PNAES
1º Para fins desta Portaria, entende-se como Atenção Especializada o conjunto de
conhecimentos, práticas assistenciais, ações, técnicas e serviços envolvidos na produção do
cuidado em saúde marcados, caracteristicamente, por uma maior densidade tecnológica.
§ 2º A Atenção Especializada compreende, dentre outras, as seguintes ações e serviços
constantes em políticas e programas do Sistema Único de Saúde:
I - a rede de urgência e emergência;
II - os serviços de reabilitação;
III - os serviços de atenção domiciliar;
IV - a rede hospitalar;
V - os serviços de atenção materno-infantil;
VI - os serviços de transplante do Sistema Nacional de Transplantes (SNT);
VII - os serviços de atenção psicossocial;
VIII - os serviços de sangue e hemoderivados;
IX - a atenção ambulatorial especializada, incluindo os serviços de apoio diagnóstico e
terapêuticos.
Art. 4º São diretrizes da Política Nacional de Atenção Especializada em Saúde:
I - ampliação e garantia do acesso da população a serviços especializados, em tempo
oportuno, com referência territorial e considerando as necessidades regionais, garantindo a
equidade no atendimento, a qualidade assistencial, a integralidade e a maior efetividade e
eficiência na aplicação dos recursos financeiros;
II - promoção da regionalização dos serviços de atenção especializada em saúde e da
integração com os demais serviços na perspectiva da Redes de Atenção à Saúde (RAS), em
consonância com as pactuações regionais e macrorregionais;
III - garantia da coordenação do cuidado e da continuidade assistencial, por meio de
planejamento da estruturação e oferta de serviços, fluxos assistenciais e transporte sanitário
em função das necessidades de saúde da população de um território definido, no âmbito das
regiões de saúde;
IV - promoção de um modelo de atenção centrado nas necessidades de saúde das
pessoas e no cuidado ao usuário, que engaje a pessoa na produção de seu cuidado e favoreça
o compartilhamento de decisões e a atuação interprofissional, interdisciplinar e integrada das
diferentes equipes e serviços;
V - fortalecimento da Atenção Primária, por meio do adensamento da sua capacidade
clínica, ampliação da sua resolubilidade, da sua capacidade de ordenação do acesso e
coordenação do cuidado, de forma articulada com a Atenção Especializada, por meio da
promoção da comunicação, corresponsabilização do cuidado, compartilhamento das decisões
clínicas e de gestão de recursos necessários entre profissionais, equipes e serviços;
VI - promoção da cultura de segurança do paciente nos serviços especializados, de
acordo com suas especificidades, por meio de monitoramento, avaliação e controle de
estruturas, processos e resultados assistenciais, para garantir a qualidade no cuidado;
VII - estímulo à adoção de estratégias de formação, educação permanente, valorização,
provimento e fixação de profissionais de saúde, visando a melhoria da atenção e a oferta de
serviços com qualidade e em quantidade suficiente para garantir o acesso da população, em
especial aquela de territórios mais vulneráveis e com vazios assistenciais;
VIII - qualificação da regulação assistencial, centrada no usuário e produtora de cuidado,
na garantia da integralidade com critérios claros, equânimes e baseados em diretrizes clínicas
compartilhadas pelos serviços da RAS, visando monitorar, reduzir os tempos de espera,
minimizar o absenteísmo, evitar a realização de procedimentos desnecessários, aumentar a
transparência, fortalecer a coordenação do cuidado e promover a vinculação,
corresponsabilização e comunicação entre equipes demandantes, ofertantes e usuários;
IX - promoção da disponibilização de transporte sanitário regionalizado que busque
garantir cuidado digno e deslocamento adequado, com financiamento tripartite;
X - estímulo ao uso oportuno e adequado de soluções e inovações de saúde digital para
compartilhar e interoperar informações e sistemas, tornar mais ágil e oportuna a comunicação
entre os pontos de atenção, melhorar a qualidade, a agilidade, a segurança, a efetividade e a
eficiência dos serviços presenciais e remotos e engajar usuários, visando assegurar
continuidade do cuidado, bem como evitar deslocamentos e procedimentos desnecessários;
XI - promoção de novas modelagens de serviços de atenção especializada, com a
indução de boas práticas de atenção, educação, gestão e participação e a integração desses
serviços na RAS;
XII - promoção de maior participação do governo federal no custeio, em pactuação com
estados, Distrito Federal e municípios, diante do reconhecimento da diversidade de arranjos de
organização dos serviços de atenção especializada, considerando o território e as
desigualdades sociais e regionais;
XIII - gestão de tecnologia em saúde, considerando critérios de custo-efetividade e a
modernização do parque tecnológico, visando apoiar a transformação digital do setor saúde,
buscando a efetividade e eficiência do sistema de saúde, e o avanço tecnológico.
XIV- promoção da articulação entre governos, instituições de ensino, pesquisa e
desenvolvimento e a sociedade, visando a produção e disseminação de conhecimentos, a
inovação e o desenvolvimento científico e tecnológico;
XV - substituição gradativa da forma de financiamento, alterando o modelo de
pagamento por procedimento para a remuneração em modelo fundado no cuidado integrado e
integral, na contratualização de metas qualitativas e quantitativas, considerando os recursos
aplicados pelas três esferas de governo, as especificidades regionais, as pactuações nos
espaços de gestão interfederativa do SUS e assegurando a transparência e eficiência na
aplicação dos recursos;
XVI - participação da sociedade e atuação do controle social no processo de
implementação, monitoramento e avaliação da política;
XVII - estímulo à práticas de gestão e de trabalho que assegurem a inserção das ações
de vigilância em saúde, promoção e prevenção em toda a Rede de Atenção à Saúde;
XVIII - oferta de cuidado especializado orientado pelo princípio da equidade, promovendo
a elaboração e implementação de estratégias que garantam o acesso e a qualidade da
assistência aos grupos vulnerabilizados nos serviços e equipamentos da RAS, reconhecendo e
respeitando as diversidades socioculturais e o enfrentamento do racismo estrutural; e
XIX - desenvolvimento de ações de assistência farmacêutica e de uso racional de
medicamentos, de forma a garantir a disponibilidade e acesso a medicamentos e insumos em
conformidade com a Relação Nacional de Medicamentos (RENAME), os protocolos clínicos e
diretrizes terapêuticas, e com a relação específica complementar estadual, municipal, da União,
ou do Distrito Federal de medicamentos nos pontos de atenção ambulatorial e hospitalar,
visando a integralidade do cuidado.