Trabalho
de Literatura
Nome: Haniel Eliezer Chagas Francelino
Professora: Juliana
Turma: 1 Reg 4
Classicismo
O Classicismo foi um movimento que fez parte do Renascimento, período no qual
aconteceu a retomada das técnicas artísticas da Antiguidade. Entre os estilos mais usados no
Classicismo estão a busca pelo equilíbrio, pureza e rigor da forma, juntamente com a perfeição e o
senso de proporção.
Esse movimento marca o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, faz referência
aos modelos clássicos (greco-romano).
No campo da literatura, Classicismo é o nome dado aos estilos literários que prevaleceram
no século XVI, na época do Renascimento. Sendo assim, a produção desse período também é
chamada de Literatura Renascentista.
O Nascimento de Vênus (1484-1486), de Sandro Botticelli
Contexto Histórico
Na idade Média, a principal característica da sociedade era a religião.
Foi um período marcado pelo teocentrismo, cujo lema eram os dogmas e preceitos da
Igreja Católica.
Com isso, quem estivessem contra ou questionassem esses dogmas, era excomungado,
sofria com o afastamento da sociedade, ou em último caso, era morto.
O humanismo, que surgiu a partir do século XV na Europa, começou a questionar diversos
assuntos, uma vez que o cientificismo surgia.
Muitos estudiosos propuseram novas formas de análise do mundo e da vida, que
estivessem além do divino. Eles apresentavam questões firmadas na racionalidade humana e no
antropocentrismo (homem no centro do mundo).
Homem Vitruviano (1590) de Leonardo da Vinci é o símbolo do antropocentrismo humanista
Esse momento esteve marcado por grandes transformações e descobertas históricas:
as Grandes Navegações;
a Reforma Protestante (que levou a uma crise religiosa) encabeçada por Martinho Lutero;
a invenção da Imprensa pelo alemão Gutenberg;
o fim do sistema feudal (início do capitalismo);
o cientificismo de Copérnico e Galileu.
Foi nesse contexto, que as pessoas buscavam novas expressões artísticas fundamentadas no
equilíbrio clássico.
Assim, surgiu o renascimento cultural, período de grandes transformações artísticas,
culturais, políticas e que se espalhou por todo o continente europeu.
O período da Idade Média durou cerca de 10 séculos na Europa (século V – século XV).
Durante esse longo período, o desenvolvimento científico e cultural dependia da aprovação da
Igreja Católica, que exercia influência política e socioeconômica em toda a Europa.
Enquanto a riqueza na Idade Média estava ligada à posse da terra e à tradição, as trocas
comerciais que foram estabelecidas com o mercantilismo fizeram do dinheiro a grande fonte de
poder. O intercâmbio com os povos da Ásia e da África, sobretudo com os de origem árabe, abriu
novos horizontes para os europeus, como o desenvolvimento da matemática e os instrumentos de
navegação, como o astrolábio.
Os espaços geográficos se abriram, com a descoberta de novas rotas marítimas, levando até
a chegada aos territórios do grande continente americano. Época das Grandes Navegações.
Tudo isso foi resultado do Renascimento, movimento científico e cultural que tomou conta
da Europa no século XV. Esquivando-se da censura ideológica da Igreja, pensadores e cientistas
elaboraram novas teorias e invenções. Nicolau Copérnico propõe o modelo heliocêntrico do
Universo, Galileu Galilei descobre as leis que regem a queda dos corpos, Johann Gutemberg
inventa os tipos móveis para imprimir os livros, tarefa que antes era realizada pelos monges
copistas.
O horizonte cultural do Renascimento era a Antiguidade Clássica. A Grécia Antiga é
considerada o berço do pensamento ocidental, por isso o retorno às formas clássicas foi o
propósito estético dos renascentistas. O Classicismo tem sua origem na Itália, no final do século
XIII, com o surgimento do pensamento humanista.
Classicismo em Portugal
Em Portugal, o Classicismo abrange o período literário do século XVI (entre 1537 e 1580). A
chegada do poeta Francisco Sá de Miranda a Portugal foi o marco inicial do movimento.
Ele se inspirou no humanismo italiano, trazendo uma nova forma de poesia: o “dolce stil
nuevo” (Doce estilo novo).
Esse novo modelo estava baseado na forma fixa do soneto (2 quartetos e 2 tercetos), nos
versos decassílabos e na oitava rima.
