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Adequação do Teste SON-R 6-40 em Deficiência Intelectual

O estudo avaliou a adequação do teste não verbal de inteligência SON-R 6-40 para pessoas com deficiência intelectual, administrando-o a 50 indivíduos e obtendo uma média de QI de 73. A análise fatorial exploratória revelou dois fatores, relacionados a subtestes de raciocínio e execução, com diferenças significativas entre os escores de homens e mulheres. Os resultados sugerem que o SON-R 6-40 é um instrumento adequado para a avaliação dessa população.

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Adequação do Teste SON-R 6-40 em Deficiência Intelectual

O estudo avaliou a adequação do teste não verbal de inteligência SON-R 6-40 para pessoas com deficiência intelectual, administrando-o a 50 indivíduos e obtendo uma média de QI de 73. A análise fatorial exploratória revelou dois fatores, relacionados a subtestes de raciocínio e execução, com diferenças significativas entre os escores de homens e mulheres. Os resultados sugerem que o SON-R 6-40 é um instrumento adequado para a avaliação dessa população.

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Psicologia: Teoria e Prática

ISSN: 1516-3687
revistapsico@[Link]
Universidade Presbiteriana Mackenzie
Brasil

de Araújo Alves, Talita; Arie Laros, Jacob


Adequação do SON-R 6-40 para pessoas com deficiência intelectual
Psicologia: Teoria e Prática, vol. 19, núm. 2, mayo-agosto, 2017, pp. 151-163
Universidade Presbiteriana Mackenzie
São Paulo, Brasil

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Marinalva Santos - psimarinalvasant@[Link] - CPF: 272.231.558-09
Revista Psicologia: Teoria e Prática, 19(2), 151-163. São Paulo, SP, mai.-ago. 2017. ISSN 1516-3687 (impresso), ISSN 1980-6906
(on-line). [Link] Sistema de avaliação: às cegas por pares (double blind
review). Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Adequação do SON-R 6-40 para pessoas


com deficiência intelectual
Talita de Araújo Alves1
Universidade de Brasília, DF, Brasil
Jacob Arie Laros
Universidade de Brasília, DF, Brasil

Resumo: Os testes de inteligência são ferramentas essenciais no diagnóstico da defici-


ência intelectual. O presente estudo teve por objetivo avaliar a adequação do teste não
verbal de inteligência SON-R 6-40 para pessoas com deficiência intelectual. O SON-R
6-40 consiste de quatro subtestes: Categorias e Situações (subtestes de raciocínio) e
Mosaicos e Padrões (subtestes de execução). O teste foi administrado em 50 pessoas
com o diagnóstico de deficiência intelectual. A média de QI para esse grupo foi de 73
(DP = 2,1). A análise fatorial exploratória indicou dois fatores, o primeiro constituído
dos subtestes de raciocínio e o segundo dos subtestes de execução. A média dos esco-
res dos homens no fator de execução foi significativamente maior do que a média dos
escores para as mulheres (p < 0,01; d de Cohen = 0,58). Os resultados obtidos dão
suporte aos estudos prévios do SON-R 6-40 e sugerem a adequação do teste para
pessoas com deficiência intelectual.

Palavras-chave: deficiência intelectual; teste não verbal de inteligência; SON-R 6-40;


testes SON; psicometria.

ADEQUACY OF THE SON-R 6-40 FOR PEOPLE WITH INTELLECTUAL DISABILITIES

Abstract: Intelligence tests are essential tools for the diagnosis of intellectual disabili-
ties. The present study aimed at evaluating the adequacy of the SON-R 6-40, a intelli-
gence nonverbal test, for people with intellectual disability. The SON-R 6-40 consists of
four subtests: Categories and Situations (reasoning subtests) and Mosaics and Patterns
(performance subtests). The test was administered to 50 people with intellectual disa-
bility. For this group, a average IQ score of 73 (SD = 2,08) was observed. Exploratory
factor analysis indicated two factors, the first being composed of performance subtests,
and the second of reasoning subtests. The average score of men on the performance
factor was significantly higher than the average score of women (p < .01; Cohen’s d =
0,58). The obtained results give support to previous studies of the SON-R 6-40 and
suggest the adequacy of this test for people with intellectual disability.

Keywords: intellectual disability; intelligence nonverbal test; SON-R 6-40; SON tests;
psychometry.

