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Arquitetura Escolar em Angola: Projeto Tande

O trabalho de projeto apresentado por Eva Helena André Polenha para o mestrado em Arquitetura explora a relação entre a cultura angolana e a arquitetura escolar, enfatizando a importância da educação e a necessidade de equipamentos escolares em Angola. O projeto propõe a construção de uma escola no bairro do Tande, visando não apenas atender à demanda educacional, mas também integrar a comunidade local através de atividades culturais e sociais. A pesquisa inclui estudos de arquitetura vernacular angolana e casos de referência que influenciaram o desenvolvimento do projeto.
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Arquitetura Escolar em Angola: Projeto Tande

O trabalho de projeto apresentado por Eva Helena André Polenha para o mestrado em Arquitetura explora a relação entre a cultura angolana e a arquitetura escolar, enfatizando a importância da educação e a necessidade de equipamentos escolares em Angola. O projeto propõe a construção de uma escola no bairro do Tande, visando não apenas atender à demanda educacional, mas também integrar a comunidade local através de atividades culturais e sociais. A pesquisa inclui estudos de arquitetura vernacular angolana e casos de referência que influenciaram o desenvolvimento do projeto.
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Eva Helena André Polenha

ESCOLA SECUNDÁRIA DO I E II
CICLO DO BAIRRO DO TANDE
___________________________________________________

Trabalho de Projeto
Mestrado em Arquitetura

JULHO/2019
2
Eva Helena André Polenha

ESCOLA SECUNDÁRIA DO I E II CICLO


DO BAIRRO DO TANDE
___________________________________________________

Trabalho de Projecto apresentado para cumprimento dos requisitos


necessários à obtenção do grau de Mestre em (designação da área
científica do mestrado) realizado sob a orientação científica de Michele
Cannatà.

3
4
[DECLARAÇÕES]

Declaro que esta(e) Dissertação / Trabalho de Projecto é o resultado da minha


investigação pessoal e independente. O seu conteúdo é original e todas as fontes
consultadas estão devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia.

O candidato,

____________________

Porto, .... de ............... de ...............

___________________________________________________

Declaro que esta Dissertação / Relatório / Tese se encontra em condições de ser


apreciada (o) pelo júri a designar.

O(A) orientador(a),

____________________

Porto, .... de ............... de ..............

5
6
RESUMO

Este projeto é resultado de uma vasta pesquisa, face as questões identitárias da


cultura angolana, relacionada diretamente com a arquitetura e com a forma do
povo angolano viver e usar o espaço. O objetivo foi culminar todos estes
elementos, num equipamento escolar.
Neste presente trabalho, aborda-se questões da educação, exaltado a importância
da mesma e da arquitetura escolar. O estudo da arquitetura vernacular angolana, e
todos os casos de estudos escolhidos, foram bastante importantes na elaboração do
projeto de arquitetura, pois permitiu-me compreender melhor questões
fundamentais para a elaboração do projeto, tanto ao nível conceitual, mas também
formal e construtivo.
O equipamento escolar, escola do I e II ciclo do bairro do Tande, faz parte do plano
de urbanização do bairro do Tande e tem como objetivo de dinamizar a área em
questão, aumentando o número de escolas na área, sendo que, o número de
equipamentos escolares publico é inferior ao que deveria existir para albergar
numero de crianças com idade escolar ( 9-17 anos); este equipamento é também
um espaço, que poderá ser utilizado não apenas pelos alunos mas também pela
comunidade ao redor, tento como função de um espaço escolar, cultural e social.
Esta função enquadra-se por um lado desenvolver actividades extra-curriculares e
por outro actividades de extensão, integrando a comunidade à escola e vice-versa.

PALAVRAS-CHAVE: Tande, Luanda, Módulo, Arquitetura tropical, Identidade

7
8
ÍNDICE

1-Introdução 11

2-A arquitetura escolar: A importancia da arquitetura num espaço de apredizagem15

3-Casos de estudos/ Referencias 21

3.1- Introdução 23

3.2- Vasco da Costa- Anangola 27

3.3-Renzo Piano- Centro cultural de Jean-Marie de Tjibaou 35

3.4-Aires Mateus- Centro escolar da vila Nova da Barquinha 41

3.5-Cobógo como elemento da arquitetura 47

3.6-Gottfried Semper: O principio do revestimento 55

4-Território Angolano 61

4.1- Contrução de uma identidade 63

4.2 -Breve História de Angola 71

4.3-Temperatura 75

4.4- Radiação solar 77

5-O projeto 79

5.1-Plano de Urbanização do Tande 81

5.2- Programa 85

5.3- Caraterização da área 89

5.4-Conceito 93

5.5- Memória descritiva 99

6-Conclusão 103

7-Bibliografia 107

8- Webgrafia 111

9-Lista de Figura 113

9
10
INTRODUÇÃO

O presente trabalho, serve como um dos elementos para a obtenção de grau


mestre no sistema de bolonha.

O tema escolhido, nasce de uma vasta pesquisa em relação as mais preocupantes


necessidades de angola, sendo uma delas a falta de equipamentos escolar. A
população angola é maioritariamente jovem e existe uma grande necessidade de
esquipamentos escolares, sendo assim, este problema devia ser uma das
preocupações mais importantes a serem resolvidas. A educação é um dos
elementos chaves para o desenvolvimento de uma sociedade e por este mesmo
motivo é necessário apostar mais nesta área.

Desenvolver um equipamento escolar em Angola, acaba por ser uma da minha


grande motivação, visto que pretendo trabalhar em angola e é necessário que
comece a ter noção dos elementos que devo ter em conta ao projetar num pais
tropical.

Com este trabalho, pretendo expor problemáticas em relação a arquitetura escolar


em Angola, que esta maioritariamente relacionada com a falta de gestão dos
espaços e com o mal aproveitamento do mesmo. Pretendo também propor soluções
mais eficientes e sustentáveis para o meio ambiente; qualificar e inovar o conceito
de um edifício publico; contribuir para o aumento do número dos equipamentos
escolares em Angola.

A metodologia usada para conseguir desenvolver o equipamento, girou em torno de


investigação científicas com o auxílio da internet e com recurso a bibliotecas;
trabalho de campo; entrevista a responsáveis de gabinete de urbanização da
Administração do município de Viana e do Instituto Nacional de Ordenamento
Territórial e Urbanização (INOTU) e a população local e a alunos de algumas
escolas publicas.

O presente documento, esta organizado em quatro (4) capitulo, sendo que o


primeiro é um capitulo introdutório ao tema onde é abordado questões como a
importância da educação e da arquitetura escolar; o segundo capitulo é referente
aos casos de estudos que serviram de auxilio para chegar as soluções formais e
conceptuais do projeto nomeadamente, A anangola do Vasco Vieira da Costa,
Centro cultura de Jean-Marie Tjibraou de Renzo Piano e O centro escolar de Vila
Nova da Barquinha dos irmãos Aires Mateus; O terceiro capitulo é relativo a

11
12
caracterização de Angola onde é feito uma breve introdução da historia de Angola,
estudo e analise da arquitetura vernacular angolana e outros tópicos relacionado
com a características do pais; e por fim o ultimo capitulo que onde é feito a
descrição e caracterização do projeto arquitetónico.

13
14
Arquitetura educacional: Importância da arquitetura num
espaço de aprendizado

A educação é um dos elementos chaves para o desenvolvimento de uma sociedade,


deste modo, o ambiente físico e o local de aprendizado também constitui um
elemento fundamental para um bom-aprendizagem.

Elaborar projetos de arquitetura educacional bem pensado é também uma forma de


melhorar a educação e promover o bem-estar dos alunos, professores, funcionários
e outros intervenientes do processo de educação e ensino.

Numa hierarquização dos elementos fundamentais para um bom aprendizado, em


primeiro lugar esta o professor, que é a primeira e maior influência; em segundo
lugar, a metodologia adotada pelo professor, o material didático e os equipamentos
fornecidos pela escola; em terceiro lugar, o ambiente social em que o aluno se
encontra inserido e em quarto e ultimo lugar, o espaço físico, o local onde se
aprende.

Mas para que a arquitetura escolar, se torne num dos elementos para o bom
aprendizado é necessário que ela cumpra com certos requisitos como por exemplo
espaços vívidos, produtivos, inspiradores, confortáveis, bem iluminados,
sustentáveis, etc.

‘’ O espaço físico escolar também deve ser alvo de reflexão para que se consiga
criar o ambiente ideal, mais propício ao aprendizado’’…’’Se ficarmos com a
modelagem anterior, o aluno atual não se sente incluído, nem estimulado.
Precisamos, portanto, pensar não apenas no conteúdo e nas praticas de ensino,
mas também no design e arquitetura do ambiente escolar’’

- Acedriana Vicente Sandi, diretora da editora positivo,

numa reportagem da terra.

A escola do séc. XXI é alvo de debate, em função dos meios de comunicação e


tecnologias atuais, que mudam a relação professor-aluno e ensino-aprendizagem,
desta forma, é necessário que a escola acompanhe estas demandas.

Fielding e Lackney (2013); Dudek (2000) entre outros defendem que a escola deve
promover o poder de escolha dos alunos.

15
Figura 1- Interior da Anangola

16
A composição dos espaços influencia nos comportamentos das pessoas segundo
Gifford (2014).

(…) Muitos tipos de comportamentos podem aparecer em um espaço composto em


quatro (4) paredes, um teto e um piso. Mas se esta estrutura é uma sala de aula,
então os comportamentos que aparecem serão diferentes, daqueles observados em
uma igreja ou fabrica (…)

(Muser, 2009, pag.50)

O espaço escolar deve promover a criatividade, ser flexível, dinâmico e acompanhar


as demandas. A arquitetura escolar mais tradicional, tende a ser um impedimento
para o estimulo da criatividade, integração, diversidade de escolha, isso devido a
escolha das plantas tradicionais, principalmente as que vieram depois da revolução
industrial do séc. XVII, que eram facilmente replicadas e muitas eram feitas com
pouco recurso.

Tendo em consideração os conceitos definidos por Alexander Nair, fielding e


Lackney (2013) existem certos parâmetros que limitam características principais
num projeto escolar.

Estes parâmetros não devem ser simplesmente copiados e colados mas sim
interpretados de modo a se enquadrarem em um determinado projeto.

Estes parâmetros podem então ser organizados em subgrupos: alta performance,


partes de todo, conexão com a comunidade e qualidade espacial.

Kowaltowski (2011) acrescenta ainda outros parâmetros, não menos importantes


em relação aos que já foram mencionados mais a cima que são: a implantação da
escola e a adequação dos espaços, aspetos funcionais, conforto acústicos, o pátio e
o dimensionamento. Estes elementos foram elaborados através dos elementos mais
críticos no brasil, contudo, durante a minha estadia em Angola pude observar os
mesmos problemas, senão piores. A maior parte dos alunos entrevistados de
escolas públicos (Escola do I ciclo Anangola do Vasco Viera da Costa; IMNE marista
escola do 1 ciclo), apontavam como maior critica, a ausência de áreas especificas
para o recrio, a falta de balneários, falta de um refeitório, degradação da
infraestrutura, etc. É possível eXXXncontrar estes problemas em várias instituições
publicas em Angola.

