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IRPC: Imposto sobre Rendimento Coletivo

O IRPC é um imposto direto sobre os rendimentos das pessoas coletivas em Moçambique, abrangendo tanto residentes quanto não residentes, com diferentes regras de tributação. A incidência do imposto depende de pressupostos subjetivos e objetivos, e os rendimentos são tributados de acordo com a origem e a natureza da atividade. O documento também aborda aspectos como o período de tributação, isenções e princípios gerais de tributação.

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Edilson Mario
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IRPC: Imposto sobre Rendimento Coletivo

O IRPC é um imposto direto sobre os rendimentos das pessoas coletivas em Moçambique, abrangendo tanto residentes quanto não residentes, com diferentes regras de tributação. A incidência do imposto depende de pressupostos subjetivos e objetivos, e os rendimentos são tributados de acordo com a origem e a natureza da atividade. O documento também aborda aspectos como o período de tributação, isenções e princípios gerais de tributação.

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1.

IRPC – IMPOSTO SOBRE O RENDIMENTO DE PESSOAS COLECTIVAS

CONCEITO

O IRPC é um imposto directo que incide sobre os rendimentos obtidos pelos


sujeitos passivos num determinado período de tributação, independentemente, da
sua fonte ou origem e mesmo que provenientes de actos ilícitos.
É um imposto estadual, directo, real, periódico, sobre o rendimento global e
proporcional.
o Estadual ou Nacional: porque o credor da obrigação é o Estado;
o Directo: porque tributa manifestações directas, imediatas da riqueza;
o Real: porque diferentemente do IRPS, não releva os aspectos intrinsecamente
pessoais do sujeito passivo;
o Periódico: porque a obrigação do imposto ocorre tendencialmente com uma
periodicidade regular, em regra anualmente;
o Rendimento global: todo o rendimento da pessoa colectiva é sujeito a um único
imposto;
o Proporcional: sendo que a taxa é fixa, o imposto aumenta proporcionalmente à
matéria colectável.

2.1. INCIDÊNCIA

PRESSUPOSTOS DO IRPC
O artigo n.º 1 do CIRPC estabelece os seguintes pressupostos da respectiva
obrigação tributária:
o Os titulares de rendimentos sejam sujeitos passivos, nos termos do
CIRPC – pressuposto subjectivo;
o Obtenção de rendimentos – pressuposto objectivo;
o Período de tributação – pressuposto temporal.
Face a este cenário, não basta a verificação de um só destes pressupostos para que
nasça a obrigação de imposto, carecendo, antes, que se conjuguem em simultâneo.
Fiscalidade

INCIDÊNCIA SUBJECTIVA
Tal como resulta da sua denominação, o IRPC abrange, em primeira linha, o
universo das pessoas colectivas, sejam elas públicas ou privadas.
A determinação do pressuposto subjectivo do IRPC encontra-se no artigo 2º do
respectivo código, e nele podemos encontrar três diferentes categorias de sujeitos
passivos.
Em primeiro lugar, temos o universo das pessoas colectivas, sendo que além das
expressamente previstas, podem ter enquadramento no conceito de demais pessoas
colectivas de direito público ou privado com sede ou direcção efectiva em território
Moçambicano, as seguintes entidades:
a) Autarquias locais, institutos públicos, associações públicas e privadas e
fundações.
Alem destas pessoas colectivas com sede e direcção efectiva em território
Moçambicano, o âmbito da sujeição pessoal a este imposto é alargado de
modo a abranger:
b) Os entes de facto, ou seja, entidades que embora desprovidos de personalidade
jurídica, geram rendimentos não sujeitos directamente nas pessoas, singulares ou
colectivas, que compõem essa entidade.
Incluem-se neste conceito, pelo nº 2 do artigo 2º, e de forma não taxativa, as
heranças jacentes, as sociedades com processo de constituição irregular, as
associações e sociedade civis sem personalidade jurídica.
Por outro lado, dada a delimitação imposta neste artigo – não sujeição a imposto das
pessoas que formam o ente de facto -, não ficam abrangidos pelo âmbito deste
artigo e por isso não são sujeitos passivos de IRPC, por exemplo, as heranças
indivisas e o consórcio.
Por último, o âmbito da incidência subjectiva de IRPC, comporta as entidades com
ou sem personalidade jurídica, não residentes, que obtenham rendimentos em
território Moçambicano, não sujeitos a IRPS.

Apesar desta repartição tripartida, aquela que se mostra realmente importante é a


que divide os sujeitos passivos em residente e não residente. Na verdade, é esta
divisão que vai ser o ponto de partida para delimitar a extensão dos rendimentos
auferidos que vai ser sujeita a IRPC.

2
Fiscalidade

2.1.1. RESIDENTES
Os residentes em território Moçambicano são tributados pela totalidade dos seus
rendimentos incluindo os obtidos fora desse território.

Residência – o conceito de residência, para efeitos do CIRPC, encontra-se definido


no nº 3 do artigo 2º, e do seu teor resulta que são residentes as pessoas e outras
entidades que tenham sede ou a direcção efectiva em território Moçambicano.

2.1.2. NÃO RESIDENTES


Os não residentes, por seu lado, apenas são tributados pelos rendimentos obtidos em
território Moçambicano, entendendo-se como tal:
a) Os rendimentos imputáveis a estabelecimento estável situado em território
Moçambicano;

b) Os rendimentos relativos a imóveis situados em território Moçambicano,


incluindo os ganhos resultantes da sua transmissão onerosa;

c) Ganhos resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do


capital de entidades residentes ou outros valores mobiliários emitidos por
entidade residentes, ou quando o pagamento dos rendimentos seja imputável
a estabelecimento estável situado em território Moçambicano;

d) Rendimentos provenientes de propriedade intelectual ou industrial e


prestação de informações respeitantes a experiencias adquiridas no sector
comercial, industrial ou científico; do uso ou da concessão do uso de
equipamento agrícola, industrial, comercial ou científico; outros
rendimentos de aplicação de capitais; renumerações auferidas na qualidade
de membros de órgãos estatutários de pessoas colectivas ou outras
entidades; prémios de jogo, lotarias, rifas e apostas mútuas, bem como
importâncias ou prémios atribuídos em quaisquer sorteios ou concursos,
quando o devedor é residente em território Moçambicano ou o pagamento
seja imputável a estabelecimento estável aí situado. Nas mesmas
circunstâncias, consideram-se os rendimentos provenientes da
intermediação na celebração de quaisquer contratos, bem como os
rendimentos derivados de outras prestações de serviços realizados ou
utilizados em território Moçambicano, com excepção dos relativos a
transporte, comunicações e actividade financeiras;
e) Rendimentos derivados do exercício em território Moçambicano da
actividade de profissionais de espectáculos ou desportistas, excepto quando
seja feita a prova de que não controlam directa ou indirectamente a entidade
de que obtêm o rendimento.

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Fiscalidade

2.2. INCIDÊNCIA OBJECTIVA


O rendimento sujeito a imposto não corresponde no código do IRPC a um conceito
unitário. Em primeiro lugar, importa na determinação deste conceito, que se atenda
a qualidade dos sujeitos passivos, ou seja, importa distinguir os residentes dos não
residentes. Depois, dentro de cada categoria de sujeitos, haverá que apurar o modo
como o rendimento é obtido.
Assim, enquanto os residentes são divididos em função da actividade exercida, os
não residentes distinguem-se consoante possuam, ou não, em território
Moçambicano, um estabelecimento estável.

2.2.1. RESIDENTES
Em função deste critério, os residentes:
a) Que exerçam a título principal uma actividade, de natureza industrial,
comercial ou agrícola, são tributados pelo lucro.
De referir que se considera que as sociedades comerciais ou civis sob a forma
comercial, as cooperativas e as empresas públicas, exercem sempre a título principal
qualquer daquelas actividades, dai, serem sempre tributadas pelo lucro.
b) Que não exerçam a título principal daquelas actividades são tributados pelo
rendimento global.
O rendimento aqui apurado corresponde a soma algébrica dos rendimentos das
diversas categorias consideradas para efeitos de IRPC. Não, são, assim tributadas
isoladamente os rendimentos obtidos e pressupõe-se a existência de rendimentos
positivos e negativos.

2.2.2. NÃO RESIDENTES


Há que distinguir consoante disponham ou não de estabelecimento estável em
território Moçambicano e os rendimentos lhe possam ser imputados.
a) Dispondo de estabelecimento estável, os não residentes são sujeitos pelo
lucro imputável a esse estabelecimento estável.
De referir que nos termos dos do nº 3 do artigo 4º, são componentes do lucro do
estabelecimento estável, não só os rendimentos obtidos por seu intermédio, como
também aqueles, não sendo nele gerado, provenham de actividades idênticas ou
similares as realizadas através estabelecimento. Consagra-se, assim, embora
limitado a determinados rendimentos, ao estabelecimento de rendimentos obtidos
pelos não residentes não relacionados com esse estabelecimento.
b) Não dispondo de estabelecimento estável, ou tendo-o, obtêm rendimentos
que não lhe são imputáveis: são sujeitos a IRPC os rendimentos das diversas
categorias consideradas para efeitos de IRPC, não havendo lugar a
somatório de rendimentos, pelo que estes são tributados isoladamente.

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Fiscalidade

Resumindo:

Conceitos:
Lucro: consiste na diferença entre os valores do património líquido no fim e no
inicio do período de tributação, com as correcções do código.
Estabelecimento estável:
- Qualquer instalação fixa ou representação permanente através da qual seja
exercida, total ou parcialmente, uma actividade de natureza comercial, industrial ou
agrícola, incluindo a prestação de serviços.
- Exercício de empregados por não residentes, em território Moçambicano, através
de empregados ou de outro pessoal contratado para esse efeito, período seguido ou
interpolado, inferior a 180 dias, compreendido num intervalo de doze meses.