ADECUACIÓN DEL SON-R 6-40 EN PERSONAS CON DEFICIENCIA INTELECTUAL

Resumen: Los testes de inteligencia son herramientas esenciales en el diagnóstico de


deficiencia intelectual. El presente estudio tuvo por objetivo evaluar la adecuación del

1
Endereço para correspondência: Talita de Araújo Alves, QI 10, bloco P, apt. 306. Guará – DF. CEP: 71.010-167.
Telefone: E-mail: [Link]@[Link]

151

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Talita de Araújo Alves, Jacob Arie Laros

test no-verbal de inteligencia SON-R 6-40 en personas con deficiencia intelectual. El


SON-R 6-40 consiste en cuatro sub-testes: Categorías y Situaciones (sub-testes de ra-
ciocinio) y Mosaicos y Padrones (sub-testes de ejecución). El test fue administrado a 50
personas con diagnóstico de deficiencia intelectual. En este grupo fue observado un
puntaje promedio de IQ de 73. El análisis factorial exploratorio indicó dos factores,
relacionados a los sub-testes de raciocinio y ejecución del SON-R 6-40. El promedio de
los puntajes de los hombres para el factor de ejecución fue significativamente mayor
que el promedio de los puntajes de las mujeres (p < 0,01; d de Cohen = 0,58). Los
resultados obtenidos dan soporte a los estudios previos del SON-R 6-40 e indican la
adecuación del test en personas con deficiencia intelectual.

Palabras clave: deficiencia intelectual, teste no-verbal de inteligencia, SON-R 6-40;


teste SON; psicometría.

Introdução

A deficiência intelectual é caracterizada por limitações no funcionamento cogniti-


vo e no comportamento adaptativo dos sujeitos (Schalock et al., 2010). Considera-se
que o surgimento dos déficits intelectuais e adaptativos ocorre durante o período de
desenvolvimento. Esse tipo de deficiência engloba diferentes condições que variam
desde distúrbios metabólicos e genéticos até modificações funcionais em decorrência
de traumas no sistema nervoso no nascimento ou traumas cerebrais que podem ocor-
rer mais tardiamente no período de desenvolvimento.
O comportamento adaptativo refere-se a um conjunto de habilidades de ordem
prática, social e conceitual que fazem parte do processo de aprendizado do sujeito e
são desempenhadas no cotidiano (AAIDD, 2015). A alfabetização, a linguagem e os
conceitos numéricos são exemplos de habilidades conceituais. Entre as habilidades
sociais, destacam-se as habilidades interpessoais, as responsabilidades sociais, a auto-
estima, a culpabilidade, a resolução de problemas sociais e o seguimento das normas
e regras. As habilidades práticas são atividades do dia a dia, como autocuidado, habi-
lidades ocupacionais, de cuidados com a saúde, mobilidade, planejamento, segurança,
manipulação de dinheiro e comunicação.
O funcionamento cognitivo da pessoa com deficiência intelectual apresenta defi-
cits no raciocínio, planejamento, aprendizado, resolução de problemas, pensamento
abstrato e juízo. Alguns componentes são críticos, tais como a compreensão verbal, a
memória de trabalho, o raciocínio perceptivo, o raciocínio quantitativo e a eficiência
cognitiva. De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (2014), os indivíduos
com deficiência intelectual apresentam escores cerca de dois ou mais desvios-padrão
abaixo da média da população. Em testes de inteligência normatizados com média
100 e desvio-padrão 15, os indiobjetivvíduos com deficiência intelectual apresentam
aproximadamente escores entre 65 e 75.
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde realizada pelo IBGE no ano 2013, es-
tima-se que no Brasil 6,2% da população total possuem algum tipo de deficiência,
entre elas: deficiência física, intelectual, visual e auditiva. Do total de pessoas que
possuem deficiência intelectual, mais da metade, ou 54,8%, apresenta um grau inten-

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O SON-R 6-40 e deficiência intelectual

