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Cálculo Diferencial em Várias Variáveis

O documento aborda o cálculo diferencial e integral de várias variáveis, focando em integrais de linha e suas aplicações em campos escalares e vetoriais. Introduz conceitos como o Teorema de Green e propriedades de campos conservativos, destacando a importância dessas ferramentas em cálculos de integrais em contextos matemáticos e físicos. O texto também inclui exemplos práticos para ilustrar os métodos de cálculo e suas aplicações.

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Cálculo Diferencial em Várias Variáveis

O documento aborda o cálculo diferencial e integral de várias variáveis, focando em integrais de linha e suas aplicações em campos escalares e vetoriais. Introduz conceitos como o Teorema de Green e propriedades de campos conservativos, destacando a importância dessas ferramentas em cálculos de integrais em contextos matemáticos e físicos. O texto também inclui exemplos práticos para ilustrar os métodos de cálculo e suas aplicações.

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CÁLCULO DIFERENCIAL

E INTEGRAL DE VÁRIAS
VARIÁVEIS
Moacir Ribeiro Cordeiro

e-Book 4
Sumário
INTRODUÇÃO������������������������������������������������� 3

INTEGRAIS DE LINHA������������������������������������ 4
INTEGRAIS DE LINHA DE CAMPOS ESCALARES��������������� 5
INTEGRAIS DE LINHA DE CAMPOS VETORIAIS������������������ 9
CAMPOS CONSERVATIVOS (NO )�������������������������������� 13
TEOREMA DE GREEN���������������������������������������������������������� 18
ÁREA DE SUPERFÍCIE��������������������������������������������������������� 23
INTEGRAIS DE SUPERFÍCIE������������������������������������������������ 31
TEOREMA DE STOKES�������������������������������������������������������� 34

CONSIDERAÇÕES FINAIS���������������������������� 42

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS &


CONSULTADAS�������������������������������������������� 44
INTRODUÇÃO
Neste módulo, estudaremos o cálculo vetorial, que
é um conceito referente ao Cálculo Diferencial e
Integral. Inicialmente, apresentaremos o conceito
de integrais de linha, pois, com isso, abordaremos
suas principais propriedades e características.

A partir de conhecimentos referentes à parametri-


zação de curvas e às operações vetoriais básicas,
entenderemos os procedimentos de cálculo tanto
para campos escalares quanto para campos vetoriais.

Em seguida, passamos ao Teorema de Green, o


qual possibilitará que ampliemos consideravel-
mente nossas habilidades no que diz respeito ao
cálculo de integrais de linha envolvendo curvas
fechadas no .

A capacidade de parametrizar superfícies no es-


paço faz com que efetuemos o cálculo de áreas
de superfície em um espaço tridimensional, assim
como o cálculo de integrais de superfície de uma
dada função.

Por fim, com os conhecimentos adquiridos acerca


do rotacional de um campo vetorial aliado aos
conceitos de integrais duplas, poderemos estudar
o Teorema de Stokes, que estenderá as possibili-
dades de cálculo para integrais de linha fechadas
em um espaço tridimensional.

3
INTEGRAIS DE LINHA
Nesta seção, trataremos das integrais de linha, por
tratar-se de um conceito fundamental que serve
de base para todos os outros desenvolvidos pos-
teriormente ao longo deste módulo. As integrais
de linha são essenciais dentro do Cálculo, com
grandes aplicações na Física e em outras áreas
do conhecimento.

Quando iniciamos os estudos das integrais sim-


ples, usualmente calculamos as integrais sobre
intervalos em uma dada variável. Por exemplo,
quando olhamos para a integral

,
verificamos que a integral é calculada sobre um
intervalo de (neste caso, o intervalo 0 ≤ x ≤ 1).

A integral de linha possibilita calcular as integrais


não mais sobre um intervalo em uma dada variá-
vel, mas sobre uma curva no plano xy. Portanto,
a integral de linha corresponde a uma somatória
ao longo de uma curva (caminho de integração).

Sendo assim, quando falamos em uma integral de


linha, podemos calcular uma integral ao longo de
uma reta, parábola ou mesmo uma circunferência.