2.3. PERÍODO DE TRIBUTAÇÃO


2.3.1. O PRINCÍPIO DA ANUALIDADE, EXCEPÇÕES
A definição de períodos de tributação corresponde a necessidade de ficcionar que a
vida das empresas se divide em períodos independentes, para efeitos do cálculo do
imposto, através da imputação a cada período do rendimento obtido.

5
Fiscalidade

Nesta matéria, constitui regra que o período de tributação relevante para a


determinação do imposto deverá corresponder a um ano.
Esta regra comporta, no entanto excepções, no sentido de se admitir períodos de
tributação inferiores e também superiores a um ano. Assim, admite-se que possa ser
inferior a esse período, nas circunstâncias do artigo 7º, nº 4, nomeadamente:
a) No exercício do inicio de tributação;
b) No exercício da cessação da actividade;
Por outro lado, o período de tributação regra poderá ser alargado mediante pedido
fundamentado dirigido a Administração Tributaria.
2.3.2. A REGRA DO ANO CIVIL - EXCEPÇÕES
O período de tributação anual deverá, em regra, coincidir com o ano civil, de acordo
com o artigo 7º, nº 1. Estanormaadmite, no entanto, as seguintesexcepções:
a) Os não residentes que disponham de estabelecimento estável podem adoptar
um período anual diferente, o qual, devem manter, pelo menos, durante os
cinco exercícios imediatos a opção (artigo 7º, nº 2)

b) Por comunicação dirigida a Administração Tributária, a considerar a partir


do fim do exercício em que foi feita a comunicação.

2.4. FACTO GERADOR DO IMPOSTO


É o momento em que se conjugam os pressupostos da tributação, e em que nasce
para o sujeito passivo a obrigação de imposto.
O CIRPC, estabelece como regra, no artigo 8º, nº 2, que, para efeitos do respectivo
imposto, o facto gerador do mesmo se considera verificado no último dia do período
de tributação.
Admite, contudo, outros momentos como susceptíveis de fazer nascer a obrigação
de imposto, quando estejam em causa rendimentos obtidos por não residentes, não
imputáveis a um estabelecimento estável, tais como:
a) A data da transmissão onerosa de imóveis e partes representativas do capital
de sociedades e outros valores mobiliários;

b) A data da obrigação de efectuar a retenção na fonte a titulo definitivo,


sempre que estejam em causa rendimentos sujeitos a retenção na fonte com
essa natureza.

2.5. ISENÇÕES

DELIMITAÇÃO NEGATIVA DA INCIDÊNCIA – SITUAÇÕES DE NÃO


SUJEIÇÃO

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Fiscalidade

De acordo com o artigo 13º do CIRPC, não estão sujeitos a este imposto os
rendimentos directamente resultantes do exercício da actividade sujeita a imposto
especial sobre o jogo.

NO CIRPC

ISENÇÕES SUBJECTIVAS AUTOMÁTICAS


Integram-se nesta categoria as isenções previstas no artigo 9º - Estado, Autarquias
locais, suas associações de direito público e federações e instituições de segurança
social.

ISENÇÕES SUBJECTIVAS DEPENDENTES DE


RECONHECIMENTO
Estão nesta categoria, de acordo com o artigo 9º, nº 1, alíneas a), b) e c) as pessoas
colectivas de utilidade pública administrativa, as de mera utilidade pública que
prossigam predominantemente fins científicos ou culturais, de caridade, assistência
ou beneficência, as instituições particulares de solidariedade social e entidades
anexas, bem como as pessoas colectivas legalmente equiparadas.
As isenções mencionadas na alínea c) são reconhecidas por despacho do ministro
que superintende a área das finanças a requerimento dos interessados que define a
amplitude da respectiva isenção de harmonia com os objectivos prosseguidos pelas
entidades em causa.

ISENÇÕES MISTAS
É a isenção concedida aos rendimentos de actividade culturais, recreativas e
desportivas, nos termos e condições previstos no artigo 11º do CIRPC.

2.6. PRINCÍPIOS GERAIS DE TRIUBUTAÇÃO

REGRAS GERAIS
Uma vez determinados os pressupostos da incidência do IRPC, importará apurar as
regras que quantificam a matéria colectável sujeita a imposto. Para tal, é
conveniente ter presente a distinção a que se faz referência, entre por um lado
residentes e não residentes e por outro lado a efectuada dentro de cada uma destas
categorias.

ENTIDADES RESIDENTES QUE EXERÇAM A TITULO PRINCIPAL


ACTIVIDADE COMERCIAL INDUSTRIAL OU AGRÍCOLA (ARTIGO 15º,
Nº 1, ALÍNEA A)

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Fiscalidade

As matérias colectáveis obtêm-se pela dedução pela ordem indicada ao lucro


tributável dos montantes correspondentes a prejuízos fiscais, nos termos do artigo
41º e os benefícios fiscais.
Por seu lado, o lucro tributável que ia servir de base à determinação da matéria
colectável é constituído, segundo o artigo 17º, pela soma algébrica do resultado
líquido do exercício e das variações patrimoniais positivas e negativas verificadas
no mesmo período e não reflectidas naquele resultado”, determinados com base na
contabilidade e eventualmente corrigidos.
Sendo:
Resultado liquido - corresponde à diferença entre proveitos ou ganhos previstos no
artigo 20º e os custos ou perdas previstos no artigo 22º.
Lucro tributável - resultado liquido mais variações patrimoniais positivas (artigo
21º) menos variações patrimoniais negativas (artigo 24º), eventualmente corrigido
nos termo do CIRPC.
Matéria colectável - lucro tributável abatido dos prejuízos anteriores e dos
benefícios fiscais.

ENTIDADES RESIDENTES QUE NÃO EXERÇAM A TÍTULO


PRINCIPAL ACTIVIDADE COMERCIAL, INDUSTRIAL OU
AGRÍCOLA (ARTIGO 15º, Nº 1 ALÍNEA B)
O rendimento global é, nos termos do artigo 42º, formado pela soma algébrica dos
rendimentos líquidos das várias categorias determinados nos termos de IRPS.

ENTIDADES NÃO RESIDENTES

DISPONDO DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL


As matérias colectáveis obtêm-se pela dedução ao lucro tributável imputável a esse
estabelecimento dos montantes correspondentes a prejuízos fiscais e a benefícios
fiscais.
Por seu turno, o lucro tributável destas entidades é determinado segundo o artigo
44º, de acordo com regras aplicáveis ao apuramento do lucro tributável das
entidades residentes que exerçam a título principal actividade comercial, industrial
ou agrícola.
Admite o nº 2 do artigo 44º que possam ser considerados como custos para efeitos
de determinação do lucro tributável os encargos gerais de administração que, na
impossibilidade de serem imputados de acordo com utilização pelo estabelecimento
estável dos bens e serviços a que respeitam, são repartidos de acordo com um dos
critérios previstos no nº3 do mesmo artigo: volume de negócios, custos directos e
imobilizado corpóreo.

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Fiscalidade

NÃO DISPONDO DE ESTABELECIMENTO ESTÁVEL OU COM


RENDIMENTOS NÃO IMPUTÁVEIS AO ESTABELECIMENTO
ESTÁVEL
A matéria colectável é constituída pelos rendimentos das várias categorias, os quais
segundo o artigo 45º são determinados segundo as regras estabelecidas para diversas
categorias de rendimentos de IRPS.

2.6.1. APURAMENTO DE LUCRO TRIBUTÁVEL – ALGUNS ASPECTOS

O CONCEITO DE LUCRO TRIBUTÁVEL


O ponto de partida do apuramento da matéria colectável das pessoas colectivas que
exerçam a título principal uma actividade comercial industrial ou agrícola e das
entidades não residentes que obtenham rendimentos imputáveis a um
estabelecimento estável é o lucro tributável. Assume, assim a maior importância
determinar como no CIRPC aquele é concebido.
No artigo 17º, nº 1º define-se o lucro tributável como a soma algébrica do resultado
líquido do exercício e das variações patrimoniais positivas e negativas verificadas
no mesmo período e não reflectidas naquele exercício determinados com base na
contabilidade e corrigidos nos termos do CIRPC.
A base do apuramento do lucro tributável, é pois, a contabilidade na medida em que
fornece o resultado líquido do exercício e as variações patrimoniais positivas e
negativas nele não reflectidas. O resultado contabilístico sofre, no entanto, diversas
correcções, desde logo, ao nível da delimitação das variações patrimoniais positivas
e negativas relevante. Assim, e de acordo com o artigo 21º, não concorrem para
formação do lucro tributável as seguintes variações patrimoniais positivas:
a) Entradas de capital, incluindo os prémios de emissão de acções, bem como
as coberturas de prejuízos, a qualquer titulo feitas pelos titulares do capital;

b) As mais-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na contabilidade,


incluindo as reservas de reavaliação legalmente autorizados;

c) Os incrementos patrimoniais sujeitos a imposto sobre as sucessões e


doações;

d) As contribuições, incluindo a participação nas perdas, do associado ao


associante, no âmbito da associação em participação e da associação à quota.

Do mesmo modo, não influenciarão o lucro tributável, as seguintes variações


patrimoniais negativas previstas no artigo 24º
a) As que consistam em liberalidades ou não estejam relacionadas com a
actividade do contribuinte sujeita a IRPC;

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Fiscalidade

b) As menos-valias potenciais ou latentes, ainda que expressas na


contabilidade;

c) As saídas em dinheiro ou espécie, em favor dos titulares do capital a título


de remuneração ou de redução do mesmo, ou da partilha do património;

d) As prestações do associante ao associado no âmbito da participação em


associação.

CORRECÇÕES
Por outro lado, o apuramento do resultado liquido, tal como resulta da contabilidade
do sujeito passivo poderá igualmente ser objecto de correcções, tanto ao nível dos
proveitos como dos custos.