so ou muito intenso de limitação. Ressalta-se, ainda, que apenas 30,4% das pessoas
com deficiência intelectual frequentam algum tipo de serviço de reabilitação. Nesse
contexto, considera-se a importância da identificação da pessoa com deficiência inte-
lectual enquanto passo inicial do processo que culmina na prestação de serviços e su-
porte adequados para essa realidade.
A utilização de instrumentos psicológicos faz parte do processo de avaliação da
deficiência intelectual. Sobretudo ao considerar o uso de testes de inteligência padro-
nizados para avaliar as habilidades cognitivas. Para os testes utilizados, destaca-se a
importância da apresentação de evidências de validade, propriedades psicométricas
satisfatórias e normas que estejam condizentes com o contexto sociocultural e com o
idioma nativo dos sujeitos (Conselho Federal de Psicologia, 2003).
Os escores nos testes podem ser influenciados por diversos fatores, entre eles o
efeito Flynn, em que há uma sobre-estimação dos escores quando são utilizadas nor-
mas desatualizadas (Flynn, 2009). Além disso, na testagem de populações especiais são
necessários alguns cuidados específicos, considerando as possíveis limitações apresen-
tadas pelos indivíduos, desde deficits motores até dificuldades relacionadas à comuni-
cação e à linguagem. A utilização de testes de inteligência que exigem habilidades
verbais e/ou escritas pode limitar a avaliação cognitiva, através da subestimação dos
escores dos sujeitos (Tellegen, 1993).
Em um estudo de comparação entre a utilização de instrumentos verbais e não ver-
bais, Jansen (1991) apontou uma grande diferença entre os escores obtidos a partir de
quatro subtestes verbais do WISC-R e os escores obtidos no teste não verbal de inteligên-
cia SON-R. A pesquisa foi realizada com um grupo de crianças que apresentavam prejuí-
zos específicos na linguagem. A diferença encontrada entre o QI verbal no WISC-R
(M = 83,1; DP = 14) e o QI SON-R (M = 97,5; DP = 14) foi significativa (p < 0,01).
Em casos como a deficiência intelectual ou nos diagnósticos de dificuldades de
aprendizado os sujeitos apresentam prejuízos no domínio acadêmico, pois este
está relacionado às habilidades de leitura, escrita e raciocínio quantitativo. Nesse
sentido, os testes de inteligência tradicionalmente utilizados não são considerados
adequados para a avaliação do funcionamento cognitivo dessa população. Em
estudo realizado com o WISC-IV, Giofrè & Cornoldi (2015) encontraram que o QI
obtido por meio do WISC-IV pode não ser uma medida adequada do funcionamento
cognitivo em pessoas com dificuldades específicas de aprendizagem, sobretudo por
considerar um prejuízo nos índices de Memória de Trabalho (WM) e Velocidade de
Processamento (PS).
A utilização de instrumentos não verbais de inteligência é uma alternativa favorá-
vel para a avaliação de pessoas com deficiência intelectual (Macedo et al., 2013). A
não dependência da linguagem nos testes não verbais permite a testagem de indiví-
duos com dificuldade de comunicação, estrangeiros, pessoas que não apresentam to-
tal domínio da língua do país de residência, pessoas com deficiência auditiva e pessoas
de difícil testagem (Laros, Jesus & Karino, 2013).

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Entre os instrumentos de inteligência não verbal é possível destacar os testes SON


(Snijders, Tellegen, & Laros, 1989). As iniciais do nome SON fazem referência à primei-
ra autora dos testes, Dra. Nan Snijders-Oomen. Os testes SON são de origem holande-
sa e a primeira versão foi lançada em 1943, voltada à avaliação do funcionamento
cognitivo de crianças surdas com idades entre 4 e 14 anos (Snijders-Oomen, 1943).
Desde então, foram lançadas diferentes versões dos testes SON e foram realizadas
pesquisas de normatização e validação em diversos países, tais como: Holanda, Alema-
nha, França, China, República Tcheca e República Eslováquia.
No Brasil, a versão SON-R 2½-7 [a] (Laros, Tellegen, Jesus & Karino, 2015) apresenta
normas para crianças entre 2,5 anos até 7 anos de idade e encontra-se disponível para
comercialização e uso profissional. A quinta versão dos testes SON, o SON-R 6-40, é
destinada a crianças e adultos. A pesquisa de normatização do SON-R 6-40 foi realiza-
da simultaneamente para Alemanha e Holanda (n = 2.040). No Brasil, a normatização
do SON-R 6-40 encontra-se em andamento.
Considerando o contexto de adequação normativa do SON-R 6-40 para o Brasil, e
ainda a necessidade de testes psicológicos que apresentem estudos adicionais que in-
corporem evidências de sua validade e uso para diferentes grupos, este estudo objeti-
va verificar o uso e a adequação do instrumento não verbal de inteligência SON-R 6-40
em uma amostra de pessoas com deficiência intelectual. Pretende-se, ainda, verificar
possíveis associações entre variáveis afetivo-comportamentais e o desempenho da
amostra no SON-R 6-40; obter evidências da validade de construto do instrumento e
averiguar a confiabilidade dos escores obtidos.
O SON-R 6-40 caracteriza-se como um teste não verbal de inteligência, pois sua
aplicação pode ser realizada de maneira verbal ou não verbal. O instrumento é com-
posto por quatro subtestes, a saber: Analogias, Mosaicos, Categorias e Padrões, sendo
aplicados nessa ordem. Cada subteste está organizado em duas ou três séries paralelas
de itens. Os subtestes Analogias e Categorias são subtestes de múltipla escolha e estão
relacionados ao raciocínio concreto e ao raciocínio abstrato. Já os subtestes Mosaicos
e Padrões são escalas de execução, nas quais se pretende avaliar aspectos do raciocínio
viso-espacial (Tellegen & Laros, 2014).
O SON-R 6-40 possui um procedimento adaptativo de testagem. Por meio desse
procedimento as tarefas apresentadas durante a realização da testagem são adequa-
das para o nível de desenvolvimento cognitivo do sujeito (Tellegen & Laros, 2014). Os
itens do SON-R 6-40 estão organizados em ordem crescente em relação à dificuldade
e existem critérios específicos de interrupção e início de cada série, o que evita a apre-
sentação de itens de dificuldade inferior ou superior às habilidades esperadas.
Outra importante característica da aplicação do SON-R 6-40 é o fornecimento de fee-
dback após cada resposta do sujeito. Quando o sujeito fornece uma resposta correta
para o item é dado um feedback positivo e após a resolução incorreta de um item é
fornecido o feedback negativo para o sujeito. As instruções de aplicação do teste e for-
necimento de feedback são detalhadamente apresentadas e padronizadas pelo manual

