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Elementos e Estrutura do Conto

O conto é um gênero narrativo curto que possui uma estrutura definida, incluindo introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão, e é caracterizado por elementos como personagens, narrador, tempo, espaço, enredo e conflito. Existem diferentes tipos de contos, como contos de fadas, contos de terror e contos fantásticos, cada um com suas particularidades. O documento também apresenta um exemplo de conto tradicional brasileiro, 'A festa no céu', que ilustra esses elementos e a narrativa breve.

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Elementos e Estrutura do Conto

O conto é um gênero narrativo curto que possui uma estrutura definida, incluindo introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão, e é caracterizado por elementos como personagens, narrador, tempo, espaço, enredo e conflito. Existem diferentes tipos de contos, como contos de fadas, contos de terror e contos fantásticos, cada um com suas particularidades. O documento também apresenta um exemplo de conto tradicional brasileiro, 'A festa no céu', que ilustra esses elementos e a narrativa breve.

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CONTO

Conto é um gênero narrativo caracterizado por ser curto e breve.


Apresenta introdução, desenvolvimento, clímax e conclusão. O tipo
de conto é definido pelo seu enredo.
Os contos são narrativas curtas que possuem diversas modalidades
que variam conforme seus enredos.
O conto é um gênero caracterizado por ser uma
narrativa literária curta, tendo começo, meio e fim da história
narrados de maneira breve, porém o suficiente para contar a história
completa.

O conto possui elementos e estrutura bem marcados, sendo que


o tipo de história pode indicar o tipo de conto que estamos lendo.
Vamos aprender um pouco mais sobre esse gênero narrativo.

Elementos de um conto
Para que uma narrativa seja considerada um conto, alguns elementos
são muito importantes: personagens, narrador, tempo, espaço,
enredo e conflito.

 Personagens
As narrativas (reais ou fictícias) precisam ter um ou mais seres
vivenciando sua história. Esses seres podem ser pessoas ou, até
mesmo, animais, objetos e seres imaginários que ganham vida e
consciência para viver aquela história — são as personagens da
narrativa.

Embora seja comum que o conto tenha poucas personagens,


existem contos com muitas delas (habitantes de um bairro, por
exemplo). Mesmo assim, a narrativa continua sendo breve.

 Narrador
É a voz que conta a história dentro da narrativa. O narrador pode
contar a história de três maneiras:


o Narrador-personagem: quando uma das personagens
que vivencia a história faz, também, o papel de narrador,
ou seja, uma das personagens narra a história. Por isso,
muitas vezes, os verbos são conjugados em primeira
pessoa, mas podem também ser conjugados em terceira
quando o narrador-personagem conta o que acontece
com os outros personagens.
o Narrador-observador: esse tipo de narrador não
participa da história. Ao invés disso, ele é apenas uma
“voz” contando o que acontece, narrando a história.
Entretanto, assim como o leitor, esse narrador não sabe o
que se passa na consciência das personagens, não sabe o
que aconteceu no passado (anterior à narrativa) nem o
que acontecerá no futuro.
o Narrador-onisciente: assim como o observador, ele não
participa da história. Entretanto, essa “voz” é onisciente,
ou seja, sabe de tudo no universo daquela narrativa: ela
sabe (e pode contar) o que as personagens estão
pensando e sentindo. Também conhece (e pode contar) o
passado anterior à narrativa e o futuro.

 Tempo
As narrativas passam-se em um período determinado: trata-se
do tempo de duração entre o início e o final da narrativa e
da época em que a narrativa ocorre. É mais comum que as
histórias dos contos aconteçam em pouco tempo (podendo ser
minutos ou até alguns dias), mas é possível que elas se passem
durante muitos anos (em qualquer um desses casos, a narrativa será
breve por tratar-se de um conto).

Alguns contos são sobre histórias que se passam nos dias de hoje, e
outros podem passar-se em algum lugar do passado ou, até mesmo,
em um futuro imaginado pelo autor (e descrito pelo narrador da
história).

 Espaço
Assim como o tempo, as narrativas precisam ocorrer em um espaço,
descrito explicita ou implicitamente, onde as personagens situam-
se.

Novamente, por tratar-se de narrativa breve e curta, é mais comum


que o conto ocorra em apenas um ou poucos espaços, mas ainda
é possível que muitos cenários sejam percorridos durante a história
(podendo ser apenas um pequeno cômodo de uma moradia, um país
inteiro ou outra galáxia distante e imaginária). Em todo caso, a
narrativa continuará sendo curta.

 Enredo
É o que acontece na história, ou seja, a sequência de ações que faz
com que a narrativa exista e tenha uma estrutura: um começo, um
meio e um fim. Vamos falar mais sobre o enredo adiante.
 Conflito
Por fim, os contos têm um conflito, que é uma situação gerada por
uma das ações iniciais (ou em uma das ações iniciais) e que faz
com que outras ações sejam tomadas pelas personagens para
solucionar o problema. Essa sequência de ações forma o enredo e,
geralmente, deixa o começo da narrativa diferente do final.

