CÁLCULO DIFERENCIAL
E INTEGRAL DE VÁRIAS
VARIÁVEIS
Moacir Ribeiro Cordeiro
e-Book 3
Sumário
INTRODUÇÃO������������������������������������������������� 3
INTEGRAIS DUPLAS�������������������������������������� 4
COMO CALCULAR UMA INTEGRAL DUPLA?����������������������� 5
A REGIÃO DE INTEGRAÇÃO������������������������������������������������� 8
ORDENS DE INTEGRAÇÃO������������������������������������������������� 11
INTERPRETAÇÃO GEOMÉTRICA DAS INTEGRAIS
DUPLAS������������������������������������������������������������������������������� 17
SISTEMA DE COORDENADAS POLARES��������������������������� 20
INTEGRAIS TRIPLAS����������������������������������������������������������� 25
COORDENADAS CILÍNDRICAS������������������������������������������� 29
COORDENADAS ESFÉRICAS���������������������������������������������� 35
CONSIDERAÇÕES FINAIS���������������������������� 42
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS &
CONSULTADAS�������������������������������������������� 44
INTRODUÇÃO
Neste módulo, nosso objetivo é o desenvolvimento
de conceitos relacionados às integrais múltiplas.
Inicialmente, apresentaremos as ideias que envol-
vem as integrais duplas. Conceitos como região
de integração e ordem de integração serão devida-
mente apresentados, assim como os mecanismos
que envolvem a resolução dessas integrais.
Em seguida, travaremos uma discussão acerca das
interpretações geométricas das integrais duplas,
a fim de identificar suas possíveis aplicações.
Além disso, apresentaremos um novo sistema de
coordenadas que se mostrará um tanto útil para a
resolução de uma série de problemas, isto é, esta-
mos falando do sistema de coordenadas polares.
Depois, passaremos às integrais triplas e suas
aplicações. Dessa forma, entenderemos como é
possível descrever as regiões de integração para
esse tipo de integrais. Apresentaremos, ainda,
semelhanças e diferenças entre integrais duplas
e triplas.
Visando a resolver adequadamente tipos de pro-
blemas, apresentaremos também o sistema de
coordenadas cilíndricas e o sistema de coordenadas
esféricas, os quais ampliarão as possibilidades de
cálculo envolvendo integrais triplas.
3
INTEGRAIS DUPLAS
Abordaremos um importante conceito dentro do
Cálculo de Várias Variáveis: as integrais duplas.
A fim de entender esse conceito, faremos uma
comparação entre o cálculo de uma variável e o
cálculo de várias variáveis.
Quando se estudam as funções de uma variável,
consequentemente se define o conceito integral de
uma função. Por exemplo, dada uma função f(x) ,
pode-se calcular a integral dessa função, escrita
na forma: ∫ f(x) dx.
De que modo, então, poderíamos definir o conceito
de integrais para uma função de duas variáveis,
do tipo f(x,y)?
Nesse caso, como temos duas variáveis (x e y),
podemos definir a operação de integração em
relação a cada uma das variáveis, de modo que
a integral será escrita na forma: ∫∫ f(x,y)dxdx. É
assim que representaremos a integral dupla de
uma função de duas variáveis f(x,y).
Em relação à abordagem utilizada, não cabe aqui
um desenvolvimento árduo sobre os aspectos mais
teóricos envolvendo tais integrais. Tentaremos
apresentar os conceitos básicos de forma simples
e objetiva, com o intuito de adquirirmos certa in-
dependência no que diz respeito à compreensão
e resolução de problemas simples que envolvam
os conceitos.
4
COMO CALCULAR UMA INTEGRAL
DUPLA?
Inicialmente, vamos compreender o mecanismo de
resolução das integrais duplas com eficiência, daí
passaremos adiante e entenderemos em detalhes
essas integrais.
Uma integral dupla do tipo ∫∫ f(x,y)dxdx significa que
temos de resolver duas integrais. É como se tivés-
semos duas integrais, uma dentro da outra! Nesse
caso, deveríamos resolver primeiro a integral “de
dentro”, que é uma integral na variável ‘x’ e, depois,
resolver a integral “de fora”, que é uma integral em
“y”. Portanto, pode-se pensar que resolver uma
integral dupla significa, na verdade, resolver duas
integrais, “uma dentro da outra”.