AOS PROVEITOS
Em primeiro lugar, e no que respeita aos proveitos, haverá que atender ao regime
especial das mais-valias, previsto no artigo 37º do CIRPC.
Assim, se por um lado se estabelece no artigo 20º, como regra que as mais-valias
realizadas se consideram proveitos ou ganhos, susceptíveis, portanto de influenciar
o lucro tributável, enquanto componente positiva, estipula-se, no artigo 39º que não
concorre para lucro tributável a diferença positiva entre as mais-valias e as menos-
valias realizadas mediante a transmissão onerosa de elementos do activo
imobilizado corpóreo ou em consequências de indemnizações por sinistros
ocorridos nesses elementos.
Para que tal ocorra, torna-se necessário que o valor de realização correspondente à
totalidade dos referidos elementos seja reinvestido na aquisição, fabricação ou
construção de elementos do activo imobilizado corpóreo até ao fim do terceiro
exercício seguinte ao da realização. Se o reinvestimento não se concretizar será
corrigido o IRPC relativo ao terceiro exercício posterior ao da realização, nos
termos do nº 5 do artigo 39º.

OUTROS PROVEITOS NÃO TRIBUTADOS:


Dividendos, quando obtidos por pessoas colectivas residentes em Moçambique, que
detenham pelo menos 20% do capital da empresa participada há pelo menos dois
anos.
Juros provenientes de títulos de dívida pública emitidos para financiamento do
défice do orçamento e da tesouraria do Estado (Bilhetes de Tesouro e Obrigações de
Tesouro emitidas até 31 de Dezembro de 2007).

AOS CUSTOS

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Fiscalidade

Também os custos têm regime próprio que poderá conduzir a alterações do


resultado líquido apurado na contabilidade.
Nos termos daquele regime constitui regra geral, prevista no artigo 22º, que só se
consideram encargos dedutíveis os que comprovadamente forem indispensáveis
para a realização dos proveitos ou para a manutenção da fonte produtora,
procedendo a uma enumeração não taxativa dos custos que preenchem esses
requisitos. De qualquer modo, o nº 2 do Artigo 23º estabelece que nunca serão
aceites como custos as despesas ilícitas, nomeadamente as que decorrem de
comportamentos que indiciem a violação da legislação penal Moçambicana, mesmo
que ocorridos fora do alcance territorial da sua aplicação.
Algumas categorias dos custos, previstos no nº1 do artigo 22º, são objecto de
tratamento especial nos artigos subsequentes, no sentido de sujeitar a sua aceitação
a outros condicionalismos, por exemplo, limites ao seu montante.

Estão neste caso:


a) Amortizações
Amortização é processo de imputação aos resultados do exercício dos custos de
aquisição de bens do activo imobilizado, durante o seu período de vida útil.
Dispõe o nº 1 do artigo 27º, que apenas são aceites como custos as reintegrações e
amortizações de elementos do activo sujeitos a deperecimento, considerando-se
como tais os elementos do activo imobilizado que, com carácter repetitivo, sofrem
perdas de valor resultantes da sua utilização, do decurso do tempo, do progresso
técnico ou de quaisquer outras causas.
o Elementos do activo não sujeitos a depreciamentos;
o Reintegrações de imóveis na parte correspondente ao valor dos terrenos ou na
naquela que não esteja sujeita a depreciamento;
o As que excedam as taxas máximas de amortização determinadas pela Portaria
nº.20817;
o As praticadas para além do período máximo de vida útil, determinado pela
Portaria nº. 20817.
o As das viaturas ligeiras de passageiros ou mistas, na parte correspondente ao
valor de aquisição ou de reavaliação excedente a 800,000.00MT, bem como dos
barcos de recreio, helicópteros e aviões de turismo e todos os encargos com
estes relacionados, desde que tais bens não estejam afectos a empresas
exploradoras de serviços públicos de transportes ou não se destinem a ser
alugados no exercício da actividade normal da empresa proprietária.
Exemplo: A empresa HIWA possui adicionalmente uma viatura, carrinha de
dupla cabine, cujo valor de aquisição é de 1,000,000.00MT, amortizada a uma
taxa de 25% (de acordo com a Portaria nº. 20817), equivalendo no caso a uma
amortização de 250,000.00MT.

11
Fiscalidade

Dado o limite fiscal acima mencionado, não é fiscalmente aceite a amortização


anual de 50,000.00MT, que corresponde ao excesso de 800,000.00MT do valor
de aquisição.
Amortização não aceite fiscalmente
= (1,000,000.00MT-800,000.00MT) x 25%
= 50,000.00MT.

b) Provisões
A constituição de provisões visa a consideração como custo de um exercício de
encargos de ocorrência incerta, não só no que respeita à data da sua concretização
como também quanto ao seu montante. No artigo 28º estabelecem-se as seguintes
provisões admitidas em IRPC:
o As que tiverem por fim a cobertura de créditos de cobrança duvidosa,
calculados em função da soma dos créditos resultantes da actividade normal da
empresa existentes no fim do exercício, pela aplicação da taxa de 1.5%, com um
limite acumulados de 6%;
o As que se destinarem a cobrir as perdas de valores que sofrem as existências,
dentro do limite das perdas efectivamente observadas;
o As que se destinarem a acorrer a obrigações e encargos derivados de processos
judiciais em curso por factos que determinariam a inclusão daqueles entre os
custos da empresa;
o As que de harmonia com a disciplina imposta pelo Banco de Moçambique,
tiverem sido constituídas pelas empresas sujeitas a sua supervisão, bem como as
que, de harmonia com a disciplina imposta pela Inspecção Geral de Seguros de
Moçambique, tiverem sido constituídas pelas empresas de seguro submetidas à
sua supervisão, incluindo as provisões técnicas legalmente estabelecidas;

c) Créditos incobráveis
Os créditos incobráveis só são aceites como custo do exercício na medida em que
tal resulte de processo de execução, falência ou insolvência.

d) Realizações de utilidade social


Dispõe o artigo 31º, nº1, que são considerados como custos do exercício os gastos
suportados com a manutenção facultativa de creches, lactários, jardins-de-infância,
cantinas, bibliotecas e escolas, prevenção e assistência médica e medicamentosa aos
doentes infectados com “SIDA”, bem como outras realizações de utilidade social
reconhecidas pela Administração Tributaria.

12
Fiscalidade

Condiciona-se no entanto a aceitação deste custo a determinados requisitos


nomeadamente, terem os benéficos de carácter geral1 e não revestirem a natureza de
rendimentos do trabalho dependente ou sendo-o sejam de difícil ou complexa
individualização relativamente a cada um dos beneficiários
Por seu lado, o nº2 do artigo 31º, considera como custos até ao limite de 10% das
empresas escrituradas a título de renumerações, salários ou ordenados, os encargos
suportados com seguros de doença e acidentes pessoais, contratos de seguros de
vida, contribuições para fundos de pensões e equiparáveis ou para quaisquer
regimes complementares de segurança social, desde que garantam, exclusivamente
o benefício de reforma, complemento de reforma, invalidez ou sobrevivência a
favor de trabalhadores da empresa.
Este limite será elevado para 20% se os trabalhadores não tiverem direito a pensões
da segurança social.
Constitui condição da aceitação destes encargos, nos termos do artigo 31º a sua não
consideração em IRPS, como rendimentos do trabalho dependente. Na verdade,
quando estes encargos preenchem, do lado do benefício, os pressupostos da
incidência em IRPS, serão considerados custos nos termos do artigo 22º do CIRPC.

e) Mecenato:
O regime do mecenato até agora previsto no que respeita ao IRPC, nos artigos 34º.
Assim e desde logo, segundo este artigo que apenas tem relevância fiscal os
donativos em dinheiro ou em espécie concedidos pelo contribuinte.
Os donativos concedidos ao Estado e as autarquias locais, ou a qualquer, são
considerados custos ou perdas do exercício na sua totalidade.
No âmbito do mecenato prevê-se que sejam considerados custos ou perdas do
exercício, até ao limite de 5% da matéria colectável do exercício anterior se os
donativos forem concedidos a associações, entidades públicas ou privadas sem
objectivos de proselitismo confessional ou partidário, desenvolvem, sem fins
lucrativos, acções no âmbito da Lei nº4/94, de 13 de Setembro.

Outros encargos não dedutíveis para efeitos fiscais


a) Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (IRPC) e quaisquer
outros impostos que directa ou indirectamente incidam sobre os lucros.
o Exemplo: O IRPC do exercício (que é contabilisticamente integrado no
RLE como estimativa) não é custo fiscal.
b) Impostos e quaisquer outros encargos que incidam sobre terceiros que a
empresa não esteja legalmente autorizada a suportar.

1
Aqueles que são atribuídos a generalidade dos trabalhadores.

13
Fiscalidade

o Exemplo: O pagamento do IRPS devido à final por conta dos


trabalhadores;

c) As multas, coimas e demais encargos pela prática de infracções, de qualquer


natureza, que não tenham origem contratual, incluindo os juros
compensatórios.
o Exemplo: O pagamento de uma multa de trânsito por excesso de
velocidade;

d) As indemnizações pela verificação de eventos cujo risco seja segurável.


o Exemplo: As indemnizações pagas em caso de roubo, acidente de
trabalho, acidente de viação, inundação, fogo, etc., não serão aceites
como custo fiscal. O pressuposto desta norma é de que esta
indemnização seria suportada pela empresa seguradora.

e) 80% das despesas de representação, escrituradas a qualquer título.


o Exemplo: Despesas de viagem e refeições com um fornecedor, no
montante global de 100.000,00 MT. Qual é o custo fiscal?
o O Custo aceite fiscalmente é de 20,000.00MT (100,000.00MT x 20%); e
o O Custo não aceite fiscalmente é de 80,000.00MT (100,000.00MT x
80%) que será adicionado à matéria colectável.

f) Despesas não devidamente documentadas e as de carácter confidencial ou


ilícito.
o Estas despesas para além de não serem aceites como custo fiscal e serem
integralmente adicionadas à matéria colectável, são ainda objecto de
tributação autónoma a uma taxa mais gravosa – 35%.
o Repare-se que a tributação autónoma não depende da existência de
resultados positivos.

g) 50% das despesas com ajudas de custo e de compensação pela deslocação


em viatura própria do trabalhador, ao serviço da entidade patronal, não
facturadas a clientes, escrituradas a qualquer título, excepto na parte em que
haja lugar a tributação em sede do IRPS, na esfera do respectivo
beneficiário.

