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O Verdadeiro Amor Cristão e Seu Significado

O amor verdadeiro, segundo a fé cristã, é sacrificial e se origina em Deus, não nas emoções ou necessidades pessoais. Devemos amar incondicionalmente, seguindo o exemplo de Cristo, que se doou por nós, e isso implica abrir mão de nossas próprias necessidades em favor do próximo. O amor cristão é uma expressão prática que reflete a natureza trinitária de Deus e deve ser vivido em ações, não apenas em palavras.
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O Verdadeiro Amor Cristão e Seu Significado

O amor verdadeiro, segundo a fé cristã, é sacrificial e se origina em Deus, não nas emoções ou necessidades pessoais. Devemos amar incondicionalmente, seguindo o exemplo de Cristo, que se doou por nós, e isso implica abrir mão de nossas próprias necessidades em favor do próximo. O amor cristão é uma expressão prática que reflete a natureza trinitária de Deus e deve ser vivido em ações, não apenas em palavras.
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Amor

Tive um sonho que revelou uma verdade fundamental: nós só amaremos de fato quando
entendermos que Deus é o próprio amor. O amor ao próximo implica, naturalmente, a
existência do amor a Deus, e o amor a Deus implica, naturalmente, o amor ao próximo.

O amor não tem sua origem em nós, mas em Deus. Dessa forma, nosso amor não pode ser
baseado em nossas emoções, desejos ou naquilo que recebemos do outro. As vezes achamos
que estamos amando o outro e não estamos, estamos nos amando, nos satisfazendo. O amor
baseado na auto satisfação não é amor.

Na fé cristã o amor é definido a partir da entrega, da renúncia, da doação, do dom, do sacrifício


do próprio Deus em favor de seres humanos pecadores, orgulhosos, não merecedores de
misericórdia:
Amados, continuemos a amar uns aos outros, pois o amor vem de Deus. Quem ama é nascido de
Deus e conhece a Deus. Quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor.
Deus mostrou quanto nos amou ao enviar seu único Filho ao mundo para que, por meio dele,
tenhamos vida. É nisto que consiste o amor: não em que tenhamos amado a Deus, mas em que
ele nos amou e enviou seu Filho como sacrifício para o perdão de nossos pecados.
Amados, visto que Deus tanto nos amou, certamente devemos amar uns aos outros.
1João 4.7-11

O verdadeiro amor é sacrificial. Ele não depende do que o outro nos dá, mas da nossa disposição
de nos doar. Muitas vezes, confundimos amor com troca: amamos alguém porque essa pessoa
nos faz sentir bem, nos acolhe, nos respeita. Mas se esse amor depende do que recebemos,
será que é realmente amor? O amor real permanece mesmo quando não há nada a ganhar. Ele
sacrifica o que o outro poderia representar para nós, porque sua base não está em nós mesmos,
mas em Deus.

Isso não significa que devemos permanecer numa relação tóxica, por exemplo, apenas mostra
que o amor real não ama para receber algo, mas é uma entrega total ao outro. Amar não é se
anular, mas doar-se de forma saudável.

Se o amor que eu sinto pelo outro tem a ver com a satisfação das minhas próprias necessidades,
eu não estou amando.

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não
maltrata, não procura os próprios interesses, não se ira, não guarda rancor. O amor não se alegra
com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”
1Coríntios 13:4-7

A beleza do evangelho é esta: Deus veio até nós. A fé cristã declara uma mensagem
descendente: não é o ser humano que vai em busca de Deus, mas o próprio Deus vem em busca
do ser humano. O Filho de Deus se fez homem. A própria Vida que habita em Deus veio ao
mundo e revelou aos seres humanos a identidade inatingível daquele que é (1Jo 1.2). Com isso,
Deus se fez genuinamente nosso próximo, nosso irmão, nosso amigo, nosso Salvador (1Jo 1.3).

É esse amor de Deus pela humanidade que nos leva a amar o semelhante. A cruz de Jesus Cristo
não é apenas o instrumento de nossa salvação, é também nosso modelo de vida, pois, uma vez
que Deus assim nos amou, nós também devemos amar uns aos outros. O texto de 1João 4.12-16
nos ensina como vivenciar plenamente esse amor divino:
Ninguém jamais viu a Deus. Mas, se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e seu
amor chega, em nós, à expressão plena.
Deus nos deu seu Espírito como prova de que permanecemos nele, e ele em nós. Além disso,
vimos com os próprios olhos e agora testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o
Salvador do mundo. Aquele que declara que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e
ele em Deus. Sabemos quanto Deus nos ama e confiamos em seu amor.
Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele.

