0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações11 páginas

Ilhas de Calor no Campus da UFPB

Este artigo analisa as ilhas de calor no Campus IV da Universidade Federal da Paraíba, destacando como as modificações urbanas afetam o clima local. A pesquisa identificou cinco pontos de coleta de dados e revelou uma diferença de temperatura de até 4,89ºC entre áreas urbanizadas e não urbanizadas, especialmente em janeiro. Os resultados enfatizam a necessidade de gestão sustentável do campus, considerando os impactos ambientais das coberturas do solo.

Enviado por

viniolvr17
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações11 páginas

Ilhas de Calor no Campus da UFPB

Este artigo analisa as ilhas de calor no Campus IV da Universidade Federal da Paraíba, destacando como as modificações urbanas afetam o clima local. A pesquisa identificou cinco pontos de coleta de dados e revelou uma diferença de temperatura de até 4,89ºC entre áreas urbanizadas e não urbanizadas, especialmente em janeiro. Os resultados enfatizam a necessidade de gestão sustentável do campus, considerando os impactos ambientais das coberturas do solo.

Enviado por

viniolvr17
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Volume 2, Número Especial 2016

[Link]

Análise das ilhas de calor em um campus universitário no Litoral


Norte da Paraíba.

Analysis of the islands of heat in a Campus on the north coast of Paraiba.

SILVA, I, A¹; SANTOS, J, S²; VIEIRA, M, L, S ³


ingridizinha_91@[Link]

Resumo Abstract

As diversas modificações que os ambientes urbanos vêm The various modifications that the urban environments
sofrendo têm proporcionado grandes mudanças nos are suffering have led to important changes in weather
sistemas climáticos urbanos, e é nesse contexto que este systems, and it is in this context that this article is part,
artigo se insere, com o objetivo principal de realizar um with the main objective to conduct a study of the urban
estudo do clima urbano, especificamente do campo climate, specifically the field shield inside the intra-urban
térmico, dentro do espaço intra-urbano do Campus. differentials of the Campus. Were defined 05 points of
Foram definidos 05 pontos de coleta dos dados data collection (temperature and RH), as a function of
(Temperatura e UR), em função de diferentes materiais de different flooring materials from the soil, where they are
revestimento do solo, onde foram instalados termo- installed Word-stem hygrometers. The experiments were
higrômetros. Os experimentos foram realizados durante performed during periods of drought and rainy weather.
os períodos de estiagem e o chuvoso. A avaliação da The evaluation of the intensity of island of heat was
intensidade de ilha de calor foi obtida pela diferença entre obtained by the difference between the air temperature of
a temperatura do ar da área não urbanizada com a the area not urbanized with the urbanized area. The results
urbanizada. Os resultados evidenciaram a formação de showed the formation of islands of heat more expressive
ilhas de calor mais expressivas para o mês de janeiro com for the month of January with 4,89ºC in urbanized area.
4,89ºC em área urbanizada. A pesquisa também The research also showed the need for a sustainable
demonstrou a necessidade de uma gestão sustentável do management of the Campus IV which takes into account
Campus IV que leve em consideração tais parâmetros such environmental parameters for spatial planning.
ambientais para o ordenamento territorial.
Keywords: Urban climatology, Island of heat, use and
Palavras-chave: Climatologia urbana, Ilha de Calor, occupation of the soil
Uso e Ocupação do Solo

1. INTRODUÇÃO

Segundo Monteiro (1976), o primeiro estudo a respeito do clima urbano surgiu em Londres,
por volta de 1833 e foi feito pelo climatologista Luke Howard, que percebeu contrastes
meteorológicos entre a metrópole e o seu entorno. Dessa forma, esse foi o ponto de partida para
que estudos relacionados a essa temática passassem a ser desenvolvidos em todo o mundo. Tal