Para calcular essas integrais, devemos ter em men-
te conteúdos básicos envolvendo as integrais de
funções de uma variável. Por esse motivo, vamos
apresentar alguns breves exemplos comentados,
a fim de entender bem a dinâmica de cálculo:
Exemplo 1: Calcule a integral dupla
Devemos ter em mente que essa integral pode
ser entendida como uma integral “dentro da ou-
5
tra”. Note que a integral de dentro é uma integral
“em x”. Quando integramos em ‘x’, devemos olhar
apenas para a variável ‘x’, considerando os termos
dependentes de ‘y’ como se fossem constantes:
Quando é feita a integral em ‘x’, o termo y se
comporta como se fosse uma constante. Essa
constante fica “multiplicando” a integral da função
x2, cujo resultado vale x3/3. Perceba que depois
de resolvida a primeira integral em ‘x’, resta uma
integral em ‘y’, que é de fácil resolução:
Pronto! Esse é o resultado da integral dupla pro-
posta no problema.
Exemplo 2: Calcule a integral dupla
6
Note que, nesse caso, a integral “de dentro” é uma
integral em ‘y’:
Perceba que, quando integramos em ‘y’, o termo
ex se comporta como constante, podendo ser
tirado para fora da integral. Assim, resolvemos a
integral em ‘x’:
Exemplo 3: Calcule a integral
.
Tente notar a novidade deste exemplo. Na integral
“de dentro”, ‘y’ está variando de ‘0’ a ‘x’. Observe
como resolver:
7
Não há problema algum no fato de ‘y’ estar varian-
do entre ‘0’ e ‘x’. O processo de resolução, em si,
é o mesmo.
A REGIÃO DE INTEGRAÇÃO
Vamos explorar melhor um conceito essencial
nas integrais duplas: a região de integração. Para
tanto, vamos relembrar a integral dupla estudada
no Exemplo 1:
.
Quando observamos os extremos de integração,
o que podemos concluir?
Na integral “de dentro”, podemos dizer que ‘x’ está
variando entre ‘1’ e ‘2’; na integral “de fora”, a variável
‘y’ está compreendida entre ‘0’ e ‘4’. Se chamarmos
a região descrita pelas variações de ‘x’ e ‘y’ de R ,
podemos definir a região da seguinte forma:
8
Essa é a região de integração para nossa integral
dupla! Toda integral dupla possui, portanto, uma
região de integração que esboçaremos na Figura 1:
Figura 1: Figura 1. Região de integração para o Exemplo 1.
4.5
3.5
2.5
R
2
1.5
0.5
-1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 5 5.5 6 6.5 7
-0.5
Fonte: Elaboração própria.
-1
Repare que, de fato, esse gráfico representa a região
.
Concluímos que, toda a integral dupla tem uma
região de integração contida no , podendo
ser esboçada em um plano xy tal qual fizemos na
Figura 1.
Se considerarmos a integral do Exemplo 3
9
,
podemos escrever sua região de integração como
(Figura 2):
Figura 2: Região de integração para o Exemplo 3.
1.2
y=x
1
0.8
0.6
0.4
R
0.2
-0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2 2.2
-0.2
Fonte: Elaboração própria.
Note que, na região da Figura 2, a variável ‘x’ está
compreendida entre ‘0’ e ‘1’, enquanto ‘y’ está va-
riando entre ‘0’ e a reta y=x.
Exemplo 4: Esboce a região de integração para
integral
10
A região dessa integral é:
.
Nesse exemplo, temos ‘x’ variando entre ‘0’ e ‘1’. A
variável ‘y’, porém, está variando entre a parábola
y = x2 e a reta y = x (Figura 3):
Figura 3: Região de integração para o Exemplo 4.
1.2
0.8
0.6 y=x
0.4 R
0.2 y=x2
-1.2 -1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4
Fonte: Elaboração própria.
