ACIPOL
ACADEMIA DE CIENCIAS POLICIAIS
Discente: Anderson Celso Mbasso
turma B, Nr 7. 3º Ano
Projecto de Pesquisa
A Atuação da Polícia na Prevenção da Criminalidade Urbana na
Cidade de Maputo (Período de 2022 a 2024)
Michafutene, Março de 2025
Índice
Contents
Projecto de Pesquisa..................................................................................................................................1
A Atuação da Polícia na Prevenção da Criminalidade Urbana na Cidade de Maputo
(Período de 2022 a 2024).................................................................................................................. 1
Michafutene, Março de 2025.............................................................................................................1
Índice................................................................................................................................................................ 2
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO...............................................................................................................3
1.1 Problema.............................................................................................................................................. 3
1.2 Justificativa......................................................................................................................................... 3
1.3 Objetivos da Pesquisa..................................................................................................................... 3
1.4 Questões de Pesquisa.......................................................................................................................4
1.5 Delimitação do Estudo....................................................................................................................4
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................4
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.................................................................................5
2.1 Policiamento comunitário............................................................................................................... 6
2.2 Criminalidade urbana e vulnerabilidades................................................................................6
2.3 Policiamento e Direitos Humanos................................................................................................7
2.4 O contexto africano e moçambicano...........................................................................................7
2.5 Referencial teórico adotado............................................................................................................8
CAPÍTULO III: METODOLOGIA........................................................................................................8
3.1 Abordagem Metodológica................................................................................................................9
3.2 Tipo de Pesquisa.................................................................................................................................. 9
3.3 População e Amostra.......................................................................................................................10
3.5 Tratamento e Análise de Dados..................................................................................................12
3.6 Limitações do Estudo...................................................................................................................... 12
CAPÍTULO IV: PLANEAMENTO DA PESQUISA............................................................................13
4.1 Cronograma de Atividades........................................................................................................... 13
4.2 Orçamento Previsto......................................................................................................................... 13
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS............................................................................................... 15
CAPÍTULO I: INTRODUÇÃO
A criminalidade urbana constitui um dos principais desafios enfrentados pelas sociedades
contemporâneas, especialmente nos países em desenvolvimento...
... como melhorar a eficácia das ações preventivas no contexto da segurança pública.
Pretende-se, ainda, destacar o papel da comunidade como aliada...
... influenciam os níveis de criminalidade.
Ao abordar a temática da atuação policial sob uma perspectiva crítica e analítica, esta
pesquisa busca não apenas identificar problemas...
1.1 Problema
A Cidade de Maputo tem enfrentado, ao longo dos anos, um crescimento significativo da
criminalidade urbana. Entre 2022 e 2024, observou-se um aumento...
1.2 Justificativa
Este trabalho é relevante sob três pontos de vista: científico, social e profissional.
Cientificamente, contribuirá para ampliar o debate acadêmico...
1.3 Objetivos da Pesquisa
Objetivo Geral:
- Analisar os fatores que influenciam a atuação da Polícia na prevenção da criminalidade
urbana na Cidade de Maputo entre 2022 e 2024.
Objetivos Específicos:
- Identificar os principais tipos de crimes urbanos ocorridos em Maputo no período em
análise;
- Avaliar as estratégias adotadas pela PRM na prevenção da criminalidade urbana;
- Caracterizar o perfil socioeconômico das áreas mais afetadas pela criminalidade;
- Apontar os principais desafios enfrentados pela PRM;
- Sugerir propostas para o fortalecimento da atuação preventiva da PRM.
1.4 Questões de Pesquisa
- Quais os principais tipos de criminalidade urbana em Maputo entre 2022 e 2024?
- Quais estratégias têm sido usadas pela PRM na prevenção da criminalidade urbana?
- Quais os fatores socioeconômicos que contribuem para o aumento da criminalidade
urbana?
- Quais os desafios enfrentados pela PRM na execução das suas ações preventivas?
- Quais medidas podem ser adotadas para melhorar a atuação da PRM na prevenção da
criminalidade?
1.5 Delimitação do Estudo
Delimitação Temática:
O estudo foca-se na prevenção da criminalidade urbana, considerando o papel da PRM na
Cidade de Maputo.
Delimitação Espacial:
O espaço da pesquisa é a Cidade de Maputo, capital de Moçambique, com incidência nos
bairros urbanos mais afetados pela criminalidade.
