0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações256 páginas

Impacto da Tecnologia da Informação

O documento aborda a importância dos sistemas de computação e informação nas organizações, destacando a necessidade de dados e informações para a tomada de decisões. Ele é dividido em quatro unidades que cobrem tecnologias da informação, classificação de sistemas computacionais, desenvolvimento de sistemas e gestão do conhecimento. O autor enfatiza que o uso eficiente da informação é crucial para a competitividade das organizações modernas.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
51 visualizações256 páginas

Impacto da Tecnologia da Informação

O documento aborda a importância dos sistemas de computação e informação nas organizações, destacando a necessidade de dados e informações para a tomada de decisões. Ele é dividido em quatro unidades que cobrem tecnologias da informação, classificação de sistemas computacionais, desenvolvimento de sistemas e gestão do conhecimento. O autor enfatiza que o uso eficiente da informação é crucial para a competitividade das organizações modernas.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Sistemas de computação

e de informação

Ruy Flávio de Oliveira


Luiz Augusto Arruda Costa
© 2016 po r Edito ra e Distribuido ra Edu cacio n al S.A.
To do s o s dire ito s re servado s. Ne n h um a parte desta publicação po derá se r re pro du zida o u tran sm itida de qualque r
m o do o u po r qualqu er o utro m e io , e le trô n ico o u m e cânico , in clu in do fo to có pia, gravação o u qu alque r o u tro tipo
de siste m a de arm aze n am e nto e transm issão de in fo rm ação , sem pré via au to rização, po r e scrito, da Edito ra e
Distribu ido ra Edu cacio nal S.A.

Pre side n te
Ro drigo Galindo

Vice - Pre sid e n te Acad ê m ico d e Gra du a ção


Mário Ghio J ún io r

Co n se lh o Acad ê m ico
Die te r S. S. Paiva
Cam ila Cardo so Ro te lla
Em an u e l San tan a
Albe rto S. San tan a
Re gin a Cláu dia da Silva Fio rin
Cristian e Lisan dra Dan na
Danielly Nun e s An drade No é

Pa re ce rista
Ru y Flávio de Olive ira
J ulian a Sch iave tto Dau ricio

Edito raçã o
Em anu e l San tan a
Cristian e Lisan dra Dan n a
An dré Au gusto de An drade Ram o s
Dan iel Ro gge ri Ro sa
Adilso n Braga Fo n te s
Dio go Ribe iro Garcia
e GTB Edito ra

Da d o s In te rn a cio n a is d e Ca ta lo g a çã o n a Pu b lica çã o (CIP)

Olive ira, Ru y Flávio d e


O48s Siste m as d e co m p u tação e d e in fo rm ação / Ru y Flávio de
Olive ira, Lu iz Au gu sto Arru da Co sta. – Lo n drin a : Edito ra e
Distribu ido ra Edu cacio n al S.A., 2016.
252 p.

ISBN 978-85-8482-453-3

1. Siste m as d e tran sm issão de d ado s. 2. Re de s de


co m pu tado re s. 3. Te cn o lo gia da in fo rm ação. I. Co sta, Lu iz
Au gu sto Arru da. II. Títu lo.

CDD 0 0 5

2016
Editora e Distribuidora Educacional S.A.
Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza
CEP: 86041- 100 — Londrina — PR
e- mail: [Link]@[Link]
Homepage: http:/ /[Link]/
Sumário

Un id a d e 1 | Tecnologia da informação e comunicação no ambiente 7


organizacional

Seção 1.1 - Im portância da in form ação 9


Seção 1.2 - Papel e valor da inform ação 23
Seção 1.3 - Contextualização sobre a tecn ologia da inform ação 37
Seção 1.4 - Panoram a sobre a tecnologia da inform ação 51

Un id a d e 2 | Cla ssi ca çã o d o s siste m a s co m p u ta cio n a is 67

Seção 2.1 - Con ceitos gerais sobre sistem as com putacionais


Fundam entos e estrutura geral de um sistem a de com putação 69
Seção 2.2 - Classificação sobre os sistem as com putacionais
Principais classificações e características dos sistem as com putacionais 81
Seção 2.3 - Fun dam entos gerais sobre sistem as de inform ação
Classificação e características dos sistem as de inform ação 95
Seção 2.4 - Im pacto da internet n os sistem as de inform ação
A evolução dos sistem as de inform ação com a in ternet 109

Un id a d e 3 | Tecnologias de desenvolvimento de sistemas 125

Seção 3.1 - Fundam entos gerais sobre desenvolvim ento de sistem as 127
Seção 3.2 - Classificações e tipos de linguagens de program ação 143
Seção 3.3 - Principais tipos de sistem as gerenciadores de banco de
dados 159
Seção 3.4 - Ferram entas CASE 177

Un id a d e 4 | Ge stã o d a in fo rm a ç ã o e d o co n h e c im e n to 191

Seção 4.1 -Gestão da inform ação e do conhecim ento 193


Seção 4.2 - Business In telligence 205
Seção 4.3 - ETL, Data Warehouse e Data Marts 219
Seção 4.4 - OLAP e Data Minin g 231
Palavras do autor

Nos dias atuais, boa parte das atividades executadas pelas pessoas está de alguma
forma relacionada com o uso de dados e de informações geradas por esses dados, por
exemplo, a qualidade das informações geradas por uma pesquisa realizada no Google
depende muito dos dados fornecidos e disponíveis na web. Além disso, as organizações
modernas precisam de dados e informações para a tomada ágil de decisões.
Não adianta uma organização ter milhares de dados e informações se ela não
consegue utilizá-los da maneira apropriada, o que acontece com muitas organizações
que acabam se perdendo, devido à falta de planejamento e de estratégias de
armazenamento dos dados. O uso de computadores não é mais um privilégio das
grandes empresas! É bem provável que aquele caderno de receitas de sua mãe, avó
ou tia esteja sendo trocado por um computador ou tablet!
Esta disciplina pretende mostrar a importância da informação nos processos
organizacionais e como podemos tratar todos esses dados e informações de uma
maneira adequada e segura, permitindo que uma organização se torne altamente
competitiva. O uso intensivo da internet na maioria das atividades empresariais e
a agilidade que se exige nos negócios obrigam as empresas serem cada vez mais
eficientes no uso de seus dados e informações.
Sendo assim, é muito importante que o aluno desenvolva uma rotina de autoestudo
para que possa assistir às aulas e aproveitar ao máximo esse momento de ensino-
aprendizagem, possibilitando um debate de alto nível com seus colegas e professores.
Seja bem-vindo e mergulhe com paixão neste maravilhoso mundo da informática!

Este livro é composto por quatro unidades:


Unidade 1: Tecnologias da informação e comunicação no ambiente
organizacional
Unidade 2: Classificação dos sistemas computacionais
Unidade 3: Tecnologias de desenvolvimento de sistemas
Unidade 4: Gestão do conhecimento

Unidade 1
Nesta unidade, serão apresentados os principais conceitos das tecnologias de
informação, apresentando um histórico da evolução e um cenário das diversas
tecnologias da informação atualmente em uso pelas organizações.

Unidade 2
Nesta unidade, serão apresentados os principais sistemas computacionais e como
são estruturados. Serão apresentados, também, os principais tipos de equipamentos de
computação atualmente em uso e o impacto da internet nos sistemas de informação.

Unidade 3
Nesta unidade, serão apresentados os principais conceitos e ferramentas de
desenvolvimento de sistemas, as linguagens de programação utilizadas e os sistemas
de gerenciamento de bancos de dados.

Unidade 4
Nesta unidade, serão apresentados os principais conceitos de gestão do
conhecimento e de sua importância nas organizações. Você verá os conceitos de
inteligência artificial, big data, cloud com puting e as principais técnicas, ferramentas e
algoritmos de tratamento de grandes bancos de dados.
Unidade 1

TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO E
COMUNICAÇÃO NO
AMBIENTE ORGANIZACIONAL

Convite ao estudo
Muitas vezes, os alunos perguntam: “Por que é necessário estudar
sistemas de computação e de informação?”. A resposta é muito simples:
Os sistemas de computação e de informação estão presentes em boa parte
das atividades realizadas pelas pessoas em uma organização. E podemos
afirmar, ainda, em boa parte das nossas atividades diárias.

Com o conteúdo que estudaremos na Unidade 1, você será capaz de


conhecer e compreender as principais tecnologias relacionadas à informação
e à comunicação, que ocorre pelo uso dos sistemas de informação. Nesse
sentido, a seguir apresentamos os objetivos de aprendizagem desta unidade de
ensino. São eles:

1. Entender a importância da informação nas atividades pessoais e


profissionais.

2. Conhecer as estratégias de coletas de dados que são utilizadas para


gerar informações.

3. Conhecer a evolução das tecnologias de informação que são utilizadas


nas atividades profissionais e pessoais.

4. Conhecer o cenário das tecnologias da informação disponíveis e o seu


futuro.

No intuito de aproximar o conteúdo estudado, ou seja, a teoria e seus


conceitos, com as práticas do mercado de trabalho, vamos trabalhar com a
seguinte situação que visa estreitar essas relações: Sebastião possui uma pequena
loja de autopeças, com 5 funcionários, a qual tem tido problemas para atender
aos seus clientes pela constante falta de peças. Atualmente, a loja não possui
nenhum tipo de sistema informatizado. Todos os controles são manuais e são
U1

registrados em um pequeno caderno. Mas, frequentemente, os funcionários


acabam esquecendo de fazer os devidos registros, o que dificulta todo o
controle do estoque. Preocupado com a situação, Sebastião resolve contratar
uma empresa de informática para desenvolver um sistema que possibilite o
controle total do estoque da loja.

Seja bem-vindo! Os conceitos desta unidade são fundamentais para que


você consiga compreender a importância da informação nas atividades
profissionais e pessoais e ajudar Sebastião a solucionar o problema no controle
total do estoque da loja. Nos dias atuais, o acesso às informações não é mais um
privilégio de grandes organizações. Descubra como a tecnologia da informação
pode melhorar a sua produtividade e também o seu lazer.

8 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Seção 1.1

Importância da informação

Diálogo aberto

Seja bem-vindo!
Nesta seção, vamos abordar alguns conceitos básicos que são fundamentais para
entender a diferença entre dado e informação e como são utilizados nos sistemas
de informação. A seção 1.1 possibilitará a você, aluno, conhecer e compreender as
principais tecnologias relacionadas à informação e à comunicação, bem como
entender a importância da informação nas atividades pessoais e profissionais.
A partir desta seção, você descobrirá como identificar os dados importantes para
serem utilizados nos sistemas de informação, além de evidenciar a sua importância
para auxiliar nas tomadas de decisão e nos processos produtivos em geral. Isso significa
que, em todas as áreas do conhecimento e de mercado, os sistemas estão presentes e
a necessidade de ter acesso rápido à informação é cada vez maior.
Nesse sentido, para resolver a situação da loja de autopeças que estamos
trabalhando, a primeira ação a ser realizada pela empresa de informática que foi
contratada por Sebastião é determinar quais são os dados importantes a serem
considerados para a primeira etapa de identificação das necessidades de controle e
acesso a informações que a loja requer. Além disso, quais são as informações que ele
pretende obter com a implantação de um sistema.
Sendo assim, identifique quais são os dados que precisam ser levantados e que
tipo de informações são fundamentais para atender aos requisitos de atendimento aos
clientes. Lembre-se de que um dos motivos que levaram à implantação de um sistema
que permita o controle de estoques é a disponibilização de peças e a sua respectiva
reposição, objetivando maximizar as vendas com o controle dessas informações.

Bons estudos!

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 9


U1

Não pode faltar

Estamos todo o tempo consultando dados e informações. A previsão do tempo


que você consulta no seu smartphone é apenas uma das informações que você
busca ao longo do dia. Para gerar essa informação, muitos dados foram analisados
e relacionados com o uso de diversos sistemas de computação e informação. O
Facebook, por exemplo, utiliza uma quantidade imensa de dados para analisar e
retornar para você uma relação de pessoas que você talvez conheça.

Observe os sistemas de compras eletrônicas, que exigem um grande poder de


computação e tratamento de dados. Imagine grandes empresas que vendem pela
internet fazerem os seus controles de pedidos e estoques manualmente. Isso é
praticamente impossível nos dias atuais. Com certeza, muitas pessoas iriam receber
produtos errados e os prazos de entrega seriam muito longos.

O que é dado?

Dado é uma representação simbólica, bruta e desprovida de significado. Pode


ser número, letra, caractere, som, nome, data, figura, símbolo, temperatura, pressão,
umidade, etc. Podemos dizer que os dados são a principal matéria-prima dos sistemas
de informação. São coletados dos mais diversos tipos de fontes, como instrumentos,
pesquisas, eventos, observações, etc. (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

A seguir, temos um gráfico que contabiliza os dados coletados no Brasil nos anos
2000 e 2010 sobre trabalho infantil.

Figura 1.1: Quantidade de trabalhadores com idade entre 10 e 17 anos, nos anos 2000 e
2010

4.000.000

3.000.000

2.000.000

1.000.000

0
Brasil Norte Nordeste Sudeste Sul Centro- Oeste
2000 2010

Fonte: IBGE(2015).

10 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

A simples observação deste gráfico nos permite gerar a informação de que o


número de trabalhadores com idade entre 10 e 17 anos diminuiu no ano de 2010
em comparação com o ano 2000, analisando-se os dados do país. Mas também
nos permite observar que, nas regiões Norte e Centro-Oeste, não houve alteração
dos dados.

Reflita

Dados são coletados dos mais diversos tipos de fontes, como livros,
revistas, jornais, relatórios, discos, instrumentos musicais, pesquisas,
eventos, observações, e inclusive de diversos equipamentos e
instrumentos industriais. Procure sempre identificar os dados que são
realmente fundamentais para gerar informações.

O que é informação?

Informação é o que se obtém com algum tipo de processamento de dados. Uma


informação somente será obtida se dados puderem ser relacionados (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012). Por exemplo, as análises dos dados obtidos de um censo demográfico
podem gerar informações sobre a população como:

– quantas pessoas possuem mais de 60 anos;

– quantas mulheres tem mais de 2 filhos; e

– quantas pessoas possuem nível superior.

Para obter essas informações, os dados são contabilizados e analisados por


sistemas de computação. Observe o exemplo da Figura 1.2 a seguir.

Figura 1.2: Pesquisas no Google sobre tablets e notebooks

Fonte: Google Trends (2015).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 11


U1

No quadro da Figura 1.2 é possível observar informações geradas pelo Google


Trends sobre pesquisas realizadas sobre tablets e notebooks. É possível observar que
a partir de 2011 o interesse por tablets tem um crescimento muito acentuado e que
o interesse por informações relacionadas sobre notebooks está em queda, o que
confirma as previsões dos analistas de que os tablets deverão substituir os notebooks
em muitas aplicações.

Uma informação pode ser gerada por meio de gráficos, cálculos, tabelas, sons,
textos, etc. Com a evolução da tecnologia da informação, as empresas começaram
a racionalizar os seus sistemas de trabalho, com a utilização de computadores em
suas principais atividades, reduzindo a duplicação de dados para evitar conflitos de
informações. Atualmente, com a interligação dos computadores em redes, os diversos
departamentos de uma empresa podem compartilhar informações que são geradas
por dados armazenados em um único banco de dados centralizado.

Exemplificando

Um bom exemplo de geração de informação é quando adquirimos


um determinado livro em um sistema de compras eletrônicas. Você já
observou que, após a escolha do livro, sempre surgem indicações do tipo:
pessoas que compraram este livro também adquiriram tais livros. Com
base na análise do tipo do livro escolhido, o próprio sistema identifica que
o cliente pode ser um potencial cliente para outro livro do mesmo assunto.

Assimile

Uma pesquisa difundida pelo IBOPE afirma que 47% dos entrevistados
disseram preferir a web para se informar (a média mundial é de 45%)
(TECMUNDO, 2015).

Apesar de ser uma grande fonte de informações, a web não deve ser
a única fonte de informações utilizadas em suas pesquisas. Existem
muitos sites de alta qualidade (principalmente os sites de universidades
e institutos de pesquisas), mas, também, existem muitas informações
de má qualidade e com erros muito grosseiros na web. Portanto,
fique atento!

12 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

O que é sistema de informação?

Um sistema de informação pode ser entendido como um conjunto de elementos


que coletam, processam, armazenam e distribuem informações, de forma organizada
e coordenada, para auxiliar na tomada de decisões. Quando pensamos em sistema
de informação, inicialmente nos vem à mente algo realizado por computadores, no
entanto, a geração de informações pode ser realizada manualmente. O que ocorre,
principalmente nas grandes empresas, é a dificuldade de manipular tantos dados e
informações, com agilidade e confiabilidade, de forma manual. Portanto, o uso de
computadores se tornou imprescindível para a competitividade das empresas. Isso
não impede que dados obtidos manualmente possam ser inseridos e integrados em
um Sistema de Informação.

Um sistema de informação tem como objetivo a coleta, processamento,


armazenamento e distribuição de informações com finalidades práticas, de forma
clara e objetiva, para o apoio à tomada de decisões. Todas as informações geradas
devem ser atualizadas e confiáveis. Informações desatualizadas e incorretas podem
trazer grandes prejuízos a uma organização.

Compreender o impacto direto que as informações têm sobre os resultados de


faturamento de uma empresa é fundamental para todos os colaboradores. A agilidade
no mundo dos negócios é fundamental para o sucesso empresarial. Sendo assim,
administração de informações, como vendas, entregas, estoques e consumo de
matérias-primas pode levar uma empresa a um grande sucesso ou a um grande
fracasso (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Figura 1.3: Quadro de informações de partidas e chegadas de aeroportos

Fonte: Freeimages (2015).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 13


U1

No quadro da Figura 1.3, é possível observar as informações geradas pelo sistema


de informação de um aeroporto, sobre partidas e chegadas de voos. Esse é um caso
típico de sistema de informação.

Entre os principais objetivos da utilização dos sistemas de informação, podemos citar:

• Geração de informações estratégicas e específicas para os departamentos de


uma empresa.

• Geração de informações de utilidade pública.

• Confiabilidade na manipulação dos dados.

• Agilidade na geração de informações (SILVA, 2014).

Exemplificando

Um grande exemplo da aplicação de um sistema de informação é o sistema


de folha de pagamentos. Imagine uma empresa com 1000 funcionários.
Se os cálculos de cada funcionário forem realizados manualmente, a
possibilidade de erros pode ser muito grande. Além do grande tempo
necessário para gerar todos os comprovantes de pagamento. Com o uso
do computador, esse tipo de operação pode ser realizado em apenas
alguns minutos.

Saiba mais
A quantidade de informações fornecidas por um carro de Fórmula 1durante
uma volta é tão grande que exige pessoal qualificado para interpretar e
utilizar estas informações durante a corrida. Informações do carro, das
condições da pista e dos demais competidores, são utilizadas para prever
o melhor momento para fazer o pit stop, considerando também quando
os outros times o farão (TECMUNDO, 2015).

O que é tecnologia da informação?

Também conhecida como TI, podemos dizer que tecnologia da informação


representa todos os componentes de hardware e software de um sistema
computacional (O’BRIEN, 2011). Nesse momento, não se preocupe com os termos
hardware e software, pois esses conceitos serão apresentados com detalhes na
Unidade 2. Observe na Figura 1.4 alguns benefícios da TI:

14 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Figura 1.4: Funções de negócio que recebem os maiores benefícios da TI (%)

0 10 20 30 40 50 60 70

Atendimento ao consumidor 70%

Finanças 51%

Vendas e marketing 42%

Operações de TI 39%

Gerenciamento de operações 31%

RH 17%

Segurança 17%

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

A TI forma toda a infraestrutura de base necessária para geração das informações


de um sistema de informação de uma organização. O departamento de TI de uma
organização é considerado um departamento altamente estratégico para o sucesso
de suas atividades. É um departamento que necessita de altos investimentos e
de equipamentos com alta capacidade de processamento. O papel principal da
tecnologia da informação, em sua maior parte, é dar todo o suporte às estratégias
e aos processos de uma organização. Observe na Figura 1.5 como as empresas
“enxergam” o uso das tecnologias da informação (BALTZAN; PHILLIPS, 2012):

Figura 1.5: Metas do projeto da tecnologia da informação (%)

0 10 20 30 40 50 60 70 80 00

Reduzir custos/ Melhorar a produtividade 81%

Melhorar a satisfação/ Fidelidade do consumidor 71%

Criar uma vantagem competitiva 66%

Gerar crescimento 54%

Otimizar a cadeia de suprimentos 37%

Expansão global 16%

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 15


U1

Faça você mesmo

Faça uma revisão dos conceitos apresentados (dados e informação). Eles


são fundamentais para a compreensão de um sistema de informação.

Pesquise mais

BALTZAN, Paige; PHILLIPS, Amy. Sistemas de Informação. Porto Alegre:


AMGH, 2012, p. 369.

O'BRIEN, James A. Sistemas de informação e as decisões gerenciais na


era da internet. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011, p. 316.

STAIR, Ralph M. Princípios de sistemas de informação. São Paulo:


CENGAGE, 2015, p. 752.

Sem medo de errar


Agora que os conceitos básicos já foram aprendidos, vamos resolver a situação-
problema 1:

Passo 1: relacionar os dados que serão importantes para o sistema a ser desenvolvido.

Esse é um passo muito importante para o desenvolvimento de um sistema de


informação. Os dados são os principais elementos que permitem a obtenção de
informações importantes. Procure relacionar apenas os dados que realmente sejam
importantes para a geração de informações. Se você não puder identificar todos os
dados importantes neste momento, não se preocupe. À medida que você adquirir
experiência, sua capacidade de identificar os principais dados vai se aprimorar.

No nosso exemplo, a equipe de desenvolvimento da empresa contratada, após


reunir-se com o proprietário da loja de autopeças, concluiu que os dados que precisam
ser coletados são:

16 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

• Código da peça.

• Descrição da peça.

• Custo da peça.

• Preço de venda da peça.

• Fornecedor da peça.

• Quantidade de peças em estoque.

• Quantidade mínima da peça para estoque.

Atenção!

Neste momento, ainda não precisamos nos preocupar com os tipos dos
dados. Esse é um assunto que será tratado mais tarde na Seção 1.2.

Lembre- se

Podemos dizer que os dados são a principal matéria-prima dos sistemas


de informação.

Reflita

Será que todos os dados importantes foram considerados? Será que


toda aplicação de controle de estoque utiliza os mesmos dados? Troque
ideias com seus colegas e com seu professor.

Atenção!

Certifique-se de que você identificou todos os dados necessários para


o desenvolvimento do sistema. Como sugestão, imagine que tipo de
informação o sistema deverá gerar e verifique se os dados coletados são
suficientes para gerar as informações. Isto não impede que novos dados
possam ser adicionados futuramente, mas isto implica, muitas vezes, em
custos adicionais.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 17


U1

Passo 2: relacionar as informações que deverão ser geradas pelo sistema


informatizado, para atender aos requisitos dos clientes

Um sistema de informação permite a geração de uma enorme quantidade de


informações e relatórios (que podem ser impressos ou apenas apresentados na tela
do computador). Nesse momento, a sugestão é focar nas principais informações
que poderão ajudar no desempenho da atividade comercial. Mesmo porque,
quanto mais complexo for o sistema, maior será o custo de desenvolvimento e
implementação dele.

Com os dados em mãos, a equipe de desenvolvimento sugeriu que, inicialmente,


a loja deveria ter três tipos de relatórios para permitir uma gestão eficiente do negócio:

• Relatório de peças vendidas, com quantidade: esse relatório vai permitir


identificar as peças mais vendidas (dia, mês, ano).

• Relatório de total faturado (dia, mês, ano): este relatório vai permitir o controle
do faturamento e possibilitar o planejamento de investimentos da loja.

• Relatório das peças que atingiram o estoque mínimo: esse relatório vai permitir
um controle mais eficiente do estoque, reduzindo a falta de peças. Quando o estoque
atingir o valor mínimo de estoque programado, o sistema vai emitir, no final do dia, a
relação das peças que precisam ser repostas no estoque.

Atenção!

Focar apenas nas informações realmente necessárias no momento.


Deixe para implementar recursos mais sofisticados quando seu sistema
já estiver em uso, o que permitirá a você identificar o que realmente
precisa ser melhorado.

Quanto mais complexo for um sistema, mais custoso ele se torna, além
de demorar muito tempo para ser posto em uso.

Muitos sistemas acabam sendo abandonados durante o seu


desenvolvimento, devido à falta de planejamento adequado de sua
implementação. A melhor opção é informar a equipe de desenvolvimento
sobre suas pretensões para que ela possa desenvolver o sistema de
forma modular, mas preparado para a inclusão de novas funcionalidades.
Acredite, os especialistas estão preparados para isso!

18 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Faça você mesmo

Crie uma nova situação para o controle do estoque de uma farmácia.


Será que os dados serão os mesmos? Quais informações poderiam ser
importantes para o proprietário da farmácia no que tange o controle por
meio de um sistema de informação?

Saiba mais

Assista à palestra a seguir:

TED. The dark side of data (O lado negro dos dados: com legendas em
português). Disponível em: <[Link]
dark_side_of_data>. Acesso em: 8 out. 2015.

Pesquise mais
PRADO, Edmir Parada Vasques; SOUZA, Cesar Alexandre de. Fundamentos
de sistemas de informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014, p. 300.

SILVA, Nelson Peres da. Análise e estruturas de sistemas de informação.


2. ed. São Paulo: Érica, 2014, p. 170.

Avançando na prática

Pratiq u e m a is
In stru ção
Desa am o s vo cê a praticar o que apre ndeu , tran sfe rin do se us co n he cim en to s para n o vas situaçõ es
que po de e n co n trar no am bie nte de trabalh o. Re alize as atividades e de po is co m pare - as co m as de
se us co legas.

“Id e n ti ca n d o d a d o s p ara d e se n vo lvim e n to d e u m siste m a d e in fo rm açã o”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d am e n to s Co n he ce r e co m pre e nder as prin cipais te cn olo gias
d e Áre a relacio n adas à in fo rm ação e à co m u nicação.
En ten de r a im po rtân cia da info rm ação n as atividades pe sso ais
2. Ob je tivo s d e ap re n d iza g e m
e pro ssio n ais.
Co n te xtualização so bre a im po rtância da in fo rm ação para
3. Co n te ú d o s re la cio n ad o s
u m a o rgan ização n o am bie nte glo bal.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 19


U1

Em um pequeno superm ercado de bairro, identi que quais


4. De scriçã o d a SP são o s principais dados que precisam ser coletado s para o
desenvolvim ento de um sistem a de info rm ação.
Em um su pe rm e rcado , po de m o s co n siderar co m o dado s
prin cipais:
• Có digo do pro duto.
• De scrição do pro duto.
• Cu sto do pro duto.
• Pre ço de ve n da do pro duto.
5. Re so lu çã o d a SP • Fo rn ecedo r do pro duto .
• Quan tidade do pro duto em e sto que .
• Quan tidade m ínim a do pro du to para esto qu e.

No caso do supe rm e rcado, o utro dado im po rtante tam bé m :


• Data de validade do pro du to .

Lembre- se

Muitos sistemas de informação específicos (por exemplo: controle de


estoque) possuem uma estrutura de dados muito semelhante, o que
não significa que todos sejam capazes de serem atendidos por um
único sistema. Cada cliente possui particularidades, que a equipe de
desenvolvimento deverá estar preparada para atender.

Faça você mesmo

Visite um pequeno supermercado e observe que dados são coletados


quando você passa no caixa e procure identificar que tipo de informação
estes dados estão gerando e compare com os dados considerados no
exemplo anterior.

Faça valer a pena!

1. Por que os estudantes precisam estudar sistemas de computação


e informação?

a) Os sistemas de computação e informação são importantes para poder


“surfar” na web.
b) Os sistemas de computação e informação são importantes para quem
trabalha com TI.

20 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

c) Os sistemas de computação e informação são usados somente por


especialistas de TI.
d) Os sistemas de computação e informação são importantes somente
para quem trabalha com TI.
e) Os sistemas de computação e informação estão presentes em boa
parte das atividades realizadas pelas pessoas em uma organização e em
boa parte das nossas atividades diárias.

2. Que tipo de competências podem ser adquiridas com o estudo de


sistemas de computação e informação?

a) Entender os conceitos de dados, informações, sistemas de


informação e tecnologia da informação.
b) Executar serviços de manutenção de equipamentos como
computadores e impressoras.
c) Executar serviços profissionais de fotografia utilizando- se
máquinas digitais.
d) Acessar sistemas de bancos sem passar pelos sistemas de segurança.
e) Realizar compras pela internet.

3. Por que o departamento de TI é considerado estratégico para


uma organização?

a) Porque tem armazenados muitos dados sigilosos.


b) Porque permite gerar informações importantes para a tomada
de decisões.
c) Porque trabalha com computadores.
d) Porque possui os profissionais mais estratégicos de uma organização.
e) Porque registra todas as informações disponíveis da organização.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 21


U1

22 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Seção 1.2

Papel e valor da informação

Diálogo aberto

Nesta seção, vamos abordar as metodologias de coletas de dados que são utilizadas
para gerar informações. Você descobrirá como registrar os dados importantes para
serem utilizados nos sistemas de informação e como tratá-los com segurança. As
informações são geradas por meio da manipulação dos dados obtidos de uma
aplicação de banco de dados, que, por sua vez, são utilizados como fonte para
transformar esses dados em informação.
A qualidade de um sistema de informação está diretamente ligada à qualidade dos
dados utilizados, portanto, os dados precisam ser confiáveis para que possam gerar
informações confiáveis. Uma das grandes vantagens de um sistema de informações
que utiliza computadores é a possibilidade de coletar os dados de forma automática,
evitando erros de digitação.
É importante registrar que o uso de computadores em um sistema de informações
não garante que estas informações geradas sejam confiáveis. O processo de geração
de informações depende também de outros fatores relacionados ao desenvolvimento
do software que manipula todos os dados.
Após analisar os dados que precisam ser levantados, e as informações desejadas
pelo cliente, a equipe de informática da empresa contratada começou a estudar as
estratégias de coleta dos dados e a estruturação de todo o software que vai fazer o
controle da loja. Para isso, a equipe de informática vai se reunir com o proprietário
da loja para sugerir que recursos e informações serão disponibilizados para que haja
um controle de estoque adequado de forma a atender as demandas. Com isso, a
sua principal atividade será identificar quais são os tipos de recursos e informações
que devem ser observados pela empresa de informática e, assim, iniciar a análise dos
requisitos desse sistema.
A seção 1.2 possibilitará a você, aluno, atendendo ao objetivo de aprendizagem
desta aula, conhecer as metodologias de coletas de dados e as estruturas de dados
que são utilizadas para gerar informações.
Bons estudos!

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 23


U1

Não pode faltar

A tecnologia da informação, também conhecida como TI, apesar de utilizar


intensamente computadores e equipamentos de alta tecnologia, precisa de
profissionais talentosos para planejamento e desenvolvimento dos sistemas de
informação. Um sistema de informação mal planejado pode trazer grandes prejuízos
a muitas organizações.

O sucesso de um negócio depende das metodologias e tecnologias utilizadas para


coletar dados e gerar informações para apoiar a tomada de decisões.

A grande maioria dos profissionais em nível de gerência entende muito bem os


processos que estão envolvidos no seu negócio, mas, frequentemente, ficam perdidos
quanto à utilização dos recursos de TI de forma eficaz. Os profissionais que entendem
o poder da tecnologia da informação e o que ela é capaz de proporcionar com
certeza estarão melhor preparados para enfrentar os desafios em busca do sucesso.
O sucesso de um negócio está apoiado em três recursos fundamentais (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012), como podemos observar na Figura 1.6:

Figura 1.6: A relação entre pessoas, informações e TI

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

Esses três recursos (pessoal, informação e TI, nessa ordem de prioridade) são
indispensáveis para o sucesso de uma organização. Se um falhar, todos falham
(BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

A cultura de uma organização desempenha um papel fundamental de como ela


irá compartilhar as informações entre os seus colaboradores, clientes e sociedade.

24 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

A maneira como as pessoas utilizam as informações refletirá a importância que os


líderes da organização atribuem ao uso das informações para alcançar o sucesso ou
para evitar o fracasso (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

As metodologias para coletas de dados

Desenvolver um sistema de informação é como construir uma casa. Você pode


deixar essa tarefa por conta de outras pessoas, com a esperança de que a casa
satisfaça todas as suas necessidades, entretanto, participar do processo de construção
pode ajudar a garantir que as suas necessidades sejam atendidas, conforme suas
especificações. Portanto, recomenda-se que aqueles que estejam diretamente ligados
aos processos que farão uso das informações estejam envolvidos no desenvolvimento
dos sistemas, como principais interessados.

Os elementos que são necessários para o desenvolvimento de um sistema de


informação nem sempre estão à disposição de forma clara e objetiva. É indispensável
encontrar estes elementos, seguindo uma metodologia de coleta de informações,
permitindo um trabalho ordenado, disciplinado e bem planejado. O sucesso no
desenvolvimento de um projeto de um Sistema de Informações depende de um
levantamento investigativo e cuidadoso de dados e informações, rigorosamente
planejado com antecedência, de forma que o desenvolvimento não seja prejudicado
por falhas nas coletas de dados.

Considerando que se trata de uma fase altamente investigativa, as metodologias


mais importantes para a coleta de informações sobre o sistema atual são:

• Seminários e questionários.

• Observações pessoais e entrevistas.

• Pesquisas: arquivos, manuais de procedimentos, registros de informações


existentes, etc.

A aplicação dessas metodologias dificilmente é realizada de forma isolada, já que,


na maioria das vezes, são metodologias complementares para a identificação dos
dados e informações relevantes ao sistema (SILVA, 2014).

Estruturas de dados

Para que seja possível realizar o desenvolvimento de um sistema de informação,


é preciso padronizar o processo de entrada e saída de dados, de modo a permitir
a validação dos dados pelo sistema, impedindo que o usuário entre com valores
incompatíveis. Para isso, deve ser gerado um documento que registre os dados que
serão considerados no projeto, como no exemplo da Tabela 1.1, de um sistema de
folha de pagamentos (SILVA, 2014).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 25


U1

Tabela 1.1: Planilha de dados de funcionários


Data de
Código Nome Salário Função
admissão
001 Antonio Carlos 01/05/2000 R$ 2.500,00 Eletricista
002 Henrique Dias 01/07/2012 R$ 2.300,00 Soldador
Maria Helena da
003 01/09/2012 R$ 2.000,00 Cozinheira
Silva
Projetista
004 Carlos dos Santos 01/10/2013 R$ 4.500,00
Mecânico
Fonte: O autor (2015).

Nesse momento, não será necessário determinar os tipos dos dados que serão
utilizados (isso será analisado na Seção 3.3 sobre bancos de dados).

Reflita

Não é necessário registrar os dados de todos os funcionários nesse


momento. A Tabela 1.1 mostra apenas um exemplo de quais dados seriam
registrados no sistema. O objetivo nesse momento é definir como será a
estrutura dos dados a serem armazenados.

A tecnologia como estratégia nas organizações

Um bom profissional, seja qual for a área em que atue, precisa entender a estreita
correlação que existe entre negócios e tecnologia. O sucesso de uma empresa
depende muito das informações sobre seus clientes e fornecedores, para o melhor
planejamento de suas atividades. Uma empresa necessita de tecnologias para
administrar seus estoques e suas vendas.

Medir o sucesso da TI é uma tarefa difícil. Além disso, calcular o retorno de


investimento (ROI – Return on Investiment) de um sistema é muito complicado.
Por exemplo, qual é o ROI de um investimento de R$ 50.000,00 na implantação de
um firewall para prevenir ataques de vírus e acessos de hackers em uma indústria?
Se o firewall nunca detectar nenhum tipo de vírus ou ataques de hackers, pode-se
considerar que o investimento de R$ 50.000,00 foi um desperdício. Mas se o firewall
impedir apenas um ataque de hacker, que poderia paralisar toda a produção por
várias horas, o investimento teria um ROI muito mais alto que o valor investido na sua
aquisição e implantação.

Algumas questões levantadas por executivos de empresas sobre os sistemas


de TI incluem:

26 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

• O desempenho da tecnologia da informação é satisfatório para a empresa?

• Quais são os riscos que devem ser considerados em um projeto de TI?

• Quais são os fatores mais importantes a serem monitorados para garantir que o
projeto permaneça no rumo certo?

Os gerentes precisam de indicadores para medir a eficiência de seus negócios. Os


KPIs (Key Performance Indicators), indicadores-chave de desempenho, são as medidas
que estão diretamente vinculadas às estratégias de uma organização. E como gerar
esses KPIs? São informações que podem ser geradas pelos sistemas de informação,
calculados por meio dos dados disponíveis no sistema (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).
Observe na Figura 1.7 um exemplo de KPI:

Figura 1.7: KPI que indica a produção, por turno, de veículos de uma montadora

400

350

300

250

200

150

100

50

0
Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3 Modelo 4

Turno 1 Turno 2 Série 3

Fonte: O autor (2015).

Tecnologia disruptiva versus tecnologia sustentada

Uma tecnologia disruptiva é a tecnologia que utiliza inovações tecnológicas


para mudar totalmente uma tecnologia em uso. É o caso das câmeras digitais que
mudaram totalmente a forma de registrar as fotografias. Esse é o grande risco que as
empresas de tecnologia enfrentam em seus negócios. Os sistemas de informação
podem ser grandes ferramentas para detectar as tendências de consumo de um
produto, permitindo que as empresas desenvolvam, rapidamente, estratégias para
evitar a queda de seus faturamentos.

A tecnologia sustentada, por outro lado, está em busca da melhoria de um


produto já existente, como, por exemplo, o desenvolvimento de veículos com menor
consumo de combustível. As tecnologias sustentadas não geram grandes inovações,
mas permitem produzir produtos melhores, mais eficientes e mais baratos (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 27


U1

Figura 1.8 Tecnologias que foram substituídas por tecnologias totalmente inovadoras

Fonte: <http:/ / [Link]/ Fo nte:.<http:/ / [Link] [Link] m / pho to / o ld-


im ages/ preview s/ f46/ cam era- film - 1461179. typewriter- 2- 1491447>. Acesso em: 6 out. 2015.
jpg>. Acesso em: 6 out. 2015.

Assimile

A Cisco Systems, grande fabricante de equipamentos para redes


de computadores, implementou um sistema de indicadores (KPIs)
para melhorar o processo de operações de negócios, que permitiu
identificar que mais de 70% das encomendas on-line precisavam de
entradas manuais, tornando impossível encaminhar automaticamente
as encomendas para fabricação. Alterando o processo e adicionando
novos sistemas de informações, em seis meses, a empresa dobrou a
porcentagem de encomendas que iam automaticamente para produção
(Fonte: BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Saiba mais
Assista à palestra:

YOUTUBE. Tecnologia Disruptiva - Roberto Picchi – Conversando


sobre gestão. 2015. Disponível em: <[Link]
watch?v= 6MTSC7bTcFQ>. Acesso em: 6 dez. 2015.

Pesquise mais

Leia o texto:

HALPERN, Arie. Inovação disruptiva, sim. Mas que gere retorno. 205.
Disponível em: <[Link]
mas-que-gereretorno>. Acesso em: 6 out. 2015.

28 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Análise de sistemas

O termo “análise de sistemas” surgiu bem depois da invenção dos computadores,


em razão da necessidade de criação de sistemas mais eficientes e eficazes. Mais
recentemente, a análise de sistemas passou a investigar dados, informações e fatos
relacionados à operação de uma empresa, tendo como objetivo solucionar problemas.

Com a evolução dos computadores, os sistemas começaram a implementar


funcionalidadese recursosque geraram a necessidade de um profissional especialmente
qualificado para o desenvolvimento de sistemas cada vez mais complexos.

Para o exercício da atividade de desenvolvimento de sistemas, esses profissionais


precisam incorporar diversas qualificações profissionais e acadêmicas, tais como:

• Conhecimento profundo das tecnologias de computação e de informação.

• Manter-se atualizado com as novas tecnologias que surgem a cada dia.

• Ser ético, pois terá acesso, muitas vezes, a informações confidenciais.

• Habilidade de negociação.

• Habilidade para identificação dos dados a serem obtidos e informações a


serem geradas.

• Bom senso nas tomadas de decisões.

• Visão de negócios.

• Comprometimento com as suas atividades.

• Boa comunicação e sociabilidade.

• Humildade para obter as informações com as pessoas envolvidas em suas


atividades.

Esses profissionais precisam estar sempre se aprofundando nos assuntos


relacionados à informática, pois a evolução nessa área é muito rápida. Um profissional
dessa área que fique cinco anos sem atualização dos seus conhecimentos será
um profissional que estará completamente defasado com o mercado e encontrará
dificuldades para se manter em sua atividade (SILVA, 2014).

Segurança de informações

Nos dias atuais, os sistemas de informações são altamente estratégicos para as


organizações. Quantas vezes você tentou acessar algum serviço e não conseguiu e

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 29


U1

depois teve a resposta que o sistema estava com problemas? Apesar de muitas vezes
não representar a verdade, esse tipo de ocorrência é muito comum. Por quê?

Porque as organizações articulam todas as suas atividades e estratégias diretamente


relacionadas com o uso de computadores. Se o sistema “cai”, a empresa para.
Em muitos casos, os custos de paradas não podem ser recuperados. Uma fábrica
de eletrodomésticos, que já opera em 3 turnos para atender a demanda, não vai
conseguir recuperar o tempo perdido. Portanto, os sistemas precisam ser confiáveis e
estar disponíveis sempre que necessários. Os computadores e demais equipamentos
(fontes, switches, cabos) devem ser instalados com todas as recomendações das
normas e dos fabricantes.

O uso da internet para interligar os computadores de uma organização trouxe


grandes benefícios, mas também acrescentou alguns problemas de segurança. Uma
organização que não esteja preparada para evitar o ataque de hackers e de vírus
está extremamente vulnerável e corre o risco de ter suas operações paralisadas. Os
cibercrimes são uma ameaça real e crescente para todas as organizações. E para os
indivíduos também! (O’BRIEN, 2011)

No entanto, até os sistemas de automação industrial já se tornaram alvos destes


ataques. Imagine os riscos de uma indústria química ou usina nuclear ser invadida por
hackers. Isso não é exagero. Casos como esses já foram confirmados (por exemplo, o
caso da Usina Nuclear de Davis-Besse, em 2003) (BRANQUINHO et al., 2014).

Atenção!

Você tem o hábito de fazer backups de todos os seus arquivos e dados? E


de guardá-los em local seguro? A política de segurança da empresa deve
garantir um local para armazenamento dos backups, fora do prédio da
empresa.

Exemplificando

Após o ataque de 11 de setembro, algumas empresas instaladas no World


Trade Center acabaram falindo, pois não tinham backup de seus arquivos
e dados fora do prédio, apesar das amplas evidências que apontavam
para essa necessidade. Após o ataque ao World Trade Center que foi
perpetrado por meio de um furgão carregando um artefato explosivo em
26 de fevereiro de 1993, o banco de investimentos Morgan Stanley (que
ocupava 50 dos 200 andares combinados das duas torres) encabeçou um

30 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

projeto de proteção de dados, que rapidamente foi copiado pela maioria


das demais empresas que funcionavam no World Trade Center. Quando,
em 11 de setembro de 2001, os aviões foram lançados contra as torres,
quase todas as empresas já estavam preparadas para problemas potenciais,
com seus dados copiados e armazenados em outras localidades. Aquelas
que não tomaram as providências necessárias sofreram as consequências.
Para saber mais a respeito, leia os textos a seguir:

SERPRO. Clusters: segurança estratégica. Disponível em: <[Link]


[Link]/imprensa/publicacoes/tema-1/antigas%20temas/tema-198/
materias/clusters>. Acesso em: 6 out. 2015.

LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane P. Essentials of management


information systems. 11. ed. Nova York: Prentice Hall, 2014.

Faça você mesmo

Utilize programas como o Dropbox, Google Drive ou OneDrive para


armazenar uma cópia de seus dados e arquivos na “nuvem”.

SEM MEDO DE ERRAR

Agora que os conceitos básicos já foram aprendidos, vamos resolver a situação-


problema 2:

Passo 1: definir a estrutura dos dados a serem armazenados no banco de dados.

É nesse momento que se deve definir a estrutura que o banco de dados deverá ter,
registrando em uma tabela, por exemplo, todos os dados importantes.

No nosso exemplo, a equipe de desenvolvimento contratada, após reunir-se


com o proprietário da loja de autopeças, concluiu que os dados que precisam ser
coletados são:

• Código da peça.

• Descrição da peça.

• Custo da peça.

• Preço de venda da peça.

• Fornecedor da peça.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 31


U1

• Quantidade de peças em estoque.

• Quantidade mínima da peça para estoque.

Após analisar os dados, a equipe de desenvolvimento elaborou o modelo de Tabela


1.2 a seguir:

Tabela 1.2: Planilha de dados de peças


Preço Quantidade Quantidade
Código Descrição Custo
Venda Fornecedor de peças Mínima p/
da peça da peça (R$)
(R$) em Estoque Estoque
Óleo sin-
tético tipo
25.898 1 (litro) R$ 35,00 R$ 45,50 Petrobras 56 5
p/ 10.000
km
Palheta
12.421 limpeza R$ 22,50 R$ 29,25 XKY 12 3
para-brisas
Tampa
Reser-
01.284 R$ 12,00 R$ 15,60 SFER 15 5
vatório
Radiador
Aditivo p/
25.725 R$ 75,00 R$ 97,50 Petrobras 18 10
radiador
Fonte: O autor (2015).

Atenção!

Nesse momento, não é necessário ainda definir os tipos dos dados. Essa é
uma informação importante para a equipe de desenvolvimento calcular a
capacidade necessária do dispositivo de armazenamento de dados, mas
voltaremos a esse assunto na Seção 3.3 sobre bancos de dados.

Lembre- se

Será que todos os dados importantes foram considerados? Troque ideias


com seus colegas e com seu professor.

32 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Passo 2: analisar as informações que o cliente definiu como prioritárias, para serem
geradas pelo sistema.

Após analisar a solicitação do cliente, a equipe de desenvolvimento confirmou que


os dados considerados serão suficientes para gerar os relatórios previstos inicialmente.

• Relatório de peças vendidas, com quantidade: este relatório vai permitir


identificar as peças mais vendidas (dia, mês, ano).

• Relatório de total faturado (dia, mês, ano): este relatório vai permitir o controle
do faturamento e possibilitar o planejamento de investimentos da loja.

• Relatório das peças que atingiram o estoque mínimo: este relatório vai permitir
um controle mais eficiente do estoque, reduzindo a falta de peças. Quando o estoque
atingir o valor mínimo de estoque programado, o sistema vai emitir, no final do dia, a
relação das peças que precisam ser repostas no estoque.

A equipe de desenvolvimento também sugeriu um novo relatório:

• Relatório de totalização de peças em estoque: este relatório vai permitir calcular


o quanto Sebastião tem investido em estoque.

Além dos relatórios previstos, ficou acertado com o cliente que o sistema de
informação a ser desenvolvido deverá também dispor dos seguintes recursos:

• Cadastro de peças.

• Cadastro de fornecedores, que será armazenado em um banco de


dados específico.

• Consulta de peças (por código ou descrição).

• Consulta de fornecedores (por nome).

Faça você mesmo

Use os dados que você criou na Seção 1.1no exemplo da farmácia e defina
o modelo do banco de dados. Compare com o exemplo apresentado
para verificar se os dados são iguais.

Saiba mais
A GE (General Electric) investiu US$ 1,5 bilhão em tempo de funcionários,
hardwares, softwares e outras tecnologias para implementar um sistema
de monitoração de operações, em tempo real, para que seus executivos

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 33


U1

possam monitorar as operações de vendas, estoque e economias em


todas as 13 operações globais de negócios da empresa a cada 15 minutos.
Isto permite que a GE responda às mudanças, reduza tempos de ciclo
e melhore a gestão de risco em questão de horas, em vez de esperar
por relatórios mensais ou trimestrais. A GE estima que o investimento irá
proporcionar um retorno de 33% ao longo de 5 anos (Fonte: BALTZAN;
PHILLIPS, 2012)

Pesquise mais
BALTZAN, Paige; PHILLIPS, Amy. Sistemas de informação. Porto Alegre:
AMGH, 2012. p. 369.

BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar


o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. p. 250.

BURGELMAN, Robert A.; CHRISTENSEN, Clayton M.; WHEELWRIGTH,


Steven C. Gestão estratégica da tecnologia e da inovação: conceitos e
soluções. 5. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. p. 648 .

Avançando na prática

Pra tiq u e m ais


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o qu e apre n de u, transfe rindo se us co nh ecim e nto s para no vas situaçõ e s
que po de en co ntrar n o am bien te de trabalho . Realize as atividade s e de po is co m pare - as co m as de
se us co le gas.

“De n in d o a e stru tu ra d e d a d o s p ara d e se n vo lvim e n to d e u m siste m a d e in fo rm açã o”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d a m e n to s Co nhe cer e co m pree n de r as principais te cn o lo gias
d e Áre a re lacio nadas à info rm ação e a co m un icação .
Co nhe cer as estraté gias de co le tas de dado s que são utilizadas
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m
para ge rar in fo rm açõ e s.
O pape l e straté gico da in fo rm ação n as em pre sas e o valo r da
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
info rm ação n o s pro ce sso s de to m ada de de cisão.
Pratique co m o s dado s de um pe queno superm ercado de bairro
4. De scriçã o d a SP
e de na a estrutura dos dado s que devem ser considerado s.

34 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Mo nte um a tabela co nfo rm e o s e xem plo s desta seção co m


o s dado s a se guir:
• Có digo do pro duto .
• De scrição do pro duto.
• Custo do pro duto .
• Preço de ve nda do pro duto .
5. Re so lu çã o d a SP
• Fo rne ce do r do pro duto .
• Qu antidade do pro du to e m esto qu e.
• Qu antidade m ín im a do pro duto para e sto que .

No caso do su pe rm e rcado, o utro dado é im po rtan te tam bé m :


• Data de validade do pro duto.

Faça você mesmo

Visite um pequeno supermercado e observe que dados são coletados


quando você passa no caixa. Faça um comparativo com os dados das
aplicações anteriores para verificar se os dados são os mesmos.

Pesquise mais
Leia o artigo a seguir, que mostra o surgimento de algumas tecnologias
disruptivas que causaram grandes mudanças na sociedade:

COMPUTERWORLD. Dez tecnologias disruptivas. 2012. Disponível


em: <[Link]
disruptivas/>. Acesso em: 6 out. 2015.

Lembre- se

Pesquise a história da fotografia digital e estude principalmente o caso da


KODAK, a maior empresa de filmes fotográficos do mundo, que chegou
a pedir falência. Apesar de ser a inventora da fotografia digital, não soube
tirar proveito de sua invenção.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 35


U1

Faça valer a pena!

1. Por que recomenda- se que as pessoas ligadas diretamente aos


processos que farão uso do sistema de informação estejam envolvidas
no desenvolvimento do sistema?

a) Para garantir uma redução no custo de desenvolvimento do sistema.


b) Para garantir uma redução no tempo de desenvolvimento do sistema.
c) Para garantir que o sistema possa atender todas as necessidades
previstas.
d) Para permitir que o sistema possa atender as necessidades individuais
de cada usuário.
e) Para garantir que o sistema possa ser modificado futuramente pelo
próprio cliente.

2. Um sistema de informação tem como elemento central:

a) Os computadores que processam os dados.


b) Os usuários que utilizam as informações geradas pelo sistema.
c) Os relatórios gerados pelo sistema.
d) Os bancos de dados, onde estão armazenados os dados utilizados
para gerar informações.
e) Os usuários que cadastram as informações nos bancos de dados.

