Centro de Ensino à Distância
Curso de Mestrado em Pedagogia e Didática
MODULO: POLÍTICAS E REFORMAS DA EDUCAÇÃO
TEMA: Reforma Curricular no Ensino Básico em Moçambique:
Professora:
Mestrando: Adelino Carlos Sequene
1
Resumo
A história de educação moçambicana subdivide-se em três principais períodos:
educação tradicional, educação colonial e educação pós independência. Salienta-se que
embora a educação tradicional se considere como um período, pelas suas características
ela atravessa em todos os períodos na medida em que é uma manifestação da cultura
autotene. A reforma curricular foi um processo longo que culmina em 2004 com a
introdução de novos programas, novos livros e novas abordagens, e este processo
enquadra-se no Plano Estratégico da Educação que define a reforma curricular como um
dos caminhos para a melhoria da qualidade da educação em Moçambique. Com efeito, o
principal desafio deste currículo é tornar o ensino mais relevante, no sentido de formar
cidadãos capazes de contribuir para a melhoria da sua vida, da vida da sua família, da
sua comunidade e do país. Neste sentido, o graduado, produto deste currículo, deverá
ser criativo e capaz de se questionar sobre a realidade, de modo a intervir sobre ela, em
benefício próprio e da sua comunidade. O presente trabalho faz uma análise descritiva
do processo de reforma curricular no ensino básico em Moçambique que teve lugar em
2004, onde a reforma do ensino básico pretendeu-se que o ensino fosse relevante, um
ensino que formasse cidadãos capazes de saber ser, estar e conviver com os outros e
saber fazer. Essa forma de pensar o ensino, fez com que houvesse a introdução de novas
disciplinas e a reestruturação do ensino básico.
Palavra-chave: Reforma Curricular, Educação Básica, Aproveitamento Pedagógico.
Summary
The history of Mozambican education is subdivided into three main periods: traditional
education, colonial education and post-independence education. It should be noted that
although traditional education is considered as a period, due to its characteristics it
crosses all periods to the extent that it is a manifestation of the autotene culture.
Curriculum reform has been a long process that culminates in 2004 with the
introduction of new programs, new books and new approaches, and this process is part
of the Strategic Plan for Education that defines curriculum reform as one of the ways to
improve the quality of education in Mozambique. In fact, the main challenge of this
curriculum is to make education more relevant, in the sense of forming citizens capable
of contributing to the improvement of their lives, the lives of their families, their
communities and the country. In this sense, the graduate, a product of this curriculum,
must be creative and capable of questioning himself about reality, in order to intervene
in the. The present work makes a descriptive analysis of the process of curricular reform
in basic education in Mozambique that took place in 2004, where the reform of basic
education was intended that teaching would be relevant, an education that would form
citizens capable of knowing how to be, being and living with others and knowing how
2
to do. This way of thinking about teaching led to the introduction of new disciplines and
the restructuring of basic education.
Keyword: Curriculum Reform, Basic Education, Pedagogical Achievement.
Índice
1. Introdução..................................................................................................................3
[Link].............................................................................................................4
2. Fundamentação Teórica.............................................................................................4
2.1. Reforma curricular no ensino básico em Moçambique no contexto da Prática e
dos Resultados...............................................................................................................4
[Link]ículo..................................................................................................................6
3. Educação Básica em Moçambique.............................................................................6
[Link] da introdução do currículo.................................................................6
[Link] inovações introduzidas no currículo do Ensino Básico......................................7
3.2.O papel do professor na gestão da inovação (ciclos de aprendizagem)..................8
[Link] mudanças na estrutura curricular........................................................................9
4. A Reforma Curricular no Ensino Básico em Moçambique tendo em conta as
questões sugeridas por Bowe e Ball no ciclo de análise de políticas..............................10
5. Apresentação e Discussão dos Resultados...............................................................12
[Link] sobre a implementação da reforma curricular do ensino básico de 2003,
em Moçambique ao Director Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia
da Matola.....................................................................................................................12
6. Conclusão.................................................................................................................14
7. Bibliografia..............................................................................................................15
3
1. Introdução
O presente ensaio, marca o fim do quarto módulo do curso de Mestrado em Pedagogia e
Didática subordinando-se ao seguinte tema: “Reforma Curricular no Ensino Básico em
Moçambique”. Os formuladores de políticas educacionais, educadores e outros
envolvidos na educação estão a procura de tornar o sistema educativo eficiente e eficaz,
a fim de identificar e resolver os problemas no sector e proporcionar uma educação de
qualidade para os educandos.