Como diz Richard Daley (ex-administrador de Chicago 1989-2011) trabalhar para


melhorar a qualidade da educação, tendo em conta, os métodos de aprendizado e

17
18
os ambientes onde os estudos acontecem, pode melhor questões socais como o
desemprego, crime, decadência económica, pobreza, etc. Felizmente, nos dias de
hoje, cada vez mais é maior a relevância que é dada a arquitetura escolar, isso
porque é visível a sua importância social, económica e cultural.

19
20
CASOS DE ESTUDO

21
22
Introdução

Este capítulo é referente aos casos de estudos escolhidos que ajudaram a chegar a
conceção do projeto.

A obra do Vasco Vieira da Costa foi bastante importante, pois é uma obra localizada
em Angola e os conceitos presentes no projeto foram muito importante para o meu
trabalho. O arquiteto, Vasco Viera da Costa, é um dos que melhor mostram como
se deve projetar em países tropicais. O elemento que mais tiveram relevância para
o meu projeto foi precisamente os conceitos adotados pelo arquiteto em relação a
forma de implantação tendo em conta as questões climatéricas de angola e os
elementos de sombreamento adotados na obra, o brise soleil. A questão do
sombreamento é muito importante na projeção de edifícios em angola e foi através
da obra do Vasco Viera da Costa, a Anangola que pude ter uma maior perceção da
sua importância.

‘’(…) La relación entre arquitecto y natulareza es de amor-odio. La sostenibilidad


consiste en construir pensando en el futuro, no sólo teniendo en cuenta la
resisténcia física de um edifício, sino pensando tambíen en su resistência estilística,
en los usos del futuro y en la resistência del próprio planeta y de sus recursos
energéticos’’

-Renzo Piano, Arquitecturas sosteniables, 1998.

Relativamente a obra do Renzo Piano, o centro cultural de Jean-Marie Tjibaou, ela


foi muito importante porque fez me olha para o projeto de arquitetura de uma
forma diferente e ficar mais consciente em relação a importância do lugar. Apesar
do arquiteto Renzo Piano, ser aderente da tecnologia nos seus projetos, ele é muito
consciente em relação a sustentabilidade. A sua obra, influenciou-me muito a nível
conceptual.

Por fim, a obra dos irmãos Aires Mateus, Centro escolar de Vila Nova da Barquinha.
Depois de ter feito os estudos do volume, no meu projeto, um dos maiores desafios
foi precisamente com relação a organização espacial. É precisamente na procura de
soluções que, a escola de Vila Nova da Barquinha torna-se essencial. É na

23
24
combinação de cheios e vazios, na relação dos espaços interiores com exterior e na
forma de como a implantação do projeto é afirmativo e marcante perante a sua
envolvente que este projeto permitiu-me encontrar soluções para o meu projeto de
arquitetura.

25
26
Escola do Iº Ciclo do Ensino Secundário de Vasco Vieira da
Costa

O arquiteto vasco viera da Costa foi um arquiteto português, que nasceu no dia 12
de 1911 em Aveiro, mas que com poucos meses os seus pais mudaram-se para
Angola.

Depois de concluir o liceu, ponderou ir para a Alemanha estudar engenharia civil,


no entanto por razões financeiras, este plano não chegou a ser realizado. Devido a
esta situação ele optou por exercer a profissão de agrimensor, o que lhe
possibilitou viajar pelas várias cidades Angolanas. No entanto, ele acabou por se
tornar um funcionário para a alfandega de Luanda. É na ficha técnica da Feira-
Exposição de Angola concretizada em 1934, que podemos encontrar registada a
primeira intervenção do arquiteto. É nesta exposição que o Vasco Viera da Costa
acabou por se destacar, recebendo largos elogios pelo esboço que realizou que deu
origem á implantação do certame. Ele participou nas obras da exposição com o
cargo de ‘’chefe dos serviços técnicos’’. Devido ao seu bom desempenho, o
arquiteto acabou por ganhar uma bolsa de estudos para fazer o curso de
arquitetura da Escola Superior das Belas Artes do Porto, em 1940.

Depois de concluir a parte curricular do curso em 1945, o arquiteto é incentivado


pelo seu professor Carlos Ramos, a ir para a University College London para
aprender urbanismo. No entanto, nesta data, Londres encontrava-se num clima de
fortes bombardeamentos pelos alemães, o que levou a um adiamento por parte dos
planos de Viera da Costa. Entretanto, o arquiteto decidiu viajar para Paris. Nesta
cidade o arquiteto inscreveu-se no Instituto de Urbanismo da Faculdade de Ciências
de Paris. Para tal, o diretor da Escola do Porto, Francisco Joaquim Lopes (1886-
1956), ajudou Viera da Costa a criar contactos com o algumas figuras importantes
como o Diretor do Instituto Francês em Portugal e com Presidente do Instituto da
Alta Cultura, a elevar as qualidades do aluno para que este pudesse usufruir de
todos os benefícios. Foi nesta época que ele entrou em contacto com Le Corbusier e
chegou a estagiar no seu atelier. Este estágio foi bastante importante para a vida
profissional do arquiteto pois teve grande influência nos seus projetos.

Deste de Paris, o arquiteto voltou para Angola onde deu início a vários projetos.
Tendo em conta, que na altura o pais encontrava enfraquecido de construções pré-
existentes, o arquiteto teve muito mais liberdade para implementar os seus
projetos. Vasco Vieira pode então aplicar as suas teorias cobursianas sem
constrangimentos.

27
Figura 2- Exterior da Anangola

Figura 3- Exterior da Anangola

28
No ano de 1950, o arquiteto recebeu a sua primeira encomenda que foi ‘’O mercado
do Kinaxixi’’ que por muitos é consideradas uma das grandes obras representante
da arquitetura moderna em Angola.

No entanto, por questões políticas, ideologias e poder foi afastado da câmara


municipal (que tinha financiado o seu curso). Ele começou a trabalhar por conta
própria, e abriu um atelier no 7º andar do edifício Totobola projetado pelo arquiteto
António Campino.

Dentro do seu atelier passaram várias personalidades como José Quintão, António
Madureira, a esposa de Michel Toussant, Alvares de Pereira, Manuel Correia
Fernandes entre outros.

Em 1969, participou nas segundas jornadas de Engenharia e Arquitetura do


Ultramar em Luanda, onde apresentou a sua obra escrita ‘’Breves considerações
sobre urbanismo tropical em zonas rurais’’. Nesta obra ele pretendeu organizar as
ideias básicas e as recomendações que deve se ter em conta ao estudar a
organização e traçado geral das povoações e regedorias em áreas de clima tropical
húmido e quente.

No ano de 1979, após a independência de Angola, criou o curso de arquitetura da


Universidade de angola a convite de Ambrósio Lukoki e Augusto Lopes Teixeira.
Aplicou-se a esta universidade até a sua morte.

Vasco vieira da costa morreu na cidade do Porto em 1982.

O projeto:

O edifício esta localizado na rua Cónego Manuel das Neves, em luanda, Angola.

Encontra-se implantado paralelamente a rua e foi estrategicamente implantado


onde a maior fachada é varrida pelos ventos, sem que a maior parte do edifício
fique exposto aos raios solares.

As fachadas sul e norte do edifício, estão cobertos por diapositivos fixos de


sombreamento ‘’brisoiler’’, apoiados pelas fachadas poente e nascente.

O edifício é constituído por dois pisos, sendo que o piso térreo esta um metro e
meio elevado do solo, o que permite ventilar a cave que contém acesso
independente.

O acesso principal é feito a partir da fachada sul e deparamo-nos com um pequeno


espaço de entrada, onde temos visão directa para o átrio e também é possível
observar o que esta além do edifcio.

29
Figura 4- Escadas da Anangola

Figura 5- Escadas da Anangola

30
No lado norte do edifício encontra-se um corredor que faz a distribuição das salas
de aula, gabinetes e instalação sanitária, sendo que este, encontra-se protegido por
um dispositivo fixo de proteção solar. Esta organização repete-se no primeiro piso.

O acesso ao primeiro piso, é feito por um átrio que separa o espaço de entrada e o
corredor de distribuição. A escada que liga estes dois pisos, destaca-se pela sua
forma curva e elegante.

O acesso a cobertura é feito por meio de um volume, da qual, a sua função é


abrigar a escada, porém ela acaba por assumir um caracter escultórico rematando
o edifício.

Este edifício, com a forma de um paralelepípedo aberto e em continuidade com o


exterior foi descaraterizado.

Atualmente, o edifício tem a função de uma escola básica e o seu uso foi
transformado e o espaço exterior foi privatizado e transformado num ginásio. O
campo do gimnodesportivo é usado pontualmente pelos alunos. O acesso a casa foi
fechado, provavelmente por motivos de privacidade e segurança.

A fachada principal do edifício foi alterada, o que distorceu a imagem de uma obra
aberta. Inicialmente, o brise-soleil existentes na fachada sul sombreava uma
fachada completamente envidraçada, constituída por janelas beta. Nos dias de
hoje, já não existem os vidros. Já as caixilharias, embora existentes, elas se
encontram degradadas e diante delas foram levantadas paredes.

Embora se possa ver todas estas alterações, o edifício é uma obra visivelmente
correta do ponto de vista ambiental.

Tendo em conta o movimento do sol, a orientação do edifício foi feita de uma forma
correta sendo que, as fachadas que recebem maior incidência solar não tem
aberturas. E as fachadas norte e sul, que não estão expostas ao sol, encontram-se
protegidas por brise-soliers. Este diapositivo de sombreamento, acaba por não ter a
função um elemento estético, mas sim uma necessidade para criar espaços
sombreados por consequência mais confortáveis.

Luanda localiza-se no hemisfério sul e a fachada sul não esta tão exposta a
incidência solar, porém, ela recebe luz solar direta durante um período considerável
do ano.

A cobertura do edifício é visitável, no entanto, o coamento das aguas é complicado


em dias de chuva intensa. Deste modo, além das aberturas pontuais na fachada,

31
Figura 6- brise solier

Figura 7- Exterior da Anangola

32
nos quatro pontos da cobertura, as platibandas não têm contato permitindo uma
fresta com aproximadamente 10cm- o que facilita o escoamento de água.

No que diz respeito a cor, no exterior o edifício apresenta uma tonalidade rosa, já
no interior (zona de acesso e corredor do piso rés-do-chão) está pintado com rosa
mais escuro e intenso. No primeiro piso é visível a introdução de uma outra cor, o
verde. É interessante verificar esta variação de cor entre os pisos. Os espaços
acabam por ter uma composição e cor idênticas, mas é a incidência de luz que
acaba por acentuar na diferença de cor.