Além de Sá de Miranda merecem destaque os escritores portugueses classicistas:
Bernardim Ribeiro (1482-1552), com sua novela “Menina e Moça” (1554);
António Ferreira (1528-1569), com sua tragédia “A Castro” (1587).
Mas, foi a partir de Luís de Camões, um dos maiores poetas portugueses e da literatura
mundial, que a literatura portuguesa ganha destaque.
Luís de Camões (1524-1580) foi o maior autor da literatura classicista em Portugal. Sua
grande obra, "Os Lusíadas” (1572), é uma epopeia onde ele narra a viagem de Vasco da Gama às
Índias. Ela foi escrita em 10 cantos e está composta de 8816 versos decassílabos em oitava rima
distribuídos em 1120 estrofes.
O Classicismo em Portugal permaneceu até 1580. Esse é o ano da morte de Camões e
também da União das Coroas Ibéricas.
No Brasil, esse período literário ficou conhecido como Quinhentismo.
Foi principalmente no Classicismo português a temática do neoplatonismo, escola filosófica
que retomava a filosofia amorosa de Platão, tratando o amor não a partir da sensualidade, mas
por seu viés filosófico e religioso. Aliás, os poetas do período valorizaram acima de tudo os
grandes feitos nacionais, as conquistas do povo português, assunto da poesia épica. Concluímos
que o Classicismo em Portugal voltou-se para dois principais temas: amor e bravura.
Características do Classicismo
As principais características do classicismo são:
Busca pelo equilíbrio, pela proporção, pela objetividade e pela transparência.
Obra mimética como reflexão de uma natureza que segue leis universais, ou seja, a obra
como concerto harmônico.
Contenção da subjetividade, dos ímpetos da interioridade: o que vale é a obra, não o que
sente ou pensa o autor. O autor deve desaparecer perante a obra.
Rigor formal: cada forma utilizada no texto clássico deve seguir um conjunto de regras
próprio.
Separação das artes: os gêneros textuais não se misturam. A poesia lírica tem seu próprio
método e características que não devem ser confundidos com aqueles da poesia épica, ou
da dramaturgia, por exemplo.
Noção do ideal de beleza grego, também norteado pela proporção e pelo equilíbrio das
formas.
Neoplatonismo.
Temas da mitologia greco-romana.
Valorização da racionalidade em oposição à sentimentalidade e do universal em
detrimento do particular.
Antropocentrismo, a centralidade da existência humana em relação ao Universo e àquilo
que o compõe.
Obra como veiculadora de verdades e ensinamentos que permitam aperfeiçoar a alma
humana.
Adoção de formas textuais da Antiguidade Clássica, predominantemente a dramaturgia e
os gêneros da tragédia e da comédia, e a poesia, nos gêneros lírico e épico.
Luís Vaz de Camões (1524/1525-1580)
Não sabemos ao certo onde Camões nasceu: provavelmente Lisboa, em 1524 ou 1525, mas
as cidades de Coimbra, Santarém e Alenquer também reivindicam ser o local onde o poeta nasceu.
De origem fidalga, Camões teve uma educação sólida e obteve conhecimento de história,
geografia e literatura. Deu início ao curso de Teologia na Universidade de Coimbra, que
abandonou por levar uma vida incompatível com os preceitos religiosos. Conquistador, Camões
teve muitas paixões e seus versos eram muito apreciados pelas damas da corte.
Luís de Camões
Ele se envolveu em duelos e fez inimizades, o que o obrigou a alistar-se e embarcar, como
soldado, para Ceuta, lutando contra os mouros e perdendo o olho direito em combate. Já em
liberdade, foi para a Índia, em 1554, e viveu também em Macau. Salvou-se de um naufrágio em
1556, levando consigo os originais de sua mais célebre obra, o poema épico Os Lusíadas. Morreu
em Portugal, em 1580.
Camões é considerado o mais importante poeta de língua portuguesa e um dos maiores da
literatura mundial. Sua produção literária é vasta e contempla tanto as formas eruditas quanto as
formas populares, de trovas, inspiradas em velhas cantigas medievais. A obra de Camões pode ser
dividida em dois pontos principais: a poesia lírica e a épica.
A lírica é composta principalmente de temas amorosos, bastante influenciada pelo
neoplatonismo, que convive com os temas sensuais, estabelecendo quase sempre uma
contradição. As antíteses da presença-ausência, amor espiritual-amor carnal, vida-morte, sonho-
realidade são muito presentes em seus poemas, o que o torna um antecipador do movimento
maneirista.