Em Moçambique, atualmente a educação é um tema amplamente discutido e as
reformas introduzidas no ensino primário criaram várias expectativas no que diz
respeito a melhoria do sistema educativo nacional por parte da sociedade moçambicana.
Pretendemos fazer uma análise da reforma curricular do ensino básico em Moçambique
tendo em conta as ações ou questões sugeridas por Bowe e Ball no ciclo de análise de
políticas, no caso da Reforma Curricular no Ensino Básico em Moçambique de 2003,
Em Moçambique à luz dos objectivos gerais do Sistema Nacional de Educação (SNE)
Lei nº 6/92 de 6 de Maio de 1992, um dos objectivos do ensino básico é capacitar a
criança para desenvolver valores e atitudes para a sociedade em que vive através da
educação. Com esse pressuposto um dos exemplos da tentativa de resposta a novos
desafios que a sociedade exige foram efectuadas algumas reformas que culminaram
com a introdução de certas inovações no currículo do ensino básico que teve o início da
sua implementação em 2004 com o propósito de melhorar o processo de ensino e
aprendizagem.
Estruturalmente e nos termos da Lei 6/92, o Sistema Nacional de Educação
moçambicano, compreende: o ensino pré-escolar (destinado a crianças até 6 anos),
ensino escolar (primário, secundário e universitário) e ensino extra – escolar (que se
realiza fóra do sistema regular de ensino). Interessa nesta nossa abordagem, a Ensino
Geral especificamente o nível primário, aqui entendido como Ensino Básico.
O presente trabalho tem como objectivo fazer uma análise do processo de reforma
curricular no ensino básico em Moçambique que teve lugar em 2004.
4
Os procedimentos metodológicos usados para a elaboração deste artigo, foi a pesquisa
do campo, usando as técnicas a entrevista estruturada e análise do conteúdo
bibliográfico.
1.1. Justificativas
O interesse sobre este tema surge no âmbito da inquietação pessoal pelos problemas de
educação em Moçambique e em particular pelo nível de aproveitamento escolar pós-
reforma curricular do ensino básico. Actualmente o aproveitamento escolar em
Moçambique é um tema que suscita grande debate ao nível da sociedade moçambicana,
quer através dos meios de comunicação social quer por conferências.
A Introdução de inovações no novo currículo do ensino básico trouxe bastante
expectativa ao nível da sociedade moçambicana suscitando várias opiniões, algumas
com muito otimismo e outras pouco cépticas, daí o meu interesse em aprofundar mais o
debate em torno da reforma curricular do ensino básico em Moçambique.
No âmbito social é bastante pertinente hoje discutir a reforma curricular do ensino
básico no que concerne ao aproveitamento escolar isto porque a sociedade é parte
interessante dos resultados do processo educativo como refere o plano curricular do
ensino básico, ao apontar que o ensino primário joga um papel importante no processo
de socialização das crianças, na transmissão de conhecimentos fundamentais como a
leitura, a escrita e o cálculo e de experiências comummente aceites pela nossa
sociedade.
2. Fundamentação Teórica
2.1. Reforma curricular no ensino básico em Moçambique no contexto da
Prática e dos Resultados.
De acordo com o Plano Curricular do Ensino Básico (PCEB) de 2003, a educação é um
processo pelo qual a sociedade prepara os seus membros para garantir a sua
continuidade e o seu desenvolvimento. Ainda de acordo com o mesmo documento trata-
se de um processo dinâmico que busca, continuamente, as melhores estratégias para
responder aos novos desafios que a continuidade, transformação e desenvolvimento da
sociedade impõem.
