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Ação Judicial por Vícios de Construção

António processa Bento por vícios de construção em um imóvel adquirido, pedindo reparação e indenização. A ação envolve pedidos principais e subsidiários, com implicações sobre o valor da ação e prazos processuais. A defesa de Bento inclui alegações de caducidade e falta de fundamentos para o pedido indemnizatório, o que pode levar à absolvição do réu.

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Hermione Granger
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Ação Judicial por Vícios de Construção

António processa Bento por vícios de construção em um imóvel adquirido, pedindo reparação e indenização. A ação envolve pedidos principais e subsidiários, com implicações sobre o valor da ação e prazos processuais. A defesa de Bento inclui alegações de caducidade e falta de fundamentos para o pedido indemnizatório, o que pode levar à absolvição do réu.

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PONTO ESCRITO

TÓPICOS DE CORREÇÃO

ANO LETIVO 2019/2020


DIREITO PROCESSUAL CIVIL DECLARATIVO

António adquiriu um imóvel a Bento, construído por este último, há cerca de 5 anos, pelo
preço de €275.000,00.
Acontece que o imóvel apresenta diversas fissuras nas paredes dos compartimentos do
primeiro andar, que começaram a aparecer logo após o primeiro inverno. António entende que
as fissuras resultam de um vício de construção, tendo, por isso, interpelado, por diversas vezes,
Bento para a respetiva reparação.
Bento recusa fazer qualquer reparação, alegando que as fissuras se devem a condensação
por falta de ventilação nas divisões.
Perante a posição assumida por Bento, António decide propor, no tribunal português
competente, uma ação judicial contra Bento.

a) António peticiona que Bento repare os defeitos; ou, caso assim não se entenda, que
seja condenado a pagar €3.500,00 correspondentes ao montante necessário para a
respetiva reparação; e, em qualquer caso, que seja condenado a pagar-lhe uma
indemnização no valor de €5.500,00. Determine o valor desta ação tomando em
consideração a formulação dos pedidos tal e qual eles estão formulados.

Deve ser identificado o pedido como requisito da petição inicial nos termos do art.
552.º, n.º 1, al. e), do CPC. Sendo admissível a formulação de pedidos múltiplos (arts.
553.º a 555.º do CPC).
No caso concreto deverá ser identificado que o Autor formula um pedido subsidiário
(art. 554.º) e um pedido cumulativo (a cumular com o pedido principal ou, caso este
não seja atendido, com o pedido subsidiário), nos termos do art. 555.º, ambos do
CPC.
Considerando que existe um pedido cumulativo, é necessário demonstrar que eles
não são incompatíveis entre si, sob pena de ineptidão da petição inicial – art. 186.º,
n.º 2, al. c).
Com a classificação dos pedidos, deve ser considerada a sua relevância para a
determinação do valor da ação, nos termos dos arts. 296.º e ss. do CPC.
Havendo pedidos subsidiário e cumulativo, deve ser considerada a regra de
determinação do valor prevista nos n.ºs 2 e 3 do art. 297.º, ou seja, o valor da ação
será o valor do pedido principal e do pedido cumulativo.
Quanto aos critérios para a determinação de cada um. O valor do pedido principal
será determinado de acordo com os n.ºs 1 e 2 do art. 301.º (ex vi do art. 297.º, n.º
1). O pedido cumulativo será determinado pelo regime geral do n.º 1 do art. 297.º.
b) Imagine que o imóvel foi vendido por escritura pública de compra e venda, outorgada
a 14 de maio de 2015, com tradição imediata. António propõe a ação no dia 11 de
maio de 2020. Considerando o prazo previsto no artigo 1225.º, n.º 1, do CC, deveria
António ter requerido a citação urgente? Fundamente a sua posição.

Classificação do prazo de 5 anos previsto no art. 1225.º, n.º 1, do CC como um prazo


de caducidade nos termos do art. 298.º, n.º 2, do CC, aplicando-se o regime previsto
nos arts. 328.º e ss. do CC.
Assim, sendo um prazo de caducidade, nos termos do art. 328.º do CC, em princípio
não se suspende nem se interrompe, pelo que, a não ser quando isso seja ordenado,
não lhe são aplicáveis as regras de suspensão e da interrupção da prescrição, o que
aqui acontece. Só impede a prática, dentro do prazo, do ato a que a lei atribua o
efeito impeditivo. Ato a que tem de atribuir-se o efeito impeditivo dessa mesma
caducidade é o da propositura dessa mesma ação.
Como isso mesmo resulta do artigo 332.º do Código Civil, onde se fala na ação "...
tempestivamente proposta (n.º 1); e ... prazo decorrido entre a propositura da ação
e......".
Assim, o ato impeditivo da caducidade é o da propositura da ação, sem mais. Sendo
este um regime distinto em relação à prescrição.

c) Suponha agora que Bento é citado, por via postal, no dia 13 de maio de 2020. O aviso
postal foi assinado pela sua mãe, que vive consigo em Madrid. Até que dia poderia
ser apresentada em juízo a respetiva contestação? [Nota: desconsiderar a legislação
decorrente do estado de emergência em matéria de prazos]

Neste caso tem de ser classificada a ação, quanto à natureza, fim e forma de processo
para determinar o prazo de contestação em curso. O prazo de contestação, in casu,
é de 30 dias nos termos do art. 569.º, n.º 1, do CPC, começando a correr desde o
termo da dilação.
Neste caso verifica-se uma dilação de 5 dias, nos termos do art. 245.º, n.º 1, al. b), do
CPC, e outra de 30 dias, nos termos do art. 245.º, n.º 3, 1.ª parte, do CPC (ex vi do
art. 239.º), que se devem cumular nos termos do n.º 4 do mesmo preceito legal.
Estes prazos contam-se como um só, nos termos do art. 142.º do CPC. Ex vi do art.
139.º, n.ºs 1 e 2, do CPC.
Sendo citação postal, a mesma considera-se feita no dia em que o aviso de receção
foi assinado (art. 230.º), não se contando este dia nos termos do art. 279.º, b), do CC.
Para além disso, independentemente do justo impedimento, o ato pode ainda ser
praticado nos três primeiros dias úteis subsequentes ao termo do prazo mediante o
pagamento imediato da multa, nos termos do art. 139.º, n.º 5, do CPC.

