ANÁLISE DE INVESTIMENTO
Um investimento pode ser designado como uma proposta de aplicação de recursos
escassos que possuem aplicações alternativas a um negócio, como também um sacrifício feito no
momento para obtenção de um benefício futuro (REMER; NIETO, 1995). De acordo com
Queiroz (2001), a análise de investimento é fundamental na alocação eficaz de recursos escassos
no ambiente organizacional. Segundo Securato (2007), as decisões financeiras em condições de
risco mostram se a gestão financeira da empresa foi um sucesso ou um insucesso.
Fatores relacionados à sobrevivência das empresas em mercados altamente
competitivos estão relacionados à forma como as organizações planejam estrategicamente
seus negócios e dão a devida atenção às suas finanças (MOTTA; CALÔBA, 2002). Nesta
acepção, para Lima et al. (2008) a geração de riqueza é a base dos motivos que levam as
empresas a realizarem investimentos, buscando um retorno lucrativo e sustentável. Moyen e
Platikanov (2012), corroboram com esta idéia argumentando que para que haja a criação de
valor ou riqueza, os retornos destes investimentos deverão ser superiores ao custo dos capitais
neles empregados, fazendo com que os valores líquidos dos resultados sejam positivos,
agregando riqueza para o investidor e para os próprios investimentos.
Com a expansão da capacidade de processamento de informações surge a necessidade
de uma contabilidade estratégica, onde as informações sejam melhores trabalhadas.
Conforme
Ching, Marques e Prado (2003, p. 6), “a natureza das informações da contabilidade gerencial
é mais subjetiva, interpretativa e relevante”. Através de informações sobre os fatos reais e
projetados, a contabilidade gerencial orienta à empresa e aos seus gestores de forma relevante
e com clareza, ajudando na tomada de descisões.
Segundo Corrar e Theóphilo (2008) deve-se perceber a organização como um sistema
em constante mudança. Argumentam também, que as atividades da empresa, em todos os
seus
níveis hierárquicos, são essencialmente de tomada de decisão e de resolução de problemas.
Desta forma, para enfrentar os desafios é indispensável conhecer os métodos utilizados pela
controladoria. Para Damodaran (2010, p. 35) “a missão da controladoria é otimizar os
resultados econômicos da empresa através da definição de um modelo de informações
baseado no modelo de gestão”. Desta forma, se observa que as empresas necessitam de um
controle interno para garantir as informações adequadas no processo decisório.
A análise econômica/financeira criteriosa e rígida de um projeto de investimento é
base para sua realização, prevenindo empirismos causadores de insucessos e prejuízos.
Conforme orientam Brigham e Ehrhardt (2012), pontos como custo de capital, custos
operacionais, preços, rentabilidade, volumes operados, oportunidades, taxas de risco, taxas de
atratividade são alguns itens fundamentais para uma eficiente avaliação, diminuindo, assim,
as
incertezas e maximizando a criação de valor para os investidores, sociedade e para a
concretização do projeto.
MÉTODOS PARA ANÁLISE DE INVESTIMENTO
A avaliação de um investimento estabelece parâmetros de viabilidade, com o objetivo
de proporcionar o retorno adequado aos proprietários desse capital, permitindo avaliar
alternativas (SOARES, 2006). Assim, para obter sucesso na sua opção é necessário mensurar
os resultados dos reflexos financeiros. Para Gitman (2006, p. 88),
Os planos financeiros a longo prazo são ações projetadas para um futuro distante,
acompanhado da previsão de seus reflexos financeiros. Tais planos tendem a cobrir
um período de dois a dez anos, sendo comumente encontrados em planos que são
revistos periodicamente à luz de novas informações significativas.
Analisar as alternativas de ação remete sempre questionar sobre o que obter em relação
às opções oferecidas e pela decisão a ser tomada. Os reflexos financeiros em longo prazo são
indispensáveis para uma comparabilidade do real valor monetário, a utilização de taxas de
descontos e riscos de atratividade dos sócios sobre o capital (FREZZATI et al., 2012).
A avaliação básica de um projeto de investimento envolve um conjunto de técnicas,
sendo necessária a análise criteriosa dos métodos para que se possam compreender os
reflexos
nos resultados financeiros. Braga (1995), Motta e Calôba (2002), Souza e Clemente, (2004),
Casarotto e Kopittke (2008) e Hoji (2010) citam como métodos de análise o Valor Presente
Líquido (VPL), a Taxa Interna de Retorno (TIR), o Prazo de Retorno do Investimento Inicial
(Payback), o Índice de Lucratividade (IL) e a Taxa Mínima de Atratividade (TMA).
Constituíndo possíveis formas de analisar os novos investimentos.
A taxa de desconto a ser utilizada pode ser uma TMA, que pode ser definida pelos
investidores ou pelos analistas. Seu conceito é de ser a melhor alternativa de investimento
com o menor grau de risco disponível para aplicação (SOUZA; CLEMENTE, 2004). Esta
taxa
segundo Damodaran (2010), é formada a partir de três componentes básicos:
a) custo de oportunidade: remuneração obtida em alternativas que não são analisadas.