3. O que é um “cibercrime”?

a) Um aplicativo criminoso para coleta de dados.


b) Um aplicativo para desenvolvimento de sistemas de rastreamento
de dados.
c) Um crime cometido com o uso de computador.
d) Um crime cometido por um computador.
e) Um crime cometido por um especialista em computação.

36 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Seção 1.3

Contextualização sobre a tecnologia da


informação

Diálogo aberto

Nesta seção, vamos abordar a evolução das tecnologias da informação. Por meio
desta seção, você conhecerá as principais tecnologias e equipamentos que fazem
parte da história da computação.
Após a decisão sobre as informações que o novo sistema deverá disponibilizar na
loja de autopeças de Sebastião, a equipe de informática recebe a solicitação de um
dos funcionários, para que seja realizado um treinamento, já que todos são totalmente
leigos sobre o assunto. Com o aval do cliente, a empresa resolve aceitar a solicitação. A
fim de realizar esse treinamento, a empresa de informática mobiliza a sua equipe para
criar um treinamento personalizado sobre as tecnologias que poderiam ser utilizadas.
É importante perceber que as principais mudanças e tendências nos sistemas de
computadores ocorreram durante várias gerações da computação e continuarão
a ocorrer no futuro. A atual quinta geração de computadores tem acelerado as
tendências das gerações anteriores e continuará a evoluir ao longo do século XXI.
Ainda se discutem as datas e a passagem completa para uma quinta geração de
computadores, uma vez que o conceito de gerações pode não mais se adequar às
mudanças contínuas e rápidas nas tecnologias de hardware, software, dados e rede
de computadores.
Em todo caso, porém, podemos estar certos de que o progresso nos computadores
continuará a acelerar-se e de que o desenvolvimento de tecnologias e aplicações com
base na internet será uma das maiores forças que dirigirão a informática no século XXI
(O’ BRIEN, 2011).
É importante para o profissional de TI conhecer como ocorreu essa evolução, para
entender como as tecnologias evoluíram e como estão evoluindo.
Na Seção 1.3, vamos fazer uma pequena viajem pelo tempo e conhecer um pouco
da evolução das tecnologias que transformaram as atividades profissionais e pessoais.
O objetivo de aprendizagem desta seção é conhecer a evolução das tecnologias de
informação que são utilizadas nas atividades profissionais e pessoais.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 37


U1

Não pode faltar

Vamos acompanhar a evolução dos sistemas computacionais, dividindo essa


evolução em décadas, analisando as principais características de cada década.

Década de 1940

Caracterizada pelo desenvolvimento dos primeiros computadores eletrônicos


(COLOSSUS, 1942; ENIAC, 1946). Ainda não existiam dispositivos como teclado e
monitor e o conceito de sistema operacional. Para utilização do ENIAC, era necessário
um profundo conhecimento do hardware, pois a programação era realizada em
painéis, por meio de 6 mil conectores, utilizando Linguagem de Máquina.

Figura 1.9: Computador ENIAC

Fonte: <https:// [Link]/wiki/ ENIAC# / media/ File:[Link]>.Acesso em: 12 out. 2015.

Figura 1.10: Cartão perfurado

Fonte: <[Link] /media/File:Hollerith_card.jpg>. Acesso em: 12 out. 2015

O ENIAC foi desenvolvido entre 1943 e 1945 para o exército dos EUA, para quebrar
códigos de comunicação e pesquisas de balística. Como ficou pronto somente após
o final da Segunda Guerra Mundial, 3 meses após a rendição do Japão, foi utilizado em

38 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

diversos projetos, como o desenvolvimento da bomba de hidrogênio. Tinha 30m de


comprimento e pesava 30 toneladas; era tão grande que ocupava uma área de 180m².
Custou cerca de US$ 500 mil na época. Seu hardware tinha 70 mil resistores, 18 mil
válvulas, 10 mil capacitores e 1500 relés, que, em funcionamento, consumiam 200 mil
watts de energia. A programação era realizada por meio de 6 mil chaves manuais e
cartões perfurados, por funcionárias do exército (as primeiras programadoras que se
tem notícia). Foi utilizado durante 10 anos (1946 a 1956).

Pesquise mais
Assista ao vídeo:

YOUTUBE. História do ENIAC. 2010. Disponível em: <[Link]


[Link]/watch?v=gQbTeayG6Dg>. Acesso em: 12 out. 2015.

Década de 1950

Caracterizada por grandes inovações que marcaram a indústria da computação,


como os primeiros computadores com transistores, a criação das primeiras linguagens
de programação e dos primeiros sistemas operacionais.

Figura. 1.11: Transistores Características marcantes da década de


1950:

• Programação por meio de cartões


perfurados.

• Criação dos primeiros computadores:

– com transistores e memória magnética;

– para aplicações comerciais e


Fonte: <http:// [Link]/images/ – para processamento em tempo real.
previews/ 8e6/transistor- [Link]>. Acesso
em: 12 out. 2015.
• Criação das primeiras linguagens de
programação: Fortran, Algol e Cobol.

• Criação dos primeiros sistemas operacionais: Monitor, SOS, FMS e IBSYS (IBM),
Atlas (Universidade de Manchester, Inglaterra) (MACHADO, 2014).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 39


U1

Década de 1960

Caracterizada pela criação dos primeiros computadores com o uso de circuitos


integrados (que possibilitaram um grande aumento do poder de processamento
e diminuição no tamanho dos computadores) e pela criação dos conceitos de
multiprocessamento, memória virtual, time-sharing e multiprogramação.

Características marcantes da década de 1960:

• Substituição das fitas magnéticas por discos magnéticos.

• Criação do sistema operacional Unix (1969).

• Criação do primeiro supercomputador: Cray CDC 6600.

• Criação do primeiro sistema operacional com time-sharing: CTSS (MIT).

• Criação do computador System/360 (IBM): com sistema operacional OS/360,


que causou uma grande revolução na indústria de computadores pela introdução de
um conceito baseado em máquinas de diversos portes com a mesma arquitetura.

• Criação do computador PDP-8 (DEC): Primeira linha de computadores de pequeno


porte e baixo custo, criando o mercado de minicomputadores (MACHADO, 2014)

Década de 1970

Caracterizada pela criação dos primeiros computadores com o uso


de microprocessadores, permitindo o desenvolvimento dos primeiros
microcomputadores de uso pessoal. Essa foi uma década de grande desenvolvimento
tecnológico, com o surgimento das empresas de computadores pessoais e softwares
para aplicações comerciais.

É o caso típico do surgimento de uma tecnologia disruptiva (computadores


pessoais) que causou uma grande revolução no mundo dos negócios. É o período
em que começam a surgir os primeiros cursos de computação para não profissionais
da area (principalmente de linguagem COBOL).

Exemplificando

Características marcantes da década de 1970:

• Criação dos Sistemas Operacionais CPM, Apple DOS, BSD, Atari DOS.

40 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

• criação da Apple e Microsoft (1976);

• lançamento do microcomputador Apple II (1977);

• lançamento dos primeiros computadores com mais de um processador;

• popularização das redes WANs (Wide Area Networks) e LANs (Local Area
Networks);

• criação das linguagens Pascal (1970) e C (1972). (MACHADO, 2014;


ISAACSON, 2011; SCHENDLER, TETZELI, 2015; WIRTH, 1970; JOHNSON,
RITCHIE, 1977)

Figura 1.12: Microprocessador 6502 para Apple II

Fonte: <https:// [Link]/wiki/ File:Apple_II_Plus.jpg?uselang=pt- br>.Acesso em: 12 out. 2015.

Figura 1.13: Microcomputador Apple II

Fonte: <[Link] br>. Acesso em: 12 out. 2015.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 41


U1

Saiba mais
O artigo a seguir conta detalhes da história da criação da Apple por Steve
Jobs e Steve Wozniak, com vários fatos interessantes que marcaram a
sua criação:

MORIMOTO, Carlos E. A História da Apple. 2009. Disponível em: <http://


[Link]/artigos/historia-apple/>. Acesso em: 12 out. 2015.

Pesquise mais
O artigo a seguir conta detalhes da história da criação da Microsoft por Bill
Gates e Paul Allen, com vários fatos interessantes que marcaram a criação
do Windows:

PERON, Marluce. A História da Microsoft. 2009. Disponível em:


<http:/ / [Link] [Link] .br/ video-game-e-jogos/ 2068-a-historia-
[Link]>. Acesso em: 12 out. 2015.

Década de 1980

Caracterizada pela consolidação dos computadores:

• Minicomputadores e superminicomputadores: com sistemas multiusuário, com


base no Unix, que possibilitaram a criação das workstations.

• Microcomputadores: com a entrada da IBM (1981) no mercado de


microcomputadores, criando o conceito dos computadores pessoais.

Características marcantes da década de Figura 1.14: IBM PC


1980:

• Lançamento dos microprocessadores de


16 bits.

• Lançamento do IBM PC (personal


computer): com o sistema operacional DOS e
posteriormente Windows).

• Lançamento das primeiras estações de


trabalho RISC; Fonte: <https:/ /[Link]/ wikipedia/
commons/ f/ f1/ Ibm_pc_5150.jpg>. Acesso em: 12
out. 2015.
• Consolidação do protocolo de rede TCP/
IP;

42 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

• Lançamento do Windows 1.0, a primeira interface gráfica para o Sistema


operacional DOS.

• Lançamento dos primeiros Sist. Operacionais com interface gráfica.

(Mac OS e OS/2).

• Criação dos sistemas operacionais de rede: Novell Netware e Microsoft LAN


Manager). (MACHADO, 2014; WALLACE, 1993).

Década de 1990

Caracterizada pela evolução da complexidade das aplicações que exigiram uma


maior capacidade de processamento e armazenamento de dados, como sistemas
especialistas, redes neurais, sistemas de bancos de dados distribuídos, inteligência
artificial, CAD, sistemas multimídia, softwares de engenharia e pela criação da World
Wide Web (WWW).

Características marcantes da década de 1990:

• Grandes avanços nas telecomunicações. Figura 1.15: Projeto em CAD


• Aprimoramento dos recursos de segurança.

• Consolidação dos sistemas operacionais


gráficos.

• Desenvolvimento do sistema operacional


Linux.

• Popularização do software aberto: MySQL


(banco de dados), Apache (servidor web);
Fonte: <https:/ /[Link]/
w ikipedia/ co m m o ns/ d/ da/ C3D_kernel_1.pn>.
• Consolidação da arquitetura Cliente/ Acesso em: 12 out. 2015.
Servidor;

• Liberação do uso do GPS (Global Positioning System) para uso não militar.

(MACHADO, 2014).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 43


U1

Faça você mesmo

Busque mais informações e aprenda com a leitura do artigo indicado,


que explica o que é e como funciona o GPS inicialmente criado para uso
militar, mas hoje disponível para outras aplicações.

BARBIAN, Eduardo. O que são sistemas de navegação por satélite?.


2013. Disponível em: <[Link]
sistemas-de-navegacao>. Acesso em: 12 out. 2015.

Década de 2000

Caracterizada pela grande evolução nos processadores e equipamentos de


comunicação, possibilitando grande redução de custos dos computadores e
notebooks, popularizando o uso do computador e da internet e possibilitando a
criação dos dispositivos móveis.

Características marcantes da década de 2000:

• Consolidação das redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter, LinkedIn ...).

• Consolidação do uso de máquinas virtuais.

• Evolução do Sistema Operacional Unix nos servidores corporativos.

•.Desenvolvimento de equipamentos de redes mais robustos, para atender


demandas de alta disponibilidade e sistemas em cluster (MACHADO, 2014).

Década de 2010

Caracterizada pela consolidação da computação em nuvem (cloud computing),


pela mudança da forma de comercialização de software como serviço e não mais
como produto (dispensando a instalação de softwares no computador) e pela
consolidação das tecnologias sem fio.

Características marcantes da década de 2010:

• Popularização dos softwares para armazenamento na nuvem.

• Consolidação da fotografia digital de alta qualidade e baixo custo.

• Popularização do serviço de streaming de música (MACHADO, 2014).

44 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Assimile

Sistema operacional é um conjunto de rotinas executado pelo computador


com a finalidade de gerenciar a utilização e o compartilhamento de
recursos como memórias e periféricos em geral.

Reflita

As pessoas geralmente confundem os termos internet e "WWW" (World


Wide Web), porém eles não são sinônimos. O World Wide Web é um
sistema global de hipertexto que utiliza a internet como seu mecanismo de
transporte. A internet é uma rede que conecta milhões de computadores
pelo mundo (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Vocabulário

Streaming: é uma tecnologia que permite a reprodução de áudio e vídeo,


em tempo real, enquanto são baixados da internet, de forma a tornar as
conexões mais rápidas. Um exemplo clássico de utilização desta tecnologia
é o site YouTube.

Sem medo de errar


Agora que os conceitos básicos já foram aprendidos, vamos resolver a situação-
problema apresentada nesta seção: identificar as tecnologias que poderiam ser
utilizadas para informatizar a loja.

Para isso, a equipe de informática fez uma apresentação sobre as tecnologias


que poderiam ser utilizadas para facilitar a operação da loja, com o foco principal na
internet, pois é para onde estão migrando os serviços mais inovadores na gestão de
negócios em geral. Com o uso da internet, seria possível implantar diversos recursos,
em etapas, com custo baixo, como:

• Criação de um site que permita aos clientes conhecer os produtos comercializados


pela loja e futuramente implantar um sistema de comércio eletrônico.

• Criação de uma página no Facebook para permitir a divulgação, marketing e o


relacionamento com os clientes de uma forma mais amigável.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 45


U1

• Uso da tecnologia Voice over Internet Protocol (VoIP) (como Skype e WhatsApp)
para comunicação entre funcionários, clientes, fornecedores e demais usuários,
permitindo uma redução dos custos com telefonia.

• Uso do YouTube para realização de treinamentos. Muitas empresas


disponibilizam bons vídeos de manutenção e operação de seus produtos que
ajudam muito o aprendizado.

• Uso de Cloud Computing para armazenamento de dados em equipamentos que


estão localizados em instalações seguras, fora do local, com o uso da internet. Esse é
o caso de tecnologia disruptiva já consolidada e utilizada por diversas empresas.

• Uso de tecnologia móvel (tablets e smartphones) que poderiam ser utilizados para
fazer consultas aos dados do sistema e demais serviços que poderiam ser providos via
internet. Essa é uma opção barata para pesquisas de fornecedores e catálogos que
poderiam auxiliar o atendimento dos clientes.

Lembre- se

Os primeiros computadores eletrônicos não utilizavam dispositivos como


teclado, monitor e o conceito de sistema operacional.

Atenção!

Se o computador pessoal não tivesse sido inventado, será que teríamos


hoje os tablets e smartphones? Será que teríamos alcançado os nivéis de
desenvolvimento que hoje conquistamos?

Avançando na prática

Pra tiq u e m ais


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o qu e apre n de u, transfe rindo se us co nh ecim e nto s para no vas situaçõ e s
que po de en co ntrar n o am bien te de trabalho . Realize as atividade s e de po is co m pare - as co m as de
se us co le gas.

“Ap lican d o a te cn o lo g ia d a in fo rm a ção p a ra d ivu lg açã o e m arke tin g d o n e g ó cio”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d a m e n to s Co nhe cer e co m pree n de r as principais te cn o lo gias
d e Áre a re lacio nadas à info rm ação e à co m un icação .
Co nhe cer a e vo lução das tecno lo gias de in fo rm ação que são
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m
utilizadas n as atividade s pro ssio nais e pesso ais.

46 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

A evo lução das te cn o lo gias da info rm ação e co m un icação no


3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
am bie nte o rgan izacio nal.
Co nsulte o site de algum as lo jas de auto peças e veri que que
tipo s de info rm açõ es podem ser úte is para vo cê desenvolve r
4. De scriçã o d a SP algo sem elhante. Nesse m o m ento, ainda não é objetivo do
lojista fazer o co m ércio po r m eio da internet, m as divulgar e
fazer m arketing de seu negó cio.
O site precisa ter um m e nu prin cipal co m algum as
o pçõ e s co m o :

para in fo rm ar algun s de talhe s


Ho m e da lo ja co m o m arcas e
fo rne ce do re s ate ndido s.
para bu scar pe ças de
Au to m ó ve is
au to m ó ve is.
Mo to s para buscar peças de m o to s.
para pe rm itir a busca de
Pe sq u isa r
peças e spe cí cas.
para pe rm itir qu e o clie n te
Ca d a stro po ssa re ce be r in fo rm açõ e s.
(po r exe m plo, pro m o çõ es)
para que o s clie n te s e
fo rne ce do re s po ssam
e n co ntrar in fo rm açõ e s so bre
Co n ta to
te le fo n e s e a lo calização da
lo ja e até realizar um chat
on-line.
5. Re so lu çã o d a SP

Nesse po nto, che gam o s à co nclusão que u m no vo dado


de veria te r sido incluído na estrutu ra do banco de dado s:
a m arca do auto m óve l o u m o to, qu e pe rm itiria re alizar
pe squisas m ais pre cisas. Po rtan to, e ste é o m o m e nto de
aprim o rar a su a aplicação. Inclua na estrutu ra do banco de
dado s o ite m MARCA.

Para cada tipo de ve ículo (auto m óve l o u m o to ), crie um


m e nu de cate go rias qu e perm ita e n co n trar as pe ças m ais
pro curadas, co m o :

• Ace ssó rio s


• Am o rtecedo re s
• Escapam e nto s
• Fre io s
• Pn eus

Quando a catego ria fo r se le cio n ada, a págin a de verá m o strar


as pe ças (que se rão buscadas do ban co de dado s de pe ças
da lo ja, co m a descrição da pe ça, fo rn e ce do r, preço de ve n da
e m arca).

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 47


U1

Lembre- se

Esse ainda não é um sistema de comércio eletrônico, mas um sistema


simples para acesso ao banco de dados de peças da loja, que pode trazer
grandes resultados, com muito pouco investimento. Um sistema de
comércio eletrônico é bem mais complexo e envolve outras tecnologias
que serão abordadas futuramente.

Faça você mesmo

Um outro exercício que você pode fazer e que ampliará os seus


conhecimentos é uma investigação sobre os tipos de sistemas de
informação que existem e como são utilizados nas mais diversas áreas
do mercado de trabalho. Por exemplo, quais são os tipos de sistemas de
informação utilizados na indústria, ou, então, nas instituições financeiras.
Analise também quais são as particularidades em termos de segurança
da informação de que tratam esses sistemas, de acordo com o ambiente
organizacional em que estão inseridos. Leia e aprenda mais em: <http://
[Link]/[Link]/ciinf/article/view/1689>. Acesso em 10 dez. 2015.

Faça valer a pena!

1. Para que tipo de aplicação foi desenvolvido o computador ENIAC?

a) Para aplicações de comércio eletrônico.


b) Para cálculos de folhas de pagamentos.
c) Para aplicações militares.
d) Para aplicações bancárias e financeiras.
e) Para uso em sistemas de automação industrial.

48 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

2. Como era realizada a programação do computador ENIAC?

a) Por meio de 6 mil conectores e cartão perfurado, utilizando linguagem


de máquina.
b) Por meio de teclado, mouse e monitor, como nos micros atuais.
c) Por meio de botões e chaves.
d) Por meio de linguagens e sistemas operacionais rudimentares.
e) Por meio da digitação de códigos especiais.

3. Qual era o sistema operacional utilizado pelo computador ENIAC?

a) Microsoft Windows 1.0.


b) O computador ENIAC não utilizava um sistema operacional.
c) DOS.
d) UNIX.
e) CPM.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 49


U1

50 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Seção 1.4

Panorama sobre a tecnologia da informação

Diálogo aberto

Nesta seção, vamos abordar o cenário em que se situam as tecnologias da


informação e a sua relevância no ambiente organizacional. Você conhecerá algumas
das mais modernas tecnologias e equipamentos utilizados nas mais diversas aplicações.
Vamos explorar algumas tecnologias que podem transformar nossas atividades
de forma dinâmica e inteligente, sob o ponto de vista da gestão de informações e
tomadas de decisão. Estamos falando dos softwares, também conhecidos como
Aplicações Ricas da Internet. E ainda, vamos conhecer novas formas de transações
comerciais pela internet.
Após a realização do treinamento sobre a evolução da informática, os
funcionários perceberam o grande potencial de uso do computador nas suas
atividades e se mostraram interessados em futuras ampliações de recursos do
sistema. Para atender a esta demanda de interesse, a empresa de informática
convida os funcionários para participar de um workshop intitulado “Cenário de
tecnologias de computação, informação e comunicação”, que a empresa realizará
nos próximos dias para seus clientes.
Faça um levantamento que indique que tipos de cenários, tecnologias e aplicações
que os funcionários poderão esperar neste tipo de workshop. Você sabe, a tecnologia
da informação evolui muito rápido. Novos equipamentos e novas tecnologias surgem
a cada dia, permitindo a criação de novos tipos de serviços. A internet alcança um
número maior de usuários todos os dias, no mundo todo, e novas aplicações se
tornam possíveis com o uso da tecnologia da informação.
Estamos vivendo uma era de revolução nos negócios. Observamos grandes
mudanças nas formas como os desenvolvedores de software e usuários finais utilizam
a internet como uma plataforma, impulsionando as empresas de todos os setores em
direção a uma nova forma de fazer negócios.
É o que podemos chamar de WEB 2.0, uma WEB inteligente, direcionada ao
usuário, permitindo, inclusive, que o usuário faça suas contribuições.
Na Seção 1.4, vamos abordar novas tecnologias que estão sendo utilizadas pelas
pessoas e pelas empresas nas suas atividades. O objetivo de aprendizagem desta

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 51


U1

seção é conhecer algumas das tecnologias que estão transformando as atividades do


homem nas mais diversas áreas, portanto, possibilitar que você conheça o cenário das
tecnologias da informação disponíveis e o seu futuro. E então, vamos lá?

Não pode faltar

Software RIA (Rich Internet Application – Aplicações Ricas da Internet)

A utilização de aplicativos de cloud computing tem elevado a WEB de uma


biblioteca on-line para uma poderosa plataforma de computação, transformando
atividades tradicionalmente executadas por software instalado em um computador,
em aplicações conhecidas como RIA (Rich Internet Application – Aplicações Ricas
da Internet). Essas aplicações utilizam software que tem todas as funcionalidades de
uma aplicação tradicional, mas são executadas através de um navegador web, não
necessitando de instalação de aplicativos específicos nos micros locais.

O software RIA é resultado do aperfeiçoamento contínuo das linguagens de


programação e das plataformas de hardware e software desenvolvidas para explorar o
máximo de recursos da web. O fato de estar on-line permite enfatizar seus benefícios
de um software colaborativo. Exemplos de software RIA (STAIR; REYNOLDS, 2015):

• Google Docs (edição de documentos).

• Google Maps (mapa interativo).

• Adobe Photoshop Express (edição fotos).

• Adobe Apollo (desenvolvimento aplicativos para internet).

• Microsoft Office 2013 (edição de documentos).

• Microsoft SharePoint (plataforma colaborativa para aplicações empresariais).

• Flickr (compartilhamento imagens).

e- Business

O termo e-Business (Eletronic Business) ou (Negócio Eletrônico) é a realização de


atividades comerciais com o uso de computadores, redes de computadores e internet,
em qualquer lugar e em qualquer hora, por qualquer pessoa. O e-Business não está
necessariamente relacionado com a venda ou compra de produtos ou serviços, mas
sim ao processo de negociação on-line. No fim da negociação, pode ou não haver
uma transação comercial (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

52 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

O termo e-Commerce (eletronic commerce) ou (comércio eletrônico) refere-


se apenas a transações on-line de compra e venda, enquanto o termo e-Business,
derivado do termo e-Commerce, refere-se à realização de negócios na internet, não
apenas de compra e venda, mas, também, de atendimento ao cliente e de colaboração
com os parceiros de negócios (BALTZAN; PHILLIPS 2012).

O termo M-Business (mobile business) ou (negócios eletrônicos móveis)


corresponde à versão móvel do e-Business. Trata-se de negócios eletrônicos realizados
por meio de dispositivos móveis (tablets e smartphones) (O’BRIEN, 2011). Observe a
Figura 1.16 sobre os modelos de e-Business e suas descrições no Quadro 1.1.

Figura 1.16: Modelos de e- Business

G2G
Governo Governo

G2B B2G G2C C2G


B2C
Empresa Consumidor
C2B
B2B B2B2C
C2C

Empresa Consumidor

Consumidor
B2E E2B

Empregado

Fonte: Adaptado de Takahashi (2000).

A seguir, vamos conhecer as respectivas definições das transações comerciais que


podem se realizar por meio da internet, ou seja, com o comércio eletrônico:

Quadro 1.1: Descrição de modelos de e- Business


Transação entre empresas.
B2B Business to Business
(Ex.: [Link])
Transação entre empresa e
B2C Business to Consumer consumidor.
(Ex.: [Link])
Transação entre empresa e
B2G Business to Government governo.
(Ex.: pregões e licitações)
Transação entre consumi-
dor e empresa.
C2B Consumer to Business
(Ex.: [Link] –
cadastro de currículos)

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 53


U1

Transação entre
consumidores através de
C2C Consumer to Consumer uma empresa.
(Ex.: [Link].
[Link])
Transação entre
consumidor e governo.
C2G Consumer to Government (Ex.: [Link].
[Link] - Declaração
Imposto renda)
Transação entre governo
e empresas (geração de
G2B Government to Business informação).
(Ex.: [Link].
[Link] - Consultas)
Transação entre governo e
consumidor.
G2C Government to Consumer
(Serviços de pagamentos de
tarifas)
Transação entre governos
G2G Government to Government ou órgãos do governo.
(Ex.: [Link])
Sites de empresas que
B2E Business to Employee vendem diretamente para
funcionários.
Sites de empresas que
coletam informações de
E2B Employee to Business funcionários.
(Ex.: Sugestões e
reclamações)
Transação entre empresas
Business to Business to com intuito de fazer
B2B2C
Consumer negócios para venda para
um cliente nal.
Fonte: O autor (2015).

Pesquise mais

Veja mais informações sobre o uso de tecnologias de informação pelo


governo, conhecido como governo eletrônico.
TAKAHASHI, Tadao. Sociedade da Informação no Brasil - Livro Verde.
Brasília: Ministério da Ciência e Tecnologia, 2000. Disponível em: <www.
[Link]/ biblioteca/ arquivos/ livro-verde/ download>.
Acesso em: 13 nov. 2015.

54 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Saiba mais
Veja mais informações sobre negócios on-line no curso da Intel

Curso de e- Business

<[Link]

Acesso em: 13 nov. 2015.

Sistemas de tomada de decisão

A área de negócios está em um ritmo de crescimento tão acentuado que,


quanto mais informações um negócio gera, mais difícil é a tomada de decisões. A
quantidade de informações que precisam ser compreendidas e analisadas para tomar
boas decisões está crescendo exponencialmente. Antes do uso dos computadores,
as pessoas podiam confiar em relatórios manuais para tomar decisões porque a
quantidade de informações era limitada.

O avanço das tecnologias, as inovações na comunicação e a globalização


resultaram em um aumento considerável do volume de informações disponíveis e
das alternativas que precisam ser consideradas, tornando-se praticamente impossível
tomar decisões sem o uso de sistemas de informações. Decisões com alto nível de
complexidade, que envolvem muito mais informações que o cérebro humano é capaz
de compreender, exigem prazos cada vez mais curtos para tomada de decisões. As
pessoas não têm mais tempo suficiente para examinar e analisar todas as informações
manualmente (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Os sistemas de informação executiva mais avançados já utilizam a inteligência


artificial para ajudar os executivos a tomar decisões estratégicas (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012). Um modelo de tomada de decisões bem conhecido, desenvolvido
por Herbert Simon, divide essa fase em três estágios: informação, projeto e escolha.
Este modelo foi mais tarde expandido por George Huber, com cinco estágios,
conforme Figura. 1.17.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 55


U1

Figura 1.17 Modelo de tomada de decisões de George Huber

Inteligência

Tomada de
decisão Projeto

Solução do
Escolha problema

Implantação

Monitoração

Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015).

No Quadro 1.2, são apresentadas, com mais detalhes, as descrições dos estágios
propostos por George Huber em um processo de tomada de decisões.

Quadro 1.2 Modelo de tomada de decisões de George Huber

Nesse estágio, são identi cados os potenciais problemas ou as


Inteligência
oportunidades e os recursos e limitações ambientais.
Nesse estágio, são desenvolvidas as soluções alternativas para o
Projet o
problema e avaliadas as suas viabilidades.
Nesse estágio, são selecionadas as ações que deverão ser tomadas
Escolha
para alcançar os objetivos.
Implantação Nesse estágio, as soluções escolhidas são colocadas em prática.
Nesse estágio, os tomadores de decisão avaliam as soluções
implantadas para determinar se os resultados esperados foram
Monitoração
alcançados, fazendo os ajustes necessários para que os objetivos
sejam plenamente atingidos.
Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015).

RFID (Radio Frequency IDentification)

É uma tecnologia de identificação por radiofrequência que permite muito mais


recursos que o uso do código de barras, pois possibilita o rastreamento instantâneo
dos produtos em todo o processo de produção, estoque e logística com um volume
considerável de informações sobre cada produto (PRADO; SOUZA, 2014).

56 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Figura 1.18: Cartucho de impressora jato de tinta com etiqueta RFID


O Walmart e o Departamento de Defesa dos
EUA, juntamente com alguns outros grandes
varejistas, exigem que seus fornecedores
utilizem etiquetas RFID em pallets e caixas que
são enviados para os centros de distribuição e
lojas selecionadas. Essa obrigatoriedade está
a ponto de gerar impacto sobre um grande
número de fabricantes e distribuidores em todo
o mundo. Enquanto as empresas procuram
utilizar a tecnologia em muitos cenários de
vários setores, as exigências do varejista são
a principal força orientadora por trás do atual
investimento na tecnologia.

Fonte: O autor (2015).

Pesquise mais
Veja mais informações sobre a aplicação do RFID no artigo da Microsoft:

SIKANDER, Javer. Cadeia de suprimentos no varejo com recursos


RFID. 2005. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 13 nov. 2015.

Saiba mais

Assista ao vídeo a seguir:

YOUTUBE. Apresentando a tecnologia RFID. 2012. Disponível em:


<[Link] O0dGr5ZBRhs>.

Acesso em: 13 nov. 2015.

A era da educação digital

Uma das grandes aplicações da internet é a sua utilização para educação e formação,
por meio de milhares de sites de organizações e universidades que disponibilizam

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 57


U1

diversos cursos, sem custo, com possibilidade, inclusive, de obtenção de certificação.


O caminho que a tecnologia traçou no meio educacional é sem volta. Vivemos na era
em que cada indivíduo pode construir o seu conhecimento (MORAN, 2002).

EAD (Educação à Distância)


É uma modalidade de ensino na qual a mediação didático-pedagógica nos
processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias
de informação e comunicação, permitindo que estudantes e professores desenvolvam
atividades educativas em lugares ou tempos diversos (MORAN, 2002).

Quadro 1.3: Alguns sites importantes sobre educação digital

Disponível em: <https:/ / [Link]/ >.


Acesso em: 13 nov. 2015.
Coursera
Acesso aos sites de universidades de todo
o mundo.
Disponível em: <http:/ / [Link]/
portal/ home>. Acesso em: 13 nov. 2015.
e- Aulas USP
Conferências e aulas da Universidade de
São Paulo.
Disponível em: <https:/ / [Link]/
Intell Developer Zone pt-br>. Acesso em: 13 nov. 2015.
Site da Intel com diversos cursos.
Disponível em: <https:/ / [Link].
Khan Academy org/ >. Acesso em: 13 nov. 2015.
Site para ensino de matemática.
Disponível em: http:/ / [Link]-
[Link]/ ?lang= pt-br>. Acesso em:
Microsoft Virtual Academy
13 nov. 2015.
Site da Microsoft com diversos cursos.
Disponível em: <https:/ / [Link]/ >.
Acesso em: 13 nov. 2015.
Site com palestras de renomados pro s-
TED
sionais.
(em inglês, mas diversos contêm legenda
em português).
Disponível em: <http:/ / [Link].
[Link]/ cursos>. Acesso em: 13 nov. 2015.
UNIVESP on- line
Site ligado à TV Cultura com diversos
cursos.
Disponível em: <http:/ / [Link].
br/ >. Acesso em: 13 nov. 2015.
Veduca
Site com cursos de diversas instituições de
ensino.
Fonte: O autor (2015)

58 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Faça você mesmo

Veja o vídeo sobre as revoluções que estão ocorrendo na educação de


Salman Khan:

YOUTUBE. Vamos reinventar a educação. 2012. Disponível em: <https://


[Link]/watch?v= xtV4QUjnBlI>. Acesso em: 13 nov. 2015.

Vocabulário

Inteligência artificial: é simplesmente uma maneira de fazer o computador


pensar de forma inteligente por meio do estudo de como as pessoas
pensam quando estão tentando tomar decisões e resolver problemas
(LEVINE, 1988).

Exemplificando

O sistema de controle de pedágios “Sem Parar” é um exemplo de aplicação


da tecnologia RFID. Quando o usuário dispõe desse serviço, ao passar
por uma praça de pedágio e se aproximar da cancela, é feita a leitura do
sensor do veículo e, se tudo estiver ok, a cancela é liberada e o valor do
pedágio é adicionado em um banco de dados. O pagamento acumulado
mensamente pode ser realizado através de transações bancárias.

Reflita

Que tipos de cursos complementares poderiam ser interessantes para


minha carreira?

Assimile

O e-Business não está necessariamente relacionado com a venda ou


compra de produtos ou serviços, mas, sim, ao processo de negociação on-
line. No fim da negociação, pode ou não haver uma transação comercial.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 59


U1

Sem medo de errar

Agora que os conceitos básicos já foram aprendidos, vamos resolver a situação-


problema 4: apresentar um cenário das tecnologias de computação, informação e
comunicação que estão revolucionando o mercado de negócios eletrônicos.

Para isso, a equipe de informática fez uma apresentação sobre as tecnologias


mais modernas que estão sendo utilizadas em sistemas de negócios eletrônicos e
que poderão ser implantadas na loja de autopeças de Sebastião. Entre as tecnologias
apresentadas, Sebastião se interessou por:

• Uso do Google Maps, que poderá ser implantado no site da loja para orientar os
clientes e fornecedores sobre a sua localização.

• Implantação de um sistema de comércio eletrônico (e-Commerce) que permita


a Sebastião comercializar seus produtos através da internet, o que possibilitará atingir
um número maior de clientes.

• Implantação de um sistema de tomada de decisão que poderá trazer informações


importantes para que Sebastião possa analisar com mais segurança quais serão os
próximos investimentos que poderão ser realizados em seu negócio.

• Uso da tecnologia RFID nos produtos da loja, que permitirá uma maior agilidade
nas operações de controle da loja, identificando com maior precisão todo o processo
de logística que poderá ser utilizado, considerando o crescimento previsto dos
negócios que serão realizados pela internet.

• Uso da internet para a realização de cursos para os funcionários e clientes, já que


muitos fornecedores da loja disponibilizam manuais e cursos sobre seus produtos,
sem qualquer custo. Para isso, Sebastião resolveu que vai fazer um investimento
para criar uma sala de treinamentos para que seus fornecedores possam ministrar
cursos presenciais que vão permitir que seus funcionários e clientes aprimorem seus
conhecimentos sobre as novas tecnologias que a indústria automobilística cria a
cada dia.

Saiba mais
Assista a um vídeo interessante que mostra a aplicação do RFID em
uma loja:

YOUTUBE. RFID – Sistema de Loja Inteligente. 2012. Disponível em: <https://


[Link]/watch?v=1s_fs33e5Dg>. Acesso em: 13 nov. 2015.

60 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Atenção!

O termo e-Commerce (eletronic commerce ou comércio eletrônico)


refere-se apenas a transações on-line de compra e venda, enquanto o
termo e-Business, derivado do termo e-Commerce, refere-se à realização
de negócios na internet, não apenas de compra e venda, mas, também, de
atendimento ao cliente e de colaboração com os parceiros de negócios.

Lembre- se

O software RIA é resultado do aperfeiçoamento contínuo das linguagens


de programação e das plataformas de hardware e software desenvolvidas
para explorar o máximo de recursos da web. O fato de estar on-line
permite enfatizar seus benefícios de um software colaborativo.

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is
In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apren de u, tran sfe rin do se us co n he cim e n to s para n ovas situ açõ e s
qu e po de e nco n trar no am bie nte de trabalh o. Re alize as atividade s e depo is co m pare- as co m as de
seu s co le gas.

“Ap lican d o a te cn o lo g ia RFID n o co m é rcio e le trô n ico”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d am e n to s Co nh e ce r e co m pre en de r as prin cipais tecno lo gias
d e Áre a re lacio n adas à in fo rm ação e à co m u nicação.
Co nh e ce r o ce nário das te cn o lo gias da in fo rm ação dispo n íve is
2. Ob je tivo s d e ap re n d iza g e m
e o se u futuro .
O ce n ário das te cn o lo gias da info rm ação e co m un icação n o
3. Co n te ú d o s re lacio n a d o s
am bien te o rganizacio n al.
Faça um a pesquisa na internet sobre o uso da tecnolo gia
RFID. Que tipo s de equipam ento s são necessário s para sua
utilização ? Quais são tipos de etiquetas que são utilizadas para
4. De scrição d a SP co m ércio eletrô nico ? Discuta co m seus colegas e pro fesso r
sobre a viabilidade de uso do RFID em pro duto s de baixo
custo. Co nsulte o case do Walm art, que é co nsiderado um do s
m aiores usuários desta tecnolo gia.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 61


U1

O RFID utiliza u m a te cn olo gia de ide nti cação auto m ática


po r apro xim ação que u tiliza a radio fre quên cia. Apesar de
se r co n he cida de sde a década de 1960, ve m se ndo utilizada
co m m aio r in te nsidade n o s últim o s ano s e m aplicaçõ es
qu e fo cam a cadeia de suprim e nto s, rastream en to de
anim ais e pe dágio s. Traz grandes be ne fício s, co m o redução
do s n íve is de inve n tário , custo s de tran spo rtes, redução
5. Re so lu çã o d a SP do tem po de e ntrega, redução n o s custo s lo gístico s. Os
prin cipais e qu ipam en to s para sua im ple m e ntação são o s
le ito res, an te nas e transponders inte grado s co m sistem as de
co m pu tação e auto m ação . Existe m do is tipo s de etique tas
de RFID: ativa e passiva. O prin cipal m o tivo pe lo qual o s
có digo s de barra não são substitu ído s pe lo RFID é o custo das
etique tas, qu e ain da é alto para se r aplicado em pro duto s de
baixo cu sto.

Lembre- se

O EAD é uma grande ferramenta para você aprimorar os seus


conhecimentos. Visite os sites apresentados no Quadro 1.3 e escolha os
cursos pelos quais tenha interesse. Aproveite, pois muitos desses cursos
não possuem nenhum tipo de custo e muitos até fornecem certificados
que podem valorizar o seu conhecimento.

Faça você mesmo

Faça uma pesquisa para entender a diferença entre as etiquetas RFID


ativa e RFID passiva.

62 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Faça valer a pena!

1. O que é um software RIA (Rich Internet Application)?

a) Software de sistemas de informação para grandes empresas.


b) Software para controle de aplicações militares via internet.
c) Software para acesso de sistemas bancários e financeiros via internet.
d) Software que tem todas as funcionalidades de um software tradicional,
mas é executado via internet.
e) Software com controle de sistemas bancários e financeiros.

2. Que tipo de software permite explorar o compartilhamento e o uso


colaborativo com o uso da internet?

a) Software RIA (Rich Internet Application).


b) Software RISC (Reduced Instruction Set Computer).
c) Software livre.
d) Software de redes sociais.
e) Software de edição de imagem.

3. O termo e- Business (eletronic business ou negócio eletrônico) é


utilizado para:

a) Atividades de compras realizadas por meio do uso de computadores,


redes e internet.
b) Atividades de vendas realizadas por meio do uso de computadores,
redes e internet.
c) Atividades de compras e vendas realizadas por meio do uso de
computadores, redes e internet.
d) Atividades comerciais realizadas por meio do uso de computadores,
redes e internet.
e) Atividades de pesquisas de preços realizadas por meio do uso de
computadores, redes e internet.

Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al 63


U1

64 Te cn o lo gia da in fo rm ação e co m u nicação n o am bie nte o rgan izacio n al


U1

Referências

BALTZAN, Paige; PHILLIPS, Amy. Sistemas de informação. Porto Alegre: AMGH, 2012.
MORAN, José Manuel. Educação Inovadora, 2005. Disponível em: <[Link]
[Link]/prof/moran/>. Acesso em: 08 dez. 2015.
O'BRIEN, James A. Sistemas de informação e as decisões gerenciais na era da internet.
3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
PALMISANO, Angelo; ROSINI, Alessandro Marco. Administração de sistemas de
informação e a gestão do conhecimento. 2. ed. São Paulo: CENGAGE, 2011.
PRADO, Edmir Parada Vasques; SOUZA, Cesar Alexandre de. Fundamentos de Sistemas
de Informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
SANTOS, Aldemar de Araújo. ERP e sistemas de informações gerenciais. São Paulo:
Atlas, 2013.
SEBESTA, Robert W. Conceitos de linguagens de programação. 9. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2011.
SILVA, Nelson Peres da. Análise e estruturas de sistemas de informação. 2. ed.
São Paulo: Érica, 2014.
STAIR, Ralph M.; REYNOLDS, George W. Princípios de sistemas de informação. São
Paulo: Cengage, 2015.

Te cn o lo gia da In fo rm ação e Co m un icação n o Am bie n te Organ izacio n al 65


Unidade 2

CLASSIFICAÇÃO DOS
SISTEMAS COMPUTACIONAIS

Convite ao estudo

A crescente evolução dos computadores permitiu a criação de diversos tipos


de computadores e dispositivos computadorizados que muitas vezes os usuários
têm dificuldade para escolher o melhor equipamento para uma determinada
aplicação. Na Unidade 2, vamos estudar os diversos tipos e classificações dos
Sistemas Computacionais e vamos explorar as suas principais características.
Após completar esta unidade, você será capaz de definir qual o melhor tipo de
sistema de computação para cada tipo de aplicação.

Os objetivos de aprendizagem desta unidade são:

1. Entender os conceitos gerais sobre sistemas de computação.

2. Conhecer as principais classificações e características dos Sistemas


Computacionais.

3. Conhecer os principais tipos de sistemas de informação.

4. Conhecer os principais impactos da internet nos Sistemas de Informação.

Uma agência de publicidade acaba de fechar um grande negócio com


uma importante indústria de alimentos para renovação de todo o projeto de
marketing da companhia. Vera, a proprietária da agência, resolve então fazer
alguns investimentos para renovar os equipamentos de TI de sua agência. Mas,
devido ao crescimento acelerado da indústria de TI nos últimos anos, com
muitos lançamentos de equipamentos e novas tecnologias, a equipe de projetos
está encontrando dificuldades para decidir sobre as novas aquisições, pois cada
departamento da empresa possui uma necessidade específica. Para conhecer
os novos equipamentos e as novas tecnologias de TI disponíveis no mercado, a
agência decidiu convidar alguns dos principais fornecedores de equipamentos
de TI para apresentarem seus produtos. Quais serão os requisitos principais a
serem observados para que a agência possa obter o máximo de performance
de sua equipe na realização de novos projetos?
U2

Os conceitos desta unidade são fundamentais para que você consiga


compreender os diversos tipos de sistemas de computação e ajudar Vera,
a proprietária da agência de publicidade, a definir onde deverão ser feitos os
novos investimentos para que a agência possa oferecer os melhores serviços
aos seus clientes. Descubra como fazer as melhores escolhas de sistemas de
computação para as suas aplicações.

68 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Seção 2.1

Fundamentos e estrutura geral de um sistema de


computação

Diálogo aberto

Nesta seção vamos abordar alguns dos principais conceitos e fundamentos básicos
sobre o hardware e software de um sistema de computação. É muito importante que
qualquer usuário de um sistema computadorizado conheça os principais elementos
que fazem parte do sistema. Você vai conhecer os principais periféricos e dispositivos
que são utilizados nos sistemas de computação de qualquer porte.

Por que a informação sobre hardware e software é importante? Porque as


organizações investem muito dinheiro tanto em um quanto no outro para melhorar a
produtividade, aumentar a receita, reduzir custos e oferecer um melhor serviço para
seus clientes. Portanto, a escolha do hardware e do software certo exige a compreensão
da relação com o sistema de informação e as necessidades da organização. As
organizações que não são capazes de investir com inteligência na aquisição destes
elementos podem colocar seus negócios em risco (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Uma agência de publicidade acaba de fechar um grande negócio com uma


importante indústria de alimentos para renovação de todo o projeto de marketing da
companhia. Vera, a proprietária da agência, resolve então fazer alguns investimentos
para renovar os equipamentos de TI de sua agência. Mas, devido ao crescimento
acelerado da indústria de TI nos últimos anos, com muitos lançamentos de
equipamentos e novas tecnologias, a equipe de projetos está encontrando dificuldades
para decidir sobre as novas aquisições, pois cada departamento da agência possui uma
necessidade específica. Para conhecer os novos equipamentos e as novas tecnologias
de TI disponíveis no mercado, a agência decide convidar alguns dos principais
fornecedores de equipamentos de TI para apresentarem seus produtos. Quais serão
os requisitos principais a serem observados para que a agência possa obter o máximo
de performance de sua equipe na realização de novos projetos?

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 69


U2

A Seção 1 da Unidade 2 possibilitará a você, aluno, conhecer os principais conceitos


para especificação de um sistema computacional. O objetivo de aprendizagem desta
seção é entender os conceitos gerais sobre sistemas de computação.

Não pode faltar

Um computador é composto por dois elementos principais: hardware e


software, conforme descrito a seguir:

Hardware

É o conjunto de todos os dispositivos que compõem a arquitetura de um


computador, como: processador, memórias, teclado, mouse, monitor, redes,
placas de vídeo, barramentos e todos os demais dispositivos que estão conectados
ao computador (STAIR; REYNOLDS, 2015).

O hardware básico de um computador é formado por três elementos principais:

∞ CPU, m em ória e dispositivos de entrada e saída (tam bém conhecidos


com o periféricos)

Figura 2.1| Hardware básico de um sistema computacional

Periféricos CPU
Periféricos
de entrada (Unidade de
de saída
procesamento)

Dispositivos
de memória

Fonte: O autor (2015).

CPU (Central Processing Unit) ou UCP (Unidade Central de Processamento)

Também conhecida como processador. É o elemento principal de um


computador. Podemos dizer que pode ser considerado o cérebro do computador.
Responsável por realizar o gerenciamento de todas as tarefas, cálculos e
lógicas realizadas pelo computador. No caso dos microcomputadores, tablets

70 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

e smartphones, esta função é executada por microprocessadores. No caso de


computadores de maior porte, a CPU é formada por diversos processadores que
trabalham em conjunto para aumentar a capacidade de processamento. Um
processador multicore combina dois ou mais processadores independentes em um
único chip, para que possam compartilhar a carga de trabalho e elevar a capacidade
de processamento, como a execução de múltiplas tarefas simultaneamente (por
exemplo: usar um editor de textos enquanto um CD é gravado). Quando uma
organização seleciona uma CPU, deve levar em consideração os benefícios de
velocidade de processamento com o consumo de energia e o custo. Quanto mais
rápidas as máquinas, (os computadores) mais caras e mais energia é consumida
pela CPU (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Agora conheça os principais elementos componentes do hardware e sua


função em um sistema computacional:

Memória

Pode ser considerada como o segundo elemento mais importante de


um computador. Existem três tipos de memória em um computador (STAIR;
REYNOLDS, 2015):

∞ Memória principal

Conhecida também como memória RAM (Random Access Memory ou Memória


de Acesso Aleatório), é uma memória volátil utilizada para armazenar programas e
dados durante a operação do computador.

∞ Memória cache

Memória volátil de alta velocidade, mas com baixa capacidade de


armazenamento. Fica localizada entre o processador e a memória principal e
possui uma cópia de parte dos dados contidos na memória principal. Quando o
processador precisa acessar um dado da memória principal, ele verifica primeiro
se o dado está disponível na cache e, se estiver, ele utiliza o dado normalmente.
Quando o processador não encontra o dado na cache, ele busca o dado na
memória principal e faz uma cópia do bloco de dados de onde o dado foi localizado
e armazena na cache.

∞ Memória secundária

Memória não volátil, mais lenta que a memória principal, utilizada para
armazenar programas e dados que não podem ser perdidos quando o computador
é desligado, por exemplo, HD (Hard Disk) ou Disco Rígido.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 71


U2

Dispositivos de entrada e saída

Também conhecidos como periféricos, podem ser divididos em duas categorias


(MACHADO; MAIA, 2014):

∞ Dispositivos de armazenamento

Responsáveis pelo armazenamento de dados e programas que não são perdidos


quando o computador é desligado. Entre estes dispositivos estão: HD, disquete,
fitas magnética, pendrive, discos óticos (CD e Blu-Ray), cartões de memória, etc.
Podem ter seus dados alterados a qualquer momento pelo usuário.

∞ Dispositivos de interface com o usuário

Teclado, mouse, monitor, impressora, plotter, caixas de som, joystick, scanner,


leitores de cartões de memória, reprodutor de MP3, etc.

Vocabulário

Memória volátil: é a que perde os dados armazenados quando o


computador é desligado.

Software: é o conjunto de programas que controlam a operação do


computador (STAIR; REYNOLDS, 2015). Pode ser dividido em duas
categorias principais (FOROUZAN; MOSHARRAF, 2011):

∞Sistema Operacional;

∞ Aplicativos.

Reflita

O software tem um impacto profundo, tanto Figura 2.2 | Importância


nos indivíduos como nas organizações. Ele do software nos negócios
pode fazer a diferença entre lucros e perdas
e entre saúde financeira e falência. Sabendo
disso, as organizações reconhecem esse
impacto e gastam mais em software do que em
harware
computadores (STAIR; REYNOLDS, 2015).
software
Fonte: adaptado de<http://
w ww .[Link]/ photo/
balance- 1172786>. Acesso em: 19
jan. 2016.

72 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Sistema operacional

É uma interface entre o hardware do computador e o usuário, que facilita a


execução de outros programas e o acesso aos recursos de hardware e software.
O sistema operacional permite que um usuário do computador possa executar
tarefas sem conhecer os detalhes de funcionamento do hardware. Exemplos de
sistemas operacionais: Windows, OS X, Android, Unix, Linux, OS/ 2, DOS, CPM, etc.
(FOROUZAN; MOSHARRAF, 2011).
Figura 2.3 | Funções básicas de um sistema operacional

Inteface com
usuário

Gerenciamento Gerenciamento de
Gerenciamento Utilitários e outras
de recursos de arquivos de dados
de tarefas funções
hardware e programas
Fonte: Adaptado de O’Brien (2011).

O processo de inicialização do sistema operacional é composto por dois


estágios principais (FOROUZAN; MOSHARRAF, 2011):

∞ Boot ou Bootstrap.

∞ Carregamento do sistema operacional.

Boot ou Bootstrap

Quando um com putador é ligado, um program a arm azenado em um chip


de m em ória não volátil, conhecido com o BIOS (Basic Input/ Output System ),
é executado para realizar um a série de testes de hardware (conhecidos com o
POST (Power on Self Test). Se os testes forem aprovados o carregam ento
do sistem a operacional é liberado. Todo esse procedim ento de testes e
carregam ento do sistem a operacional é conhecido com o boot ou bootstrap
(MACHADO; MAIA, 2014).