A construção é toda feita em betão. Desde os diapositivos de proteção solar, a sua


implantação, a estrutura, os detalhes, o edifício é um dos bons exemplos do
modernismo em angola e um guia exemplar de como se deve construir em climas
tropicais.

33
Figura 9- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou / Renzo Piano

34
Centro cultural de Jean-Marie Tjibaou de Renzo Piano

Renzo Piano, é um arquiteto italiano, que nasceu em Gênova, em 1937. O seu pai
era construtor e, por isso, ele desde muito novo que conviveu e frequentou locais
de obras. Formou-se no Politécnico de Milão, em 1964, tendo feito parte de uma
equipa de pesquisa em aplicações estruturais de plásticos. E a sua carreira
profissional estreou-se com a prática experimental.

Por volta de 1971, Renzo Piano começa a trabalhar, em Londres, com Richard
Rogers; e juntos, ganharam o concurso para o Centro Pompidou.

Deste modo, ele introduz a tecnologia como ponto de partida para os seus projetos,
e revela um fascínio pelas novidades tecnológicas e pela edificação ecológica,
testando materiais inovadores, mas dando sempre valor ao conforto e necessidade
dos utilizadores dos seus projetos. Recentemente, Renzo Piano inclui os seus
experimentos estruturais para variadíssimos projetos de caráter social e cívico.

Distinguido pela sua arquitetura high-tech, que consiste em expor o conteúdo


tecnológico do edifício e utilizar materiais industrializados que valorizam a
racionalidade, otimização de matérias, mão-de-obra e o tempo de produção,
apresentando aos utilizadores dos seus projetos, espaços tradicionais de grande
eficiência e aspetos estéticos e culturais, o italiano Renzo Piano, é ainda um grande
criador da arquitetura Eco-tech, que se carateriza pelos seus métodos tecnológicos
mas com a preocupação ambiental, inserindo conceitos de sustentabilidade.

O tema da sustentabilidade não é algo que esteja totalmente explícito nos projetos
e textos de Renzo Piano, mas de todos os seus trabalhos, destaca-se nesse
assunto, o Centro Cultural de Nouméa, pelos seus aspetos culturais e locais.

O projeto:

O Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou em Nouméa, capital do território francês da


Nova Caledónia, foi projetado em 1991 e construído entre 1993 e 1998, em
homenagem ao líder Jean-Marie Tjibaou que foi assassinado em 1989, mas que
sempre batalhou pelo respeito e necessidades da sua população, em relação à
tradição e cultura. A cultura dos Kanak interpreta a vida como uma harmonia entre
o vento, a terra e o céu, e um dos princípios mais importantes da sua história é a
sua conexão com a natureza. Sendo assim, o Centro Cultural idêntico às aldeias
onde as tribos dos kanak habitam, as quais são formadas por uma série de cabanas
que se diferenciam pelas suas funções e hierarquias.

Por isso, Renzo Piano, teve como principal desafio, neste projeto, a coordenação
dessa filosofia e a ligação da tecnologia com a natureza, por meio de uma
arquitetura que demonstre uma realidade regional através de uma linguagem
contemporânea. A relação desejada entre a tradição Kanak e os recursos
disponibilizados pela técnica são produzidos e misturados no projeto, procurando
uma síntese e despertando a compreensão consciente entre o passado e o
presente.

35
Figura 10- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou
de Renzo Piano

Figura 11- Centro Cultural Jean-Marie


Tjibaou de Renzo Piano

Figura 12- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou- Sistema de ventilação / Renzo


Piano

36
A ligação do projeto com o lugar é muito evidente, procurando uma relação
arquétipa entre as formas do espaço privado e espaço público, tendo como
referência a arquitetura primitiva, que requer uma compreensão da cultura local,
pela relação da linguagem das cabanas com respeito pelo genius loci. Ainda, existiu
uma vontade de combinar, por um lado, o organicismo, natureza e forma, com a
alta tecnologia, por outro.

As fachadas das cabanas, caraterizam-se por ser levemente curvadas e com


tamanhos diferentes, de modo a criar uma memória das habitações tradicionais dos
Kanak e dos altos pinheiros da Nouméa. Segundo Renzo Piano, as fachadas dariam
a ideia de tecedura, e para isso, ele utilizou referências, como as velas de navio,
esteiras ou redes de peixes para fazer uma pesquisa de como usar materiais para
obter essa ideia de trama, mas dando a noção de cheios e vazios e de espaços de
luz e sombra. Assim, uma das caraterísticas mais importantes desses remates é a
sensação de que se trata de uma arquitetura incompleta, uma vez que as cabanas
não se fecham no seu topo.

Contudo, Renzo Piano afirma que essa estrutura foi produzida para adquirir um
significado simbólico, apesar de a sua função climática ter tido uma maior
relevância. Sendo assim, a forma das cabanas é uma consequência dessa
caraterística climática, possuindo volumes baixos virados para a lagoa e grandes
fachadas orientadas para o mar, estando adaptadas às exigências do clima. Este
sistema é constituído por lâminas de madeira horizontal na fachada externa virada
para o mar, que serve como filtro para os ventos fortes que são dirigidos para um
segundo nível de fachada interior feita de vidro e venezianas, operadas por
sensores que abrem e fecham segundo a velocidade do vento.

A fachada das cabanas é como uma dupla pele que apresenta um espaço de ar
entre o treliçado de madeira e a fachada de vidro, o que provoca um efeito de
tiragem de ar. Logo, durante o dia, o ar quente sobe e o ar frio entra para o
substituir; o ar resfriado desce e atravessa espaços vizinhos e mais baixos,
transportando a brisa da lagoa. Além disto, o telhado também contém uma
cobertura dupla, em que o ar circula de forma livre.

Podemos perceber isto nestas imagens, então…

Na 1ª imagem está presente a situação mais comum dos ventos dominantes, que
geralmente sopram do mar em direção à lagoa, transpondo as cabanas e que se
vão espalhando pelo edifício e saindo pelas aberturas dos jardins internos.

Na imagem abaixo, está apresentada a situação de ventos fracos, em que o espaço


entre as fachadas origina o efeito chaminé, que retira o ar quente das cabanas.

As imagens do lado direito, mostram de forma esquemática a situação de pressão e


depressão dos ventos. As venezianas superiores deverão estar sempre abertas, de
modo a que exista o balanceamento de ar interno e externo no que diz respeito aos
ciclones, e por isso, as venezianas inferiores devem manter-se fechadas.

Devido à forma predominantemente vertical do Centro Cultural de Nouméa,


qualquer tipo de elemento horizontal é notado antes de tudo devido ao lugar que
ocupa na ordem vertical. Por isso, os edifícios em que a sua dimensão dominante é
o eixo horizontal, dão a ideia de que ele faz parte do chão resultante do

37
Figura 13- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou
de Renzo Piano

38
paralelismo, uma vez que ele abraça o solo, apresenta pouco peso e insere-se
naturalmente na paisagem. Logo, um dos maiores contrastes visuais deste projeto
é a sua desigualdade entre vertical e horizontal.

Por fim, podemos perceber que mesmo que nas suas obras, Renzo Piano, use
elementos tecnológicos como referenciais estéticos, ele nunca se esquece que é
necessário tentar utilizar materiais que respondam ao equilíbrio ambiental e que
satisfaçam, também, o conforto e bem-estar dos utilizadores dos seus projetos.

39
40
Centro escolar de Vila Nova da Barquinha dos irmãos Eires
Mateus

Os arquitetos Aires Mateus são irmãos sendo Manuel o mais velho e Francisco o
mais novo.

Nasceram em Lisboa, na década anterior a revolução Manuel e Francisco passaram


a infância num apartamento modesto no bairro de Olivais. Filhos de pai arquiteto e
mãe pintora.

Formaram-se na Faculdade de arquitetura da Universidade Tecnica de Lisboa e


mais tarde passaram a colaborar com o arquiteto Gonçalo Byrne em 1983, o que foi
fundamental para a sua formação profissional.

No ano de 1988, os irmãos começaram a trabalharam juntos, mas so em 1998


abriram o seu escritório.

Apesar dos seus trabalhos serem apreciados no estrangeiro, a maior parte dos seus
projetos realizados estão em Portugal, principalmente no Sul do pais.

Apesar de manterem um caracter sofisticado, formal e erudito, esta duplas de


arquitetos são inspirados na arquitetura chã.

Os arquitetos são inspirados e encantados pelo arquiteto Alvaro Siza por este saber
conciliar os valores da arquitetura portuguesa num sentido universal, tornando a
sua obra universal, mas também única e pessoal. Um dos fatores que também
aumenta esta admiração por Siza é a liberdade que este tem de reinventar, se
afastando de qualquer ideia de estandardização.

É visível nas obras desta dupla, um equilíbrio entre uma grande liberdade de uso e
o rigor formal; entre o que é agradável a vista e o que é funcional, o sentido mais
abrangente de construir e o caracter local da arquitetura Portuguesa.

Nas suas obras o contraste entre luz e sombra trabalham sempre em harmonia. A
partir do interior existe sempre uma visão pelo exterior, no entanto, a forma
paradoxal acontece quando o seu valor funcional e a arquitetura estabelecem uma
relação com o lugar, conservando ao mesmo tempo a sua autonomia.

Apesar da sua arquitetura transmitir pelo seu exterior um caracter rígido, silencioso
e controlável, na realidade o que cativa é a capacidade poética de compreender o
espaço e imaginar uma vida que nele ocorre.

41
Figura 14- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires
Mateus

Figura 15- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires


Mateus

Figura 16- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires


Mateus

42
É então na forma como o interior comunica com o exterior, como a luz evidencia os
ambientes e como a plasticidade dos espaços assegura uma grande liberdade de
usos.

O cheio e vazio é revelado numa hierarquia que se mostra e se esconde a medida


que a luz perpassa de forma precisa nos espaços.

A obra destes arquitetos é então marcada pela obstrução, materialidade e precisão,


volumes, vazios e cheios, luz e sombra e diálogo e silencio.

O projeto:

O centro escolar de vila nova da barquinha, esta localizada em Vila Nova da


Barquinha e foi construído de 2006 a 2011.

O projeto, numa planta retangular e de forma quadrada, se instala de forma


incisiva. Fecha-se para o exterior e abra-se para o interior com vários espaços
abetos e cobertos, formados por múltiplos módulos com tamanhos e alturas
diferentes. O seu perfil irregular nos remete para formas de uma cidade árabe.

Tal como uma cidade, que os seus espaços resultam de cheios e vazios … vazios
estes, que sobram dos cheios do edifício. No centro escolar, alcança a dimensão de
um edifício e a escala da cidade, sendo que por detrás dos muros que delimitam o
centro podemos encontrar um labirinto de percursos: espaços fechados ou abertos
com pequenas passagens e espaços vastos como praça, próprios da configuração
de uma cidade.

