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Desafios da Inclusão de Pessoas com Autismo

O artigo analisa os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no acesso a direitos fundamentais nas áreas de saúde, educação e trabalho, destacando a insuficiente aplicação de legislações como a Lei Berenice Piana. Apesar dos avanços legais, barreiras como falta de capacitação profissional, recursos especializados e estigmas sociais ainda limitam a inclusão. A pesquisa conclui que é necessário aumentar a conscientização e investir em políticas públicas para garantir a dignidade e os direitos das pessoas com TEA.

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Desafios da Inclusão de Pessoas com Autismo

O artigo analisa os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no acesso a direitos fundamentais nas áreas de saúde, educação e trabalho, destacando a insuficiente aplicação de legislações como a Lei Berenice Piana. Apesar dos avanços legais, barreiras como falta de capacitação profissional, recursos especializados e estigmas sociais ainda limitam a inclusão. A pesquisa conclui que é necessário aumentar a conscientização e investir em políticas públicas para garantir a dignidade e os direitos das pessoas com TEA.

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Revista Gestão e Conhecimento

01-28, 2024
ISSN: 1677-9762

ACESSO AOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DAS PESSOAS COM AUTISMO:


DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA INCLUSÃO

ACCESS TO FUNDAMENTAL RIGHTS FOR PEOPLE WITH AUTISM:


CHALLENGES IN IMPLEMENTING INCLUSION

DOI: 10.55908/RGCV18N2-015
Originals received: 10/01/2024
Acceptance for publication: 11/01/2024

Solange Nascimento da Cunha


Bacharel em Direito
Instituição: Unisociesc Blumenau
Endereço: Blumenau, Santa Catarina, Brasil
E-mail solangenn37@[Link]

RESUMO: Este artigo investiga os desafios enfrentados por pessoas com Transtorno do
Espectro Autista (TEA) no acesso a direitos fundamentais, com foco nas áreas de saúde,
educação e trabalho. A pesquisa, de abordagem qualitativa e exploratória, analisa a legislação
brasileira, doutrinas jurídicas e normas vigentes, além da atuação do Poder Judiciário. Embora
avanços significativos tenham sido alcançados, como a Lei Berenice Piana e o Estatuto da
Pessoa com Deficiência, barreiras persistem devido à aplicação insuficiente dessas leis. O
estudo evidencia a falta de capacitação de profissionais, a carência de recursos especializados
e o estigma social como fatores que limitam a inclusão. No setor educacional, a ausência de
adaptações e o despreparo de instituições dificultam a aprendizagem de alunos com TEA. Na
saúde, a demora no diagnóstico e a falta de atendimento especializado são desafios recorrentes.
Já no mercado de trabalho, a resistência dos empregadores e a ausência de práticas inclusivas
agravam a exclusão. Conclui-se que superar essas barreiras requer maior conscientização,
investimentos em políticas públicas e adaptações práticas que assegurem a inclusão plena. A
garantia da dignidade e dos direitos fundamentais das pessoas com TEA depende de esforços
conjuntos do Estado, da sociedade e das instituições.

PALAVRAS-CHAVE: Autismo. Desafios. Direitos Fundamentais. Inclusão.

ABSTRACT: This article investigates the challenges faced by people with Autism Spectrum
Disorder (ASD) in accessing fundamental rights, focusing on the areas of health, education, and
work. The research, which uses a qualitative and exploratory approach, analyzes Brazilian
legislation, legal doctrines, and current standards, in addition to the actions of the Judiciary.
Although significant advances have been achieved, such as the Berenice Piana Law and the
Statute of Persons with Disabilities, barriers persist due to the insufficient application of these
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Revista Gestão e Conhecimento, v. 18, n. 2. 2024. ISSN 1677-9762


laws. The study highlights the lack of training of professionals, the lack of specialized
resources, and social stigma as factors that limit inclusion. In the education sector, the lack of
adaptations and the unpreparedness of institutions hinder the learning of students with ASD. In
health, delays in diagnosis and the lack of specialized care are recurring challenges. In the labor
market, employer resistance and the lack of inclusive practices aggravate exclusion. It is
concluded that overcoming these barriers requires greater awareness, investment in public
policies, and practical adaptations that ensure full inclusion. Ensuring the dignity and
fundamental rights of people with ASD depends on joint efforts by the State, society and
institutions.

KEYWORDS: Autism. Challenges. Fundamental Rights. Inclusion.

1. INTRODUÇÃO

A inclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil é um tema
que, apesar de avanços importantes na legislação, ainda enfrenta muitos obstáculos na prática.
O reconhecimento legal do autismo como uma deficiência trouxe mudanças significativas,
principalmente com a criação da Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/2012) e do Estatuto da
Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Essas normas garantem uma série de direitos às
pessoas com autismo, como o acesso à educação, saúde, assistência social e inclusão no
mercado de trabalho. Porém, o problema está na distância entre o que as leis dizem e o que de
fato acontece no dia a dia dessas pessoas.
Diante desse contexto, surgem questões importantes: quais são as principais barreiras
legais e sociais que impedem as pessoas com TEA de exercerem plenamente seus direitos
fundamentais no Brasil? Como as lacunas no sistema jurídico jurídico para a exclusão social
dessas pessoas e dificultam a implementação da prática das normas de proteção existentes?
Essas perguntas orientam a pesquisa e levam à hipótese de que, embora existam normas legais
para a proteção dos direitos das pessoas com TEA, a aplicação dessas normas é falha. Isso se
deve, em grande parte, à ausência de políticas públicas específicas, à acessibilidade limitada e
à falta de uma compreensão adequada sobre o TEA por parte de órgãos e instituições, o que
resulta em exclusão social e na violação de direitos fundamentais.

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Este trabalho adota uma abordagem qualitativa, baseada em pesquisa bibliográfica e
documental, a partir da revisão das legislações, doutrinas, artigos científicos, e jurisprudências
relacionadas ao tema. A pesquisa é exploratória e descritiva, com o objetivo de mapear as
diferenças entre o que está previsto em lei e a realidade vivida pelas pessoas com TEA.
O objetivo geral deste estudo é compreender as dificuldades enfrentadas pelas pessoas
com TEA para exercer seus direitos, considerando tanto as normas jurídicas quanto sua
implementação prática. Especificamente, busca-se identificar os principais obstáculos
enfrentados por esse grupo, analisar a legislação brasileira exposta para os direitos das pessoas
com deficiência, expor as iniciativas do Poder Judiciário e das políticas públicas, e examinar os
desafios na implementação de políticas de inclusão.
Justifica-se a relevância deste estudo pela necessidade de garantir a dignidade, igualdade
e inclusão social das pessoas com TEA, conforme assegurado pela Constituição Federal. O
trabalho visa contribuir para o debate jurídico sobre a inclusão social e o exercício dos direitos
fundamentais, propondo reflexões sobre possíveis aprimoramentos no sistema jurídico e nas
políticas públicas, de modo a garantir que as pessoas com TEA possam exercer plenamente
seus direitos.