Delimitação Temporal:
O período em análise compreende os anos de 2022 a 2024, com base em dados
estatísticos e experiências recentes da PRM.
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A revisão bibliográfica constitui uma etapa fundamental na construção de qualquer
investigação científica, pois oferece o embasamento teórico necessário para sustentar os
argumentos e hipóteses do pesquisador. No contexto da segurança pública, diversos
estudos abordam as causas da criminalidade urbana e o papel das instituições policiais na
sua contenção e prevenção.
Autores como Zaffaroni (2007), Baratta (2002), Foucault (1999), Castells (2012) e
Wacquant (2001) fornecem importantes contribuições para a compreensão das dinâmicas
sociais que impulsionam a violência nas cidades.
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
A revisão bibliográfica constitui uma etapa fundamental na construção de qualquer
investigação científica, pois oferece o embasamento teórico necessário para sustentar os
argumentos e hipóteses do pesquisador. No contexto da segurança pública, diversos
estudos abordam as causas da criminalidade urbana e o papel das instituições policiais na
sua contenção e prevenção.
Autores como Zaffaroni (2007), Baratta (2002), Foucault (1999), Castells (2012) e
Wacquant (2001) fornecem importantes contribuições para a compreensão das dinâmicas
sociais que impulsionam a violência nas cidades. A criminalidade é um fenômeno
multifatorial que reflete desigualdades estruturais, ausência de políticas públicas eficazes,
desemprego, exclusão social e a fragilidade dos mecanismos de controle e justiça.
Segundo Bayley (1994), a atuação da polícia deve ser pautada por princípios de
legalidade, proporcionalidade, eficiência e respeito aos direitos humanos. A polícia
moderna precisa equilibrar sua função repressiva com ações preventivas, adotando
estratégias baseadas em evidências e voltadas à construção de confiança com a
comunidade.
2.1 Policiamento comunitário
O modelo de policiamento comunitário, conforme proposto por Trojanowicz e
Bucqueroux (1998), visa promover uma relação de parceria entre os agentes da lei e os
cidadãos. Essa abordagem busca não apenas reprimir o crime, mas compreender suas
causas e atuar de maneira proativa, desenvolvendo ações conjuntas com os moradores das
áreas afetadas. Ela pressupõe proximidade territorial, confiança mútua e constante
diálogo.
Esse modelo tem sido amplamente defendido por especialistas como uma alternativa
sustentável ao policiamento reativo tradicional. Estudos demonstram que, onde há
implantação efetiva de práticas comunitárias, os índices de criminalidade tendem a
diminuir, ao mesmo tempo em que aumenta a sensação de segurança.
2.2 Criminalidade urbana e vulnerabilidades
No contexto urbano, a criminalidade encontra terreno fértil quando fatores como pobreza,
desemprego, déficit habitacional, falta de iluminação pública e baixa escolaridade se
sobrepõem. Castells (2012) explica que a exclusão social, muitas vezes agravada por
políticas urbanas excludentes, leva parcelas da população à marginalidade — espaço
onde o crime aparece como alternativa de sobrevivência.
Em Moçambique, estudos do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CEEI,
2021) apontam que os bairros periféricos de Maputo reúnem características clássicas de
vulnerabilidade: ausência do Estado, escassez de equipamentos públicos, e fraca presença
institucional da polícia.
2.3 Policiamento e Direitos Humanos
A atuação policial não pode se dar à margem da legalidade. Foucault (1999), ao tratar da
genealogia do poder disciplinar, afirma que o controle social se realiza por meio da
vigilância constante, mas que esse controle deve estar submetido a limites éticos e legais.
Assim, o uso da força deve sempre respeitar os princípios internacionais de direitos
humanos.
Wacquant (2001) alerta para o risco da militarização excessiva das polícias em contextos
de pobreza, o que tende a gerar ciclos de violência institucional, repressão e
deslegitimação da autoridade. Em Moçambique, denúncias de abusos cometidos por
agentes da PRM em operações nos bairros periféricos refletem esse dilema e desafiam a
construção de uma polícia cidadã.