Este equipamento contém 4600m2 e é constituído por módulos retangulares de


largura e comprimentos diferentes. Cada modulo possui uma determinada função
como uma sala de aula, ginásio, instalação sanitária, espaço de espera ou receção
dos pais.

A articulação no interior foi pensada de modo a permitir vários percursos e isso


apenas é conseguido devido a saída que cada espaço tem para os pátios exteriores,
que facilita a circulação dos alunos.

Relativamente ao interior, os espaços são conectados através de um corredor que


abrange o perímetro todo de construção, prolongando-se em certas situações para
o exterior através de aberturas secundarias, e existem ainda as principais que se
encontram no alçado norte e este do edifício.

43
Figura 17- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires
Mateus

Figura 18- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires


Mateus

Figura 19- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires


Mateus

44
A cor branca que se verifica no exterior do edifício é projetada para o interior do
mesmo, tratado de forma neutra. Com exceção de algumas peças de mobilidade
coloridas, que permitem que os desenhos viçosos das crianças transformem os
ambientes.

No que diz respeito ao exterior das salas de aula, elas ligaram-se de forma continua
entre os corpos dos volumes, que próximo dos vértices, formam passagens entre
um pátio e outro, rompendo a continuidade visível deste espaço abertos.

Numa tentativa de recriar os vazios urbanos por meio da localização dos cheios, os
arquitetos criaram um gênero de cidade á medida de uma criança, protegida do
exterior através de um corredor, e abrindo-se para o interior labiríntico, onde as
crianças podem brincar desafogadamente.

45
Figura 20- Al-Hambra (Muxarabi)

46
COBOGÓ COMO ELEMENTO DA ARQUITETURA

No decorrer da história, é possível vermos a utilização de vários elementos


perfurados dentro da arquitetura. O uso destes era essencialmente para a
ventilação natural, iluminação e dar privacidade no interior dos ambientes. Os
elementos vazados, estão presentes na história da arquitetura em diversas culturas
desde os tempos mais remotos.

Podemos então encontrar estes elementos nas tradições orientais, islâmicas,


muçulmanas, na arquitetura latino americana e estes tiveram o seu enfase na
arquitetura colonial e arquitetura moderna no brasil.

Na arquitetura islâmica, estes elementos vazados vieram resolver dois principais


problemas que eram refrescar o ambiente interior e a proteção contra a incidência
do sol. Estes principais problemas foram resolvidos devido a um bom planeamento
da localização dos espaços no edifício e também devido ao uso de elementos
arquitetónicos, que permitiram amortecer os efeitos do clima, entre outros
problemas. Entre estes elementos arquitetónicos usados na arquitetura, podemos
encontrar os elementos perfurados como o muxarabis que é um elemento
constituído por telas e vigas de madeira seguindo padrões geométricos. Estes eram
postos nas varandas dos edifícios para controlar o fluxo de ar natural e a passagem
de luz, reduzindo a temperatura no interior dos edifícios e também permitir
privacidade para as mulheres (fator muito importante na cultura islâmica).

Outro elemento arquitetónico islâmico são os rótulos e as redes, tal como os


muxarabis, estes podem apresentar varias definições, mas segundo Marianno
(1943), Rabbat (1988) e Colin (2010), concordam que os rótulos são revestimentos
constituídos por duas folhas abertas, de telha e vigas de madeira, postos no
exterior das janelas; as redes são caixas sobrepostas de vigas de madeira e eram
preferencialmente coladas nas janelas dos andares superior.

Na arquitetura vernacular chinesa, como afirma o autor Knapp (1989) é possível


verificar a utilização de elementos vazados nas janelas e nas portas em habitações
rurais.

A denominação dada a estes elementos, pelo autor é de portas e janelas


ventiladas, devido as aberturas que permitem ventilar o interior ao mesmo tempo
que funciona como uma barreira para a entrada de pessoas ou animais de portes
grandes. Na maior parte das habitações rurais chinesas, as portas e janelas são
elementos decorativos devido a grande ornamentação que apresentam.

47
Figura 21- Casa com Rótulas em Pilar Goiás

48
Nas habitações mais pobres, as janelas se encontram ao nível da rua e são
geralmente barradas com hostes horizontais ou verticais em metal ou madeira, cuja
função principal é a segurança. (Kapp, 1989)

Além dos usos nas paredes exteriores, as portas ventiladas, em alguns casos, são
também usadas nas paredes interiores da casa que estabelecem o limite do pátio e
do interior. A função destas é levar ventilação para o interior da casa e filtrar a luz
do sol, principalmente no verão. (Knapp, 1989)

Já na américa do sul, Brasil, como consequência da colonização que teve inicio em


1590, Mello (1974), afirma que esta foi influenciada pela arquitetura portuguesa e
esta por sua vez pela arquitetura islâmica, visto que Portugal foi dominado pela
civilização muçulmana.

Estes elementos perfurados como os rótulos, treliças e muxarabis (herança


muçulmana) foi rapidamente introduzido em vários edifícios populares no brasil e
como afirma Frevre (1958), estes foram adaptados ao clima local e eram usados
em casas sem pátios e jardins porque através dos vários destes elementos, a
ventilação da rua penetrava para o interior das habitações, permitindo conforto
térmico. O exemplo do uso destes elementos é a casa Rotulas em Pilar Goiás.

Em 1809, a arquitetura colonial brasileira experienciou a primeira e grande crise e


segundo Marianno (1943) foi decretado pela família real portuguesa, a morte dos
usos dos elementos mais valiosos arquitetónicos com influencia islâmica, em de
treliças, rótulos, muxarabis passou a ser mais comum o uso de grades de madeira
e de ferro batido e nas janelas foi colocado vidro chamado de guilhotina.

O cobogó tem origem na arquitetura tradicional e nasceu pela necessidade de


adaptar a arquitetura para o clima tropical com uma linguagem de composição que
representa modernidade dos novos tempos. Esta trás como resultado de uma
solução construtiva adequada, a partir de uma combinação entre técnicas
tradicionais (redes, rótulas e muxarabis) e modernidade (betão).

Pallone (2010) considera que as reinterpretações modernas bem feitas, são aquelas
que nos movem, não só por causa do seu nível estético, mas por causa do seu
grande compromisso com o passado e com o regional.

Seguindo esta linha de pensamento, podemos dizer que o cobogó é uma


reinterpretação desenvolvida a partir das soluções regionais baseadas nos
muxarabis, rótulos e redes implementados na arquitetura vernacular- a arquitetura
colonial brasileira que por sua vez tinha influências islâmica.

Segundo o autor Rodrigues (2012,pag.4), o cobogó apareceu em Perrnambuco e


lhe foi atribuído este nome devido a ligação dos iniciais dos sobrenomes dos seus

49
Figura 22- Caixa de água de Nunes Luís

50
elaboradores: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antonio de
Góes.

No entanto, o cobogó foi fortemente inspirado pelos muxarabiês ou muxarabis e


nas gelosias, que são elementos utilizados na arquitetura islâmica-mourista. Estes
elementos foram introduzidos no brasil pelos portugueses e eram usados com o
objetivo de permitir privacidade em lugares sem afetar a entrada de ventilação
natural e luz. O cobogó foi produzido como um elemento pré-fabricado e as suas
características são adequadas para projetos em regiões húmidas e quentes. (Vieira,
Borba, Rodrigues, 2012).

No ano de 1929, foi declarado como novo sistema de bloco de betão. A A.C
Coimbra & Cia, apresentou um manual onde era explicado a finalidade do bloco, a
forma como devia ser instalado e desenhos esquemáticos.

‘’Foram inventados para substituir, com vantagem, o tijolo de argila comum não só
quanto à resistência como quanto ao preço de aquisição e ao modo especial pelo
qual serão dispostos na construção de muros e paredes, permitindo grande
segurança, rapidez e economia na sua aplicação (...)’’. Os blocos serão empregados
em duas, em quatro ou mais filas que servirão de base para outras tantas,
conforme a espessura e altura das paredes, criando espaços vazios, além dos da
parte perfurada. [...] devendo em seu emprego ser estabelecido o desencontro de
todas as juntas, seja no sentido do comprimento ou da altura.

Acervo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial

INPI / microfilme apud VIEIRA; BORBA; RODRIGUES, 2012, p.21 e 22).

Os elementos vazados segundo Holland, permitem então filtrar a incidência solar,


ventilação e iluminação natural no interior os ambientes e gerar mais privacidades
nos espaços interiores dos edifico. Os usos destes elementos arquitetónicos eram
bastantes usados antes da introdução de equipamentos mecanizados como o ar
condicionado.

Segundo Bruand (2010), Luís Nunes em 1935 foi o primeiro arquiteto a utilizar o
cobogó no seu projeto de arquiteto denominado ‘’ Caixa de água´´. Este
acontecimento marcou de tal forma o movimento moderno no brasil.

Estes elementos são de tal forma funcionais e estéticos que desde os anos 50 que
se tornaram num ícone, eles foram usados em diversas obras como por exemplo no

51
Figura 23- Universidade Católica de Angola

Figura 24- Universidade Católica de Angola

52
edifício do Parque Guinle projetado por Lúcio Costa, na Casa Walther Saltes
projetado por Reding de Campos.

Atualmente em Angola, o uso dos elementos vazados também é uma das soluções
mais frequentes, principalmente em edifícios de caracter educacional como no caso
da Universidade Católica em Luanda.

53
54
Gottfried Semper: O principio do revestimento

Em 1828, foi publicado a obra In Welchem Style Sollen Wis Bauen? De Heinrich
Hubsch. Esta obra, representava os questionamentos contemporâneos em relação a
arquitetura dos revivals, que acabou por gerar muitas reações e fez com que
muitos arquitetos quisessem expor as suas ideias. Entre os vários arquitetos,
destacou-se o arquiteto Gottfried Semper (1803-1879), este procurou princípios e
critérios concretos de produção da arquitetura, que levassem a ação daquele
momento, algo que ele veio a mostrar na sua obra Der Stil publicado em dois
volumes.

Esta obra é apresentada como um manual para o arquiteto, onde Semper


desenvolve sobre os factos materiais e técnicos que interferiam na criaçãp de
artefactos em diferentes lugares como Roma, China, Egipto, Médio Oriente e a
Grécia. Este documento, organizava-se a partir da classificação de quatro (4)
matéria prima: argila, tecido, pedra, madeira- e cria ainda uma subdivisão em que
cada capitulo é organizado a partir de quarto (4) ofícios, de acordo com cada
material: cerâmica, tecelagem, carpintaria e cantaria.

Semper nesta obra não pretendia nos transmitir um instrumento para criar uma
forma de arte, mas antes, dar-nos a conhecer como ela se desenvolve e perceber
quais são os elementos compreendidos para a sua formação.

