Projecto de Pesquisa
Actuação do SENAMI na Fiscalização da permanência irregular de Cidadãos
estrangeiros por caducidade da Autorização de Residencia em Moçambique (Caso
da Direção de Migração da Cidade de Maputo-período compreendido entre 2019 e
2021)
Michafutene, Março de 2022
Contents
CAPITULO I: INTRODUÇÃO .................................................................................... 4
4.1 Problema ............................................................................................................ 5
1.2 Justificativa ............................................................................................................. 6
1.3 Objectivos da pesquisa............................................................................................ 7
1.3.1 Geral ..................................................................................................................... 7
1.3.2 Específicos .......................................................................................................... 7
1.4 Questões de Pesquisa .............................................................................................. 7
1.5 Delimitação do estudo ............................................................................................ 8
1.5.1 Delimtação Temática ........................................................................................... 8
1.5.2 Delimitação Espacial ........................................................................................... 8
1.5.3 Delimitação temporal ........................................................................................... 8
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................ 9
2.1 Definição de conceitos ............................................................................................ 9
2.1.1 Actuação .............................................................................................................. 9
2.1.2 Cidadão estrangeiro .......................................................................................... 10
2.1.3 SENAMI ............................................................................................................ 11
2.1.4 Autorização de Residência................................................................................. 12
2.2 Enquadramento teórico ......................................................................................... 12
2.2.1 Teorias institucionais e sistemas migratórios .................................................... 12
CAPÍTULO III: METODOLOGIA ............................................................................ 14
3.1 Abordagens metodológicas ................................................................................... 14
3.2 População alvo e amostra...................................................................................... 15
3.3.1 População Alvo .................................................................................................. 15
3.2.2 Amostra .............................................................................................................. 15
3.2.3 Descrição da Amostra ........................................................................................ 16
3.2.4 Técnicas e instrumentos de recolha de dados .................................................... 16
[Link] Técnicas de Recolha de Dados ....................................................................... 16
[Link] Pesquisa bibliográfica ..................................................................................... 16
[Link] Observação Simples ........................................................................................ 17
[Link] Pesquisa documental ....................................................................................... 17
[Link]. Entrevista ....................................................................................................... 18
[Link] Questionário .................................................................................................... 18
[Link].2 Instrumentos de Recolha de Dados .............................................................. 18
[Link] Guião de entrevistas estruturadas.................................................................... 18
[Link] Guião de inquéritos ......................................................................................... 18
4.1 CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES ............................................................... 19
4.2. ORÇAMENTO .................................................................................................... 19
REFRÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................................... 20
CAPITULO I: INTRODUÇÃO
A Autorização de Residência para Estrangeiro, dentro do contexto que se pretende
abordar, é o documento concedido aos cidadãos estrangeiros que tenham uma
autorização de trabalhar para que os mesmos possam residir legalmente na República de
Moçambique. O contrato de trabalho devidamente aprovado pelas autoridades laborais é
uma das condições primordiais para a emissão da Autorização de Residência, pelo que é
recomendável que o contrato de trabalhar com cidadãos estrangeiros, nestes termos
referidos seja celebrado da entrada do mesmos em Moçambique.
As tradições literárias de diversas diásporas, cuja produção escrita nos últimos anos,
tem constituído uma influencia fundamental ao nível do património transnacional das
cidades, descrevem estas ultimas, de forma bastante apropriada, como sendo
simultaneamente actores e palcos decisivos (Viriato,2008).
É importante tomar em conta o facto inquestionável de que, como bem observa Harvey,
(2012) muitos Estados do mundo actual se caracterizam por ter populações multiétnicas,
constituídas lenta ou rapidamente.
É no contexto dessa perspectiva que surge o presente Projecto de Pesquisa subordinado
ao tema: Actuação do SENAMI na Fiscalização da permanência irregular de
Cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização de Residencia em
Moçambique (Caso da Direção de Migração da Cidade de Maputo-período
compreendido entre 2019 e 2021). O mesmo insere-se no âmbito de conclusão de
curso de Licenciatura em Ciências Policiais na ACIPOL.
