0% acharam este documento útil (0 voto)
55 visualizações12 páginas

Direitos Indígenas: História e Legislação

O capítulo aborda a história e as diretrizes legais dos direitos indígenas no Brasil, destacando a importância da diversidade étnica e cultural dos povos indígenas. A Constituição Federal de 1988 marcou uma mudança significativa ao reconhecer os direitos originários dos indígenas e promover uma educação diferenciada. O texto também menciona a evolução das políticas indigenistas e a luta dos movimentos indígenas por seus direitos ao longo da história.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
55 visualizações12 páginas

Direitos Indígenas: História e Legislação

O capítulo aborda a história e as diretrizes legais dos direitos indígenas no Brasil, destacando a importância da diversidade étnica e cultural dos povos indígenas. A Constituição Federal de 1988 marcou uma mudança significativa ao reconhecer os direitos originários dos indígenas e promover uma educação diferenciada. O texto também menciona a evolução das políticas indigenistas e a luta dos movimentos indígenas por seus direitos ao longo da história.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Capítulo 5

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

História e diretrizes
legais sobre os
direitos indígenas

Para compreender os direitos das populações indígenas e, entre


eles, o direito a uma educação escolar diferenciada, tendo por base a
história indígena com sua diversidade étnica, cultural e linguística, re-
presentada por 305 povos e 274 línguas indígenas diferentes, conforme
o Censo de 2010 do IBGE, precisaremos voltar no tempo e perceber que
a contribuição indígena para a formação do Brasil foi “imensurável, de
tão grande e multifacetada” (FUNARI; PIÑÓN, 2011, p. 16).

61
Podemos iniciar excluindo, a partir dessa leitura e definitivamente, a

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
palavra “índio” de nosso vocabulário, um termo ambíguo que pretendeu
igualar povos desiguais, uma concepção etnocêntrica sobre os povos
existentes nas colônias europeias. Como afirma o escritor indígena
Daniel Munduruku, “[índio] é uma palavra genérica” que “esconde toda a
diversidade, riqueza e humanidade dos povos indígenas” (MUNDURUKU,
2019). Vamos usar a palavra “indígena”, que quer dizer originário, aquele
que está ali antes dos outros, ou utilizar o nome do povo a que pertence
o indígena, ou seja, sua etnicidade. Por exemplo: Daniel Munduruku, per-
tencente ao povo Munduruku.

Os chamados negros da terra, indígenas escravizados pelo sistema


produtivo da estrutura econômica paulista durante os séculos XVI, XVII
e XVIII (MONTEIRO, 1994), chegam ao século XIX sob uma política as-
similacionista prevista no Regulamento das Missões de 1845,1 quan-
do vão passar por um processo de “catequização e incorporação da
dinâmica camponesa de trabalho” da chamada “civilização dos índios”
(MARCHIORO, 2018, p. 187-188). Nos séculos XX e XXI, passam a ser
reconhecidos como povos indígenas no Brasil, resultado de seu protago-
nismo e da luta dos movimentos indígenas contemporâneos, reforçado
pela crescente produção acadêmica sobre história indígena, que tem iní-
cio na década de 1990 “com o surgimento de pautas ligadas à necessi-
dade da demarcação de terras indígenas” (MARCHIORO, 2018, p. 30).

A Constituição Federal (CF) de 1988 representou um marco nesse


processo histórico, quando ocorre uma mudança de paradigma rela-
cionado às diretrizes legais sobre os direitos indígenas. De uma políti-
ca assimilacionista, de integração dos indígenas à sociedade nacional
– como previsto na Lei no 6.001/1973, o Estatuto do Índio (e não do
indígena ou dos povos indígenas), artigo 1o, “integrá-los, progressiva e
harmoniosamente, à comunhão nacional” –, passamos a uma política

