UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
CIÊNCIAS ECONÔMICAS
KAIO ARLEI STRELOW
COMPLEXIDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO: ANÁLISE
DAS ESTRUTURAS PRODUTIVAS E SUAS RELAÇÕES ESPACIAIS
NO ESTADO DO PARANÁ EM 2010 E 2020
CASCAVEL - PR
2022
KAIO ARLEI STRELOW
COMPLEXIDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO: ANÁLISE
DAS ESTRUTURAS PRODUTIVAS E SUAS RELAÇÕES ESPACIAIS
NO ESTADO DO PARANÁ EM 2010 E 2020
Monografia apresentada ao Curso de Graduação em
Ciências Econômicas, do Centro de Ciências Sociais
Aplicadas, campus de Cascavel, da Universidade Estadual
do Oeste do Paraná (Unioeste), como requisito parcial para
a obtenção do grau de Bacharel em Ciências Econômicas,
sob orientação da Professora Dra. Mariângela Alice
Pieruccini Souza.
CASCAVEL - PR
2022
KAIO ARLEI STRELOW
COMPLEXIDADE ECONÔMICA E DESENVOLVIMENTO: ANÁLISE DAS
ESTRUTURAS PRODUTIVAS E SUAS RELAÇÕES ESPACIAIS NO ESTADO DO
PARANÁ EM 2010 E 2020
Monografia apresentada ao Curso de Ciências
Econômicas, do Centro de Ciências Sociais
Aplicadas, campus de Cascavel, da Universidade
Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), como
requisito parcial para a obtenção do grau de
Bacharel em Ciências Econômicas, sob
orientação da Professora Dra. Mariângela Alice
Pieruccini Souza.
BANCA EXAMINADORA
Aprovada em: 02 de agosto de 2022.
Cascavel – PR
Aos meus pais, Celso e Ediri Strelow.
À memória de minha bisavó, Oma Frida Mertens.
AGRADECIMENTOS
A construção de um trabalho desta natureza, apesar do cumprimento de prazos e
atividades que se dão em aproximadamente um ano, na verdade, ocorre ao longo de uma
jornada, a cada conversa, a cada aula, a cada leitura e a cada instante. É uma soma de
contribuições, daqueles que gentilmente se dispõem a compartilhar o que sabem, mas também
os seus questionamentos, que movem a construção do conhecimento. Nesse sentido, agradeço
a todos aqueles que estiveram juntos e compartilharam essa jornada, em especial:
À Professora Dra. Mariângela Alice Pieruccini Souza, um exemplo de economista,
docente e pesquisadora, que me acompanhou ao longo de todo esse processo. Uma mãe
querida que a Universidade trouxe, que me ajudou a “olhar pela janela”, apoiou-me, deu
liberdade para minhas loucuras e sempre soube aparar os excessos – equilíbrio. Obrigado
pelas conversas sobre Economia, Poesia, Filosofia e “Coisas do Sítio”. Graças dou.
Às Professoras Ma. Andréia Polizeli Sambatti e Dra. Rosangela Maria Pontili, que
auxiliaram imensamente nesse processo de construção monográfica, a partir da leitura atenta e
cuidadosa, das sugestões e correções. A dedicação e atenção dispensadas foram fundamentais
para esse trabalho. Agradeço ainda por todo acolhimento e compreensão, ombros e ouvidos.
À Professora Dra. Fabiana Magda Garcia Papani, exemplo de dedicação e integridade.
Gratidão pelas manhãs de terças e quintas-feiras de 2018, em que o amor pela Matemática
transparecia pelos seus olhos a cada aula de Geometria Analítica e Álgebra Linear; pelas
conversas sobre Matemática, com uma dose de Economia e, quiçá, Filosofia; pelas
orientações, ensinamentos, atenção e pela participação na banca final deste trabalho.
A todos os docentes do Colegiado do Curso de Graduação em Ciências Econômicas: o
respeito e compreensão de vocês foram imprescindíveis para a caminhada e, de fato,
equiparam- se a de uma grande família. Obrigado por cada momento e por cada ensinamento,
que ultrapassa a sala de aula. Minha especial gratidão às Professoras Ma. Carla Cristiane do
Nascimento Antunes, Ma. Edinéia Lopes da Cruz Souza e Dra. Kátia Fabiane Rodrigues e aos
Professores Dr. Sérgio Lopes, Dr. Ronaldo Bulhões e Dr. Luiz Alberto Ferreira Garcia.
A todos os docentes e demais funcionários da Universidade Estadual do Oeste do
Paraná, Campus de Cascavel, notadamente do Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA,
grato pelo apoio institucional e pela postura solícita.
Aos Professores Dr. Dominik Hartmann (UFSC) e Dr. Fernando Nogueira da Costa
(Unicamp), que inspiraram muitas reflexões sobre Complexidade Econômica e
Desenvolvimento Socioeconômico e a construção de uma economia pluralista. As
contribuições e inspirações estão presentes neste trabalho. À Professora Dra. Talita Egevardt
de Castro (Unioeste – FB), pelas contribuições para o aprendizado de Econometria Espacial.
Aos valorosos amigos e colegas de trajetória de curso, em especial, aos cafelandenses
Gabriel da Silva de Campos, Eduarda Sales Cardoso e Nathan Maciel Viríssimo. À Eduarda
Caroline Kunzler Brönstrup, Rafael Casagrande, Arnold Rafael Nogueira de Souza, Danielle
Bruna Camana, Luana Antonietti, Matheus Extekoetter Carlin, Kilma Souza Rangel,
Leonardo Costa, Lorena Barbosa Lemos, Anderson Rafael da Silva Lesniewski, Ariel Orlando
Scussel e tantos outros seres especiais que estiveram juntos nas lutas do dia a dia; vocês foram
porto seguro e abraço sincero – obrigado por tanto.
Às professoras e amigas Cleonice Salateski Simão e Marly de Fátima Tavares Biezus,
pelos ensinamentos, conversas, poesias, angústias e alegrias compartilhados ao longo de
quase uma década. Vocês foram, são e serão sempre inspiração. À minha terapeuta, Joice
Amanda Schwab Bieger, profissional responsável e dedicada, que me acompanha e auxilia no
processo de autoconhecimento e superação das dificuldades ao longo do caminho. Seu
trabalho responsável e competente foi indispensável para essa jornada.
Ao fundamento, causa e propósito dessa jornada, minha família. À minha mãe, Ediri
Ribeiro de Assis Strelow, que sempre foi alento, coragem, compreensão e amor. Ao meu pai,
Celso Strelow, presença de dignidade, cuidado e doação. Obrigado pela vida, pelo sustento e
incentivo em cada instante. Sem vocês, essa jornada não seria possível.
Meu reconhecimento infinito por todo esforço para que essa conquista fosse possível;
cada linha desse trabalho é representação de todo o esforço que vocês tiveram para garantir
que minha irmã e eu pudéssemos ir para a Escola, mesmo quando a chuva não favorecia; cada
palavra é símbolo das lágrimas vertidas pela saudade decorrente da distância; mas nem todos
os caracteres do mundo poderiam representar a imensidão do meu amor e gratidão por vocês.
À minha irmã, pela presença alegre e pelo cuidado, mesmo à distância. À minha
prima- irmã, Josicléia de Assis Wanzuita, pelo incentivo e pelas partilhas ao longo da vida. À
memória de minha bisavó, Oma Frida Mertens, e do meu avô, Opa Herbert Strelow; meu
respeito, agradecimento e saudade.
A Deus, pelas suas bençãos e pela sua generosa Graça, pelo cuidado e sustento, pelos
dons, pelo seu Amor e pela permissão para o encerramento desta etapa.
Danke für das Himmelblau und für die Wolken, die es auch gibt
Für die Rosen auf dem Weg, für die Dornen, die sie haben
Durch die Dunkelheit der Nacht, durch den leuchtenden Stern
Für das erhörte Gebet, für den gescheiterten Traum
Se assim aconteceu, assim está certo.
(...) Fui feliz porque não pedi cousa
nenhuma,
Nem procurei achar
nada, Nem achei que houvesse mais
explicação
Que a palavra explicação não ter sentido
nenhum. Não desejei senão estar ao sol
ou à chuva
— Ao sol quando havia sol E à chuva quando estava chovendo
(E nunca a outra
cousa), Sentir calor e frio
e vento, E não ir mais
longe.
(...)
Sentir é estar distraído.
-Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
O exercício do aprender é
fascinante e não saber onde se caminha é
desafiador.
-Andréia Polizeli Sambatti.
“O progresso humano não é medido pela indústria. É medido pelo valor que você
dá a uma vida. Uma vida sem importância. Uma vida sem privilégios. O menino que
morreu no rio, o valor daquele menino é o seu valor. Isso é o que define uma era. Isso é o
que define
uma
espécie.” O Décimo Segundo Doutor, Thin Ice (Doctor
Who, 2017)
RESUMO
Esta pesquisa teve como objetivo analisar as relações entre estruturas produtivas e o desenvolvimento
socioeconômico no estado do Paraná nos anos de 2010 e 2020, sob a ótica da complexidade econômica. Para
tanto, fez-se necessária a revisão dos fundamentos do desenvolvimento econômico, especialmente no que diz
respeito às abordagens vinculadas ao estruturalismo, ao desenvolvimento regional e pesquisas recentes sobre
Complexidade Econômica. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e quantitativa, à medida que
busca resgatar fundamentos da formação histórica do Paraná e relacioná-los com o Indicador de Complexidade
Econômica municipal, como forma de apresentar as configurações socioprodutivas e caracterizar a estrutura
produtiva do estado do Paraná. Além disso, utiliza-se da Análise Exploratória de Dados Espaciais para relacionar
a estrutura produtiva, retratada pelo Índice de Complexidade Econômica Municipal, com os indicadores de
qualidade de vida no estado do Paraná, a saber, Índice de Desenvolvimento Municipal (IDHM), Índice de Gini e
a Taxa de Pobreza. Os resultados obtidos permitiram observar que a formação socioeconômica do estado do
Paraná traz diferenciações espaciais importantes acerca de sua identidade produtiva, principalmente no que diz
respeito à polarização de atividades industriais na região de Curitiba e em outros centros regionais. Quanto à
complexidade, interessa observar que no estado do Paraná se verifica a maior parte dos municípios possui
especialização no setor vinculado à agropecuária; por outro lado, as atividades menos ubíquas se concentram na
Região Metropolitana de Curitiba; apesar de municípios como Londrina, Maringá, Campo Mourão e Cascavel,
por exemplo, serem relativamente diversificados, ainda se trata de atividades pouco ubíquas. No que tange aos
indicadores de qualidade de vida, observou-se que eles estão altamente relacionados no território, de modo que o
desenvolvimento dos municípios paranaenses é um fenômeno regional. Quando se adiciona à análise a
complexidade econômica, observou-se a presença de agrupamentos de municípios com alto IDHM rodeados por
municípios com alta complexidade, como na região de Curitiba, região Norte Central e Oeste Paranaense; o
contrário, ou seja, municípios com baixa complexidade e baixo IDH também é observado na região centro-sul.
Porém, há pontos discrepantes com alta complexidade rodeados por baixo IDHM, devido a uma conjunção de
fatores, inclusive institucionais, que barra o processo de transbordamento, devido ao aprofundamento de
desigualdades regionais e “a armadilha da renda média”. Concluiu-se, assim, que as relações econômicas
complexas observadas no estado do Paraná poderiam trazer melhores respostas no âmbito da diminuição da
pobreza e, consequentemente, condições mais adequadas de desenvolvimento econômico no estado com a
presença de políticas consistentes por meio de um “projeto para o Paraná” que se desdobrasse em compreender
as semelhanças, fraquezas e potencialidades de cada região. Alia-se a isso a estratégia de sofisticação produtiva
pautada em inovação, conhecimento e, sobretudo, aproveitando-se as oportunidades locais – como as
possibilidades de encadeamento, mas notadamente pelo fortalecimento da capacidade institucional da
governança no estado, para que haja a redução sustentável da desigualdade. Sugere-se ainda pesquisas futuras
com outras variáveis ou combinações de variáveis para mensuração da complexidade em nível regional, além da
análise complementar do product-space e do Índice de Complexidade Econômica setorial.
Palavras-chave: Índice de Complexidade Econômica - ICE. Desenvolvimento Regional. Análise Exploratória de
Dados Espaciais - AEDE. Economia Paranaense.
SUMÁRIO
RESUMO....................................................................................................................................7
SUMÁRIO..................................................................................................................................8
LISTA DE FIGURAS...............................................................................................................10
LISTA DE TABELAS..............................................................................................................12
LISTA DE QUADROS.............................................................................................................13
1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................................14
1.1 Objetivos.............................................................................................................................16
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.........................................................................................17
2.1 Desenvolvimento socioeconômico: bases teóricas.............................................................18
2.1.1 Desenvolvimento socioeconômico: primeiras contribuições...........................................18
2.1.2 Teorias de desenvolvimento como modernização...........................................................21
[Link] Teorias de desenvolvimento equilibrado.......................................................................22
[Link] Teorias de desenvolvimento desequilibrado.................................................................25
2.1.3 Abordagem estruturalista de desenvolvimento................................................................29
2.1.4 Breves considerações sobre o desenvolvimento econômico e as interfaces regionais....31
2.2 Complexidade econômica e desenvolvimento....................................................................34
2.2.1 Apresentação do estado da arte sobre complexidade econômica.....................................36
2.2.2 Complexidade econômica regional..................................................................................37
3 METODOLOGIA E DADOS................................................................................................39
3.1 Procedimentos metodológicos para apresentação das características socioprodutivas do
Paraná........................................................................................................................................39
3.2 Procedimentos metodológicos para análise da Complexidade Econômica........................40
3.3 Procedimentos metodológicos para identificação da distribuição espacial........................42
3.4 Dados...................................................................................................................................50
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES.........................................................................................55
4.1 Configurações socioprodutivas do estado do Paraná..........................................................55
4.1.1 Antecedentes: ciclos econômicos e povoamento até 1970..............................................55
4.1.2 Paraná a partir de 1960: a questão do planejamento........................................................61
4.1.3 Panorama recente: economia paranaense após a década de 1990....................................64
4.2 Complexidade econômica no estado do Paraná..................................................................67
4.3 Distribuição espacial dos indicadores de desenvolvimento no estado do Paraná...............74
4.3.1 Associação espacial para as variáveis socioeconômicas no Paraná (2010).....................78
4.3.2 Associação espacial entre as variáveis socioeconômicas no Paraná (2010)....................88
4.3.3 Associação espacial entre complexidade e desenvolvimento socioeconômico no Paraná
..................................................................................................................................................94
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...............................................................................................102
REFERÊNCIAS......................................................................................................................106
APÊNDICE A – Estrutura da Pesquisa...................................................................................117
APÊNDICE B – Setores com Vantagens Comparativas Reveladas em Araucária (PR) em 2010
................................................................................................................................................118
APÊNDICE C – Setores com Vantagens Comparativas Reveladas em Londrina (PR) em 2010
................................................................................................................................................119
APÊNDICE D – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a
convenção “Rainha” para os municípios do estado do Paraná...............................................121
APÊNDICE E – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a
convenção “Torre” para os municípios do estado do Paraná..................................................122
APÊNDICE F – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a
convenção “4 Vizinhos mais Próximos” (k=4) para os municípios do estado do Paraná......123
APÊNDICE G – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a
convenção “8 Vizinhos mais Próximos” (k=8) para os municípios do estado do Paraná......124
APÊNDICE H – Ubiquidade dos setores econômicos no estado do Paraná..........................125
APÊNDICE I – Diversidade e Índice de Complexidade Econômica nos municípios do estado
do Paraná.................................................................................................................................127
ANEXO A – Divisões do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0).........136
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - Estrutura morfológica da palavra Desenvolvimento................................................17
Figura 2 - Convenções de contiguidade: (a) Rainha; (b) Torre; e (c) Bispo.............................45
Figura 3 - Diagrama de dispersão de Moran, para (a) autocorrelação espacial positiva e (b)
autocorrelação espacial negativa...............................................................................................49
Figura 4 - Mapa das Mesorregiões Geográficas do Estado do Paraná......................................54
Figura 5 - Mapa de décimos para o Índice de Complexidade Econômica Municipal no Paraná
em (a) 2010 e (b) 2020..............................................................................................................72
Figura 6 - Histogramas das variáveis socioeconômicas no Paraná (2010): (a) Índice de Gini;
(b) Taxa de pobreza; e (c) IDHM..............................................................................................76
Figura 7 - Mapa de quartis para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) no Paraná
(2010)........................................................................................................................................77
Figura 8 - Mapas de quartis para as variáveis (a) Taxa de Pobreza e (b) Índice de Gini no
Paraná (2010)............................................................................................................................78
Figura 9 - Diagramas de dispersão de Moran: (a) Índice de Desenvolvimento Humano; (b)
Índice de Gini; e (c) Taxa de Pobreza no Paraná (2010)..........................................................80
Figura 10 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para o Índice de
Desenvolvimento Humano (2010)............................................................................................81
Figura 11 - Mapa de quartis para o Grau de Urbanização no Paraná (2010)............................82
Figura 12 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para a Taxa de
Pobreza (2010)..........................................................................................................................86
Figura 13 - Mapas de clusters LISA para a Taxa de Pobreza em (a)1991 e (b) 2000..............86
Figura 14 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para o Índice de Gini
(2010)........................................................................................................................................88
Figura 15 - Diagramas de dispersão de Moran bivariados: (a) Índice de Desenvolvimento
Humano X Índice de Gini e (b) Índice de Desenvolvimento Humano X Taxa de Pobreza no
Paraná (2010)............................................................................................................................90
Figura 16 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA bivariados para o
Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) e o Índice de Gini (2010)................................90
Figura 17 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA bivariados para o
Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) e a Taxa de Pobreza (2010).............................93
Figura 18 – Mapas de clusters para o Índice de Complexidade Econômica em (a) 2010 e (b)
2020 no estado do Paraná..........................................................................................................96
Figura 19 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e o
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal em (a) 2010 e (b) 2020 no estado do Paraná98
Figura 20 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e a Taxa
do Pobreza em (a) 2010 e (b) 2020 no estado do Paraná..........................................................99
Figura 21 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e o
Índice de Gini em (a) 2010 e (b) 2020 no estado do Paraná.....................................................99
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 - Participação percentual das regiões no Valor Adicionado Fiscal para os grandes
setores econômicos do Paraná em 2010 e 2020........................................................................66
Tabela 2 – Estatística descritiva para a ubiquidade e a diversidade no estado do Paraná em
2010 e 2020...............................................................................................................................68
Tabela 3 – Estatística descritiva para as variáveis socioeconômicas do Paraná (2010)...........75
Tabela 4 – Matriz de correlação entre as variáveis socioeconômicas do Paraná (2010).........76
Tabela 5 - Estatística I de Moran para o estado do Paraná (2010)............................................78
Tabela 6 - Estatística I de Moran Global Bivariada..................................................................89
Tabela 7 – Matriz de correlação entre o Índice de Complexidade Econômica (ICE) e as
variáveis socioeconômicas de desenvolvimento em 2010 e 2020............................................95
Tabela 8 - Estatística I de Moran para o Índice de Complexidade Econômica no estado do
Paraná (2010)............................................................................................................................96
Tabela 9 - Estatística I de Moran Global Bivariada entre o Índice de Complexidade
Econômica e as variáveis socioeconômicas de desenvolvimento em 2010 e 2020..................97
LISTA DE QUADROS
Quadro 1 - Definição dos quadrantes de associação linear espacial e pontos discrepantes......48
Quadro 2 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): dimensões, concepções e
indicadores................................................................................................................................52
Quadro 3 - Variáveis utilizadas para Análise Exploratória de Dados Espaciais.......................53
Quadro 4 – Setores mais ubíquos do estado do Paraná em 2010 e 2020..................................69
Quadro 5 – Municípios mais diversificados do estado do Paraná em 2010 e 2020 e o
respectivo número de setores com Vantagens Comparativas Reveladas..................................71
Quadro 6 – Ranking dos municípios com maior complexidade econômica do estado do Paraná
em 2010 e 2020.........................................................................................................................73
14
1 INTRODUÇÃO
Quais fatores determinam o crescimento, progresso e qualidade de vida de uma
região? Na multidimensionalidade do fenômeno do desenvolvimento, diversas foram as
abordagens, vinculadas a variáveis como produtividade, renda e crescimento econômico,
liberdade de escolha e desenvolvimento humano, capital humano e bem-estar, bem como
sobre o papel das instituições e dos agentes econômicos, seja a nível mundial, nacional ou
regional. Entretanto, ainda são constantes os desafios, notadamente no que diz respeito a
quantificar empiricamente e avaliar os condicionantes e os atributos do bem-estar sob uma
ótica abrangente.
Nesse sentido, uma das recentes tentativas de compreensão desse fenômeno encontra-
se na teoria da complexidade, a qual é formulada a partir da mensuração da diversidade e
ubiquidade dos produtos de uma região, que são representativas das interações existentes
entre os setores econômicos e as capacidades dos agentes ali existentes (HIDALGO;
HAUSMANN, 2009; REIS, 2018; HIDALGO, 2021). O fio condutor desse debate é, pois, a
estrutura produtiva, por entender que as demais variáveis estão a ela vinculadas, ou seja: as
conexões produtivas estabelecidas em uma região estão relacionadas com a capacidade de
gerar e distribuir renda, com o conhecimento acumulado, com as instituições e, em última
instância, com o bem-estar dos habitantes (HARTMANN et al, 2016; REIS, 2018).
Autores clássicos da teoria do Desenvolvimento, como Hirschman e Rosenstein-
Rodan, além de pensadores latino-americanos da corrente estruturalista, notadamente Celso
Furtado, identificaram que a organização da atividade produtiva de uma nação estava ligada
com a sua condição socioeconômica1. Desta feita, surgia a necessidade de promover
alterações na estrutura produtiva para gerar crescimento e progresso e, ainda, superar a
situação de dependência perante outras nações.
Havia, entretanto, uma relativa dificuldade de mensuração e compreensão da relação
entre as variáveis vinculadas à estrutura produtiva e ao desenvolvimento. Com os avanços
teóricos e metodológicos promovidos pela Economia da Complexidade, foi possível constatar
evidências empíricas consistentes sobre a estrutura produtiva.
Nesse contexto, cada região e cada município em particular possuem uma estrutura
distinta, sendo razoável que as atividades desenvolvidas na sua abrangência tenham relação
com a forma com que os habitantes se relacionam e vivem. Em outras palavras, postula-se que
o conjunto de relações econômicas envoltas em uma atividade produtiva pode influenciar
inclusive o nível de desenvolvimento econômico observado em uma região.
1
ROSENSTEIN-RODAN, 1943, HIRSCHMAN (1958), FURTADO (2007).
15
Essa reflexão é pertinente para a economia paranaense, à medida que a sua estrutura
produtiva é heterogênea ao longo do seu território, tanto quanto são seus indicadores de
desenvolvimento socioeconômico. O Paraná, localizado na região Sul do Brasil, é a quinta
maior economia do país, representando, respectivamente 6,31% e 5,44% do Produto Interno
Bruto e da população do Brasil em 2019. Está dividido em seis regiões intermediárias, a
saber, Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel – cidades estas que são as mais
populosas do Estado - e Guarapuava (IPARDES, 2022a).
A maior parte da população paranaense – 85,31% - reside no espaço urbano,
principalmente nas proximidades das maiores cidades. O PIB estadual deriva
majoritariamente do comércio e da prestação de serviços (51,89%) e da indústria (26,08%),
conforme observado em 2019 (IPARDES, 2022a). O quarto restante da composição da renda
do Paraná está ligada à administração pública (13,57%) e à agropecuária (8,47%).
A dinâmica desse estado delineia-se a partir de 1960, com as iniciativas de
planejamento de desenvolvimento por parte dos governos em questão, a modernização da
agricultura, o surgimento da Cidade Industrial de Curitiba. Em meados dos anos 1990,
destaca-se a absorção de novas tecnologias e o desenvolvimento do parque automobilístico
em Curitiba. Nesse contexto, surge um estado com um parque industrial relevante e
diversificado, mas que está fortemente ligado à agropecuária. Sesso Filho et al. (2019)
indicaram que um terço da renda e empregos do estado dependem direta ou indiretamente do
complexo agroindustrial.
Constata-se, nesse sentido, a importância das atividades relacionadas à agropecuária e
agroindústria no Oeste, Sudoeste, Sul e Região Centro-Oriental. Por outro lado, o setor têxtil e
de construção de móveis têm amplo destaque na Região Norte do Estado. Atividades ligadas à
logística, tecnologia e indústria química, consideradas atividades mais sofisticadas, estão
presentes em maior número nos municípios vinculados à Região Metropolitana de Curitiba
(SESSO FILHO; BRENE, 2020).
Também há um contraste socioeconômico em termos de qualidade de vida no estado,
pois nas regiões Norte Central e Oeste encontram-se maiores índices de desenvolvimento
humano. A região Centro-Sul do estado, por sua vez, é marcada pela alta desigualdade de
renda, menores índices de desenvolvimento e taxas elevadas de pobreza.
Diante disso, questiona-se: é possível associar a atividade produtiva com o nível de
desenvolvimento socioeconômico nos municípios do estado do Paraná, sob a ótica da
complexidade econômica, nos anos de 2010 e 2020?
16
1.1 Objetivos
Analisar as relações espaciais entre as estruturas produtivas e o desenvolvimento
socioeconômico no estado do Paraná nos anos de 2010 e 2020, sob a ótica da complexidade
econômica.
Especificamente, pretendeu-se:
a) Apresentar as configurações socioprodutivas do estado do Paraná em sua
formação histórica;
b) Caracterizar a estrutura produtiva do estado do Paraná com o uso do Índice de
Complexidade Econômica municipal nos anos de 2010 e 2020;
c) Identificar a relação espacial entre a complexidade econômica e os indicadores
de qualidade de vida do Paraná nos anos de 2010 e 2020.
17
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A estrutura proposta para esse trabalho se ampara na concepção de desenvolvimento
econômico e complexidade econômica, temas esses que serão tratados nesta seção de revisão.
Ressalta-se, assim, que desenvolvimento é uma palavra oriunda das Ciências
Biológicas e diz respeito ao processo de evolução dos seres vivos, em busca de adaptação e
potencialidade das capacidades. De forma subjacente, está intrínseca a ideia de crescimento
ou progresso (SANTOS et al, 2012). Com uso do Grande Dicionário Houaiss da Língua
Portuguesa (2022), pode-se avaliar a origem etimológica da palavra desenvolvimento,
conforme Figura 1.
Figura 1 - Estrutura morfológica da palavra Desenvolvimento
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base no Grande Dicionário Houaiss (2022).
Desenvolvimento, portanto, refere-se à ideia de impulso [para fora] ou movimento de
desenrolar, permitir a saída de algo que estava encolhido ou coberto. O termo pode ser
comparado com a saída de uma borboleta do casulo, como a transposição de um estágio, com
a superação de uma barreira envoltória. Santos et al. (2012) corroboram para esse
entendimento, ao afirmarem que a palavra desenvolvimento indica algo como “sem
envolvimento” levando à conclusão de que algo precisa ser feito para gerar um movimento
para fora e/ou tirar do envolvimento.
Portanto, no âmbito socioeconômico, é preciso se perguntar: quem fará algo? O que
será feito? O que se espera desse movimento e qual é a sua direção? O pensamento
econômico, em constante construção, buscou aproximações para as possíveis respostas, de
modo que a primeira parte desta revisão se dedica a um breve apanhado das ideias de
desenvolvimento econômico, inclusive em sua dimensão regional.
O segundo aspecto desta revisão diz respeito à complexidade econômica. A
complexidade, por si só, refere-se a estruturas ou sistemas que, apesar de organizados, são
compostos por elementos heterogêneos. Em geral, as regras de interação entre as
componentes de uma estrutura complexa não são lineares e o estudo a respeito de tais
sistemas se dá por meio de simulações para identificar propriedades generalizáveis (COSTA,
2021).
18
Estudar complexidade envolve, portanto, a busca por identificar padrões gerais, a
partir das ligações entre as diversas componentes dotadas de características próprias. Destaca-
se que essas ligações, apesar de organizadas, são descentralizadas e, por não serem
necessariamente lineares, pequenas mudanças nas condições iniciais podem gerar avultados
efeitos nos estágios seguintes.
Quando analisada no contexto socioeconômico, a complexidade pode se referir aos
estudos de Econofísica e Sistemas Dinâmicos, que requerem metodologias computacionais
específicas para avaliação de, por exemplo, políticas públicas, investimentos e predições
macroeconômicas (COSTA, 2020; COSTA, 2021; COSTA, 2022).
Também se pode aludir aos estudos sobre a complexidade das estruturas produtivas,
no que se refere à diversidade e ubiquidade dos produtos de uma determinada região.
Esclarece- se, portanto, que no contexto desta pesquisa, complexidade econômica considera
especificamente a segunda possibilidade, ou seja, um estudo das estruturas produtivas
pautando-se nos trabalhos que sucederam as pesquisas seminais de Hidalgo et al. (2007) e
Hausmann e Klieger (2006).
2.1 Desenvolvimento socioeconômico: bases teóricas
2.1.1 Desenvolvimento socioeconômico: primeiras contribuições
O que determina a riqueza das nações é uma das perguntas que permeiam o
pensamento econômico desde a sua origem. Não só isso, buscava-se compreender o porquê de
as nações se diferenciarem em termos de renda produzida e sua condição de progresso,
estagnação ou declínio.
A obra “Investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações”, de Adam
Smith, apresenta-se como seu esforço em compreender as estruturas do capitalismo nascente
da época e é considerada um marco para a Ciência Econômica. Em contraposição aos
mercantilistas, que compreendiam que a riqueza se traduzia na quantidade de ouro e prata que
a nação possuía, o pensamento nascente entendia que a riqueza advém do trabalho (SMITH,
1937). Segundo o autor:
O trabalho foi o primeiro preço, o dinheiro de compra original que foi pago por
todas as coisas. (…) e o valor dessa riqueza, para aqueles que a possuem, e desejam
trocá- la por novos produtos, é exatamente igual à quantidade de trabalho que essa
riqueza lhes dá condições de comprar ou comandar. (SMITH, 1937, p. 87).
19
Smith foi o primeiro a defender que o trabalho é a medida real do valor e tem papel
fundamental para a acumulação de capital. Nesse aspecto, o nível de riqueza de uma
sociedade dependeria do número de trabalhadores e do nível de produtividade geral daquela
economia. A produtividade seria fruto da divisão do trabalho, desde que houvesse um
mercado desenvolvido (noção de livre comércio) e com ampla especialização (SMITH, 1937;
HUNT; LAUTZENHEISER, 1989).
Nessa concepção, crescimento e desenvolvimento seriam sinônimos e decorreriam de
maneira “natural”, ou seja, se atendidas as condições para aumento da produtividade, livre
comércio e liberdade dos agentes individuais para exercerem seu auto-interesse, possibilitar-
se- ia o enriquecimento das nações e o atendimento às vontades individuais (SMITH, 1937)2.
A contribuição de Smith influenciou outros autores, como David Ricardo, a pensar
sobre o funcionamento econômico e a influência da organização produtiva no crescimento
econômico. O sucessor clássico também não diferenciava desenvolvimento de crescimento e
contribuiu para a teoria do valor-trabalho.
David Ricardo observou que, em virtude do crescimento populacional, mais terras
precisavam ser exploradas. Entretanto, o produto adicional das novas terras era decrescente,
por serem menos férteis. Isso levaria ao aumento dos custos e à inexpressividade do lucro,
cessando a acumulação de capital. Nesse aspecto, tanto para Smith quanto para Ricardo, a
acumulação de capital era essencial para o desenvolvimento (RICARDO, 1962; HUNT;
LAUTZENHEISER, 1989; SOUZA; 2005).
Ricardo (1962), após explicar o processo de distribuição da renda entre os
trabalhadores, fabricantes e proprietários de terra, ressalta que “quando os lucros, afinal,
caíssem, não haveria motivo algum para acumulação, pois ninguém acumula sem a intenção
de tornar esta acumulação produtiva, e só quando é produtiva é que ela influi nos lucros. Sem
um motivo, não poderia haver acumulação alguma” (p. 72). Nesse sentido, caso não ocorresse
acumulação, haveria interrupção do progresso econômico, queda do salário ao nível de
subsistência e pobreza generalizada.
Diante disso, em Ricardo, um fator importante para o desenvolvimento seria a
utilização de tecnologias, que permitissem o avanço da indústria - setor mais dinâmico que a
agricultura
- e atenuassem os rendimentos marginais decrescentes da agricultura, com o aumento da
2
“Essa divisão do trabalho, da qual derivam tantas vantagens, não é, em sua origem, o efeito de uma sabedoria
humana qualquer, que preveria e visaria esta riqueza geral à qual dá origem. Ela é a consequência necessária,
embora muito lenta e gradual, de uma certa tendência ou propensão existente na natureza humana que não tem
em vista essa utilidade extensa, ou seja: a propensão a intercambiar, permutar ou trocar uma coisa pela outra”
(SMITH, 1937, p. 73).
20
produtividade agrícola. Isso, por si só, não seria necessariamente suficiente, sendo que o autor
afirmava que “um país pequeno, porém fértil – principalmente se permitir livremente a
importação de alimentos – pode acumular muito capital sem uma grande diminuição da taxa
de lucro ou um grande aumento da renda da terra” (RICARDO, 1962, p. 76).
Nesse aspecto, Ricardo defendia a importância do comércio internacional, afirmando
que cada país, mesmo que fosse especializado na produção de todos os produtos, poderia se
beneficiar das relações comerciais com outros países. Cabe, nesse sentido, diferenciar
vantagens absolutas e relativas: a primeira significa maior eficiência de produção, isto é,
utilizar menos insumos para criação de um bem (RICARDO, 1962; HUNT;
LAUTZENHEISER, 1989).
Em contraposição, uma vantagem relativa indica que a razão entre o trabalho
incorporado a duas mercadorias difere entre dois países, de modo que cada um poderia se
especializar naquela mercadoria em que a quantidade relativa de trabalho incorporado seria
menor que a do outro país (HUNT; LAUTZENHEISER, 1989).
Em suma, se cada país se especializasse naquele produto que tivesse vantagens
comparativas relativas e não só as vantagens absolutas e exportasse para os demais, seria
possível aumentar a eficiência de todos os países (RICARDO, 1962). Note que se trata e uma
visão positiva do mercado internacional,
Destaca-se que essa visão de crescimento e desenvolvimento como sinônimos
perdurou por várias décadas, sendo o debate essencialmente microeconômico. Nesse aspecto,
a discussão pautava-se em conceitos como produtividade, acumulação de capital e a extensão
do mercado, em uma análise da relação entre as firmas, os trabalhadores e setores da
economia.
Por sua vez, decorridos alguns séculos, no começo do século XX, Joseph Alois
Schumpeter descreveu uma teoria do desenvolvimento considerando a importância das
inovações. Nesse caso, os ciclos de negócios e as mudanças estruturais seriam resultado da
introdução de inovações, realizadas pelos empreendedores, o que geraria novas mercadorias
ou métodos de produção, novos mercados ou a reorganização de um setor.
Dessa maneira, a competição por preços (estrutura de mercado competitivo) daria
espaço para a competição por inovação (concorrência monopolística). Segundo Schumpeter
(1961, p. 107):
na realidade capitalista e não na descrição contida nos manuais, o que conta não é
esse tipo de concorrência, mas a concorrência de novas mercadorias, novas técnicas,
novas fontes de suprimento, novo tipo de organização - a concorrência que
determina uma superioridade decisiva no custo ou na qualidade e que fere não a
margem de lucros e a produção de firmas existentes, mas seus alicerces e a própria
existência.
21
O desenvolvimento schumpeteriano está ligado ao processo tecnológico endógeno. A
busca dos empreendedores pela inovação e lucro levaria à canalização de recursos, inclusive
crédito, para investimento. A inovação quebraria o cenário estacionário, gerando empregos e
renda que outros setores, mesmo pouco inovadores, aproveitariam para crescer - é o boom
econômico. Entretanto, quando a inovação fosse absorvida pelo fluxo circular da economia,
considerando o processo de imitação e concorrência, haveria a depressão, em busca do
equilíbrio (BRUE, 2005; ARAÚJO, 2012).
A contribuição de Schumpeter é interessante em vários aspectos. Primeiramente, sua
análise sobre o desenvolvimento é microeconômica, mas nota-se o entendimento claro de que
o crescimento setorial das empresas inovadoras tem reflexos macroeconômicos. Além disso, o
autor abordou novas estruturas de mercado e ressaltou o papel da tecnologia no processo
inovador e, por consequência, para o desenvolvimento.
2.1.2 Teorias de desenvolvimento como modernização
Apesar das considerações sobre desenvolvimento pré-existentes, foi o período
posterior ao fim da Segunda Guerra Mundial que marcou o entendimento da Economia do
Desenvolvimento como uma área específica de pesquisa econômica. Tal área passou a ter a
preocupação de compreender os problemas dos países periféricos e/ou de Terceiro Mundo,
além da possível transformação de longo prazo, para que essas economias, passassem a ter
melhores condições de vida3 (MOREIRA; CRESPO, 2012).
Até esse período, entendia-se que havia pouca necessidade de se diferenciar
desenvolvimento de crescimento, à medida que as raras nações compreendidas como
desenvolvidas eram aquelas que apresentavam crescimento consistente. Entretanto, com o
crescimento econômico experimentado por países como o Brasil, notou-se que as condições
de vida, principalmente da população mais pobre, não foram significativamente melhoradas,
colocando em xeque o entendimento vigente (VEIGA, 2008).
3
Durante seu discurso de posse enquanto novo presidente dos Estados Unidos, em 1949, Harry Truman destacou
a realidade das áreas não desenvolvidas e o compromisso com auxiliar tais regiões: “Mais da metade das pessoas
do mundo estão vivendo quase em condições de miséria. A comida é inadequada, e eles são vítimas de doenças.
A sua vida econômica é primitiva e estagnada. A sua pobreza é uma ameaça para eles e para as áreas mais
prósperas. Pela primeira vez na história a humanidade possui o conhecimento e a habilidade de reduzir o
sofrimento dessas pessoas...Eu acredito que deveríamos disponibilizar às pessoas amáveis e pacíficas os
benefícios de nossa acumulação de conhecimento técnico para ajudá-los a realizar suas aspirações de uma vida
melhor... O que nós vemos para o futuro é um programa de desenvolvimento baseado nos conceitos de
negociações justas e democráticas...Aumentar a produção é a chave para a prosperidade e paz. E a chave para
aumentar a produção é uma aplicação mais ampla e eficaz de conhecimentos técnicos da ciência moderna”
(TRUMAN, 1949).