4
Essa é a grande novidade: calcular uma integral
ao longo de uma curva.

INTEGRAIS DE LINHA DE CAMPOS


ESCALARES
Inicialmente, estudaremos as integrais de linha para
funções escalares (não vetoriais). Para calcular uma
integral ao longo de uma curva, necessitamos de
duas informações essenciais: a função que será
integrada e a curva ao longo da qual realizaremos
a integração.

Nesse caso, utilizaremos uma função escalar de


duas variáveis do tipo f(x, y). Já a curva (ou caminho
de integração) é representada pela função vetorial
(ou vetor parametrização da curva). Assim, para
resolver integrais de linha, é necessário relembrar
alguns aspectos das funções vetoriais. Note que,
ao longo dos exemplos, faremos comentários
explicativos com o intuito de relembrar aspectos
devidamente necessários.

Representaremos a integral de linha de uma função


escalar como ∫ f(x,y)ds. Essas integrais podem ser
calculadas a partir desta expressão:

5
em que f é a função que será integrada e éa
função vetorial (ou parametrização) do caminho
de integração com a ≤ t ≤ b. Essa expressão pode
parecer um pouco assustadora no início, mas
vamos contextualizar como ocorre esse tipo de
cálculo nos exemplos a seguir.

Exemplo 1: Calcule a integral de linha da função


f(x, y) = x3y ao longo do caminho definido pela reta
y = 2x , ligando os pontos (0,0) e (1,2).

A primeira coisa que precisamos fazer em um


exercício como esse é encontrar uma função ve-
torial que descreva o caminho dado no exercício.
Se chamarmos a variável x de t (x=t), podemos
escrever o seguinte:

Note que tudo que escrevemos é uma consequ-


ência de escrevermos x = t. É importante lembrar
que a função vetorial será sempre escrita assim:

Então, vamos substituir as informações já conhe-


cidas nesta expressão:

Pronto! Essa é a função vetorial associada à reta


dada no exercício.

6
O próximo passo é calcular

Note que substituímos os valores de x e y já obtidos


dentro da função f. Por isso, calcularemos o vetor
(derivada do vetor ):

Com esse vetor, calculamos a norma do vetor

: .

Por fim, substituímos todas as informações na


fórmula da integral de linha:

Esse é o resultado da integral de linha da função


escalar f(x, y) = x3y, ao longo do caminho definido
pela reta y = 2x entre os pontos (0,0) e (1,2).

A metodologia de resolução envolve, primeiramen-


te, encontrar a função que descreve o caminho
dado no problema. Depois, calculamos e

7
e substituímos na equação geral. A partir
disso, podemos resolver uma integral em t e obter
o resultado.

Exemplo 2: Calcule a integral de linha da função


f(x,y) = x2 + y2 ao longo da circunferência de raio
2 centrada na origem: x2 + y2 = 4.

Lembre-se de que a função vetorial que descreve


uma circunferência pode ser escrita da seguinte
forma:

,
na qual (x0, y0) são as coordenadas do centro da
circunferência, e R é o seu raio.

Nesse caso, temos x0 = y0 = 0 e R = 2, portanto:

Então, a função será:

Calculando :

Calculando e :

8
Finalmente, substituindo na equação:

INTEGRAIS DE LINHA DE CAMPOS


VETORIAIS
Anteriormente, soubemos como calcular a integral
de linha de uma função escalar f(x, y), ao longo de
um caminho qualquer. Por isso, estenderemos esse
mesmo conceito para tratar os campos vetoriais.

Lembremos que um campo vetorial corres-


ponde a uma função que associa um vetor a cada
ponto do plano. A integral de linha de um campo
vetorial ao longo de uma dada curva é representada
por e calculada conforme esta expressão:

9
em que corresponde ao campo vetorial, e é
a função vetorial ou parametrização da curva de
integração. Uma vez conhecidos o campo vetorial
e a curva, podemos calcular a integral de linha
usando essa relação.

Um aspecto interessante dessas integrais é que,


dentro da integral, existe um produto escalar entre
os vetores e . Tal produto escalar deve ser cal-
culado, e o resultado será a função a ser integrada
na variável t. A seguir temos exemplos.

