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Importância da Arte na Educação Escolar

O documento discute a importância da arte na educação escolar, destacando sua obrigatoriedade na educação básica no Brasil e a necessidade de um ensino que promova a formação artística e estética dos alunos. A arte é apresentada como um meio essencial de expressão e comunicação, que deve ser integrada de maneira significativa no currículo escolar. Além disso, enfatiza a importância de um projeto pedagógico que vincule as atividades artísticas a conceitos e ideias, evitando a superficialidade no ensino da arte.

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Importância da Arte na Educação Escolar

O documento discute a importância da arte na educação escolar, destacando sua obrigatoriedade na educação básica no Brasil e a necessidade de um ensino que promova a formação artística e estética dos alunos. A arte é apresentada como um meio essencial de expressão e comunicação, que deve ser integrada de maneira significativa no currículo escolar. Além disso, enfatiza a importância de um projeto pedagógico que vincule as atividades artísticas a conceitos e ideias, evitando a superficialidade no ensino da arte.

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Quando falamos em arte' e sua inclusão na educação escolar, es-

tamos pensando em seus vários conceitos e significados, o que implica


necessariamente a explicitação, ainda que breve, do que se entende por
arte, e por sua dimensão como um dos componentes curriculares. A Lei
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, 1996) tornou seu
ensino obrigatório em toda a educação básica' no Brasil, mas o grande
desafio é garantir que isto se faça de maneira a aprimorar a formação
artística e estética dos estudantes.
Ao desenvolver-se o ensino e a aprendizagem da arte surgem im-
portantes questões referentes ao seu processo pedagógico e educacional.
Uma delas diz respeito ao posicionamento que assumimos sobre os modos
de encaminhar esse trabalho de acordo com os princípios e os objetivos
de um processo educativo que atenda as necessidades da educação, dos
educandos e da cultura artística no mundo contemporâneo. Assim, se
pretendemos contribuir para a formação de cidadãos conhecedores da área
de conhecimento arte e para a melhoria da qualidade da educação escolar
artística e estética, é preciso que organizemos nossas propostas de tal modo
que a arte se mostre significativa na vida das crianças e jovens. Estas são
proposições que pretendemos anunciar em linhas gerais neste capítulo,
aprofundando-as um pouco mais nos capítulos seguintes, com a finalidade
de subsidiar as reflexões e experiências dos profissionais da área.
1. A grafia de "arte" com letra minúscula refere-se à área de conhecimento e com letra
maiúscula, o componente curricular.
2. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n. 9.394, de 20 de dezembro de
1996, estabelece a obrigatoriedade da arte:
Cap. II, Art. 26, 2°. — "O ensino da arte constituirá componente curricular obriga-
tório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento
cultural dos alunos".
Foto 1
1. O significado da Arte na Educação
"Eu preciso destas palavras escritas"
Artur Bispo do Rosário
Que importância é essa que se dá à arte e faz com que ela tenha
um espaço também na educação em geral e, em especial, na educação
escolar?
Primeiramente, é a importância devida à função indispensável que
a arte ocupa na vida das pessoas e na sociedade desde os primórdios da
civilização, o que a torna um dos fatores essenciais de humanização. É
fundamental entender que a arte se constitui de modos específicos de
manifestação da atividade criativa dos seres humanos, ao interagirem
com o mundo em que vivem, ao se conhecerem, e ao conhecê-lo. Em
outras palavras, o valor da arte está em ser um meio pelo qual as pessoas
expressam, representam e comunicam conhecimentos e experiências. A
atividade de desenhar para as crianças, por exemplo, é muito importante,
pois favorece a sua expressão e representação do mundo, como será visto
mais adiante neste livro.
Os seres da natureza, bem como os objetos culturalmente produzidos,
despertam em todos nós diversas emoções e sentimentos, agradáveis ou
não aos nossos sentidos e ao nosso entendimento. Logo ao nascer, passamos
a viver em um mundo com uma história social de produções culturais
que contribuem para a estruturação de nosso senso estético.
Desde a infância, tanto as crianças como nós, professores e pais, in-
teragimos com as manifestações culturais de nosso meio. Aprendemos a
3. É importante relembrar que a atividade criadora é inerente ao ser humano por suas
possibilidades de múltiplas combinações de ideias, emoções e prodúções nas diversas
áreas
de conhecimento (ciência, técnica, tecnologia, arte). No caso da arte, a atividade criativa