22
Nesse aspecto, o período pós-Guerras foi marcado pela construção de teorias de
desenvolvimento. Tais teorias entendiam que a acumulação de capital e a industrialização
foram a chave para se alcançar o crescimento sustentado e o progresso. O desenvolvimento
seria caracterizado como um processo de mudança estrutural em que os países
subdesenvolvidos se tornariam semelhantes aos países desenvolvidos (MOREIRA; CRESPO,
2012).
Em geral, esse entendimento diferia no aspecto sobre a dimensão das mudanças
estruturais, originando duas correntes – desenvolvimento equilibrado e desequilibrado.
Partindo da comparação do desenvolvimento com o casulo, para os teóricos do
desenvolvimento equilibrado, o casulo seria rompido integralmente e todas as partes da
borboleta sairiam do casulo de forma homogênea. Enquanto isso, o desenvolvimento
desequilibrado remete a ideia de que o desenvolvimento ocorreria de forma heterogênea em
diferentes regiões ou setores – o casulo seria rompido em pontos específicos primeiramente,
em que as forças atuassem de forma mais consistente.
[Link] Teorias de desenvolvimento equilibrado
Dentre os teóricos que analisaram essa transformação rumo ao desenvolvimento, está
Paul Narcyz Rosenstein-Rodan, um importante nome das teorias de desenvolvimento
equilibrado. A referida abordagem considerava que as ações para o desenvolvimento
deveriam envolver o conjunto da economia. O economista austríaco defendia que o modo
como os países menos desenvolvidos se tornariam desenvolvidos seria por meio de uma
mudança estrutural - processo de modernização (MOREIRA; CRESPO, 2012).
Rosenstein-Rodan observou que a acumulação de capital e a industrialização foram os
motores do crescimento sustentado dos países desenvolvidos. Por outro lado, identificou três
fatores que repeliam o investimento industrial nas regiões subdesenvolvidas: a escassez de
oferta de capital, tanto físico quanto social; a ausência de complementariedade da demanda; e
a oferta reduzida de poupança. A partir disso, Rosenstein-Rodan (1943) sugeriu uma
estratégia de desenvolvimento chamada de grande impulso ou big-push.
Para o autor, o Estado atuaria ativamente na educação da força de trabalho –
trabalhadores rurais a serem transferidos para o meio urbano-industrial – como também no
planejamento e organização de programas de investimento de grande dimensão, com recursos
financeiros internacionais (ROSENSTEIN-RODAN, 1943). Tal processo de industrialização
era baseado no consumo, com bens destinados aos trabalhadores – alimentos, móveis e
vestuários, por exemplo (DUARTE, 2013).
23
O modelo de Rosenstein-Rodan pressupunha a diversificação das atividades. Para ele,
não faria sentido direcionar todos os trabalhadores para um único setor, pois os salários teriam
que ser destinados à importação de bens e serviços. Assim, a mudança estrutural deveria criar
um conjunto de indústrias diferentes e novos mercados, com uma demanda garantida pela
renda dos trabalhadores (DUARTE, 2013).
Apesar de sua proposta referir-se a um modelo de industrialização voltado para dentro,
Rosenstein-Rodan se preocupava com o fato de as novas indústrias também serem capazes de
exportar, uma vez que os recursos para o grande impulso também viriam do exterior. Assim, o
Estado deveria orientar estrategicamente o fluxo de exportações para os países de origem dos
investimentos, a fim de gerar divisas para amortização dos empréstimos e pagamento dos
lucros (SOUZA, 2005; DUARTE, 2013).
Destaca-se que a estratégia deveria ser realizada na forma de um “grande impulso”
porque, caso contrário, caso fosse feito paulatinamente, poderia levar a desperdício de
recursos. Isto porque existe uma estrutura mínima para as empresas atuarem com economias
de escala, além de demandarem infraestrutura básica antes mesmo de começarem a produzir.
Poderia haver ainda um descompasso entre oferta e demanda, de modo que o Estado deveria
ser capaz de efetivar a demanda, em momentos incertos, para garantir a promoção da indústria
(ROSENSTEIN-RODAN, 1961). Segundo o autor,
há um nível mínimo de recursos que deve ser destinado para um programa de
desenvolvimento para que ele tenha alguma chance de sucesso. Lançar um país para
o crescimento autossustentado é um pouco como tirar um avião do chão. Há uma
velocidade crítica no solo que deve ser alcançada antes que se possa decolar.
(ROSENSTEIN-RODAN, 1961, p. 57, tradução livre4).
Rosenstein-Rodan compara a teoria do grande impulso com um avião, pois assim
como um avião precisa de uma velocidade mínima para decolar, é condição necessária
(mas não suficiente) que haja um mínimo de investimento para garantir o sucesso de um
projeto de desenvolvimento. Um big-push contrapõe-se à noção de investimentos bit-a-bit
(pouco a pouco); segundo o autor, a soma dos efeitos de pequenos investimentos é menor que
os efeitos gerados por um investimento único de valor correspondente, pela possibilidade de
desperdício.
Apesar disso, é válido destacar as críticas à sua teoria, sendo uma delas a reflexão sobe
o fato de que, se os países tivessem acesso suficiente ao capital para a promoção de uma
política massiva de industrialização, provavelmente não seriam lugares subdesenvolvidos.
Conforme
4
“There is a minimum level of resources that must be devoted to a development program if it is to have any chance of
success. Launching a country into self-sustaining growth is a little like getting an airplane off the ground. There is a critical
ground speed which must be passed before the craft can become airborne”.
24
Hirschman (1958, p. 54, tradução livre5), “se um país estivesse pronto para aplicar a doutrina do
crescimento equilibrado, então não seria subdesenvolvido em primeiro lugar”.
Além disso, migrar a mão de obra rural para o setor urbano, com planejamento
insuficiente, poderia levar à escassez de alimentos e pressões inflacionárias. Sobre o
planejamento, destaca-se justamente a dificuldade de coordenar, avaliar e revisar as políticas
necessárias e os papéis do setor público e privado.
Em todo caso, as contribuições de Rosenstein-Rodan residem no apontamento sobre a
necessidade de industrialização – transformação da estrutura produtiva – para o
desenvolvimento, considerando a inter-relação entre os setores do país para garantia da
demanda. Muitos pontos de crítica serviram justamente de inspiração para novos tópicos das
teorias de desenvolvimento que surgiram a partir de então, como a teoria de desenvolvimento
desequilibrado de Hirschman.
Ragnar Nurske, por sua vez, parte do pressuposto de que, diante do baixo rendimento
per capita, o baixo poder de compra e a fraca capacidade de poupança bloqueiam a formação
de capital. Desse modo, haveria um círculo vicioso da pobreza, em que o mercado limitado
dos países desenvolvidos restringe a produção de bens e serviços e contribui para manutenção
do seu estado de subdesenvolvimento, pela falta de incentivo para investimentos. Essa
constatação levou à máxima de que “um país é pobre porque é pobre”6 (NURSKE, 1957).
O autor observa a limitação da Lei de Say em regiões subdesenvolvidas, pois
dificilmente uma indústria isolada criaria sua própria demanda. Isto porque, considerando as
diversas necessidades básicas, as pessoas ocupadas em uma nova indústria gastarão
integralmente seus salários com os novos produtos. Sem mercado consumidor, seria inviável a
criação de uma nova indústria uma vez que os investimentos isolados seriam anulados pela
baixa renda e demanda insuficiente. Portanto, pela ótica da demanda, o baixo consumo das
economias subdesenvolvidas tem como decorrência a baixa propensão a investir7. Pelo lado
da
5
“If a country were ready to apply the doctrine of balanced growth, then it would not be underdeveloped in the first place”
(HIRSCHMAN, 1958, p. 54).
6
“Implica ele [círculo vicioso da pobreza] numa constelação circular de forças, tendendo a agir e reagir uma
sobre a outra de tal modo a conservar um país pobre em estado de pobreza. Não é difícil imaginar exemplos
típicos destas constelações circulares: um homem pobre não tem o bastante para comer; sendo subalimentado,
sua saúde é fraca; sendo fisicamente fraco, a sua capacidade de trabalho é baixa, o que significa que êle é pobre,
o que, por sua vez, quer dizer que não tem o bastante para comer; e assim por diante. Tal situação, transportada
para o plano mais largo de um país, pode ser resumida nesta proposição simplória: um país é pobre porque é
pobre (NURKSE, 1957, p. 58).
7
Keynes (1996, p. 149) define que a escolha de um investimento perpassa por analisar o “fluxo de rendas futuras que
se espera obter da venda de seus produtos, enquanto durar esse capital, feita a dedução das despesas necessárias
à obtenção dos ditos produtos”. Nesse sentido, é preciso avaliar a eficiência do capital para o processo de
investimento. Caso não se tenha expectativas de rendimento futuro, devido à baixa possibilidade de escoar a
produção, os tomadores de decisão deixam de realizar inversões.
25
oferta, a escassa possibilidade de poupança leva à falta de capital e, ainda, à baixa
produtividade dos fatores de produção (NURSKE, 1957).
Nesse sentido, seria necessária uma estratégia de crescimento equilibrado, marcada
por aplicações simultâneas e sincronizadas de capital em diversas indústrias, com vistas a
construir uma expansão generalizada de mercado (MOREIRA; CRESPO, 2012).
Especificamente, necessita-se que o crescimento ocorresse tanto no setor agrícola quanto no
industrial, pois assim cada um complementaria a demanda do outro (NURSKE, 1957).
[Link] Teorias de desenvolvimento desequilibrado
Em contraposição aos teóricos apresentados, tem-se aqueles que partem do
pressuposto do desenvolvimento desequilibrado, defendendo que a dinâmica para a indução
do desenvolvimento não surge simultaneamente em todos os setores ou regiões. Destacam-se,
nessa concepção teórica, Hirschman, Perroux e Myrdal.
Albert Otto Hirschman, a partir da crítica às teorias do desenvolvimento equilibrado,
afirma que o conceito de desenvolvimento está relacionado à transformação - no caso, de uma
economia para outra mais avançada - em contraposição à ideia de sobreposição de uma
economia moderna sobre outra, tradicional ou atrasada. Nesse sentido, o progresso econômico
de uma região ou país iniciar-se-ia em um determinado ponto ou em diferentes localidades e
não ocorreria em todos de uma única vez (MOREIRA; CRESPO, 2012; DUARTE, 2013).
Conforme Hirschman (1958), o obstáculo ao desenvolvimento das economias
subdesenvolvidas seria a escassez de conhecimentos, habilidades e competências para
organizar e gerir os instrumentos necessários ao desenvolvimento. Não se trata de escassez de
fatores de produção, como trabalho e recursos naturais, necessários para o processo de
industrialização e modernização. O autor identifica que, em geral, nos países
subdesenvolvidos, há uma oferta subutilizada de recursos produtivos, à espera de capacidades
humanas para alocar eficientemente tais insumos.
Desse modo, haveria determinadas regiões em que diferenciais decorrentes de
inovação tecnológica e empreendedorismo, por exemplo, levariam à origem de pontos de
crescimentos ou centros regionais mais fortes, de modo que, ao longo do tempo, surgem
desigualdades regionais. Hirschman (1958) apontou a existência de efeitos positivos e
negativos no processo de desenvolvimento de uma região sobre as outras, isto é, o progresso
de uma região pode ter repercussões econômicas em regiões mais pobres. Quanto aos efeitos
favoráveis, destaca-se o aumento do poder de compra e dos investimentos na região
subdesenvolvida, para atender a demanda por serviços complementares. No caso dos efeitos
negativos - ou polarização, indica-
26
se que a região dinâmica atrai a mão de obra especializada das demais. Não obstante, a
concorrência com as regiões centrais pode limitar o desenvolvimento de novas atividades.
Destaca-se a importância do Estado para induzir investimentos a serem feitos dentro
da própria estrutura produtiva, em setores-chave da economia, com grande probabilidade de
sucesso (HIRSCHMAN, 1958). Tais setores estratégicos dependem dos encadeamentos para
trás e para frente que possuem, ou seja, da capacidade de induzir efeitos que se propagariam
ao longo de toda uma cadeia produtiva (MONASTÉRIO; CAVALCANTE, 2011).
Os “encadeamentos para trás” seriam definidos como a externalidade ou pressão
exercida pela implementação de um determinado setor, devido à demanda por insumos
(HIRSCHMAN, 1958). Tais efeitos seriam mensurados pela quantidade de insumos
demandados e pela capacidade das firmas fornecedoras de se manterem e serem competitivas
no mercado (MONASTÉRIO; CAVALCANTE, 2011).
Por sua vez, os “encadeamentos para frente” referiam-se ao surgimento de atividades
que demandam os produtos da indústria principal como insumos em sua produção; são setores
satélites e que são beneficiados pela proximidade ao setor-chave (HIRSCHMAN, 1958). Diz-
se que quanto maiores os efeitos dos encadeamentos para frente, maior é a probabilidade de
surgimento dos setores à jusante. Na concepção apresentada, os investimentos não têm o
papel apenas de multiplicador de renda e emprego; eles também podem induzir o surgimento
de novos investimentos em setores complementares, cuja manifestação se dá pelas inter-
relações entre insumo e produto (DUARTE, 2013).
A partir desse ponto de vista, Hirschman (1958) identifica que nos países
subdesenvolvidos os encadeamentos são relativamente fracos, uma vez que as atividades
predominantes nos países subdesenvolvidos são a agricultura e a indústria com objetivo no
consumo final. A agricultura tem um poder de encadeamento para frente ou para trás muito
baixo – com ressalva para a agricultura moderna mecanizada, que pode gerar encadeamentos
a montante com setores industriais. Já para as indústrias produtoras de bens finais, os
encadeamentos gerados são para trás, pressionando o surgimento de fornecedores de insumos,
mas em geral, tais insumos utilizados na produção são majoritariamente importados).
Assim, a demanda das indústrias de bens finais precisaria ser grande o suficiente para
viabilizar o estabelecimento de indústrias nacionais para fornecerem insumos, de modo que as
firmas nacionais fossem capazes de competir com os fornecedores internacionais. Um
encadeamento produtivo necessitaria, pois, que a demanda possibilitasse a implementação de
indústrias fornecedoras de insumos e a formação de capital.
27
Outros desafios seriam superar a resistência do setor industrial nacional de substituir o
produto estrangeiro, a possível incompatibilidade de tecnologia e a concorrência interna.
Desse modo, Hirschman (1958) propõe a combinação dos encadeamentos para frente e para
trás simultaneamente, estimulando a interdependência entre as etapas de produção, com a
implementação de indústrias fornecedoras de insumos e produtoras do bem final.
Karl Gunnar Myrdal também observou os desequilíbrios regionais no processo de
desenvolvimento e, em contraposição a Hirschman, que afirmava que os efeitos de
polarização seriam contrabalançados pelos efeitos positivos, o autor postula uma tendência
permanente às desigualdades regionais.
Myrdal (1957) observou que enquanto o pequeno grupo de países desenvolvidos
mantinham um padrão consistente de crescimento, os países subdesenvolvidos, com poucas
exceções, estavam estagnados ou com baixo crescimento. Desse modo, as regiões menos
desenvolvidas tenderiam a ficar ainda mais afastadas daquelas mais avançadas. Existiria,
portanto, forças que induzem um processo de causalidade circular e cumulativa, em um
sistema econômico eminentemente instável e desequilibrado (MYRDAL, 1957).
O autor assevera que tanto o trabalho como o capital são atraídos para as regiões mais
dinâmicas, em busca de maior remuneração. Nessas regiões, deparam-se com a existência de
ganhos de escala e aglomeração que contribuem para a intensificação do processo cumulativo
de desequilíbrio. Assim como Hirschman, Myrdal (1957) observou os efeitos positivos como
o espraiamento de tecnologia ou renda das regiões mais desenvolvidas para as regiões menos
desenvolvidas; entretanto, segundo ele, os efeitos negativos, como a emigração de mão de
obra especializada, predominam, levando ao aprofundamento do diferencial de
desenvolvimento.
De forma semelhante a Nurske, Myrdal (1957) percebeu a existência de uma relação
de interdependência entre acumulação e pobreza. A produção industrial e outras atividades
econômicas tenderiam a se concentrar em determinadas localidades relativamente mais
dinâmicas; com isso, as regiões mais pobres continuariam estagnadas, sem possibilidade de
criar espontaneamente condições para criar dinâmicas de mercado no período seguinte.
Assim, Myrdal rejeitou o laissez-faire, por entender que o livre-mercado contribui para
reforçar as desigualdades. Também defendeu a necessidade de planejamento do Estado para
evitar a intensificação dos processos cumulativos de desequilíbrio econômico e social. A
partir do estudo das causas que reforçam o subdesenvolvimento, o autor apontou a
necessidade de o Estado coordenar políticas públicas e combater atitudes e instituições
que reforçam os
28
desequilíbrios para romper a cadeia de causalidade circular cumulativa8 (FERREIRA;
SALLES, 2020).
Outro autor importante na leitura do desenvolvimento como um processo de
desequilíbrios é François Perroux. O autor considerou como fator-chave para o
desenvolvimento a distribuição territorial dos efeitos para crescimento. Após analisar a
concentração industrial nos países europeus, identificou que o desenvolvimento se transmite
de várias e diferenciadas maneiras dentro da dinâmica econômica. Nesse sentido, ocorreriam
desequilíbrios e enclaves geográficos, chamados de polos de crescimento, os quais levariam à
concentração do crescimento em setores estratégicos, suscetíveis para induzir o
desenvolvimento (PERROUX, 1967). Segundo o autor:
O fato elementar mais consistente é este: o crescimento não surge em toda parte ao
mesmo tempo; manifesta-se com intensidades variáveis, em pontos ou polos de
crescimento; propaga-se segundo vias diferentes e com efeitos finais variáveis, no
conjunto da economia. (PERROUX, 1967, p. 164).
No que diz respeito aos polos de crescimento, Perroux (1967) se referiu ao produto das
economias de aglomeração geradas por complexos industriais, isto é, um conjunto de
atividades econômicas ligadas pelas relações de insumo-produto. Tais complexos seriam
liderados por indústrias motrizes que, além de contribuírem para o crescimento da produção,
induzem efeitos de encadeamento com indústrias relacionadas, principalmente no que diz
respeito à inovação, contribuindo para o progresso.
Nesse sentido, o grau de polarização determina o grau de transformações provocadas
pela implementação de indústrias-motrizes. Trata-se de um fenômeno em que o crescimento
de uma atividade econômica movimenta outras por meio das economias externas (BOISER,
1988). Esse processo, apesar de estar atrelado ao espaço geográfico, ocorreria no que Perroux
(1967) chama de espaços econômicos, caracterizados pelo conjunto de relações estabelecidas
entre a empresa e seus demais fornecedores de insumos e compradores de produtos.
Sobre as indústrias-motrizes, Perroux destaca que se trata de conjuntos de empresas
que exercem efeitos positivos nas indústrias movidas. Por exemplo, se uma indústria-motriz
elevar suas vendas, é preciso aumentar a aquisição de insumos das indústrias movidas, de
modo que as impulsiona pela geração de demanda. Tais indústrias motrizes se desenvolvem
mais cedo que as outras, com clara separação dos fatores de produção, concentração
de capitais,
8
Importante destacar que Myrdal foi senador da Suécia e contribuiu para importantes reformas sociais e a
formação do Estado de bem-estar social de seu país. Na sua concepção (1958), planejamento é uma tentativa
consciente do governo, juntamente com outros coletivos, de coordenar as políticas públicas de forma racional.
29
decomposição técnica de tarefas, mecanização e com taxas de crescimento próprio mais
elevadas que a taxa média de crescimento do produto industrial e do produto da economia em
geral (PIRES et al, 2018).
Além do crescimento mais elevado, uma indústria-motriz é caracterizada por possuir
inúmeras ligações de insumo-produto, ao demandar e ofertar recursos produtivos para vários
setores. Isso porque se trata de uma atividade inovadora de grandes dimensões e com estrutura
oligopolista, de modo a possuir poder de mercado suficiente para influenciar os preços de
produtos e insumos.
A partir disso, tais indústrias induzem o desenvolvimento na região devido aos
encadeamentos com as empresas movidas, à geração de emprego, ao fator psicológico de
otimismo gerado pelo sucesso da empresa motriz, que estimula investimentos e, ainda, devido
à proximidade entre as indústrias-motriz e movidas, que reduz os custos de transporte e gera
economias externas e de aglomeração (MONASTERIO; CAVALCANTE, 2011).
Tanto as teorias de desenvolvimento equilibrado quanto desequilibrado revelam os
desafios para coordenar variáveis diversas em busca de mudanças estruturais na economia de
uma região. Trata-se de uma relação entre mão de obra e empresas, organização territorial e
preocupação com o comércio exterior, vinculação entre setores e regiões, além dos efeitos na
inflação, por exemplo, cuja mensuração é inerentemente complexa.
2.1.3 Abordagem estruturalista de desenvolvimento
No mesmo período em que os autores citados anteriormente escreveram sobre as
teorias de modernização em equilíbrio e desequilíbrio9, em meados dos anos 1950, na
América Latina, de forma intrinsecamente ligada às atividades da Comissão Econômica para a
América Latina e o Caribe (CEPAL), surgiu o pensamento estruturalista ou corrente cepalina
de desenvolvimento. Dentre os principais autores dessa corrente estão Raul Prebish, Celso
Furtado, Maria da Conceição Tavares e Osvaldo Sunkel. Grande parte da produção acadêmica
desses autores é disponibilizada pela própria CEPAL em seu site10; além disso, há obras como
CEPAL (2000), na qual se pode compreender as teorias estruturalistas.
Essa abordagem teórica buscou analisar as relações de desenvolvimento econômico e a
organização dos países entre centro e periferia. No centro, estariam os países especializados
na
9
Como exemplo dessa interação entre os teóricos da modernização e do estruturalismo, cita-se a obra organizada
por ELLIS e WALLICH (1961). Nela, autores como Furtado, Hirschman, Nurke, Rosenstein-Rodan discutem os
princípios de desenvolvimento e como isso se aplica à América Latina.
10
COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE (CEPAL). Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 fev. 2022.
30
produção e exportação de produtos industrializados, como os países europeus e os Estados
Unidos. Os países da periferia, como as nações latino-americanos, seriam caracterizados por
serem exportadores de matérias-primas, commodities agrícolas e minérios (PREBISH, 1949;
FURTADO, 2007).
Nas relações de troca estabelecidas, o centro exportaria produtos com maior dotação
tecnológica para a periferia e importaria matérias-primas e produtos com menor valor
agregado desses países periféricos. Diante disso, os autores cepalinos identificavam uma
concentração de ganhos de produtividade nos países centrais, enquanto os países da periferia
estariam sempre em desvantagens para adquirir os bens industrializados do centro – processo
esse chamado de deterioração dos termos de troca (PREBISCH, 1949).
Em contraposição à visão ortodoxa liberal de que o comércio internacional e a
especialização nos produtos com vantagens comparativas seriam ações benéficas a todos os
países, o estudo estruturalista apontou para a restrição da estrutura produtiva, ou seja, o
portifólio de bens que se produz – e se exporta - em uma região é responsável por
consequências na renda, na sua distribuição e na limitação estrutural ao desenvolvimento
socioeconômico de uma região.
No que diz respeito aos reflexos da estrutura de dependência entre países centrais e
periféricos, destaca-se a questão do mercado de trabalho. Enquanto trabalhadores de
atividades industriais e mais dinâmicas teriam maiores possibilidades de se organizarem e
buscarem melhores salários, os trabalhadores de atividades primárias e extrativas não teriam
muitas alternativas laborais e condições de negociação. Assim, a estrutura produtiva de cada
região influenciaria nas assimetrias de mercado de trabalho entre as nações (CEPAL, 2000).
Interessante ainda destacar a compreensão sobre três dimensões de desenvolvimento,
que incluem o aumento da eficácia do sistema social de produção, o atendimento das
necessidades básicas da população e a realização dos objetivos dos grupos sociais. Furtado
(2007) aponta que a primeira condição não é suficiente, uma vez que o aumento da
produtividade pode ocorrer até mesmo às custas da piora das condições de vida da
sociedade11. Não obstante, é necessário que tanto as necessidades básicas quanto os objetivos
de uma sociedade estejam vinculados à sua estrutura (CEPAL, 2000).
11
Nesse aspecto, Furtado (2007) aponta que o modelo agroexportador restringe as exportações do país em
produtos agrícolas com baixo valor agregado. Nesse sentido, o mercado interno torna-se dependente da
economia internacional e a estrutura produtiva é incapaz de gerar melhorias significativas nas condições de vida
da grande parcela da população.
31
No pensamento estruturalista, as estruturas econômicas existentes nos países
periféricos são historicamente determinadas, notadamente pela forma como elas se inseriram
na economia internacional – produção orientada para exportação de produtos primários em
troca de importação de produtos com maior valor agregado pelo processo de manufatura.
Nesse sentido, a transformação estrutural das economias subdesenvolvidas, pela expansão da
atividade econômica por meio de tecnologias produtivas mais avançadas e a mudança do
portfólio de produtos seria o objeto do desenvolvimento (FURTADO, 2007; PREBISCH,
1949).
Nesse processo de mudança estrutural, o Estado teria função primordial, ao capitanear
estratégias de industrialização por substituição de importações (ISI), a qual não seria mera
industrialização, mas dotada de uma lógica própria de acumulação de capital para formar a
capacidade de oferta. Nesse sentido, a Cepal contribuiu também junto aos países latino-
americanos para o diagnóstico de problemas estruturais e para sistematizar as proposições de
política, por meio de planejamento (CEPAL, 2000).
Vale ainda acrescentar a contribuição paranaense para a teoria estruturalista e a
compreensão da formação de relações centro-periferia a nível regional: Pedro Calil Padis,
além de escrever de forma pioneira sobre a formação econômica do Paraná, apresentou um
modelo de reflexão sobre a formação de economias regionais periféricas.
Em linhas gerais, Padis (2006) relata que a estrutura econômica vigente nas economias
periféricas, em que há grande número de produtores voltados para o mercado internacional,
vinculados à exportação de produtos primários, levava ao surgimento de ciclos: a atividade
produtiva, após um período de expansão e relativa estabilidade, entrava em declínio e, até
mesmo, à total de liquidação.
Tal fato foi observado nos países latino-americanos e, em especial no Brasil, como
relata Furtado (2007), com os ciclos da cana-de-açúcar, do ouro e do café. Padis (2006), por
sua vez, analisou os ciclos do tropeirismo, da erva-mate, da madeira, do café, em nível de
Paraná. Sua contribuição, nesse aspecto, reside na caracterização de como o Paraná se
consolidou como uma economia reflexa de São Paulo, mantendo-se pouco diversificado e
basicamente agrário, enquanto a economia paulista se radicou centro dinâmico brasileiro,
caracterizando uma relação de dependência regional.
2.1.4 Breves considerações sobre o desenvolvimento econômico e as interfaces regionais
Como já visto até aqui, desenvolvimento é um processo dinâmico com várias
dimensões, que exige uma compreensão ampla da evolução de variáveis qualitativas e
quantitativas. Desenvolvimento, nesse sentido, é um processo de intensa transformação
32
estrutural que pode ser alcançado em diversas esferas, desde a global até a local ou regional
(BRANDÃO, 2008). Nesta seção, tratar-se-á das abordagens específicas do desenvolvimento
regional.
Em relação ao desenvolvimento regional, a compreensão de Amaral Filho (2001) diz
respeito ao conjunto de transformações decorrentes das ações descentralizadas das empresas,
das instituições públicas e de todos os agentes que, por meio de processos de reciprocidade,
cooperação e concorrência, realizam a maior valorização ao território inserido.
Nesse aspecto, Marini e Silva (2012) compreendem que a partir do século XX, o
enfoque passou a ser sobre o desenvolvimento econômico no que se refere aos ativos
territoriais, as forças produtivas locais, a concentração espacial das empresas e os movimentos
de agentes locais.
Boisier (1996, pp. 127-128) contribui sobremaneira para entendimento sobre a gestão
do desenvolvimento regional. Segundo o autor, é preciso que os gestores do desenvolvimento
regional respondam alguns questionamentos: O que produzir e onde vender? Quais projetos
desenvolver e como financiá-los? Com que recursos humanos pode-se contar e como
empregá- los? Qual é a imagem corporativa e como promovê-la?
Para tanto, o autor aponta que o desenvolvimento de um território depende da
articulação de elementos que são os atores, as instituições, os procedimentos, os recursos e o
entrono. Para que uma região se desenvolva, além da clareza quanto às respostas das
perguntas anteriores, deve-se haver uma interação “densa e inteligentemente articulada”
(BOISIER, 1996, p. 137) na forma de um projeto político regional, sob pena de que se tenha
apenas uma caixa preta, isto é, um conjunto de elementos cujo conteúdo e funcionamento é
desconhecido (BOISIER, 1996).
O desenvolvimento econômico regional resulta, pois, de uma ênfase atribuída às
dinâmicas locais, devendo-se considerar a história e a cultura regional, respeitando as
diferenças entre localidades, o comprometimento social institucional, a formação de capital
social e a confiança entre os indivíduos, os quais se dispõem à coletividade e facilitam,
inclusive, o crescimento econômico (VIEIRA; SANTOS, 2012).
Nesse contexto, as estratégias empresariais são determinantes para o processo de
desenvolvimento, ou seja, caracterizam-se como variáveis relevantes à medida que estão
associadas ao aumento da concorrência em busca do retorno dos investimentos e da melhoria
na eficiência para utilização dos recursos. Por isso, defende-se que: o desenvolvimento pode
ser entendido como um fenômeno territorial em que os atores que tomam as decisões de
33
investimento são incorporados no sistema de relações institucionais, culturais e sociais que
caracterizam cada território (BARQUERO, 2014).
Tais definições sobre estratégias estão relacionadas, concatenadas ao ambiente
institucional. Destaca-se que: “quando as instituições políticas e econômicas criam um
ambiente de confiança, as empresas estão no ambiente certo para tomar suas decisões de
investimento e de localização e assumir os riscos necessários para enfrentar os desafios do
aumento da concorrência” (BARQUERO, 2014, p. 64).
Nesse sentido, Bazzanella e Onisto (2014) e Boisier (1996) enfatizam também a
importância do papel do Estado em promover a descentralização política para promover a
participação social nos processos decisórios, à medida que se facilita a resolubilidade nos
processos reivindicativos. Os autores (2014, p. 9) observam ainda que “promover a
participação civil e empresarial incentiva as inovações tecnológicas e científicas, o que
oportunizará maior competitividade às empresas e tornará as políticas públicas medidas que
atendam às peculiaridades regionais”.
Em suma, o processo de desenvolvimento é entendido como dependente das ações dos
agentes regionais, ou seja, as características territoriais são a base para o desenvolvimento.
Mais do que isso, também é fundamental o conjunto institucional inserido, de modo que todos
os agentes da cadeia produtiva possam alcançar resultados de eficiência.
Sobre as instituições, impossível não citar as contribuições de Veblen (1965) e North
(1991). Veblen (1965) aponta que os hábitos, comportamentos e costumes de uma parte da
sociedade constituem as instituições. Por isso, compreender as atividades desenvolvidas em
uma região para ganho econômico perpassa por compreender as instituições presentes, à
medida que o autor define que as instituições orientam a trajetória produtiva.
Mengel et al (2019, p. 33) explicam que “é a força das instituições que dificulta a
introdução de novas atividades econômicas (...), na medida em que exigem novos
comportamentos sociais e produtivos”. Novas atividades geram choques com as posições
dominantes, de modo que as instituições buscam manter a coerência nos comportamentos.
Douglas Norh (1991) corrobora para definição de instituições, tratando-as como “as
regras do jogo”, que guiam e estruturam a vida humana cotidiana, definem o quadro de
possíveis escolhas e reduzem a incerteza. Por outro lado, o autor define as organizações que,
criadas pelo propósito de se alcançar objetivos específicos; essa intenção é o motor para a
mudança institucional – em outros termos, as organizações são os agentes da transformação
das instituições.
34
Ainda, a partir das visões apresentadas sobre desenvolvimento regional, é possível
observar que o desenvolvimento está diretamente relacionado às atividades produtivas e à
forma como essas atividades se inter-relacionam com as outras em um sistema produtivo
(PIFFER, 2006).
Considerando todos os agentes partícipes do processo de desenvolvimento regional,
compreende-se que, por mais que as linhas gerais do progresso sejam construídas por um
agente pensante sobre a totalidade – o Estado, deve-se desconsiderar os anseios e,
principalmente, o papel dos níveis de análise mais próximos do cidadão – regiões, municípios
e comunidades, por exemplo. Nesse sentido, “o desenvolvimento deve ser objetivo de nação,
mas é construído localmente, com a participação dos agentes e instituições partícipes da
realidade regional” (STRELOW; COSTA, 2022).
Com efeito, o desenvolvimento deve ser amparado em um projeto, pois a
disponibilidade de recursos por si só não garante que haja um futuro melhor para a população.
Segundo Furtado (2004, p. 4):
quando o projeto social prioriza a efetiva melhoria das condições de vida dessa
população, o crescimento se metamorfoseia em desenvolvimento. Ora, essa
metamorfose não se dá espontaneamente. Ela é fruto da realização de um projeto,
expressão de uma vontade política.
Moreira e Crespo (2012) enfatizam que, diante de todas as teorias de desenvolvimento
existentes e emergentes, o principal desafio para o presente é quantificar empiricamente e
avaliar o desenvolvimento sob uma ótica abrangente e multidimensional. Nesse sentido,
diante desta discussão e das novas abordagens que vêm sendo propostas, destaca-se a ideia da
complexidade, objeto de revisão do próximo item.
2.2 Complexidade econômica e desenvolvimento
Para além da compreensão das teorias clássicas e modernas, além da abordagem dos
estruturalistas, estudos recentes têm se dedicado, a partir da análise de dados, a verificar como
o conjunto de produtos que os países exportam impactam no padrão de diversificação,
crescimento econômico e desigualdade de renda.
A partir da noção de Adam Smith de que a riqueza das nações está relacionada à
divisão do trabalho e que a especialização é limitada pelo mercado, Hildalgo e Hausmann
(2009) sugerem que a riqueza e o desenvolvimento, portanto, estão relacionadas com a
complexidade que emerge das interações entre os agentes e as atividades que compõem uma
economia.
35
Hartmann et al (2017) salientam também que desde os pioneiros do desenvolvimento
moderno já citados, como Rosenstein-Rodan, Hirschman e os autores da teoria estruturalista,
tinha-se a concepção de que a distribuição de renda e o desenvolvimento das nações estavam
conectados com a estrutura produtiva dos países.
Testar, entretanto, tais concepções teóricas, não era tarefa fácil à época dos escritos
desses autores, considerando as dificuldades computacionais e de acesso a dados
desagregados.
Ocorre que com a evolução tecnológica e o avanço de áreas de pesquisa como análise
de redes e sistemas dinâmicos, pesquisadores como Hidalgo et al. (2007), Hidalgo e
Hausmann (2009), Hausmann et al. (2013) e Hartmann et al (2016) retomaram a pesquisa
sobre estrutura produtiva12 e mostraram que a complexidade econômica, isto é, a habilidade
das economias produzirem um conjunto diverso e sofisticado de produtos pode ser utilizado
para predizer o padrão de diversificação futuro de uma economia, o crescimento econômico e
a desigualdade de renda.
Hidalgo (2021) ainda identifica que, diferentemente das abordagens tradicionais, os
métodos do estudo da complexidade não buscam identificar, a priori, os fatores individuais
que influenciam o crescimento e o desenvolvimento. Pelo contrário, busca-se estimar, a partir
dos próprios dados, a combinação de fatores que melhor explica a configuração das atividades
econômicas. Nesse sentido, Reis (2018) aponta que uma das grandes virtudes dos indicadores
de complexidade econômica é que eles são obtidos a partir de cálculos de álgebra linear, sem
juízos de valor sobre o que é ou não é complexo.
Gnangnon (2021) esclarece, nesse sentido, que uma economia é "complexa" ou
"sofisticada" quando exporta (leia-se também “produz”) muitos produtos, sendo que tais
produtos não são facilmente produzidos por outros países (ou seja, tem uma baixa
ubiquidade), porque a produção de tais bens requer capacidades exclusivas.
Conforme Hartmann et al (2017), o conjunto de produtos aos quais uma economia se
dedica restringe as escolhas ocupacionais, as oportunidades de aprendizado e o poder de
barganha dos trabalhadores dessa região. Ademais, a diversidade e complexidade dos
produtos tem se mostrado importantes preditores para o nível de pobreza e bem-estar dos
países.
12
Hildalgo (2021) aponta que além da disponibilidade de dados e métodos, vinculados inclusive com
Inteligência Artificial, motivaram o estudo da complexidade econômica também a retomada das discussões sobre
política industrial e o desenvolvimento das teorias de crescimento endógeno.
36
2.2.1 Apresentação do estado da arte sobre complexidade econômica
A título de exemplificação das possibilidades de estudo com a complexidade
econômica, destaca-se o trabalho de Al Marhubi (2021), que analisou dados de 94 países entre
1970 e 2014 e constatou que a complexidade econômica tem um impacto robusto e
estatisticamente significativo, de forma negativa sobre a inflação, sugerindo que o aumento da
complexidade econômica pode ser uma maneira crucial para se promover uma baixa inflação,
importante objetivo da política macroeconômica.
Gnangnon (2021) identificou que aqueles países que exportam produtos mais
complexos têm maior penetração no mercado internacional de bens e podem estabelecer uma
rede que contribui para expandir sua gama de itens para exportação.
Hartmann et al. (2016) mostraram, por meio do Product Gini Index (PGI) que
mudanças na estrutura produtiva se traduzem em oportunidades de reduzir a desigualdade. Os
pesquisadores identificaram que os produtos mais sofisticados tipicamente são produzidos por
países mais igualitários que aqueles que exportam produtos como cacau, por exemplo, à
medida que setores mais complexos requerem
uma rede maior de trabalhadores qualificados, indústrias relacionadas e instituições
que possibilitam a competitividade econômica desses produtos, do que simples
produtos industriais e atividades de exploração de recursos cuja competitividade é
principalmente com base na riqueza de recursos, baixos custos trabalhistas,
atividades rotineiras e economias de escala (HARTMANN et al, 2016, p. 17,
tradução livre).
Em nível mundial, Hartmann et al (2016) indica que as economias, enquanto sistemas
complexos e evolucionários, possuem uma estrutura que não salta aleatoriamente para novas
atividades econômicas, mas tendem a explorar atividades associadas às atividades dominantes
naquela região. À medida que o processo de diversificação e sofisticação econômica ocorre,
novos patamares de desenvolvimento econômico e distribuição de renda são definidos.
Partindo dessa premissa, buscou-se evidências empíricas de que os níveis de
desigualdade estão associados a produtos, a depender da complexidade e interação com outras
atividades e o nível de exigência tecnológica e conhecimento especializado, por exemplo. Tal
autor conclui que a estrutura produtiva condiciona o nível de desigualdade de renda, sendo
necessárias políticas sociais complementadas por estratégias de diversificação produtiva
(HARTMANN, 2016).
