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Louvor a Deus em Momentos Difíceis

O Evangelho segundo São João enfatiza o amor de Jesus pelos seus discípulos e a importância de se amarem uns aos outros. A catequese do Papa reflete sobre a oração de louvor, destacando que mesmo em momentos de crise e escuridão, como enfrentados por João Batista, é essencial louvar a Deus. O louvor é visto como um meio de salvação e purificação, que deve ser praticado tanto em tempos de alegria quanto em dificuldades.
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Louvor a Deus em Momentos Difíceis

O Evangelho segundo São João enfatiza o amor de Jesus pelos seus discípulos e a importância de se amarem uns aos outros. A catequese do Papa reflete sobre a oração de louvor, destacando que mesmo em momentos de crise e escuridão, como enfrentados por João Batista, é essencial louvar a Deus. O louvor é visto como um meio de salvação e purificação, que deve ser praticado tanto em tempos de alegria quanto em dificuldades.
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Bom dia

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João (Jo 15, 9-17)
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como o Pai Me amou, também
Eu vos amei. Permanecei no meu amor. Se guardardes os meus mandamentos,
permanecereis no meu amor, assim como Eu tenho guardado os mandamentos de meu
Pai e permaneço no seu amor. Disse-vos estas coisas, para que a minha alegria esteja em
vós e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos
outros, como Eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos
amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos,
porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamo-vos amigos, porque vos dei
a conhecer tudo o que ouvi a meu Pai. Não fostes vós que Me escolhestes; fui Eu que
vos escolhi e destinei, para que vades e deis fruto e o vosso fruto permaneça. E assim,
tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá. O que vos mando é
que vos ameis uns aos outros».

Hoje, dia 14 de maio, seguimos a 21.ª Catequese do Papa, sobre a oração de louvor.

1. Inspiramo-nos numa passagem crítica da vida de Jesus. Depois dos primeiros milagres
e da participação dos discípulos no anúncio do Reino de Deus, a missão do Messias sofre
uma crise. João Batista duvida e faz com que lhe chegue esta mensagem – João encontra-
se na prisão: «És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?» (Mt 11, 3). Ele sente
a angústia de não saber se errou no anúncio. Na vida há sempre momentos escuros,
momentos de noite espiritual, e João está a passar um momento como esse. Há
hostilidade nas aldeias perto do lago, onde Jesus tinha realizado muitos sinais
prodigiosos (cf. Mt 11, 20-24). Ora, precisamente naquele momento de desilusão, Mateus
relata um acontecimento verdadeiramente surpreendente: Jesus não eleva ao Pai uma
lamentação, mas um hino de júbilo: «Bendigo-te, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque
escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25).
Isto é, em plena crise, em plena escuridão na alma de tantas pessoas, como João Batista,
Jesus bendiz o Pai, Jesus louva o Pai. Mas, porquê?
Antes de mais, louva-o pelo que é: «Pai, Senhor do céu e da terra». Jesus rejubila-se no
seu espírito porque sabe e sente que o seu Pai é o Deus do universo e, vice-versa, o
Senhor de tudo o que existe é o Pai, “o meu Pai”. O louvor brota desta experiência de
sentir-se o “filho do Altíssimo”. Jesus sente-se filho do Altíssimo.

Pai-Nosso | 10 Ave-marias | Glória ao Pai…

2. E além disso Jesus louva o Pai porque prefere os pequeninos. É o que Ele próprio
experimenta, pregando nas aldeias: os “entendidos” e os “sábios” permanecem
desconfiados e fechados, fazem cálculos; enquanto os “pequeninos” abrem-se e
acolhem a mensagem. Ela só pode ser a vontade do Pai, e Jesus regozija-se com isto.
Também nós devemos regozijar-nos e louvar a Deus porque as pessoas humildes e
simples aceitam o Evangelho. Rejubilo-me quando vejo estas pessoas simples, esta gente
humilde que vai em peregrinação, que reza, canta, louva, gente à qual talvez faltam
muitas coisas, mas a humildade leva-as a louvar a Deus. No futuro do mundo e nas
esperanças da Igreja há sempre os “pequeninos”: aqueles que não se consideram
melhores do que os outros, que estão conscientes dos próprios limites e dos seus
pecados, que não querem dominar os outros, que em Deus Pai se reconhecem todos
irmãos.