deve estar presente em todos os cursos e estudos escolares, mas nos de Arte ela deve ser
vivenciada e estudada da maneira específica à arte.
ira específica à a r t e , nas nos ace d
demonstrar nosso prazer e desprazer, gosto e rejeição, por imagens, objetos,
com os quais interagimos e nos comunicamos na vida cotidiana (por meio
de conversa, livro ilustrado, vídeo, rádio, televisão, cinema, internet, re-
vista, feira, exposição, cartaz, vitrine, rua etc.). Gradativamente, damos
forma e sentido às nossas maneiras de admirar, de gostar, de julgar, de
apreciar — e também de fazer — as diferentes manifestações culturais de
nosso grupo social e, dentre elas, as obras de arte. É por isso que, mesmo
sem perceber, educamo-nos esteticamente no convívio com as pessoas e
as situações da vida cotidiana.
Conhecer a arte na escola
A escola, como espaço tempo de ensino e aprendizagem sistemático
e intencional, é um dos locais onde os alunos têm a oportunidade de es-
tabelecer vínculos entre os conhecimentos construídos e os sociais e cul-
turais. Por isso, é também o lugar e o momento em que se pode verificar e
estudar os modos de produção e difusão da arte na própria comunidade,
região, país, ou na sociedade em geral. Deste modo, o aprendizado da
arte vai incidir sobre a elaboração de formas de expressão e comunicação
artística (pelos alunos e por artistas) e o domínio de noções sobre a arte
derivativa da cultura universal.
Ao conhecer a arte produzida em diversos locais, por diferentes :
pessoas, classes sociais e períodos históricos e as outras produções do
campo artístico (artesanato, objetos, design, audiovisual etc.), O edu-
cando amplia a sua concepção da própria arte e aprende dar sentido a
ela. Desse convívio decorrem, portanto, conhecimentos que desenvol-
apropriação crítica da arte, aprender a identificar, respeitar e valorizar
as produções artísticas, e compreender que existe uma poética indivi-
dual dos autores e diferentes modalidades de arte, tanto eruditas como
populares.
O autor, a obra e a sua recepção
"Sou pintor e sou poeta"
José Antonio da Silva
As manifestações artísticas participam da ambiência e de nossa vida
tanto de maneira direta como indiretamente. Elas são reveladas em nosso
cotidiano como, por exemplo, uma canção, uma obra arquitetônica ou
uma escultura localizada no espaço urbano, ou são vislumbradas indire-
tamente por intermédio do contexto estético. Elas são concretizadas pelos
artistas que as produziram, mas só vão se completar com a participação
das pessoas que se relacionam e estabelecem um diálogo com elas.
As obras artísticas são construções poéticas por meio das quais os
artistas expressam ideias, sentimentos e emoções. Resultam do pensar,
do sentir e do fazer, que por sua vez são mobilizados pela materialidade
da obra, pelo domínio de técnicas, e os significados pessoais e culturais.
São, por isso, constituídas de um conjunto de procedimentos mentais,
materiais e culturais. Podem concretizar-se em imagens visuais, sonoras,
verbais, corporais, ou são apenas manifestações das próprias linguagens,
como expressão e representação de algo.
A imagem não é obrigatoriamente a representação do real, mas sim
um signo construído pela ideação, ou por estímulos do exterior, e que
agrega formas, apresentadas por meio de uma determinada linguagem de
arte, como a pintura, a gravura, a música, a poesia, a fotografia, o teatro,
a dança. Isto fica bem evidente com a pintura modernista e contemporâ-
nea que rompem com as regras da imitação e da perspectiva, e que são
denominadas pelo crítico de arte italiano Gillo Dorfles como "a arte da
liberdade absoluta, do gesto criador"*. O mundo natural, social e cultural
é traduzido pela expressão dos sentimentos e ideias do artista, como faz
Van Gogh com suas cores puras e contrastantes na obra "O Escolar".
Hoje, o que se entende por arte e por obra de arte é muito amplo.
Entre as manifestações que têm marcado nossa época, os exemplos da
4. Ver Dorfles, Gillo. El devenir de las Artes. México: Fondo de Cultura, 2001, p. 100.
Fotografia: Luiz Hossaka
Figura 1
Vincent Van Gogh (Groot Zundert, 1859 - Auvers-sur-Oise, 1890)
O Escolar (O Filho do Carteiro - Gamin au Képi)
Oleo sobre tela; 63 x 54 cm
Coleção MASP, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
pop art, da arte conceitual, da instalação ou da performance, mostram
que o trabalho do artista e sua técnica são novas conquistas que incluem
ideias e ações.
Os autores ou artistas, com suas diferentes origens, histórias e expe-
riências pessoais, procuram imaginar e inventar "formas novas", com
sensibilidade, para representar e expressar o mundo interior e sua relação
com a natureza e o cotidiano cultural. Fazem isso em diversas linguagens
artísticas, técnicas, materiais, em diferentes situações e complexidade de
pensamento e emoção. E, quando estão se expressando ou representando