2. DIREITOS FUNDAMENTAIS E A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA


NO BRASIL

No presente capítulo, busca-se estudar os direitos fundamentais e a inclusão das pessoas


com deficiência no Brasil, através do conceito de direitos fundamentais e outros aspectos
constitucionais, bem como legislativos e doutrinários, a fim de contextualizar a temática sob a
perspectiva teórica. Busca-se ainda identificar se se a legislação específica referente à inclusão
de pessoas com deficiência.

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2.1 BREVE EXPLICAÇÃO SOBRE OS DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
CONSTITUCIONAIS

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, caput, estabelece quais são os direitos e
garantias fundamentais dos brasileiros e estrangeiros que residam no País. Desta forma,
determina que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-os
a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos
termos de seus incisos (BRASIL, 1988).
Logo, os direitos fundamentais são os “direitos do ser humano reconhecidos e
positivados na esfera do direito constitucional positivo de determinado Estado” (Sarlet, 2010,
p. 29)
Assim, os direitos e garantias fundamentais possuem uma posição de destaque no
ordenamento jurídico, sendo interpretados com prioridade em relação a outros direitos. Esses
direitos apresentam diversas características essenciais, como a imprescritibilidade, que
assegura que não se perdem com o tempo; a inalienabilidade, que impede a transferência desses
direitos a terceiros, seja de forma gratuita ou onerosa; e a irrenunciabilidade, que proíbe a
renúncia aos direitos fundamentais, mesmo por escolha do próprio titular. Além disso, há
a inviolabilidade, que determina que esses direitos não podem ser desrespeitados por normas
infraconstitucionais ou por atos de autoridades públicas, sob risco de sanções civis,
administrativas e criminais.
Outra característica importante é a universalidade, que garante a aplicação desses
direitos a todos os indivíduos, independentemente de nacionalidade, sexo, raça, religião ou
convicção política. A efetividade exige que o Poder Público atue para concretizar esses direitos,
com mecanismos coercitivos, pois a constituição não se satisfaz com um reconhecimento
abstrato. Os direitos fundamentais são também marcados pela interdependência, visto que,
embora autônomos, muitos deles se complementam para alcançar suas finalidades. Por fim,
a complementaridade reforça que esses direitos devem ser interpretados de maneira conjunta,
de modo a realizar os objetivos estabelecidos pelo constituinte.

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Não obstante, para Alexandre de Moraes, os direitos fundamentais também são
relativos, considerando que “não são ilimitados, uma vez que encontram seus limites nos
demais direitos igualmente consagrados pela Carta Magna (Princípio da relatividade ou
convivência das liberdades públicas).” (Moraes, 2024, p. 38).

2.2 O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA E SUA APLICAÇÃO ÀS


PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A Constituição Federal de 1988, reconhecida por sua ênfase nos direitos fundamentais
e pela promoção de valores republicanos, democráticos e humanitários, trouxe avanços
significativos na luta pela inclusão social e na melhoria da qualidade de vida das pessoas com
deficiência. O princípio da dignidade da pessoa humana, previsto no artigo 1º, inciso III, e o
princípio da igualdade, previsto no artigo 5º, são fundamentais para a proteção e promoção dos
direitos das pessoas com deficiência. Esses princípios norteiam o ordenamento jurídico
brasileiro, orientando a criação de políticas públicas e a aplicação das normas constitucionais
de forma a garantir o respeito e a dignidade desses indivíduos.
O princípio da dignidade da pessoa humana é amplamente reconhecido como o valor
supremo que fundamenta os direitos humanos e os direitos fundamentais, servindo como um
pilar do constitucionalismo moderno. Para Moraes (2007, p. 16):

A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta


singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida e que
traz consigo a pretensão ao respeito por parte demais pessoas, constituindo-se um
mínimo invulnerável que todo estatuto jurídico deve assegurar, de modo que, somente
excepcionalmente, possam ser feitas limitações ao exercício dos direitos
fundamentais, mas sempre sem menosprezar a necessária estima que merecem todas
as pessoas enquanto seres humanos.

No caso das pessoas com deficiência, a aplicação desse princípio é ainda mais relevante,
pois busca eliminar barreiras físicas, sociais e legais que historicamente excluíram esse grupo
da participação plena na sociedade. O reconhecimento da dignidade implica a adoção de
medidas concretas que garantam o acesso a direitos fundamentais, como saúde, educação,
trabalho e acessibilidade. A dignidade da pessoa humana não deve ser condicionada a fatores
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como capacidade física ou mental, conforme destaca Ferraz et. al. (2012, p. 62), que critica a
visão de Kant, associando a dignidade apenas à racionalidade humana. A dignidade é um
atributo intrínseco a todos os seres humanos, independentemente de suas condições, como
reforça a concepção de Ingo Sarlet, ao destacar que a dignidade implica a garantia de condições
mínimas para uma vida digna e a participação ativa na sociedade.
Além da dignidade, o princípio da igualdade desempenha um papel crucial na proteção
das pessoas com deficiência. A igualdade formal, prevista na Constituição, assegura que todos
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. No entanto, o Estado brasileiro
adota uma perspectiva de igualdade material, que reconhece as desigualdades existentes na
sociedade e busca compensá-las por meio de ações afirmativas. Como observa Lenza (2023, p.
569), a igualdade material visa tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na
medida de suas desigualdades. No caso das pessoas com deficiência, isso se traduz em medidas
como a reserva de vagas em concursos públicos, a adaptação de espaços físicos e a promoção
de políticas de inclusão social e laboral.
A aplicação dessas medidas é respaldada por diversas disposições constitucionais
específicas que visam à proteção das pessoas com deficiência. Entre elas, destacam-se: a
competência comum da União, Estados e Municípios para garantir a saúde e a assistência
pública (art. 23, II, CF/88); a competência concorrente para legislar sobre a proteção e a
integração dessas pessoas (art. 24, XIV, CF/88); a proibição de discriminação salarial ou no
acesso ao emprego (art. 7º, XXXI); e a garantia de vagas reservadas em concursos públicos (art.
37, VIII, CF/88). Além disso, a Constituição prevê a assistência social, a educação especializada
e a acessibilidade, fundamentais para promover a integração plena das pessoas com deficiência
na sociedade (BRASIL, 1988).
A Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, de 1948, é um marco
importante na promoção da dignidade e dos direitos humanos em todo o mundo. A partir dela,
diversos países, incluindo o Brasil, passaram a adotar legislações mais inclusivas, baseadas na
premissa de que todos os seres humanos, independentemente de suas características individuais,
merecem respeito e têm o direito a uma vida digna. No contexto brasileiro, a Constituição de