A educação desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de um país,
capacitando seus cidadãos e permitindo que eles alcancem seu máximo potencial. Em
Moçambique, a Reforma Curricular no Ensino Básico de 2003, foi um marco
importante na busca por uma educação de qualidade para todos os moçambicanos
5
Segundo PACHECO (2001, p.150), entende-se por reforma educativa a “uma
transformação da política educativa de um país a nível de estratégias, objectivos e
estratégias, objectivos e prioridades”. Esta transformação pode ser traduzida por
conceitos como: inovação, renovação, mudança e melhoria tendo como um elemento
comum a introdução de algo novo. Nessa óptica, a reforma curricular vai necessitar de
uma estratégia planificada para a modificação de certos aspectos do sistema educativo
de um país de acordo com um conjunto de necessidades, resultados específicos, meios e
métodos adequados.
Em Moçambique, de acordo com PCEB (2003), entende-se reforma curricular como o
conjunto de políticas, estratégias e acções adoptadas com vista a operar mudanças
qualitativas no Sistema Educativo. Pacheco (2001) afirma que utiliza-se o conceito de
reforma para as mudanças estruturais, organizacionais, e o de inovação para a mudança,
mais qualitativa, a de aspectos funcionais sendo certo que nem toda a mudança termina
numa inovação.
O PCEB (2003) enfatiza a ideia de que as reformas do ensino básico visam tornar o
ensino mais relevante, no sentido de formar cidadãos capazes de contribuir para a
melhoria da sua vida, da vida da sua família, da sua comunidade e do país, dentro do
espírito da preservação da unidade nacional, manutenção da paz e estabilidade nacional,
aprofundamento da democracia e respeito pelos direitos humanos, bem como da
preservação da cultura moçambicana. Esta visão está de acordo com a de Frago (2007),
segundo a qual, em toda reforma podem apreciar-se mudanças ou inovações concretas
aceites sem discussão nem resistências de difusão rápida após sua aprovação legal.
No nosso entender a análise da reforma educativa deve ter em conta aquilo que os
especialistas da educação propõem e como e que essas propostas são recebidas pelos
interveniente, nesse caso os professores e alunos e por fim a sua implementação na
pratica.
Antes da reforma, o sistema educacional moçambicano enfrentava diversos desafios,
como altas taxas de analfabetismo, falta de infraestrutura adequada e ausência de uma
base curricular sólida. O ensino estava centrado em um modelo tradicional, que
enfatizava a memorização e a reprodução de conhecimentos, sem estimular a
criatividade, a capacidade crítica e o pensamento independente dos alunos.
Portanto reforma curricular e o processo de fazer mudanças no currículo com a intenção
de tornar a aprendizagem e o ensino mais significativo e eficaz concretizando objectivos
definidos em uma nova política educativa para todo o país, tendo em vista produzir
alterações significativas no sistema educativo.
A reforma curricular de 2003 em Moçambique tinha como objetivo principal,
desenvolver um sistema educacional mais inclusivo, equitativo e de qualidade. Ela
6
estabeleceu uma nova estrutura curricular baseada em quatro pilares fundamentais:
conhecimentos, habilidades, atitudes e valores.
Outro aspecto importante da reforma curricular foi a valorização da cultura
moçambicana e da diversidade étnica do país. Os conteúdos curriculares passaram a
abordar temas relacionados à história, geografia, literatura e tradições de Moçambique,
permitindo que os alunos conhecessem e se orgulhassem de sua identidade cultural.
2.2. Currículo
De acordo com PCEB (2003), o currículo no sentido amplo, consiste na proposta
educativa de uma sociedade. Ainda segundo o mesmo o mesmo autor até há pouco
tempo, considerava-se que essa proposta estava sempre escrita e o que acontecia na vida
quotidiana era idêntico ao que estava escrito. Por isso, também, se usava o termo
currículo como sinónimo de documento oficial.