Figura 2.4 | Chip de memória com BIOS

Fonte: <[Link] /media/File:ROM_BIOS.jpg>. Acesso em: 7 nov. 2015.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 73


U2

Pesquise mais
O BIOS é gravado pelo fabricante da placa da CPU. Alguns computadores
permitem a alteração do BIOS, o que deve ser feito somente por
profissionais especializados, pois existe o risco de danificar o computador.
O BIOS é responsável por fazer os primeiros acessos aos dispositivos que
estão instalados no computador (disco rígido, teclado, vídeo), criando
condições para que o sistema operacional seja carregado e comece a
operar. Depois que o sistema operacional é carregado, ele passa a assumir
as funções de acesso ao hardware (ALBERTO; ROQUE, 2015).

Aplicativos

São os programas utilizados pelos usuários, para a realização de diversas tarefas


como processador de textos, planilhas, bancos de dados, jogos, tocadores de música,
antivírus, edição de imagem e demais ferramentas que são utilizadas pelos usuários.

Estamos vivendo um momento de grande transformação no modo de utilização


dos programas aplicativos pela mudança da forma de comercialização de software
como serviço e não mais como produto (computação em nuvem), que dispensa
a instalação de software no computador, permitindo o uso de computadores com
menor capacidade de armazenamento em discos rígidos.

Os programas aplicativos são projetados para serem executados em um


determinado sistema operacional. Os programas aplicativos que são projetados
para serem executados em diversos tipos de hardware e sistemas operacionais
possuem a característica de independência de hardware.

Faça você mesmo

Agora faça uma lista sobre todos os periféricos de um computador que


você conseguir lembrar e identifique se o periférico é um dispositivo de
entrada ou saída. Depois tire suas dúvidas com o professor.

Linguagens de programação

Os aplicativos e demais programas são desenvolvidos por meio de linguagens


de programação, que são linguagens projetadas para expressar tarefas que possam
ser executadas por um computador.

74 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

As linguagens de programação possuem diversas ferramentas para auxiliar o


programador no desenvolvimento de aplicações e para a conversão dos programas
em códigos que podem ser executados pelo computador. A escolha da linguagem
de programação a ser utilizada para o desenvolvimento de uma aplicação depende
muito do tipo da aplicação a ser desenvolvida. Cada linguagem possui recursos
específicos que permitem otimizar um determinado tipo de aplicação (MACHADO;
MAIA, 2014).

Exemplificando

Exemplo de programa em Linguagem Figura 2.5 | Exemplo de


PASCAL para calcular a média de 2 linguagens de programação
números.

Program media;
var N1, N2, M : real;
begin
write('Primeiro Número ? ');
readln(N1);
write('Segundo Número ? ');
readln(N2);
M := (N1+N2)/2; Fonte: O autor (2015).
writeln('Média = ', M);
end.

Os programas de computadores estão sujeitos a bugs (erros encontrados


nos programas) que podem causar grandes problemas de interrupção de
um determinado serviço. Para evitar os bugs dos programas, os fabricantes de
software desenvolvem diversas ferramentas que são utilizadas em conjunto com as
linguagens de programação durante o desenvolvimento, para auxiliar a detecção
dos eventuais bugs em uma aplicação.

Assimile

Quando o Facebook precisou adicionar dois novos centros de dados,


escolheu montar seus próprios computadores customizados, em vez
de adquirir os mesmos de fabricantes tradicionais. Os computadores
instalados tinham apenas os componentes mínimos necessários para
a execução de funções específicas. Como resultado, os custos de
montagem e adaptação foram reduzidos em cerca de 24% (STAIR;
REYNOLDS, 2015).

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 75


U2

Banco de dados

É um conjunto integrado de elementos de dados relacionados logicamente.


Reúne os registros armazenados previamente em arquivos distintos em uma
fonte comum de registros de dados, fornecendo os dados que são utilizados em
muitas aplicações. Os dados são armazenados em um banco de dados e são
independentes dos programas aplicativos que os utilizam e do tipo de dispositivos
de armazenamento secundário nos quais estão armazenados (O’BRIEN, 2011):

Dados armazenados no banco de dados de clientes:

Nome Figura 2.6 | Exemplo de um


Endereço pessoal Banco de Dados de clientes
Endereço trabalho
Telefones pessoais
Telefones trabalho
Banco de Dados
E-mail de Clientes
Profissão
Estado Civil
Fonte: O autor (2015).

Como exemplo podemos citar o Banco de Dados de clientes de uma empresa,


que contém o cadastro de todos os clientes e é utilizado quando a empresa
precisa buscar os dados de um determinado cliente para realizar uma determinada
operação.

Sem medo de errar

Agora que os conceitos básicos já foram aprendidos, vamos resolver a


situação-problem a 1:

Passo 1: Definir o hardware dos computadores para cada departamento da agência

Para definir o hardware de um computador é preciso estar atento aos


seguintes itens:

∞Cada tipo de aplicação pode se beneficiar por um tipo específico de hardware,


portanto, antes de definir o hardware é preciso conhecer quais serão os tipos de
atividades a serem executadas pelo computador.

∞Escolha da CPU: é um dos principais elementos que impactam no desempenho


de um computador. A escolha deve levar em consideração os benefícios de
velocidade de processamento com o consumo de energia e o custo.

76 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

∞ Definição da quantidade de memória principal (RAM): por ser considerado


o segundo elemento mais importante que impacta no desempenho de um
computador, deve ser determinado em função do tipo de aplicação que será
utilizada. Quanto mais complexos os aplicativos utilizados, maior deve ser a
quantidade de memória do computador.

∞ Definição da quantidade de memória secundária: a especificação desse


tipo de memória também depende muito do tipo de aplicação. Aplicações com
bancos de dados, por exemplo, precisam de dispositivos com grande capacidade
de armazenamento. As aplicações que utilizam exclusivamente a computação na
nuvem podem ser beneficiadas com a redução da capacidade de armazenamento
local, ou seja, podem utilizar HDs com menor capacidade, o que reduz o custo
final do computador.

∞ Definição do tipo de monitor: também depende muito da aplicação. Para


aplicações que utilizam programas gráficos e CAD, é recomendado o uso de
monitores maiores, pois permitem um ganho de produtividade e qualidade de
trabalho.

∞ Definição do tipo de impressora: também depende muito da aplicação e do


volume de impressão. Em aplicações com alto volume de impressão, a impressora
laser tem uma melhor relação custo/ benefício que a impressora jato de tinta.
No caso de empresas de engenharia que precisam imprimir grandes desenhos
(tamanhos A2, A1 ou A0), é necessário o uso de plotters, já que as impressoras
disponíveis no mercado permitem a impressão até o tamanho A3.

∞ Empresas que trabalham com atividades multimídia devem estar atentas à


escolha das placas de áudio e vídeo que atendam aos requisitos de trabalho.

Passo 2: Definir o software dos computadores.

A escolha do sistema operacional depende muito dos tipos de aplicativos que


serão utilizados. Alguns aplicativos são desenvolvidos exclusivamente para um
determinado sistema operacional. Com a instalação de um software de máquina
virtual, é possível utilizar em um único computador diversos sistemas operacionais.
Neste caso, o computador precisa de um hardware que suporte a instalação de
vários sistemas operacionais.

Passo 3: Definir a Linguagem de Programação.

Este é um passo que só interessa a quem quiser desenvolver programas. O


usuário que vai utilizar aplicativos disponíveis no mercado não precisa se preocupar
com a aquisição deste tipo de software. Se o usuário pretende desenvolver
qualquer tipo de programa, será preciso adquirir as ferramentas necessárias para o
desenvolvimento, que dependem muito do tipo de aplicação a ser desenvolvida.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 77


U2

Cada tipo de aplicação possui uma ou mais linguagens apropriadas para o seu
desenvolvimento. Um importante fator a ser considerado no desenvolvimento de
um programa é o conhecimento da linguagem de programação a ser utilizada, o
que pode representar uma barreira para alguns programadores.

Atenção!

Escolha o monitor com um tamanho apropriado para a realização das


tarefas. O departamento de criação, por exemplo, precisa de monitores
coloridos de alta resolução para a execução de trabalhos de qualidade.

Lembre- se

Cuidado ao escolher a quantidade de memória RAM, pois é um dos


itens mais importantes para um bom desempenho do computador.
Um computador com pouca memória RAM pode apresentar um baixo
desempenho em alguns tipos de aplicações.

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is co m pare - as co m as de
se us co le gas.
“Esp e ci can d o o h a rd w are d e u m m icro co m p u ta d o r”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Especi car o hardware de um microcomputador.
d e á re a
• Entender os conceitos gerais sobre sistemas de
computação.
• Conhecer as principais classi cações e características dos
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m sistemas computacionais.
• Conhecer os principais tipos de sistemas de informação.
• Conhecer os principais im pactos da internet nos sistemas
de informação.
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s Fundamentos e estrutura geral de um sistema de computação.

78 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Faça uma pesquisa na internet nos sites de fabricantes de


4. De scriçã o d a SP m icros para identi car os detalhes de especi cação de um
m icro.
Faça um levantamento para avaliar o custo de três opções
disponíveis de um notebook observando:
∞ Tipo de processador.
∞ Velocidade do processador.
∞ Quantidade de memória (básica e expansão).
∞ Dispositivos de entrada/ saída disponíveis:
- Mouse (com o/ sem o).
- Teclado (com o/ sem o).
∞ Sistema Operacional.
5. Re so lu çã o d a SP
∞ Dispositivos de armazenamento (HD).
∞ Placas de vídeo.
∞ Tamanho/ resolução do monitor.
∞ Outras interfaces.
Dica: Consulte o site da Dell ([Link]) e leia o
item “Ajude-me a escolher: processador” para que você
possa entender melhor por que existem várias opções de
escolha de um processador. Observe como a escolha do
processador impacta no custo nal do computador.

Faça você mesmo

Faça agora uma nova pesquisa, mas com opções disponíveis de desktop
e verifique se os recursos disponíveis são compatíveis com os levantados
acima.

Lembre- se

Antes de escolher um computador descubra para que tipo de atividade


ele será utilizado.

Faça valer a pena

1. Conjunto de dispositivos que compõem a arquitetura de um


computador:
a) Processador.
b) Hardware.
c) Firmware.
d) Software.
e) CPU.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 79


U2

2. Elementos que compõem o hardware básico de um computador:


a) Processador, CPU e software.
b) CPU, teclado e monitor.
c) CPU, memória e periféricos.
d) Processador, firmware e hard disk.
e) Teclado, monitor e hard disk.

3. Das opções abaixo, qual pode ser considerada como elemento


principal de um computador?
a) CPU.
b) Memória.
c) Hard Disk.
d) Software.
e) Fonte.

80 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Seção 2.2

Principais classificações e características dos


sistemas computacionais

Diálogo aberto

Nesta seção vamos abordar os principais tipos e características de sistemas


computacionais, englobando desde os equipamentos mais simples, com menor
capacidade de processamento, até os supercomputadores, utilizados para aplicações
que necessitam de alto poder de processamento. O profissional de TI enfrenta
desafios diários em sua carreira para definir os melhores equipamentos para cada tipo
de aplicação e, portanto, deve estar preparado para encontrar as melhores soluções.
Não existe uma única fórmula para decidir qual o melhor equipamento, pois não existe
uma única solução possível. Temos sempre que levar em consideração fatores como
custo, poder de processamento, tipo de usuário, tipo de aplicação, etc.

É o que ocorre na agência de publicidade de Vera, que possui diversos


departamentos, em que cada um tem necessidades específicas. Após a decisão sobre
os requisitos dos equipamentos que serão adquiridos pela agência de publicidade de
Vera, a equipe de projetos agora precisa decidir que tipos de equipamentos poderão
ser utilizados para a realização de novos projetos. Quais equipamentos seriam mais
adequados para cada atividade realizada na empresa, já que cada atividade possui
requisitos próprios de qualidade e desempenho?

Na última seção fizemos uma abordagem sobre hardware, software, sistema


operacional e linguagens de programação. Nesta seção vamos identificar como estes
elementos são aplicados em cada tipo de sistema computacional, ou seja, cada tipo
de computador existente.

De forma a atender o objetivo de aprendizagem proposto, esta aula possibilitará


a você, aluno, conhecer com mais detalhes os principais tipos e características dos
sistemas computacionais. Após concluir esta seção, você estará melhor preparado

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 81


U2

e seguro nas escolhas que fará quando surgirem novos desafios. Mas não pare por
aqui, continue sempre em busca de novas informações, pois novos equipamentos
e novas tecnologias surgem a todo momento e o profissional de TI deve estar
sempre atualizado.

Não pode faltar

As principais mudanças e tendências nos sistemas de computação ocorreram


durante períodos conhecidos como gerações, com características, conforme a
tabela 2.1 (O’BRIEN, 2011).
Tabela 2.1| Gerações de computadores
Primeira Segunda ger. Terceira ger. Quarta ger. Quinta ger.
ger.

Tamanho dos Mainframe Mainframe Microcomputador Microcomputador Computadores


computadores tamanho tamanho tamanho mesa mesa e laptops em rede (todos
sala armário os tamanhos)
Rede Nenhuma Terminais Redes baseadas Redes locais e Internet,
de vídeo em mainframes e Cliente/ Servidor intranets e
conectados minicomputadores extranets
aos
mainframes
Circuito Válvulas Transistores Circuitos Circuitos Circuitos
integrados baixa integrados alta integrados
densidade densidade muito alta
densidade
Custo US$ 10,00 US$ 1,00 US$ 0,10 US$ 0,001 US$ 0,0001
(milhão de
instruções)

Fonte: Adaptado de O’Brien (2011).

De um modo geral, podemos classificar os sistemas computacionais em duas


categorias principais (STAIR; REYNOLDS, 2015):

Computadores de uso geral

Utilizados para as mais diversas aplicações, como negócios, uso pessoal,


entretenimento, educação, etc. Podem ser divididos em dois grupos principais:

∞ Computadores monousuários, para uso de um único usuário. Podem ser


portáteis ou não portáteis. Ver tabelas 2.2 e 2.3.

∞ Computadores multiusuários, que permitem o uso por vários usuários


simultaneamente. Ver tabela 2.4.

82 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Tabela 2.2| Computadores de uso geral – monousuários (portáteis)

Computadores de uso geral: monousuários (portáteis)


Handhelds, Laptops Notebooks Netbooks Tablets
Palmtops, PDAs
e Smartphones
Uso típico Organização de Aplicações Aplicações Aplicações Aplicações
dados pessoais que requeiram que requeiram que requeiram que requeiram
mobilidade mobilidade mobilidade com mobilidade
baixo poder de e uso de
processamento internet
Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015).

Tabela 2.3| Computadores de uso geral: monousuários (não portáteis)

Computadores de uso geral: monousuários (não portáteis)


Thin Client Desktops Nettop Estação de
trabalho
Uso típico Entradas de Uso geral, Substituição de Aplicações de
dados, consultas com poder de Desktops com engenharia e
a bancos de processamento, m enor consum o desenvolvim ento
dados e acesso memória e de energia de software
a aplicativos via arm azenamento
internet para
a maioria
das tarefas
empresariais
Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015).

Tabela 2.4| Computadores de uso geral: multiusuários

Computadores de uso geral: multiusuários


Servidor Mainframe Supercomputador
Uso típico Aplicações de rede Aplicações Aplicações
e internet de grandes científicas,
organizações e m atemáticas,
arm azenamento m ilitares,
de grande volume simulação,
de dados previsão de tempo
Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015).

Computadores de uso específico

Utilizados em aplicações especiais (militares, científicas, automação (veículos,


industrial, predial, comercial, etc.), equipamentos industriais, etc.).

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 83


U2

Computadores de uso geral: monousuários

a) Handhelds, Palmtops, PDAs e Smartphones

Equipamentos para uso de um único usuário, que agregam diversas


funcionalidades. São a evolução das agendas eletrônicas. Possuem uma grande
variedade de programas utilitários para o uso diário como agenda, lista de
contatos, GPS, mapas, aplicativos de comunicação, previsão do tempo, jogos e
muitos possuem acesso a redes sem fio e internet. Atualmente os Smartphones
ocupam esta categoria de equipamentos, combinando as funcionalidades de
um telefone celular com câmera digital, computador pessoal, e-mail, tocador de
MP3, navegador WEB e acesso às redes sociais em um único dispositivo (STAIR;
REYNOLDS, 2015).

Figura 2.7 | Handheld Figura 2.8 | Palmtop Figura 2.9 | PDA

Fonte: <[Link] Fonte: <[Link] Fonte: <[Link]


c o m / p h o t o / c o m p aq - ip aq - photo/palm- 1- 1456919>. Acesso em: com/photo/pda- 1242244>.
wireless- stylus- 1474463>. Acesso 20 nov. 2015 Acesso em: 20 nov. 2015
em: 20 nov. 2015.

Exemplificando

O iPhone da Apple é um exemplo típico de smartphone que combina as


funcionalidades de um telefone celular, câmera, e-mail, acesso à internet
e outros recursos em um único dispositivo portátil.

b) Laptops

São computadores pessoais projetados para permitir a mobilidade. São


pequenos e leves para facilitar o uso no colo de seus usuários. Podem ter um
poder de processamento e armazenamento de informações compatível com um
micro-desktop (STAIR; REYNOLDS, 2015). Ver Figura 2.10.

84 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

c) Notebooks

Podemos dizer que laptops mais leves, finos e menores e, normalmente,


possuem uma menor capacidade de processamento. Os modelos mais simples
geralmente não vêm equipados com leitores de CD, DVD ou Blu-ray. Como são
mais finos que os laptops, suas baterias permitem um tempo menor de trabalho
(STAIR; REYNOLDS, 2015). Ver Figura 2.11.

d) Netbooks

Pertencem à categoria dos laptops, porém menores, mais leves e mais baratos.
Possuem baixa capacidade de processamento e são limitados quanto ao uso de
aplicativos simultaneamente. Normalmente, utilizam versões mais simples dos
sistemas operacionais tradicionais (STAIR; REYNOLDS, 2015). Ver Figura 2.12.

Figura 2.10 | Laptop Figura 2.11 | Notebook Figura 2.12| Netbook

Fonte: <[Link] Fonte: <[Link] Fonte: <[Link]


photo/laptop- 1242490>. photo/notebook- 2- 1240405>. [Link]/ wiki/File:Averatec-
Acesso em: 20 nov. 2015. Acesso em: 20 nov. 2015. [Link]?uselang=pt- br>.
Acesso em: 20 nov. 2015

É muito difícil diferenciar laptop, notebook e netbook, pois existe uma grande
variedade de produtos no mercado com características compatíveis e até com
hardware e custos semelhantes.

e) Tablets

São pequenos computadores, sem teclado, que utilizam a própria tela para
entrada de dados. Alguns modelos permitem o uso de canetas especiais. Os Tablets
PC são equipamentos com maior capacidade de processamento, pois integram as
características de um laptop e de um tablet em um único equipamento (STAIR;
REYNOLDS, 2015). Ver Figuras 2.13 e 2.14.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 85


U2

Figura 2.13 | Tablet Figura 2.14 | Tablet PC

Fonte: O autor (2015). Fonte: <[Link]


photo/tablet- pc- 1- 1237869>. Acesso em:
20 nov. 2015.

Pesquise mais
Veja mais informações sobre os diversos tipos de Tablets PC no artigo
a seguir:

MICROSOFT. O que e um Tablet PC?. 2003. Disponível em: <https://


[Link]/brasil/windowsxp/tabletpc/evaluation/[Link]>.
Acesso em: 20 nov. 2015.

Reflita

Os tablets apresentam uma série de recursos que permitem novas


aplicações para um sistema de computação portátil. Procure identificar
alguns tipos de aplicações em que os tablets possam ser utilizados com
vantagem em relação aos desktops e laptops.

f) Thin Client

É um computador de baixo custo, com processamento limitado e com hardware


muito simples. Não possui drives (CD, DVD ou Blu-ray) e nem slots de expansão.
Utilizado normalmente apenas para aplicações que acessam redes e computação
na nuvem, como terminais de acesso a outros sistemas (STAIR; REYNOLDS, 2015).
Ver Figura 2.15.

86 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Assimile

Thin Client é um computador de baixo custo, com processamento


limitado e com hardware muito simples (não possui drives de CD, DVD
ou Blu-ray) e nem slots de expansão (STAIR; REYNOLDS, 2015). Ver Figura
2.15.

g) Desktop

Computador criado para uso sobre uma mesa. É o tipo mais comum de
computador pessoal não portátil, utilizado para as mais diversas aplicações.
Possui uma grande vantagem em relação aos notebooks, pois permite que o seu
hardware seja livremente configurado de acordo com a necessidade do usuário
(MICROSOFT, 2015). Ver Figura 2.16.

h) Nettop

Computador de mesa de baixo custo, menor, mais leve e projetado para


consumir menos energia do que um desktop. Possui um hardware mais completo
que um Thin Client, mas é inferior a um desktop, sendo uma boa opção para uso
de aplicações simples e aplicativos de computação na nuvem (STAIR; REYNOLDS,
2015). Ver Figura 2.17.

i) Estação de trabalho

Também conhecida como Wokstation é um computador pessoal com alto


poder de processamento e grande capacidade de memória, usado para aplicações
que exigem alto desempenho como aplicações de CAD, programas de engenharia
e cálculos matemáticos, edição de vídeo, mas com tamanho ainda compatível
para caber em uma mesa de trabalho. Pode ter a aparência de um desktop ou de
um laptop (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Figura 2.15 | Thin Client Figura 2.16| : Desktop Figura 2.17| Nettop

Fonte: <[Link] Fonte: <[Link] Fonte: <[Link]


wikipedia/ commons/ 8/ 82/ Fujitsu_ c o m / i m ag es/ p r evi ew s/ c 3 3 / org/ wiki/Category:Nettops# /media/
Futro_S10 0 _Thin_Client- Single_ co m positio n- 2- 15530 0 0 .jpg>. File:2009_Taipei_IT_Month_Day1_
Client_%283671388816%[Link]>. Acesso em: 20 nov. 2015. Acer_Aspire_Revo.jpg>. Acesso em: 20
Acesso em: 20 nov. 2015. nov. 2015.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 87


U2

Além dos computadores já apresentados, vamos abordar agora alguns tipos


de computadores mais complexos, mas muito importantes para aplicações que
exigem grande capacidade de processamento.

Computadores de uso geral: multiusuários

a) Servidor

Computador projetado para ser utilizado por vários usuários simultaneamente,


com grande capacidade de comunicação rápida e eficiente. Possui alta capacidade
de armazenamento de dados e informações e memória de grande capacidade.
Pode ser utilizado como servidor web, servidor de arquivos, servidor de dados
e outras aplicações que requisitam atividades em rede. São computadores que,
normalmente, possuem sistemas de alimentação de emergência para evitar a
interrupção de serviços considerados estratégicos. Podem suportar grandes
bancos de dados e aplicações que exigem grande escalabilidade, que consiste
na habilidade para aumentar a capacidade de processamento para atender um
número crescente de transações em um determinado período (STAIR; REYNOLDS,
2015).

Vocabulário

Escalabilidade: consiste na habilidade para aumentar a capacidade de


processamento de um servidor, para atender um número crescente de
transações em um determinado período (STAIR; REYNOLDS, 2015).

b) Mainframe

Computador de grande porte com alta capacidade de processamento, capaz


de atender centenas de usuários simultaneamente, conectados através de uma
rede. Deve ser instalado em local seguro, com acesso restrito, conhecido como
Data Center (Centro de Dados), pois requer sistemas de controle de temperatura,
umidade e poeira. Devido ao crescimento do poder de processamento dos
servidores e dos microcomputadores, o seu uso vem sendo reduzido num
processo conhecido como downsizing, em que computadores de menor porte,
mas com grande capacidade de processamento, estão cada vez mais assumindo
as suas atividades (STAIR; REYNOLDS, 2015). Ver Figura 2.18.

c) Supercomputador

É o mais poderoso computador existente, utilizado em aplicações que exigem


grande capacidade computacional e alta velocidade de processamento, como
aplicações científicas e militares, modelos climáticos, simulações e pesquisa

88 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

química e farmacêutica. Como exemplo de sua capacidade de processamento


podemos citar o Supercomputador “K” construído pela Fujitsu, considerado o mais
rápido do mundo (2011), que tem o poder de processamento equivalente a um
milhão de computadores laptop trabalhando em conjunto (STAIR; REYNOLDS,
2015). Ver Figura 2.19.
Figura 2.18 | Mainframe IBM 360 Figura 2.19 | Supercomputador
(década de 1960)

Fonte: <[Link] wikipedia/ Fonte: <[Link] wikipedia/


commons/ c/ c0/ IBM_System360_Mainframe. commons/4/49/Supercomputador_LUSITANIA_1.JPG>.
jpg>. Acesso em: 2 nov. 2015. Acesso em: 20 nov. 2015.

Saiba mais

Veja mais informações sobre supercomputadores no artigo a seguir:

HAMANN, Renan. Supercomputadores: conheça as supermáquinas


mais velozes do mundo. 2014. Disponível em: <[Link]
[Link]/ supercomputadores/ 51545-supercomputadores-as-maquinas-
[Link]>. Acesso em: 13 nov. 2015.

d) Sistemas operacionais

Não poderíamos falar sobre computadores sem considerar um dos seus


principais elementos: os sistemas operacionais. Entre os principais sistemas
operacionais atualmente em uso, podemos citar (STAIR; REYNOLDS, 2015):

∞ Computadores para aplicações pessoais

Microsoft Windows, Mac OS-X, Google Android, iOS, Symbian, Linux, Crome
OS, HP webOS.

∞ Computadores para grupos de trabalho (servidores)

Microsoft Windows Server, Mac OS X Server, Linux, UNIX, IBM i5/OS, z/OS, HP-UX.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 89


U2

∞ Computadores para uso de empresas e organizações


Microsoft Windows Server, Linux, UNIX, IBM i5/ OS, z/ OS, HP-UX.
∞Smartphones e Tablets
Microsoft Windows, Google Android, iOS, Symbian, webOS.
∞Interfaces gráficas e sistemas embarcados
Microsoft Windows Embedded, Linux.
∞Mainframes
IBM-MVS, OS/ 390, z/ OS, z/ Linux.
∞Supercomputadores
Linux, Microsoft Windows, AIX, Open Solaris.

Assimile

Um sistema operacional pode ser utilizado em mais de um tipo de


aplicação, como, por exemplo, o Linux, que pode ser utilizado para
computadores pessoais e, também, para computadores que trabalham
em grupos.

Faça você mesmo

Veja um artigo interessante sobre o uso do Linux em supercomputadores:

GRAVEHEART, Paulo. 91% dos maiores supercomputadores do mundo


usam Linux. 2010. Disponível em: <[Link]
maiores-supercomputadoresdo-mundo-rodam-linux/>. Acesso em: 13
nov. 2015.

Sem medo de errar

Quais tipos de computadores seriam mais adequados para cada atividade


realizada na agência de publicidade de Vera, já que cada tipo de atividade possui
requisitos próprios de qualidade e desempenho?

∞ O departamento de projetos, que no caso da agência de Vera engloba os


setores de criação e produção, utiliza diversos programas de edição de imagens,
manipulação de áudio e vídeo que requerem computadores com alto poder de
processamento, além de grande capacidade de memória e de armazenamento.
Considerando-se que os trabalhos são executados com a participação de diversos

90 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

profissionais que trabalham de forma colaborativa, o ideal seria que a agência


pudesse adquirir um sistema com base na arquitetura cliente/ servidor, com
sistema operacional Windows Server, em que seriam instalados os programas
utilizados pela equipe (Servidor) e com o cliente poderiam ser utilizados diversos
tipos de computadores de acordo com a necessidade de cada profissional, como
laptops, notebooks, desktops (com Sistema operacional Windows) e tablets (com
Sistema Operacional Android). Como os profissionais visitam regularmente os seus
clientes, é importante que a agência disponha de laptops, notebooks e tablets de
alto desempenho para permitir uma boa apresentação de seus trabalhos. Seria
importante que fosse adotado um padrão único de smartphone (com sistema
operacional Android) para toda a equipe, para compatibilizar os aplicativos de troca
de arquivos, e-mails e agendas, pois o uso de diferentes tipos de smartphones,
com sistemas operacionais diferentes poderia reduzir a produtividade da equipe.

∞Os departamentos financeiro e comercial (que utilizam basicamente planilhas,


editor de textos, agendas e programas de internet banking) poderiam utilizar
computadores mais simples que o departamento de projetos, como desktops, que
poderiam estar interligados através de uma rede e conectados à internet (com
sistema operacional Windows). Outra opção poderia ser o uso de nettops, pois
apresentam um custo menor e a vantagem de consumirem menos energia. Este
é o caso que realmente precisa ser avaliado com muito critério com relação ao
poder de processamento necessário.

∞ A secretaria/recepção da agência, que faz o controle de agendas de toda a


empresa e dá suporte aos demais departamentos, poderia usar um computador do
tipo Thin Client interligado à rede da empresa (com sistema operacional Windows),
pois utiliza programas mais simples que não requerem muito processamento,
basicamente o uso de editores de textos e acesso aos bancos de dados da empresa
e internet.

Atenção!

Cuidado na hora de escolher os smartphones da equipe. A


incompatibilidade entre os equipamentos e sistema operacional poderá
prejudicar a produtividade!

Lembre- se

Servidores são computadores que, normalmente, precisam de sistemas


de alimentação de emergência para evitar a interrupção de serviços
considerados estratégicos.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 91


U2

Pesquise mais
Veja um artigo muito interessante sobre Tablet PC:

HAMMAN, Renan. Já da para trocar o PC por um tablet Windows barato?.


2015. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 20 nov. 2015

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is co m pare - as co m as de
se us co le gas.
“Esp e ci ca n d o o s tip o s d e co m p u ta d o re s d e u m a lo ja d e d e p a rta m e n to s,
p ara u so d a e q u ip e d e ve n d e d o re s in te rn o s d a e m p re sa”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Especi car os tipos de computadores de uma aplicação.
d e á re a
Desenvolver a capacidade de de nir os tipos de
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m
computadores adequados para uma determinada aplicação.
Principais classi cações e características dos sistemas
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
computacionais.
Uma loja de departamentos está fazendo investimentos
para atualizar todos os seus sistemas de computação e
informação, pois os sistemas atuais não estão atendendo
4. De scriçã o d a SP
mais às necessidades da empresa. O desa o atual é
identi car quais são os tipos de equipamentos mais
adequados para atender a sua equipe de vendas internas.
Como um dos requisitos principais de uma loja de
departamentos é a manipulação de uma grande quantidade
de dados, e considerando-se que a mesm a possui mais de
100 lojas distribuídas pelo país, deve-se pensar na criação
de um Data Center que possa integrar todos os servidores
capazes de atender todas as suas necessidades. Por m eio
da internet todas as lojas poderiam acessar este Data Center
para consultar os bancos de dados da empresa.
Os vendedores internos das lojas precisam constantem ente
fazer consultas de produtos (preço, estoque) e poderiam
5. Re so lu çã o d a SP
utilizar computadores do tipo Thin Client para acessar os
bancos de dados da empresa. Os leitores de código de
barras instalados nas lojas também poderiam acessar os
mesmos bancos de dados para fornecer os preços das
mercadorias, permitindo que os próprios clientes realizem a
pesquisa de preços.
Com o sistema operacional cou de nido que os Servidores
utilizarão o Microsoft Windows Server e os Thin Client
deverão utilizar o Linux (como forma de redução de custos,
já que o Linux não necessita de licença).

92 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Faça você mesmo

Pense agora quais seriam os equipamentos que poderiam ser utilizados


em uma instituição de ensino para que os alunos possam consultar as
suas notas e faltas.

Pesquise mais

STAIR, Ralph M.; REYNOLDS, George W. Princípios de sistemas de


informação. São Paulo: CENGAGE, 2015. p. 752.

Lembre- se

Computadores multiusuários são aqueles que permitem o uso por diversos


usuários simultaneamente, como é o caso dos servidores, mainframes
e supercomputadores.

Faça valer a pena

1. As principais mudanças e tendências nos Sistemas de Computação


ocorreram durante períodos conhecidos como gerações. Em quantas
gerações podemos dividir os Sistemas de Computação?
a) Três gerações.
b) Quatro gerações.
c) Cinco gerações.
d) Sete gerações.
e) Oito gerações.

2. Qual geração dos computadores pode ser caracterizada pelo uso


de válvulas?
a) Primeira geração.
b) Terceira geração.
c) Quarta geração.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 93


U2

d) Quinta geração.
e) Sexta geração.

3. Computador que, normalmente, possui sistemas de alimentação


de emergência, para evitar a interrupção de serviços considerados
estratégicos. Assinale a alternativa correspondente:
a) Desktop.
b) Estação de trabalho.
c) Thin Client.
d) Nettop.
e) Servidor.

94 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Seção 2.3

Classificação e características dos sistemas


de informação

Diálogo aberto

Caro aluno, nesta seção vamos abordar os principais tipos e características dos
sistemas de informação, considerando desde os sistemas mais simples até os sistemas
ERP que têm grande importância no processo de decisão gerencial. Conhecer esses
conceitos é de grande relevância para os profissionais de TI entenderem as relações
existentes entre os sistemas e as atividades de uma organização. A crescente evolução
da tecnologia da informação e a necessidade das organizações de extrair o máximo
de informações de seus sistemas permitiram a criação de sistemas específicos para
cada tipo de aplicação. A aplicação eficaz desses sistemas é essencial para que você
consiga aprimorar os processos de decisão e produtividade de sua organização.

No caso da agência de publicidade de Vera, que vem crescendo bastante nos


últimos anos, usufruindo dos novos equipamentos que estão sendo implantados
na agência, agora chegou o momento de atualizar os sistemas de informação que
darão todo o suporte para o trabalho das equipes das mais diversas áreas. Portanto,
colaboradores dos departamentos da agência foram convocados para analisar os
requisitos destes sistemas e avaliar os investimentos que serão necessários para a
sua aquisição. Que tipos de sistemas poderiam ajudar a melhorar a produtividade, a
qualidade e os processos de decisão dos trabalhos realizados pela agência?

Na última seção fizemos uma pequena viagem pelos tipos de computadores


disponíveis no mercado mundial e identificamos algumas possibilidades para uso na
agência de publicidade. Agora é hora de você conhecer os sistemas de informação
que poderão ser executados nestes computadores.

A Seção 3 da Unidade 2 possibilitará a você, aluno, conhecer com mais detalhes os


principais tipos e características dos sistemas de informação que podem ser utilizados

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 95


U2

nos mais diversos tipos de organizações. Após concluir esta seção, você estará melhor
preparado e seguro nas escolhas que fará quando surgirem novos desafios. Continue
sempre buscando novas informações, pois novos equipamentos, novas tecnologias
e novos tipos de sistemas surgem a todo momento e o profissional de TI deve estar
sempre atualizado. Com isso, atendemos ao nosso objetivo de aprendizagem desta
seção que é conhecer os principais tipos e características dos Sistemas de Informação.

Vamos em frente e bons estudos!

Não pode faltar

Os papéis fundamentais das aplicações de sistemas de informação em


uma organização

Existem três razões fundamentais para todas as aplicações de tecnologia da


informação nas organizações em geral. Todas elas são consideradas vitais para o
desempenho de uma organização, como (O’BRIEN, 2011):

∞ Suporte de seus processos e operações.

∞ Suporte na tomada de decisões de seus funcionários e gerentes.

∞ Suporte em suas estratégias em busca de vantagem competitiva.

Uma organização deve ter sistemas de informação que apoiem a rotina e as


atividades do dia a dia que ocorrem no curso normal de um negócio e auxiliam
uma empresa a agregar valor aos seus produtos e serviços (STAIR; REYNOLDS,
2015).

Nos modelos de economia que estão cada vez mais orientados para o
serviço, o atendimento ao consumidor passa a ser o objetivo primordial de
praticamente todas as organizações. Os colaboradores que atuam diretamente no
atendimento aos clientes, sejam em vendas, serviço ao consumidor ou marketing,
necessitam de sistemas de processamento de transações de alta qualidade e de
suas informações relacionadas para fornecer um bom serviço, como verificar o
estoque de itens pedidos, a programação planejada de produção para informar
o consumidor quando o item desejado estará em estoque ou para entrar com
os dados para programar uma entrega de produtos. Não importa qual é a sua
função dentro da organização, é muito provável que você fornecerá conteúdo ou
utilizará o resultado de sistemas de informação empresarial de sua organização
(STAIR; REYNOLDS, 2015). A seguir, são descritos os principais tipos de sistemas de
informação utilizados nas empresas para auxiliar a tomada de decisões.

96 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Sistemas de Processamento de Transações (SPT)

São sistemas utilizados por gerentes operacionais que precisam monitorar


as transações e as atividades básicas de uma organização, como vendas,
recebimentos, depósitos em dinheiro, sistemas de reservas de hotéis, expedição,
folhas de pagamento, decisões de crédito ou fluxo de materiais em uma empresa,
para responder perguntas como: quantas unidades de um determinado produto
há em estoque (LAUDON; LAUDON, 2014)?

São sistemas tão críticos para uma empresa que, se deixarem de operar por
algumas horas, podem causar um verdadeiro colapso e, possivelmente, grandes
danos às diversas empresas ligadas à ela (LAUDON; LAUDON, 2014).

Vocabulário

Transação: é qualquer intercâmbio relacionado com os negócios,


como pagamento de funcionários, pagamento de fornecedores, etc.
(STAIR; REYNOLDS, 2015).

Saiba mais
O SPT foi o primeiro aplicativo para computador desenvolvido para muitas
organizações e um dos primeiros sistemas comerciais computadorizados
foi a folha de pagamento (STAIR; REYNOLDS, 2015).
Sistemas de Informação Gerencial (SIG)

É uma categoria específica de sistemas de informação, utilizada por gerentes


de nível médio, que auxiliam na monitoração, no controle, na tomada de decisão e
nas atividades administrativas, por meio de relatórios que são gerados com rotinas
simples, como resumos e comparações, em vez de modelos matemáticos ou
técnicas estatísticas avançadas. Estes sistemas resumem e relatam as operações
básicas da organização por meio da utilização dos dados fornecidos pelos sistemas
de processamento de transações (LAUDON; LAUDON, 2014). Um exemplo típico
de informação gerada por um SIG é quantidade de matéria-prima consumida por
um determinado processo em um determinado período.

Sistemas de Apoio à Decisão (SAD)

São sistemas utilizados por gerentes e analistas de negócios que querem usar
técnicas analíticas e modelos sofisticados para analisar dados. Focam problemas
únicos e que se alteram com rapidez, para os quais não existe um procedimento de
resolução totalmente predefinido (LAUDON; LAUDON, 2014). Tentam responder
a perguntas como: qual seria o impacto na programação da produção se

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 97


U2

aumentássemos as vendas em 50% em um determinado período? O que poderia


acontecer com as vendas de um produto se houvesse falta de uma matéria-prima
por mais de 90 dias?

Os Sistemas de Apoio à Decisão utilizam informações obtidas de Sistemas SPT


e SIG, mas recorrem regularmente a informações de fontes externas, tais como
o valor corrente de ações e de matérias-primas ou até os preços de produtos de
concorrentes (LAUDON; LAUDON, 2014).

Sistemas de Informação Empresarial


São sistemas que garantem que as informações possam ser compartilhadas por
todas as funções da organização e por todos os níveis de gerência, que utilizam
bancos de dados como ferramentas para apoiar a administração e o gerenciamento
de um negócio (STAIR; REYNOLDS, 2015). Os Sistemas de Informação Empresarial
podem ser classificados em (BALTZAN; PHILLIPS, 2012):

∞Sistemas de Gerenciamento de Operações e Gestão da Cadeia de Suprimentos.


∞ Sistemas de Relacionamento com o Cliente e Inteligência de Negócios.
∞Sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais e Sistemas de Colaboração.

Sistemas de Gerenciamento de Operações


É o gerenciamento de sistemas ou processos que convertem ou transformam os
recursos (inclusive recursos humanos) em bens e/ou serviços. Basicamente podemos
dizer que é a criação de bens ou serviços que envolvem a transformação ou conversão
de entradas (capital, trabalho, informação, etc.) em saídas (bens e serviços).

Figura 2.20 | Processo de transformação de entradas em saídas

ENTRADAS TRANSFORMAÇÃO SAÍDA

Terra,
Trabalho,
Processo de Bens
Capital,
conversão Serviços
Informação,
eta.

Feedback Feedback Feedback

Controle

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

98 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Exemplo: Processo de produção de automóveis (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Entrada: Peças que compõem o automóvel.

Transformação: Processo de fabricação e montagem.

Saída: Automóvel de alta qualidade.

Para garantir que os resultados desejados sejam alcançados, a empresa


deve realizar a monitoração de qualidade em diversos pontos do processo de
transformação (feedback) e comparar com os padrões previamente estabelecidos
para determinar se são necessárias ações corretivas (controle).

Vocabulário

Feedback: é a monitoração de qualidade em diversos pontos


do processo de transformação para comparar com os padrões
previamente estabelecidos para determinar se são necessárias ações
corretivas (controle).

Sistemas de Gestão da Cadeia de Suprimentos

Também conhecidos como SCM (Supply Chain Management). A Gestão da


Cadeia de Suprimentos consiste no gerenciamento de todas as partes envolvidas
(planejamento, execução e controle), direta ou indiretamente, nos processos de
aquisição e conversão de matérias-primas em produtos acabados, bem como o
armazenamento e entrega dos produtos acabados, para maximizar a eficácia e
a rentabilidade de todas as etapas do processo. O objetivo do SCM é reduzir os
custos e melhorar o serviço ao cliente, ao mesmo tempo que reduz o investimento
global em estoque na cadeia de fornecimento (BALTZAN; PHILLIPS, 2012; STAIR;
REYNOLDS, 2015).

As ferramentas de SCM utilizam técnicas matemáticas avançadas e modelos


de pesquisa operacional para agregar o planejamento de capacidade finita aos
sistemas ERP, tanto para produção, como para a distribuição e modelagem de
sistemas mais eficientes de previsão de demanda. Entre as funcionalidades
disponíveis em um SCM estão (PRADO; SOUZA, 2014):

- Planejamento da produção.

- Planejamento da demanda.

- Planejamento da distribuição.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 99


U2

Sistemas de Relacionamento com o Cliente

Também conhecidos como CRM (Customer Relationship Management),


são sistemas utilizados para gerenciar as relações com os clientes. As empresas
de sucesso reconhecem a importância de manter relações saudáveis com os
clientes, gerando um impacto positivo na fidelidade e retenção de clientes, o que
ajuda muito na rentabilidade e na vantagem competitiva sobre os concorrentes
que não conseguem promover este tipo de relacionamento com o cliente
(BALTZAN; PHILLIPS, 2012; PRADO; SOUZA, 2014). À medida que as organizações
começam a migrar do tradicional foco no produto para organizações focadas no
cliente, elas estão reconhecendo seus clientes como especialistas, não somente
como geradores de receita, percebendo rapidamente que, sem clientes, elas
simplesmente não existem, e que é fundamental que façam de tudo para garantir
a satisfação deles. Em uma época em que se torna difícil diferenciar um produto, o
CRM é um dos ativos mais valiosos que uma organização pode adquirir (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012). Existem três fases na evolução de um CRM que permitem que
a organização obtenha informações estratégicas dos seus clientes (BALTZAN;
PHILLIPS, 2012):

∞ Informação: Identificação do cliente.

∞ Análise: Segmentação do cliente (melhores, piores, faixa de idade).

∞ Prognóstico: Prognósticos sobre comportamento do cliente.

Outros tipos de CRM (PRADO; SOUZA, 2014):

∞ CRM Operacional: aplicações voltadas ao consumidor, como ferramentas


para automação de marketing, vendas e serviços de campo.

∞ CRM Analítico: aplicações que absorvem características de avaliação vindas


de Sistemas BI para criação de relatórios e indicação de desempenho dos clientes.

∞ CRM Colaborativo: para aplicações com interação com o cliente em serviços


de call center, portais de vendas de serviços na Web, e-mail, etc.

Sistemas de Inteligência de Negócios

Também conhecidos como BI (Business Intelligence), referem-se às aplicações


e tecnologias que são utilizadas para coletar, acessar e analisar dados e informações
de apoio à Tomada de Decisão (BALTZAN; PHILLIPS, 2012). Este assunto será
abordado na seção 4.2 desta disciplina.

Sistemas de Colaboração

São conjuntos de ferramentas fundamentadas na tecnologia da informação


que suportam o trabalho das equipes, facilitando o compartilhamento e o fluxo das

10 0 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

informações e resolvendo tarefas específicas de negócios, como o trabalho remoto,


as reuniões on-line, a implantação de aplicativos, a gestão de projetos remotos
e o gerenciamento de vendas, permitindo que pessoas, equipes e organizações
cresçam e construam com base nas ideias e nos talentos dos colaboradores,
fornecedores, clientes e parceiros de negócios. Entre estes sistemas podemos
citar (BALTZAN; PHILLIPS, 2012):

∞ Sistemas de Gestão de Conteúdo, que fornecem ferramentas para gerenciar a


criação, o armazenamento, a edição e a publicação de informações de um ambiente
colaborativo, como, por exemplo, o Wordpress que é o CMS (Content Management
System) mais utilizado atualmente para a criação e manutenção de websites.

∞Sistemas de Gestão do Conhecimento (tema a ser abordado na Unidade 4), que


envolvem a captura, classificação, avaliação, recuperação e o compartilhamento
dos ativos de informação de modo que forneça o contexto para as decisões e
ações eficazes.

∞Sistemas de Controle de Workflow, que definem todas as etapas ou regras, do


início ao fim, necessárias para automatização dos processos.

∞ Sistemas de Groupware, que utilizam tecnologias como videoconferência,


web conferência, mensagens instantâneas para comunicação, cooperação,
coordenação, negociação e resolução de problemas, fornecendo todo o suporte
à interação e à dinâmica de equipes de trabalho.

Sistemas de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP – Enterprise


Resource Planning)

Sistemas que integram todos os departamentos e funções de uma organização


em um único sistema de informação, para que os colaboradores possam tomar
decisões visualizando informações que impactam em todas as operações de
negócios da organização (BALTZAN; PHILLIPS, 2012). O ERP atua como um
poderoso sistema de gerenciamento interno de informações, no qual todos os
envolvidos na aquisição, na produção, no planejamento e na entrega de produtos
trabalham com as mesmas informações, eliminando redundâncias de dados,
reduzindo o tempo das atividades e mantendo a consistência entre as operações,
de modo a evitar a criação de ilhas de informação (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

Exemplificando

SAP, TOTVS, DATASUL e BAAN são exemplos de ERP disponíveis no


mercado.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 10 1


U2

O ERP é composto por dois componentes-chave (BALTZAN; PHILLIPS, 2012): o


coração do ERP e a evolução do ERP (BALTZAN; PHILLIPS, 2012).

O coração do ERP

Banco de dados centralizado que coleta informações em todos os componentes


de aplicação individuais do Sistema ERP (conhecidos como módulos) e os alimenta
também com informações oriundas da contabilidade, produção, do marketing
e dos recursos humanos. Quando uma informação é alterada em um desses
módulos, os demais módulos do sistema são automaticamente atualizados.
Figura 2.21 | Fluxo de dados em um Sistema ERP

Compras

Marketing e Contabilidade e
Vendas Finanças

Informações

Recursos
Produção Humanos

Estoque

Fone: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

Assimile

O coração do ERP é um banco de dados centralizado que coleta


informações em todos os componentes de aplicação individuais do
Sistema ERP (conhecidos como módulos).

A evolução do ERP

O ERP cresceu ao longo dos anos, incorporando novas funcionalidades


para se tornar parte da empresa. Na sua concepção inicial era uma ferramenta
para planejamento de materiais e depois acabou se estendendo para outras
funcionalidades, conforme Figura 2.22.

10 2 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Figura 2.22 | Evolução do ERP

ERP ERP estendido ERP - II


• Gestão de Projetos
• Planejamento de materiais • Programação Produção
• Gestão de Conhecimento
• Entrada de pedidos • Prognóstico
• Controle de Workflow
• Distribuição • Planejamento de Capacidade
• CRM
• Livro razão • e- Commerce
• Gestão de recursos humanos
• Contabilidade • Armazenamento
• Capacidade do portal
• Controle de chão de fábrica • Logística
• Finanças integradas

1990 2000 Presente

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2012).

“Sistemas como o SCM, o CRM e o ERP são a espinha dorsal


do e- Business. A integração desses aplicativos é a chave para
o sucesso de muitas empresas, pois permite o desbloqueio de
informações para torná- las disponíveis para qualquer usuário,
em qualquer lugar e a qualquer hora” (BALTZAN; PHILLIPS,
2012, p. 255).

Pesquise mais

Acesse o portal com diversas informações sobre ERP:

SISTEMA ERP. Tudo sobre ERP. Disponível em: <[Link]


Acesso em: 14 dez. 2015.

Saiba mais
Veja mais informações sobre ERP no livro: SANTOS, Aldemar de Araújo.
ERP e sistemas de informações gerenciais.

São Paulo: Atlas, 2013. p. 136.

Reflita

Uma empresa de médio ou grande porte poderia gerenciar seus dados e


informações, com eficiência, sem o uso de Sistemas como SCM, CRM e
ERP?

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 10 3


U2

Sem medo de errar

Quais tipos de sistemas poderiam ajudar a melhorar a produtividade, a qualidade


e os processos de decisão dos trabalhos realizados pela agência?

Considerando o tipo de serviço realizado por uma agência de publicidade,


um dos sistemas que seriam estratégicos para implantação é o Sistema de
Relacionamento com o Cliente, também conhecido como CRM (Customer
Relationship Management), que poderá ser utilizado para gerenciar todas as relações
com os clientes. Uma agência de publicidade trabalha com muitos projetos e
muitos clientes simultaneamente, o que requer um alto nível de gerenciamento de
dados e de informações de clientes, fornecedores, parceiros e demais elementos
envolvidos no processo.

Uma agência de publicidade deve reconhecer a importância de manter relações


saudáveis com os clientes, gerando um impacto positivo na fidelidade e retenção
deles, o que ajuda muito na rentabilidade e na vantagem competitiva sobre os
concorrentes que não conseguem promover este tipo de relacionamento com o
cliente. Em uma época em que se torna difícil diferenciar um produto, o CRM é
um dos ativos mais valiosos que uma organização pode adquirir. Através do CRM a
agência poderá obter informações importantes sobre as atitudes comportamentais
dos clientes e identificar as melhores opções de serviços que poderão ser oferecidas
para estes clientes.

Outro sistema que poderia ser implantado na agência é o Sistema de Inteligência


de Negócios, também conhecido como BI (Business Intelligence), para auxiliar os
executivos em seus processos de tomada de decisão, por meio da análise dos
dados disponíveis no sistema.

Devido ao grande volume de dados e informações que são acumuladas


diariamente com os projetos, é importante que a agência disponha de Sistemas
Colaborativos para permitir um Gerenciamento Cooperativo e de Gestão do
Conhecimento para resguardar ideias, projetos e material utilizado como fonte de
pesquisa para os trabalhos.

Finalmente, a implantação de um Sistema ERP (Enterprise Resource Planning)


vai permitir a integração de todos os departamentos e funções realizadas pela
agência e que poderá atuar como um poderoso sistema de gerenciamento de
informações centralizadas, eliminando a redundância de dados, integrando em
uma única aplicação todos os sistemas necessários para o gerenciamento executivo
do negócio. Apesar de uma agência de publicidade não necessitar de todos os
módulos requeridos por uma aplicação de uma indústria de manufatura, é possível
a utilização e a aquisição somente dos módulos que são comumente usados em
qualquer tipo de negócio. Existem modelos de Sistemas ERP para empresas de

10 4 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

todo porte, com custo compatível com os recursos disponíveis nestes sistemas.
No caso da implantação de um Sistema ERP é bem provável que a agência não
precise investir em Sistemas CRM e de Colaboração, pois alguns dos Sistemas ERP
mais modernos já incorporam estas funcionalidades como módulos opcionais.

