Escola de Educação de Educação Básica Professor Patrício João de Oliveira
PROFESSOR: Angélica Wideck
DISCIPLINA: Filosofia
TURMA: 3 Série 301
ALUNOS: Lenyn Manorov Dietrich e Arthur Lauermann de Souza
Liberdade e Liberalismo,
Subjetividade e Individualismo
Cunha Porã, 15 de abril de 2025
O texto problematiza a concepção neoliberal de liberdade defendida por Kim Kataguiri,
que a reduz à ausência de intervenção estatal e à priorização do livre mercado e das
escolhas individuais. Como destacado, essa visão ignora contextos históricos e sociais nos
quais a falta de regulação e proteção estatal aprofundou desigualdades.
O exemplo da abolição da escravidão no Brasil é claro: libertos foram abandonados sem
acesso a direitos básicos, o que transformou a “liberdade formal” em exclusão garantida.
Isso revela uma contradição central: a promessa de liberdade individual, sem estruturas
coletivas, tende a beneficiar apenas quem já possui recursos, enquanto marginaliza os mais
vulneráveis.
A crítica aborda também a noção filosófica de facticidade: as condições materiais que
limitam nossa liberdade, como classe social ou local de nascimento. Recorre à metáfora do
xadrez para ilustrar que a liberdade não reside na eliminação das regras (leis, políticas
públicas), mas na capacidade de agir dentro delas.
O neoliberalismo simplifica essa complexidade, como se bastasse “afrouxar regras” para
garantir liberdade, ignorando que muitos nem sequer têm peças para jogar.
Como o autor diz, desde a infância, muitas pessoas escutam frases como “liberdade não é
libertinagem”, o que já aponta para uma visão que associa a liberdade verdadeira a uma
conduta moral específica. Essa divisão serve como ferramenta de controle, sugerindo que
só é verdadeiramente livre quem age de acordo com certos valores, enquanto quem se
desvia disso estaria agindo de forma irresponsável ou imoral.
Na fé
Na tradição cristã, por exemplo, a liberdade costuma estar ligada ao conceito de “livre-
arbítrio”, a ideia de que o ser humano pode escolher, mas dentro dos limites do bem e do
mal estabelecidos por Deus. Essa noção impõe um tipo de “liberdade”, onde as escolhas só
são válidas se seguirem determinado padrão. Isso mostra como a liberdade está, muitas
vezes, condicionada a estruturas religiosas, culturais e sociais que limitam sua aplicação
real no cotidiano das pessoas.
Na filosofia
O texto também explora como essa ideia de liberdade pode causar desconforto e angústia.
Pensadores como Kierkegaard afirmam que, ser livre é também ter que lidar com a
responsabilidade total por nossas escolhas, sem garantias de que estamos escolhendo o
melhor caminho. Essa liberdade existencial é angustiante justamente porque não há
certezas, apenas a responsabilidade de decidir.
Sartre, outro filósofo existencialista, diz que estamos “condenados à liberdade”, o que
significa que mesmo em contextos com poucas opções, ainda assim somos livres para
escolher e responsáveis por essas escolhas.
Além disso, o texto faz uma crítica à forma como a sociedade contemporânea tenta escapar
desse peso existencial da liberdade por meio de distrações: redes sociais, filmes, músicas,
séries e outros produtos culturais que muitas vezes evitam o aprofundamento e a reflexão.
Isso levanta a questão: será que estamos realmente exercendo nossa liberdade, ou apenas
consumindo formas de evitá-la?
Na sociedade atual
Por outro lado, o texto aborda também o uso político da palavra “liberdade”, especialmente
no discurso neoliberal. Nessa perspectiva, liberdade é frequentemente associada ao livre
mercado, à ausência de regulação estatal e à valorização das escolhas individuais. No
entanto, essa visão esconde outra limitação: a de que as pessoas são livres, mas apenas se
seguirem um caminho específico — normalmente ligado ao sucesso econômico e à
produtividade. Quem falha nesse caminho é visto como alguém que “não soube usar sua
liberdade”, reforçando desigualdades sociais sob o pretexto de uma liberdade supostamente
universal.
Finalização
Por fim, o autor destaca como o conceito de liberdade, ao longo da história, foi se
transformando de acordo com o contexto e os interesses de cada época. A liberdade que era
idealizada pelos gregos (através da paideia, uma formação integral do cidadão) hoje
aparece diluída em discursos políticos, religiosos e de consumo. Mesmo que o mundo atual
ofereça inúmeras formas de expressão e escolha, a verdadeira liberdade continua sendo
algo complexo, subjetivo e, muitas vezes, angustiante.
Há ainda a questão política: a substituição do bem comum pelo individualismo radical.
Quando o outro é visto como concorrente, e não como parte de uma coletividade, a
exclusão social é tornada natural. O texto questiona, por exemplo, se os defensores dessa
liberdade abstrata estariam dispostos a vivenciá-la na prática, como fez Eduardo Marinho,
que abdicou de posses materiais para viver uma liberdade radical e angustiante. A
conclusão é óbvia: liberdade não pode ser sinônimo de abandono estatal, mas sim de
equilíbrio entre autonomia individual e garantia de condições mínimas para que todos
possam exercê-la. Sem isso, a “liberdade” neoliberal acaba sendo um privilégio de poucos,
não um direito universal.