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Tipos e Dimensionamento de Fundações

O documento aborda a infraestrutura de pontes, focando nas fundações superficiais e profundas, conforme a norma NBR 6122. As fundações superficiais incluem blocos, sapatas e radiers, enquanto as profundas são compostas por estacas, tubulões e caixões, cada uma com suas características e métodos de dimensionamento. O texto também detalha o dimensionamento geotécnico de estacas, incluindo métodos semiempíricos como Aoki-Velloso, para calcular a capacidade de carga em diferentes tipos de solo.

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Tipos e Dimensionamento de Fundações

O documento aborda a infraestrutura de pontes, focando nas fundações superficiais e profundas, conforme a norma NBR 6122. As fundações superficiais incluem blocos, sapatas e radiers, enquanto as profundas são compostas por estacas, tubulões e caixões, cada uma com suas características e métodos de dimensionamento. O texto também detalha o dimensionamento geotécnico de estacas, incluindo métodos semiempíricos como Aoki-Velloso, para calcular a capacidade de carga em diferentes tipos de solo.

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PONTES E GS ESTR;

Infraestrutura de pontes
Inicialmente, devemos pontuar que a separação entre infraestrutura e
mesoestrutura é didática, no sentido de que todas as partes integram o
sistema estrutural que resiste a todas as cargas (ALONSO, 2010). Nesse
aspecto, as cargas que serão utilizadas para dimensionar os elementos de
fundação são produto do dimensionamento efetuado das demais peças. A
partir daí, podemos seguir a terminologia designada pela norma de
referência para fundações, a NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2019).
As fundações são subdivididas em fundações profundas e superficiais. As
definidas como profundas são aquelas em que o mecanismo de ruptura de
base não surge na superfície do terreno (VELLOSO; LOPES, 2010). Como isso,
geralmente envolvem profundidades duas vezes maiores que o menor lado.
Por sua vez, a NBR 6122 classifica como fundações superficiais aquelas que
estão a pelo menos 3 m de profundidade e que apresentam a relação entre
as dimensões e profundidade ilustrada na Figura 1.

Profunda
Superficial NT

Figura 1. Mecanismos de ruptura de fundações superficiais e fundações profundas.


Fonte: Adaptada de Velloso e Lopes (2010).

A seguir, são listados os elementos integrantes da categoria fundações


superficiais.

Blocos: elementos que trabalham essencialmente à compressão e, por


isso, não são armados. Logo, as tensões de trações existentes serão
resistidas pelo concreto.
;

Sapatas: elementos dispostos de forma a trabalhar essencialmente


à flexão. Apresentam armaduras para resistir aos esforços de tração,
o que leva a alturas menores que os blocos. Existem outros tipos
possíveis, de acordo com as cargas atuantes, como as sapatas
corridas, designadas quando cargas distribuídas, como paredes
ou mesmo pilares em um mesmo eixo, atuam ao longo do elemento
de fundação. Há ainda a sapata associada, utilizada quando dois ou
mais elementos de fundação se superpõem, ou seja, é uma
fundação que recebe as cargas de mais de um pilar.
Radier: elemento disposto como uma placa, que pode receber os pilares
de uma parte ou de toda a estrutura.

A Figura 2 ilustra os tipos de fundação superficiais mais usuais.

Bloco Sapata

lateral Seção tipo bloco Seção tipo sapata

Radier

Figura 2. Tipos de fundações superficiais.


Fonte: Adaptada de Velloso e Lopes (2010).
As fundações superficiais podem ser empregadas quando a resistência
das camadas superficiais até o bulbo de tensões de 10% for compatível com
as cargas de projeto, e se utilizando da metodologia correta de execução de
acordo com elementos como correnteza dos cursos de água, altura da lâmina
d’água, possibilidade de rebaixamento do lençol freático, entre outros
parâmetros. Dentre as fundações superficiais, as sapatas são as mais
utilizadas em pontes, por fornecer de modo econômico dimensionamento e
geometria adequados ao traçado.

Se o escoamento e o eventual arraste de partículas próximo à


infraestrutura não forem considerados, as fundações
superficiais como sapatas podem estar sujeitas a erosões e
descalçamentos. Consulte a obra Fundamentos da erosão nas
fundações de pontes e nos aterros de acesso (VITÓRIO, 2015) para
se aprofundar.