Atenção!

Em uma época em que se torna difícil diferenciar um produto, o CRM é


um dos ativos mais valiosos que uma organização pode adquirir.

Lembre- se

“Sistemas como o SCM, o CRM e o ERP são a espinha dorsal do


e-Business. A integração desses aplicativos é a chave para o sucesso de
muitas empresas, pois permite o desbloqueio de informações para torná-
las disponíveis para qualquer usuário, em qualquer lugar e a qualquer hora”
(BALTZAN; PHILLIPS, 2012, p. 255).

Avançando na prática

Pra tiq u e m ais!


In stru çã o
Desa am o s vo cê a praticar o qu e apre ndeu , tran sfe rin do seu s co nh ecim e nto s para no vas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bie n te de trabalh o. Realize as atividade s e de po is co m pare - as co m as de
se us colegas.
“Esp e ci ca n d o o s tip o s d e siste m as d e in fo rm açã o d e u m a in d ú stria
d e m an u fa tu ra d e e le tro d o m é stico s”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d am e n to s Especi car os tipos de sistemas de informação de
d e á re a uma aplicação.
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m Conhecer os principais tipos de sistemas de informação.
3. Co n te ú d o s re la cio n ad o s Classi cação e características dos sistemas de informação.
Uma grande indústria de manufatura de eletrodomésticos
está realizando um levantamento entre sua equipe de TI
para de nir a aquisição de novos sistemas de informação
para agilizar todo o sistema de pedidos de seus clientes
4. De scriçã o d a SP
lojistas, pois o sistema atual não é capaz de identi car as
mudanças de comportamento dos seus clientes e isso vem
causando grandes alterações nos pedidos recebidos, o que
acaba di cultando o planejamento da produção.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 10 5


U2

Uma das soluções propostas é a implantação de um Sistema


ERP-II que permita a implantação de funcionalidades como
a gestão do conhecimento que servirá como uma base
de dados para melhorar a capacidade de gerenciamento e
análise das informações utilizadas pelo Sistema CRM, como
a análise de reclamações de clientes por meio do SAC
5. Re so lu çã o d a SP
(Serviço de Atendimento ao Consumidor). Os Sistemas ERP
integram processos de negócio nas áreas de manufatura
e produção, nanças e contabilidade, vendas e marketing
e recursos humanos em um único software, integrando
sistemas distintos em um único repositório de dados, que
pode ser acessado por diversos departamentos da empresa.

Faça você mesmo

Pense agora qual seria o tipo de sistema ideal para uma empresa
jornalística que manipula diariamente uma grande quantidade de dados
e informações.

Pesquise mais

PRADO, Edmir Parada Vasques; SOUZA, Cesar Alexandre de. Fundamentos


de sistemas de informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p. 300.

Um interessante artigo sobre mitos e desafios sobre CRM pode ser


encontrado em:

SERSON, Mindlin Fernando. CRM: mitos e desafios. Disponível em:


<[Link]
Acesso em: 17 dez. 2015.

Lembre- se

O coração do ERP é um banco de dados centralizado que coleta


informações em todos os componentes de aplicação individuais do
Sistema ERP (conhecidos como módulos).

10 6 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Faça valer a pena

1. Sistema de gerenciamento de processos que converte ou transforma


os recursos em bens e/ ou serviços. Estamos falando do:
a) Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais.
b) Sistema de Relacionamento com o Cliente.
c) Sistema de Inteligência de Negócios.
d) Sistema de Gestão da Cadeia de Suprimentos.
e) Sistema de Gerenciamento de Operações.

2. Sistema de gerenciamento de todas as partes envolvidas nos processos


de aquisição e conversão de matérias- primas em produtos acabados.
Estamos falando do:
a) Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais.
b) Sistema de Relacionamento com o Cliente.
c) Sistema de Inteligência de Negócios.
d) Sistema de Gestão da Cadeia de Suprimentos.
e) Sistema de Gerenciamento de Operações.

3. Sistema utilizado para gerenciar as relações com os clientes. Estamos


falando do:
a) ERP.
b) SCM.
c) CRM.
d) BI.
e) MRP.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 10 7


U2

10 8 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Seção 2.4

A evolução dos sistemas de informação com


a internet
Diálogo aberto

Nesta seção vamos abordar a evolução dos sistemas de informação por meio do
uso da internet e as novas tecnologias que estão mudando totalmente a forma de
utilização de programas aplicativos que não precisam ser instalados no computador,
e que são executados diretamente por meio da internet. Vamos abordar também
os sistemas de colaboração e ferramentas de social business que estão mudando
completamente a forma de trabalho dos usuários com o uso de sistemas que permitem
o trabalho de equipes de forma colaborativa.

Nas seções anteriores, foram definidos os tipos de computadores e sistemas de


informação adequados para cada departamento e atividade realizada na agência
de publicidade. Agora é o momento para conhecer novas tecnologias e recursos
disponíveis com o uso da internet, que estão mudando a forma de trabalho,
possibilitando, cada vez mais, o compartilhamento de tarefas entre equipes.

O nosso desafio é identificar como esses novos recursos podem ajudar os diversos
departamentos da agência a desenvolver novos projetos com muito mais rapidez e
eficiência. Além disso, conhecer que tipos de mudanças podem ser esperadas na
forma de trabalho de toda a agência com a integração total das atividades por meio
da internet.

De forma a atender o objetivo de aprendizagem proposto para esta aula, você,


aluno, conhecerá com mais detalhes as principais tecnologias e recursos que permitem
o uso da internet como ferramenta para várias das tarefas realizadas através de um
sistema computadorizado. Após concluir esta seção, você estará mais preparado e

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 10 9


U2

seguro para escolher as melhores opções quando surgirem novos desafios. Continue
sempre em busca de novas informações e novidades, pois novas ferramentas e
recursos surgem a todo momento e o profissional de TI deve estar sempre atualizado.

Não pode faltar

Com a criação da internet, as forças competitivas tradicionais ainda estão


atuando, mas a rivalidade em termos de competitividade tornou-se muito mais
intensa (PORTER, 2001 apud LAUDON; LAUDON, 2014). Portanto, podemos
afirmar que, com a criação da internet, os modelos de negócios serão totalmente
impactados de alguma forma. A internet se tornou o sistema de comunicação
público mais abrangente do mundo e o maior caso de implementação de redes
individuais em todo o planeta, tendo a web como o serviço mais conhecido. A
internet foi criada no início da década de 1970 como uma rede do Departamento
de Defesa dos Estados Unidos para conectar cientistas e professores universitários
ao redor do mundo (LAUDON; LAUDON, 2014).

A internet como estratégia no mundo dos negócios

Uma vez que a informação esteja disponível a todos, a internet aumenta o poder
de barganha dos clientes, que podem com grande rapidez e facilidade encontrar
um fornecedor com custos e/ ou condições de fornecimento muito mais atrativas,
fazendo com que os lucros das empresas sejam reduzidos e impondo severos riscos
a alguns setores da economia, como, por exemplo, as enciclopédias impressas e
as agências de turismo. Mas a internet também possibilitou a criação de inúmeros
novos serviços e mercados, constituindo-se atualmente como alicerce de muitos
modelos de novos negócios, fazendo com que setores inteiros da economia
mudem sua maneira de fazer negócios em escala global. Muitas empresas se
aproveitaram de um sistema de comunicação internacional e de baixo custo para
adotar uma estratégia de negócios global, que permite a redução de custos de
seus produtos e serviços, possibilitando, inclusive, a criação de microempresas
multinacionais (LAUDON; LAUDON, 2014).

Existem quatro maneiras principais de organizar negócios internacionais


(LAUDON; LAUDON, 2014):

∞ Exportação doméstica: caracterizada pela forte centralização das atividades


empresariais no país de origem.

110 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

∞ Multinacional: caracterizada pela concentração da gerência e do controle


financeiro fora de uma matriz, descentralizando as operações de produção, vendas
e marketing para unidades em outros países, adaptando seus produtos e serviços
com o intuito de atender às condições locais de mercado.

∞Franqueadores: têm seus produtos/ serviços criados e produzidos incialmente


no país de origem, mas que confiam suas futuras produções, marketing e recursos
humanos locais a outras empresas (franquias como: lanchonetes, locadoras de
veículos e escolas de idiomas).

∞ Transnacional: empresa que não possui uma única matriz, mas matrizes
regionais que são gerenciadas sob uma perspectiva global, responsável pela tomada
de decisões estratégicas, aproveitando-se das vantagens competitivas locais.

Computação em nuvem

A computação em nuvem, também conhecida como cloud computing, é um


modelo computacional no qual a capacidade de processamento, armazenamento,
software e outros serviços são obtidos de um agrupamento de recursos virtualizados
por meio de uma rede, geralmente a internet, que pode ser acessada com base na
demanda do momento, a partir de qualquer local ou dispositivo conectado à rede.
Com base nesse modelo computacional, podemos afirmar que uma internet de
boa qualidade passa a ser fator decisivo nas aplicações com base em computação
na nuvem, que oferece ainda um grande benefício que é redução de custos com
equipamentos, com o uso de computadores com hardware mais simples para
várias aplicações (LAUDON; LAUDON, 2014).

O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos (NIST –


National Institute of Standards and Technology) define que a computação em
nuvem deve apresentar as seguintes características (MELL; GRACE, 2009 apud
LAUDON; LAUDON, 2014):

∞ Autosserviço sob demanda: os usuários podem obter recursos computacionais,


como tempo de uso de servidores ou armazenamento na rede, conforme suas
necessidades, de forma automática e por si mesmos.

∞ Acesso ubíquo à rede: os recursos da nuvem podem ser acessados usando


dispositivos padrões de rede e de internet, inclusive as plataformas móveis.

∞ Agrupamento de recursos independentemente da localização: os recursos


computacionais são agrupados para atender múltiplos usuários, com diferentes
recursos visuais atribuídos dinamicamente de acordo com a demanda desses
usuários. O usuário, normalmente, não sabe onde os recursos computacionais
estão localizados.

∞ Rápida elasticidade: os recursos computacionais podem ser rapidamente

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 111


U2

aumentados ou reduzidos para atender às alterações na demanda dos usuários.

∞ Infraestrutura em nuvem como serviço: os clientes utilizam processamento,


armazenamento, redes e outros recursos computacionais fornecidos por
provedores de serviço de nuvem para executar seus sistemas de informação.

∞ Plataforma em nuvem como serviço: os clientes utilizam a infraestrutura e


as ferramentas de programação suportadas pelo provedor para desenvolver suas
próprias aplicações.

∞ Serviço medido: as tarifas pelos serviços em nuvem são fundamentadas na


quantidade de recursos efetivamente utilizados.

∞ Software em nuvem como serviço: os clientes podem utilizar software


hospedado na infraestrutura de nuvem do provedor e entregue pela rede como,
por exemplo, o Google Apps, que oferece aplicativos comuns on-line, cobrando
dos usuários uma taxa anual de assinatura (embora possua também uma versão
gratuita) para acessar esses aplicativos a partir de um navegador web. Os dados e
o software são mantidos nos servidores remotos dos provedores.

Um sistema de computação em nuvem pode ser (LAUDON; LAUDON, 2014):

∞ Público: quando o serviço é mantido por um provedor de serviço de nuvem.

∞ Privado: quando o serviço é mantido exclusivamente por uma organização.

Forças atuantes nos ambientes de computação em nuvem

Os ambientes de computação em nuvem estão sempre sujeitos à atuação de


três importantes forças que, a um mesmo tempo, impulsionam e impedem os
usuários de aderir a tal modalidade de prestação de serviços, como apresentado
na Figura 2.23 (PRADO; SOUZA, 2014):

∞ Barreiras potenciais à adoção da computação em nuvem (Tabela 2.5).

∞ Benefícios potenciais da adoção da computação em nuvem (Tabela 2.6).

∞ Riscos inerentes à computação em nuvem (Tabela 2.7).

112 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Figura 2.23 | Forças atuantes nos ambientes de computação em nuvem

Benefícios

Nuvem

Barreiras Riscos

Fonte: Adaptado de Prado e Souza (2014).

Reflita

Será que as empresas que não adaptarem seus modelos de negócios,


incluindo a internet como ferramenta estratégica, conseguirão sobreviver?

Assimile

As forças atuantes nos ambientes de computação em nuvem são:


benefícios, barreiras e riscos.

Faça você mesmo

Faça uma pesquisa entre seus colegas e procure identificar cinco


tarefas que são executadas diariamente, nas quais o uso da internet é
imprescindível.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 113


U2

Tabela 2.5 | Barreiras potenciais à adoção da computação em nuvem

1 Dúvidas quanto à viabilidade da terceirização de determinados serviços, em função da


criticidade dos negócios e da necessidade de controle.
2 Problemas inerentes ao modelo de serviços, muitos ainda desconhecidos e que podem não
ser esclarecidos de forma adequada pelo fornecedor.
3 Maturidade ainda não comprovada do modelo de serviços e governança, por ser muito novo
este tipo de serviço.
4 Dúvidas quanto à capacidade do fornecedor em negociar de maneira satisfatória e em atender
a SLAs.
5 Dúvidas quanto à segurança que possa vir a ser oferecida pelo fornecedor.
6 Dúvidas quanto à capacidade do fornecedor em atender a urgências.
7 Dúvidas quanto à capacidade e agilidade do fornecedor em prover suporte.
8 Dúvidas quanto à capacidade do fornecedor em garantir disponibilidade e em dispor de
recursos para atender contingências.
9 Oferta de serviços ainda limitada.
10 Investimentos recentes realizados em infraestrutura própria.

Fonte: Adaptado de Prado e Souza (2014).

A Tabela 2.5 cita algumas das barreiras potenciais que podem dificultar a adoção
da computação em nuvem. Cada uma delas deve ser analisada com muito critério
para evitar o comprometimento das operações e dos custos da organização.

Tabela 2.6 | Benefícios potenciais da adoção da computação em nuvem


Permite concentrar o foco de TI nos negócios e nos processos principais que dão sustentação
aos negócios.
Gera oportunidade para aprimoramento tecnológico e absorção de novos conhecimentos.
Negócio
Facilita o acesso a inovações, tornando possível o uso de novos tipos de aplicativos e serviços
cuja utilização talvez não fosse possível se dependesse apenas de investimentos e recursos
próprios.
Possibilita redução global de investimentos e de gastos com custeio de TI.
Demanda investimentos iniciais menores para se dispor do mesmo nível de recursos e
Financeiro tecnologia.
Permite substituir investimentos em ativos próprios por despesas, gerando benefícios fiscais.
Propicia menor mobilização de recursos de pessoal e infraestrutura de TI.
Oferece escalabilidade, proporcionando flexibilidade para crescer e lidar com situações de
pico e sazonalidade.
Viabiliza a implantação mais rápida de novos serviços e aplicativos.
Confere maior grau de disponibilidade aos serviços.
Técnico Propicia portabilidade aos serviços, viabilizando trocas de fornecedores.
Propicia maior simplicidade e menor esforço para gerir os ativos alocados à TI.
Reduz ou elimina a necessidade de lidar com planejamento de capacidade e outros processos
associados a ativos próprios.
Aumenta o nível global de segurança em TI, desde que cumpridos os SLAs pelos fornecedores.
Fonte: Adaptado de Prado e Souza (2014).

114 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

A Tabela 2.6 cita alguns benefícios que a computação em nuvem pode oferecer
desde que todas as barreiras tenham sido consideradas.

Exemplificando

A computação em nuvem é uma grande aliada do processo de backup de


uma organização com relação à segurança de armazenamento de dados,
pois permite a recuperação de dados em casos de catástrofes, como
inundações e incêndios que possam destruir os equipamentos de TI de
uma organização.

Vocabulário

SLA (Service Level Agreement): é um contrato formal entre os


clientes e seus provedores de serviço que define as responsabilidades
específicas do provedor e o nível de serviço esperado pelo cliente
(LAUDON; LAUDON, 2014).

Apesar dos benefícios da computação em nuvem, a Tabela 2.7 cita alguns riscos
associados ao seu uso. Qualquer tipo de organização deve sempre considerar
todos estes fatores para que não tenham suas operações comprometidas.

Tabela 2.7 | Riscos inerentes à computação em nuvem

Não continuidade: interrupção definitiva da prestação dos serviços pelo provedor.


Indisponibilidade: interrupção temporária dos serviços em decorrência de problemas
técnicos ou de ordem diversa por parte do provedor.
Governança inadequada: o modelo de governança adotado pelo provedor possui lacunas
Negócio e/ ou pontos falhos e não atende às necessidades impostas pelos contratos acordados
com seus clientes.
Imaturidade do modelo: baixa maturidade do modelo de prestação de serviços em
nuvem por ser muito recente, podendo gerar exposição indevida para os gestores de TI
dos clientes.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 115


U2

Baixo grau de confidencialidade e deficiências de isolamento no ambiente de nuvem,


possibilitando acessos indevidos e/ ou adulteração de dados e/ou aplicativos de
consumidores.
Falhas de integridade que permitem a introdução fraudulenta de agentes de software com
funções destinadas a provocar o mau funcionamento de serviços operados na nuvem.
Falhas que implicam a necessidade de reprocessamento de rotinas e/ou recuperação
de dados.
Rendimento insatisfatório dos serviços contratados, decorrentes de picos de demanda,
balanceamento inadequado e/ou subdimensionamento dos recursos, etc.
Operacional
Demora excessiva ou dificuldade para provisionar ou liberar recursos da nuvem.
Dificuldade ou impossibilidade de integração de diferentes aplicativos.
Dificuldade ou impossibilidade de intercambiar dados e/ ou aplicativos entre provedores
distintos.
Não detecção em tempo hábil de ataques que geram sobrecarga dos servidores ao tentar
interpretar solicitações sem sentido que culminem na desestabilização do sistema.
Falhas no serviço de suporte: profissionais mal preparados, gargalos no atendimento,
indisponibilidade do serviço, etc.
Incapacidade e/ ou inexperiência do provedor para prestar serviços relacionados ao
ambiente de computação em nuvem.
Não atendimento a aspectos relacionados à legislação ou disciplinados por padrões
utilizados como referência.
Dificuldade ou impossibilidade de troca de provedor, devido a particularidades do sistema.
Falta de visibilidade com os ativos e recursos disponibilizados pelo provedor.
Estrutural
Limitações impostas pelo provedor por contratos de licenciamento de software realizados
de forma inadequada com seus fornecedores.
Dificuldade do provedor em adotar uma postura distinta diante das necessidades e
demandas por serviços de diferentes graus de relevância para os usuários.
Má reputação gerada por aspectos negativos da prestação de serviços a um determinado
usuário ou grupo de usuários.

Fonte: Adaptado de Prado e Souza (2014).

Saiba mais
A Amazon obtém parte da sua receita oferecendo a capacidade excedente
de sua infraestrutura de TI para outras empresas realizarem serviços de
vendas baseados em computação na nuvem (LAUDON; LAUDON, 2014).

Pesquise mais
PRADO, Edmir Parada Vasques; SOUZA, Cesar Alexandre de. Fundamentos
de sistemas de informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. p. 300.

116 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Ferramentas e tecnologias para colaboração e social business

Uma cultura colaborativa orientada a equipes não gera benefício se não


existirem sistemas de informação que viabilizem a colaboração e o social business.
Atualmente, existem centenas de ferramentas preparadas para lidar com o fato de
que, para sermos bem-sucedidos no trabalho, dependemos muito mais uns dos
outros, de colaboradores, clientes, fornecedores e gerentes. Algumas ferramentas
avançadas, como o Lotus Notes da IBM são caras, mas poderosas o suficiente
para as empresas globais. Outras estão disponíveis on-line gratuitamente e são
adequadas para pequenas empresas (LAUDON; LAUDON, 2014). A seguir vamos
conhecer algumas dessas ferramentas:

∞ E- mail

É uma forma útil de comunicação via internet que suporta texto, conteúdo
HTML e compartilhamento de documentos e arquivos. Pode ser utilizado em
diversos tipos de sistemas computacionais (computadores, celulares, tablets, etc.).
Exemplos: Gmail, Outlook, Thunderbird, IncrediMail, Eudora.

∞ Mensagem instantânea

É uma comunicação on-line e em tempo real entre duas ou mais pessoas


conectadas à internet, que permite o compartilhamento de imagens, áudio,
arquivos e comunicação de voz. Exemplos: Skype, Google Talk, WhatsApp, Yahoo
Messenger, ICQ, Viber, Line, Hangouts.

∞ Wikis

São ferramentas elaboradas com base na web que permitem adicionar,


remover e alterar um conteúdo on-line sem qualquer conhecimento sobre
desenvolvimento de páginas da web ou técnicas de programação. São ferramentas
ideais para armazenamento e compartilhamento do conhecimento e dos insights
da empresa. O maior exemplo é a Wikipedia, o maior projeto de referência editado
colaborativamente no mundo todo.

∞ Plataformas para colaboração e social business

São plataformas multifuncionais para a colaboração e social business entre equipes


de colaboradores que atuam juntos a partir de diferentes localidades. Os sistemas
mais usados são de audioconferência, videoconferência e compartilhamento de
documentos. Exemplos: Sharepoint, Lotus Notes, SmartCloud for Business, Skype,
FaceTime, Google Chat, Google Docs, Google Drive, Dropbox, iCloud, SkyDrive, etc.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 117


U2

∞ Ferramentas de busca e pesquisa

São ferramentas que possibilitam encontrar informações na web especificando,


palavras principais, conhecidas como palavras-chave, para um tópico de interesse.
Permitem o uso de operadores (OR, NOT) para resultados de pesquisa mais
precisos. Exemplos: Google, Yahoo!, AOL, Microsoft Bing e o chinês Baidu.

Saiba mais
Social business é o uso de redes sociais (Facebook, Twitter, Linkedin,
etc.) como forma de envolver funcionários, clientes e fornecedores com
o objetivo de aprofundar as interações com grupos dentro e fora da
empresa, para agilizar e melhorar o compartilhamento de informações, a
inovação e tomada de decisões (LAUDON; LAUDON, 2014).

Sem medo de errar

Quais mudanças podem ser esperadas na forma de trabalho de toda a agência


de publicidade com a integração total das atividades por meio da internet?

Após analisar as novas tecnologias e recursos disponíveis, a equipe de TI decidiu


pela implementação de quatro novas tecnologias:

∞Considerando que a maior parte das atividades realizadas pela agência depende
do uso de computadores, a primeira ação a ser executada é a implementação do
uso de programas que permitam o armazenamento de dados em nuvem, como
forma de compartilhamento de dados e informações que podem ser acessados
de qualquer lugar em qualquer momento, por qualquer tipo de computador, por
qualquer pessoa autorizada, desde que esteja devidamente conectada à internet.
É o caso de programas como Google Drive, Dropbox, iCloud, SkyDrive, etc. A
escolha do melhor programa deverá ser feita pela equipe de TI da agência, com
base em fatores como custo e capacidade de armazenamento disponível, pois cada
software apresenta características distintas de custo e licenciamento. Lembrando
que o fato de utilizar a internet para armazenamento de dados e informações não
exclui a necessidade de realização de backups desses dados e informações, devido
aos riscos já estudados nesta seção. Outra vantagem significativa no uso desses
programas é a redução do risco de infecção por vírus nos computadores, pois

118 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

diminui muito a necessidade de uso de pen drives para troca de dados e arquivos
entre os sistemas, pois todo o acesso pode ser feito diretamente pela internet.

∞Implementação de programas de comunicação como Skype e WhatsApp, que


permitem reduzir muito os custos de ligações telefônicas, pois utilizam a internet
como meio de comunicação.

∞ Implementação de programas que permitem o trabalho colaborativo,


possibilitando que cada integrante da equipe possa editar, comentar ou apenas
visualizar o conteúdo de um arquivo, com a possibilidade de trabalhar off-line
como é o caso do software Google Docs.

∞ Implementação de programa de agenda compartilhada on-line, como


o Google Agenda, que permite o compartilhamento de agendas entre equipes
de trabalho, reduzindo muito o tempo gasto em comunicações em busca da
adequação de compromissos entre a equipe.

Como podemos observar, todas as tecnologias apresentadas necessitam da


internet. Portanto, não adianta a empresa fazer a implementação de todas essas
tecnologias se não possuir uma internet de boa qualidade, pois isso pode custar
caro. Um dos grandes erros que estão ocorrendo nas empresas é o uso cada vez
maior da internet sem considerar os investimentos necessários para um serviço de
boa qualidade.

Atenção!

Use sempre cabos e conectores de boa qualidade para interligação de


computadores em redes. Eles representam um custo muito baixo, mas
podem comprometer muito a qualidade das atividades que dependem
da rede.

Lembre- se

Não economize na infraestrutura da internet. Este é um fator muito


importante para o sucesso no uso de sistemas que precisam da internet.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 119


U2

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is co m pare - as co m as de
se us co le gas.
“De n in d o a m e lh o r o p çã o d e so ftw a re p ara arm a ze n a m e n to n a n u ve m ”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Especi car os tipos de programas adequados para um a
d e á re a aplicação.
Conhecer os principais im pactos da internet nos sistem as
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m
de informação.
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s Hardware; Software; Computação em nuvem.
A equipe de TI de um grande escritório de advocacia
recebeu a incumbência de escolher o melhor programa
para armazenamento de dados e arquivos na nuvem para
4. De scriçã o d a SP ser adotado no escritório. O desa o é identi car quais são
os principais fatores que devem ser considerados para
a implementação da tecnologia de cloud computing na
empresa.
A escolha de qualquer software a ser adotado como padrão
é uma tarefa que deve ser realizada com muito cuidado,
pois envolve o uso do software por muitos usuários
com conhecimentos diversos de TI. Entre as principais
características que devem ser observadas, podemos citar:
- O custo de arm azenamento. Muitos programas não
possuem custo de utilização do sistema, mas limitam a
capacidade de armazenamento. Portanto, antes de qualquer
de nição, a equipe de TI deverá fazer um levantamento
para identi car as necessidades dos usuários quanto à
capacidade de armazenamento.
- Con abilidade do programa/ fornecedor. Considere que
5. Re so lu çã o d a SP serão armazenados muitos arquivos importantes e decisivos
para a empresa, portanto, faça opções por programas
que sejam notadamente reconhecidos no mercado pela
qualidade.
- Avalie se a empresa possui boa infraestrutura de internet
que suporte o tráfego de dados com qualidade para todos
os usuários.
- Veri que se os elementos de rede (switch, roteadores,
cabos) são adequados para implantação de cloud
computing.
Lembre-se que o uso de cloud computing acaba
aum entando o uso e a dependência da internet.
Faça backups para evitar problemas de perdas de dados.

Faça você mesmo

Faça uma pesquisa e compare os recursos disponíveis nos programas


de armazenamento na nuvem e defina qual seria a melhor opção
para um usuário doméstico que pretende usar esta tecnologia para
armazenamento de seus arquivos pessoais.

12 0 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Lembre- se

Software sem custo, normalmente, possui restrições importantes.

Faça valer a pena

1. Sistema de comunicação público, é o mais abrangente do mundo e


o maior caso de implementação de redes individuais em todo o planeta.
Estamos falando do/da:
a) Web.
b) Ethernet.
c) Internet.
d) Celular.
e) TV a cabo.

2. Rede que possibilitou a criação de inúmeros novos serviços, mercados


e muitos modelos de novos negócios. Estamos falando de:
a) Celular.
b) Digital.
c) Computadores.
d) Internet.
e) Web.

3. A internet foi criada como uma rede do Departamento de Defesa dos


Estados Unidos para conectar cientistas e professores universitários ao
redor do mundo. Em que década foi criada a internet?
a) Década de 1960.
b) Década de 1970.
c) Década de 1980.
d) Década de 1990.
e) Década de 2000.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 121


U2

12 2 Classi cação do s sistem as co m putacio nais


U2

Referências

BALTZAN, Paige; PHILLIPS, Amy. Sistemas de informação. Porto Alegre: AMGH, 2012.
FOROUZAN, Behrouz; MOSHARRAF, Firouz. Fundamentos da Ciência da Computação.
2. ed. São Paulo: Cengage, 2012.
LAUDON, Kenneth C.; LAUDON, Jane P. Sistemas de informação gerenciais. 11. ed. São
Paulo: Pearson, 2014.
MACHADO, Francis Berenger; MAIA, Luiz Paulo. Arquitetura de sistemas operacionais.
5. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014.
O'BRIEN, James A. Sistemas de informação e as decisões gerenciais na era da internet.
3. ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
PRADO, Edmir Parada Vasques; SOUZA, Cesar Alexandre de. Fundamentos de sistemas
de informação. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
ROQUE, Luiz Alberto Oliveira Lima. Automação de processos com linguagem Ladder e
sistemas supervisórios. Rio de Janeiro: LTC, 2014.
STAIR, Ralph M.; REYNOLDS, George W. Princípios de sistemas de informação. São
Paulo: CENGAGE, 2015.
MICROSOFT. Artigos mensais. Disponível em: [Link]
kb/910723. Acesso em: 1 fev. 2016.

Classi cação do s siste m as co m pu tacio n ais 123


Unidade 3

TECNOLOGIAS DE
DESENVOLVIMENTO DE
SISTEMAS

Convite ao estudo

Olá!

Não sei se você percebeu, mas passamos da metade de nosso aprendizado


inicial acerca de Sistemas de Computação e Informação. Eu digo inicial
porque deste primeiro contato certamente virão muitas outras oportunidades
de aprendizado para você neste vasto campo, tanto ao longo de seu
desenvolvimento acadêmico, quanto no desenrolar de sua vida profissional.
Afinal de contas, estamos cercados por sistemas de computação e informação,
nossas vidas são facilitadas cada vez mais por estes sistemas e há muito o que
se aprender acerca deles.

Nesta segunda parte de nosso trabalho, vamos voltar nossas atenções para
dois assuntos de grande importância no cenário de sistemas de informação: a
tecnologia envolvida no desenvolvimento de sistemas e, na próxima unidade, a
gestão do conhecimento. Desta maneira, você vai consolidar suas competências
nessa área, que devem ser: conhecer e compreender as principais tecnologias
relacionadas à informação e à comunicação.

Temos os seguintes objetivos de aprendizagem para esta unidade de ensino:

1. Conhecer os principais aspectos de um sistema de informação e seu


papel de apoio (ferramenta) a serviço da instituição como meio de atingir seus
objetivos.

2. Conhecer algumas formas de categorização de linguagens de


programação, os principais paradigmas de programação e exemplos de
linguagens que fazem parte de cada paradigma.

3. Conhecer sobre os principais conceitos que dizem respeito ao banco


de dados relacional que serve a um sistema de informação.
U3

4. Conhecer os principais conceitos envolvidos na seleção e no uso das


ferramentas CASE, mostrando suas diferentes categorias, exemplos e vantagens.
Também não deixaremos de apontar os desafios enfrentados na adoção destas
ferramentas.

Marlene teve, o que ela tem certeza que é, uma excelente ideia. Dona de
três pequenas lojas de conveniência em Belo Horizonte, ela percebeu que o
público que frequenta a loja é composto em sua maioria por profissionais das
classes A e B, jovens adultos entre 25 e 35 anos de idade, solteiros e sem muito
tempo à disposição, visto que o pico de movimento em suas lojas se dá entre
18:00 e 22:00. Observando esta situação, Marlene teve a ideia de tornar seus
serviços de conveniência ainda melhores: decidiu criar uma loja que pode ser
acessada a partir da web ou de um aplicativo para celular. O cliente compra
por meio de seu dispositivo de preferência, paga por cartão de crédito e tem o
produto entregue no endereço que indicar. A fim de transformar esta boa ideia
de negócio em realidade, você foi contratado, pois mesmo que Marlene seja
bastante competente e criativa, ela não conhece nada acerca de sistemas de
informação. Sua tarefa será ajudá-la projetando e implantando a melhor solução
com base em sistemas de informação que disponibilizem os serviços solicitados
pela proprietária.

Em situações assim, em que um negócio no mundo real passa a ser


exercido também no que podemos chamar de “mundo virtual”, quais são os
desafios a vencer? Se, diferentemente de uma loja na rua ou em um shopping,
um aplicativo não “fecha suas portas”, como garantir que a infraestrutura está
sempre disponível para o cliente? Como consolidar as informações de pedidos
e garantir que o estoque seja sempre capaz de os atender? Como garantir a
segurança das informações dos clientes e dos fornecedores? Estas e várias
outras questões deverão ser respondidas para que o sistema de informações
realize competentemente suas tarefas.

E aí, pronto para este desafio? Então vamos lá!

126 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Seção 3.1

Fundamentos gerais sobre desenvolvimento de


sistemas

Diálogo aberto

Nas seções e unidades anteriores você foi apresentado a vários conceitos que
dizem respeito à infraestrutura necessária para os sistemas de informação. Conheceu
um pouco da história do desenvolvimento dos computadores, entendendo como foi
possível atingir as enormes capacidades computacionais disponíveis hoje em dia a
partir das arquiteturas e das máquinas de gerações anteriores. Viu também como se
organiza um computador e quais são os módulos que o compõem. Agora é chegado
o momento de expandir seu conhecimento acerca dos sistemas de informação,
compreendendo quais são os elementos que compõem a arquitetura de um sistema de
informações e conhecendo os principais conceitos do processo de desenvolvimento
desses sistemas.

Nesta primeira seção você será apresentado aos conceitos de arquitetura de


sistemas de informação e aos desafios envolvidos no desenvolvimento destes mesmos
sistemas.

Na Seção 3.2 você conhecerá as principais classificações e tipos de linguagens


de programação e sua importância no processo de desenvolvimento de sistemas de
informação.

Na Seção 3.3 você será introduzido aos tipos de sistemas gerenciadores de banco
de dados (como MySQL, Oracle, dBase) e como são fundamentais aos sistemas de
informação, pois são eles quem organizam a gigantesca massa de dados e informações
que permeia toda a nossa sociedade.

Por fim, na Seção 3.4 você entrará em contato com as ferramentas CASE,
suas classificações e demais tecnologias pertinentes ao processo de análise e
desenvolvimento de sistemas de informação.

Nesta etapa do projeto de criação de uma loja virtual de conveniência para Marlene,
você definirá os principais componentes da arquitetura da solução informatizada a ser

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 127


U3

implementada, solução está que nada mais é que um sistema de informação. Perguntas
como “quem são os usuários do sistema?”, “como estes usuários acessarão o sistema?”,
“qual a infraestrutura de hardware, software e redes necessárias para o sistema?”, “qual
a solução de base de dados mais adequada para atender as necessidades do sistema”,
entre outras deverão ser respondidas para que você possa apresentar a arquitetura
mais indicada para o caso.

Você também mostrará à Marlene como o desenvolvimento do sistema deve ser


uma consequência dos planejamentos organizacional e estratégico da empresa e
como deve ser conduzida a definição da solução a partir destes dois planejamentos. O
resultado dos trabalhos desta etapa será um relatório com tudo aquilo que for definido
a título de arquitetura do sistema a ser criado, a saber:

• A estrutura do sistema.

• Os componentes do sistema.

• O relacionamento entre os componentes do sistema.

• Os requisitos do sistema.

• O relacionamento do sistema com os planejamentos organizacional e estratégico


da instituição.

Quantascoisasnovas, não?Poisé, assim você vai aprofundando seusconhecimentos


acerca dos sistemas de informação e computação, preparando-se cada vez mais para
o mercado de trabalho, que precisa muito de profissionais com estes conhecimentos.

Mãos à obra e boa sorte!

Não pode faltar


Agora que vimos os princípios básicos de um sistema de informação, está na
hora de voltarmos nossas atenções para o processo de criação de um sistema de
informação. Em outras palavras, agora que já cobrimos o “o que”, está na hora de
focarmos o “como”. O processo de criação de um sistema de informação, como você
já deve desconfiar, é composto de vários passos, e não haveria como este primeiro
passo ser diferente de bolar a arquitetura do sistema em questão. É por aí, portanto,
que vamos começar.

Bernus, Mertins e Schmidt (1998) afirmam que a arquitetura de um sistema de


informação é composta pela estrutura deste sistema, seus componentes e as relações
entre estes elementos. Esta definição estabelece três elementos importantes, a saber:

12 8 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

• Estrutura (do inglês framework) – Da mesma forma que na construção


de um edifício primeiro é necessário definir e construir a estrutura, isto é, o
“esqueleto” de concreto e ferro sobre o qual serão erguidas as paredes,
instaladas as infraestruturas de água, luz e esgoto, e, por fim, aplicados os
acabamentos, assim também ocorre com os sistemas de informação. Apesar
de não utilizarem concreto e ferro, os sistemas de informação precisam ter suas
estruturas definidas a priori. Estas estruturas, segundo Schmidt (1997), definem
as funcionalidades básicas do sistema de informação. Trata-se de componentes
básicos de entrada e saída de dados, armazenamento e organização de
informações em bases de dados, interface com componentes externos, entre
outros. Por sua própria natureza, os frameworks são genéricos e no mais das
vezes são reutilizados no desenvolvimento de outros sistemas. Podemos pensar
na estrutura de um sistema de informações como sendo o “organograma” que
define o funcionamento genérico de uma empresa e a definição dos principais
cargos desta mesma empresa.
• Componentes – Segundo Foukalas, Ntarlandimas, Glentis e Boufidis (2010),
os componentes de um sistema de informação são as unidades modulares
que desempenham as principais funções de um sistema de informações.
São os grandes blocos, responsáveis pelas principais ações desempenhadas
pelo sistema. Podemos pensar nos componentes como sendo os vários
departamentos de uma empresa, cada um desempenhando seu papel, e assim
contribuindo para que a empresa cumpra com seus objetivos definidos.
• Relacionamentos – Em um sistema de informação, os relacionamentos são
as regras por meio das quais os módulos de um sistema de informações se
comunicam e trocam dados e informações uns com os outros. Podemos
pensar nos relacionamentos como os conjuntos de regras formais e informais
por meio dos quais os vários departamentos de uma empresa se comunicam.
Segundo Maier e Rechtin (2009), a arquitetura de sistemas de informação é, de
fato, um conjunto de várias arquiteturas complementares, a saber:
• Arquitetura de Hardware – Como os componentes de hardware de um
sistema se organizam para que ele funcione da maneira mais otimizada possível
(máximo poder de processamento, alta capacidade de armazenamento, altas
velocidades de entrada, saída e armazenamento/busca de dados).
• Arquitetura de Software – Como é a organização interna do software (assunto
principal deste item).
• Arquitetura Corporativa – Como a instituição como um todo (empresa, órgão
governamental, instituição, etc.) se organiza, de forma a obter maior sinergia e
mais eficiência/eficácia em suas ações.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 129


U3

• Arquitetura de Sistemas Colaborativos – Organização de sistemas distribuídos


em que vários usuários trabalham em um mesmo projeto, preservando a
consistência do fluxo de trabalho e dos dados e informações sendo processados.

• Arquitetura de Sistemas de Manufatura – Organização de sistemas fabris,


que, além do hardware e do software, incluem máquinas que utilizam as
informações do sistema para a produção de bens de acordo com especificações
dos usuários.

• Arquit etura de Sistemas Est rat égicos – Organização de sistemas


que auxiliam diretamente na tomada de decisões pelos executivos da
organização. Diferem dos demais sistemas por sua natureza preditiva, isto é,
por estabelecerem possíveis cenários futuros e resultados de ações sendo
consideradas pelos executivos.

Pesquise mais

A ligação entre arquitetura de sistemas de informação e os aspectos


organizacionais da instituição vai muito além da tecnologia, e um dos
aspectos que torna possível a tradução dos processos organizacionais
em sistemas de informação ágeis e úteis é o modelo adotado para a
arquitetura. É o que se discute neste excelente artigo dos pesquisadores
da Universidade Federal de Santa Catarina, publicado pelos pesquisadores
Tait, Barcia e Pacheco (1998).

TAIT, Tania Fatima Calvi; BARCIA, Ricardo Miranda; PACHECO, Roberto.


Um modelo de arquitetura de sistemas de informação para integrar
aspectos técnicos e organizacionais nos sistemas de informação. Abepro
- Associação Brasileira de Engenharia de Produção, 1998. Disponível
em: <http:/ / [Link]/biblioteca/enegep1998_art533.pdf>.
Acesso em: 27 dez. 2015.

Elementos da arquitetura de sistemas de informação

Quando buscamos entender quais são os elementos que compõem a arquitetura


de sistemas de informação, é útil fazer uma comparação com o que está por trás de
um tipo de arquitetura mais próximo de todos nós: a arquitetura civil, por meio da qual
construímos prédios, instalações comerciais/industriais/governamentais e residências.

Ao projetar um prédio ou uma residência, por exemplo, um arquiteto poderá fazer,


entre outras, as seguintes perguntas:

130 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

1. Como são as pessoas que utilizarão este edifício? Quantas pessoas serão, na
maioria do tempo? Serão sempre as mesmas, ou serão sempre pessoas diferentes?
Qual ou quais as faixas etárias? A que classe(s) social(is) pertencem? Como é seu
background sociocultural? Estas e outras questões semelhantes ajudam a definir o
edifício em seu aspecto mais importante: as pessoas às quais este edifício servirá.

2. Como será utilizado o edifício em questão? Será usado para fins familiares? Será
usado para fins comerciais? Haverá grande movimentação de pessoas pelo edifício?
Haverá grande movimentação e/ou armazenamento de objetos no edifício? Estas e
outras questões semelhantes definem o processo de uso do edifício.

3. Onde está localizado geograficamente o terreno onde será construído o


edifício? Há boas estradas, avenidas e ruas que levam até ele? Há acesso fácil via
transporte público (ônibus, metrô, trem)? Há acesso fácil a meios de transporte
interurbano (rodoviária, ferroviária, porto, aeroporto)? Estas e outras questões
semelhantes definem as redes de transporte que servem o local, e determinam a
infraestrutura de transporte que deve estar presente neste local (exemplo: é necessário
ter vários subsolos de garagens ou é melhor fazer uma parceria com a prefeitura e
construir uma estação de metrô, privilegiando o transporte público?).

4. Quais os principais eventos temporais que ocorrerão nesse edifício? Serão


sempre as mesmas atividades realizadas nos mesmos momentos no dia, na semana,
no mês? Que atividades são essas? Estas e outras questões semelhantes ajudam a
definir o edifício sob o ponto de vista dos eventos temporais que ali deverão ocorrer.

5. Quais são as regras formais e informais de uso do edifício? Poderá ser utilizado
a qualquer hora ou apenas em horários predefinidos? Há restrições das atividades
que ali podem ser conduzidas? Há código de vestimenta ou qualquer um se veste
como quiser dentro do edifício? Há restrições quanto aos objetos que podem ser
levados e utilizados dentro do edifício? A lei determina a existência de cômodos para
fins específicos no edifício? A lei determina a existência e disposição de saídas de
emergência e outros dispositivos de segurança no edifício? Estas e outras questões
semelhantes ajudam a definir como será o edifício para que este esteja de acordo com
regras de uso e construção.

Estes cinco grandes grupos de questões permitem um paralelo com o que os


especialistas do site Tutors Globe (2015) estabelecem como sendo os cinco elementos
da arquitetura de sistemas de informação. “Traduzindo” as questões acima para o
campo dos sistemas de informação, temos (TUTORSGLOBE, 2015):

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 131


U3

1. Quem serão os usuários do sistema de informações?


2. Para que serve o sistema e quais seus principais processos? (Qual é o
processo de manipulação de dados e informações?)
3. Como são ou devem ser, se ainda não existirem as redes que
transportam dados e informações para dentro e para fora do sistema
de informações, e, ainda, onde/como serão armazenados e acessados
estes dados e informações?
4. Que eventos e em que momento do tempo esses eventos deverão
ocorrer no sistema de informações?
5. Quais são as regras e casos de uso do sistema de informações?
Estes elementos determinam a arquitetura do sistema de informações sendo
projetado, e devem ser determinados a priori, antes mesmo de serem definidas as
funcionalidades genéricas do sistema.

Assimile

A arquitetura de um sistema de informações é semelhante à arquitetura


de um edifício em um ponto crucial: em ambos os casos devem ser
levantados com muito detalhe as necessidades do sistema (ou o edifício).
Em ambos os casos, a arquitetura é o processo de criar, a partir destas
necessidades, as ferramentas que as possam atender, seja com elementos
da construção civil — no caso do edifício — ou com os elementos da
informática —no caso do sistema de informação.

De certa forma estas questões fazem parte do levantamento de requisitos do


sistema, contudo, podemos argumentar que compõem a infraestrutura, ou a porção
mais básica dos requisitos do sistema de informações.

Arquitetura de sistemas na nuvem

Na Unidade 2 vimos uma pequena introdução aos sistemas na nuvem e você


pode retornar àquela unidade para relembrar os conceitos, se achar oportuno. Agora,
é importante observar que os sistemas de informação que englobam a nuvem em
sua arquitetura, na verdade diferem dos sistemas de informação tradicionais em três
pontos importantes (REESE, 2009):

• A infraestrutura de processamento, armazenamento e base de dados


destes sistemas — a que chamamos de backend, que é de uso privado —
não reside localmente, mas sim em ambientes chamados datacenters, no
mais das vezes contratados pelas empresas proprietárias dos sistemas de
informação em questão.

132 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

• O acesso ao sistema é feito pela internet (mas não necessariamente pela Web)
e não por infraestrutura proprietária de rede.

• A interface de acesso e operação destes sistemas — a que chamamos de


frontend, que é de uso público — pode residir em vários tipos de dispositivos,
incluindo computadores de mesa, laptops, tablets e smartphones, não sendo
restrita a um único tipo de interface acessível apenas a partir dos computadores
internos da instituição.

Processo de desenvolvimento de sistemas de informação

Talvez a maior dificuldade que enfrentamos quando nos entregamos à tarefa de


desenvolver um sistema de informação seja fazer a correta “tradução” dos processos
de uma instituição qualquer para o sistema a ser desenvolvido. Marakas e O’Brien
(2013, p. 477) traduzem de forma clara esta preocupação:

A tecnologia da informação provocou uma mudança sísmica


no modo como as empresas fazem negócios. Apenas conhecer
a importância e a estrutura de e- business não é suficiente.
Você precisa criar e implementar um plano de ação que lhe
permite fazer a transição de um projeto de negócio antigo
para um novo projeto de e- business.

A chave para esta tradução, afirmam os autores, é o planejamento. Uma instituição


minimamente interessada em atuar eficientemente, para se organizar, se estabelecer
no ambiente em que atua e crescer de maneira sustentável precisa se planejar para
tanto. O famoso estrategista e futurologista Alvin Toffler, em sua obra clássica de 1985,
A Empresa Flexível, oferece uma imagem contundente acerca da importância do
planejamento: “Uma empresa sem estratégia é como um avião voando em plena
tempestade, jogando para cima e para baixo, açoitado pelo vento, perdido entre
relâmpagos. Se os relâmpagos ou os ventos não o destruírem, simplesmente ficará
sem combustível”.

Reflita

O filósofo romano Sêneca oferece sua sabedoria no que diz respeito à


importância da estratégia:

“Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será
favorável”.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 133


U3

Muito antes do surgimento de todo o aparato de tecnologia da informação nas


corporações, estas já planejavam suas ações. O planejamento em si não é, portanto,
ideia nova. Aliás, é bem mais antigo até mesmo que o conceito de empresa, sendo
que as primeiras instâncias de planejamento podem ser vistas nas manobras militares
da antiguidade. No século XIX, o crescimento da atividade corporativa global,
impulsionada pela Revolução Industrial do século XVIII, alicerçou-se fortemente em
iniciativas de planejamento e esta tendência só fez crescer no século XX e neste
começo de século XXI. É natural, portanto, que não só a introdução de elementos de
tecnologia da informação, mas também que qualquer nova ferramenta ou ação que
se contemple adotar na instituição, seja congruente com o que esta instituição planeja
para seu futuro.

Planejamento organizacional

Marakas e O’Brien (2013) afirmam que soluções fundamentadas em sistemas de


informação que possam ser adotadas por toda a instituição dependem de um processo
coeso de planejamento, desenvolvimento e implantação, e tal processo deve sempre
estar integrado ao planejamento organizacional desta instituição. A Figura 3.1, a seguir,
mostra os principais componentes de um planejamento organizacional:

Figura 3.1 – Componentes do processo de planejamento organizacional

Analizar o ambiente Articular o


interno da planejamento da
organização organização

Construção do Estabelecer Desenvolver


Prever ocorrências estratégicas políticas
time, modelagem missão, visão,
interna e externas e táticas
e consenso valores e objetivos

Desenvolver ações
Avaliar realizções
de implantação,
e recursos
métodos e controles

Fonte: Adaptado de Marakas e O’Brien (2013, p. 480).

Pode-se observar, olhando para o lado direito desta figura, que o planejamento
organizacional engloba o planejamento estratégico, isto é, herda as características que
foram especificadas na coluna da esquerda da figura (que lista a criação da Identidade
Estratégica da instituição) e, assim, o que se vê é basicamente o planejamento

134 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

estratégico da instituição. Já o planejamento organizacional descreve um processo


mais abrangente, que visa a organização da instituição para que possa definir seus
rumos em seguida.

Este processo tem início com três grandes ações de coleta e análise de informações,
a saber:

1. Analisar o ambiente interno da organização, levantando a situação atual, suas


forças, suas deficiências, sua liderança, etc.

2. Avaliar cenários realistas que podem vir a ocorrer internamente (na organização
em si, seus processos produtivos, sua situação financeira, etc.).

3. Avaliar as realizações passadas da organização e os recursos que tem à


disposição (recursos humanos, financeiros, propriedade intelectual, know-how, etc.)
para realizações futuras.

De posse dos resultados desta análise, a organização deve realizar um exercício


de construção do time de planejamento, selecionando pessoal capacitado para a
tarefa. A primeira tarefa deste time será a criação de um modelo de trabalho e de um
consenso sobre como proceder ao planejamento à frente (MARAKAS; O’BRIEN, 2013).

Planejamento estratégico

O próximo passo do planejamento organizacional já faz parte do planejamento


estratégico. Trata-se da criação ou revisão do que chamamos de Identidade Estratégica
da instituição, definindo (ou redefinindo, se for o caso) três elementos que são a
essência da instituição, qualquer que seja sua natureza:

• Missão – Para que serve a instituição?

• Visão – Onde a instituição quer estar em um futuro distante (algo na linha de


50 ou 100 anos)?

• Valores – Quais são os valores que definem a instituição e que são condição
fundamental para sua existência?

• Objetivos – Para onde a instituição quer se direcionar neste momento?

Exemplificando

A Identidade Estratégica de uma instituição é o alicerce para todas as suas


estratégias e ações. A Vale é uma empresa multinacional brasileira com
vistas a se tornar uma das mais importantes empresas do planeta. Veja a
Missão, a Visão e os Valores da Vale:

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 135


U3

• Missão – Transformar recursos naturais em prosperidade e


desenvolvimento sustentável.
• Visão – Ser a empresa de recursos naturais global número um
em criação de valor de longo prazo, com excelência, paixão pelas
pessoas e pelo planeta.
• Valores – A vida em primeiro lugar; valorizar quem faz a nossa
empresa; cuidar do nosso planeta; agir de forma correta; crescer e
evoluir juntos; fazer acontecer.

O próximo passo já diz respeito à definição das diretrizes da instituição, isto


é: definição das políticas, estratégias e táticas que levarão a empresa a atingir seus
objetivos para o período. Após o desenvolvimento das políticas, estratégias e táticas,
deve ser feita a articulação do planejamento da organização, isto é, colocar as
políticas, estratégias e táticas definidas em um plano coeso, com começo, meio e fim,
contemplando todos os passos e contabilizando os objetivos intermediários a serem
atingidos, até a realização final do plano e — se tudo correr dentro do planejado — o
atingimento dos objetivos globais definidos para o período.