1
Ingrid Almeida da Silva, Mestranda do Programa Desenvolvimento e Meio Ambiente , UFPB, João Pessoa-PB, Brasil
2
Joel Silva dos Santos, Professor do Programa de Desenvolvimento e Meio Ambiente, UFPB, João Pessoa – PB, Brasil.
³Maria de Lourdes S. Vieira, Bacharel em Ecologia, UFPB, Rio Tinto – PB, Brasil
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

fato ocorreu justamente com o início da Revolução Industrial, que constituiu-se em um período
marcado por grandes mudanças nos sistemas urbanos e também no sistema econômico onde as
pessoas que viviam no campo se viram obrigadas a ir morar nos centros urbanos em busca de
melhores empregos e condições de vida. Em consequência disso, ocorreu o crescimento das
cidades e a transformação significativa do espaço geográfico de várias regiões. Algumas das
transformações que ocorrem no espaço geográfico das áreas urbanas se representam através dos
diferentes tipos de uso e cobertura do solo, que frequentemente ocasiona impermeabilização da
parcela do solo urbano em substituição às áreas verdes por construções, aumentando assim, a
rugosidade da superfície pelo adensamento dos edifícios e a verticalização que alteram o microclima
desses ambientes e possibilitam a formação das ilhas de calor urbanas (SANTOS, et al., 2011).

Atualmente o estudo sobre o clima urbano se torna algo indispensável para o planejamento
urbano e a gestão sustentável das cidades, tendo em vista, o ritmo acelerado do crescimento urbano
sem o devido planejamento ambiental. Dentre todos os tipos de alterações climáticas que
acontecem dentro das cidades, o fenômeno da ilha de calor é um dos mais evidentes. A ilha de
calor urbana pode ser compreendida como um fenômeno típico das cidades que estão em crescente
processo de urbanização. O fenômeno se expressa melhor durante à noite apresentando
temperaturas bem mais altas nos centros urbanos em relação as áreas adjacentes. O local de seu
maior desenvolvimento coincide, com frequência, com o centro das cidades, onde as construções
formam um conjunto mais densificado (BALBIRATO, 2007). As causas que contribuem para a
formação da ilha de calor estão relacionadas às mudanças no balanço energético da superfície
devida à urbanização. Sabe-se que, devido à sua natureza física particular, os centros urbanos
podem ter temperaturas maiores que as áreas adjacentes, especialmente durante a noite e de
maneira proporcional ao tamanho da cidade o que caracteriza a formação das ilhas de calor nesses
ambientes (OKE, 1973). O uso de materiais escuros tanto nos edifícios como nos pavimentos
também contribuem para uma maior absorção de calor e consequentemente formação de ilhas de
calor. As temperaturas em superfícies escuras e secas podem chegar a 80 ºC durante o dia, já as
superfícies com vegetação e solo úmido sob as mesmas condições chegam a atingir apenas
18 ºC (GARTLAND, 2010).

O fenômeno da ilha de calor pode ser classificado como um impacto das mudanças no meio
urbano feito através das alterações humanas sobre a superfície terrestre. Para Givoni (1989) os

470
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

principais fatores que causam as ilhas de calor são as diferenças no balanço total de radiação entre
a área urbana e a rural, em particular a alta taxa de resfriamento durante a noite; armazenamento de
energia solar nas edificações durante o dia que é desprendida durante a noite; produção
concentrada de calor pelas atividades de transporte, indústria; baixa evaporação do solo e da
vegetação em áreas densas e fontes sazonais de calor (aquecimento e resfriamento do ar com
consequente desprendimento de calor para o ar urbano). Assim, a ilha de calor configura-se
como um fenômeno decorrente do balanço de energia no espaço urbano, que se caracteriza através
do acúmulo de calor nas superfícies e consequentemente a elevação da temperatura do ar,
(BALBIRATO, 2007).

A cobertura vegetal é um importante elemento para a amenização climática em áreas urbanas


e consequentemente para redução das ilhas de calor urbanas. Para Carvalho (2001), a amenização
climática de um ambiente está relacionada diretamente com a cobertura vegetal do local. Ao
realizar estudos sobre clima urbano e seus atenuantes, Honorato (2012) verificou que é preciso
levar em consideração as características do solo, vegetação, recursos hídricos, meios de
transportes, processos de uso e ocupação da área, dentre outros fatores, para efetuar alterações no
microclima das cidades e combater a formação das ilhas de calor urbanas Vale salientar que a
influência que uma cobertura vegetal exerce sobre o que chamamos de microclima urbano deve-se
aos inúmeros benefícios fornecidos ao ambiente em que se encontra, seja ela composto de
vegetação rasteira, arbustiva e arbórea.

