Darcy: tipagem
➔ Identidade
Iniciando por este tópico, acredito que seja melhor ir do concreto para
o abstrato. Então: eu sou brasileira nata, tenho 16 anos e 10 meses, sou uma
mulher cisgênero e heterossexual. Comentando sobre minha trajetória de
firmação da identidade de gênero e orientação sexual, devo dizer que foi
sempre alvo de testes. Acontece que eu nunca fui o estereótipo de
feminilidade, então meu entorno (colegas, familiares, amigos) questionavam
bastante a minha sexualidade — que só vim a ter certeza há cerca de um ano. Eu
não sou ‘inconforme’, ou coisa do tipo, é só que sempre fui muito desligada de
mim no aspecto físico/sensorial — do que eu gosto em alguém, o que eu quero,
etc. —; e chegando na adolescência, percebi que não tinha para onde correr:
precisava descobrir isso sozinha ou passaria o resto da minha vida à mercê do
que os outros falam de mim. Caminhando para o abstrato, eu me defino como
alguém… estranho. Eu amo socializar desde que me queiram na conversa,
ainda que no fim eu não fale muito. Também sou alguém dada a compromissos e
responsabilidades, e me vejo como uma pessoa essencialmente curiosa.
De modo geral, valorizo demais a comunicação/expressividade e a
ordem/hierarquia, atribuindo a tudo uma causalidade como forma de não
surtar e querer me suicidar neste mundo.
➔ Relacionamentos, conexões
Tenho alguns pouquíssimos contatos além de alguns parentes e meu
namorado. Não considero ninguém que conheço como ‘amigo’ porque não
confio em ninguém, e prefiro continuar assim.
Tendo a me dar bem com as pessoas mais velhas e, apesar de não ser uma
grande fã de crianças, elas costumam simpatizar comigo. Com gente estranha
da minha faixa etária, porém, não sou muito popular. Acredito ser porque não
temos muito o que falar, já que a personalidade média de um adolescente
daqui diverge da minha de modo a repelir uma aproximação subjetiva. Fico meio
pá com isso, mas não faço realmente algo a respeito; apenas respondo, por
exemplo, se me derem uma abertura clara.
➔ Medos e vulnerabilidades
Tenho muito medo de estar errada e isso me leva a protelar,
reformulando e reestruturando infinitamente até implodir e só começar a
fazer sem pensar, sem parar. Minha reputação é valiosa para mim, também; então
ao errar/falhar em público, sinto-me quebrar aos pedaços, como se perdesse a
confiabilidade (qualidade que prezo por). A priori, busco lidar com
argumentos, desviando da culpa, mas no fim sempre acabo reconhecendo e
assumindo as consequências.
➔ Infância
Fui descrita como uma garota meiga, compreensiva, esquisita e
responsável. Eu sempre gostei muito de ajudar, mas isso só ocorria com as
figuras mais velhas (sendo uma prodígio) ou mais novas (sendo um exemplo).
Desde cedo, lidar com as pessoas da minha faixa etária foi um impasse, tanto
pelo motivo supracitado (personalidades divergentes), quanto por uma
sensação de que elas não queriam me ver bem. Por este motivo, pelo final do
Fundamental I até o início do Ensino Médio, parei de ser eu mesma a fim de me
enturmar — o que não rolou mesmo assim. Depois disso, mandei todos os
astros, os autos, os signos, os dogmas, os búzios, as bulas se danarem e só
comecei a fazer o que acho certo, mesmo que não seja muito útil no momento.
➔ Relação com a figura materna e paterna
Deixo claro que sou muito mais próxima de minha avó, porque meus pais
não puderam me criar na parte mais valiosa de minha infância (4–8 anos).
Com meu pai eu sempre fui mais… expressiva, e, sei lá, buscava mais
atenção dele; com minha mãe, eu tentava obter alguma resposta positiva
através das mesmas ações, mas ela sempre foi muito fechada comigo. Quando
cheguei na puberdade, me afastei bastante dos dois e, com palavras, já os
machuquei a ponto de fazê-los chorar. Me senti indiferente nesse momento,
mas desejei que não tivesse sido assim. Desde a puberdade tenho comprado
muitas discussões com meus pais, atacando a autoridade deles… Eu só sei que
preciso lutar pelo que é meu, mesmo que seja, em última instância,
majoritariamente improdutivo (meu pai é bem autoritário e inflexível). Nas
primeiras vezes eu me calava fácil e chorava de raiva, mas agora eu respondo
qualquer ameaça, qualquer aumento do tom e castigo com sarcasmo, deboche
e lógica, porque se tornou previsível, costumeiro. Não gosto da minha posição
atual (como eles me tratam em certos aspectos), mesmo que seja bem
privilegiada tomando como medida outros núcleos familiares que conheço.
➔ Comportamento
Sou alguém que costuma estar com a mente vazia no que tange a
sentimentos a maior parte do tempo. Minhas emoções mais frequentes são:
raiva, medo, culpa — acho que nessa ordem, mesmo. Geralmente eu “adoço” a
expressividade de tais, trazendo o sentimento numa pegada cômica a fim de
deixar as coisas mais leves e ainda assim resolvidas (ou não transparecer
fraquezas). Costumo ser vista como uma pessoa séria, de pouco acesso, e
nerdola; entre gente mais próxima, no entanto, sou descrita como uma palhaça
total (e ainda nerdola). Gosto muito do jogo de sedução (tudo no seu tempo) e
tenho o hábito de mexer bastante com meu namorado nesse aspecto, embora
adote uma postura mais kawaii desu, super shy quando ele revida.
➔ Como você se vê?
Séria, mas palhaça; irascível, mas paciente; interessada, mas apática;
sociável, mas distante. Sou a porra duma contradição.
➔ Raiva, tristeza e medo
Bem… Eu os suporto, já que não tem para onde fugir (não dá pra
controlar o que sinto, só o que faço a partir de tal). Já falei mais sobre isso
no outro tópico, então isso é tudo.
➔ Autoridade
Eu sou submissa a quem merece minha submissão e mais autoritária com
quem não. Avalio qual lado de mim a pessoa merece de forma estratégica.
Final
LII SO6?