículas de energia solar. Estes fotões contêm uma grande
quantidade de energia, correspondente aos diferentes comprimentos de onda do espectro solar.
Quando os fotões colidem com uma célula fotovoltaica, eles podem ser refletidos, absorvidos, ou
mesmo atravessar direto a célula. Somente os fotões absorvidos geram energia elétrica. Quando
isto acontece, é transferida a energia do fotão a um elétron em um átomo da célula. [23]
Uma célula fotovoltaica é composta pela junção de duas camadas de materiais semicondutores,
uma com iões positivos e outra com iões negativos. O material com camada do tipo negativo possui
um excedente de eletrões e o material do tipo positivo apresenta falta deles. Dessa forma, os
eletrões da camada negativa fluem para a camada positiva, originando a formação de um campo
elétrico.
A camada superior de material negativo de uma célula fotovoltaica é bastante fina, e a luz penetra
nesse material e descarrega a sua energia sobre os eletrões, fazendo com que eles tenham energia
suficiente para “vencer” a barreira de potencial (campo elétrico) e consequentemente
movimentam-se da camada do tipo negativo para a camada do tipo positivo. Dessa forma,
enquanto houver luz solar os eletrões continuaram a livrar-se dos átomos, originando uma corrente
elétrica. Na figura seguinte está representado o efeito fotovoltaico:
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O processo de produção de energia solar pode ser descrito através da figura seguinte.
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As células fotovoltaicas do painel são constituídas por um material semicondutor (silício) ao qual
são adicionadas substâncias (ditas dopantes) de modo a criar um meio adequado ao
estabelecimento do efeito fotovoltaico, isto é, conversão direta da potência associada à radiação
solar em potência elétrica DC.
A célula é o elemento mais pequeno do sistema fotovoltaico. Para se obter potências maiores, as
células são ligadas em série e/ou em paralelo, formando módulos e painéis fotovoltaicos com
potências superiores. [22]
Figura 35. Células do tipo silício monocristalino, policristalino e de silício amorfo, respetivamente. [25]
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Figura 36. Circuito elétrico de uma célula fotovoltaica (modelo de um díodo e três parâmetros).
Onde:
Z: qualquer carga percorrida pela corrente I, sujeita à tensão V;
𝐼𝑠 : corrente elétrica produzida pelo feixe de radiação luminosa quando este atinge a superfície ativa
da célula;
𝐼𝐷 : Corrente produzida por consequência da incidência da radiação luminosa na célula
fotovoltaica;
A junção p-n funciona como um díodo, atravessado por uma corrente interna unidirecional (𝐼𝐷 ),
que depende da tensão (V) aos terminais da célula.
A corrente 𝐼𝐷 que se fecha através do díodo pode ser obtida pela expressão:
𝑉
𝐼𝐷 = 𝐼0 𝑚𝑉
(𝑒 𝑇 − 1) (1)
Onde:
I0 : corrente inversa máxima de saturação do díodo (A);
V: tensão aos terminais da célula (V);
m: fator de idealidade do díodo (ideal m=1 e real m>1).
𝐾𝑇
𝑉𝑇 = (2)
𝑞
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Onde:
K: constante de Boltzmann (K = 1,38x10−23 J/ºK);
T: Temperatura absoluta da célula em K (0ºC=273,16ºK);
Q: carga elétrica do eletrão (q = 1,6x10−19 C);
Os valores de Icc e Vca são grandezas fornecidas pelos fabricantes, para determinadas condições
de radiação incidente e de temperatura.
I0 (corrente inversa máxima de saturação do díodo) pode ser obtida pela expressão seguinte e é
calculada recorrendo às condições de curto-circuito e circuito aberto:
𝐼𝑐𝑐
𝐼0 = 𝑉𝑐𝑎 (3)
𝑒 𝑚𝑉𝑇 − 1
Onde:
M: fator de idealidade do díodo;
O fator de idealidade do díodo por ser determinado pela seguinte expressão:
𝑟 𝑟
𝑉𝑚𝑎𝑥 − 𝑉𝑐𝑎
𝑚=
𝐼𝑟 (4)
𝑉𝑇𝑟 𝐼𝑛 (1 − 𝑚𝑎𝑥𝑟 )
𝐼𝑐𝑐
Esta equação permite calcular o fator de idealidade do díodo apenas em função dos parâmetros
característicos da célula fornecidos pelos fabricantes, considerando m como constante.
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𝑉
𝑃 = 𝑉𝐼 = 𝑉 [𝐼𝑐𝑐 − (𝐼0 (𝑒 𝑚𝑉𝑇 − 1))] (5)
O valor da potência máxima obtida nas condições STC (Standard Test Conditions), designa-se por
potência de ponta.
Nota: STC são condições nominais de teste, normalizadas para a realização das medidas dos parâmetros característicos
da célula, ou seja, temperatura de 25ºC e radiação incidente de G=1000W/m².
Os valores da célula que se obtêm dos fabricantes para as condições de referência (STC) são:
r
▪ Vca
r
▪ Icc
r
▪ Pmax
𝑟
𝑟
𝑃𝑚𝑎𝑥
𝜂 = (6)
𝐴𝐺 𝑟
Onde,
A: área da célula (m2 );
G: Radiação incidente (W/m2 );
Nota: para outros valores que não os de referência, o rendimento deve ser calculado considerando a potência máxima
e a radiação incidente nas respetivas condições.
Fator de Forma, é uma grandeza que expressa quando a curva característica se aproxima de um
retângulo no diagrama I-V. Quanto melhor a qualidade das células no módulo mais próxima da
forma retangular será a curva V-I.
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𝑟
𝑃𝑚𝑎𝑥
𝐹𝐹 = 𝑟 . 𝐼𝑟
(7)
𝑉𝑐𝑎 𝑐𝑐
As células em uso comercial apresentam um fator de forma entre 0,7 e 0,85. É desejável trabalhar
com células em que FF seja o maior possível.
ε 1 1
T 3 m ( r− )
VT VT (8)
I0 = I0r ( r
) e
T
G
Icc = Ircc (9)
Gr
51
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▪ A tensão em vazio varia pouco com a radiação incidente, sendo esta variação, no entanto,
mais importante para valores baixos de radiação incidente.
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A potência máxima de uma única célula não excede 2 W, razão pela qual se agrupam em série
formando módulos.
Na figura seguinte verifica-se NPM ramos em paralelo, cada um com NSM células em série:
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Modelo da célula única, considerando o módulo como célula equivalente. A razão entre a corrente
correspondente ao módulo e a de cada célula é dada pelo número de ramos em paralelo, e a razão
entre a tensão do módulo e a da célula é o nº de células ligadas em série.
Icc
Vmax
I +1
e mVT = 0 (10)
V
1 + max
mVT
V (11)
I = Icc − I0 (emVT − 1)
Vmax
Imax = −I0 (e mVT − 1) (12)
Para se obter uma maior potência do sistema, associa-se os módulos em série e paralelo.
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O regime da pequena produção permite ao produtor vender a totalidade da energia elétrica à RESP
com tarifa atribuída com base num modelo de licitação, no âmbito do qual os concorrentes
oferecem descontos à tarifa de referência, eliminando-se o regime remuneratório geral previsto
nos anteriores regimes jurídicos de miniprodução e de microprodução.
Note-se que, nesta modalidade de produção, o produtor beneficia quando a unidade de produção é
dimensionada tendo em conta as efetivas necessidades de consumo da instalação.
A energia eólica é atualmente encarada como uma das mais promissoras fontes renováveis de
energia, sendo caracterizada como uma tecnologia madura que pode contribuir para a segurança
do abastecimento energético, sustentabilidade ambiental e viabilidade económica.
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A energia eólica conquistou ao longo dos anos uma posição de relevo no setor da energia elétrica
atingindo valores de potência instalada que não podem ser desprezados sendo, na atualidade,
encarada como uma das mais promissoras fontes de energia renovável. Nos últimos anos assistiu-
se a uma evolução verdadeiramente notável relativamente a esta fonte de energia, tendo-se
verificado um aumento de potência assinalável de ano para ano, conforme se verifica na figura
seguinte:
O ano de 2015 caracteriza-se por ser o ano em que se bateu o recorde de potência instalada no
período de um ano, sendo que se instalou cerca de 63 GW permitindo assim aumentar para 432,9
GW de potência instalada no mundo [35]. Apesar do enorme aumento de potência no ano de 2015,
o ano de 2016 não ficou muito atrás, sendo instalado cerca de 53.9 GW passando a existir uma
potência estalada de 486,8 GW em todo o mundo.