Assim, no caso concreto temos o prazo de 65 dias (5+30+30), e o prazo termina no


dia 7 de setembro de 2020 (ex vi do artigo 139º, n.º 5, alínea c), do CPC).
d) Bento é citado para contestar e invoca que António já denunciou os defeitos há mais
de um ano, nos termos do artigo 1225.º, n.º 3, ex vi dos n.ºs 1 e 2, do CC, i.e., antes
da propositura da ação, pelo que, ainda que se tratassem de defeitos de construção,
já não terá qualquer obrigação de reparação; quanto ao pedido indemnizatório, alega
que não foram invocados quaisquer factos que sejam suscetíveis de o fundamentar
pelo que não se pode pronunciar quanto ao mesmo. Em qualquer dos casos, as
fissuras devem-se a condensação, por falta de ventilação, e não a qualquer vício de
construção, pelo que nunca seria responsável pela respetiva reparação.
Como classifica a defesa do Réu? Quais as consequências da mesma? Perante a
referida defesa, será que o Autor poderia dar resposta àquela? Justifique.

Na contestação, o Réu defende-se por exceção e impugnação, nos termos do art.


571.º do CPC.
Invoca a nulidade da petição inicial – parcial – por ineptidão, uma vez que é omissa a
causa de pedir no que tange ao pedido indemnizatório – nos termos do art. 186.º,
n.º 2, al. a), e n.º 1 (ex vi do art. 552.º, n.º 1, al. d), do CPC). Neste caso temos uma
exceção dilatória (ex vi do art. 577.º, alínea b), do CPC).
Ademais, perante o resto do que é invocado, conclui-se que o Réu se defende
também por exceção perentória impeditiva e por impugnação — arts. 574.º e 576.º
do CPC.
No caso, sendo procedente a exceção perentória esta levaria à absolvição do Réu do
pedido.
A exceção dilatória, sendo procedente, levaria à absolvição do réu da instância
[quanto ao pedido para cuja causa de pedir esteja em falta].
O Autor não poderia socorrer-se da Réplica – uma vez que não estamos perante uma
ação de simples apreciação negativa, nem foi deduzido pedido reconvencional (art.
584.º do CPC).
Não obstante, considerando o princípio da adequação formal – previsto no art. 547.º
do CPC – nada obstaria a que o juiz determinasse que o Autor respondesse à matéria
de exceção suscitada pelo Réu na sua contestação.

BOM TRABALHO!
DIREITO PROCESSUAL CIVIL DECLARATIVO
2.º PONTO ESCRITO – tópicos de correção

CASO PRÁTICO I

Filipe, residente na Rua das Rosas, instaurou a presente ação declarativa, sob a forma de
processo comum, contra José, residente na Rua dos Malmequeres, alegando, em síntese,
que:
1. aquele é dono e legítimo possuidor do imóvel descrito na petição inicial e com o
valor patrimonial de €5.250,00;
2. a parcela de terreno de que o Réu se apoderou é parte integrante do prédio do
Autor;
3. a detenção e posse que o Réu vem fazendo dessa parcela é insubsistente, ilegal e
de má-fé.

Para o efeito, termina a petição inicial com o seguinte pedido:


“Termos em que requer a V. Exa. se digne julgar procedente, por provada, a
presente ação e, em consequência, condene o Réu a:
a. reconhecer que o Autor é dono e possuidor legítimo do prédio identificado na
petição inicial e que a parcela de terreno de que ilegitimamente se apropriou
integra o dito prédio;
b. entregar imediatamente ao Autor a parcela de terreno do prédio deste, de que
se apoderou;
c. abster-se, de futuro, de praticar atos que perturbem a posse e o direito de
propriedade do Autor;
d. repor a dita parcela no estado em que se encontrava antes da ocupação,
retirando as plantações que na mesma fez.”

Questões:
1. Imagine que o Réu é citado e, na sua contestação, alega que adquiriu, por contrato
verbal de compra e venda, há cerca de 25 anos, a parcela de terreno ao pai e à mãe
de Filipe (anteriores proprietários do terreno), tendo procedido ao respetivo
pagamento do preço na mesma data, no valor de €5.000,00.
Termina o seu articulado requerendo que a ação não seja considerada procedente,
mas, por outro lado, peticiona ao tribunal que declare o Réu o único proprietário
e legítimo possuidor da parcela de terreno em apreço nos autos, em virtude da
aquisição originária derivada da usucapião, nos termos do artigo 1296.º do CC.
Após caracterização da contestação do Réu, pronuncie-se quanto à sua
admissibilidade. (7 valores)

Caracterização da defesa do Réu.


Neste caso impunha-se a identificação da dedução de pedido reconvencional
(“[...] peticiona [...]”) pelo Réu.
Verificação dos requisitos de admissibilidade do pedido reconvencional no caso
concreto.

2. Perante a contestação apresentada pelo Réu, o Autor, devidamente notificado, não


se pronunciou aguardando pela marcação da audiência prévia nos termos do artigo
3.º, n.º 4, do CPC.
Pronuncie-se sobre a estratégia processual descrita e, perante o caso em apreço,
quais as consequências da adoção da mesma. (6,5 valores)

Considerando que o Réu deduziu pedido reconvencional, o Autor deveria ter


apresentado Réplica.
A falta de réplica implica, nos termos do art. 587.º do CPC, os mesmos efeitos
previstos para a falta de cumprimento do ónus de impugnação previsto no art.
574.º do CPC.

3. Perante a contestação do Réu, o Autor convence-se que talvez aquele tenha razão.
Assim, para evitar perder a parcela de terreno em apreço nos autos, resolve desistir
da instância para extinguir o processo.
Pronuncie-se quanto à estratégia processual do Autor para o objetivo que visa
lograr. (6,5 valores)

A desistência da instância, nos termos do art. 286.º do CPC, depende, depois da


contestação da aceitação do Réu.
4. Imagine que o Autor, perante a contestação do Réu, replica e alega que
desconhece todos os factos invocados pelo Réu.
O Juiz, por despacho de X/Y/2021, decidiu dispensar a audiência prévia, proferiu
o saneador, fixou o objeto do litígio, admitiu o rol de testemunhas apresentado
pelas partes e a prova documental junta pelo Autor, culminando tal despacho do
seguinte modo:
“Notifique este despacho aos ilustres mandatários das partes”.
O Advogado do Autor não se conforma com a dispensa da audiência prévia no
caso concreto. Poderia reagir de alguma forma? (6,5 valores)

Neste caso seria necessário, com base na determinação do valor da ação,


identificar a regra do art. 597.º do CPC e da conformação da fase de acordo com
os princípios da necessidade e adequação.

CASO PRÁTICO II

Albertina propôs contra Belmiro ação de divórcio sem o consentimento do outro cônjuge,
pedindo que se decrete o divórcio e a consequente dissolução do casamento, declarando-
se o Réu como único culpado e alegando, em resumo, que:
a. O Réu, em dezembro de 2019, deixou voluntariamente o lar conjugal, fazendo-se
acompanhar dos filhos do casal, o que lhe provocou profunda angústia e desgosto;
b. Esse abandono teve como fundamento as relações adulterinas que o Réu vinha
mantendo com Carla, com quem vive em comunhão de mesa, leito e habitação,
comprometendo a possibilidade de vida em comum.

