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Introdução ao Direito Constitucional

O documento aborda a origem e o conceito do direito constitucional, enfatizando sua evolução histórica e a importância das lutas sociais, como a Revolução Francesa e a Magna Charta. Discute também as fontes do direito constitucional, diferenciando entre fontes formais e materiais, e apresenta diferentes correntes doutrinárias sobre a constituição, incluindo as visões de Ferdinand Lassale, Carl Schmitt e Hans Kelsen. Por fim, destaca a relevância da Constituição como a principal fonte do direito constitucional e seu papel na organização do Estado e na proteção dos direitos fundamentais.
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Introdução ao Direito Constitucional

O documento aborda a origem e o conceito do direito constitucional, enfatizando sua evolução histórica e a importância das lutas sociais, como a Revolução Francesa e a Magna Charta. Discute também as fontes do direito constitucional, diferenciando entre fontes formais e materiais, e apresenta diferentes correntes doutrinárias sobre a constituição, incluindo as visões de Ferdinand Lassale, Carl Schmitt e Hans Kelsen. Por fim, destaca a relevância da Constituição como a principal fonte do direito constitucional e seu papel na organização do Estado e na proteção dos direitos fundamentais.
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1.

Preâmbulo

Para que possamos iniciar nosso estudo sobre direito constitucional, importante fazermos
algumas ponderações iniciais.

Antes que direito constitucional se transformasse em matéria de estudo, sua origem tem raiz no
constitucionalismo, “movimento social, político e jurídico, cujo principal objetivo é limitar o poder
do Estado por meio de uma Constituição”.

Para que possamos estudar e entender o que é uma Constituição, precisamos sempre nos
lembrar que a forma em que nos organizamos como sociedade, hoje, em 2024, teve todo um
histórico de lutas sociais, em âmbito político e jurídico, a nível global, para que nós seres
humanos pudéssemos enxergar as abusividades que sofremos por séculos e séculos, até que
fôssemos capazes de desenvolver pensamos e teorias capazes de nos libertar para trilharmos
um caminho de liberdade e igualdade.

A nível de exemplo das referidas lutas sociais, o maior exemplo que temos como sociedade foi
a Revolução Francesa, de 1789, com a queda da Bastilha, que deu origem ao
constitucionalismo francês, promovendo a queda do Estado Absolutista do Ancien Régime
(antigo regime).

Já no aspecto político, temos como o exemplo a outorga da Magna Charta Libertatum, de 1215,
um dos documentos mais importantes do mundo jurídico, que previu a garantia de plenos
direitos aos “homens livres” da Inglaterra, por parte do rei, que não deveria abusar de seu
poder para coagi-los. Homens livres, naquele contexto, indicavam homens de posses,
membros da nobreza, e, o movimento para libertação das 13 colônias americanas dos ingleses.

2. Origem do Direito Constitucional

Como dito acima, importante esclarecer que direito constitucional é uma disciplina, cujo objeto
é o estudo das constituições. As primeiras escolas de direito constitucional que se tem notícia
foram criadas no norte da Itália, em Ferrara, em 1797, cujo professor titular foi Giuseppe Di
Luzo, e nas cidades de Pádua e Bolonha, por conseguinte. Mais tardiamente, a França criou a
referida disciplina, em 1834, em Paris, sob orientação do professor Italiano Pelegrino Rossi. Já
no Brasil, os primeiros registros da disciplina datam de 1940, com a edição do Decreto-lei n.
2.639/1940, que a nomeou como disciplina autônoma.

3. Conceito

Mencionei que direito constitucional era a matéria que estuda as constituições. Contudo, trata-
se de um conceito em sentido estrito, encurtado, que não representa a integralidade da
disciplina, que em sentido amplo, é o estudo da interdisciplinaridade entre o direito, sociologia,
filosofia e política.
O professor Flávio Martins conceitua direito constitucional como “o ramo do Direito Público que
investiga e sistematiza as instituições fundamentais do Estado, bem como estabelece a origem,
a forma, o desenvolvimento e os limites da aquisição e do exercício do poder, tendo como
elemento central a Constituição”.