Nesse sentido, cada região possui uma estrutura distinta, sendo razoável que as
atividades ali desenvolvidas tenham relação com a forma que os habitantes se relacionam e
vivem. Em outras palavras, postula-se que o conjunto de relações econômicas envoltas em
uma atividade produtiva pode influenciar inclusive o nível de desenvolvimento
econômico
37
observado em uma região, à medida que é determinante de renda, sua distribuição e os
impactos no bem-estar dos habitantes.
2.2.2 Complexidade econômica regional
A relação entre complexidade econômica e variáveis de desenvolvimento pode ser
verificada regionalmente? Esse estudo ainda está em desenvolvimento recente no Brasil e no
mundo. O Atlas da Complexidade Econômica e o DataViva fornecem dados sobre
complexidade econômica apenas para aqueles municípios com base exportadora, condição
necessária para mensuração do Índice de Complexidade Econômica conforme a metodologia
original13.
Nesse sentido, Balsalobre et al (2017) recorrem a matrizes inter-regionais de comércio
e aos dados sobre transporte para calcular o Índice de Complexidade Econômica para as
províncias da Espanha. Foram utilizados como referência a classificação de 29 produtos para
as 50 províncias espanholas entre 1995-2015. Os autores constataram, naquele caso, que a
análise regional obtém resultados similares à análise tradicional para países: o ECI se mostrou
um preditor adequado para o produto per capita no curto prazo.
Gao e Zhou (2017), por sua vez, analisaram a complexidade econômica regional da
China, com dados entre 1990 e 2015, utilizando 70 classificações para indústria e
considerando 31 províncias chinesas. Primeiramente, os autores constatam que ICE é
relativamente estável ao longo do período e, a partir da análise das regiões, mostrou-se
positivamente correlacionado com desenvolvimento econômico (medido pelo PIB per capita)
e negativamente correlacionado à desigualdade de renda (medido pelo RICU - Relative
Income at Urban Area e RICR - Relative Income at Rural Area).
No Brasil, apesar de alguns trabalhos analisarem a complexidade econômica regional,
a análise pauta-se majoritariamente nos valores do DataViva. Gonçalves (2017) analisou a o
Estado de Minas Gerais entre 2002 e 2014, a partir dos referidos dados. Ainda que 660 dos
853 municípios mineiros não possuam atividade exportadora - seja de baixa ou alta
complexidade, o estudo pôde identificar que a região mais desigual do estado é o Norte
Mineiro, na qual a grande maioria dos municípios não trazem para si atividades exportadoras.
O autor identificou também a baixa participação do setor industrial naquele estado, com
empreendimentos voltados majoritariamente para o extrativismo mineral, a pecuária e os
insumos laticínios.
13
Para o período de referência 2010/2012, consta o Índice de Complexidade Econômica do site DataViva para
167 municípios, ou seja, menos da metade do total para o estado do Paraná.
38
Almeida e Araújo (2020) estudaram a relação da complexidade econômica e a
desigualdade de renda na região do Grande ABC, no período entre 2000 e 2010, a partir dos
dados do Data Viva. Os autores notaram um comportamento heterogêneo entre os municípios
tanto em relação à desigualdade de renda quanto à complexidade econômica, de modo que
não puderam aplicar a teoria àquela região; como hipóteses para isso, explicaram que naquele
contexto há relevância dos setores de serviços e comércios (ALMEIDA; ARAÚJO, 2020).
Nos trabalhos supracitados para o caso brasileiro, revela-se a necessidade de que a
análise da complexidade econômica se utilize de outras variáveis que não as exportações.
Nesse sentido, Hidalgo (2021), um dos primeiros autores da linha de pesquisa da
complexidade econômica, indica que um dos desafios para esse campo é a avaliação em nível
subnacional, como regiões e cidades; nesse contexto, é preciso de dados que reflitam a
intensidade de conhecimento local.
Nesse contexto, identificou-se o trabalho de Fagundes et al. (2019), em que se estima o
Índice de Complexidade Econômica regional para o estado de Mato Grosso do Sul,
mantendo- se a metodologia original de Hausmann et al (2013), mas considerando dados de
emprego obtidos da RAIS paraos todos os 79 municípios considerando o período entre 2006 e
2016 e 87 setores. Os autores observaram que o processo de diversificação da economia sul-
mato- grossense ao longo do período não foi capaz de aumentar a complexidade, pois a
diversificação se deu em atividades com alta ubiquidade.
Cavalcante et al (2020) também utilizaram dados de emprego da RAIS para o cálculo
do Índice de Complexidade Econômica dos estados brasileiros. Os resultados obtidos,
considerando variáveis como os vínculos empregatícios, o número de estabelecimentos e a
massa salarial, foram robustos, no sentido de que mantiveram coerência entre si e, ainda,
mostraram-se semelhantes, em termos de ranking, com os valores disponibilizados pelo
DataViva.
Este é um dos desafios ora proposto, considerando a realidade paranaense: mensurar a
complexidade econômica para, então, avaliar suas relações com o desenvolvimento
econômico do estado.
39
3 METODOLOGIA E DADOS
Considerando a natureza da pergunta e dos objetivos elencados para o
desenvolvimento da pesquisa, utilizou-se uma abordagem qualitativa e quantitativa. Tal
abordagem tem como característica projetar informações sobre uma população por meio de
dados quantitativos (estatísticas e indicadores, por exemplo) e a partir de uma coleção de
observações qualitativas (MORAIS; NEVES, 2007).
Destaca-se que haveria diversas nuances para se estudar desenvolvimento
socioeconômico, diante da multidimensionalidade do referido fenômeno. Não obstante, é
possível avaliá-lo sob a ótica mundial, nacional e até mesmo regional ou local. Nesse sentido,
avaliou-se o desenvolvimento sob a ótica da estrutura produtiva, por entender que as demais
variáveis estão com ela relacionadas, isto é, a estrutura produtiva está vinculada à dinâmica
necessária para impulsionar o crescimento e a distribuição de renda.
Quanto ao recorte espacial, estudou-se o desenvolvimento e a estrutura produtiva
regionalmente, especificamente a partir dos 399 municípios do estado do Paraná.
Primeiramente, por compreender o desenvolvimento socioeconômico como um fenômeno
que, de fato, está presente nas relações cotidianas das pessoas. Em segundo lugar, para
identificar se as relações empíricas entre desenvolvimento e estrutura produtiva observadas
entre os países também são observadas em escalas de análise menores.
No Apêndice A, apresenta-se de maneira ilustrativa a estrutura metodológica desta
pesquisa: às contribuições seminais das teorias do desenvolvimento, soma-se as novas
possiblidades de análise de dados, de modo que surge o estudo da Complexidade Econômica.
Nesse aspecto, considerando também os fundamentos regionais do desenvolvimento, avalia-se
as relações entre a atividade produtiva e o nível de desenvolvimento socioeconômico
observados nos municípios do estado do Paraná.
Diante desse contexto, descreve-se a seguir os procedimentos específicos utilizados
em cada uma das etapas do trabalho, considerando os objetivos propostos.
3.1 Procedimentos metodológicos para apresentação das características socioprodutivas
do Paraná
Para apresentar as características socioprodutivas do estado do Paraná em sua
formação histórica recente, buscou-se subsídios históricos que contribuíssem para a
compreensão de como a estrutura produtiva, as instituições e as características sociais
evoluíram até o panorama recente.
40
Nesse sentido, recorreu-se a procedimentos descritivos a fim de identificar e relatar os
eventos como o arrefecimento da industrialização e a consolidação da estrutura agroindustrial
que contribuíram para a dinâmica social e produtiva paranaense a partir de 1990. Para tanto,
utilizou-se a bibliografia seminal de PADIS (1971; 2006), ROLIM (1995), LOURENÇO
(2005), IPARDES (2006), TRINTIN (2006), versando sobre a formação histórica do Paraná,
além de dados estatísticos secundários para corroborar com a análise.
3.2 Procedimentos metodológicos para análise da Complexidade Econômica
A análise da estrutura produtiva nos municípios paranaenses ocorreu com o uso do
Índice de Complexidade Econômica (ICE, ou ECI– Economic Complexity Index), proposto
por Hausmann et al (2013). No presente trabalho, utilizou-se dados de emprego, consoante
com a pesquisa de Fagundes et al (2019).
Inicialmente, foi necessário calcular o índice de Vantagens Comparativas Reveladas -
VCR (BALASSA, 1965), que possibilitou a comparação entre as regiões e os seus setores
produtivos e para determinar se uma economia possuía condições para produzir, de forma
competitiva, determinado produto. Na compreensão original do índice proposto por Balassa,
um país seria especializado na exportação de um determinado produto se a participação dele
em suas exportações fosse maior que a participação desse produto nas exportações totais
(BALASSA, 1965).
Nessa ocasião, seu cálculo foi adaptado para o nível de município, utilizando-se dados
de emprego. A Equação 1 indica como se calcula as Vantagens Comparativas Reveladas de
um município 𝑐 para o produto 𝑝.
𝑋𝑐𝑝
∑𝑐 𝑋 𝑐 𝑝
𝑉𝐶𝑅𝑐𝑝 = ⁄
∑ 𝑝 𝑋
𝑐𝑝
∑𝑐,𝑝 𝑋𝑐𝑝
(1)
em que 𝑋𝑐𝑝 é o número de vínculos de emprego formal do município 𝑐 para o setor 𝑝, 𝑋
∑𝑐
𝑐𝑝
determina o total de vínculos de emprego do município, ∑𝑝 𝑋𝑐𝑝 se refere ao valor total dos
vínculos de emprego no estado referente ao setor p e ∑𝑐,𝑝 𝑋𝑐𝑝 corresponde ao valor total
dos vínculos de emprego do estado.
Caso o resultado do cálculo para a fórmula VCR seja maior que 1, ou seja, a parcela de
pessoas empregadas em um determinado setor no município c seja maior que a parcela de
41
pessoas empregadas nesse mesmo setor no total do estado, diz-se que o município tem
Vantagens Comparativas Reveladas para aquele setor.
A partir disso, construiu-se uma matriz binária 𝑀𝑐𝑝, na qual as linhas representam os
setores econômicos e as colunas os municípios. Se um município possuir VCR para um
determinado setor, o elemento correspondente será indicado pelo número 1. Caso contrário, o
𝑀𝑐𝑝 = 0, 𝑠𝑒 𝑉𝐶𝑅𝑐𝑝 < 1
elemento será nulo (0). Assim, tem-se a regra de formação dessa matriz14:
{
𝑀𝑐𝑝 = 1, 𝑠𝑒 𝑉𝐶𝑅𝑐𝑝 ≥ 1 (2)
Dada essa matriz 𝑀𝑐𝑝, surgem dois conceitos importantes: diversidade e ubiquidade,
duas dimensões econômicas que servem para observar indiretamente a complexidade
econômica de um município. A diversidade econômica é o somatório das células pertencentes
à coluna referente à cada município, enquanto a ubiquidade é o somatório das células da linha
referente àquele setor.
Diversidade: 𝑘𝑐,0 = ∑𝑝𝑀𝑐𝑝
(3)
Ubiquidade: 𝑘𝑝,0 = ∑𝑐𝑀𝑐𝑝
(4)
Na sequência, aplicou-se o Método Refletor que consiste em calcular, iterativamente15,
o valor médio da ubiquidade e da diversidade dos vizinhos daquele setor/município. Desse
modo, calcula-se uma matriz 𝑀̃𝑐𝑐′ , a partir do produto da matriz de um determinado
município
com as matrizes dos municípios com estrutura de emprego semelhantes, ponderado pelo
somatório da ubiquidade dos produtos e normalizado pela diversidade.
𝑀̃𝑐𝑐′ = ∑𝑝(𝑀𝑐𝑝𝑀𝑐′𝑝)/(𝑘𝑐,0 𝑘𝑝,0) (5)
Dessa nova matriz, extrairam-se os autovetores16. O maior autovalor não é
informativo, por ser associado a um vetor integralmente composto por 117. Assim, observa-
se o autovetor
que foca apenas nas presenças significativas 𝑀𝑐𝑝 = 1 de uma atividade em determinada região.
14
Hidalgo (2021) aponta que esse processo é importante porque ajuda a remover variações excessivas, à medida
15
No presente trabalho, utilizou-se quatro iterações.
16
v e um escalar k tal que 𝐴𝑥 = 𝑘𝑣, então o escalar k é chamado de raiz característica (ou autovalor) e o vetor v
Segundo Santos et al (2009), dada uma matriz quadrada M (nxn), se for possível encontrar um vetor não-nulo
é chamado de vetor característico (ou autovetor). Para detalhamento maior, sugere-se a leitura de Boldrini et al
(1990).
17
Isso decorre do fato de as matrizes Mcc' e Mpp' serem matrizes de Markow, matrizes de transição ou matrizes
estocásticas: todas as entradas são não-negativas e todas as colunas têm soma de entradas igual a 1. Para
detalhes, vide Mealy et al (2019) e Caldarelli et al (2012).
42
com segundo maior autovalor que é responsável por captar a maior variância no sistema e,
𝐾⃗→− < 𝐾⃗→ >
portanto, serve como medida da complexidade econômica18.
𝐼𝐶𝐸 =
𝐷𝑃(𝐾⃗→)
(6)
em que 𝐾⃗→ é o vetor de 𝑀̃𝑐𝑝 associado ao segundo maior autovalor, < > representa a
média e DP o desvio padrão.
Para apuração das Vantagens Comparativas Reveladas e o cálculo do Índice de
Complexidade Econômica dos municípios paranaenses, utilizou-se o pacote
economiccomplexity do software R, implementado por VARGAS (2020) e VARGAS et al
(2020). Depois de realizados os cálculos, foram elaborados gráficos, tabelas e mapas para
análise dos resultados dados obtidos.
3.3 Procedimentos metodológicos para identificação da distribuição espacial
Objetivou-se identificar a relação espacial entre a complexidade econômica e os
indicadores sobre qualidade de vida no estado do Paraná. Desse modo, utilizou-se o
ferramental da Econometria, um campo do conhecimento que visa quantificar as relações
econômicas por meio de modelos econômicos, utilizando a Matemática para modelar, a
Estatística para fazer inferências e a Teoria Econômica para explicar fenômenos e resultados.
Nesse sentido, Hill, Griffiths e Judge (2003) observaram que “a Econometria trata do
uso da teoria e dados da economia, negócios e ciências sociais, juntamente com recursos da
estatística, para responder a questões [do tipo] quanto?”. Parte-se da concepção de que, ainda
que as relações teóricas sobre desenvolvimento e as variáveis econômicas sejam conhecidas,
ou minimamente discutidas, é preciso compreender como o desenvolvimento ocorre na
região. Além do desenvolvimento per se, mensurado pelo Índice de Desenvolvimento
Humano Municipal (IDH-M), utilizou-se a desigualdade, mensurada pelo Índice de Gini, e a
taxa de pobreza, como proxies para garantir a robustez dos resultados, uma vez que a relação
entre tais
variáveis e a complexidade econômica ainda é pouco explorada em níveis regionais.
O ferramental da Econometria Espacial ora aplicado tem “como escopo especificar,
estimar, testar e prever modelos teóricos, influenciados pelos efeitos espaciais, usando dados
em corte transversal” (ALMEIDA, 2012, p. 16). O uso da Econometria Espacial fornece
18
Hildalgo (2021) esclarece que o segundo autovetor de uma matriz estocástica é a principal forma de corrigir
uma distribuição de equilíbrio e, em termos econômicos, ele divide as economias em grupos com base nas
atividades que estão presentes nelas.
43
ferramentas apropriadas para compreender os efeitos espaciais - dependência e
heterogeneidade espacial, presentes em dados de natureza espacial, isto é, aqueles que, além
da informação sobre o atributo, contém uma informação geográfica ou georreferenciada.
Os fenômenos socioeconômicos não são estáticos e sua mensuração é complexa, sendo
que são obtidas “fotografias” da realidade ao longo do tempo e do espaço. Em que pese sua
medição, os números obtidos para pobreza, desigualdade ou desenvolvimento não são frios,
mas são resultado da interação de diversos agentes nos contextos em que são observados.
Metodologicamente e à guisa de exemplificação, a elevada taxa de pobreza de Doutor
Ulysses, na região do Vale do Ribeira, por exemplo, pode ser resultado de uma economia
pouco dinâmica ou pouco complexa, com poucas oportunidades de geração de emprego, com
atividades cuja remuneração seja relativamente baixa, ou ainda, que a renda gerada seja
extremamente concentrada. Além disso, é provável que as cidades vizinhas não apresentem
diferenciais expressivos em relação à renda, a ponto de estimular o fluxo de mão de obra em
busca de melhores condições. No município utilizado como exemplo, é provável que haja
acesso limitado à saúde e à educação, o que também impacta negativamente no Índice de
Desenvolvimento Humano.
Desse modo, é plausível supor que essas variáveis socioeconômicas interajam entre si,
inclusive no espaço geográfico, pela difusão ou transbordamento de um atributo para as
regiões vizinhas, a troca de bens e serviços, a transferência de renda ou o espraiamento. A
implicação disso é a variabilidade na distribuição espacial de uma característica, gerando
padrões sistemáticos como aglomeração ou dispersão de atributos ao longo do território.
Na vida cotidiana, na compreensão de um fenômeno e, especialmente, no
delineamento de políticas públicas para minimizar problemas socioeconômicos, é necessário
compreender toda a extensão da situação. No caso do município do exemplo inicial, é
possível que a taxa de pobreza observada seja resultado de um contexto regional maior e,
portanto, a circunstância deve ser considerada no conjunto, optando-se provavelmente por
soluções que atinjam a todas as unidades geográficas da região e que privilegiem as
oportunidades e possibilidades de toda a região.
Existe um esforço dos órgãos públicos, em especial o IBGE – Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística, em promover uma divisão coerente do espaço geográfico para fins
políticos e administrativos, como a Divisão Regional em Microrregiões Homogêneas (1968),
Divisão Regional do Brasil em Mesorregiões e Microrregiões Geográficas (1990) e,
recentemente, a Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e
Intermediárias (IBGE, 2017). Em que pese sua importância, esse esforço de regionalização
busca traços gerais
44
para organização do território, como as zonas de influência, a rede de transporte e fluxos
logísticos, os arranjos populacionais e hierárquicos.
Entretanto, essa regionalização pode não corresponder à extensão e especificidades de
um determinado fenômeno socioeconômico, como a sua formação histórica, suas
características institucionais e sua estrutura produtiva. Assim, relevante se faz adotar outros
procedimentos e critérios para avaliar a configuração e distribuição espacial de um atributo e,
dentre eles, está a Análise Exploratória de Dados Espaciais.
No caso em tela, tem-se predominantemente a dependência espacial, que diz respeito à
interação dos agentes através das regiões e é um caso da dependência de dados em corte
transversal (cross sectional dependence). Ela ocorre quando as unidades de análise –
indivíduos, domicílios, empresas ou regiões – não são independentes entre si. No caso de
dados espaciais, essa dependência pode decorrer da Primeira Lei da Geografia ou Lei de
Tobler (1970): “Tudo depende de todo o restante, porém o que está mais próximo depende
mais do que aquilo que está mais distante”19.
Em outros termos, a proximidade entre duas regiões pode levar a interrelação do valor
de uma variável nessas regiões, isto é, decorre da interação espacial, definida como “o
movimento de bens, pessoas ou informações através do espaço, significa que eventos ou
circunstâncias num lugar podem afetar as condições em outros lugares se os lugares interagem
entre si”20 (ODLAND, 1988/2020, p. 10, tradução livre), geralmente de maneira sistemática,
vinculada à distância entre as regiões.
Para identificar a distribuição espacial dos indicadores de desenvolvimento e
complexidade nos municípios paranaenses, emprega-se a Análise Exploratória de Dados
Espaciais – AEDE, que consiste em descrever e visualizar a distribuição das variáveis em tela,
identificar localidades atípicas e descobrir clusters, isto é, agrupamentos distintos de
associação espacial (ALMEIDA, 2012).
Os resultados encontrados foram comparados, a partir dos dados espaciais dos 399
municípios paranaenses. Como ferramenta, utiliza-se o software estatístico GeoDa, versão
1.18.0 10 December 2020.
O primeiro passo em relação à Análise Exploratória de Dados Espaciais é a adoção de
uma matriz de pesos espaciais ou de defasagem espacial (W). Tal matriz, quadrada de ordem
19
“Everything is related to everything else, but near things are more related than distant things” (TOBLER,
1970, p. 236).
20
“Spatial interaction, which is the movement of goods, people, or information over space, means that events or
circumstances at one place can affect conditions at other places if the places interact. Further, these movements
or interactions among places usually vary with distance in systematic ways” (Odland, 1988/2020, p. 10).
45
𝑛, tem elementos que denotam o grau de conexão espacial entre os municípios em análise
considerando algum critério de proximidade; parte-se da ideia de que regiões mais conectadas
entre si interagem mais do que regiões menos conectadas (ALMEIDA, 2012).
Cada conexão entre duas regiões é representada numa célula dessa matriz, sendo
denominada peso espacial. Frequentemente, utiliza-se como critério a proximidade geográfica
e, especificamente, a contiguidade, de modo que os elementos recebem 1, caso os municípios
sejam contíguos, ou 0, caso contrário (ODLAND, 1988/2020; ANSELIN, 2010; ALMEIDA,
2012). Como critérios de contiguidade adotados para a discussão dos resultados no próximo
capítulo deste trabalho, tem-se convenções como rainha, torre e bispo, que fazem analogia aos
movimentos do xadrez21, conforme Figura 2.
Figura 2 - Convenções de contiguidade: (a) Rainha; (b) Torre; e (c) Bispo
A B C
Fonte: ALMEIDA, 2012 (p. 77). Adaptado pelo autor (2022).
Pode-se utilizar ainda critério para k vizinhos mais próximos – caso o município
vizinho seja, em ordem, até o k vizinho mais próximo – considerando a distância entre os
centroides, recebe 1; caso contrário, recebe zero (ALMEIDA, 2012).
No estabelecimento dessas matrizes espaciais, pressupõe-se que regiões contíguas, ou
seja, que compartilham fronteiras, têm interações mais fortes, as quais podem estimular o
transbordamento ou repulsão da variável de interesse. Similarmente, para as matrizes de k
vizinhos mais próximos, considera-se que quanto mais próximos são os municípios, maior é a
interação entre eles.
Para escolha da matriz de ponderação espacial, deve-se considerar a natureza do
fenômeno e buscar aquela matriz que “capture a maior autocorrelação possível do fenômeno
em estudo” (ALMEIDA, 2012, p. 98). Quanto ao primeiro ponto, compreende-se que os
pressupostos de contiguidade e proximidade são adequados ao fenômeno em análise neste
estudo; quanto ao outro, são calculados os coeficientes de autocorrelação espacial dos dados
para as convenções supracitadas, sendo escolhida aquela que apresentar maior valor
21
No caso da convenção “torre”, considera-se apenas as fronteiras com distância não-nula; para a convenção
“bispo”, considera-se apenas as regiões cujos vértices são contíguos; finalmente, na convenção “rainha”,
compreende-se ambas as possibilidades anteriores (ALMEIDA, 2012). São mais comuns a torre e a rainha.
46
significativo no referido teste diagnóstico, o que Almeida (2012) define como procedimento
de Baumont.
No caso concreto, avalia-se se o desenvolvimento paranaense (estudado sob a ótica do
Índice de Desenvolvimento Humano, Taxa de Pobreza e Índice de Gini) é um fenômeno
regional, isto é, se municípios vizinhos compartilham atributos que definem o nível de
desenvolvimento observado. Tal fato é mensurado por um coeficiente de autocorrelação
espacial, que descreve se um conjunto de dados está ordenado segundo uma sequência
aleatória ou não (ALMEIDA, 2012; ODLAND, 1988/2020).
O coeficiente de autocorrelação espacial mais utilizado na literatura é a estatística I de
Moran. Busca-se responder se os dados globais são distribuídos aleatoriamente ou seguem um
padrão espacial sistemático. A hipótese nula do teste é de que os dados sejam distribuídos
aleatoriamente, o que equivale a dizer que os valores de um atributo em um município não
dependem dos valores do atributo nas regiões vizinhas (ALMEIDA, 2012; ODLAND,
1988/2020).
Moran propôs, em 1948, a elaboração de um coeficiente de autocorrelação espacial na
𝑛 ∑𝑖 ∑𝑗 𝑤𝑖𝑗 𝑧𝑖𝑧𝑗
forma da seguinte expressão:
𝐼 =
𝑆0 ∑𝑛 𝑧2 (7)
𝑖=1 𝑖
𝑛 é o número de regiões;
𝑧 denota os valores da variável de interesse padronizada;
𝑊𝑧 representa os valores médios da variável de interesse padronizada nos vizinhos (Z);
𝑤𝑖𝑗 é um elemento dessa matriz W, que se refere à região i e j
𝑆0 é igual à operação ∑ ∑ 𝑤𝑖𝑗– soma dos elementos da matriz de pesos espaciais
W; Para fins inferenciais, tem-se que o valor esperado de I de Moran [E(I)] é22:
𝐸(𝐼) = −[1/(𝑛 − 1)] (8)
Caso o valor calculado de I de Moran seja igual ao seu valor esperado, dentro dos
limites de significância, não se rejeita a hipótese nula de aleatoriedade espacial. Caso o valor
calculado
22
Conforme Anselin (1992), I de Moran é chamado de pseudocoeficiente de autocorrelação, pois a sua média
teórica não é zero. Entretanto, quanto maior for o número de regiões n, mais próximo é o valor esperado de zero.
Desse modo, na prática convenciona-se analisar se o valor de I de Moran é positivo ou negativo quando, na
verdade, a análise se refere a ser maior ou menor que o valor esperado.
47
de I de Moran seja estatisticamente diferente do valor esperado, dado nível de significância –
geralmente 5%, tem-se indícios de autocorrelação espacial.
Para verificação da significância estatística de I de Moran, é possível utilizar o
pressuposto de normalidade. Se a variável padronizada 𝑍(𝐼) apresenta distribuição amostral
normal, com média zero e variância unitária, pode-se verificar a significância estatística I de
Moran considerando a equação (9), em que DP(I) é o desvio padrão teórico de I:
𝐼 − 𝐸(𝐼)
𝑍 ( 𝐼) =
𝐷𝑃(𝐼)
(9)
Ainda, pode-se partir da definição de que o padrão dos dados é uma de muitas
possibilidades de alocação das observações no espaço, ou seja, há aleatoriedade no
mecanismo estocástico gerador de dados espaciais23 (ALMEIDA, 2012). Para tanto, utilizam-
se os seguintes procedimentos:
I. Permutação dos valores observados para a variável nas diversas regiões;
II. Cálculo da estatística de teste para cada uma das permutações, arbitrando-se
uma distribuição de referência para comparação com o valor calculado;
III. Verificação do valor calculado para a estatística I de Moran (se está ou não na
zona de rejeição).
Em geral, os softwares geoestatísticos, como o GeoDa, possibilitam a definição do
número de permutações para a obtenção da distribuição de referência. Neste trabalho, a
pseudossignificância empírica foi baseada em 999 permutações aleatórias.
Quando se rejeita a hipótese nula, caso o valor do coeficiente de autocorrelação
espacial seja positivo, constata-se que há similaridade entre o valor do atributo e a sua
localização, ou seja, altos valores tendem a se agrupar em determinadas áreas, enquanto
baixos valores se agrupam em outras regiões. Em geral, indica um efeito de contágio ou
transbordamento. Quando há correlação espacial negativa, tem-se dissimilaridade entre os
valores do atributo estudado e sua localização, ou seja, altos valores tendem a ser encontrados
em proximidade aos valores baixos e vice-versa, indicando um padrão sistemático de
dissimilaridade, como hierarquia entre regiões (ALMEIDA, 2012; CAPUCHO; PARRÉ,
2012).
Conforme Almeida (2012), uma ferramenta importante a ser utilizada para análise da
autocorrelação espacial é o diagrama de dispersão da estatística I de Moran, que mostra
23
Conforme Almeida (2012, p. 51), “os dados espaciais representam uma única realização de um processo
estocástico do tipo espacial. (...) Pode-se considerar que este mapa com dados espaciais é uma realização, dentre
inúmeras possíveis, de um ‘processo gerador de mapas’”.
48
graficamente os valores padronizados da variável de interesse no eixo das abscissas (𝑧),
enquanto o valor padronizado da defasagem espacial (𝑊𝑧), isto é, a média do valor da
variável nas regiões vizinhas, é indicado no eixo das ordenadas. Dada a nuvem de pontos das
regiões, estima-se a reta de regressão da defasagem espacial (𝑊𝑧) contra a variável de
interesse, sendo que a estatística I de Moran é interpretada como o coeficiente angular dessa
reta24.
A importância dessa ferramenta é observar graficamente os quadrantes de associação
espacial, além de outliers e pontos de alavancagem, definidos como segue:
Quadro 1 - Definição dos quadrantes de associação linear espacial e pontos discrepantes
Quadrante AA (Alto-Alto)
Quadrante AB (Baixo-Alto)
Regiões apresentam alto valor para a
Regiões apresentam baixo valor para a
variável estudada e são circundadas por
variável estudada, mas que são
regiões que também possuem alto valor para
circundadas por regiões com alto valor
o atributo em análise.
para a variável.
Quadrante BB (Baixo-Baixo)
Quadrante BA (Alto-Baixo)
Regiões apresentam baixo valor para a
Regiões apresentam alto valor para a
variável estudada e são circundadas por
variável estudada, mas que são circundadas
regiões que também possuem baixo valor
para o atributo em análise. por regiões com baixo valor para a variável.
Outliers
Pontos de alavancagem
São observações com um valor muito
São valores elevados ou baixos, mas que
elevado ou muito baixo em relação aos seus
mantém o padrão de associação linear
vizinhos, destoando do padrão de associação
espacial observado no conjunto de
espacial observado no conjunto de dados.
dados.
Fonte: ALMEIDA (2012). Elaborado pelo autor (2022).
Na Figura 3, tem-se a identificação dos quadrantes e dos pontos discrepantes para os
dois casos de autocorrelação espacial – positiva e negativa. Note que, quando se tem
autocorrelação positiva, os dados se concentram principalmente nos quadrantes AA e BB, de
modo que pontos discrepantes nesses quadrantes são pontos de alavancagem; já pontos
discrepantes nos quadrantes BA e AB são outliers. No caso de autocorrelação negativa, as
observações se concentram nos quadrantes AB e BA, sendo que pontos discrepantes nesses
quadrantes são pontos de alavancagem, enquanto pontos extremamente destoantes nos
quadrantes AA e BB são outliers.
24
O modelo a ser estimado é Wx = 𝛼 + 𝛽x + 𝜀, por Método de Mínimos Quadrados – MMQ, sendo β̂ = I.
49
Figura 3 - Diagrama de dispersão de Moran, para (a) autocorrelação espacial positiva e (b) autocorrelação espacial
negativa
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base em ALMEIDA (2012).
Nota: Os pontos destacados em vermelho são pontos de alavancagem, enquanto os pontos em verde são outliers.
Considerando a natureza dos fenômenos socioeconômicos deste trabalho, é importante
avaliar ainda se os valores de uma variável observada em uma região guardam associação
com os valores de outra variável observada em regiões vizinhas.
Pode-se questionar, por exemplo, se o desenvolvimento (mensurado pelo Índice de
Desenvolvimento Humano) em uma região possui relação com a taxa de pobreza ou a
desigualdade (mensurada pelo Índice de Gini) nas regiões vizinhas. Tal constatação refletiria
na multidimensionalidade do fenômeno do desenvolvimento: a renda, educação e qualidade
de vida está relacionada à pobreza e à desigualdade, podendo compartilhar causas comuns,
inclusive no que diz respeito à formação histórica da região ou às atividades ali existentes.
Desse modo, para verificação da existência de um padrão espacial global entre duas
variáveis diferentes (𝑧1 e 𝑧2), pode-se utilizar a estatística
𝐼 de Moran bivariada (𝐼𝑧1𝑧2 ), conforme equação (10):
𝑛 𝑧′1𝑊𝑧2
𝐼𝑧 1 𝑧 2 =
𝑆0 𝑧′1𝑧2
(10)
De modo análogo à estatística I de Moran univariada, a interpretação bivariada indica
que, caso a estatística seja positiva, as regiões que apresentam elevado valor para a primeira
variável tendem a estar rodeadas por regiões vizinhas com alto valor para a segunda variável.
Caso seja negativa, tem-se que regiões com baixo valor para primeira variável estão
circundadas por regiões com elevado valor para a segunda.
Ademais, para os fins deste estudo, foi necessário verificar as associações locais entre
as variáveis. As estatísticas I de Moran univariada e bivariada são globais, isto é, fornecem
evidências sobre os padrões de associação linear espacial, ou seja, como e quanto o conjunto
dos dados está agrupado ou disperso e podem ocultar padrões locais de associação, como
50
clusters – valores autocorrelacionados em nível local - ou outliers espaciais – valores
significativamente discrepantes em relação aos vizinhos.
Desse modo, utiliza-se o coeficiente I de Moran local (𝐼𝑖) que, para dados de uma região
𝑖, seus vizinhos definidos conforme uma matriz de pesos espaciais (𝑊) e uma variável de
interesse 𝑧, é expresso pela equação (11):
𝑗
𝐼𝑖 = 𝑧𝑖 ∑ 𝑤𝑖𝑗 𝑧𝑗 (11)
𝑗=1
Diz-se que a estatística I de Moran local é um indicador LISA (Local Indicator of
Spatial Association ou Indicador Local de Associação Espacial) pois tem a capacidade de
capturar padrões locais de autocorrelação espacial e satisfaz: (i) para cada observação, a
propriedade de indicar clusters espaciais, significativos estatisticamente; e, ainda, (ii) a
propriedade de que o somatório dos indicadores locais, para todas as regiões, é proporcional
ao indicador de autocorrelação espacial global correspondente (ANSELIN, 1995, p. 94).
Almeida (2012) indica que, de posse da estatística I de Moran local para cada uma das
regiões, pode-se avaliar os resultados com: o mapa de significância LISA, que mapeia as
unidades espaciais com estatística significativa a cada nível de significância 25; e o mapa de
clusters LISA, que apresenta, além da informação sobre a significância, a classificação do
diagrama de dispersão de Moran, isto é, as quatro categoriais de associação espacial
estatisticamente significativos (AA, BB, AB, BA).
A estatística I de Moran local bivariada indicará o grau de associação linear espacial
entre o valor para uma variável em uma dada localização e a média de outra variável nas
regiões vizinhas e pode ser obtida conforme fórmula (12).
𝐼𝑧1𝑧2 = 𝑧 𝑊𝑧
𝑖 1𝑖 2𝑖
(12)
Sua interpretação é análoga às estatísticas anteriores e poderá ser analisada
considerando o mapa de significância LISA e o mapa de clusters LISA.
3.4 Dados
Os dados para composição das análises realizadas neste trabalho são oriundos de bases
diversas que podem ser divididas em dois âmbitos: o primeiro diz respeito aos insumos para
cálculo do Índice de Complexidade Econômica. O segundo corresponde às estatísticas
25
As regiões que não estão em destaque (nos mapas utilizados, gerados pelo GeoDa, estão em cinza) são aquelas
que não se encontram em agrupamentos específicos porque, dada a média de todas as regiões, seu valor não é
estatisticamente diferente.
51
destinadas para identificação da distribuição espacial do desenvolvimento, bem como de
variáveis correlatas como desigualdade e pobreza.
Para o cálculo do Índice de Complexidade Econômica, utilizou-se os dados das
Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE) do Brasil, que considera o número de vínculos empregatícios (formais) ao fim de cada
ano. Utilizou-se a classificação do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0),
considerando 87 divisões, conforme Anexo A.
Os dados a serem utilizados para a execução do terceiro objetivo, foram obtidos na
Base de Dados do Estado (BDEweb), disponível no site do IPARDES - Instituto Paranaense
de Desenvolvimento Econômico e Social.
O IPARDES é uma instituição de pesquisa que busca estudar a realidade econômica e
social do Estado. Com isso, colabora para formulação, execução, acompanhamento e
avaliação de políticas públicas, principalmente com o fornecimento de apoio técnico,
pesquisas, estudos, projetos e programas, além de manter as atividades vinculadas ao Sistema
Estadual de Informações Estatísticas (IPARDES, 2022b).
Para identificação da distribuição espacial do desenvolvimento, utilizou-se o IDHM –
Índice de Desenvolvimento Humano Municipal; para a desigualdade, foi empregado o Índice
de Gini; e como proxy do bem-estar da população, utilizou-se a taxa de pobreza.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é uma adaptação
metodológica do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse foi apresentado pelo
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD em 1990, com a finalidade de
fornecer uma métrica multidimensional e comparável para o desenvolvimento humano,
considerando a expectativa de vida, o nível de educação e a renda (ONU, 1990). Além do
esforço de mensuração para o desenvolvimento, o IDH foi uma contribuição pioneira no
entendimento do desenvolvimento como uma combinação de fatores que ultrapassam a esfera
da produção, mas que, em última instância, deve repercutir na qualidade de vida das pessoas26.
O IDHM também leva em conta as três esferas do IDH. Sua principal diferença é a
abrangência municipal e a utilização de indicadores distintos do IDH global, visando capturar
as especificidades locais relativas às “oportunidades de viver uma vida longa e saudável
(IDHM
26
“People are the real wealth of a nation. The basic objective ofdevelopment is to create an enabling
environment for people to enjoy long, healthy, and creative lives. This may appear to be a simple truth. But it is
often forgotten in the immediate concern with the accumulation ofcommodities and financial wealth” (ONU,
1990, p. 9). No início do primeiro capítulo do relatório em que se apresenta o IDH, faz-se a afirmação
contundente de que “as pessoas são a verdadeira riqueza das nações”; partindo disso, o objetivo do
desenvolvimento é fornecer um ambiente voltado às pessoas, para que elas vivam saudáveis e criativas por muito
tempo, em contraposição à concepção de que a economia deve visar a acumulação desenfreada de riqueza
financeira.
52
Saúde); de ter acesso a conhecimento (IDHM Educação) e ter um padrão de vida que garanta
as necessidades básicas (IDHM Renda)” (IPEA; PNUD; FJP, 2013, p. 25).
O Quadro 2 resume, para cada uma das dimensões, a concepção que baseia a sua
participação na métrica, os indicadores utilizados e a sua descrição. A partir de cada
indicador, obtém-se o IDHM Longevidade, Educação e Renda; na sequência, calcula-se a
média geométrica, isto é, a raiz cúbica da multiplicação entre os fatores.