Sendo assim, é diante deste contexto que esse artigo se insere, com o objetivo principal de
realizar um estudo do clima urbano, especificamente campo térmico, dentro do espaço intra-urbano
do Campus IV da Universidade Federal da Paraíba. A pesquisa procura correlacionar como as
diversas formas de uso e coberturas do solo podem interferir na formação das ilhas de calor
urbana na área de estudo. Dessa forma, espera-se que os resultados dessa pesquisa contribuam
para uma gestão sustentável do Campus IV e leve em consideração a importância da climatologia
urbana para o planejamento ambiental.

2. METODOLOGIA

471
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

2.1. Delimitação da Área de Estudo

A pesquisa foi realizada no espaço intra-urbano do Campus IV da Universidade Federal da


Paraíba (UFPB), localizada no município de Rio Tinto\PB (figura 1), microrregião do Litoral
Norte do Estado da Paraíba que fica entre as coordenadas geográficas 06º39’20” e 06º56’40’’
de Latitude Sul 34º50’00” e 35º16’00’’ de Longitude Oeste.

Figura 01. Localização geográfica do município de Rio Tinto onde está inserida a UFPB Campus IV.
Fonte: Freitas (2014).

O clima predominante é tropical chuvoso (com classificação Am, segundo Köeppen) com
verão seco e condições climáticas caracterizadas por duas estações bem definidas, o de estiagem
(agosto a fevereiro) e o chuvoso de ( março a julho). A média pluviométrica no período estudado
foi de 112,73 mm (AESA, 2014) com clima predominantemente quente e úmido que permanece
dentro da influência dos ventos alísios de sudeste durante todo o ano.

2.2. Procedimentos Metodológicos

Inicialmente foi feito um levantamento bibliográfico da temática em questão. Posteriormente


foram definidos 05 pontos para coleta dos dados de temperatura e umidade relativa do ar. Para a
coleta desses dados foram instalados termo-higrometros programados para realizar medições em
intervalos horários ininterruptos. A periocidade para o monitoramento do microclima do espaço
intra-urbano do Campus IV da UFPB ocorreu em dois períodos distintos: período de estiagem
referente ao mês de janeiro de 2014 e o período chuvoso da área de estudo, referente ao mês de
maio de 2014. As amostras experimentais foram definidas em função das diferenciações do uso e
cobertura do solo.

472
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

Para a avaliação da intensidade de ilha de calor (IC) urbana foi obtida a diferença entre a
temperatura do ar da área não urbanizada (com cobertura vegetal densa) com as amostras mais
urbanizadas (SILVA et al., 2010). Dessa forma, o ponto 02 (resquício de Mata Atlântica) foi
considerado o ponto de referência para o estabelecimento da intensidade de IC. Para a verificação
da ilha de calor urbana na área de estudo foram escolhidos dois meses representativos de cada
período climático e avaliadas a formação e intensidade da ilha de calor urbana na escala horária.
Para a análise do clima urbano foi utilizada a metodologia apresentada por Monteiro
(1976), onde são feitas medições in loco e a análise das variáveis climáticas de temperatura e
umidade relativa do ar são correlacionadas com a descrição física do uso e cobertura do solo
urbano.

2.3. Caracterização física das amostras experimentais

O campus IV da UFPB possui espaço intra-urbano amplo com uma biblioteca, salas de aula
dispostas em vários blocos, diversos laboratórios, praças, estacionamento, residências universitária,
restaurante universitário e auditório. Nesse espaço intra-urbano, estão localizados pontos de
monitoramento dos dados microclimáticos (figura 03). São eles (p1) central de aulas, (p2) próximo
ao fragmento de Mata (ponto de referência), (p3) praça central, (p4) biblioteca e (p5) bloco entre as
residências universitárias.

Figura 02. Campus IV da UFPB, unidade de Rio Tinto, com destaque para a localização dos pontos de
coleta de dados. Fonte: Freitas (2014).