14
Fiscalidade

AAju
juddas
as ddee cu
custo
sto ee ddee co
commppen
ensação
sação
ppela
ela ddeslo
eslocação
cação emem viatu
viatura
ra ppró
róppria
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custo
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fiscal
fiscal
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em 50%
50% nnaa to
totalid
talidade
ade

o Exemplo 1: A HIWA concedeu a trabalhadores seus, que se deslocaram


à cidade de Nampula para trabalhos de auditoria interna, ajudas de custo
para fazer face a despesas de alojamento e alimentação no valor diário de
5.000,00 MT. Qual é o custo fiscal?
i. Assumindo o pressuposto de que estes trabalhadores enquadram-se
na categoria salarial de 1.200,00 dia, as implicações fiscais serão:
 5.000 – 1.200 = 3.800: tributados em IRPS como
remuneração adicional;
 3.800 Tributados em IRPS, são integralmente aceites como
custo fiscal;
 1.200 não tributados em IRPS, apenas 50% é que são aceites
como custo fiscal, sendo o remanescente adicionado à
matéria colectável - Campo 215 do quadro 8 do M/22.

h) As importâncias devidas pelo aluguer, sem condutor, de viaturas ligeiras de


passageiros ou mistas, na parte correspondente ao valor das reintegrações
dessas viaturas que, nos termos das alíneas c) e e) do art. 31, não sejam
aceites como custos.
o Exemplo: A HIWA pagou no exercício passado, pelo ALD – Aluguer de
Longa Duração de uma viatura ligeira, o valor de 400.000,00 MT. Quais
as implicações fiscais deste pagamento?
o Atendendo que o limite máximo de reintegrações deste tipo de viaturas
não excede 800.000,00 MT, e que a taxa máxima de reintegração é de
25%, então o máximo aceite como custo fiscal será 200.000,00 MT.
o A HIWA deverá adicionar à matéria colectável 200.000,00 MT,
correspondentes a 400.000,00 – 200.000,00 – utilizando para o efeito o
Campo 218 do Quadro 8 do M/22.

i) 50% das despesas com viaturas ligeiras de passageiros.

15
Fiscalidade

o Incluem-se nesta categoria as despesas relativas a reparações e


combustíveis, bem como a parte das rendas de ALD aceites como custo
fiscal.
 Exemplo: Para além do valor pago a título de rendas de ALD,
mencionado no ponto anterior, a HIWA despendeu com a mesma
viatura os seguintes montantes:
 Renda aceite fiscalmente: 200.000,00 MT
 Combustível: 50.000,00 MT
 Reparação: 20.000,00 MT

j) As despesas com combustíveis na parte em que o sujeito passivo não faça


prova de que as mesmas respeitam a bens pertencentes ao seu activo ou por
ele utilizadas em regime de locação e de que não são ultrapassados os
consumos normais, relacionados com o objecto social da empresa.

k) Custos não aceites fiscalmente – Resultantes da introdução das NIRF

o Diferenças de câmbios não realizadas;


o Provisões ou perdas por imparidade, se estas não se destinarem a cobrir
os riscos:
 Crédito de imposto;
 Perdas do valor das existências;
 Processos judiciais;

o As despesas com publicidade, na parte em que exceda 1% do volume de


vendas resultante da actividade normal do respectivo exercício;

o Os encargos com campanhas publicitárias são considerados como custo


ao longo de três exercícios.

l) Outras restrições:
o Benefícios Especiais:
 Benefícios fiscais;
 Crédito de imposto por dupla tributação internacional;
 Crédito de imposto por dupla tributação económica.

16
Fiscalidade

DETERMINAÇÃO DO RENDIMENTO GLOBAL


O rendimento global é formado pela soma algébrica dos rendimentos líquidos das
várias categorias de IRPS.
De acordo com o nº2 do Artigo 42º do CIPRC, não são aplicáveis a determinação
do rendimento global as disposições que, para efeitos de IRPS, permitam a
imputação de rendimentos a anos anteriores a sua percepção.
Os prejuízos apurados relativamente ao exercício de actividade comerciais,
indústrias ou agrícolas e as menos valias, só podem ser deduzidos aos rendimentos
das respectivas categorias, num ou mais dos seis exercidos posteriores. Por outro
lado, não se permite a imputação de rendimentos a anos diferentes do da sua
percepção.

RENDIMENTOS NÃO IMPUTÁVEIS A ESTABELECIMENTO ESTÁVEL


Estes rendimentos são determinados de acordo com as regras estabelecidas para as
categorias correspondente para efeitos de IRPS.

MÉTODOS DE DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA COLECTÁVEL

REGRA GERAL
A matéria colectável é determinada com base na declaração do contribuinte sem
prejuízo de posterior controlo pela administração fiscal. Assim, havendo declaração,
a actuação da administração fiscal será sempre a posterior, dado o sistema de
autoliquidação vigente em sede de IRPC.

NA AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO
Compete a Administração Tributária a determinação da matéria colectável.

POR RECURSO AOS MÉTODOS INDIRECTOS


Por último e no que respeita à determinação do lucro tributável, a base do
apuramento da matéria colectável dos residentes que exerçam a título principal
actividade comercial, industrial e agrícola e dos não residentes com rendimentos
imputáveis a um estabelecimento estável, poderá ainda haver recurso a métodos
indirectos. (artigo 16º, nº3).
REQUISITOS E CONDIÇÕES DE APLICAÇÃO
De acordo com o Artigo 46º verifica-se por inexistência de contabilidade, atrasos ou
irregularidade na execução e organização, recusa de exibição de contabilidade, bem

17
Fiscalidade

como a sua falsificação ou destruição, erros e inexactidões na contabilização das


operações.

GARANTIA ESPECIAL DOS CONTRIBUINTES


De acordo com a Lei 2/2006, especificamente no artigo 53º os contribuintes devem
ser notificados do resultado fixado, devidamente fundamentado, ou seja, que
exponha de modo claro os fundamentos, critérios e cálculos efectuados, podendo no
prazo de 30 dias a contar da notificação, solicitar a revisão do lucro tributável em
requerimento dirigido ao director da Área Fiscal.

LIQUIDAÇÃO E PAGAMENTO
CÁLCULO DO IMPOSTO

TAXA DE IMPOSTO APLICÁVEL A ENTIDADES RESIDENTES


A taxa aplicável a matéria colectável é de 32%. Até 31 de Dezembro de 2010, a
actividade agrícola e pecuária beneficiavam de uma taxa reduzida de 10 %.
Mais ainda, os encargos não devidamente documentados e as despesas de carácter
confidencial ou ilícito são tributados autonomamente à taxa de 35% sem prejuízo do
custo não ser aceite para efeitos de determinação da matéria colectável.

ENTIDADES NÃO RESIDENTES


A taxa aplicável, quando disponham de estabelecimento estável, é de 32%.

2.7. O PAGAMENTO DO IMPOSTO

PAGAMENTOS POR CONTA E AUTOLIQUIDAÇÃO


As entidades residentes que exerçam a título principal actividade de natureza
comercial, industrial ou agrícola e não residente com estabelecimento estável devem
efectuar três pagamentos por conta nos meses de Maio, Julho e Setembro do próprio
ano a que respeita o lucro.
As entidades não residentes com estabelecimento estável e com período de
tributação diferente do ano civil e outras entidades que tenham requerido um
período de tributação diferente do ano civil devem efectuar pagamentos por conta
no quinto (5º), sétimo (7º) e nono ( 9º) mês do período de tributação.

18
Fiscalidade

A Sociedade ABC em 2017 teve lucro fiscal de 1 000 000,00 Mts e tem exercício
económico igual ao ano civil.
a) Qual deve ser o pagamento por conta em 2018?
b) Quais são os meses do seu pagamento?
c) Suponha que tenha um exercício económico que inicie em 01 de Abril e termine no
dia 31 de Março do ano seguinte, quais são os meses do seu pagamento?

a) Fórmula
PPC = (Matériacolectável*80%*32%) /3
Resolução
PPC = (1 000 000,00 *0,8*0,32)/3
PPC = 85 333,33

O pagamento por conta é calculado com base no resultado fiscal do anterior, no


entanto o valor total a pagar é de 256 000,00, mas dividido em três prestações
iguais de 85 333,33 Mts.

b) Os pagamentos Por Conta (PPC) são sempre feitos no 5°, 7° e 9° mês, portanto
os meses de pagamento seriam: Maio, Julho e Setembro.
c) Conforme vimos a posição dos meses de pagamento, neste caso seriam Agosto,
Outubro e Dezembro.
Nota: O pagamento por conta é adiantamento do IRPC do ano corrente é por isso que a
pós declaração do imposto (M22) a empresa pode ter IRPC a recuperar se o adiantamento
for superior ao imposto apurado do ano em análise ou IRPC a pagar se o adiantamento for
inferior ao imposto apurado ou mesmo Zero se o adiantamento for igual ao imposto
apurado.