Esta evolução e aumento de potência instalada, deve-se em grande parte ao facto de os países
asiáticos começarem a apostar nas energias renováveis, particularmente na energia eólica.
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País GW %
China 168,732 34,7
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Atualmente os dados mais recentes indicam que no final de 2016, a potência eólica instalada era
de 5.046 MW ao longo de todo o território nacional.
Através da figura seguinte verifica-se que a produção de energia eólica em 2016 corresponde a
22% da energia total produzida em Portugal nesse mesmo ano.
Como tal, são produzidos aerogeradores que se encaixam em vários tipos, de forma a satisfazer
diferentes necessidades, distinguindo-se em 5 grupos classificados pela sua potência:
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Pequena: 1 kW a 50 kW;
A conversão da energia cinética do vento em energia elétrica pode ser efetuada através de várias
tipologias. As principais tipologias dos Sistemas de Conversão de Energia Eólica são as turbinas
de eixo horizontal e as turbinas de eixo vertical.
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Apesar de existirem diferentes grupos e tipos de aerogeradores, nos quais se distinguem pelas
características elétricas e mecânicas que lhes permitem possuir maior ou menor potência, principal
característica de um aerogerador, esta depende diretamente da velocidade do vento, sendo este
muito inconstante ao longo do tempo.
1
𝐸𝑐𝑖𝑛 = 𝑚𝑢2 (14)
2
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𝑑𝐸𝑐𝑖𝑛 1 𝑑𝑥 1
𝑃𝑑𝑖𝑠𝑝 = = (𝜌𝐴 ) 𝑢2 = 𝜌𝐴𝑢3 (15)
𝑑𝑡 2 𝑑𝑡 2
Onde,
A: corresponde à secção plana transversal, m²;
ρ: corresponde à massa específica do ar, que em condições normais de temperatura e pressão, é
igual a 1,225 kg/m³;
u: corresponde à velocidade, m/s;
Pdisp : potência dissipada, W.
A potência elétrica varia, de uma forma bastante aproximada, com o cubo da velocidade do vento,
pelo menos na zona de funcionamento em que o aerogerador extrai a máxima potência possível do
vento, tal como se verifica na curva de potência característica de cada aerogerador.
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O valor esperado para a produção de energia elétrica produzível anualmente, isto tendo uma
representação fiável do perfil de ventos numa base de tempos alargada, representa-se da seguinte
forma:
O valor esperado para a produção de energia elétrica produzível anualmente, isto tendo uma
representação fiável do perfil de ventos numa base de tempos alargada, representa-se da seguinte
forma:
𝑢𝑚𝑎𝑥
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𝑢𝑚𝑎𝑥
(18)
𝐸𝑎 = ∑ 𝑓𝑟 (𝑢)𝑃𝑒 (𝑢)
𝑢0
Para não se desperdiçar a energia que não é totalmente utilizada no momento, é necessário a
instalação de equipamentos para armazenar essa energia elétrica.
Para solucionar este problema, existem os acumuladores de energia. A sua função é armazenar a
energia elétrica que não é gasta no momento, para ser utilizada nas horas em que o consumo de
energia é superior à sua produção.
A figura seguinte descreve essa mesma situação, ou seja, a curva preta representa a produção de
energia elétrica e a curva cinzenta representa o consumo de energia ao longo do dia. Como se pode
verifica, a produção ocorre apenas no intervalo entre as 8 horas e as 19 horas, entre as 19 horas e
as 8 horas não existe produção.
A área a corresponde à energia em excesso (uma vez que a curva da produção é superior à curva
do consumo) e a área b corresponde apenas ao consumo, portanto, com auxílio das baterias pode-
se armazenar a energia excedida (área a) e utilizá-la na área b.
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Esta solução, preconizada com o auxílio das baterias, pode ser utilizada no sistema fotovoltaico
como também no sistema eólico.
4.4.1. BATERIAS
Hoje em dia, a utilização de baterias nos sistemas de produção de energia, apresentam uma
importância fundamental.
As baterias são constituídas por células que, por sua vez, são compostas por dois elétrodos
submersos num eletrólito. Um dos elétrodos é constituído por dióxido de chumbo e representa o
ânodo ou pólo positivo, o outro elétrodo é constituído apenas por chumbo e representa o cátodo
ou pólo negativo. O eletrólito consiste num ácido, como por exemplo ácido sulfúrico diluído em
água, em que o primeiro constituinte pode apresentar-se em estado líquido ou em gel. [20]
Hoje em dia, existe uma grande variedade de baterias secundárias no mercado, tais como:
▪ Baterias Chumbo-ácido:
o Baterias de chumbo-ácido ventiladas ou abertas (VLA): este tipo de baterias tem a
limitação de ter que estarem em funcionamento numa posição fixa, uma vez que o
eletrólito se encontra no estado líquido. Estas baterias também obrigam à reposição
periódica do nível de água, pois esta evapora-se durante o funcionamento da
bateria.
o Baterias de chumbo-ácido estaques (VLRA): este tipo de baterias apresenta uma
vantagem face às mencionadas anteriormente, uma vez que permitem a
recombinação de gases, que por sua vez originam menos perdas de água e não
necessitam de manutenção.
Este tipo de baterias, pode ser dividido em duas tecnologias:
66
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De seguida são apresentadas as principais características das baterias, que podem ser consultadas
na ficha técnica fornecida pelos fabricantes:
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Capacidade
Profundi-
Tempo de
dade de
descarga
descarga
Taxa de
Energia
auto-
específica
descarga
Tempo de Densidade
vida útil energética
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Conforme as necessidades pretendidas, existem controladores de carga mais adequados que outros,
ou seja:
▪ Controladores Série
Este tipo de reguladores possui os interruptores de controlo em série com o sistema produtor de
energia, para interromper o fornecimento de energia às cargas.
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Tal como se pode verificar pela figura seguinte, os interruptores de controlo em paralelo,
controlam o regime de carga da bateria curto-circuitando temporariamente o sistema produtor de
energia de noite para evitar correntes inversas. [20]
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4.4.3. INVERSORES/CONVERSORES
Mais uma vez, e com o intuito de produzir energia de uma forma limpa e amiga do ambiente, surge
a necessidade de produzir energia com o auxílio do calor proveniente da terra.
Para uma melhor compreensão da forma como é aproveitada a energia do calor da Terra deve-se
primeiro perceber como o nosso planeta é constituído. A Terra é formada por grandes placas, que
nos mantém isolados do seu interior, no qual encontramos o magma, que se resume basicamente
em rochas derretidas. Com o aumento da profundidade a temperatura vai acrescendo, no entanto,
há zonas de intrusões magmáticas, onde a temperatura é muito maior. Essas são as zonas onde
existe elevado potencial geotérmico. [31]
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▪ Utilização direta: os reservatórios geotérmicos podem ser aproveitados para fornecer calor
para diferentes utilizações, tais como, termas, aproveitamentos comerciais/industriais,
entre outros.
Tal como se pode verificar na figura seguinte, observa-se que o poço foi perfurado para se
conseguir chegar aos reservatórios. Consequentemente o vapor de água quente chega à
superfície, dirigindo-se para as turbinas das centrais.
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Este sistema consiste em inserir um tubo no solo, que serve para aquecer ou arrefecer a
água que é bombeada através desse tubo.
Portanto, no inverno como a temperatura do tubo que a água percorre é superior, originará
um aquecimento dessa mesma água. No verão, ocorre precisamente o contrário, como a
temperatura do tubo que a água vai percorrer é inferior à temperatura ambiente, isto irá
originar um arrefecimento da água.
Este sistema provoca um maior conforto aos ocupantes da habitação e gastará menos
energia elétrica para aquecer a água no inverno.
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4.6. RESUMO
No presente capítulo, são apresentados os diferentes tipos de energias renováveis que são
abordados no caso de estudo desta dissertação, bem como os equipamentos necessários para
armazenar a energia no momento em que a produção é superior ao consumo.
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Capítulo 5
Caso de Estudo
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5.1. INTRODUÇÃO
Além de um compromisso com a tecnologia e a inovação, este projeto aposta ainda num elevado
nível de harmonia entre outros vetores fundamentais, como características estéticas, económicas e
sustentáveis.
O conceito desta intervenção deverá ser tecnologicamente inovador, onde as tecnologias ocupem
um lugar de destaque.
Assim, é com base nesta dinâmica de rentabilização associada à inovação e às novas tecnologias
que preside à conceção deste trabalho.