1 Decreto no 426, de 24 e julho de 1845, que contém o Regulamento das Missões de catequese e civilização
dos índios.

62 Educação escolar indígena e quilombola


de proteção e promoção dos indígenas com o reconhecimento de sua
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

cultura, modo de vida e os direitos originários sobre as terras que ocu-


pam, conforme os artigos 231 e 232 do Capítulo VIII – Dos Índios (e não
dos indígenas ou dos povos indígenas) (CF/1988), incluindo, fundamen-
talmente, uma capacidade civil e o fim do regime tutelar (1910-1988)
para os indígenas, quando lhes é reconhecido, como partes legítimas,
ingressar em juízo através de suas organizações na defesa de seus di-
reitos e interesses intervindo o Ministério Público nos atos do processo.

A história indígena, representada por suas lutas e pela organização


de um movimento indígena que protagonizou a inserção de um capítulo
específico sobre eles na CF/1988, continua sendo escrita, visando cons-
cientizar a todos sobre a importância de nossa convivência em um país
multicultural e pluriétnico em busca de um futuro comum com justiça
social e democracia.

1 História e cultura indígena no Brasil


Como dissemos anteriormente, as pesquisas e publicações acadê-
micas sobre história indígena vão se ampliando na década de 1990.
Entre essas produções destacamos, inicialmente, a publicação da
obra organizada pela antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, intitu-
lada História dos índios do Brasil, em 1992; o livro Negros da terra, de
John Manuel Monteiro, professor do Departamento de Antropologia da
Unicamp, publicado em 1994; e a obra Índio na história, do antropólo-
go Mércio Pereira Gomes, que foi presidente da Fundação Nacional do
Índio (Funai), publicada em 2002.

Na introdução a uma história indígena (CUNHA, 1992, p. 12), a au-


tora descreve o extermínio da população indígena, que foi reduzida de
“uma população que estava na casa dos milhões em 1500 aos parcos
200 mil”, em 1992, lembrando que, atualmente, a população indígena
no Brasil, conforme o Censo de 2010 do IBGE, está próxima de 1 milhão.

História e diretrizes legais sobre os direitos indígenas 63


Um breve resumo sobre a história indígena, baseado no trabalho

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
de Cunha (1992), Monteiro (1994) e Gomes (2002), pode ser descrito
a partir da divisão do Novo Mundo entre Espanha e Portugal, definida
pela Igreja através de uma bula papal,2 referendada pelo Tratado de
Tordesilhas em 1494, representando uma orientação de legislação e
evangelização dos habitantes das colônias na América. Essa relação
Estado/Igreja teve um ponto de discórdia: “o controle do trabalho indíge-
na nos aldeamentos” (CUNHA, 1992, p. 16). Nesse momento, ainda se
tratava apenas do direito à escravização indígena como força de traba-
lho, mas não da ocupação das terras indígenas. Monteiro (1994, p. 42)
faz um relato sobre a implantação do projeto de aldeamento indígena,
“uma solução articulada para as questões da dominação e do trabalho
indígena”, um projeto dos jesuítas que acabou se tornando “um dos sus-
tentáculos da política indigenista no Brasil colonial”.

Durante o século XVII e XVIII, Portugal começou a se interessar pela


ocupação da Amazônia, quando os jesuítas passaram a formar um imen-
so território missionário, que durou até que o Marquês de Pombal os ex-
pulsasse em 1759, sendo que, em 1755, esse ministro plenipotenciário
da Coroa portuguesa, chamado Sebastião José de Carvalho e Mello, ha-
via publicado dois decretos, um declarando os indígenas livres, mesmo
tendo “sido capturados em guerras justas3 ou resgatados de outras tri-
bos indígenas como cativos”, e o outro “cancelava o prévio poder tempo-
ral que os jesuítas exerciam sobre as suas aldeias de missão” (GOMES,
2002, p. 183). Com a chegada da Corte portuguesa ao Brasil, em 1808,
com D. João VI, a política indigenista se voltaria, além da escravização de
indígenas, também para a ocupação de suas terras. A partir de meados

2 Bula papal Inter Coetera (expressão latina que significa “entre outros [trabalhos]”), editada pelo papa
Alexandre VI, em 4 de maio de 1493.