Na região dessa figura, a variável ‘x’ compreende
entre ‘0’ e ‘1’, enquanto ‘y’ está acima da parábola
(y ≥ x2)e abaixo da reta (y ≤ x).
ORDENS DE INTEGRAÇÃO
Neste tópico, apresentaremos mais um conceito
relevante para o estudo das integrais duplas: as
ordens de integração. Sabemos que, para resolver
11
uma integral dupla, realizamos duas integrações,
sendo uma na variável ‘x’ e outra na variável ‘y’.
Dada uma região de integração, como podemos
saber em qual variável devemos integrar primeiro?
Em outras palavras, será que a ordem em que inte-
gramos nas variáveis ‘x’ e ‘y’ faz alguma diferença?
A resposta a essa pergunta, na verdade, depende
de qual é a região de integração e de que forma
está descrita. Assim, nosso objetivo é esclarecer
esses aspectos nos tópicos a seguir.
Regiões retangulares
Primeiramente, precisamos entender os conceitos
estudando as regiões retangulares. No Exemplo 1,
tínhamos a região de integração:
.
Essa região já foi esboçada, por isso sabemos que
seu esboço corresponde a um retângulo. É possível
afirmar que sempre que ‘x’ e ‘y’ estiverem variando
entre dois números, a região de integração será
retangular.
Consegue enxergar essa propriedade?
Note que, no caso dessa região, não há qualquer
relação de dependência entre as variáveis ‘x’ e ‘y’.
A variação de ‘x’ não depende de ‘y’ e vice-versa.
12
O Teorema de Fubini nos diz que, se uma função
f(x,y) é contínua em uma região retangular, então
não importa a ordem em que você calcule as inte-
grais, pois o resultado final será sempre o mesmo,
independentemente da ordem utilizada no processo
de integração.
Portanto, na região do Exemplo 1:
,
podemos dizer que:
Como a região é retangular, pode-se escolher fazer
primeiro a integral em ‘x’ ou a integral em ‘y’, pois
o resultado da integral não depende da ordem de
integração.
FIQUE ATENTO
Se a região de integração for um retângulo formado por
linhas horizontais e verticais, a integral pode ser resolvida
usando a ordem dydx ou a ordem dxdy.
13
Regiões genéricas
No Exemplo 3, estudamos uma integral cuja região
se descreve:
.
Nesse caso, não temos uma região retangular! Há
relação de dependência entre as variáveis, pois
na descrição de R a variação de y está escrita em
função de x(0 ≤ y ≤ x).
Sempre que acontecer essa relação de dependência
entre as variáveis do problema, a integral tem de
obedecer a uma ordem de integração específica.
Em outras palavras, podemos dizer que se deve
sempre integrar primeiro a variável que depende da
outra. Nesse caso, como y depende de x, devemos
integrar primeiro y depois x. Se calculássemos a
integral de uma dada função f(x,y), teríamos obri-
gatoriamente que usar a seguinte ordem:
Exemplo 5: Calcule a integral da função f(x,y) =
xy na região .
14
Note que, mais uma vez, existe relação de de-
pendência entre as variáveis. Nesse caso, como
x depende de y, devemos integrar primeiro em x
e depois em y. Então, a integral dupla deve ser
escrita desta forma:
Conclusão: sempre que houver, na descrição de
uma região, uma relação de dependência entre as
variáveis, isso implica uma ordem de integração
específica que deve ser obedecida. Primeiro, deve-
mos integrar sempre aquela variável que depende
da outra!
Inversão de ordem de integração
Nesta seção, apresentaremos uma possibilidade,
que é uma mesma região de integração poder, a
princípio, ser descrita de duas formas diferentes.
Considere a região descrita por:
.
Apresentamos essa região na Figura 4:
15
Figura 4: Inversão de ordem de integração.
3
2.5
1.5
0.5
-1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4
Fonte: Elaboração própria.
Note que, na descrição da região
,
temos y variando em função de x, e x variando
entre duas constantes. Nada nos impede, porém,
de descrever a região de outra forma.