Exemplo 3: Calcule a integral de linha do campo


ao longo da parábola
y = x entre os pontos (0,0) e (1,1).
2

Vamos fazer x=t e encontrar a parametrização


para esta parábola:

Assim, calculemos , substituindo na função


os valores de x e y :

Derivando para calcular :

10
Podemos substituir as informações encontradas
na expressão:

Calculando o produto escalar dos dois vetores:

Exemplo 4: Calcule a integral do campo vetorial

ao longo da curva y = x 3/2 tomada entre os pontos


(0,0) e (4,8).

Vamos fazer x=t e encontrar a parametrização


para a curva:

Agora, vamos calcular , substituindo na


função os valores de x e y

11
Derivando para calcular :

Podemos substituir as informações encontradas


na expressão:

FIQUE ATENTO

Uma importante aplicação do conceito de integral de


linha pode ser encontrada na Física. Se uma partícula
estiver se movendo ao longo de certo caminho sob a
ação de um campo de forças , a integral de linha
de através desse caminho fornecerá o trabalho
realizado pelo campo de forças sobre a partícula.

12
Uma vez que, na Física, existem campos de força gra-
vitacionais, eletromagnéticos e até nucleares, o estudo
das propriedades físicas de corpos em movimento pode
ser mais bem entendido e modelado a partir de concei-
tos matemáticos como os que acabamos de aprender!

CAMPOS CONSERVATIVOS (NO )


Neste momento, estudaremos as propriedades e
características de um tipo todo especial de campo
vetorial: os campos conservativos. Essa classe
de campos vetoriais mostra-se pertinentes em
diversas aplicações na Física e áreas correlatas.

Consideremos um campo vetorial na forma

sobre uma região aberta e simplesmente cone-


xa. Dizemos que o campo vetorial é um campo
conservativo, se:

y Fx e Fy têm derivadas parciais contínuas.

Portanto, caso ambas as condições sejam satis-


feitas, teremos um campo do tipo conservativo. E
o que significa exatamente isso?

13
Um campo conservativo contém uma série de
propriedades especiais:

1) A integral de linha não depende do caminho

2) O campo admite uma função potencial ϕ,


tal que

3)

4)

A propriedade 1 diz que, em um campo conserva-


tivo, a integral de linha não depende do caminho,
ou seja, para campos conservativos, o resultado de
uma integral de linha depende exclusivamente dos
pontos inicial e final de integração, não importando
o caminho tomado entre os dois pontos.

A propriedade 2 apresenta uma nova função de


grande importância. ϕ é a função potencial asso-
ciada a um campo conservativo. O processo de
obtenção dessa função potencial será detalhado
ao longo do exemplo apresentado mais adiante.

A propriedade 3 informa que o resultado de qualquer


integral de linha em um campo conservativo pode
ser calculado como se fosse a variação do valor
da função ϕ tomada entre os pontos inicial e final.
Com isso, conhecendo-se a função ϕ, qualquer
integral de linha pode ser calculada com relativa
facilidade.

14
A propriedade 4 traz que, em um campo conser-
vativo, qualquer integral de linha em uma curva
fechada deve necessariamente ser igual a zero.

Exemplo 5: O campo vetorial

é do tipo conservativo? Em caso positivo, deter-


mine a função potencial φ associada ao campo e
calcule a integral de linha desse campo ao longo
da reta y=2x-1 tomado entre os pontos (1,1) e (2,3).

Para esse campo vetorial definido em todo o ,


temos que

.
Vamos calcular as seguintes derivadas parciais:

Repare que as derivadas parciais calculadas são


iguais! Essa informação, aliada ao fato de que as
derivadas parciais são contínuas, permite concluir
que o campo em questão é conservativo. Sendo
assim, calculemos a função potencial φ associada
ao campo. Sabemos (da propriedade 2) que ,
logo, podemos escrever o seguinte:

15
Nossa função φ deve satisfazer duas condições:

Analisando a primeira condição:

Essa deve ser a forma da função ϕ, a fim de que


a condição 1 seja satisfeita. Note que, ao calcular
uma integral indefinida, devemos acrescentar uma
constante C à resposta. O único detalhe adicional
a mencionar aqui é o fato de que, como fizemos
uma integral em ‘x’ (‘y’ foi considerado constante),
a constante acrescentada ao final pode, a princípio,
depender de ‘y’. Por isso, ao acrescentar a cons-
tante, indicamos a possibilidade escrevendo C(y).