Quadro 2 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): dimensões, concepções e indicadores
IDHM Longevidade IDHM Educação IDHM Renda
A renda é essencial para o
A promoção do acesso às necessidades
O acesso ao conhecimento é um
desenvolvimento humano básicas como água, comida
determinante crítico para o bem-estar e é
requer que sejam ampliadas e abrigo, mas também para
essencial para o exercício das liberdades
as oportunidades que as se poder transcender essas
individuais, da autonomia e autoestima.
pessoas têm de evitar a necessidades rumo a uma
A educação é fundamental para expandir
morte prematura, e de vida de escolhas genuínas
as habilidades das pessoas para que elas
garantir a elas um ambiente e exercício de liberdades.
possam decidir sobre seu futuro.
saudável, com acesso à A renda é um meio para
Educação constrói confiança, confere
saúde de qualidade, para uma série de fins, possibilita
dignidade, e amplia os horizontes e as
que possam atingir o padrão a opção por alternativas
perspectivas de vida.
mais elevado possível de disponíveis e sua ausência
saúde física e mental. pode limitar as
oportunidades de vida.
Esperança (expectativa) de Escolaridade da fluxo escolar da
Renda municipal per capita
vida ao nascer. população adulta população jovem
% de crianças de 5
a 6 anos
frequentando
escola;
% de jovens de 11 a
Renda média dos residentes
13 anos
Número médio de anos que de determinado município.
% de pessoas de 18 frequentando os
as pessoas viveriam a partir É a soma da renda de todos
anos ou mais de anos finais do
do nascimento, mantidos os os residentes, dividida pelo
idade com ensino ensino
padrões de mortalidade número de pessoas que
fundamental fundamental;
observados no ano de moram no município –
completo % de jovens de 15 a
referência. inclusive crianças e pessoas
17 anos com ensino
sem registro de renda.
fundamental
completo; e
% de jovens de 18 a
20 anos com ensino
médio completo.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base em IPEA; PNDU; FJP (2013); IPARDES (2022).
Assim como para o IDH, o índice varia de 0 (zero) a 1 (um), podendo ser classificado
entre muito baixo (até 4,999), baixo (0,500 a 0,599), médio (0,600 a 0,699), alto (0,700 a
0,799) e muito alto (acima de 0,800). Os dados utilizados no cálculo do IDHM são
extraídos dos
53
Censos Demográficos do IBGE e os resultados são divulgados, primariamente, no Atlas do
Desenvolvimento Humano no Brasil27.
Em relação ao índice de Gini, trata-se de um indicador de distribuição de renda entre
os habitantes de uma região, idealizado pelo economista italiano Corrado Gini. Inicialmente,
agrupa-se os indivíduos da localidade em estudo pela renda; em seguida, elabora-se a curva de
Lorenz, que relaciona, para cada porcentagem de indivíduos, qual o percentual da renda que
possuem. O índice de Gini corresponde à área entre a curva de Lorenz e a curva que indicaria
máxima igualdade28. Desse modo, caso não houvesse desigualdade, a área da curva seria 0,
enquanto para a existência de extrema desigualdade (toda renda para apenas uma pessoa), a
área abaixo da curva seria máxima, e o índice de Gini seria 1.
A taxa de pobreza refere-se à proporção dos indivíduos com renda mensal domiciliar
per capita de até R$ 140,00 mensais, considerando valores de agosto de 2010. Salienta-se que
foram considerados aqueles indivíduos que viviam em domicílios particulares permanentes
(IPARDES, 2022c).
O Quadro 3 resume as variáveis socioeconômicas descritas, a serem empregadas na
Análise Exploratória de Dados Espaciais, para o ano de 2010.
Quadro 3 - Variáveis utilizadas para Análise Exploratória de Dados Espaciais
Variável Descrição Fonte
Índice de Índice que agrega três dimensões do
IDHM Desenvolvimento desenvolvimento humano: saúde, IPEA/PNUD/FJP
Humano Municipal educação e renda
Grau de desigualdade (0 – sem
desigualdade |---| 1 desigualdade
GINI Índice de Gini total) existente na distribuição IBGE
de indivíduos segundo a renda
domiciliar per capita
Percentual dos indivíduos abaixo da
TX_POB Taxa de pobreza IBGE/IPARDES
linha de pobreza
Fonte: Elaborado pelo autor (2022).
Cabe salientar que os dados sobre Índice de Desenvolvimento Humano Municipal,
Índice de Gini e Taxa de pobreza são obtidos a partir do Censo. Por isso, a AEDE para essas
variáveis se deu apenas para o ano de 2010 – último ano de realização do levantamento
27
IPEA, PNUD, FJP. Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 mar. 2022.
28
Em termos algébricos, a curva de Lorenz está definida no intervalo [0,1] e a reta de máxima igualdade é a função
identidade (𝑓(𝑥) = 𝑥). O índice de Gini é dado, portanto, pela integral 𝐺 = 02 ∫ [𝑥 − 𝐿(𝑥)]𝑑𝑥.
1
54
censitário, de modo que a análise pode ser complementada na ocasião da divulgação dos
dados do Censo de 2022.
Eventualmente, foram utilizados outros dados e indicadores, tendo-se indicadas as
suas respectivas fontes, como o Censo Agropecuário de 2017, elaborado pelo IBGE, e outras
informações disponibilizadas na Base de Dados do Estado (BDEweb).
O Paraná é um estado da Região Sul do Brasil, com 399 municípios, agrupados em dez
mesorregiões, conforme Figura 4, além de 39 microrregiões.
Figura 4 - Mapa das Mesorregiões Geográficas do Estado do Paraná
Fonte: IPARDES (2012a).
Apesar da regionalização proposta pelo IBGE em 2017, que considera seis regiões
intermediárias e 29 regiões imediatas, na indicação dos municípios e suas regiões, fez-se uso
predominantemente da divisão por Mesorregiões e Microrregiões (IBGE, 1990; IPARDES,
2012b), por serem mais numerosas, permitindo, portanto, menções coerentes com os objetivos
propostos.
55
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A discussão aqui proposta volta-se à caracterização da estrutura produtiva do estado
do Paraná e a sua relação com os atributos de desenvolvimento observados nos municípios
paranaenses. Nesse sentido, esta seção divide-se em três tópicos: inicialmente, discute-se, sob
uma perspectiva histórica, a formação econômica do Paraná e os acontecimentos que levaram
à configuração atual; na sequência, a estrutura produtiva paranaense entre 2010 e 2020 é
reinterpretada à luz da teoria da complexidade, isto é, avaliando-se a diversidade e ubiquidade
das atividades econômicas desenvolvidas em cada município. Finalmente, busca-se traçar
paralelos entre o desenvolvimento socioeconômico e a complexidade econômica dos
municípios, considerando as suas relações regionais.
4.1 Configurações socioprodutivas do estado do Paraná
Para compreensão da relação entre a complexidade da estrutura econômica do Paraná
e o desenvolvimento socioeconômico do estado, é imperativo compreender como ele se
configura setorial e territorialmente no período em análise. Muito embora o processo de
formação histórica do Paraná seja consenso na literatura, é importante revisitar alguns
acontecimentos ocorridos desde o início de sua colonização, em busca de evidências sobre as
características socioprodutivas e a complexidade econômica no Paraná.
4.1.1 Antecedentes: ciclos econômicos e povoamento até 1970
Em que pese a ocupação do território pelos indígenas e pelas reduções jesuíticas
existentes no interior no século XVII, o Paraná teve seu processo de estabelecimento efetivo
da população de forma relativamente tardia em relação aos estados do Sudeste e Nordeste
brasileiro. Na verdade, os primeiros grandes fluxos migratórios para o Paraná ocorreram
aproximadamente um século e meio após a chegada dos portugueses ao Brasil, em
decorrência da atividade mineira (PADIS, 2006).
É da atividade mineira, desenvolvida principalmente em Minas Gerais, que surge a
demanda pelo gado criado no Rio Grande do Sul, sobretudo para transporte29. Desse modo, o
29
Essa interligação entre a atividade mineira e o tropeirismo no Sul é comentada por Furtado (2007, p. 138):
“Observada em conjunto, a economia brasileira se apresentava como uma constelação de sistemas (...). As
articulações se operavam em torno de dois polos principais: as economias do açúcar e do ouro (...). Articulado ao
núcleo mineiro estava o hinterland pecuário sulino, que se estendia de São Paulo ao Rio Grande”. Por
hinterland, ou hinterlândia (do alemão, “terra de trás”, compreende-se como uma região menos dotada de
infraestrutura ou menos dotada de população, interior. Com efeito, no período em análise a relação da região Sul
com as demais regiões do país ocorria em decorrência – ou como reflexo – das atividades desenvolvidas no
Sudeste.
56
Paraná era caminho obrigatório para as tropas oriundas do Sul do país com destino a
Sorocaba. Com objetivo de possibilitar mínimas condições de estadia dos tropeiros em suas
viagens, surgem aglomerações populacionais no interior do Paraná30 (PADIS, 2006).
De modo geral, Padis (2006) observou que a ocupação paranaense ocorreu de forma
reflexa aos fluxos econômicos existentes em São Paulo. Assim que a atividade mineira entrou
em declínio, a economia paranaense retrocedeu a ponto de manifestar condições pré-
monetárias. A renda foi retraída de modo a impossibilitar a circulação de moeda, a realização
de trocas e, em última análise, o desenvolvimento de atividades econômicas.
A partir do fim do século XVII e início do século XVIII, passou a desenvolver a
extração de erva-mate no território paranaense, de forma rudimentar e principalmente
vinculada à necessidade de obtenção de um produto que possibilitasse a troca por outros bens
básicos, como sal, algodão e farinha. Somente em 1822 é que a erva-mate começou a ser
beneficiada em Paranaguá e, nesse período, situações relativas ao mercado internacional
possibilitaram o desenvolvimento da atividade ervateira, tornando-a, em alguns períodos, um
dos produtos exportados mais significativos inclusive em nível nacional (PADIS, 2006).
Salienta-se que a produção de erva-mate, em um período de aproximadamente um
século, até a terceira década do século XX, enfrentou variados momentos de crise e expansão.
Tal fato revela uma característica intrínseca da produção de produtos primários voltados à
exportação – a dependência da situação econômica externa e a existência de ciclos. Era o
mercado externo quem determinava as condições de mercado, tanto em relação à quantidade
quanto no que se referia preço, uma vez que se trata de um produto relativamente ubíquo. Nos
momentos de crise, a renda da economia reduzia drasticamente, até que, no caso da erva-
mate, sua importância econômica foi praticamente liquidada na década de 1930.
Nesse ponto, é notória a reflexão de Padis (2006) sobre as semelhanças e diferenças
entre a atividade ervateira, realizada no Paraná, e a atividade cafeeira, cujo ápice ocorreu no
mesmo período em São Paulo. Ambas as atividades estavam voltadas ao mercado externo;
além disso, a oferta era elástica de modo que se os preços internacionais se elevavam – com
mínimas possibilidades de interferência do Brasil - havia um aumento significativo da
quantidade produzida, principalmente no que diz respeito à erva-mate.
O processo produtivo da erva-mate era intrinsicamente extrativo, com reduzida
utilização de tecnologia e baixa produtividade. Por isso, não gerava grande possibilidade de
30
Padis (2006) destaca o surgimento de cidades como Itararé, Jaguariaíva, Piraí do Sul, Castro, Ponta Grossa,
Lapa, Palmeira, Campo Largo e Lajes como associado a esse processo. Em geral, eram locais de invernada e
pouso ao longo de Caminhos Históricos como a Estrada de Viamão e o Caminho da Vacaria dos Pinhais.
57
capitalização, senão para construção de engenhos de beneficiamento. A mão de obra só era
destinada à atividade durante o outono e inverno, sendo que nos demais períodos, havia
redução da renda e, portanto, do consumo dessa população (PADIS, 2006).
Por outo lado, Padis (2006) destaca que o Brasil logrou o feito de ter o monopólio da
produção do café por um período considerável. Em relação às características da estrutura do
setor, a atividade cafeeira seguia moldes capitalistas, em que o processo produtivo buscava
constante melhoramento e racionalização. A mão de obra também era ocupada ao longo de
todo o ano, mantendo um fluxo regular de renda, o que estimula a geração de um mercado
interno. Todavia, a maior diferença entre as duas atividades é que o café permitiu a criação do
que o autor chamou de economias externas, como a criação de infraestrutura, escolas e,
inclusive, um sistema bancário.
Em outros termos, o que autor destaca pode ser reinterpretado como a capacidade da
atividade cafeeira de gerar encadeamentos para trás e para frente ao longo da cadeia
produtiva, como postulava Hirschman (1958). Com efeito, a estrutura produtiva do café
demandava a criação de meios para escoamento, como ferrovias e portos, assim como a
criação de serviços terciários especializados. Além disso, a renda auferida, notadamente pelos
trabalhadores livres, estimulava o consumo de bens essenciais de alimentação e vestuário.
No período posterior à década de 1930, a atividade cafeeira passou a ser realizada com
maior intensidade no Paraná – notadamente na região Norte. Nesse período, havia
dificuldades estruturais muito sérias no que diz respeito à comunicação e transporte no
Paraná, de tal modo que a região produtora de café era isolada do litoral paranaense e da
capital. Na verdade, a região norte era ligada diretamente à São Paulo, tanto no que se refere
ao escoamento da produção quanto à aquisição dos bens manufaturados.
Tal fato preocupava os governantes paranaenses, que temiam até mesmo a
incorporação daquela região pelo estado paulista. Desta feita, nasceu a Rodovia do Café (BR-
376), que ligava a região produtora de café (cidades próximas a Apucarana, Londrina e
Maringá) à Ponta Grossa, à capital Curitiba e, finalmente, ao Porto de Paranaguá.
A ligação dos dois Paranás – o Paranapanema e o Paraná Pamonha 31 – teve uma
contribuição importante para o Paraná e para a exportação do café. Em 1965, ano da
31
Em reportagem de WILLE (2017), o general Luiz Carlos Pereira Tourinho, ex-diretor do Departamento de
Estradas de Rodagem (DER) do estado do Paraná, apontou que a inexistência de ligações de rodovias com
qualidade entre Curitiba e o restante do estado, notadamente o Norte. Ele revelou a preocupação do governo com
a possível separação entre o norte do Paraná – chamado de Paranapanema pelos seus próprios habitantes - e o
restante do estado - Paraná Pamonha.
58
inauguração da Rodovia do Café, o Porto de Paranaguá consolidou-se como o maior porto
exportador do grão no mundo.
Há de se destacar, porém, que no auge do ciclo cafeeiro em São Paulo, foram
observados diversos encadeamentos com outros setores. Tal feito não se repetiu nas mesmas
proporções no Paraná, isto é, o café não teve o sucesso em povoar e dinamizar a economia
paranaense. Enquanto a produção cafeeira paulista era o centro dinâmico da economia, no
Paraná, quando a cafeicultura passou a ser dominante, estava configurada uma relação de
dependência com São Paulo32 e havia surgido um novo centro dinâmico naquele estado - a
indústria.
Em que pese a sua importância, a cafeicultura no Norte Paranaense não foi capaz de
impulsionar a indústria local. Isso porque, dada sua dependência para com São Paulo e, ainda,
a baixa ou inexistente ligação com o restante do estado, não foram criados quaisquer vínculos
significativos com outros setores ou regiões do estado (IPARDES, 2006). Nesse aspecto,
Padis (1971, p. 42) conclui que
o café para o Paraná ganhou significado diferente do que teve em São Paulo, pois,
enquanto neste estado as poupanças em excesso do necessário para reinvestimento
na agricultura (ou especialmente, cafeicultura) dirigiram-se para os investimentos
industriais dentro do próprio estado, no Paraná isso não ocorreu, pois, à época em
que ali se desenvolveu a cafeicultura, a demanda de produtos industrializados já era
quase que plenamente satisfeita pela produção paulista.
No período pós-crise de 1930 e no pós-guerra, o governo brasileiro passou a almejar a
industrialização do país e a redução da dependência do mercado externo para com os produtos
manufaturados, majoritariamente importados. Para tanto, foram editados instrumentos legais
que limitavam a taxa do câmbio, como forma de beneficiar e incentivar os importadores
interessados em adquirir bens de capital para formação de indústrias.
Por outro lado, essa política prejudicou os exportadores de café – que passavam a se
concentrar no Paraná. O câmbio havia sido fixado em patamar muito inferior aos preços
externos praticados para o café. Desse modo, Padis (2006, p. 194) identifica que “a
cafeicultura paranaense sofreu – na dimensão do aumento da sua produção e da
desvalorização interna da moeda – uma transferência de parte da sua renda em favor do setor
industrial”.
Até as décadas de 1950-1960, portanto, encontrava-se dois núcleos regionais no
Paraná: o primeiro, no eixo Ponta Grossa-Curitiba-Paranaguá e seus entornos, com algum
nível de comércio e vestígios da atividade ervateira; e o Norte, produtor de café e alguns
outros cultivos
32
O Porto de Paranaguá, por exemplo, era um símbolo dessa dependência. Na verdade, na prática, ele era um
59
apêndice do Porto de Santos, à medida que as grandes empresas exportadoras e os serviços de classificação e
prova ligados ao café eram todos vinculados ao porto paulista (PADIS, 2006).
60
agrícolas, vinculados principalmente à subsistência e à troca entre os produtores nos
agrupamentos que passavam a surgir.
No restante do Paraná (região Oeste, Sudeste e Centro-Sul), desde o século XIX, havia
tentativas de ocupação dessa região. São exemplos Guarapuava, fundada em 1819, e Foz do
Iguaçu, criada com finalidade militar em 1888, ano em que o Governo Federal estabeleceu
que fosse aberta uma picada entre essas duas cidades. Bernardes (1953) aponta, entretanto, a
dificuldade de comunicação e a enorme distância dessa região com os mercados
consumidores. Segundo a geógrafa, a fundação de colônias como as citadas não foi suficiente
para a ocupação permanente das regiões, criando-se apenas pequenos núcleos esparsos,
situados a grandes distâncias dos mercados e ligados por picadas.
Dentre esses povoados, encontravam-se alguns núcleos de extração de erva-mate e
madeira - as obrages. Com a mão de obra oriunda de regiões mais pobres do Paraguai e da
Argentina, o objetivo desses núcleos era apenas a extração dos produtos dessa região que,
quando retirados, eram transportados por via fluvial até cidades como Posadas e Buenos
Aires, na Argentina (CORDEIRO, 2004).
As terras dessa região eram obtidas clandestinamente ou por concessões do governo
do estado enquanto a mão de obra era mantida em condições precárias. Cordeiro (2004) indica
que em 1924, tropas da Revolução Paulista chegaram à região Oeste e encontraram os
trabalhadores em situações precárias. Além de libertarem os trabalhadores, as tropas
prenderam alguns obrageros e destruíram obrages.
Padis (2006) corrobora ao afirmar que os responsáveis pela extração da madeira o
faziam de forma totalmente predatória, sem qualquer vinculação às terras. Bernardes (1953, p.
53) relatou que “quem viaja no oeste do Paraná não pode deixar de se impressionar pelas
enormes extensões de matas destruídas pelas queimadas sem limites, ateadas repetidamente
por êstes intrusos”.
Foi somente na década de 1950 que passou a se estabelecer um fluxo efetivo com a
finalidade de ocupação dessas regiões - a migração gaúcha. Westphalen et al (1968) apontou
que, apesar de existirem movimentos expansionistas internos, de forma isolada e espontânea,
a ocupação em larga escala da região Oeste se deu por meio de um centro de dispersão que
estava localizado fora do Paraná, com o objetivo de subsistência por meio da cultura de
cereais e a criação de suínos.
Padis (2006) aponta que, no Rio Grande do Sul, a redução das propriedades rurais
devido à sucessão familiar e a perda de dinamicidade do setor industrial exerceram forças
para a saída da população do estado em busca de novas oportunidades para subsistência. O
fluxo
61
migratório se dava para o Oeste e o Sudeste Paranaense, algumas vezes com a migração
temporária para a região Oeste de Santa Catarina. Esse fenômeno de migração ocorreu de
forma intensa por aproximadamente uma década, a partir de 1952.
Além dos fenômenos de expulsão no território gaúcho, quando os migrantes passaram
a colonizar a região, surgiram companhias de colonização como a Maripá e Pinho e Terras.
Essas empreenderam forte propaganda, com participação da população local 33, para atrair os
colonos gaúchos, de origem italiana ou alemã (MEZZOMO, 2000; FREITAG, 2007).
A formação do complexo econômico dessa região foi marcada, portanto, pelas
características da colonização ítalo-germânica, com a produção agropastoril – milho, trigo,
feijão, mandioca, arroz e criação de suínos e bovinos - voltada para subsistência da família; as
propriedades eram colônias de aproximadamente dez alqueires, justamente para atender às
necessidades da agricultura familiar presente na região. A produção era feita com baixo nível
de tecnologia e tratava-se de uma economia fechada (PADIS, 2006).
Na década seguinte, o surgimento de um sistema viário também permitiu a ligação do
sudoeste com o restante do Paraná, de modo análogo ao que ocorreu à região Norte. Ademais,
dada a qualidade das terras, a produção agrícola passou a apresentar excedentes no Sudoeste.
A soma desses dois fatores possibilitou o avanço dessa região, com o fornecimento de porcos,
por exemplo, a São Paulo (PADIS, 2006).
Por outro lado, a decorrente expansão da renda para os seus habitantes aumentou a
debanda por bens de consumo e viabilizou o surgimento de estabelecimentos comerciais. Esse
processo incentivou o surgimento de centros urbanos e possibilitou relativo dinamismo à
região, aumentando a importância relativa da região no panorama estadual (PADIS, 2006).
Padis (2006) identificou que, dada a característica da produção agrícola e o
aparecimento de alguns latifúndios em regiões que ainda não haviam sido ocupadas, alguns
grandes produtores passaram a intermediar a venda do excedente da produção agrícola. Isso
instaurou uma condição de monopsônio, limitando a renda de muitos produtores que se viram
obrigados a mudarem para as cidades.
33
Mezzomo (2000) e Freitag (2007) apontam a participação da comunidade religiosa na propaganda em busca de
atrair principalmente os filhos de colonos gaúchos, dos entornos de Santa Maria (RS), para se fixarem em
Toledo, Marechal Candido Rondon e Palotina. Nesse último, relata-se que o Pe. Hermogêneo Borin mandou
imprimir folhetos de propaganda e formou caravana de colonos com destino ao Paraná. Nos folhetos, continha a
propaganda: “Lá no Paraná (atual Palotina) o fumo dá folhas do tamanho da folha de bananeiras criadas; um
camarada perseguido pela onça pode defender-se trepando nas ramas de mandioqueira; para abraçar um tronco
de certas árvores, precisam-se de cinco homens” (REGINATO, 1979, p. 109* apud MEZZOMO, 2000, p. 68),
buscando ressaltar a pujança e fertilidade das terras paranaenses.
*REGINATO, Pedro. História de Palotina: 1954 - 1979. Santa Maria: Palloti 1979.
62
Entretanto, mais tarde, esse processo seria minimizado com o surgimento de
cooperativas, uma forma relativamente mais avançada de organização da produção. A
conjunção de vários pequenos produtores permitiu a defesa dos interesses desses agricultores
e a criação de uma escala mínima de viabilidade (IPARDES, 2006). Além de racionalizar a
produção, mais tarde as cooperativas seriam um dos vetores para o surgimento de
agroindústrias.
Em linhas gerais, entre 1940 e 1970, tanto as dinâmicas do Norte do Paraná,
vinculadas à produção cafeeira, quanto a ocupação do Sudoeste do estado e a sua
configuração agrícola, foram responsáveis por transformações profundas na estrutura do
Paraná. Padis (1971) chama atenção para o aumento considerável da população, o surgimento
de novas cidades e o aumento da urbanização, além do crescimento da renda.
Até 1960, o setor industrial incipiente existente no Paraná era vinculado
principalmente à atividade agrícola – beneficiamento de café ou indústria de madeira, de
forma rudimentar. No Norte, devido à vinculação com à economia paulista, não havia
condições de expansão, dado fatores como a ausência de condições mínimas de mercado
interno e a concorrência com São Paulo. No Paraná tradicional, por sua vez, a agricultura
pouco dinâmica e as fracas interligações com o restante do estado, como já abordado,
tornavam baixo o grau de mercantilização, dificultando a organização de uma mínima
estrutura de mercado para surgimento de indústria (PADIS, 1971, IPARDES, 1982).
Por um lado, até esse período, o governo se manteve omisso quanto à política de
industrialização (IPARDES, 1982). Por outro, Padis (1971) destacou uma situação de
dependência do Paraná e o fato de os recursos terem sido canalizados para o centro dinâmico,
comparando tal situação com a relação centro-periferia vivenciada pelo Brasil perante a
Europa nos ciclos do açúcar e do ouro. Nesse sentido, pouco restava de opções para implantar
uma infraestrutura que conduzisse ao crescimento da economia do Paraná.
4.1.2 Paraná a partir de 1960: a questão do planejamento
Foi a partir da década de 1960 que o processo de industrialização no Paraná passou a
se intensificar, com a notável participação do Estado. Após diversos estudos setoriais, em
1963, o governo passou a fomentar e organizar o desenvolvimento da indústria no Paraná,
especialmente com a criação da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná -
CODEPAR, que deu origem ao Banco de Desenvolvimento (BADEP). Inicialmente, foram
63
realizados investimentos em infraestrutura – fornecimento de energia elétrica e a construção
de sistema viário, um dos grandes gargalos da época34 (PADIS, 1971; IPARDES, 1982).
Além da infraestrutura, houve a concessão de empréstimos para empresas,
especialmente do ramo industrial, como de extração e elaboração de produtos de origem
florestal - celulose e artefatos de madeira, indústrias de óleos vegetais – soja e algodão – e às
indústrias de produtos de origem animal – frigoríficos. Os portos de Paranaguá e Antonina
também passaram por importante reestruturação (PADIS, 1971).
Com esse processo, a indústria assumiu maior significância na economia paranaense;
para além da melhoria quantitativa, houve certa melhora qualitativa: apesar de se tratar de
uma base majoritariamente agropecuária ou extrativa, o parque industrial se diversificou, com
indústrias de material de transporte, material elétrico e de comunicações, além de refino de
petróleo (IPARDES, 1982).
Esse processo de industrialização foi fortemente ligado à modernização da agricultura,
notadamente a partir da década de 1970, pelo aumento do uso de equipamentos agrícolas,
adubos e defensivos, à medida que o progresso técnico possibilitava a minimização dos custos
(IPARDES, 1982). Enquanto a indústria fornecia os bens necessários para a modernização,
parte da produção agrícola era destinada às indústrias como insumo, o que ficou caracterizado
como complexo agroindustrial, cuja presença ainda é marcante no Paraná.
Como observa Oliveira (2017), além das indústrias de café solúvel e de novos
produtos derivados do café na região Norte, a soja também foi vetor importante para
urbanização e industrialização. À medida que a produção ganhou escala, o Paraná apresentou
vantagens comparativas que viabilizaram a instalação de um parque para beneficiamento do
produto; desse modo, surgiram as indústrias de farelo e óleo.
Paralelamente à mecanização da agricultura – com culturas como soja e o trigo -
houve a dispensa de trabalhadores rurais e pequenos produtores, que se deslocaram aos
centros urbanos e outros estados35. Além disso, ocorreu um movimento de concentração de
terra em detrimento à pequena propriedade. Havia uma estrutura mínima de produção que se
tornava viável a mecanização, ao mesmo tempo que a tecnificação demandava uma estrutura
considerável de investimento (IPARDES, 1982; FAJARDO; CUNHA, 2021).
34
Padis (1971) identifica que até metade da década de 1960, foram investidos 45% da receita arrecadada no
Estado, sendo 70% para a infraestrutura. Isso repercutiu no aumento das vias asfaltadas, cujo número de
quilômetros quadruplicou ao longo da década, e na produção de energia, que quase quintuplicou.
35
Conforme Rolim (1995), a geada negra de (1975) também contribuiu para esse processo, principalmente no
Norte do Paraná, onde ocorreu a liquidação dos cafezais. O autor estima que aproximadamente 1,3 milhão de
pessoas deixaram o Paraná nas décadas de 1970-80, com destino principalmente a São Paulo. Além disso, a
maioria da população era da área rural da região Norte.
64
Na região Oeste e Sudeste, Rolim (1995) observa que houve menor deslocamento da
população. Nessa região, as cooperativas agropecuárias tiveram papel importante no
fornecimento de tecnologia, garantia de compra e escoamento de safra. Além disso, elas
foram as responsáveis pela transformação industrial dos produtos excedentes, possibilitando o
surgimento de diversas agroindústrias (LIMA; ALVES, 2011).
Acrescenta-se que, nesse período, os dirigentes de Curitiba, na elaboração de um plano
diretor (1966), cogitaram formas de tornar Curitiba um distrito industrial e possibilitar o
crescimento da malha urbana. Foi então que, em 1972, surgiu a lei que criava a Cidade
Industrial de Curitiba (CIC), a qual passou a ser implementada em 1973 a partir da elaboração
de um projeto de zoneamento e ocupação dos solos. Além dos esforços da prefeitura, o
governo do Estado também participou, por meio de convênio, da viabilização de
infraestrutura necessária para o distrito industrial (OLIVEIRA, 2017).
A implantação da CIC proporcionou a criação de diversas indústrias, inclusive de bens
de capital. Desse modo, estabeleceu-se um grande polo industrial que atraiu mão de obra e
levou a um aumento considerável da importância de Curitiba na totalidade do PIB industrial
paranaense (OLIVEIRA, 2017). Rolim (1995) corrobora ao afirmar que a composição
industrial sofreu uma lenta transformação na sua estrutura em direção a gêneros mais
modernos, sendo que os setores mais modernos se concentraram na Região Metropolitana de
Curitiba.
Esses movimentos também foram responsáveis por correntes migratórias nesse
período, notadamente em direção à região de Curitiba. Além da polarização industrial, vê-se
uma tendência à concentração urbana nos municípios industriais e seus vizinhos, à medida
que se constituem focos de atratividade, diante de oportunidades de ocupação e renda
(MAGALHÃES; KLEINKE, 2000).
Nesse sentido, caracterizaram-se circunstâncias de polarização das atividades
industriais, que foram reforçadas pelas políticas de investimento do governo, bem como pelos
investimentos privados que com isso foram estimulados, notadamente na Região
Metropolitana de Curitiba. Trintin (2006) reforçou a importância do planejamento para a
instalação da CIC no crescimento do parque industrial do Paraná; ao mesmo tempo, isso foi
determinante para a concentração industrial nas proximidades de Curitiba.
Há que se destacar, ainda, o processo de industrialização de Araucária, município em
que se instalou a indústria petroquímica na década de 1970. Sendo próxima à CIC, formou-se
o Centro Industrial de Araucária (CIAR), onde se instalou a Petrobrás e outras empresas
vinculadas à cadeia de gás e petróleo. A instalação da CIAR esteve alinhada ao contexto de
65
busca por empreendimentos pelo Estado e contribuiu para a polarização das atividades na
região próxima à capital paranaense (COSTA; SCHIMIDT, 2019).
Paralelamente, o interior do estado, que não possuía condições semelhantes para a
propulsão de investimentos de setores industriais com maior elaboração, atrairam
agroindústrias, principalmente diante da disponibilidade de produtos agropecuários
(TRINTIN, 2006).
Diante dessa distribuição espacial, Rolim (1995) define a existência de dois Paranás,
dois espaços econômicos distintos no estado, com configurações produtivas muito próprias
que definiam a dinâmica territorial: um Paraná Urbano, vinculado à indústria e a à
urbanização, em contraposição ao Paraná do Agrobusiness, atrelado às atividades
agropecuárias.
4.1.3 Panorama recente: economia paranaense após a década de 1990
Na década de 1990, o Paraná foi influenciado pelas questões de ordem
macroeconômica ocorridas no Brasil, como a implantação do Plano Real e a estabilização
monetária, o processo de abertura comercial, as alterações cambiais e os acordos do Mercado
Comum do Sul - Mercosul. Nesse contexto, favoreceu-se o surgimento de investimentos,
nacionais e internacionais, inclusive no Paraná (LOURENÇO, 2005; TRINTIN, 2006).
O novo cenário também foi marcado pelo acirramento da concorrência, de modo que
as empresas buscaram reestruturar tanto os métodos de gestão quanto os procedimentos
produtivos. Lourenço (2005) identificou algumas, dentre várias alterações, como a
racionalização das linhas de produção, substituição de processos produtivos e de gestão,
importação de equipamentos, automação de sistemas e o aprimoramento dos processos de
controle de qualidade.
No âmbito estadual, foram concedidos diversos incentivos fiscais e financeiros em
busca de impulsionar a indústria paranaense. Houve uma nova tentativa de estimular a
industrialização em novos setores econômicos, buscando eliminar a dependência crescente da
agropecuária desde a década anterior. Formou-se, no período, um parque industrial
automobilístico em Curitiba, acentuando-se a concentração industrial na referida região
(TRINTIN, 2006).
Na metade da década de 1990, grandes montadoras e fabricantes internacionais de
peças, cabines, carrocerias e reboques se instalaram na Cidade Industrial de Curitiba, com
grandes benefícios fiscais e incentivos econômicos do governo estadual. Até 2003, o setor já
tinha duplicado o número de plantas industriais e quase triplicado o número de
empregos,
66
consolidando-se como o segundo maior Valor Adicionado Fiscal (VAF) da indústria
paranaense (MIGLIORINI, 2006; OLIVEIRA, 2017).
Não obstante, em outras regiões do Paraná também ocorreram reestruturações
importantes para a indústria. Além do crescimento e da incorporação de novas tecnologias na
agroindústria, novas unidades de indústria manufatureira foram alocadas no território
paranaense, em busca de aproveitar a condição estratégica de localização perante o Mercosul
e outros centros econômicos brasileiros, como São Paulo (LOURENÇO, 2005).
Nesse sentido, em que pese a magnitude da indústria em Curitiba, a partir da década de
1990 foram criados ou consolidados outros polos industriais. Segundo Lourenço (2005), o
setor madeireiro e papeleiro vivenciou uma expansão considerável na região dos Campos
Gerais, formando polos em Ponta Grossa, Guarapuava, Telêmaco Borba e União da Vitória. O
setor alterou-se não só quantitativamente, mas também qualitativamente: além de se
beneficiar das condições cambiais, o setor passou a utilizar matéria-prima de reflorestamento,
em contraposição à característica puramente extrativista exploratória que precedeu a
atividade, além de fabricar produtos mais elaborados, como chapas e placas de madeira
prensada para móveis.
Maringá e Londrina, por sua vez, dividem a centralidade da região Norte do Paraná e,
desde a década de 1970. Essa região destacou-se por acompanhar o processo de modernização
da agricultura e ser o berço de empresas vinculadas à agroindústria. Algumas dessas empresas
têm característica de maior diversidade e grau de ubiquidade, como a produção de óleo
vegetal, fiação de algodão, produção de álcool. Ainda, em cidades vizinhas, como Paranavaí,
Umuarama e Cianorte, houve a especialização em atividades como a produção de suco de
laranja e a indústria de vestuário. No período em análise, instalaram-se diversas empresas de
grande porte e cooperativas que possibilitaram a dinâmica regional (FAJARDO; CUNHA,
2021).
Há a consolidação de fortes encadeamentos entre Maringá e a região Noroeste do
estado do Paraná a partir da década de 1990, não só pela expansão de cooperativas nessa
direção, mas também pela formação de um polo chamado “indústria da moda”, que abrange o
Arranjo Produtivo Local de confecções em Cianorte (FAJARDO; CUNHA, 2021).
Na região Oeste, a dinâmica que se consolidou a partir da década de 1990 tem a
centralidade de Cascavel como polo econômico para região e também do Sudoeste. Trata-se
de uma especialização produtiva vinculada à produção agropecuária, notadamente ao
processamento de carne de aves e suínos. O processamento de grãos, tanto para produção de
insumos para a cadeia pecuária, quanto para a produção de alimentos, também se fixou na
67
região, dadas as possibilidades da oferta das lavouras, cada vez mais mecanizadas a partir desse
período (FAJARDO; CUNHA, 2021).
Em que pese a importância de Cascavel, a região Oeste tem sido marcada por outros
centros muito relevantes sob o ponto de vista da industrialização, com a presença de
frigoríficos e plantas industriais correlatas. Na região Sudeste, por sua vez, há centros
regionais como Francisco Beltrão e Pato Branco que, por mais que estejam vinculados à
Cascavel, constituem vínculos específicos na região (FAJARDO; CUNHA, 2021).
Foz do Iguaçu constitui-se como um caso à parte na região Oeste, à medida que a
Usina de Itaipu é responsável pelo fornecimento de energia elétrica para grande parte do país,
além de ser um dos maiores polos de turismo do mundo. Em relação à sua vinculação
econômica com as cidades das regiões, é necessário ressaltar que a construção da barragem
para a usina provocou o alagamento de áreas de outros municípios do Oeste, fornecendo o
direito a royalties para os municípios ribeirinhos (FAJARDO; CUNHA, 2021). Nesse
aspecto, houve grande contribuição para o desenvolvimento dos municípios vizinhos, que
tiveram maior disponibilidade para investir em saúde e educação, bem como para promover
atividades econômicas como turismo e lazer na região do lago de Itaipu.
Esse panorama regional apresentado para o período recente sobre a estrutura produtiva
demonstra certa estabilidade sobre a organização do espaço produtivo no Paraná. Conforme se
extrai da Tabela 1, não há mudanças quantitativas significativas na participação percentual de
cada região no Valor Adicionado Fiscal nos grandes setores econômicos, comparando-se os
anos de 2000 e 2010.
Tabela 1 - Participação percentual das regiões no Valor Adicionado Fiscal para os grandes setores econômicos do
Paraná em 2010 e 2020.
Produção Comércio e
Valor Adicionado Fiscal Indústria (%)
Primária (%) em Serviços
(%)
Período 2000 2010 2000 2010 2000 2010
Noroeste Paranaense 9,93 11,86 2,30 3,50 3,26 3,30
Centro Ocidental Paranaense 8,47 8,03 0,73 0,98 1,89 2,28
Norte Central Paranaense 16,23 16,19 10,94 11,98 18,67 18,44
Norte Pioneiro Paranaense 6,55 6,30 1,93 2,02 2,79 3,04
Centro Oriental Paranaense 9,90 9,39 8,96 7,28 5,09 5,52
Oeste Paranaense 23,26 23,24 13,78 9,46 10,64 9,91
Sudoeste Paranaense 10,79 10,39 3,26 4,74 3,39 3,91
Centro-Sul Paranaense 6,61 5,99 2,83 1,97 2,49 2,40
Sudeste Paranaense 4,49 4,91 2,51 1,88 1,33 1,76
Metropolitana de Curitiba 3,77 3,72 52,75 56,18 50,46 49,45
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base em Dados do IPARDES (2022c).
68
A Tabela 1 ainda evidencia a configuração espacial das atividades produtivas
historicamente construída no estado do Paraná. Na Região Metropolitana de Curitiba,
delineia- se o “Paraná Urbano”, que agrega aproximadamente metade do Valor Adicionado
Fiscal tanto da indústria quanto do comércio e em serviços.