O ponto (p1)localizado em frente a Central de Aulas apresenta características do seu entorno


com uso e cobertura do solo recoberto por materiais do tipo concreto e área construída. O (p2)

473
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

está próximo a um fragmento de Mata Atlântica, essa amostra experimental foi tomada como o
ponto de referência, pois suas características se assemelham as condições naturais da região
antes da instalação do Campus IV. Nela verifica-se uma rica e densa cobertura vegetal, sendo ela
arbustiva e arbórea. O (p3) está localizado na Praça Central do Campus IV da UFPB, essa
amostra experimental apresenta solo totalmente recoberto por materiais do tipo concreto e área
construída totalmente impermeabilizada, não apresenta cobertura vegetal e é cercada por
edificações de um a dois pavimentos, atuando como barreira para a passagem do vento. O (p4)
está localizado em frente à Biblioteca Central do Campus, essa amostra experimental apresenta
solo impermeável e material de recobrimento do tipo: concreto, e em menor quantidade cerâmica
e solo exposto, sem cobertura vegetal. Com isso, pode-se perceber que a maior parte do material
de revestimento é impermeável e apresenta propriedades térmicas de retenção de calor e
diminuição do albedo. Além disso, o seu entorno é caracterizado por edificações de um a dois
pavimentos, impedindo a circulação do vento predominante (sudeste). O (p5) está localizado entre
os blocos da residência universitária, essa amostra experimental apresenta parte do seu solo
impermeável e solo exposto, com áreas construídas.

Figura 03. Distribuição espacial dos tipos de cobertura do solo no Campus IV da UFPB. Fonte:
Freitas, (2014).

474
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com a caracterização do uso e cobertura do solo nos pontos monitorados, pode-
se evidenciar que em sua maior parte estão em ambientes impermeabilizados por concreto e área
construída, com exceção do (p2), que está próximo do resquício de Mata Atlântica. Pode-se dizer
que à medida que os ambientes estão sendo modificados, havendo a substituição de áreas com
vegetação por áreas construídas e impermeáveis, grandes modificações serão agravadas no meio
ambiente, alterando assim o campo térmico urbano (Rocha, 2011).

3.1. Comportamento da Ilha de Calor Urbana (ICU)

A ilha de calor é um fenômeno formado em áreas urbanas pela constituição dos materiais
de construção que absorvem e retêm mais calor da radiação solar do que áreas rurais ou menos
urbanizadas, por possuírem materiais naturais (GARTLAND, 2010). Portanto, a intensidade de
ilha de calor (IC) urbana foi obtida pela diferença entre a temperatura do ar da área com
presença de vegetação e solo permeável (P5) com as áreas mais urbanizadas (P1, P2, P3 e P4).
No mês de janeiro, período referente ao de estiagem, a maior ICU atingiu 4,89ºC às
08h00min no (p3). Silva, (2013) afirma que as superfícies urbanas se aquecem no decorrer do
dia e durante a noite liberam o calor absorvido. A menor ilha de calor no mesmo período
ocorreu no (p1) às 11h00min com 0,2ºC. Dessa forma a ICU oscilou entre 4,89ºC e 0,2ºC
a p r e s e n t a n d o u m a a m p l i t u d e d e 4,69ºC no espaço intra-urbano da área de estudo
(Figura 04). A maior temperatura registrada no período de coleta foi de 33,9ºC no mês de
janeiro no (P5), onde o mesmo apresenta parte do seu solo recoberto por materiais
impermeáveis.

Figura 04. Comportamento da ICU no dia monitorado referente ao período de estiagem /Janeiro.

475
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

As características físicas e dos materiais de recobrimento: blocos de dois pavimentos, solo