Como defende Pacheco (2001) o currículo pode ser entendido como um conjunto de
experiências educativas planeadas e organizadas pela escola, ou mesmo, de experiências
vividas pelos educandos sob a orientação directa da escola, que refere que no campo do
currículo convivem a inovação e a resistência a mudança e para tanto, haverá que
clarificar o seu sentido e alcance conceptual e pratico, evidenciar as suas possíveis
interacções com os contextos de construção e desenvolvimento do currículo e analisar o
seu possível impacto sobre a acção do professo.
Portanto no nosso entendimento, existem aspectos fundamentais quando se define o
currículo tais como: corresponder a um plano de estudos ou a um programa, muito
estruturado e organizado na base de objectivos, conteúdos e actividades e de acordo
com as disciplinas. Currículo é um conceito que admite uma multiplicidade de
interpretações e teorizações quanto ao seu processo de construção e mudança. Contudo,
refere se sempre ao conjunto de aprendizagens consideradas necessárias num dado
contexto e tempo e à organização e sequência adoptadas para o concretizar ou
desenvolver, isto e um conjunto dos pressupostos de partida, das metas que se desejam
alcançar e dos passos que se dão para alcançar; é um conjunto de conhecimentos,
habilidades, atitudes, etc.
3. Educação Básica em Moçambique
3.1. Pressupostos da introdução do currículo
Em Moçambique os pressupostos que nortearam a reforma e a consequente introdução
do novo currículo do ensino básico foram de acordo com o Plano Estratégico da
Educação (2012-2016) a estrutura e o conteúdo do currículo, desenvolvido, nos
princípios da década 80, têm-se mostrado cada vez mais inadequados para uma
economia em rápida mudança e para as exigências sociais.
Além disso, a actual estrutura curricular é demasiado rígida e prescritiva, deixando
pouca margem para adaptações aos níveis regional e local. A maior parte dos conteúdos,
7
que se lecciona na escola, é de uma relevância ou utilidade prática insignificante
(PCEB, 2003).
Segundo Guibundana (2013) a reforma curricular de 2004 foi justificada, por um lado,
pelas transformações ocorridas nas esferas política, social e económica, através da
introdução de um sistema político multipartidário, pela adopção de um modelo de
desenvolvimento económico baseado no mercado livre e pela descentralização da gestão
e da administração do Estado.
Por conseguinte, como forma de garantir uma melhor qualificação dos alunos por meio
de um currículo que reduzisse a distância existente entre a realidade por eles vivida e os
conteúdos escolares definidos pelo currículo. Dessa forma, era necessário construir um
currículo orientado, para a satisfação das necessidades básicas de aprendizagem dos
alunos e adequado à realidade sociocultural do país (Guibundana, 2013).
De acordo com o (Lei nº6/92 do SNE), o currículo em causa foi introduzido após um
período prolongado da sua elaboração, que contou com a colaboração de vários sectores
da sociedade, incluindo os actores directos da educação. Portanto o currículo surge em
resposta às exigências da sociedade para o tornar mais relevante, inclusivo e adequado
aos desafios que a mesma enfrentava tendo em conta um dos objectivos do ensino
básico é capacitar a criança para desenvolver valores e atitudes para a sociedade em que
vive através da educação.
Portanto no nosso entender, a transformação curricular do ensino básico visa responder
a três questões, nomeadamente: a expansão das oportunidades educativas, a melhoria da
qualidade do ensino e uma administração escolar descentralizada.
3.2. As inovações introduzidas no currículo do Ensino Básico
De acordo com PCEB (2003) a avaliação é um instrumento do processo de ensino,
através do qual se pode comprovar como estão a ser cumpridos os objectivos e as
finalidades da educação. Ainda segundo o mesmo documento ela permite melhorar ou
adaptar as estratégias de ensino face aos objectivos propostos, os conteúdos e condições
concretas existentes deve, pois, ser concebida como um processo dinâmico, contínuo e
sistemático que acompanha todo o processo de ensino-aprendizagem.