Exemplo: caderneta de poupança, fundo de investimento;
b) risco do negócio: o ganho tem que remunerar o risco inerente de uma nova ação.
Quanto maior o risco, maior a remuneração esperada; e,
c) liquidez: capacidade ou velocidade em que se pode sair de uma posição no mercado
para assumir outra.
Para identificar se o projeto de investimento vai atender as metas estabelecidas pelos
administradores e acionistas, é fundamental conhecer os índices retratados pela Taxa Interna
de Retorno (TIR) na viabilidade do resultado financeiro apresentada em forma de taxa. A
interpretação desta é por meio de comparação com a TMA, se o resultado da TIR for maior
ou
igual à TMA, significa que o investimento é viável, dentro dos parâmetros estabelecidos
pelos
gestores.
A TIR é um método que reflete a taxa dos fluxos de caixa líquidos periódicos, ou seja,
as entradas de caixa menos as saídas, dentro de um determinado período, normalmente um
ano, calculado para todo o investimento. Segundo Hoji (2010), a TIR é conhecida também
como taxa de desconto do fluxo de caixa, é uma taxa de juros implícita numa série de
pagamentos (saídas) e recebimentos (entradas). Quando utilizada como taxa de desconto
resulta em Valor Presente Líquido (VPL) igual a zero.
O VPL é o resultado que o investimento proporcionará no final do projeto, utilizando a
TMA. Contudo representa o valor do caixa projetado, diminuindo o custo, onde identifica-se
o resultado financeiro do investimento. Para Casarotto e Kopittke (2008, p. 116) VPL é
composto de um cálculo simples onde, “Em vez de se distribuir o investimento inicial durante
sua vida (custo de recuperação do capital), deve-se somar os demais termos do fluxo de caixa
para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. Escolhe-se aquela que apresentar
melhor Valor Presente Líquido”.
O Índice de Lucratividade (IL) é uma variante do valor presente líquido que determina
os resultados encontrados por este método em forma de índice, considerando o fluxo de caixa
descontado. De acordo com Braga (1995), este índice serve como medida do retorno
esperado
por unidade monetária investida. Este método demonstra a relação das receitas auferidas e os
custos incorridos por unidade vendida, ou seja, o lucro apurado após a venda da produção
(MOTTA; CALÔBA, 2002). Quando o IL for maior ou igual a 1, indica que a proposta
deverá
fornecer benefícios monetários superiores ou igual as saídas líquidas de caixa, tudo isso
expresso em moeda do mesmo instante ou momento. Quando o IL é menor do que 1, a
proposta não é economicamente viável.
Para examinar um projeto, um dos fatores é identificar o tempo necessário para
alcançar o retorno sobre o [Link] isto é necessário aplicarmos o método payback,
encontrando assim o tempo que se deve considerar os fluxos de caixa líquido gerados,
subtraído do investimento inicial, para avaliar seu prazo de retorno.
Conforme Ross (2000, p. 218) “payback é o período exigido para que o investimento
gere fluxos de caixa suficientes para recuperar o custo inicial”. O payback não deve ser única
fonte de análise, conforme mencionam Motta e Calôba (2002, p. 97) “deve ser encarado com
reservas, apenas como um indicador, não servindo de seleção entre alternativas de
investimento”. Sua principal vantagem é levar em conta o tempo em que será recuperado o
dinheiro do investidor, avaliando sua necessidade financeira, para que seja mantido o
investimento até o momento de gerar os caixas futuros positivos. De acordo com Casarotto e
Kopittke (2008, p. 125), “O principal método não exato mede o tempo necessário para que o
somatório das parcelas anuais seja igual ao investimento inicial. Genericamente pode-se dizer
que registra o tempo médio para os fluxos de caixa se equiparar ao valor do investimento”.
O payback tradicional pressupõe uma desvantagem, pois projetar os fluxos de caixa no
tempo não leva a correção dos valores monetários. Ao considerar o payback descontado,
observa-se o real valor do dinheiro no tempo, obtendo uma estimativa financeira mais
realista.
Para Brigham e Ehrhardt (2012, p. 425), “o período de payback descontado é definido como
o
número de anos necessário para recuperar o investimento dos fluxos líquidos de caixa
descontados”.
Segundo Correia Neto, Moura e Forte (2002), “o resultado final das análises de
viabilidade econômica pode ser expresso sob a forma de TIR, VPL, custo anual, períodos de
recuperação Payback e IL [...]”. O conjunto dos resultados obtidos por estes métodos de
investimentos levará a uma proposta de retorno e lucratividade mais interessantes aos
administradores na tomada de decisão.
REFERÊNCIAS
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prática. São Paulo: Atlas, 2003.
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2011.
BRIGHAM, E. F. & EHRHARDT, M. C. Administração financeira: teoria e prática. 13ª.
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CASAROTTO FILHO, N. C. & KOPITTKE, B. H. Análise de investimentos. 10ª Edição.
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CHING, Y. H.; MARQUES, F. & PRADO, L. Contabilidade e finanças para não
especialistas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003.
CORRAR, L. J. & THEOPHILO, C. R. Pesquisa