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1988 consolidou esses ideais, estabelecendo um conjunto de princípios que servem como base
para o tratamento igualitário e digno das pessoas com deficiência.
Não obstante, é válido ressaltar que a Constituição adota o princípio da igualdade,
assegurando que todos são iguais perante a lei, sem discriminação, previsto no artigo 5º, caput.
Assim, visa eliminar distinções arbitrárias, promovendo uma igualdade efetiva baseada na
justiça. Deste modo, a isonomia formal garante a igualdade no tratamento jurídico, aplicando
normas de maneira uniforme para todos, enquanto a isonomia material considera as diferenças
reais entre as pessoas, visando a verdadeira equidade por meio de políticas públicas e ações
afirmativas, como a reserva de cargos públicos para pessoas com deficiência. Enquanto, a
igualdade de oportunidades, uma dimensão da isonomia material, busca reduzir desigualdades
ao promover direitos sociais em saúde e educação, permitindo que todos tenham chances reais
de exercer a cidadania. No caso das pessoas com autismo, a aplicação desse princípio requer a
garantia de condições efetivas de igualdade, protegendo sua dignidade e direitos no
ordenamento jurídico (Alves, 2021, p.23).
Em suma, o princípio da dignidade da pessoa humana e o princípio da igualdade formam
a base jurídica para a proteção das pessoas com deficiência no Brasil. A Constituição de 1988
representou um avanço significativo na garantia desses direitos, promovendo a inclusão social
e assegurando que o Estado tome medidas concretas para eliminar as barreiras que impedem a
plena participação das pessoas com deficiência na sociedade. A adoção de políticas públicas e
ações afirmativas, inspiradas nesses princípios, é essencial para assegurar que essas pessoas
tenham acesso igualitário a oportunidades e possam viver com dignidade e respeito.

2.3 A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA REFERENTE À INCLUSÃO DE PESSOAS COM


DEFICIÊNCIA

A legislação brasileira que trata da inclusão de pessoas com deficiência passou por
importantes avanços ao longo das últimas décadas, refletindo uma mudança no tratamento
jurídico e social das pessoas com deficiência. Desde a promulgação das primeiras leis até as
regulamentações mais recentes, o Brasil tem buscado promover a igualdade de direitos e

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oportunidades para esse grupo, consolidando políticas públicas voltadas à inclusão e à
acessibilidade. A legislação evoluiu para contemplar não apenas as deficiências físicas e
mentais, mas também os transtornos de desenvolvimento, como o Transtorno do Espectro
Autista (TEA), garantindo maior proteção e respeito aos direitos dessas pessoas.
Um dos marcos mais recentes dessa evolução foi a promulgação da Lei nº 12.764,
conhecida como Lei Berenice Piana, em 27 de dezembro de 2012. Essa lei instituiu a Política
Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e representou
um avanço significativo ao equiparar as pessoas com TEA às pessoas com deficiência para
todos os efeitos legais. Ao reconhecer a pessoa com autismo como detentora dos mesmos
direitos e garantias das pessoas com deficiência, a Lei Berenice Piana abriu caminho para um
tratamento mais inclusivo e protetivo. Entre os direitos assegurados estão o atendimento
especializado na educação e na saúde, a proteção contra qualquer forma de discriminação e a
garantia de acesso a serviços públicos e privados sem impedimentos (BRASIL, 2012).
Neste sentido, o art. 3º da Lei Federal n.º 12.764/12, determina que:

Art. 3º São direitos da pessoa com transtorno do espectro autista:


I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade,
a segurança e o lazer;
II - a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração;
III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas
necessidades de saúde, incluindo:
a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
b) o atendimento multiprofissional;
c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;
d) os medicamentos;
e) informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento;
IV - o acesso:
a) à educação e ao ensino profissionalizante;
b) à moradia, inclusive à residência protegida;
c) ao mercado de trabalho;
d) à previdência social e à assistência social.
Parágrafo único. Em casos de comprovada necessidade, a pessoa com transtorno do
espectro autista incluída nas classes comuns de ensino regular, nos termos do inciso
IV do art. 2º, terá direito a acompanhante especializado. (BRASIL, 2012)

No entanto, válido ressaltar que a preocupação com a inclusão de pessoas com


deficiência não é recente. Já em 1961, o Brasil promulgou a Lei nº 4.024/61, que trata das
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Essa lei foi pioneira ao abordar os direitos das pessoas
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com deficiência no sistema educacional brasileiro, prevendo que elas deveriam ter acesso à
educação dentro do sistema geral de ensino. Embora a legislação da época ainda fosse limitada
e focada em políticas de inclusão educacional, a Lei nº 4.024/61 estabeleceu as primeiras bases
para o desenvolvimento de políticas educacionais mais abrangentes para as pessoas com
deficiência.
Em 1971, foi sancionada a Lei nº 5.692/71, que trouxe novas diretrizes para a educação
especial. Essa legislação reforçou a necessidade de atendimento especial para alunos com
deficiências mentais, físicas ou sensoriais, bem como para alunos que apresentavam atraso
escolar em razão de sua condição. Além disso, a lei também contemplava o encaminhamento
desses alunos para escolas especiais, que ofereciam uma educação adaptada às suas
necessidades específicas. Embora esse enfoque tenha sido importante para garantir o acesso à
educação, ele também reforçou a segregação escolar, um aspecto que seria reavaliado em
legislações futuras, que passaram a enfatizar a inclusão no ensino regular.
A criação dessas leis, de fato, representou um avanço nas políticas de inclusão, mas o
verdadeiro salto ocorreu nas décadas seguintes, com a ampliação do conceito de deficiência e
a criação de mecanismos mais robustos para garantir os direitos das pessoas com deficiência
em diversas esferas, como educação, trabalho, acessibilidade e saúde. A inclusão social deixou
de ser vista apenas como uma questão de políticas assistencialistas e passou a ser entendida
como um direito fundamental, assegurado pela Constituição e por legislações complementares.
Ao longo dos anos, a legislação brasileira foi se tornando mais abrangente e específica,
refletindo a evolução da compreensão dos direitos humanos e da necessidade de se criar um
ambiente mais inclusivo e acessível para todos os cidadãos. A promulgação da Lei Brasileira
de Inclusão da Pessoa com Deficiência, a Lei n. º 13.146, de 6 de julho de 2015, conhecida
como o Estatuto da Pessoa com Deficiência, foi outro marco importante, consolidando uma
série de direitos e promovendo a inclusão de pessoas com deficiência em todos os âmbitos da
sociedade.
Deste modo, o Estatuto da Pessoa com Deficiência, define uma série de direitos
destinados a garantir ações e serviços voltados para a promoção da saúde e qualidade de vida
das pessoas com deficiência. Dentre esses direitos, destaca-se a realização de diagnóstico e