com sensibilidade e imaginação o mundo da natureza e da cultura, os
aula. Se reduzirmos o currículo de Arte ao bordado, produção de filmes
ou videoteipes, desenho ou recriação de espaços urbanos, produção de
histórias em quadrinhos, em suma, desenvolvendo todas essas atividades
de ateliê, de que os professores gostam muito, mesmo incluindo o folclo-
re, a arte popular e a mídia, o mais provável é que nossos alunos estarão
essencialmente limitados no crescimento que poderíamos provocar neles.
(Lanier, 1984, p. 6-7)
Esse autor, muito lucidamente, nos chama a atenção para a necessidade
de garantirmos sempre a presença da arte nos cursos e aulas de Arte que
desenvolvemos com os estudantes. Ele nos lembra que nessas aulas não
basta praticarmos apenas exercícios soltos de fazer desenhos, pinturas,
gravuras, modelagens, histórias em quadrinhos, vídeos, músicas, teatro,
dentre outros. Essas atividades, nas várias modalidades artísticas, devem
vincular-se a um projeto pedagógico na área. Elas precisam mobilizar o
estudo e desenvolvimento de vivências e conceituações mais definidas.
Atividades educativas esparsas e não originárias de conceitos, de ideias
artísticas e estéticas, podem concorrer para o desaparecimento do estudo
da arte propriamente dito.
"Devolvamos a arte à educação em arte", alerta-nos Lanier! Fazendo
nossas as palavras desse professor, é preciso que "avaliemos, o mais
objetivamente possível, tudo aquilo que fazemos na sala de aula e que
reorientemos nossa conduta numa direção que trate mais especifica-
mente da aprendizagem em arte" (Lanier, 1984, p. 7). É o conhecimento
da arte e sua elaboração que deverá mobilizar cotidianamente o nosso
caminhar com a formação estética e artística junto a crianças e jovens
n a escola. Nos próximos capítulos trataremos de outros indicadores e possibi-
lidades para se trabalhar essa formação artística e estética. Exporemos,
também, um breve histórico sobre a educação escolar de arte, para co-
laborar nas reflexões sobre as práticas pedagógicas desenvolvidas nesta
áreaeducativa.
Atividades complementares
• Ler o texto deste capítulo e discutir com os colegas as ideias prin-
cipais apresentando exemplos.
• Refletir sobre as seguintes afirmações de Thomas Munro (1956,
p. 3 e 8) e apresentar exemplos da vida cotidiana e das aulas de
Arte nas escolas:
"A experiência estética não é necessariamente derivada da arte,
mas a arte é uma das principais fontes dela".
"O desenvolvimento estético implica uma ampliação persistente,
continuada do poder de discriminação a respeito das qualidades
perceptuais das imagens [e dos sons, cenas; falas, movimentos
corporais], e um crescimento de um complexo e organizado poder
de percepção e composição".
• Fazer uma pesquisa na sua escola ou em outras (de educação
infantil ou de ensino fundamental), anotando quais publicações
e materiais (livros, revistas, textos, recortes, reproduções de obras
de arte, partituras musicais, discos, CDs, DVDs, gravações, filmes,
vídeos etc.) na área artística se encontram disponíveis para os
estudos nas aulas de Arte quanto a:
- artistas de diversas épocas (brasileiros e estrangeiros);
- produções de arte de diferentes locais e épocas;
- história da arte;
- museus, centros de exposições e/ou audições, bibliotecas ou
midiatecas;
- técnicas e materiais artísticos;
— modos de analisar e apreciar obras de arte.
• Apresentar, comparar e discutir as suas pesquisas com os colegas
e o professor de Arte.
• Proceder à análise crítica de "cadernos de arte" veiculados nas
mídias impressas (jornais, revistas etc.).
• Convidar artistas locais para serem entrevistados pelos alunos e
professores.
• Localizar na sua cidade, região e estado instituições culturais que
veiculam arte em suas múltiplas linguagens e estéticas.
• Organizar mostras de trabalhos dos alunos abertas à comunidade.
Leituras de aprofundamento
CANCLINI, Néstor Garcia. Objeto e método da estética. In: A socialização da arte:
teoria e prática na América Latina. São Paulo: Cultrix, 1980, p. 7-16.
COLI, Jorge. O que é arte. São Paulo: Brasiliense, 1982.
DWORECKI, Silvio. Em busca do traço perdido. São Paulo: Edusp, 1998.
MARTINS, Mirian C.; PICOSQUE, Gisa & GUERRA, M. Terezinha T. Produção
e leitura em arte. In: A língua do mundo. Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo:
FTD, 1998, p. 52-86.
MEIRA, Marly. Filosofia da criação. Porto Alegre: Mediação, 2003.
PARSONS, Michael. Compreender a arte. Lisboa: Editorial Presença, 1992.
REZENDE E FUSARI, Maria F. de & FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. Noções
103- 118.
SHUSTERMAN, R. A ideologia estética, a educação estética e o valor da arte na
crítica. In: Vivendo a arte. Rio de Janeiro: Editora 34, 1998, p. 59-98.

Capítulo 2
A educação escolar de
Arte tem uma história

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