O Inquérito Policial: Conceito, Natureza Jurídica, Finalidade e Procedimentos
O inquérito policial configura-se como uma das etapas mais relevantes da persecução
penal, sendo o ponto de partida das investigações que visam à apuração de infrações
penais e à identificação de seus autores. Trata-se de um procedimento administrativo
presidido, em regra, pela autoridade policial, que objetiva reunir elementos de
informação que sirvam de base para o oferecimento da denúncia ou que sustentem a
propositura da ação [Link] leciona o doutrinador Fernando Capez, o inquérito
policial é um “procedimento administrativo, de caráter preparatório, presidido pela
autoridade policial, com a finalidade de colher elementos de informação sobre a
ocorrência de uma infração penal e sua autoria, servindo de base para o oferecimento da
denúncia pelo titular da ação penal”. Não possui natureza jurisdicional, visto que não se
destina à imposição de sanções, mas à investigação preliminar dos fatos [Link]
natureza jurídica é, portanto, administrativa e inquisitiva. É considerado um
procedimento preparatório e não um processo em si.” A principal finalidade do
inquérito policial é fornecer elementos de convicção ao titular da ação penal (o
Ministério Público, na maioria dos casos) para que este possa decidir sobre o
oferecimento da denúncia, o requerimento de arquivamento ou a continuidade das
investigações.O inquérito policial possui diversas características que refletem sua
natureza e finalidade. Dentre elas, destacam-se: Escrito: Conforme o art. 9º do Código
de Processo Penal (CPP), o inquérito deve ser reduzido a escrito, de forma formalizada,
sendo vedada a realização de atos exclusivamente orais. Todos os elementos produzidos
precisam estar documentados nos autos. Sigiloso: O inquérito pode ser conduzido sob
sigilo, sobretudo para preservar a eficácia das investigações e a integridade das provas.
O sigilo é especialmente importante nos casos em que a publicidade poderia frustrar
diligências em andamento. Todavia, o sigilo não é absoluto, devendo ser respeitados os
direitos da defesa, como o acesso aos elementos já documentados e não sujeitos a
diligência em curso, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.
Inquisitivo: O procedimento não é regido pelos princípios do contraditório e da ampla
defesa, uma vez que não há, nessa fase, uma acusação formal. O objetivo é levantar
elementos de informação, e não discutir a culpabilidade do [Link]ário:
A autoridade policial possui certa liberdade na condução das investigações, podendo
definir quais diligências são necessárias e em que ordem serão realizadas, desde que
dentro dos limites legais e com respeito aos direitos [Link]ível: O
inquérito não pode ser arquivado pela autoridade policial por sua própria iniciativa.
Apenas o Ministério Público, nos crimes de ação penal pública, tem competência para
requerer o arquivamento ao Poder Judiciá[Link]: O inquérito é conduzido por
órgãos estatais competentes, geralmente pelas polícias judiciárias – Polícia Civil, nos
crimes estaduais, e Polícia Federal, nos crimes [Link]: Trata-se de um
meio para um fim – o oferecimento, ou não, da denúncia. Não é uma fase do processo
penal, mas um procedimento pré-processual voltado à formação da opinio delicti do
titular da ação [Link]ário: Embora o CPP não estabeleça um prazo rígido para
todas as hipóteses, existem prazos orientativos, como o de 10 dias para conclusão do
inquérito com indiciado preso (art. 10 do CPP), e 30 dias se o indiciado estiver solto,
salvo prorrogação [Link] características demonstram que o inquérito policial é
uma peça preliminar, de natureza informativa, com o propósito de instrumentalizar o
exercício da ação penal.
O inquérito pode ser instaurado de ofício pela autoridade policial, por requerimento da
vítima, por requisição do Ministério Público ou do juiz, ou ainda por auto de prisão em
flagrante. Sua instauração e desenvolvimento estão disciplinados, principalmente, pelos
artigos 4º a 23 do Código de Processo Penal. Ao final das diligências, a autoridade
policial deverá elaborar um relatório minucioso, indicando, se possível, a autoria do fato
e suas circunstâncias. Esse relatório será encaminhado ao Ministério Público, titular da
ação penal pública, juntamente com todas as peças do inquérito.O Ministério Público
poderá adotar uma das seguintes providências:Oferecer denúncia, caso entenda que há
elementos mínimos para a instauração da ação [Link] diligências
complementares, se julgar que são necessárias mais informaçõ[Link] o
arquivamento do inquérito, caso conclua pela inexistência de elementos suficientes
para a propositura da ação penal.O arquivamento do inquérito, contudo, só pode ocorrer
com a concordância do juiz. Havendo discordância entre o Ministério Público e o juiz, a
matéria será decidida pelo Procurador-Geral de Justiça (art. 28 do CPP). Importante
destacar que o arquivamento não faz coisa julgada material, podendo o inquérito ser
reaberto caso surjam novas provas sobre a autoria ou materialidade do crime, exceto
quando o arquivamento tiver como base a atipicidade do fato. Para concluir reiteramos o
inquérito policial é, portanto, um instrumento imprescindível para a boa condução da
justiça penal, servindo como filtro entre a notícia-crime e o processo judicial
propriamente dito. Seu papel é fornecer ao Ministério Público os subsídios necessários à
formação de sua convicção, protegendo o cidadão contra acusações infundadas. Apesar
de não possuir valor probatório pleno, os elementos colhidos no inquérito são de
fundamental importância, podendo servir como ponto de partida para a instrução
processual. Conforme os ensinamentos de Capez e Pacelli, trata-se de uma fase
essencial do sistema acusatório, devendo ser conduzida com observância dos princípios
constitucionais e legais, de modo a garantir tanto a eficácia das investigações quanto os
direitos fundamentais do investigado.
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n.
Código de Processo Penal. decreto lei nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Disponível
em: [Link]
CAPEZ, Fernando. Curso de direito penal, volume 4: legislação penal especial; 3 ed. –
São Paulo: Saraiva, 2008.
PACELLI, Eugênio; FISCHER, Douglas. Comentários ao Código de Processo Penal
e sua jurisprudência. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2017. 1578 p.