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intervenção precoces, conduzidos por uma equipe multidisciplinar. Além disso, são
assegurados serviços de habilitação e reabilitação, sempre que necessários, visando a
manutenção das melhores condições de saúde (BRASIL, 2015).
O atendimento pode incluir tratamento domiciliar, ambulatorial e internações, bem
como a oferta de campanhas de vacinação. O suporte psicológico, tanto para a pessoa com
deficiência quanto para seus familiares e cuidadores, também é previsto, assim como o respeito
à identidade de gênero, orientação sexual, e às necessidades sexuais e reprodutivas, incluindo
o direito à fertilização assistida. Informações claras e acessíveis sobre a condição de saúde da
pessoa com deficiência devem ser fornecidas, tanto para ela quanto para seus familiares.
(BRASIL, 2015).
Além disso, os serviços de saúde são projetados para prevenir o surgimento ou
agravamento de deficiências, e há uma promoção constante da capacitação das equipes do SUS,
visando o atendimento adequado em todos os níveis de atenção. Também está garantida a oferta
de órteses, próteses, meios auxiliares de locomoção, medicamentos e fórmulas nutricionais,
conforme as normas do Ministério da Saúde (BRASIL, 2015).
Não obstante, a Lei nº 13.977/2020, conhecida como Lei Romeo Mio, trouxe uma
alteração significativa à Lei de Proteção da Pessoa com TEA, acrescentando o artigo 3º-A e
instituindo a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista
(CIPTEA). Essa carteira visa facilitar a identificação dos autistas, promovendo sua
autodeterminação, autonomia e desenvolvimento de capacidades, além de combater a
invisibilidade desse grupo perante o Estado. A CIPTEA é crucial porque permite censar a
população com TEA, possibilitando a coleta de dados para medir e avaliar o impacto
populacional dos autistas e, assim, aprimorar políticas e recursos voltados a essa comunidade.
Em conclusão, a legislação brasileira sobre a inclusão de pessoas com deficiência
evoluiu consideravelmente ao longo do tempo, acompanhando as mudanças sociais e o
reconhecimento da dignidade e dos direitos desse grupo. Desde as primeiras leis de educação
até as mais recentes regulamentações que abrangem transtornos como o TEA, o Brasil tem se
esforçado para garantir que as pessoas com deficiência tenham igualdade de oportunidades e
sejam tratadas com o respeito e a dignidade que merecem. Essas leis não apenas asseguram

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direitos, mas também impõem ao Estado e à sociedade a responsabilidade de promover um
ambiente inclusivo, acessível e justo para todos.

3. AUTISMO E AS DIFICULDADES DE EXERCÍCIO DOS DIREITOS


FUNDAMENTAIS

O presente capítulo oferece uma importante reflexão sobre os desafios enfrentados pelas
pessoas com TEA no que se refere ao acesso e exercício de seus direitos fundamentais. A partir
de uma análise da legislação e das dificuldades práticas vivenciadas por essas pessoas, torna-se
evidente que, apesar dos avanços legais, ainda existem barreiras significativas que dificultam a
plena inclusão social e o gozo dos direitos assegurados constitucionalmente. O reconhecimento
da pessoa com autismo como portadora de deficiência é um marco importante, mas a aplicação
desses direitos na vida cotidiana nem sempre acontece de forma eficaz. Neste contexto, é
essencial compreender as especificidades do TEA, suas características e os impactos que
causam no exercício dos direitos fundamentais, com vistas a uma abordagem mais inclusiva e
eficiente.

3.1 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): CONCEITOS E


CARACTERÍSTICAS

O TEA é caracterizado por uma série de sintomas que afetam o desenvolvimento


neurológico, sendo as principais dificuldades relacionadas à comunicação, interação social e
padrões de comportamento repetitivos ou restritos. Essas características centrais do TEA podem
variar em intensidade e manifestação, de forma que algumas pessoas apresentam sintomas mais
graves, enquanto outras possuem um desenvolvimento mais próximo ao típico, embora ainda
necessitem de intervenções.
O diagnóstico do autismo, segundo especialistas, ocorre geralmente entre os 12 e 24
meses de vida, mas pode ser percebido até antes disso, dependendo dos sinais apresentados pela

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criança. A falta de um diagnóstico precoce pode comprometer significativamente as chances de
intervenção adequada, afetando diretamente o desenvolvimento social e cognitivo do indivíduo.
Embora o autismo seja um transtorno pervasivo e permanente, intervenções baseadas
em evidências, principalmente quando realizadas de forma precoce, podem contribuir para a
melhoria dos sintomas e da qualidade de vida do indivíduo. Barbosa salienta que o impacto
econômico e social do autismo pode ser mitigado com o tratamento adequado, o que também
reflete no alívio da sobrecarga familiar. No entanto, muitas famílias ainda enfrentam
dificuldades significativas, especialmente pela falta de serviços especializados e pela
desinformação sobre o transtorno. (Barbosa, 2012, citado por Castro; Serrano, 2023, p. 2).
De acordo com Orru (2012, p. 17), o termo "autismo" deriva do grego "autós", que
significa "por si mesmo", refletindo a característica de isolamento observada em muitos
indivíduos com TEA. A origem do transtorno ocorre nos primeiros anos de vida, e embora os
sintomas possam ser sutis, sua identificação precoce é essencial para o manejo adequado. A
pesquisa científica ainda busca marcadores precoces de autismo, incluindo anormalidades
motoras e dificuldades na resposta a estímulos sociais. A classificação do autismo abrange
diferentes categorias, como a Síndrome de Asperger, que se caracteriza por uma inteligência
preservada, mas com dificuldades sociais, e o autismo clássico, que frequentemente está
associado a deficiências intelectuais mais graves.
A inclusão das pessoas com TEA na sociedade enfrenta desafios substanciais, sobretudo
no que tange ao diagnóstico e às políticas de intervenção. Muitas vezes, a ausência de
características físicas evidentes faz com que o autismo passe despercebido, dificultando o
reconhecimento das necessidades especiais desses indivíduos. Além disso, a variabilidade dos
sintomas, pode confundir familiares e profissionais da saúde, retardando o início de tratamentos
adequados.
Conforme a nova versão da Classificação Internacional de Doenças (CID-11), o autismo
é classificado pelo código 6A02 em substituição ao F84, englobando várias formas de
transtornos globais do desenvolvimento, como o Autismo Infantil, a Síndrome de Rett e o
Transtorno Desintegrativo da Infância (SÁ, 2022, n.p.). Cada uma dessas categorias apresenta