Rippel e Ferrera de Lima (2009) citam o fato de que as atividades de comércio e
serviços tendem a surgir nas proximidades dos grandes polos industriais, em decorrência da
urbanização e de encadeamentos como o surgimento de demanda para apoio às industriais
principais, bem como em decorrência da demanda dos trabalhadores assalariados para atenção
às suas necessidades básicas.
Depois da Região Metropolitana de Curitiba, o Norte Central e o Oeste Paranaense se
configuram como as duas regiões principais em termos de adição de valor ao processo
produtivo na indústria, no comércio e em serviços, em que pese o Oeste ter perdido
participação relativa no setor industrial ao longo da primeira década deste século.
No que diz respeito ao “Paraná do Agrobusiness”, tanto o Oeste quanto o Norte
Central se configuram como os principais loci para adição de valor nas atividades primárias.
Entretanto, principalmente quando se compara com a distribuição regional das atividades nos
setores secundário e terciário, há maior homogeneidade na participação da atividade
agropecuária e extrativa, reforçando-se a ideia de uma divisão entre dois Paranás com
dinâmicas distintas, até o panorama mais recente.
A partir da compreensão histórica que possibilitou a formação do Paraná e seu estado
socioprodutivo, passa-se, no próximo item, a averiguar as especificidades setoriais e regionais
da economia paranaense na última década, com interpretação própria à luz da teoria da
complexidade, isto é, avaliando-se os atributos de diversidade e ubiquidade das atividades
econômicas desenvolvidas.
4.2 Complexidade econômica no estado do Paraná
A complexidade econômica diz respeito à habilidade das economias produzirem um
conjunto diverso e sofisticado de produtos. No caso do Paraná, dada a formação
socioprodutiva apresentada, isso corresponde a avaliar se os municípios têm a disponibilidade
de recursos e conhecimentos suficientes para não só produzir um portfólio diversificado, mas
que diga respeito a atividades menos ubíquas, isto é, exclusivas no estado e que, em tese, têm
maior sofisticação.
Para este estudo, utilizou-se a variável emprego, tanto pela disponibilidade de dados
para os municípios quanto por entender que a existência de trabalhadores formais em
69
determinado setor de um município é indicativo de uma estrutura com capacidades técnicas
relevantes para aquele setor. Assim, verificou-se se cada município tinha Vantagens
Comparativas Relevadas para cada um dos setores em estudo, formando a matriz 𝑀𝑐𝑝, a qual
permite avaliar tanto a ubiquidade dos setores quanto a diversidade dos municípios.
Inicialmente, apresenta-se a estatística descritiva dos atributos de complexidade no
estado, conforme Tabela 2, isto é, ubiquidade – em quantos municípios constatou-se
Vantagens Comparativas Reveladas para cada setor – e diversidade – quantos setores
apresentaram Vantagens Comparativas Reveladas em cada município.
Tabela 2 – Estatística descritiva para a ubiquidade e a diversidade no estado do Paraná em 2010 e 2020
Variável Ubiquidade Diversidade
Estatística 2010 2020 2010 2020
Média 48,98 55,13 10,68 12,02
Mediana 33 37 9 11
Desvio Padrão 54,51 58,41 6,33 6,26
Coeficiente
de variação (%) 89,84 94,37 59,27 52,03
1
(Extração de
1
Petróleo e Gás
(Extração de 2
Natural, Extração de 1
Mínimo Petróleo e Gás (Mato Rico e Nova
Minerais Metálicos e (Santo Inácio)
Natural) América da Colina)
Extração de Carvão
Mineral
313 308
48
(Agricultura, (Agricultura, 45
Máximo (Londrina e
pecuária e serv. pecuária e serv. (Londrina)
Curitiba)
relacionados) relacionados)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base nos dados da pesquisa.
Em relação à ubiquidade, em média, tem-se que os setores estão presentes em 50
municípios, tendo aumentado em 2020. Considerando a relação entre média e mediana,
observa-se assimetria positiva na distribuição da ubiquidade, ou seja, a maior parte dos setores
estão presentes em até 50 municípios. Esse fato, para a economia paranaense, indica
especialização de conjuntos de municípios em setores específicos, o que corrobora com a
análise histórica realizada até aqui. Também há grande dispersão em relação à média,
notadamente com setores discrepantes em termos de ubiquidade.
Conforme o Quadro 4, o setor 1 – Agricultura, Pecuária e Serviços Relacionados foi o
mais ubíquo do estado do Paraná, apresentando vantagens comparativas reveladas em 313 e
308 municípios nos anos de 2010 e 2020, respectivamente.
70
Quadro 4 – Setores mais ubíquos do estado do Paraná em 2010 e 2020
2010 2020
Identificação do setor Ubiquidade Identificação do setor Ubiquidade
Agricultura, Pecuária e Serviços Agricultura, Pecuária e Serviços
1 313 1 308
Relacionados Relacionados
Administração Pública, Defesa e Administração Pública, Defesa e
74 299 74 304
Seguridade Social Seguridade Social
Confecção de Artigos do Vestuário e Atividades de Organizações
13 178 83 194
Acessórios Associativas
Comércio por Atacado, Exceto
42 Veículos Automotores e 161 43 Comércio Varejista 192
Motocicletas
Comércio por Atacado, Exceto
43 Comércio Varejista 161 42 Veículos Automotores e 174
Motocicletas
Fabricação de Produtos de Minerais Confecção de Artigos do
22 118 13 170
Não-Metálicos Vestuário e Acessórios
Atividades de Organizações Atividades de Serviços
83 118 57 154
Associativas Financeiros
Fabricação de Produtos de
15 Fabricação de Produtos de Madeira 117 22 127
Minerais Não-Metálicos
Fabricação de Produtos
9 Fabricação de Produtos Alimentícios 106 9 114
Alimentícios
Correio e Outras Atividades de Atividades Jurídicas, de
48 96 61 112
Entrega Contabilidade e de Auditoria
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base nos dados da pesquisa.
Além de revelar que mais de três quartos dos municípios paranaenses possuem
especialização no setor vinculado à agropecuária e reforçar o caráter do Paraná do
Agrobusiness, sob a ótica da complexidade, é possível inferir que se trata de um setor que
exige poucas capacidades exclusivas para ser realizada no estado.
A segunda atividade mais ubíqua do estado é relacionada à Administração Pública,
Defesa e Seguridade Social. Como se trata de dados de emprego, tem-se que 299 e 304
municípios, nos dois anos respectivos de análise, apresentaram vínculos empregatícios neste
setor superior ao percentual observado no estado como um todo.
Ainda que não esteja necessariamente ligado ao estudo da complexidade, esse fato
retrata o papel da administração pública como empregador formal da economia, notadamente
naqueles municípios em que há baixa dinamicidade e capacidade de geração de empregos. Em
2020, nos 28 municípios em que o número de vínculos com o setor da administração pública
era superior à metade dos empregos formais dos municípios, o número total de empregados
era inferior a 900.
Não se trata, pois, de criticar o Estado por empregar a população; pelo contrário, em
cidades que se enquadram nessa situação, como Doutor Ulysses, Laranjal e Iguatu, torna-se
uma forma de manter o mínimo de vínculos de renda na economia local e, ainda, garantir o
acesso a serviços como educação e saúde para a população.
71
Entretanto, ressalta-se que há uma limitação estrutural nesses municípios, em relação à
baixa disponibilidade de mão de obra em outros setores; limitações de renda que garantam a
demanda; e os vínculos produtivos com outros setores são escassos, de modo que essa
conjunção de fatores diminui o incentivo para a instalação de novas atividades econômicas.
Os demais setores com maior ubiquidade no estado estão presentes com vantagens
comparativas em menos da metade dos municípios. Tanto o setor de Atividades de
Organizações Associativas quanto de Correio e Outras Atividades de Entrega preservam
semelhanças estruturais com a atividade de administração pública.
Por sua vez, as demais atividades com destaque no ranking em relação à ubiquidade
podem ser agrupadas em, basicamente, dois grupos: o primeiro diz respeito a indústrias
vinculadas a atividades agropecuárias e extrativas, tais como a “Fabricação de Produtos de
Minerais Não-Metálicos”, “Fabricação de Produtos de Madeira” e a “Fabricação de Produtos
Alimentícios’. O segundo grupo corresponde às atividades de “Comércio por Atacado, exceto
Veículos Automotores e Motocicletas” e “Comércio Varejista” e sua presença nos municípios
é, em geral, vinculada às necessidades básicas de consumo da população.
Em linhas gerais, houve um aumento da ubiquidade dos setores na década em análise,
tanto quando se analisa a média quanto quando se observa a relação de atividades ubíquas e
em quantos municípios elas estão presentes com vantagens comparativas. Em 2020, passam a
compor o ranking o setor de “Atividades de Serviços Financeiros” e de “Atividades Jurídicas,
de Contabilidade e de Auditoria”, que estão associadas a um grau de especialização
profissional mais elevado.
No que diz respeito às atividades menos ubíquas, tem-se o setor de “Extração de
Petróleo e Gás Natural”, que ocupa a primeira colocação em ambos os períodos de análise, à
medida que a atividade é realizada tão somente no Centro Industrial de Araucária. Destaca-se
também o setor de “Atividades de Apoio à Extração de Minerais”, presentes em municípios
como Curitiba e Almirante Tamandaré, sendo que no segundo se desenvolve a
industrialização de cal e calcário, além de existirem empresas de água mineral.
Em 2020, os setores de “Extração de Minerais Metálicos” e “Extração de carvão
mineral” também passam a ocupar o lugar de menos ubíquos no Paraná, junto à “Extração de
Petróleo e Gás Natural”. Enquanto a primeira passou a ser desenvolvida com vantagens
comparativas apenas em Campo Largo, a segunda tem vantagens comparativas apenas em
Figueira. Enquanto Campo Largo está vinculada à região de Curitiba, Figueira fica na região
do Norte Pioneiro, possuindo uma Usina Termelétrica, no Vale Rio do Peixe, a principal bacia
carbonífera do Paraná (COPEL, 2022).
72
Em 2020, as atividades de “Organismos Internacionais e Outras Instituições
Extraterritoriais” só apresentaram vantagens comparativas em Foz do Iguaçu, dada sua
importância na região de fronteira (tríplice) e para o turismo, bem como na capital do Estado.
A atividade de Transporte Aéreo, nesse ano, apresenta vantagens comparativas em Foz do
Iguaçu, São José dos Pinhas e Londrina, municípios em que se encontram os principais
aeroportos do estado (Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, Aeroporto Internacional
Afonso Pena e Aeroporto Governador José Richa, respectivamente).
No que tange a diversidade, observa-se que Londrina, Curitiba e Maringá são os
municípios com maior diversidade de atividades nas quais se observou vantagens
comparativas. Não obstante, percebe-se uma polarização da diversidade nos municípios da
região próxima à capital, como Pinhais, São José dos Pinhais, Campo Largo e Colombo. Por
sua vez, os outros municípios com maior diversidade são aqueles que, anteriormente, foram
identificados como centros regionais: além de Maringá e Londrina, na região Norte, tem-se
Cascavel e Foz do Iguaçu, Ponta Grossa, Francisco Beltrão e Campo Mourão, conforme se
observa no Quadro 5.
Quadro 5 – Municípios mais diversificados do estado do Paraná em 2010 e 2020 e o respectivo número de
setores com Vantagens Comparativas Reveladas
2010 2020
Municípios Diversidade Municípios Diversidade
Londrina 48 Londrina 45
Curitiba 48 Curitiba 44
Maringá 40 Maringá 37
Pinhais 36 Ponta Grossa 35
Ponta Grossa 35 Francisco Beltrão 31
Cascavel 30 Foz do Iguaçu 30
Foz do Iguaçu 29 Pinhais 29
São Jose dos Pinhais 29 Almirante Tamandaré 29
Campo Largo 29 Campo Mourão 29
Colombo 28 Cascavel 28
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base nos dados da pesquisa.
Dos municípios apresentados no ranking, Campo Mourão e Francisco Beltrão são
aqueles que tiveram maior aumento da diversidade entre 2010 e 2020 – ambos passaram a
apresentar mais seis setores com vantagens comparativas, passando, portanto, a compor o
ranking em 2020. No caso de Francisco Beltrão, destaca-se que o município passou a
apresentar vantagens comparativas em “Atividades de Serviços Financeiros”, notadamente
com o aumento da relevância de cooperativas de crédito na região; e em “Atividades de
Atenção à Saúde Humana”, com a instalação de serviços de saúde mais especializados,
confirmando a importância de sua centralidade para região.
73
Feitas algumas considerações sobre a ubiquidade e a diversidade no estado do Paraná,
passa-se à avaliação do Índice de Complexidade Econômica calculado nesta pesquisa.
Salienta- se que esse indicador combina os dados sobre ubiquidade dos setores e a diversidade
nos municípios, a fim de identificar aquelas economias mais sofisticadas, ou seja, que
apresentam os recursos, vinculados ao conhecimento e a instituições, para que se produzam
um portfólio diversificado, mas simultaneamente exclusivo.
Na Figura 5, apresenta-se o mapa do Paraná com a distribuição dos décimos para o
Índice de Complexidade Econômica em 2010 e 2020, sendo que os municípios com a cor
mais escura apresentam maior complexidade econômica, enquanto os municípios com menor
complexidade econômica são destacados na cor mais clara.
Figura 5 - Mapa de décimos para o Índice de Complexidade Econômica Municipal no Paraná em (a) 2010 e (b)
2020
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base nos dados da pesquisa.
Observa-se a concentração de municípios com maior complexidade na região de
Curitiba, bem como em municípios da região Norte e Oeste. Por outro lado, na região central
do estado há a maior concentração de municípios com menor complexidade. Nesse aspecto,
aparenta-se ter ocorrido um aumento do número de municípios com menor complexidade na
região centro sul e no Vale do Ribeira.
Na sequência, o Quadro 6 mostra o ranking dos municípios com maior Índice de
Complexidade Econômica. Em um primeiro momento, tem-se a impressão de que se trata de
classificações muito próximas àquelas observadas no ranking de diversidade.
74
Quadro 6 – Ranking dos municípios com maior complexidade econômica no estado do Paraná em 2010 e 2020
Posição 2010 2020
1 Curitiba Curitiba
2 Araucária Foz do Iguaçu
3 Londrina Campo Largo
4 Foz do Iguaçu Londrina
5 São José dos Pinhais Ponta Grossa
6 Colombo Santa Terezinha de Itaipu
7 Pinhais São José dos Pinhais
8 Maringá Maringá
9 Ponta Grossa Pinhais
10 Campo Largo Colombo
Fonte: Elaborado pelo autor (2022), com base nos dados da pesquisa.
Entretanto, esse novo indicador apresenta mudanças importantes que revelam a
natureza de mensuração da complexidade econômica, que trata da relação entre diversidade e
ubiquidade. Em que pese Londrina se manter no ranking da complexidade econômica, o
município perde colocações para outros municípios à medida que muitos setores em que se
tem vantagens comparativas são relativamente presentes em grande parte dos municípios,
como “Atividades de Organizações Associativas” (presente em 118 municípios em 2010),
“Reparação e Manutenção de Equipamentos de Informática e Comunicação e de Objetos
Pessoais e Domésticos” (presente em 313 municípios em 2010) e “Outras Atividades de
Serviços Pessoais” (presente em 313 municípios em 2010).
Por outro lado, Araucária em 2010 apresentava vantagens comparativas reveladas em
27 setores (21 setores a menos que Londrina). Entretanto, 24 desses setores estão presentes
em menos de 20 municípios, ou seja, muito abaixo da média e da mediana da ubiquidade no
estado. Para melhor exemplificar a comparação entre Araucária e Londrina no ano de 2010,
apresenta- se o Apêndices B e C, em que consta os setores com vantagens comparativas em
ambos os municípios, juntamente com a respectiva ubiquidade observada para aquele setor.
Nesse aspecto, verificou-se que os municípios da região de Curitiba, ao ocuparem
aproximadamente metade das posições do ranking, apresentam não só maior diversidade que
os demais municípios, mas também conseguiram se especializar em atividades com maior
sofisticação – ou seja, que exigem conhecimentos mais específicos em relação às atividades
realizadas no restante do estado. Considerando os setores com vantagens comparativas, notou-
se uma complementação entre as atividades desses municípios, levando a compreender que,
de fato, trata-se de um espaço produtivo encadeado.
Não obstante a importância e o desenvolvimento produtivo de centros regionais como
Londrina, Maringá e Cascavel, ainda se observam diferenças qualitativas nos setores mais
relevantes para essas regiões, à medida que ainda carecem de maior sofisticação para
75
configurarem-se como inseridos em um ambiente de complexidade. Também, diferentemente
da região de Curitiba, vê-se um certo descontínuo regional em termos de complexidade
econômica no interior, isto é, não há evidências concretas de que as relações de vizinhança
têm se aprofundado a ponto de configurarem um ecossistema de partilha de conhecimentos e
encadeamentos complexos, que beneficiem as estruturas produtivas de todos os municípios –
trata-se de hipótese a ser estudada.
A essa altura, diante das evidências não só históricas, mas empíricas, é possível tecer
alguns comentários acerca da dinâmica socioprodutiva do estado do Paraná. Existe uma
tendência clara à polarização do estado em determinadas regiões, mas com notável relevância
para região próxima à capital. Além disso, vê-se por meio da complexidade indícios de path
dependence, isto é, dependência da trajetória. Neste caso, as estruturas consolidadas
historicamente, inclusive as produtivas, tendem a uma estagnação, até porque são poucos os
grandes choques exógenos que possibilitaram uma mudança consistente nos padrões
produtivos do estado na conjuntura econômica recente.
Nesse sentido, as divisões do Paraná, em termos de estrutura, produtividade e
crescimento, apesar dos avanços existentes, parecem se manter. Por extensão, questiona-se
quais são as respostas desse cenário em termos de desenvolvimento socioeconômico. Ainda,
pode-se pensar como isso se estrutura regionalmente, isto é, como as configurações setoriais
até aqui apresentadas se vinculam ao território, ao modo de vida dos seus habitantes e das
relações entre os municípios.
Portanto, no próximo item, buscar-se-á verificar a existência de relações empíricas
entre a complexidade econômica e o desenvolvimento socioeconômico dos municípios,
considerando a distribuição regional de alguns indicadores.
4.3 Distribuição espacial dos indicadores de desenvolvimento no estado do Paraná
Neste tópico, discorre-se sobre a configuração espacial dos indicadores de
desenvolvimento, para avaliar se há padrões de associação espacial, ou seja, agrupamentos de
municípios com características socioeconômicas semelhantes. Inicialmente, proceder-se-á a
elaboração da estatística descritiva das variáveis em análise, para então calcular as estatísticas
de distribuição espacial.
Conforme se observa na Tabela 3, em média, o Índice de Gini observado nos
municípios do Paraná é de 0,466, variando entre 0,33 no município de Nossa Senhora das
Graças, até 0,66, em Jardim Alegre, ambos os municípios na Mesorregião Norte Central
Paranaense. Destaca-se
76
que, quanto mais perto de zero, maior é a igualdade de renda entre a população - mais
próxima é a renda dos mais pobres em relação aos mais ricos. A média e a mediana são
semelhantes, indicando uma distribuição aproximadamente homogênea.
Sobre a taxa de pobreza, ou seja, a porcentagem de pessoas pobres em relação à
população total, observa-se que nos municípios paranaenses, em média 10,27% da população
recebeu menos que R$ 140,00 per capita mensal em 2010. Há uma amplitude considerável
para esse indicador, que variou entre 0,84%, observado em Pato Bragado (Mesorregião
Oeste), e 38,11%, na cidade de Doutor Ulysses (Região Metropolitana de Curitiba).
Essa grande variabilidade é corroborada pela análise do coeficiente de variação: a
razão entre o desvio padrão e a média foi de 70,17%. Ainda, a mediana indica que metade dos
municípios do Paraná tem taxa de pobreza superior a 8,43% e, considerando a média, tem-se
um indicativo de assimetria positiva, isto é, as observações estão concentradas em baixos
percentuais para taxa de pobreza.
A respeito do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal, a média dos valores
observados nos municípios paranaenses foi de 0,702, próxima à mediana, com um pequeno
desvio padrão e, por consequência, baixo coeficiente de variação – tais fatos indicam uma
distribuição relativamente homogênea ou concentrada em torno da média, o que não exclui a
possibilidade de existirem outliers. O município com maior IDHM é a capital Curitiba
(0,823), seguida por Maringá (0,808) – índices considerados como altos, enquanto o menor
IDHM é observado em Doutor Ulysses (0,546), de modo que nenhum município tem o
indicador avaliado como baixo (menor que 0,499). A Tabela 3 contém as estatísticas
descritivas para as variáveis socioeconômicas analisadas no estado do Paraná.
Tabela 3 – Estatística descritiva para as variáveis socioeconômicas do Paraná (2010)
Variável Índice de
Taxa de Pobreza
Índice de Gini Desenvolvimento
Estatística (%)
Humano (IDHM)
Média 0,466 10,269 0,702
Mediana 0,470 8,43 0,706
Desvio Padrão 0,057 7,206 0,039
Coeficiente de variação (%) 12,26 70,17 5,49
0,330 0,840 0,546
Mínimo (Nossa Senhora das Graças) (Pato Bragado) (Doutor Ulysses)
0,660 38,11 0,823
Máximo (Jardim Alegre) (Doutor Ulysses) (Curitiba)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Pode-se avaliar a distribuição dos dados por meio dos histogramas, conforme Figura 6.
Nota-se que tanto o índice de Gini como o IDHM apresentaram distribuição próxima à
normal, enquanto se confirma a assimetria positiva no caso da taxa de pobreza. Em outras
palavras,
77
apesar de na maioria dos municípios se constatar uma taxa de pobreza abaixo da média estadual,
não se exclui a existência de municípios com uma proporção da população discrepante.
Figura 6 - Histogramas das variáveis socioeconômicas no Paraná (2010): (a) Índice de Gini; (b) Taxa de pobreza;
e (c) IDHM.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Em relação à associação linear entre as observações para as variáveis
socioeconômicas, constatada pelos coeficientes de correlação de Pearson (ρ) da Tabela 4,
nota-se uma forte correlação negativa (-0,794) entre a taxa de pobreza e o IDHM. Em geral,
municípios com maior taxa de pobreza tem menores níveis de IDHM – há uma relação
inversamente proporcional entre a proporção da população pobre de um município e o
desenvolvimento humano daquele município, mensurado a partir de indicadores de educação,
qualidade de vida e nível de renda.
Tabela 4 – Matriz de correlação entre as variáveis socioeconômicas do Paraná (2010)
Índice de
Índice de Gini Taxa de Pobreza Desenvolvimento
Humano (IDHM)
Índice de Gini 1,000
Taxa de Pobreza 0,500 1,000
Índice de Desenvolvimento
Humano (IDHM -0,116 -0,794 1,000
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Também se observa nos municípios do Paraná uma relação linear moderada e positiva
entre a taxa de pobreza e a desigualdade, mensurada pelo Índice de Gini. Os municípios mais
desiguais, em geral, são aqueles com maiores taxas de pobreza, e vice-versa; indica-se que a
pobreza no Paraná está estatisticamente associada à discrepância entre a renda dos mais ricos
e mais pobres.
Para as observações dos municípios paranaenses em 2010, também se indica uma
correlação fraca entre o desenvolvimento e a desigualdade. Em que pese sua magnitude,
destaca-se uma relação negativa entre desenvolvimento e desigualdade, ou seja, aqueles
municípios com maior desigualdade tendem a apresentar menores níveis de desenvolvimento
humano.
78
As constatações sobre as relações observadas nos municípios são coerentes com o que
se espera a partir da teoria econômica. A pobreza e a desigualdade limitam as possibilidades
de acesso a serviços essenciais para a manutenção da vida e da dignidade, como saúde,
educação, saneamento básico e lazer; em última instância, isso reflete na qualidade de vida da
população. No mapa de quartis para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM), em
2010, na
Figura 7, a maior parte dos municípios com baixo nível para o indicador estavam no centro-
sul paranaense (que engloba as Mesorregiões Centro-Sul, Sudeste e parte do Norte Central e
Centro Oriental Paranaense, excetuando-se ainda Guarapuava), representada por cor mais
clara. Por outro lado, em torno das maiores cidades do estado, como Curitiba, Ponta Grossa,
Maringá, Londrina e Cascavel, tem-se municípios com maior nível de IDHM.
Figura 7 - Mapa de quartis para o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) no Paraná (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Padrão semelhante é observado quando se analisam os mapas de quartis para a taxa de
pobreza e o índice de Gini. Conforme a Figura 8, grande parte dos munícipios paranaenses da
região definida como centro-sul fazem parte do primeiro quartil, com as maiores taxas de
pobreza do estado. Já os municípios com maior desigualdade estão aglomerados nas
Mesorregiões Centro-Sul e Centro Oriental Paranaenses.
79
Figura 8 - Mapas de quartis para as variáveis (a) Taxa de Pobreza e (b) Índice de Gini no Paraná (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Tais evidências empíricas, entretanto, ainda não revelam rigorosamente a distribuição
espacial desses atributos socioeconômicos. Para tanto, será analisada a interrelação de
desenvolvimento, taxa de pobreza e desigualdade e a dependência espacial dessas variáveis no
Paraná. Metodologicamente, tal análise se dá por meio das estatísticas I de Moran, global e
local, uni e bivariada e dos mapas de clusters do estado.
4.3.1 Associação espacial para as variáveis socioeconômicas no Paraná (2010)
Utilizando-se dos procedimentos metodológicos já citados, calculou-se a estatística I
de Moran global univariada para as variáveis socioeconômicas vinculadas ao
desenvolvimento no Paraná para o ano de 2010. Foram empregadas quatro matrizes de
ponderação espacial distintas, sendo duas considerando o critério de contiguidade (rainha e
torre) e duas de acordo com a convenção de proximidade (quatro e oito vizinhos mais
próximos), conforme Apêndices D, E, F e G. Os resultados estão apresentados na Tabela 5.
Tabela 5 - Estatística I de Moran para o estado do Paraná (2010)
Matriz de
Variável ponderação Rainha Torre k=4 k=8
espacial
Índice de I de Moran 0,396 0,396 0,401 0,342
Desenvolvimento DP(I) 0,030 0,031 0,034 0,024
Humano (IDHM) Pseudo p-valor 0,001 0,001 0,001 0,001
I de Moran 0,358 0,360 0,351 0,354
Índice de Gini DP(I) 0,029 0,023 0,032 0,022
Pseudo p-valor 0,001 0,001 0,001 0,001
I de Moran 0,610 0,609 0,607 0,562
Taxa de Pobreza DP(I) 0,031 0,032 0,034 0,024
Pseudo p-valor 0,001 0,001 0,001 0,001
Nota: Como 𝑛 = 399 (número de municípios), 𝐸(𝐼) = −1/398 ≅ −0,0025.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
80
Inicialmente, constata-se que os valores das estatísticas I de Moran para todas as
variáveis foram estatisticamente significativos, levando à rejeição da hipótese nula de
aleatoriedade espacial da distribuição das variáveis no território paranaense. Ou seja, existe
autocorrelação espacial, de modo que os valores de IDHM, índice de Gini e taxa de pobreza
de um município dependem dos valores observados nos municípios vizinhos. Tais resultados
são robustos36, à medida que os coeficientes são estáveis para diversas matrizes de ponderação
espacial.
Para fins de análise, deve-se escolher uma matriz de ponderação espacial a ser
utilizada nos cálculos de autocorrelação. O procedimento de Baumont indica que tanto as
convenções “torre” e “rainha” quanto a que considera os quatro vizinhos mais próximos
captam satisfatoriamente a autocorrelação espacial para todas as variáveis, sendo indiferente a
escolha entre elas. Porém, considerando a natureza do fenômeno, procede-se a utilização da
convenção “rainha”, por considerar um número igual ou maior de vizinhos que a convenção
torre, por incluir aqueles que compartilham perímetro por um vértice.
Não obstante, os valores de I de Moran são maiores que o valor esperado, indicando
autocorrelação espacial positiva. Em geral, há similaridade entre os valores dos atributos e a
sua localização. Confirma-se a existência de um padrão de aglomeração entre aqueles
municípios com maior e menor desigualdade, desenvolvimento humano e taxa de pobreza
próximos de municípios semelhantes, considerando a possibilidade de transbordamento
dessas características. A análise pormenorizada desse fenômeno será procedida quando da
análise da estatística local.
Ao analisar a Figura 9, na sequência, observam-se alguns pontos discrepantes,
principalmente no quadrante BB do diagrama de dispersão de Moran para o IDHM e nos
quadrantes AA e AB do diagrama para o índice de Gini, o que pode ter reduzido o valor da
estatística I de Moran para essas duas variáveis. Vê-se que, em ambos os casos, a maior parte
da nuvem de pontos está concentrada nos quadrantes AA e BB, indicando com consistência a
existência de autocorrelação positiva.
36
Robustez, no contexto, diz respeito ao fato de o resultado não ser sensível a variações nas matrizes de ponderação
espacial, ou seja, a autocorrelação medida pelo I de Moran global mantém o padrão (positivo) e a intensidade.
81
Figura 9 - Diagramas de dispersão de Moran: (a) Índice de Desenvolvimento Humano; (b) Índice de Gini; e (c)
Taxa de Pobreza no Paraná (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
A distribuição do atributo “taxa de pobreza” foi a que apresentou maior coeficiente de
autocorrelação espacial, indicando de modo incisivo que a pobreza é um fenômeno regional.
Nesses locais, formam-se bolsões de pobreza em que a dinâmica econômica leva à reprodução
da baixa renda e dos problemas decorrentes. Aplica-se, portanto, o entendimento de Myrdal:
enquanto as regiões mais desenvolvidas exercem forças de atração do investimento e da mão
de obra especializada e com maior remuneração, nesses bolsões há forças negativas que
repelem os incentivos para que ocorra algum tipo de transformação estrutural.
Por outro lado, a autocorrelação positiva também reporta o fato de que há
concentração de melhores indicadores de desenvolvimento em proximidade àqueles
municípios com maiores índices de desenvolvimento. Em geral, nota-se polos de
desenvolvimento, decorrentes das forças centrípetas existentes em torno das grandes cidades
que podem estar ligadas, dentre outras coisas, à estrutura produtiva – notadamente, a
concentração de atividades diversificadas e que congregam maior número de relações com
outras atividades e agregam maior valor à produção.
Como demonstrado, a estatística I de Moran global revela autocorrelação espacial
positiva para as variáveis socioeconômicas em análise, apontando para um padrão sistemático
de concentração dos atributos estudados em determinadas regiões. Explorar esses padrões e as
distribuições regionais cabe, por sua vez, às análises locais. Conforme Almeida (2012),
enquanto a estatística global fornece um panorama para a “floresta”, a estatística local revela
as especificidades das “árvores”.
O mapa de significância LISA, na Figura 10, aponta que 115 municípios paranaenses
apresentaram diferença significativa em relação à média dos demais municípios, para o
IDHM. São identificados clusters Alto-Alto nas Mesorregiões Oeste, Norte e Sudoeste
Paranaense.
82
Figura 10 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para o Índice de Desenvolvimento
Humano (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Como se argumenta, estão presentes nessas regiões estruturas dinâmicas de produção e
organização social. Tanto na região Oeste quanto Sudoeste, tem-se cooperativas vinculadas à
agroindústria, que se formaram principalmente a partir da década de 1970. Na região definida
doravante apenas como Norte, consta indústrias têxteis e metalmecânicas, além das
agroindústrias. Esses polos de desenvolvimento também se caracterizam por estarem
vinculados à prestação de serviços e ao comércio atacadista e varejista e, assim como previra
Perroux, são decorrentes dos encadeamentos de indústrias principais, bem como da demanda
por elas gerada.
Há ainda cidades que se posicionam no quadrante AA, como Curitiba, Fazenda Rio
Grande, Pinhais, Matinhos, Pontal do Paraná, na Mesorregião Metropolitana de Curitiba e, as
duas últimas, especificamente, no litoral; Cambará, no Norte Pioneiro, na divisa com São
Paulo; Capanema, no Sudoeste; e Itaipulândia e São Miguel do Iguaçu, no Oeste Paranaense.
Entretanto, tais municípios estão esparsos, ou seja, não constituem agrupamentos com outros
municípios com características semelhantes a ponto de constituírem clusters.
Esses municípios são pontos locais de alavancagem, que estão rodeados por outros
municípios com valores relativamente altos de desenvolvimento humano, mas não a ponto de
constituírem uma diferença significativa em relação à média dos demais. Os municípios
citados têm potencialidades relevantes para gerar efeitos de transbordamento para as cidades
vizinhas: Curitiba, por exemplo, tem o maior IDHM do estado, possuindo infraestrutura,
serviços e conhecimentos que podem ser utilizados na vizinhança para alavancar a melhoria
da qualidade de vida de seus munícipes, o que ocorre em Pinhais e Fazenda Rio Grande, por
exemplo.
83
Por outro lado, na região centro-sul, como definida anteriormente 37, consta dois
agrupamentos que, apesar da descontinuidade, podem ser analisados como apenas um cluster
do tipo Baixo-Baixo. Ainda, observa-se outro agrupamento de igual característica na
Mesorregião Metropolitana de Curitiba. Nesses clusters, os municípios com menor IDHM são
basicamente rodeados por municípios que também apresentam baixo índice.
No caso dos municípios do centro-sul, observa-se uma característica que se contrapõe
às regiões com clusters do tipo AA: houve uma ocupação mais recente do território, com a
emancipação que pode ter ocorrido de forma precoce, sem ter sido disponibilizada a estrutura
física e financeira que permitisse fornecer melhores condições de vida à população (SILVA et
al, 2014). Por sua vez, a estrutura agrária é basicamente formada por latifúndios, com
atividades agrícolas com baixo valor agregado e de subsistência, sendo que os níveis de
urbanização nessas regiões também são baixos, conforme Figura 11.
Figura 11 - Mapa de quartis para o Grau de Urbanização no Paraná (2010)
Fonte: IPARDES (2022c). Adaptado pelo autor (2022).
À guisa de exemplificação, Laranjal, que se localiza na Mesorregião Centro-Sul, na
Microrregião de Pitanga, tem o menor Índice de Desenvolvimento Humano. No referido
município, o grau de urbanização era de apenas 31,93% em 2010, estando entre o decil menos
urbanizado do estado. Conforme o último Censo Agropecuário, em 2017, a área voltada para
agricultura (48.535 hectares) era dividida em 814 estabelecimentos, de modo que a média por
37
Para se referir à região que engloba as Mesorregiões Centro-Sul, Sudeste e parte do Norte Central e Centro
Oriental Paranaense, excetuando-se Guarapuava, que mantém um padrão consistente na distribuição dos
indicadores socioeconômicos, utiliza-se nesse trabalho a nomenclatura “centro-sul” do Estado do Paraná.
Quando a referência for para Mesorregião Centro-Sul, conforme definida pela regionalização do IBGE, far-se-á
referência expressa de que se trata de mesorregião, inclusive com tratamento utilizando substantivo próprio.
84
estabelecimento era de 59,63 hectares. Quase 92% dessas áreas eram destinadas à pecuária e à
criação de outros animais (IPARDES, 2022f).
Nesse aspecto, Marconato et al (2015) identificaram que na região centro-sul do
Paraná há elevadas taxas de pobreza no ambiente rural. Como essas regiões são relativamente
menos urbanizadas, a pobreza no ambiente rural é expressiva para a taxa de pobreza total.
Além disso, observa-se que a população rural tem maior dificuldade no acesso a políticas de
combate à pobreza, tanto em termos de acesso físico (deslocamento) ou às informações.
Ainda, é possível retomar o entendimento de Rosenstein-Rodan, o qual afirma que a
agricultura tem limitações de, por si só, possibilitar o incremento de maiores tecnologias e,
por conseguinte, proporcionar o aumento da produtividade necessário ao crescimento. Em
suma, observa-se que a pobreza nessas regiões perpassa por uma limitação inerentemente
estrutural, como a escassez de capital e de demanda, que repele o surgimento de novas
atividades.
O segundo agrupamento observado no Paraná para o IDHM com a configuração
Baixo- Baixo é formado pelos municípios de Sengés, da Mesorregião Centro Oriental, e Rio
Branco do Sul, Cerro Azul, Bocaiuva do Sul, Adrianópolis e Tunas do Paraná, da
Mesorregião Metropolitana de Curitiba. Apesar de estarem na mesma região que a capital, há
um distanciamento marcante entre o centro dinâmico da região e a sua periferia.
A região que engloba tais municípios é conhecida como Vale do Ribeira, sendo objeto
recorrente de estudos do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social
(IPARDES). Foi classificada como espacialidade socialmente crítica, mesmo próxima à
Curitiba, ou seja, a região
tem se destacado pelo isolamento, baixo desempenho econômico, elevada
precariedade social e dependência do poder público. [...] essa espacialidade, mesmo
com número tão reduzido de municípios, manteve ou ampliou sua participação na
relação de municípios com indicadores piores que os do Estado, o que revela
dificuldades estruturais para superação de sua condição social precária, que vão
além das dificuldades apresentadas para todo o Paraná. (IPARDES, 2017, p. 184).
Conforme o IPARDES (2017), os municípios de Adrianópolis e Tunas do Paraná,
incluídos no cluster em análise, além de Doutor Ulysses – na mesma região, apresentam
dificuldades críticas em vários âmbitos inclusive mensurados pelo Índice de Desenvolvimento
Humano, como mortalidade infantil, baixa expectativa de vida, óbitos por causas evitáveis de
crianças de até cinco anos, analfabetismo, baixa renda per capita e proporção de pobreza e
déficit habitacional, por exemplo.
Cabe ainda uma ressalva metodológica sobre o município de Doutor Ulysses. Não
obstante apresente o menor IDHM do estado no período em análise, sua diferença em relação
85
aos vizinhos não foi estatisticamente significativa, não sendo incluído em nenhum cluster.
Isso decorre do fato de três dos seus cinco vizinhos definidos na matriz de ponderação
espacial terem elevados níveis de IDHM: Castro (0,703), Piraí do Sul (0,708) e Jaguariaíva
(0,743), enquanto os demais - Cerro Azul (0,573) e Sengés (0,663) – têm baixos índices.
Como a amplitude entre os valores dos vizinhos é significativa, não é possível alocar o
município em um dos padrões de associação espacial determinados.
Feita essa observação, interessante avaliar os municípios que tiveram diferenças
significativas da média e foram classificados nos quadrantes Alto-Baixo ou Baixo-Alto.
Considerando a existência de autocorrelação positiva, tais municípios são outliers locais, ou
seja, a observação para o IDHM nesses locais destoa dos municípios vizinhos.
