Município PESQUEIRA
Aspectos Históricos
Desmembrado da comarca de Cimbres
Data de criação da vila de Cimbres: 03/04/1762 Por Alvará
Data de criação da vila de Pesqueira: 13/05/1836 Lei Provincial nº 20
Data cívica (aniversário da cidade): 20/04
Pesqueira tem seus antecedentes na vila de Cimbres, anteriormente conhecida por aldeia de Ararobá e povoação de
Monte Alegre, localizada em cima da serra de Ororubá. A colonização foi iniciada no século XVIII, com a chegada dos
jesuítas interessados na catequese dos índios xucurus e paratiós, que habitavam essa extensa serra. Ali eles
fundaram uma capela e um convento. Foi criada freguesia em 1692, pelo bispo D. Matias de Figueiredo e Mello.
Cimbres foi declarada vila em 03 de abril de 1762, pelo ouvidor geral e desembargador da comarca das Alagoas,
Manoel de Gouveia Álvares. No mesmo ato foi criado o termo e distrito. Na verdade, essa data corresponde à da
criação formal do município de Cimbres, que permaneceu com essa denominação até 1913, quando o Conselho
Municipal decidiu mudá-lo para o nome da sede, ou seja, município de Pesqueira. A criação da vila foi confirmada por
Carta Régia de 27 de abril de 1786.
A atual cidade de Pesqueira teve origem no mesmo local onde, ao pé da serra de Ororubá, no ano de 1800, o
capitão-mor Manoel José de Siqueira fundou uma fazenda, edificou uma grande casa para sua residência, além de
outras para moradores e senzalas para escravos. Em 1802 construiu uma pequena igreja sob a invocação de Nossa
Senhora Mãe dos Homens. A denominação de Fazenda do Poço de Pesqueira (ou do Pesqueiro) teve origem na
existência de um poço abundante em pescado, conhecido por todos os que por ali passavam como “poço da
pesqueira”, designação posteriormente simplificada para Pesqueira, denominando também a povoação. À luz da
historiografia local, não existem dúvidas que Manoel José de Siqueira preparou a sua fazenda para ser a futura sede
do termo, criando uma estrutura urbana avançada para a época, onde se destacava a presença de casas de sobrado,
casa de hospedagem e outras comodidades. A sua casa de residência é hoje a sede da Câmara Municipal.
Segundo a opinião de vários historiadores, inclusive Pereira da Costa, Cimbres foi a cabeça da comarca do Sertão,
criada por Alvará de 15 de janeiro de 1810, embora essa condição seja reivindicada por Flores. A partir de 1812,
correições eram ali realizadas pelos ouvidores da comarca do Sertão. Sendo a vila de Cimbres a sede da ouvidoria,
em 1813 foi nomeado ouvidor o Dr. Antônio José Barroso de Miranda Leite, que abriu a primeira correição, não na
vila de Cimbres, mas na fazenda denominada Pesqueira, no dia 30 de junho daquele ano. A segunda correição foi
aberta pelo mesmo ouvidor, em 1º de dezembro de 1814, na povoação do Brejo da Madre de Deus. Em 1833, em
decorrência do novo Código do Processo Criminal, que dividiu Pernambuco em comarcas, Cimbres ficou como termo
anexo do Brejo da Madre de Deus, cuja povoação era a sede da comarca. No mesmo ano foi criado o 3º Distrito de
Paz do termo de Cimbres, de função meramente judiciária.
Em breve, a povoação de Pesqueira alcançou nível de desenvolvimento capaz de suplantar e mesmo sufocar o
prestígio desfrutado por Cimbres, vila e sede administrativa, cujos ofícios públicos foram aos poucos transferidos para
a progressista povoação, até que a Lei Provincial nº 20, de 13 de maio de 1836, transferiu definitivamente a sede da
vila de Cimbres para Pesqueira, que passou à categoria de vila e cabeça do termo. Em virtude de Lei Provincial de 03
de dezembro de 1841, o termo foi desligado do Brejo da Madre de Deus, mas uma portaria da presidência da
Província, de 21 de novembro de 1842, tornou a anexá-lo ao Brejo. A partir de 1850 o desenvolvimento da vila
acentuou-se com mais vigor. Pelo Decreto nº 1.048, de 05 de outubro de 1852, o termo de Cimbres foi desanexado
do Brejo e criado nele o lugar de juiz municipal e de órfãos. Nesse mesmo ano de 1852 foi assentada a primeira
pedra da construção da igreja de Santa Águeda.