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sintomas distintos, e o diagnóstico adequado é fundamental para determinar o melhor tipo de
intervenção e suporte.
A Organização Mundial da Saúde define o autismo como uma síndrome que envolve
respostas atípicas a estímulos sensoriais e dificuldades significativas na compreensão da
linguagem falada, além de problemas graves de interação social. Esses sintomas, podem
manifestar-se de forma precoce, com a ausência de contato visual, resistência a mudanças e um
padrão de comportamento ritualístico. A variabilidade da inteligência em pessoas com autismo,
que pode ir de muito subnormal a níveis normais ou até acima da média, adiciona uma camada
extra de complexidade no diagnóstico e no tratamento (OPAS/OMS, 2020, n.p.).
Embora o autismo seja uma condição que afeta a vida de forma significativa, é mais
comum do que se imagina. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a OMS apontam
que o desconhecimento sobre o transtorno é generalizado, inclusive entre os profissionais de
saúde, o que resulta em diagnósticos errados ou tardios. As necessidades das pessoas com TEA
variam consideravelmente, e, além das intervenções terapêuticas, algumas podem necessitar de
adaptações pedagógicas e dietéticas, além de medicamentos específicos (OPAS/OMS, 2020,
n.p.).
Em conclusão, o TEA é uma condição complexa e multifacetada, que exige uma
abordagem diversificada em termos de diagnóstico, tratamento e políticas públicas. Embora a
legislação tenha avançado para garantir os direitos das pessoas com TEA, o caminho para uma
inclusão plena ainda é longo. A conscientização, a capacitação dos profissionais e o apoio
contínuo às famílias são fundamentais para que essas pessoas possam exercer seus direitos
fundamentais de forma plena e efetiva.

3.2 BREVE ANÁLISE DAS DIFICULDADES ENCONTRADAS NO ACESSO À


SAÚDE, EDUCAÇÃO E TRABALHO

O acesso a direitos básicos como saúde, educação e trabalho ainda representa um desafio
significativo para as pessoas com TEA. Dado que, embora a legislação avance na inclusão e
proteção destes, o sistema público e privado apresenta barreiras que dificultam a efetivação

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desses direitos. A OPAS/OMS destaca que, “em todo o mundo, as pessoas com transtorno do
espectro autista são frequentemente sujeitas à estigmatização, discriminação e violações de
direitos humanos. Globalmente, o acesso aos serviços e apoio para essas pessoas é inadequado.”
(OPAS/OMS, 2020, n.p.).
O acesso à saúde para as pessoas com TEA deveria ser assegurado de forma integral
pelo Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo o diagnóstico, habilitação, reabilitação,
atendimento psicológico, medicamentos e nutrição. No entanto, é comum encontrar
dificuldades no atendimento especializado devido à falta de profissionais capacitados e até
mesmo à demora no diagnóstico, o que pode agravar as condições e o desenvolvimento da
pessoa autista (CASTRO; SERRANO, 2023, p. 12).
Além disso, operadores de planos de saúde privados são legalmente obrigados a fornecer
o mesmo acesso aos tratamentos e serviços disponibilizados aos demais beneficiários, conforme
a Lei nº 9.656/98, proibindo qualquer discriminação de valores ou cobertura. Contudo, há
relatos de tentativas de negativa de cobertura e cobrança abusiva, o que obriga muitas famílias
a buscar apoio jurídico. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) pode ser acionada
nesses casos, mas o processo muitas vezes é longo e desgastante para as famílias (CASTRO;
SERRANO, 2023, p. 12). No mesmo sentido:

Nessa mesma esteira, as operadoras de planos de saúde privados, por diversas


ocasiões, obstam o acesso às terapias e procedimentos indicados aos seus pacientes
com Transtorno do Espectro Autista, principalmente quanto ao acesso a ações e
serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde e ao
atendimento multiprofissional. As insurgências dos respectivos usuários
essencialmente relacionam-se às negativas abusivas de coberturas assistenciais por
parte dos planos de saúde, o que contraria os direitos previstos na legislação correlata
e, sobretudo, na Lei Berenice Piana. As recorrentes negativas quanto às terapias
especializadas indicadas em laudo pelos médicos assistentes, ocorrem especialmente
para aquelas baseadas na Análise Aplicada do Comportamento (ABA), além da
escassez de profissionais qualificados nas áreas de atuação indicadas em laudo médico
para tratamento do autismo. Nessa hipótese, a Resolução Normativa da ANS
259/2011 prevê a opção de realização de pagamento por meio de reembolso
(FERREIRA, 2022, p. 14).

Ainda, para autistas de baixa renda, o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas)


do INSS representa um suporte importante, desde que sejam atendidos os critérios de renda
familiar e comprovação da condição de saúde, o que requer documentação extensa e aprovação
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em análise social e médica. Esse benefício, contudo, é complexo de ser obtido e ainda exige
constante monitoramento dos assistentes sociais (CASTRO; SERRANO, 2023, p. 12).
Enquanto, na área educacional, o direito à educação inclusiva é garantido pela Lei
13.146/2015, que estabelece que as instituições de ensino devem promover adaptações para
receber alunos com deficiência. Uma vez que, o seu art. 27, determina:

Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema
educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de
forma a alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades
físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e
necessidades de aprendizagem.
Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade
assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de
toda forma de violência, negligência e discriminação. (BRASIL, 2015, n.p.).

O artigo 28 do Estatuto da Pessoa com Deficiência, juntamente com seus incisos e o


parágrafo primeiro, detalha as responsabilidades do Poder Público e das instituições privadas
em garantir os direitos fundamentais às pessoas com deficiência, incluindo os autistas. Esse
entendimento foi reforçado pelo STF na ADI nº 5357. A Lei nº 7.853/99, por sua vez, exige a
matrícula compulsória de alunos com deficiência que possa integrar-se ao ensino regular,
reforçada pelo artigo 8º da mesma lei e pelo artigo 7º da Lei nº 12.764/12, que criminaliza
práticas de recusa, suspensão ou cobrança adicional por parte das instituições educacionais.
Assim, é obrigação das instituições de ensino, públicas ou privadas, garantir a matrícula
de alunos com deficiência e oferecer um ambiente educacional inclusivo. Negativas ou
cobranças adicionais relacionadas à deficiência configuram crime e implicam consequências
penais e cíveis, incluindo a possibilidade de indenizações, como exemplificado por decisões do
TJ-DF, TJ-SP e TJ-PR. Esses tribunais já fixaram valores de indenização por danos morais em
casos de discriminação, além de aplicarem penas restritivas contra gestores que condicionaram
matrículas de alunos com deficiência a valores adicionais.
Ainda, em relação ao TEA, a Lei nº 12.764/12 garante o direito ao acompanhamento
especializado para alunos autistas incluídos no ensino regular, sendo essa determinação
reafirmada em julgamentos, como o do TJ-MS, que assegurou o direito a uma criança autista