Neste capítulo irá ser descrito todo o procedimento necessário ao estudo de uma habitação
energeticamente independente e autossuficiente.
76
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No presente caso de estudo, é abordado um sistema Off Grid, ou seja, é um sistema que não se
encontra interligado com a rede elétrica.
O sistema Off Grid preconizado para o presente projeto é constituído por um sistema fotovoltaico
e um sistema eólico, e a energia produzida em excesso (superior ao consumo) é armazenada com
auxílio ao banco de baterias.
Este sistema requer um custo inicial bastante elevado, manutenção e troca de equipamentos no
final do seu ciclo de vida. Para além desses inconvenientes, o sistema depara-se com uma
diminuição do seu rendimento ao longo do tempo.
No entanto, este sistema pode revelar-se favorável na eventualidade do custo total do sistema se
revelar inferior ao custo da extensão das linhas de potência em áreas remotas ou rurais [20].
Torna-se também relevante se as pessoas pretenderem construir uma habitação, num local onde
não tenha acesso à rede elétrica nacional.
E não se pode esquecer de uma vantagem fundamental, que é o facto de apostar em energias
renováveis, demonstrando o apelo à sustentabilidade e à eficiência energética, protegendo o meio
ambiente.
O presente estudo diz respeito às diversas instalações necessárias à habitação unifamiliar, a levar
a efeito na Rua Heliantia, Lote 08, 4405-563 [Link], na freguesia de Gulpilhares, conselho de
Vila Nova de Gaia.
A habitação em estudo foi idealizada para responder às necessidades dos seus ocupantes
proporcionando-lhes segurança e conforto.
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Trata-se de uma habitação unifamiliar constituída por 3 pisos e cobertura, sendo a sua composição
feita da seguinte forma:
Cave:
▪ Garrafeira (14,36 m²);
▪ Área técnica (44,48 m²).
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Rés-do-chão:
Piso 1:
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▪ WC (4,55m²);
▪ WC (4,46 m²)
▪ Arrumos (6,89 m²);
▪ Corredor de circulação (30,31 m²);
Para obter um estudo fiável e o mais próximo da realidade, é necessário começar por definir os
consumos energéticos previstos para a habitação.
Com o auxílio do dono de obra, foi possível averiguar quais são os eletrodomésticos e respetivas
potências que este optou. De notar, que todos os eletrodomésticos foram escolhidos após uma
análise comparativa a diversas etiquetas energéticas.
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Dessa análise, resultou a escolha de eletrodomésticos com classe entre A e A+++, conforme se
pode verificar pelas diversas etiquetas ilustradas no anexo I.
De seguida, o dono de obra descreveu a rotina diária de todos os futuros utilizadores desta
habitação e resultou a seguinte tabela:
Tabela 2. Consumo diário.
Horas
Divisão Equipamento
0-5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23
Iluminação 15 30 30 30 30 30
Placa 2300 2300
Forno 3000 3000
Exaustor 130 130
Microondas 350 350
Cozinha (W)
Máquina de
lavar loiça 1875
Frigorífico 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149 149
Aspirador 600
Torradeira 425
Iluminação 10 20
Sala TV (W)
TV 15 30
Iluminação 5 10
Sala Estar (W)
TV 15 30
Sala de Iluminação 10 5
refeições (W) TV 30 15
Iluminação 5 5
Máq. Lavar
roupa 2100 2100 2100 2100
Lavandaria (W) Máq. Secar
roupa 1100 1100 1100 1100
Bomba de
calor 1600 1600
Iluminação 25 50 50
WC (W)
Secador 2000 2000
Restantes
Iluminação
Divisões (W) 165 250 250 190 155
Total (W) 149 839 6754 4999 149 149 149 149 149 149 149 149 149 799 5924 12744 5749 469 149
A tabela anterior mostra o consumo médio diário da habitação em estudo, ou seja, pode-se verificar
a potência que cada equipamento consome nas diversas horas do dia.
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Observa-se que os períodos de tempo onde se consome maior energia elétrica é nos intervalos de
tempo entre as 7 e as 8 horas e entre as 18 e as 22 horas.
Através da tabela seguinte é possível verificar a potência unitária de cada equipamento, bem como
a energia diária e anual desses mesmos equipamentos.
Restantes Divisões
Iluminação 101 10 1,01 368,65
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Os diagramas de carga põem em evidencia a influência da hora, do dia ou da estação do ano sobre
as potências vinculadas.
De notar que o diagrama de cargas apresentado pode ser influenciado por diversos fatores:
▪ Época do ano;
▪ Dia da semana;
▪ Condições atmosféricas;
▪ Ou até mesmo pelos acontecimentos especiais.
Nesse sentido, optou-se por escolher o pior cenário, ou seja, o diagrama de cargas da habitação,
descreve todas as atividades feitas num dia de inverno. Dessa forma, garante-se que o sistema de
produção de energia renovável da habitação conseguirá suportar os consumos energéticos para a
situação mais desfavorável.
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Com auxílio ao gráfico seguinte, é possível ainda determinar a energia diária, ou seja:
23
𝐸 = ∫ 𝑃(𝑡)𝑑𝑡 (19)
0
Onde,
E: Energia elétrica (Wh);
P(t): Potência em função do tempo (W).
Para determinar a potência necessária para a habitação não basta apenas ter em consideração a
potência dos equipamentos instalados, é necessário saber a forma como serão utilizados, ou seja,
é necessário ter em conta a simultaneidade desses mesmos equipamentos.
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Equipamento Quantidade
Lâmpadas 24
Cilindro 1
Máquina de lavar roupa 1
Máquina de secar roupa 1
Micro-ondas 1
Torradeira 1
Frigorífico 1
Secador de cabelo 1
Televisão 7
Equipamento Quantidade
Lâmpadas 29
Cilindro 1
Máquina de lavar roupa 1
Máquina de secar roupa 1
Micro-ondas 1
Torradeira 1
Frigorífico 1
Secador de cabelo 1
Forno 1
Placa 1
Exaustor 1
Secador de cabelo 1
Computador 1
Televisão 2
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Conclui-se desta forma que os sistemas produtores de energia renovável, têm de ser dimensionados
de forma a responder a esta necessidade de 13,8kVA.
Para obter esses dados, utilizou-se o software PVGIS, e através das coordenadas geográficas da
habitação foi possível adquirir a seguinte informação:
86
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Analisando a tabela anterior, verifica-se que o mês com maior disponibilidade de radiação solar é
agosto, obtendo 6.880 Wh/m²/dia e o mês com menor disponibilidade de radiação solar é
dezembro, obtendo 3.280 Wh/m²/dia.
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Quando se dimensiona qualquer sistema produtor de energia, deve-se não só ter em atenção as
cargas a alimentar, mas também as perdas do sistema.
No entanto, para dimensionar o inversor, deve-se ter em conta a potência do sistema fotovoltaico
e do eólico, uma vez que o sistema total é composto por um único inversor. A potência do inversor
deverá ficar compreendida no intervalo seguinte:
Onde,
Psistema : soma da potência do sistema eólico e do sistema fotovoltaico.
PINV : potência do inversor.
Além desta condição, outros fatores foram tidos em conta na seleção do inversor:
▪ Possuir MPPT;
▪ A possibilidade de assistência técnica;
▪ A tensão de entrada do inversor deve ser superior à tensão de circuito aberto do painel
fotovoltaico;
▪ A temperatura de operação.
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O dimensionamento do sistema deverá ser feito tendo em conta o mês com menor disponibilidade
de radiação solar, ou seja, para o mês de dezembro com 3.280 Wh/m²/dia, uma vez que desta
forma, consegue-se garantir a funcionalidade do sistema para o pior cenário.
𝐸
𝑃𝐹𝑉 = (22)
𝐾1 ∗ 𝐾𝑐
Onde,
PFV: corresponde à capacidade diária de produção do gerador FV, em W;
E: corresponde à energia diária consumida na habitação, em Wph;
K c : é o fator de correção que corresponde ao número de horas equivalentes de insolação padrão de
1.000 W/m² (Fc =3,28 h/dia a 1000 W/m²).
E (kWh) 39,82
K1 0,935
Kc 3,28
12,98
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No presente estudo, optou-se pela gama de módulos Kyocera KD325GX-LFB (325W) da marca
SolarDesignTool [43]. A escolha destes módulos, deve-se ao facto de a marca comercializadora
ter um histórico de confiança e fiabilidade e fabricar painéis com potência superior aos
comercializados na maior parte do mercado, acarretando um menor número de painéis e menor
área ocupada para responder às necessidades dos consumos energéticos.