Para o arquiteto, a arte, tal como a natureza tem a sua própria evolução histórica e
esta fundamentava-se em alguns padrões vindos das antigas tradições, e estes
padrões alteravam-se tendo em conta o estágio evolutivo, mas que ressurgiam
frequentemente nas foras arquitetónicas.

‘’ A natureza possui a sua própria história evolutiva, dentro da qual, antigos


motivos são discerníveis em casa nova forma. Do mesmo modo, a arte esta
baseada em poucas formas e tipos padrões que derivam das mais antigas
tradições; eles reaparecem constantemente e ainda oferecem uma variedade
infinita, e como os tipos de natureza, eles possuem as suas próprias histórias.’’

(Semper, 1860, p.6)

Para Semper, a forma é mais do que uma mera construção, esta simboliza o ato
criativo humano de converter a ideia em fenómeno. É neste discurso, da relação

55
Figura 25- A cabana das Caraíbas

56
entre a are e a ciecia, que se verifica a sua posição ao valorizar a manifestação
artística na arquitetura.

O arquiteto prevê encontrar na forma, a simbiose entre o controlo técnico-


construtivo e o empirismo artístico na manifestação física da própria ideia. Deste
modo, ele propõe o Stillenre, onde a definição teórica aborda uma perceção mais
unitária da relação linguagem/forma.

Contrario a herança do classicismo vitruviano, que é uma linguagem mais formal e


valorizava a harmonia, simetria, euritmia, proporção etc… Semper, contrapõe estes
ideais ao valorizar a força, o instrumento, a ideia e o material. Estes ideais
defendidos tornam-se mais claros quando ele propõe a seguinte formula
matemática Y=F (X,Y,Z). Esta formula não é mais do que uma tentativa de abarcar
as relações entre o estilo, artistas e os outros constituintes. Y é a obra artística que
é determinada por fatores constantes (F), e variáveis (X,Y,Z).

Segundo Semper, F são as funções constantes; já as variáveis são as influencias


pessoais, as condicionantes locais, politicas, climatológica, etnológicas e religiosas e
por fim os materiais.

Desta forma, a pedra, o tecido, o barro e a madeira são materiais que caracterizam
os quatro (4) materiais básicos e a partir dos quatro (4) formam-se quatro (4)
técnicas elementares e que correspondem aos quatro (4) elementos principais da
arquitetura: tecido-recinto; madeira-teto; cerâmica-lugar para o fogo; alvenaria-
fundações.

É na obra, A cabana das Caraíbas em que Semper consolida as suas ideias teóricas.
Um dos elementos mais importantes nesta obra, é o fio de investigação que nos
leva para a questão do mito têxtil na arquitetura. Para Semper, as paredes devem
ser interpretadas em dois planos diferentes: tectónico (parede-pelúcula);
estereotómico (parede-estrutura). Neste contexto, Semper desenvolve o Prinzip
Der Bekleidung (o princípio do revestimento),

Neste conceito de revestir surge uma visão tectónica fundamentada em motivos de


derivação têxtil. No vínculo entre tecelagem e carpintaria, elementos de invólucro e
suspensão, a principal particularidade destes é a leveza do elemento.

Semper considera o classicismo uma arte ´´branca´´ e foi o princípio do


revestimento que deu sentido as suas teorias. No seu trabalho Der Stil, sempre
lembra aos admiradores do classicismo, a sua admiração pelos povos e civilizações
pré-históricas. Defende que a arte grega não surgiu de modo espontâneo, como
uma criação cultural autócnes mas que esta é o resultado de ‘’donativos’’ de ideias
e praticas de outros povos, como os Assírios e que segundo o mesmo, todo o

57
58
sistema da policromia oriental, arte de pinturas e relevos, é a consequência das
influências dos povos pré-históricos que os antecederam.

Este antigo princípio formativo é um método mais geral de policromia, que o autor
o nomeou como o princípio do revestimento estudado tanto pela incrustação de
pedras ou metais; trançado têxtil ou revestimento de outros materiais. Para
Semper, o princípio de revestimento seria então o condutor para a evolução da
arquitetura.

59
Figura 26- Mapa de Angola

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TERRITÓRIO ANGOLANO

Angola é um pais localizado na costa ocidental da Africa e faz fronteira a sul com a
Namíbia, a norte com o Congo Brazzaville e com a República democrática do Congo
e este com a Zâmbia e a Oeste com o Oceano Atlântico.

A superfície de Angola é de 1.246.700 km2, sendo que se encontra dividida em 18


províncias e Luanda é a sua capital.

61
62
CONSTRUÇÃO DE UMA IDENTIDADE

‘’ A natureza não foi feita a medida do homem… Se o homem não se proteger da


natureza, esta acabaria come ele. Por isso, a relação com a natureza conforma um
terreno ambíguo, que leva o homem a criar uma segunda natureza para poder
faze-la de sua. Construindo esta nova natureza, o homem se sente bem. Ocorre,
entretanto, que a natureza original é tão forte que somente interpretando-a a partir
das suas normas, se pode criar outra’’

-Renzo Piano

A partir desta afirmação de Renzo Piano, é possível perceber que deve existir e que
existe, uma relação de dependência do homem perante a natureza.

Ao longo dos vários anos, o homem sempre encontrou formas de se relacionar com
a natureza, mas também se moldando consoante as técnicas disponíveis em cada
lugar e momento.

A arquitetura estabelece relações com a cultura, com o local. Por exemplo, um


edifício deve respeitar as questões climáticas do local, a flora, a topografia, a fauna,
etc. Para que este possa funcionar. A materialidade do edifício muitas vezes é
determinada pelos materiais disponíveis no meio envolvente, como por exemplo em
regiões glaciares, muitas vezes é feito o recurso ao a neve para a construção dos
edifícios (mateus,1934).

No entanto, o modo de vida e a cultura são elementos que também determinam na


forma de fazer arquitetura.

‘’ A construção é uma das formas como o ser humano se exprime culturalmente’’

(Tirone, 2007, pag.28)

No caso de Angola os elementos que já foram mencionados também se aplicam ao


pais. Segundo o autor José Redinha, as habitações mais antigas nativas de angola,
as cubatas, possuíam planta circular e posteriormente plantas quadradas e por
últimas plantas retangulares.

Estas habitações, as cubatas, serviam principalmente como um local de abrigo das


chuvas, das grandes incidências do sol e como um espaço de descanso e
armazenamento de objetos pessoais.

63
Figura 27- Exemplos de uma habitação tradicional angolanas do grupo I

64
É provável que o uso pontual das habitações justifique a pequena dimensão que
estas apresentavam. Os seus materiais, eram maioritariamente os que podiam
encontrar no meio envolvente, principalmente argila amassada e espécies vegetais.

Podemos organizar as habitações vernaculares angolanas em dois grupos. O


primeiro é referente as construções onde não existiam uma diferenciação entre teto
e parede, ambos os elementos se tornavam num só. Este primeiro grupo estava
relacionado com tribos nómadas como os Boschimanes, os caçadores das savanas,
pescadores estacionais, etc. Geralmente, estas tribos não tinham grande ligação
com o lugar, o que refletia nas suas construções efémeras, sem grandes
preocupações estéticas ou de conforto interno e com estruturas simples. Estas
habitações serviam principalmente como zona de descanso e abrigo de objetos
pessoais e eram construídos muitas vezes com ramos e troncos de arvores e
cobertas com folhagem e capim. (mateus, 1934, pag.24)(Redinha, A habitação
tradicional em Angola- aspetos da sua evolução, 1964, pag.7)

As construções do segundo grupo, geralmente apresentavam plantas circulares ou


quadrangulares e em alguns casos janelas. Os materiais usados são os mesmo que
o do grupo anterior, mas com a introdução de argila e por vezes ligantes feitos com
material local. O teto e as paredes são feitos separadamente e depois as juntam-se
ambas as partes.

As regiões que sofriam mais influencia da civilização usavam blocos de argamassa


(mateus, 1934, pag.5-7)

Ainda no âmbito das habitações, José Redinha caracteriza quatro (4) fases de
evolução das habitações angolanas que são a fase primária, a fase secundária, a
fase moderna e a fase atual.

Na fase primária a habitação servia como um espaço de descanso e para o fogo. A


planta era circular com alçados cónicos e ainda plantas quadradas, cuja a sua
cobertura poderia ser tetragonal ou redonda. A sua construção recorria a espécies
vegetais como troncos, caniços, varas de madeira, etc e ainda bosta de boi e
reboco de lama. (Redinha, A habitação tradicional em Angola- aspetos da sua
evolução, 1964, pag.7-45)

A segunda fase da evolução das habitações é marcada pela implementação dos


compartimentos internos, onde era feito uma distinção do espaço de descanso e
dos espaços de arrumos e em algumas habitações anexos onde era feita a recolha
dos animais, os celeiros.

Nesta fase, passa a existir a distinção da cobertura e do corpo do edifício e em


muitos casos , a cobertura tem um avanço mais saliente que o corpo do edifício é

65
Figura 28- Exemplos de uma habitação tradicional angolanas do grupo II

66
implementação da varanda e algumas pinturas murais. É também visível nesta faz
a hierarquização da arquitetura, onde a habitação do soba (chefe da kimbo/aldeia)
acaba por ser mais requintada que as outras. Começa-se a utilizar elementos
construtivos mais convencionais como portas, ombreiras e postigos, geralmente em
madeira e ainda maior atenção e preocupação com os acabamentos do exterior,
que eram feitos maioritariamente com bosta de gado e reboco de argila amassada.
(Redinha, A habitação tradicional em Angola- aspetos da sua evolução, 1964,
pag.45-47)

A fase moderna, segundo José Redinha é marcada pelo aperfeiçoamento das


plantas retangular e pela introdução de influência ocidentais, derivadas da
aculturação dos povos.

Nesta fase, alguns valores das construções étnicas são abandonados, verificamos o
aperfeiçoamento das estruturas e das plataformas de assentamento. É visível ainda
o aumento do pé direito e mais variedades de plantas.

Em relação aos materiais, são quase os mesmo que o da fase anterior, mas as
coberturas passam a ser em chapa de zinco e começaram a usar o cal para caiar as
paredes.

Nesta fase, há também um aumento no número de janelas, portas, elementos


decorativos e no uso de fechaduras e pregos. Existe maior clareza na divisão dos
compartimentos internos e dos anexos. É precisamente nesta fase, que começa a
ficar definido o modelo geral da construção suburbana angolana, que formam os
musseques. É anexado as habitações os pátios (na linguagem angola o quintal),
que passa a ser o local de trabalho. O quintal ganha uma importância muito
grande, pois é nele onde tudo acontece, a higiene, o encontro com o vizinho,
cozinhar, etc.