As fundações profundas tem maior versatilidade de aplicação, para


diversos tipos de solo. Podemos dividir essa categoria em essencialmente
três tipos, examinados a seguir.

◼ Estacas: elementos de fundação profunda em que a transferência de


cargas acontece predominantemente pelo fuste, que pode ser
executado por ferramentas e maquinários, por métodos como
cravação, escavação ou deslocamento (Figura 3a).
◼ Tubulão: elemento de fundação profunda em que a transferência de
cargas é considerada como ocorrendo predominantemente na base
(Figura 3b). Na parte final da execução, ocorre a descida de funcionários
para o alargamento da base. É importante definir ainda a subdivisão
denominada tubulão de ar comprimido, uma extensão desse tipo, com
tecnologia de execução distinta, utilizada quando a cota de
assentamento se encontra abaixo do nível d’água em pelo menos
um dos trechos. Devido à pressão exercida sobre o funcionário,
esse tipo é limitado normativamente a 30 m.
◼ Caixão: elemento pré-moldado, de forma prismática, e instalado
utilizando escavação (Figura 3c).
;

Figura 3. Tipos de fundações profundas: (a) estacas; (b) tubulão; (c) caixão.
Fonte: Adaptada de Velloso e Lopes (2010).

Os tubulões de ar comprimido são utilizados quando a água não


pode ser esgotada. Dada a pressão aplicada para manter o elemento
íntegro, o limite de profundidade é de 30 m, devido aos riscos associados para
a saúde dos funcionários.

Nesse ponto, você pode se perguntar sobre como saber a aplicabilidade de


fundações profundas. Na verdade, devido aos diferentes tipos, com diferentes
tecnologias, requisitos e limitações intrínsecas, cada caso deve ser analisado
separadamente. O perfil do solo, a proximidade da rocha, a presença de
matacões, a ordem de grandeza da carga, a vizinhança, o maquinário
disponível, tempo e custo são alguns elementos de ponderação antes da
decisão.
Para que você se aprofunde o máximo possível, na próxima seção
voltaremos nossa atenção para um tipo específico de fundação bastante
utilizado em pontes de concreto armado: as estacas pré-moldadas.

Dimensionamento geotécnico de estacas


As estacas, como já explicado, são elementos de fundação que transferem
a maior parte das cargas lateralmente para o solo, por meio do atrito. De
acordo com Cintra e Aoki (2010), a designação estaca deve ser pensada sempre
como um sistema formado pela estaca e o maciço ao seu redor. Para entender
como se calcula a capacidade de carga desse elemento, observe na Figura 4.
Figura 4. Tipos de estacas.
Fonte: Cintra e Aoki (2010, p. 10).

Na Figura 4a, você pode ver uma estaca construída não carregada. Quando
cargas são transferidas para seu topo, ocorre resistência no fuste e na ponta.
Consideremos que apenas a resistência do fuste é mobilizada em seguida,
conforme a Figura 4b, por atrito. Quando a estaca se desloca, a resistência
lateral foi vencida; portanto, é mobilizada então a resistência de ponta, como
ilustrado em 4c. A partir dessa análise simplificada, a resistência do elemento
estaca solo será dada pela soma das resistências desenvolvidas, ou seja:

Qult = QP + QL (1)

onde Qult é a resistência total do elemento estaca–solo, QL é a resistência


lateral total, desenvolvida ao longo de todo comprimento, e QP a resistência
de ponta.
;

Existem diferentes métodos na literatura para determinar os parâmetros


QL e Qp, a partir do modo como a capacidade de carga do solo é determinada.
Métodos teóricos como de Meyorf, Vesic e Terzaghi envolvem modelos que
consideram fatores como estado de tensão na ponta da estaca, linha de
ruptura de acordo com a relação comprimento por diâmetro, coesão do solo,
ângulo de atrito, entre outros.
De acordo com Alonso (2010), a impossibilidade de conhecer com precisão
o estado de tensões do terreno, bem como as condições de drenagem, entre
outros fatores, faze com que os resultados dessas abordagens não sejam
satisfatórios. Sendo assim, quando não se pode fazer prova de carga, o mais
comum é recorrer a métodos semiempíricos, construídos a partir de
resultados de ensaios reais. Vamos nos ater a dois desses métodos: Aoki-
Velloso e Decourt-Quaresma.