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matriculada em escola particular. As instituições de ensino devem, portanto, adaptar-se para
atender a essas necessidades, incluindo a contratação de profissionais de apoio.
O descumprimento dessas normas pode gerar consequências significativas, tanto cíveis
quanto penais. Nos casos julgados pelo TJ-DF e outros tribunais, foram impostas indenizações
por danos morais e reconhecidos ilícitos penais em casos de discriminação. A autoridade
nacional evidencia uma postura firme dos tribunais em proteger o direito à educação inclusiva.
(TJDFT, Acórdão n. 1.189.862, publicado em 6/8/2019; e TJPE, TJDFT, Acórdão n. 1.111.057,
publicado em 31/7/2018; Acórdão n. 1.325.286, publicado em 19/3/2021; e Acórdão n.
1.307.065, publicado em 21/1/2021)
Finalmente, cabe às instituições de ensino cumprir a legislação e adotar práticas
inclusivas para evitar riscos legais. Estudantes, familiares e responsáveis deverão conhecer e
reivindicar esses direitos, com respaldo no Poder Judiciário, caso necessário. A concretização
de uma educação inclusiva exige o esforço conjunto do Estado, da comunidade escolar e da
sociedade para tornar o ambiente educacional acessível a todos os estudantes com deficiência.
Ademais, para as crianças autistas, essa inclusão enfrenta dificuldades como a falta de
capacitação dos professores e a resistência de algumas escolas em adaptar o currículo ou em
investir nos recursos necessários para um ensino inclusivo, conforme exposto abaixo. A referida
lei destaca que os autistas têm direito a um acompanhamento especializado, como o apoio de
monitores e profissionais de psicologia e terapia ocupacional, porém, essas garantias são muitas
vezes ignoradas, e a sobrecarga de trabalho dos profissionais envolvidos impede um
acompanhamento adequado. Para muitos, a alternativa acaba sendo buscar o ensino em escolas
particulares, o que representa um alto custo financeiro para as famílias.
Enquanto, no mercado de trabalho, a inclusão de pessoas com TEA ainda é um desafio.
Mesmo com a legislação que prevê reserva de vagas e incentivos para contratação de pessoas
com deficiência, novamente a falta de compreensão sobre o autismo e as limitações que ele
pode gerar faz com que muitos empregadores hesitem em contratar autistas. A Lei de Cotas,
Lei nº 8.213/91, obriga as empresas a destinarem uma percentagem de vagas a pessoas com
deficiência, mas o preconceito e a falta de adaptações nos ambientes de trabalho acabam criando
barreiras.

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Ainda assim, iniciativas como o BPC/Loas contribuem para amenizar a situação de
autistas que, por diversas razões, não conseguem acessar o mercado de trabalho. Contudo, é
fundamental investir em programas de capacitação e sensibilização para que o mercado de
trabalho se torne, de fato, um espaço inclusivo e acolhedor para as pessoas com TEA.

3.3 A VIOLÊNCIA SOFRIDA POR CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM TEA NAS


CRECHES E ESCOLAS PELOS PROFESSORES DESPREPARADOS

O processo de inclusão de crianças e adolescentes com TEA no ambiente escolar é um


direito fundamental garantido pela Constituição Federal e pela legislação educacional
brasileira. Contudo, apesar dos avanços no papel, a realidade das instituições de ensino, em
muitos casos, revela um cenário de despreparo por parte de professores e gestores para lidar
com as particularidades desses alunos. Essa falta de capacitação adequada pode culminar em
situações de negligência, exclusão e até mesmo violência, física ou psicológica, contra
estudantes autistas, prejudicando não apenas seu desenvolvimento educacional, mas também
sua integridade emocional. (Castro; Serrano, 2023, p. 15).
Os alunos com autismo apresentam características variadas que podem afetar tanto suas
habilidades de comunicação quanto suas interações sociais, o que exige um suporte
especializado no processo de ensino-aprendizagem. A legislação brasileira, como a Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96, garante o acesso de estudantes com
necessidades educacionais especiais, incluindo os com TEA, ao ensino regular com as devidas
adaptações. Além disso, a Lei nº 12.764/12, que institui a Política Nacional de Proteção dos
Direitos da Pessoa com TEA, reforça o direito à educação inclusiva. Porém, a implementação
desses direitos enfrenta desafios na prática, devido à falta de preparo e suporte por parte das
instituições de ensino e dos profissionais da educação. Neste sentido:

Como autistas demonstram interesse muitas vezes excessivo por determinados


assuntos, é necessário relacionar todo o conteúdo que será aplicado com o que
desperta curiosidade. Sendo a imaginação uma fonte criativa em nosso pensamento, é
necessário que a escola e professor usem ferramentas que possibilitem a expansão do
pensamento da criança, como brincadeiras, jogos educativos, livros, internet, entre
outros.
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(...)
A formação continuada do tutor/professor é de grande importância para a atualização
pedagógica. Ele precisa-se especializar em todo esse processo, para então conseguir
fazer com que a inclusão e a aprendizagem ocorram dentro da sala de aula. É preciso
haver diferentes estratégias e metodologias educativas adaptadas para serem utilizadas
na aprendizagem da criança com TEA. Um professor de uma criança com TEA deve
ter uma formação de qualidade e sempre estar em contínuo aprendizado. (Magnani;
Otto, 2023, p. 12).

A falta de formação adequada de muitos professores é um dos principais fatores que


contribuem para as dificuldades no processo de inclusão. Não raro, educadores que não recebem
treinamento específico para lidar com crianças autistas acabam por utilizar métodos
inadequados de ensino e controle de comportamento, o que pode resultar em episódios de
violência. Essas situações de violência nem sempre se manifestam de forma explícita, mas
podem se expressar através de atitudes de exclusão, desrespeito, falta de paciência ou mesmo
práticas punitivas inadequadas para o contexto de crianças com TEA. Em vez de promoverem
um ambiente inclusivo e acolhedor, alguns profissionais acabam agravando o isolamento e o
sofrimento dos alunos (Castro; Serrano, 2023, p. 17).
Um dos principais fatores que contribuem para esse cenário é a ausência de um ambiente
adequado. Salas de aula lotadas, barulhentas e desorganizadas podem gerar uma sobrecarga
sensorial para o aluno com autismo, levando-o a reagir de forma intensa e, por vezes,
incompreendida pelos professores. As crianças com TEA necessitam de uma estrutura
pedagógica que inclua rotinas bem definidas, ambientes calmos e organizados, além de um
número reduzido de alunos por sala de aula, o que permitiria ao professor dedicar uma atenção
mais individualizada.
Outro aspecto fundamental é a metodologia de ensino. As práticas pedagógicas
tradicionais nem sempre são eficazes para alunos com autismo, e a falta de adaptação pode
reforçar ainda mais as barreiras de aprendizado. Assim, é necessário que os educadores estejam
capacitados a adotar abordagens diversificadas, que considerem as particularidades de cada
aluno, como o uso de atividades que estimulem as habilidades cognitivas e emocionais,
respeitando os limites individuais e propondo desafios que incentivem o progresso de forma
gradual.