O Regulamento Geral de Avaliação do Ensino Primário, Ensino Secundário Geral e
Alfabetização e Educação de Adultos no seu artigo n°1 define avaliação como sendo
uma componente curricular, presente em todo o processo de ensino-aprendizagem, a
partir da qual se obtêm dados e informações, permitindo relacionar o que foi proposto e
o que foi alcançado, analisar criticamente os resultados, formular juízos de valor e
tomar decisões, visando promover o desenvolvimento de competências, melhorar a
qualidade de ensino e do sistema educativo.
No nosso entendimento, não existe reforma curricular que não mude as normativas de
avaliação do rendimento dos alunos a avaliação adquire uma nova concepção ao ser
8
pensada como sinónimo de sucesso educativo, devendo a escola estar estruturalmente
ordenada para a progressão do aluno, por norma e deve ser feita por ciclo.
3.3. O papel do professor na gestão da inovação (ciclos de aprendizagem)
Na óptica de Guibundana (2013), a formação docente é fundamental para o sucesso de
qualquer currículo e para a melhoria na qualidade de ensino. Ainda segundo o mesmo
autor, o novo currículo do ensino básico no país apresentou inovações que exigem do
professor uma visão fundamentada na integração.
No entanto uma das grandes dificuldades de qualquer inovação em surtir efeitos
desejados é a formação contínua dos professores ao nível das escolas devido a
possibilidades e dificuldades de inovação no seio das escolas
De acordo com Villar (1993), defende que efectivamente, a inovação é um processo
complexo que, envolvendo variáveis muito diferentes entre si, implica estratégias
articuladas e, também, o estabelecimento de uma estrutura de papéis complementares
entre os “agentes” implicados em torno de uma organização que é a escola histórica e
socialmente construída pelos membros que a compõem (administradores da educação,
professores, alunos, pais e outros agentes sociais).
De acordo com PCEB (2003) a chave do sucesso da implementação dos propósitos do
presente Plano Curricular está nas mãos do professor. Efectivamente, o desempenho do
professor constitui um factor de relevo para o sucesso escolar. Um bom desempenho do
professor depende, em larga medida, da sua formação. Não obstante o PCEB (2003)
fazer referência a importância da formação de professores não havia na altura da
introdução do currículo em 2004 um plano de formação contínua de professores para
responderem as reformas introduzidas no currículo, como afirma Nhantumbo (2000), “a
falta de recursos humanos qualificados e treinados nos moldes da reforma, dos recursos
financeiros e materiais colocam enormes desafios à implementação da reforma
O mesmo documento considera ainda que existem outros factores que concorrem para
esta situação como a ausência de participação dos profissionais de educação (os
professores) na elaboração das políticas de educação em Moçambique e o facto de que,
apesar de o PCEB ter considerado duas premissas como estratégias para a formação de
professores no contexto das inovações curriculares introduzidas, designadamente a
formação inicial e a em exercício ou contínua, ainda não havia no país programas dessas
formações aquando da inovação curricular em 2003.
3.4. As mudanças na estrutura curricular
A reforma curricular do Ensino Básico em Moçambique deu início às seguintes
inovações: a introdução de Ciclos de Aprendizagem; o Ensino Básico Integrado; o
9
Currículo Local; a progressão por ciclos de aprendizagem; a introdução das Línguas
Moçambicanas; a introdução da Língua Inglesa, Oficios, Educação Moral e Cívica e
Educação Musical. Para uma melhor compreensão dessas mudanças curriculares, a
seguir são apresentadas, de forma detalhada, cada uma delas. A primeira inovação se
relaciona aos ciclos de aprendizagem, que constituíram uma nova organização na
estrutura do sistema no ensino básico, com o objetivo de facilitar o desenvolvimento de
habilidades e competências específicas. Desse modo, apesar da manutenção do ensino
básico de sete classes subdivididos em dois graus (EP113) e (EP2)14, o 1º grau
compreende da 1ª a 5ª classes enquanto o 2º grau, a 6ª e 7ª classes.
A segunda inovação diz respeito ao Ensino Básico Integrado, caracterizado por
desenvolver no aluno, habilidades, conhecimentos e valores de forma articulada e
integrada de todas as áreas de aprendizagem, que compõem o currículo, conjugados
com as atividades extra-curriculares e apoiado por um sistema de avaliação, que integra
as componentes sumativas e formativa, sem perder de vista a influência do currículo
oculto (MOÇAMBIQUE, 1999, p.26).