Com isso, podemos tentar descrevê-la com x va-
riando em função de y, para isso, basta inverter a
função y= 2x (escrevendo-se x= y/2). Nesse caso,
poderíamos fazer y variando entre duas constantes
(0 ≤ y ≤ 2) e x variando do eixo y até a equação da
reta (0 ≤ x ≤ y/2). Dessa forma, a região R pode ser
descrita da seguinte forma:
16
.
Imagine que as duas descrições, de fato, descre-
vem a mesma região! Dependendo da descrição
que se utilizar, haverá uma ordem de integração
diferente. Trata-se da mesma região descrita de
duas formas diferentes, portanto, se integrarmos
uma função f(x,y) segundo qualquer uma dessas
descrições, o resultado deve ser o mesmo.
Por exemplo, podemos afirmar que:
INTERPRETAÇÃO GEOMÉTRICA
DAS INTEGRAIS DUPLAS
Neste ponto, já temos certa noção de como cal-
cular integrais duplas, bem como os conceitos de
região de integração e ordem de integração. No
entanto, cabe aqui fazer uma pergunta. Qual é o
real significado de uma integral dupla?
As principais interpretações geométricas acerca
das integrais duplas são:
1) ∫∫ [Link] = Área da região de integração
2) ∫∫ f(x,y).dxdy = Volume sob o gráfico de f(x,y)
17
Em 1, vemos que a integral ∫∫ [Link] fornece a área
da região de integração. Portanto, as integrais
duplas constituem uma excelente ferramenta para
se determinar a área de uma dada região. Desde
que se tenha a descrição de uma dada região R,
podemos calcular ∫∫ [Link] na região, e o resultado
corresponderá à área da região de integração R.
No entanto, a grande aplicação das integrais du-
plas envolve o cálculo de volumes. Sabemos que
as funções de duas variáveis representam super-
fícies em um espaço tridimensional. No segundo
item, temos que, se calcularmos a integral dupla
de uma função ∫∫ f(x,y).dxdy), seu resultado cor-
responderá ao volume sob o gráfico da superfície
f(x,y) na região R.
A seguir, fornecemos exemplos em que essas
interpretações são utilizadas:
Exemplo 6: Determine a área da região delimitada
pelas reta y=x e parábola y = x2(mesma região
do Exemplo 4), sabendo que a região pode ser
descrita por:
.
Vamos escrever a integral da área com seus ex-
tremos adequados, mas sempre respeitando a
ordem de integração:
18
Essa é a área da região R fornecida!
Exemplo 7: Determine o volume sob o gráfico da
função f(x,y) = 2-x-y na região definida por
.
Vamos utilizar a expressão para o cálculo do volume:
Esse é o volume sob o gráfico da função f(x,y) na
região R fornecida.
19
SISTEMA DE COORDENADAS
POLARES
Nesta parte, apresentamos um novo sistema de
coordenadas, o qual é bastante útil na resolução
de problemas: o sistema de coordenadas polares.
Um sistema de coordenadas, de modo bastante
objetivo, é um sistema que permite localizar um
ponto no plano ou no espaço de maneira única.
Ao longo de todo o curso, utilizamos o sistema
de coordenadas cartesianas, segundo o qual um
ponto pode ser representado em um plano pelos
valores de suas coordenadas x e y.
O sistema de coordenadas polares consiste em
outra maneira de representar os pontos em um
plano. Então, representaremos os pontos em um
plano usando os valores de r e θ. Entenda como
funcionam esses valores, analisando a Figura 5:
20
Figura 5: Sistema de coordenadas polares.
y
-5 -4 -3 -2 -1 0 1 2 3 4 5 6
-1
-2
Fonte: Elaboração própria.
Dado um ponto qualquer no plano, podemos traçar
um segmento de reta ligando o ponto à origem. O
comprimento desse segmento de reta chama-se
r. E o ângulo que esse segmento faz com o eixo
x chama-se θ. Assim, dados os valores de r e θ,
torna-se possível localizar um ponto no plano de
maneira única. Portanto, a transformação polar
é uma transformação que leva de (x,y) a (r, θ) .
Fornecemos as equações de conversão entre os
dois sistemas a seguir:
Com essas equações, pode-se “traduzir” uma
dada relação em coordenadas cartesianas para
coordenadas polares.