Através da informação descrita na ficha técnica dos módulos, consegue-se verificar as seguintes
características dos módulos:
▪ PMPP = 325 W;
▪ UMPP = 40,3 V;
PFV
nmód ≥ (23)
PMPP (kWp)
Número de Módulos
12,98
0,325
40
Através da tabela 9, verifica-se que o sistema fotovoltaico será constituído por 40 módulos.
∆𝑇 ∗ ∆𝑈
𝑈𝑀𝑃𝑃 (50º𝐶) = (1 + ) ∗ 𝑈𝑀𝑃𝑃 (25º𝐶) (24)
100
90
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∆𝑇 ∗ ∆𝑈
𝑈𝑀𝑃𝑃 (−10º𝐶) = (1 + ) ∗ 𝑈𝑀𝑃𝑃 (25º𝐶) (25)
100
Onde,
∆T: corresponde à máxima diferença de temperatura admissível pelo módulo e a temperatura em
condições STC;
∆U: corresponde coeficiente de temperatura (esta informação encontra-se na ficha técnica do
módulo, ou seja, -0,179V/K);
𝑈𝑚í𝑛_𝑖𝑛𝑣
𝑛𝑚í𝑛_𝑚ó𝑑 ≥ (26)
𝑈𝑀𝑃𝑃 (50º𝐶)
Onde,
Umín_inv : corresponde ao valor mínimo de tensão do inversor;
𝑈𝑚á𝑥_𝑖𝑛𝑣
𝑛𝑚á𝑥_𝑚ó𝑑 ≤ (27)
𝑈𝑀𝑃𝑃 (−10º𝐶)
Onde,
Umáx_inv : corresponde ao valor máximo de tensão do inversor em DC;
Analisando os valores obtidos através da tabela anterior, verifica-se que o número de módulos por
fileira deverá ficar contido no intervalo [6;11].
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𝐼𝑚á𝑥_𝑖𝑛𝑣 (𝐴)
𝑛𝑓𝑖𝑙// ≤ (28)
𝐼𝑚á𝑥_𝑓𝑖𝑙
Onde,
Imáx_inv : corresponde ao valor máximo de corrente do inversor;
Imáx_fil : corresponde ao valor máximo de corrente por fileira (esta informação encontra-se na ficha
técnica do módulo);
Analisando o valor obtido da tabela anterior, verifica-se que no máximo poderá existir 6 fileiras
em paralelo.
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Potência do inversor 12 kW
Para dimensionar o sistema eólico é necessário ter uma estimativa da velocidade do vento para a
região onde o sistema irá ser instalado, uma vez que a produção de energia elétrica a partir de um
sistema eólico depende fortemente da velocidade do vento.
Após análise desses valores, verifica-se que a velocidade média do vento para o período em estudo,
varia entre os 0 m/s (no mês de novembro) e os 13,7 m/s (no mês de fevereiro).
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Verifica-se também que o mês com velocidade média do vento inferior é setembro de 2016
(atingindo apenas uma velocidade média de 2,02 m/s) e o mês com velocidade média superior é
março de 2017 (atingindo uma velocidade média de 3,97 m/s).
Figura 64. Velocidade média do vento em cada mês, desde maio de 2016 a abril de 2017.
As figuras 65 e 66, ilustram a evolução da velocidade média do vento dos meses com menor e
maior velocidade de vento, respetivamente.
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Para tentar combater e contornar este problema, recorreu-se a distribuições probabilísticas, em que
os registos de densidade de probabilidade ganham maior relevância se puderem ser descritos por
expressões analíticas. A distribuição probabilística que mais se adequa é a Distribuição de Weibull,
uma vez que é a distribuição que conduz às representações mais aproximadas do vento real num
determinado local, em que a sua função densidade de probabilidade é caracterizada pela seguinte
expressão [38]:
𝑘 𝑢 𝑘−1 𝑢 𝑘
𝑓(𝑢) = ( ) 𝑒𝑥𝑝 {− [( ) ]} (29)
𝑐 𝑐 𝑐
Onde,
u: velocidade do vento;
c: parâmetro de escala, com as dimensões de velocidade;
k: parâmetro de forma, sem dimensões.
No entanto, como existe uma insuficiência de dados, ou seja, a informação disponível indica
apenas a velocidade média anual do vento, assume-se que K=2 e dessa forma, a distribuição
biparamétrica de Weibull reduz-se à distribuição uniparamétrica de Rayleigh, ou seja [38]:
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𝑢𝑚𝑎 2
𝑒= = 𝑢𝑚𝑎
1 √𝜋 (30)
𝛤 (1 + 2)
Onde,
𝑢𝑚𝑎 : velocidade média anual;
2
√𝜋 𝑢 √𝜋 𝑢 √𝜋
𝑓(𝑢) = exp {− [( ) ]} (31)
𝑢𝑚𝑎 2𝑢𝑚𝑎 2𝑢𝑚𝑎
𝜋 𝑢 𝜋 𝑢 2
𝑓(𝑢) = 2
exp [− ( ) ] (32)
2 𝑢𝑚𝑎 4 𝑢𝑚𝑎
Através dos dados fornecidos no anexo IV, verifica-se que a velocidade média anual é de 3,16 m/s.
Dessa forma, efetuou-se uma distribuição de Rayleigh tendo em conta esse mesmo valor da
velocidade média anual e o intervalo de velocidades considerado (0 m/s a 16 m/s):
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A figura seguinte, ilustra a função densidade de probabilidade de Rayleigh para o presente caso de
estudo.
Figura 67. Densidade de probabilidade de Rayleigh para uma velocidade média anual de 3,16 m/s.
Através da tabela e da figura anterior, verifica-se que a velocidade para a qual ocorre uma maior
densidade de probabilidade de Rayleigh é aos 3 m/s, obtendo uma densidade de probabilidade de
0,232. A probabilidade de velocidades de vento superiores a 10 m/s é nula, uma vez que só existe
probabilidade de ocorrência de vento entre 1 m/s e 10 m/s.
O tipo de turbina que mais se adequa para a presente instalação é a turbina de eixo vertical, apesar
de ser menos eficiente que as turbinas de eixo horizontal, não necessitam de sistemas de controlo
direção das pás, funciona com menores velocidades de vento (este tipo de turbina apresenta maior
binário a baixas velocidades de vento) e possuem um menor custo.
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Para a escolha da turbina foi tido em conta a curva característica da mesma, curva que relaciona a
potência com a velocidade média do vento.
Através desta curva característica da turbina é possível analisar três aspetos fundamentais:
▪ Velocidade cut-in: corresponde à velocidade necessária para que o rotor da turbina entre
em movimento (velocidade mínima);
▪ Velocidade cut-out: corresponde à velocidade de vento que é de tal forma elevada, que a
turbina é desligada, por questões de segurança (velocidade máxima);
▪ Velocidade rated output: corresponde à velocidade nominal do vento;
A turbina escolhida para o presente projeto é a turbina de eixo vertical SKYLINE SL-30 3kW da
marca En-eco [44].
Conforme se pode verificar pelo gráfico seguinte, a velocidade de vento necessária para que o
rotor da turbina entre movimento é de apenas 2m/s (cut-in speed), sendo essa velocidade inferior
à velocidade de maior probabilidade de ocorrência para o local da instalação (3m/s).
Figura 68. Curva característica da turbina SKYLINE SL-30 3kW da marca En-eco.
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O atrito entre a superfície terrestre e o vento tem como consequência na diminuição da velocidade
deste último nas camadas mais baixas, ou seja, a topografia do terreno e a rugosidade do solo,
condicionam o perfil de velocidades do terreno que pode ser representado pela expressão seguinte:
𝑢𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 𝑧
𝑢(𝑧) = 𝑙𝑛 ( ) (33)
𝑘 𝑧0
Onde,
z: altura do terreno;
𝑧0 : comprimento característico da rugosidade;
𝑘: constante de Von Karman (k=0,4);
𝑢𝑎𝑡𝑟𝑖𝑡𝑜 : velocidade de atrito;
Contudo, a velocidade de atrito é difícil de calcular, pelo que na prática, utiliza-se a extrapolação
para alturas diferentes de dados medidos a uma altura de referência, através da expressão seguinte:
𝑧
𝑢(𝑧) 𝑙𝑛 (𝑧 )
0
= (34)
𝑢(𝑧𝑅 ) ln (𝑧𝑅 )
𝑧0
Tendo em conta os dados da tabela seguinte, obteve-se uma velocidade do vento de 3,27 m/s a
uma altura de 12 metros.