Questões:

1. Imagine que foi realizada a tentativa de conciliação, mas que a mesma veio a
mostrar-se infrutífera tendo o Réu sido notificado para contestar.
O Réu contestou e, em relação à matéria de facto aduzida na petição inicial extrai-
se o seguinte:
“Art. X.º
Impugna-se, para todos os devidos e legais efeitos, toda a matéria de facto
articulada pela Autora na petição inicial”.
Quid juris? (7 valores)

Identificar o não cumprimento do ónus de impugnação motivada do Réu nos


termos do art. 574.º do CPC e as respetivas exceções, mormente aplicável ao caso.

2. Imagine que o processo segue e, durante a audiência prévia, o Réu tomou


conhecimento que a Autora mantém, desde há pelo menos dois anos, uma relação
extraconjugal com Luísa.
O que poderia o Réu fazer no caso concreto? (6,5 valores)

Identificar que, apesar de processo especial, havendo o mesmo de prosseguir


segue os termos do processo comum.
Temática associada com os articulados supervenientes. Identificar e enquadrar a
possibilidade de recurso a estes articulados e o momento de dedução.

3. Imagine que o Réu, no caso concreto, não constituiu mandatário judicial. Sendo
o juiz da causa o que faria? (6,5 valores)

Identificar que, no caso concreto, a ação importa a constituição de mandatário


judicial e que a falta de constituição é de conhecimento oficioso.
Identificar os momentos em que o juiz poderia proferir despacho para que o Réu
constituísse mandatário, mormente no despacho pré-saneador.

CASO PRÁTICO III

XPTO – Comércio de Automóveis, Lda., propõe uma ação contra ABCD – Importação e
Exportação, Lda., alegando que, no âmbito da execução de um contrato celebrado entre
ambas, prestou à Ré diversos serviços de mecânica nos automóveis que esta importava, e
que, apesar de interpelada diversas vezes para o cumprimento, até à presente data a Ré
não pagou o valor acordado.
Face ao exposto, termina peticionando que:
a. Seja a Ré condenada ao pagamento da quantia de €22.954,56 euros, sendo
€11.787,18 euros, a título de capital, e €11.167,38 euros, a título de juros de mora
vencidos desde 09.05.2011 até 03.09.2020, acrescida de juros de mora, vencidos
e vincendos, calculados às taxas legais, até integral pagamento.

Questões:

1. A Ré foi citada para contestar e, não se pronunciando por qualquer forma em


concreto quanto à existência do contrato celebrado com a Autora e ao crédito
resultante dos serviços prestados, exceciona, invocando a existência de um crédito
sobre a Autora, no montante de € 35.045,45, que já foi objeto de compensação,
em finais do ano de 2019.
Pronuncie-se quanto à defesa apresentada pela Ré. (6,5 valores)

A Ré não cumpre o ónus de impugnação e, quanto ao mais, alega exceção


perentória de compensação de créditos (“[...] exceciona [...]”). Apesar da
compensação dever ser alegada no âmbito de pedido reconvencional, neste caso,
a Ré alega que a compensação já operou extrajudicialmente e não pretende a
“cobrança” do remanescente do valor do crédito que invoca. Analisar a
possibilidade de admissibilidade desta exceção.

2. Perante a referida defesa, a Autora vem invocar que o crédito que a Ré invoca é
decorrente de outro contrato celebrado entre ambas de compra e venda de veículos
automóveis que a Ré importava e que a Autora adquiria.
Mas, ao contrário do que a Ré alega, não corresponde à verdade que tenha havido
qualquer compensação de créditos, já que o montante invocado pela Ré na
contestação corresponde ao preço de um automóvel que a Autora havia adquirido
mas que não foi entregue e, ainda em 2019, a Autora procedeu à resolução do
contrato de compra e venda por incumprimento imputável à Ré.
Face ao exposto, a Autora requer ao tribunal que condene a Ré no pagamento do
valor correspondente à indemnização devida pelo incumprimento no valor de
€5.550,00.
Pronuncie-se quanto à pretensão da Autora. (7 valores)
Identificar que se trata de uma ampliação objetiva da causa de pedir e pedido, sem
acordo do Réu.
Verificação dos respetivos pressupostos.
Exame 2020 - enunciado
! Correção
2020
>
-

Direito Processual Civil Declarativo


Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2019/2020
2º Semestre | 15/6/2020
Frequência/Exame Regime B
Duração: 1 (uma) hora e 30 (trinta) minutos

GRELHA DE CORREÇÃO

1. Partindo do pressuposto que B foi citado, na sua própria pessoa, no dia 1 de junho de 2020, e que C foi
citado, por via postal, na pessoa do seu filho e na sua residência em Braga, no dia 3 de junho de 2020, até que data
é que se poderia apresentar contestação nos autos em apreço? Não se esqueça de fazer uso de todas as regras inerentes
à contagem dos prazos processuais. (3 valores)

 Artigo 569.º/1 do CPC: prazo perentório de 30 (trinta) dias;


 Artigo 569.º/2 do CPC: prazo de defesa termina em dias diferentes; logo, a contestação pode
ser oferecida até ao termo do prazo que começou a correr em último lugar;
 Artigo 230.º/1 do CPC: citação efetuada em 03.06.2020;
 Artigo 245.º/1, als. a) e b), do CPC: 2 dilações de 5 (cinco) dias cada;
 Artigo 245.º/4 do CPC: cumulação de dilações = 10 (dez) dias;
 Artigo 142.º do CPC;
 Artigo 279.º/b) do CC;
 Prazo(s) dilatório(s): de 04.06.2020 a 13.06.2020;
 Prazo perentório: de 14.06.2020 a 13.07.2020;
 Artigo 139.º/5 do CPC: 14.07 + 15.07 + 01.09.2020;
 Férias judiciais (artigo 28.º da LOSJ): de 16.07 a 31.08.2020;
 Artigo 140.º do CPC: justo impedimento.