Porque direito público? Pois bem, vamos descobrir. O direito, ou o bacharelado em ciências
jurídicas, como o curso também é conhecido, é uma disciplina que estuda as leis, obviamente.
E, uma das formas que este estudo possa ser organizado, é fazendo sua divisão em
categorias, otimizando os temas que serão discutidos. Portanto, a primeira grande divisão do
direito é entre público e privado.

direito público
direito privado

Para fins didáticos e simplificados, enquanto o Direito Público lida com a relação entre o Estado
e os cidadãos, focando no interesse público e na manutenção da ordem governamental, o
Direito Privado trata das relações entre indivíduos e entidades privadas, priorizando a proteção
dos direitos individuais e a facilitação dessas interações.
Agora, partindo da premissa que estamos no ensino superior, e embora ainda estejamos no
início de 5 (cinco) anos de estudo, vamos aproveitar a oportunidade para irmos aprofundando e
nos familiarizando com o universo jurídico.

A doutrinadora Maria Helena Diniz diz que “o direito público seria aquele que regula as relações
em que o Estado é parte, ou seja, rege a organização e a atividade do Estado considerado em
si mesmo (direito constitucional), em relação com outro Estado (direito internacional) e em suas
relações com os particulares, quando procede em razão de seu poder soberano e atua na
tutela do bem coletivo (direito administrativo e tributário). O direito privado é o que disciplina as
relações entre particulares, nas quais predomina, de modo imediato, o interesse de ordem
privada, como compra e venda, doação, usufruto, casamento, testamento, empréstimo etc”.

Por fim, aprofundando um pouco mais no tema, embora acima foi dito que o direito
constitucional é a matéria que estuda as constituições, é importante dizer, também, que seu
objeto é “o conhecimento científico e sistematizado da organização fundamental do Estado,
através da investigação e estudo dos princípios e regras constitucionais atinentes à forma do
Estado, à forma e ao sistema de Governo, ao modo de aquisição e exercício do poder, à
composição e funcionamento de seus órgão, aos limites de sua atuação e aos direitos e
garantias fundamentais”.

1. Fontes do Direito Constitucional


Toda vez que vocês lerem ou ouvirem algum questionamento sobre fonte de alguma coisa no
direito, o que o interlocutor quer saber é a origem, de onde veio aquele direito em discussão. E,
no presente caso, quando questionado sobre as fontes do direito constitucional, o que se quer
saber é de onde ele surgiu, como ele foi divulgado e como ele se tornou socialmente aceito.

Obviamente, como esclarecido acima, sempre que vamos estudar sobre determinado tema, ou
defender determinado assunto uma das melhores formas de organizar nossas ideias, nossos
argumentos, é dividindo o tema ao meio, mostrando o que há de diferente dentro do mesmo
assunto, e, quanto às fontes do direito constitucional não é diferente. Os doutrinadores, ou
sejam, os estudiosos do direito, dividem as fontes do direito constitucional em formal e material.

fonte formal
fonte material

Fontes materiais são os fatos, elementos e circunstâncias que fazem nascer o direito. São
portanto elementos materiais (biológicos, psicológicos, fisiológicos) que contribuem para a
formação do direito, elementos históricos (representados pela conduta humana no tempo),
elementos racionais (representados pela elaboração da razão humana sobre a própria
experiência da vida, formulando princípios universais) e elementos ideias (representados pelas
diferentes aspirações do ser humano, formuláveis em postulados valorativos de seus
interesses.

Fontes formais são os instrumentos através do qual o direito se concretiza. Ou seja, “a


elaboração técnica do material por meio de formas solenes que se expressam em leis, normas
consuetudinárias, decretos regulamentadores etc”. Sendo a Constituição a principal fonte
formal do Direito Constitucional, que regulamenta como nossa sociedade será construída,
organizada politicamente, juridicamente, as limitações do exercício de seu poder, as formas de
aquisição do poder, os direitos e garantias fundamentais etc.