Sendo assim, a estrutura curricular do ensino básico não deve considerar as disciplinas
que a compõem como estanques ou como compartimentos fechados, mas com a
perspectiva de possibilitar uma integração entre elas, de modo a permitir que o aluno
construa o conhecimento de forma mais articulada e abrangente, propiciando o
desenvolvimento integral e harmonioso das diferentes áreas do saber que constituem o
ensino básico.
Uma das inovações do novo currículo diz respeito particularmente ao sistema de
avaliação, com a adoção de um sistema de promoção dos alunos por ciclo de
aprendizagem, que consiste na transição dos educandos de um ciclo para o outro. Para
que esse sistema tenha sucesso, pressupõem-se a criação de condições de aprendizagem
para que todos os alunos atinjam os objectivos mínimos de um determinado ciclo, o que
lhes possibilita a progressão para estágios seguintes. Estas condições assentam,
fundamentalmente, numa avaliação predominantemente formativa, onde o processo de
ensino-aprendizagem está centrado no aluno, e permite por um lado, que se obtenha
uma imagem o mais fiável possível do desempenho do aluno em termos de
competências básicas descritas no currículo e, por outro, o de servir como mecanismo
de retroalimentação do processo de ensino aprendizagem (MOÇAMBIQUE, 2003, p.
28).
4. A Reforma Curricular no Ensino Básico em Moçambique tendo em conta as
questões sugeridas por Bowe e Ball no ciclo de análise de políticas.
Na área da educação, é essencial que haja constantes reformas curriculares para adequar
o ensino às necessidades e realidades dos alunos e do contexto em que estão inseridos.
Em Moçambique, essa necessidade não é diferente, e é preciso analisar o contexto da
prática e dos resultados obtidos para subsidiar as tomadas de decisão.
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Como pontuado por Bowe e Ball no ciclo de análise de políticas, é importante
considerar algumas questões ao se discutir a reforma curricular no ensino básico em
Moçambique. Primeiramente, é necessário entender quais são os objetivos e metas que
se espera alcançar com a reforma, tanto em termos de aprendizagem dos alunos como
em relação à formação de cidadãos críticos e participativos.
Além disso, é necessário avaliar o currículo atual, identificando seus pontos fortes e
fracos, bem como as possíveis lacunas em relação às necessidades e expectativas dos
alunos e da sociedade. Essa análise permitirá identificar os elementos que devem ser
mantidos, aqueles que podem ser aprimorados e quais são as novas abordagens que
devem ser introduzidas.
Outra questão importante é a análise dos recursos disponíveis para implementar a
reforma curricular. É necessário considerar se há recursos materiais, financeiros e
humanos suficientes para garantir o sucesso da reforma. Além disso, é preciso analisar
se os professores estão preparados e capacitados para implementar as mudanças
propostas, considerando a formação contínua e o apoio necessário.
Também é essencial considerar a participação da comunidade escolar e dos diferentes
atores envolvidos no processo educativo. Através de consultas, encontros e debates, é
importante garantir que todos os envolvidos tenham a oportunidade de expressar suas
opiniões, sugestões e preocupações em relação à reforma curricular. Isso contribuirá
para que as decisões tomadas estejam alinhadas com as reais necessidades e
expectativas.
É importante ressaltar que a reforma curricular não é um processo único e exclusivo,
mas sim um contínuo de ajustes e adaptações. É fundamental que sejam realizadas
avaliações periódicas para verificar a efetividade das mudanças implementadas,
identificar possíveis desafios e realizar os ajustes necessários.
Portanto, a reforma curricular no ensino básico em Moçambique requer uma análise
abrangente do contexto da prática e dos resultados obtidos. Ao considerar as questões
propostas por Bowe e Ball no ciclo de análise de políticas, será possível tomar decisões
fundamentadas e garantir que a educação esteja em constante evolução, proporcionando
uma experiência significativa e de qualidade para os alunos moçambicanos.