Ficam dispensados de proceder a pagamentos por conta, nos termos do artigo 73º,
os contribuintes cujo imposto do exercício de referência para o respectivo cálculo
for inferior a 100.00MT.
Os pagamentos por conta são calculados com base no imposto liquidado
relativamente ao exercício imediatamente anterior à aquele em se devem efectuar
esses pagamentos, líquido da dedução relativa a retenções na fonte. Os pagamentos
por conta dos contribuintes corresponderão a 80% do montante do imposto
liquidado no exercício anterior, repartido por três montantes iguais.

A diferença que existir entre o imposto calculado na declaração de rendimento e as


importâncias entregues a título de pagamento por conta, deverá ser paga até o termo
do prazo fixado para a apresentação da declaração periódica de rendimentos.
Havendo lugar a reembolso, nos termos do nº2 artigo 30º do RCIRPC, e a
declaração for apresentada no prazo legal, este deverá ser efectuado ao fim do
terceiro mês (3º) imediato ao da apresentação da declaração.

19
Fiscalidade

As entidades residentes que não exercem a título principal actividade comercial,


industrial ou agrícola devem proceder ao pagamento do imposto até ao termo do
prazo para a apresentação da declaração de rendimentos ou em caso de declaração
de substituição, até ao dia da sua apresentação.
Entidades não residentes sem estabelecimento estável ou tendo-os os rendimentos
não lhe são imputáveis: os rendimentos auferidos e sujeitos ao IRPC são, em regra,
tributados por retenção na fonte a título definitivo. Exceptuam-se os rendimentos
derivados da prestação de serviços de telecomunicações e transportes internacionais,
bem como as resultantes de montagem e instalação de equipamentos efectuados
pelas referidas entidades, que ficam sujeitas a taxa de 10%.

2.8. PAGAMENTOS ESPECIAIS POR CONTA


As entidades que exerçam a título principal actividade comercial, industrial ou
agrícola, e os não residentes com estabelecimento estável em território
Moçambicano, ficam sujeitos a um pagamento especial por conta, a efectuar em três
prestações durante os meses de Junho, Agosto e Outubro. No caso de optarem por
um período de tributação não coincidente com o ano civil p pagamento devera
ocorrer no 6º 8º e 10º mês do período de tributação respectivo.
Este pagamento que não tem lugar no exercício em que se inicia a actividade, será
de montante igual a diferença entre o valor correspondente a 0.5% do volume de
negócios, com limite mínimo de 30,000.00MT e máximo de 100,000.00MT e o
montante dos pagamentos por conta efectuados no ano anterior.
Caso Prático 1

A Sociedade Beta Lda obteve em 2017


 Volume de Negócio (valor das vendas e dos serviços prestados
geradores de rendimentos sujeitos e não isentos) : 5 800 000,00 Mts
 Pagamentos por conta calculados efectuados 15 000,00 Mts
a) Calcular o Pagamento Especial por Conta (PEC) em 2017
Resolução
Cálculo 1
5 800 000,00 * 0,5% = 29 000,00
Como é inferior ao limite mínimo considera-se tal limite, ou seja, 30 000,00 Mts
Cálculo 2
Montante de PEC a efectuar
Fórmula
PEC = Limite inferior de PEC – Pagamento por Conta

20
Fiscalidade

PEC = 30 000,00Mts – 15 000,00 Mts = 15 000,00 Mts

PEC = 15.000,00/3 = 5.000,00 Mts


Se a empresa adoptar o ano cívil os pagamentos serão efectuados em Junho, Agosto e
Outubro.
CasoPrático 2
1. A Sociedade Beta Lda foi criada em 2014
 Volume de Negócio (valor das vendas e dos serviços prestados
geradores de rendimentos sujeitos e não isentos) : 3 300 000,00 Mts
 Neste ano o resultado fiscal foi de 0,00
a) Apure o Pagamento Especial por Conta em 2014
b) Apure o Pagamento Especial por Conta em 2015
Resolução

a) Não há PEC pois sendo 1° ano não há base para o seu cálculo.

b) Cálculo 1
3 300 000,00 * 0,5% = 16 500,00 Mts
PEC = 30 000,00Mts
PEC = 30 000,00/3 = 10.000,00 Mts
Uma vez o valor calculado ser inferior ao limite inferior, então considera-se limite inferior
de 30 000,00 Mts, visto que nem se pode ter o valor do pagamento por conta com base na
informação do ano anterior uma vez o resultado ter sido zero.
Caso Prático 3
A Sociedade Beta Lda obteve em 2019
 Volume de Negócio (valor das vendas e dos serviços prestados
geradores de rendimentos sujeitos e não isentos) : 22 000 000,00 Mts
 Pagamentos por conta calculados efectuados 30 000,00 Mts
b) Calcular o Pagamento Especial por Conta (PEC) em 2020

Resolução

Cálculo 1
22 000 000,00 * 0,5% = 110 000,00

Cálculo 2
PEC = 100 000,00 – 30 000,00 = 70 000,00 Mts

21
Fiscalidade

PEC = 70 000,00/3 = 23 333,33 Mts

Como no cálculo 1 o valor é superior ao limite máximo, a base de cálculo usada no cálculo
de PEC é o limite máximo.

2.9. RETENÇÃO NA FONTE


Os rendimentos previstos no nº1 do artigo 67º, quando obtidos por residentes e não
residentes com estabelecimento estável a que imputar rendimentos, e de acordo com
nº3 e 4 do artigo 75º, são sujeitos a retenção na fonte com natureza de pagamentos
por conta, por aplicação, como regra das taxas previstas para IRPS.
Os mesmos rendimentos quando auferidos por não residentes que não disponham de
estabelecimento estável, ou dispondo os rendimentos não lhe sejam imputáveis, são
sujeitos na retenção na fonte. Neste caso, a retenção na fonte é efectuada a título
definitivo, sendo aplicáveis as taxas previstas no nº2 do artigo 62º.
Exceptuam-se desta regra os rendimentos prediais auferidos por não residentes que
não tem estabelecimento estável, ou tendo-o os rendimentos não lhe são imputáveis,
cuja retenção na fonte tem carácter definitivo.

Sempre que sejam pagos rendimentos a entidades residentes em países com os quais
Moçambique tenha celebrado convenção destinada a eliminar a dupla tributação,
devem ser aplicadas as taxas ai previstas. Apenas assim será se a taxa prevista na lei
interna for mais baixa do que a prevista na convenção.
o Moçambique celebrou estes acordos com alguns países a saber: Maurícias,
Portugal, Itália, EAU e RSA)
o
País
Rendimento Itáli
Maurícias Portugal EUA RSA
a
Lucros 0% 0% 0% 0% 0%
Royalties 5% 10% 10% 5% 5%
Dividendos 8% 10% 15% 0% 15%
Juros 8% 10% 10% 0% 8%

A retenção na fonte relativa aos rendimentos derivados do exercício de actividade


de profissionais de espectáculo ou desportistas, terá lugar sempre que o titular dos
rendimentos não faça prova junto da entidade devedora, antes da sua colocação à
disposição, de que não é controlado directa ou indirectamente pelos profissionais do
espectáculo ou desportistas.

22
Fiscalidade

De acordo com nº 5 do artigo 67º, a obrigação de efectuar a retenção na fonte de


IRPC ocorre na data em que estiver estabelecida idêntica obrigação para IRPS, ou
na sua falta, na data da colocação à disposição dos rendimentos. Por seu turno, as
importâncias retidas deverão ser entregues até ao dia 20 do mês seguinte àquele em
que foram deduzidas.

2.10. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS


OBRIGAÇÕES DECLARATIVAS

DECLARARÃO PERIÓDICAS DE RENDIMENTOS

Os sujeitos passivos de IRPC, ainda que isentos temporariamente ou isentos


definitivamente que sejam sujeitos a uma qualquer tributação autónoma e, ainda, as
entidades sujeitas ao regime de transparência fiscal, são obrigados, apresentar as
respectivas declarações de rendimentos, nos seguintes termos:
o Declaração periódica de rendimentos, até ao último dia do mês de Maio, na
Direcção de Área Fiscal da sede, direcção efectiva ou estabelecimento estável
em que estiver centralizada a contabilidade.

À mesma obrigação, de acordo com o nº4 do artigo 39º do CIRPC, ficam sujeitos os
não residentes que obtenham rendimentos não imputáveis a um estabelecimento
estável, não tribulados por retenção na fonte a título definitivo.
A respectiva declaração periódica de rendimentos deve ser apresentada, nos
seguintes prazos:
o Relativamente a rendimentos derivados de imóveis, em que a retenção na fonte
tem a natureza de pagamentos por conta, até ao último dia útil do mês de Maio
do ano seguinte aquele a que respeitam os rendimentos, ou até ao último dia útil
do prazo de 30 dias a contar da data em que tiver cessado a obtenção de
rendimentos.
o Relativamente a ganhos resultantes da transmissão onerosa de imóveis e ganhos
resultantes da transmissão onerosa de partes representativas do capital de
entidades com sede ou direcção efectiva em território Moçambicano, em que
não lugar a retenção na fonte, até ao último dia útil do prazo de trintas dias a
contar da data da transmissão.

Os sujeitos passivos que, optem por um período de tributação diferente do ano civil,
devem apresentar a respectiva declaração de rendimentos até ao ultimo dia útil do 5º
mês posterior a data do termo desse período.

23
Fiscalidade

Poderá ser apresentada uma declaração de substituição fora do prazo e pago o


imposto em falta quando tenha sido liquidado imposto inferior ao devido ou
declarado prejuízo fiscal superior ao efectivo.