21
Exemplo 8: Escreva a função f(x,y) = x2 +y2 em
coordenadas polares.
f(x,y) = x2 +y2
f(r,θ) = ([Link]θ)2 + ([Link]θ)2
f(r, θ) = r2cos2 θ + r2 sen2 θ
f(r, θ) = r2(cos2 θ + r2 sen2 θ)
f(r, θ) = r2
Guarde a seguinte informação, pois lhe será útil
posteriormente: x2 +y2 = r2.
De que modo podemos resolver uma integral dupla
em coordenadas polares?
Uma integral dupla em coordenadas cartesianas
pode ser “trocada” por uma integral equivalente
em coordenadas polares em conformidade com
a relação:
Em outras palavras, qualquer integral em xy pode
ser trocada por uma integral equivalente em coor-
denadas polares. Perceba que a função f(x,y) deve
ser convertida para coordenadas polares f(r, θ) .
O termo r que multiplica a função f(r, θ) chama-
-se Jacobiano e deve sempre ser acrescentado,
quando da conversão integral para coordenadas
polares. Finalmente, deve-se descrever a região
22
de integração com variações de r e θ , visando à
integral poder ser resolvida.
Exemplo 9: Use as coordenadas polares para
calcular a integral dupla ∫∫(x2 + y2) dxdy na região
delimitada pela circunferência x2 +y2 = 1.
Nesse problema, a região de integração é uma cir-
cunferência de raio 1 centrada na origem. Vamos
descrever essa circunferência com variações de
r e θ.
1.2
0.8
0.6
0.4
0.2
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2
-0.2
-0.4
-0.6
-0.8
-1
-1.2
Para descrever toda essa região circular, a distância
r deve variar desde zero até o raio máximo (1). Já o
ângulo θ, deve dar um giro completo de 0 a 2π. Por
isso, vamos “converter” a integral de coordenadas
cartesianas para polares:
23
Exemplo 10: Use as coordenadas polares e cal-
cule a integral dupla ∫∫x,dxdy na região do primeiro
quadrante definida por .
Nesse exercício, estamos interessados na região
do primeiro quadrante, interna à circunferência
x2 + y2 = 4 e abaixo da reta y=x. Segue o esboço:
2.5
1.5
0.5
-4 -3.5 -3 -2.5 -2 -1.5 -1 -0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3.5 4
-0.5
-1
-1.5
-2
-2.5
Vamos escrever a integral em coordenadas polares:
24
Exemplo 11: Calcule o volume sob o gráfico do
paraboloide z = 4 - x2 - y2 na região delimitada pela
circunferência x2 + y2 =4. Temos uma circunferên-
cia de raio 2 e o centro na origem, que pode ser
descrita em coordenadas polares como
Lembrando-se do cálculo de volumes:
Vamos “traduzir” a integral para coordenadas
polares:
INTEGRAIS TRIPLAS
A integração tripla ocorre em três variáveis (x,y e z)
Consiste, portanto, em três integrais “uma dentro
25
da outra”. Suas novidades em relação às integrais
duplas relacionam-se com o fato de integrar as
funções de três variáveis, do tipo f(x,y,z). Soma-se a
isso o fato de que, como temos variações em x,y e
z, nossa região de integração nesse caso não será
uma região no plano ( ), mas sim uma região no
espaço tridimensional ( ).
A descrição matemática para essas regiões
pode ser um tanto desafiadora, por esse motivo,
apresentaremos mudanças de variáveis bastante
adequadas para a descrição de certas regiões.
Como calcular uma integral tripla?
Em relação aos procedimentos que envolvem o
cálculo de uma integral tripla, são razoavelmente
semelhantes àqueles utilizados na resolução de
integrais duplas. Os requisitos envolvendo o con-
ceito de ordem de integração, por exemplo, são
aplicados de maneira análoga ao que foi utilizado
anteriormente. Observe o Exemplo 12:
Exemplo 12: Calcule a integral tripla função f(x,y,z)
= x3y2z na região definida por
.