3 Guerra justa era a principal forma de escravização legal do indígena, a partir do século XVI, permitindo aos
colonizadores que declarassem guerra justa aos indígenas que recusassem a conversão e impedissem a
propagação da fé; praticassem hostilidades contra os vassalos e aliados dos portugueses e quebrassem
pactos celebrados com a Coroa portuguesa (PERRONE-MOISÉS, 1992, p. 123).

64 Educação escolar indígena e quilombola


do século XIX, essa questão se torna um projeto e “a cobiça se desloca
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

do trabalho para as terras indígenas” (CUNHA, 1992, p. 16).

Figura 1 – Evangelização dos indígenas

Em 1910, é criado o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), sendo extin-


to em 1966 devido a denúncias de corrupção. O SPI, inicialmente deno-
minado Serviço de Proteção aos Índios e Localização dos Trabalhadores
Nacionais (SPILTN), vai surgir da iniciativa de Cândido Mariano da Silva
Rondon, o Marechal Rondon, que coordenou os trabalhos da Comissão
de Linhas Telegráficas e Estratégicas do Mato Grosso ao Amazonas, e,
naquele momento histórico, iniciava um projeto que objetivava “transfor-
mar os indígenas em trabalhadores rurais e não matá-los: tratava-se de
um doce etnocídio e não de um cruento genocídio” (LIMA, 2011, p. 210).

O SPI foi substituído pela Fundação Nacional do Índio (Funai) em


1967, sendo que a política indigenista continuou atrelada ao Estado e
aos seus interesses, que, nos anos 1970, passaram a ver no indígena um
empecilho ao progresso do país e, nos anos 1980, um “risco à segurança
nacional” (CUNHA, 1992, p. 17). Nesse período, começam a surgir no

História e diretrizes legais sobre os direitos indígenas 65


Brasil várias organizações indigenistas,4 formando uma rede de apoio à

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
causa indígena e, também, surge uma organização do próprio movimen-
to indígena, de âmbito nacional, a União das Nações Indígenas (UNI),
que uniu vários líderes indígenas de projeção nacional, entre eles Ailton
Krenak, o porta-voz da UNI na defesa da emenda popular em defesa dos
direitos indígenas durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987.

Esses movimentos vão resultar nas conquistas obtidas com a


CF/1988, que se afasta da antiga política assimilacionista e reconhece
“os direitos originários dos índios, seus direitos históricos, à posse da
terra de que foram os primeiros senhores” (CUNHA, 1992, p. 17). Uma
mudança de paradigma em relação aos indígenas e à luta por seus di-
reitos, de sujeitos históricos, ou a-históricos, a sujeitos políticos; de uma
política indigenista de Estado a uma política definida pelo movimento
indígena. De uma integração à sociedade nacional ao reconhecimento
de sua participação na construção e formação da sociedade brasileira.

Hoje, os povos indígenas e seu protagonismo fazem parte do nos-


so futuro comum, por isso, esperamos que as relações estabelecidas
com eles, a partir dessa leitura, sejam mais justas, e “talvez o sex-
to centenário do descobrimento da América tenha algo a celebrar”
(CUNHA, 1992, p. 22).

PARA PENSAR

Trecho do discurso do coordenador da campanha dos indígenas na


Constituinte, Ailton Krenak, publicado no suplemento do Diário da As-
sembleia Nacional Constituinte, em 1988:

O povo indígena tem um jeito de pensar, tem um jeito de vi-


ver, tem condições fundamentais para sua existência e para a

4 Entre as ONGs indigenistas formadas nesse período, podemos citar a Comissão Pró-Índio (CPI),
Associação Nacional de Apoio aos Índios (ANAI), Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY),
Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NEDI), que em 1994 transformou-se
no Instituto Socioambiental (ISA).