2. Qualifique os pontos (i) a (iv) constantes da defesa do réu B e indique quais seriam, em caso de procedência,
as suas consequências ao nível do desfecho deste processo judicial. (3 valores)

 Modalidades da contestação: contestação defesa e reconvenção;


 Defesa por impugnação e por exceção (artigo 571.º/1 e 2 do CPC);
 Artigo 576.º do CPC (exceções dilatórias e perentórias);
 Ponto (i): exceção perentória modificativa (temporária): condição suspensiva  absolvição
do pedido (artigo 576.º/3 do CPC); mas, atenção ao artigo 621.º do CPC: renovação do pedido
quando a condição se verifique;
 Ponto (ii): exceção dilatória – incompetência (absoluta) do tribunal (artigos 577.º/a) do CPC,
96.º/a) do CPC, e artigos 117.º/1 a) e 130.º da LOSJ)  absolvição da instância (artigo 576.º/2
do CPC);
 Ponto (iii): defesa por impugnação  absolvição (total ou parcial) do pedido;
 Ponto (iv): exceção dilatória – nulidade do processo por ineptidão da petição inicial (artigos
186.º/1, 2 c), e 3, do CPC, e 577.º/b) do CPC  absolvição da instância (artigo 576.º/2 do
CPC).
3. Se fosse juiz do processo, admitiria o requerido por A na audiência prévia? Justifique. (3 valores)

 Identificação da existência de um facto (constitutivo) superveniente (artigo 588.º/1 e 2 CPC);


 Aplicação do regime de carreamento para o processo de factos supervenientes: deveria ser
apresentado um articulado superveniente, neste caso, na audiência prévia (artigo 588.º/3, al. a)
do CPC);
 Despacho liminar sobre a admissão do articulado superveniente e exercício do contraditório
(artigo 588.º/4 do CPC).

4. Se fosse advogado de B, como é que reagiria ao despacho saneador proferido pelo juiz? E será que o juiz,
na sentença, poderia vir ainda a considerar a procedência da(s) exceção(ões) dilatória(s) invocada(s) por B? (3
valores)

 Identificação da omissão de pronúncia: as exceções dilatórias de incompetência e de nulidade


do processo foram invocadas pelo réu B na contestação, pelo que o juiz teria o dever de delas
conhecer fundamentadamente no seu despacho saneador (ex vi dos artigos 591.º/1, al. d), e
595.º/1, al. a), do CPC);
 O juiz não conhece expressamente das exceções dilatórias invocadas, só o fazendo em termos
genéricos;
 Consequência da omissão de pronúncia: o despacho saneador seria nulo (artigos 615.º/1, d), e
613.º/3 do CPC);
 Reação adequada: como advogado de B reagiria através de recurso (ordinário) de apelação ou,
se este não fosse admissível, de reclamação;
 Artigo 595.º/3, primeira parte, do CPC: as decisões que dizem respeito a questões formais
(como é o caso de uma decisão acerca de uma exceção dilatória) só adquirem força de caso
julgado formal (artigo 620.º do CPC);
 Porém, neste caso em concreto, a decisão do juiz não adquiriria esta força e consequência:
como o juiz não conhece expressamente das exceções dilatórias, só o fazendo em termos
genéricos, esta decisão não adquire força de caso julgado formal.
 Assim, a afirmação de que “Não se verifica qualquer exceção dilatória ou nulidade que obste
ao conhecimento do mérito da causa” não se tornou vinculativa, podendo o juiz decidir em
sentido contrário na sentença.

5. Concorda com a enunciação do tema da prova n.º 1? Será que o juiz não deveria ter agido de outro modo
relativamente a esta questão em concreto? Em caso afirmativo, de que modo? (3 valores)

 Falta de impugnação, quer por parte de B, quer por parte de C, da celebração do contrato de
compra e venda do imóvel com A;
 Regime processual aplicável: a B, o artigo 574.º/2 do CPC, relativo à admissão por acordo; e
a C, os artigos 567.º e 568.º do CPC, relativos à revelia (operante e inoperante  atenção ao
artigo 568.º, al. d), do CPC);
 Identificação do tema da prova enunciado (n.º 1) como um facto que só pode ser provado
através da apresentação da escritura pública (artigos 364.º/1 e 875.º do CC);
 O facto sub judice não pode ficar admitido por acordo e a revelia, quanto a ele, não pode ser
operante; é um facto necessitado de prova, e, à partida, deveria constar neste despacho como
tema de prova, pese embora haja quem entenda que não devem ser incluídos neste despacho
factos que só possam ser provados através de prova pré-constituída;
 O juiz, ao abrigo da gestão inicial do processo, deveria ter proferido um despacho pré-saneador
convidando o A a apresentar o aludido documento essencial (ex vi do artigo 590.º/2, al. b), e
n.º 3, in fine, do CPC).
6. A, tendo dúvidas de que a única testemunha por si arrolada possa ser suficiente para a procedência da ação
por si instaurada, pretende prestar o seu próprio depoimento na audiência final. Logrará consegui-lo? O que é que
lhe aconselharia para tal? (2 valores)

 O depoimento de parte deve, em regra, ser prestado na audiência final (artigo 604.º/3, al. a),
do CPC), salvo se for urgente ou o depoente estiver impossibilitado de comparecer no tribunal
(artigo 456.º/1 do CPC);
 O depoimento de parte só pode ter lugar oficiosamente (artigo 452.º/1 do CPC) ou a
requerimento da parte contrária ou do comparte (artigo 453.º/3 do CPC);
 Logo, A não poderia requerer o seu próprio depoimento de parte;
 Porém, o CPC2013, no seu artigo 466.º, introduziu entre nós a prova por declarações de parte,
permitindo, assim, que as partes tomem a iniciativa na prestação de próprias declarações sobre
factos que, ao invés de lhes serem desfavoráveis, lhes são favoráveis, estando a sua valoração
sujeita à regra da livre apreciação da prova (artigo 466.º/3 do CPC);
 Com efeito, nos termos do n.º 1 do referido preceito legal, “[a]s partes podem requerer, até ao
início das alegações orais em 1.ª instância, a prestação de declarações sobre factos em que
tenham intervindo pessoalmente ou de que tenham conhecimento direto”;
 Devendo, neste caso, nos termos do artigo 452.º/2 do CPC, indicar-se, de forma discriminada,
os factos sobre que há de recair (por remissão do artigo 466.º/2 do CPC).

7. O juiz, no âmbito da sentença prolatada, não condenou os réus B e C à entrega do imóvel a A, isto porque,
pura e simplesmente, não considerou como provada a verificação, desde já, da existência da confirmação da
viabilidade da obra por parte da Câmara Municipal do Porto. Simultaneamente, não se pronunciou quanto à
indemnização pedida por A por alegados prejuízos que lhe foram causados, dolosamente, por B e C. Aprecie
juridicamente a situação e diga como é que o advogado de A podia ou devia reagir perante a referida decisão judicial.
(3 valores)

 Sentença e prazo de prolação (artigos 607.º e segs. do CPC);


 Estrutura da sentença (relatório, fundamentação e decisão – artigo 607.º/2 e 3 do CPC);
 A sentença adquiriu força de caso julgado material (artigo 619.º do CPC);
 Porém, e como se viu supra, a sentença sub judice não obsta a que o pedido se renove quando
a condição se verificar;
 Por outro lado, a sentença é nula, uma vez que o juiz não se pronunciou quanto a questões que
devia ter apreciado (ex vi do artigo 615.º/1, al. d), do CPC);
 Nos termos do n.º 4 do artigo 615.º do CPC, esta nulidade só pode ser arguida perante o tribunal
que proferiu a sentença se esta não admitir recurso ordinário, podendo o recurso, no caso
contrário, ter como fundamento essa nulidade.
Ecame doot e enunciado