Satanás deseja que vivamos um amor egoísta, baseado em nosso próprio prazer e necessidades.
Quando buscamos apenas o que o outro pode nos oferecer, deixamos de obedecer ao
mandamento de amar ao próximo como a nós mesmos. Esse amor centrado no “eu” cria
problemas nas relações, pois passamos a ver o outro como alguém que deve nos satisfazer.
Pequenos conflitos do dia a dia, como se irritar porque alguém quer sair de chinelo, surgem
desse pensamento distorcido.

Todo pecado está enraizado no amor próprio exagerado. Até mesmo em questões morais, o que
muitas vezes parece amor pode ser apenas uma forma de buscar a própria satisfação. O amor
genuíno não é fundamentado no que nos faz sentir bem, mas no que fazemos pelo outro. Por
isso, o amor cristão é sacrificial.

Devemos nos perguntar: Quantas pessoas nós realmente amamos? Será que amamos alguém
porque ele nos acolheu ou nos fez sentir bem? Ou será que amamos com o amor de Deus, que é
incondicional?

Eu amo a minha vó porque ela sempre me acolheu. Também posso amar o outro pelo que ele me
serve. Mas o amor não pode parar naquilo que recebemos. Ele deve se transformar em serviço.
Quando conseguimos abrir mão das nossas próprias necessidades em favor do outro, nosso
amor se alinha ao amor de Deus. Afinal, o maior exemplo de amor foi Cristo, que abriu mão de
tudo por nós.

Meu pai não é mais o herói que eu achava quando criança, meu marido não é mais o último
romântico do início do namoro, mas ainda assim, sem receber aquilo que me fazia ama-los, ainda
os amo, porque não depende do que o outro me dá, mas do que eu faço por ele.

Precisamos abrir mão de querer nos satisfazer nas relações o tempo todo.
Eu só amo fulano pelo que ele me faz sentir?
Eu amo realmente aquela pessoa com o amor de Cristo?
Quando o amor consegue abrir mão das próprias necessidades, aí sim se torna o amor de Deus.

Mas há um equilíbrio, não é me anular para que o outro seja feliz. Exemplo: a esposa antigamente
tinha que sempre fazer sexo com o marido ao ponto de se ferir.
Se o outro te força a algo que você não pode, aí é o limite do “se doar”.
O sacrifício não pode ser usado para justificar abusos. Se o outro nos força a algo que nos
destrói, isso não é amor.

Assim, devemos nos perguntar diariamente: “O quanto estou disposto a abrir mão de mim
mesmo, das minhas necessidades e dificuldades para amar verdadeiramente?” Amar é um
desafio, mas também um chamado divino. Que nosso amor seja um reflexo do amor de Deus, e
não apenas um meio de satisfazer nossas próprias vontades.

“Ninguém jamais viu a Deus”, mas ele se fez visível em Jesus Cristo (1Jo 1.2). Jesus, Deus Filho,
mostrou Deus Pai (Jo 14.9). Assim como o Filho tornou o amor de Deus Pai audível, visível e
tangível (1Jo 1.1), a manifestação tangível de amor entre os amados, e a partir dos amados, torna
Deus visível às pessoas.
Essa vida em amor só é possível porque o próprio Espírito de Deus permanece em nós. Por isso
vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho para ser o Salvador do mundo.
A singularidade da compreensão cristã de Deus reside na revelação de que Deus é um ser plural:
Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo estão eternamente unidos em amor. Deus é trinitário:
ele é três pessoas. Cada pessoa é plenamente Deus, e há um só Deus.
O amor cristão é, portanto, trinitário, pois estamos agora unidos ao próprio Deus em amor: o Pai
é a fonte do amor, Jesus é o modelo do amor e o Espírito é o capacitador do amor. E esse amor
deve ser confessado diante de todos e de tudo. Não apenas com palavras, mas com ações (1Jo
3.18). O amor não é para ser compreendido apenas intelectualmente, mas vivido na prática. É
para ser vivenciado, e só há uma maneira muito clara de fazê-lo: amando a Deus e o próximo. O
amor de Deus é nossa certeza espiritual. Sabemos que ele age em tudo para o bem daqueles
que o amam (Rm 8.28), dos que foram chamados de acordo com o seu propósito.
Sabemos em quem cremos e que nosso Redentor vive.
O amor é a suprema graça cristã. Por isso o nascido de Deus tem um volver intrínseco à
convivência, saindo do “eu” e chegando ao “nós”. Esse virar-se ao próximo é essencial à visão
cristã do ser humano, pois conhecemos o amor que Deus tem por nós, e confiamos nesse amor.
Amém.

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