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3. Assim, naquele momento de aparente fracasso, no qual tudo é escuridão, Jesus reza,
louvando o Pai. E a sua oração leva-nos, também a nós leitores do Evangelho, a julgar de
um modo diferente as nossas derrotas pessoais, as situações em que não vemos
claramente a presença e a ação de Deus, quando parece que o mal prevalece e não há
maneira de o impedir. Jesus, que tanto recomendou a oração de súplica, precisamente
no momento em que teria motivos para pedir explicações ao Pai, ao contrário passa a
louvá-lo. Parece uma contradição, mas a verdade está nisto.
Para quem é útil o louvor? Para nós ou para Deus? Um texto da liturgia eucarística
convida-nos a rezar a Deus do seguinte modo: «Não necessitais do nosso louvor, mas
através de um dom do vosso amor chamais-nos a dar-vos graças; os nossos hinos de
bênção não aumentam a vossa grandeza, mas obtêm para nós a graça que nos salva»
(Missal Romano, Prefácio comum IV). Ao louvar somos salvos.

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4. A prece de louvor é útil para nós. O Catecismo define-a assim: «Participa da bem-
aventurança dos corações puros que o amam na fé, antes de o verem na glória» (n. 2639).
Paradoxalmente, deve ser praticada não só quando a vida nos enche de felicidade, mas
sobretudo nos momentos difíceis, nos momentos escuros quando o caminho é íngreme.
Este é também o tempo do louvor, como Jesus que no momento escuro louva o Pai. Pois
aprendemos que através daquela subida, daquele caminho difícil, daquela vereda
cansativa, daquelas passagens desafiadoras, se consegue ver um novo panorama, um
horizonte mais aberto. Louvar é como respirar oxigénio puro: purifica-te a alma, faz com
que olhes para longe, não te aprisiona no momento difícil e escuro das dificuldades.

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5. Há um grande ensinamento naquela oração que desde há oito séculos nunca deixou
de palpitar, a que São Francisco compôs no final da sua vida: o “Cântico do irmão sol” ou
“das criaturas”. O Pobrezinho não o compôs num momento de alegria, de bem-estar,
mas, pelo contrário, no meio das dificuldades. Francisco estava quase cego e sentia na
sua alma o peso de uma solidão que nunca tinha sentido antes: o mundo não mudou
desde o início da sua pregação, ainda há aqueles que se deixam dilacerar por disputas e,
além disso, ele ouve aproximar-se os passos da morte. Poderia ser o momento da
desilusão, daquela extrema desilusão e a perceção do próprio fracasso. Mas naquele
instante de tristeza, naquele momento de escuridão, Francisco reza. De que modo
reza? «Louvado sejais, ó meu Senhor…». Reza louvando. Francisco louva a Deus por
tudo, por todos os dons da criação e até pela morte, que com coragem chama “irmã”,
“irmã morte”. Estes exemplos dos Santos, dos cristãos, também de Jesus, de louvar a
Deus nos momentos difíceis, abrem-nos as portas de um caminho muito grande rumo
ao Senhor e purificam-nos sempre. O louvor purifica sempre.
Os Santos e as Santas demonstram-nos que podemos louvar sempre, nos momentos
bons e maus, pois Deus é o Amigo fiel. Este é o fundamento do louvor: Deus é o Amigo
fiel, e o seu amor nunca falha. Ele está sempre ao nosso lado, espera-nos sempre.
Alguém dizia: “É a sentinela que está próxima de ti e faz com que vás em frente com
segurança”. Nos momentos difíceis e escuros, encontremos a coragem de dizer: “Bendito
és tu, ó Senhor”. Louvar o Senhor. Isto far-nos-á bem.

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