Direitos Indígenas: História e Legislação
Direitos Indígenas: História e Legislação
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
História e diretrizes
legais sobre os
direitos indígenas
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Podemos iniciar excluindo, a partir dessa leitura e definitivamente, a
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palavra “índio” de nosso vocabulário, um termo ambíguo que pretendeu
igualar povos desiguais, uma concepção etnocêntrica sobre os povos
existentes nas colônias europeias. Como afirma o escritor indígena
Daniel Munduruku, “[índio] é uma palavra genérica” que “esconde toda a
diversidade, riqueza e humanidade dos povos indígenas” (MUNDURUKU,
2019). Vamos usar a palavra “indígena”, que quer dizer originário, aquele
que está ali antes dos outros, ou utilizar o nome do povo a que pertence
o indígena, ou seja, sua etnicidade. Por exemplo: Daniel Munduruku, per-
tencente ao povo Munduruku.
1 Decreto no 426, de 24 e julho de 1845, que contém o Regulamento das Missões de catequese e civilização
dos índios.
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de Cunha (1992), Monteiro (1994) e Gomes (2002), pode ser descrito
a partir da divisão do Novo Mundo entre Espanha e Portugal, definida
pela Igreja através de uma bula papal,2 referendada pelo Tratado de
Tordesilhas em 1494, representando uma orientação de legislação e
evangelização dos habitantes das colônias na América. Essa relação
Estado/Igreja teve um ponto de discórdia: “o controle do trabalho indíge-
na nos aldeamentos” (CUNHA, 1992, p. 16). Nesse momento, ainda se
tratava apenas do direito à escravização indígena como força de traba-
lho, mas não da ocupação das terras indígenas. Monteiro (1994, p. 42)
faz um relato sobre a implantação do projeto de aldeamento indígena,
“uma solução articulada para as questões da dominação e do trabalho
indígena”, um projeto dos jesuítas que acabou se tornando “um dos sus-
tentáculos da política indigenista no Brasil colonial”.
2 Bula papal Inter Coetera (expressão latina que significa “entre outros [trabalhos]”), editada pelo papa
Alexandre VI, em 4 de maio de 1493.
3 Guerra justa era a principal forma de escravização legal do indígena, a partir do século XVI, permitindo aos
colonizadores que declarassem guerra justa aos indígenas que recusassem a conversão e impedissem a
propagação da fé; praticassem hostilidades contra os vassalos e aliados dos portugueses e quebrassem
pactos celebrados com a Coroa portuguesa (PERRONE-MOISÉS, 1992, p. 123).
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causa indígena e, também, surge uma organização do próprio movimen-
to indígena, de âmbito nacional, a União das Nações Indígenas (UNI),
que uniu vários líderes indígenas de projeção nacional, entre eles Ailton
Krenak, o porta-voz da UNI na defesa da emenda popular em defesa dos
direitos indígenas durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987.
PARA PENSAR
4 Entre as ONGs indigenistas formadas nesse período, podemos citar a Comissão Pró-Índio (CPI),
Associação Nacional de Apoio aos Índios (ANAI), Comissão pela Criação do Parque Yanomami (CCPY),
Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e o Núcleo de Direitos Indígenas (NEDI), que em 1994 transformou-se
no Instituto Socioambiental (ISA).
5 Lei no 6.001/1973, artigo 50: “A educação do índio será orientada para a integração na comunhão nacional
mediante processo de gradativa compreensão dos problemas gerais e valores da sociedade nacional, bem
como do aproveitamento das suas aptidões individuais” (BRASIL, 1973).
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suas características específicas quanto ao conteúdo curricular intercultu-
ral, calendário escolar, materiais didáticos para o ensino bilíngue, adequa-
ção aos ciclos de produção econômica e manifestações socioculturais,
além da construção de prédios escolares no interior dos territórios indíge-
nas observando os padrões arquitetônicos de cada grupo étnico.
Considerações finais
Neste capítulo, tivemos a oportunidade de perceber que a histó-
ria indígena está permeada pela história do Brasil, uma história sobre
a qual aprendemos muito pouco durante nossa formação enquanto
educadores, pouco encontramos nos livros didáticos e, assim, pouco
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te da história do Brasil e, em consequência, deve ser a base para a cons-
trução de uma educação escolar indígena, refletindo toda a diversidade
étnica, cultural e linguística existente no Brasil.
Referências
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outubro de 1988. 27. ed. São Paulo: Saraiva, 2001.
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pdf&category_slug=junho-2012-pdf&Itemid=30192. Acesso em: 14 set. 2020.
CUNHA, Manuela Carneiro da. Introdução a uma história indígena. In: CUNHA,
Manuela Carneiro da (org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Companhia
das Letras: Secretaria Municipal de Cultura: Fapesp, 1992. Disponível em:
[Link]
Introducao_a_uma_historia_indigena.pdf. Acesso em: 15 nov. 2020.
INTER CÆTERA. In: WIKIPEDIA: a enciclopédia livre. [s. d.]. Disponível em:
[Link] Acesso em: 3 maio 2021.
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Funai, 2011.
OLIVEIRA, João Pacheco de; FREIRE, Carlos Augusto da Rocha (org.). A presença
indígena na formação do Brasil. Brasília, DF: MEC/Secadi; Rio de Janeiro:
LACED/Museu Nacional, 2006. Disponível em: [Link]
br/download/texto/[Link]. Acesso em: 15 nov. 2020.