Tabela 13. Solução da implementação da Lei de Prandtl.
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O valor de 𝑧0 foi obtido a partir de uma das tabelas mais utilizadas para estudos de avaliação de
potencial eólico, seguida na elaboração do “Atlas Europeu do Vento”, para o tipo de terreno
“Terreno de agricultura com alguma construção e vegetação até 8 m de altura numa distância de 1
km”.
A potência elétrica fornecida aos terminais do gerador eólico é determinada foi obtida a partir da
curva característica da turbina.
𝑢𝑚𝑎𝑥
𝐸𝑎 = 8760 ∫ 𝑓(𝑢) 𝑃𝑒 (𝑢) 𝑑𝑢 (35)
𝑢0
Tabela 14. Valores obtidos para a potência elétrica e a energia produzida anualmente.
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Efetuando o somatório da energia obtida na tabela anterior (energia desde a velocidade cut-in até
à velocidade cut-out), obtém-se a energia produzida anualmente, sendo esta de aproximadamente
1348 kWh.
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Altura da torre 12 m
Potência do inversor 12 kW
Diâmetro 3,2 m
Painéis solares geram eletricidade em corrente contínua, ou seja, fornecem energia polarizada (um
pólo é POSITIVO (+) e o outro pólo é NEGATIVO (-)).
A maioria dos painéis solares, são fabricados para atender a uma tensão nominal de 12, 24 ou 48
Volts, mas geram 17 ou 34 Volts quando ligados ao sistema. Por isso o uso de controlador é
imprescindível.
O presente projeto necessita de dois reguladores de carga, ou seja, um regulador de carga ficará
instalado entre o sistema fotovoltaico e o banco de baterias, e o outro regulador de carga ficará
instalado entre o sistema eólico e o banco de baterias.
Para o presente caso de estudo não foi necessário proceder ao dimensionamento uma vez que o
fornecedor incluí o regulador de carga na compra dos painéis fotovoltaicos como da turbina.
Paralelamente ao sistema produtor, para esta instalação são necessários os quadros seguintes:
▪ [Link]
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Os quadros elétricos devem satisfazer o disposto nas normas EN 60529, EN 50102, e o anexo V
da parte 4 das R.T.I.E.B.T., quanto à classe de proteção. Serão do tipo “sistema funcional”, com
dimensões adequadas ao número de módulos das respetivas aparelhagens constantes dos esquemas
unifilares anexos.
Nos aparelhos de corte montados no quadro cujo funcionamento não possa ser diretamente
observado pelo operador, deverá ser claramente indicada a posição de ligado ou desligado. Todas
as entradas e saídas dos cabos serão providas de bucins, com sede e porca, de dimensões adequadas
ao diâmetro exterior do respetivo cabo.
A proteção contra os contactos indiretos deve ser assegurada pela utilização de equipamentos de
Classe II ou por isolamento equivalente conforme indicado na secção 413.2 do R.T.I.E.B.T.
As perfurações na parte superior do quadro para saída de cabos devem corresponder não só aos
circuitos estabelecidos mas também às possíveis futuras reservas a utilizar, pelo que essas saídas
suplementares deverão ser obturadas com bucins tamponados
As ligações elétricas entre aparelhagem dentro dos quadros serão realizadas por condutores do tipo
H07K-U/R.
A aparelhagem a instalar em cada quadro deverá ter as características indicadas nos desenhos do
projeto (que se encontram em anexo) tendo em especial atenção o seu poder de corte que deverá
ser superior aos valores respetivos indicados nos desenhos do projeto e folhas de cálculo.
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Os quadros elétricos previstos para o presente projeto serão da marca Hager ou equivalente.
As baterias são fundamentais para instalações com sistemas isolados, uma vez que através delas
consegue-se armazenar a energia elétrica que não é gasta no momento, para ser utilizada nas horas
em que o consumo de energia é superior à sua produção. Ou seja, as baterias devem alimentar as
cargas, em horas/dias em que a produção de energia, a partir dos sistemas produtores, é escassa.
Este equipamento possui um custo de aquisição bastante elevado, no que se refere a sistemas
autónomos/isolados. Além do custo de aquisição, este equipamento ainda necessita de custos de
manutenção. Como tal, o dimensionamento e escolha das baterias para este tipo de sistemas deve
ser realizado com o máximo rigor, com o intuito de evitar custos excessivos e optar pela bateria
que melhor se adequa a cada situação, tendo também em conta o seu ciclo de vida útil.
Conforme se pode verificar no capítulo 4, o tipo de bateria que melhor se adequa a instalações
autónomas, são as baterias de gel.
Este tipo de bateria possui um ciclo de vida útil superior, não liberta gases, o invólucro é selado e
não necessita de tanta manutenção, uma vez que neste tipo de baterias não é necessário repor os
níveis de eletrólito.
De notar que, nem toda a energia armazenada no banco de baterias poderá ser disponibilizada às
cargas, uma vez que existem alguns fatores que limitam a energia útil, sendo eles:
▪ Rendimento da bateria;
▪ Profundidade de descarga: uma vez que o tempo de vida útil das baterias escolhidas
corresponde a uma profundidade de 60% da capacidade nominal, é necessário considerar
um aumento de 40% na capacidade nominal do sistema de armazenamento correspondente
à capacidade não utilizada;
▪ Corrente de auto descarga: as perdas provenientes deste fator são desprezíveis, uma vez
que possuem um impacto pouco significativo quando as baterias são utilizadas
constantemente (quando as baterias ficam em repouso durante longos períodos de tempo,
estas perdas devem ser consideradas);
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Para determinar a capacidade mínima das baterias, é necessário obter o consumo diário da
habitação em amperes-hora (Ah):
𝐸
𝐸𝐴ℎ = (36)
𝑈𝐵𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎
Onde,
𝑈𝐵𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎 : corresponde à tensão do banco de baterias.
A capacidade mínima da bateria, 𝑄𝐵𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎 , pode ser obtida de acordo com a expressão seguinte:
𝐸𝐴ℎ ∗ 𝑛
𝑄𝐵𝑎𝑡𝑒𝑟𝑖𝑎 = (37)
𝑃 ∗ 𝑘𝐵
Onde,
n: corresponde ao número de dias de reserva da energia no banco de baterias;
P: corresponde à profundidade de descarga máxima da bateria;
𝑘𝐵 : corresponde à eficiência da bateria.
Normalmente o número de dias de autonomia das baterias costuma variar entre 3 a 5 dias.
Sabendo que as baterias com 3 dias de autonomia possuem um ciclo de vida útil inferior, que as
baterias com 5 dias de autonomia tornam-se bastante dispendiosas, e tendo em conta as exigências
do dono de obra, optou-se por escolher baterias com 3 dias de autonomia.
Por forma a assegurar a tensão de 24V, terá que ser efetuada uma associação em série das baterias.
Para o presente projeto está previsto uma conexão mista das baterias, optando pelas baterias GEL
24V 968Ah BAE C100 [45].
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Para se obter a tensão de 48V através de baterias com 12V, é necessário realizar a ligação em série
e de seguida proceder à ligação em paralelo para obter a corrente pretendida. Originando dessa
forma a instalação 8 baterias de 968Ah e 12V cada (4 grupos de 2 baterias em série, sendo que
esses grupos se encontram em paralelo).
Em primeiro lugar, procede-se à realização da ligação em série entre a primeira bateria e a segunda
(ou seja, entre o polo positivo de uma e o polo negativo da outra), entre a terceira e a quarta, entre
a quinta e a sexta e entre a sétima e a oitava. Assim obtemos quatro grupos de baterias de 968Ah
de capacidade e 48V de tensão cada. O passo seguinte será conectar em paralelo os grupos. Para
isto ligam-se entre si os polos positivos dos quatro grupos e, por outro lado, os polos negativos;
resultando uma ligação como a que se pode verificar na figura anterior. Desta forma obtém-se
como resultado o banco de baterias de 3872Ah de capacidade e 48V.
A energia geotérmica a baixa temperatura é aquela que se obtém pela extração do calor da terra.
Esta energia captada regenera-se constantemente pelos efeitos do sol, da chuva e do calor interno
da terra. A bomba de calor geotérmica aproveita a temperatura, praticamente constante no subsolo
ao longo de todo o ano. Isto permite aquecer a habitação no inverno, arrefece-la no verão e produzir
água quente sanitária.