Direito Processual Civil Declarativo


Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2020/2021
2º Semestre | 25/5/2021
Frequência/Exame Regime B
Duração: 1 (uma) hora e 30 (trinta) minutos

A é vizinho de B, tendo existido entre eles, e desde sempre, acesas discussões a propósito do uso
de um caminho que separa os prédios rústicos de ambos. A considera que pode usar o referido caminho,
uma vez que o mesmo ainda se integra no seu prédio; B, pelo contrário, considera que tal caminho se
integra no seu, razão pela qual impede A de fazer uso daquele através da colocação constante, ao longo
do mesmo, de vidros, de tábuas com pregos, de ramos e de pedras com grande dimensão.
Como a situação se tem vindo a intensificar ao longo dos anos e como, recentemente, C, irmão de
B e comproprietário com este de um dos terrenos em causa, tem colocado um trator e caixotes vários a
ajudar a impedir a passagem/travessia pelo caminho, A instaura uma ação judicial contra B e C, pedindo
que o tribunal declare que estes últimos não são os proprietários da parcela de terreno correspondente ao
caminho que separa os prédios rústicos sub judice, na medida em que ele não se integra no prédio rústico
dos réus.
A petição inicial não foi, contudo, recebida pela secretaria, com fundamento na falta de constituição
de advogado por parte de A.
A reclamou, tendo o juiz confirmado a recusa, embora com outro fundamento: o de que A não
indicara o valor da causa.
A apresenta uma nova petição, desta feita recebida, nela atribuindo à causa o valor de €5.000,00.
B contesta, alegando que pelo objeto da discussão sempre haviam passado os seus antepassados,
assim como ele próprio e os seus irmãos, pelo que o caminho pertence ao seu prédio rústico, devendo,
como tal, a ação judicial instaurada por A ser julgada improcedente. Formulou ainda, na sua contestação,
o seguinte pedido: o de que o tribunal declare que A não é o proprietário da parcela de terreno
correspondente ao caminho, na medida em que nunca os antepassados de A o haviam utilizado, nem,
tampouco, o próprio A, até há poucos anos, o fizera ou sequer o tentara fazer.
C constituiu mandatário, mas não contestou.
A replicou, dizendo, por um lado, que não era possível os antepassados de B terem atravessado o
caminho, uma vez que B não tinha ascendentes que se lhe conhecessem, e, por outro lado, que o tribunal
não devia admitir o pedido formulado por B de declaração de que o autor não era o proprietário da parcela
de terreno correspondente ao caminho, na medida em que esse pedido não se enquadrava em qualquer das
hipóteses previstas na lei para o efeito.
No despacho saneador, o juiz não deu razão ao autor quanto a esta última parte da réplica, tendo
mandado prosseguir a ação.
Na sentença prolatada, o juiz julgou procedente a ação, condenando B e C no pedido formulado
por A. Quanto ao pedido de B, resolveu alterar o que havia decidido no despacho saneador e,
consequentemente, julgou-o inadmissível, absolvendo A da instância.

Analise, fundamentadamente e com recurso a todos os preceitos legais no qual escorou o seu
raciocínio, as seguintes questões:

1. (Im)possibilidade de recusa de recebimento da petição inicial nos termos em que o foi e modos
de reação utilizados. (5 valores)

2. Qualificação da contestação apresentada por B e (in)admissibilidade do pedido por si formulado


e suas consequências processuais. (5 valores)

3. Qualificação e consequências da falta de contestação de C. (3 valores)

4. Explicação e distribuição do ónus da prova na presente ação. (3 valores)

5. (Im)possibilidade de, na sentença, o juiz julgar inadmissível o pedido de B. (4 valores)

Um bom trabalho!
Exame acga e correçã

Direito Processual Civil Declarativo


Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2020/2021
2º Semestre | 25/5/2021
Frequência/Exame Regime B
Duração: 1 (uma) hora e 30 (trinta) minutos

TÓPICOS DE CORREÇÃO

[...]

Analise, fundamentadamente e com recurso a todos os preceitos legais no qual escorou o seu raciocínio, as
seguintes questões:

1. (Im)possibilidade de recusa de recebimento da petição inicial nos termos em que o foi e modos de reação
utilizados. (5 valores)
 Requisitos da petição inicial (p.i.) – artigo 552.º do CPC;
 Situações de recusa de recebimento da p.i. pela secretaria (enumeração taxativa constante
do artigo 558.º, n.º 1, alíneas a) a i), do CPC);
 A contrario sensu, a secretaria não pode recusar o recebimento da p.i. com fundamento na
falta de pressupostos processuais, designadamente o do patrocínio judiciário (alusão ao
artigo 41.º do CPC);
 Admissibilidade de reclamação para o juiz e de interposição de recurso até à Relação do
despacho que confirme o não recebimento (ex vi do artigo 559.º, nºs 1 e 2, do CPC);
 Discutir se o juiz pode recusar o recebimento com um fundamento diferente do invocado
pela secretaria, mas elencado no artigo 558.º (alínea e) do n.º 1); sim, uma vez que o juiz
não há-de ter menos poderes do que a secretaria; questão diferente, mas que aqui não se
colocava, era a de saber se o juiz podia recusar o recebimento – ou, antes, indeferir
liminarmente a p.i. (artigo 590.º, n.º 1, do CPC) – com fundamento na falta de pressupostos
processuais);
 Apresentação de nova petição: quando se trate de causa que não importe a constituição de
mandatário (in casu, valor de €5.000,00 → logo, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo
40.º do CPC, não era obrigatória a constituição de advogado), a parte não esteja patrocinada
e a petição inicial seja apresentada por uma das formas previstas nas alíneas a) a c) do n.º
7 do artigo 144.º do CPC, o autor pode apresentar outra petição dentro dos 10 (dez) dias
subsequentes à recusa de recebimento ou de distribuição da petição, ou à notificação da
decisão judicial que a haja confirmado, considerando-se a ação proposta na data em que a
primeira petição foi apresentada em juízo (artigo 560.º do CPC).