MODELOS DE IMPRESSOS DE IRPC


DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS
Foram publicados pelo Ministério das Finanças os modelos dos seguintes
impressos:
o Declaração modelo 22 - Contabilidade organizada e Regime Simplificado de
Escrituração;
o Declaração modelo 22/A - Regime simplificado de determinação do Lucro
Tributável;

DECLARAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA


No que respeita ao IRPC, relevam os seguintes anexos:
o Anexo A – sujeitos passivos quer exercem, a título principal, actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola com contabilidade organizada;
o Anexo B – sujeitos passivos quer exerçam, a título principal, actividade de
natureza comercial, industrial ou agrícola, do regime simplificado de
escrituração;
o Anexo C – Entidades residentes que não exercem a título principal uma
actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola;
o Anexo D – entidades não residentes sem estabelecimento estável
o Anexo E – Sujeitos passivos de IRPS com contabilidade organizada;
o Anexo F – Entidades sujeitas ao regime de transparência fiscal – Imputação
de rendimentos aos sócios;
o Anexo G – Descriminação dos rendimentos com vários regimes de
tributação no IRPS ou no IRPC;
o Anexo H – Rendimentos pagos.

DECLARAÇÃO ANUAL DE INFORMAÇÃO CONTABILÍSTICA


A declaração deve ser apresentada até ao último dia útil do mês de Junho, em
qualquer repartição de Finanças, em suporte de papel ou formato electrónico.

24
Fiscalidade

Quando os sujeitos passivos optem por um período de tributação diferente do ano


civil, a declaração deve ser apresentada até ao último dia do 6º mês posterior à data
do termo desse período.
Esta declaração deve ser apresentada com os documentos abaixo indicados:

a) Declaração de compromisso de honra do Técnico de Contas autenticada pelo


director da Área fiscal;
b) Balancetes analíticos antes e após apuramento do resultado do exercício;
c) Balanço de modelo previsto no Plano Geral de Contas;
d) Listagem dos beneficiários dos donativos concedidos;
e) Mapa demonstrativo da determinação de resultados em relação a obras de carácter
plurianual;
f) Mapa de modelo oficial das reintegrações e amortizações contabilizadas;
g) Mapa de modelo oficial de provisões.

OUTRAS OBRIGAÇÕES
OBRIGAÇÕES CONTABILÍSTICAS E DE ESCRITURAÇÃO
Nos termos do artigo 75º, os residentes que exerçam a título principal uma
actividade da natureza comercial, industrial ou agrícola, bem como os não
residentes que possuam estabelecimento estável, são obrigados a dispor de
contabilidade organizada nos termos da lei comercial e fiscal de modo a permitir o
controlo do lucro tributável.
Por outro lado, na execução da contabilidade todos os lançamentos devem estar
apoiados em documentos justificativos, datados e susceptíveis de serem
apresentados sempre que necessários e as operações devem ser registada
cronologicamente, sem emendas ou rasuras, devendo os erros ser objecto de
regularização contabilística, logo que descobertos.
Durante 10 anos subsiste a obrigação de conservar em boa ordem os livros de
contabilidade, registos auxiliares e os respectivos documentos de suporte.
Por fim, e na impossibilidade de obter a autenticação dos livros de Inventários e
Balanço e Diário, nos termos da lei comercial, devem os mesmos ser apresentados
na repartição de finanças da área do contribuinte, para que sejam assinados os seus
termos de abertura e encerramento e rubricadas as respectivas folhas.
A contabilidade e escrituração das entidades mencionadas, deverá ser centralizada
em estabelecimento ou instalação situada em território Moçambicano, que no caso
dos residentes abrange também as operações realizadas no estrangeiro e no caso de

25
Fiscalidade

não residentes com estabelecimento estável, abrange apenas as operações que lhe
sejam imputáveis.

DOSSIER FISCAL
Os sujeitos passivos de IRPC, com excepção dos isentos nos termos do artigo 9º do
respectivo código, são obrigados manter em boa ordem, durante o prazo de 10 anos,
um processo de documentação fiscal relativo a cada exercício anual de informação
contabilística com os elementos contabilísticos e fiscais.

A empresa XYZ LDA. com sede em Maputo na Av. Josina Machel n° 508, Nuit 400300200 estando
no regime geral de IRPC apresentou em 31/12/2017 o seguinte balancete rectificado:

Movimentos Acumulados Saldos


Descrição
Débito Crédito Devedor Credor
11 Caixa 1.589.000,00 1.415.500,00 173.500,00
12 Bancos 2.425.300,00 1.725.270,00 700.030,00
22 Mercadorias 1.986.750,00 1.420.750,00 566.000,00
32 Activos Tangíveis 342.500,00 342.500,00
33 Activos Intangíveis 100.000,00 100.000,00
38 Amortizações 73.000,00 73.000,00
41 Clientes 2.283.750,00 2.175.000,00 108.750,00
42 Fornecedores 2.199.460,00 2.779.500,00 580.040,00
44 Estado 18.870,00 18.870,00
46 Outros Credores 22.375,00 485.000,00 462.625,00
49 Acréscimos e diferimentos 31.500,00 31.500,00
51 Capital 660.000,00 660.000,00
61 Custo dos inventários 1.000.000,00 1.000.000,00
62 Gastos com o pessoal 200.000,00 200.000,00
622 Remuneração dos Trabalhadores 175.000,00 175.000,00
623 Encargos sobre remunerações 12.250,00 12.250,00
625 Ajudas de custo 12.750,00 12.750,00
63. Fornec. e Serv. de Terceiros 241.250,00 241.250,00
63211 Água 10.000,00 10.000,00
63212 Electricidade 30.000,00 30.000,00
63216 material de escritório 22.000,00 22.000,00
63221 Manutenção e Reparação 9.250,00 9.250,00
63227 Propaganda e Publicidade 50.000,00 50.000,00
62229 Despesas de representação 40.000,00 40.000,00
63299 Outros serviços 80.000,00 80.000,00
65 Amortizções do Periodo 32.000,00 32.000,00
651 Activos Tangíveis 25.000,00 25.000,00
652 Activos Intangíveis 7.000,00 7.000,00
6.8 Outros Gastos e Perdas Operac. 6.630,00 6.630,00
682 Impostos e Taxas 4.000,00 4.000,00
6896 Multas e Penalidades 2.630,00 2.630,00
69 Gastos Financeiros 19.750,00 19.750,00
6941 Diferenças de câmbio realizadas 7.000,00 7.000,00

26
Fiscalidade

6942 Diferenças de câmbio não realizadas 3.500,00 3.500,00


695 Descontos de Pronto Pagamento 4.000,00 4.000,00
698 Outros gastos e perdas financeiros 5.250,00 5.250,00
71 Vendas 1.704.250,00 1.704.250,00
76 Out. Rendimentos e Ganhos Operac. 12.535,00 12.535,00
78 Rend. e ganhos Financeiros 10.590,00 10.590,00
781 Juros Obtidos 8.090,00 8.090,00
7842 Diferec. de câmbio não realizadas 2.500,00 2.500,00
Total 12.480.265,00 12.480.265,00 3.521.910,00 3.521.910,00

Informação adicional
o As ajudas de custo contratualizadas pelo uso da viatura não foram tributadas em
sede de IRPS
o Nas despesas referentes aos outros serviços 10% apresentam comprovativos sem
NUIT do fornecedor
o A amortização dos activos intangíveis apurou-se com base no valor atribuído ao
terreno da empresa
o A matéria colectável de 2016 foi de 100.000,00 Mts e no ano corrente a empresa
efectuou o pagamento por conta.

Pedidos:
a) Apure o resultado contabilístico ou preencha o modelo 20A1
b) Preencha o modelo 22
Resolução
a

Apuramento do Lucro Contabilistico


1 71 Vendas 1.704.250,00
2 76 Out. Rend. E Ganhos Operacionais 12.535,00
3 78 Rendimentos e Ganhos Financeiros 10.590,00
4 Total de Receitas (1+2+3) 1.727.375,00
5 61 Custo dos inventários 1.000.000,00
6 62 Gastos com o pessoal 200.000,00
7 63. Fornec. e Serv. de Terceiros 241.250,00
8 65 Amortizções do Periodo 32.000,00
9 6.8 Outros Gastos e Perdas Operac. 6.630,00
10 69 Gastos Financeiros 19.750,00
11 Total de Gastos (5+6+7+8+9+10) 1.479.880,00
12 Resultado contabilístico do Exercício (4-11) 247.495,00

Nota Explicativa: Para o preenchimento do modelo 22 primeiro é necessário apurar o


resultado do exercício por via de modelo 20A1 ou demonstração de resultado como é o
caso deste exemplo. Importa referir que o resultado do exercício de forma geral é a
diferença entre as receitas (classe 7) e as despesas (classe 6)

27
Fiscalidade

Preenchimento do modelo 22

28
Fiscalidade

8 - APURAMENTO DO LUCRO TRIBUTÁVEL


RESULTADO DO EXERCÍCIO 201 247.495,00
Variações patrimoniais positivas não refletidas no resultado líquido (art21do CIRPC) 202
Variações patrimoniais negativas não refletidas no resultado líquido (art24do CIRPC) 203
RESULTADOS APÓSVARIAÇÕESPATRIMONIAIS(Campos 201+
202-203) 204 247.495,00
Matériacolectável imputadaporsociedades transparentes (art.6)di CIRPC) 205
Reintegrações eamortizações não aceites como custo (art.31do CIRPC) 206 7.000,00
Despesas ilícitas,prémios deseguros econtribuições (nº1a)e(nº2art.23do IRPC) 207
Diferenças decâmbio não realizadas (art.22c) 208 3.500,00
Provisões não dedutíveis ouparaalémdos limites legais (arts.33a35do IRPC) 209
Realizações deutilidadesocial não enquadráveis (arts.37a40do IRPC) 210
Donativos não previstos oualémdos limites legais (art.41do IRPC) 211
IRPC (art.43nº1alíneaa)do IRPC) 212
Imposto eencargos daresponsabilidadedeoutrém(art43nº1b)do CIRPC) 213
Multas,coimas,juros compensatórios edemais encargos pelapráticadeinfracções (art43nº1c) 214 2.630,00
Indeminizações poreventos seguráveis (art.43nº1d)do CIRPC) 215
50%das ajudas decustos edecompensação pelautilização [Link] trabalhador(art.43nº1h) 216 6.375,00
A CRESCER