Além das fontes formais e materiais do direito constitucional, não podemos nos esquecer que
ligado ao direito consuetudinário, temos como fonte os costumes e princípios, que nada mais
são do que uma regra de conduta criada pelo povo, que seu frequente uso passa a ser
interpretado como padrão social de comportamento.

Além da própria doutrina constitucional, ou seja, os pensamentos dos juristas expostos em


seus livros, temos a jurisprudência constitucional, que é a consolidação do entendimento dos
tribunais no caso concreto, servindo de guia aos juízes para solução dos processos colocados
sob seu julgamento. E, a nível de direito constitucional, a nossa Constituição Federal atribui ao
Supremo Tribunal Federal a tarefa de ser o maior órgão constitucional do pais, bem como o
balizador das premissas constitucionais, com efeito vinculante a nós jurisdicionados.

2. Teoria da Constituição
O termo Constituição advém do termo latino constituere, e representa firmar, delimitar,
constituir, organizar. Para fins jurídicos, o conceito de Constituição é plural. José Afonso da
Silva diz que constituição pode ser: “a) conjunto dos elementos essenciais de alguma coisa: a
constituição do universo, a constituição dos corpos sólidos; b) temperamento, compleição do
corpo humano: uma constituição psicológica explosiva, uma constituição robusta; c)
organização, formação: a constituição de uma assembleia, a constituição de uma comissão; d)
o ato de estabelecer juridicamente a constituição de normas que regem uma corporação, uma
instituição: a constituição da propriedade; a lei fundamental de um Estado”.

A partir do seu conceito, que como vimos, é plural, estudiosos desenvolveram diferentes
correntes doutrinárias sobre a constituição, tentando explicar seu conceito e demonstrar seu
sentido, ou seja, a justificativa de sua existência. As concepções mais famosas são sociológica,
política e jurídica.

2.1 Sentido Sociológico (Ferdinand Lassale)

Ferdinand Lassale foi um estudioso polonês, nascido em 1825, defensor de ideias


democráticas, num tempo onde ainda vigia reinados absolutistas.

Ficou famoso porque, em 16 de abril de 1862, foi convidado a palestrar numa conferência em
Berlim, onde iniciou sua fala perguntando aos ouvintes o que é, e no que consiste uma
constituição. Posteriormente sua palestra foi convertida em livro, estudado até hoje pelos
constitucionalistas.

Segundo Lassale, a constituição real é a soma dos fatores reais de poder (relações de poder
que existem na sociedade: poder político, poder religioso, poder econômico, poder militar etc).
Diversamente da constituição real, ele afirma existir a constituição jurídica, que é a norma
emanada do Estado, que ele denomina como sendo uma folha de papel.

Neste contexto, Ferdinand Lassale diz que não há como dissociar da constituição os fatores de
poder. Se os fatores sociais não são adaptados à realidade, aos fatores reais e efetivos de
poder, a Constituição não tem serventia alguma.

Como exemplo a esta situação, ele traz a seguinte questão: imaginemos uma árvore de limão,
e que alguém coloque ao seu pé uma placa dizendo “pé de laranja”. Este limoeiro deixa de ser
limoeiro, frente a sua nova denominação? Por certo que não. Mesmo que nós trouxéssemos
todos os alunos da anhanguera para proclamar aquele limoeiro como laranjeira, e que sua
denominação fosse veiculada a todas as faculdades de Dourados, e que as pessoas até
pudessem ter aquilo como verdade. Após sua floração, o limoeiro continuaria produzindo
limões e não laranjas. Neste contexto, Lassale afirma: o mesmo acontece com as
constituições. De nada serve o que se escreve numa folha de papel se não se ajusta à
realidade, aos fatores reais e efetivos de poder, sob pena de tornar-se ineficaz e ilegítima.