No caso dos municípios de Laranjeiras do Sul, Virmond, Pitanga, Guarapuava, Irati,
Telêmaco Borba, Castro, Piraí do Sul e Jaguaraíva, o valor do IDHM observado é alto, apesar
de estarem rodeados por municípios com baixo valor para o atributo em análise. Todas essas
unidades estão próximas aos clusters BB e exercem a função de centro dinâmico dos seus
contextos – em geral, são regiões com maior gama de serviços e atividades econômicas,
inclusive industriais, e aparelhamento especializado de saúde e educação.
Guarapuava é um dos municípios com maior discrepância em relação aos vizinhos e
com maior IDHM para aqueles municípios do quadrante AB. Seu IDHM é de 0,731,
colocando a cidade no primeiro quartil do estado para o referido atributo, com destaque para a
dimensão “longevidade” do índice (0,853 – 25º lugar no estado) (IPARDES, 2022e).
Apenas 8,57% da população de Guarapuava reside na área rural, sendo que as
principais atividades que contribuem para o Valor Adicionado Bruto do município em 2019
eram vinculadas principalmente à área urbana, isto é, o comércio e os serviços (58,43%) e a
indústria (20,29%). Sua importância é significativa para os municípios de toda a região
centro-sul do estado, como polo de acesso a diversos serviços de maior complexidade
(IPARDES, 2022e).
Castro, por sua vez, exerce papel semelhante na região Centro Oriental Paranaense.
Entretanto, além de seu IDHM ser relativamente mais alto (0,703), semelhante à média dos
municípios paranaenses, trata-se de um município menos urbanizado, com mais de um quarto
da população vivendo na zona rural, com economia vinculada à agropecuária.
Cabe destacar que nesse município, aproximadamente 45,85% do Valor Adicionado
Fiscal (VAF) em 2020 era oriundo da produção primária; na sequência, encontrava-se a
indústria, contribuindo com 31,29% do VAF. Salienta-se ainda que essas indústrias são,
majoritariamente, agroindústrias vinculadas à cadeia produtiva do leite e seus derivados, à
86
medida que comporta uma das principais bacias leiteiras do país em termos de produtividade
(EMBRAPA, 2018; IPARDES, 2022d).
Há cinco municípios cuja diferença da média dos seus vizinhos é estatisticamente
significativa (com p-valor <= 0,05) e que estão no quadrante BA. São eles: São Carlos do
Ivaí, no Noroeste; Piraquara e Morretes, na Mesorregião Metropolitana de Curitiba e
próximos ao litoral; e Bom Sucesso e Sarandi, na Mesorregião Norte Central e próximos ao
cluster AA na região de Maringá. Esses municípios estão circundados por municípios com
alto IDHM, mas apresentam discrepância por terem valor inferior para o indicador. Em linhas
gerais, assemelham-se aos casos citados anteriormente, em que a desigualdade e fatores
estruturais impedem a difusão de melhorias da qualidade de vida entre as localidades vizinhas.
Apesar de destacar a importância da formação da Cidade Industrial de Curitiba,
Oliveira (2017) relata problemas de ordem institucional, notadamente no âmbito de
coordenação de iniciativas na área metropolitana. Muitas atividades que eram vedadas pelo
Plano Diretor da CIC se deslocavam para municípios como Piraquara e Almirante Tamandaré,
levando ao surgimento desordenado de atividades incômodas ou perigosas, prejudiciais ao
meio ambiente e, ainda, à criação de loteamentos clandestinos sem qualquer estrutura de
saneamento básico, por exemplo.
Embora o objeto principal seja a análise do Índice de Desenvolvimento Humano,
interessante se faz avaliar as características locais da taxa de pobreza e o índice de Gini e
identificar possíveis relações com o IDHM.
No que diz respeito à taxa de pobreza, observa-se clusters significativos semelhantes
ao apontados para o IDHM. A região centro-sul constitui um contínuo cluster do tipo Alto-
Alto para a pobreza, corroborando para a tese da existência de um bolsão de pobreza nessa
região, assim como para os municípios do Vale do Ribeira. Como dito, essas regiões
apresentadas na Figura 12 enfrentam uma limitação estrutural dada pela causação circular
cumulativa ou o círculo vicioso da pobreza, como definiram Myrdal e Nurske,
respectivamente.
87
Figura 12 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para a Taxa de Pobreza (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Sob uma perspectiva histórica, avaliou-se os mapas de clusters para a Taxa de Pobreza
em 1991 e 2000, décadas anteriores com dados fornecidos pelo Censo. Por meio dessa
análise, verificou-se que, de fato, esses agrupamentos de municípios com altas taxas de
pobreza permanecem a, pelo menos, três décadas, conforme se vê na Figura 13.
Figura 13 - Mapas de clusters LISA para a Taxa de Pobreza em (a)1991 e (b) 2000
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Há de se ponderar, entretanto, que os clusters são definidos em relação à média dos
demais municípios. Ainda que se observe a manutenção da configuração espacial da
distribuição da taxa de pobreza, houve uma considerável redução dos percentuais desde 1991.
Enquanto a média da taxa de pobreza dos municípios paranaenses em 1991 era de 48,50%, em
2000, por volta de 28,95% da população estava abaixo da linha da pobreza nos municípios
paranaenses, em média. Na década seguinte, esse percentual caiu aproximadamente 65%,
atingindo a média de 10,27%, já apresentada nas estatísticas descritivas para os municípios
paranaenses.
Contribuíram para essa redução os efeitos do Plano Real na redução da inflação, na
década de 1990 e, principalmente, a consolidação de programas sociais federais e estaduais –
88
notadamente, o Bolsa Família, na década posterior (SILVA et al, 2014). Entretanto, como já
discutido, ainda persistem os desafios para, além de reduzir a pobreza, possibilitar que a
melhoria nesse índice promova, de fato, maior qualidade de vida para os habitantes da região.
Outro padrão que se revela em perspectiva é a existência de agrupamentos nas regiões
Norte e Oeste com municípios e seus vizinhos com taxa de pobreza significativamente
inferior à média. Como discutiu-se, tais regiões apresentam ocupação anterior a região central
e, por sua vez, industrializaram-se precocemente. Essa conjunção de fatos permitiu maior
tempo para crescimento e a sua repercussão em desenvolvimento para essas regiões.
Notadamente, o município de Guarapuava também se configura historicamente como
um ponto discrepante na região. Em relação à pobreza, a taxa passou de 36,56%, em 1991,
para 23,42, em 2000; em 2010, observou-se que 8,92% da população recebia menos que R$
140,00 per capita. Salienta-se que grande parte dos municípios do estado reduziram mais
expressivamente a taxa de pobreza durante o período do que Guarapuava, o que pode revelar
inclusive uma dificuldade estrutural para reduzir o índice, dados fluxos migratórios das
regiões vizinhas para o município, por exemplo.
Já em relação ao Índice de Gini, configuração semelhante se extrai. Dos 399
municípios do estado, 66 apresentam valor significativamente superior à média do estado. Há
basicamente dois grandes agrupamentos – um cluster Alto-Alto, que engloba a região centro-
sul e alcança o Vale do Ribeira, e outro na região norte do estado, com a configuração Baixo-
Baixo.
A evidência estatística de autocorrelação positiva, além de mostrar padrão de
aglomeração semelhante aos demais indicadores, indica que municípios com alta
desigualdade costumam estar rodeados por municípios que também apresentam altos índices
de desigualdade; sendo o inverso também observado.
Essa constatação, no caso do Paraná, intensifica o problema do desenvolvimento
econômico, à medida que qualquer ação necessita considerar não só a geração de renda para
redução da pobreza e melhoria das condições de vida, mas também se deve levar em conta
como essa renda é distribuída na sociedade.
89
Figura 14 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA para o Índice de Gini (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Destaca-se ainda que Guarapuava, que se apresentava como ponto discrepante em
relação à pobreza e ao desenvolvimento, agora mantém o padrão observado na região quando
se avalia a desigualdade. Em 2010, Guarapuava era o 28º município mais desigual do Paraná.
Ao longo deste tópico, possibilitou-se avaliar as principais características das regiões
que apresentam padrões sistemáticos de aglomeração do Índice de Desenvolvimento Humano,
sejam eles altos ou baixos. Constatou-se que esses padrões estão ligados principalmente à
configuração econômica da região – em linhas gerais, regiões mais dinâmicas, com maior
número de atividades produtivas e maior grau de urbanização, apresentam maiores índices de
desenvolvimento humano que levam ao transbordamento para municípios vizinhos.
Além disso, verificou-se que a formação histórica e os problemas estruturais
decorrentes inibem o efeito transbordamento, ocasionando desigualdades regionais muito
próximas considerando a escala estadual. Suplantar essas restrições, que comprometem a
capacidade de desenvolvimento de todo um complexo regional, não é tarefa fácil e, como se
pode supor, perpassa por enfrentar barreiras de pobreza e desigualdade.
Para avaliar a relação espacial entre desenvolvimento e as outras variáveis
socioeconômicas citadas, utiliza-se a seguir as estatísticas I de Moran bivariadas, tanto globais
quanto locais. De modo análogo à análise espacial realizada até então, tais coeficientes
indicarão a autocorrelação espacial entre o desenvolvimento de um município e as variáveis
de interesse na circunvizinhança.
4.3.2 Associação espacial entre as variáveis socioeconômicas no Paraná (2010)
Calculou-se a estatística I de Moran global bivariada, para avaliação da autocorrelação
espacial entre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) e as demais variáveis
socioeconômicas vinculadas à pobreza e à desigualdade. Tal procedimento informa se existe
ou
90
não aleatoriedade espacial entre duas variáveis e qual tipo de padrão sistemático a distribuição
desses atributos apresenta no espaço.
Na Tabela 6, observa-se que ambas as estatísticas I de Moran calculadas, considerando
a convenção “rainha” para matriz de ponderação espacial, foram estatisticamente
significativas, levando à rejeição da hipótese nula de aleatoriedade espacial. Confirma-se,
pois, a dependência do IDHM de um município com o índice de Gini e a taxa de pobreza nas
vizinhanças.
Tabela 6 - Estatística I de Moran Global Bivariada
Variáveis Estatística I de Moran Bivariada
Índice de Desenvolvimento I de Moran -0,262
Humano (IDHM)
DP(I) 0,022
X
Índice de Gini Pseudo p-valor 0,001
Índice de Desenvolvimento I de Moran -0,447
Humano (IDHM)
DP(I) 0,028
X
Taxa de pobreza Pseudo p-valor 0,001
Nota: Como 𝑛 = 399 (número de municípios), 𝐸(𝐼) = −1/398 ≅ −0,0025.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Observa-se que esse padrão de dependência gera autocorrelação espacial negativa
entre as variáveis, sendo que o coeficiente mais expressivo (-0,447) foi observado para
relação entre IDHM e a taxa de pobreza. Em linhas gerais, municípios com alto IDHM estão
cercados por municípios com menor desigualdade e menor taxa de pobreza; por sua vez,
aqueles municípios com menor IDHM são rodeados por municípios com maior desigualdade
e taxa de pobreza.
Como pode ser observado no diagrama de dispersão de Moran bivariado, na Figura 15,
existe uma parte considerável da nuvem de pontos no quadrante AA, indicando a existência
com municípios com alto IDHM rodeados por municípios com alta desigualdade. Extrai-se
duas observações: a primeira, de natureza estatística, é que isso pode ter reduzido o valor
absoluto do coeficiente de autocorrelação espacial, por se tratar de discrepâncias do padrão
preponderante; a segunda constatação é sobre o enclave que esses municípios, em geral,
representam, compondo dificuldades para que melhorias de condições de vida se difundam.
91
Figura 15 - Diagramas de dispersão de Moran bivariados: (a) Índice de Desenvolvimento Humano X Índice de
Gini e (b) Índice de Desenvolvimento Humano X Taxa de Pobreza no Paraná (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Na sequência, avaliam-se os padrões de associação local bivariados, de modo que,
com os mapas de clusters, será possível obter maiores constatações sobre a existência de
autocorrelação espacial entre essas variáveis.
A autocorrelação espacial local bivariada indica, para cada município, a relação entre
o valor de um atributo de interesse (no caso, o IDHM) e o valor médio de outro atributo nas
regiões vizinhas. Sua importância reside em fornecer os agrupamentos regionais em que duas
variáveis estejam significativamente associadas.
No que diz respeito à relação bivariada entre IDHM e o índice de Gini no Paraná, em
2010, na Figura 16, observou-se que 146 municípios apresentaram valores significativamente
distintos da média, estando destacados em tons de verde. Como se trata de autocorrelação
negativa, os clusters têm a configuração do tipo Alto-Baixo e Baixo-Alto, ou seja, os
agrupamentos estão nos quadrantes AB e BA. Trata-se da ideia de dissimilaridade entre os
valores das variáveis, mesmo que em sua interpretação, a natureza do fenômeno seja similar.
Figura 16 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA bivariados para o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDHM) e o Índice de Gini (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
92
Observa-se um cluster do tipo Baixo-Alto que engloba a região centro-sul, inclusive
do Centro Oriental, em que tais municípios possuem baixo IDHM, estando rodeados por
municípios com alta desigualdade, corroborando para as análises realizadas anteriormente
sobre a limitação estrutural da desigualdade ao desenvolvimento.
Constata-se ainda um agrupamento de municípios no Norte Pioneiro e Centro Oriental
que demandam destaque: São Joaquim da Serra, Congoinhas, Sapopema, Curiúva, Figueira,
Ventania, Pinhalão e Japira - quando se avaliou a relação entre IDHM e Gini, houve uma
diferença significativa em relação à média.
Sapopema, por exemplo, teve o segundo maior aumento do índice de Gini no período
entre 2000 e 2010. Conforme o IPARDES (2017), o município, por outro lado, também teve o
maior aumento do rendimento per capita nesse período. Quando se considera a região Norte
Pioneiro como um todo, ao mesmo tempo que houve um crescimento na renda, além de
Sapopema, outros dois municípios tiveram aumento da desigualdade, revelando que as
melhorias observadas ocorrem de forma concentrada na população.
Essa região apresentou redução na população até 2010 e é marcada por situações
críticas para o desenvolvimento, como analfabetismo, desigualdade, mortalidade infantil e
déficit habitacional. O IPARDES (2017) afirma que, dadas essas condições, observa-se que a
dinâmica local não foi capaz de reverter o quadro econômico e social, a ponto de ser
considerada uma região socialmente crítica tal qual a região centro-sul e o Vale do Ribeira.
Observa-se ainda que o Norte Pioneiro é caracterizado pelo início da colonização do
estado e porta de entrada para a atividade cafeeira, como extensão de São Paulo. Entretanto,
no período ora estudado, sua relevância econômica é mínima em relação ao conjunto do
Estado. A região tem crescimento industrial abaixo da média estadual, com indústrias
vinculadas ao setor de alimentos, equipamentos de transporte e produtos têxteis. Resultados
semelhantes são observados nos índices de emprego: a participação do emprego no total do
estado apresenta tendência de queda e as raras exceções ocorrem nas cidades maiores, como
Cornélio Procópio e Jacarezinho (IPARDES, 2017).
No que diz respeito ao cluster Alto-Baixo, sua presença ocorre nas regiões Norte
Central e Noroeste, englobando 54 municípios. Esse agrupamento é semelhante aos padrões
anteriormente apresentados, ressaltando a região norte como expoente para os índices
socioeconômicos. Considerando a análise bivariada, outros municípios tiveram significância
estatística, principalmente na região Noroeste.
Frisa-se que a região Noroeste tem um vínculo econômico relevante com Maringá,
apesar dos polos regionais relevantes como Cianorte, Umuarama e Paranavaí. Essa região é
93
abalizada por um processo de industrialização dado à medida que as fragilidades do solo
levaram à busca por alternativas para sustentação econômica. Existe organismos como
universidades e cooperativas que contribuem para o desenvolvimento e que são vinculadas à
base produtiva – indústria alimentícia, têxtil e, em certa proporção, à agropecuária
(IPARDES, 2017).
Válido destacar a presença de outliers locais, caracterizados por serem municípios
com diferença significativa da média e estarem nos quadrantes AA e BB, dado que a
autocorrelação espacial observada é negativa. No caso dos municípios com alto IDHM, mas
rodeados por municípios com alta desigualdade, tem-se exemplos já citados como
Guarapuava.
Ademais, constam outros municípios com configuração semelhante. Pode-se citar: Foz
do Iguaçu e Medianeira (Oeste), Francisco Beltrão (Sudoeste), Laranjeiras do Sul e Pitanga
(Centro-Sul), Ivaiporã (Norte Central), Irati e São Mateus do Sul (Sudeste), Ponta Grossa e
Jaguariaíva (Centro Oriental) e Paranaguá (Mesorregião Metropolitana de Curitiba). Esses
municípios possuíam mais que 30 mil habitantes, conforme o último Censo, estando no
primeiro quartil mais populoso, exercendo a função de centros regionais, com bons níveis de
desenvolvimento humano, mas que são estruturalmente desiguais.
Nas regiões Norte e Noroeste do estado ainda há alguns municípios discrepantes,
principalmente por apresentarem IDHM menor que a média do estado, enquanto os
municípios vizinhos têm baixa desigualdade. Embora haja a capacidade de promover
desenvolvimento observada na região, em municípios como São Jorge do Patrocínio, Pérola,
Querência do Norte e Mirador, ainda são identificados pontos críticos em relação à educação
e mortalidade infantil (IPARDES, 2017).
Observou-se ainda no diagrama de dispersão de Moran bivariado (Figura 17) que há
forte autocorrelação espacial negativa entre o Índice de Desenvolvimento Humano e a taxa de
pobreza, o que era esperado diante das análises feitas anteriormente. Quando se analisa a
distribuição espacial, verifica-se também que a relação espacial é alta significativa para os
clusters Alto-Baixo e Baixo-Alto, nas regiões norte e centro sul, respectivamente, além da
região do Vale do Ribeira, com baixo IDHM e alta pobreza, o que confirma e contribui para
as explicações feitas até aqui.
94
Figura 17 - (a) Mapa de significância LISA e (b) Mapa de clusters LISA bivariados para o Índice de
Desenvolvimento Humano (IDHM) e a Taxa de Pobreza (2010)
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Ademais, a análise do mapa de cluster e a significância do I de Moran local bivariado
também revela um agrupamento significativo do Oeste Paranaense, notadamente na
microrregião de Toledo, em municípios como Entre Rios do Oeste, Pato Bragado, Marechal
Cândido Rondon, Mercedes, Nova Santa Rosa, Quatro Pontes, Maripá, Assis Chateaubriand e
Tupãssi, além do próprio município de Toledo. Todos esses municípios apresentam IDHM
superior à média estadual, bem como a taxa de pobreza é inferior à tendência central observa
no estado.
Essa região é vinculada, principalmente, às cadeias agroindustriais, como avicultura,
suinocultura e pecuária leiteira (IPARDES, 2017). Essas cadeias são vinculadas a complexos
cooperativistas e a outras empresas-satélite, na área de comércio e serviços, vinculadas ao
fornecimento de insumos para produção e, também, para a logística de comercialização e
distribuição desses produtos.
Há de se diferenciar, entretanto, a conjuntura agroindustrial dessa região para com
Castro, por exemplo. Enquanto a cadeia produtiva de Castro é formada por latifúndios que,
em geral, apresentam grau substanciado de tecnificação, historicamente a região Oeste e, de
modo especial, a Microrregião de Toledo, teve a colonização ligada à agricultura familiar. No
Oeste, dos 42.506 estabelecimentos agrícolas, 75,64% estão vinculados à agricultura familiar,
enquanto 67,39% dos 16.544 estabelecimentos da região Centro Oriental se vinculam à
agricultura familiar, menor percentual das mesorregiões do estado, juntamente com a região
Norte Central (IBGE, 2020).
Há ainda outliers locais quando se avalia conjuntamente IDHM e taxa de pobreza:
novamente, quando se fala em municípios com alto IDHM rodeados por municípios com alta
pobreza, encontram-se centros regionais como Guarapuava, Pitanga, Castro, Jaguariaíva e
Irati,
95
por exemplo. Municípios do Norte e Noroeste também têm diferenças significativas da média,
encontrando-se no quadrante BB – municípios com baixo IDHM circundados por locais com
baixa pobreza.
A análise até aqui evidenciou que, além de correlação entre o IDHM, pobreza e
desigualdade, essas variáveis estão altamente relacionadas no território, tanto individualmente
quanto quando tomadas em conjunto. No caso do Paraná, o desenvolvimento (ou não) dos
municípios é um fenômeno regional, ou seja, além dos fatores internos do município, há de se
considerar os fatores da sua vizinhança.
Em linhas gerais, viu-se que as dinâmicas econômicas conduzem o processo de
desenvolvimento. Ainda, a trajetória histórica está relacionada aos problemas estruturais
como desigualdade e pobreza e inibem o efeito transbordamento, ocasionando desigualdades
regionais agrupadas, em bolsões de pobreza no território do estado.
Em suma, a análise espacial indica ainda que quaisquer medidas a serem adotadas nos
municípios devem levar em conta não só a sua estrutura, mas como ele se insere no contexto
regional. Isso porque há dependência espacial para o desenvolvimento, à medida que existem
fluxos de bens, serviços, mão de obra e renda, bem como efeitos de transbordamento e
espraiamento dos atributos socioeconômicos.
Ao mesmo tempo que tais efeitos podem comprometer a capacidade de
desenvolvimento de uma região, pode-se utilizar tais características para alavancar o
desenvolvimento em regiões vizinhas. Políticas de desenvolvimento em busca de melhoria
dos índices de desenvolvimento no Paraná precisam ser, portanto, debatidas em esferas
supramunicipais, considerando os gargalos e potencialidades de cada região, mas também
como eles se relacionam entre si.
4.3.3 Associação espacial entre complexidade e desenvolvimento socioeconômico no Paraná
Foi elaborada até o momento a discussão sobre como a complexidade econômica,
como uma representação da estrutura produtiva do Paraná, historicamente foi formada e como
está estabelecida na última década. Paralelamente, apresentou-se como o desenvolvimento
socioeconômico se apresenta no estado, ou seja, como cada município, nas especificidades de
sua região, tem a capacidade de promover acesso à educação, saúde e renda, de forma
equitativa entre os habitantes – a ideia de desigualdade e pobreza.
Finalmente, cabe avaliar como a complexidade econômica e as respostas de
desenvolvimento se interrelacionam nas regiões paranaenses. Até o momento, há indícios de
que a estrutura produtiva se relaciona com os atributos de desenvolvimento, à medida que se
96
“sobrepusesse” os mapas com o Índice de Complexidade Econômica Municipal e o IDH, a
taxa de pobreza ou a desigualdade, determinadas regiões compartilharam de padrões
semelhantes.
Entretanto, essa hipótese precisa ser testada sob o rigor dos dados. Como as estatísticas
descritivas das variáveis em análise já foram apresentadas, passa-se à avaliar como elas estão
relacionadas entre si – correlação – e como tais relações se comportam no espaço geográfico –
autocorrelação espacial.
No que diz respeito à correlação entre a complexidade e as outras variáveis, a Tabela 7
indica a existência de correlação moderadamente fraca entre o IDH e o Índice de
Complexidade em ambos os anos do estudo. Essa correlação é positiva, indicando que, em
linhas gerais, os municípios com maior complexidade econômica também são aqueles com
maior desenvolvimento. Corrobora com isso a existência de uma correlação negativa, embora
fraca, entre a complexidade econômica e a taxa de pobreza, isto é, os municípios que tiveram
taxas de pobreza menores no último Censo, em 2010, em geral, apresentam maior
complexidade.
Tabela 7 – Matriz de correlação entre o Índice de Complexidade Econômica (ICE) e as variáveis
socioeconômicas de desenvolvimento em 2010 e 2020
Variáveis ICE (2010) ICE (2020)
IDH 0,395977 0,400162
Taxa de pobreza -0,22537 -0,22874
Índice de Gini 0,141676 0,132698
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c).
Essa relação traz evidências sobre a aplicabilidade da teoria da complexidade
econômica a esferas microrregionais, à medida que as estruturas mais complexas, dada a sua
sofisticação e a necessidade de encadeamentos que elas desencadeiam, trazem respostas de
produtividade e crescimento para as regiões em que são realizadas, promovendo, de fato,
geração de renda e o atendimento às necessidades que garantam o desenvolvimento humano.
Entretanto, destaca-se que em nível municipal, as correlações foram baixas e, ainda,
constatou-se uma fraca correlação positiva entre complexidade econômica e desigualdade de
renda, mensurada pelo Índice de Gini. Essa relação contraria o que é observado quando se
estuda países e será avaliada com parcimônia a seguir, à medida que não se trata
necessariamente de invalidar a teoria da complexidade, mas indica especificidades das
dinâmicas regionais e seu estudo.
A partir das constatações iniciais, avalia-se a distribuição do Índice de Complexidade
Econômica nos municípios do Paraná em 2010 e 2020. Para tanto, calculou-se a estatística I
de Moran em ambos os períodos, testando-se a robustez e a melhor matriz de ponderação
espacial, conforme Tabela 8.
97
Tabela 8 - Estatística I de Moran para o Índice de Complexidade Econômica no estado do Paraná (2010)
Índice de Matriz de
Complexidade ponderação Rainha Torre k=4 k=8
Econômica espacial
I de Moran 0,32 0,32 0,35 0,29
2010 DP(I) 0,0291 0,0294 0,0306 0,0217
Pseudo p-valor 0,001 0,001 0,001 0,001
I de Moran 0,31 0,31 0,25 0,21
2020 DP(I) 0,0296 0,0299 0,0317 0,0231
Pseudo p-valor 0,001 0,001 0,001 0,001
Nota: Como 𝑛 = 399 (número de municípios), 𝐸(𝐼) = −1/398 ≅ −0,0025.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
Tanto a convenção “Rainha” quanto a “Torre” geram valores semelhantes para
estatística de autocorrelação espacial e, diferente das convenções de k-vizinhos mais
próximos, os resultados foram estáveis. Considerando também a utilização da convenção
“Rainha” na avaliação das variáveis socioeconômicas e a justificativa teórica para sua
utilização, considerou-se nesse item a convenção “Rainha” como matriz de ponderação
espacial.
Constata-se a existência de autocorrelação positiva para complexidade econômica no
estado do Paraná, ou seja, os municípios com maior sofisticação produtiva tendem a se
agrupar nas proximidades dos municípios que também apresentam maior complexidade – e
vice-versa. Essa observação é coerente com a própria definição de complexidade e o que ela
representa em termos de estrutura produtiva, à medida que está ligada à capacidade de gerar
encadeamentos produtivos e interrelacionar conhecimentos que se estão próximos.
Já em termos de associação local, tanto em 2010 quanto em 2020, observa-se um
cluster do tipo Alto-Alto na região de Curitiba – em 2020, forma-se um corredor de
municípios com alta complexidade que se entende de Ponta Grossa e Castro ao litoral,
passando por Curitiba, Araucária, Campo Largo, Balsa Nova, Campo Magro, Almirante
Tamandaré, Mandirituba, Fazenda Rio Grande, São José dos Pinhais, Pinhais, Piraquara,
Quatro Barras, Colombo, Guaratuba e Morretes, conforme se observa na Figura 18.
Figura 18 – Mapas de clusters para o Índice de Complexidade Econômica em (a) 2010 e (b) 2020 no estado do
Paraná
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
98
No estado, são observados outros municípios que se enquadram no quadrante Alto-
Alto, mas que não chegam a formar agrupamentos significativos de municípios com alta
complexidade. Além disso, na região centro-sul e no extremo Norte Central são observados
também municípios com baixa complexidade, rodeados por municípios de igual característica
– é o caso de Laranjal, Juranda, Boa Esperança, Rondon e Cidade Gaúcha, por exemplo,
enquadradas nesse padrão de associação em ambos os anos.
Não se pode deixar de notar a existência de 14 municípios classificados como outliers
espaciais, principalmente do tipo Baixo-Alto, ou seja, municípios com baixa complexidade
rodeados por vizinhos com alta complexidade, como é o caso de Ipiranga, Carambeí,
Palmeira, Itaperuçu e Tijucas do Sul, nas proximidades do cluster Alto-Alto identificado.
Feita essa breve caracterização sobre a complexidade econômica e sua distribuição
espacial no estado, passa-se a avaliar a relação espacial entre complexidade econômica e as
variáveis socioeconômicas relacionadas ao desenvolvimento no Paraná. Para tanto, utilizou-se
a estatística I de Moran bivariada, analisada global e localmente.
A estatística I de Moran calculada para o Índice de Complexidade Econômica
Municipal e as três variáveis econômicas objeto do estudo foram apresentadas na Tabela 9.
Considerando o nível de significância utilizado, foi rejeitada a hipótese nula de aleatoriedade
espacial somente para a relação entre complexidade econômica e IDH e taxa de pobreza.
Além disso, a autocorrelação espacial observada para essas variáveis é baixa.
Tabela 9 - Estatística I de Moran Global Bivariada entre o Índice de Complexidade Econômica e as variáveis
socioeconômicas de desenvolvimento em 2010 e 2020
Variáveis Estatística 2010 2020
Índice de Complexidade I de Moran 0,0717 0,086
Econômica
X DP(I) 0,0244 0,0235
Índice de Desenvolvimento
Pseudo p-valor 0,001 0,001
Humano (IDHM)
Índice de Complexidade I de Moran -0,060 -0,0733
Econômica
DP(I) 0,0228 0,0232
X
Taxa de pobreza Pseudo p-valor 0,005 0,002
Índice de Complexidade I de Moran 0,0365 0,039
Econômica
DP(I) 0,0227 0,0234
X
Índice de Gini Pseudo p-valor 0,052 0,059
Nota: Como 𝑛 = 399 (número de municípios), 𝐸(𝐼) = −1/398 ≅ −0,0025. Convenção “Rainha”.
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
Esse resultado corrobora tanto com a análise da matriz de correlação entre as variáveis
quanto com as próprias estatísticas descritivas do Índice de Complexidade Econômica. Como
99
os dados para o indicador de complexidade estão muito agrupados em torno da média, há
dificuldades de se captar os efeitos da sua variabilidade e as respostas em termos de relação
com outras variáveis. Além disso, pode-se haver dinâmicas regionais específicas que
explicam esse fato.
Desse modo, na sequência, estuda-se os resultados para a análise local bivariada, pois
conforme sustenta Almeida (2012), a relação global de aleatoriedade espacial pode estar
“encobrindo” relações locais – agrupamentos de municípios – vinculados à diferentes padrões
de dependência espacial.
Sobre a relação espacial entre complexidade econômica e IDH, observa-se um padrão
recorrente até o momento: há um agrupamento quase-contínuo na região centro-sul, com 44
municípios, com baixa complexidade econômica e que estão rodeados por vizinhos com baixo
desenvolvimento socioeconômico.
Nesse aspecto, municípios com menor sofisticação produtiva tendem a estar agrupados
– como já indicado pelo I de Moran global para a complexidade; além disso, nesses
agrupamentos, a baixa dinamicidade e sofisticação econômica – baixa diversidade, atrelada a
setores essencialmente ubíquos, como a agropecuária e o comércio de bens básicos, não
oferecem as condições necessárias para a geração de renda e o desenvolvimento (Figura 19).
Figura 19 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e o Índice de
Desenvolvimento Humano Municipal em (a) 2010 e (b) 2020 no estado do Paraná
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
A análise espacial entre a complexidade econômica e a taxa de pobreza corrobora para
a constatação anterior. Nesse caso, a estatística I de Moran é menor que valor esperado, de
modo que se tem um padrão global de autocorrelação espacial negativa: na região centro-sul e
na região próxima ao Vale do Ribeira, observa-se municípios com baixa complexidade
100
econômica rodeados por vizinhos com altas taxas de pobreza. Nota-se que são as mesmas
regiões de baixa complexidade e baixo desenvolvimento econômico da figura anterior.
Figura 20 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e a Taxa do Pobreza em (a)
2010 e (b) 2020 no estado do Paraná
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
Além disso, as Figuras 19 e 20 revelam padrões de associação na região de Curitiba,
região Centro Norte do Paraná e parte da região Oeste do Paraná, em que se encontram
municípios com alta complexidade econômica circundados por municípios com alto
desenvolvimento econômico e baixa pobreza. Há indícios de que, para essas regiões, de fato
as respostas estruturais tiveram pelo menos uma mínima resposta em termos de possibilitar
condições de desenvolvimento para os seus habitantes, em relação ao restante do estado.
Já no que diz respeito à relação entre complexidade econômica e desigualdade, embora
a estatística global de autocorrelação não seja estatisticamente diferente do valor esperado,
não levando a não-rejeição da hipótese nula de aleatoriedade espacial, destaca-se que há
clusters, ou seja, padrões globais quando se analisa o estado em termos locais, conforme
Figura 21.
Figura 21 - Mapas de clusters bivariados entre o Índice de Complexidade Econômica e o Índice de Gini em (a)
2010 e (b) 2020 no estado do Paraná
Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Dados do IPARDES (2022c) e da pesquisa.
101
Conforme legenda, tem-se o mesmo número de municípios nos quadrantes BB e BA
com diferença significativa da média. Isso contribui sobremaneira para o resultado visto para
estatística global bivariada, à medida que dois padrões de associação espacial entre as
variáveis coexistem no estado.
Revela-se diversos estágios de desenvolvimento no estado que, apesar de reforçar
classificações mais tradicionais como o Paraná Urbano e o Paraná do Agrobusiness, apontam
para estratificações mais sutis em termos de complexidade e desenvolvimento. O Paraná
Urbano de Curitiba difere muito dos demais agrupamentos urbanos do estado em termos de
especialização produtiva, por exemplo, e, dentro da região próxima à Curitiba, ainda se vê
diferentes respostas de desenvolvimento socioeconômico.
Apesar de a teoria da complexidade ser consistente, isto é, relacionar, a sofisticação
produtiva, desenvolvimento, pobreza e, até mesmo desigualdade, em nível regional há
padrões específicos que não permitem uma generalização clara. Não obstante a isso,
evidencia-se pelo menos três estágios em que i) não há sofisticação produtiva e são mínimas
as condições de desenvolvimento; ii) inicia-se o processo de sofisticação produtiva, mas as
respostas de desenvolvimento não são tão claras, intensificando inclusive as desigualdades
regionais; e iii) finalmente, a sofisticação produtiva apresenta respostas claras de geração de
renda e de melhorais nas condições da população.
Destaca-se ainda que no segundo estágio citado, o aumento da complexidade apresenta
a possibilidade inclusive de limitar estruturalmente a capacidade de desenvolvimento dos
municípios vizinhos. À medida que esses pontos de alavancagem passam a gerar
oportunidades de emprego, por exemplo, a mão de obra dos municípios vizinhos passa a se
deslocar – de temporária ou perene – para essas cidades, levando à indisponibilidade de mão
de obra no município de origem - efeitos negativos de polarização.
Como agravante para esse fato, observa-se no Paraná que esses pontos de
alavancagem, por mais que sejam mais complexos que a grande maioria dos municípios,
ainda estão ligados a setores ubíquos. Nesse aspecto, ressalta-se que no caso paranaense, tais
setores ubíquos sofrem com grande concorrência: à medida que se trata de atividades
produtivas mais simples, mais próximas da matéria-prima e intensivas em mão de obra, a
busca é pela minimização dos custos, enquanto se considera o salário como principal custo.
Por isso, mesmo que haja um efeito de transbordamento do município mais complexo
para os municípios vizinhos, de onde é oriunda boa parte da mão-de-obra, o fluxo de renda
não é suficiente para criar incentivos constantes e sustentáveis para o surgimento de
novas
102
atividades com maior especialização. Em última instância, tem-se o esvaziamento de muitos
municípios.
Sugere-se ainda a existência de uma possível “armadilha da renda média” (GILL;
KHARAS, 2007) em nível regional. Esses municípios que se encontram no segundo estágio
ora definido, depois de um crescimento expressivo em um primeiro momento, passam a ter
dificuldades de manter o crescimento de forma sustentável, à medida que fatores que antes
impulsionavam o processo de crescimento, como mão de obra barata, migração dos recursos
da agricultura para os setores urbanos e a implantação de tecnologias passam a contribuir, na
margem, menos para o desenvolvimento desses municípios.
Quando se chega no estágio mediano, surgem novos desafios. Sousa (2008) identifica
que a indústria, por exemplo, precisa alterar seu papel estrutural, não só transformando
insumos, mas servindo de conector entre as diversas atividades. Em outros termos, trata-se de
uma aproximação de Hirschman e Perroux, em que é preciso que atividades industriais
passem a gerar encadeamentos produtivos e gerem externalidades para o surgimento e
manutenção de outros setores.
Isso se aplica ao caso do Paraná à medida em que os municípios do interior com maior
complexidade ainda carecem de sofisticação em relação aos municípios mais complexos
vinculados à região de Curitiba, por exemplo. Na verdade, nesse estágio intermediário, a
situação favorável em relação aos municípios vizinhos não gera incentivos para se
diversifique a estrutura produtiva em setores mais especializados – menos ubíquos. Desse
modo, na ausência de políticas efetivas em busca de alteração do panorama intermediário, o
status de renda média tende a se manter e, até mesmo, pode haver intensificação das
desigualdades regionais pelas dinâmicas já citadas.
103
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As respostas encontradas a partir do estudo das questões relacionadas ao
desenvolvimento econômico são desafiadoras e se refazem e reorientam-se à medida que a
sociedade e seus imperativos produtivos se transformam tanto em sua espacialidade, quanto
em suas condições regionais mais particulares. Ao longo desta pesquisa, buscou-se refletir
sobre a associação entre a atividade produtiva com o nível de desenvolvimento
socioeconômico nos municípios do estado do Paraná, sob a ótica da complexidade econômica,
especificamente bos anos de 2010 e 2020.
Nesse sentido, mediante aproximações e definições acerca da temática
desenvolvimento, destacou-se o esforço teórico-metodológico estruturado por diferentes
autores, como Adam Smith, David Ricardo, Joseph Schumpeter; na leitura do período pós-
Guerra, os escritos tanto de Rosenstein-Rodan, Nurske, Hirschman, Myrdal e Perroux quanto
de estruturalistas como Furtado e Padis e, ainda, as circunstâncias específicas quando se trata
de desenvolvimento regional. Destacou-se, como expressão das recentes aproximações da
compreensão do desenvolvimento, o estudo da complexidade econômica.
A partir desse prisma teórico, foi possível estabelecer um olhar mais atento sobre a
economia paranaense em suas nuances e características. Analisar a complexidade neste
trabalho significou, sobretudo, analisar as estruturas produtivas, em seus atributos de
ubiquidade e diversidade. Desse modo, buscou-se, por meio dos resultados apresentados,
compreender distintas esferas da vida material paranaense que repercutem na renda, nas
possibilidades de emprego, no acesso a serviços e em última instância, na qualidade de vida
dos seus habitantes. Quanto às configurações socioprodutivas do estado do Paraná em sua
formação histórica recente (1990-2020) observou-se um estado marcado pelos
desequilíbrios regionais – Paranapanema e Paraná Pamonha; Paraná Urbano e o Paraná do
Agrobusiness; essas diferenças são mantidas estruturalmente, primeiramente no que diz
respeito à dinâmica produtiva;
posteriormente, no seu impacto sobre o modo de vida das pessoas de cada município.