Vejamos então algumas articulações que fizemos tendo em conta a teoria do ciclo de
políticas sugeridas por Bowe e Ball.
Primeiro sustentar que analise que sustentarmos são resultados subjetivos de reflexão
individual, não dogmas ou afirmações absolutas, sem rescalde de reflexão.
A liado a isso podemos dizer que a reforma curricular no ensino básico em Moçambique
de 2003, não atendeu totalmente ao ciclo de política sugerido por Bowe e Ball, mas
incorporou algumas das suas recomendações.
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Bowe e Ball propuseram um ciclo de políticas educacionais compostas por três fases:
formulação, implementação e impacto. A fase de formulação envolve a definição dos
objetivos e estratégias da reforma. A fase de implementação refere-se à execução das
mudanças propostas. E a fase de impacto avalia os resultados alcançados e os efeitos da
reforma.
A reforma curricular em Moçambique de 2003, abordou a fase de formulação ao propor
novos objetivos e estratégias para o currículo do Ensino Básico. Foram definidos novos
conteúdos e competências a serem desenvolvidos pelos alunos, bem como uma nova
estrutura curricular.
No entanto, a reforma enfrentou desafios na fase de implementação. Houve falta de
recursos financeiros, materiais e humanos para garantir a plena execução das mudanças
propostas. Além disso, a capacitação dos professores para lidar com o novo currículo foi
insuficiente, o que afetou a qualidade da sua implementação.
Quanto à fase de impacto, existem poucas evidências disponíveis para avaliar os
resultados alcançados pela Reforma Curricular de 2003, em Moçambique. É importante
ressaltar que o impacto de uma reforma curricular pode levar algum tempo para ser
completamente observado. Portanto, embora a Reforma Curricular no Ensino Básico em
Moçambique de 2003, tenha incorporado a fase de formulação proposta por Bowe e
Ball, houve desafios significativos na implementação e os resultados finais da reforma
ainda não foram completamente avaliados.
5. Apresentação e Discussão dos Resultados
5.1. Entrevista sobre a implementação da reforma curricular do ensino básico de
2003, em Moçambique ao Director Serviço Distrital de Educação, Juventude
e Tecnologia da Matola
Quais foram os principais objetivos da reforma curricular na sua opinião e como você
enxergou esses objetivos sendo alcançados no contexto educacional?
2.R/. Na minha opinião, os principais objetivos da reforma curricular foram modernizar
o currículo, tornando-o mais relevante e contextualizado para os alunos; promover uma
educação mais inclusiva e equitativa, atendendo às necessidades de todos os estudantes;
e desenvolver habilidades e competências necessárias para o século XXI, como
pensamento crítico, colaboração e criatividade.
1. Quais foram os maiores desafios enfrentados durante a implementação da
reforma curricular do Ensino Básico de 2003?
2.R/. Um dos maiores desafios enfrentados durante a implementação da reforma
curricular do Ensino Básico de 2003, foi a resistência dos professores. Muitos
profissionais não estavam preparados para as mudanças propostas e sentiram-se
12
sobrecarregados com a demanda de atualização de práticas pedagógicas. Além disso, a
falta de recursos e de apoio adequado por parte das instituições educacionais dificultou
a adoção das novas orientações.
2. Desde a sua perspectiva, quais foram as principais mudanças observadas na
prática pedagógica após a adoção das novas orientações curriculares?
3.R/. Após a adoção das novas orientações curriculares, observei uma mudança na
prática pedagógica mais centrada no aluno. Houve uma valorização maior do trabalho
em equipe, da pesquisa, do pensamento crítico e da resolução de problemas. Também
foi notável uma maior diversificação de metodologias. No entanto, essas mudanças nem
sempre foram aplicadas de forma consistente em todas as escolas e turmas, devido a
resistências e dificuldades dos professores em implementá-las.
3. Como você percebeu a reação dos professores em relação à reforma curricular?
Houve resistência ou aceitação? Quais foram as principais preocupações
levantadas por eles?