Método Aoki-Velloso
O método semiempírico de Aoki-Velloso se embasa no ensaio mais aplicado
atualmente, o Standard Penetration Test (SPT). Segundo Velloso e Lopes (2010),
o método foi desenvolvido a partir de provas de carga em estacas e também
pode ser aplicado com resultados do ensaio Cone Penetration Test (CPT).

O SPT, ou sondagem a percussão, é um ensaio geotécnico em que um


martelo-padrão de 65 kg é levantado a 75 cm de uma haste e solto.
A quantidade de golpes para que a haste penetre os últimos 30 cm define o índice
NSPT. Já o CPT, ou o ensaio de penetração de cone, consiste na penetração de um
cone com área de ponte e de fuste padronizada, a uma velocidade constante,
podendo ou não possuir sensores para medir conjuntamente a poropressão
(sendo designado CPT-U, neste caso).

De acordo com este método, para os resultados obtidos no ensaio, ajustase a


capacidade de carga do elemento estaca–solo por meio da expressão:

ult =
1
+
2
∑α ∆ (2)
onde K e α são coeficientes aplicados de acordo com o tipo de solo, conforme
o Quadro 1.

Quadro 1. Coeficientes de ajuste Aoki-Velloso

Solo K (MPa) α (%)

Areia 0,60 1,40

Areia siltosa 0,53 2,00

Areia siltoargilosa 0,53 2,40

Areia argilosa 0,53 3,00

Areia argilossiltosa 0,53 2,80

Silte 0,48 3,00

Silte arenoso 0,48 2,20

Silte arenoargiloso 0,38 2,80

Silte argiloso 0,30 3,40

Silte argiloarenoso 0,38 3,00

Argila 0,25 6,00

Argila arenosa 0,48 2,40

Argila arenossiltosa 0,30 2,80

Argila siltosa 0,25 4,00

Argila siltoarenosa 0,30 3,00

Fonte: Adaptado de Campos (2015).

Por sua vez, Np é o Nspt da cota onde a estaca está apoiada; AP é a área da
ponta; U é o perímetro da estaca utilizada; NL é o Nspt médio para a camada em
análise; ∆L é a espessura dessa camada; F1 e F2 são coeficientes que dependem
do tipo de estaca utilizado, obtidos a partir de ensaios reais em 100 estacas
diferentes e posteriormente retificados após novos ensaios. Os valores de
F1 e F2 podem ser consultados com no Quadro 2.
;

Quadro 2. Fatores de ajuste do tipo de estaca

Tipo de estaca F1 F2

Franki 2,5 2F1

Metálica 2,4 2F1

Pré-moldada 2 2F1

Escavada 4,5 2F1

Fonte: Adaptado de Campos (2015).

Observe que a primeira parcela da expressão está relacionada com a


resistência de ponta e a segunda, com a resistência lateral. A existência de
um somatório na resistência lateral se deve ao fato de que uma estaca pode
atravessar distintas camadas de solo, levando a alterações nos coeficientes
de ajuste α e K, e, consequente, nos esforços cisalhantes desenvolvidos na
respectiva área lateral, que seria calculada pelo perímetro multiplicado pela
espessura da camada (U × ∆L). Calculado Qult, o valor admissível para métodos
semiempíricos, de acordo com a NBR 6122 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS
TÉCNICAS, 2019), seção [Link], será dado por:

adm
=
2,0

Exemplo 1
Para um determinado terreno cujo resultado do SPT encontra-se na Figura 5,
o engenheiro optou por utilizar uma solução de fundação em estacas pré-
moldadas. A partir do catálogo de um fabricante, foi escolhida uma estaca de
concreto pré-moldado com 30 cm de diâmetro. Considerando que a ponta da
estaca está assente na cota –13 m, quantas estacas o engenheiro deverá
utilizar para suportar uma carga de projeto de 1.000 kN?
Figura 5. Resultado do SPT do Exemplo 1.
Fonte: Cintra e Aoki (2010, p. 37).