Cabe acrescentar que a forma estabelecida para o planejamento e o direcionamento das
políticas públicas repercutem contemporaneamente na polarização das atividades mais
complexas em determinadas regiões, mas de modo muito peculiar na Região Metropolitana de
Curitiba.
A partir dessas configurações e como seu desdobramento analítico, a estrutura
metodológica ora proposta buscou avaliar a complexidade econômica, isto é, se os municípios
paranaenses têm a disponibilidade de recursos e conhecimentos suficientes para não só
produzir
104
um portfólio diversificado, mas que diga respeito a atividades exclusivas no estado. A análise
da ubiquidade revelou que mais de três quartos dos municípios paranaenses possuem
especialização no setor vinculado à agropecuária, isto é, o Paraná do Agrobusiness ainda
exige poucas capacidades exclusivas para ser realizada no estado.
Por outro lado, a estrutura produtiva paranaense concentra atividades menos ubíquas
na Região Metropolitana de Curitiba, como a extração de petróleo e gás natura, a extração
de minerais metálicos e as atividades de apoio à extração de minérios. Em termos
de complexidade, fica clara a concentração de municípios com maior sofisticação nessa
região, à medida que, além de haver municípios diversificados, trata-se de setores exclusivos
no estado.
Por outro lado, centros regionais como Londrina, Maringá, Guarapuava, Ponta Grossa
e Cascavel, apesar de serem diversificados, ainda carecem de maior sofisticação para
configurar complexidade. Não obstante, as relações de vizinhança são frágeis, de modo que
há dificuldades de se criar um ecossistema de partilha de conhecimentos e encadeamentos
complexos, que beneficiem as estruturas produtivas de todos os municípios.
Nesse aspecto, o último objetivo visou contribuir nesse sentido, ao trazer à baila as
relações regionais entre as estruturas produtivas e o desenvolvimento socioeconômico no
estado do Paraná no período recente (2010-2020). Para tanto, caracterizou-se a distribuição
espacial dos indicadores sobre qualidade de vida no estado do Paraná, considerando
especificamente o Índice de Desenvolvimento Humano, o Índice de Gini e a taxa de pobreza;
e, ainda, procurou- se identificar as suas possíveis relações com a complexidade econômica
em nível regional.
Diante das respostas metodológicas obtidas por meio da Análise Exploratória de
Dados Espaciais, inicialmente evidenciou-se que as variáveis socioeconômicas ligadas ao
desenvolvimento, a saber, IDHM, pobreza e desigualdade, estão altamente relacionadas no
território, tanto individualmente quanto quando tomadas em conjunto. O desenvolvimento dos
municípios paranaenses é um fenômeno regional, ou seja, além dos fatores internos do
município, há de se considerar os fatores da sua vizinhança, em decorrência de fluxos de bens,
serviços, mão de obra e renda, bem como efeitos de transbordamento e espraiamento dos
atributos socioeconômicos, levando-se em conta também a partilha de uma mesma formação
histórica e a existência de problemas estruturais comuns.
Quando se adiciona à análise a complexidade econômica, observou-se a presença de
clusters – agrupamentos de municípios com alto IDHM rodeados por municípios com alta
complexidade (Norte, Curitiba e Oeste); o contrário também foi observado na região centro-
sul, corroborando com a análise anterior e indicando dois regimes espaciais muito claros em
que a complexidade e o desenvolvimento estão regionalmente associados. Há ainda pontos
105
discrepantes com alta complexidade rodeados por baixo IDHM, devido a uma conjunção de
fatores, inclusive institucionais, que barra o processo de transbordamento.
Nesse último caso, tem-se uma trajetória intermediária de complexidade e
desenvolvimento, à medida que se inicia o processo de sofisticação produtiva, mas as
respostas de desenvolvimento não são tão claras, intensificando inclusive as desigualdades
regionais, como pela limitação estrutural aos municípios vizinhos (efeitos negativos de
polarização). Além disso, corre-se se o risco de se cair no equivalente regional à “armadilha
da renda média”, à medida que a situação favorável em relação aos municípios vizinhos não
gera incentivos para se diversifique a estrutura produtiva em setores mais sofisticados.
Tais situações revelam que, em última instância, as configurações socioprodutivas do
estado do Paraná ainda carecem de sofisticação produtiva e o enfrentamento a problemas
estruturais como a desigualdade, a pobreza e as condições inferiores de vida de considerável
parte do estado, ligada a setores menos dinâmicos. Essa situação retrata que as configurações
históricas – ou seja, a trajetória socioeconômica tem se mantido estável, de modo que os
desequilíbrios regionais se perpetuam ao longo do tempo.
Surge, portanto, a necessidade de políticas consistentes – em contraposição a medidas
meramente conjunturais, que precisam levar em conta não somente sua estrutura e
aplicabilidade de investimentos em escalas maiores, mas como tal projeto se insere nos
diferentes contextos regionais. A “construção de um projeto para o Paraná”, em referência à
preocupação presente no trabalho de Cássio Rolim, em meados da década de 1990, perpassa
por compreender a existência de múltiplos Paranás. Quaisquer que sejam os procedimentos
escolhidos, os resultados serão positivos apenas se houver compreensão das semelhanças,
fraquezas e potencialidades de cada região.
Cabe também realizar uma estruturação produtiva estadual mediante o estabelecimento
de uma política industrial inteligente, como observa Dominik Hartmann e outros
pesquisadores da Economia da Complexidade, pautada em inovação, conhecimento e,
sobretudo, aproveitando-se as oportunidades locais - potencialidades de cada região. Isso
requer, ainda, avaliar a complexidade das estruturas, as possibilidades de encadeamento, bem
como, o fortalecimento da capacidade institucional da governança no estado.
Entretanto, o enfrentamento de barreiras, como as limitações e fragilidades locais
passa, necessariamente pela consecução de políticas públicas que vinculem iniciativas em
âmbito federal e estadual e, ainda, municipal. E, mesmo com tal orquestração, ainda parecem
existir travas estruturais nos lugares que impedem o real propósito associado ao bem-estar da
população. Portanto, emerge a ideia de um “empurrão” ou “choque” necessário para que se
106
altere a dependência da trajetória e se desencadeie ganhos para o desenvolvimento das regiões
no estado.
Em suma, sem políticas que visem a sofisticação da estrutura produtiva, não há
redução sustentável da desigualdade. Uma sociedade em que há maior sofisticação é sinônimo
de existência de um conjunto maior de conhecimentos e criatividade. Isso repercute em novos
retornos sociais e econômicos na vida das regiões, ou seja, na vida dos lugares.
Diante disso, sugere-se como indicativo para pesquisas futuras a análise de outras
variáveis ou combinações de variáveis para mensuração da complexidade tais como o número
estabelecimentos em cada setor, a massa salarial e o Valor Adicionado Fiscal, por estarem
disponível para os setores ora analisados e haver dados disponíveis para todos os municípios,
inclusive possibilitando a criação de uma série histórica. Além disso, para avaliação de
possíveis políticas públicas, pode-se proceder a análise do product-space e o Índice de
Complexidade Econômica para os setores.
Por estar em fase de expansão, é importante que novos trabalhos surjam para avaliar a
complexidade em nível regional, testando-se e difundindo-se um novo ferramental teórico-
metodológico que possibilite novos e mais precisos indícios sobre as medidas a serem
aplicadas para o desenvolvimento regional.
107
REFERÊNCIAS
AL MARHUBI, Fahim. Economic Complexity and Inflation: an empirical analysis. Atlantic
Economic Journal, International Atlantic Economic Society, v. 49, n. 3, p. 259-271, set.
2021. Disponível em: [Link] Acesso em: 24 jan.
2022.
ALMEIDA, Eduardo. Econometria Espacial Aplicada. Campinas (SP): Editora Alínea, 2012.
AMARAL FILHO, J. Desenvolvimento regional endógeno: (re)construção de um conceito,
reformulação das estratégias. Revista Econômica do Nordeste, v. 26, n. 3, jul./set. Fortaleza,
2001.
ANSELIN, Luc. SpaceStat Tutorial: A workbook for using SpaceStat in the Analysis of
Spatial Data. Santa Barbara – California: National Center for Geographic Information and
Analysis – University of California, 1992.
. Local Indicators of Spatial Association – LISA. Geographical Analysis, vol. 27, n. 2,
pp. 93-115, Ohio State University Press, abr. 1995. Disponível em: [Link]
content/uploads/sites/128/2013/08/W4_Anselin1995.pdf. Acesso em: 21 jun. 2022.
. Thirty years of spatial econometrics. Papers in Regional Science, vol. 89, n. 1, pp.
3- 25, mar. 2010. Disponível em: doi:10.1111/j.1435-5957.2010.00279.x. Acesso em: 21 jun.
2022.
ARAÚJO, Joelma Maria Batista de. Inovação e ciclos econômicos em Schumpeter e
Minsky. Orientador: Reynaldo Rubem Ferreira Junior. 2012. 146 f. Dissertação (Mestrado) -
Curso de Mestrado em Economia, Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade, Universidade Federal
de Alagoas, Maceió, 2012. Disponível em:
[Link]
clos%20econ%C3%B4micos%20em%20Schumpeter%20e%[Link]. Acesso em: 17
fev. 2022.
BALASSA, Bela. Trade Liberalisation and “Revealed” Comparative Advantage. The
Manchester School, vol. 33, n. 2, p. 99-123, mai. 1965. Disponível em:
[Link] Acesso em: 04 fev. 2022.
BALSALOBRE, Santiago José Perez; VERDURAS, Carlos Llano; LANCHAS, Jorge Díaz.
Measuring the Economic Complexity at the sub-national level using international and inter-
regional trade. Nineteenth Annual Conference of European Trade Study Group. Florença
(Itália): ETSG, 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23
dez. 2022.
BARQUERO, Antonio Vázquez. Os Territórios Inovadores: espaços estratégicos do
desenvolvimento. Crítica e Sociedade: revista de cultura política, Uberlândia - MG, v. 4, n.
2,
p. 52-71, dez. 2014, 29 jan. 2015. ISSN: 2237-0579; Dossiê: pensamento social,
desenvolvimento e desafios contemporâneos. Disponível em:
[Link] Acesso em: 04 dez.
2021.
108
BAZZANELLA, Sandro; ONISTO, Felipe. Limites e potencialidades do Desenvolvimento
Regional. Colóquio - Revista de Desenvolvimento Regional, Faccat-Taquara/RS, nº 11, 7-
27, jan-jun, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 22 abr. 2022.
BERNARDES, Lysia Maria Cavalcanti. O problema das “frentes pioneiras” no estado do
Paraná. Revista Brasileira de Geografia, v. 15, n. 3, ano XV, pp. 3-52, jul.-set., 1953.
Disponível em: [Link]
%20RJ/RBG/RBG%201953%20v15_n3.pdf. Acesso em: 27 jun. 2022.
BOISIER, Sérgio. Política econômica, organização social e desenvolvimento regional. In:
HADDAD, Paulo Roberto et al. Economia regional: teorias e métodos de análise. Fortaleza:
Banco do Nordeste do Brasil, 1988.
. Em busca do esquivo Desenvolvimento Regional: Entre a caixa-preta e o projeto
político. Planejamento e Políticas Públicas, Brasília, IPEA, n.13, 1996. Disponível em:
[Link] Acesso em: 23 mar.
2022.
BOLDRINI, José Luiz; COSTA, Sueli Irene Rodrigues; FIGUEIREDO, Vera Lucia;
WETZLER, Henry George. Álgebra Linear [3. Ed.]. São Paulo: Harper & Row do Brasil,
1980.
BRANDÃO, Carlos. Território e desenvolvimento: as múltiplas escalas entre o local e o
global. Campinas: Editora Unicamp, 2008.
BRUE, Stanley Leonard. História do Pensamento Econômico. São Paulo: Thomson, 2005.
CALDARELLI, Guido; CRISTELLI, Matthieu; GABRIELLI, Andrea; PIETRONERO,
Luciano; SCALA, Antonio; TACCHELLA, Andrea. A netword analysis of countries export
flows: firm grounds for the building blocks of the economy. PLoS ONE, Cornell University,
v. 7, n. 10, out., 2012, p. e47278. Disponível em: [Link] Acesso em:
12 fev. 2022.
CAPUCHO, T. O.; PARRÉ, J. L. Produção leiteira no Paraná: um estudo considerando
os efeitos espaciais. Informe Gepec, Toledo, v. 16, n. 1, p. 112-127, 2012. Disponível
em: <[Link] Acesso em: 15
ago. 2021.
CAVALCANTE, Leo, MONEA, Gustavo Kaique Araújo, FERREIRA, Fernando Fagundes.
Ranking de Complexidade Econômica dos Estados Brasileiros. Redeca, v.7, n.2. jul-dez.
2020,
p. 143-157. Disponível em: [Link] Acesso em: 20
jan. 2022.
COMISSÃO ECONÔMICA PARA A AMÉRICA LATINA E O CARIBE (CEPAL).
Cinquenta anos de pensamento da Cepal. [BIELSCHOWSKY, Ricardo (org.)]. Rio de
Janeiro: Editora Record: 2000. Disponível em:
ttps://[Link]/bitstream/handle/11362/1607/2/S33098N962Av2_pt.pdf. Acesso
em: 28 fev. 202.
109
COMPANHIA PARANAENSE DE ENERGIA (COPEL). Usina Termelétrica de Figueira.
Disponível em: [Link]
figueira/. Acesso em: 07 jul. 2022.
CORDEIRO, Marinês Fagundes. Cafelândia: um pouco de nossa história. Cascavel – PR:
Gráfica Assoeste e Editora, 2004.
COSTA, Fernando Nogueira. Pensamento Sistêmico e Complexidade. Campinas – SP: Blog
Cultura & Cidadania, 2020. Disponível em:
[Link]
pensamento-sistecc82mico-sobre-complexidade.-campinas-blog-cultura-e-cidadania.-2020-
[Link]. Acesso em: 06 jan. 2022.
. Economia da Complexidade, Comportamental, Institucional e da Felicidade.
Campinas – SP: Blog Cultura & Cidadania, 2021. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em:
26 dez. 2021.
. Economia como Componente de Sistema Complexo Adaptativo. Campinas – SP:
Blog Cultura & Cidadania, 2022. Disponível em:
[Link]
economia-como-componente-de-sistema-complexo-adaptativo.-[Link]. Acesso em: 23
jan. 2022.
COSTA, Pierre; SCHMIDT, Lisandro Pezzi; O refino de petróleo no Paraná: uma análise
geoeconômica. Espaço e Economia - Revista Brasileira de Geografia Econômica, v. 7, n.
14, ago., 2019. Disponível em: [Link] Acesso
em: 14 abr. 2022.
DUARTE, Vilmar Nogueira. Desenvolvimento Equilibrado versus Desenvolvimento
Desequilibrado: uma breve revisão das principais teorias. In: Seminário Internacional de
Integração e Desenvolvimento Regional [ECAECO], 1., 2013, Ponta Porã (MS). Anais [...].
Ponta Porã: UEMS, 2013. Disponível em:
[Link] Acesso em: 06 fev.
2022.
EMBRAPA - EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Anuário do
Leite 2018: Indicadores, tendências e oportunidades para quem vive no setor leiteiro. São
Paulo: Embrapa - Gado de Leite, 2018. 116 p. Disponível em:
<[Link]
Acesso em: 05 jun. 2022.
FAGUNDES, Mayra Batista Bitencourt; SILVA JÚNIOR, Ernani de Almeida;
FIGUEIREDO, Adriano Marcos Rodrigues; MACHADO, João Victor. Complexidade
Econômica Regional: uma abordagem a partir de dados de emprego. Revista de
Desenvolvimento Econômico – RDE, ano XXI, v. 2, n. 43, p. 161-181. Salvador (BA), ago.,
2019. Disponível em: [Link] Acesso em: 23 dez. 2021.
FAJARDO, Sérgio; CUNHA, Luiz Alexandre Gonçalves Cunha. Paraná: desenvolvimento e
diferenças regionais. Ponta Grossa – PR: Atenda, 2021.
110
FERREIRA, Carolina Coelho; SALLES, Alexandre Ottoni Teatini. Desenvolvimento
econômico e desigualdade social: uma análise a partir do princípio de causação circular
cumulativa de Gunnar Myrdal. Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política, 55,
janeiro - abril, 2020. Niterói (RJ): Universidade Federal Fluminense (UFF) - Faculdade de
Economia, 2020. Disponível em: [Link]
Acesso em: 13 fev. 2022.
FREITAG, Liliane da Costa. Extremo-oeste paranaense: história territorial, região,
identidade e (re)ocupação. 2007. 208 f. Tese (doutorado) - Universidade Estadual Paulista,
Faculdade de História, Direito e Serviço Social, 2007. Disponível em:
[Link] Acesso em 27 jun. 2022.
FURTADO, C. Os desafios da nova geração. Brazilian Journal of Political Economy, v. 24,
n. 4, p. 483-486, 2004. DOI: 10.1590/0101-35172004-1639. Disponível em:
[Link] Acesso em:
26 jun. 2022.
. Formação econômica do Brasil. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007.
GAO, Jian; ZHOU, Tao. Quantifying China’s regional economic complexity. Physica A
Statistical Mchanics and its applications, v. 492, p. 1591-1603, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 07 jan. 2022.
GNANGNON, Sèna Kimm. Effect of productive capacities on Economic Complexity: Do aid
for trade flow matter? Journal of Economic Integration, v. 36, n. 4, 626-688, dez. 2021.
Disponível em: [Link] Acesso em: 10
mar. 2022.
GILL, Indermit; KHARAS, Homi. An East Asian Renaissance: Ideas for Economic Growth.
Washington – DC: Word Bank, 2007. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 mar. 2022.
GONÇALVES, Israel Alves. Determinantes da complexidade econômica: uma análise do
Estado de Minas Gerais. Mariana [MG]: Universidade Federal de Ouro Preto [Instituto de
Ciências Sociais Aplicadas – Departamento de Ciências Econômicas], 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 12 dez. 2021.
GRANDE DICIONÁRIO HOUAISS DA LÍNGUA PORTUGUESA. Dicionário Houaiss.
Recurso online. 2022. Disponível em:
[Link] Acesso em: 02
jul. 2022.
HAUSMANN, Ricardo; KLINGER, Bailey. Structural Transformation and Patterns of
Comparative Advantage in the Product Space. Center for Development Working Paper nº
128. Cambridge – MA: Harvard University, 2006. Disponível em:
[Link] Acesso em: 15 dez. 2021.
HAUSMANN, Ricardo. HIDALGO, César A. COSCIA, Sebastián Bustos Michele. SIMOES,
Alexander. YILDIRIM, Muhammed A. The Atlas of Economic Complexity: Mapping paths
to prosperity. Cambridge – MA: Massachusetts Institute of Technology and Center for
International Development, Harvard University, 2013. Disponível em:
111
[Link] Acesso em: 12
dez. 2021.
HIDALGO, Cesar A. KLINGER, Bailey. BARABÁSI, Albert-László. HAUSMANN, Ricardo.
The Product Space Conditions the Development of Nations. Science, vol. 317, n. 5837, pp. 482-
487. Disponível em: [Link] Acesso em: 15
dez. 2021.
HARTMANN, Dominik; JARA-FIGUEROA, Cristian; GUEVARA, Miguel; SIMOES, Alex;
HIDALGO, Cesar A. The structural constraints of income inequality in Latin America.
Integration & Trade Journal, n. 40, p. 70-55, jun. 2016. Disponível em:
[Link] Acesso em:
HARTMANN, Dominik; GUEVARA, Miguel; JARA-FIGUEROA, Cristian; ARISTARÁN,
M. HIDALGO, Cesar A. Linking Economic Complexity, Instituitions and Income Inequality.
World development, 93, 75-93, 2017. Disponível em: 10.1016/[Link].2016.12.020.
Acesso em: 13 fev. 2022.
HIDALGO, César A.; HAUSMANN, Ricardo. The building blocs of economic complexity.
Proceedings of the National Academy of Sciences, vol. 106, nº 26, p. 10570-10575, jun.
2009. Disponível em: [Link].orgcgidoi10.1073pnas.0900943106. Acesso em: 24 jan.
2022.
HILDALGO, César A. Economic complexity theory and applications. Nature Reviews |
Physics, pp. 92-113, jan. 2021. Disponível em: [Link]
Acesso em: 13 mar. 2022.
HILL, C.; GRIFFITHS, W.; JUDGE, G. Econometria. 2. ed. Trad.: Alfredo Alves de Farias.
São Paulo: Editora Saraiva, 2003.
HIRSCHMAN, Albert Otto. The strategy of economic development. New Haven: Yale
University Press, 1958.
HUNT, Emery Kay. LAUTZENHEISER, Mark. História do Pensamento Econômico. 7ª.
edição. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Divisão do Brasil
em mesorregiões e microrregiões geográficas. Rio de Janeiro – RJ: IBGE - Departamento
de Geografia, 1990. Disponível em: [Link]
catalogo?view=detalhes&id=22269. Acesso em: 23 jun. 2022.
. Divisão regional do Brasil em regiões geográficas imediatas e regiões geográficas
intermediárias: 2017. Rio de Janeiro – RJ: IBGE, Coordenação de Geografia, 2017.
Disponível em: [Link] Acesso em:
21 jun. 2022.
. Censo Agropecuário 2017. Sistema IBGE de Recuperação Automática –
SIDRA, 2020. Disponível em: [Link]
agropecuario-2017. Acesso em: 23 jun. 2022.
INSTITUTO PARANAENSE DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL
(IPARDES). Paraná: economia e sociedade. Curitiba: IPARDES, 1982.
112
. O Paraná reinventado: política e governo – 2ª. ed. Curitiba: IPARDES, 2006.
. Relação dos municípios do Estado ordenados segundo as mesorregiões e as
microrregiões geográficas do IBGE – Paraná. Curitiba: IPARDES, 2012. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 12 mar. 2022.
. Estado do Paraná: Mesorregiões geográficas. 2012. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 24 jun. 2022.
. Os vários Paranás: as espacialidades socioeconômico-institucionais no período
2003- 2015. Curitiba: IPARDES, 2017.
Disponível em:
[Link]
09/varios_paranas_relatorio_2017.pdf. Acesso em: 15 jun. 2022.
. Base de dados do Estado. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 15 fev. 2021.
. Paraná em números. Disponível em:
<[Link]
YyNzViMTQ2NDZkIiwidCI6IjVmZDJiNjViLTVhZWQtNGQ4YS1iMDVhLTBkYTcyNW
NkOWNkMyJ9&pageName=ReportSectionee50decf45d44b755c4c>. Acesso em: 15 jun.
2022.
. IPARDES – Identidade Organizacional. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 15 jun. 2022.
. Caderno Estatístico: Município de Castro. Curitiba: IPARDES, 2022. Disponível
em: [Link]
Acesso em: 15 jun. 2022.
. Caderno Estatístico: Município de Guarapuava. Curitiba: IPARDES, 2022.
Disponível em:
[Link]
Acesso em: 15 jun. 2022.
. Caderno Estatístico: Município de Laranjal. Curitiba: IPARDES, 2022. Disponível
em: [Link]
Acesso em: 15 jun. 2022.
IPEA – INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA; PNDU – PROGRAMA
DAS NAÇÕES UNIDADES PARA O DESENVOLVIMENTO; FJP – FUNDAÇÃO JOÃO
PINHEIRO. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Brasileiro. Brasília: IPEA,
Pnud, FJP, 2013. Disponível em: [Link] Acesso em:
24 jun. 2022.
KEYNES, John Maynard. A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. São Paulo:
Editora Nova Cultura, 1996.
LIMA, Jandir Ferrera; ALVES, Lucir Reinaldo. Cooperativismo e desenvolvimento rural no
Paraná do agronegócio. Artigo premiado em 3º lugar no VI Prêmio BRDE de
113
Desenvolvimento PR. 2011. Disponível em: [Link]
[Link]. Acesso em: 15 jul.
2021.
LOURENÇO, Gilmar Mendes. Economia Paranaense: rótulos históricos e encaixe recente na
dinâmica brasileira. Revista Análise Conjuntural, v. 27, n. 11-12, pp. 8 – 14, nov./dez.,
2005. Disponível em: [Link] Acesso em:
25 mai. 2022.
MAGALHÃES, Marisa Valle; KLEINKE, Maria de Lourdes Urban. Projeção da População
do Paraná: tendências e desafios. Revista Paranaense de Desenvolvimento, n. 98, pp. 27-43,
2000. Disponível em: [Link] Acesso em:
25 mai. 2022.
MARCONATO, Márcio; BRAMBILLA, Marcos Aurélio; RODRIGUES, Karla Cristina
Tyskowski Teodoro; NASCIMENTO, Sidnei Pereira do. Análise Espacial da taxa de pobreza
e da população rural da região sul do país. Revista Textos de Economia, UFSC,
Florianópolis- SC, v. 18, n.2, 2015.
Disponível em:
[Link] Acesso
em: 28 jun. 2022.
MARINI, Marcos Junior; SILVA, Christian Luiz. Desenvolvimento regional e arranjos
produtivos locais: uma abordagem sob a ótica interdisciplinar. Revista Brasileira de Gestão
e Desenvolvimento Regional, Taubaté, v. 8, n. 2, p. 107-129, maio/ago. 2012. Disponível
em:
[Link] Acesso em: 02 mai. 2021.
MEALY, Penny; FARMER, J. Doyne; TEYTELBOYM, Alexander. Interpreting economic
complexity. Science Advances, v. 5, n. 1, eaau1705, 2019. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 jan. 2022.
MENGEL, Alex Alexandre. AQUINO, Silvia Lima de; QUEIROZ NETO, Exzolvildres.
Dinâmicas Regionais, atores, instituições: as interfaces do debate sobre desenvolvimento, pp.
29 – 51. In: CURY, Mauro Ferreira; SAQUET, Marcos Aurélio (orgs.). Territórios e
territorialidades: a práxis na construção do desenvolvimento. Cascavel, PR: Edunioeste, 2019.
MEZZOMO, Frank Antônio. Religião, nomos e utopia: o catolicismo na colonização da
região de Toledo (Paraná, 1940-1970). 2000. 174 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de
Programa de Pós-Graduação em História, Centro de Filosofia e Ciências Humanas -
Departamento de História, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2000.
Disponível em: [Link] Acesso em:
27 jun. 2022.
MIGLIORINI, Sônia Mar do Santos. Indústria Paranaense: Formação, transformação
econômica a partir da década de 1960 e distribuição espacial da indústria no início do século
XXI, Revista Eletrônica Geografar, Programa de Pós-Graduação em Geografia- UFPR,
Curitiba, v. 1, n.1, p. 62-80, jul./dez., 2006. Disponível em:
[Link] Acesso em: 25 mar. 2022.
MONASTERIO, Leonardo; CAVALCANTE, Luiz Ricardo. Fundamentos do Pensamento
Econômico Regional. In: IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Economia
Regional e Urbana: Teorias e Métodos com Ênfase no Brasil. Brasília, 2011. p. 43-78.
114
MORAIS, Ana Maria; NEVES, Isabel Pestana. Fazer investigação usando uma abordagem
metodológica mista. Revista Portuguesa de Educação, v. 20, n. 2, pp. 75-104, Universidade
do Minho, Braga (Portugal), 2007. Disponível em:
[Link] Acesso em: 02 fev. 2022.
MOREIRA, Sandrina Berthault; CRESPO, Nuno. Economia do Desenvolvimento: das
abordagens tradicionais aos novos conceitos de desenvolvimento. Revista de Economia, v.
38,
n. 2, ano 36, p. 25-50, nov. 2012. Universidade Federal do Paraná. Disponível em:
[Link] Acesso em: 10 out. 2021.
MYRDAL, Gunard. Economic theory and under-developed regions. Londres: Duckworth,
1957.
NORTH, Douglas Cecil. Instituitions, institutional change and economic performance.
Cambridge: Cambridge University Press, 1991.
NURKSE, Ragnar. Problemas da Formação de Capital em Países Subdesenvolvidos. Rio
de Janeiro: Civilização Brasileira, 1957.
ODLAND, John. Spatial Autocorrelation. London: Sage Publications, 1988. Reimpressão
[Web Book Version]. Charlottesville – Virginia: West Virginia University – Regional
Research Institute, 2020. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 20 mai. 2022.
OLIVEIRA, Denilson de. Urbanização e Industrialização no Paraná – 2ª edição. Curitiba:
Sociedade de Amigos do Museu do Paraná, 2017.
ONU - ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDADES (UNDP - United Nations
Development Programme). Human Development Report 1990: Concept and Measurement
of Human Development. New York: Organização das Nações Unidades (ONU), 1990.
Disponível em: [Link] Acesso em: 24
mai. 2022.
PADIS, Pedro Calil. O Paraná: uma visão de conjunto. Revista Administração de empresas,
Rio de Janeiro, nº 11, vol. 1, pp. 35-50, jan./mar. 1971. Publicações da Cepal: quem tem medo
da América Latina. Disponível em:
[Link] Acesso em: 15 abr.
2022.
. Formação de uma economia periférica: o caso do Paraná – 2ª. ed. Curitiba:
IPARDES, 2006.
PERROUX, François. A economia do século XX. Lisboa: Herder, 1967.
PIFFER, Moacir; ALVES, Lucir Reinaldo; LIMA, Jandir Ferrera de; CAVALHEIRO, Maria
Eloísa; SILVA; Marizete Gonçalves da. Desenvolvimento regional do Oeste Paranaense a
partir do Capital Social. IV Seminário Internacional sobre Desenvolvimento – SIDR. Santa
Cruz do Sul: UNISC – Universidade de Santa Cruz do Sul, 2009. Disponível:
[Link] Acesso em: 22 out. 2022.
115
PIRES, Mônica de Moura; MOROLLÓN, Fernando Rubiera; GOMES, Andréa da Silva;
POLÈSE, Mario. Economia Urbana e Regional: território, cidade e desenvolvimento. Ilhéus
(BA): Editus – Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz), 2018.
PREBISCH, Raul. O Desenvolvimento Econômico da América Latina e seus principais
problemas. Organização das Nações Unidas, 1949.
REIS, Caio Soares Pereira. Apresentação da abordagem da Complexidade Econômica
aplicada à Economia do Desenvolvimento: Síntese e principais agendas de pesquisa. Revista
Multiface,
v. 6, n. 2, p. 49-61, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 fev. 2022.
RICARDO, David. The Principles of Political Economy and Taxation. 3a. ed. [reimpressão].
Londres: Dent, 1962.
RIPPEL, Ricardo. LIMA, Jandir Ferrera de. Polos de crescimento econômico: notas sobre o
caso do Paraná. REDES – Revista de Desenvolvimento Regional, Santa Cruz do Sul, v. 14,
n. 1, p. 136 – 149, jan./abr., 2009. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 abr. 2022.
ROLIM, Cássio Frederico Camarco. O Paraná urbano e o Paraná do agrobusiness: as
dificuldades para a formulação de um projeto político. Revista Paranaense de
Desenvolvimento, Curitiba, n. 86, set./dez., 1995, p. 49-99, 1995. Disponível em:
[Link] Acesso em: 13 jun. 2022.
ROSENSTEIN-RODAN, Paul Narcyz. Problems of Industrialisation of Eastern and South-
Eastern Europe. The Economic Journal, vol. 53, no. 210/211, pp. 202–11, Londres: Royal
Economic Society, 1943. Disponível em: [Link] Acesso em 12 jan.
2022.
. Notes on the Theory of the ‘Big Push’. In: ELLIS, Howard S.; WALLICH, Henry C.
(ed.). Economic Development for Latin America, International Economic Association
Series, volume 6, pp. 57-81. Nova Iorque: Stockton Press, 1961. Disponível em:
[Link] Acesso em: 12 jan.
2022.
SANTOS, Elinaldo Leal; BRAGA, Vitor; SANTOS, Reginaldo Souza Santos; BRAGA,
Alexandra Maria da Silva. Desenvolvimento: um conceito em construção. DRd -
Desenvolvimento Regional em debate, v. 2, n. 1, p. 44–61, 2012. Disponível em:
[Link] Acesso em: 24 abr. 2022.
SANTOS, Maurinho Luiz dos; LÍRIO, Viviani Silva; VIEIRA, Wilson da Cruz.
Microeconomia Aplicada. Visconde do Rio Branco – MG: Editora Suprema, 2009.
SCHUMPETER, Joseph Alois. Capitalismo, socialismo e democracia. Tradução: Ruy
Jungmann. Editora Fundo de Cultura: Rio de Janeiro, 1961
SESSO FILHO, Umberto Antônio; BRENE, Paulo Rogério Alves. Estrutura produtiva do
estado do Paraná e identificação de setores estratégicos para a recuperação econômica.
Curitiba: Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 2020. Disponível
em: [Link]
09/parte_1_estrutura.pdf. Acesso em: 27 dez. 2021.
116
SESSO FILHO, Umberto Antônio; BORGES, Lucas Trindade; SESSO, Patrícia
Pompermayer; ZAPPAROLI, Irene Domenes; BRENE, Paulo Rogério Alves.
Dimensionamento do complexo agroindustrial dos estados brasileiros: geração de renda,
empregos e impostos. GEOSUL (Revista do Departamento de Geociências – CFH/UFSC), v.
34, n. 71, p. 18-39, 2019. Disponível em:
[Link]
5153.2019v34n71p18. Acesso em: 25 jan. 2022.
SILVA, Leandro Nunes Soares da; BORGES, Murilo José; PARRÉ, José Luis. Distribuição
Espacial da Pobreza no Paraná, Revista de Economia, vol. 39, n. 3, ano 37, pp. 35-58,
Universidade Federal do Paraná – UFPR, set/dez, 2014. Disponível em:
[Link] Acesso em: 22 mai. 2022.
SMITH, Adam. An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. The
Modern Library, 1937.
SOUSA, Renan Abrantes de. A Teoria da Complexidade reencontra do Desenvolvimento
Econômico: uma análise de Insumo-Produto [Dissertação (Mestrado)]. Universidade de
Brasília (UnB), Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Programa de Pós-
Graduação, 2018. Disponível em:
[Link] Acesso
em: 25 fev. 2022.
SOUZA, Nali de Jesus. Desenvolvimento econômico. 5ª. edição. São Paulo: Atlas, 2005.
STRELOW, Kaio Arlei. COSTA, Fernando Nogueira da. Análise econômica: níveis de
abstração e decisões práticas. Seminário Final – Métodos de Análise Econômica V. Campinas
– SP: Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, 2022.
TACCHELLA, Andrea; CRISTELLI, Matthieu; CALDARELLI, Guido; GABRIELLI,
Andrea; PIETRONERO. A New Metrics for Countries' Fitness and Products' Complexity.
Scientific Reports, v. 2, 723, out. 2012. Disponível em: [Link]
Acesso em: 23 jan. 2022.
TOBLER, Waldo Rudolph. A computer movie simulating urban growth in the Detroit Region.
Economic Geography, vol 46, Proceedings. Internation Geographical Union. Comissiono n
Quantitative Methods, jun. 1970, pp. 234-240. Disponível em:
[Link] Acesso em 20 jun. 2022.
TRINTIN, Jaime Graciano. A nova economia paranaense: 1970-2000. Maringá: EDUEM,
2006. Disponível em:
[Link]
[Link]. Acesso em: 29 mar. 2022.
TRUMAN, Harry. S. Inaugural Addresses of the Presidents of the United States,
Thursday, January 20, 1949. Disponível em: [Link]
Acesso em: 22
mar. 2022.
VARGAS, Mauricio. Economiccomplexity: Computacional Mehods for Economic
Complexity. The Journal of Open Source Software, JOSS, v. 5, n. 46, 1866, fev. 2020.
Disponível em: [Link] Acesso em: 24 fev. 2022.
117
VARGAS, Mauricio; BOTTAI, Carlo; KOZLOWSKI, Diego; PINTAR, Nico.
Computacional Methods for Economic Complexity. Package ‘economiccomplexity’, set,
2020. Disponível em: [Link] Acesso em: 24
fev. 2022.
VEBLEN, Thorstein. A teoria da classe ociosa: um estudo econômico das instituições. São
Paulo: Pioneira, 1965.
VEIGA, José Eli da. Desenvolvimento sustentável: o desafio do século XXI. Rio de Janeiro:
Garamond, 2008.
VIEIRA, Edson Trajano; SANTOS, Moacir José dos. Desenvolvimento econômico regional –
uma revisão histórica e teórica. Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento Regional,
v. 8, n. 2, jun. 2012. ISSN 1809-239X. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 21 jul. 2021.
WILLE, José. A construção das rodovias que integraram o Paraná - Memória
Paranaense. Curitiba: Band Curitiba, 12 de outubro de 2017. Disponível em:
[Link] Acesso em: 21 abr. 2022.
WESTPHALEN, Cecília Maria. MACHADO, Brasil Pinheiro. BALHANA, Altiva Pilatti.
Nota prévia ao estudo da ocupação da terra no Paraná moderno. Boletim da Universidade
Federal do Paraná, Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Departamento de História,
Conselho de Pesquisas, n. 7, 1968.
118
APÊNDICE A – Estrutura da Pesquisa
119
APÊNDICE B – Setores com Vantagens Comparativas Reveladas em Araucária (PR) em 2010
Setor Descrição do Setor Ubiquidade
5 Extração de Petróleo e Gás Natural 1
7 Extração de Minerais Não-Metálicos 4
15 Fabricação de Produtos de Madeira 4
16 Fabricação de Celulose, Papel e Produtos de Papel 4
19 Fabricação de Produtos Químicos 20
21 Fabricação de Produtos de Borracha e de Material Plástico 20
22 Fabricação de Produtos de Minerais Não-Metálicos 20
23 Metalurgia 20
24 Fabricação de Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos 20
25 Fabricação de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos 20
27 Fabricação de Máquinas e Equipamentos 20
28 Fabricação de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias 19
31 Fabricação de Produtos Diversos 19
32 Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos 19
35 Esgoto e Atividades Relacionadas 19
37 Descontaminação e Outros Serviços de Gestão de Resíduos 19
39 Obras de Infra-Estrutura 19
42 Comércio por Atacado, Exceto Veículos Automotores e Motocicletas 19
44 Transporte Terrestre 19
47 Armazenamento e Atividades Auxiliares dos Transportes 19
49 Alojamento 19
50 Alimentação 19
63 Serviços de Arquitetura e Engenharia 19
64 Pesquisa e Desenvolvimento Científico 19
68 Aluguéis Não-Imobiliários e Gestão de Ativos Intangíveis Não-Financeiros 40
73 Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo e Outros Serviços Prestados Às Empresas 161
85 Outras Atividades de Serviços Pessoais 313
120
APÊNDICE C – Setores com Vantagens Comparativas Reveladas em Londrina (PR) em 2010
Setor Descrição do Setor Ubiquidade
11 Fabricação de Produtos do Fumo 4
12 Fabricação de Produtos Têxteis 4
13 Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios 4
14 Preparação de Couros e Fabricação de Artefatos de Couro, Artigos para Viagem e Calçados 4
17 Impressão e Reprodução de Gravações 4
20 Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos 20
21 Fabricação de Produtos de Borracha e de Material Plástico 20
27 Fabricação de Máquinas e Equipamentos 20
29 Fabricação de Outros Equipamentos de Transporte, Exceto Veículos Automotores 19
38 Construção de Edifícios 19
40 Serviços Especializados para Construção 19
41 Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas 19
42 Comércio por Atacado, Exceto Veículos Automotores e Motocicletas 19
43 Comércio Varejista 19
44 Transporte Terrestre 19
46 Transporte Aéreo 19
47 Armazenamento e Atividades Auxiliares dos Transportes 19
48 Correio e Outras Atividades de Entrega 19
50 Alimentação 19
51 Edição e Edição Integrada À Impressão 19
52 Atividades Cinematográficas, Produção de Vídeos e de Programas de Televisão 19
53 Atividades de Rádio e de Televisão 19
54 Telecomunicações 19
55 Atividades dos Serviços de Tecnologia da Informação 19
56 Atividades de Prestação de Serviços de Informação 19
57 Atividades de Serviços Financeiros 19
Continua da próxima página.