O projecto está estruturado em quatro capítulos nomeadamente:
Primeiro capitulo, indica-se a introdução onde se apresenta problema, justificativa,
objectivos, questões de pesquisa, delimitação temática, espacial e temporal;
Segundo capitulo indica-se a revisão bibliográfica composta pela definição de
conceitos, operacionalização de conceitos e o enquadramento teórico;
Terceiro capitulo indica-se a metodologia onde contempla a opção metodológica,
população alvo, população amostra, descrição da amostra, técnicas e instrumentos de
recolha de dados;
4.1 Problema
O nº1 do artigo 42 do Decreto nº108/2014 de 31 de Dezembro, determina que será
facultada a entrada livre dos funcionários do Serviço Nacional de Migração, para o
exercício da sua função fiscalizadora, nas casas e recintos de espetáculos ou diversão,
associações de recreio, nas estações marítimas, fluviais, lacustres e caminhos-de-ferro,
nos comboios, navios, aeronaves e em locais onde a sua presença seja necessária.
Moçambique tem vindo a registar um aumento considerável de numero de cidadãos
estrangeiros com documentos de Autorização de Residência caducados, de acordo com
o SENAMI.
Durante o período em estudo ( 2019 a 2021), segundo o Departamento do Movimento
Migratório da cidade de Maputo, foram fiscalizados 4557 cidadãos estrangeiros e foram
notificados 1255 por caducidade da Autorização de Residência respectivamente
conforme ilustra a tabela abaixo:
Tabela 1. Cidadãos estrangeiros fiscalizados e notificados
Ano Estrangeiros Fiscalizados Estrangeiros Notificados
2018 1427 12% 448 19%
2019 1500 22% 350 10%
2020 1630 66% 457 71%
Total 4557 100% 1255 100%
Fonte: Departamento de Fiscalização Migratória (Direcção de Migração da Cidade de
Maputo)
Estes actos foram detectados em resultado da fiscalização levada a cabo pelo SENAMI.
No entanto, os estrangeiros não procedem à renovação da Autorização de Residência
antes de ultrapassar o período de validade, movimentando-se assim na Cidade de
Maputo de um lado para outro e fazendo livremente seus trabalhos normais com
documentos com validade vencida, o que constitui uma infracção migratória punível
pelo nº 2 do artigo 43 da Lei nº 5/93 de 28 de Dezembro, através de cobrança de multa
diária no valor de 100,000.00MT acrescida de adicionais. A não renovação da
Autorização de Residência no prazo de 90 dias pode concorrer para a perda de estatuto
de residente, conforme postula alínea c) do artigo 23 da Lei nº 5/93 de 28 de
Dezembro.
No país, a validade da Autorização de Residência varia de acordo com a categoria do
mesmo. O temporário tem validade de um ano e o permanente cinco anos. Ambos são
renováveis por iguais períodos. No entanto, o cidadão estrangeiro residente de forma
permanente no país com idade igual ou superior a 65 anos pode solicitar a Autorização
de Residência com validade vitalícia.
Na Cidade de Maputo, constata-se a permanência de cidadãos estrangeiros com
Autorização de Residência (DIRE) caducados, pese em bora os mesmos na altura da sua
entrada tenha sido legal. Todavia, a ostentação de documentos com validade vencida
contraria as normas que autorizam e fiscalizam a permanência desses cidadãos
estrangeiros enquanto indivíduos imbuídos de deveres e obrigações para com o país no
a qual não são nacionais, o que preocupa a sociedade no geral.
Diante do exposto, a pesquisa apresenta o seguinte questionamento:
Que factores contribuem para a permanência irregular de cidadãos estrangeiros
por caducidade da Autorização de Residência na cidade de Maputo?
1.2 Justificativa
Considera-se relevante debruçar sobre Actuação do SENAMI na Fiscalização da
permanência irregular de cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização de
Residência na Cidade de Maputo, pois, trata-se de um assunto de interesse social,
porém pouco debatido no seio dos acadêmicos e pela sociedade civil.
No âmbito científico, o trabalho pretende ser útil para a área de conhecimento comum
que poderá tornar benéfico para uma mais célere a interpretação da fiscalização da
permanência de cidadãos estrangeiros residentes na Cidade de Maputo. Além disso, os
resultados da pesquisa irão servir de acervo bibliográfico para Academia de Ciências
Policiais reforçando deste modo material existente que debruçam sobre área de
interesse.
No âmbito profissional, a pesquisa vai permitir que o Serviço Nacional de Migração
desenvolva as acções operativas de fiscalização para evitar que não prevaleçam
cidadãos estrangeiros com documentos de identificação de residência caducados na
Cidade de Maputo.