Repare que, na descrição da região, a variável ‘z’
depende da variável ‘y’, que por sua vez depende da
26
variável ‘x’. Portanto, no que diz respeito à ordem
de integração, devemos escrever essa integral na
ordem dzdydx.
Interpretação geométrica das integrais
triplas
Uma vez que sabemos como calcular uma integral
tripla, cabe a seguinte pergunta: Qual é o significado
geométrico de uma integral tripla?
Devemos ter em mente que, em uma integral tripla,
a região de integração consiste em um volume
no espaço tridimensional. Logo, a interpretação
geométrica de elevada importância é a seguinte:
27
Essa expressão informa que, se calcularmos a
integral, o resultado será numericamente igual ao
volume definido pela região de integração. Portan-
to, as integrais triplas constituem uma excelente
ferramenta para o cálculo de volumes, bastando,
para isso, obter a descrição da região desejada e
resolver a integral tripla acima.
Vale mencionar que a integral tripla de uma função
(w = f(x,y,z)não possui um significado geométrico
específico, uma vez que a função necessita de quatro
dimensões para ser representada. No entanto, as
integrais triplas de uma função encontram ampla
utilização em diversas aplicações na Física e na
Engenharia.
Exemplo 13: Calcule o volume da região definida
por .
Vamos utilizar os conceitos de cálculo de volumes
com integrais triplas:
28
COORDENADAS CILÍNDRICAS
Apresentamos um novo sistema de coordena-
das que se mostra bastante útil na resolução de
algumas integrais triplas. Trata-se do sistema de
coordenadas cilíndricas. Ao utilizar esse sistema
de coordenadas, conseguimos representar um
ponto no espaço de maneira única.
O sistema de coordenadas cilíndricas usa as
variáveis r, θ e z. Com o intuito de entender como
funcionam esses valores, temos a Figura 6:
Figura 6: Sistema de coordenadas cilíndricas.
Fonte: Elaboração própria.
29
Para esse sistema de coordenadas, se considerar-
mos um ponto P no espaço, a variável z representará
uma “altura” em relação ao plano xy. Portanto, a
variável nas coordenadas cilíndricas será idêntica à
variável z conhecida das coordenadas cartesianas.
Em seguida, pensaremos na projeção desse ponto
P no plano xy (a sombra do ponto P). A distância
da projeção até a origem chama-se r, e o ângulo
que a distância faz com o eixo x é a variável θ. As
variáveis r e θ são idênticas às definidas no sistema
de coordenadas polares.
Dito de forma simples e intuitiva, o sistema de
coordenadas cilíndricas é uma extensão das co-
ordenadas polares para o espaço tridimensional
( ). É como se pegássemos as variáveis r e θ das
coordenadas polares e acrescentássemos uma
variável z para dar uma altura em relação ao plano
xy. Com isso, conseguimos representar os pontos
no espaço de forma um tanto simples.
A transformação cilíndrica é, portanto, uma transfor-
mação que nos leva de (x,y,z) a (r, θ,z). As equações
de conversão entre os dois sistemas é:
Com essas equações, podemos “traduzir” uma dada
relação em coordenadas cartesianas para coorde-
30
nadas cilíndricas. Mas como poderíamos resolver
uma integral tripla em coordenadas cilíndricas?
Uma integral tripla em coordenadas cartesianas
pode ser “trocada” por uma integral em coordenadas
cilíndricas de acordo com esta relação:
Ou seja, qualquer integral em xyz pode ser troca-
da por uma integral equivalente em coordenadas
cilíndricas. Observe que a função f(x,y,z) deve ser
convertida para coordenadas cilíndricas f(r, θ , z).
O termo r que multiplica a função f(r, θ , z) chama-se
Jacobiano da transformação cilíndrica, devendo
sempre ser acrescentado ao se converter a inte-
gral para coordenadas cilíndricas. Por fim, deve-se
descrever a região de integração com variações
de r, θ e z, para que a integral possa ser resolvida.
Exemplo 14: Determine o volume da região que se
encontra acima do paraboloide z = x2+y2 e abaixo
do paraboloide de equação z = 2 - x2 - y2.