Despesas comapublicidadeparaalémdos limites legais (art.36n°1n) 217 32.957,50


80%das despesas derepresentação art.43nº1f)do CIRPC) 218 32.000,00
Despesas confidenciais e/ounão documentadas (art.43nº1g)do IRPC) 219 8.000,00
Importâncias devidas pelo aluguerdeviaturas semcondutor(art.43nº4h) 220
Combustível consumidos emexcesso ouemviaturas quenão seprovepertenceremàempresa(art.43nº1i)
do IRPC 221
50%dos encargos comviaturaligeiras depassageiros (art.43nº4)do IRPC 222
Menos-valias contabilísticas 223
Mais-valias fiscais 224
Correcções nos casos decrédito deimposto (art.62nº1do CIRPC) 225
Correcções relativas aexercícios anteriores 226
227
228
229
230
231
SOMA (Campos 204 a 232) 232 339.957,50
Reposição deprovisões tributadas 233
Mais-valias Contabilísticas 234
Menos-valias fiscais 235
Restituição deimpostos não dedutíveis eexcesso deestimativaparaimpostos 236
Duplatributação ecnómicadelucros distribuidos (art.47do IRPC) 237
A DEDUZIR

Benefícios fiscais 238


Diferenças decâmbio não realizadas (art.20,3,c.) 239 2.500,00
240
241
242
243
244
245
SOMA DAS DEDUÇÕES (Campos 231a 243) 250 2.500,00
PREJ UIZOS PARA EFEITOS FISCAIS (Se 250 >230) a transportar para o campo 260, 270
e/ou 280 do quadro 9 251
LUCRO TRIBUTÁVEL (Se 230 ≥ 250) A transportar para o campo 261, 271e/ou 281quadro 9
252 337.457,50

29
Fiscalidade

9 - APURAMENTO DA MATÉRIA COLECTÁVEL/DEDUCÇÕES DE PREJUÍZOS (art.48 do CIRPC)


A - Deentidades comcontabilidadeorganizada,queexercematítulos principal,actividadedenaturezacomercial,industrial ouagrícola
A transportardo quadro 8, oudo
REGIME GERAL COM REDUÇÃO DE TAXA COM ISENÇÃO
quadro 4do M/20G
1- PREJUIZOFISCAL 260 0,00 270 280
2- LUCROTRIBUTÁVEL 261 337.457,50 271 281
Exercício N-5 262 272 282
Exercício N-4 263 273 283
Exercício N-3 264 274 284
Exercício N-2 265 275 285
Exercício N-1 266 276 286
3- PREJUIZOSFISCAISDEDUZIDOS267 277 287
4-Benefícios Fiscais deduzidos 268 278 288
MATÉRIA COLECTÁVEL 269 337.457,50 279 289

30
Fiscalidade

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
IRPC- DECLARAÇÃODERENDIMENTOS M/22
Ministério das Finanças
Autoridade Tributária de Moçambique
(CONTABILIDADE ORGANIZADA E REGIME SIMPLIFICADODE ESCRITURAÇÃO) IRPC
DIRECÇÃOGERAL DE IMPOSTOS

1 - NOME/ DESIGNAÇÃOSOCIAL DOSUJEITOPASSIVO 2 - NUIT - Número Único de


Identificação Tributária
XYZ LDA 4 0 0 3 0 0 2 0 0
3 - TIPODEDECLARAÇÃO 4 - EXERCÍCIO/PERÍODODETRIBUTAÇÃO
X 1ªDeclaração do Exercício Decessação deActividade Periodo de tributação 2 0 1 7
DeSubstituição Datadecessação X Ano Civil
DeLiquidação ____/___ __/____ Outro DE ___________ A _____________

5 - REGIMEDEESCRITURAÇÃO
X ContabilidadeOrganizada Simplificado deEscrituração

6 - TIPODESUJEITOPASSIVO
ResidentequeNÃOexerce,atítulo
Residentequeexerce,atítulo principal, principal actividadecomercial,industrial ou Não ResidenteCOM Não ResidenteCOM
X
actividadecomercial,industrial ouagrícola agrícola estabelecimento estável estabelecimento estável
7 - REGIMEDETRIBUTAÇÃODERENDIMENTOS
X Geral Isenção definitiva Isenção temporária Redução deTaxa Transparênciafiscal

10 - CÁLCULODEIMPOSTO

Imposto àtaxanormal Campo 269ou290do quadro 9x32% 300 107.986,40


Imposto àtaxaReduzidaCampo 269ou290do quadro 9x___% 301
COLECTA (300 +301) 302 107.986,40
Duplatributação económica 303
Duplatributação internacional 304
Benefícios fiscais 305
Pagamento especial porconta 306
307
TOTAL DAS DEDUÇÕES (303 +304 +... +307) 308 0,00
IRPC LIQUIDADO (302-308) ≥ 0 SE (302-308) <0 inscreva "0" (zero) 309 107.986,40
Retenções naFonte 310
Pagamentos porconta 311 25.600,00
312
IRPC A PAGAR Se (309 - 310 - 311- 312) >0 313 82.386,40
IRPC A RECUPERAR Se (309 - 310 - 311- 312) <0 314
IRPC deexercícios anteriores 315
J uros Compensatórios 316
J uros deMora 317
318
TOTAL A PAGAR [ (313 ou 314) +315 +316 +317 +318] >0 319 82.386,40
TOTAL A RECUPERAR ( - 314 +315 +316 +317 +318) <0 320
11 - OBSERVAÇÕES 13 - USOEXCLUSIVODOSSERVIÇOS

ComImposto apagar Comimposto arecuperar Nula

12 - AUTENTICAÇÃODOSUJEITOPASSIVO Nº de Entrada
A presentedeclaração correspondeaverdadeenão omitequalquer
informação perdida Sector Cap. Art. Alínea Número
Data: 25 / 05 / 201
8 DATA DE PAGAMENTO/ ENTREGA DA
CÓDIGODAENIDADERECEBEDORA
Nome: Valter Machava DECLARAÇÃO
Ass :
Qualidade Socio-Gerente Dia Mês Ano
RepresentanteeNUIT 1E+08

Técnico de Contas (Sujeitos passivos comcontabilidade organizada)


Nº de Receita
Nome do Func.
Nome: Emílio Muchanga Ass
NUIT 111190303
INSERÇÃODE DADOS
Ass : Nomedo Func....................................
Nºdeinscrição DNIA .............................................................................
1020/16 Data:_____/_____/_______ Ass ..................................................

31
Fiscalidade

Nota Explicativa: Caro Estudante importa referir que no preenchimento deste modelo a
última página é a primeira no modelo físico e a primeira página é a do meio. No
preenchimento do modelo 22-existem elementos que é necessário analisar o balancete para
o preenchimento de modelo 22.
No campo 206 lançou o valor não aceite conforme alinea b do artigo 27° CIRPC

No campo 208 o valor de diferença de câmbio desfavoráveis não realizadas não são aceites
fiscalmente por isso que são acréscidas no apuramento do lucro tributável.

No campo 214 o valor da multas que se verifica no balancete não são aceites conforme
alinea c do n° 1 do artigo 36° CIRPC.

No campo 216 o valor de ajudas de custos que não forem tributadas em sede do IRPS não
são aceites em 50% do seu valor por 12.750,00*0,5 = 6.375,00 Mts

No campo 217 o valor da publicidade que exceeder 1% do volume de vendas não são
aceites conforme alinea n do n° 1 do artigo 36° do CIRPC. Cálculos 1.704.250, 00*0, 01-
50.000,00 = 32.957,50

No campo 218 conforme alinea f do n° 1 do artigo 36° do CIRPC 40.000,00*0,8 =


32.000,00

No campo 219 considera-se despesas não documentadas porque sem Nuit não são válidos.
80.000,00*0,1 = 8.000,00

No campo 239 deduz-se 2.500,00 porque trata-se de ganhos não realizados.

No campo 300 calcula-se 32% da matéria colectável que são 337.457,5*0,32 = 107.986,40

No campo 311 lembre-se da fórmula do Pagamento por conta 100.000,00*0,8*0,32 =


25.600,00

O resto dos campos o modelo explica com as fórmulas.

2. Considere o balancete rectificado da empresa XYZ LDA, sabe-se que a mesma


não efectuou o pagamento por conta porque em 2015 e 2016 teve prejuízos de
200.000,00 Mts e 138.042,50 Mts respectivamente.

Pede-se:
a) O preenchimento do modelo 22
b) Qual é a data da entrega deste modelo nas finanças?