2. Qualificação da contestação apresentada por B e (in)admissibilidade do pedido por si formulado e suas


consequências processuais. (5 valores)
 Modalidades da contestação: contestação defesa e reconvenção;
 Defesa por impugnação e por exceção (artigo 571.º/1 e 2 do CPC);
 Artigo 576.º do CPC (exceções dilatórias e perentórias);
 In casu, contestação-reconvenção (artigos 583.º e 266.º do CPC);
 A reconvenção parece ser inútil/inadmissível, uma vez que não se distingue do pedido de
improcedência (do pedido do autor) que o réu faz; sendo uma ação de simples apreciação
negativa, a prova dos factos constitutivos alegados pelo réu gera uma decisão de
improcedência do pedido do autor, que implica o reconhecimento de que o autor não é o
proprietário do caminho. Quer a improcedência do pedido do autor, quer a procedência da
reconvenção teriam o mesmo conteúdo, ou seja, o reconhecimento de que o autor não era
o proprietário do caminho;
 Caso a reconvenção fosse admitida, nos termos do artigo 266.º, n.º 2, alínea d), do CPC, as
consequências processuais seriam as seguintes: (i) direito de o autor/reconvindo deduzir a
sua defesa quanto à matéria da reconvenção na réplica (artigo 584.º, n.º 1, do CPC); (ii)
manutenção do valor da causa, dado que o pedido do réu/reconvinte não era distinto do do
autor/reconvindo (artigo 299.º, nºs 2 e 3, do CPC); e (iii) competência do tribunal (artigo
93.º, n.º 2, do CPC).

3. Qualificação e consequências da falta de contestação de C. (3 valores)


 Litisconsórcio necessário passivo de B e C (artigo 33.º, nºs 2 e 3, do CPC);
 Revelia relativa de C (artigo 567.º, n.º 1, do CPC);
 Consequências processuais da revelia operante (artigo 567.º, n.º 1, in fine, do CPC);
 Analisar a (in)aplicabilidade do artigo 568.º, alínea a), do CPC (revelia inoperante): neste
caso não tinha havido impugnação da qual C pudesse beneficiar, pelo que a alínea a) deste
artigo não seria aplicável.

4. Explicação e distribuição do ónus da prova na presente ação. (3 valores)


 Instrução (artigos 410.º a 526.º do CPC);
 Direito probatório material (vs. formal);
 O ónus da prova como a espinha dorsal do direito processual e como regra de julgamento;
 A distribuição do ónus da prova nas ações de simples apreciação negativa (artigo 343.º, n.º
1, do CC: “Nas ações de simples apreciação ou declaração negativa, compete ao réu a
prova dos factos constitutivos do direito que se arroga.”).
 O facto constitutivo alegado pelo réu (B) havia sido impugnado pelo autor (A), pelo que
carecia de prova e, não resultando esse facto provado, devia a ação ser julgada procedente
(ou seja, o tribunal declararia que os réus não eram os proprietários do caminho).

5. (Im)possibilidade de, na sentença, o juiz julgar inadmissível o pedido de B. (4 valores)


 Sentença (artigos 607.º e segs. do CPC);
 Estrutura: relatório, fundamentação e decisão (artigo 607.º, nºs 2 e 3, do CPC);
 Se o despacho saneador (artigo 595.º do CPC) já tivesse transitado em julgado (artigo 628.º
do CPC), formar-se-ia caso julgado quanto à questão já apreciada da admissibilidade do
pedido reconvencional: logo, a sentença violaria esse caso julgado, se apreciasse
novamente a questão concreta já decidida;
 Se ainda não tivesse ocorrido o trânsito em julgado, o problema que se levantava seria o da
extinção do poder jurisdicional do juiz, quanto ao que já tinha sido decidido (artigo 613.º
do CPC).
Exame 20f2
Direito Processual Civil Declarativo

Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2021/2022
2.º Semestre | 17/6/2022
Frequência/Exame Regime B
Duração da Prova: 2 (duas) horas

[...]

Responda, fundamentadamente e com recurso a todos os preceitos legais no qual assentou o seu raciocínio,
às seguintes questões:

1. Partindo do pressuposto de que B foi citado por via postal, na pessoa da sua empregada doméstica, no dia
28 de fevereiro de 2022, até que data é que o réu pôde apresentar contestação nos autos em apreço? Não se esqueça
de fazer uso de todas as regras inerentes à contagem dos prazos processuais. (3,5 valores)
 Artigo 569.º/1 do CPC: prazo perentório de 30 (trinta) dias;
 Artigo 230.º/1 do CPC: citação efetuada em 28.02.2022;
 Artigo 245.º/1, als. a) e b), do CPC: 2 dilações de 5 (cinco) dias cada;
 Artigo 245.º/4 do CPC: cumulação de dilações = 10 (dez) dias;
 Artigo 142.º do CPC;
 Artigos 279.º/b) e 296.º do CC;
 Prazo(s) dilatório(s): de 01.03.2022 a 10.03.2022;
 Prazo perentório: de 11.03.2022 a 19.04.2022;
 Artigo 138.º/2 do CPC: termo do prazo em dia em que os tribunais estão encerrados (sábado);
 Férias judiciais (artigo 28.º da LOSJ): de 10.04 a 18.04.2022;
 Artigo 139.º/5 do CPC: 20.04 + 21.04 + 22.04.2022;
 Artigo 140.º do CPC: justo impedimento.

2. Quais foram as modalidades de contestação utilizadas pelo réu B e quais, em caso de procedência, as suas
consequências ao nível do desfecho do processo judicial sub judice? (3,5 valores)
 Modalidades da contestação: contestação defesa e reconvenção;
 Defesa por impugnação e por exceção (artigo 571.º/1 e 2 do CPC);
 Artigo 576.º do CPC (exceções dilatórias e perentórias);
 (i) exceção dilatória de caso julgado (artigo 577.º, alínea i), do CPC)  absolvição da instância
(artigo 576.º/2 do CPC);
 (ii) exceção perentória extintiva de pagamento  absolvição do pedido (artigo 576.º/3 do
CPC); e
 (iii) impugnação por oposição de facto direta (artigo 574.º do CPC)  absolvição (total ou
parcial) do pedido.
3. Concorda com a decisão do juiz em ter dispensado a audiência prévia? Justifique. (3,5 valores)
 Fase da gestão inicial do processo e da audiência prévia (artigos 590.º e segs. do CPC);
 Finalidades principais (art. 591.º, n.º 1, als. a) a g), do CPC) e secundárias da audiência prévia;
 A realização da audiência prévia passou a ser a regra, salvo nas situações previstas nos artigos
592.º (não realização da audiência prévia), 593.º (dispensa da audiência prévia) e 597.º, alínea
b) (nas ações de valor não superior a metade da alçada da Relação), do CPC;
 Se, em ação contestada, de valor superior a €15.000,00, o juiz entende, finda a fase dos
articulados (e do pré-saneador), que o processo deverá findar imediatamente com prolação de
decisão de mérito, deverá, obrigatoriamente, convocar audiência prévia, a fim de proporcionar
às partes prévia discussão de facto e de direito (ex vi do artigo 3.º, n.º 3, do CPC);
 Ademais, a situação em causa não encontra, em rigor, fundamento no artigo 593.º do CPC; e
 O autor, nos termos do artigo 3.º, n.º 4, do CPC, não tinha tido sequer a possibilidade de
responder às exceções (dilatória e perentória) deduzidas pelo réu na contestação.