A primeira coisa que precisamos fazer é descre-
ver a região do problema com variações de . Para
isso, precisamos encontrar a intersecção dos dois
paraboloides:
x2 + y2 = 2 - x2 - y2
2x2 + 2y2 = 2
31
x2 + y2 = 1 (Circunferência de raio 1 centrada na
origem)
Portanto, sabemos que as variações de r e θ serão:
.
A despeito da variação de , sabemos do enunciado
da questão que:
x2 + y2 ≤ z ≤ 2 - x2 - y2
Lembremos que x2 + y2 = r2, com isso, vamos “tra-
duzir” a variação de z para coordenadas cilíndricas:
x2 + y2 ≤ z ≤ 2 - (x2 + y2)
r2 ≤ z ≤ 2 - r2
Essa é a variação de z em coordenadas cilíndricas!
E a região do problema pode ser descrita assim:
.
Calculemos o volume utilizando as coordenadas
cilíndricas:
Note que acrescentamos o Jacobiano (r) e ob-
servamos que, na ordem de integração, z deve vir
antes de r.
32
Esse é o volume da região descrita no enunciado.
Note que o sistema de coordenadas polares e
cilíndricas são extremamente adequados para a
resolução de integrais múltiplas, em que a região
de integração envolve regiões circulares no plano
xy. O volume que acabamos de calcular é apre-
sentado na Figura 7:
33
Figura 7: Região de integração.
Fonte: Elaboração própria.
Exemplo 15: Calcule a integral tripla ∫∫∫ [Link]
na região definida por
.
Vamos descrever a região R em coordenadas
cilíndricas. A circunferência do raio 2 no plano xy
pode ser descrita com: {0 ≤ r ≤ 2; 0 ≤ θ ≤ 2 ≤ 2π}.
Vamos “traduzir” a variação de (lembrando que
x2 + y2 = r2):
Portanto, a descrição da região será
34
.
Vamos, então, calcular a integral:
COORDENADAS ESFÉRICAS
O sistema de coordenadas esféricas é fundamental
para a resolução de algumas integrais triplas. O
sistema de coordenadas esféricas utiliza as variá-
veis ρ, θ e φ. A fim de entender seu funcionamento,
analisemos a Figura 8:
35
Figura 8: Sistema de coordenadas esféricas.
Fonte: Elaboração própria.
Para entender esse sistema de coordenadas, preci-
samos considerar um ponto P no espaço, conforme
descrito na Figura 8. Se traçarmos um segmento
de reta ligando esse ponto à origem do sistema
de coordenadas, o comprimento desse segmento
será chamado de ρ. Portanto, a variável ρ descreve
a distância do ponto P à origem.
Se considerarmos esse segmento de reta traçado,
verificaremos que fará certo ângulo em relação ao
eixo z. Esse ângulo é chamado de φ. É importante,
então, lembrar que φ consiste em um ângulo medido
em relação ao eixo z.
Se projetarmos o ponto e o segmento de reta no
plano xy, teremos que a projeção fará um ângulo
em relação ao eixo x, chamado θ. Essa variável θ
36
se comporta de maneira idêntica às coordenadas
cilíndricas.
Conclui-se, portanto, que os dados valores de ρ, θ
e φ têm a representação de pontos em um espaço
tridimensional.
Exemplo 16: Descreva a região delimitada pela
esfera x2 + y2 +z2 = 4 em coordenadas esféricas.
Trata-se de uma esfera de raio 2 centrada na origem.
Apresentamos o gráfico da esfera, assim como de
suas vistas (planos xy e xz):
2 6
5
-6 4
-5 3
-4 -3 1
-2 2
-1 1
0
1 2
-1 3
-2 4 5
-3 6
-4 -1
-5
-6
-2
1.2 1.2
1 1
0.8 0.8
0.6 0.6
0.4 0.4
0.2 0.2
-1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2 -1.8 -1.6 -1.4 -1.2 -1 -0.8 -0.6 -0.4 -0.2 0 0.2 0.4 0.6 0.8 1 1.2 1.4 1.6 1.8 2
-0.2 -0.2
-0.4 -0.4
-0.6 -0.6
-0.8 -0.8
-1 -1
-1.2 -1.2
Com vistas a descrever todos os pontos da esfera,
precisamos fazer variar desde até o raio máximo
da esfera (2); portanto: 0 ≤ ρ ≤ 2.