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O SON-R 6-40 e deficiência intelectual

do SON-R 6-40. Esse procedimento possibilita que o sujeito possa refletir sobre o próprio
desempenho, buscando engajamento na atividade para alcançar respostas corretas. O
material do SON-R 6-40 é composto por diferentes peças e ilustrações, desenvolvidas
com intuito de tornar o processo de testagem mais atrativo (Tellegen & Laros, 2014).

Método
Participantes

Participaram do estudo 50 pessoas, sendo 27 sujeitos (54%) do sexo masculino. A


idade dos participantes variou entre 15 e 39 anos (M = 26,2; DP = 7,92). A amostra foi
composta por pessoas provenientes de 23 bairros do Distrito Federal, vinculadas a uma
organização não governamental que presta diversos serviços para adolescentes e
adultos com deficiência intelectual ou múltipla. Todos os respondentes apresentaram
junto à instituição o diagnóstico de deficiência intelectual de acordo com a Classifica-
ção Internacional de Doenças, CID-10. Do total de participantes, os seguintes diagnós-
ticos foram identificados: Retardo Mental (68%), Síndrome de Down (18%), Sequelas
de Traumatismo Craniano (6%), Hidrocefalia (4%), Transtorno Global do Desenvolvi-
mento (2%) e Epilepsia (2%).

Instrumentos

Para a avaliação das habilidades cognitivas dos participantes, foi utilizada a bate-
ria SON-R 6-40 (Tellegen & Laros, 2014). O SON-R 6-40 é a versão revisada do SON-R
5½ -17, sendo a quinta versão dos testes SON. O instrumento é de aplicação individu-
al e pode ser administrado de forma não verbal, permitindo a avaliação de um espec-
tro relativamente amplo das funções cognitivas, independentemente das habilidades
de linguagem. Os quatro subtestes do SON-R 6-40 são: Analogias, Categorias, Mosai-
cos e Padrões.
Os subtestes do SON-R 6-40 podem ser divididos em dois tipos: testes de raciocínio
abstrato e concreto (Analogias e Categorias) e testes de raciocínio viso-espacial (Mo-
saicos e Padrões). Cada subteste é introduzido com dois ou mais itens de exemplo e
iniciado a partir dos primeiros itens da primeira série. Os itens do teste estão dispostos
em ordem crescente de dificuldade e há interrupção da série quando o sujeito comete
dois erros no total, não necessariamente consecutivos.
Além do SON-R 6-40, também foi utilizada uma escala de avaliação dos seguintes
aspectos: motivação, cooperação, concentração e compreensão das instruções. A esca-
la possui formato Likert e apresenta as seguintes pontuações, 1 (Muito baixa), 2 (Bai-
xa), 3 (Bom) e 4 (Muito bom). Além disso, a escala contém campos para observações
adicionais em cada um dos domínios avaliados. Também se obteve acesso às fichas
individuais dos participantes para o levantamento de informações adicionais, tais co-
mo: data de nascimento, local de residência, renda familiar e diagnóstico.