Por norma, é no quintal onde as pessoas passam a maior parte do seu tempo,
muitas vezes a sombra de uma mandioqueira. A cubana, continua a ter a função de
um espaço que serve para descanar e guardar os bens. (fonte, 2007)

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68
(…)E aquele sujeito magro atrevido.

Com seu jeito bangão de quem sabe tudo

Chega na casa do outro na hora

Chora chora entra logo não faz cerimónia

E no quintal uma velha tia batendo funge

Com a mão na cabeça suspira cansada

E ele de pronto se presta a ajudar

Pega num banco pra cota abancar(…)

Paulo Flores- africa terra querida

[Link]

consultado a 1/03/2019

Por fim, a fase atual onde é evidente a interligação dos valores da arquitetura
vernacular angola e os valores da arquitetura ocidental, essencialmente no que diz
respeito a organização.

As habitações passam, a ter formas e padrões mais europeístas, maioritariamente


em áreas suburbanas. As influências que estas habitações sofreram, fez com que
houvesse uma maior preocupação com os acabamentos que eram feitos com
pinturas ou caiação no interior e exterior. As escolhas dos materiais passam a s ser
os mais convencionais como telhas, ripas, chapa de zinco, cimento, barrotes,
ferraria e alvenaria.

No entanto, os interiores das habitações começam a ter um caracter de lugar de


permanência como em uma moradia. A cozinha surge como um espaço individual
como um anexo a casa, da mesma forma a instalação sanitária, que se encontram
localizados no quintal. (Redinha, A habitação tradicional em Angola- aspetos da sua
evolução, 1964)

Contudo, é interessante analisar esta evolução das habitações e poder perceber


que apesar de todos as influências que as habitações angolanas sofreram, certos
costumes e características permaneceram ao longo desta evolução.

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70
BREVE HISTÓRIA DE ANGOLA

Os primeiros povos que habitaram em Angola foram os Vátuas e os Baschimanes e


posteriormente os Bantus, que saíram da Africa central e permanecem pelo
território angolano, obrigando a deslocação para o sul dos outros povos. (Ervedosa,
1981, pag. 22-28)([Link], 2015).

Em 1984, sob a liderança de Diogo Cão, os portugueses chegaram a foz do rio


Zaire, estabelecendo relação com o povo local, o que deu inicio ao processo de
conquista do pais.

É em 1575, no comando de Paulo Dias de Novais, que Angola torna-se numa


colonia de Portugal. Esta figura, tinha o cargo de explorar os recursos naturais que
o território oferecia e estabelecer e promover o comercio de escravos. Em 1764,
abandonou-se o modelo antigo de escravatura e apostou-se na produção interna de
madeira, café, óleo de palma, algodão, etc…

É apenas em 1836 que é abolido o trafico de escravos e passado 10 anos os portos


angolanos abriram-se para receber navios estrangeiros. Esta nova realidade
permitiu maior relação comercial entre angola e as várias partes do mundo. No ano
de 1859 nasce a classe burguesa em Angola.

Na conferencia de Berlim, no dia 19 de novembro de 1884, africa foi dividida pelas


potências mundiais e Angola passou a ser oficialmente uma colonia de Portugal. A
província de cabinda, foi também atribuída a Portugal devido ao tratado de
protetorato de Simulambuko (Governo. Gov. Ao, 2015).

Os portugueses para o território angolano investiram principalmente na agricultura


e na exportação de matérias primas.

Em 1910, é implementado a primeira república portuguesa. Desta forma, Portugal


teve de repensar novas reformas administrativas, políticas e de gestão de território,
incluído as colonias.

Angola também sofreu várias reformas a nível educacional, agrário e económico e


passou a apostar-se principalmente em exploração e exportação de diamantes.
(Governo. Gov. Ao, 2015)

No segundo quarto do séc. XX, começaram a surgir variados movimentos


nacionalistas que meteram em causa a estabilidade que Portugal fazia passar ao
mundo sobre as colonias. E no ano de 1950, que estes grupos começaram a
pleitear pela independência de Angola, juntando-se a várias alianças políticas

71
72
internacionais, que também iam contra o regime, mostrando para a sociedade a
verdadeira realidade da colonização portuguesa.

Portugal, não querendo ceder aos movimentos para a independia de angola,


declarou uma guerra armada enviando tropa para a colonia.

A guerra de libertação em Angola foi liderada por três (3) movimentos, o MPLA
(movimento popular para a libertação de Angola constituído em 1956), a UNITA
(união nacional para a independência de Angola constituída em 1966) e FNLA
(frente nacional para a libertação de Angola constituída em 1961). (Governo. Gov.
Ao, 2015).

A luta pela independência de Angola teve êxito no dia 11 de novembro de 1975,


liderado por António Agostinho Neto, por sua vez, primeiro presidente de Angola.
Após a libertação nacional, Angola imergiu numa sangrenta guerra civil, tendo
como protagonistas o MPLA e a UNITA, que danificou grande parte das
infraestruturas que existiam.

Contudo, é apenas em 2002 que Angola alcança a paz e desde então iniciou-se um
grande processo de reconstrução nacional e o relançamento da economia.
(Governo. Gov. Ao, 2015).

População de Angola, projeções


Faixa etária Ano
2015 2025
0-4 3608,4 16,5% 4021,1 14,5%
5-9 3193,1 14,6% 3669,3 13,2%
10-14 2946,8 13,5% 3367 12,1%
15-19 2460,4 11,3% 3085,6 11,1%
20-24 2016,6 9.2% 2851,7 10,3%
25-29 1670 7.6% 2355 8,5%
30-34 1362,5 6,2% 1908,7 6,9%
35-39 1094,3 5,0% 1561,7 5,6%
40-44 862,3 3,9% 1258,1 4,5%
45-49 703,6 3,2% 998,1 3,6%
50-54 575,9 2,6% 775,1 2,8%
55-59 453,7 2,1% 618 2,2%
60+ 894,8 4,1% 1297,1 4,7%
TOTAL 21842,4 100% 27766,5 100,0%
Fonte: Revista de estudos demograficos, nº 49, citando o relatório das
Nações Unidas

16,5% - Percentagem de criança em idade de creche

39,4% - Percentagem de criança em idade escolar

73
74
TEMPERATURA

Luanda, graças as correntes vindas de Benguela, não apresenta temperaturas tão


elevadas. A temperatura media anual varia entre 27ºc de máxima e 17ºc de
mínima.

Podemos encontrar duas estações em Angola designadas por Verão e Cacimbo. O


verão sucede-se entre o mês de setembro e o mês de maio e esta é a estação mais
quentes do ano. O cacimbo, ocorre entre maio e setembro e é a estação mais seca
e fria do ano.

Climatericamente, Angola organiza-se em duas grandes regiões, a primeira, região


litoral apresenta temperatura média anual superior a 23ªc; a segunda região
interior se organiza em três (3) sub-regiões , a primeira sub-região norte com
temperatura altas anuais, a segunda sub-região que abrange as áreas planálticas
centrais com grande altitudes, apresenta clima semiárido por causa da sua
aproximação ao deserto do Namibe. (quintã, 2009) ([Link],2015)
(Wheela e Pélissier, 2011)

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76
RADIAÇÃO SOLAR

Um elemento importante para projetar em países com clima tropical é poder


guardar o edifício da maior fonte de calor que existe- o sol. Ainda que, a
intensidade da radiação solar não seja sempre intensa, é necessário conhecer bem
o percurso do sol, interpretando a carta solar. Ao utilizarmos esta ferramenta é
possível fazer um melhor dimensionamento do sistema de sombreamento que
serão necessários recorrer. (quintã,2009)

Desta forma, no que diz respeito as fachadas, o sombreamento recorrido a


elementos horizontais é mais eficaz nas fachadas norte e sul e os sombreamentos
recorridos a elementos verticais é mais eficiente nas fachadas este e oeste.
(quintã,2009)

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O PROJETO

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PLANTA DE IMPLANTAÇÃO GERAL

(fornecida pelo INOTU)

LEGENDA
HABITAÇÃO UNIFAMILIAR ENERGIA E ÁGUA
ESCOLA 1º/2º CICLO MEDIATECA
UNIVERSIDADE CRECHE
ADMINISTRAÇÃO EDIFÍCIO HABITACIONAL
CENTRO COMERCIAL EDIFÍCIO MISTO
CENTRO DE SAÚDE R1 PROJ. HAB. PRIVADO
COMÉRCIO (LOJAS) R2 SEDE ONG

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Plano de Urbanização do Bairro do Tande

O terreno utilizado para o projeto final de curso, faz parte da área plano de
urbanização do Bairro do Tande, e este encontra-se na baia, viana, luanda, Angola.

As principais vias de acesso são a estrada luanda-viana-catete e a via expressa.


Para acedermos a este plano de urbanização, apenas temos as motos-táxis que
funcionam nesta área ou transporte privado.

O bairro do Tande é um bairro novo e encontra-se em via de expansão. O plano de


urbanização ainda não se encontra em fase de construção, no entanto, no local já
podemos encontrar uns alinhamentos. A sua envolvente apresenta um estado
bastante precário, principalmente devido a falta de infraestruturas. Atualmente as
vias são todas em terra batida. As habitações que existem na envolvente, têm um
caracter bastante humilde e a maior parte dela encontra-se em fase de construção.
Não existem postos de eletricidade, redes de fornecimento de água potável e
esgotos. A solução encontrada pela população para solucionar estes graves
problemas são então as fontes de energias renováveis como geradores, depósitos
de água em casa e ainda as fossas sépticas. Não existem escolas publicas do bairro
do Tande, apenas podemos encontrar algumas escolas privadas, cujo o
equipamento é bastante frágil. Com a implantação do plano de urbanização do
Tande (não abrange todo o bairro) esta área vai tornar-se muito mais dinamizada e
trazer mais qualidade de vida a população da área.

O objetivo do plano é:

• Assegurar um parque habitacional de qualidade e variado.

• Criar uma estrutura ecológica sustentável que se torne numa referência local.
• Criar um espaço propenso a atividade económica com base na diversidade do
uso do solo.
Este plano foi desenvolvido pelo INOTU (instituto Nacional do Ordenamento do
Território e Desenvolvimento Urbano). Este instituto dentro das competências que lhe
são atribuídas como órgão técnico encarregue da execução das políticas de
ordenamento do território e de elaboração e acompanhamento dos IOT´s (Artº 6,
ponto 1, alínea b, DP nº 9/16 de 15 de Janeiro), elaborou o Plano de Urbanização do
Tande com 157 hectares, ação prevista no Artº 66 (LOTU) e artº 157 (REPTUR).