Inicialmente, pelo Quadro 2, teremos os seguintes fatores:

F1 = 2,0
F2 = 2F1 = 4,0
;

A resistência lateral deve ser calculada por camada de solo, pois o atrito
que colaborará para resistência será função deste. Logo, a resistência lateral
de –1 a –6 (areia fina a média) será:

5+2+3+2+4
= = 3,2 → 3,0
5

Pelo Quadro 1, temos:

K = 530 kPa e α = 3,0%

Daí resulta que:

π × 0,3
∆= 1 = (0,03 × 530 × 3 × 5) = 56,20 kN
4

Resistência lateral de –6 a –11 (areia fina a média):

4+7+9+9+7
= = 7,2 → 7,0
5

Pelo Quadro 1, temos:

K = 530 kPa e α = 3,0%

Daí resulta que:

π × 0,3
∆= 2 = (0,03 × 530 × 7,0 × 5) = 131,12 kN
4

Resistência lateral de –11 a –13 (areia fina a média):

7+9
= = 8,0
2
Pelo Quadro 1, temos:

K = 530 kPa e α = 3,0%

Daí resulta que:

π × 0,3
∆= 3 = (0,03 × 530 × 8,0 × 2) = 59,94 kN
2 4

Somando as parcelas temos:

QL = QL1 + QL2 + QL3 = 247,26 kN

No caso da resistência de ponta, a cota –13 tem resistência Nspt = 14, logo:

530 × 14 π × 0,302
= × = 262,24 kN
2 4

Desse modo, a carga última suportada será:

Qult = Qp + QL = 509,50 kN

E a carga admissível será dada por:

ult
adm = = 255 kN
2

Como a carga solicitante de projeto de 1.000 kN é transferida pelo pilar:

1.000
= = 3,92 → 4 estacas
255

De acordo com a geometria do projeto, umas das disposições mostradas


na Figura 6 poderá ser adotada.
;

2 2

2 2
Figura 6. Disposições possíveis do Exemplo 1.
Fonte: Adaptada de Alonso (2010).

Método Decourt-Quaresma
Neste método, a parcela com a qual a ponta contribui para a capacidade de
carga é calculada considerando não o Nspt da cota de assentamento, mas a
média entre este valor, o da cota anterior e o da posterior. Similarmente,
há um coeficiente para ajuste dos resultados obtidos pelo ensaio. A expressão
para a parcela da resistência da ponta neste método é calculada por meio
da seguinte equação:

Qp = CNAp (3)

onde N é a média já descrita e C é o coeficiente de ajuste de acordo com o


tipo de solo, de acordo com o Quadro 3.

Quadro 3. Fatores de ajuste do tipo de estaca

Tipo de solo C (MPa)

Argilas 0,12

Siltes argilosos (alteração de rocha) 0,20

Siltes arenosos (alteração de rocha) 0,25

Areias 0,40

Fonte: Adaptado de Cintra e Aoki (2010).


A resistência lateral neste método é calculada inicialmente por meio da
seguinte equação:

= 10 ( ) 3
+1 (4)


onde N é a média do N de todos os demais valores que não foram consispt
derados no cálculo da resistência de ponta, sem diferenciar o tipo de solo.
O resultado dessa expressão tem MPa por unidade. Vale ressaltar que

neste método o intervalo de valores 3 ≤ N ≤ 50 deverá ser obedecido. Na
prática, isso implica que, se valores inferiores a 3 forem obtidos, eles serão
aproximados até este valor, e se valores acima de 50 forem obtidos, eles
serão aproximados até esse valor.
Posteriormente, o método foi aprimorado por meio de fatores para o tipo
de escala, chegando à equação:

ult =α + 10 ( ) 3
+1 (5)

Você pode encontrar os coeficientes adicionais na página 27 de


Fundações por estacas: projeto geotécnico (CINTRA; AOKI, 2010).