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Procedimento
A coleta de dados contou com a participação de dois aplicadores treinados. Todas
as aplicações ocorreram na instituição da qual o grupo faz parte. A seleção do grupo
foi feita a partir do critério da idade. A amostra dos sujeitos foi uma amostra de
conveniência. As aplicações do SON-R 6-40 foram realizadas em sessões únicas e in-
dividuais, com tempo médio de aplicação de 30 minutos. Para a testagem, os parti­
cipantes foram retirados das salas de aula e oficinas durante o período de
permanência na instituição.

Análise dos dados

Inicialmente foi realizada a transformação dos escores brutos do SON-R 6-40 em esco-
res normatizados. O escore total do teste (QI-SON) é expresso em uma escala padronizada
com M = 100 e DP = 15, enquanto os escores normatizados nos subtestes são expressos em
uma escala com M = 10 e DP = 3. As transformações dos escores foram realizadas usando
o CD versão 5.4 com a correção informatizada fornecida com a bateria SON-R 6-40. As
normas do SON-R 6-40 foram baseadas na amostra Holandesa junto com a amostra Ale-
mã (n = 1.933). Foram utilizadas essas normas uma vez que as normas brasileiras ainda
não estavam disponíveis. A normatização brasileira do SON-R 2½-7 [a] apresentou uma
diferença entre a população de normatização da Holanda e do Brasil de 16,7 na escala de
QI (100,15). Com base nesse achado foi realizada uma correção nos escores normatizados
do SON-R 6-40, aumentando 16,7 pontos para cada escore normatizado.
As análises exploratórias dos dados foram realizadas a fim de verificar a integrida-
de da base de dados. Dessa forma, foram feitas análises de frequência, normalidade
univariada, dados missing e outliers. Todas as análises foram realizadas com o softwa-
re SPSS, versão 20. O pressuposto da normalidade da distribuição dos escores no SON-
-R 6-40 foi verificado de acordo com os índices de assimetria e curtose (Miles & Shevlin,
2001). O critério para avaliar a assimetria e curtose foi adaptado de Miles e Shevlin: os
autores defendem que um índice de assimetria e curtose menor de que 2,00 geral-
mente não traz problemas à análise dos dados.
A análise da fidedignidade dos escores do teste foi feita a partir do coeficiente
Lambda 2 de Guttman. De acordo com Sijtsma (2012), a escolha desse coeficiente é
mais indicada para amostras pequenas ou instrumentos que contêm poucos itens. Pa-
ra as análises de correlação dos escores normatizados no SON-R 6-40 com as variáveis
afetivo-comportamentais avaliadas pelos examinadores durante a testagem foi utili-
zado o coeficiente de correlação bivariada r de Pearson.
Foi conduzida uma análise fatorial exploratória (AFE) a fim de verificar a dimensiona-
lidade do SON-R 6-40 e, ainda, obter evidências de validade de construto do instrumento
para a amostra estudada. Considerou-se o índice KMO (Kaiser Meyer Olkin) para verifi-
car se a matriz dos dados é passível de fatoração, de acordo com essa medida os valores
ideais de KMO giram entre 0,80 e 0,90, de modo que valores abaixo de 0,50 são conside-

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O SON-R 6-40 e deficiência intelectual

rados inaceitáveis (Pasquali, 2009). A significância do teste de esfericidade de Bartlett


também foi verificada, essa medida é bastante sensível ao tamanho da amostra, entre-
tanto pode ser considerada quando são observados menos de 5 casos por variável (Taba-
chnick & Fidell, 2007). O método utilizado foi a análise fatorial dos eixos principais
(Principal Axis Factoring, PAF) e para a rotação dos eixos foi utilizado o método Promax.
Na solução fatorial, foram desconsiderados os itens com cargas fatoriais abaixo de 0,32.

Resultados e discussão

Para a apresentação dos resultados, inicialmente são exibidas informações acerca


da distribuição dos escores dos participantes a fim de caracterizar a amostra. A média
do QI-SON para todo o grupo foi de 73,18 (DP = 2,08), com escores variando entre 72
e 80. Para os subtestes do SON-R 6-40, os escores normatizados variaram entre 1 e 5.
Do número total de participantes, 25 sujeitos (50%) atingiram o escore mais baixo de
55 e apenas 1 sujeito obteve o escore mais alto de 63. A Tabela 1 apresenta os valores
de média, desvio-padrão e amplitude para os escores brutos e normatizados obtidos
para os quatro subtestes e para o escore total do SON-R 6-40.