Estrutura do conto
O conto costuma ser estruturado em quatro partes: introdução,
desenvolvimento, clímax e conclusão. Vamos a elas:

o Introdução (ou apresentação/equilíbrio inicial): é o início


da narrativa. Nela, podemos descobrir o contexto da narrativa:
quem são as personagens, qual é o espaço e o tempo nos quais
a história vai ser narrada e quais são os primeiros
acontecimentos dela.
o Desenvolvimento (ou complicação/surgimento do
conflito): apresenta as ações que modificam o estado inicial da
narrativa. Vemos o conflito (situação-problema) que fará as
personagens agirem para resolvê-lo.
o Clímax: é o momento de maior tensão, quando o problema
está no auge e as ações tomadas definirão o rumo da história.
o Conclusão (ou desfecho/solução do conflito): como o nome
já diz, é o final da história, que será provavelmente diferente de
como ela começou. Pode mostrar que o problema foi
solucionado ou não, dependendo muito mais do tipo de conto
que estamos lendo.

Tipos de conto
O conto é classificado como um gênero narrativo, ou seja, um tipo
de narração. No entanto, existem vários tipos de contos dependendo
dos elementos que compõem a história e de como ela pode terminar,
dando subgêneros a eles. Vejamos alguns mais famosos:

 Conto de fadas (ou conto maravilhoso)


São narrativas curtas que possuem um elemento
“maravilhoso” em sua composição, ou seja, algo mágico ou
sobrenatural. Não existem explicações para as intervenções
sobrenaturais que ocorrem na narrativa; tanto personagens, quanto
narrador e mesmo o leitor não se impressionam com o que ocorre.
As personagens, lugares e tempos não são determinados
historicamente, o que fica claro pelo início genérico do “Era uma
vez”. Apesar disso, sabemos que sua origem é medieval, período
aproximado em que se passa a maioria de suas histórias. Nesse tipo
de conto, o leitor espera um final feliz e uma moral da história, o
que costuma acontecer.

 Conto de terror
Subgênero mais moderno do que o conto de fadas. Nos contos de
terror, as histórias incluem os elementos sobrenaturais sem aquele ar
de naturalidade: trata-se dos contos de terror
com personagens lendários, como vampiros, lobisomens, mortos-
vivos etc.

Aqui, já se vê uma diferença na percepção dos personagens diante


dos fatos sobrenaturais e até o leitor fica assustado com a
história. Nem sempre a narrativa acaba com final feliz.

 Conto fantástico
Narrativas curtas que levam o elemento “absurdo” a cenários e
personagens do próprio cotidiano. São personagens comuns levando
uma vida comum até que algo absurdo acontece, algo que não
poderia acontecer na realidade.

É justamente a proximidade com a realidade do leitor que causa um


maior estranhamento na história. O leitor busca uma explicação
para o que ocorre (será um sonho?), mas não fica com medo como
acontece nos contos de terror.

A festa no céu |1|


(Conto tradicional do Brasil)

Entre todas as aves, espalhou-se a notícia de uma festa no céu. Todas


as aves compareceriam e começaram a fazer inveja aos animais e
outros bichos da terra incapazes de voo.

Imaginem quem foi dizer que ia também à festa... O Sapo! Logo ele,
pesadão e nem sabendo dar uma carreira, seria capaz de aparecer
naquelas alturas. Pois o Sapo disse que tinha sido convidado e que ia
sem dúvida nenhuma. Os bichos só faltaram morrer de rir. Os
pássaros, então, nem se fala!

O Sapo tinha seu plano. Na véspera, procurou o Urubu e deu uma


prosa boa, divertindo muito o dono da casa. Depois disse:
— Bem, camarada Urubu, quem é coxo parte cedo e eu vou indo,
porque o caminho é comprido.

O Urubu respondeu:

— Você vai mesmo?

— Se vou? Até lá, sem falta!

Em vez de sair, o Sapo deu uma volta, entrou na camarinha do Urubu


e, vendo a viola em cima da cama, meteu-se dentro, encolhendo-se
todo.

O Urubu, mais tarde, pegou na viola, amarrou-a a tiracolo e bateu


asas para o céu, rru-rru-rru...

Chegando ao céu, o Urubu arriou a viola num canto e foi procurar as


outras aves. O Sapo botou um olho de fora e, vendo que estava
sozinho, deu um pulo e ganhou a rua, todo satisfeito.

Nem queiram saber o espanto que as aves tiveram, vendo o Sapo


pulando no céu! Perguntaram, perguntaram, mas o Sapo só fazia
conversa mole. A festa começou e o Sapo tomou parte de grande.
Pela madrugada, sabendo que só podia voltar do mesmo jeito da
vinda, mestre Sapo foi-se esgueirando e correu para onde o Urubu se
havia hospedado. Procurou a viola e acomodou-se, como da outra
feita.

O sol saindo, acabou-se a festa e os convidados foram voando, cada


um no seu destino. O Urubu agarrou a viola e tocou-se para a Terra,
rru-rru-rru...

Ia pelo meio do caminho, quando, numa curva, o Sapo mexeu-se e o


Urubu, espiando para dentro do instrumento, viu o bicho lá no escuro,
todo curvado, feito uma bola.

— Ah! camarada Sapo! É assim que você vai à festa no céu? Deixe de
ser confiado...!

E, naquelas lonjuras, emborcou a viola. O Sapo despencou-se para


baixo que vinha zunindo. E dizia, na queda:

— Béu-Béu! Se desta eu escapar, nunca mais bodas no céu!

E vendo as serras lá embaixo:

— Arreda pedra, senão eu te rebento!


Bateu em cima das pedras como um jenipapo, espapaçando-se todo.
Ficou em pedaços. Nossa Senhora, com pena do Sapo, juntou todos
os pedaços e o Sapo voltou à vida de novo.

Por isso o Sapo tem o couro todo cheio de remendos.

(Luís Câmara Cascudo)

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