121
Setor Descrição do Setor Ubiquidade
58 Seguros, Resseguros, Previdência Complementar e Planos de Saúde 19
59 Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros, Seguros, Previdência Complementar e Planos de Saúde 19
60 Atividades Imobiliárias 19
61 Atividades Jurídicas, de Contabilidade e de Auditoria 19
64 Pesquisa e Desenvolvimento Científico 19
65 Publicidade e Pesquisa de Mercado 12
66 Outras Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas 18
67 Atividades Veterinárias 18
68 Aluguéis Não-Imobiliários e Gestão de Ativos Intangíveis Não-Financeiros 40
69 Seleção, Agenciamento e Locação de Mão-De-Obra 161
70 Agências de Viagens, Operadores Turísticos e Serviços de Reservas 161
72 Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas 161
73 Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo e Outros Serviços Prestados Às Empresas 161
75 Educação 161
76 Atividades de Atenção À Saúde Humana 161
Atividades de Atenção À Saúde Humana Integradas com Assistência Social, Prestadas em Residências Coletivas e
77 161
Particulares
78 Serviços de Assistência Social sem Alojamento 161
79 Atividades Artísticas, Criativas e de Espetáculos 161
82 Atividades Esportivas e de Recreação e Lazer 161
83 Atividades de Organizações Associativas 118
84 Reparação e Manutenção de Equipamentos de Informática e Comunicação e de Objetos Pessoais e Domésticos 313
85 Outras Atividades de Serviços Pessoais 313
122
APÊNDICE D – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a convenção “Rainha” para os municípios do
estado do Paraná
123
APÊNDICE E – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a convenção “Torre” para os municípios do
estado do Paraná
124
APÊNDICE F – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a convenção “4 Vizinhos mais Próximos”
(k=4) para os municípios do estado do Paraná
125
APÊNDICE G – Gráfico de Conectividade para a Matriz de Ponderação Espacial com a convenção “8 Vizinhos mais Próximos” (k=8)
para os municípios do estado do Paraná
126
APÊNDICE H – Ubiquidade dos setores econômicos no estado do Paraná
Setor Descrição 2010 2020
1 Agricultura, Pecuária e Serviços Relacionados 313 308
2 Produção Florestal 95 88
3 Pesca e AqÜIcultura 48 61
4 Extração de Carvão Mineral 4 1
5 Extração de Petróleo e Gás Natural 1 1
6 Extração de Minerais Metálicos 3 1
7 Extração de Minerais Não-Metálicos 83 90
8 Atividades de Apoio À Extração de Minerais 7 5
9 Fabricação de Produtos Alimentícios 106 114
10 Fabricação de Bebidas 37 32
11 Fabricação de Produtos do Fumo 8 13
12 Fabricação de Produtos Têxteis 53 63
13 Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios 178 170
Preparação de Couros e Fabricação de Artefatos de Couro, Artigos para Viagem e
14 37 28
Calçados
15 Fabricação de Produtos de Madeira 117 105
16 Fabricação de Celulose, Papel e Produtos de Papel 47 40
17 Impressão e Reprodução de Gravações 40 48
18 Fabricação de Coque, de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis 20 16
19 Fabricação de Produtos Químicos 48 57
20 Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos 10 11
21 Fabricação de Produtos de Borracha e de Material Plástico 46 43
22 Fabricação de Produtos de Minerais Não-Metálicos 118 127
23 Metalurgia 34 34
24 Fabricação de Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos 64 91
25 Fabricação de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos 13 16
26 Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos 20 30
27 Fabricação de Máquinas e Equipamentos 46 53
28 Fabricação de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias 19 17
29 Fabricação de Outros Equipamentos de Transporte, Exceto Veículos Automotores 22 26
30 Fabricação de Móveis 66 62
31 Fabricação de Produtos Diversos 31 42
32 Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos 34 59
33 Eletricidade, Gás e Outras Utilidades 14 18
34 Captação, Tratamento e Distribuição de Água 32 25
35 Esgoto e Atividades Relacionadas 22 20
36 Coleta, Tratamento e Disposição de Resíduos 63 69
37 Descontaminação e Outros Serviços de Gestão de Resíduos 3 7
38 Construção de Edifícios 55 45
39 Obras de Infra-Estrutura 36 37
40 Serviços Especializados para Construção 50 72
41 Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas 62 85
42 Comércio por Atacado, Exceto Veículos Automotores e Motocicletas 161 174
43 Comércio Varejista 161 192
44 Transporte Terrestre 68 98
Continua...
127
Setor Descrição 2010 2020
45 Transporte Aquaviário 17 15
46 Transporte Aéreo 3 3
47 Armazenamento e Atividades Auxiliares dos Transportes 26 44
48 Correio e Outras Atividades de Entrega 96 92
49 Alojamento 52 64
50 Alimentação 33 40
51 Edição e Edição Integrada À Impressão 18 19
52 Atividades Cinematográficas, Produção de Vídeos e de Programas de Televisão 26 15
53 Atividades de Rádio e de Televisão 85 77
54 Telecomunicações 7 79
55 Atividades dos Serviços de Tecnologia da Informação 17 15
56 Atividades de Prestação de Serviços de Informação 32 12
57 Atividades de Serviços Financeiros 84 154
58 Seguros, Resseguros, Previdência Complementar e Planos de Saúde 12 11
Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros, Seguros, Previdência
59 19 34
Complementar e Planos de Saúde
60 Atividades Imobiliárias 23 33
61 Atividades Jurídicas, de Contabilidade e de Auditoria 84 112
62 Atividades de Sedes de Empresas e de Consultoria em Gestão Empresarial 5 7
63 Serviços de Arquitetura e Engenharia 19 36
64 Pesquisa e Desenvolvimento Científico 12 14
65 Publicidade e Pesquisa de Mercado 12 18
66 Outras Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas 55 53
67 Atividades Veterinárias 22 62
68 Aluguéis Não-Imobiliários e Gestão de Ativos Intangíveis Não-Financeiros 40 37
69 Seleção, Agenciamento e Locação de Mão-De-Obra 14 7
70 Agências de Viagens, Operadores Turísticos e Serviços de Reservas 21 20
71 Atividades de Vigilância, Segurança e Investigação 7 12
72 Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas 20 25
Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo e Outros Serviços Prestados Às
73 28 61
Empresas
74 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social 299 304
75 Educação 33 40
76 Atividades de Atenção À Saúde Humana 32 37
Atividades de Atenção À Saúde Humana Integradas com Assistência Social,
77 84 91
Prestadas em Residências Coletivas e Particulares
78 Serviços de Assistência Social sem Alojamento 37 37
79 Atividades Artísticas, Criativas e de Espetáculos 24 28
80 Atividades Ligadas ao Patrimônio Cultural e Ambiental 7 6
81 Atividades de Exploração de Jogos de Azar e Apostas 6 3
82 Atividades Esportivas e de Recreação e Lazer 43 42
83 Atividades de Organizações Associativas 118 194
Reparação e Manutenção de Equipamentos de Informática e Comunicação e de
84 53 49
Objetos Pessoais e Domésticos
85 Outras Atividades de Serviços Pessoais 57 76
86 Serviços Domésticos 79 22
87 Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais 5 2
128
APÊNDICE I – Diversidade e Índice de Complexidade Econômica nos municípios do
estado do Paraná
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4100103 Abatia 13 15 0,4878 1,0447
4100202 Adrianopolis 6 10 1,6748 0,4235
4100301 Agudos do Sul 11 9 0,6522 0,5981
4100400 Almirante Tamandare 27 29 3,0898 3,9079
4100459 Altamira do Parana 4 6 0,0602 0,1054
4100509 Altonia 8 14 0,6885 0,5438
4100608 Alto Parana 11 19 1,7482 2,6158
4100707 Alto Piquiri 10 18 0,4627 0,7653
4100806 Alvorada do Sul 11 13 0,9395 0,7070
4100905 Amapora 7 6 0,2854 0,1694
4101002 Ampere 8 10 0,6204 0,6885
4101051 Anahy 7 8 0,2688 0,4907
4101101 Andira 13 16 0,7184 0,7581
4101150 Angulo 7 10 0,2148 0,4967
4101200 Antonina 20 14 3,3962 1,0507
4101309 Antonio Olinto 8 11 0,2470 0,6250
4101408 Apucarana 17 25 2,2897 3,0512
4101507 Arapongas 11 15 1,5284 1,5551
4101606 Arapoti 11 12 0,6595 0,5280
4101655 Arapua 4 6 0,1462 0,2558
4101705 Araruna 6 8 0,4605 0,3498
4101804 Araucaria 27 24 16,0763 4,2294
4101853 Ariranha do Ivai 3 5 0,0408 0,0925
4101903 Assai 12 13 1,1500 0,4766
4102000 Assis Chateaubriand 13 20 1,0334 1,5932
4102109 Astorga 11 22 0,6728 1,9476
4102208 Atalaia 11 12 0,6099 1,1503
4102307 Balsa Nova 17 16 1,6684 1,3563
4102406 Bandeirantes 15 19 1,5939 1,7084
4102505 Barbosa Ferraz 8 10 0,2326 0,2912
4102604 Barracao 15 14 1,3280 1,1618
4102703 Barra do Jacare 7 6 1,2631 0,2983
4102752 Bela Vista da Caroba 5 7 0,1661 0,1997
4102802 Bela Vista do Paraiso 13 15 0,8351 0,7150
4102901 Bituruna 4 9 0,2339 1,0114
4103008 Boa Esperanca 7 9 0,2816 0,4960
4103024 Boa Esperanca do Iguacu 8 11 0,3959 0,6642
4103040 Boa Ventura de Sao Roque 6 5 0,2296 0,1648
4103057 Boa Vista da Aparecida 7 11 0,3772 0,5148
4103107 Bocaiuva do Sul 12 10 0,6423 0,5970
Continua.
129
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4103156 Bom Jesus do Sul 3 7 0,0522 0,4093
4103206 Bom Sucesso 6 8 0,2865 0,3351
4103222 Bom Sucesso do Sul 8 10 0,5669 0,5520
4103305 Borrazopolis 11 15 0,6451 0,7521
4103354 Braganey 8 11 0,3108 0,5006
4103370 Brasilandia do Sul 4 6 0,0614 0,1788
4103404 Cafeara 4 7 0,0817 0,2332
4103453 Cafelandia 6 8 0,4274 1,0031
4103479 Cafezal do Sul 6 5 0,1416 0,1134
4103503 California 14 16 1,2380 1,1801
4103602 Cambara 13 17 0,7336 1,0362
4103701 Cambe 22 24 2,5791 3,2848
4103800 Cambira 8 9 0,9797 0,3956
4103909 Campina da Lagoa 6 7 0,1306 0,3812
4103958 Campina do Simao 6 7 0,2636 0,1558
4104006 Campina Grande do Sul 22 17 3,2617 1,4817
4104055 Campo Bonito 8 8 0,5531 0,2192
4104105 Campo do Tenente 8 9 0,2326 0,2982
4104204 Campo Largo 29 24 6,0965 10,2053
4104253 Campo Magro 19 21 2,0324 1,6299
4104303 Campo Mourao 23 29 2,3741 3,4168
4104402 Candido de Abreu 8 10 0,2451 0,3407
4104428 Candoi 10 16 0,4926 1,1137
4104451 Cantagalo 10 14 0,4020 0,6357
4104501 Capanema 8 12 0,2742 0,9898
4104600 Capitao Leonidas Marques 11 16 0,7338 1,6216
4104659 Carambei 10 8 1,6739 0,3391
4104709 Carlopolis 9 13 0,5595 0,5967
4104808 Cascavel 30 28 4,1876 2,8204
4104907 Castro 18 18 2,7353 2,8407
4105003 Catanduvas 9 13 0,4801 0,5669
4105102 Centenario do Sul 7 13 0,2120 0,5104
4105201 Cerro Azul 10 7 0,3310 0,1890
4105300 Ceu Azul 14 18 0,7935 1,0044
4105409 Chopinzinho 20 20 1,6865 1,4179
4105508 Cianorte 18 20 2,1795 2,1194
4105607 Cidade Gaucha 7 7 0,4032 0,5325
4105706 Clevelandia 9 12 0,3469 0,5277
4105805 Colombo 28 27 7,7245 4,7910
4105904 Colorado 5 5 0,4084 0,5038
4106001 Congonhinhas 8 10 0,2340 0,2748
4106100 Conselheiro Mairinck 5 8 0,1140 0,2675
4106209 Contenda 14 18 0,9841 1,4713
4106308 Corbelia 16 18 0,8713 1,1899
4106407 Cornelio Procopio 18 15 2,4917 3,7386
Continua
130
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4106456 Coronel Domingos Soares 5 4 0,1011 0,0812
4106506 Coronel Vivida 19 20 1,6688 1,5123
4106555 Corumbatai do Sul 7 6 0,1717 0,1473
4106571 Cruzeiro do Iguacu 8 11 0,6144 0,8088
4106605 Cruzeiro do Oeste 9 10 0,4740 0,3732
4106704 Cruzeiro do Sul 5 3 0,1764 0,1063
4106803 Cruz Machado 8 13 0,9178 0,8556
4106852 Cruzmaltina 5 5 0,0885 0,4152
4106902 Curitiba 48 44 16,8997 18,3825
4107009 Curiuva 12 9 0,4557 0,4273
4107108 Diamante do Norte 9 9 0,3916 0,5320
4107124 Diamante do Sul 3 4 0,0380 0,0946
4107157 Diamante D Oeste 4 5 0,0530 0,0780
4107207 Dois Vizinhos 16 16 1,9039 1,9136
4107256 Douradina 7 14 0,2843 2,1701
4107306 Doutor Camargo 12 11 0,6397 0,5668
4107405 Eneas Marques 8 10 0,3078 0,3258
4107504 Engenheiro Beltrao 7 13 0,3748 0,5877
4107520 Esperanca Nova 4 5 0,0903 0,1096
4107538 Entre Rios do Oeste 9 11 0,5761 0,9340
4107546 Espigao Alto do Iguacu 6 6 0,1309 0,1092
4107553 Farol 3 3 0,0356 0,0375
4107603 Faxinal 14 18 0,6578 1,0150
4107652 Fazenda Rio Grande 17 18 1,5532 1,6313
4107702 Fenix 7 9 0,3623 0,4611
4107736 Fernandes Pinheiro 7 9 0,3199 0,4000
4107751 Figueira 11 12 1,6995 4,1328
4107801 Florai 7 10 0,2342 0,3663
4107850 Flor da Serra do Sul 5 9 0,2042 0,5712
4107900 Floresta 10 12 0,6097 1,5366
4108007 Florestopolis 4 5 0,3591 0,1803
4108106 Florida 9 9 0,2255 0,6341
4108205 Formosa do Oeste 14 16 0,6414 0,6442
4108304 Foz do Iguacu 29 30 9,4253 13,2704
4108320 Francisco Alves 8 9 0,3139 0,3617
4108403 Francisco Beltrao 25 31 5,2783 3,5772
4108452 Foz do Jordao 10 8 0,8394 0,4413
4108502 General Carneiro 10 13 1,1748 0,5748
4108551 Godoy Moreira 6 4 0,3277 0,1702
4108601 Goioere 15 21 2,0793 2,1575
4108650 Goioxim 6 8 0,1428 0,1976
4108700 Grandes Rios 10 8 0,2563 0,1847
4108809 Guaira 22 24 1,9609 2,0043
4108908 Guairaca 5 4 0,0878 0,0578
4108957 Guamiranga 6 12 0,2591 0,3965
Continua
131
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4109005 Guapirama 7 8 0,8029 0,2089
4109104 Guaporema 6 3 0,1146 0,0354
4109203 Guaraci 8 7 0,4433 0,2736
4109302 Guaraniacu 15 19 1,5451 0,8018
4109401 Guarapuava 22 27 2,0889 3,8766
4109500 Guaraquecaba 6 9 0,2256 0,2549
4109609 Guaratuba 13 15 1,3649 1,3114
4109658 Honorio Serpa 5 7 0,1503 0,2194
4109708 Ibaiti 12 16 1,7463 1,7853
4109757 Ibema 7 9 0,1336 0,4443
4109807 Ibipora 22 22 3,3058 2,0411
4109906 Icaraima 9 8 0,2392 0,3364
4110003 Iguaracu 11 15 0,6168 1,6366
4110052 Iguatu 5 6 0,0724 0,1230
4110078 Imbau 12 12 1,5883 0,6064
4110102 Imbituva 8 7 0,9902 0,8162
4110201 Inacio Martins 7 10 0,2293 0,3585
4110300 Inaja 6 5 0,1563 0,1339
4110409 Indianopolis 7 4 0,1905 0,0919
4110508 Ipiranga 8 12 0,2082 0,6889
4110607 Ipora 12 15 0,6954 0,6212
4110656 Iracema do Oeste 6 8 0,3068 0,3045
4110706 Irati 19 21 1,7820 1,9782
4110805 Iretama 6 8 0,1884 0,3525
4110904 Itaguaje 7 6 0,2112 0,1712
4110953 Itaipulandia 11 10 0,6996 0,4252
4111001 Itambaraca 12 11 0,9163 0,4856
4111100 Itambe 9 10 0,2589 0,5885
4111209 Itapejara D Oeste 9 10 0,5595 1,7358
4111258 Itaperucu 14 12 1,1982 0,5761
4111308 Itauna do Sul 6 9 0,1551 0,3725
4111407 Ivai 12 17 0,5696 0,7769
4111506 Ivaipora 23 19 3,1940 2,3242
4111555 Ivate 4 6 0,3268 0,4749
4111605 Ivatuba 5 3 0,0815 0,1273
4111704 Jaboti 6 10 0,1551 0,3853
4111803 Jacarezinho 17 18 2,5377 2,5322
4111902 Jaguapita 9 7 0,7366 0,3958
4112009 Jaguariaiva 14 14 1,5866 0,7628
4112108 Jandaia do Sul 15 21 1,6136 1,4774
4112207 Janiopolis 7 9 0,1891 0,1815
4112306 Japira 6 9 0,1453 0,2211
4112405 Japura 9 11 0,6151 1,0555
4112504 Jardim Alegre 11 15 0,4494 0,7101
4112603 Jardim Olinda 6 4 0,2318 0,0774
Continua
132
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4112702 Jataizinho 10 10 0,6383 0,4345
4112751 Jesuitas 9 17 0,4165 0,7835
4112801 Joaquim Tavora 8 4 0,5403 0,1598
4112900 Jundiai do Sul 4 4 0,1151 0,0628
4112959 Juranda 11 13 0,4339 0,6257
4113007 Jussara 8 5 0,4506 0,4789
4113106 Kalore 10 9 0,5838 0,4812
4113205 Lapa 18 12 1,7437 1,0456
4113254 Laranjal 3 6 0,0890 0,1431
4113304 Laranjeiras do Sul 18 18 1,6308 1,1660
4113403 Leopolis 5 3 0,2327 0,0776
4113429 Lidianopolis 6 9 0,1950 0,3119
4113452 Lindoeste 8 8 0,2192 0,4569
4113502 Loanda 12 13 1,0413 0,9422
4113601 Lobato 10 8 0,5683 0,4639
4113700 Londrina 48 45 12,5209 10,0110
4113734 Luiziana 9 6 0,8617 0,2799
4113759 Lunardelli 7 11 0,1908 0,4541
4113809 Lupionopolis 7 11 0,3029 0,4616
4113908 Mallet 11 8 0,6401 0,5386
4114005 Mambore 10 10 0,6620 0,4322
4114104 Mandaguacu 16 16 0,7134 1,0528
4114203 Mandaguari 21 15 2,8756 1,3957
4114302 Mandirituba 20 19 2,2848 1,8955
4114351 Manfrinopolis 6 5 0,2407 0,2303
4114401 Mangueirinha 11 11 0,6585 0,7231
4114500 Manoel Ribas 14 18 1,1993 1,1532
4114609 Marechal Candido Rondon 21 22 2,5203 1,8776
4114708 Maria Helena 5 8 0,1171 0,3057
4114807 Marialva 17 19 2,0584 1,3475
4114906 Marilandia do Sul 10 12 0,3974 0,6209
4115002 Marilena 7 7 0,2041 0,6453
4115101 Mariluz 7 8 0,2305 0,2678
4115200 Maringa 40 37 7,1391 5,3912
4115309 Mariopolis 14 11 1,0252 0,6053
4115358 Maripa 13 14 0,5594 0,5589
4115408 Marmeleiro 17 16 1,1648 0,8057
4115457 Marquinho 4 8 0,0602 0,2162
4115507 Marumbi 7 9 0,3071 0,4841
4115606 Matelandia 6 4 0,4579 0,2871
4115705 Matinhos 15 15 1,6001 1,2457
4115739 Mato Rico 2 3 0,0162 0,0337
4115754 Maua da Serra 9 16 1,0615 1,8147
4115804 Medianeira 12 15 1,9171 1,2957
4115853 Mercedes 10 11 0,4058 0,3809
Continua
133
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4115903 Mirador 3 4 0,0408 0,1101
4116000 Miraselva 6 4 0,3143 0,1639
4116059 Missal 15 13 0,8804 0,5856
4116109 Moreira Sales 7 10 0,3692 0,3171
4116208 Morretes 16 19 2,7619 2,1053
4116307 Munhoz de Melo 5 7 0,1449 0,3311
4116406 Nossa Senhora das Gracas 5 6 0,0815 0,1637
4116505 Nova Alianca do Ivai 6 6 0,1425 0,1467
4116604 Nova America da Colina 2 6 0,1300 0,4669
4116703 Nova Aurora 13 10 0,8562 0,5372
4116802 Nova Cantu 7 11 0,1707 0,6258
4116901 Nova Esperanca 16 19 0,8481 0,9614
4116950 Nova Esperanca do Sudoeste 7 14 0,2372 0,5577
4117008 Nova Fatima 10 11 0,8297 0,8096
4117057 Nova Laranjeiras 6 11 0,1837 0,3473
4117107 Nova Londrina 10 12 0,6484 0,6441
4117206 Nova Olimpia 5 7 0,1307 0,2548
4117214 Nova Santa Barbara 7 10 0,4472 0,6058
4117222 Nova Santa Rosa 14 22 1,2569 1,3937
4117255 Nova Prata do Iguacu 9 18 0,7525 1,6321
4117271 Nova Tebas 7 5 0,2388 0,1072
4117297 Novo Itacolomi 8 7 0,1863 0,1485
4117305 Ortigueira 11 12 0,6662 1,9788
4117404 Ourizona 8 8 0,5532 0,4141
4117453 Ouro Verde do Oeste 6 8 0,3107 0,3794
4117503 Paicandu 15 20 1,5557 1,9459
4117602 Palmas 11 10 1,4911 0,6960
4117701 Palmeira 17 13 1,3497 0,9872
4117800 Palmital 10 12 1,4516 0,6235
4117909 Palotina 18 9 2,2915 0,3717
4118006 Paraiso do Norte 7 6 0,2834 0,1751
4118105 Paranacity 3 5 0,1181 0,2745
4118204 Paranagua 21 18 2,9848 3,3245
4118303 Paranapoema 7 6 0,2585 0,2282
4118402 Paranavai 22 16 2,6115 2,0488
4118451 Pato Bragado 14 16 1,2353 0,7482
4118501 Pato Branco 27 26 4,2181 3,8338
4118600 Paula Freitas 10 11 0,7610 0,4910
4118709 Paulo Frontin 12 13 0,4076 0,5235
4118808 Peabiru 11 19 0,7701 1,5894
4118857 Perobal 5 7 0,4155 0,4728
4118907 Perola 5 13 0,2331 1,3538
4119004 Perola D Oeste 11 16 0,4532 1,2737
4119103 Pien 8 6 0,5555 0,3922
4119152 Pinhais 36 29 7,2041 5,3602
Continua
134
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4119202 Pinhalao 6 10 0,2662 0,3811
4119251 Pinhal de Sao Bento 5 9 0,0841 0,4060
4119301 Pinhao 7 9 0,3840 0,8367
4119400 Pirai do Sul 12 11 0,7254 0,6310
4119509 Piraquara 19 19 2,7304 1,6500
4119608 Pitanga 18 17 0,9185 1,1596
4119657 Pitangueiras 11 8 0,4802 0,2928
4119707 Planaltina do Parana 8 9 0,3462 0,3630
4119806 Planalto 11 16 0,4361 0,7739
4119905 Ponta Grossa 35 35 6,3977 7,9314
4119954 Pontal do Parana 16 14 2,6006 1,5592
4120002 Porecatu 7 12 0,3388 0,4629
4120101 Porto Amazonas 7 7 0,4004 0,3620
4120150 Porto Barreiro 5 5 0,1917 0,0892
4120200 Porto Rico 8 11 0,5960 0,8337
4120309 Porto Vitoria 10 7 0,4890 0,1846
4120333 Prado Ferreira 11 6 1,5229 0,3851
4120358 Pranchita 15 16 1,1630 0,8440
4120408 Presidente Castelo Branco 12 15 0,7118 0,8578
4120507 Primeiro de Maio 9 14 0,4180 0,8363
4120606 Prudentopolis 16 21 0,8782 1,2371
4120655 Quarto Centenario 6 6 0,2357 0,1816
4120705 Quatigua 14 12 0,7706 0,4587
4120804 Quatro Barras 14 16 1,8524 1,9644
4120853 Quatro Pontes 17 17 1,1348 0,9739
4120903 Quedas do Iguacu 13 15 1,1813 1,0903
4121000 Querencia do Norte 9 12 0,6777 0,7174
4121109 Quinta do Sol 5 9 0,0926 0,2953
4121208 Quitandinha 11 15 0,5521 1,2337
4121257 Ramilandia 6 6 0,2117 0,2382
4121307 Rancho Alegre 6 6 0,2158 0,1940
4121356 Rancho Alegre D Oeste 6 5 0,1529 0,1142
4121406 Realeza 21 19 2,1963 1,2382
4121505 Reboucas 11 16 0,4309 0,7635
4121604 Renascenca 12 16 0,7513 0,8576
4121703 Reserva 9 10 1,7903 0,3222
4121752 Reserva do Iguacu 7 7 0,3233 0,1706
4121802 Ribeirao Claro 11 16 0,5783 1,0906
4121901 Ribeirao do Pinhal 10 15 0,6129 0,7511
4122008 Rio Azul 8 9 0,8856 0,6011
4122107 Rio Bom 6 14 0,1476 0,8523
4122156 Rio Bonito do Iguacu 11 12 0,5508 0,6174
4122172 Rio Branco do Ivai 6 7 0,1346 0,2738
4122206 Rio Branco do Sul 17 15 1,4239 0,9742
4122305 Rio Negro 17 19 2,5502 2,5423
Continua
135
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4122404 Rolandia 12 15 0,7604 1,5790
4122503 Roncador 8 12 0,3789 0,4697
4122602 Rondon 4 5 0,1260 0,1305
4122651 Rosario do Ivai 6 8 0,2226 0,1432
4122701 Sabaudia 10 12 1,1065 1,0660
4122800 Salgado Filho 9 9 0,2135 0,2916
4122909 Salto do Itarare 3 5 0,0657 0,1941
4123006 Salto do Lontra 12 15 0,8358 0,7533
4123105 Santa Amelia 6 5 0,1228 0,1965
4123204 Santa Cecilia do Pavao 9 9 0,3128 0,2890
4123303 Santa Cruz de Monte Castelo 9 13 0,4848 0,5632
4123402 Santa Fe 10 14 0,6805 0,6877
4123501 Santa Helena 12 19 1,0771 1,3424
4123600 Santa Ines 6 5 0,3011 0,3101
4123709 Santa Isabel do Ivai 13 14 0,6905 1,1227
4123808 Santa Izabel do Oeste 11 13 0,5350 0,4559
4123824 Santa Lucia 5 9 0,1417 0,2569
4123857 Santa Maria do Oeste 8 7 0,2613 0,1253
4123907 Santa Mariana 10 15 0,4082 0,9637
4123956 Santa Monica 7 6 0,1709 0,1261
4124004 Santana do Itarare 5 9 0,0948 0,2355
4124020 Santa Tereza do Oeste 18 22 1,3131 1,3251
4124053 Santa Terezinha de Itaipu 24 22 2,1392 7,8731
4124103 Santo Antonio da Platina 16 26 1,2565 2,1530
4124202 Santo Antonio do Caiua 4 6 0,1411 0,2018
4124301 Santo Antonio do Paraiso 6 5 0,4608 0,3104
4124400 Santo Antonio do Sudoeste 7 10 0,3818 0,5491
4124509 Santo Inacio 4 1 0,2435 0,0241
4124608 Sao Carlos do Ivai 5 9 0,2589 0,4569
4124707 Sao Jeronimo da Serra 9 10 0,3575 0,5760
4124806 Sao Joao 9 4 0,5486 0,1230
4124905 Sao Joao do Caiua 5 7 0,5610 0,6121
4125001 Sao Joao do Ivai 12 14 0,8936 0,5515
4125100 Sao Joao do Triunfo 7 8 0,2211 0,1890
4125209 Sao Jorge D Oeste 14 17 0,8702 1,0803
4125308 Sao Jorge do Ivai 10 9 0,6676 0,5078
4125357 Sao Jorge do Patrocinio 7 10 0,4186 0,4462
4125407 Sao Jose da Boa Vista 6 6 0,2560 0,1459
4125456 Sao Jose das Palmeiras 5 8 0,2263 0,3849
4125506 Sao Jose dos Pinhais 29 26 8,9835 6,4205
4125555 Sao Manoel do Parana 3 4 0,0446 0,0657
4125605 Sao Mateus do Sul 18 14 1,9961 1,9744
4125704 Sao Miguel do Iguacu 18 18 1,4891 0,9416
4125753 Sao Pedro do Iguacu 7 10 0,4340 0,2283
4125803 Sao Pedro do Ivai 6 6 0,3570 0,3517
Continua
136
Diversidade Índice de Complexidade Econômica
Município Nome do Município
2010 2020 2010 2020
4125902 Sao Pedro do Parana 8 10 0,5989 0,7432
4126009 Sao Sebastiao da Amoreira 9 10 0,2450 0,4152
4126108 Sao Tome 6 7 0,3518 0,4588
4126207 Sapopema 6 12 0,1275 0,6257
4126256 Sarandi 18 21 1,6233 1,8285
4126272 Saudade do Iguacu 15 14 4,1016 1,3786
4126306 Senges 11 8 0,5008 0,3974
4126355 Serranopolis do Iguacu 6 12 0,2166 0,4971
4126405 Sertaneja 12 9 0,8492 0,6205
4126504 Sertanopolis 9 12 0,3350 0,6419
4126603 Siqueira Campos 11 9 0,8294 1,5279
4126652 Sulina 6 8 0,1860 0,2341
4126678 Tamarana 12 13 0,6445 1,0564
4126702 Tamboara 9 12 0,5747 0,8986
4126801 Tapejara 8 7 0,5615 0,3702
4126900 Tapira 5 7 0,2805 0,2088
4127007 Teixeira Soares 8 14 0,5268 1,6985
4127106 Telemaco Borba 10 12 0,7867 0,7189
4127205 Terra Boa 10 10 0,6439 0,6522
4127304 Terra Rica 5 8 0,1738 0,4283
4127403 Terra Roxa 10 16 0,7359 0,9630
4127502 Tibagi 11 11 0,6517 0,7160
4127601 Tijucas do Sul 12 12 0,8681 0,5690
4127700 Toledo 18 18 3,2951 3,8690
4127809 Tomazina 12 16 0,5647 0,9322
4127858 Tres Barras do Parana 9 13 0,2667 0,4162
4127882 Tunas do Parana 6 8 0,2159 0,3492
4127908 Tuneiras do Oeste 7 8 0,3342 0,2652
4127957 Tupassi 10 12 0,4411 0,4174
4127965 Turvo 11 10 0,8404 0,6906
4128005 Ubirata 15 6 0,6632 0,4483
4128104 Umuarama 22 24 2,3350 2,1842
4128203 Uniao da Vitoria 17 20 1,8488 1,6098
4128302 Uniflor 5 6 0,0863 0,1847
4128401 Urai 9 12 0,6575 0,4588
4128500 Wenceslau Braz 15 17 0,9093 1,1265
4128534 Ventania 6 7 0,2374 0,2341
4128559 Vera Cruz do Oeste 12 14 0,5894 0,5937
4128609 Vere 11 12 0,3730 0,5461
4128625 Alto Paraiso 4 8 0,1508 0,6641
4128633 Doutor Ulysses 5 3 0,1604 0,0719
4128658 Virmond 10 12 0,4277 0,5494
4128708 Vitorino 15 16 1,3664 0,7827
4128807 Xambre 6 6 0,5525 0,3629
137
ANEXO A – Divisões do Cadastro Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 2.0)
Código Divisão
1 Agricultura, Pecuária e Serviços Relacionados
2 Produção Florestal
3 Pesca e Aquicultura
4 Extração de Carvão Mineral
5 Extração de Petróleo e Gás Natural
6 Extração de Minerais Metálicos
7 Extração de Minerais Não-Metálicos
8 Atividades de Apoio À Extração de Minerais
9 Fabricação de Produtos Alimentícios
10 Fabricação de Bebidas
11 Fabricação de Produtos do Fumo
12 Fabricação de Produtos Têxteis
13 Confecção de Artigos do Vestuário e Acessórios
14 Preparação de Couros e Fabricação de Artefatos de Couro, Artigos para Viagem e Calçados
15 Fabricação de Produtos de Madeira
16 Fabricação de Celulose, Papel e Produtos de Papel
17 Impressão e Reprodução de Gravações
18 Fabricação de Coque, de Produtos Derivados do Petróleo e de Biocombustíveis
19 Fabricação de Produtos Químicos
20 Fabricação de Produtos Farmoquímicos e Farmacêuticos
21 Fabricação de Produtos de Borracha e de Material Plástico
22 Fabricação de Produtos de Minerais Não-Metálicos
23 Metalurgia
24 Fabricação de Produtos de Metal, Exceto Máquinas e Equipamentos
25 Fabricação de Equipamentos de Informática, Produtos Eletrônicos e Ópticos
26 Fabricação de Máquinas, Aparelhos e Materiais Elétricos
27 Fabricação de Máquinas e Equipamentos
28 Fabricação de Veículos Automotores, Reboques e Carrocerias
29 Fabricação de Outros Equipamentos de Transporte, Exceto Veículos Automotores
30 Fabricação de Móveis
31 Fabricação de Produtos Diversos
32 Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos
33 Eletricidade, Gás e Outras Utilidades
34 Captação, Tratamento e Distribuição de Água
35 Esgoto e Atividades Relacionadas
36 Coleta, Tratamento e Disposição de Resíduos
37 Descontaminação e Outros Serviços de Gestão de Resíduos
38 Construção de Edifícios
39 Obras de Infra-Estrutura
40 Serviços Especializados para Construção
41 Comércio e Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas
42 Comércio por Atacado, Exceto Veículos Automotores e Motocicletas
43 Comércio Varejista
44 Transporte Terrestre
Continua na próxima página
138
Código Divisão
45 Transporte Aquaviário
46 Transporte Aéreo
47 Armazenamento e Atividades Auxiliares dos Transportes
48 Correio e Outras Atividades de Entrega
49 Alojamento
50 Alimentação
51 Edição e Edição Integrada À Impressão
52 Atividades Cinematográficas, Produção de Vídeos e de Programas de Televisão
53 Atividades de Rádio e de Televisão
54 Telecomunicações
55 Atividades dos Serviços de Tecnologia da Informação
56 Atividades de Prestação de Serviços de Informação
57 Atividades de Serviços Financeiros
58 Seguros, Resseguros, Previdência Complementar e Planos de Saúde
Atividades Auxiliares dos Serviços Financeiros, Seguros, Previdência Complementar e Planos de
59
Saúde
60 Atividades Imobiliárias
61 Atividades Jurídicas, de Contabilidade e de Auditoria
62 Atividades de Sedes de Empresas e de Consultoria em Gestão Empresarial
63 Serviços de Arquitetura e Engenharia
64 Pesquisa e Desenvolvimento Científico
65 Publicidade e Pesquisa de Mercado
66 Outras Atividades Profissionais, Científicas e Técnicas
67 Atividades Veterinárias
68 Aluguéis Não-Imobiliários e Gestão de Ativos Intangíveis Não-Financeiros
69 Seleção, Agenciamento e Locação de Mão-De-Obra
70 Agências de Viagens, Operadores Turísticos e Serviços de Reservas
71 Atividades de Vigilância, Segurança e Investigação
72 Serviços para Edifícios e Atividades Paisagísticas
73 Serviços de Escritório, de Apoio Administrativo e Outros Serviços Prestados Às Empresas
74 Administração Pública, Defesa e Seguridade Social
75 Educação
76 Atividades de Atenção À Saúde Humana
Atividades de Atenção À Saúde Humana Integradas com Assistência Social, Prestadas em
77
Residências Coletivas e Particulares
78 Serviços de Assistência Social sem Alojamento
79 Atividades Artísticas, Criativas e de Espetáculos
80 Atividades Ligadas ao Patrimônio Cultural e Ambiental
81 Atividades de Exploração de Jogos de Azar e Apostas
82 Atividades Esportivas e de Recreação e Lazer
83 Atividades de Organizações Associativas
Reparação e Manutenção de Equipamentos de Informática e Comunicação e de Objetos Pessoais e
84
Domésticos
85 Outras Atividades de Serviços Pessoais
86 Serviços Domésticos
87 Organismos Internacionais e Outras Instituições Extraterritoriais