Tabela 1. Distribuição dos escores no SON-R 6-40 (N=50).


Distribuição dos escores brutos

Média (DP) Amplitude

Analogias 6,02 4,4 0 - 18

Mosaicos 3,26 3,18 0 - 11

Categorias 5,14 4,44 0 - 15

Padrões 2,82 3,05 0 - 11

Soma dos escores 17,24 15,07 2 - 48

Distribuição dos escores padronizados

Média (DP) Amplitude

Analogias 4.81 0,93 1-5

Mosaicos 4,51 0,48 1-3

Categorias 4,89 1,03 1-5

Padrões 4,59 0,49 1-3

QI-SON 73,18 2,08 72 - 80

Fonte: Elaborada pelos autores.

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Os subtestes Mosaicos e Padrões apresentam os escores padronizados mais baixos,


variando de um a três. Nesses dois subtestes são encontradas distribuições de escores
padronizados com maior nível de assimetria. Uma porcentagem considerável de sujei-
tos obteve escores padronizados iguais a 1, Mosaicos (86%) e Padrões (76%). Em todos
os subtestes, do número total da amostra 66% obtiveram escores de um e dois.
A relação entre o escore total normatizado no SON-R 6-40 (QI-SON) e as avaliações
de motivação, concentração, cooperação e compreensão das instruções, realizadas pe-
los aplicadores do teste foi investigada. Para tanto, foi utilizado o coeficiente de cor-
relação bivariada r de Pearson, considerando que as variáveis estão no nível intervalar
e atendem aos pressupostos de distribuição. Para as correlações foram calculados os
intervalos de confiança de 95%, adicionando informação ao valor p. A Tabela 2 apre-
senta a distribuição dos escores dos sujeitos para a avaliação dos aplicadores e respec-
tivas correlações com o QI-SON.

Tabela 2. Relação entre o QI-SON e a avaliação do aplicador (N=50).

Avaliação do Administrador Motivação Concentração Cooperação Compreensão *

Muito baixa - - 6% 3 - - 26% 13

Baixa 4% 2 8% 4 2% 1 14% 7

Bom 32% 16 36% 18 26% 13 34% 17

Muito bom 50% 25 36% 18 58% 29 12% 6

Correlação 0,21 0,39*** 0,33** 0,52***

Notas. * Compreensão das instruções; **Correlações significativas = p < 0,05; *** Correlações significativas= p < 0,01.

Fonte: Elaborada pelos autores.

A Tabela 2 apresenta que a maior parte dos sujeitos obteve a pontuação referente
a “muito bom” para cooperação (58%) e para motivação (50%). A avaliação dos apli-
cadores referentes à motivação e à cooperação pode ser um indicador da predisposi-
ção e aceitação dos participantes ante o material do teste e a situação de testagem.
Verifica-se, ainda, que em nenhum dos casos a motivação e cooperação dos sujeitos
durante a aplicação do SON-R 6-40 foram pontuadas como “muito baixas”. Entretan-
to, também observa-se que a variável Compreensão das Instruções é aquela que apre-
senta a maior porcentagem de sujeitos (26%) que pontuaram como “muito baixas”.
As análises de correlação apontaram uma relação de efeito pequeno e não signifi-
cativa entre a motivação e o QI-SON, r = 0,21, IC 95% [- 0,05, 0,44], p = 0,17. As corre-
lações entre cooperação e concentração com o QI-SON foram significativas e
representam um efeito médio, para a cooperação, r = 0,33, IC 95% [0,03, 0,57], p = 0,03

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e para a concentração, r = 0,39, IC 95% [0,10, 0,62], p = 0,01. Das quatro observações
feitas pelo aplicador, a compreensão das instruções demonstrou ser aquela que tem
maior associação com o desempenho no SON-R 6-40, r = 0,52, IC 95% [0,26, 0,71], p <
0,01. A correlação alta indica que a compreensão das instruções está significativamen-
te relacionada ao desempenho no SON-R 6-40.
Os resultados encontrados são semelhantes ao estudo de Tellegen & Laros (2014) com
crianças holandesas que apresentavam dificuldades severas no aprendizado (n = 57).
A associação entre o QI-SON e a motivação foi a mais baixa, r = 0,20, seguida por efeitos
médios para cooperação e concentração, r = 0,34 e r = 0,30. A correlação foi alta para a
compreensão das instruções, r = 0,62.
O mesmo padrão de associação entre a avaliação do aplicador e o desempenho no
SON-R 6-40 foi encontrado no estudo com a amostra de normatização alemã (n = 938).
Nesse estudo foi encontrada uma correlação significativa entre os escores de QI e a
compreensão das instruções r = 0,29, p < 0,01 (Tellegen & Laros, 2014). A amostra de
normatização brasileira do SON-R 2½-7 [a] também apresentou maior correlação en-
tre o QI-SON e compreensão das instruções, r = 0,44, p < 0,01 (Laros, Tellegen, Jesus, &
Karino, 2015).
A análise Fatorial Exploratória (AFE) foi conduzida a fim de verificar a estrutura
fatorial do SON-R 6-40. A partir da análise dos eixos principais (Principal Axis Facto-
ring, PAF) com a rotação Promax, verificou-se uma solução fatorial de dois fatores. Os
resultados da AFE podem ser observados na Tabela 3.