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Este tipo de sistema pode ser de captação horizontal ou de captação vertical. Para o presente caso
de estudo, optou-se pela captação vertical, uma vez que esta é energeticamente mais eficiente que
a instalação horizontal e necessita de uma área de implantação inferior.
O sistema geotérmico previsto para a habitação é constituído pela bomba de calor da série Alira
Split BWP 1,6 kW da marca alpha innotec [46].
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Esta bomba de calor como um gerador de calor altamente eficiente apoia a ideia de sustentabilidade
ecológica. Através do uso inteligente do solo e água, a bomba de calor contribui ativamente para
a proteção do meio ambiente e ao mesmo tempo faz com que o utilizador, seja independente de
combustíveis fósseis e fontes de energia finitas para aquecimento e arrefecimento.
O funcionamento da bomba de calor de água quente sanitária vai até aos 55º C e será instalada na
lavandaria da habitação.
A regulação da temperatura de água quente pode ser feita através dos sensores de temperatura. O
invólucro é galvanizado, com pintura eletrostática, insonorizada.
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5.12. RESUMO
O capítulo seguinte, analisa a viabilidade do projeto a nível económico e financeiro, perante três
cenários expostos.
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Capítulo 6
Avaliação Económica dos Investimentos
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O presente projeto, visa a criação de um sistema híbrido para uma habitação unifamiliar, com
auxílio a um banco de baterias.
Figura 74. Constituição do sistema de produção de eletricidade previsto para a habitação em estudo.
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Os critérios mencionados são fundamentais para que o investidor decida investir ou não no projeto.
No entanto, em situações em que o projeto não seja economicamente rentável, o investidor poderá
decidir investir se este lhe proporcionar outros benefícios, nomeadamente, redução da taxa de
incidentes, aumento da quota no mercado, entre outros.
Equipamento Quantidade
Baterias 8 Unidades
Este critério consiste na atualização da série anual dos cash-flows líquidos do projeto para o
momento inicial do projeto de investimento, ou seja, para o momento zero. O VAL corresponde
ao valor que o projeto representa, numa certa altura do tempo, tendo em conta os parâmetros
relativos ao custo temporal do dinheiro.
No cálculo deste critério, é necessário ter em conta o risco do projeto, ou seja, é necessário saber
qual o nível de certeza de que serão alcançados os resultados previstos.
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Considerando um projeto de investimento com uma vida útil de n anos, o VAL será calculado a
partir da expressão seguinte:
𝑛
𝐶𝐹𝐿𝑘 𝑉𝑟
𝑉𝐴𝐿 = ∑ + (38)
(1 + 𝑟)𝑘 (1 + 𝑟)𝑛
𝑘=0
Onde,
I: valor do investimento inicial;
Vr: valor residual do projeto;
r: taxa de atualização do investimento;
n: tempo de vida do projeto;
𝐶𝐹𝐿𝑘 : cash-flow líquido do projeto no ano k.
Este critério permite determinar o tempo de recuperação do capital investido, ou seja, o payback
corresponde ao período de tempo necessário para que o VAL atinja o valor nulo.
As limitações da análise a partir deste indicador são várias, sendo que as principais são a não
consideração de fatores fundamentais como a inflação ou os custos de capital. Não deixa, no
entanto, de ser um indicador de cálculo expedito e que permite uma primeira aproximação
interessante à questão da avaliação de projetos.
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𝑛
𝐶𝐹𝐿𝑘 𝑉𝑟
𝑉𝐴𝐿 = ∑ 𝑘
+ =0 (39)
(1 + 𝑟) (1 + 𝑟)𝑛
𝑘=0
6.3. CENÁRIOS
Tendo em conta a dimensão do projeto, o custo elevado dos equipamentos e a decisão do dono de
obra, optou-se por realizar uma análise económica e financeira do projeto para três cenários:
▪ Cenário 1- O projeto é composto pelo sistema fotovoltaico, sistema geotérmico e pelo
sistema eólico;
▪ Cenário 2- O projeto é composto pelo sistema fotovoltaico e pelo sistema geotérmico, mas
não é composto pelo sistema eólico.
▪ Cenário 3- O projeto é composto apenas pelo sistema fotovoltaico.
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Para analisar o presente projeto ao nível financeiro e económico, foi necessário recorrer aos
fornecedores para que disponibilizassem o orçamento para os diversos equipamentos necessários
ao correto funcionamento do projeto.
6.3.1. CENÁRIO 1
Tabela 16. Investimento inicial – Caso 1.
Informação Prévia
Investimento Inicial - Cenário 1 84 275,64 €
Receita anual (constante) 3 140,00 €
Taxa de atualização 4,00%
Valor residual do investimento 0
Despesa manutenção 1,5% do Investimento 0,60%
Tendo em conta a tabela anterior, verifica-se que o investimento inicial necessário para o cenário
1 são de 84.275,64€.
Para determinar o valor da receita anual, foi necessário simular o custo da fatura energética para a
presente habitação, caso esta, estivesse ligada à rede elétrica pública e não tivesse instalada
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qualquer sistema produtor de energia elétrica. No anexo III, pode-se verificar o resultado da
simulação efetuada a partir do simulador da ERSE “Simulador de Faturação”, optando pela
descriminação de contagem simples.
Tabela 18. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 1.
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Critérios Económicos
VAL -48.474,02 €
TIR -4%
Através da tabela 20, verifica-se que o projeto (cenário 1) não é economicamente rentável, uma
vez que:
▪ VAL < 0 - não permite a recuperação do valor investido nem lucro para o investidor;
▪ TIR < 0 e TIR < Taxa de atualização – uma vez que o VAL é negativo,
consequentemente implica que a TIR também seja.
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▪ O investir não consegue recuperar o capital investido dentro do período de vida útil do
projeto.
6.3.2. CENÁRIO 2
O cenário 2 possui um menor investimento face ao cenário 1, uma vez que não é contabilizado o
investimento do sistema eólico.
Informação Prévia
Investimento Inicial - Cenário 2 69 875,04 €
Receita anual (constante) 3 140,00 €
Taxa de atualização 4,00%
Valor residual do investimento 0
Despesa manutenção 1,5% do Investimento 0,60%
Tendo em conta a tabela 21, verifica-se que o investimento inicial necessário para o cenário 2
são de 69.875,04€.
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Tabela 22. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 2.
Verifica-se uma redução dos custos anuais face ao cenário 1, uma vez que não são tidos em conta,
os custos de manutenção do sistema eólico.
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Critérios Económicos
VAL -32 899,16 €
TIR -2%
Através da tabela anterior, verifica-se que o projeto (cenário 2) não é economicamente rentável,
uma vez que:
▪ VAL < 0 - não permite a recuperação do valor investido nem lucro para o investidor;
▪ TIR < 0 e TIR < Taxa de atualização – uma vez que o VAL é negativo,
consequentemente implica que a TIR também seja.
▪ O investir não consegue recuperar o capital investido dentro do período de vida útil do
projeto.
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Em comparação com o cenário 1, verifica-se que o VAL se encontra ligeiramente mais próximo
de 0 e a TIR mais próxima da taxa de atualização, no entanto, estes valores não são suficientes
para que o projeto seja economicamente rentável.
6.3.3. CENÁRIO 3
Informação Prévia
Investimento Inicial - Cenário 3 60 986,04 €
Receita anual (constante) 3 140,00 €
Taxa de atualização 4,00%
Valor residual do investimento 0
Despesa manutenção 1,5% do Investimento 0,60%
Tendo em conta a tabela 25, verifica-se que o investimento inicial necessário para o cenário 3 são
de 60.986,04€.
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Tabela 26. Receitas e custos anuais, para o período de vida útil do projeto – Cenário 3.
Verifica-se uma redução dos custos anuais face ao cenário 1 e ao cenário 2, uma vez que não são
tidos em conta, os custos de manutenção do sistema eólico e do sistema geotérmico.
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Critérios Económicos
VAL -23.285,34€
TIR -1%
Através da tabela anterior, verifica-se que o projeto (cenário 3) não é economicamente rentável,
uma vez que:
▪ VAL < 0 - não permite a recuperação do valor investido nem lucro para o investidor;
▪ TIR < 0 e TIR < Taxa de atualização – uma vez que o VAL é negativo,
consequentemente implica que a TIR também seja.
▪ O investir não consegue recuperar o capital investido dentro do período de vida útil do
projeto.
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Mais uma vez, em comparação com o cenário 1 e o cenário 2, verifica-se que o VAL se encontra
ligeiramente mais próximo de 0 e a TIR mais próxima da taxa de atualização, no entanto, estes
valores não são suficientes para que o projeto seja economicamente rentável.