2.2 Sentido Político (Carl Schmitt)


Carl Schmitt, autor do sentido político da constituição, foi um jurista alemão, nascido em 1888,
e embora tenha feito grandes contribuições para o direito constitucional, sua carreira também é
rodeada de polêmicas, porque ele flertava muito com as ideias de Adolf Hitler, sendo apelidado
de jurista maldito. Morreu sem jamais ter se retratado sobre sua filiação ao partido nazista.

O sentido político da constituição foi desenvolvido em sua obra “Teoria da Constituição”, e para
ele Constituição e lei constitucional são institutos distintos.

Para Schmitt, “Constituição é uma decisão política fundamental, da qual pode ser feita uma
norma jurídica ou não”. Para que a constituição adquira o status de regulação normativa e
também lei constitucional é necessário “uma decisão política prévia, adotada por um poder ou
autoridade politicamente existente”, a autoridade que ele menciona pode ser do povo, ou
alguém que os represente, e esta decisão tomada, segundo ele, é a Constituição.

A maior consequência de seus pensamentos – lembremos nós do contexto histórico do autor,


alemão, político do partido nazista, e participante do governo nazista – é a autorização para
que o governo possa desrespeitar a Lei Constitucional em casos excepcionais, embora deva
irrestrita submissão à Constituição.

Segundo ele “a Constituição é intangível, enquanto que as leis constitucionais podem ser
suspensas durante o estado de exceção, e violadas pelas medidas do estado de exceção. (...)
Tudo isto não atenta contra a decisão política fundamental, nem à substância da Constituição”.

Para que possam entendem o pensamento de Schmitt. Em 1933 ele foi nomeado chanceler do
governo alemão por Adolf Hilter, e após um incêndio suspeito no Parlamento, a autoria foi
creditada aos comunistas, e em razão de tal circunstância, Schmitt convenceu Hitler a decretar
estado de sítio (medida existente em nosso direito constitucional, que permite o cerceamento
de direitos e garantias, diante de situações que possam causar eminente risco à segurança
nacional), e em seguida o parlamento, para editar uma lei autorizava o chanceler, ou seja, ele
mesmo, a editar leis durante o estado de sítio, sem a participação do parlamento.

Nesta contraposição entre constituição e lei constitucional, vamos fazer uma interpretação ao
nosso contexto político atual.

A Constituição Federal de 1988 foi promulgada logo após um longo período ditatorial, com
cerceamento de direitos. E finalizado tal período, a sociedade se reuniu em assembleia
constituinte, para escrever o nosso novo texto político. Naquele contexto social e político, em
que diversas pessoas tiveram seus diretos e garantias cerceados, por óbvio, que o texto
político sucessor seria o mais abrangente possível, esmiuçando todo e qualquer direito que
entendiam ser pertinentes, na tentativa de que haja maiores dificuldades na alteração formal de
seu texto.
Nesta toada, a doutrina constitucionalista brasileira analisa as normas constitucionais sobre
dois vieses: normas materialmente constitucionais e normas formalmente constitucionais.

Normas materialmente constitucionais são aquelas cujo teor normatiza tão somente temas
constitucionais, como, por exemplo, o artigo 2º, da Constituição Federal, que afirma: são
Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o
Judiciário. Para fins da teoria de Carl Schmitt, as normas materialmente constitucionais seria a
Constituição.

Agora, as normas formalmente constitucionais são as normas que embora estejam no texto da
Constituição, seu conteúdo não versa sobre tema essencial do Estado, como, por exemplo: Art.
242. O princípio do art. 206, IV, não se aplica às instituições educacionais oficiais criadas por
lei estadual ou municipal e existentes na data da promulgação desta Constituição, que não
sejam total ou preponderantemente mantidas com recursos públicos. § 1º O ensino da História
do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do
povo brasileiro. § 2º O Colégio Pedro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro, será mantido
na órbita federal.

Portanto, para Carl Schmitt o artigo 242, parágrafo 2º, da Constituição Federal, embora esteja
no texto constitucional, não seria Constituição, mas sim lei constitucional.