Tabela 3. Cargas fatoriais (CF) e a comunalidade média (h²) depois de Análise


Fatorial Exploratória do SON-R 6-40 (N = 50).

Subteste n itens CF Média h²

Analogias 12 0,33-0,66 0,46 0,25

Mosaicos 8 0,57- 0,79 0,67 0,38

Categorias 11 0,47-0,78 0,59 0,50

Padrões 8 0,34-0,87 0,66 0,45

Notas: CF = carga fatorial

Fonte: Elaborada pelos autores.

Os resultados da análise fatorial exploratória indicaram que a solução de 2 fatores


é capaz de explicar 40,80% da variância comum, esse valor pode ser considerado uma
medida de ajuste do modelo aos dados (Baglin, 2014). As cargas fatoriais para os qua-
tro subtestes do SON-R 6-40 variaram entre 0,33 e 0,87. A média das cargas fatoriais é

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mais alta para os subtestes Mosaicos (0,67) e Padrões (0,66). O primeiro fator apresen-
tado pela solução fatorial apresenta itens dos subtestes Mosaicos e Padrões e o segun-
do fator apresenta itens agrupados dos subtestes Categorias e Analogias. A correlação
entre os dois fatores encontrados foi de 0,33, resultado que confirma a escolha pela
rotação oblíqua dos fatores.
O primeiro fator, composto por itens dos subtestes Mosaicos e Padrões, está rela-
cionado ao raciocínio espacial e abstrato, pois as atividades desses subtestes envolvem
a análise visual e a manipulação do material do teste para a resolução da tarefa. En-
quanto o segundo fator, com itens dos subtestes Analogias e Categorias, está associa-
do ao raciocínio abstrato, pois os sujeitos devem aplicar a lógica observada para as
figuras ou imagens seguintes.
Na pesquisa brasileira de normatização do SON-R 2½-7 [a] também foi encontrada
uma solução fatorial com dois fatores. No SON-R 2½-7 [a], os escores nos subtestes
Mosaicos e Padrões formam uma escala de execução SON-EE, enquanto os subtestes
Analogias e Categorias formam uma escala de raciocínio SON-ER (Laros, Tellegen, Je-
sus & Karino, 2015).
De acordo com Hogan (2006), a fidedignidade dos escores também deve ser consi-
derada a fim de avaliar a validade de um teste, de modo que a fidedignidade pode ser
considerada como um prerrequisito para a validade. Assim, também foi verificada a
fidedignidade dos escores para os quatro subtestes do SON-R 6-40, para o QI total e
para os escores fatoriais obtidos a partir da solução fatorial. A fidedignidade dos esco-
res obtidos foi calculada por meio do índice lambda 2 de Guttman. A Tabela 4 apre-
senta os resultados da fidedignidade para os escores obtidos no SON-R 6-40.

Tabela 4. Índices de fidedignidade do SON-R 6-40.

SON-R 6-40: Escala geral e subtestes


Parâmetros Psicométricos
Analogias Mosaicos Categorias Padrões Escala geral

Número de itens 36 26 36 26 124

Consistência interna (λ2) 0,88 0,91 0,91 0,88 0,95

r média entre itens 0,25 0,37 0,30 0,35 0,18

r média item-total 0,46 0,57 0,51 0,55 0,41

Fonte: Elaborada pelos autores.