No âmbito social, as actividades a serem desenvolvidas ao nível do SENAMI, tornarão
relevantes na medida em que procuram construções teóricas que apoiem do ponto de
vista social a determinar estratégias mais consentâneas à realidade social no âmbito da
fiscalização da permanência de cidadãos estrangeiros residentes na Cidade de Maputo,
em que o compromisso é a garantia de circulação de pessoas de forma legal.
Assim, tratando-se de um tema de elevada pertinência, o nosso interesse por essa
temática deve-se, não somente por motivos de índole profissional, mas também pelo
interesse sobre a incidência e incongruência que os fluxos de cidadãos estrangeiros com
documentos de identificação de residência reflectem na Cidade de Maputo e que seus
efeitos são sentidos até em toda esfera social.
1.3 Objectivos da pesquisa
1.3.1 Geral
Descobrir os factores que contribuem para a permanência irregular de
cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização de Residência na
cidade de Maputo?.
1.3.2 Específicos
Indicar os factores que contribuem para a permanencia irregular de cidadãos
estrangeiros por caducidade da Autorização de Residência na Cidade de Maputo;
Descrever os procedimentos usados pelo SENAMI na fiscalização da
permanência irregular de cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização
de Residencia na Cidade de Maputo;
Caracterizar a situação Socio-Economica dos estrangeiros em situação irregular
por caducidade da Autorização de residencia na Cidade de Maputo;
Identificar os desafios do SENAMI na fiscalização da permanência irregular de
Cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização de Residência na Cidade
de Maputo;
1.4 Questões de Pesquisa
Que factores contribuem para permanencia irregular de cidadãos estrangeiros
por caducidade da Autorização de Residência na cidade de Maputo?
Quais são os procedimentos usados pelo SENAMI na fiscalização da
permanência irregular de cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização
de Residencia na Cidade de Maputo?
Qual é a situação Socio-Economica dos estrangeiros em situação irregular por
caducidade da Autorização de Residncia na Cidade de Maputo?
Quais são os desafios do SENAMI na fiscalização da permanência irregular de
Cidadãos estrangeiros por caducidade da Autorização de Residência na Cidade
de Maputo
Quais estratégias podem colmatar o fenomeno da permanencia irregular de
cidadãos estrangeiros com Autorização de Residência na Cidade de Maputo?
1.5 Delimitação do estudo
1.5.1 Delimtação Temática
O estudo seguirá uma abordagem técnico profissional entendida aqui com enfoque na
análise da fiscalização da permanência de Cidadãos estrangeiros com Autorização
de Residência na Cidade de Maputo, pois o fenómeno preocupa as autoridades
responsáveis pela fiscalização dos estrangeiros bem como a sociedade em geral.
1.5.2 Delimitação Espacial
A pesquisa será desenvolvida na Cidade de Maputo. A Cidade de Maputo situa-se no
extremo Sul do País e tem estatuto de Província. A urbe possui uma superfície total de
346,77 Km, incluindo a parte continental e as Ilhas de Inhaca e Xefina. Segundo dados
do Instituto Nacional de Estatística (INE) obtidos a partir do IV Censo Geral da
População e Habitação 2017, a Cidade de Maputo tem uma população estimada em
1.101.170 de habitantes e uma densidade populacional de cerca de 3.670.6 hab/Km2
(INE, 2017).
Do ponto de vista da divisão administrativa, a Cidade de Maputo é composta por sete
Distritos Municipais,nomeadamente KaMphumo, KaLhamankulo, KaMaxakeni,
KaMavota, KaMubukwane, KaTembe e KaNyaka.
A Cidade de Maputo está localizada no Sul de Moçambique, a Oeste da Baia de
Maputo, no Estuário Santos, onde desaguam os rios Tembe, Umbeluzi, Matola e
Infulene. Está situada a uma altitude média de 47 metros (Ministério da Administração
Estatal, 2005).
1.5.3 Delimitação temporal
O período de estudo vai compreender desde 2018 a 2020, a escolha deste período
prende-se pelo facto de Cidade de Maputo ter-se registado aumento considerável de
número de cidadãos estrangeiros com Autorização de Residência (DIRE) caducados, de
acordo com o SENAMI, sendo por isso necessário desenvolver uma pesquisa com o
objectivo de analisar a Fiscalização da permanência de Cidadãos estrangeiros
Residentes na Cidade de Maputo.