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PLANTA DE ZONAMENTO

(fornecida pelo INOTU)

LEGENDA
SERVIÇOS PÚBLICOS EDUCACIONAL (GERAL)
COMÉRCIO USO MISTO (RES/COMÉRCIO)
EDUCACIONAL (SUPERIOR) RESIDENCIAL (A.D)
RESIDENCIAL (B.D) ZONA VERDES
SAÚDE PROJ. HAB. PRIVADO
SEDE ONG
Zonas verdes
SAÚDE
R1 PROJ. HAB. PRIVADO
R2 SEDE ONG

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De acordo com a planta de implantação geral, podemos perceber que o plano de
urbanização do bairro do Tande vai dinamizar a área, visto que este carece de
equipamentos, serviços, habitações, infraestruturas etc… E este plano apresenta os
elementos essenciais para um estilo de vida equilibrado. É um plano que, no meu
ponto de vista, precisa de mais espaços verdes e áreas de lazer, visto que a população
angolana é maioritariamente jovem. Mas tendo em conta as diversas fragilidades que
o bairro ainda apresenta, o plano será bastante útil e prestativo para resolver vários
problemas existentes.

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O programa

O lote usado para desenvolver o trabalho, faz parte do plano de urbanização do


Bairro do Tande. Este encontra-se localizado em Angola, na cidade de luanda,
município de Viana, distrito da Baia e bairro do Tande. O lote utilizado contém uma
área de 27,900m2.

O equipamento desenvolvido é uma escola secundária do I e II ciclo, sendo que o I


ciclo corresponde do 7º ao 9ºano e o II ciclo do 10º ao 12º ano.

Este equipamento é constituído pelas seguintes áreas:

1-Átrio- 618 m2

2- Auditório- 405 m2
2.1 Camarim- 31m2
2.2 Cabine de projeção- 22m2
2.3 Cabine de som- 22 m2

3- Salas de aulas- 1076m2


3.1 Sala- 50m2
3.2 Sala de desenho- 108m2

4- Papelaria- 72m2

5- Laboratórios- 324m2
5.1 Sala laboratório- 67m2
5.2 sala de preparação- 29m2

6- Instalação sanitária 153m2


6.1 Feminino
6.2 Masculino

7- Balneários- 374m2
7.1 Balneário feminino
7.2 Balneário masculino
7.3 Balneário feminino professores
7.4 Balneário masculino professores

8- Cantina- 1723 m2
8.1 Refeitório- 1187 m2
8.2 Cozinha- 590 m2
8.2.1 Armazenamento- 54.2 m2
8.2.2 Átrio armazenamento- 20 m2
8.2.3 Lixos- 9 m2
8.2.4 Área de lavagem (sujo)- 23 m2
8.2.5 Área de arrumos (limpo)- 27 m2
8.2.6 Armazenamento dia - 9m2
8.3 Bar 90m2
8.3.1 Armazenamento- 13m2
8.4 Arrumos (limpeza)- 15.6m2

9- Área administrativa - 753 m2

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9.1 Enfermaria - 48.5 m2
9.2 Vestiário- 44 m2
9.2.1 Vestiário feminino- 22m2
9.2.2 Vestiário masculino- 22m2
9.3 Gabinete de trabalho- 86 m2
9.5 Gabinete dos coordenadores- 20 m2
9.5 Gabinete secretário geral- 16m2
9.6 Arquivos- 30m2
9.7 Secretaria- 101.5 m2
9.8 Direção de curso- 76 m2
9.9 Gabinete diretor geral - 20.9 m2
9.10 Sala de reunião- 36.9 m2
9.11 Gabinete diretor adjunto- 24.4 m2
9.12 Gabinete diretor financeiro- 24.4 m2
9.13 Bar dos professores- 38 m2
9.14 Sala dos professores- 125m2
9.15 Sala de atendimento aos encarregados- 20.4 m2

10 Biblioteca- 584 m2
10.1 Arrumos- 24.4 m2
10.2 Cacifos- 20 m2

11 Gimnodesportivo- 1265 m2

12 Circulação- 3252 m2

13- Pátios interiores

14- Casota do guarda

15- Horta

16-Área técnica

17- Casa de apoio a horta

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Figura 29- Bairro do Tande, Viana

Figura 30- Bairro do Tande, Viana

Figura 31- Bairro do Tande, Viana

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CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA

OCUPAÇÃO DOS SOLOS

Em relação a ocupação do solo, a área em que estou a desenvolver o projeto é uma


área em que podemos encontrar espaços não edificados e edificados, mosaico de
área de agricultura com matos e mato rasteiro.

Os espaços edificados são de ocupação urbana dispersa, que diz respeito a zonas
onde já existe algumas construções, mas que estão associadas a um meio rural.
São áreas de baixa densidade, onde as pequenas hortas são fontes de subsistência.

Dentro dos espaços não urbanizados, podemos encontrar várias áreas agrícolas,
espaços florestais como florestas de embondeiros e espaços naturais com matos
rasteiros e arvoredo muito disperso.

As edificações que podemos encontrar, têm um caracter bastante humilde e frágil.


A maior parte delas, encontram-se em construção, o que transmite e a ideia de um
bairro em desenvolvimento, em uma fase muito embrionária.

MORFOLOGIA URBANA

A morfologia urbana é bastante irregular. Atualmente, podemos encontrar uma


malha mais orgânica na maior parte dos quarteirões e em algumas zonas uma
malha ortogonal. Este contraste, permite uma grande liberdade de implantação
gerando uma desorganização e ritmos aleatórios. Muitos terrenos acabam por ser
ocupados de forma ilegal e o que acentua o problema verificado.

RECURSOS NATURAIS

Angola é um pais extremamente rico, no que diz respeito aos recursos naturais e
podemos encontrar outro, cobre, platina, urânio, diamante, enxofre, etc.

No bairro do Tande, podemos encontrar calcários e barros vermelhos.

SOLOS

Dentro do bairro do Tande podemos encontrar dois tipos de solos que são barros
negros litomorfoficos que contêm solum cinzentos escuros e solos de calcários
vermelho.

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Figura 32- Bairro do Tande

Figura 33- Bairro do Tande

Figura 34- Bairro do Tande

Figura 35- Bairro do Tande

Figura 36- Bairro do Tande

Figura 37- Bairro do Tande

Figura 38- Bairro do Tande

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VEGETAÇÃO

Sendo uma área pouco habitada, a vegetação acaba por ter muita presença.
Podemos encontrar maioritariamente árbutos, gramíneas e destacam-se os
embondeiros (adansónia digitada).

CONDICIONANTES

Dentro das condicionantes podemos encontrar linhas de água e também ravinas.

O bairro do Tande é uma área com baixa percentagem de inundações, cheia e


riscos de incêndios.

ACESSIBILIDADES

As principais vias de acesso são a estrada Luanda-Viana-Catete e a Via Expressa.

Para conseguirmos aceder ao terreno, apenas é possível através das motas-táxis ou


por transporte privado.

SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS

É o distrito da baia que se encontra mais despido, no que diz respeito ao


equipamento. Dentro do bairro do Tande apenas podemos encontrar pequenos
serviços (mercearias, lojas, cafés, etc.), sendo que na maior parte dos casos não
apresentam qualidade necessária para o seu funcionamento. Não existem hospitais
públicos ou privados, escolas publicas, áreas de lazer, etc. O que obrigada a
população local a sair do bairro sempre que precisarem de um destes serviços.
Apenas existem escola privadas e muitas em estado de deterioração.

INFRAESTRUTURAS

As infraestruturas são pobres. Existem postos de eletricidade, mas que não abrange
todo o bairro, o que obriga as pessoas a procurarem outras fontes de energia
alternativa como os geradores; não existem redes de abastecimento de água
potável ou de esgotos e as soluções encontradas pela população são os depósitos
de água e as fossas sépticas.

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92
CONCEITO

O meu conceito esta relacionado a questões identitárias, estando ligado


principalmente as questões culturais, envolvendo também o campo arquitetónico.

Angola por ser um pais em desenvolvimento, percebemos nas cidades todas as


transformações, principalmente no campo da arquitetura. Atualmente, muitos dos
edifícios recentes que encontramos na cidade, não refletem nada do que é a cultura
angolana. Estando numa fase de crescimento, é necessário a procura da identidade
e transmite-la nos diferentes campos, sendo que o das artes é o que melhor
representa um pais.

‘’A cultura é um fator na formação da identidade’’

(bauman,2012)

O que pretendi com o meu projeto foi uma tentativa de ‘’resgatar’´ e ajudar na
formação desta identidade arquitetónica que ainda se esta a construir.

‘’ Falar em identidade cultural é compreender um tempo de mudança onde o


moderno pode coabitar com o tradicional’’

(rosa, 2008, 31)(faria e almeida 2016:130)

Os tempos mudam e esta realidade reflete-se em todos os campos, incluindo o da


arquitetura. É necessário que nos adaptemos aos tempos atuais, seguindo novas
técnicas, usando novos materiais, etc… Mas não devemos nos esquecer do passado
pois este é bastante importante para a construção do futuro.

‘’ Os nativos em regime de vida rural passam a maior parte do seu tempo, e


executam a totalidade das suas tarefas no exterior’’

(redinha, 2009, 192)

Ao estudar a arquitetura vernacular angolana, consegui compreender muito da


cultura e perceber que certos hábitos são muitos parecidos aos atuais,
principalmente na forma de viver o espaço.

93
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Através do livro do José redinha, A Habitação tradicional Angolana, ficamos a
compreender muito sobre o modo de vida das pessoas na altura em questão.

É precisamente no gosto pelo exterior, muito ligado ao clima tropical; na forma


como a arquitetura era feita, com base nos materiais que a natureza disponibilizava
e nos recursos encontrados, em que eu tentei culminar estes elementos no meu
projeto.

Muitos destes elementos, foram trabalhados e encontram-se no projeto de uma


forma intrínseca. O uso de pátios para permitir continuidade para o exterior, o uso
de alguns materiais locais, foram algumas das soluções encontradas.

A cultura, expande-se por várias áreas. Foi utilizado no projeto padrões


geométricos retirados de um tecido tradicional angola, o pano samakaka, oriundo
de Lubango e que é fabricado pelas mumuilas (povo local desta cidade)-- .

Os padrões geométricos retirados do tecido, serviram para criar o padrão do


elemento vazado utilizado no projeto, que tem como principal função criar
sombreamento e permitir ventilação, caraterísticas muito importantes na
arquitetura tropical.

‘’ O quintal é mais importante que o apartamento… No quintal a gente encontra o


vizinho… O quintal é o que reúne as pessoas’’

(Bonga- semba, o senhor de angola)

O quintal é a parte exterior da casa, funciona como um pátio. Nas habitações em


Angola, principalmente as localizadas nos musseques, o quintal é partilhado por
várias famílias e é onde são realizadas todas as tarefas diárias.

O equipamento desenvolvido, foi projeto com a função de poder não só albergar os


alunos e funcionários da escola, mas também a comunidade envolvente.

A biblioteca e o auditório estão situados de forma estratégica, de modo a ser usado


por outras pessoas ou entidades sem terem de penetrar na parte mais íntima da
escola. O gimnodesportivo funciona de forma independente.