Nesta etapa deverão ser definidos, também, os mecanismos de acompanhamento


e controle de execução do plano, de forma que periodicamente os gestores da
instituição e — principalmente — os responsáveis pela condução do plano possam
averiguar se a instituição está seguindo o caminho planejado e qual a efetividade das
ações tomadas (MARAKAS; O’BRIEN, 2013).

Depois de toda esta explicação, a pergunta que você deve estar se fazendo é: E
o que tudo isso tem a ver com sistemas de informação? Apesar de excelente esta
pergunta, a resposta é muito simples: tudo. Os sistemas de informação são excelentes
ferramentas para se implementar estratégias e táticas, adicionando rapidez e eficiência
aos processos da organização (quando bem projetados e corretamente implantados).
Como são ferramentas, porém, eles têm a mesma característica de qualquer enxada
ou chave de fenda: são elementos de apoio. Quando um mecânico está desmontando
um motor e encontra um parafuso com uma fenda com formato de cruz de três
pontas, ele pensa “puxa, preciso comprar uma chave de fenda tríplice”. Ele pode se
planejar e olhar para o esquema do motor antes de começar e perceber que esse
motor contém parafusos com fendas de três pontas, e então se planejar para ter a
chave tríplice quando precisar. O que o mecânico não faz é comprar uma chave de
fenda tríplice e dizer: “bem, agora eu só trabalharei com motores que tenham fendas
tríplices”.

Este exemplo mostra exatamente como deve ser o processo de planejamento


da arquitetura e do desenvolvimento de sistemas de informação: este sistema deve
ser planejado e implantado de maneira a fornecer o apoio necessário às políticas,
estratégias e táticas da instituição.

136 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Faça você mesmo

Você decidiu empreender e criar uma empresa de software para atender


as demandas de outras empresas clientes que buscam oferecer seus
produtos e serviços via web e dispositivos móveis, mas como não
são clientes do setor de informática, não sabem como proceder. Sua
empresa vai criar as soluções que permitirão a estas empresas clientes
ter uma presença na Internet.
Pensando nesse sentido, como definiria a Identidade Estratégica de sua
Empresa? Em outras palavras:
• Qual é a Missão de sua empresa?
• Qual a Visão de sua empresa?
• Quais os Valores de sua empresa?

Sem medo de errar


Sabendo que Marlene é uma excelente gestora de seu negócio de lojas de
conveniência, mas que não tem experiência em TI, nem tem condições de ter um time
grande de tecnologia da informação em sua empresa, o ideal é levar em consideração
uma solução que gere o mínimo de trabalho, e ao mesmo tempo permita a flexibilidade
que o negócio merece.

Marlene já tem um planejamento organizacional pronto, realizado no ano passado,


e apresentou os resultados do planejamento estratégico a você. Como o planejamento
estratégico diz respeito a um período que já passou, com as estratégias de expansão
e investimento já tendo sido realizadas, e como também não previa a criação das
lojas on-line, há muito o que fazer neste quesito. O ideal é sugerir fortemente à
Marlene que outro ciclo de planejamento organizacional seja realizado, e que neste
novo ciclo a expansão on-line seja levada em conta durante a fase de definição de
políticas, estratégias e táticas para a empresa. Seria útil, também, revisitar a Identidade
Estratégica da empresa e adequá-la aos novos direcionamentos estratégicos que a
Marlene porventura tenha para o negócio.

Atenção!

Os sistemas de informação devem servir como ferramentas para as


estratégias e diretrizes da empresa e nunca o contrário.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 137


U3

Em seguida, será necessária uma reunião com Marlene e com seus funcionários
mais graduados de forma a levantar os principais requisitos para o sistema. Respostas
às seguintes questões deverão ser obtidas:
1. Quem serão os usuários do sistema de informações?
2. Para que serve o sistema e quais seus principais processos? (Qual é o processo
de manipulação de dados e informações?)
3. Como são ou devem ser, se ainda não existirem as redes que transportam dados
e informações para dentro e para fora do sistema de informações (e, ainda, onde/como
serão armazenados e acessados estes dados e informações)?
4. Quais eventos e em que momento do tempo estes eventos deverão ocorrer no
sistema de informações?
5. Quais são as regras de uso do sistema de informações?
Em função de Marlene e seu time não serem “experts” em TI, o ideal é que o
sistema dependa o mínimo de infraestrutura própria e tenha seus componentes
disponibilizados como serviços contratados pela empresa de Marlene tanto quanto
for possível. Para tanto, a empresa deve implantar o novo sistema de informações na
nuvem, de forma que toda operação e manutenção da infraestrutura de hardware
fique fora das mãos da empresa de Marlene.
Como os sistemas hospedados na nuvem podem ser acessíveis a partir de qualquer
canal de comunicação com a Internet, o aspecto de redes também fica definido de
forma bastante favorável para a empresa de Marlene.
Por fim, é importante que sejam definidos, com base nos requisitos levantados, as
principais funcionalidades do sistema, dividindo estas funcionalidades em módulos e
definindo os relacionamentos e as comunicações entre estes módulos.

Lembre- se

A arquitetura do sistema de informações deve conter a estrutura, os


componentes e os relacionamentos entre os componentes e tudo isso
deve ser definido com base nos requisitos levantados junto ao cliente.

Avançando na prática
Pra tiq u e m a is
In stru ção
De sa am o s vo cê a praticar o que apren de u, tran sfe rin do se us co n he cim en to s para n ovas situaçõ es
que po de e nco n trar n o am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e de po is as co m pare co m as de
seu s co le gas.

138 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

“De n in d o a a rq u ite tu ra d o siste m a d e in fo rm a çõ e s”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d am e n to s Co n he ce r e co m pre e nder as prin cipais te cn olo gias
d e Áre a relacio n adas à in fo rm ação e à co m u nicação.
Co n he ce r o s prin cipais aspe cto s de um siste m a de info rm ação
2. Ob je tivo s d e ap re n d iza g e m e seu pape l de apo io (fe rram en ta) a se rviço da in stituição
co m o m e io de atin gir seu s o bjetivo s.
Visão geral da arquite tura e do pro cesso de de se nvolvim e n to
3. Co n te ú d o s re la cio n ad o s
de um siste m a de info rm ação .
Jair fo i m o toboy durante dez ano s. Co nhece ndo bem este
ram o de atividade, ele teve um a ideia, depo is que baixo u o
aplicativo Uber em seu celular: por que não criar um Uber
voltado para m o toboys? Surgiu daí a ideia da Uberboy, um a
e m presa de serviço de m o toboys, serviço este que po de ser
prestado por qualquer pro prietário de m o to cicleta que se
cadastre. O Jair não co nhece nada de info rm ática e acaba de
abrir a pessoa jurídica de sua em presa. Ele pro curo u vo cê para
desenvolver to do o sistem a da Uberboy. Nesta etapa vo cê vai
4. De scriçã o d a SP criar um relató rio co m to dos o s principais po nto s da arquitetura
do sistem a da Uberbo y.

1. Su ge rir ao J air que exe cute um ciclo de plan e jam e nto


o rganizacio n al, co m ên fase n o plan e jam e nto estratégico da
Ube rboy.
2. Co n he ce ndo as po líticas, e stratégias e táticas da Ube rbo y,
vo cê deve tam bém o bter se us o bje tivo s para o perío do
co berto pelo plane jam e n to re cé m - re alizado .
3. Co letar ju nto ao Jair, se us só cio s (se e xistire m ) e se us
prin cipais fun cio nário s (se existirem ) as fu ncio nalidade s
n e ce ssárias ao sistem a de in fo rm açõ e s a se r de se nvolvido .
5. Re so lu çã o d a SP
4. Dese nh ar o s m ó du lo s principais do siste m a, suas
fun cio n alidades e relacio n am e nto s.
5. De n ir a arqu ite tura geral do siste m a. Algu m as pergu ntas
im po rtantes: Se rá ho spedado n a pró pria Uberbo y? Ou fo ra
de la, e m algum pre stado r de se rviço ? Co m o se rá o ace sso
ao aplicativo ?
6. De po sse de to das as in fo rm açõ e s cole tadas, ge rar um
relató rio a se r apre sen tado ao Jair, para a co n tinuidade do s
trabalh o s.

Faça você mesmo

Faça uma pesquisa sobre modelos de arquitetura de sistemas e identifique


qual seria a melhor solução de armazenamento e comunicação para uma
solução como a de Jair, que é totalmente on-line.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 139


U3

Lembre- se

Software hospedado na nuvem economiza na manutenção da


infraestrutura.

Faça valer a pena!

1. Observe o texto a seguir e em seguida escolha a alternativa que


completa mais adequadamente este texto:

A ___________ de um sistema de informações é formada por três


elementos principais, a ___________, que define as funcionalidades
básicas do sistema, os ___________, que são as unidades modulares
que desempenham as várias ações do sistema, e os _______________
que são as formas com que os _____________ trocam informações.

a) Definição, estratégia, modelos, protocolos, modelos.


b) Arquitetura, estrutura, componentes, relacionamentos, componentes.
c) Arquitetura, estrutura, componentes, relacionamentos, usuários.
d) Definição, estratégia, modelos, protocolos, usuários.
e) Organização, estrutura, programas, protocolos, usuários.

2. Observe as duas colunas a seguir. A coluna da esquerda lista os


diversos aspectos que compõem a arquitetura de sistemas e a coluna da
direita explica o que é cada um destes aspectos.
Organização de sistemas fabris, que além
do hardware e do software, incluem
I. Arquitetura de Hardware A máquinas que utilizam as informações
do sistema para a produção de bens de
acordo com especi cações dos usuários.
Organização de sistemas distribuídos
II. Arquitetura de Software B em que vários usuários trabalham em
um mesmo projeto.
Como é a organização interna do
III. Arquitetura Corporativa C
software.

14 0 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Como os componentes de hardware


IV. Arquitetura de Sistemas de um sistema se organizam para que
D
Colaborativos o hardware funcione da maneira mais
otimizada possível.
Organização de sistemas que auxiliam
V. Arquitetura de Sistemas
E diretamente na tomada de decisões
de Manufatura
pelos executivos da organização.
Como a instituição como um todo
VI. Arquitetura de Sistemas se organiza, de forma a obter maior
F
Estratégicos sinergia e mais e ciência/e cácia em
suas ações.

a) I- D, II- C, III- E, IV- A, V- F, VI- B.


b) I- C, II- D, III- F, IV- B, V- A, VI- E.
c) I- D, II- C, III- A, IV- E, V- F, VI- B.
d) I- D, II- C, III- F, IV- B, V- A, VI- E.
e) I- F, II- E, III- D, IV- C, V- B, VI- A.

3. Analise as asserções a seguir:

I. Em uma corporação, os sistemas de informação são ferramentas.


PORQUE
II. As estratégias e demais diretrizes corporativas servem aos sistemas de
informação.

Analisando- se as asserções acima, conclui- se que:

a) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.


b) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a
primeira.
c) A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
d) A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
e) As duas afirmações são falsas.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 141


U3

14 2 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Seção 3.2

Classificações e tipos de linguagens de


programação
Diálogo aberto

Você se recorda de suas aulas de inglês no ensino escolar ou mesmo em alguma


escola de inglês que tenha frequentado ou que ainda frequenta? Lembra-se de ter
que aprender palavras e construções novas, achar interessante (e um tanto inusitada)
a pronúncia desta ou daquela palavra, aprender como construir uma frase para
expressar um pensamento? Mais importante: lembra-se da sensação de vitória que
nos ocorre quando conseguimos entender o que alguém fala em inglês ou alguma
frase que lemos em nosso dia a dia? Pois é, este é o poder da comunicação e do
intelecto humano, não é mesmo? Temos a capacidade de aprender a nos comunicar
com pessoas que encaram o mundo apoiados por outras maneiras de se comunicar.
Mas e quando não é de pessoas que estamos falando? E se o “interlocutor” é um
computador? Será que ele compreende ideias como as compreendemos? Não,
pois foram projetados para lidar com dados e informações de uma forma bastante
diferente de nós, seres humanos. Ainda assim, uma semelhança permanece: existem
várias linguagens por meio das quais podemos dar instruções aos computadores para
que desempenhem os papéis que precisamos que eles desempenhem. Sendo assim,
nesta seção você entenderá como são classificadas as linguagens de programação e
conhecerá vários exemplos destas linguagens.
E onde podemos usar este conhecimento? Lembra-se do sistema que sua empresa
vai desenvolver para Marlene, a proprietária das lojas de conveniência, que está abrindo
uma loja virtual? Então, na seção anterior fizemos a arquitetura do sistema e, para que
esta arquitetura dê origem ao sistema de informação em si, nesta próxima etapa, você
identificará quais linguagens de programação serão utilizadas para desenvolver cada
uma das partes definidas para a loja virtual de Marlene. O resultado desta etapa será
um relatório de planejamento com a indicação de todos os recursos de linguagens de
desenvolvimento de software a serem empregados no projeto de Marlene.

E aí? Aceita o desafio? Então vamos lá!

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 143


U3

Não pode faltar

É bem sabido que ações que antigamente eram feitas a duras penas por seres
humanos, tais como balanços de contas em um banco, hoje são realizadas rápida
e precisamente por computadores. Analisemos a seguinte questão: eu tenho que
ordenar uma lista de números em ordem aleatória. Digamos que sejam 10.000
números, de forma que não fiquemos tentados a ordenar a lista “na mão”. O problema
pode ser expressado de forma simples, não? Vejamos:

Dada a lista L, composta por 10.000 números naturais, organize os números


desta lista em ordem crescente, isto é, do menor para o maior.

Pronto: alguém que conheça o idioma português e que tenha algumas noções
básicas de matemática conseguiria entender o que pede o problema, não é verdade?

Muito bem, mas e o computador? Será que se ligarmos nosso computador,


acionarmos o microfone e vocalizarmos as instruções acima ele saberá o que fazer?
Não, nada acontecerá. A resposta a esta indagação é simples: receberemos de
volta, pois o computador não sabe nem como reagir às nossas palavras. Como nos
comunicamos com o computador, então?

Linguagem de Máquina

Quando se afirma que um problema do mundo real pode ser descrito em


linguagem humana (alguma das centenas que temos à nossa disposição) para
nossa compreensão e conveniência, seria da mesma forma a interpretação por um
computador? Bansal (2014) descreve o caminho a ser seguido diante deste impasse
que é a interpretação de instruções para a linguagem de máquina. Os computadores
compreendem linguagem de máquina, que em última instância é uma cadeia de
zeros e uns. Estas cadeias de zeros e uns constituem a forma mais básica de nos
comunicarmos com os computadores, e são parte do que chamamos de Linguagem
de Máquina. Qualquer instrução que queiramos que o computador execute deve
ser traduzida para a Linguagem de Máquina, eliminando todas as ambiguidades, de
maneira clara, para que o computador entenda o que dele se espera (BANSAL, 2014).

Reflita

A programação do “hardware” do ser humano (isto é, seu cérebro) é


feita ao longo de anos, com tentativas e erros gerando o conhecimento
sobre o que fazer, quando fazer, etc. (e também o que não fazer, quando
não fazer, etc.) (LAWSON, 2003). Já no caso dos computadores, pelo
hardware ser muito mais simples e projetado por nós humanos, podemos

14 4 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

simplesmente adicionar um programa à memória e, se este programa é


bem feito, o computador fará exatamente o que esperamos dele.

Em linguagem de máquina, diferentes sequências de zeros e uns são entendidas de


maneira diferente pelo computador, que a partir delas realiza uma operação qualquer.
Veja alguns exemplos de operações que o computador tem a capacidade de realizar
a partir de instruções em Linguagem de Máquina:

• Buscar o dado contido em algum registrador (posição fixa de memória dentro


do microprocessador) ou posição de memória (pode ser memória RAM, memória de
vídeo, disco rígido, CD, etc.).

• Gravar um dado em algum registrador (posição fixa de memória dentro do


microprocessador) ou posição de memória (pode ser memória RAM, memória de
vídeo, disco rígido, CD, etc.).

• Somar dois valores dentro da ULA (Unidade Lógica e Aritmética).

• Comparar dois valores na ULA para saber qual é o maior (ou se são ambos iguais).

• Passar um dado para que seja manipulado por algum periférico do computador
(como por exemplo a placa de vídeo ou a impressora).

Você pode perceber uma característica importante da Linguagem de Máquina


pelos exemplos anteriores: as instruções que o computador compreende e consegue
executar são bem simples. Para que o computador consiga entender, por exemplo,
que você quer que o seu carro faça uma curva no jogo de corrida que você está
jogando, na verdade ele executa em alguns poucos centésimos de segundo várias
centenas de milhares de instruções simples como as do exemplo.

Se você acha que a Linguagem de Máquina é complicada, é por uma razão bem
simples: é porque ela é, de fato, complicada. E é por isso justamente que somente lá
no início da Era dos computadores, ainda na década de 40, é que a programação era
feita em Linguagem de Máquina.

Exemplificando

Imaginando um processador responsável exclusivamente por acender,


apagar e incrementar/decrementar o brilho de uma lâmpada, podemos
imaginar as seguintes instruções em linguagem de máquina:

0000 – Parar o programa

0001 – Ligar a lâmpada no máximo brilho

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 145


U3

0010 – Desligar a lâmpada

0011 – Aumentar brilho da lâmpada em 10%

0100 – Reduzir brilho da lâmpada em 10%.

Por que precisamos de linguagens de programação?

Hoje em dia existem centenas de linguagens de programação catalogadas e em


uso no mundo todo (TURBAK; GIFFORD, 2008). E por que temos tantas linguagens
de programação assim? Bem, as linguagens de programação surgem por três razões
bastante importantes, a saber:

1. Porque a Linguagem de Máquina —a única compreendida pelos computadores


—é complexa demais para ser usada por nós humanos.

2. Porque os problemas que resolvemos com computadores são de natureza


diferente e precisam de enfoques diferentes para serem resolvidos. As linguagens
de programação oferecem estes enfoques diferentes, por meio de paradigmas
diferentes de programação.

3. À medida que a capacidade dos computadores aumenta em termos de


memória e velocidade de processamento, mais recursos surgem para facilitar
nossa comunicação com eles.

Sobre este último ponto é importante observar como ele ocorre. Lá nos primórdios
da computação digital, só tínhamos a interface de comunicação com base em chaves
de liga/desliga, que nos permitiam programar zeros (em chaves desligadas) e uns (em
chaves ligadas). Depois vieram os cartões perfurados aplicados à computação, os
terminais com teclado e impressora (o vídeo só viria mais tarde), o monitor de vídeo,
o mouse, as interfaces gráficas e por aí vai. E com todas essas facilidades de hardware,
o software também melhorou muito, dando-nos a capacidade de nos comunicar
de forma cada vez mais natural e eficaz com os computadores. A cada passo que
galgamos nessa escalada, temos a oportunidade de refinar nossa comunicação, por
meio de linguagens mais avançadas.

Categorias de linguagens de programação

É importante observar que não existe apenas uma maneira de classificar as


linguagens de programação. Podemos analisá-las historicamente, como fazem
Gabbrielli e Martini (2010), citando sua evolução desde a Linguagem de Máquina da
década de 40, passando pelas várias evoluções ao longo das décadas desde então,
e chegando até os dias de hoje. Em que pese esta perspectiva histórica ser útil, as
linguagens de programação surgiram para atender a propósitos diferentes e ,para
tanto, foram desenvolvidas utilizando diferentes paradigmas.

14 6 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Vocabulário

Paradigma é um conjunto de normas (mais formais) e direcionamentos


(menos formais) dentro dos quais um determinado assunto é desenvolvido
e ações para o desenvolvimento deste assunto são tomadas. De forma
simplificada, podemos dizer que um paradigma é a forma de pensamento
que rege um determinado assunto.

Outra forma de categorizar as linguagens de programação é analisar como


são tratadas pelos computadores onde são executadas. Existem linguagens de
programação que, depois de escritas, são traduzidas para a Linguagem de Máquina, e a
partir daí o resultado pode ser executado diretamente, sem a necessidade de programas
intermediários. Neste caso, dizemos que o programa escrito em linguagem “Xis” foi
compilado e tem acesso direto ao processador a partir daí. É interessante observar
que este processo de compilação é uma “via de mão única”. Uma vez que o programa
escrito em uma linguagem de programação compilável foi de fato compilado, o
resultado é um arquivo em linguagem de máquina e não há como fazer a volta, isto é,
não há como gerar o programa original a partir do arquivo em Linguagem de Máquina
resultante da compilação.

Em contrapartida às linguagens compiláveis, há as linguagens interpretadas. Neste


caso, o programa não acessa diretamente o processador, ou seja, não é traduzido
diretamente para Linguagem de Máquina. Ao contrário, este programa é tratado por
outro que interpreta seus comandos e passa as instruções de máquina — geradas
naquela hora e naquele local — para o computador que as executará. Quer um
exemplo? Seu navegador web é um interpretador da linguagem HTML (Hyper Text
Markup Language), que, quando interpretada por este navegador, gera as páginas web
que você visita.

Veja a seguir, na Tabela 3.1, exemplos de linguagens de programação interpretadas


e linguagens de programação compiladas:

Tabela 3.1 – Exemplos de linguagens interpretadas e compiladas


Linguagens Interpretadas Linguagens Compiladas
HTML Fortran
Pyt hon Pascal
Logo C
Basic (dos primeiros microcomputadores da
C++
década de 70)
Linguagens de linha de comando (DOS, CSH,
Cobol
etc.)
Javascript Assembly
Fonte: O autor (2015).

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 147


U3

Em resumo, podemos categorizar as linguagens de programação de várias


maneiras, entre elas:

• Categorização histórica.

• Categorização por paradigmas de programação.

• Categorização por acesso direto ou indireto ao processador.

No restante desta aula, veremos várias linguagens de programação sob o ponto de


vista do paradigma em que se encaixam. Uma linguagem pode pertencer a mais de
um paradigma, como os exemplos à frente vão mostrar.

Paradigmas de programação

Os paradigmas que veremos a seguir são os seguintes:

• Paradigma de Linguagens de Script.

• Paradigma de Linguagens Imperativas.

• Paradigma de Linguagens Funcionais.

• Paradigma de Linguagens Procedurais.

• Paradigma de Linguagens Lógicas.

• Paradigma de Linguagens Orientadas a Objetos.

• Paradigma de Linguagens de Bases de Dados.

Vamos lá?

Paradigma de linguagens de script


O paradigma de linguagens de script talvez seja o mais difícil de se definir, segundo
Barron e Wegner (2000), pelo fato de que a diferença entre scripts e programas é
bastante sutil. Scripts, na verdade, podem ser considerados programas, mas guardam
algumas diferenças importantes em relação aos programas criados em linguagens de
programação, tais como o C, o Fortran, o Pascal e tantas outras. Enquanto programas
criados nestas linguagens são geralmente compilados e de uso genérico, os scripts
são programas com propósitos bem distintos (BARRON; WEGNER, 2000), como:

• Construir aplicações com componentes já prontos, disponibilizados


pelo sistema.

• Controlar aplicações que têm interfaces programáveis.

• Escrever protótipos de programas, nos quais a velocidade de desenvolvimento


é mais importante que a eficiência do processo de desenvolvimento.

14 8 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

As linguagens de script são interpretadas, e seus interpretadores geralmente


fazem parte dos aplicativos básicos do sistema operacional. Alguns exemplos
de Linguagens de Script:

• CSH, KSH, BASH e outras shell languages, ou seja, linguagens de linha de


comando de interface de texto dos sistemas operacionais, disponíveis nos
ambientes UNIX (incluindo o Linux, o BSD, o OS-X e tantos outros).

• AWK, PERL, Python e outras linguagens voltadas para prototipagem e


desenvolvimento rápido de procedimentos simples no computador.

• PHP, JCL, Javascript e outras linguagens de scripting para a web.

Paradigma de linguagens imperativas

Segundo Collard (2003), a programação imperativa é aquela em que os comandos


(que são os próprios “imperativos”) geram resultados a partir de dados de entrada. Como
veremos à frente, este paradigma contrasta com o paradigma de linguagens lógicas
pelo fato de que estas conseguem, também, em teoria, gerar os dados de entrada a
partir dos resultados do processamento (para mais informações, veja o próximo item
desta mesma seção). As linguagens imperativas descrevem como um problema deve
ser resolvido e esta descrição se dá por meio do algoritmo e dos comandos utilizados
para implantar este algoritmo. Alguns exemplos de linguagens imperativas:

• Fortran – A primeira linguagem de programação imperativa a ser desenvolvida,


em 1954, pela IBM.

• ALGOL – Linguagem criada para a implementação de algoritmos matemáticos.

• BASIC – Linguagem criada com o objetivo específico de facilitar o


aprendizado de programação. Bastante popular nos anos 70 e 80 nos
microcomputadores pessoais.

• COBOL – Linguagem imperativa que também permite a interação com


bases de dados e tem o mérito de ser a primeira linguagem cuja sintaxe foi
desenvolvida para se aproximar do idioma inglês.

• Pascal – Linguagem imperativa que permite a separação das ações em


procedimentos, que podem ser invocados a qualquer momento dentro do
programa (vide paradigma de linguagens procedurais, mais à frente).

• C – Linguagem imperativa desenvolvida em conjunto com o sistema


operacional Unix e que já foi a linguagem mais utilizada para o desenvolvimento
de programas executáveis.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 149


U3

Paradigma de linguagens funcionais

Gabbrielli e Martini (2010) descrevem o paradigma de linguagens funcionais como


sendo aquele em que os programas não executam ações no sentido de modificar um
ou mais estados, por meio da alteração do valor de variáveis e valores de memória.
Os próprios conceitos de “memória” e de “variável” são ausentes nesse paradigma de
programação. As linguagens funcionais não se preocupam com o como um problema
será resolvido, mas sim com a declaração do problema em si. Ou seja, estas linguagens
se preocupam com o que é o problema. Este é um processo de declaração, ou, dito
de outra forma, este processo de relatar os problemas como funções (dando origem
ao nome “funcional”).

Alguns exemplos de linguagens funcionais:

• LISP – Primeira linguagem funcional, desenvolvida ainda na década de 50, tendo


surgido um ano após o surgimento da linguagem Fortran. É uma linguagem
utilizada para a expressão de problemas lógicos e de funções matemáticas.
• Erlang – Linguagem funcional criada inicialmente pela Ericsson para suportar
a operação de dispositivos tolerantes a falha (que continuam a operar mesmo
diante de problemas que ocorram com os mesmos), em especial, equipamentos
telefônicos (centrais telefônicas).
• Haskell – Linguagem funcional desenvolvida no início da década de 90 com
o objetivo de ser um padrão aberto de linguagens funcionais de propósito
genérico.

Paradigma das linguagens procedurais

Em primeira instância, as linguagens procedurais são aquelas em que as expressões


sintáticas, quando grafadas corretamente, descrevem ações, que chamamos de
procedimentos (GABBRIELLI; MARTINI, 2010). Podemos, também, tomar este termo
com um significado mais próximo a várias linguagens de programação que surgiram a
partir do fim da década de 60: a possibilidade de se declarar procedimentos (também
conhecidos como sub-rotinas) que podem ser invocados a qualquer momento da
execução do programa. Sobre as linguagens procedurais, é importante observar: são
um subconjunto das linguagens imperativas, isto é: todas as linguagens procedurais
são também linguagens imperativas (mas nem todas as linguagens imperativas são
linguagens procedurais).

Declarados os procedimentos em uma linguagem procedural qualquer, eles


podem ser acionados em qualquer parte do programa e podem inclusive acionar a si
mesmos, criando um processo chamado de recursão, que é muito útil na implantação
de algoritmos complexos.

15 0 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Faça você mesmo

Um recurso bastante interessante para entender o que é programação


procedural é a “Ilha do Mistério”, um site que ensina a programar de
maneira divertida. Você consegue criar um monstro e fazer com que ele
resolva as tarefas propostas? Você consegue, por exemplo, fazer com
que o monstro se mova? Consegue fazê-lo pegar a bola? Visite o site
e tente você mesmo. Disponível em: <[Link]
html# lab/:pt>. Acesso em: 11 jan. 2016.

Alguns exemplos de linguagens procedurais:

• Pascal – Linguagem desenvolvida por Niklaus Wirth, em 1970, implementando


procedimentos, recursividade e programação estruturada em sua totalidade.

• C – Linguagem procedural de programação estruturada desenvolvida por


Dennis Ritchie e Ken Thompson.

• C++ – Evolução da Linguagem C adotando os princípios da orientação


a objetos (vide paradigm a da orientação a objetos, mais à frente nesta
mesm a seção).

• SmallTalk – Criada em 1980 nos laboratórios da Xerox-PARC, foi a primeira


linguagem procedural orientada a objetos (vide paradigma da orientação a
objetos, mais à frente nesta mesma seção).

• Java – Linguagem procedural desenvolvida por James Gosling, na Sun


Microsystems, em 1995. Criou o conceito de “Escreva uma vez, execute em
qualquer lugar” (WORA – Write Once, Run Anywhere). Os programas escritos
em Java são compilados em um código chamado Bytecode, que pode ser
executado por uma máquina Java em qualquer computador, em qualquer
sistema operacional para o qual a máquina Java tenha sido criada. É a linguagem
mais utilizada hoje em dia para desenvolvimento Web.

Paradigma das linguagens lógicas

As linguagens lógicas são aquelas em que os problemas resolvidos são os problemas


da lógica formal. Programas criados em linguagens lógicas têm, em geral, o objetivo de
resolver questões em que técnicas como a indução e a dedução são necessárias. São
linguagens bastante úteis no estudo da Inteligência Artificial e os programas criados
nestas linguagens conseguem emular o raciocínio humano.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 151


U3

Alguns exemplos de linguagens lógicas:

• Prolog – A pioneira entre as linguagens lógicas, desenvolvida em 1972 por


Alain Colmerauer e Robert Kowalski, em um esforço conjunto entre a França
e a Escócia. É a base das linguagens lógicas até os dias de hoje, sendo que de
alguma forma todas elas seguiram os passos inicialmente trilhados pelo Prolog.

• Datalog – Linguagem de programação derivada diretamente do Prolog que


é utilizada para deduções a partir da interação com bases de dados. É uma
linguagem útil na identificação de informações a partir da análise de registros de
bases de dados (veja também o paradigma de linguagens de bases de dados).

• OWL – Esta linguagem tem no nome as iniciais de Web Ontology Language


(a inversão das letras ocorre para que se forme a palavra “owl”, que é coruja em
inglês. É uma linguagem utilizada para se criar “ontologias”, ou organizações
taxonômicas de conhecimento a partir de sites da web. Sua utilização é no
sentido de se agrupar e organizar conhecimento armazenado na web.

• SWRL – Abreviação de Semantic Web Rule Language, é uma linguagem que


busca identificar significado semântico a partir de informações armazenadas
em sites na web.

Paradigma das linguagens orientadas a objetos

O paradigma imperativo, e em especial o paradigma procedural, são bastante


úteis no desenvolvimento de sistemas complexos, contudo, ambos sofrem de uma
fraqueza intrínseca: o tratamento dos dados pode se tornar um processo complicado
ou desorganizado, dependendo de para onde pende: o controle necessário torna
a administração complexa e qualquer coisa menos do que o adequado põe o
projeto em risco de se desorganizar. Erros em projetos muitas vezes se devem à
manipulação indevida de dados, e encontrar estes erros em projetos com dezenas ou
centenas de milhares de linhas de código tende a ser um processo demorado e caro
(BALAGURUSAMY, 2008).

O paradigma da orientação a objetos visa resolver justamente este processo. A


manipulação dos dados é feita de forma hierárquica, sendo que classes de objetos
(estruturas de dados) são criadas e especializadas à medida que os procedimentos
vão ficando mais locais. Desta forma, a administração das estruturas de dados e dos
dados em si fica facilitada e os erros em função de manipulação indevida de dados
são bastante reduzidos.

152 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Pesquise mais
Veja nesse interessante artigo de José Carlos Marcoratti as principais diferenças
entre Programação Orientada a Objetos e Programação Procedural.

MARCORATTI, José Carlos. Programação Orientada a Objetos x


Programação Procedural. Disponível em: <[Link]
net/14/06/oop_proc.htm>. Acesso em: 10 jan. 2016

Exemplos de linguagens orientadas a objetos:

• SmallTalk – A primeira linguagem a implantar o paradigma da orientação


a objetos.

• C++ – Uma linguagem derivada do C, que implementa todo o paradigma de


orientação a objetos ao mesmo tempo que mantém a sintaxe da linguagem C.

• Java – A mais popular das linguagens orientadas a objetos nos dias de hoje,
principalmente por suas facilidades de programação web.

• Eclipse – Mais do que uma linguagem de programação, o Eclipse é um


SDK (Software Development Kit, ou Kit de Desenvolvimento de Software), um
ambiente de programação para o Android, sistema operacional de smartphones
e tablets do Google.

• Swift – SDK para o iOS, sistema operacional de smartphones e tablets


da Apple.

Paradigma das linguagens de bases de dados

Uma base de dados relacional é um conjunto de dados organizados de forma


que buscas possam ser feitas nestes dados, o que torna possível que relações entre
os dados gerem informações, deduzidas a partir do que seria apenas uma massa de
registros sem maior sentido. É justamente o relacionamento entre dados que permite
o surgimento de significado, transformando tais dados em informações (VAN DER
LANS, 2006).

As organizações, as buscas e os relacionamentos entre os dados de uma base


relacional ocorrem por meio de uma linguagem que permita tudo isso. Estas
linguagens podem ser — e comumente são — utilizadas para se criar programas de
manipulação das bases de dados. Em uma base de dados relacional, as estruturas
de dados são limitadas e bem definidas, o que facilita muito sua manipulação. Estas
linguagens, livres da necessidade de se definir e gerenciar estruturas de dados, podem

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 153


U3

focar suas atenções às buscas e manipulações dos dados em si, surgindo o paradigma
das linguagens de bases de dados.

Exemplos de linguagens de bases de dados:

• Natural – Linguagem desenvolvida pela Software AG para permitir acesso às


bases de dados do programa ADABAS, da IBM. Ainda hoje é uma linguagem
bastante usada para lidar com bases de dados de mainframes da IBM.

• SQL – Abreviação de Search and Query Language, ou Linguagem de Buscas e


Questionamentos, utilizada pela maioria dos sistemas atuais de gerenciamento
de bases de dados, tais como o Oracle e o MySQL.

• Datalog – Linguagem de programação lógica (vide paradigma de linguagens


lógicas nesta seção) voltada para a manipulação de bases de dados.

Sem medo de errar


É importante observar que o sistema de informação sendo desenvolvido para
implantar a loja de conveniência de Marlene na internet, teremos que considerar vários
ambientes, a saber:

• O ambiente de backend, ou em outras palavras, o ambiente do servidor, que


conterá a aplicação e os dados de estoque e dos clientes.

• O ambiente de frontend, ou em outras palavras, a aplicação que vai rodar no


dispositivo do cliente (computador de mesa, laptop, smartphone, tablet, etc.).

Para a aplicação principal, que será executada nos servidores de Marlene, podemos
utilizar uma linguagem de alto desempenho e alta flexibilidade, como é o caso do
C++, uma linguagem que tem as vantagens de ser:

1. Compilada – Indicada para gerar código eficiente e rápido, que pode


aproveitar todas as facilidades da comunicação direta com o processador,
sem intermediários.

2. Imperativa – Indicada dada a natureza de execução de ações da aplicação.

3. Procedural – Indicada porque a presença de procedimentos permite a


reutilização de código ao longo do projeto.

4. Orientada a Objetos – Indicada em função das facilidades que oferece


para manipulação de dados, e organização/ consistência de acesso a estes
dados e minimização de erros potenciais na utilização de estruturas de
dados do programa.

15 4 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Lembre- se

Uma linguagem pode pertencer a mais de um paradigma de programação.

Como este aplicativo principal deverá manipular algumas grandes bases de dados
relacionais (cadastros de clientes, estoque de mercadorias, pedidos de clientes,
informações financeiras e administrativas, etc.), é recomendável que a aplicação
principal faça interface com um módulo de manipulação de base de dados. Neste
caso, a linguagem indicada para fazer a manipulação dos dados é o SQL, por sua
flexibilidade e eficiência na manipulação de bases de dados relacionais.

Com as questões de linguagem de programação pertinentes ao servidor resolvidas,


devemos agora nos concentrar nos clientes. Começamos por analisar quem é ou
quem são estes clientes. Temos três grandes possibilidades para o acesso à aplicação
por parte dos clientes, a saber:

• Computadores pessoais (desktops, laptops, etc.).

• Dispositivos móveis Android (80% do mercado de smartphones e tablets


no Brasil).

• Dispositivos móveis iOS da Apple (18% do mercado de smartphones e tablets


no Brasil).

Para facilitar o desenvolvimento e abranger o máximo de usuários possíveis,


podemos utilizar as seguintes linguagens de programação para os dispositivos dos
clientes:

• HTML e Java para os computadores pessoais, o que torna necessário que


o usuário tenha apenas um navegador funcionando em seu computador para
acessar a aplicação (além do acesso à internet, claro).

• Eclipse para a aplicação dos dispositivos Android.

• Swift para a aplicação dos dispositivos iOS da Apple.

Atenção!

HTMS é uma linguagem interpretada, dependendo do navegador para ser


executada. Java, Eclipse e Swift são linguagens compiladas.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 155


U3

Avançando na prática
Pra tiq u e m a is
In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apren de u, tran sfe rin do seu s co n he cim e n to s para n ovas situ açõ e s
qu e po de e nco n trar no am bien te de trabalho . Realize as atividade s e de po is as co m pare co m as de
seu s co le gas.

“De n in d o a s lin g u a ge n s d e p ro g ra m a çã o ad e q u a d a s”
1. Co m p e tê n cia d e Fu n d a m e n to s Co nhe cer e co m pree n de r as principais te cn o lo gias
d e Áre a re lacio nadas à info rm ação e à co m un icação .
Co nhe cer algum as fo rm as de catego rização de linguage ns
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m de pro gram ação , o s prin cipais paradigm as de pro gram ação e
exe m plo s de lingu age n s que faze m parte de cada paradigm a.
De se nvolvim e n to de Software, taxo no m ia de lin guage ns
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
de pro gram ação .
Marco Aurélio acaba de se form ar em Análise de Sistem as e
está buscando opo rtunidades para seu futuro pro ssio nal.
Com o ele sem pre fo i um entusiasta da pro gram ação, ado ra as
platafo rm as m óveis e é apaixo nado po r jo go s de com putado r,
teve um a ideia para um novo jo go de estratégia no qual tim es
4. De scriçã o d a SP de jogado res po dem se organizar e jo gar uns co ntra os o utros.
Este jo go deverá ser executado no s dispo sitivo s m óveis do s
jo gadores, m as o s dados do s tim es e das açõ es deverão ser
centralizados de algum a form a, para m anter a co nsistência
do jo go. Ajude Marco Aurélio a de nir as linguagens de
pro gram ação m ais indicadas para desenvolver o pro jeto.
Co m o o fo co do jo go são o s dispo sitivo s m ó ve is, é im po rtan te
qu e as linguage ns de pro gram ação para este s dispo sitivo s
se jam usadas, no caso , o Eclipse (para am bien te An dro id) e
o Sw ift (para am bie nte iOS) são as linguage ns m ais in dicadas.
5. Re so lu çã o d a SP
Para o backend, o n de ape nas a co nsistê ncia do s dado s deve
se r m an tida, um a base de dado s relacio n al deve ser ado tada,
co m o SQL sen do a lin guage m m ais in dicada para e ste
m ó dulo do sistem a.

Lembre- se

Existem centenas de linguagens de programação à disposição dos


desenvolvedores. O processo de escolha deve ser bastante criterioso e
começa com a pergunta “qual o propósito do software sendo desenvolvido”
e passa por uma análise detalhada da arquitetura do sistema.

15 6 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Faça você mesmo

Faça, por meio de uma pesquisa na web, uma investigação mais


aprofundada sobre desenvolvimento de aplicações para os sistemas
operacionais móveis Android e iOS, de forma a identificar os processos/
etapas e, também, as particularidades de cada uma das plataformas para
os sistemas operacionais.

Faça valer a pena!

1. Qual é a única linguagem compreendida pelos computadores?


a) Inglês.
b) Português.
c) Linguagem binária.
d) Linguagem de máquina.
e) Linguagem Java.

2. Sobre as categorias de linguagens de programação, é correto


afirmar que:
a) São duas: linguagem de máquina em uma categoria e todas as demais
linguagens em outra categoria.
b) São duas: linguagens compiladas em uma categoria e linguagens
interpretadas em outra categoria.
c) Podem ser várias, pois não há apenas uma forma de categorizar
linguagens de programação.
d) São infinitas, pois cada linguagem está em uma categoria própria, sem
qualquer semelhança com outras linguagens.
e) Existe apenas uma categorização: a categorização histórica, pois listar
as linguagens de programação historicamente é a única categorização
objetiva possível.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 157


U3

[Link] os seguintes itens:


I. Paradigma de Linguagens Imperativas.
II. Paradigma de Linguagens Objetivas.
III. Paradigma de Linguagens Funcionais.
IV. Paradigma de Linguagens Procedurais.

Assinale a alternativa que contém apenas paradigmas válidos de


linguagens de programação:

a) I, II e III, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

15 8 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Seção 3.3
Principais tipos de sistemas gerenciadores de
banco de dados
Diálogo aberto

Você já parou para pensar mais a fundo no que significa o termo “informação”,
que se encontra na expressão sistemas de informação? Vamos fazer um experimento
mental: se eu digo que uma pessoa tem uma massa de 200, você acha que ele pesa
muito ou pouco? “Bom, se a unidade de peso for em quilogramas, ele pesa muito,
mas se a unidade de medida for em gramas, então trata-se de um feto ainda no ventre
materno”; é o que você provavelmente vai pensar. E se eu disser que se trata de um
adulto de alta estatura saudável que está dentro de sua faixa de peso adequada? Aí
você pode pensar assim: “Ah, então a unidade de peso usada é a libra, que equivale a
aproximadamente 455g. Ele deve ter uns 1,85m de altura e então está dentro de seu
peso adequado, 91kg”.

O número “200”, originalmente atribuído ao peso do indivíduo, não tem significado


completo até que que lhe atribuamos mais um dado: a unidade de medida. Ou, então,
atribuímos ao indivíduo outras características que permitam deduzir a unidade de medida,
como neste caso. Só o dado (o número 200 para o peso) tem pouco ou nenhum
significado. É preciso combiná-lo com outro dado, a unidade de medida em libras, para
que ele tenha significado: 200lb. Esta combinação de dados que gera algo que tem
significado leva um nome importante em nosso contexto de estudo: informação.

Nesta seção vamos estudar um tópico intimamente ligado ao raciocínio


desenvolvido anteriormente: como podemos organizar e combinar os dados
disponíveis de forma a gerar informações úteis com eles. Neste contexto, entram em
cena os Sistemas de Gerenciamento de Bancos de Dados Relacionais, e se o nome
assusta um pouco, em um instante você vai ver que, apesar de ser comprido, é um
conceito bem fácil de se entender e muito útil de se usar.

Quando pensamos no caso de Marlene e de sua loja de conveniências on-line —


lembrando que já definimos a arquitetura do sistema — é chegado o momento de
auxiliá-la a definir a porção do sistema que é responsável pelos dados de clientes,
dados de estoques, dados de pedidos, dados fisco-financeiros e dados administrativos.
Nesta etapa você deve apresentar respostas a diversas questões importantes acerca da
manipulação de dados dentro do sistema de Marlene, entre elas: quais informações

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 159


U3

deverão fazer parte do banco de dados? Como fazer a modelagem dos dados para que
o sistema tenha um desempenho ótimo? Qual o gerenciador de banco de dados mais
adequado para o projeto? Onde serão armazenados e como podem ser recuperados
os dados? O banco de dados deve ser distribuído ou pode ser centralizado? As
respostas a estas importantes questões devem ser apresentadas sob forma de um
relatório que oriente Marlene em suas decisões.

Estas e outras questões deverão ser respondidas no relatório apresentado a Marlene.

E aí? Vamos ao desafio?

Então, mãos à obra!!

Não pode faltar

Podemos considerar informações como sendo recursos à disposição de uma


instituição qualquer. “Como assim, recursos?”, você pode perguntar. Bem, informações
são recursos da mesma forma que papel sulfite é um recurso: a instituição precisa
deles e os utiliza para atingir seus objetivos. A diferença é que informações são recursos
abstratos, enquanto o papel sulfite é um recurso concreto. E da mesma forma que
ocorre com qualquer tipo de recurso, a instituição precisa gerenciar a informação
de maneira adequada, o que pode ser resumido em cinco grandes grupos de tarefas
(BALTZAN; PHILLIPS, 2008):

1. Determinar quais informações serão necessárias.

2. Adquirir as informações necessárias.

3. Organizar as informações disponíveis de maneira significativa para a instituição.

4. Garantir a qualidade da informação.

5. Disponibilizar ferramentas de acesso aos colaboradores que precisam


das informações.

O primeiro ponto é fruto de um conjunto de decisões estratégicas e ações táticas


que devem emergir dos executivos e colaboradores da instituição. Em outras palavras,
ficam a cargo das pessoas, e não da tecnologia. Os demais pontos, como veremos
nesta seção, ou são realizados por ferramentas tecnológicas, ou são pesadamente
auxiliados por elas. É a tecnologia de banco de dados a serviço da instituição.

160 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Banco de Dados Relacional

Segundo uma definição bastante simples e útil de Stair e Reynolds (2015), um


banco de dados não é nada além de uma coleção organizada de dados. No contexto
dos sistemas de informação, os bancos de dados são fundamentais, pois permitem
o acesso rápido e otimizado aos dados disponíveis, facilitando sua combinação e
correlação de forma que possamos obter deles informações úteis para o sistema e
principalmente para seus usuários. A possibilidade de correlação dos dados dá ao
banco de dados um nome especial: Banco de Dados Relacional, pois neste é possível
combinar dados de natureza diferente (um número e uma unidade de massa, por
exemplo), gerando informações contextualmente significativas.

Exemplificando

Quando, em uma planilha de dados, combinamos o nome de uma


pessoa, com o nome de uma rua, com um número, com uma cidade,
com um estado e com um número especial chamado CEP, estamos
produzindo uma informação relacional importante: esta pessoa a partir
deste momento passa a ter um endereço naquele sistema de informações.

Uma planilha eletrônica (como aquelas que geramos no Microsoft Excel) pode ser
considerada uma base de dados relacional, porque:

a) Disponibiliza ferramentas para o armazenamento e a manipulação de dados,


o que permite que a chamemos de base de dados.

b) Permite a correlação dos dados, o que permite que a chamemos de relacional.

É importante observar que não é preciso muita coisa para que um determinado
mecanismo possa ser considerado uma base de dados: um saco de supermercado em
que armazenamos pedaços de papel, cada um com um dado, pode ser considerado
uma base de dados. Não é uma base de dados lá muito útil e não permite nenhuma
organização fora o fato de evitar que os pedaços de papel saiam voando. É uma base
de dados porque os dados estão lá, podem ser consultados (ainda que o processo seja
para lá de inconveniente), dados podem ser adicionados e retirados.

Sistemas de Gerenciamento de Bancos de Dados Relacionais (SGBDR)

Da mesma maneira, uma planilha Excel pode até ser considerada uma base de
dados relacional, pois, diferentemente do saco de supermercado, o programa provê
facilidades para que os dados presentes em uma família sejam relacionados uns com os
outros, permitindo que deles obtenhamos informações. Contudo, o Excel foi projetado

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 161


U3

para servir a outros propósitos —sua ênfase é na manipulação e na transformação dos


dados —e como base de dados relacional é uma ferramenta ineficiente.

Mesmo que o programa Excel ofereça facilidades para o relacionamento de


dados, ele não é um programa dedicado a este fim. Aos programas dedicados às
operações de busca e à correlação de dados, possibilitando o acesso rápido a estes e
bases de grande volume, sua combinação de forma a gerar informações úteis, além,
claro, de mecanismos para que novos dados sejam cadastrados, e também para que
dados existentes sejam modificados e/ou apagados, damos o nome de Sistemas de
Gerenciamento de Bancos de Dados Relacionais. É importante frisar neste momento
que um sistema de gerenciamento de bancos de dados relacionais é um conjunto
de ferramentas à disposição de um ou mais usuários. Os SGBDR por si sós não
correlacionam dados, nem adicionam ou removem dados de uma base de dados: é
necessária a intervenção direta do usuário para tanto (VAN DER LANS, 2006).

Assimile

Os sistemas de gerenciamento de bancos de dados relacionais apenas


apresentam ferramentas para a manipulação dos dados. Esta manipulação
fica a cargo do usuário, isto é, a obtenção de informações úteis por
meio da correlação dos dados só pode ser realizada com a intervenção
humana. Até porque o sistema em si não consegue definir o que é útil,
pois não tem a capacidade de raciocínio inerente aos seres humanos.

Hierarquia de dados

Segundo Stair e Reynolds (2015), geralmente organizamos dados em uma


hierarquia que vai do menor e mais simples para o maior e mais complexo: vamos
do bit (um número binário que só pode conter os valore “0” ou “1”), passando pelo
byte, que é uma coleção de 8 bits e subindo em complexidade e volume de dados
possíveis de serem armazenados. Obviamente que podemos hierarquizar os dados de
inúmeras maneiras diferentes, mas, para propósitos de bancos de dados relacionais e
seu gerenciamento, utilizaremos uma hierarquização que faça sentido neste contexto,
a saber (STAIR; REYNOLDS, 2015):

• Caractere – Um subconjunto dos bytes. Pode ser uma letra, um número ou


um símbolo na tabela ASCII. Exemplo: a letra “F”.

• Campo – Uma combinação de bytes de tamanho arbitrário que descreve


um pequeno aspecto de um todo maior, uma entidade qualquer. Pode conter
apenas números, apenas letras, apenas símbolos ou uma combinação de todos
ou de alguns destes. Exemplo: o sobrenome “Freitas”.

162 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

• Registro – Um conjunto de campos que são naturalmente relacionados


e descrevem uma entidade. Exemplo: se juntamos os campos “logradouro”,
“número”, “complemento”, “CEP”, “cidade”, “estado” e “país”, temos uma entidade
chamada endereço.

• Arquivo – Um conjunto de registros de mesma natureza. Exemplos: o conjunto


de endereços de funcionários de uma empresa; o conjunto de informações de
documentos (CPF, RG, Carteira de Trabalho, Diploma, etc.) dos funcionários de
uma empresa, entre outros.

• Banco de Dados – Um conjunto de arquivos de dados integrados e


relacionados. A Figura 3.2, a seguir, representa esta hierarquia de dados:

Figura 3.2 – Hierarquia de dados

Conjunto de Exemplo: dados pessoais


Banco de dados arquivos integrados e + documentação +
correlacionados endereços

Conjunto de Exemplo: nomes de


Arquivo registros de mesma todos os funcionários de
natureza uma empresa

Conjunto de campos Exemplo: nome +


Registro que descrevem uma sobrenome + número
entidade de funcionário

Combinação de Exemplo: “(19)3258-


Campo caracteres 4545”, “Santiago

Subconjunto dos
Caractere bytes. Pode ser letra, Exemplo: “F”, “2”, “/”, “(
número ou símbolo.

Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015, p. 207).

Organizando os dados

Se compararmos uma empresa deste início do século 21 com uma empresa do


início do século 20, uma característica das empresas atuais nos saltará aos olhos:
complexidade. Comparadas às empresas do início do século passado, as empresas
de hoje são bastante complexas. No modelo antigo, uma empresa tinha basicamente
quatro setores: produção, vendas, finanças e administração, enquanto hoje em dia
inúmeros departamentos e papéis são necessários para que a empresa seja eficiente
em suas ações no mercado, junto aos seus parceiros e acionistas. Esta complexidade

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 163


U3

toda exige uma organização absoluta dos dados necessários e disponíveis para a
condução dos negócios, possibilitando acesso fácil e modificações rápidas. E é óbvio
que esta organização dos dados deve, antes de mais nada, refletir os processos de
negócio da empresa. Em meio a todas estas questões e necessidades, a empresa
precisa levar em conta quatro pontos importantes quando for desenhar sua estrutura
de dados e acesso a estes dados (STAIR; REYNOLDS, 2015):

• Conteúdo – Quais informações deverão ser coletadas e disponibilizadas?