4. Se fosse advogado de A, como é que reagiria ao despacho saneador proferido? (3,5 valores)
 O juiz proferiu, nos termos dos artigos 591.º/1, al. d), e 595.º/1, al. b), do CPC, um despacho
saneador-sentença;
 Porém, fê-lo ao arrepio da lei, cometendo uma nulidade, que se traduziu na prolação de decisão
final de mérito com dispensa de uma prévia diligência imposta por lei (audiência prévia para
exercício do contraditório), suscetível de influenciar o exame e a decisão da causa (artigo
195.º, n.º 1, do CPC);
 Considerando a omissão de convocação da audiência prévia, quando obrigatória, uma nulidade
processual inominada sujeita ao regime dos artigos 195.º e seguintes do CPC, cf. Rui Pinto
(em sentido contrário, vide Miguel Teixeira de Sousa para quem o saneador-sentença proferido
é uma decisão ilegal, não uma decisão nula, porque não é subsumível a nenhuma das situações
do artigo 615.º, n.º 1, do CPC, nem, muito menos, uma decisão que é "atingida" pela nulidade
do artigo 195.º do CPC);
 Reação adequada: como advogado de A reagiria através do recurso (ordinário) de apelação;
 Artigo 595.º/3, segunda parte, do CPC: o despacho proferido teria o valor de sentença e, caso
não houvesse recurso, adquiriria força de caso julgado material (artigo 619.º, n.º 1, do CPC).

5. Parta agora do princípio de que o processo em causa prosseguiria os seus termos. Na data aprazada para a
realização da única sessão integrante da audiência final, uma das testemunhas arroladas pelo autor, essencial à
descoberta da verdade, pura e simplesmente não aparece. Quid juris? (3 valores)
 Fase da instrução;
 Prova testemunhal (artigos 392.º e segs. do CC e 495.º e segs. do CPC);
 Artigo 508.º do CPC (consequências do não comparecimento da testemunha):
 A falta da testemunha não constitui motivo de adiamento dos outros atos de produção de prova,
sendo as testemunhas presentes ouvidas;
 No caso de o autor não prescindir da testemunha faltosa, observar-se-ia o seguinte:
a) Se ocorresse impossibilidade definitiva para depor, posterior à sua indicação, teria a
faculdade de a substituir;
b) Se a impossibilidade fosse meramente temporária ou a testemunha tivesse mudado de
residência depois de oferecida, bem como se não tivesse sido notificada, devendo tê-lo
sido, ou se deixasse de comparecer por outro impedimento legítimo, o autor podia
substituí-la ou requerer o adiamento da inquirição pelo prazo que se afigurasse
indispensável, nunca excedente a 30 dias;
c) Se faltasse sem motivo justificado, e não fosse encontrada para vir depor sob custódia,
podia ser substituída.

6. O mandatário judicial de A, perante a referida ausência da testemunha, pede uns breves instantes ao juiz e
ao colega e, após contacto telefónico com o seu cliente, que optou por permanecer em casa para não ter de se
confrontar presencialmente com a pessoa de B, decide requerer as declarações de parte de A. Logrará consegui-lo?
Justifique. (3 valores)
 O CPC2013, no seu artigo 466.º, introduziu entre nós a prova por declarações de parte,
permitindo, assim, que as partes tomem a iniciativa na prestação de próprias declarações sobre
factos que, ao invés de lhes serem desfavoráveis, lhes são favoráveis, estando a sua valoração
sujeita à regra da livre apreciação da prova (artigo 466.º/3 do CPC);
 Com efeito, nos termos do n.º 1 do referido preceito legal, “[a]s partes podem requerer, até ao
início das alegações orais em 1.ª instância, a prestação de declarações sobre factos em que
tenham intervindo pessoalmente ou de que tenham conhecimento direto”;
 Porém, de acordo com a jurisprudência (cf., p. ex., o Ac. TRG de 14.10.2021, Proc. n.º
7072/18.0T8VNF-B.G1):
“1. A parte que deixa para a audiência de julgamento a apresentação de requerimento a
pedir as suas próprias declarações de parte, ao abrigo do direito potestativo conferido pelo
art. 466º,1 CPC, tem o ónus de estar presente, para as mesmas poderem ser tomadas sem
perturbação nem adiamento da audiência.
2. Admite-se, como excepção a esta regra, que a parte possa estar impossibilitada de todo
de comparecer na audiência, caso em que deverá alegar e comprovar isso mesmo, e o Juiz
designará nova data para essa diligência de prova.
3. Mas quando o mandatário formula o requerimento para a parte ser ouvida em
declarações, esta não está presente, e nem sequer apresenta uma justificação aceitável
para essa ausência, deve o Juiz indeferir liminarmente ao requerido.”
Recurs8 2022
-

enunciado
Recurso 2002 ->
correção

Direito Processual Civil Declarativo


Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2021/2022
2.º Semestre | 13/7/2022
Exame Escrito 2.ª Época
Duração: 2 (duas) horas

GRELHA DE CORREÇÃO

1. [...] (4,5 valores)


▪ Artigo 569.º/1 do CPC: prazo perentório de 30 (trinta) dias;
▪ Artigo 569.º/2 do CPC: até ao termo do prazo que começou a correr em último lugar;
▪ Artigo 230.º/1 do CPC: citação de C efetuada em 22.07.2022;
▪ Artigo 245.º/1, al. a), do CPC: dilação de 5 (cinco) dias;
▪ Artigo 142.º do CPC;
▪ Artigos 279.º/b) e 296.º do CC;
▪ Férias judiciais (artigo 28.º da LOSJ): de 16.07 a 31.08.2022;
▪ Prazo(s) dilatório(s): de 01.09.2022 a 05.09.2022;
▪ Prazo perentório: de 06.09.2022 a 06.10.2022 (artigo 138.º, n.º 2, do CPC);
▪ Artigo 139.º/5 do CPC: 07.10 + 10.10 + 11.10.2022;
▪ Artigo 140.º do CPC: justo impedimento.

2. [...] (4 valores)
▪ Artigo 563.º do CPC: citação do réu e consequência da falta de contestação;
▪ Revelia do réu;
▪ Revelia absoluta (artigo 566.º do CPC) vs. revelia relativa;
▪ Efeitos da revelia — imediato: consideram-se confessados os factos articulados pelo autor
(artigo 567.º/1 do CPC); e mediato: alteração da tramitação processual que se vê reduzida
(artigo 567.º/2 do CPC);
▪ Mas, in casu, a revelia é inoperante — ex vi da alínea a) do artigo 568.º do CPC.