Além disso, Camões compôs na chamada “medida velha”, as redondilhas, ligadas à tradição
popular, e na “medida nova”, o poema decassílabo, forma preferida para a exposição de temas e
sentimentos complexos.
Exemplo da poesia de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
(Camões)
Os Lusíadas
Camões ficou muito conhecido por seu trabalho como sonetista, mas sua grande obra foi
Os Lusíadas, poema épico de cunho nacionalista que exalta o período das Grandes Navegações
portuguesas. Inspirado em Virgílio e Homero pela forma e pelo tema, Camões utiliza-se também
da mitologia greco-romana para escrever a epopeia: Baco teria se voltado contra os portugueses,
por ser dono dos territórios indianos, e Vênus, por gostar do povo lusitano, estaria a seu favor.
Assim, a viagem real de Vasco da Gama mistura-se a essa narrativa mitológica. Escritos em
10 cantos com oito estrofes cada um, Os Lusíadas é obra de linguagem culta e elevada, conforme a
característica da poesia épica, e canta heroicamente os reis e os fidalgos portugueses a partir da
conquista dos novos territórios, adicionando também outros episódios gloriosos da história de
Portugal.
Canto I
As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte.
[...]
(Camões, Os Lusíadas.)"
Referências bibliográficas:
[Link]
[Link]
"Luís Vaz de Camões (1524/1525-1580)
O berço de nascimento de Camões é incerto: provavelmente Lisboa, provavelmente em 1524 ou 1525, mas
as cidades de Coimbra, Santarém e Alenquer também reivindicam ser o local onde o poeta nasceu.
De origem fidalga, Camões teve uma educação sólida e era conhecedor de história, geografia e literatura.
Deu início ao curso de Teologia na Universidade de Coimbra, que abandonou por levar uma vida
incompatível com os preceitos religiosos. Conquistador, Camões teve muitas paixões e seus versos eram
muito prestigiados pelas damas da corte.
Retrato de Camões em cédula de 50 escudos angolanos.
Envolveu-se em duelos e fez inimizades, o que o levou a alistar-se e embarcar, como soldado, para Ceuta,
lutando contra os mouros e perdendo o olho direito em combate. Já em liberdade, embarcou para a Índia,
em 1554, e viveu também em Macau. Salvou-se de um naufrágio em 1556, levando consigo os originais de
sua mais célebre obra, o poema épico Os Lusíadas. Morreu em Portugal, em 1580.
Camões é considerado o mais importante poeta de língua portuguesa e um dos maiores da literatura
universal. Sua produção literária é múltipla e contempla tanto as formas eruditas quanto as formas
populares, de trovas, inspiradas em velhas cantigas medievais. A obra de Camões pode ser dividida em dois
eixos principais: a poesia lírica e a épica.
A lírica camoniana é composta principalmente de temas amorosos, bastante influenciada pelo
neoplatonismo, que convive com os temas sensuais, estabelecendo quase sempre uma contradição. As
antíteses da presença-ausência, amor espiritual-amor carnal, vida-morte, sonho-realidade são muito
presentes em seus poemas, o que o torna um antecipador do movimento maneirista.
Além disso, Camões compôs na chamada “medida velha”, as redondilhas, ligadas à tradição popular, e na
“medida nova”, o poema decassílabo, forma preferida para a exposição de temas e sentimentos complexos.
Veja também: A literatura cheia de antíteses e paradoxos do Barroco
Exemplo da poesia de Camões
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Algua cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.
(Camões)
Os Lusíadas
Camões ficou muito conhecido por seu trabalho como sonetista, mas sua grande obra foi Os Lusíadas,
poema épico de cunho nacionalista que exalta o período das Grandes Navegações portuguesas. Inspirado
em Virgílio e Homero pela forma e pelo tema, Camões utiliza-se também da mitologia greco-romana para
tecer a epopeia: Baco teria se voltado contra os portugueses, por ser dono dos territórios indianos, e Vênus,
por gostar do povo lusitano, estaria a seu favor.
Assim, a viagem real de Vasco da Gama mistura-se a essa narrativa mitológica. Escritos em 10 cantos com
oito estrofes cada um, Os Lusíadas é obra de linguagem culta e elevada, conforme a característica da poesia
épica, e canta heroicamente os reis e os fidalgos portugueses a partir da conquista dos novos territórios,
adicionando também outros episódios gloriosos da história de Portugal.
Canto I
As armas e os barões assinalados
Que, da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram;
E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e a arte.
[...]
(Camões, Os Lusíadas.)"
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