Sendo que, atualmente grande parte da população local vive da agricultura,


implementei uma horta no exterior da escola, com fim de ser usada pelos mesmos
e também pelos alunos como atividade extracurricular. A vegetação escolhida foi
feita com base no que existia na envolvente, como a escolha dos embondeiros e
outros.

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O principal objetivo deste equipamento, foi fazer com que ele não seja apenas um
equipamento escolar, mas tenha também um caracter cultural e social.

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MEMÓRIA DESCRITIVA

O equipamento é compreendido por dois volumes, sendo que um deles é o


gimnodesportivo e o outro é constituídos pelos restantes espaços. Encontra-se
organizado em dois (2) pisos. No piso zero (0) podemos encontrar: salas de aula,
instalação sanitária, a cantina (refeitório, cozinha, bar e as áreas de apoio a
mesma), área administrativa e o auditório. Já no piso um (1) encontramos salas de
aulas, instalação sanitária, área administrativa, um prolongamento do refetório com
áreas de micro-ondas, prolongamento da biblioteca com áreas de leituras.

Em todas as áreas, com exceção ao auditório, encontramos sempre um pátio


associado ao mesmo, para garantir maior ventilação dos espaços e relação com o
exterior.

Esta preocupação com os sombreamentos e ventilação é derivada a opção de não


usar sistemas de ventilação artificial.

A biblioteca e o auditório são dos primeiros espaços que encontramos ao entrar


pelo acesso principal. Estas duas áreas foram estrategicamente colocadas nesta
posição, de modo a permitir o uso das mesmas por outras pessoas e fazer com que
não penetrem no íntimo da escola. E o gimnodesportivo funciona de forma
independente, permitindo que a escola possa fechar, mas este continuar em
funcionamento.

O edifício encontra-se delimitado por uma parede formada por elementos vazados,
que permite que este respire, garantido sombreamento e ventilação e possibilita
uma maior abertura das janelas. Esta fachada, funciona como uma segunda pele do
edifício, como se este estivesse ‘’vestido’’.

Entre esta segunda pele e a fachada principal, existe um corredor técnico que
permite com que as pessoas circulem nele sem terem de comprometer a sua
segurança ou privacidade, visto que este é delimitado por cada área do
equipamento e apenas dentro de uma delas (interior da escola) é que podemos
aceder a este espaço.

Existem quatro (4) pátios interiores, que permitem estabelecer uma relação com o
exterior sem termos de sair do edifício. Há um pátio central, onde podemos
encontrar uma rampa que permite o acesso do piso zero (0) ao piso um (1).

O edifício principal é um grande cubo e apresenta uma forma bastante ortogonal.


Já a rampa que podemos encontra no pátio interior, tem uma forma bastante
orgânica, o que atribui uma certa plasticidade ao edifício.

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No espaço exterior, encontramos áreas de estar, com percursos e arvores,
associadas aos dois espelhos de água que delimitam esta zona.

Na lateral do espelho de água, podemos encontrar a horta, em que o sistema de


rega da mesma, será possível graças ao suave declive que existe no terreno. Entre
os espelhos de água existe um sistema no interior que ira permitir regar a horta.

Existem três pequenas áreas no exterior que são: a área de apoio a horta, a casota
do guarda e a área técnica.

A recolha da água da cobertura vai para um deposito de água enterrado, o que


poderá ajudar nas necessidades da escola.

Sendo que, atualmente não existem redes de esgotos, o sistema adotado será a
fossa séptica.

Por fim, o objetivo foi garantir um espaço confortável para os utilizados do mesmo
e assegurar-me de que o equipamento, não fosse somente um espaço usado pelos
alunos, mas também pela população local, permitindo um intercambio de
conhecimento, sem meter em questão a segurança e a privacidade dos alunos e
funcionários.

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CONCLUSÃO

Este projeto, serviu como um dos objetos comprovativo para a obtenção do grau de
mestre. A investigação apresentada foi o elemento base para a conceção do projeto
de arquitetura. Todos os cinco (5) capítulos foram de extrema importância.

O primeiro capítulo foi principalmente para começar a entrar na temática do


equipamento escolar, perceber quais são as maiores preocupações sobre a mesma
nos dias atuais e pegar uma linha de pensamento que fosse de encontro com todas
problemáticas referidas e compilar num projeto.

Atualmente, o equipamento escolar não é visto apenas como um local de


aprendizado, mas como um elemento inserido no plano de aprendizado… Isto é, o
equipamento escolar tradicional tende a ser um impedimento para o estímulo da
criatividade, integração, diversidade de escolha, isso devido a escolha das plantas
tradicionais, principalmente as que vieram depois da revolução industrial do séc.
XVII, que eram facilmente replicadas e muitas eram feitas com pouco recurso. O
que se pretende agora, são espaços que possam contribuir para o estímulo,
criatividade e flexibilidade do aluno e possa acompanhar as demandas.

O segundo capítulo é referente aos casos de estudos e referencias. Nele foram


abordados 3 casos de estudos muito importantes para o projeto, a nível conceitual,
formal e organizacional que são: A Anangola de Vasco Viera da Costa localizada em
Angola; O centro cultural de Jean-Marie Tjibaou de Renzo Piano localizada no
território Francês da Nova Caledónia; Escola Nova Vila da Barquinha dos arquitetos
Aires Mateus localizada na Nova Vila da Barquinha.

O projeto do Vasco Vieira da Costa em Angola, foi dos primeiros que visitei em
Luanda. Ao primeiro olhar parecia um projeto relativamente simples, mas ao
penetrarmos pelo edifício e observando os pormenores, vamos nos apercebendo
das complexidades todas envolvidas. Este contacto com a obra foi muito importante
visto que o meu projeto se encontra localizado em Angola. Existem muitas
preocupações ao projetar num pais tropical, e como seguidora do arquiteto Vasco
Costa, optei por não usar sistemas de ventilação natural o que acresce nas
preocupações de conforto no interior do edifício.

Nesta obra, encontramos todas as preocupações e várias soluções que verificamos


ao projetar num pais tropical.

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O projeto do Renzo Piano, o centro cultural Jean-Marie Tjibaou foi importante pela
forma conceitual do projeto. Neste projeto, o uso das tecnologias é bastante
evidente, mas é na forma como o arquiteto implementa no projeto e conciliar com
os valores culturais que torna num projeto excelência. É nesta combinação em
‘’passado’’ e ‘’presente’’ que esta obra foi bastante importante para mim.

Por fim, A escola de Vila Nova da Barquinha que foi bastante importante a nível
organizacional do projeto. Contém forma quadrangular que é pouco comum em
equipamentos escolares. Por querer fugir ao comum, uma das grandes
problemáticas foi em organizar o espaço. Foi graças as soluções encontradas neste
projeto, as combinações com os pátios, a forma como conseguiam criar espaços
controlados que consegui uma solução organizacional para o meu projeto.

Como resultado destes casos de estudo, pude encontrar soluções mais adequadas
para o meu projeto que esta inserido num pais tropical como o uso de pátios para
ventilar, o brise-solier para criar sombreamento ao mesmo tempo permitir ventilar,
entre outras soluções… Como na Escola da Barquinha do Aires Mateus o uso do
pátio foi fundamental para os espaços poderem ventilar e permitir a entrada de luz.

O quarto capítulo é referente ao território Angolano, onde foi feita uma pesquisa em
relação aos vários fatores que auxiliaram na caracterização do pais. Dentro deste
capítulo, é foi feito uma descrição da evolução da habitação tradicional angola, que
teve uma extrema importância no desenvolvimento do conceito do projeto.

Por fim, o quinto capítulo que é referente ao projeto de arquitetura. Neste capítulo
foi descrito com pormenor o projeto sendo que, caracterizou-se o local;
apresentou-se o programa; fez-se um enquadramento em relação ao plano de
urbanização onde o mesmo esta inserido; falou-se sobre o conceito e descreveu-se
o mesmo.

Um dos maiores desafios deste projeto, foi o trabalho de campo. Esta investigação
no local, foi feita num contexto novo dos que estava acostumada ao longo do
percurso escolar na Escola Superior Artística do Porto. Ter de lhe dar com uma
realidade mais rural; um modo diferente de pensar pessoas foi um sem dúvida um
desafio.

De um modo geral, este projeto foi um dos mais interessantes e desafiadores que
desenvolvi ao longo deste percurso académico. Foi bastante enriquecedor e
permitiu-me olhar e estudar para outras realidades.

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106
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111
112
LISTA DE FIGURAS OU ILUSTRAÇÕES

Figura 1- Interior do anangola- Fonte: Imagem da autora

Figura 2- Exterior de anangola- Fonte: Imagem da autora

Figura 3- Exterior do anangola- Fonte: Imagem da autora

Figura 4- Escadas anangola- Fonte: Imagem da autora

Figura 5- Escadas anangola- Fonte: imagem da autora

Figura 6- brise solier – Fonte: imagem da autora

Figura 7- Exterior da Anangola- Fonte: Imagem da autora

Figura 9- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou / Renzo Piano- Fonte:


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Figura 10- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou / Renzo Piano- Fonte :


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Figura 11- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou / Renzo Piano- Fonte:


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Figura 12- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou- Sistema de ventilação / Renzo


Piano- Fonte: [Link]
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Figura 13- Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou de Renzo Piano- Fonte:


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Figura 14- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:


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Figura 15- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:


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Figura 16- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:


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Figura 17- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:
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Figura 18- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:


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mateus consultado em 03/07/2019

Figura 19- Escola na Vila Nova da Barquinha de Aires Mateus- Fonte:


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Figura 20- Al-Hambra, Granada, Espanha (Muxarabi)- Fonte:


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03/07/2019

Figura 21- Casa com Rótulas em Pilar Goiás- Fonte:


[Link]

Figura 22- Caixa de água de Nunes Luís- Fonte:


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03/07/2019

Figura 23- Universidade Católica de Angola- Fonte: imagem de autora

Figura 24- Universidade Católica de Angola- Fonte: imagem de autora

Figura 25- A cabana das Caraíbas- Fonte: Frampton, Kenneth, Tecttonica e


Architettura. Poetica della forma architettonica nel XIX e XX secolo, tr. Ita., Skira,
Milão, 1999, p.107.

Figura 26- Mapa de Angola- Fonte: Por CIA - [1] from the Perry-Castañeda Library
Map Collection., Domínio público,
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03/07/2019

Figura 27- Exemplos de uma habitação tradicional angolanas do grupo I- Fonte:


Mateus, 1934, pp. 2-3)

Figura 28- Exemplos de uma habitação tradicional angolanas do grupo I- Fonte:


Mateus, 1934, pp.3)

Figura 29- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 30- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 31- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

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Figura 32- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 33- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 34- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 35- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 36- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 37- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

Figura 38- Bairro do Tande, Viana- Fonte: Imagem da autora

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