Usaremos as informações já obtidas para estu-


dar agora a condição 2. Para isso, vamos derivar
a função φ encontrada em relação a ‘y’ e depois
igualá-la a :

16
Para que a condição seja verdadeira, precisamos
que C’(y) = 0. E para a derivada C(y) de ser nula,
deve ser uma constante, ou seja, C(y) = k.

Usando as informações calculadas, podemos


concluir que a função ϕ, para atender às duas
condições, deve ser desta forma:
ϕ = x2y3 + k
Essa é a função potencial para o campo conser-
vativo fornecido. Sendo assim, podemos calcular
a integral de linha que foi pedida no enunciado,
por meio da seguinte propriedade dos campos
conservativos:

Pronto! Eis o resultado da integral de linha proposta


calculada a partir da teoria de campos conservativos.

Observe que, uma vez determinada a função po-


tencial φ de um campo conservativo, podemos

17
resolver qualquer integral de linha simplesmente
usando a propriedade:

.
Portanto, em caso de campos conservativos, não
precisamos realizar os procedimentos conven-
cionais de cálculo de integrais de linha, como a
parametrização do caminho de integração, cálculo
de um produto escalar e integração do resultado.

Em Física, os campos de força gravitacional e


eletromagnético são conservativos. Isso permite
que toda uma teoria física referente aos sistemas
conservativos pode ser construída com base
nesses conceitos matemáticos. Os aspectos que
envolvem a conservação de energia em sistemas
físicos são de cruciais para a compreensão de
diversas questões sobre o universo.

TEOREMA DE GREEN
Neste ponto, já somos capazes de calcular integrais
de linha de campos vetoriais. Entretanto, em alguns
casos, o cálculo das integrais tal qual aprendemos
pode se mostrar um tanto complicado do ponto
de vista operacional.

Assim, o Teorema de Green é de grande auxílio


para o cálculo de integrais de linhas em que o

18
caminho de integração seja uma curva fechada.
Para que o teorema possa ser utilizado, temos
alguns pré-requisitos:
y O caminho de integração C deve ser uma curva
fechada, simples, contínua por trechos e percorrida
no sentido anti-horário.
y R é a região do plano delimitada pela curva
fechada C.
y O campo vetorial

deve conter derivadas parciais de primeira ordem


contínuas sobre uma região com R.

A partir dessas condições, apresentamos o Teo-


rema de Green:

Vamos entender o que o teorema diz. O resultado


da integral de linha sobre uma curva fechada (lado
esquerdo da igualdade) é igual ao resultado da
integral dupla (lado direito da igualdade).

Em outras palavras, o teorema permite “trocar”


uma integral de linha fechada por uma integral
dupla. Quando utilizamos o Teorema de Green,
não resolvemos mais as integrais de linha da
forma como fazíamos. Em vez disso, resolvemos

19
uma integral dupla, pois o teorema garante que o
resultado seja o mesmo.

A Figura 1 apresenta detalhes da região de inte-


gração dessa integral dupla:
Figura 1: Teorema de Green (curva fechada e região de
integração).
9

8 C

6
R
5

-3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15

-1

-2

Fonte: Fonte: Elaboração própria.

Note que a curva fechada C delimita uma região R


contida no . Trata-se exatamente da região que
deve ser descrita na integral dupla quando utiliza-
mos o Teorema de Green. A região de integração é,
portanto, a região delimitada pela curva fechada C.

A seguir, apresentamos alguns exemplos de utili-


zação do teorema.

20
Exemplo 6: Utilize o Teorema de Green e calcule
a integral de linha do campo vetorial

sobre o triângulo de vértices (0,0); (3,0) e (3,3).

Um triângulo consiste em uma curva fechada,


portanto, podemos aplicar o Teorema de Green:

Sabemos qual será a função a ser integrada, mas


precisamos descrever a região delimitada por este
triângulo:

35

25

2
y=x
15 R { 00 << xy << 3x
1
R

05

-1 -05 0 05 1 15 2 25 3 35 4 45 5 55 6 65

-05

Com essa descrição, podemos escrever a integral


dupla com seus extremos adequados:

21
Pelo Teorema de Green, esse é o resultado da in-
tegral de linha fechada da função , ao longo
do triângulo fornecido no problema. Repare que os
conhecimentos sobre descrição de regiões no e
resolução de integrais duplas se mostram bastante
necessários quando recorremos ao teorema.