O valor admissível para este método será calculado por outros fatores
de segurança, que são maiores que os preconizados, mas recomendados por
seus criadores, por meio da expressão:

adm = + (6)
1,3 4,0

Uma vez que a tensão admissível tenha sido calculada por qualquer um
dos dois métodos, ou obtida por meio da carga de prova, basta dividir o
esforço de cálculo pela tensão admissível para obter o número de estacas
que deverão ser dispostas de acordo com as recomendações da NBR 6122
;

(ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2019). Precisamente neste


ponto, uma pergunta pode surgir: mas quando tenho um pilar de uma ponte
e o dimensionamento resultar em diversas estacas, como devo fazer a
transferência de cargas? A próxima seção responde essa pergunta

Dimensionamento de blocos de coroamento


Os blocos são elementos que podem ser utilizados para efetuar a
transferência de cargas de um pilar para um agrupamento de estacas.
Nesse caso, constituem um elemento de transição, recebendo a designação
específica de bloco de coroamento. Segundo Campos (2015), nesse caso o
dimensionamento ocorre essencialmente a partir de dois modelos: a análise
de bielas e tirantes e a análise de ensaios experimentais de modelos.
O dimensionamento dependerá da consideração do bloco como rígido
ou como flexível, de acordo com a seção 22.7.2 da NBR 6118 (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2014). Para a consideração como flexível,
a análise deverá ser mais completa, tomando a distribuição das cargas nos
tirantes tracionados, bem como verificando a possibilidade de punção do
bloco. Entre o pilar e o bloco, região de concentração de tensões, pode
acontecer fendilhamento. Para evitar isso, armaduras devem ser
dimensionadas. No caso de blocos rígidos, as armaduras para os esforços
de flexão devem ser dispostas em mais de 85% na região onde se encontram
as estacas. Uma vez que as armaduras são os tirantes tracionados, isso é
necessário para o equilíbrio da peça. Segundo Araújo (2014), não há um
consenso técnico em relação à altura mínima do bloco para que as
deformações possam ser desprezadas e para que haja de fato o
comportamento prescrito. Neste capítulo, adotaremos a sugestão de Campos
(2015), segundo a qual os blocos podem
ser considerados rígidos quando:

𝑃−
ℎ≥
3

onde ℓ é a distância entre os eixos das estacas e bp é a dimensão do pilar


em análise.
Uma vez que o método das bielas e tirantes fornece bons resultados a
partir de cálculos simples, focaremos em seguida nos blocos rígidos, em que
tal método pode ser aplicado.
Método de bielas e tirantes
O método de bielas e tirantes consiste em uma representação simplificada
dos campos de tensão atuantes nas peças. Neste campo, as barras
tracionadas (horizontais) encontram-se no plano médio das armaduras e as
bielas comprimidas (inclinadas) de concreto interceptam nos eixos das
estacas e no pilar. Para entender melhor, observe a Figura 7, em que estão
representados os modelos.

Figura 7. Modelo de bielas e tirantes.


Fonte: Adaptada de Campos (2015).

Neste método, os pilares são tomados com os lados iguais. Para os cálculos
neste método, é necessário conhecer as cargas atuantes em cada estaca.
De acordo com o número de estacas, a partir desses pressupostos, podemos
determinar os esforços mediante a aplicação de algumas fórmulas.
Para o caso com duas estacas, temos um sistema de forças de simples
resolução, o qual podemos calcular estabelecendo o equilíbrio de momentos
em relação ao centro da fundação. Para entender um pouco melhor,
acompanhe a Figura 8, seguir.
;

bP P P
2 2

Biela
comprimida

4 4
P P
2 2

Tk Tk
P e/2 P
2 2

Figura 8. Linhas de ruptura (esquerda) e equilíbrio dos momentos fletores (direita).


Fonte: Adaptada de Campos (2015).

Na Figura 8a, você observa as linhas de rupturas em relação a um dado


pilar. Perceba como elas saem das bordas dos pilares e se dirigem até as
estacas. Essas linhas são precisamente as diagonais que representamos por
bielas de compressão. Com isso, obtemos a tensão no tirante tracionado em
função da carga axial P atuante no pilar de lado b, com uma excentricidade
(distância do centro do pilar ao centro da estaca considerada) ℓ e com altura
útil d. Estabelecendo o equilíbrio de momentos fletores em relação à borda
para os esforços de um dos lados da Figura 8b, temos:

∑ borda
=0→
2
× ( 𝑃
2

4 ) − × =0

4 (
× 𝑃−
2 ) − × =0

= × ( ) 𝑃−
2
(7)

A carga de projeto será adotada por:

Td = 1,4T
Como sabemos que tensão é a relação entre força e área, temos, finalmente:

1,4× 1,15 1,61


= = = (8)

É importante pontuar que a altura útil inicialmente adotada varia na


literatura. Alonso (2010), por exemplo, define um valor d ≥ ℓ/2, o que
equivale a adotar uma biela inclinada a 45°. Campos (2015), por outro lado,
define que a altura útil tomada deve estar no intervalo:

0,5 ( )𝑃−
2
≤ ≤ 0,71 ( )
𝑃−
2

Essencialmente, isso implica considerar uma variação do ângulo da biela


entre 40° e 60°.
Além dessa armadura, são previstas em norma armadura de pele, armadura
de arranque, armadura construtiva e estribos. Especificamente, a armadura
de pele pode ser calculada por meio da equação:

,pele ≥ {0,100,2 a(em0,3 cada


de
face)}

De acordo com a NBR 6118 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS,


2014), esse reforço é obrigatório sempre que a altura da peça for superior
a 60 cm. Essa armadura funciona para resistir aos efeitos de torção e para
fornecer uma ruptura mais dúctil à peça. Adicionalmente, verificamos se a
biela de compressão não excedeu seu valor máximo, ou seja, se não sofreu
esmagamento em cada um dos casos. Para isso, de acordo com Alonso (2010),
a seguinte relação deverá ser satisfeita:

⎛ 2 , blocos com relação ≤ 1 ⎞


1,96 I I
≤ , blocos com relação 1 ≤ ≤ 1,5

I 0,4 , blocos com relação ⎫
> 2,0 I
⎝ ⎠
;

onde fctk é a resistência do concreto à tração, podendo ser calculada por meio
das expressões disponíveis na seção 8.2 da NBR 6118 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE NORMAS TÉCNICAS, 2014).

Exemplo 2
Calcule a armadura de flexão de um bloco sobre duas estacas de 40 cm de
diâmetro que serve de apoio para um pilar de seção quadrada com 50 cm de
lado e carga 700 kN. Adotar aço CA-50 e um concreto com fck = 15 MPa, com
ℓ = 1,40.

Resolução
A altura útil adotada deve estar dentro do intervalo:

0,5 ( 1,4−
2)
0,5
= 0,575 ≤ ≤ 0,8165 = 0,71 (
1,4 −
0,5
2 )
Tomando d = 0,70 m. Logo não ocorrerá esmagamento da biela. Podemos
então verificar a biela:

1,96 × 350 2
=1.630 kPa → 1,63 MPa ≤ 2 × 0,7× ( )3 = 3,65 MPa
0,6× 0,7

Portanto não ocorrerá esmagamento da biela. A área de aço pode ser


calculada pela expressão:

=
1,61
=
1,61
(
× 4 × 𝑃−
2
)=
1,61
50
×
700 ×
4 × 0,7
(1,4 − 0,50
2
)= 9,30 cm → 5 16 mm
2
A armadura de aço será calculada pelo maior valor das expressões:

As,pele = 0,2 × As = 1,86 cm2 → 4ϕ8 mm por face

Portanto, teremos a seção transversal mostrada na Figura 9.

5 ф 16 4 ф 16,3

30 cm
30 cm

Quatro estribos

70 cm

5 cm
5 ф 16
140 cm
30 cm 30 cm

Figura 9. Seção transversal do Exemplo 2.


Fonte: Adaptada de Alonso (2010).

Para três estacas, você terá o sistema de força disposto na Figura 10,
a seguir.

P/3

2h
3

Ts
e/2 e/2 P

Figura 10. Geometria e esforços internos no bloco triangular.


Fonte: Adaptada de Alonso (2010).
;

Por equilíbrio de forças, temos:

( 𝑃√3
3

√2
6
)
= × tg ∴ ×
3 3

× (2𝑃√3 − √2)
= (9)
18

A altura útil para esta configuração de estacas advém da consideração


das linhas de ruptura variando entre 45° e 55°, o que essencialmente implica
no intervalo:

0,58 ( ) 𝑃−
2
≤ ≤ 0,825 ( ) 𝑃−
2

A partir desse esforço a área de aço é calculada novamente pela expressão


(8). Vamos verificar agora um exemplo prático do cálculo de armadura no caso
dessa configuração. Campos (2015), aponta que uma malha mínima deve ser
adotada nesse tipo de estrutura para evitar a fissuração, no valor de 20% da
armadura longitudinal.