Na Tabela 4 são indicados valores altos para a fidedignidade dos escores no SON-R
6-40 (índices variaram de 0,88 a 0,95). Após encontrar uma solução fatorial composta

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por dois fatores – fator 1 (Mosaicos e Padrões) e fator 2 (Analogias e Categorias) –,


buscou-se verificar se há diferença significativa no desempenho nos dois fatores para o
sexo feminino e para o sexo masculino. Para tanto, foi realizado um teste t da diferença
entre os escores fatoriais no fator 1 e no fator 2 para homens e mulheres. Os resultados
indicaram uma diferença significativa entre homens (M = 46,06; DP = 33,9) e mulheres
(M = 22,8; DP = 20,71) no fator 1 t (48) = 2,92, p < 0,01. Entretanto, para o fator 2 a di-
ferença entre homens (M = 35,27; DP = 26,29) e mulheres (M = 43,68; DP = 25,06) não é
significativa t (48) = 1,15, p = 0,25. A diferença encontrada para homens e mulheres
encontra-se associada aos subtestes de execução Mosaicos e Padrões que compõem o
Fator 1 e avaliam aspectos do raciocínio viso-espacial.
As diferenças entre sexos relacionadas às habilidades cognitivas são mínimas para
escalas gerais do funcionamento mental. Entretanto, pode haver diferenças para esca-
las de habilidades cognitivas mais específicas. O raciocínio espacial destaca-se por apre-
sentar maiores escores para os homens do que para as mulheres (Hogan, 2006). Na
pesquisa de normatização do SON-R 6-40 para Alemanha e Holanda essa diferença tam-
bém foi verificada para o subteste Mosaicos (p < 0,05). Em pesquisa com crianças brasi-
leiras, Laros, Tellegen, Jesus, & Karino (2015) encontram diferenças significativas para o
subteste Categorias e para a Escala de Raciocínio (ER). Nesse último caso, as meninas
apresentaram escores significativamente mais altos do que os meninos, para a Escala de
Raciocínio (SON-ER), t = 1,98, p < 0,05 e para Categorias, t = 2,82, p < 0,01.
O principal objetivo desse estudo foi obter evidências da adequação do teste não
verbal de inteligência SON-R 6-40 para pessoas com deficiência intelectual. Para ava-
liar os resultados do presente estudo, foram considerados os princípios de construção
e desenvolvimento do SON-R 6-40. A prioridade na construção do SON-R 6-40 foi de
que o instrumento possa servir aos interesses das pessoas. Assim, aqueles que são sub-
metidos à testagem podem ter confiança de que a avaliação e o diagnóstico estão
voltados para o próprio bem-estar.
O segundo princípio está relacionado à acurácia da medida. Ao considerar que a
avaliação por meio da testagem culmina em resultados numéricos padronizados, é
necessário garantir que a medida seja a mais precisa possível. E, finalmente, o princí-
pio de que os resultados do teste devem ser colocados em perspectiva, o que implica
que, no processo de diagnóstico, outras fontes de informação precisam ser levadas em
consideração.
Os resultados do estudo oferecem indícios da adequação da utilização do SON-R
6-40 para a amostra estudada. É possível destacar que os escores obtidos no teste re-
fletem o comprometimento cognitivo abaixo da média populacional, característico da
deficiência intelectual. Essa informação é um critério fundamental para a realização
do diagnóstico. Os resultados também apontam para valores adequados e satisfató-
rios da precisão dos escores obtidos no teste. As avaliações de motivação e cooperação
para a realização da testagem foram positivas nesse estudo, entre 50% e 58% da
amostra pontuou como “muito bom” nesses critérios.

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É importante considerar que o SON-R 6-40 apresenta uma série de características


que garantem que a testagem ocorra de maneira mais suave, dentre elas: o aspecto
não verbal da testagem, o procedimento adaptativo, o fornecimento de feedback e a
atratividade do material. No caso de amostras especiais, como na deficiência intelec-
tual, essas características garantem a administração de itens cuja dificuldade corres-
ponde ao nível de desenvolvimento cognitivo dos sujeitos e também permite que
durante a aplicação o examinador trabalhe com o intuito de dar feedbacks que enco-
rajem e motivem o examinando durante o processo.
As limitações deste estudo estão relacionadas ao número restrito de participantes,
a utilização de apenas uma medida de avaliação das habilidades cognitivas e a faixa
etária trabalhada. Para estudos futuros com amostras de pessoas com deficiência inte-
lectual destaca-se a importância de trabalhar com um número maior de participantes,
a fim de aumentar a variabilidade dos resultados. O uso de instrumentos disponíveis
para uso profissional também é uma alternativa viável para estudos de evidências de
validade convergente e comparação entre o desempenho de pessoas com deficiência
intelectual em testes verbais e não verbais de inteligência.

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Submissão: 2.12.2015
Aceitação: 20.6.2017

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