2.4 O contexto africano e moçambicano
Autores como Ebo (2005) e Hills (2000) analisam os desafios enfrentados pelas polícias
africanas: baixos salários, corrupção, falta de treinamento, equipamentos obsoletos e
desconfiança da população. A esses fatores somam-se questões como a influência política
sobre as corporações policiais e a ausência de sistemas internos eficazes de controle e
responsabilização.
O Relatório do PNUD (2023) sobre Segurança Humana em África recomenda o
fortalecimento da formação em direitos humanos, a criação de mecanismos de ouvidoria
independentes e a profissionalização progressiva dos corpos policiais. Além disso,
defende o uso de dados estatísticos confiáveis para orientar o planejamento e a execução
de políticas públicas de segurança.
2.5 Referencial teórico adotado
Este estudo fundamenta-se em três pilares teóricos principais:
1. Teorias críticas do controle social – abordam como o sistema penal e as
instituições de segurança pública atuam seletivamente sobre as camadas mais pobres da
população;
2. Estudos sobre policiamento comunitário – defendem a proximidade entre
polícia e cidadão como forma eficaz de prevenção criminal;
3. Literatura sobre segurança cidadã em contextos africanos – discute os
limites e desafios para a consolidação de polícias democráticas no continente africano.
Esses referenciais permitirão analisar com profundidade a atuação da Polícia da
República de Moçambique na prevenção da criminalidade urbana, especialmente no
período de 2022 a 2024, destacando avanços, limitações e possibilidades de melhoria.
CAPÍTULO III: METODOLOGIA
A metodologia é a base que sustenta toda pesquisa científica, pois permite garantir a
coerência entre os objetivos propostos e os caminhos escolhidos para alcançá-los. Este
capítulo descreve as estratégias metodológicas adotadas para o desenvolvimento do
presente estudo, com enfoque na abordagem qualitativa, complementada por elementos
quantitativos, visando analisar a atuação da Polícia da República de Moçambique (PRM)
na prevenção da criminalidade urbana na Cidade de Maputo, no período de 2022 a 2024.
3.1 Abordagem Metodológica
Esta pesquisa adota uma abordagem qualitativa como base principal, por permitir
compreender com profundidade os significados atribuídos pelos sujeitos envolvidos no
contexto estudado. Segundo Creswell (2007), a pesquisa qualitativa é ideal para
investigar fenômenos complexos em ambientes sociais dinâmicos, como o contexto da
segurança pública.
Complementarmente, utiliza-se a abordagem quantitativa no tratamento de dados
estatísticos sobre os índices de criminalidade urbana em Maputo no período em análise,
com o objetivo de identificar tendências, variações e padrões que possam enriquecer a
interpretação qualitativa.
3.2 Tipo de Pesquisa
O presente estudo é de natureza exploratória e descritiva. Exploratório, porque busca
investigar um fenômeno ainda pouco analisado de forma sistemática no contexto
moçambicano — a eficácia das ações preventivas da PRM. Descritivo, pois se propõe a
detalhar as práticas policiais, os tipos de crime mais comuns, os bairros mais afetados e a
percepção da população em relação à segurança.
3.3 População e Amostra
População-alvo:
A pesquisa foca-se em dois grupos principais:
1. Agentes da PRM atuando em unidades operacionais nos bairros urbanos
da Cidade de Maputo;
2. Cidadãos residentes nas áreas com maior incidência criminal.
Amostra:
Dada a impossibilidade de abranger toda a população-alvo, optou-se por uma
amostragem não probabilística por conveniência, totalizando 30 participantes:
• 10 agentes da PRM, entre oficiais, comandantes distritais e agentes
operacionais;
• 20 moradores dos bairros de Chamanculo, Xipamanine, Maxaquene e
Mavalane.
A escolha por esses bairros baseia-se em relatórios da PRM e da mídia local que apontam
essas zonas como as mais afetadas pela criminalidade entre 2022 e 2024.
3.4 Técnicas e Instrumentos de Recolha de Dados
Foram utilizadas as seguintes técnicas:
a) Entrevistas semiestruturadas
Realizadas com agentes da PRM, com um guião previamente elaborado contendo
perguntas abertas sobre a atuação policial, estratégias de prevenção, dificuldades
enfrentadas e percepções sobre os bairros em que atuam.
b) Questionários
Aplicados aos moradores dos bairros selecionados. As perguntas abordam a percepção de
segurança, tipos de crime mais recorrentes, avaliação da atuação policial e sugestões de
melhorias.
c) Observação direta
O pesquisador visitou os bairros mencionados em diferentes horários, observando a
presença policial, movimentação nas ruas, iluminação pública e sinais de desordem
urbana (como lixo, casas abandonadas, consumo de álcool em espaços públicos, etc.).
d) Pesquisa documental
Consultaram-se documentos institucionais da PRM, relatórios anuais, planos estratégicos
de segurança, matérias jornalísticas e dados do Instituto Nacional de Estatística (INE)
sobre criminalidade e urbanização.