Exemplo 7: Usando o Teorema de Green, calcule


a integral de linha do campo vetorial

sobre a circunferência x2 + y2 = 4.

A circunferência consiste em uma curva fechada;


logo, podemos aplicar o Teorema de Green:

Já sabemos qual será a função a ser integrada,


mesmo assim precisamos descrever a região
delimitada pela circunferência. Como temos uma
circunferência de raio 2 centrada na origem, pode-

22
mos descrever a região em coordenadas polares
da seguinte maneira:

.
Vamos escrever a integral que obtivemos em coor-
denadas polares com seus extremos adequados:

ÁREA DE SUPERFÍCIE
Ao longo deste estudos de cálculo, fomos capazes
de calcular áreas de diversas regiões situadas em
um plano xy. Sabemos, porém, que o gráfico de uma
função de duas variáveis do tipo f(x,y) corresponde
a uma superfície em um espaço tridimensional. A
pergunta que cabe aqui é: como poderíamos calcular
a área de uma superfície como essa? É possível
calcular as áreas de superfície de paraboloides,
cones, esferas etc.?

Resposta: sim, é possível. Antes de fazer isso, pre-


cisamos entender como acontece a parametrização
de uma superfície em um espaço tridimensional.

23
Para isso, faremos uma comparação entre a pa-
rametrização de uma curva e de uma superfície.

A fim de resolver os problemas, encontramos


diversas parametrizações de curvas no plano xy.
O vetor parametrização de uma curva era escrito
na forma . Por exemplo, para uma reta y = 3x,
podemos escrever

,
e o vetor parametrização para essa reta seria

.
De que maneira poderíamos parametrizar uma
superfície?

Para parametrizar uma superfície no espaço, é


necessário encontrar seu vetor de parametrização
. Por exemplo, para uma função z = x2 + y3,
poderíamos fazer x = u, y = v e escrever

.
O vetor parametrização pode ser escrito assim:

.
Nesse caso, ao substituir essas informações, temos:

24
Observe que, quando parametrizamos uma su-
perfície, obtemos um vetor de três componentes
( ) escrito em função de duas variáveis (u e v).

Uma vez entendidos esses aspectos, podemos


apresentar a expressão que possibilita o cálculo
da área de uma superfície lisa qualquer:

Vamos compreender essa expressão:

são as derivadas parciais do vetor parametrização


em relação às variáveis u e v, respectivamente. O
operador ‘ ’ aponta que devemos calcular o produto
vetorial das derivadas parciais.

Por fim, calculamos a norma do vetor obtido por


meio desse produto vetorial, e com isso desco-
brimos a expressão que deve ser integrada para
obtenção da área de superfície.

Isso pode até parecer um tanto confuso no pri-


meiro momento, mas apresentaremos exemplos
por meio dos quais contextualizamos a aplicação
desses conceitos:

Exemplo 8: Calcule a área da superfície definida


pelo plano z = 3 - x - y situada no primeiro octante

25
(x ≥ 0, y ≥ 0, z ≥ 0), conforme apresentado na figura
a seguir:
5 Z

-6 2
-5
-4 6
1 5
-3 4 Y
3
-2 2
0 1
-1 -1 0
-2
-3 0
-4
-5 1
-6 -1
2
3
-2 4
5
6

Inicialmente, fazemos x = u e y = v e parametri-


zamos o plano:

Calculamos as derivadas parciais :

Em seguida, calculamos o produto vetorial das


derivadas parciais:

26
Agora, calculamos a norma do vetor que encontramos:

Enfim, podemos substituir essa informação na


fórmula do cálculo de área:

Já sabemos qual é a expressão integrada, mas


falta determinar a região de integração. Para
isso, apresentamos uma figura na qual podemos
verificar a projeção (sombra) dos pontos do plano
z = 3 - x - y sobre o plano xy. Observando uma vista
adequada do plano xy, conseguimos descrever a
região de integração com variações de x e y.