Exemplo 3
Calcule a armadura de flexão de um bloco sobre três estacas de 40 cm de
diâmetro que serve de apoio para um pilar de seção quadrada com 50 cm
de lado e carga 3.000 kN. Adote aço CA-50 e um concreto com fck = 18 MPa,
com ℓ = 1,50.

Resolução
A altura útil adotada deve estar dentro do intervalo:

(
0,58 1,50 −
0,5
2
) = 0,725 ≤ ≤ 1,03 = 0,825 1,50 − ( 0,50
2
)
Tomando d = 1,00 m, podemos então verificar a biela:

1,96 × 1.000 2
= 3.270 kPa → 3,27 MPa ≤ 2 × 0,7 × ( )3 = 4,12 MPa
0,6 × 1,0

A área de aço pode ser calculada pela expressão:

1,61 1,61 3.000 × (2 × 1,50√3 − 0,50√2)


= = × = 24,9 cm2 → 5 25 mm
18 × 1,00

Todavia, devido à solicitação normativa de que 85% da armadura se


encontre no eixo das estacas, decompomos a força T ao longo desse eixo
por meio da expressão:


√3
= = 445,77 kN → = 14,3 cm2 → 3 25 mm
3

A disposição das armaduras referidas nessa expressão encontra-se na


Figura 11.

P(2e√3 – b√2) T’ = T √3
T k=
18 d 2 s
3

Figura 11. Disposição das armaduras do Exemplo 3.


Fonte: Adaptada de Alonso (2010).

A armadura de pele e a armadura da malha serão dadas por:

As,pele = 0,2 × As = 2,86 cm2 → 6ϕ8 mm


;

A malha deverá ser disposta conforme mostrado na Figura 12.

Figura 12. Disposição da malha do Exemplo 3.


Fonte: Adaptada de Alonso (2010).

Finalmente, o bloco em quatro estacas, conforme explicado anteriormente,


também deve ter uma disposição de armadura com 85% nos eixos das estacas.
Devido a isso, por simplicidade, o dimensionamento é feito como de bloco
apoiado sobre duas estacas, e no espaço entre essas armaduras é colocada
uma armadura extra de cálculo.
A altura útil é adotada entre o mesmo intervalo anterior de inclinação
(45° ≤ θ ≤ 55°), mas pela geometria diferente, estará no intervalo dado pela
expressão:

0,71 (𝑃−
2 ) ≤ ≤ 1,0 ( )
𝑃−
2

Exemplo 4
Calcule a armadura de flexão de um bloco sobre quatro estacas de 40 cm de
diâmetro que serve de apoio para um pilar de seção quadrada com 50 cm de lado
e carga 2.200 kN. Adote aço CA-50 e um concreto com fck = 15 MPa, com ℓ = 1,20.

Resolução
A altura útil adotada deve estar dentro do intervalo:

0,71 ( 1,20 −
0,5
2
)
= 0,6745 ≤ (
≤ 0,95 = 1,0 𝑃 −
2
)
24 Fundações de pontes

Tomando d = 0,80 m, podemos então verificar a biela:

1,96 × 1.100 2
= 1.350 kPa → 1,35 MPa ≤ 2 × 0,7 × ( )3 = 3,64 MPa
2 × 0,8

A área de aço pode ser calculada pela expressão:

=
1,61
=
1,61
× 4 × 𝑃− ( 2
) =

1,61
50
×
2.200 ×
4 × 0,8
( 1,2 −
0,50

2
) = 21,03 cm2 → 11 16 mm

Uma armadura de distribuição equivalente à metade será adotada na


outra direção, ou seja, 6ϕ16 mm. Por fim, a armadura de pele poderá ser
calculada por:

As,pele = 0,2As = 4,20 cm2 → 6ϕ10 mm

O resultado é detalhado na Figura 13.

Armadura extra-cálculo
6 ф 16 6 ф 16 4 estribos ф 10(“costelas”)

6 ф 16
extra-cálculo
Armadura

80

6 ф 16 6 ф 16
6 ф 16
Extra-cálculo

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