66 Educação escolar indígena e quilombola


manifestação da sua tradição, da sua vida, da sua cultura, que
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

não coloca em risco e nunca colocaram a existência, sequer,


dos animais que vivem ao redor das áreas indígenas, quanto
mais de outros seres humanos. (DIÁRIO..., 1988, p. 573)

2 Diretrizes legais da educação indígena


Podemos afirmar, também em relação à educação indígena, que a
CF/1988 e a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDBEN), Lei
no 9.394/1996, representaram um marco na garantia dos direitos dos
povos indígenas em ter uma educação específica, respeitando suas for-
mas particulares de organização, de utilizar suas línguas maternas e
seus processos próprios de produção e transmissão de conhecimentos
através da educação escolar indígena.

Em 1991, através do Decreto no 26, o governo brasileiro retirou da


Funai a exclusividade na condução das ações referentes à educação
escolar indígena, atribuindo ao Ministério da Educação (MEC) a coorde-
nação dessas ações e sua execução ficou a cargo dos estados e municí-
pios. Nesse mesmo ano, foi publicada a Portaria Interministerial no 559,
indicando uma mudança de paradigma na formulação de uma educação
escolar indígena que abandona o caráter integracionista, como previsto
na Lei no 6.001/1973,5 e passa a reconhecer a diversidade sociocultural e
linguística existente entre os povos indígenas no Brasil.

A Portaria Interministerial no 559/1991 também estimulou a criação


de Núcleos de Educação Escolar Indígena (NEIs) junto às secretarias de
educação dos estados, criou uma Coordenação Nacional de Educação

5 Lei no 6.001/1973, artigo 50: “A educação do índio será orientada para a integração na comunhão nacional
mediante processo de gradativa compreensão dos problemas gerais e valores da sociedade nacional, bem
como do aproveitamento das suas aptidões individuais” (BRASIL, 1973).

História e diretrizes legais sobre os direitos indígenas 67


Indígena e reconheceu as escolas indígenas, respeitando e normatizando

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
suas características específicas quanto ao conteúdo curricular intercultu-
ral, calendário escolar, materiais didáticos para o ensino bilíngue, adequa-
ção aos ciclos de produção econômica e manifestações socioculturais,
além da construção de prédios escolares no interior dos territórios indíge-
nas observando os padrões arquitetônicos de cada grupo étnico.

Estamos falando de uma educação escolar indígena voltada para


atender 305 povos que falam 274 línguas indígenas diferentes. Assim,
para atender a toda essa diversidade étnica, cultural e linguística, o
MEC lançou em 1998 o Referencial Curricular Nacional para as Escolas
Indígenas (RCNEI), que estabeleceu uma diferenciação entre a escola in-
dígena e as demais escolas do país, respeitando a diversidade étnico-cul-
tural, o uso de línguas maternas (bilinguismo e multilinguismo), os pro-
cessos próprios de aprendizagem, previstos no artigo 210 da CF/1988,
e a interculturalidade, assuntos que serão tratados no próximo capítulo.

Seguindo as orientações estabelecidas na LDBEN, o governo federal


promulgou em 2001 o Plano Nacional de Educação (PNE), que teria em
seu bojo um capítulo sobre educação escolar indígena. Já em 2009, vai
ocorrer a I Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, promo-
vendo e fortalecendo essa modalidade de ensino entre outras delibe-
rações. Nesse sentido, tendo por base todos esses debates e legisla-
ções sobre o tema, acabaram sendo definidas as Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Escolar Indígena, Resolução do Conselho
Nacional de Educação (CNE), através da Câmara de Educação Básica
(CEB), no 5, de 22 de junho de 2012.

Essas diretrizes legais da educação indígena vão determinar a


implantação da escola indígena, que deve propiciar acesso aos co-
nhecimentos universais e garantir que os saberes e conhecimentos
tradicionais estejam presentes no currículo intercultural e no projeto po-
lítico-pedagógico (PPP).