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Ainda que a inclusão seja prevista em lei, o preconceito e a falta de conscientização
acerca do potencial cognitivo das crianças com autismo representam uma barreira significativa.
Muitas vezes, tanto os profissionais da educação quanto os próprios colegas de classe veem
essas crianças como incapazes de aprender ou de se integrar ao ambiente escolar, o que
contribui para a perpetuação de um ciclo de exclusão. Este preconceito, aliado à falta de
investimento governamental em formação continuada e ao escasso suporte especializado nas
escolas públicas, agrava a situação (Castro; Serrano, 2023, p. 17).
A violência contra crianças e adolescentes com TEA nas escolas vai além de atos físicos.
A negligência, a recusa em adaptar o currículo ou em oferecer o apoio necessário, assim como
a exclusão social dentro da sala de aula, são formas de violência silenciosa que afetam
profundamente o desenvolvimento dessas crianças. A superação desse problema exige uma
mudança estrutural no sistema educacional, que começa pela capacitação adequada de
professores e pela criação de políticas públicas que incentivem e facilitem a inclusão de forma
eficaz e respeitosa (Castro; Serrano, 2023, p. 18).
Portanto, é fundamental que o Brasil avance na implementação de políticas educacionais
que promovam a formação contínua dos profissionais da educação para lidar com alunos com
TEA. A inclusão verdadeira só será alcançada quando as escolas forem capazes de oferecer um
ambiente seguro, acolhedor e adaptado, onde todos os alunos, independentemente de suas
condições, possam desenvolver suas habilidades e exercer plenamente seus direitos
fundamentais, sem sofrerem qualquer tipo de violência ou discriminação.

4. O JUDICIÁRIO E OS DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DOS DIREITOS DAS


PESSOAS COM TEA

O presente capítulo visa explorar as iniciativas do judiciário quanto às pessoas com TEA
e quais os principais desafios na implementação dos direitos das pessoas com TEA, a partir da
análise da implementação de políticas públicas e sua repercussão social.

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4.1 AUTISMO NO JUDICIÁRIO

O poder judiciário tem avançado em iniciativas que buscam garantir um atendimento


adequado e respeitoso para as pessoas com TEA, bem como um ambiente acolhedor para
servidores autistas. Entre as diretrizes implementadas, destacam-se as Resoluções n. 343/2020
e n. 401/2021, ambas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Essas resoluções determinam,
por exemplo, a prioridade de atendimento para pessoas com deficiência, incluindo as que
possuem TEA, e reconhecem a importância de observar as necessidades específicas desse
público. A Resolução n. 401/2021, em particular, estabelece que demandas judiciais que
envolvem pessoas com deficiência devem tramitar com prioridade, garantindo assim mais
celeridade para casos que envolvem autistas. Entretanto, como aponta o Tribunal de Justiça do
Distrito Federal e Territórios (TJDFT), é importante considerar as particularidades do autismo,
como a literalidade e a rigidez cognitiva que alguns autistas apresentam, para assegurar que
essas normas sejam efetivas no dia a dia e respeitem a individualidade de cada pessoa. (Tribunal
de Justiça do Distrito Federal e Territórios, 2023).
Além de assegurar o respeito às normatizações, o poder judiciário investe na
conscientização e educação sobre o TEA, visando a difusão de conhecimento que permita um
acolhimento mais apropriado aos autistas. Esse esforço é particularmente importante, dado que
muitos magistrados e servidores convivem direta ou indiretamente com o autismo, seja por
estarem no espectro ou por terem familiares autistas. Em resposta a essa realidade, o Judiciário
vem promovendo programas de capacitação que abordam as características comuns do TEA,
como a rigidez cognitiva e a necessidade de orientações claras e por escrito. Isso facilita a
execução das tarefas e reduz as barreiras de comunicação, tanto para servidores autistas quanto
para jurisdicionados. (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, 2023).
O judiciário também incentiva a designação de atividades de acordo com as
peculiaridades do servidor com TEA, respeitando a individualidade e a necessidade de evitar
situações que possam gerar sobrecarga emocional ou sensorial. Para servidores autistas, isso
pode incluir, por exemplo, a possibilidade de evitar o atendimento direto ao público, se houver
dificuldades de comunicação que tornem essa atividade estressante. A utilização de uma

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linguagem clara e objetiva, tanto nos atos administrativos quanto nas interações diárias, é outro
ponto relevante para tornar o ambiente mais acessível, não apenas para servidores autistas, mas
para todos os envolvidos. (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, 2023).
Por fim, o judiciário permite que, caso o servidor autista deseje, o seu crachá
institucional contenha a identificação do TEA. Esse detalhe pode ser útil para promover empatia
e compreensão nas interações cotidianas, ao reconhecer a condição autista como uma parte da
identidade do servidor. Tais iniciativas reforçam o compromisso do Judiciário em promover
um ambiente de trabalho inclusivo e em oferecer um atendimento que respeite as necessidades
e os direitos das pessoas com autismo, tanto no papel de servidores quanto de jurisdicionados,
promovendo, assim, a inclusão e a dignidade.

4.2 POLÍTICAS PÚBLICAS E SEUS DESAFIOS

A inclusão de pessoas com TEA em políticas públicas tem sido um desafio constante
para o poder público no Brasil. Embora a legislação garanta diversos direitos e promova o bem-
estar das pessoas com deficiência, a implementação efetiva dessas políticas enfrenta uma série
de barreiras, que acabam por limitar o acesso e a inclusão plena das pessoas com TEA na
sociedade. A luta por uma sociedade mais inclusiva é, em grande parte, impulsionada por
organizações da sociedade civil, como a Associação de Amigos do Autista (AMA), que
oferecem suporte às famílias e reivindicam melhores condições para o desenvolvimento das
pessoas autistas.
Organizações como a AMA e outros defensores, incluindo ativistas, profissionais de
saúde e educadores, desempenham um papel crucial na sensibilização da sociedade e na defesa
de direitos iguais para pessoas com TEA. No entanto, a mobilização social, embora relevante,
não é suficiente para superar os desafios estruturais que limitam a implementação de políticas
públicas adequadas. Para que as demandas dessas organizações sejam atendidas, é necessário
que haja um alinhamento entre os esforços da sociedade civil e o compromisso do Estado em
garantir a efetivação de direitos, como o acesso à educação inclusiva, saúde, lazer e outras
formas de assistência.