A Lei Provincial nº 966, de 25 de julho de 1870, criou o distrito e a freguesia de Santa Águeda, desmembrada das
freguesias de Cimbres, São Bento e Brejo. A antiga capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens serviu
provisoriamente de matriz da freguesia até 1889, quando foi concluída a igreja Matriz de Santa Águeda, hoje Catedral
da Diocese de Pesqueira. A comarca de Pesqueira foi criada pela Lei Provincial nº 1.057, de 07 de junho de 1872,
quando Cimbres era o distrito sede, sendo instalada no mesmo ano pelo seu primeiro juiz de Direito, Francisco
Brandão Cavalcanti. Atualmente é comarca de 2ª entrância. A Lei Provincial nº 1.408, de 12 de maio de 1879, criou o
distrito de Alagoinha, anexado a Cimbres.
A Lei Provincial nº 1.484, de 20 de abril de 1880, elevou a vila à categoria de cidade, com o nome de Santa Águeda
de Pesqueira, designação que não se popularizou e, a exemplo do que acontecera com o nome primitivo da época da
fazenda, ficou sendo conhecida e tratada simplesmente por Pesqueira. Pela ordem cronológica foi a 15ª cidade
pernambucana e, na região sertaneja, onde se achava encravada antes da divisão em zonas fisiográficas, era a única
cidade existente. Nessa ocasião já existiam cerca de 300 casas de pedra e cal, um comércio bastante desenvolvido e
uma vida social que se tornou movimentada nos anos seguintes, com a fundação de uma biblioteca, instrução pública
com cursos primário e secundário, sociedade hípica e sua primeira banda de música.
Em decorrência do regime republicano, o município de Pesqueira foi constituído no dia 04 de março de 1893,
adquirindo autonomia legislativa, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei
Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 03 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre
José Barbosa Lima. Nessa ocasião o município foi dividido em quatro distritos administrativos: Pesqueira, Alagoinha
(hoje município), Poção (hoje município) e Cimbres. O primeiro prefeito foi o tenente-coronel André Bezerra do Rego
Barros. O município foi instalado no dia 03 de agosto de 1893, ainda com o nome de Cimbres, mas com sede em
Pesqueira, seu primeiro distrito.
A partir de 1898 a cidade ganhou uma característica rara no Agreste daquela época, com a instalação das indústrias
de doces e, posteriormente, de beneficiamento de tomate. Com isso, intensificou-se o progresso do município,
consolidado com a inauguração da estrada de ferro, em 06 de fevereiro de 1907. No dia 05 de dezembro de 1910 foi
criada a Diocese de Pesqueira. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído por
cinco distritos: Pesqueira, Alagoinha, Poção, Cimbres e Salobro. Pela Lei Municipal nº 18, de 12 de novembro de
1912, foram criados os distritos de Sanharó e Rio Branco, anexados a Pesqueira. Em 1913 o município de Cimbres
passou a ser chamado de Pesqueira.
Nos quadros de apuração do Recenseamento Geral de 1º de setembro de 1920, o município aparece com sete
distritos: Pesqueira, Alagoinha, Poção, Salobro, Sanharó, Cimbres e Rio Branco. Este último distrito foi desmembrado
de Pesqueira e elevado à condição de município (atual município de Arcoverde) pela Lei Estadual nº 1.931, de 11 de
setembro de 1928. Pela Lei Municipal nº 142, de 30 de novembro de 1928, foi criado o distrito de Mimoso,
subordinado a Pesqueira. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933 o município é formado por sete
distritos: Pesqueira, Alagoinha, Poção, Cimbres, Salobro, Sanharó e Mimoso, assim permanecendo em divisões
datadas de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937.
O Decreto-lei Estadual nº 235, de 09 de dezembro de 1938, criou o distrito de Jenipapo, com território desmembrado
dos distritos de Poção e Sanharó. No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído
por oito distritos: Pesqueira, Alagoinha, Cimbres, Jenipapo, Mimoso, Salobro, Sanharó e Poção. O distrito de
Alagoinha foi desmembrado de Pesqueira e elevado à categoria de município pela Lei Estadual nº 421, de 31 de
dezembro de 1948. A Lei Municipal nº 217, de 30 de agosto de 1952, criou o distrito de Mutuca, anexado a
Pesqueira, com território desmembrado de parte do distrito de Poção. A Lei Estadual nº 1.818, de 29 de dezembro de
1953, desmembrou de Pesqueira o distrito de Poção e o elevou à categoria de município. Em divisão territorial datada
de 31 de dezembro de 1968 o município é constituído por seis distritos: Pesqueira, Cimbres, Mimoso, Mutuca,
Papagaio (criado pela Lei Municipal nº 67, de 04 de março de 1967) e Salobro, assim permanecendo em divisão de
2005.
Fontes:
Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. Recife: CEHM, 2006. v. 3.
ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. v. 18.
FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: CEPE, 2009.
GALVÃO, Sebastião de V. Dicionário Corográfico, Histórico e Estatístico de Pernambuco. Recife: CEPE, 2006. v. 1 e 2.
PERNAMBUCO. Tribunal de Justiça. História das Comarcas Pernambucanas. 2ª ed. Recife, 2010.
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