68 Educação escolar indígena e quilombola


Todo projeto escolar só será escola indígena se for pensado, pla-
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

nejado, construído e mantido pela vontade livre e consciente da


comunidade. O papel do Estado e outras instituições de apoio de-
vem ser de reconhecimento, incentivo e reforço para este projeto
comunitário. Não se trata apenas de elaborar currículos, mas de
permitir e oferecer condições necessárias para que a comunida-
de gere sua escola. Complemento do processo educativo próprio
de cada comunidade, a escola deve se constituir a partir dos seus
interesses e possibilitar sua participação em todos os momen-
tos da definição da proposta curricular, do seu funcionamento, da
escolha dos professores que vão lecionar, do projeto pedagógico
que vai ser desenvolvido, enfim, da política educacional que será
adotada. Gersem dos Santos, professor Baniwa, AM. (BRASIL,
1998, p. 25)

PARA SABER MAIS

Você, futuro professor ou professora, deve se lembrar que a implan-


tação da Lei no 11.645/2008 tornou obrigatório o ensino da história e
cultura indígena na rede de ensino da educação básica. Assim, além
das obras citadas neste capítulo, indicamos a leitura da obra de Marcio
Marchioro, Questão indígena no Brasil: uma perspectiva histórica, que
oferece uma revisão historiográfica dos principais autores que escreve-
ram sobre a história indígena no Brasil. Também indicamos a leitura da
obra de Pedro Paulo Funari e Ana Piñón, A temática indígena na escola:
subsídios para professores, que traz informações, análises e reflexões
sobre a temática indígena. Consulte a lista de referências ao final deste
capítulo para mais informações.

Considerações finais
Neste capítulo, tivemos a oportunidade de perceber que a histó-
ria indígena está permeada pela história do Brasil, uma história sobre
a qual aprendemos muito pouco durante nossa formação enquanto
educadores, pouco encontramos nos livros didáticos e, assim, pouco

História e diretrizes legais sobre os direitos indígenas 69


reproduzimos em nossas aulas nas escolas. A história indígena faz par-

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
te da história do Brasil e, em consequência, deve ser a base para a cons-
trução de uma educação escolar indígena, refletindo toda a diversidade
étnica, cultural e linguística existente no Brasil.

Os povos indígenas participaram da formação e do sentido do Brasil,


eles fazem parte da formação do povo brasileiro, relembrando o traba-
lho de 30 anos do saudoso professor, antropólogo, político e escritor
Darcy Ribeiro (1922-1997).

Referências
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de
outubro de 1988. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

BRASIL. Decreto no 426, de 24 e julho de 1845. Contém o Regulamento das


Missões de catequese e civilização dos índios. 1845. Disponível em: https://
[Link]/norma/387574/publicacao/15771126. Acesso em: 15 nov.
2020.

BRASIL. Decreto no 26, de 4 de fevereiro de 1991. Dispõe sobre a Educação


Indígena no Brasil. 1991a. Disponível em: [Link]
decreto/1990-1994/[Link]. Acesso em: 30 out. 2020.

BRASIL. Lei no 6.001, de 19 de dezembro de 1973. Dispõe sobre o Estatuto do


Índio. 1973. Disponível em: [Link]
Acesso em: 15 nov. 2020.

BRASIL. Lei no 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei no 9.394, de 20


de dezembro de 1996 [...]. 2008. Disponível em: [Link]
ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/[Link]. Acesso em: 30 set. 2020.

BRASIL. Portaria Interministerial no 559, de 16 de abril de 1991. Dispõe sobre a


Educação Escolar para as Populações Indígenas. 1991b. Disponível em: https://
[Link]/2004/06/21816. Acesso em: 30 out. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CEB no 5, de 22 de junho


de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar

70 Educação escolar indígena e quilombola


Indígena na Educação Básica. 2012. Disponível em: [Link]
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.