Para encerrarmos o estudo sobre Carl Schmitt, para ele o guarda da Constituição é o líder do
Reich (governo) e não um tribunal.

2.3. Sentido jurídico (Hans Kelsen)

Hans Kelsen foi um jurista nascido em 1881, em Praga, na República Tcheca, e era judeu.
Teve inúmeras participações na construção jurídica constitucional da Áustria, tendo em 1917
sido convocado como assessor jurídico no Ministério da Guerra, onde pode colaborar a
redação da nova Constituição Austríaca, a partir de 1918.

A grande contribuição de Hans Kelsen, neste momento, foi sua contraposição às ideias de Carl
Schmitt, porque embora Schmitt defendesse que o guarda da Constituição era o líder do Reich
(governo), Kelsen criou no texto constitucional que editou a figura do Tribunal
Constitucional/Corte Constitucional, com permissão para exercer o controle de
constitucionalidade dos atos do Poder Executivo e do Poder Legislativo.
Com a aprovação do seu texto constitucional em 1920 ele passou a ser membro permanente
da Suprema Corte Constitucional da Áustria, atuando como juiz constitucional entre 1921 e
1930, até que em razão da anexação da Áustria pelo III Reich, mudou-se para os Estados
Unidos, onde foi professor, falecendo em 1973.

Sua principal obra se chama Teoria Pura do Direito, cuja primeira tiragem ocorreu em 1933, em
Madrid, Espanha. E, nela o autor defendeu dissociar o direito dos demais assuntos que
circundam a Constituição, como sociologia, filosofia, política, etc. Para ele, o direito deveria ser
isolado das demais ciências jurídicas, para “garantir um conhecimento apenas dirigido ao
direito e excluir desse conhecimento tudo quanto não pertença ao seu objeto, tudo quanto não
se possa, rigorosamente, determinar como Direito. Quer isto dizer que ela pretende libertar a
ciência jurídica de todos os elementos que lhe são estranhos”.

Para Kelsen, o Direito é um sistema hierárquico de normas jurídicas emanadas do Estado.


Essa hierarquia se dá na medida em que a norma jurídica inferior obtém sua validade na norma
jurídica superior. Segundo ele, ainda, “o fundamento de validade de uma norma apenas pode
ser a validade de uma outra norma. Uma norma que representa o fundamento de validade de
uma outra norma é designada como norma superior, por confronto com uma norma que é, em
relação a ela, a norma inferior”.

Logo, a hierarquia das normas é o tronco duro da teoria de Kelsen. A Constituição é a base
normativa mais importante de um país, e, hierarquicamente, a partir dela, as demais leis,
devem ser validadas quando seu teor normativo é embasado numa lei superior.

Vejamos: a pirâmide de Kelsen:

CF
Leis Complementares
Leis Ordinárias

Outrossim, nesta base normativa piramidal, uma lei ordinária só terá validade quando
compatível com uma lei complementar e uma constituição, assim como uma lei complementar
só será validade quando compatível com a Constituição Federal. Caso não sejam, serão
consideradas inconstitucionais.

#valeapenaverdenovo

Em resumo:

CONSTITUIÇÃO
LASSALE
SCHMITT
KELSEN
A Constituição real é formada pelos fatores reais de poder
A Constituição é uma decisão política fundamental
A Constituição é uma lei: a mais importante do ordenamento jurídico e o pressuposto de
validade de todas as outras leis.

1. Evolução Constitucional do Estado Brasileiro


O Brasil, em seu histórico já teve 8 Constituições, a saber: 1824, 1891, 1934, 1937, 1946,
1967, 1969 e 1988, vejamos cada uma delas:

1.1 A Constituição de 1824:

Espelho das ideias do liberalismo (o homem como alicerce de todo sistema social; o indivíduo
protegido frente ao Estado). Possuía 179 artigos. Eram suas características:

a) embora outorgada, trazia grande inspiração nas teorias liberais, como no rol dos direitos
individuais, considerados modernos na época;
b) centralização monárquica, com a previsão do Poder Moderador exercido pelo Imperador,
num esquema de divisão das funções estatais em quatro, conforme teoria defendida por
Benjamin Constant;
c) quanto à estabilidade, era do tipo semirrígida, pois permitia que os dispositivos da
constituição material fossem modificados por maioria qualificada, mas admitia a alteração de
dispositivos da constituição formal mediante os mesmos requisitos necessários à elaboração
da lei comum (artigo 178);
d) foi a primeira constituição a trazer a enumeração (artigo 179) dos direitos individuais,
estabelecendo-se um regime correspectivo de garantias individuais (positivação e
subjetivação);
e) não admitia responsabilização do imperador, mas somente dos titulares dos ministérios;
f) outras características relevantes: o caráter unitário do Estado, a adoção da religião católica e
a possiblidade de o Imperador suspender os juízes após manifestação do Conselho de Estado,
em caso e queixas, ouvindo-os previamente.

1.2. Constituição de 1891:

Possuía 91 artigos e 8 outros referentes às Disposições Transitórias. Instituía o Federalismo


como princípio da estruturação do Estado e a democracia representativa como regime político,
merecendo destaque:

a) províncias alçadas a Estados-membros, mas dirigidas por “presidentes”;


b) autonomia constitucional dos Estados-membros;
c) extinção do Poder Moderador, com a manutenção das outras três funções estatais;
d) eleição do Presidente da República pelo sufrágio direito e com responsabilidade perante a
Câmara dos Deputados (inspiração do presidencialismo americano);
e) instituição do habeas corpus;
f) concentração de poder nas mãos dos governantes (coronelismo);
g) criação da justiça federal;
h) previsão da intervenção federal (inspirada na Constituição argentina de 1853);
i) aboliu a pena de morte;
j) a inexistência de religião oficial;

1.3. Constituição de 1934;


Trazia 187 artigos, a que se somavam 26 artigos de Disposições Transitórias, tendo sofrido
forte influência da Constituição de Weimar. Surgiu em decorrência do movimento revolucionário
que alçou Getúlio Vargas ao poder. Destacam-se os seguintes pontos:
a) definição do sistema eleitoral (inclusive voto feminino) e instituição da Justiça Eleitoral;
b) representação corporativista;
c) unicameralismo, transformando o Senado em órgão de colaboração da Câmara dos
Deputados;
d) ampliação dos poderes do Executivo e da esfera de competência da União;
e) oscilou entre o liberalismo e o intervencionismo;
f) responsabilidade solidária dos ministros de Estado com o presidente da república;
g) Ministério Público como órgão de cooperação nas atividades governamentais;
h) instituição do mandado de segurança e de título sobre ordem econômica e social,
caracterizando-se pela instituição de normas que consagram direitos dos trabalhadores;
i) previsão de declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato do Poder Público pela votação
da maioria absoluta de votos dos componentes dos tribunais (art. 179);
j) estipulação da tríplice garantia dos magistrados (vitaliciedade, irredutibilidade dos
vencimentos e inamovibilidade);
l) criação das Justiças Eleitoral e Militar;
m) impossibilidade de o Poder Judiciário apreciar as questões exclusivamente políticas;
n) aboliu a figura do Vice-Presidente.

1.4 Constituição de 1937:

Fruto da revogação da Constituição de 1934 por ato de Getúlio Vargas, inaugurou a fase
denominada “Estado Novo”, implantando um regime autocrático, em que se legislava por via de
decretos-leis, concentrando-se os Poderes Executivo e Legislativo nas mãos do Presidente da
República. Também conhecida como Constituição “Polaca”, em face do modelo que adotou
como parâmetro. Organizada em 187 artigos. Tinha como principais características:

a) inspiração fascista e totalitária;


b) apesar de ter previsto um “plebiscito nacional” como condição para que entrasse em vigor
(constituição cesarista), nunca foi realizada a consulta popular (art. 187, após revogado pela
EC 9/45);
c) ignorou o mandado de segurança e a Justiça Eleitoral criados em 1934;
d) não tratou da organização do Ministério Público;
e) extinguiu a Justiça Eleitoral;
f) previsão de superação judicial que declarasse a inconstitucionalidade e lei, pela confirmação
do texto normativo, mediante provação do Presidente, pelo voto de 2/3 do Parlamento (art. 96,
parágrafo único);
g) restaurou a pena de morte;
h) vedou ao judiciário conhecer de questões exclusivamente políticas;