Onde e como conseguir tais informações? Quais os custos de aquisição destas
informações?

• Acesso – Quais dados devem ser disponibilizados a determinados usuários?


Quando estes dados devem estar disponíveis? De que forma pode/deve ser
feito o acesso?

• Estrutura Lógica – Como deve ser a organização dos dados, de forma a


fazerem sentido para determinado usuário? É razoável pressupor que o dado
x e o dado y estejam relacionados? Se sim, como deve ser esta relação sob os
pontos de vista qualitativo (que tipo de relação) e quantitativo (quantos dados x
se relacionam com quantos outros dados y)?

• Organização Física – Onde devem ser armazenados os dados, fisicamente


falando? Uma localidade central é suficiente ou há vantagens em se distribuir
os dados em múltiplas localidades? Quais são as facilidades de acesso remoto
(rede)? Há redundância de canais de acesso? Quais mecanismos de redundância
de dados são necessários?

Levantamento de requisitos do banco de dados

O projeto de um banco de dados depende da resposta inicial a várias questões. É


como no caso da arquitetura de sistemas, que vimos em aulas anteriores: o processo
começa com o levantamento de necessidades. O levantamento de necessidades para
o banco de dados é um subconjunto do levantamento de requisitos do projeto como
um todo e está atrelado à agenda global do projeto. No item “Organizando os Dados”,
que vimos anteriormente, temos várias das questões que devem ser apresentadas,
discutidas e respondidas antes que se iniciem as ações de modelagem do banco de
dados (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Com as respostas às questões, isto é, com os requisitos do projeto de banco de


dados efetivamente levantados e analisados, dois aspectos do banco de dados podem
começar a ser definidos, a saber:

• Design Lógico.

• Design Físico.

16 4 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Podemos definir o Design Lógico de um banco de dados como sendo um modelo.


Um modelo é um conjunto de ideias e conceitos que descreve uma entidade qualquer.
Neste sentido, o design lógico de um banco de dados busca descrever os dados, sua
organização e suas relações, no sentido de como se relacionam, suas dependências e
em que contexto fazem sentido (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Exemplificando

Um exemplo do contexto em que um dado faz sentido é o número


do edifício de um logradouro qualquer (rua, avenida, etc.). O nome do
logradouro faz sentido por si só (desde que saibamos que o nome se
refere a um logradouro). O nome “Avenida Paulista” faz sentido e nos
remete a uma conhecida avenida da cidade de São Paulo. Já o número
1.573, por si só, não faz sentido a não ser por representar um número
natural. Contudo, quando afirmamos que o número 1.573 está ligado ao
contexto do nome “Avenida Paulista”, estamos compondo outro dado a
partir dos dois primeiros: temos agora um ponto específico na Avenida
Paulista: “Avenida Paulista, 1.573” se refere ao edifício de número 1.573
nesta mesma avenida. O dado 1.573 foi contextualizado.

Uma vez realizado o Design Lógico do banco de dados, é hora de pensar em seu
funcionamento sob o ponto de vista mais prático. Entra em cena o Design Físico, que
se ocupa de questões de acessibilidade, desempenho, alta disponibilidade, espaço real
de armazenamento, custos e outros elementos pertinentes à implantação do banco
de dados (STAIR; REYNOLDS, 2015).

A principal ferramenta à disposição dos responsáveis pelo Design Lógico e pelo


Design Físico do banco de dados é a Modelagem de Dados, que veremos a seguir.

Modelagem de Dados

De acordo com Sikha e Earp (2012), a modelagem de dados é uma metodologia


que permite definir visualmente (ilustrar) um banco de dados. Em geral, o produto da
modelagem de dados é uma representação gráfica dos dados que enfatiza o tipo dos
dados e seu relacionamento. Este tipo de diagramação permite que o usuário derive
significado semântico dos dados, ou seja, permite que os dados sejam contextualizados
e deles possamos conseguir significados mais profundos e significativos do que se
estivéssemos olhando para os dados separados.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 165


U3

O processo de modelagem de dados pode ser resumido em quatro passos (que,


de fato, englobam quatro grandes conjuntos de tarefas):

1. Identificar os dados que devem fazer parte do banco de dados, em


nível conceitual.

2. Identificar as relações quantitativas entre os dados.

3. Identificar as relações qualitativas entre os dados.

4. Refinar a representação dos dados, identificando os níveis adequados de


abstração e, também, ajustando os relacionamentos, uma vez que os níveis de
abstração forem definidos.

Reflita

A identificação dos dados que devem fazer parte do banco de dados de


um sistema de informação é tarefa estratégica, que deve ocorrer durante
o planejamento do sistema, na etapa de levantamento de requisitos. Um
levantamento malfeito de requisitos pode gerar um banco de dados
inadequado para resolver os problemas de interesse do cliente (SIKHA;
EARP, 2012).

Um exemplo de dado que podemos identificar para uma base de dados é o nome
do indivíduo que deverá ser cadastrado. Outro exemplo, para fins de relacionamento
quantitativo, é o número de identificação deste indivíduo, que é único para ele, ou seja,
tem um relacionamento “1 para 1” (ou, em notação de banco de dados, 1:1), isto é,
cada indivíduo cadastrado tem apenas um número de identificação e cada número de
identificação se refere a apenas um indivíduo cadastrado. Outro dado que podemos
adicionar a este modelo é o número de telefone celular, que pode ser mais de um
para um único indivíduo. Neste caso, a relação é 1:n, ou seja um indivíduo pode ter
vários números de telefone celular, mas cada número de telefone celular pertence a
apenas um indivíduo. Um terceiro dado em nosso banco de dados hipotético seria
“curso”, com o objetivo de identificar todos os cursos que os indivíduos cadastrados
realizaram ao longo de sua vida acadêmica. Neste caso, temos um relacionamento
n:n, ou seja, um determinado indivíduo pode ter feito vários cursos e um determinado
curso pode ter sido feito por vários indivíduos em nossa base de dados.

A Figura 3.3, a seguir ilustra estes conceitos de relacionamento:

166 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Figura 3.3 – Relações 1:1, 1:n e n:n


Celular 1 Curso 1

Nome 1

Número
Nome Nome Celular 2 Curso 1
Ident.

Nome 2

Celular 3 Curso 1

Relação 1:1 Relação 1:n Relação n:n


Fonte: O autor (2015).

No que concerne às relações qualitativas entre dados de um banco de dados, o


que é preciso definir é um verbo que determina esta relação. No exemplo anterior,
temos o dado indivíduo (representado por “nome) e o dado curso. Podemos, portanto,
estabelecer o verbo conjugado na primeira pessoa do singular “fazer” (no caso, “faz”)
como relação entre ambos os dados. A Figura 3.4, a seguir ilustra este conceito de
relacionamento quantitativo:

Figura 3.4 – Relação qualitativa entre dados

Faz
Nome Curso

Fonte: O autor (2015).

Em alguns casos, o verbo vem dentro de um losango, que conecta os dois dados

Modelo Entidade Relacionamento (MER)

O Modelo Entidade Relacionamento (MER) une os conceitos de relação qualitativa


e relação quantitativa, provendo uma ilustração gráfica que permite identificar os
relacionamentos entre dados de forma simples e rápida. Stair e Reynolds (2015) afirmam
que o desenvolvimento de diagramas MER ajudam a assegurar que a estrutura lógica
da aplicação seja consistente com os relacionamentos entre os dados disponíveis no
banco de dados. Em outras palavras, o MER é importante como ferramenta para o
desenvolvimento da aplicação, uma vez que auxilia a manter a consistência lógica do
sistema de informação sendo desenvolvido.

Analisemos, a seguir, a Figura 3.5, que mostra um exemplo de diagrama MER:

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 167


U3

Figura 3.5 – Exemplo de diagrama MER

Vendedor

Atende

Cliente

Faz

Inclui
Pedido Produt os

Gera

Fat ura

Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015, p. 207).

Podemos ler este diagrama da seguinte forma: um vendedor atende vários clientes
(1:n, representado pela linha única saindo de “vendedor” e pelas três linhas chegando
até “cliente”). Cada cliente faz vários pedidos (1:n) e cada pedido gera uma fatura (1:1).
Cada pedido também inclui vários produtos (1:n).

Faça você mesmo

Uma biblioteca tem como entidades de dados os bibliotecários, os


leitores cadastrados, os livros, os periódicos (revistas), as fichas de
reserva de livros e periódicos e os assuntos a que cada livro ou periódico
pertence. Construa um diagrama MER para esta biblioteca.

Modelo de bancos de dados relacional

Existem muitos modelos de bancos de dados, incluindo arquivos sequenciais (flat


files), modelos hierárquicos, modelos distribuídos em rede, entre outros. Entre as
várias possibilidades de modelos, o modelo de banco de dados relacional emergiu
como o mais popular e sua popularidade só cresce, dadas as enormes vantagens de
flexibilidade e agilidade de acesso que propicia. A forma utilizada para se armazenar
e descrever os dados em um banco de dados relacional é a tabela bidimensional de

168 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

dados. Uma tabela de dados leva o nome de uma relação e, no nível, lógico equivale
a um arquivo (STAIR; REYNOLDS, 2015).

Grandes massas de dados podem ser organizadas desta forma, com cada uma das
linhas de uma tabela contendo um registro e cada coluna equivalente a um campo
do registro. Grandes massas de dados podem, desta forma, gerar relações, que são
armazenadas em tabelas. Uma tabela é, portanto, um subconjunto de uma massa
global de dados que compõe o banco de dados principal.

A Tabela 3.2, a seguir, mostra dois exemplos de uma base de dados relacional:

Tabela 3.2 – Banco de dados relacional

Depto. Nome N. Ger.


037 Finanças 1337
218 Marketing 2879
489 Vendas 1368

N. Ger. Nome Sobren. Admissão Fone


1337 Josnaldo Silva 24/01/ 2006 555-2324
1368 Marluza Pires 19/ 03/ 2010 555-5347
4558 Asclóvis Santos 31/ 03/ 1998 555-3233
Fonte: Adaptado de Stair e Reynolds (2015, p. 207).

As duas tabelas deste banco de dados de exemplo permitem que façamos relações
entre os mesmos, pois, se precisamos do telefone do gerente do Departamento
de Vendas, podemos consultar a tabela de departamentos e obter o número de
funcionário deste gerente (no caso, 1368). Consultando a tabela de gerentes, temos
que o número de telefone do gerente (que se chama Marluza Pires) é 555-5347.

E será que você consegue imaginar qual é a ferramenta que nos permite fazer
consultas em bancos de dados para obter informações como no exemplo acima?
Se você disse “por meio das linguagens de programação de bancos de dados que
estudamos na aula passada”, você acertou!

Pesquise mais
Existem vários recursos na internet que ensinam o básico sobre bancos
de dados relacionais. Por exemplo, os artigos a seguir apresentam uma
visão inicial que vai te ajudar a entender melhor como funcionam estes

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 169


U3

sistemas, absolutamente imprescindíveis às soluções disponibilizadas hoje


em dia:

<[Link] Acesso em: 23 jan. 2016.


<[Link] Acesso em: 23 jan.
2016.
<http:/ / [Link]/ contents/ 872-oracle-introducao-ao-sgbd-oracle>.
Acesso em: 23 jan. 2016.

Principais Sistemas de Bancos de Dados Disponíveis

Existem hoje no mercado dezenas de Sistemas de Gerenciamento de Bancos de


Dados Relacionais à disposição de usuários e desenvolvedores de sistemas. Alguns
dos principais são (STAIR; REYNOLDS, 2015):

• Microsoft Access – Sistema de banco de dados de usuário único, gerando


bancos de dados relacionais para um único usuário. É útil para organizar dados
pessoais e se integra de forma bastante natural com a suíte de programas
Microsoft Office, em especial com o Microsoft Excel.

• MySQL – Sistema de banco de dados multiusuário de código aberto (é


gratuito, de uso público, e o código pode ser modificado pelo usuário). Trata-
se de um sistema bastante utilizado em sistemas distribuídos, hoje em dia,
principalmente em sites web e em aplicações móveis que acessam bancos de
dados centralizados.

• DB2 – Sistema de banco de dados multiusuário da IBM, desenvolvido para


rodar em Mainframes, mas que hoje em dia foi portado até para o sistema
operacional de código aberto Linux.

• Oracle – Principal solução corporativa de banco de dados multiusuário


disponível no mercado. Escalável para bases de dados de grande porte,
podendo ser distribuída em vários dispositivos de hardware (também fornecidos
pela Oracle). O mais usado para sistemas de missão crítica com grandes bases
de dados.

• AWS (Amazon Web Services) – A AWS é um conjunto de serviços de SaaS


(Software as a Service) oferecidos pela empresa norte-americana de vendas de
varejo Amazon, que inclui, entre outros, serviços de gerenciamento de banco
de dados relacionais. Neste caso, o cliente não precisa se preocupar com
hardware, software, rede, implantação ou manutenção do SGBD, que fica por
conta da Amazon. Vários fornecedores estão começando a oferecer serviços
semelhantes ao da AWS, entre eles o Google, a Oracle e a Intuit.

170 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Sem medo de errar


Agora que entendemos um pouco mais acerca dos sistemas de gerenciamento
de bancos de dados relacionais, podemos retomar nossa conversa com Marlene,
não é mesmo?

Uma vez que o projeto já está com a arquitetura adiantada (e aqui podemos
argumentar que a arquitetura do sistema de informação nunca fica realmente
pronta, uma vez que o sistema sempre passa por evoluções e manutenções) e que
as ferramentas de desenvolvimento já foram escolhidas (linguagens e ambientes de
programação), é hora de definirmos como será o banco de dados do sistema.

Retomando as questões a serem respondidas nesta fase, temos: quais informações


deverão fazer parte do banco de dados? Como fazer a modelagem dos dados para que
o sistema tenha um desempenho ótimo? Qual o gerenciador de bancos de dados mais
adequado para o projeto? Onde serão armazenados e como podem ser recuperados
os dados? O banco de dados deve ser distribuído ou pode ser centralizado? Vamos às
respostas, que serão apresentadas à Marlene em um relatório específico acerca das
orientações para o banco de dados:

• Com base no levantamento de requisitos feito durante a etapa de arquitetura,


muitas das questões acerca das informações que deverão ser disponibilizadas
no banco de dados já terão sido respondidas. Nesta etapa, deve haver um
refinamento destas respostas por meio de uma nova rodada de entrevistas com
os profissionais da estrutura de Marlene que farão uso do banco de dados e das
informações lá contidas.
• A modelagem dos dados será feita por meio de um diagrama MER, a ser
pensado em conjunto por representantes das áreas para as quais o banco de
dados é mais crítico (administração, finanças, vendas, logística e estoque). O
diagrama MER resultante será “traduzido” para um conjunto de tabelas, que
comporão o banco dedado relacional.
• Como o sistema de informação será essencialmente um site de comércio
eletrônico, a ser hospedado em algum prestador de serviços, o banco de dados
pode ser o MySQL, que é uma solução robusta, flexível, com grande número
de profissionais de TI que com ela têm bastante familiaridade, e que não gera
necessidade de investimento para Marlene, por ser uma solução Open Source.
• O armazenamento dos dados pode ser feito em máquina adjacente à
máquina que vai conter o sistema de informação e a garantia dos dados pode
ser feita por meio de backups diários realizados remotamente para um servidor
de backup hospedado no escritório de Marlene. Desta forma, os dados podem
ser recuperados instantaneamente de seu armazenamento principal e com
pouquíssimo trabalho de seu armazenamento secundário.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 171


U3

• Em função de a operação de Marlene ser inicialmente circunscrita à região


Metropolitana de Campinas, o banco de dados pode ser centralizado. Esta
situação pode mudar, no futuro, se Marlene decidir expandir seus negócios para
outras regiões geográficas. Neste caso, o banco de dados pode ter instâncias
distribuídas por cada uma das localidades atendidas (até porque os estoques e
os clientes serão diferentes), com a consolidação sendo feita em um banco de
dados central na “matriz” da empresa.

Atenção!

Estamos assumindo que o negócio, em seu estado atual, se limita a uma


região geográfica, com apenas um conjunto de clientes e apenas um
estoque de produtos.

Lembre- se

O diagrama MER é importantíssimo para que se possa estabelecer e


testar mentalmente a lógica das relações entre os dados. É a ferramenta
principal da modelagem de dados e nenhum banco de dados pode ser
dito coerente e coeso sem um processo formal de modelagem de dados.

Avançando na prática
Pra tiq u e m a is
In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apren de u, tran sfe rin do seu s co n he cim e n to s para n ovas situ açõ e s
qu e po de e nco n trar no am bien te de trabalho . Realize as atividade s e de po is as co m pare co m as de
seu s co le gas.

“De n in d o o b an co d e d ad o s d o siste m a d e in fo rm a ção”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d a m e n to s Co nhe cer e co m pree n de r as principais te cn o lo gias
d e Áre a re lacio nadas a info rm ação e a co m un icação .
Conhecer sobre os principais co nceitos que dizem respeito
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m ao banco de dados relacional que serve a um sistem a
de info rm ação.
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s Arquitetura de sistem as, gestão do co nhecim ento, data mining.

Ana é a pro prietária de um a lo ja de antiguidades em sua


cidade e, frustrada po r não co nseguir atender clientes que
4. De scriçã o d a SP buscam determ inados tipo s de objeto s que não são co m uns
na re gião o nde vive, ela teve um a ideia m uito boa: criar um site
centralizado o nde as inúm eras lo jas de antiguidade espalhadas

172 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

pelo Brasil po ssam cadastrar seu estoque e ve nder para


qualquer cliente em qualquer parte do país (ou do m undo).
Ao divulgar sua ideia, Ana recebeu 283 pedido s de cadastro de
lojas de antiguidades lo calizadas em quase to dos os Estado s
do país, só na prim eira sem ana de divulgação. Os responsáveis
pelo desenvolvim ento da solução de banco de dado s estão
preo cupado s co m algum as questõ es especí cas neste
m om ento. São elas:
• Duas tabelas são chave neste banco de dado s, um a
diz respeito ao item de antiguidade e outra à loja de
antiguidades. Que dado s devem fazer parte de cada um a
destas tabelas?
• O banco de dado s, neste caso, deve ser centralizado o u
distribuído ? Po r quê?
De fato , as tabe las de “ite m de an tigu idade” e “lo ja de
antiguidade” são ce n trais ao ban co de dado s. A tabe la de
“ite m de antigu idade” deve co nte r in fo rm açõ e s que perm itam
ide nti car o item e, po rtan to, po dem o s in cluir: n úm ero
de scrito r único, n o m e do item , tipo do item (po de ser um
uten sílio do m é stico, um m óve l, um o bje to de arte , e tc.)
a descrição do item , o preço do item . No caso da “lo ja de
antiguidade , a tabe la po de se r: n úm e ro ide n ti cado r da lo ja,
nú m e ro iden ti cado r do pro prie tário /re spo n sáve l, n o m e da
lo ja, en de re ço da lo ja.
Quanto à ce ntralização o u de scen tralização do ban co de
5. Re so lu çã o d a SP
dado s, dado o vo lu m e e a dispersão ge o grá ca das lo jas, é
m ais in dicado qu e o ban co de dado s se ja de scen tralizado,
co m um a base cen tral apen as para a co n so lidação do s dado s.
De sta fo rm a, as lo jas de antiguidades m an têm um a base lo cal
co m to do o e sto que , e a base cen tral m antém u m a m áquin a
de busca que auxilie o clie n te a e nco n trar o qu e bu sca, co m
um de scritivo visual e e scrito de cada item , bem co m o co m
um apo ntado r inte rn o para a lo ja que de fato arm aze na e
dispo n ibiliza aqu ele item . O pe dido é feito na base de dado s
ce ntral, e en cam in hado para a lo ja de an tigu idade qu e vai
efe tivar a ven da.

Lembre- se

Uma vez determinada a relação qualitativa de um dado com outro (por


meio de um verbo no presente do indicativo, na primeira pessoa do
singular), é importante identificar a relação quantitativa.

Faça você mesmo

RODRIGUES, Joel. Modelo Entidade- Relacionamento e Diagrama


Entidade- Relacionamento. Disponível em: <[Link]
[Link]/ modelo-entidade-relacionamento-mer-e-diagrama-entidade-
relacionamento-der/14332>. Acesso em: 24 jan. 2016.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 173


U3

Depois, resolva os exercícios contidos na lista a seguir:

CIFERRI, Cristina Dutra de A. Lista de exercícios “Modelo Entidade-


Relacionamento”. Disponível em: <[Link]
Mat02_exerc.pdf>. Acesso em: 24 jan. 2016.

Faça valer a pena!

1. Observe os itens a seguir, que se referem ao gerenciamento de


informações em uma instituição:
I. Determinar quais informações serão necessárias.
II. Adquirir as informações necessárias.
III. Organizar as informações disponíveis de maneira significativa para a
instituição.
IV. Garantir a qualidade da informação.

São necessárias ferramentas de hardware e software para se realizar


quais destes itens?
a) I, II e III, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

2. Na definição mais ampla e generalista, um banco de dados nada mais


é do que uma coleção organizada de dados. Assinale a alternativa a seguir
que só contém exemplos de banco de dados, nesta definição ampla:
a) Agenda telefônica, planilha eletrônica, baralho.
b) Folhas em uma árvore, caderno de receitas, baralho.
c) Lista de aprovados no vestibular, cabelos em uma cabeça, caderno
de receitas.
d) Baralho, areia em uma praia, planilha eletrônica.
e) Areia em uma praia, folhas em uma árvore, cabelos em uma cabeça.

174 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

3. Analise as asserções a seguir:


I. Uma base de dados disponibiliza ferramentas para o armazenamento
e a manipulação de dados.
PORQUE
II. Uma base de dados relacional permite a correlação dos dados.

Analisando- se as asserções acima, conclui- se que:


a) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.
b) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifica a
primeira.
c) A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa.
d) A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira.
e) As duas afirmações são falsas.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 175


U3

176 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Seção 3.4

Ferramentas CASE
Diálogo aberto

Você já caminhou bastante nesta jornada do desenvolvimento de sistemas de


informação, assunto principal desta terceira unidade, não é mesmo? Você começou
por analisar como deve ser feita a arquitetura do sistema, depois entendeu como deve
ser feita a definição das linguagens de programação a serem adotadas e na aula passada
entrou em contato com os aspectos mais relevantes do sistema de gerenciamento
de banco de dados. Com todos estes elementos já definidos, agora está na hora de
você focar sua atenção em aspectos mais práticos do design e do desenvolvimento
dos sistemas de informação. E, para tanto, é hora de descobrir como as ferramentas
automatizadas podem facilitar a criação e a implantação de sistemas de informação,
assunto que fecha esta nossa Unidade 3.
Estas ferramentas levam o nome de “Ferramentas CASE”. A sigla “CASE”, em
português, significa “Engenharia de Software (ou de Sistemas, segundo algumas
traduções) Auxiliada por Computador”, e são exatamente o que o nome diz: um
conjunto de ferramentas desenvolvidas com o intuito de facilitar os vários aspectos da
criação e da implantação de ferramentas de software.
Nesta etapa do projeto de Marlene, você definirá as Ferramentas CASE que serão
utilizadas na automatização das várias tarefas ligadas ao desenvolvimento do sistema
de loja de conveniência on-line e defenderá suas escolhas junto à proprietária. Lembre-
se: Ferramentas CASE, como quaisquer ferramentas, não fazem parte da entrega final,
e, portanto, os custos destas devem ser comedidos e serão distribuídos por vários
projetos, não podendo ser repassados em sua totalidade para o projeto em questão.
Quais ferramentas serão úteis em quais fases do projeto? Para que exatamente estas
ferramentas serão usadas? Terão custos, e estes custos podem ser escalonados no
projeto? Estes são seus desafios.
Pronto para o trabalho?

Então vamos lá!

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 177


U3

Não pode faltar

O que são Ferramentas CASE? Para que servem? Em que aspectos específicos elas
auxiliam no desenvolvimento de um sistema de informação? Estas e outras perguntas
devem estar na sua mente neste momento, e não é para menos, pois até agora você
provavelmente não sabia que estas ferramentas existiam.

Mas o fato é que o uso de ferramentas no apoio ao design, à engenharia e à


implantação de sistemas de informação não é um assunto novo. A título de exemplo,
Teichroew e Hershey (1976) já descreviam na década de 1970 uma técnica para análise
de problemas e documentação do processo de criação de sistemas automatizados.
Esta técnica, conhecida como PSL/PSA (Problem Statement Language/ Problem
Statement Analyzer, ou Linguagem de Definição de Problemas/analizador de
Definição de Problemas), é facilitada por uma ferramenta que auxilia na análise e na
documentação dos problemas a serem resolvidos por meio de sistemas de informação.
Ou seja, não é um assunto novo. Vamos, a partir de agora, entender um pouco mais o
que são, para que servem e como funcionam as Ferramentas CASE.

Ferramentas CASE: o que são elas?

A sigla CASE significa Computer-Aided Software Engineering, ou Engenharia de


Software Auxiliada por Computador. Mesmo que esta expressão seja mais aceita para
explicar a sigla, Silva e Videira (2001) apresentam, também, para o significado do “A” os
termos “Assisted” e “Automated”, ou “assistido” e “automatizado”. Já o “S” também pode
ser “Systems”, ou “sistemas”, o que aumenta a abrangência daquilo que as ferramentas
auxiliam (ou assistem, ou automatizam), pois, no caso dos sistemas, os componentes
vão muito além só do software, tendo o hardware, a rede e os serviços também
relevância no que está sendo criado.

Assimile

A sigla CASE foi utilizada formalmente pela primeira vez em 1982,


pela empresa Nastec Corporation, mas, como afirma o pesquisador
Albert Case, por não ser um termo oficial criado por uma instituição
de padronização, seu significado sofreu pequenas variações ao longo
do tempo. Uma observação importante: a sigla CASE não foi usada
em função do nome do pesquisador, e é apenas uma coincidência
(CASE, 1985).

178 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Apesar de o termo CASE não conter a palavra “ferramenta”, a expressão “auxiliado


por computador” nos remete a esta palavra, pois, em si, os computadores são
ferramentas que nos auxiliam em inúmeras tarefas do dia a dia. Quando falamos de
CASE, portanto, estamos falando de um conjunto de técnicas e ferramentas que têm
por objetivo (SILVA; VIDEIRA, 2001):

• Auxiliar na identificação das atividades e a interação entre elas, usuários e


sistemas e, ainda, na compreensão de sua arquitetura.

• Auxiliar na definição, acompanhamento e controle das tarefas de


desenvolvimento do sistema.

• Reduzir a complexidade do projeto por meio de sua divisão em porções


menores e mais facilmente gerenciáveis.

• Reduzir o esforço de desenvolvimento por meio da sistematização de etapas


e organização do trabalho a ser realizado.

• Aumentar a consistência do projeto e a coesão dos módulos do sistema, por


meio de ferramentas de verificação.

• Facilitar a manutenção futura do sistema por meio de ferramentas de


documentação.

Pelos objetivos expostos acima, fica fácil perceber que as Ferramentas CASE
são muitas e com propósitos bastante variados. Vamos entender, então, como se
classificam estas ferramentas.

Reflita

Da mesma forma que as ferramentas de nosso dia a dia (celular, automóvel,


computador, etc.) facilitam enormemente nossa vida, as Ferramentas
CASE facilitam a vida dos responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas
de informação.

Classificação de Ferramentas CASE

A classificação e Ferramentas CASE é um processo arbitrário, empírico, isto é, feito


de acordo com as intenções de quem faz esta classificação. Uma das classificações
mais usadas cataloga as ferramentas de acordo com a fase do desenvolvimento em
que são usadas. Coronel, Morris e Rob (2012) descrevem duas categorias: Ferramentas
CASE Frontend, que dão apoio às fases de análise, planejamento e design, e
Ferramentas CASE Backend, que dão apoio às fases de codificação e implementação.
Esta mesma classificação de fases em que as ferramentas são usadas leva um nome

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 179


U3

diferente na definição de Silva e Videira (2001), sendo que esta segunda é a definição
mais conhecida e utilizada no mercado até os dias de hoje:

• Ferramentas Upper- CASE – o nome vem de um trocadilho em inglês, pois


a expressão upper case quer dizer “letra maiúscula”. Trata-se das ferramentas
utilizadas em tarefas de mais alto nível, tais como a análise, o planejamento e
o design dos sistemas de informação. Alguns exemplos (CORONEL; MORRIS;
ROB, 2012):

o Corporate Modeler Suite, da empresa Casewise, uma suíte de


ferramentas de modelagem de sistemas corporativos.

o ERwin, da Computer Associates, uma ferramenta para modelagem


de dados em sistemas de grande porte.

o Visio Professional, da Microsoft, uma ferramenta para design visual


de sistemas e relacionamentos.

o SQL Developer Data Modeler, da Oracle, uma ferramenta de design


de bancos de dados e modelagem de dados que se integra com as
soluções de SGBD da Oracle.

o Rational Software Architect, da IBM, um ambiente completo de


modelagem e desenvolvimento que se integra com as linguagens
C+ + e Java.

o PowerDesigner, da empresa SAP, uma ferramenta de design e


arquitetura de sistemas de informação.

o Visible Analyst, da empresa Visible, uma ferramenta para análise


e design de sistemas com apresentação visual entre módulos e
relacionamentos.

• Ferramentas Lower-CASE – Mais um trocadilho em inglês, pois a expressão


lower case significa “letra minúscula”. Esta categoria engloba as ferramentas que
são usadas nas fases posteriores ao design do sistema, em sua codificação e
implantação. Alguns exemplos (SILVA; VIDEIRA, 2001):

o Visual Basic e Visual C++, da Microsoft, ambientes de desenvolvimento


de software nas linguagens Basic e C+, respectivamente.

o PowerBuilder, da empresa SAP, ambiente de desenvolvimento que


integra aplicações aos sistemas de bancos de dados providos pela SAP.

o ClearQuest, da IBM, uma ferramenta para gerência de mudanças,


que auxilia na organização das tarefas de manutenção e atualização
de sistemas.

180 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

o TestWorks, da Software Research, uma suíte de ferramentas para


testes de software.

o Microsoft Project, da Microsoft, uma ferramenta para gerência de


projetos e acompanhamento de tarefas.

• Ferramentas Integrated-CASE – Conceito mais recente (Década de 2000).


As Ferramentas CASE assim categorizadas auxiliam tanto nas tarefas de
modelagem (podendo ser consideradas, então, como Upper-CASE) quanto nas
tarefas de codificação (podendo ser consideradas, então, como Lower-CASE).
Exemplo:

o DBDesigner4, da fabFORCE, é uma ferramenta de código aberto


para modelagem de dados que também gera código SQL e auxilia na
monitoração e manutenção do código e dos modelos gerados.

Exemplificando

O desenvolvimento de um sistema de informação de controle de estoque


para uma padaria pode se beneficiar (e muito!) do uso de ferramentas CASE.
Podemos utilizar o PencilProject (uma alternativa gratuita ao Microsoft
Visio): <[Link] Acesso em: 2 fev. 2016.

Para a modelagem do sistema, utilizamos o DBDesigner4: <[Link]


[Link]/dbdesigner4/>. Acesso em: 2 fev. 2016.

Para modelagem dos dados e geração do código SQL, usamos o Gantter


(alternativa gratuita ao Microsoft Project): <[Link] Acesso
em: 2 fev. 2016.
Outra categorização útil das Ferramentas CASE diz respeito ao seu propósito,
ou seja, qual sua função dentro do projeto de desenvolvimento de um sistema de
informação? Podemos então apresentar as seguintes categorias de Ferramentas CASE
(SILVA; VIDEIRA, 2001):

• Modelagem e Processos de Negócio – Trata-se de ferramentas para


modelagem e análise dos processos de um negócio, a serem endereçados
pelo sistema de informação.

• Modelagem, Análise e Desenho de Sistemas – Podemos nesta categoria


inserir a maioria das Ferramentas CASE reconhecidas como sendo de fato
Ferramentas CASE. Não que as demais não sejam, mas esta categoria é a que
popularizou o termo “CASE”.

• Desenho de Bancos de Dados – São ferramentas que utilizam os elementos


definidos nas duas categorias anteriores e os traduzem para modelos de dados
a serem futuramente implantados no SGBD.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 181


U3

• Programação de Aplicações – Ambientes de criação, compilação e


refinamento de código. É aqui que tudo aquilo que foi modelado nas
ferramentas anteriores se transforma efetivamente em código executável. Em
outras palavras, é aqui que os sistemas são formalmente criados.

• Gerência de Mudanças – Aplicações que dão apoio à criação de software,


organizando o acesso ao código sendo criado por equipes de desenvolvimento,
de forma que as versões sejam consistentes, por meio de bloqueios a partes do
código sendo modificadas por algum usuário.

• Testes de Softw are – Ferramenta para sistematização, acompanhamento


e documentação de testes de software. As ferramentas trabalham por meio
a criação de regras de teste e casos de uso a serem testados, permitindo
seu acompanhamento por parte dos desenvolvedores responsáveis por
eventuais correções.

• Gerenciamento de Projetos – Ferramentas para o acompanhamento das


fases do projeto, por meio do agendamento de tarefas e alocação de recursos
(pessoas e insumos).

Pesquise mais

O consultor e pesquisador Vagner Vilela de Oliveira publicou uma série


de pequenos artigos acerca de várias ferramentas CASE de mercado. Na
primeira parte, ele faz uma comparação entre o Case Studio 2, o Dr. Case,
o ERwin, o Visio e o Together, e nas quatro partes subsequentes o autor
detalha cada uma das soluções comparadas. Vale a pena conferir!

OLIVEIRA, V. Ferramentas CASE – Parte I, 2013. Disponível em: <http://


[Link]/ferramentas-case-parte-i/1505>. Acesso em: 02
fev. 2016.

Faça você mesmo

Você sabia que existem várias Ferramentas CASE gratuitas para testes
disponíveis na internet? Três soluções bastante interessantes são:

• Advanced Combinatorial Testing System (ACTS) – Disponível em:


<http:/ / [Link]/ groups/ SNS/acts/documents/comparison-
[Link]>. Acesso em: 02 fev. 2016.

182 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

• Open2Test – Disponível em: <[Link]


Acesso em: 02 fev. 2016.

• Software Testing Automation Framework (STAF) – Disponível


em: <[Link] Acesso em: 02 fev. 2016.

Quais são as características e objetivos de cada uma destas soluções?


Em que casos cada uma delas é mais indicada? Quais as vantagens e
desvantagens quando comparamos as três?

Vantagens e desafios das Ferramentas CASE

Quando uma empresa adota Ferramentas CASE (ou, de fato, quaisquer outras
ferramentas com base em computadores), adiciona às suas tarefas o potencial para
melhorar a qualidade dos resultados, uma vez que os computadores eliminam muitas
das incertezas que nós, humanos, trazemos para qualquer processo. O fato de os
computadores fazerem exatamente aquilo que a eles pedimos — dado que lhes
peçamos para fazer coisas dentro de seus limites de ação — garante esta vantagem,
uma vez que o mesmo não pode ser afirmado com relação ao componente
humano: nós erramos, nos esquecemos, adoecemos e sofremos toda uma gama
de situações que têm o potencial de influenciar negativamente nosso desempenho.
Daí as vantagens da automatização. No caso das Ferramentas CASE, Silva e Videira
(2001) apontam várias vantagens em sua adoção no desenvolvimento de sistemas de
informação, a saber:

• Uniformidade de Resultados – Os processos automatizados pelas


Ferramentas CASE, bem como os resultados gerados se tornam familiares em
função de sua uniformidade, o que facilita sua compreensão e agiliza a ação das
partes envolvidas.

• Reutilização de Resultados – Muitos dos resultados finais e intermediários


podem ser reutilizados em projetos futuros, o que mais uma vez garante a
familiaridade e a agilidades de ação.

• Automatização – O próprio fato de as tarefas serem realizadas por


ferramentas, por definição, é automatizar o processo em questão. Esta
automatização gera em segundos o que demoraria horas (ou dias, ou
semanas) para uma pessoa gerar.

• Redução do tempo de desenvolvimento – Um resultado óbvio da


automatização de processos é a redução do tempo envolvido nas tarefas de
desenvolvimento.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 183


U3

• Integração – A utilização de ferramentas gera resultados intermediários e


finais (chamados de “artefatos”). Desde o início da utilização mais generalizada
de Ferramentas CASE busca-se garantir a compatibilidade destes artefatos, de
forma que os resultados gerados por uma ferramenta possam ser usados como
insumo em outras.
• Consistência demonstrável – Os resultados gerados por uma ferramenta
podem ser comprovados em outras, aumentando a garantia de consistência
dos sistemas de informação desenvolvidos por meio das mesmas.
• Aumento da Qualidade – Todosos itensaqui listadoscontribuem sobremaneira
para o aumento da qualidade dos resultados do desenvolvimento.
Em que pesem as vantagens listadas acima serem bastante superiores às
desvantagens e justificarem a adoção de Ferramentas CASE, é importante destacar
que também há desafios a serem considerados, e que precisam ser equacionados
quando de sua adoção. Silva e Videira (2001) citam três desafios importantes:
• Em primeiro lugar, a adoção de Ferramentas CASE pode gerar expectativas
surreais na instituição que as adota. Sim, são úteis e facilitam bastante o trabalho
de desenvolvimento. Contudo, não resolvem todos os problemas e não devem
ser responsabilizadas quando o componente principal — a capacidade de
estratégia e coordenação que sempre deverá estar sob nossa responsabilidade
—falhar.
Outro ponto importante é a curva de aprendizado que exige tempo e em alguns
casos impacta o cronograma de desenvolvimento. Se a ferramenta será usada em
muitos projetos, este impacto é relativo e pode ser minimizado, por meio de descontos
oferecidos ao cliente em questão.
Um terceiro elemento é o custo das Ferramentas CASE. Alguns destes custos não
podem ser evitados (ex.: ferramentas de codificação de software). Contudo, alguns
deles são opcionais e, mesmo que as ferramentas sejam de grande utilidade no
processo de desenvolvimento, seu alto custo pode ser postergado, caso a empresa
não tenha os recursos financeiros necessários para o investimento. A alternativa?
Existem muitas Ferramentas CASE gratuitas à disposição dos desenvolvedores.

Sem medo de errar


Como sua empresa é uma empresa com grande capacitação, mas ainda iniciante
no mercado, e considerando que o projeto de Marlene conta com recursos limitados,
a definição das Ferramentas CASE deste projeto deve seguir no sentido de se encontrar
ferramentas que ao mesmo tempo sejam úteis e de baixo custo (ou, gratuitas, o que
seria melhor ainda).

18 4 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Uma busca por Ferramentas CASE de baixo custo ou gratuitas aponta para soluções
bastante úteis e interessantes para este projeto, por exemplo:

• CMAP Tools – Ferramenta gratuita para criação de mapas conceituais, muito


utilizada na fase de arquitetura de sistemas. Disponível em: <[Link]
us>. Acesso em: 03 fev. 2016.

• Pencil Project – Ferramenta gratuita para diagramação. Uma excelente


alternativa ao Microsoft Visio, que facilita a visualização dos módulos e seus
relacionamentos na fase de design de um sistema de informação. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 03 fev. 2016.

• Visual Paradigm – Ferramenta gratuita de modelagem de estruturas de


informação e modelagem de dados, que auxilia a desenhar o banco de dados
e a estrutura de processamento de informações do projeto por meio da UML,
Unified Modelling Language. Disponível em: <[Link]
com/solution/freeumltool/>. Acesso em: 03 fev. 2016.

• Anjuta – Solução gratuita de desenvolvimento classificada como IDE


(Integrated Development Environment) que engloba: editor e compilador de
código em C++, controle de versões de software para times de desenvolvimento
e depurador de código, entre outras ferramentas para criação de código.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 03 fev. 2016.

• Gantter – Solução gratuita, com base na web para gerenciamento de projetos,


sendo uma excelente alternativa ao Microsoft Project. Disponível em: <http://
[Link]>. Acesso em: 03 fev. 2016.

Conseguimos ferramentas de alto valor agregado para a solução e com o ”bônus”


de serem todas gratuitas, não aumentando nem os custos da empresa, nem o preço
do projeto de Marlene.

Atenção!

Ferramentas CASE não fazem parte das entregas do projeto e, portanto,


seu custo não pode ser passado integralmente para o cliente. Alternativas
de baixo custo ou gratuitas existem e são bastante úteis para empresas de
pequeno porte.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 185


U3

Lembre- se

Mesmo que não seja obrigatória a adoção de Ferramentas CASE em


um projeto, estas ferramentas trazem inúmeras vantagens para quem as
adota, principalmente o aumento da qualidade do projeto em si.

Avançando na prática
Pra tiq u e m a is
In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apren de u, tran sfe rin do seu s co n he cim e n to s para n ovas situ açõ e s
qu e po de e nco n trar no am bien te de trabalho . Realize as atividade s e de po is as co m pare co m as de
seu s co le gas.

“De fe n d e n d o o u so d a s fe rram e n ta s CASE p a ra o clie n te”


1. Co m p e tê n cia d e Fu n d a m e n to s Co nhe cer e co m pree n de r as principais te cn o lo gias
d e Áre a re lacio nadas à info rm ação e à co m un icação .
Conhecer os principais conceito s envo lvido s na seleção e no
uso das Ferram entas CASE. Mostrar as diferentes catego rias
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m das Ferram entas CASE, seus exem plos am plam ente utilizado s
no m ercado, além de suas vantagens, be m co m o alertar o aluno
para os desa o s enfrentado s na ado ção destas ferram entas.
Tecno lo gias de de se nvo lvim e n to de siste m as: Fe rram e n tas
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
CASE, suas classi caçõ es e dem ais te cn o lo gias.
Francisco é o pro prietário de um a farm ácia e busco u sua
em presa para discutir a po ssibilidade de auto m atizar o co ntrole
do esto que de seus m edicam ento s e pro dutos à venda na
farm ácia. Francisco ve io procurar você co ntrariado, po is do
auge de seus 87 anos de idade, sem pre adm inistro u a farm ácia
(que ele carinho sam ente cham a de “bo tica”) sem a ajuda de
qualquer elem ento info rm atizado. Apesar de Francisco se r um a
4. De scriçã o d a SP pessoa difícil, você decidiu aceitar o desa o. Tendo m o strado
as etapas do pro jeto para Francisco, vo cê co m eçou a falar
acerca das Ferram entas CASE que vão auxiliar no pro jeto e,
neste po nto, o cliente se m o stro u bastante inco m o dado : ele
não entende para que serve m .
Sua tarefa é explicar o que são e quais as vantagens da ado ção
de Ferram entas CASE para Francisco, de fo rm a que ele entenda
e conco rde que de fato serão úteis ao projeto.
Várias van tagen s po de m se r citadas para a ado ção de
Ferram e ntas CASE, m as, n este caso e specí co , citar, po r
exe m plo, “Unifo rm idade”, o u “Co nsistên cia De m o nstráve l” n ão
te n de a surtir o e feito de se jáve l, u m a vez que são co nce ito s
5. Re so lu çã o d a SP m u ito distan te s da re alidade de Francisco.
Vo cê deve citar a au to m atização de tarefas, po is é po ssíve l
explicar que u m pro ce sso auto m atizado — desde que
co o rden ado e be m su pe rvisio nado po r um a pesso a — ten de
a ge rar m e lho re s re sultado s do que se fo sse fe ito

18 6 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

m anu alm en te . Deve citar, tam bé m , a re du ção do s te m po s de


dese nvo lvim e nto , um re sultado direto da auto m ação (e ste
argu m e nto de ve fazer m uito se ntido para Francisco ). Po r
m , vo cê po de tam bé m citar que a ado ção de Ferram e ntas
CASE n ão pre cisa, n e ce ssariam e n te , aum e n tar o s custo s do
pro je to, um a ve z que há várias fe rram e ntas dispo n íve is de u so
gratuito , caben do n o o rçam e nto de Francisco .

Lembre- se

Uma enorme vantagem da adoção de Ferramentas CASE — que, em


última instância resulta das demais vantagens proporcionadas por tais
ferramentas —é o aumento da qualidade dos resultados.

Faça você mesmo

A modelagem de dados é uma etapa importante em qualquer projeto


de sistema de informações. Com o objetivo de facilitar este processo de
modelagem, foi criada a UML – Unified Modeling Language. Faça uma
pesquisa sobre o que vem a ser e como os desenvolvedores podem se
beneficiar da UML.

Faça, também, um comparativo entre as principais soluções de UML


gratuitas à disposição dos desenvolvedores. Um bom lugar para começar
é o site DevCurry, que abriga uma excelente discussão acerca destas
ferramentas. Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 04 fev. 2016.

Faça valer a pena!

1. As Ferramentas CASE são utilizadas para auxiliar no processo de


desenvolvimento de sistemas de informação e devem ser úteis neste
processo. Analogamente, assinale a alternativa que contém apenas
ferramentas que auxiliam o Homem nas situações a seguir.
a) Usar bicicleta para transportar uma pessoa, usar as mãos para fazer
um bolo, usar um óculos para ler um livro.
b) Usar uma agenda para lembrar um compromisso, usar um garfo para
escrever um livro, usar uma pá para cavar um buraco.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 187


U3

c) Usar uma colher de pau para mexer um doce, usar um telefone para
falar com alguém em outra cidade, usar uma chave de fenda para
apertar um parafuso
d) Usar uma batedeira e um forno para fazer um bolo, usar um garfo
para escrever um livro, usar uma pá para transportar um doente.
e) Usar uma maca para transportar um doente, usar uma serra elétrica
para cortar manteiga, usar uma bomba de sucção para tirar a água de
uma piscina.

2. A sigla CASE pode significar:


a) Computer Advanced Software Engineering.
b) Computer Automated Systems Engineering.
c) Computer Aided Symptoms Engineering.
d) Computer Aided Systems Enterprises.
e) Computer Aided Software Enterprises.

3. Analise os itens a seguir:

I. Auxiliar no desenho do sistema a ser desenvolvido.


II. Auxiliar na definição, acompanhamento e controle das tarefas de
desenvolvimento do sistema.
III. Reduzir a complexidade do projeto por meio de sua divisão em
porções menores e mais facilmente gerenciáveis.
IV. Reduzir o esforço de desenvolvimento por meio da sistematização
de etapas e organização do trabalho a ser realizado.

São objetivos das Ferramentas CASE os itens:


a) I, II e III, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

18 8 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


U3

Referências
BAGUI, S.; EARP, R. Database design using entity-relationship diagrams. 2. ed. Nova
York: CRC Press, 2012.
BALAGURUSAMY, E. Object oriented programming with C++. 4. ed. Nova Deli:
McGraw-Hill, 2008.
BALTZAN, P.; PHILLIPS, A. Essentials of business driven information systems. Nova
York: McGraw-Hill, 2008.
BANSAL, A. Introduction to programming languages. Boca Raton: Taylor & Francis
Group, 2014.
BARRON, D.; WEGNER, P. The world of scripting languages. Londres: Wiley, 2000.
BERNUS, P.; SCHMIDT, G. Handbook on architectures of information systems. Nova
York: Springer-Verlag, 1998.
CASE, A. computer-aided software engineering (case): technology for improving software
development productivity. ACM SIGMIS Database, v. 17, n. 1, out. 1985.
COLLARD, J. Reasoning about program transformations: imperative programming
and data flow. Nova York: Springer-Verlag, 2003.
CORONEL, C.; MORRIS, S.; ROB, P. Database systems: design, implementation, and
management. 10. ed. Boston: Cengage, 2012.
FOUKALAS, F. et al. Protocol reconfiguration using component-based design. Distributed
Applications and Interoperable Systems, v. 35-43, p. 148-156, 2010.
GABBRIELLI, M.; MARTINI, S. Programming languages, principles and paradigms.
Londres: Springer Verlag, 2010.
KAEFER, G., Cloud computing architecture. Munique: Siemens, 2010.
LAWSON, A., The neurological basis of learning: development and discovery. Nova Yor:
Kluwer Academic Publishers, 2003.
MAIER, M.; RECHTIN, E. The art of systems architecting. 3.. ed. Nova York: CRC
Press, 2009.
MARAKAS, G.; O’BRIEN, J. Administração de sistemas de informação. São Paulo:
McGraw-Hill, 2013.
NORMARK, K. Functional programming in scheme. Site da Universidade de Aalborg
(Dinamarca), 2014. Disponível em: <[Link]
notes/[Link]>. Acesso em: 09 jan. 2016.

Tecn o lo gias de desenvolvim e nto de siste m as 189


U3

OLIVEIRA, V. Ferramentas case: parte I, 2013. Disponível em: <[Link]


[Link]/ferramentas-case-parte-i/1505>. Acesso em: 02 fev. 2016.
REESE, G. Cloud application architectures. Nova York: O’Reilly, 2009.
SCHMIDT, D. Applying patterns and frameworks to develop object-oriented
communication software. In: Handbook of programming languages. Nova York:
MacMillan Computer Publishing, 1997. v. 1.
SILVA, A.; VIDEIRA, C. UML, metodologias e ferramentas case. Lisboa: Centro Atlântico,
2001.
STAIR, R.; REYNOLDS, R. Princípios de sistemas de informação. 11. ed. São Paulo:
Cengage Learning, 2015.
STRICKLAND, J. How cloud computing works. Site How Stuff Works. Disponível em:
<http:/ / [Link]/ cloud-com puting/ cloud-com [Link] >.
Acesso em: 23 dez. 2015.
TEICHROEW, D.; HERSHEY, E., PSL/PSA a computer-aided technique for structured
documentation and analysis of information processing systems. ICSE '76 Proceedings
of the 2nd international conference on software engineering. Los Angeles: IEEE
Computer Society Press, 1976.
TOFFLER, A. A empresa flexível. São Paulo: Record, 1985.
TURBAK, F.; GIFFORD, D. Design concepts in programming languages. Boston: MIT
Press, 2008.
TUTORSGLOBE. Elements of the information systems architecture. Site Tutors Globe.
Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 23 dez. 2015.
VAN DER LANS, R. Introduction to SQL: mastering the relational database language.
Nova York: Addison-Wesley, 2006.