32
Fiscalidade

33
Fiscalidade

9 - APURAMENTO DA MATÉRIA COLECTÁVEL/DEDUCÇÕES DE PREJ UÍZOS (art.48 do CIRPC)


A - Deentidades comcontabilidadeorganizada,queexercematítulos principal,actividadedenaturezacomercial,industrial ouagrícola
A transportardo quadro 8, oudo
REGIME GERAL COM REDUÇÃO DE TAXA COM ISENÇÃO
quadro 4do M/20G
1- PREJUIZOFISCAL 260 0,00 270 280
2- LUCROTRIBUTÁVEL 261 337.457,50 271 281
Exercício N-5 262 272 282
Exercício N-4 263 273 283
Exercício N-3 264 274 284
Exercício N-2 265 138.042,50 275 285
Exercício N-1 266 200.000,00 276 286
3- PREJUIZOSFISCAISDEDUZIDOS267 277 287
4-Benefícios Fiscais deduzidos 268 278 288
MATÉRIA COLECTÁVEL 269 -585,00 279 289

34
Fiscalidade

REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE
IRPC- DECLARAÇÃODERENDIMENTOS M/22
Ministério das Finanças
Autoridade Tributária de Moçambique
(CONTABILIDADE ORGANIZADA E REGIME SIMPLIFICADODE ESCRITURAÇÃO) IRPC
DIRECÇÃOGERAL DE IMPOSTOS

1 - NOME/ DESIGNAÇÃOSOCIAL DOSUJEITOPASSIVO 2 - NUIT - Número Único de


Identificação Tributária
XYZ LDA 4 0 0 3 0 0 2 0 0
3 - TIPODEDECLARAÇÃO 4 - EXERCÍCIO/PERÍODODETRIBUTAÇÃO
X 1ªDeclaração do Exercício Decessação deActividade Periodo de tributação 2 0 1 7
DeSubstituição Datadecessação X Ano Civil
DeLiquidação ____/___ __/____ Outro DE ___________ A _____________

5 - REGIMEDEESCRITURAÇÃO
X ContabilidadeOrganizada Simplificado deEscrituração

6 - TIPODESUJEITOPASSIVO
ResidentequeNÃOexerce,atítulo
Residentequeexerce,atítulo principal, principal actividadecomercial,industrial ou Não ResidenteCOM Não ResidenteCOM
X
actividadecomercial,industrial ouagrícola agrícola estabelecimento estável estabelecimento estável
7 - REGIMEDETRIBUTAÇÃODERENDIMENTOS
X Geral Isenção definitiva Isenção temporária Redução deTaxa Transparênciafiscal

10 - CÁLCULODEIMPOSTO

Imposto àtaxanormal Campo 269ou290do quadro 9x32% 300


Imposto àtaxaReduzidaCampo 269ou290do quadro 9x___% 301
COLECTA (300 +301
) 302 0,00
Duplatributação económica 303
Duplatributação internacional 304
Benefícios fiscais 305
Pagamento especial porconta 306
307
TOTAL DAS DEDUÇÕES (303 +304 +... +307) 308 0,00
IRPC LIQUIDADO (302-308) ≥ 0 SE (302-308) <0 inscreva "0" (zero) 309 0,00
Retenções naFonte 310
Pagamentos porconta 311
312
IRPC A PAGAR Se (309 - 31
0 - 31
1- 31
2) >0 313
IRPC A RECUPERAR Se (309 - 31
0 - 31
1- 31
2) <0 314
IRPC deexercícios anteriores 315
J uros Compensatórios 316
J uros deMora 317
318
TOTAL A PAGAR [ (31
3 ou 31
4) +31
5 +31
6 +31
7 +31
8] >0 319
TOTAL A RECUPERAR ( - 31
4 +31
5 +31
6 +31
7 +31
8) <0 320
11 - OBSERVAÇÕES 13 - USOEXCLUSIVODOSSERVIÇOS

ComImposto apagar Comimposto arecuperar Nula

12 - AUTENTICAÇÃODOSUJEITOPASSIVO Nº de Entrada
A presentedeclaração correspondeaverdadeenão omitequalquer
informação perdida Sector Cap. Art. Alínea Número
Data: 25 / 05 / 201
8 DATA DE PAGAMENTO/ ENTREGA DA
CÓDIGODAENIDADERECEBEDORA
Nome: Valter Machava DECLARAÇÃO
Ass :
Qualidade Socio-Gerente Dia Mês Ano
RepresentanteeNUIT 1E+08

Técnico de Contas (Sujeitos passivos comcontabilidade organizada)


Nº de Receita
Nome do Func.
Nome: Emílio Muchanga Ass
NUIT 111190303
INSERÇÃODE DADOS
Ass : Nomedo Func....................................
Nºdeinscrição DNIA .............................................................................
1020/16 Data:_____/_____/_______ Ass ..................................................

35
Fiscalidade

2b) Resposta: O modelo 22 deve ser submetido nas Finanças entre 1 de Janeiro a 31 de
Maio do ano seguinte se adoptar o ano cívil.
Diferenças de Cambio à Luz do IRPC
Nestes termos, entendem-se realizadas as diferenças cambiais apuradas:
a) Na data de pagamento efectivo;
b) Na data do recebimento efectivo; ou
c) Na data de compensação ou anulação de saldos.
e não na data de da simples actualização cambial dos mesmos.

Divida em Divida em 31/12


Descrição
01/01/2016 USD 2016 em USD
Dívida 100.000,00 100.000,00
Câmbio 30,00 34,00
Pagamento 0,00 70.000,00
Diferenças cambiais 0,00 400.000,00
Não realizadas 0,00 400.000,00
Realizadas 0,00 280.000,00
Dif. Cambiais Modelo 22 0,00 120.000,00

Saldo Inicial da dívida = 100.000 @ 30,00 300.000,00


Actualização cambial da dívida = 100 000@34,00 3.400.000,00
Diferença cambial nãorealizada 400.000,00

Pagamento de parte da dívida


Saldo Inicial da dívida 70.000@ 30,00 2.100.000,00
Actualização cambial da dívida 70 000@34,00 2.380.000,00
Diferença cambial realizada 280.000,00

No modelo 22 a diferença de câmbio não realizada será de 120.000,00 = (400.000,00 –


280.000,00)

36
Fiscalidade

EXERCÍCIOS

1. A empresa XTP apurou no N a matéria colectável de 130.000,00 Mts, e sabe-se que


durante o ano em curso fez pagamentos por conta. No ano N-1 apurou-se a matéria
colectável de 162.500,00 Mts.
a) A empresa terá IRPC a recuperar ou a pagar? Em caso de uma das
possibilidades qual é o valor?

2. A ABC S.A tem como resultado do exercício 100.000,00 Mts sendo que nas
despesas do período contabilizou-se a amortização da viatura ligeira em 200.000,00
Mts a razão da taxa de amortização de 20% e sabe-se que no ano anterior teve
prejuízo de 20.000,00 Mts.
a) Qual é o valor de aquisição da viatura?
b) Qual é o valor do lucro tributável e da matéria colectável?
c) Calcule o IRPC a pagar.
d) Se no lugar de prejuízo do ano anterior a matéria colectável fosse um valor
positivo de 50.000,00 Mts dando lugar ao pagamento por conta qual seria o
valor do IRPC do ano em curso.

A empresa XYZ LDA. com sede em Maputo na Av. Josina Machel n° 508, Nuit 400300200 estando
no regime geral de IRPC apresentou em 31/12/2017 o seguinte balancete rectificado:

Movimentos Acumulados Saldos


Descrição
Débito Crédito Devedor Credor
11 Caixa 1.589.000,00 1.415.500,00 173.500,00
12 Bancos 2.425.300,00 1.725.270,00 700.030,00
22 Mercadorias 1.986.750,00 1.420.750,00 566.000,00
32 Activos Tangíveis 342.500,00 342.500,00
33 Activos Intangíveis 100.000,00 100.000,00
38 Amortizações 73.000,00 73.000,00
41 Clientes 2.283.750,00 2.175.000,00 108.750,00
42 Fornecedores 2.199.460,00 2.779.500,00 580.040,00
44 Estado 18.870,00 18.870,00
46 Outros Credores 22.375,00 485.000,00 462.625,00
49 Acréscimos e diferimentos 31.500,00 31.500,00
51 Capital 660.000,00 660.000,00
61 Custo dos inventários 1.000.000,00 1.000.000,00
62 Gastos com o pessoal 200.000,00 200.000,00
622 Remuneração dos Trabalhadores 175.000,00 175.000,00
623 Encargos sobre remunerações 12.250,00 12.250,00
625 Ajudas de custo 12.750,00 12.750,00
63. Fornec. e Serv. de Terceiros 241.250,00 241.250,00
63211 Água 10.000,00 10.000,00
63212 Electricidade 30.000,00 30.000,00

37
Fiscalidade

63216 material de escritório 22.000,00 22.000,00


63221 Manutenção e Reparação 9.250,00 9.250,00
63227 Propaganda e Publicidade 50.000,00 50.000,00
62229 Despesas de representação 40.000,00 40.000,00
63299 Outros serviços 80.000,00 80.000,00
65 Amortizções do Periodo 27.000,00 27.000,00
651 Activos Tangíveis 27.000,00 25.000,00
6.8 Outros Gastos e Perdas Operac. 11.630,00 11.630,00
682 Impostos e Taxas 3.000,00 3.000,00
6896 Multas e Penalidades 3.630,00 3.630,00
6895 Donativos 5.000,00 5.000,00
69 Gastos Financeiros 19.750,00 19.750,00
6941 Diferenças de câmbio realizadas 7.000,00 7.000,00
6942 Diferenças de câmbio não realizadas 3.500,00 3.500,00
695 Descontos de Pronto Pagamento 4.000,00 4.000,00
698 Outros gastos e perdas financeiros 5.250,00 5.250,00
71 Vendas 1.700.000,00 1.700.000,00
76 Out. Rendimentos e Ganhos Operac. 15.125,00 15.125,00
763 Ganhos em Investimento de Capital 12.535,00 12.535,00
764 Ganhos em Inventários e Activos Biol. 2.590,00 2.590,00
78 Rend. e ganhos Financeiros 12.250,00 12.250,00
Total 12.480.265,00 12.480.265,00 3.521.910,00 3.521.910,00

Informações Adicionais
 Os ganhos com investimento de capital foram objecto de tributação em sede de
IRPS como rendimentos da terceira categoria
 Os donativos patentes no balancete não foram canalizados ao Estado nem às suas
autarquias
 Nas despesas referentes aos outros serviços 15% apresentam comprovativos sem
NUIT do fornecedor
 As ajudas de custos foram objecto de tributação em sede de IRPS.
 A empresa foi constituida em 2016 e teve prejuízo de 150.000,00 Mts

Pede-se:
a) O apuramento ou demonstração do resultado contabilístico
b) O preenchimento do modelo 22.

38

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