CAPÍTULO II: REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Neste capítulo, foram discutidos conceitos que procuram sustentar o embasamento
teórico da pesquisa. Far-se-a, também, uma revisão de literatura que vai consistir na
análise crítica de textos escritos pelos autores que pesquisaram sobre o assunto no
passado, para se perceber as diferentes abordagens ao longo dos tempos.
Qualquer investigação, seja qual for a sua dimensão, corresponde a uma leitura daquilo
que os outros já escreveram em torno da área do seu interesse, e, na sua escolha de
informações que fundamentem ou refutem os seus argumentos. É neste sentido que
sentimos haver uma base literária que nos ajuda a estudar os factos em volta do tema
que nos propomos estudar (Bell, 1997)
2.1 Definição de conceitos
Para o desenvolvimento deste trabalho, afigura-se importante identificar e definir alguns
conceitos teóricos centrais, com intuito de clarificar o leitor sobre os seus significados
no contexto da pesquisa. Assim, serão definidos os seguintes conceitos: Actuação,
Fiscalização, Cidadão Estrangeiro, SENAMI e Autorização de residência.
2.1.1 Actuação
O Dicionário de língua portuguesa (2001, p. 73), afirma que actuação significa uma
acção “urgente, rápida e eficaz dos responsáveis, para corrigir uma situação em causa”.
Segundo Valente (2005, p.62), diz que a actuação pode considerar-se uma intervenção
preventiva ou repressiva. A intervenção preventiva é aquela que visa evitar que uma
acção (crime ou transgressão), tenha lugar ou possa se generalizar. Enquanto, a
intervenção repressiva visa cessar uma infracção em curso ou que acabe de ter lugar.
Para o tema em alusão a permanência ilegal por caducidade da Autorização de
Residência configura-se como infracção migratória que precisa de ser prevenida ou
reprimida, palavras que condizem com a definição de Valente, enquanto para o
Dicionário da língua Portuguesa ancora-se no sentido geral ou melhor o conceito é mais
amplo, não podendo aclarar com exatidão o sentido actuação que pretendemos elucidar
ao longo do presente trabalho.
É com base nestes aspectos que adoptamos para o presente estudo, o conceito de
actuação de acordo com Valente, pois enquadra-se com o tema em estudo, e traz
elementos essenciais para o entendimento da actuação da DMCM, quanto à caducidade
da Autorização de Residência.
Fiscalização
Fiscalização é um exercício de actividade profissional para assegurar a sociedade, a
prestação de serviços por profissionais habilitados, é a função do conselho proibir a
actuação de leigos, que é perigosa pois coloca em risco a segurança da população.
(Andrade & Filhos,2014).
De acordo com Soares (2018. P 34.) conceitua fiscalização como sendo:
“um processo que consiste na verificação permanente, dos preceitos protegidos pelo
Estado e o seu comprimento em relação ao público-alvo, pelas autoridades ou entidades
competentes para garantir a inviolabilidade das leis e Regulamentos Estatais”.
De acordo com Janimi & Pulcinelli (2016) a fiscalização:
É uma actividade que consiste na verificação, no exame, na vigilância que o agente
público exerce sobre o particular com a finalidade de identificar se as condições, ou
termos emanados pelo Estado foram devidamente cumpridas, e o objecto deste processo
de fiscalização são os particulares e as actividades desenvolvidas pelos mesmos.
Das definições apresentadas acima, há uma enunciação de convergências de ideias do
ponto de vista de conteúdo. Todavia, todos autores afirmam que fiscalização é uma
actividade do Estado cabendo-lhe assegurar o cumprimento de directrizes regidos pelo
mesmo nos termos da lei. Assim, na presente pesquisa vai-se posicionar na perspectiva
de Andrade e Filhos (2014), pois entende-se que a sua definição é específica ao advogar
que fiscalização é exercício da actividade profissional para assegurar a sociedade, o que
coincide com as atribuições do SENAMI no âmbito da fiscalização e controlo de
estrangeiros no território moçambicano.
2.1.2 Cidadão estrangeiro
De acordo com alínea a) do artigo 3 da lei n° 5/93 de 28 de Dezembro refere que o
termo cidadão estrangeiro designa-se a todo cidadão que não tenha a nacionalidade
moçambicana em conformidade com o ordenamento jurídico vigente.
Na perspectiva de Reis (2004, p. 32), Cidadão estrangeiro:
“É um indivíduo, sujeito a condição jurídica especial num Estado de
acolhimento, caracterizado pelo gozo de menos direitos, sobre tudo de
participação política, a “estrangeira” difere do cidadão Nacional aquele
que tem Nacionalidade deste Estado e goza de um estatuto de cidadania”.