Como se pode constatar através das análises efetuadas anteriormente, verifica-se que para os três
cenários, obteve-se um VAL inferior a zero e uma TIR inferior à taxa de atualização, ou seja,
observa-se que para os diversos cenários, o projeto não é economicamente rentável.
No entanto, deve-se ter em atenção, que no cálculo económico não entrou em linha de conta
possíveis ganhos com incentivos financeiros, originados pela instalação de soluções
autossustentáveis e eficientes em habitações unifamiliares.
Apesar de economicamente não ser uma solução interessante, do ponto de vista energético pode
ser equacionado se o dono de obra estiver disposto a investir neste conceito, e dessa forma,
contribuir para a salvaguarda do meio ambiente.
De notar que, no cálculo económico também não se considerou o “valor” da proteção do meio
ambiente.
6.5. RESUMO
No presente capítulo, pode-se analisar os três cenários de possíveis soluções de projeto, a nível
económico e financeiro.
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Capítulo 7
Conclusões
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Para que o projeto atingisse a sua finalidade de ser uma boa solução técnico-económica e de
oferecer segurança aos utilizadores, promovendo a inovação e a fiabilidade, tendo em conta as
expectativas do dono de obra, requereu para além do domínio técnico, uma sistematização na sua
abordagem tanto na fase da sua conceção como na elaboração dos seus documentos.
As habitações com instalação de sistemas off-grid, apresentam-se como uma solução de enorme
importância para a preservação do meio ambiente e para a sensibilização no uso racional e
consciente dos recursos naturais. Além, de apresentar claros benefícios para o meio ambiente,
ainda oferece vantagens para os seus proprietários, uma vez que não acarreta custos energéticos.
Tal como se pode verificar ao longo do relatório, foi proposto/dimensionado uma habitação
composta por energia fotovoltaica, eólica, geotérmica e um sistema para armazenamento da
energia elétrica produzida a partir do sistema produtor.
Analisando o estudo fotovoltaico, tendo em conta o dia mais desfavorável em relação à radiação
solar, verifica-se que para dar resposta às necessidades dos utilizadores são necessários 40 painéis
de 325W cada um, ocupando uma área da cobertura de cerca de 90m².
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Analisando o estudo eólico, verifica-se que a produção de energia elétrica a partir do vento é pouco
significativa. Isto deve-se ao facto da velocidade média do vento para a região onde se situa a
habitação ser muito reduzida (cerca de 3,16 m/s), e tal como se pode verificar pela curva
característica da turbina, esta, só entra em funcionamento a partir de 2m/s. Isto implica uma
produção anual de energia elétrica de apenas 1.348,3 kWh.
As baterias são os pulmões deste sistema produtor de energia. Não adianta implementar um ótimo
sistema de produção de energia, se o mesmo não for instalado paralelamente com o banco de
baterias, para se conseguir armazenar a energia excedente ao consumo do momento.
Os projetos deste tipo (produção de energia renovável) requerem sempre a instalação de um banco
de baterias, para conseguir dar resposta às necessidades energéticas do consumidor nas horas em
que o consumo é superior à produção.
Tendo em conta o elevado investimento para projetos deste tipo e dimensão, efetuou-se uma
análise económica e financeira para três cenários:
▪ Cenário 1- instalação do fotovoltaico, eólico e geotérmico;
▪ Cenário 2- instalação do fotovoltaico e geotérmico;
▪ Cenário 3- instalação apenas do sistema fotovoltaico;
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A tabela seguinte representa os valores dos indicadores económicos para os três cenários.
Critérios Económicos
Cenário 1 2 3
VAL -48.474,02€ -32.899,16€ -23.285,34€
TIR -4% -2% -1%
Analisando a tabela 29, verifica-se que o valor do VAL tende a aproximar-se do valor nulo à
medida que o investimento é menor. O mesmo acontece com o valor da TIR, ou seja, à medida
que o valor do investimento é menor, esta tende a aproximar-se do valor da taxa de atualização.
No entanto, o investidor não consegue recuperar o capital investido, em qualquer um dos cenários
estudados, no período de vida útil da instalação.
Devido ao elevado custo inicial que é necessário investir, verifica-se que este projeto não é
economicamente rentável. Esta solução é mais aconselhada para zonas remotas, onde não possuem
um sistema de fornecimento de energia fiável, ou seja, regiões onde a instalação de um sistema
isolado de produção de energia é uma alternativa ideal e ecológica, acarretando consequentemente
diversas mais-valias tanto no ponto de vista técnico como ecológico.
Conclui-se desta forma que, a instalação de um sistema off-grid numa residência situada num
centro urbano, apesar de ser tecnicamente possível, não é uma maior valia no ponto de vista
financeiro, uma vez que os custos da energia elétrica fornecida pela rede pública são inferiores aos
custos iniciais de investimento, necessários para uma solução isolada da rede. Embora tenha um
impacto muito positivo na pegada ecológica.
Uma habitação eficiente e sustentável é desenvolvida, em todas as suas fases, desde o design da
arquitetura até à escolha dos eletrodomésticos, dando resposta às necessidades programáticas,
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É de realçar que a habitação presente no caso de estudo possui uma dimensão considerável
comparativamente com as habitações apresentadas no estado da arte, que são apenas de tipologia
T0 e T1. Tornando o dimensionamento do sistema mais complexo e mais caro também, uma vez
que quanto maior a habitação, maiores serão os consumos energéticos, acarretando
consequentemente a instalação de um sistema produtor de energia capaz de responder a mais
necessidades.
Cabe aos utilizadores de energia ter a sensibilidade de economizar e rentabilizar os seus consumos
energéticos.
No seguimento deste trabalho, e uma vez que o projeto não foi economicamente rentável, seria
interessante analisar o mesmo projeto para uma habitação a situar-se numa zona remota, onde não
existe acesso à rede de energia pública.
Nesse caso, na análise económica e financeira, dever-se-ia ter em conta, como receitas, para além
da faturação energética, o custo das infraestruturas necessárias para chegar energia elétrica à
habitação.
Além disso, com o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas, é de esperar que num futuro
próximo, o custo dos equipamentos de elevada performance energética (classe A a A++), bem
como os sistemas de produção distribuída de eletricidade (eólica e solar) venha a diminuir
substancialmente, pelo que este estudo terá que ser repetido com o passar dos anos, afim de
verificar a sua viabilidade económica.
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Bibliografias
[1] – [EDP,2016] – EDP; Rotulagem de energia elétrica; 2016
[3] – [Paiva, 2015] – José Pedro Sucena Paiva, Redes de Energia Eléctrica - Uma análise
sistémica, IST - Instituto Superior Técnico, 2015
[4] – [Oliveira, 2012] - Lucas Oliveira, Raffaela Medeiros, Pedro Terra, Osvaldo Quelhas;
Sustentabilidade: da evolução dos conceitos à implementação como estratégia nas organizações;
2012
[9] – [Silva, 2012] – Pedro Silva, Caraterização dos consumos energéticos em edifícios de
habitação visando a sua redução, 2012
[11] – [Almeida, 2012] – Manuela Almeida, Sandra Silva, Joana Sousa, Enquadramento
Energético do Sector Residencial Português, 2012
[13] – [Rodrigues, 2011] – Maria Rodrigues, Eficiência Energética no Setor Residencial, 2011
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[38] – [CASTRO, 2012] – Rui Castro, Uma Introdução às Energias Renováveis - Eólica,
Fotovoltaica e Mini-hídrica, IST - Instituto Superior Técnico, 2012
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ANEXOS
ANEXO I
Etiquetas Energéticas Dos Equipamentos Da Habitação
ANEXO I
Resultados da Simulação
LUZBOA
GERAL - 3220 Contrato de 12 meses sem fidelização.
Oferta válida até 31.12.2017.
Simples
edp
eletricidade - 3295 Proposta sem prazo de validade.