19 0 Te cn o lo gias de de senvo lvim e n to de siste m as


Unidade 4

GESTÃO DA INFORMAÇÃO E
DO CONHECIMENTO

Convite ao estudo
Dá para acreditar que você já está iniciando a última unidade destes nossos
estudos acerca dos sistemas de computação e informação? Caminhamos
bastante, tendo começado esta jornada para aprender sobre os sistemas de
informação, que hoje são ferramentas fundamentais para o bom funcionamento
de inúmeros aspectos da sociedade contemporânea.
Hoje em dia é difícil imaginar algum aspecto de nossas vidas que não se
beneficie (ou que não dependa) dos sistemas de informação. E quanto mais
sistemas desenvolvemos para nos auxiliar nas tarefas do dia a dia; quanto mais
dados coletamos, organizamos e processamos; quanto mais transformamos
dados em informações, informações em conhecimento; e quanto mais
conhecimento acumulamos, mais complexa fica toda esta infraestrutura de
sistemas de informação da qual dependemos. A partir de agora, nessa nossa
última unidade, você vai entrar em contato com as técnicas mais novas e
eficientes para utilizar adequadamente e aproveitar ao máximo toda esta
gigantesca massa de dados que temos à nossa disposição.
Nesta unidade você entrará em contato com várias técnicas que visam
auxiliar organizações (empresas, ONGS, instituições de ensino e pesquisa,
órgãos governamentais, etc.) a lidarem com as informações que, ao longo
de sua existência, coletam, armazenam e utilizam em suas ações diárias.
Se o objetivo geral desta disciplina é conhecer e compreender as principais
tecnologias relacionadas à informação e à comunicação. O centro de nossas
atenções nessa unidade final será a Gestão do Conhecimento. Para tanto, os
objetivos a serem atingidos nas quatro seções subsequentes são:
1. Conhecer a definição e os conceitos básicos da gestão da informação e
da gestão do conhecimento.
2. Conhecer os principais conceitos e a aplicabilidade da Inteligência de
Negócios (Business Intelligence).
U4

3. Conhecer os conceitos de Data Warehouse, bem como as principais


técnicas para lidar com grandes quantidades de dados (Big Data).
4. Conhecer as principais técnicas e aplicações de Data Mining.
Na Seção 4.1 você entrará em contato com os princípios gerais da Gestão
do Conhecimento, entendendo como funciona este ramo da Tecnologia da
Informação e como ele auxilia as organizações a tomarem melhores decisões.
Na Seção 4.2 você aprenderá o que é Business Intelligence (Inteligência de
Negócios), suas técnicas e aplicações.
Na Seção 4.3 você aprenderá como coletar, analisar e gerenciar grandes
quantidades de dados, por meio das técnicas de Data Warehouse (Armazém
de Dados).
Na Seção 4.4 você aprenderá como identificar informações úteis, que
possam estar “perdidas” em grandes bases de dados, por meio das técnicas de
Data Mining (Mineração ou Garimpo de Dados).
A Dra. Grasiella Bastos é uma famosa cirurgiã cardíaca que, ao longo de
uma carreira de sucesso, criou uma rede de saúde chamada Coração D’Or,
composta por hospitais, laboratórios de análise clínicas, centros de tratamento
e fisioterapia e até mesmo academias de ginástica especializadas para pacientes
cardíacos. Em operação há mais de 30 anos, a rede Coração D’Or é referência
em cardiologia no Brasil e no mundo e já está em processo de expansão para a
Europa e para os EUA. Em meio a seus projetos de expansão para outros países,
a diretoria da Coração D’Or vem enfrentando alguns desafios na área de TI. O
desafio mais crucial, segundo o Sr. Reginaldo Gomes, VP de TI da instituição, é a
organização de todos os dados e todas as informações coletados ao longo das
mais de três décadas de operação da rede, de modo que possam ser utilizados
em decisões estratégicas do conglomerado, permitindo a consolidação da
liderança da instituição nos mercados em que atua.
Em uma situação assim, ou seja, na situação em que uma instituição tem
vastas quantidades de dados, coletados ao longo de décadas, advindos de
dezenas de sistemas diferentes, como agrupar esses dados de forma que possam
ser acessados por um ou mais sistemas que deles possam beneficiar-se? Como
garantir sua integridade neste processo de agrupamento e organização? Como
contextualizar esses dados de forma que possam ser correlacionados de forma
útil? Por fim, como processar esses dados de forma que gerem conhecimento
de valor para a tomada de decisões da instituição?
Estes são alguns dos desafios que você vai aprender a enfrentar
nesta unidade!
Pronto para mais esta aventura? Então, mãos à obra!

192 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Seção 4.1

Gestão da Informação e do Conhecimento

Diálogo aberto

Na unidade anterior você conheceu vários aspectos ligados à criação de um


sistema de informação. Ocorre que no ciclo de vida de um sistema de informação,
o processo de criação e implantação deste é apenas uma primeira parte, que tem
duração bem curta em face da vida útil desse sistema. Ao longo dessa vida, o sistema
como um todo é responsável pelo processamento de uma enorme quantidade de
dados, que, em função de necessidades legais e do sempre decrescente custo de
armazenamento, acumulam-se ao longo dos anos. Hoje em dia, mesmo dados
antigos mantidos em meios não digitais (papel, microfilme, etc.), que antecedem
a popularização dos computadores, estão sendo rapidamente digitalizados e
disponibilizados para as organizações que os geraram. As tecnologias de GED
(Gestão Eletrônica de Documentos), por exemplo, têm facilitado que cartórios e
órgãos governamentais transportem décadas e décadas de dados e informações
armazenadas em arquivos de papel sejam transportados para grandes bases de
dados digitalizadas. O desafio, aí, passa a ser outro: como facilitar a extração rápida
e o uso deste conhecimento armazenado, de forma a colaborar com as decisões
estratégicas da instituição? Esta pergunta, tão simples de fazer quanto complexa de
responder, provocou o surgimento de um novo campo de estudos em Tecnologia
da Informação: a Gestão do Conhecimento. E é exatamente este o tema principal
dessa unidade.

Em uma recente áudio-conferência com a Dra. Grasiella Bastos e com o Sr.


Reginaldo Gomes, você e sua empresa foram chamados para participar de uma
concorrência para auxiliar a rede Coração D’Or a tomar as rédeas da imensa massa
de dados presentes nos vários sistemas de informação do conglomerado. Nesta
etapa, você deverá demonstrar sua expertise em Gestão do Conhecimento e mostrar
aos executivos da Coração D’Or os principais conceitos deste campo de estudos,
de forma que se convençam da importância do assunto e decidam por contratar
sua empresa para o projeto. Quanto mais conhecimento você demonstrar sobre o
assunto, e quanto mais você conseguir demonstrar como os conceitos da Gestão
do Conhecimento podem auxiliar o caso específico da rede, maiores serão suas
chances de ser a empresa escolhida para esta empreitada.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 193


U4

Desafiador? Pode apostar. Mas não se preocupe: vamos lhe dar todas as
ferramentas para dominar essa parada.

Boa sorte!

Não pode faltar

Dado, informação, conhecimento

Quando os bancos de dados foram introduzidos na Seção 3.2, caracterizamos


os dados e as informações de maneira útil para nossos propósitos. Ocorre que o
estudo do conhecimento é um campo vasto e sobre ele há muito mais o que ser
aprendido que seja útil para nossos propósitos aqui nos estudos sobre os sistemas
de informação. Vamos, então, expandir nossos horizontes acerca dos elementos
que compõem o estudo do conhecimento.

O pesquisador brasileiro Valdemar Setzer, em um importante artigo intitulado


“Dado, Informação, Conhecimento e Competência”, de 2015, expõe de maneira clara
e construtiva estes conceitos tão necessários para a continuidade de nossos trabalhos.
Vejamos como são caracterizados os três elementos principais (SETZER, 2015):

• Dado – elemento (símbolo ou sequência de símbolos) quantificado ou


quantificável. Tudo aquilo a que podemos atribuir uma quantidade pode ser
considerado um dado. A massa de uma pessoa, por exemplo, pode obviamente
ser quantificada, então pode ser considerada um dado. Alguns elementos podem,
à primeira vista, parecer inadequados a esta caracterização, mas não são. Um
exemplo é a cor. Como quantificar a cor laranja que aparece na tela de seu
computador em alguma imagem no computador? Em quantidades de vermelho,
verde e azul, as cores primárias no sistema aditivo.

• Informação – abstração informal que alguém faz acerca de um conjunto de


dados, que atribui algum significado maior para estes dados. Os pontos principais,
aqui, são dois: em primeiro lugar, informação é uma abstração informal (e não é à
toa que ambos os termos compartilham o mesmo radical). O que isto quer dizer?
Quer dizer que a informação, por natureza, não é formal, pois é feita individualmente
por cada um de nós. Cada pessoa abstrai com base em sua experiência de vida.

• Conhecimento – elemento de caracterização mais delicada, é a informação


que passa pela experiência pessoal e íntima da pessoa que o possui. Por exemplo:
um aluno entra em contato — obviamente com a ajuda de um professor — com
o método de Bháskara para solução de equações de segundo grau. Por meio de
uma aula expositiva, o aluno recebeu informações acerca do método de Bháskara.
A partir daí, dedicou-se durante alguns dias ou semanas à resolução de problemas

194 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

que demandam o uso do método de Bháskara. Ele resolveu algumas dezenas de


equações de segundo grau, entrando em contato pessoal e íntimo com o método.
Depois desse contato pessoal e íntimo, ele poderá dizer que tem conhecimento
acerca do método de Bháskara.

Faça você mesmo

O pesquisador Valdemar Setzer e o professor Kenneth Corrêa têm visões


ora semelhantes, ora complementares e ora divergentes acerca das
caracterizações de dado, informação e conhecimento. Leia o artigo de
Setzer, assista a explanação de Corrêa e, ao final destas duas atividades,
descreva o que há de semelhante, complementar e divergente nos
enfoques dos dois autores.

STZER, Valdemar W. Dado, informação, Conhecimento e Competência.


2015. Disponível em: <[Link]
html>. Acesso em: 12 fev. 2016.

Gestão do conhecimento, o lado humano

Quando chegamos à caracterização de conhecimento, é natural que pensemos


algo na linha de “ah, então é disso, desse conhecimento que se ocupa a disciplina
do Gestão do Conhecimento, certo?”.

Sim, de fato, e falaremos muito mais sobre isso ao longo dessa seção, contudo,
é importante observar um ponto crucial: no que tange os sistemas de informação,
isto é, as ferramentas informatizadas que facilitam nossas interações com a
informação, precisamos levar em conta as definições apresentadas por Setzer
(2015). Segundo ele, quando falamos de dado, informação e conhecimento,
o único elemento entre estes que é objetivamente quantificável é o dado. Isto
implica, como afirma o autor, que o único destes elementos que pode ser tratado
pelos sistemas informatizados é o dado. Os sistemas de informação podem
facilitar o nosso processo de obtenção de informações a partir de uma massa de
dados, e os sistemas de Gestão do Conhecimento podem nos ajudar a organizar
o conhecimento de uma organização, contudo, tanto informações quanto
conhecimento residem exclusivamente na mente humana.

É justamente em função desta característica patentemente humana da


informação e do conhecimento que podemos extrair uma das principais (senão

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 195


U4

a principal) característica da Gestão do Conhecimento: mesmo que os sistemas


informatizados ocuparem um papel preponderante nesta área de estudo, trata-se
de uma disciplina multidisciplinar, isto é, que deve englobar outros aspectos que
vão muito além da tecnologia.

Vamos, a partir de agora, entrar em contato com alguns dos aspectos mais
importantes da Gestão do Conhecimento, primeiramente observando alguns
fatores humanos e, em seguida, alguns dos principais pontos tecnológicos.

Reflita

A capacidade de criar e manter a infraestrutura de conhecimento,


desenvolver os trabalhadores do conhecimento e aumentar a sua
produtividade por meio da criação, bem como o cuidado na exploração
de novos conhecimentos, serão os fatores-chave para uma nação
tornar-se uma superpotência do conhecimento.

As dimensões do conhecimento nas organizações

Para que possamos gerenciar o conhecimento, devemos primeiro entender


como se comporta esse conhecimento no que tange algumas de suas propriedades.
Chamaremos essas propriedades de “dimensões”. Para fins de nossos estudos,
vamos nos ater a três dimensões do conhecimento, a saber (NORTH; KUMTA, 2014):

• Natureza – O que é conhecimento em sua essência? Pode ser comparado


a um objeto que pode ser duplicado, transportado, manipulado e compartilhado?
Ou é um processo único, de difícil controle?

• Disponibilidade – De que forma o conhecimento é disponibilizado e acessado


em uma organização? Pode ser conhecimento tácito, que o indivíduo traz dentro
de si, fruto de sua experiência e de sua trajetória de vida, e o conhecimento
explícito, que nos é ensinado e que é fácil de expressar em palavras.

• Valor – Qual é o valor para a organização de um conhecimento que possua?

Com base nessas três dimensões, a Gestão do Conhecimento buscará sempre


organizar o conhecimento da instituição, de forma que, desse conhecimento,
possa obter competência e/ou vantagem competitiva para suas ações.

19 6 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Assimile

As três dimensões do conhecimento, para fins da Gestão do


Conhecimento, são: Natureza, Disponibilidade e Valor (NORTH;
KUMTA, 2014).

Estratégias para gestão do conhecimento

A esta altura do campeonato, surge o seguinte questionamento: qual o objetivo


principal, isto é, para que serve essa tal de Gestão do Conhecimento?. A resposta
é simples, como afirmam North e Kumta (2014, p. 99, grifo nosso): “O objetivo
estratégico da Gestão do Conhecimento é converter conhecimento em vantagem
competitiva que possa ser medida no sucesso dos negócios”.

Para tanto, podemos dividir esse objetivo principal em três objetivos específicos
com relação ao conhecimento (NORTH; KUMTA, 2014):

• Objetivos Normativos do Conhecimento – Buscam identificar os valores (no


sentido mais amplo do termo) empresariais e comportamentos individuais que
sejam relevantes para que a empresa seja competitiva de forma duradoura, a longo
prazo.

• Objetivos Estratégicos do Conhecimento – Buscam identificar formas para


se converter o conhecimento disponível em sucesso nos negócios, bem como
identificar novos conhecimentos necessários para o crescimento da empresa.

• Objetivos Operacionais do Conhecimento – Buscam operacionalizar o


conhecimento disponível já identificado na condução dos projetos e operações
da empresa em seu dia a dia.

Exemplificando

Como podemos identificar estes objetivos em uma empresa? Se a empresa


busca instigar o estudo em horário de trabalho, como no caso do Google,
está atendendo a um objetivo normativo do conhecimento. Se a empresa
tem um processo formalizado para geração, análise e premiação de boas
ideias, como no caso da IBM, está atendendo a um objetivo estratégico
do conhecimento. E se uma empresa promove a disseminação interna
de conhecimento para nivelamento em seus projetos, como no caso
da Fundação CPqD, está atendendo a um objetivo operacional do
conhecimento.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 197


U4

Mesmo que os autores foquem seus esforços na Gestão do Conhecimento para


as empresas, não é difícil perceber que qualquer organização (órgão governamental,
ONG, autarquia, etc.) pode se beneficiar da Gestão do Conhecimento. Se os
propósitos de uma instituição sem fins lucrativos, por exemplo, não é ter sucesso no
negócio (até porque neste caso, não existe “negócio”), o aumento da competência
nesta organização certamente será bastante útil na condução de suas atividades.
Em suma: Gestão do Conhecimento não é útil só para empresas, mas também para
todas as instituições em operação (RAHMAN, 2008).

Voltando ao assunto, cada um dos três conjuntos de objetivos deve gerar ações
dentro da instituição, de forma que o conhecimento seja de fato um recurso que
auxilie a instituição a ser efetiva em suas ações.

Para que a instituição possa criar uma estratégia de Gestão do Conhecimento,


as respostas a cinco questões podem auxiliar bastante (NORTH; KUMTA, 2014).
Essas cinco questões são:

1. Os stakeholders (em especial executivos, colaboradores e acionistas) têm


ciência da importância do conhecimento para o sucesso da instituição?

2. Quais estratégias da instituição devem contar com o apoio do conhecimento


existente ou a ser obtido?

3. Que conhecimento a instituição tem disponível e que conhecimento a


instituição deve obter para manter-se competitiva?

4. Como alavancar os recursos de conhecimento da instituição? Em outras


palavras, como lidar com os fatores que promovem a criação de conhecimento e
como remover as barreiras para essa criação de conhecimento?

5. Como a instituição deve organizar seu conhecimento e suas ações para o


conhecimento de modo a preparar-se para a competitividade pelo conhecimento
que se acirra cada vez mais no mercado?

Obviamente, as respostas para essas questões não são nem simples nem
únicas. Cada instituição vai respondê-las de forma particular. Contudo, são
excelentes pontos de partida para gerar-se ações úteis à Gestão do Conhecimento
e, consequentemente, ao sucesso da instituição.

198 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Pesquise mais

Há várias discussões interessantes acerca dos desafios das instituições na


adoção da Gestão do Conhecimento. Procure inteirar-se mais sobre o
assunto com estes dois artigos:

GIANINI, A. Os desafios da gestão do conhecimento. 2010. Disponível


em: <[Link]
+conhecimento/[Link]>. Acesso em: 14 fev. 2016.

PESTANA, M. et al. Desafios da sociedade do conhecimento e gestão de


pessoas em sistemas de informação. Ciência da Informação, Brasília, v.
32, n. 2, p. 77-84, maio/ago. 2003. Disponível em: <[Link]
pdf/ci/v32n2/[Link]>. Acesso em: 14 fev. 2016.

A tecnologia e a gestão do conhecimento

Segundo North e Kumta (2014), a Gestão do Conhecimento pode contar com


o apoio de várias ferramentas para fazer crescer e disseminar o conhecimento,
de forma que a instituição possa manter-se sempre em dia com as competências
de que precisa para ser efetiva em suas ações. Algumas dessas ferramentas mais
tradicionais são:

• Departamento (ou Diretoria) de Recursos Humanos – Certamente a mais


tradicional forma de gerenciar-se o conhecimento em uma empresa.

• Departamento (ou Diretoria) de Treinamento – Outro recurso de


importantíssimo papel dentro da instituição para garantir que ela tenha ao se dispor
o conhecimento de que necessita.

• Eventos (congressos, seminários, feiras, etc.) – Ferramentas à disposição


do setor de treinamentos da instituição e dos gestores, em geral, que facilitam o
acesso ao conhecimento necessário à instituição.

• Biblioteca da Instituição – Pode ou não ser subordinada à Diretoria de Treinamento


e contém os livros, periódicos e demais materiais necessários à instituição.

Além dessas ferramentas mais tradicionais, várias novas (e não tão novas assim)
ferramentas estão à disposição daquilo que a McAfee (2016) chama de a “Empresa
2.0”. A saber, a Empresa 2.0 é aquela que utiliza ferramentas colaborativas para
obter vantagens nos mercados em que atuam. O uso destas novas plataformas é

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 199


U4

central na condução de uma estratégia efetiva de Gestão do Conhecimento. E que


ferramentas são essas? Bem, são várias, mas sua adoção e inserção na cultura da
organização têm o potencial de melhorar muito a posição da instituição no nicho
em que atua. A seguir, estão listadas algumas das ferramentas que podem auxiliar
as empresas na condução da Gestão do Conhecimento:

• Ferramentas colaborativas de escritório (office tools) – Já bastante


disseminadas, mas ainda com bastante potencial não utilizado:

o E-mail – A ferramenta mais antiga de colaboração da era digital.

o Calendário comum – Toda plataforma de automação de escritório tem,


contudo, nem todas as instituições utilizam.

o Reuniões de brainstorm – Trocas de livres de ideias sobre um assunto definido.

• Ferramentas de criação e edição colaborativa de documentos – Ferramentas


do tipo “Office”, mas que permitem o acesso simultâneo de várias partes.

• Wikis – Ferramentas colaborativas de adição e edição de conteúdo.

• Blogs de colaboradores e parceiros – Bastante úteis para que conteúdo


pertinente à instituição seja compartilhado entre colegas.

• Ferramentas de mensagem instantânea em dispositivos móveis – Quando


utilizadas para fins da Gestão do Conhecimento, e não para fins de entretenimento.

• Ferramentas de Alerta de conteúdo – Também conhecidas como RSS (Really


Simple Syndication), alertam o usuário para conteúdo de seu interesse.

• Ferramentas de Business Intelligence – Feramentas de apoio à tomada de


decisão a partir da análise de dados (serão estudadas em seção subsequente).

• Ferramentas de Data Warehouse – Ferramentas de agregação e normatização


de dados (serão estudadas em seção subsequente).

• Ferramentas de Data Mining – Ferramenta de busca de dados relevantes em


grandes massas de dados (serão estudadas em seção subsequente).

Além dessas todas, as ferramentas de apoio que permitem a automação dos


processos de RH e treinamento (principalmente mantendo atualizada uma base de
dados dos conhecimentos que cada colaborador tem) são, também, fundamentais
na Gestão do Conhecimento.

Nas seções subsequentes, vamos ver mais detalhadamente algumas


dessas ferramentas.

20 0 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Sem medo de errar

Os passos para demonstrar claramente sua expertise em Gestão do


Conhecimento para a Coração D’Or podem ser os seguintes:

1. Os executivos da rede Coração D’Or estão em busca de expertise no assunto


Gestão do Conhecimento e, para mostrar este conhecimento, você pode começar
mostrando os conceitos que aprendeu acerca da natureza humana (radicada no ser
humano, e não na tecnologia) da Gestão do Conhecimento. Assim, você já elimina
a noção errônea de que basta uma instituição adotar esta ou aquela ferramenta
e, pronto, já está gerenciando seu conhecimento. Os departamentos de RH e de
treinamento da Coração D’Or são evidências claras de que essa instituição já se
preocupa com o conhecimento.

2. Em seguida, você pode fazer uma explanação acerca da Economia do


Conhecimento e mostrar que, no caso de uma rede de saúde da envergadura da
Coração D’Or, o conhecimento presente na instituição é um dos maiores valores que
a rede pode oferecer ao mercado. A alavancagem desse conhecimento tem potencial
para revolucionar não só a Coração D’Or, mas todo o mercado em que atua.

3. Você também deverá explicar as três dimensões do conhecimento para


os executivos da Coração D’Or: natureza, disponibilidade e valor, apontando
como cada uma dessas dimensões deve ser analisada e mensurada para os
conhecimentos disponíveis na instituição.

4. Para mostrar o caminho que a Coração D’Or deverá seguir para definir suas
estratégias com relação ao conhecimento, você deverá explanar os objetivos
normativos, estratégicos e operacionais do conhecimento, mostrando a
importância da definição de cursos de ação para o atingimento de cada um destes
grandes grupos de objetivos.

5. Ainda no campo da estratégia, as cinco questões principais acerca da Gestão


do Conhecimento na instituição deverão ser apresentadas:

a) Os stakeholders têm ciência da importância do conhecimento para o sucesso


da instituição?

b) Quais estratégias da instituição devem contar com o apoio do conhecimento


existente ou a ser obtido?

c) Que conhecimento a instituição tem disponível e que conhecimento a


instituição deve obter para manter-se competitiva?

d) Como alavancar os recursos de conhecimento da instituição?

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 20 1


U4

e) Como a instituição deve organizar seu conhecimento e suas ações para o


conhecimento, de modo a preparar-se para a competitividade por este recurso
que se acirra cada vez mais no mercado?

6. Por fim, você deverá apresentar as ferramentas tradicionais e tecnológicas


à disposição da Coração D’Or para implementar um processo de Gestão
do Conhecimento.

Atenção!

A Gestão do Conhecimento é uma disciplina humana e não pode ser


alicerçada exclusivamente nas ferramentas tecnológicas.

Lembre- se

A Economia do Conhecimento beneficia as instituições que investem


na Gestão do Conhecimento e tem esta disciplina como primordial na
condução de suas ações. Para saber mais, leia o artigo:

KUGLER, Henrique. Economia do Conhecimento: O Bonde da História.


2013. Disponível em: <http:/ / [Link]/ noticias/ 2013/ 09/
economia-do-conhecimento-o-bonde-da-historia>. Acesso em: 14
fev. 2016.

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is as co m pare co m a de
se us co le gas.
“Utiliza n d o a s fe rra m e n tas d o co n h e cim e n to”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Co nh ecer e co m pre en de r as prin cipais tecno lo gias
d e á re a re lacio nadas à info rm ação e à co m un icação .
Co nh ecer a de n ição e o s co n ce ito s básico s da ge stão da
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m
info rm ação e da gestão do co nh ecim e nto.
In tro dução ao s co nceito s da Gestão da Info rm ação e da
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
Gestão do Co nh ecim e nto.

20 2 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

A Co nsultatio n, e m presa de co nsulto ria e m pre sarial, está


e m bu sca de m e lh o rar a alavan cagem do co n he cim e nto de
se us colabo rado re s para o bte n ção de van tage m co m petitiva
4. De scriçã o d a SP n o m e rcado . Para tanto , o s e xe cutivo s da Co n su ltatio n
co n trataram vo cê para apo n tar co m o po dem u sar as
fe rram en tas que já tê m à dispo sição para m elho rar o uxo de
co n he cim en to n a in stituição .
Vo cê po de co m e çar apo ntando à Co nsultatio n o fato de que
n ão são so m en te as ferram en tas te cn o ló gicas que de ve m
se r utilizadas n este pro ce sso : o RH da em pre sa, bem co m o
o departam en to de tre inam en to, deve m se r utilizado s no
pro cesso de Ge stão do Co nh ecim e nto a ser in tro duzido.
Vo cê , e m se guida, deve aprese ntar um plan o para levan tar as
fe rram en tas em u so n a Co nsultatio n, levan tam e nto este que
ce rtam e nte m o strará o uso de:
• Fe rram en ta de co rre io ele trô n ico .
• Fe rram en ta de escritó rio au to m atizado .
Para e ssas ferram e ntas, um plan o de ação para m e lh o r uso
co m ns de co leta, o rgan ização e co m partilham e n to de
co n he cim en to deve se r criado .
5. Re so lu çã o d a SP
Vo cê de ve , tam bé m , m o strar à Co nsultatio n as fe rram en tas
que e la não utiliza, m as que te m à sua dispo sição caso
as que ira ado tar, no se ntido de facilitar a Ge stão do
Co n he cim en to e m su as o pe raçõ e s. Essas ferram en tas são :
• Fe rram en tas de criação e e dição colabo rativa de
do cum e n to s.
• Wikis.
• Blo gs de co labo rado res e parce iro s.
• Fe rram en tas de m en sage m instantân ea em dispo sitivo s
m ó veis.
• Fe rram en tas de Alerta de co n te údo.
• Fe rram en tas de Busine ss In te llige n ce .
• Fe rram en tas de Data Min ing.

Lembre- se

As empresas que, sem suas estratégias e ações, incluem ferramentas de


Gestão do Conhecimento são conhecidas como “Empresas 2.0”.

Faça você mesmo

O Wikia é um dos maiores portais dedicados a páginas colaborativas tipo


“wiki” disponíveis na internet. Lá você pode começar uma “wiki” — um
repositório de conhecimento —sobre qualquer assunto. Que tal começar
uma “wiki” sobre Gestão do Conhecimento? Organize-se com seus
colegas, crie uma conta gratuita no site em português da Wikia <http://
[Link]> e crie uma página sobre Gestão do Conhecimento, na
qual você (e quem mais queira participar) vai colocar os conhecimentos
que já adquiriu sobre este assunto. Detalhe: este é um excelente recurso
para se organizar conhecimento útil em provas e simulados.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 20 3


U4

Faça valer a pena

1. A abstração informal que alguém faz acerca de um conjunto de dados


leva o nome de:
a) Dado.
b) Conjunto de dados.
c) Informação.
d) Conhecimento.
e) Competência.

2. “Experiência pessoal” é um elemento necessário para que possamos


afirmar que o indivíduo tenha:
a) Dados.
b) Conjunto de dados.
c) Informação.
d) Conhecimento.
e) Competência.

3. Os sistemas informatizados só conseguem tratar diretamente:


a) Dos dados.
b) Das informações.
c) Do conhecimento.
d) Da competência.
e) Da sabedoria.

20 4 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Seção 4.2

Business intelligence

Diálogo aberto

Olá! Seja bem-vindo(a) a mais uma seção de estudos de Sistemas de Computação


e Informação!

Quando olhamos para a história recente da TI, podemos observar um fato curioso,
conforme nos aponta Barbieri (2011): até o fim da década de 1960, a ênfase maior era
o desenvolvimento de computadores mais rápidos e programas e algoritmos mais
capazes. Não que outros aspectos, tais como a interligação dos computadores por meio
de redes, não fosse alvo de pesquisas, mas os demais aspectos citados anteriormente
eram o centro das atenções. Na década de 1970, a ênfase das pesquisas passou a ser a
interconexão dos computadores, uma tendência que perduraria por mais de 20 anos.
Novamente, não é porque os maiores esforços da indústria e da pesquisa fossem o
aspecto da rede que se deixou de buscar computadores mais rápidos ou avançar nas
técnicas de programação: a rede apenas ocupava o centro das atenções, enquanto as
demais pesquisas seguiam o seu curso.

Em ambos os períodos, os dados em si — o alvo principal de computadores,


programas e redes —ficavam em um distante terceiro plano. Este panorama começou
a mudar na década de 1980, com o crescimento das pesquisas em coleta, organização
e modelagem de dados.

E se no início dos anos 2000 falamos pouco de outras coisas que não fossem ligadas
diretamente à internet (um retorno da rede ao centro das atenções), a partir do início
da década de 2010 os dados voltaram ao centro das atenções, com o crescimento
dos esforços em Gestão do Conhecimento e a busca por apoiar em dados concretos
as decisões das instituições. Os dados ocupam hoje, mais do que nunca, o centro das
atenções em TI, um papel que é justificado pela sua imensa importância nos rumos
de corporações e instituições de toda natureza. O volume de dados à disposição de
uma instituição hoje em dia é várias ordens de grandeza maior do que era meros 20
anos atrás, e os desafios para extrair-se informações úteis a partir desta imensa massa
de dados são igualmente grandes (BARBIERI, 2011).

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 20 5


U4

Nesta seção, vamos entender e aprender como enfrentar os principais desafios


ligados a esta questão, o que vai nos ajudar no processo de conhecer e compreender as
principais tecnologias relacionadas à informação e à comunicação. Nesta etapa, você
deve mostrar aos executivos da Coração D’Or que as técnicas de Business Intelligence
podem ser bastante valiosas para avançar a agenda de Gestão do Conhecimento para
a instituição, apoiando a tomada de decisão, bem como a formulação e a implantação
de estratégias. Para tanto, você deve explicar o que é e para que serve Business
Intelligence no contexto das empresas de saúde, caracterizando este tema, apontar
meios de como a BI pode auxiliar a Coração D’Or e sugerir ferramentas que possam
adicionar valor ao projeto da instituição. Pronto para o desafio?

Então, vamos lá!

Não pode faltar

Por mais que apenas na última década o termo “Business Intelligence” (BI) tenha
se tornado alvo de estudos generalizados por parte das instituições de pesquisa e
foco das atenções de corporações e outras instituições, esse termo não é nada
novo. Luhn (1958) propôs o termo e seu significado para futuros pesquisadores,
e, se naquela época o hardware e o software disponíveis permitiam apenas uma
pequena fração da capacidade de processamento e análise a que temos acesso,
hoje, os estudos iniciais já apontavam para resultados que em nossos dias já são
possíveis: a tomada de decisões apoiada em dados da instituição.

Em nossos estudos nesta seção, vamos aprender um pouco mais sobre este
importante conceito, que hoje está se tornando ferramenta indispensável em
instituições de todos os portes, naturezas e propósitos.

O que é Business Intelligence?

Luhn (1958) começa a discorrer sobre Business Intelligence (Inteligência de


Negócios) pelo básico: apresenta uma definição de “Inteligência” e uma definição
de “Negócio”. O autor apresenta uma definição simples e clara para o termo
“Inteligência”: “a capacidade de apreender as inter-relações dos fatos apresentados
de forma a orientar a ação para um objetivo desejado” (LUHN, 1958, p. 314). Essa
definição atribui à inteligência a capacidade de identificar e analisar as inter-relações
entre dados (os fatos), sendo que o resultado desta análise orienta a ação (ou, em
outras palavras, possibilita a tomada de decisão) para que se atinja um objetivo
qualquer, de interesse do indivíduo dito “inteligente”.

20 6 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Já o conceito de “Negócio” é apresentado de forma mais ampla pelo autor,


como: “o conjunto de atividades desempenhadas para se atingir objetivos em
quaisquer dos campos da ciência, tecnologia, comércio, indústria, legislação,
governo, defesa, etc.” (LUHN, 1958). Grossmann e Rinderle-Ma (2015) definem
“negócios” como sendo quaisquer conjuntos de tarefas que uma organização
realiza com o objetivo de entregar produtos e/ ou serviços para clientes interessados
em consumi-los.

Inteligência de negócios, portanto é o conjunto de técnicas e tecnologias que


permitem a análise de dados disponíveis a uma instituição com o objetivo específico
de apoiar as decisões tomadas nessa instituição. É importante observar que nos
dias de hoje a Inteligência de Negócios apoia-se na tecnologia, principalmente em
função da enorme massa de dados que qualquer instituição tem à sua disposição. Os
enormes avanços em tecnologia da informação das últimas décadas provocaram
a queda vertiginosa de preços nos dispositivos de armazenamento, o que facilita a
preservação de uma quantidade sem precedentes de dados.

Exemplificando

O preço do Gigabyte de armazenamento vem caindo desde que os


primeiros meios de armazenamento magnético foram criados, na década
de 1950. Podemos observar esta queda na tabela a seguir, criada por David
Isenberg com base em uma pesquisa de Ivan Smith:

Tabela 4.1| A queda do preço do Gigabyte de armazenamento ao longo dos


anos
Ano Preço do GB em dólares
1980 US$300.000,00
1987 US$50.000,00
1990 US$10.000,00
1994 US$1.000,00
1997 US$100,00
2000 US$10,00
2004 US$1,00
2010 US$0,10

Fonte: Isenberg (2011).

Ainda segundo Smith (2014), o custo do GB em 2014 atingiu ínfimos


US$0,03 (três centavos de dólar).

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 20 7


U4

Esses dados estão espalhados por diversos servidores e sendo criados/


mantidos/ acessados por diversos sistemas de informação. Os estudos de Business
Intelligence têm por objetivo maior correlacionar esta gigantesca massa de dados
e dela obter informações úteis para a tomada de decisões da corporação.

Características e desafios da Business Intelligence (BI)

Podemos identificar nos estudos de Business Intelligence (BI) as seguintes


características (GROSSMANN; RINDERLE-MA, 2015):

• Função – A principal função da BI, como já mencionado, é dar apoio à tomada


de decisões dentro da instituição, com base em dados e informações à disposição
da instituição.

• Fundamentação – A BI está fundamentada na constatação de que decisões


estratégicas são tomadas, na maioria das vezes, com base em informações
empíricas, que podem ser obtidas por meio da análise de dados.

• Implantação – A BI é implantada por meio de um sistema de informação


específico, sistema esse que se assenta sobre a infraestrutura de TI e comunicação
digital da instituição.

• Entrega – A BI deve, sobretudo, ser capaz de entregar as análises necessárias,


no tempo adequado, para as pessoas corretas dentro da instituição.

Cada uma dessas características traz, em si, uma série de desafios que
precisam ser enfrentados pela instituição que deseja implementar a disciplina BI
(GROSSMANN e RINDERLE-MA, 2015):

• Desafios de Função – Encontrar uma lógica do negócio que seja bem


estruturada e orientada a/ por processos. Esse desafio torna-se ainda mais complexo
diante da descentralização física e lógica dos dados e informações da instituição.

• Desafios de Fundamentação – A tomada de decisões com base em


informações empíricas fica ainda mais complexa quando adicionamos as
informações disponíveis na internet, que devem ser filtradas e estruturadas (uma
vez que são a própria definição da desestruturação) para serem de utilidade no
processo de tomada de decisões.

• Desafios de Implantação – A implantação de sistemas de BI deve levar em


conta que muitos sistemas — incluindo a própria BI — podem ser implantados
não somente sobre a infraestrutura da instituição, mas também sob forma de
SaaS (Software as a Service) em algum dos inúmeros serviços de computação
na nuvem disponíveis. A integração de sistemas ditos on-site (fundamentados na
infraestrutura da instituição e off-site (fundamentados em infraestrutura alheia) é
um desafio imenso para a BI.

20 8 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

• Desafios de Entrega – Os dispositivos móveis apresentam uma nova dimensão


aos desafios da BI, pois aumentam em pelo menos uma ordem de grandeza a
quantidade dos requisitos por informações para tomada de decisão. Aumentam
também a necessidade por informações atualizadas instantaneamente, mantendo,
claro, a qualidade destas informações.

Assimile

Para cada uma das características da BI (Função, Fundamentação,


Implantação e Entrega) há um conjunto de desafios que deve
ser endereçado.

Contextualizando a BI

Uma vez que entendemos o que é BI e para que serve, é hora de analisarmos
outra questão de suma importância: em que se aplica a BI dentro de um contexto
de negócios? Em outras palavras, em que situações práticas podemos utilizar as
técnicas de BI e gerar benefícios para a instituição?

Grossmann e Rinderle-Ma (2015) apresentam quatro cenários que contextualizam


a utilização e os benefícios de BI, partindo de situações localizadas, simples, para
contextos mais abrangentes dentro da organização. Vejamos:

1. BI em um contexto tático, separado da gestão estratégica – Nesta situação,


as técnicas e ferramentas de BI são utilizadas para atingir resultados localizados
em um departamento ou em uma divisão da organização, resultados esses que
não precisam ser normatizados nem consistentes com os rumos estratégicos da
organização.

2. BI como apoio ao desempenho estratégico – Nesta situação, as ferramentas


de BI são utilizadas para coletar dados e gerar informações acerca dos resultados
sendo obtidos pela implantação das estratégias adotadas pela organização. Em
outras palavras, neste contexto, BI responde às questões: as estratégias estão
dando resultados? Quantitativamente, que resultados estão sendo obtidos?

3. BI como ferramenta para refinamento de estratégias – Nesta situação, damos


“um passo a diante” com a BI, utilizando as ferramentas não em ações táticas (uma
campanha de marketing, por exemplo), mas, sim para mensurar e aferir os resultados
de uma estratégia em si. Neste contexto, as respostas obtidas pelas ferramentas de
BI ajudam a refinar a estratégia no sentido de obter melhores resultados.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 20 9


U4

4. BI como recurso estratégico – Nesta situação, que é o patamar mais alto,


as ferramentas de BI são utilizadas não apenas para o refinamento das estratégias,
mas também para sua construção.

Esses são os quatro contextos principais de BI em uma organização. Os


inúmeros exemplos de utilização das técnicas e ferramentas de BI sempre cairão
em uma destas quatro categorias.

Faça você mesmo

O uso de técnicas de BI pode ser feito tanto no nível tático quanto no nível
estratégico. Quais são as semelhanças e diferenças na aplicação de BI
nos dois casos? Busque, em artigos sobre os dois enfoques, informações
que o auxiliem a compor um quadro-resposta para esta questão.

Comece pelos artigos:

FORTULAN, M.; GOÇALVES FILHO, E. Uma proposta de aplicação de


business intelligence no chão-de-fábrica. Revista Gestão da Produção,
v. 12-1, p. 35-66, jan.-abr. 2005> Disponível em: <[Link]
pdf/%0D/gp/v12n1/[Link]>. Acesso em: 26 fev. 2016.

SILVEIRA, F., Construção de modelo de business intelligence para a


controladoria evidenciar informações estratégicas. São Leopoldo:
UNISINOS, 2007. Disponível em: <[Link]
bitstream/ handle/UNISINOS/ 2813/ construcao%20de%[Link]>.
Acesso em: 26 fev. 2016. Item 2.10, da página 103 à 118.

Modelagem em BI

Os modelos têm um papel preponderante em BI, pois é com base neles que as
ações de coleta, armazenamento, busca e análise dos dados são realizadas. Por
meio da modelagem, gera-se uma representação mais simples de uma situação
real, representação essa que é tratável pelos sistemas de informação responsáveis
pelas ações de BI. Ou, Segundo Grossmann e Rinderle-Ma (2015), o propósito da
modelagem é representar objetos e fenômenos de forma objetiva, permitindo a
tomada de ações práticas sobre o modelo.

Os modelos úteis para BI visam identificar as relações não necessariamente


causais e regras entre processos de negócio. Cada modelo criado deve representar
um aspecto do processo de negócio, permitindo que formulemos questões
interessantes a serem respondidas pelos modelos, por meio de técnicas de análise.
Surge, então, o conceito de função de representação: a forma sob a qual se

210 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

apresenta um modelo, de modo que permita que as técnicas de análise cheguem


a conclusões úteis para o processo de tomada de decisão.

Reflita

A qualidade das decisões tomadas com base em BI dependem,


efetivamente, da qualidade dos modelos criados, bem como das
capacidades de análise da solução (GROSSMANN; RINDERLE-MA, 2015).

São duas as questões básicas com relação às funções de representação


(GROSSMANN; RINDERLE-MA, 2015):

1. Como representar um modelo qualquer?

2. Como deve ser expressada formalmente esta representação?

No que concerne à primeira questão, são três os enfoques para a representação


de um modelo, a saber:

• Modelagem de Fenômenos – Fenômenos, para propósitos desta discussão,


são características de interesse em um processo de negócios, que podem ser
alvo de análise, ou seja, de perguntas cujas respostas podem ser encontradas no
próprio modelo ou em seu relacionamento com outros modelos.

• Modelagem de Dados – Os dados inerentes a um processo podem, como já


visto em aulas anteriores, ser combinados e correlacionados, gerando informações
úteis para quem realiza a análise.

• Modelagem de Teorias – Se as modelagens de fenômenos e de dados


preocupam-se com “o que” (o que é o fenômeno? O que é o dado?), a modelagem
de teorias preocupa-se com o “como”, ou seja, com o comportamento de uma
entidade modelada, seja como fenômeno ou como dado, anteriormente. É uma
modelagem análoga à modelagem nas ciências naturais (Matemática, Física,
Química, Biologia, etc.), em que se busca demonstrar os comportamentos de
entidades pertencentes a estes dois campos.

A modelagem é a tarefa mais delicada em BI, pois a extração de informações


úteis e de qualidade depende de modelos adequados. A segunda questão
(anteriormente apresentada) é respondida com os inúmeros modelos eficientes
que as ferramentas de modelagem geram para o uso em BI.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 211


U4

Pesquise mais
Não é por acaso que a área de saúde foi escolhida para a situação geradora
de aprendizado para essa unidade: é uma das áreas que mais se beneficia
hoje em dia dos processos, técnicas e ferramentas de BI. Onde mais, no
setor de saúde, podemos aplicar técnicas de BI? Como estas técnicas
podem beneficiar as instituições ligadas à saúde? Faça uma pesquisa
sobre este assunto para discussão com seus colegas.

Comece pelo artigo a seguir:

OLIVEIRA, Daiane Kelly de; ALVES, Dorirley Rodrigo. Business Intelligence


aplicado à área da saúde: potencializando a tomada de decisão.
Disponível em: <[Link]
download/6598/3744>. Acesso em: 26 fev. 2016.

Ferramentas de BI

Hoje em dia, existem inúmeras ferramentas que apoiam a disciplina de BI. A


seguir, veremos algumas delas, a título de ilustração, para que você saiba o que pode
ser automatizado e como as tarefas podem ser integradas em BI (GROSSMANN e
RINDERLE-MA, 2015):

• Protègè (Site: <http:/ / [Link]/>) – Ferramenta de modelagem


que permite a definição de ontologias para modelagem de dados, bem como o
mapeamento entre ontologias diferentes. Fenômenos, dados e teorias podem
ser modelados por meio dessa ferramenta, que, além de gratuita, possui código
aberto (open source).

• COMA 3.0 (Site: <http:/ / [Link]/ Research/ [Link]>) – Ferramenta


para mapeamento e correspondência entre esquemas e ontologias. Também se
trata de uma ferramenta gratuita e de código aberto.

• Suíte Hadoop (Site: <http:/ / [Link]/ >) – Conjunto de ferramentas


de integração de grandes massas de dados por meio de ferramentas de ETL
(Extract-Transform-Load, ou Extração-Transformação-Carga). Também se trata de
uma ferramenta gratuita e de código aberto.

• Pentaho (Site: <http:/ / [Link]/ >) – Ferramenta para análise


de grandes massas de dados (Big Data). O Pentaho transformou-se em uma
comunidade, que cria “plugins” (adendos) para a ferramenta, plugins esses que
permitem os mais variados tipos de análises. A ferramenta é gratuita, mas muitos
dos plugins são vendidos pelos participantes da comunidade.

212 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Há várias outras ferramentas para auxiliar nos processos de BI, mas estas
englobam as principais classes e funções, exceto as funções de Data Mining e Data
Warehouse, que serão vistas nas seções seguintes dessa unidade.

Vocabulário

Ontologia: é o nome que se dá à nomenclatura, bem como à definição


dos tipos, propriedades e inter-relacionamentos entre entidades em um
banco de dados.

Esquema: estrutura formal de um banco de dados.

Sem medo de errar

Os seguintes passos podem ser seguidos para resolver a SP, justificando o uso
de BI no projeto da Coração D’Or:

1. Para ajudar os executivos da Coração D’Or a entenderem o que é BI, você


pode começar explicando que BI não é apenas uma ferramenta de TI, mas, sim,
uma disciplina completa, que envolve métodos, processos e tecnologia, e que
essa disciplina presta-se a coletar e analisar os dados à disposição da organização,
transformando-os em informações úteis, de qualidade e disponíveis para a tomada
de decisões. Pode-se, ainda, apontar o fato de que o setor de saúde é bastante
propício para BI, com inúmeros casos de sucesso, em que as instituições hoje
tomam melhores decisões e têm mais vantagens no mercado em função das
informações disponibilizadas pela BI.

2. Em seguida, você deve contextualizar as várias possibilidades de utilização


de BI dentro da Coração D’Or, fornecendo exemplos para cada um dos tipos de
projeto de BI que podem ser realizados:

a) BI no contexto tático – um exemplo seria a utilização de BI para avaliar os


fornecedores de serviços de limpeza, identificando aqueles que prestam serviços
mais adequados para evitar infecções hospitalares.

b) BI no apoio ao desempenho estratégico – um exemplo seria a utilização de


uma análise de BI para descobrir qual o perfil do cliente mais propenso a utilizar
serviços de laboratório da instituição, criando uma campanha específica de
marketing para atrair mais clientes deste perfil.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 213


U4

c) BI no apoio ao refinamento de estratégias – um exemplo seria a efetividade


das campanhas de educação continuada da equipe de enfermeiros e técnicos
na melhoria da qualidade dos serviços prestados, digamos, em atendimento a
parturientes.

d) BI como recurso estratégico – um exemplo seria utilizar as análises de vários


mercados para decidir em qual grande centro abrir um hospital de alto padrão de
forma a maximizar o retorno sobre os pesados investimentos que serão necessários.

3. Por fim, podemos sugerir a Suíte Hadoop, como conjunto de ferramentas


para extração de dados e análise em grandes massas de dados, presentes nos
bancos de dados e sistemas de informação da Coração D’Or.

Atenção!

É importante lembrar que BI não se limita à tecnologia: é uma disciplina


que envolve também métodos e processos.

Lembre- se

A qualidade das informações obtidas por meio da BI depende sobremaneira


da qualidade da modelagem de dados e processos. Mais informações
sobre o assunto podem ser obtidas no artigo:

SOUZA, César Alexandre; SZAFIR-GOLDSTEIN, Cláudia. Tecnologia da


Informação aplicada à Gestão Empresarial: Um Modelo para a Empresa
Digital. Revista Técnica Administrativa, v. 4, n. 2, maio/jun. 2005.
Disponível em: <[Link]
[Link]>. Acesso em: 26 fev. 2016.

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is co m pare - as co m a de
se us co le gas.
“BI n a in d ú stria d e h o te laria”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Co nh ecer e co m pre en de r as prin cipais tecno lo gias
d e á re a re lacio nadas à info rm ação e à co m un icação .

214 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Co n he ce r o s principais co n ce ito s e a aplicabilidade da


2. Ob je tivo s d e ap re n d iza g e m
Inte ligên cia de Ne gó cio s (Busine ss Inte llige nce ).
Intro du ção à arquite tu ra e aplicabilidade de Busine ss
3. Co n te ú d o s re la cio n ad o s Inte llige nce para a co leta, an álise e co m partilham e n to de
dado s.
Um a re de de ho té is de luxo e stá em busca de no vo s
m e rcado s e decidiu- se pe la co sta brasile ira co m o de stin o de
4. De scriçã o d a SP
se us pró xim o s ho téis de verane io. Mo stre duas fo rm as co m o
a BI po de au xiliar e ssa rede de h o téis n o pro jeto em que stão .
1. A re de de ho té is po de buscar e m seus ban co s de dado s
in fo rm açõ e s ace rca do s clie n te s m ais assíduo s durante o s
perío do s de baixa tem po rada em m etró po les se m praia
e que , ao m e sm o te m po , se jam clie n te s “e scasso s” e m
perío do s de alta te m po rada. Este co n jun to de clie ntes é de
alto padrão (utiliza o s h o té is de luxo co m fre quê n cia), m as
freque nta o utro s lu gares para as fé rias. Um a cam panh a de
m arke tin g dirigida a e sse s clie n te s o fe re ce ndo de sco n to s em
5. Re so lu çã o d a SP e stadias no s no vo s h o téis de ve ran e io para o s que atin girem
n íve is de e stadia no s ho té is m e tro po litano s (digam o s, cada
de z estadias no s ho té is m e tro po litan o s ge ram u m dia
de e stadia n o s ho té is de verane io ) de ve gerar resultado s
e xce le n te s para a re de de ho té is.
2. Um a análise nas bases de dado s de pesquisas realizadas
pelo s hotéis po de dar indicações m ais precisas das lo calidades
preferidas de veraneio do s hó spedes m e tropolitano s,
auxiliando na escolha do s lo cais do s novo s ho téis.

Lembre- se

Nessa seção vimos que a BI pode ser aplicada em quatro níveis: tático,
apoio ao desempenho estratégico, apoio ao refinamento de estratégias e
como recurso estratégico.

Faça você mesmo

Entre as várias técnicas de BI, existe a OLAP (Online Analytical Processing


ou Processamento Analítico On-Line). Descreva em que consiste essa
técnica e suas aplicações principais.

Um bom ponto para começar a pesquisa necessária é o artigo:

ANZANELLO, Cynthia aurora. ÖLAP: Conceitos e Utilização”. Disponível


em: <[Link]
Conceitos%[Link]>. Acesso em: 26 fev. 2016.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 215


U4

Faça valer a pena

1. Observe o texto a seguir:


Por mais que apenas na última década o termo “Business Intelligence”
(BI) tenha se tornado alvo de estudos generalizados por parte das
instituições de pesquisa e foco das atenções de corporações e outras
instituições, esse termo não é nada novo. Luhn (1958) propôs o termo
e seu significado para futuros pesquisadores, e, se naquela época o
hardware e o software disponíveis permitiam apenas uma pequena
fração da capacidade de processamento e análise a que temos acesso,
hoje, os estudos iniciais já apontavam para resultados que em nossos dias
já são possíveis: a tomada de decisões apoiada em dados da instituição.
Com base no texto anterior, é possível afirmar que:
a) BI é uma disciplina que tem dez anos de idade.
b) O objetivo da BI é estudar a inteligência humana.
c) BI atende apenas a uma pequena fração da capacidade de
processamento e análise de dados.
d) Os estudos iniciais de BI foram descartados nos dias de hoje.
e) O termo “Business Intelligence” foi cunhado em 1958.

2. Sobre a queda dos preços de armazenamento que vem ocorrendo no


mercado, podemos afirmar que:
a) É um fenômeno que vem ocorrendo desde o início da década de 1980.
b) De 1980 para 1987, o preço do armazenamento caiu para 1/50 do
que era.
c) O preço do Megabyte de armazenamento caiu para US$0,03 em 2014.
d) No ano 2000 o preço do Megabyte era de US$10,00.
e) Com o valor pago em 1980, em 2014 seria possível comprar
10.000.000 de vezes a quantidade de armazenamento.

216 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

3. Observe as características da BI na coluna da esquerda e as definições


da coluna da direita:
I. Função. A. Decisões estratégicas são tomadas com base
em informações empíricas.
II. Fundamentação. B. As análises necessárias, no tempo adequado,
para as pessoas corretas dentro da instituição.
III. Implantação. C. Dar apoio à tomada de decisões.