1.5. Constituição de 1946:


Após a redemocratização do país, ocorrida com o término da 2ª Guerra Mundial, e o fim do
Estado Novo, veio a lume nova Constituição, com 222 artigos e 36 disposições finais. Foi
promulgada em 18/09/1946, pela Assembleia Constituinte. Trazia como pontos-chaves:

a) correta observância da técnica constitucional, com traços políticos que apontavam a abertura
para a recuperação da ordem social;
b) prestígio ao municipalismo, especialmente quanto à repartição da receita tributária;
c) restauração do mandado de segurança;
d) liberdade de organização partidária;
e) proibição das penas de morte, confisco e banimento;
f) instituição do direito de greve;
g) restaurou parcialmente a Justiça Federal (somente no 2º grau de jurisdição: Tribunal Federal
de Recursos) e voltar a tratar do Ministério Público;
h) criação da Justiça do Trabalho;
i) composição do Poder Legislativo dividida entre a Câmara e o Senado, sendo este presidido
pelo Vice-Presidente da República.

1.6. Constituição de 1967:

Dotada de 189 artigos, foi, de fato, outorgada pelo Governo Militar que assumiu o poder após o
Golpe de 1964. De forte inspiração na Constituição de 1937, teve preocupação fundamental
com a segurança nacional. Concentrou poderes nas mãos da União e do Presidente da
República. Tecnicamente, revelou-se melhor no trato da matéria orçamentária e tributária.
Foram seus traços marcantes:

a) fortalecimento do Executivo em matéria legislativa (decretos-leis);


b) redução da autonomia individual;
c) reaparecimento da Justiça Federal de 1ª instância;
d) previsão da desapropriação para fins de reforma agrária; e
e) inclusão da censura entre as atribuições da Polícia Federal.

1.7. Constituição de 1969:

Apesar de haver sido veiculada por intermédio de simples emenda constitucional, tratou-se de
nova Constituição Federal (cf. item [Link] do Capítulo IV). Após o agravamento da crise
política e a edição de medidas autocráticas, registrou-se rompimento formal com a ordem
constitucional então em vigor (principalmente após o Ato Institucional 5/68), culminando-se com
a aprovação da intitulada “Emenda Constitucional” nº 1, de 17/10/1969. Esta emenda
promoveu extensas reformulações no texto constitucional anterior, mantendo, contudo, a
doutrina da segurança nacional. Merece realce os seguintes aspectos:

a) mudança da denominação (de Constituição do Brasil para Constituição da República


Federativa do Brasil);
b) fiscalização financeira e orçamentária dos municípios, permitindo a criação de Tribunais de
Contas nos municípios com mais de 2 milhões de habitantes;
c) dispôs que a rejeição do decreto-lei não implicava a nulidade dos atos praticados durante
sua vigência.

1.8 Constituição de 1988.

Restaurando o princípio democrático com a abertura política e a eleição de Tancredo Neves


para ocupar o cargo de Presidente da República, foi convocada a Assembleia Nacional
constituinte pela EC 26/85. Esse ato legislativo, por objetivar a superação do regime
constitucional anterior (e não emenda-lo), qualifica-se, na verdade, como ato político
constituinte tendente a organizar a transição do regime militar para a Nova República, e não
mera manifestação do poder de reforma.

A Constituição de 1988 adotou a forma analítica (prolixa), com a preocupação de garantir maior
intangibilidade a certas conquistas, fazendo aderir ao texto numerosas normas apenas
formalmente constitucionais. Somou 245 artigos, além de outros 70 no ADCT.

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