27
4 Y

4
Z 3

3
2
2

1
-4 1
-3
-2 0
-1

1
-1 2 X
3
4
-2

-3

Note que é possível checar a região de integração


e sua descrição. Se nos lembrarmos de que x = u
e y = v, podemos escrever:

.
Assim, escreveremos a integral com seus extremos
adequados:

Essa é a área da superfície plana proposta no


exercício.

28
Exemplo 9: Calcule a área da superfície definida
pelo paraboloide de equação z = 4 - x2 - y2 com z ≥ 0.

Inicialmente, fazemos x = u e y = v e parametriza-


mos o paraboloide:

Agora, calculamos as derivadas parciais

Em seguida, calculamos o produto vetorial das


derivadas parciais:

E calculamos a norma do vetor que encontramos:

29
Enfim, podemos substituir a informação na fórmula
do cálculo de área:

Sabemos qual é a expressão a ser integrada. Para


definir a região de integração, podemos olhar a
intersecção do paraboloide z = 4 - x2 - y2 com o
plano xy (z = 0):
4 - x2 - y2 = 0 ⇒ 4 = x2 + y2 ⇒ x2 + y2 = 4
Temos uma circunferência de raio 2 centrada na
origem, que pode ser descrita em coordenadas
polares desta forma:

Lembremos que x = u e y = v, assim, podemos


dizer que: u2 + v2 = x2 + y2 = r2. Com isso, vamos
escrever a integral em coordenadas polares com
seus extremos adequados:

Essa integral pode ser resolvida mediante a


substituição:

30
INTEGRAIS DE SUPERFÍCIE
Anteriormente, estudamos as integrais de linha,
nas quais a função f(x,y) era integrada ao longo de
uma curva descrita por um vetor parametrização
. A questão é: seria possível definir uma ope-
ração de integração que ocorra ao longo de uma
dada superfície?

A resposta é sim, pois podemos definir uma so-


matória sobre uma função f(x, y, z) ao longo dos
pontos definidos por uma superfície. Nesse caso,
o vetor parametrização da superfície será .
Esse tipo de integral chama-se integral de superfí-
cie de uma função, sendo representado na forma

.
A integral de superfície pode ser calculada pela
seguinte expressão:

31
em que f é a função que deve ser integrada, e é o
vetor parametrização da superfície de integração.

Exemplo 10: Calcule a integral de superfície da


função f(x,y,z) = xyz ao longo da superfície definida
por:

.
Encontramos o vetor parametrização dessa superfície:

Agora, calculamos , substituindo na função


os valores de x, y e z:

E calculamos as derivadas parciais

32
Em seguida, calculamos o produto vetorial das
derivadas parciais:

Agora, vamos calcular a norma do vetor que


encontramos:

E podemos substituir a informação na fórmula geral:

Já conhecemos a expressão a ser integrada. A


região de integração já foi definida no enunciado
desse exercício:

Vamos, então, escrever a integral com seus extre-


mos adequados:

33
Esse é o resultado da integral de superfície da função
f(x,y,z) = xyz ao longo da superfície definida por:

.
Uma vez entendidos os aspectos envolvendo
integrais de linha, cálculo de área de superfície e
integrais de superfície, podemos passar ao teorema
do cálculo vetorial, isto é, o Teorema de Stokes.

TEOREMA DE STOKES
Ao longo deste estudo, o Teorema de Green mos-
trou-se pertinente para calcular as integrais de
linha de curvas fechadas no plano xy. O Teorema
de Stokes, por sua vez, pode ser entendido como
uma extensão do Teorema de Green para proble-

34
mas que envolvam as integrais de linha de curvas
fechadas em um espaço tridimensional.

O Teorema de Stokes preconiza que qualquer


integral de linha de um campo vetorial (com
derivadas parciais contínuas) ao longo de uma
curva C fechada, lisa por partes e orientada no
sentido anti-horário pode ser calculada pela se-
guinte expressão:

Tal expressão diz objetivamente que uma integral


de linha fechada (lado esquerdo da igualdade) pode
ser “trocada” por uma integral dupla que envolve
um produto escalar

.
Com vistas a entender os termos que compõem o
produto escalar, chamemos o vetor parametriza-
ção da superfície cuja fronteira é C. Esses aspectos
podem ser observados na Figura 2:

35
Figura 2: Teorema de Stokes (curva C, superfície S e região de
integração R).

S
Y

Fonte: Elaboração própria.