recoberto por concreto e grama espaçada existente no (P3) influenciou em uma maior
concentração de energia nesse local. Já (p1) que obteve a menor ICU está localizado em frente
a central de aulas do Campus e apresenta solo recoberto por concreto e cerâmica, mas também
está próximo de um fragmento de Mata Atlântica favorecendo assim a ventilação local, a taxa
de umidade relativa do ar e consequentemente a amenização climática.
Durante o mês de janeiro a precipitação foi de 29,2mm, também considerada baixa, porém
vale destacar que o mês de janeiro é o mais representativo no período de estiagem,
favorecendo assim a alta intensidade da ICU.
Pode-se observar também na (figura 04), o padrão horário da intensidade das ilhas de calor
nas amostras experimentais. Verifica-se que entre às 01h:00 min e 08h:00min da manhã as
ICU’s permaneceram altas, e a partir das 9h:00min até às 19h:00min elas p e r m a n e c e r a m
b a i x a s , voltando a subir novamente entre às 20h:00min e 00h:00min. Filho (2011),
também encontrou padrão semelhante em estudo realizado em Fortaleza-CE, onde as ilhas de
calor foram mais intensas durante a noite, atingindo até 3,0ºC. Vale destacar, que durante o dia
os materiais sólidos absorvem calor e liberam durante a noite, evidenciando assim, as maiores
ilhas de calor neste período noturno.

No mês de maio, período referente ao chuvoso, a maior ICU atingiu 3,7ºC, também (p3)
às 17h:00min. O (p3) está localizado na praça, onde o solo não apresentava nenhuma cobertura
vegetal, possui sua área toda é impermeabilizada e rodeada de prédios. Já a menor ICU foi de
0,1ºC no (p1), localizado próximo a um resquício de Mata Atlântica, às 08h:00min. De acordo
com esses dados, obteve-se uma amplitude térmica de 3,6ºC. Interessante perceber que valores
semelhantes foram encontrados para cidades de grande porte como São Paulo e Porto Alegre
(MENDONÇA, 2003). Para este mês a média pluviométrica foi de 158,5mm, evidenciando
uma maior taxa de precipitação para a área de estudo, fazendo com que as intensidades das ilhas
fossem menores nesse mês. Vale destacar que a menor temperatura registrada no período de
coleta foi de 19,5ºC no mês de Maio no (P2), aquele que possui características mais próximas
de um ambiente rural.

476
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

Figura 05. Comportamento da ICU no dia monitorado referente ao período chuvoso/ Maio

No período analisado, pode-se também observar alguns padrões horários nas ICU’s.
Verifica-se que entre 01h:00min e 13h:00min as ilhas permaneceram com intensidades baixas
e entre 14h:00min e 18h:00min elas permanecem mais intensas, voltando a diminuir a partir
das 19:00h. Esse fato demonstra que o papel da precipitação nesse período foi de “mascarar” os
valores das ilhas, invertendo os padrões evidenciados no período seco da área de estudo. Em
trabalho realizado na cidade de João Pessoa\PB, Santos (2011) corrobora com tais resultados. As
menores ilhas de calor foram encontradas no período chuvoso em contraste com o período seco.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os resultados obtidos através das análises do campo térmico urbano e sua relação com o uso e
cobertura do solo no espaço intra-urbano do Campus IV permitem concluir que a composição do
material de recobrimento do espaço intra-urbano do Campus IV da UFPB exerce grande
influência no comportamento da temperatura e umidade relativa do ar. A menor temperatura
registrada no período de coleta foi de 19,5ºC no mês de Maio no (P2), aquele que possui
características mais próximas de um ambiente rural. E a maior temperatura registrada foi de
33,9ºC (mês de Janeiro) no (P5), onde o mesmo apresenta parte do seu solo recoberto por
materiais impermeáveis. A análise da ICU foi considerada relevante, pois em cada um dos
pontos elas foram detectadas. A ilha de calor mais intensa foi encontrada no (p3) com 4,89ºC no
período de estiagem, demonstrando assim a necessidade de uma intervenção para que esse efeito
seja minimizado, podendo o ser o plantio de árvores uma delas. O horário de pico das ICU’s se
estabeleceu entre às 08h:00min até ás 19h:00min durante o período seco. Vale ressaltar que as
ICU’s no período de estiagem ocorreram durante a noite ou no início da manhã, ressaltando assim

477
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

que as superfícies começam a liberar a energia nesse período. Já no período chuvoso as ilhas de
calor ocorreram durante o período da tarde e início do período noturno. As ilhas de calor foram
menores durante o período chuvoso, pois a precipitação amenizou a intensidade das icu’s. Além
disso, a pesquisa também demonstrou a necessidade de uma gestão sustentável do Campus IV, que
leve em consideração conhecimentos do campo científico da Climatologia Urbana. Tais
parâmetros ambientais devem ser levados em consideração para o ordenamento territorial. Com
isso, espera-se que haja intervenções dentro do espaço intra-urbano do Campus IV da UFPB,
visando melhorias no planejamento ambiental e urbano da área de estudo.