Segundo De Sousa, (2004, p. 41), cidadão estrangeiro:
“É um indivíduo que se estabelece num país que não é da sua
nacionalidade de forma permanente ou por motivos menos durável, por
motivos económicos, familiares ou por outros, e a duração da
permanência e a inserção do estrangeiro na sociedade de acolhimento,
determina a sua condição de Migrante”.
Nas ideias que apresentam o conceito de cidadão estrangeiro remete-nos ao
entendimento de que estrangeiro é todo indivíduo que deixa o seu país de origem e se
estabelece num outro país, mas que é aceito mediante apresentação de documentos
necessários exigidos pelas autoridades do país de destino. Tratando-se de um tipo
específico de actividade mais intensivo que os tradicionais, é susceptível de contender
juntamente com os limites do direito à privacidade ou outros direitos fundamentais do
cidadão estrangeiro. Neste sentido, a pesquisa vai-se apoiar na definição de Sousa,
(2004), por entender-se que o estrangeiro não só transita no País como também
permanece.
2.1.3 SENAMI
O nº1 do artigo 2 da Lei nº4/2014 de 5 de Fevereiro, define o SENAMI como sendo
“um serviço público de natureza paramilitar integrado no Ministério que superintende a
área de migração”.
Por sua vez, o nº 2 do mesmo artigo da referida Lei, postula que a condição paramilitar
do membro do SENAMI adquire-se mediante o ingresso e frequência com sucesso da
formação paramilitar em estabelecimentos habilitados para o efeito.
Neste sentido, olhando para os preceitos que definem o SENAMI pode-se considerar
que o mesmo é um organismo público, integrado por agentes com estatuto análogo ao
do pessoal da administração pública, hierarquicamente estruturada e institucionalmente
vocacionada para o desempenho de atribuições de natureza policial.
2.1.4 Autorização de Residência
A autorização de residência é um documento, emitido pelo SENAMI, que confere ao
titular o direito de residir em Moçambique no período nele indicado. (Existem dois tipos
de autorização de residência: temporário e permanente, de acordo com a alínea a) do art
1 do decreto 108/2014 de 31 de Dezembro.
(Autorização de Residência temporário é uma autorização de residência concedida ao
cidadão estrangeiro que entre no país para a fixação de residência de acordo com a
alínea f) do art 1 do decreto 108/2014 de 31 de Dezembro
(Autorização de Residência permanente é uma autorização de residência concedida ao
cidadão estrangeiro titular da autorização de residência temporária, para a sua
permanência definitiva de acordo com alínea s) do art 1 do Decreto 108/2014 de 31 de
Dezembro.
Como se pode depreender das definições acima, autorização de residência é conferir o
cidadão estrangeiro o estatuto de cidadão residente no território nacional mediante
apresentação de alguns documentos exigidos para o efeito e que, por conseguinte tenha
obrigações com Estado. Portanto, compete ao Serviço Nacional de Migração conferir a
devida autorização de residência ao cidadão estrangeiro que queira residir em
Moçambique.
2.2 Enquadramento teórico
Em termos de enquadramento teórico, neste trabalho, vai-se proceder-se ao cruzamento
de duas perspectiva que na nossa óptica se complementam e permitem explicar o
contexto da vida e do quotidiano da fiscalização da permanência de cidadãos
estrangeiros residentes na Cidade de Maputo.
2.2.1 Teorias institucionais e sistemas migratórios
As instituições jogam um papel importante tanto na tomada de decisões dos migrantes
para abandonar os seus locais de origem, bem como na assistência dos mesmos,
sobretudo nas suas necessidades básicas.
Peixoto (2004, p.28) chama atenção ao facto de as teorias sociológicas que explicam as
migrações segundo uma perspectiva macro poderem ser separadas em alguns grupos
como as que salientam o papel das instituições no desencadear e acompanhamento dos
fluxos migratórios. Estas teorias não são uniformes porque as instituições tanto podem
ter o papel de promotores dos fluxos como de enquadramento e suporte de percursos já
desencadeados pelos indivíduos.
Por sua vez Castles (2005,p.55) salienta que:
“ As abordagens histórico-institucionais sublinham o papel das grandes instituições,
sobretudo as empresas e os Estados, no desencadeamento e na modelação dos fluxos
migratórios. Os recrutamentos maciços da mão-de-obra, protagonizados pelas
autoridades económicas e pelos agentes dos mercados de trabalho, foram decisivos para
o surgimento de fluxos migratórios apontados para a Europa Ocidental depois de 1945.