37
Tente visualizar no plano que, para descrever a
região, o ângulo deve dar um giro completo, de
forma que: 0 ≤ θ ≤ 2π.
Uma dúvida bastante comum surge em relação à
variação de φ. Ao focar a vista xz, podemos dizer
que φ deve variar da seguinte forma:0 ≤ φ ≤ π. É
muito comum se pensar que, com essa variação
de φ, estaríamos descrevendo apenas metade da
região de interesse. Porém, lembramos que a va-
riação de θ trata de rotacionar a região ao redor do
eixo z, descrevendo a esfera como um todo. Logo,
a descrição da esfera será:
.
A transformação esférica é, portanto, uma trans-
formação que nos leva de (x,y,z) a (ρ, θ, φ). As
equações de conversão entre os dois sistemas é:
Com essas equações, é possível “traduzir” uma
dada relação em coordenadas cartesianas para
coordenadas esféricas.
De que modo, no entanto, poderíamos resolver
uma integral em coordenadas esféricas?
38
Uma integral tripla em coordenadas cartesianas
pode ser “trocada” por uma integral em coordena-
das esféricas de acordo com a relação:
Ou seja, qualquer integral em xyz pode ser troca-
da por uma integral equivalente em coordenadas
esféricas.
Note que a função f(x,y,z) deve ser convertida para
coordenadas esféricas f(ρ, θ, φ). O termo
que está multiplicando a função f(ρ, θ, φ) chama-
-se Jacobiano da transformação esférica e deve
sempre ser acrescentado ao converter a integral
para coordenadas esféricas.
Deve-se descrever a região de integração com
variações de ρ, θ, φ, com a finalidade de que a
integral possa ser resolvida.
Exemplo 17: Calcule o volume da região que é
interna à semiesfera de raio 3 e externa ao cone
conforme apresentado a seguir:
39
Ao observar a região desejada e suas vistas, po-
demos descrevê-la desta maneira:
A variável deve variar de zero até o raio máximo (0
≤ ρ ≤ 3). Se observar o plano tem-se que a variação
de θ deve ser (0 ≤ θ ≤ 2π). No plano zx, podemos
observar que φ deve variar de π/4 a π/2 (lembre-se
que o ângulo possui como referência o eixo z).
Portanto, a descrição da região de integração será
40
Vamos lembrar que o volume pode ser calculado
como:
Acrescentaremos o Jacobiano e escreve-
remos a integral em coordenadas esféricas:
41
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente módulo, estudamos os principais
aspectos referentes ao conceito de integrais múl-
tiplas. Inicialmente, apresentamos as integrais
duplas e seus procedimentos de cálculo. Com isso,
os conceitos como região de integração e ordem
de integração foram devidamente colocados, pos-
sibilitando adquirir uma adequada compreensão
desses aspectos.
Em seguida, pudemos investigar algumas aplica-
ções dos conceitos estudados, como o cálculo de
área de uma dada região e o cálculo de volumes
sob o gráfico de uma função de duas variáveis.
Nesse contexto, o sistema de coordenadas pola-
res permitiu a ampliação da nossa capacidade de
calcular as integrais duplas, sobretudo em casos
nos quais temos regiões de integração compostas
por circunferências.
Foi possível, ainda, estendermos os conceitos
aprendidos para problemas em três variáveis.
Assim, estudamos as integrais triplas e sua meto-
dologia de cálculo. O cálculo de volumes, por meio
de integrais triplas, mostrou-se uma aplicação de
elevada importância.
Nesse sentido, pudemos abordar ainda as mudanças
de variáveis, utilizando as coordenadas cilíndricas
42
e esféricas. Esses sistemas de coordenadas, ape-
sar de um pouco desafiadores em um momento
inicial, permitem a descrição de maneira bastante
adequada das regiões mais complexas no que diz
respeito a paraboloides, cones, esferas etc.
43
Referências Bibliográficas
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