Além disso, devemos recordar que o rotacional de


um campo vetorial pode ser calculado através
da seguinte expressão:

Por fim, a região de integração R a se descrever na


integral dupla corresponde à projeção (sombra) dos
pontos definidos pela superfície S sobre o plano
xy. Repare nesses aspectos na Figura 2.

Exemplo 11: Utilizando o Teorema de Stokes,


calcule a integral da linha do campo vetorial

36
ao longo da curva definida pela intersecção do
plano z = 6 com o cilindro x2 + y2 = 9.

Para utilizar o Teorema de Stokes, vamos calcular


o rotacional de :

Vamos parametrizar a superfície definida pelo


plano z = 6 :

Calculemos então as derivadas parciais

Em seguida, calculemos o produto vetorial das


derivadas parciais:

37
Podemos utilizar o Teorema de Stokes:

Conhecemos a função a ser integrada. Então, pre-


cisamos descrever a região da integração. A partir
da informação x2 + y2 = 9 fornecida no enunciado,
podemos descrever a região em coordenadas
polares:

.
Vamos então escrever a integral obtida em coor-
denadas polares com seus extremos adequados:

Exemplo 12: Calcule, usando o Teorema de Stokes,


a integral de linha do campo vetorial

38
ao longo da curva definida pela intersecção do
plano z = 3x - 4y - 1 com o cilindro x2 + y2 = 1.

Para usar o Teorema de Stokes, vamos calcular o


rotacional de :

Vamos, então, parametrizar o plano z = 3x - 4y - 1:

Calculemos as derivadas parciais

Em seguida, calculemos o produto vetorial das


derivadas parciais:

39
Enfim, podemos utilizar o Teorema de Stokes:

Já sabemos qual é a função que será integrada,


por essa razão, precisamos descrever a região de
integração. A partir da informação x2 + y2 = 1 for-
necida no enunciado, podemos descrever a região
em coordenadas polares

:
Vamos escrever a integral obtida em coordenadas
polares com os extremos adequados:

Visando a resolver essa integral, utilizaremos esta


identidade trigonométrica:

40
Conforme se observa nos exemplos apresentados,
o Teorema de Stokes permite realizar o cálculo de
integrais de linha para curvas fechadas obtidas
através da intersecção de superfícies em um es-
paço tridimensional.

Existe, ainda, um aspecto que vale a pena ser men-


cionado. Ao longo deste estudo, apresentamos a
Teoria de Campos Conservativos no . Um campo
conservativo no deveria obedecer à relação:

.
Na verdade, essa teoria pode ser estendida ao
, fazendo-se uso do operador rotacional de um
campo vetorial. Portanto, para que um campo seja
conservativo no , deve obedecer à condição:

41
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste módulo, apresentamos os principais aspectos
do Cálculo, sobretudo o Cálculo Vetorial. Nesse
ramo, elementos do Cálculo Diferencial e Integral
tradicional se misturam aos conceitos de vetores
e Geometria Analítica, para tornar possível o de-
senvolvimento de uma série de novos conceitos e
aplicações, visando a um estudo mais aprofundado
dos campos vetoriais.

Sendo assim, a princípio apresentamos as integrais


de linha para campos escalares e vetoriais. Esse
conhecimento permitiu a realização de somatórias
sobre as funções escalares e vetoriais ao longo de
uma dada curva ou caminho de integração. A des-
peito disso, o Teorema de Green mostrou-se uma
ferramenta adequada para o cálculo de integrais
de linha para curvas fechadas no .

Em seguida, pudemos estender os conceitos e


permitir as somatórias referentes aos campos
escalares ou vetoriais através dos pontos definidos
por uma dada superfície.

Com isso, desenvolvemos conceitos como integrais


de superfície, além de ferramentas que possibilitam,
por exemplo, o cálculo da área de uma superfície
parametrizada em um espaço tridimensional.

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Por fim, o Teorema de Stokes possibilitou o cálculo
de integrais de linha fechadas no . Através da
parametrização adequada de superfícies, aliada
aos conceitos de rotacional de um campo vetorial
e integrais duplas, pudemos calcular as integrais
de linha sobre curvas definidas pela intersecção
de duas superfícies no espaço.

43
Referências Bibliográficas
& Consultadas
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