3.5 Tratamento e Análise de Dados
Os dados qualitativos provenientes das entrevistas e observações foram organizados em
categorias temáticas e analisados com base na técnica de análise de conteúdo, conforme
Bardin (2011). Essa técnica permite a interpretação sistemática dos discursos e práticas
observadas, revelando padrões e contradições.
Já os dados quantitativos coletados nos questionários e documentos estatísticos foram
analisados com auxílio de tabelas e gráficos, oferecendo uma visão numérica dos
fenômenos identificados qualitativamente.
3.6 Limitações do Estudo
A pesquisa enfrenta limitações como:
• Resistência de alguns agentes e moradores em participar das entrevistas
por receio de exposição;
• Dificuldades no acesso a dados oficiais atualizados;
• Restrição de tempo para ampliar o número de bairros investigados.
Apesar dessas limitações, os dados coletados fornecem elementos suficientes para uma
análise crítica e fundamentada da atuação da PRM na prevenção da criminalidade urbana
em Maputo.
CAPÍTULO IV: PLANEAMENTO DA PESQUISA
4.1 Cronograma de Atividades
O cronograma abaixo representa a previsão de execução das etapas da pesquisa,
distribuídas ao longo de quatro meses. Esta organização permite uma condução eficiente
e coordenada do trabalho, desde a concepção até à apresentação final dos resultados.
Etapa Marco Abril Maio Junho
Levantamento bibliografico X
Elaboracao do projecto X X
Aprovacao do orientador X
Entrevistas e questionarios X X
Observacoes de campo X X
Analise e interpretacao dos dados X
Redacao da visao final X X
Entrega e defesa do trabalho X
Fonte: Elaborado pelo autor (2025)
4.2 Orçamento Previsto
A seguir, apresenta-se uma estimativa dos custos necessários para a realização do projeto,
incluindo despesas com deslocamento, impressão, acesso à internet, entre outras.
Item Valor (MT)
Transporte e deslocações 2.000,00
Impressão e encadernação do trabalho 1.000,00
Internet (pesquisa, reuniões, envio dados) 1.500,00
Material de consumo (papel, canetas, etc.) 500,00
Alimentação durante trabalho de campo 1.000,00
Cópias e documentos 500,00
Total Estimado 6.500,00
Fonte: Elaborado pelo autor (2025)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
• Bardin, L. (2011). Análise de conteúdo. São Paulo: Edições 70.
• Baratta, A. (2002). Criminologia Crítica e Crítica do Direito Penal. Rio de
Janeiro: Revan.
• Bayley, D. H. (1994). Police for the Future. Oxford University Press.
• Bourdieu, P. (1997). Sobre o Estado: Cursos no Collège de France. São
Paulo: Companhia das Letras.
• Castells, M. (2012). A Cidade e as Massas. São Paulo: Paz e Terra.
• Creswell, J. W. (2007). Projeto de pesquisa: métodos qualitativos,
quantitativos e mistos. Porto Alegre: Artmed.
• Ebo, A. (2005). The Challenges and Opportunities of Security Sector
Reform in Post-Conflict Liberia. Geneva: DCAF.
• Foucault, M. (1999). Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis:
• Hills, A. (2000). Policing Africa: Internal Security and the Limits of
Liberalization. Boulder: Lynne Rienner Publishers.
• PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. (2023).
Relatório sobre Segurança Humana em África. Nova Iorque.
• Trojanowicz, R., & Bucqueroux, B. (1998). Policiamento comunitário:
como fazer funcionar. São Paulo: Nobel.
• Instituto Nacional de Estatística (INE). (2024). Relatórios sobre
Criminalidade e População Urbana em Moçambique. Maputo.
• Polícia da República de Moçambique – PRM. (2022–2024). Relatórios
Operacionais e Planos Estratégicos. Maputo.