[Link]?option=com_docman&view=download&alias=11074-rceb005-12-
pdf&category_slug=junho-2012-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 14 set. 2020.

BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação


Fundamental. Referencial Curricular Nacional para as Escolas Indígenas.
Brasília, DF: MEC/SEF, 1998. Disponível em: [Link]
download/texto/[Link]. Acesso em: 15 nov. 2020.

CUNHA, Manuela Carneiro da. Introdução a uma história indígena. In: CUNHA,
Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia
das Letras: Secretaria Municipal de Cultura: Fapesp, 1992. Disponível em:
[Link]
Introducao_a_uma_historia_indigena.pdf. Acesso em: 15 nov. 2020.

FUNARI, Pedro Paulo; PIÑÓN, Ana. A temática indígena na escola: subsídios


para os professores. São Paulo: Contexto, 2011.

GOMES, Mércio Pereira. O índio na história: o povo Tenetehara em busca da


liberdade. Petrópolis: Vozes, 2002.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo


brasileiro de 2010. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. Disponível em: https://
[Link]/. Acesso em: 30 out. 2020.

INTER CÆTERA. In: WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. [s. d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 3 maio 2021.

DIÁRIO DA ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE. Pronunciamento de Ailton


Krenak. Plenário da Câmara dos Deputados. Diário da Assembleia Nacional
Constituinte (Suplemento “B”), Brasília, DF, 27 jan. 1988. p. 572-573. Disponível
em: [Link]
Brasileiras/constituicao-cidada/o-processo-constituinte/comissao-de-
sistematizacao/[Link]. Acesso em: 15 nov. 2020.

INTER CÆTERA. In: WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. [s. d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 3 maio 2021.

LIMA, Antonio Carlos de Souza. Reconsiderando poder tutelar e formação


do Estado no Brasil: notas a partir da criação do SPILTN. In: FREIRE, Carlos
Augusto da Rocha (org.). Memória do SPI: textos, imagens e documentos sobre

História e diretrizes legais sobre os direitos indígenas 71


o Serviço de Proteção aos Índios (1910-1967). Rio de Janeiro: Museu do Índio/

Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
Funai, 2011.

MARCHIORO, Marcio. Questão indígena no Brasil: uma perspectiva histórica.


Curitiba: InterSaberes, 2018.

MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: índios e bandeirantes nas origens


de São Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

MUNDURUKU, Daniel. Dia do Índio é data “folclórica e preconceituosa”. [Entrevista


concedida a] Amanda Rossi. BBC News Brasil, 19 abr. 2019. Disponível em: https://
[Link]/2019/04/dia-do-indio-e-data-folclorica-e-preconceituosa-diz-
escritor-indigena-daniel-munduruku/. Acesso em: 15 nov. 2020.

OLIVEIRA, João Pacheco de; FREIRE, Carlos Augusto da Rocha (org.). A presença
indígena na formação do Brasil. Brasília, DF: MEC/Secadi; Rio de Janeiro:
LACED/Museu Nacional, 2006. Disponível em: [Link]
br/download/texto/[Link]. Acesso em: 15 nov. 2020.

PERRONE-MOISÉS, Beatriz. Índios livres e índios escravos: os princípios da


legislação indigenista do período colonial (séculos XVI a XVIII). In: CUNHA,
Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia
das Letras: Secretaria Municipal de Cultura: Fapesp, 1992. Disponível em:
[Link]
Introducao_a_uma_historia_indigena.pdf. Acesso em: 15 nov. 2020.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 2.


ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Disponível em: [Link]
[Link]/sites/filosofia_brasil/Darcy_Ribeiro_-_O_povo_Brasileiro-_a_
forma%C3%A7%C3%A3o_e_o_sentido_do_Brasil.pdf. Acesso em: 15 nov. 2020.

72 Educação escolar indígena e quilombola

Você também pode gostar