Os sistemas de trabalho contratado também têm tido um papel fundamental na
migração para os países produtores do petróleo do Golfo Pérsico e para alguns países
asiáticos como Taiwan, a Malásia e Singapura.”
Os governos assumem um papel de importância fundamental na medida em que podem
formular políticas, criar instrumentos legais que estimulam e favorecem a constituição,
por parte de imigrantes, de associações para proteger os interesses dos imigrantes. Neste
âmbito, o Relatório da Comissão Mundial Sobre as Migrações: “ As migrações num
mundo interligado – Novas linhas de acção” ( 2005, p.65) recomenda a todos os
Estados para estabelecer políticas migratórias que tenham objectivos acordados, em
conformidade com políticas afins e o direito internacional dos tratados, não descurando
os direitos humanos. A nível interno de cada Estado devem-se encontrar esforços de
coordenação entre os diferentes ministérios e consultas a instituições independentes.
Massey et all (1993) sublinham que a partir do momento em que as migrações
internacionais começam a surgir, várias instituições privadas, públicas e de assistência
que tentarão arranjar contrabalançar o desequilíbrio entre o número de imigrantes
interessados em entrar em certos países e o número de imigrantes que os países de
destino estariam dispostos a receber. Estas instituições podem agir de forma legal ou
ilegal.
As empresas industriais que, por sua vez, podem desencadear as migrações, sobretudo
através do recrutamento oficial de trabalhadores estrangeiros. Estes podem, até, forçar o
Estado a recuar quando pretender recambiar imigrantes para os seus países de origem.
Castles (2005, p.55) dá exemplos da Malásia que durante a Crise Asiática de 1997–1999
pretendia repatriar contigentes de trabalhadores imigrantes. Perante o protesto dos
proprietários de plantações o governo viu-se obrigado a recuar.
O tipo de instituições é, segundo Peixoto (2004, p.28), variável, incluindo
“organizações empregadores (empresas privadas e públicas, estado, etc.), agências de
emprego, associações de apoio a migrantes, entidades financeiras, departamentos
governamentais ligados directa ou indirectamente às migrações e habitação, etc. Aquilo
que podemos considerar como ponto de intersecção destas acepções é a centralidade
atribuída (embora de forma diversa) a agentes colectivos”.
As teoria institucionais e sistema migratório acolhe-se nesta pesquisa pois, defendem
que o Estado através das suas instituições tem uma função fundamental no
estabelecimento de políticas publicas de controlo das migrações e por conseguinte a sua
fiscalização dentro do territó[Link], para que tal fiscalização ocorra de forma
efectiva as instituições devem ser dotadas de ferramentas que garantam o controlo de
entrada de estrangeiros.
Deste modo, analisando os desafios do SENAMI na fiscalização da permanência de
cidadãos estrangeiros residentes na Cidade de Maputo, precisa de um sistema de
controlo que não apenas seja da responsabilidade do SENAMI, mas também de outras
instituições do Estado. Portanto, os desafios na fiscalização da permanência desses
cidadãos que confere a legitimidade de residir em Moçambique pelo SENAMI
prendem-se pela fraca rede de sistema de controlo migratório ao nível das instituições
do Estado, daí que o Estado é chamado a responder os movimentos de estrangeiros a
cumprirem os seus desígnios.
CAPÍTULO III: METODOLOGIA
O presente capítulo aborda os procedimentos que serão usados na pesquisa empírica, os
instrumentos a serem aplicados e a forma como os dados serão recolhidos (Coutinho,
2016), descrevendo-se os objectivos de trabalho formuladas e delimitando-se a
população alvo em que incide o estudo. Seguidamente serão descritos os instrumentos
de recolha de dados que se mostram mais úteis e eficazes para a obtenção dos
resultados. Esta parte empírica estará dimensionada no seguimento do enquadramento
teórico acima apresentado.
3.1 Abordagens metodológicas
Dada a natureza desta investigação, vai optar-se por utilizar uma abordagem qualitativa
coadjuvada com a abordagem quantitativa. Portanto o método que pretende “recolher ou
reunir concretamente as informações determinadas junto das pessoas ou das unidades de
observação incluídas na amostra” (Quivy & Campenhoudt, 1998, p. 183), com o
objectivo de dar profundidade e amplitude ao fenómeno em estudo (Freixo, 2013).