IV. Entrega. D. Sistema de informações que se assenta sobre


a infraestrutura de TI e comunicação digital.
Qual das alternativas, a seguir, faz a correta correspondência das colunas?
a) I- A, II- B, III- C, IV- D.
b) I- B, II- A. III- D, IV- C.
c) I- C, I- D, III- A, IV- B.
d) I- C, II- A, III- D, IV- B.
e) I- D, II- C, III- B, IV- A.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 217


U4

218 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Seção 4.3

Etl, data warehouse e data marts

Diálogo aberto

Olá!
Vamos fazer uma breve recapitulação do que vimos nesta unidade até agora,
de forma a entendermos o que vem daqui para frente. Então vamos lá!
Começamos a unidade conhecendo os conceitos de Gestão do Conhecimento
e entendemos como esta disciplina visa colocar o conhecimento no centro das
atenções de uma organização, como um dos mais importantes ativos (senão o
mais importante) para se atingir o sucesso no mercado. Vimos, em seguida, os
conceitos de Business Intelligence (BI) e entendemos que este campo de estudos
visa dar, aos executivos de uma organização, insumos — extraídos dos dados
presentes nos dados à disposição desta organização —que permitam uma melhor
tomada de decisão.
Agora é a hora de conhecermos algumas das ferramentas que apoiam tanto a BI
quanto a Gestão do Conhecimento. Essas ferramentas, isto é, o Data Warehouse,
que usa as técnicas de ETL e os Data Marts, fornecem toda a infraestrutura para
que as informações de valor sejam identificadas a partir dos dados.
Essas ferramentas são necessárias por uma razão simples: a complexidade dos
sistemas de informação das organizações cresceu em algumas ordens de grandeza
nestas últimas três décadas. E isto, como já vimos, tem implicado no crescimento,
na mesma medida, tanto dos sistemas que dependem de bases de dados quanto
das massas de dados armazenadas nesses sistemas. Ou seja: elas não só são
fundamentalmente necessárias, o desempenho das organizações depende delas.
Nesta etapa, você deve mostrar aos executivos da Coração D’Or que caminhos
devem seguir no sentido de implantar uma operação de Data Warehouse na
instituição, primeiramente expondo o porquê da necessidade dessas ferramentas
e, em seguida, expondo seus conceitos, suas vantagens e seus desafios.
Assim, pretendemos que você conheça e compreenda as principais tecnologias
relacionadas à informação e à comunicação, com o objetivo de conhecer os
conceitos de Data Warehouse, bem como as principais técnicas para lidar com
grandes quantidades de dados (Big Data).
Pronto para mais essa aventura?
Então vamos lá!

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 219


U4

Não pode faltar


Depois de entender o que é e para que serve a BI, fica a pergunta: como fazer
para juntar todos os dados disponíveis, mantendo-os seguros e íntegros, e como
disponibilizar esses dados para os sistemas que farão a extração de informações
úteis dos mesmos? É aí que entram os conceitos que veremos a seguir.
Visão geral
É importante observar que os três conceitos principais a serem cobertos nesta
seção estão intimamente ligados. São eles:
• Data Warehouse.
• ETL.
• Data Marts.
Um modelo representativo desses conceitos e de suas relações pode ser
encontrado na Figura 4.1, a seguir:
Figura 4.1 | Modelo Representativo de ETL, Data Warehouse e Data Marts

Fonte: Adaptado de Baltzan e Phillips (2013).

22 0 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

É claro que para entender essa figura de forma abrangente, você precisa saber
o que são os conceitos principais, não é verdade? Então, vamos a eles.

4.3.2 Data Warehouse

A tradução do termo Data Warehouse já dá uma ideia do para que serve esta
ferramenta: em português, o termo significa ‘armazém de dados’. Da mesma forma
que em um armazém físico armazenamos vários tipos de mercadorias — muitas
vezes provenientes de vários fornecedores diferentes — em um Data Warehouse
armazenamos dados. ‘Como assim? Mas não é exatamente este o conceito de
banco de dados?’, você, que é astuto, pode perguntar. E se você fizer esta pergunta,
isto significa que está prestando devida atenção às nossas aulas. Sim, em essência,
um Data Warehouse é um banco de dados, mas também é muito mais do que isso.

Baltzan e Phillips (2013) definem Data Warehouse como sendo uma coleção
de dados provenientes de vários bancos de dados, armazenados e organizados de
forma a permitir análises que objetivam a combinação de dados para a identificação
de padrões e informações.

Assimile

O Data Warehouse centraliza e normatiza (cria regras de relacionamento


entre as tabelas de um banco de dados, de forma a reduzir as possibilidades
de existir inconsistências e redundâncias) dados de vários bancos de
dados disponíveis na organização (BALTZAN; PHILLIPS, 2013).

A Figura 4.1 mostra o Data Warehouse no centro e evidencia o recebimento de


informações que são armazenadas em bancos de dados locais (internos) e remotos
(externos). Cada um desses bancos de dados é criado, mantido e utilizado por
diferentes sistemas de informação. Esses sistemas têm seus objetivos específicos
para os dados que mantêm e pouco se conversam. O mesmo ocorre com os
bancos de dados externos (e, mais acentuadamente, no caso dos bancos de dados
externos que não se conversarem).

O Data Warehouse da organização tem por responsabilidade receber e


organizar as informações de todos os bancos de dados, internos e externos, que
estão à disposição, mantendo três características dos dados:

• Coesão – Os dados são organizados em estruturas (registros, como já vimos


anteriormente) e as relações entre os elementos dessas estruturas devem ser mantidas
quando o banco de dados em questão for importando para o Data Warehouse.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 221


U4

• Integridade – Além da estrutura coesa, os dados em si devem ser importados


sem quaisquer variações, refletindo exatamente o que estava armazenado nos
bancos de dados originais.

• Segurança de acesso – Os dados importados devem estar livres de acessos


não autorizados e sempre disponíveis para acessos autorizados.

O conceito de Data Warehouse endereça cinco desafios operacionais que


dificultam que as análises gerem valor para os negócios de uma organização
(BALTZAN; PHILLIPS, 2013):

• Inconsistências nos modelos dados – Cada sistema de informação define


estruturas de dados da forma que mais lhes é útil e não é de se estranhar que
inconsistências surjam entre sistemas diferentes.

• O Data Warehouse tem em seu cerne os mecanismos para endereçar


esta questão, identificando a forma mais adequada para o armazenamento das
estruturas e gerando, neste processo, a consistência necessária para que os dados
— independentemente de sua proveniência — sejam consistentes com dados de
mesma natureza vindos de outros sistemas de informação.

• Inconsistências nos formatos dos dados – O mesmo problema que ocorre


na estrutura também ocorre no formato dos dados em si: unidades de medida
ou ordem de grandeza nas dimensões (granularidades das dimensões) diferem,
formatos diferem, e por aí vai.

• O Data Warehouse endereça esta questão, parametrizando e


padronizando os formatos e dimensões de dados.

• Baixa qualidade dos dados – Os dados, quando presentes, podem ter sido
coletados erroneamente, ou podem ser incompletos.

o Aqui, o Data Warehouse ajuda de uma forma diferente: análises feitas com
dados de baixa qualidade geram resultados discrepantes das demais análises
possíveis, apontando aos usuários a necessidade de melhorar-se a qualidade dos
dados errôneos, e que dados são esses.

• Baixa utilidade dos dados – Se a especificação do sistema e/ou a modelagem


dos dados não foram bem feitas ou se no meio do caminho as necessidades foram
refinadas e os modelos anteriores já não são totalmente adequados, o resultado é uma
coleta de dados de utilidade duvidosa, de pouco valor para as análises de negócio.

• O Data Warehouse ajuda tanto a identificar os dados inconsistentes


(pois como no caso anterior as análises serão visivelmente discrepantes) quanto
na provisão de dados adequados, pois os mesmos podem vir de outros sistemas,
melhor definidos e com coleções mais úteis de dados.

2 22 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

• Acesso direto ineficiente aos dados – Um sistema feito para criar e acessar
dados para uso em um departamento pode ser de difícil acesso ou de uso
inconveniente em outro (se é que haverá autorização para acesso em outros
departamentos).

• O Data Warehouse, por ter acesso a todos os dados e por ter a função de
disponibilizar esses dados de maneira organizada e eficaz, resolve este problema,
aliás, uma de suas principais razões de existir.

Extract, Transform, Load (ETL)

A expressão Extract, Transform, Load (ETL) já tem em sua tradução o significado


de sua função: extração, transformação e carregamento. De quê? A resposta
agora é já bem óbvia: de dados. Os autores Vaisman e Zimányi (2014) definem
ETL como sendo o processo pelo qual os dados presentes em bancos de dados
internos e externos são extraídos, transformados (padronizados, normatizados)
e carregados no Data Warehouse, estando disponíveis para novos processos de
ETL que os disponibilizarão de forma mais adequada para análises nos vários Data
Marts dedicados (a serem vistos mais à frente).

Esses processos de ETL estão representados na Figura 4.1, na qual podemos ver
que eles configuram as ações principais em um ambiente de Data Warehouse. Se o
Data Warehouse é o armazém em que os dados são armazenados e organizados, o
ETL são as empilhadeiras e seus operadores, que se ocupam de buscar dados e de
armazená-los no local adequado (e da forma correta) no Data Warehouse. Ainda nesta
metáfora das empilhadeiras e de seus operadores, o ETL também atua ‘desempilhando’
os dados do Data Warehouse e disponibilizando-os para os Data Marts.

Segundo Silvers (2008), os processos de ETL materializam-se como um


conjunto de aplicações ou de módulos de uma aplicação maior de ETL, em outras
palavras: enquanto o Data Warehouse é um grande banco de dados unificado, o
ETL é, essencialmente, software.

Reflita

O Data Warehouse é a massa de dados, enquanto o ETL são as ações


que devem ser realizadas sobre essa massa de dados para normatizá-los e
disponibilizá-los para as análises (SILVERS, 2008).

A função principal do ETL é fazer a integração dos dados, apresentando-os de


maneira uniforme dentro do Data Warehouse (KIMBALL; ROSS, 2013).

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 23


U4

Esta uniformidade é atingida por meio da normatização de três elementos dos


dados, a saber (SILVERS, 2008):

• Forma – O ETL deve normatizar a forma com que o dado é expressado,


criando uma forma comum para dados de todas as proveniências.

• Função – Em muitos casos, códigos são usados para representar situações


dentro de um sistema, e um mesmo código pode ter significados distintos em
sistemas diferentes. O ETL deve criar um conjunto comum de códigos, mantendo
uma tabela de tradução para evitar ambiguidades e manter significados coerentes.

• Granularidade – Setores diferentes podem usar unidades de medida e/ou ordens


de grandeza diferentes para o mesmo insumo. O ETL deve prover uma dimensão e
uma unidade de medida comum, mantendo tabelas de tradução entre elas.

Exemplificando

Forma: o nome de uma pessoa pode ser quadrado como “Nome


Sobrenome”, ou como “Sobrenome, Nome”.

Função: o código 27B pode significar “chamado atendido” para o suporte


de TI e “pedido em falta” para o setor de suprimentos. O ETL vai criar um
sistema interno de códigos que evita a ambiguidade, mas permite que os
significados mantenham-se e sejam usados em análises.

Granularidade: o setor de transporte pode transportar um insumo medido


em contêineres, enquanto o setor de compras adquire o mesmo insumo
em tambores de 200 litros, ao mesmo tempo que o setor de vendas
vende o produto final em litros no varejo.

Os analistas responsáveis pela operação do ETL, ainda segundo Silvers (2008,


p. 227), “são responsáveis por fazer com que a filosofia do Data Warehouse
ocorra”. Esta cham ada “filosofia” m aterializa-se em cinco pontos im portantes
(SILVERS, 2008):

• Integração de Dados – As aplicações ETL agregam dados de fontes diferentes


dentro do Data Warehouse, independentemente da fonte, forma, função ou
granularidade dos dados.

• Não Volatilidade – Novos dados são inseridos sem que os dados antigos
sejam destruídos, preservando todos os dados.

• Respeito às Variações de Tempo – O ETL preserva o tempo em que os dados

2 24 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

foram criados, preservando a história das transações.

• Uma Versão da Verdade – As aplicações de ETL remetem-se a apenas um


padrão de modelagem e armazenamento.

• Investimento de Longo Prazo – Os dados são populados no Data Warehouse


e lá mantidos indefinidamente, podendo ser analisados a qualquer momento,
preservando a longo o investimento neste ferramental.

Pesquise mais

Leia o artigo:

SILVA, Luís Alexandre da et al. Proposta de Data Warehouse para


ser Consumido por Gestores de Produção. Disponível em: <http://
w w w .[Link] [Link]/ [Link]/ em _debate/ artic le/
download/27/28>. Acesso em: 22 mar. 2016.

Data Marts

Quando você olha para a Figura 4.1 e reconhece que todos os elementos a
menos de ETL são bancos de dados, naturalmente pode concluir que os Data
Marts também são bancos de dados, certo? Certíssimo! Os Data Marts são Bancos
de Dados, sim, contudo, são bancos de dados com características e propriedades
lógicas diferentes dos demais. Diferentes até mesmo do Data Warehose, como
veremos a seguir.

O Data Mart, na definição de Baltzan e Phillips (2013), é um repositório de


dados específicos, um subconjunto dos dados mantidos no Data Warehouse. Uma
distinção que ajuda a esclarecer a diferença entre o Data Warehouse e o Data
Mart é a seguinte: o Data Warehouse tem um foco organizacional (seu objetivo é
organizar e disponibilizar os dados), enquanto o Data Mart tem um foco funcional
(seu objetivo é disponibilizar dados que tenham alguma função específica para um
grupo dentro da organização).

Quando analisamos o termo Data Mart podemos traduzi-lo do inglês para o


português como ‘mercearia de dados’. Neste sentido, enquanto o Data Warehouse
pode ser imaginado como um enorme armazém, agrupando tudo quanto é tipo de
dado, independentemente do propósito ou da proveniência, o Data Mart pode ser
imaginado como uma pequena mercearia especializada em algum dos aspectos
de dados disponíveis no Data Warehouse. Essa mercearia vai atender a alguma
necessidade específica de análise por parte dos usuários.

Existem várias justificativas para a criação de Data Marts (SILVERS, 2008):

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 225


U4

• Acesso eficiente aos dados de interesse – Mesmo que os Data Warehouses


permitam acesso a todos os dados de uma organização, o volume de dados
armazenado pode tornar o processo de busca e agregação bastante complexo. A
criação de um Data Mart específico para os dados que se quer analisar gera este
processo de agregação apenas uma vez, disponibilizando-os todos no Data Mart
em questão. A partir daí as análises ficam bem mais eficientes, pois o volume de
dados é reduzido sobremaneira.

• Segregação de acesso a dados sensíveis – Mesmo que o Data Warehouse


permita segurança de acesso, o fato é que alguns dados corporativos têm uma
sensibilidade estratégica enorme para a organização. Dados financeiros e dados de
investimentos são sempre tratados com o maior cuidado. Dados sensíveis devem
fazer parte destas análises estratégicas e Data Marts específicos com segurança
própria auxiliam a manter o sigilo das informações sensíveis neles presentes.

• Análises de Cenário – Em muitos casos, as análises de dados de determinada


natureza ou de determinada área beneficiam-se da presença dos dados do setor
de negócios. A presença dos dados de negócio permite perguntas do tipo ‘e se
acontecer uma determinada situação no mercado interno ou externo?’ Perguntas
como essa são chamadas de “análises de cenários” e exploram possibilidades,
provendo insumos importantes para a tomada de decisão. Só são possíveis, no
entanto, se agregamos informações de outra forma vistas como ‘disjuntas’ em um
mesmo Data Mart.

É importante observarmos que a manutenção e o gerenciamento dos Data


Marts fica a cargo dos analistas que utilizam os dados contidos nestes repositórios,
descentralizando o controle das ações sob responsabilidade dos analistas que
cuidam do Data Warehouse.

Faça você mesmo

Procure inteirar-se da estrutura de uma empresa nacional de grande porte


qualquer. Tente identificar, no organograma da empresa, setores que
tenham informações sensíveis ao negócio, que devam ser segregadas
e protegidas.

SEM MEDO DE ERRAR!


O processo de implantação das ferramentas de Data Warehouse na Coração
D’Or deve seguir passos que construam, para os executivos daquela instituição, a
visão de que as ferramentas serão de fato fundamentais para o processo de Gestão
do Conhecimento em andamento. Um dos caminhos possíveis para a resolução
da situação proposta é o seguinte:

22 6 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

1. Fazer um levantamento dos sistemas de informação atualmente em operação


na Coração D’Or, destacando os tipos de dados disponíveis e informando com
quais outros (se é que há algum) sistemas de informação pode-se trocar dados.

2. Citar alguns dos sistemas de informação levantados que não conversam com
outros sistemas, apontando os dados que poderiam ser úteis se fosse possível
combiná-los com outros dados à disposição da Coração D’Or.

3. Mostrar, por meio de uma adaptação da Figura 4.1, o diagrama genérico de


um Data Warehouse, destacando que os dados coletados são unificados, e a partir
daí podem ser analisados conjuntamente.

4. Mostrar como funciona o processo de ETL, destacando que esse processo


resolve inconsistências de forma, função e granularidade, disponibilizando um
conjunto coeso e completo de dados par as análises.

5. Mostrar que os Data Marts tornam as análises mais eficientes e que algumas
análises de cenários são possíveis graças a eles e à segurança que proveem.

Ao final deste trabalho, os executivos da Coração D’Or terão condições de


apreciar o valor do Data Warehouse e estarão prontos para discutir o planejamento
de sua implantação na organização.

Atenção!

O levantamento de sistemas de informação em operação dentro da


empresa é fundamental, pois dá a dimensão dos dados e uma visão livre
de obstáculos do fato de que a maioria dos sistemas não se conversa
(BALTZAN; PHILLIPS, 2013).

Lembre- se

Forma: como o dado é armazenado, seu formato.

Função: qual o significado de um dado, ou seja, para que ele serve.

Granuladidade: dimensão e unidade de um dado.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 27


U4

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru çã o
De sa am o s vo cê a praticar o que apre n de u, transferin do se us co nh ecim e nto s para n ovas situaçõ e s
que po de en co ntrar no am bien te de trabalho . Re alize as atividade s e depo is co m pare - as co m a de
se us co le gas.
“Re so lve n d o p ro ble m a s d e ace sso a o s d a d o s p o r m e io d e Da ta Wa re h o u se”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Co n he cer e co m pre en de r as prin cipais tecno lo gias
d e á re a re lacio nadas a info rm ação e a co m un icação .
Co n he cer o s prin cipais co nceito s pe rtine ntes a Data
2. Ob je tivo s d e a p re n d izag e m Wareh o use , bem co m o as prin cipais té cn icas para lidar co m
gran de s quan tidades de dado s (Big Data).
Apre sen tação da ETL, Data Wareh o use e Data Marts para
3. Co n te ú d o s re la cio n a d o s
arm aze nam en to e an álise de grande quan tidade de dado s.
O em pre sário e en ge nh eiro Je fe rso n Scarafaggio é
pro prie tário de um a rm a de e nge nh aria que co n stró i
edifício s de gran de po rte e m to da a Am é rica Latina.
Re ce nte m e nte ch ego u à ate nção de J efe rso n que vário s
do s siste m as de info rm ação e m o pe ração em sua rm a
não se co nve rsam , po is o s dado s são m o de lado s de fo rm as
4. De scriçã o d a SP
dife ren te s e m cada um deles, h á e no rm e s difere n ças n o s
fo rm ato s, fun çõ es e gran ularidade s do s dado s, e não é
co nve nie nte (em m uito s caso s n ão é ne m po ssíve l) o ace sso
ao s dado s po r pe sso al de difere n te s seto re s da e m pre sa.
Co m o o s co n ce ito s de Data Wareh o use po de m auxiliar
Je ferso n e sua e m pre sa?
No caso da in co nsistên cia no s m o de lo s de dado s, o Data
Wareh o use re so lve o pro blem a criando um m o de lo pró prio
qu e un i ca e m an té m a co e rê ncia do s dado s pro ven ie ntes
de o utro s siste m as.
No caso do s difere n te s fo rm ato s, fun çõ es e gran ularidade ,
o Data Ware ho use tam bé m o s un i ca, po r m eio de
5. Re so lu çã o d a SP
um pro ce sso de un i cação de to do s este s atributo s,
ho m o ge n eizando o s dado s de to do s o s siste m as que o
alim e n tam .
Po r m , utilizan do o s Data Marts, o ace sso ao s dado s to rn a-
se m ais co nve n ie n te , dado o bviam e nte que o s u su ário s
te n ham dire ito a ace ssar o s dado s ao s quais bu scam .

Lembre- se

O Data Warehouse é o grande unificador de dados dentro da empresa,


organizando-os e disponibilizando-os de maneira unificada para análises
de tomada de decisão.

22 8 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Faça você mesmo

Identifique os passos, desafios e soluções para a criação de Data Marts a


partir de um Data Warehouse. Um bom ponto para se iniciar esta tarefa
é o artigo:

CAMPOS, Maria Luiza M.; BORGES, Vania de Jesus A. S. Diretrizes para a


Modelagem Incremental de Data Marts. Disponível em: <[Link]
[Link]/colecoes/sbbd/2002/[Link]>. Acesso em: 09 mar. 2016.

Faça valer a pena

1. Uma tradução adequada para o termo Data Warehouse é:


a) Supermercado de Dados.
b) Mercearia de Dados.
c) Armazém de Dados.
d) Almoxarifado de Dados.
e) Pátio de Dados.

2. O Data Warehouse pode ser interpretado como um mecanismo de


apoio à tomada de decisões, como um mecanismo de unificação e
organização de dados ou como uma ferramenta tecnológica. Contudo,
em sua essência, podemos afirmar que um Data Warehouse não deixa
de ser:
a) Um grande complicador.
b) Uma ferramenta obsoleta.
c) Um supercomputador.
d) Um banco de dados.
e) Um aplicativo móvel.

3. Observe os elementos a seguir:


I. Coesão.
II. Integridade.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 229


U4

III. Segurança de Acesso.


IV. Duplicidade.
Qual das alternativas a seguir contém apenas características do dado
preservadas pelo Data Warehouse?
a) I, II e III, apenas.
b) I, II e IV, apenas.
c) I, III e IV, apenas.
d) II, III e IV, apenas.
e) I, II, III e IV.

2 30 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Seção 4.4

Olap e data mining


Diálogo aberto

Olá!

Iniciamos agora nossa última seção da unidade de Gestão do Conhecimento e


de nossa disciplina de Sistemas de Informação. Estamos terminando e, depois de
um semestre muito intenso e gratificante de aprendizado, é hora de olharmos para
o que temos pela frente e movermo-nos em direção ao futuro. Os assuntos aqui
vistos são bastante ricos e muitos outros aprendizados esperam-nos.

Começamos essa unidade falando acerca da Gestão do Conhecimento, ou


seja, das técnicas envolvidas em se cuidar do maior ativo de toda a organização:
o conhecimento de seus colaboradores individuais e o conhecimento coletivo
da organização em si. Demos continuidade a este processo conhecendo os
conceitos de Business Intelligence (BI), ou Inteligência de Negócios, e como as
decisões estratégicas beneficiam-se (e muito) das informações que podem ser
extraídas dos dados à disposição da organização. O processo de BI alicerça-se
sobre dois mecanismos mais próximos da TI: o primeiro é o Data Warehouse, uma
forma de se centralizar e organizar os dados todos em um grande armazém de
dados; o segundo, que veremos nessa seção, é o Data Mining, o mecanismo que
permite a busca de informações úteis em meio as grandes massas de dados.

Em nosso projeto com a Coração D’or, está na hora de mostrar aos executivos
da organização que é possível utilizar a enorme massa de dados que a organização
vem arregimentando desde sua formação, mais de vinte anos atrás. Você deverá
mostrar-lhes o que é Data Mining, para que serve este conceito e como as técnicas
de Data Mining podem auxiliar a Coração D’or. Em sua apresentação, não deixe de
destacar a natureza das previsões possíveis com esta técnica, nem de explicar por
que este ponto é de suma importância.

E aí, pronto para mais esta aula? Então, siga em frente e bons estudos!

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 31


U4

Não pode faltar


Pergunte a qualquer vendedor corporativo, destes que vão de empresa em
empresa oferecendo seus produtos e serviços, se vale a pena ficar visitando
clientes mesmo sem que haja eventos de venda ou de demonstração ocorrendo
por lá, e a resposta será um clamoroso ‘claro que vale a pena!’ todas as vezes que
você perguntar.

O motivo dado por eles é simples: quanto mais presente junto ao cliente,
melhor o relacionamento e maior a confiança. Verdade, claro, mas não é só
isso: quanto mais presente no dia a dia cliente, mais dados o vendedor consegue
juntar acerca do que ocorre dentro daquela empresa, podendo identificar se, em
função dos acontecimentos, as chances são maiores ou menores de estreitar
o relacionamento ou de oferecer um produto específico. Em meio a todos os
acontecimentos, ele fica atento, prestando o máximo de atenção que consegue,
em busca daquela sequência de acontecimentos que lhe mostre que o momento
é favorável ou que é melhor sair do caminho por ora.

Sem saber, esse vendedor experiente é um expert em Data Mining.

Pesquise mais
Técnicos e treinadores de futebol têm no Data Mining uma fonte valiosa
de informações sobre como melhorar o desempenho de seus atletas. Os
estudos estatísticos sobre posicionamento dos atletas (goleiro e jogador),
bem como sobre as execuções das ações durante uma cobrança de pênalti
no futebol, são exemplo disso. O artigo a seguir versa sobre este assunto:

WISIAK, Martin; CUNHA, Sergio Augusto. Análise da Antecipação do


Goleiro em Cobrança de Pênaltis. Disponível em: <[Link]
[Link]/[Link]>. Acesso em: 19 mar. 2016.

O que é Data Mining?

Em livre tradução, a expressão Data Mining significa “mineração de dados” e,


em função das ações realizadas sobre os dados, poderíamos também traduzi-la
como “garimpo de dados”. O termo justifica-se porque se trata de um conjunto
de mecanismos que visam varrer detalhadamente os dados, combinando-os de
várias formas, com o objetivo de identificar padrões que lhes deem sentido. Neste
sentido, assemelha-se à mineração de um terreno em busca de metais ou pedras
preciosos, só que no caso o “terreno” é uma enorme massa de dados, e o que há
de precioso são os padrões que podem emergir desses dados.

2 32 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Linoff e Berry (2011, p. 117) definem Data Mining como sendo “um processo
de negócios que permite explorar grandes massas de dados com o intuito de se
descobrir regras e padrões significativos”, e essa definição merece ser quebrada
em três partes para uma análise mais detalhada:

• Processo de Negócios – É um processo, no sentido do termo que abrange


a administração, é uma ação contínua, isto é, que, após se iniciar, não para mais.
Pense em uma linha de fabricação de automóveis em uma montadora: uma
vez que se começa a montar automóveis, não vai parar mais por muitos anos,
produzindo sempre automóveis a serem vendidos. É uma ação contínua. É,
também, um processo de negócios, porque, em que pese ser um mecanismo de
processamento e análise de dados (ou seja, ligado à TI), seu objetivo principal é
levantar informações úteis à condução dos negócios da organização. Ele depende
de outros processos de negócio para coletar os dados e serve a processos de
negócio que usam seus resultados na tomada de decisão.

• Grandes Massas de Dados – A expressão ‘grandes massas de dados’ não


tem definição formal, claro, e sua quantificação, qualquer que seja, será arbitrária.
Ocorre que, com a redução dos preços de armazenamento provisório (memória
RAM) e permanente (HD), podemos nos dar ao luxo de armazenar cada vez mais
dados. Grandes massas de dados são aquelas que não conseguimos processar
utilizando, por exemplo, o Microsoft Excel ou outra planilha eletrônica. O Microsoft
Excel consegue desde sua versão de 2007 lidar com mais de um milhão de linhas
de dados, e o que consideramos ser ‘Big Data’ hoje em dia (uma expressão criada
para reduzir a expressão “grandes massas de dados”) é medido em terabytes.
Processos de análise de dados devem ser extremamente otimizados para lidar
com estas quantidades de dados, pois não estamos mais falando, digamos, dos
automóveis mais eficientes em consumo de combustível no mercado brasileiro,
mas, sim, de algo na linha de quais são as características econômicas e sociais dos
brasileiros mais propensos a comprar um automóvel eficiente no consumo de
combustível. Dá para entender a diferença de dimensão?

• Regras e Padrões Significativos – Em muitos casos é até que bem fácil


encontrar padrões em meio a massas de dados. Analisando-se os dados de uma
grande loja de departamentos não é de se estranhar verificar que ano a ano há um
aumento na venda de adornos de Natal, que começa em novembro e vai até o fim
de dezembro, para cair a níveis irrelevantes até o mesmo período no ano seguinte.
Em que pese este padrão ser bastante útil para a identificação do tamanho do
estoque de adornos de Natal a loja deve manter para não perder vendas nem para
ficar com estoque extra desnecessário, os donos da loja vão precisar de muito
mais se quiserem ser realmente efetivos em seu planejamento. Os dados de anos
anteriores não ajudam a planejar para as mudanças na moda nem nos hábitos de
consumo — sempre em mutação — dos clientes. Padrões úteis são aqueles que
vão ajudar a trazer vantagem competitiva para quem os descobrir.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 233


U4

OLAP (On- Line Analytical Processing)

O OLAP, ou Processamento Analítico On-Line, é uma ferramenta bastante


utilizada em Data Mining, que envolve a criação de Data Marts especialmente
configurados para permitir análises multidimensionais de dados, como forma de
encontrar regras e padrões que de outra forma seriam difíceis de serem discernidos.

O OLAP alicerça-se sobre uma estrutura de dados chamada “hipercubo” (ou,


simplesmente, “cubo”), que nada mais é que uma estrutura que simula múltiplas
dimensões em um banco de dados. O raciocínio é que quando temos uma linha de
uma planilha (ou seja, um registro), temos uma estrutura unidimensional; quando
temos uma tabela (linhas e colunas), temos uma estrutura bidimensional e podemos
combinar dados de linhas e colunas diferentes. Quando temos um registro (uma
linha de dados) armazenada em cada posição da tabela bidimensional, temos uma
dimensão a mais nesta estrutura, tornando-a tridimensional. Os cubos utilizados
no OLAP podem ter várias dimensões, com cada posição sendo uma tabela
inteira, ou mesmo um conjunto de tabelas, adicionando as dimensões posteriores
à estrutura. A criação de um Data Mart (a partir do Data Warehouse central), para
que nele possamos aplicar técnicas de OLAP, deve ser feita com bastante critério e
cuidado, pois as inconsistências de estrutura, de formato de dados e de conteúdo
devem ser evitadas para que a precisão das análises seja preservada.

Assimile

O processo de Data Mining é, por natureza, contínuo. Isto significa que,


uma vez iniciado em uma organização, será realizado continuamente
enquanto essa organização estiver em operação, sem data para acabar
(LINOFF; BERRY, 2011).

Tipos de Análises do Data Mining

Silvers (2008) aponta para dois tipos principais de análises realizadas pelas
técnicas de Data Mining, sempre com o objetivo de descobrir padrões que não
saltem aos olhos ou mesmo que estejam bem escondidos em meio ao enorme
contingente de dados existente. Esta busca, ainda segundo o autor, é um exercício
dinâmico, sendo que a descoberta de um padrão geralmente leva a perguntas que
podem levar a outros padrões, e assim por diante. Os dois tipos básicos de análises,
segundo Silvers (2008), são:

• Análise Exploratória – Consiste na busca por uma hipótese que explique um


comportamento. Este tipo de busca está sempre ‘farejando’ uma regra de negócio
que permita prever um comportamento futuro por parte de uma ou mais variáveis.

2 34 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

o Exemplo de pergunta: será que alguma coisa no comportamento de compras


de nossos clientes da faixa socioeconômica X permite identificar o quanto
comprarão do produto Y no próximo trimestre?

• Análise Confirmatória – Consiste em buscar em meio aos dados presentes a


confirmação de que a hipótese levantada realmente é verdadeira. Geralmente este
tipo de análise é feito sobre dados históricos da organização.

o Exemplo de pergunta: será que o comportamento previsto pela hipótese se


confirmou em períodos passados em que situações semelhantes foram atingidas
pelas variáveis em questão?

Pela natureza das análises e exemplos de questões listadas, uma característica


do Data Mining aparece com mais clareza: trata-se de um processo computacional,
que apresenta seus dados como probabilidade estatística e não com a certeza
determinística de que algo “certamente vai acontecer” ou “algo não ocorrerá de forma
alguma”. As respostas fornecidas pelas técnicas de Data Mining geralmente se parecem
com: “nas condições apresentadas para as variáveis A, B e C, há uma chance de X% de
tal comportamento ocorrer com a variável D” (SILVERS, 2008, p. 175).

Como em qualquer exercício de natureza estatística, há erros possíveis


envolvidos. Por exemplo: a probabilidade de eu jogar uma moeda para cima e
ela cair em “coroa” é 50%. Contudo, se eu efetivamente tomar uma moeda e
jogá-la dez vezes para cima, há uma boa chance de eu conseguir seis coroas e
quatro caras, ou mesmo três coroas e sete caras (ou alguma outra combinação
diferente de cinco coroas e cinco caras). Se a moeda não tem nenhum truque, a
probabilidade é de 50% para cada lado, mas existe um erro associado ao processo.
Esse erro estatístico pode ser positivo ou negativo, dependendo de se ‘chego perto
mas não atinjo’ (erro negativo) ou se ‘ultrapasso’ (erro positivo) o valor esperado.
A proximidade com o valor teórico esperado é dada por uma distribuição normal,
como pode ser visto na Figura 4.2, a seguir:

Figura 4.2 | Distribuição normal do erro em resultados estatísticos

Erro Erro Erro


Negativo Zero Positivo
Fonte: Adaptado de Silvers (2008).

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 35


U4

O que esta distribuição diz é que se a moeda é justa (50% de chances para
cada lado), a maioria das vezes que a jogarmos para cima dez vezes teremos
combinações próximas ao esperado (5-5, 6-4, 4-6). Em algumas situações teremos
erros maiores (para cima ou para baixo) e desvios consequentemente maiores do
resultado esperado.

Exemplificando

É bem conhecido o fato de que as chances de um casal ter um filho do


sexo masculino é igual à chance desse filho ser do sexo feminino, ambas
as chances de aproximadamente 50%(na prática nascem 51%de meninos
e 49%de meninas, mas a mortalidade de meninos é fracionalmente maior,
resultando no equilíbrio de 50%). Contudo, não é incomum ver famílias
com dois (ou mais meninos) e nenhuma menina, e vice-versa (ZATZ, 2012).

As previsões permitidas pelas técnicas de Data Mining são de natureza


semelhante e desvios são esperados, uma vez que estamos tratando com eventos
probabilísticos, e não físicos. Em um evento físico, o resultado de um experimento
deve ser sempre o mesmo e qualquer desvio é atribuído ao processo de
mensuração. A massa de um objeto é constante (a menos que ele esteja passando
por algum processo físico ou químico, obviamente). A velocidade de um objeto
livre da ação de forças não varia e assim por diante. Já os fenômenos modelados
pelo Data Mining são de natureza de negócios e patentemente não são tão estáveis
e imutáveis quanto as leis da física, e —para piorar —incluem uma boa dosagem de
elementos da natureza humana. Os modelos que mais se aproximam da realidade
baseiam-se na estatística e nas probabilidades para suas previsões.

Business Intelligence e Data Mining

A história de Billy Beane, gerente geral do time de beisebol Oakland A’s foi
dramatizada no filme "O Homem que Mudou o Jogo (Moneyball)", de 2011. Nos
eventos representados no filme, Beane (no filme, Brad Pitt) toma uma atitude
bastante estranha até então no mundo dos esportes: em vez de contratar jogadores
com base nas opiniões dos executivos do time —supostamente experts no esporte
—, decide dar ouvidos ao jovem analista Peter Brand, que baseia suas sugestões em
vários quesitos de desempenho dentro do campo. Com as escolhas ‘estranhas’ do
Gerente Geral, o time tem uma ascensão meteórica em seu desempenho (LEWIS,
2015). Nos dias de hoje, ninguém cogita mais contratar jogadores na MLB (liga
principal de beisebol nos EUA) usando critérios que não sejam fundamentados
nos dados de desempenho dos jogadores. Billy Beane mudou o jogo para sempre
(MAHESHWARI, 2008).

2 36 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

A história de Billy Beane e Peter Brand, bem como de seu sucesso no Oakland
A’s, ilustra com precisão o ponto principal acerca do Data Mining: é um processo
que existe com o objetivo explícito de servir aos negócios da instituição. Decisões
de negócio devem ser tomadas sempre com base em dados sólidos: indicadores
de desempenho, relatórios consolidados, projeções criteriosas.

Os dados que trazem as informações necessárias à tomada de decisões vêm


das bases da própria empresa, e as informações necessárias à tomada de decisões
vêm dos padrões e das regras encontrados nesses dados pelos processos de
Data Mining. Podemos representar as relações entre Inteligência de Negócios e
Mineração de Dados (Data Mining) por meio da Figura 4.3, a seguir:
Figura 4.3 | O ciclo da Inteligência de Negócios e da Mineração de Dados

Inteligência Negócios

Mineração Dados

Fonte: Adaptado de Maheshwari (2008).

A Figura 4.3 deve ser lida da seguinte forma: o conhecimento dos


empreendedores possibilita a realização de negócios. Os negócios geram dados
para a empresa, que são armazenados constantemente. Os dados permitem a
mineração, um processo de busca de padrões e regras que lhes deem sentido para
conseguir vantagens nos negócios futuros. Os padrões e as regras descobertos
pela mineração geram mais inteligência para os executivos da empresa, e o ciclo
reinicia-se (MAHESHWARI, 2008).

Reflita

Sem inteligência, não se fazem negócios. Sem negócios, não se geram


dados. Sem dados, não é possível a mineração. Sem mineração, não se
gera inteligência.

A cadeia de processamento de dados

Segundo Maheshwari (2015), os dados podem ser considerados como os novos


“recursos naturais” da organização, um ponto de vista que atribui a eles um valor
“escondido”, como no caso dos veios de minérios e de outros recursos naturais

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 237


U4

disponíveis em uma nação. O processo de encontrar esse valor escondido nos


dados ocorre por meio do Data Mining, mas é importante que observemos: há um
caminho específico a ser trilhado pelos dados até que possam ser ‘minerados’ e
deles serem extraídas as informações de valor.

Esse caminho — que aqui chamamos de “cadeia de processamento de dados”


—pode ser representado pela Figura 4.4, a seguir (MAHESHWARI, 2015):

Figura 4.4 | Cadeia de processamento de dados

Fonte: O autor (2015).

Mesmo que pareça um caminho longo, é natural que ocorra de forma rápida
pelo menos até o terceiro estágio, pois são duas ações automatizadas que
ocorrem a partir do momento em que o dado é gerado: ser coletado em uma
base de dados (por meio de um sistema de informações), e daí ser armazenado
em um Data Warehouse (por meio de um processo de ETL, como visto na aula
anterior). O passo seguinte, isto é, o Data Mining, pode, de fato, demorar um
pouco mais por uma razão simples e importante: o Data Mining depende de que
se atinja determinado volume de dados de forma que os resultados gerados sejam
estatisticamente relevantes. Esse volume também é importante para que os dados
reflitam com mais precisão a realidade dos fatos, não sendo apenas um caso
isolado resultante de uma amostra desviada da norma.

Podemos ver nos resultados iniciais de eleições um exemplo de desvio da norma


por falta de volume de dados: em função de uma determinada seção começar
as apurações antes das demais, o candidato A pode sair na frente. Contudo,
depois que todas as seções começam a ser apuradas, o quadro real mostra que o
candidato B tem a preferência do eleitorado, pois sua maioria de votos começa a
se configurar em maior número de seções.

Feita a mineração de dados, as informações resultantes devem ser passadas


a um sistema de visualização de dados, que as mostrará sob formas de gráficos
e relatórios específicos. A visualização dos dados é o ponto alto deste processo,
pois é por meio dela que as informações chegam até quem vai usá-las para tomar
decisões. Algumas considerações sobre como apresentar as informações são
(MAHESHWARI, 2015):

2 38 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

1. É importante que sejam apresentadas conclusões sobre os dados e as


informações, e não apenas os dados e as informações em si (e é muito importante
que as conclusões apresentadas sejam sólidas, isto é, não sejam contraditas pelos
próprios dados).

2. Cada informação é apresentada usando o apoio visual adequado: mapas,


gráficos, gráficos de “pizza”, tabelas. Deve-se escolher com critério a ferramenta
certa para apresentar a informação (e a conclusão) em questão.

3. Os resultados obtidos devem ser organizados de forma a fazer com que o


ponto central (a conclusão central a que se quer chegar) esteja em destaque.

4. Os recursos visuais devem refletir os números de maneira precisa. Visuais


imprecisos podem ser mal interpretados, gerando decisões ruins a partir de dados bons.

5. Os resultados devem ser apresentados de maneira marcante e criativa, de forma


a criar uma boa impressão a quem assiste (que é quem vai tomar as decisões futuras).

Faça você mesmo

Entre no site de séries estatísticas do IBGE <[Link]


[Link]> faça uma busca, baixe alguma das inúmeras tabelas disponíveis
gratuitamente e gere gráficos que representem os dados. Quais
informações você pode tirar dos dados? Quais conclusões são possíveis?

Sem medo de errar!


Para mostrar à Coração D’Or o quanto o Data Mining pode auxiliar nos novos
rumos de Gestão do Conhecimento tomados pela organização, você pode seguir
os seguintes passos:

1. Podemos começar nosso trabalho pontuando para os executivos da


Coração D’Or o que é Data Mining, apontando para a enorme massa de dados da
Organização e para o Data Warehouse que visamos construir com base no que
foi exposto na Seção 4.3. O objetivo é mostrar que em que pese estes bancos de
dados já serem de extrema utilidade para a Coração D’Or, um sem número de
outras informações pode estar escondido entre elas, aguardando que buscas e
combinações não cogitadas até o momento descubram-nas, dando ainda mais
vantagens competitivas para a instituição. Essas combinações e buscas são feitas
por meio dos mecanismos de Data Mining.

2. Após explicar o conceito de Data Mining, você deve explicar que as regras e os
padrões a serem levantados por meio deste mecanismo são de natureza estatística/
probabilística, ou seja, as conclusões a que chegaremos terão probabilidades de

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 39


U4

ocorrer, com erros variantes de acordo com a precisão e o volume dos dados
a partir dos quais são gerados. Ainda assim, desde que o processo seja feito com
critério, e que os dados sejam consistentes, as conclusões tendem a ser bastante
úteis para a tomada de decisões da Coração D’Or.

3. Por fim, lembra-se do levantamento dos sistemas de informação e seus


respectivos bancos de dados que realizamos na etapa anterior (Seção 4.3)? Então,
já mostramos que a Coração D’Or tem um enorme manancial de dados à sua
disposição. Agora é hora de mostrar uma pequena combinação de dados, a
partir daí podemos “garimpar” informações úteis. Algumas sugestões de buscas e
combinações nas bases de dados com o objetivo de identificar regras que podem
ser tentadas:

a) Problemas cardíacos mais comuns combinados com as profissões dos


clientes da Coração D’Or.

b) Condição cardíaca combinada com hábitos alimentares e de condicionamento


físico entre os clientes da Coração D’Or.

c) Identificar quais as características socioeconômicas e os hábitos dos clientes


da Coração D’Or mais propensos a realizar check-ups cardíacos anuais.

Assim, mostraremos aos executivos da Coração D’Or que o Data Mining pode
ser um poderoso aliado às ações de expansão da organização.

Atenção!

A natureza estatística das regras e dos padrões que derivamos de dados


por meio de Data Mining sempre envolve algum grau de erro, que deve
ser levado em consideração na tomada de decisão.

Lembre- se

Quanto maiores os volumes e mais precisos os dados à disposição, maior


será a qualidade das conclusões a que chegaremos por meio do Data
Mining.

240 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Avançando na prática

Pra tiq u e m a is!


In stru ção
De sa am o s vo cê a praticar o que apre nde u, tran sfe rindo se us co n he cim en to s para n o vas situaçõ es
que po de e nco n trar n o am bie nte de trabalho . Re alize as atividades e de po is co m pare- as co m a de
seu s co le gas.
“En te n d e n d o o e le ito rad o”
1. Co m p e tê n cia d e fu n d a m e n to s Co n he ce r e co m pre e nder as principais te cn olo gias
d e áre a re lacio n adas à in fo rm ação e à co m u nicação.
2. Ob je tivo s d e ap re n d iza g e m Co n he ce r as prin cipais té cn icas e aplicaçõ e s de Data Minin g.
De nição das fe rram en tas OLAP e Data Min ing e
3. Co n te ú d o s re lacio n a d o s
dem o n stração a partir de case s das suas aplicaçõ e s.
O e m presário Saulo Mafuf e stá co n te m plando u m a carre ira
política, apó s m ais de duas décadas de su ce sso no ram o de
e n trete nim en to , e m que já pro duziu vário s artistas fam o so s,
lançando carreiras e pro m o ven do e ve n to s. Em função de
sua área de atu ação pro ssio n al, te m co n tato co m o público
jo ve m e está e m busca de um a platafo rm a po lítica que faça
se ntido a esta po rção do e leito rado.
4. De scrição d a SP Sau lo co ntrato u um a em pre sa de dado s que lhe fo rne ce u
vário s banco s de dado s co ntem plan do jo ven s do s 16 ao s 25
an o s de idade . A e m pre sa tam bé m jun to u dado s do IBGE
do Cen so de 2010 e da PNAD, e o bviam en te tam bé m te m
ban co s de dado s re fe ren te s ao s se us pró prio s e ven to s e
clien tes que o s fre que n tam .
Co m o uso de técnicas de Data Min ing, que qu estõ es Saulo
po de buscar re spo nde r po r m eio de sta m assa de dado s?
Algum as das que stõ e s qu e Saulo po de buscar respo nder são :
1. Quais as prio ridade s para o futuro pesso al e pro ssio n al
do s jo ven s e ntre 16 e 20 ano s, e e n tre 21 e 25 an o s de idade?
2. Entre as pre o cupaçõ es que po de m ser e nde reçadas pe lo
po de r pú blico (saúde , e ducação , se guran ça, clim a, e tc.), qu ais
são as m ais im po rtan te s para este público ?
5. Re so lu ção d a SP
3. En tre as qualidades de um go vern ante (lide ran ça,
din am ism o , o tim ism o, ética, etc.), quais são as m ais
im po rtan te s para e ste público ?
4. Se n do que as ideias de Saulo pe ndem para a cen tro -
direita, qual a fatia do s jo ve n s fre qu en tado re s de se us
e ven to s qu e estaria in clin ada a vo tar n e le ?

Lembre- se

A busca por padrões e regras em meio a uma massa de dados é uma


análise exploratória. Após a condução de uma busca exploratória, é
indicado fazer uma análise confirmatória para tentar identificar se padrões
semelhantes no passado geraram resultados semelhantes aos que os
padrões e regras apontam.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 41


U4

Faça você mesmo

Começaremos este exercício com você respondendo algumas questões,


sem pensar muito: quais seus atores preferidos? Qual o gênero de filmes
que você mais gosta? Você tem preferência por algum tipo específico de
assunto nos filmes a que assiste?

Em seguida, vamos ver se os fatos estão de acordo com suas percepções.


Procure fazer uma lista dos filmes aos quais você assistiu nos últimos
anos. Seja o mais completo que conseguir, procurando em listas de
filmes de anos anteriores na internet, sites de filmes ou outros registros
que tenha à mão. Marque os principais atores dos filmes, o gênero dos
filmes (comédia, ficção científica, etc.) e o assunto principal.

Você consegue identificar padrões em suas preferências? Há atores


que se sobressaem, isto é, participam de mais filmes que os outros?
Algum dos atores ou alguma das atrizes que participam dos filmes a que
você assiste é surpresa por destacar-se nos dados que você juntou? Há
assuntos de sua preferência? Há gêneros que mais se destacam?

Lembre-se: não estamos em busca de suas opiniões sobre os assuntos


(que foram registradas no início do exercício), mas, sim, do que os
dados apontam.

Faça valer a pena

1. Você está na marca do pênalti, diante de um goleiro que, durante as


últimas 300 cobranças registradas, pulou para o lado esquerdo em 85%
das ocasiões. Nesta situação podemos concluir que:
a) Nas demais 15% das ocasiões, esse goleiro pulou para o lado direito.
b) Se você bater o pênalti do lado esquerdo, não vai fazer o gol.
c) Se você bater o pênalti do lado direito, vai fazer o gol.
d) Se você bater o pênalti do lado esquerdo, tem mais chances de
fazer o gol.
e) Se você bater o pênalti do lado direito, tem mais chances de fazer
o gol.

242 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

2. Sobre o significado da expressão em inglês Data Mining, podemos


afirmar que:
a) Pode ser traduzida como “mina de dados”.
b) Pode ser traduzida como “miniatura de dados”.
c) Pode ser traduzida como “garimpo de dados”.
d) Pode ser traduzida como “milhões de dados”.
e) Pode ser traduzida como “menina dos olhos dos dados”.

3. Observe a sentença a seguir:


Data Mining é um processo _______________ que permite
explorar grandes _______________ com o intuito de se descobrir
_______________ significativos.
Qual das alternativas a seguir completa corretamente a sentença
anterior?
a) Gerencial, contingentes de informações, conhecimentos.
b) De negócios, empresas, dados.
c) Gerencial, gestores do conhecimento, resultados.
d) De negócios, massas de dados, regras e padrões.
e) De negócios, contingentes de informações, resultados.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 243


U4

244 Ge stão da info rm ação e do co nh ecim en to


U4

Referências
BALTZAN, P.; PHILLIPS, A. Essentials of business driven information systems. 4. ed.
Nova York: McGraw-Hill, 2013.
BARBIERI, C. BI2 - Business Intelligence: modelagem e qualidade. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2011. 392 p.
GROSSMANN, W. RINDERLE-MA, S. Fundamentals of business intelligence. Nova York:
Springer, 2015.
ISENBERG, D. The decline and fall of disk storage prices. In: [Link]. 07 mar. 2011.
Disponível em: <[Link]
prices/>. Acesso em: 23 fev. 2016.
KIMBALL, R.; ROSS, M. The data warehouse toolkit. 3. ed. Nova York: Wiley, 2013.
LINOFF, G.; BERRY, M. Data mining techniques. Indianapolis: Wiley, 2011.
LUHN, H. P. A business intelligence system. IBM Journal of Research and Development,
v. 2, n. 4, p. 314–319, 1958.
LEWIS, M. Moneyball: o homem que mudou o jogo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2015.
MAHESHWARI, A. Business intelligence and data mining. Nova York: Business Expert
Press, 2015.
MCAFEE, A. Enterprise 2.0, Version 2.0. In: Andrew McAfee. 2016. Disponível em: <http://
[Link]/2006/05/enterprise_20_version_20/>. Acesso em: 14 fev. 2016.
NORTH, K.; KUMTA, G. Knowledge management: value creation through organizational
learning. Nova York: Springer, 2014.
RAHMAN, H. Social and political implications of data mining: knowledge management
in e-government. Nova York: Hershey, 2008.
SETZER, V. Dado, informação, conhecimento e competência. Universidade de São
Paulo. 25/05/2015. Disponível em: <[Link]
html>. Acesso em: 12 fev. 2016.
SILVERS, F. Building and maintaining a data warehouse. Boca Raton: CRC Press, 2008.
SMITH, I. A history of storage cost (update). Site [Link]. 9 mar. 2014. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 23 fev. 2016.
VAISMAN, A.; ZIMÁNYI, E. Data warehouse systems design and implementation. Nova
York: Springer, 2014.
ZATZ, M. Genética: escolhas que nossos avós não faziam. Rio de Janeiro:
Globolivros, 2012.

Gestão da in fo rm ação e do co n he cim e n to 2 45

Você também pode gostar