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O Brasil conta com uma legislação que garante direitos às pessoas com deficiência,
como o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 7.853/89) e a Política Nacional de Proteção
dos Direitos da Pessoa com TEA (Lei nº 12.764/12). Essas leis asseguram, entre outros direitos,
o acesso à educação regular ou especial, a isenções fiscais, acessibilidade e benefícios de saúde.
Contudo, a aplicação dessas políticas ainda enfrenta desafios, especialmente no que diz respeito
ao atendimento de pessoas com autismo, que necessitam de cuidados e adaptações específicas.
A falta de recursos financeiros e a ausência de capacitação dos profissionais que atuam na rede
pública são obstáculos recorrentes que afetam diretamente a qualidade de vida dessas pessoas.
Além disso, o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CONADE),
instituído pelo Decreto nº 3.076/1999, é um órgão que deveria atuar de forma mais incisiva na
fiscalização e garantia dos direitos das pessoas com deficiência, mas muitas vezes encontra
dificuldades para atuar de forma efetiva devido a limitações orçamentárias e de estrutura. A
Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e
das Pessoas com Deficiência (AMPID) também desempenha um papel importante, mas
enfrenta desafios semelhantes, o que limita o alcance de suas ações.
Outro ponto de grande relevância é o papel da União, dos Estados e dos Municípios na
formulação e implementação dessas políticas. A Constituição Federal, em seu artigo 23, impõe
a competência comum de cuidar da saúde e da assistência pública e, de forma específica, da
proteção e garantia das pessoas com deficiência. Entretanto, a aplicação prática desse
dispositivo constitucional ainda está longe de ser ideal. A legislação que deveria assegurar a
proteção e a inclusão social de pessoas com deficiência muitas vezes esbarra na falta de
articulação entre os entes federados, gerando uma distribuição desigual de recursos e serviços
entre as diferentes regiões do país (BRASIL, 1988).
Ainda, o representante da Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência
do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Sérgio Eduardo Lima Prudente, anunciou
que o Governo Federal pretende criar uma câmara interministerial voltada para a formulação
de políticas inclusivas para pessoas com deficiência, incluindo os autistas. Ele também
informou sobre a criação de uma câmara técnica consultiva que reunirá associações e

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representantes da sociedade civil, visando desenvolver uma política nacional mais direcionada
e eficaz para esse público (Camimura; Mainenti, 2024).
Além disso, o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Promoção dos Direitos
Humanos, Cesar Nunes, destacou a necessidade de um novo modelo de escola, onde as pessoas
com deficiência sejam respeitadas e acolhidas em sua individualidade. Nunes defende uma
“escola de acolhimento e humanização, uma escola de dignidade, unitária, com lugar para
todos”, e afirma que a sociedade precisa internalizar o valor da democracia para que a escola
possa aplicar uma pedagogia inclusiva e transformadora (Camimura; Mainenti, 2024).
A repercussão social dessa deficiência na implementação de políticas públicas é severa,
uma vez que, pessoas com autismo enfrentam barreiras de acesso a serviços essenciais, como
saúde e educação, que deveriam estar garantidos por lei. Além disso, a ausência de campanhas
de conscientização e de formação continuada para profissionais que lidam com pessoas com
TEA contribui para perpetuar preconceitos e exclusão social. A falta de investimento em
estruturas inclusivas nas escolas e em programas de reabilitação e apoio também reforça as
dificuldades que as pessoas autistas e suas famílias enfrentam diariamente.
Conforme destacado por Araújo (1997, p. 122 citado por Castro; Serrano, 2023, p.7. )1:

Na realidade, o patrimônio jurídico das pessoas portadoras de deficiência se resume


no cumprimento do direito à igualdade, quer apenas cuidando de resguardar a
obediência à isonomia de todos diante do texto legal, evitando discriminações, quer
colocando as pessoas portadoras de deficiência em situação privilegiada em relação
aos demais cidadãos, benefícios perfeitamente justificados e explicados pela própria
dificuldade de integração natural desse grupo de pessoas (ARAUJO, 1997, p. 122).

Em conclusão, os desafios na implementação de políticas públicas voltadas às pessoas


com TEA no Brasil revelam um cenário que ainda carece quanto aos recursos e até mesmo a
falta de capacitação dos agentes responsáveis. Apesar de avanços legislativos, a realidade ainda
é marcada por uma série de dificuldades que impedem a plena inclusão social dessas pessoas.
É necessário que o Estado se comprometa de forma mais efetiva com a promoção de uma
sociedade verdadeiramente inclusiva, investindo em educação, saúde e assistência de qualidade,

1
ARAUJO, Luiz Alberto David. Proteção Constitucional das Pessoas Portadoras de deficiência. 2. ed. Corde,
1997.
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e garantindo que as políticas públicas cumpram seu papel de proteger e integrar as pessoas com
autismo, contribuindo para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante de todo o exposto, é evidente a importância de garantir os direitos fundamentais


das pessoas com TEA e a necessidade de um olhar mais atento por parte da sociedade e das
instituições, principalmente em áreas como saúde, educação e trabalho. Embora o ordenamento
jurídico já preveja direitos e garantias para esse grupo, a realidade enfrentada pelos autistas
ainda é marcada por barreiras significativas. Em especial, pela falta de capacitação de
profissionais, o estigma social e a insuficiência de políticas públicas efetivas que resultam em
exclusão e discriminação.
Além disso, o estudo demonstrou que o acesso à saúde mesmo com garantias legais,
muitos autistas enfrentam dificuldades para obter o atendimento adequado. A falta de formação
de profissionais de saúde e a falta de articulação entre os serviços públicos dificultam a
implementação de um atendimento integral, que considera as especificidades de cada indivíduo.
Portanto, é fundamental que o Sistema Único de Saúde e os planos de saúde sejam
constantemente monitorados para assegurar que os direitos dos autistas sejam respeitados e
efetivamente cumpridos.
Na área educacional, a pesquisa destacou a necessidade de uma abordagem inclusiva
que considere as particularidades de cada aluno com TEA. É essencial que as instituições de
ensino implementem práticas pedagógicas que respeitem a diversidade e promovam um
ambiente acolhedor. A formação de educadores sobre autismo é essencial para que possam
oferecer um ensino que reconheça e valorize as habilidades e necessidades dos estudantes
autistas, contribuindo para sua plena inclusão no ambiente escolar.
Ademais, a inclusão de pessoas com TEA no mercado de trabalho é outro desafio. Dado
que, mesmo com as previsões legais referentes à reserva de vagas e incentivos para contratação
de pessoas com deficiência, ainda há uma falta de compreensão sobre o autismo e as limitações
que ele pode gerar faz com que muitos empregadores deixem de contratar autistas.

24

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Por fim, este trabalho conclui que a promoção da dignidade humana e dos direitos
fundamentais das pessoas com autismo requer um esforço conjunto de toda a sociedade. É
necessário que haja uma mobilização para a construção de um ambiente mais inclusivo e
acessível, em que as especificidades do autismo sejam respeitadas. Isso envolve não apenas a
criação de políticas públicas adequadas, mas também a conscientização e a sensibilização da
população em geral, para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária para
todos, e exercemos um Estado Democrático de Direito.

Referências

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25

Revista Gestão e Conhecimento, v. 18, n. 2. 2024. ISSN 1677-9762


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Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98
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BRASIL. Lei nº 7.853/99. Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de deficiência, sua
integração social, sobre a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de
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