Tenta-se perceber, no fundo, a perspetiva dos participantes em relação à fiscalização da
permanência de cidadãos estrangeiros com Autorização de Residência na Cidade de
Maputo temática que está a ser investigada (Flick, 2002). Desta forma uma metodologia
qualitativa procura um entendimento de contextos específicos, focalizando-se em
procedimentos e convicções relativos à amostra em causa (Vaz, Rodrigues, Barbosa, &
Antunes, 2009).
O método qualitativo vai permitir buscar, compreender e interpretar o significado
atribuído ao fenómeno em estudo, através da participação do autor no processo de
entrevista semi-estruturada; ao passo que através do quantitativo entende-se que vai
possibilitar a colecta de dados mensuráveis, bem como na busca da frequência da
ocorrência, o que facilitará na mediação com veracidade ou não do fenómeno através de
dados obtidos por via de questionário.
3.2 População alvo e amostra
3.3.1 População Alvo
Segundo Silva e Menezes (2001), “população é a totalidade de indivíduos que possuem
as mesmas características definidas para um determinado estudo”.
Para a presente pesquisa, a população alvo será constituída por todos os funcionários do
SENAMI afectos na Direcção do Serviço Nacional de Migração na Cidade de Maputo, e
cidadãos estrangeiros com Autorização de Residência.
Dada a grande dispersão de postos por todo o território nacional, e dadas as restrições
em termos de tempo e de custos, vai optar-se por estudar apenas uma direcção, portanto
da Cidade de Maputo, a nossa população alvo são os agentes do SENAMI afectos na
Direção da cidade de Maputo e os estrangeiros residentes no local em estudo
principalmente pela sua localização geográfica e pela facilidade de acesso aos mesmos.
3.2.2 Amostra
Definido o universo de análise, vai procedeu-se à escolha da amostra, a qual, segundo
Hill, M. M. & Hill, A. (2005, p.49) será efectuada através do processo de amostragem
por conveniência. Neste método vai optar-se por estudar vinte (18) participantes.
Segundo Hill, M. M. & Hill, A. (2005, p.49) este método de amostragem é o ideal para
quando se torna impossível analisar todos os casos do universo de análise muito grande,
contudo através deste método não é possível extrapolar para o universo de análise os
resultados e as conclusões obtidas com o estudo efectuado à amostra, não obstante dos
resultados obtidos virem a ser de grande pertinência para a problemática em estudo.
De acordo com Neves & Domingos (2007), a “amostra é o subconjunto da população,
por meio do qual se estabelecem as características desse universo ou população”.
3.2.3 Descrição da Amostra
Para a realização da presente pesquisa vai-se trabalhar com dezoito (18) funcionários e
agentes do SENAMI distribuídos em dois grupos sendo:
(02) Oficiais de migração,
dez (10) guardas da migração de ambos sexos
quatro (06) Cidadãos estrangeiros residentes na área em estudo.
Tabela 2: Descrição da amostra
Nr Amostra Instrumentos de Nr de entrevistas
recolha de dados
01 Oficiais da Migração Guião de entrevista 02
02 Agentes fiscalizadores inquérito 10
03 Cidadãos estrangeiros entrevista 06
04 Total 03 18
3.2.4 Técnicas e instrumentos de recolha de dados
[Link] Técnicas de Recolha de Dados
Para Marconi e Lakatos (2010, p. 157), técnicas de pesquisa é um conjunto de preceitos
ou processos de que se serve uma ciência ou arte; é uma habilidade para usar esses
preceitos ou normas, a parte prática”.
Para a materialização deste estudo, vai usar-se as seguintes técnicas de recolha de
dados: Pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, à observação simples, a pesquisa de
campo Guião de entrevista e inquérito em forma de questionário.
[Link] Pesquisa bibliográfica
De acordo com Fonseca (2002, p.32), a pesquisa bibliográfica:
“É feita a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por
meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites.
Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao
pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem, porém, pesquisas
científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências
teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios
sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta”.
Como técnica de pesquisa para a abordagem em concreto, deve-se ao facto de esta
abrangir todas as fontes bibliográficas sobre a temática que será estudada (livros,
jornais, revistas, pesquisas, monografias, teses, etc).
[Link] Observação Simples
Segundo Marconi Lakatos (2003, p. 190), considera a observação como uma das
técnicas de dados para conseguir informações e utiliza os sentidos na observação de
determinados aspectos da realidade, não consistindo apenas em ver e ouvir, mas
também em examinar os factos ou fenómenos que se desejam estudar.