5. REFERÊNCIAS

AESA (Agência Executiva De Gestão Das Águas Do Estado Da Paraíba) – Disponível em


<[Link]/aesa/jsp/monitoramento/chuvas/chuvas/[Link]#> Acesso em 22 de
novembro de 2014.

BALBIRATO G M. 2007. Clima E Cidade: A Abordagem Climática Como Subsídio Para


Estudos Urbanos, Págs. 71 e 76.

CARVALHO, M. M. Clima urbano e vegetação: estudo analítico e prospectivo do parque das


dunas em natal, 2001.

DA SILVA, V. P. R.; AZEVEDO, P. V.; BRITO, R. S.; CAMPOS; J. H. B. C. Evaluating the


urban climate of a typically tropical city of northeastern Brazil. Environ Monit Assess., v. 161,
n.1-4,p. 45-59, 2010

FILHO, F de A, L. Monografia em graduação em Física, pela UFCE. Estudo numérico de ilha


de calor em Fortaleza utilizando o modelo rams, 2011.

FREITAS, A, F SANTOS, J, S; ALMEIDA, N, V. Avaliação do conforto térmico do Campus


IV– Rio Tinto aplicado ao ordenamento territorial ambiental. Revista Caminhos de Geografia.
Uberlândia. 2014.

GIVONI, B. Urban design in diferente climates. Los Angeles, World


Metereological Organization (WMO/TD-n. 346, WCAP-10), 1989.

GARTLAND, L. Ilhas De Calor - Como Mitigar Zonas De Calor Com Áreas Urbanas,
Editora Oficina De Textos, 2010.

HONORATO, A. F. A. Ilhas De Calor E Frescor Na Área Urbana Da Cidade De Aquidauan,


[Link] Geonorte, Edição Especial, V.2, N.4, P.878 – 886 ,2012.

MONTEIRO, C.A. de F. Teoria e Clima Urbano. In: Série Teses e Monografias, n.25 – Instituto
de Geografia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo,
São Paulo, 1976.181p.

478
Silva et al., REGNE, Vol. 2, Nº Especial (2016)

MENDONÇA, C.A. Clima e planejamento urbano em Londrina. In: MONTEIRO, C. A de


F.;MENDONÇA, F.(Org.). Clima Urbano. São Paulo: Editora Contexto, 2003. 192p. p.93-12

ROCHA, L, M, V; SOUZA, L , C, L; CASTILHO, F, J, V. Ocupação do solo e ilha de calor


noturna em avenidas marginais a um córrego urbano. Revista Ambiente Construído. Ano VI, n.3.
Porto Alegre 2011.

SANTOS, J, S. Tese de Doutorado no programa de pós graduação em recursos naturais pela


UFCG. Campo térmico urbano e a sua relação com o uso e cobertura do solo em uma cidade
tropical úmida. 2011.

SANTOS, J, S; SILVA, V, P, R; ARAÚJO, L, E; LIMA, E, R, V; COSTA, A, D, L. Análise Das


Condições Do Conforto Térmico Em Ambiente Urbano: Estudo De Caso Em Campus
Universitário. Revista Brasileira De Geografia Física. V. N. 2:336-353. 2011.

SILVA, I, A; VIEIRA, M, L, S; SANTOS, J, S; ARAÚJO, L, E. Clima urbano: uma


avaliação do campo térmico urbano do campus iv da ufpb\Rio Tinto-PB. Revista Brasileira
de Geografia Física,Vol. 6, No 5.2013.

OKE,T ,R. City Size and The Urban Heat Island. Atmospheric Environment, v.7, p. 769-779,1973.

5. AGRADECIMENTOS
Agradecemos à Universidade Federal da Paraíba, ao Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento e
Meio Ambiente e á Capes pelo incentivo á pesquisa e auxilio financeiro.

Recebido em: 14/08/2016


Aceito para publicação em: 01/10/2016

479

Você também pode gostar