4. R/. A reação dos professores em relação à reforma curricular foi mista. Houve tanto
resistência quanto aceitação. Os principais receios levantados pelos professores foram
sobre a falta de preparação adequada para as mudanças, a sobrecarga de trabalho, a falta
de recursos e apoio para implementar as novas orientações curriculares. Muitos
professores também se sentiram inseguros em relação ao abandono de métodos
tradicionais de ensino e a adoção de abordagens mais inovadoras.
4. Em sua opinião, como os estudantes receberam e se adaptaram às mudanças
propostas pela reforma curricular do Ensino Básico de 2003?
5.R/. A maneira como os estudantes receberam e se adaptaram às mudanças propostas
pela reforma curricular varia de acordo com cada aluno. Alguns estudantes se
beneficiaram das abordagens mais interativas e contextualizadas, encontrando maior
motivação e engajamento em sala de aula. No entanto, outros alunos enfrentaram
dificuldades em se adaptar a novas formas de aprendizagem e podem ter sido
prejudicados pela falta de suporte e preparação dos professores.
5. Quais recursos e apoios foram disponibilizados aos professores para facilitar a
implementação da reforma curricular? Eles foram suficientes?
6.R/. Durante a implementação da reforma curricular, foram disponibilizados recursos e
apoios aos professores, como formações e materiais didáticos atualizados. No entanto,
muitas vezes esses recursos foram insuficientes para atender à demanda e não chegaram
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a todas as escolas e professores. Além disso, foi percebida a falta de um
acompanhamento contínuo e suporte técnico para ajudar os professores a superarem os
desafios da implementação.
6. Houve mudanças significativas no currículo em termos de conteúdo? Se sim,
quais foram as principais alterações?
7.R/. Houve mudanças significativas no currículo em termos de conteúdo. Houve uma
ampliação do currículo para incluir novas disciplinas e temáticas, como educação
financeira, educação ambiental e cidadania. Também foi observada uma maior ênfase
em habilidades transversais, como a capacidade de resolver problemas complexos,
tomar decisões éticas e realizar pesquisa independente.
7. Quais foram os resultados observados com a implementação da reforma
curricular do Ensino Básico de 2003? Houve uma melhoria na qualidade da
educação?
8.R/. Os resultados observados com a implementação da reforma curricular do Ensino
Básico de 2003, são difíceis de generalizar, pois variam de acordo com a região e a
realidade de cada escola. No entanto, é possível afirmar que a qualidade da educação
melhorou em certos aspectos, como o desenvolvimento de competências
socioemocionais e a adoção de abordagens mais interativas e contextualizadas de
ensino. Porém, ainda existem desafios a serem superados em termos de implementação
efetiva das mudanças e equidade na oferta educacional.
6. Conclusão
A reforma curricular foi implementada em Moçambique em 2003, por diversas razões
ou motivações dentre ela foi a necessidade de adaptar o ensino às mudanças sociais,
económicas e tecnológicas em Moçambique. Pois um dos principais objetivos da
reforma curricular foi reestruturar o ensino básico para se adequar às necessidades e
realidades locais, promovendo uma educação de qualidade para todos os
moçambicanos. Nesse sentido, foram estabelecidas várias mudanças no currículo,
incluindo uma maior ênfase na alfabetização, matemática, ciências naturais e estudos
sociais.
Essa reforma foi implementada com mecanismos como: Elaboração de documentos
curriculares, formação de professores e disponibilidades de matérias didáticos, essas
ferramentas foram utilizadas na implementação do novo currículo nas escolas em todo
país. Os efeitos da implementação dessa reforma curricular foram variados, dentre eles
positivas e negativas, pois houve resistência na implementação desse novo pensar da
educação.
14
Por outro lado, houve mais inclusão e diversificação, criação de material didático a
nível nacional e autonomia das escolas e inclusão da comunidade através do conselho
de escola.
7. Bibliografia
MOÇAMBIQUE. Plano Estratégico de Educação e Cultura 2006-2010/2011.
Maputo, 2006.
Disponível 113 em. Acesso em 11 mar. 2013.
[Link]
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