Ao longo deste estudo, será empregue a observação simples, aquela em que o
pesquisador, permanece abstracto à colectividade, grupo ou situação que pretende
estudar, observa de maneira espontânea, os factos que ai ocorrem (Gil, 1999).
[Link] Pesquisa documental
Segundo Gil (1996, p.51), “A pesquisa documental vale-se de materiais que não
receberam ainda um tratamento analítico, ou que ainda podem ser re-elaborados de
acordo com os objectos da pesquisa”.
A técnica de pesquisa documental vai servir para a colecta de documentos escritos ou
não: arquivos públicos (documentos oficiais, jurídicos e outras correspondências),
fontes estatísticas, (departamentos e institutos de estatísticas).
Face ao mencionado, no presente estudo serão utilizadas obras de referências tais como:
manuais que tratam concisamente sobre o assunto estudado, teses e dissertações sendo
constituídas por relatórios de investigação científica, periódicos e científicos disponíveis
nas redes electrónicas e bibliotecas. Na organização os documentos disponibilizados
servirão de suporte ao estudo, com especial destaque para o quadro de pessoal,
documentos internos e a página oficial da organização. As informações concedidas
serão trabalhadas preservadas e a identidade da organização preservada pelo anonimato
e confidencialidade.
[Link]. Entrevista
Para Gil (1999), a entrevista constitui uma técnica alternativa para se colectar dados não
documentais sobre determinado tema. A escolha desta técnica é pelo facto do mesmo
permitir que os entrevistados possam se expressar livremente, possibilitando a obtenção
de informações mais detalhadas e profundas.
Essa técnica vai igualmente servir para colher informações aos agentes responsáveis
pela fiscalização da permanência de Cidadãos Estrangeiros com Autorização de
Residência na Cidade de Maputo.
Nas entrevistas estruturadas, a condução por parte do entrevistador é mais flexível,
podendo orientá-la com a sequência e as questões que julgar mais convenientes, de
acordo com a sua sensibilidade e facto.
[Link] Questionário
De acordo com Gil (1999), guião de questionário é uma técnica de recolha de dados
constituído por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito
pelo informante, sem a presença do pesquisador.
Para este trabalho, a presente técnica de recolha de dados será dirigida aos agentes
responsáveis pela fiscalização e controlo da permanência de Cidadãos estrangeiros com
Autorização de Residência na Cidade de Maputo (agentes do SENAMI), pois estes
constituem os prováveis conhecedores das condições de permanência de cidadãos
estrangeiros com Autorização de Residência na Cidade de Maputo com documentos
fora de prazo de validade.
[Link].2 Instrumentos de Recolha de Dados
[Link] Guião de entrevistas estruturadas
Para Richardson (1999, p. 207), guião de entrevista, trata-se de um instrumento de
extrema importância porque permite o desenvolvimento de uma estreita relação entre as
pessoas. A escolha deste instrumento prende-se pelo facto de o mesmo permitir que os
entrevistados possam se expressar livremente, possibilitando a obtenção de informações
mais detalhadas e profundas.
[Link] Guião de inquéritos
Os inquéritos serão administrados aos funcionários e agentes do SENAMI afectos na
Direcção do Serviço Nacional de Migração na Cidade de Maputo que geralmente tem a
missão de fiscalizar e controlar os movimentos, estadia e o cumprimento rigoroso das
leis relativas aos deveres e obrigações enquanto cidadãos não nacionais em
Moçambique. As perguntas serão feitas de forma fechada com respostas do tipo sim ou
não o que vai permitir a fiabilidade das informações.
4.1 CRONOGRAMA DE ACTIVIDADES
Etapas Março Abril Maio Junho
Elaboração do x x x
projecto de
pesquisa
Avaliação pelo X
orientador
Elaboração de X x
questionário e
teste
Aplicação de x
questionário e
tabulação de dados
Elaboração de x
analise/conclusão
Defesa x
Fonte: Elaborado pelo pesquisador
4.2. ORÇAMENTO
Nº NECESSIDADES 1000.00MT
01 Equipamentos 2000.00MT
02 Material permanente 4000.00MT
03 Material de consumo 1400.00MT
04 Diárias 600.00MT
05 Internet 1000.00MT
06 Total 10.000,00MT
Fonte: Elaborado pelo pesquisador
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