Negócio Jurídico
Conceito
Os negócios jurídicos são actos jurídicos constituídos por uma ou mais declarações de vontade,
dirigidas à realização de certos efeitos práticos. Com intenção de os alcançar sob tutela do
direito, determinando o ordenamento jurídico a produção dos efeitos jurídicos conformes à
intenção manifestada pelo declarante ou declarantes (Pinto, 2005, p. 379).
Levando-se em consideração a definição elucidada pelo autor, se percebe que o negócio jurídico
diz respeito a qualquer acção que uma pessoa faz com a intenção de criar, modificar ou extinguir
um direito, sendo desta maneira um acordo formal no qual os sujeitos estão adstritos e que tem
consequências legais.
Os negócios Celebrados com Vício de Vontade
O erro
Segundo Fernandes (2017), “enquanto vício na formação da vontade o erro consiste no
desconhecimento ou na falsa representação da realidade que determinou ou podia ter
determinado a celebração do negócio. Essa realidade pode consistir numa circunstância de facto
ou de direito”.
O erro afecta a validade de um negócio jurídico, pois é basicamente uma falha na formação da
vontade de uma das partes envolvidas no negócio, que pode levar a anulação do mesmo.
Os Negócios Celebrados com Erro na Declaração
Erro na declaração trata-se de uma divergência não intencional, pois o declarante pretendia
manifestar a sua vontade real em termos adequados. Entretanto, qualquer circunstância acidental,
alheia à sua vontade, impede-o de o fazer de modo correcto, pelo que o conteúdo da declaração
não corresponde ao conteúdo da vontade psíquica, real, do declarante. (Fernandes, 2017, p. 364).
O erro na declaração vai ocorrer quando o declarante manifestar a sua vontade de maneira
diferente da sua intenção real.
O Código Civil moçambicano no seu artigo 247.º no que diz respeito ao erro na declaração
estipula que “Quando, em virtude de erro, a vontade declarada não corresponda à vontade real
do autor, a declaração negocial é anulável, desde que o declaratário conhecesse ou não devesse
ignorar a essencialidade, para o declarante, do elemento sobre que incidiu o erro”.
Com o artigo percebe-se que existe uma garantia para as pessoas que celebram negócios com
erro na declaração ao se permitir a anulação destes, protegendo-se desta maneira a vontade real
das partes e garantindo a segurança jurídica nas relações. Porém o artigo 248.º estabelece que “a
anulabilidade fundada em erro na declaração não procede, se o declaratário aceitar o negócio
como o declarante o queira” o que significa que o negócio pode ser considerado válido nestes
termos.
Dolo
O dolo é definido de acordo com o artigo 253.º do Código Civil como qualquer sugestão ou
artificio que alguém empregue com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro o
autor da declaração, bem como a dissimulação, pelo declaratário ou terceiro, do erro do
declarante.