Simples
Geral Livre
3351 Proposta válida até 31.12.2017.
2017 - Simples
Plano Básico
3490 Oferta válida até nova campanha.
Casa/PME
mai/16 jun/16 jul/16 ago/16 set/16 out/16 nov/16 dez/16 jan/17 fev/17 mar/17 abr/17
Dia
Velocidade do vento (m/s)
1 3,36 2,44 3,08 2,14 2,33 1,03 2,56 3,78 4,69 3,83 3,64 2,97
2 3,08 1,94 2,58 1,83 2,78 0 2,78 3,06 6,33 6,42 4,5 2
3 2,47 2,64 2,58 2,56 3,06 2,58 3,36 5,5 4,94 8,11 4,72 2,28
4 3,22 1,5 0 3,17 2,67 0 6,36 4,19 3,19 7,08 3,78 1,89
5 1,72 1,67 2,06 2,06 2,72 2,58 6,81 2,22 2,28 4,61 3,67 3,83
6 2,17 3,06 0,53 2,33 2,17 2,06 3,86 3,92 2,78 5,64 2,28 2,94
7 6,36 2,11 2,06 5,03 2,28 2,58 2,44 4,11 1,5 4,06 1,36 2,61
8 8,5 2,75 1,03 3,86 1,31 0 5,06 4,81 1,5 1,83 1,86 2
9 5,78 3,64 0 3,86 2,67 2,58 2,14 5,69 1,58 5,94 1,97 2,78
10 5,44 6,08 3,61 2,06 2,94 2,06 1,53 4,44 3,56 4,47 3,03 3,36
11 2,89 2,56 3,08 3,61 1,64 2,06 1,97 4,06 3,33 3,78 4,11 1,75
12 3,22 2,19 3,08 3 2,36 2,06 2,31 1,78 2,42 3,64 5,39 1,56
13 2,72 0 2,06 3,06 5,06 2,06 2,47 4,58 3,61 4,11 6,08 2,58
14 3,22 6,17 1,03 1,75 2,17 4,64 3,03 3,56 3,72 5,92 3,94 2
15 2,75 1,56 2,06 2 9,11 5,14 2,33 4,44 3,03 3,08 3,03 2,58
16 2,42 2,58 0 2,47 4,47 5,67 2,03 4,11 1,92 2,97 2,53 1,61
17 2,36 0 1,56 3,31 2,11 0 1,22 3,31 2,03 1,97 2,64 2,08
18 4,5 2,06 0 3,03 2,64 1,03 2,03 2,58 3,56 3,31 2,03 2,67
19 3,86 2,58 2,06 2,44 2,03 2,36 4,97 2,39 2,72 3,64 3,11 4,97
20 1,69 0 2,06 1,97 1,75 0,94 5,61 1,83 1,94 2,94 3,36 5,31
21 2,44 0 2,58 3,31 2,72 1,94 3,33 1,19 2,17 2,53 4,31 3,86
22 4,44 0,53 2,06 2,33 4,42 3,81 2,44 2,31 2,14 2,83 4,33 2,5
23 2,22 1,03 2,58 4,53 2,75 5,83 2,89 1,75 1,64 2,56 2,14 1,83
24 5 3,61 0 2,06 1,19 3,53 4,75 2,64 2,17 2,06 1,89 2,39
25 3,78 2,2 0 2,78 1,25 3,86 6,17 3,31 4,25 2,72 3,92 2,39
26 3,17 2,58 2,06 4,58 1,58 2,47 3,86 2,11 6,81 2,14 5,75 5,36
27 4,78 1,56 3,08 6,39 2 2,97 2,08 4,31 3,89 3,39 5,64 4,53
28 5,22 1,55 2,58 3,06 2,17 2,86 1,58 1,94 3,81 2,81 5,14 5,03
29 2,83 2,06 2,06 2,28 1,64 7,64 4,61 2,58 5 3,31 3,64
30 2,39 4,11 2,58 2,08 3,22 6,19 4,25 4 7,03 4,56 4,83
31 2,11 1,56 2,03 4,97 3,67 4,75 3,5
Média 3,17 2,11 2,06 2,56 2,33 2,58 2,78 3,56 3,19 3,31 3,64 2,58
ANEXO V
Solução do Sistema Fotovoltaico
ANDRÉ GUSMÃO N/ Ref.: [Link].00
RUA HELIANTIA LOTE 08 - [Link] Data: 06/06/2017
INSTALAÇÕES FOTOVOLTAICAS Elab. por: CAF
Secção ∆U ∆U
I2≤1,45*Iz
Pot.
Ib≤In≤Iz
Num. Mét.
origem
Nº Potência [Link]. Ib In/Ir I2 cond. Iz' Iz 1,45Iz L Icc Pdc Z
Nº designação kVA Tipo cond. cond. de Alimentador f.c. parcial total
painéis Painel (kVA) (A) (A) (A) Fase
fase
Ref. (A) (A) (A) (m) (kA) (kA) (Ω/Km)
(mm²) (%) (%)
1 [Link] 13 18,84 50 80 XZ1(frt,zh) 1 10 E XZ1 (frt,zh)-U5G10mm² 75 1,00 75 ok ok 108,8 10 21,1 25 1,7 0,15 1,57
2 Inversor 1 13 18,84 40 54 XZ1(frt,zh) 1 10 E XZ1 (frt,zh)-U5G10mm² 75 0,82 62 ok ok 89,2 10 8,1 25 1,7 0,14 1,42
3 [Link] 2 13 17,59 40 54 XZ1(frt,zh) 1 10 E XZ1 (frt,zh)-U2x10mm² 75 0,82 62 ok ok 89,2 15 4,2 25 1,7 0,34 1,28
4 String 01 3 10 325 3,3 3 4,40 10 14 FZZ(Zh) 1 6 E 2x (CABO SOLAR 1x6mm²) 54 0,82 44 ok ok 64,2 40 1,3 15 2,9 0,16 0,16
5 String 02 3 10 325 3,3 3 4,40 10 14 FZZ(Zh) 1 6 E 2x (CABO SOLAR 1x6mm²) 54 0,82 44 ok ok 64,2 50 1,1 6 2,9 0,21 0,21
6 String 03 3 10 325 3,3 3 4,40 10 14 FZZ(Zh) 1 6 E 2x (CABO SOLAR 1x6mm²) 54 0,82 44 ok ok 64,2 60 1,0 10 2,9 0,25 0,25
7 String 04 3 10 325 3,3 3 4,40 10 14 FZZ(Zh) 1 6 E 2x (CABO SOLAR 1x6mm²) 54 0,82 44 ok ok 64,2 80 0,8 6 2,9 0,33 0,33
PV S02#10
PV S03#10
PV S04#10
H07V-K1G10mm (V/A)
PV S01#01
PV S02#01
PV S03#01
PV S04#01
Conectores
Em Caminho de Cabos 200x60mm
[Link]
Em Caminho de Cabos 200x60mm
Cobertura
INVERSOR 01
Q.G.H.
Em Caminho de Cabos 200x60mm
H07V-K1G10mm (V/A)
[Link]
Requerente
H07V-K1G16mm (V/A)
Local da Obra
B.C.T. (Existente)
Projecto
T.P.
Telefone: +351 225323800 Fax: +351 225323819
(Existente) Email: email@[Link]
Especialidade
Sistema Fotovoltaico
Sector Titulo
GERAL
Diagrama e Esquemas Unifilares
Fase Data Escala
ESTUDO 2017/06/06
Piso 0 S:E
Processo Fase Especialidade Tipo Doc.
Logradouro
Alpendre
26.38
Sala TV Sala Estar Cozinha
26.40 Alpendre
Da Cobertura
Vidro fosco
Quarto I.S. Lavandaria
Hall 27.18
27.20
Q.G.H [Link]
Tijolo de vidro
B.C.T.
Garrafeira H07V-K1G16mm (V/A) T.P.
Logradouro
RUA DA HELIANTIA
[Link]
Varanda
30.28 Conectores
S01#01 S02#01 S03#01 S04#01
H07V-K1G10mm (V/A)
S01#02 S02#02 S03#02 S04#02
Quarto Quarto Quarto Quarto
S01#03 S02#03 S03#03 S04#03
S01#04 S02#04 S03#04 S04#04
33.55
30.30 30.30 30.30 S01#05 S02#05 S03#05 S04#05
S01#06 S02#06 S03#06 S04#06
I.S. I.S. I.S.
S01#07 S02#07 S03#07 S04#07
S01#08 S02#08 S03#08 S04#08
Arrumos
Para Piso 0 S01#09 S02#09 S03#09 S04#09
S01#10 S02#10 S03#10 S04#10
30.30
I.S.
NOTA:
RUA DA HELIANTIA RUA DA HELIANTIA
Requerente
Local da Obra
Projecto
Telefone: +351 225323800 Fax: +351 225323819
Email: email@[Link]
Especialidade
Sistema Fotovoltaico
Sector Titulo
GERAL
Sistema Fotovoltaico
Fase Data Escala
ESTUDO 2017/06/06
1/100
Processo Fase Especialidade Tipo Doc.