3. [...] (4 valores)
▪ Modalidades de contestação: contestação defesa e reconvenção;
▪ Defesa por impugnação e por exceção (artigo 571.º/1 e 2 do CPC);
▪ Artigo 576.º do CPC (exceções dilatórias e perentórias);
▪ Ponto (i): defesa por impugnação (artigo 571.º, n.º 2, 1.ª parte, do CPC);
▪ Ponto (ii): exceção perentória extintiva de caducidade (artigo 576.º/3 do CPC);
▪ Ponto (iii): reconvenção (artigos 583.º e 266.º/2, alínea d), do CPC).

4. [...] (4,5 valores)


▪ Réplica (arts. 584.º e ss. do CPC);

FUNDAÇÃO MINERVA • CULTURA - ENSINO E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA


Rua de Moçambique, nos 21 e 71 (Aldoar) - 4100-348 Porto - Telefone 225 570 800 • e-mail: info@[Link] • [Link]
▪ Só é admissível réplica para o autor deduzir toda a defesa quanto à matéria da reconvenção;
ou nas ações de simples apreciação negativa, onde ela serve para o autor impugnar os factos
constitutivos que o réu tenha alegado e para alegar os factos impeditivos ou extintivos do
direito invocado pelo réu;
▪ Admissibilidade, in casu, da réplica (artigo 584.º/1 do CPC);
▪ Artigo 585.º do CPC: prazo perentório de 30 (trinta) dias;
▪ Artigo 249.º/1 do CPC: presunção de recebimento/registo: 14+15+17.10.2022, pois o dia
16.10 é um domingo, ou seja, um dia não útil;
▪ Prazo perentório: de 18.10.2022 a 16.11.2022;
▪ Artigo 139.º/5 do CPC: 17 + 18 + 21.11.2022;
▪ Artigo 140.º do CPC: justo impedimento.

5. [...] (3 valores)
▪ Sentença e prazo de prolação (artigos 607.º e segs. do CPC);
▪ Estrutura da sentença (relatório, fundamentação e decisão – artigo 607.º/2 e 3 do CPC);
▪ A sentença é nula, uma vez que o juiz não especificou os fundamentos de facto e de direito
que justificaram a decisão (ex vi do artigo 615.º/1, al. b), do CPC);
▪ Nos termos do n.º 4 do artigo 615.º do CPC, esta nulidade só pode ser arguida perante o tribunal
que proferiu a sentença se esta não admitir recurso ordinário, podendo o recurso, no caso
contrário, ter como fundamento essa nulidade.

FUNDAÇÃO MINERVA • CULTURA - ENSINO E INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA


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me
acab
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enunciado

DIREITO PROCESSUAL CIVIL DECLARATIVO

Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Turmas: A, B, C, D, E e F
Frequência | Exame Regime B
15 de junho de 2023

INDICAÇÕES GERAIS DE CORREÇÃO

(Artigo 15.º, n.º 2, do Regulamento Complementar de Avaliação de Conhecimentos


e Competências da Universidade Lusíada)

1. […]
• Art. 569.º, n.º 1, do CPC: prazo perentório de 30 dias;
• Art. 230.º, n.º 1, do CPC: citação efetuada em 3 de março de 2023 (mesmo que o
aviso de receção haja sido assinado pela mulher do citando);
• Art. 245.º, n.º 1, als. a) e b), do CPC: 2 dilações de 5 dias cada uma;
• Art. 245.º, n.º 4, do CPC: cumulação de dilações – 10 dias;
• Art. 142.º do CPC;
• Arts. 279.º, al. b), e 296.º do CC;
• Prazos dilatórios: de 4 de março a 13 de março de 2023;
• Prazo perentório: de 14 de março a 21 de abril de 2023;
• Art. 28.º da LOSJ: Férias judiciais de 2 a 10 de abril de 2023;
• Art. 139.º, n.º 5, do CPC: 24 + 26 + 27 de abril de 2023;
• Art. 140.º do CPC: justo impedimento.

2. […]
• Analisando a factualidade descrita no enunciado, sendo o processo concluso ao juiz
finda a fase dos articulados, importava analisar a contestação (defesa);
• No caso, o réu defende-se por impugnação e por exceção (art. 571.º, [Link] 1 e 2, do
CPC);
• Tendo em conta a defesa por exceção dilatória (ainda que, não obstante, a mesma, a
existir, seja de conhecimento oficioso) de ilegitimidade (art. 577.º, al. e), do CPC),
impunha-se a necessidade de aferir da sua verificação, ou não;
• Tendo em conta a ação em causa – ação de preferência nos termos do art. 1410.º
do CC – verifica-se que, de facto, foi preterido este pressuposto processual; a ação
devia ter sido proposta, também, contra o adquirente da quota, ou seja, D;
• Verifica-se uma situação de litisconsórcio necessário natural (arts. 30.º, [Link] 1 e 2, e
33.º, [Link] 2 e 3, do CPC);
• Neste caso, sendo a exceção dilatória suprível – através do incidente de intervenção
principal provocada (arts. 316.º e ss. do CPC) – justificaria a prolação de despacho
pré-saneador (art. 590.º, n.º 2, al. a) do CPC);
3. […]
• Fase da gestão inicial do processo e da audiência prévia (artigos 590.º e segs. do
CPC);
• Finalidades principais (art. 591.º, n.º 1, als. a) a g), do CPC) e secundárias da
audiência prévia;
• A realização da audiência prévia passou a ser a regra, salvo nas situações previstas
nos artigos 592.º (não realização da audiência prévia), 593.º (dispensa da audiência
prévia) e 597.º, alínea b) (nas ações de valor não superior a metade da alçada da
Relação), do CPC;
• Se, em ação contestada, de valor superior a €15.000,00, o juiz entende, finda a fase
dos articulados (e do pré-saneador), que o processo deverá findar imediatamente
com prolação de decisão de mérito, deverá, obrigatoriamente, convocar audiência
prévia, a fim de proporcionar às partes prévia discussão de facto e de direito (ex vi
do artigo 3.º, n.º 3, do CPC);
• Ademais, a situação em causa não encontra, em rigor, fundamento no artigo 593.º
do CPC; e
• O autor, nos termos do artigo 3.º, n.º 4, do CPC, não tinha tido sequer a
possibilidade de responder à exceção perentória deduzida pelo réu na contestação.
• O juiz proferiu, nos termos dos artigos 591.º/1, al. d), e 595.º/1, al. b), do CPC, um
despacho saneador-sentença;
• Porém, fê-lo ao arrepio da lei, cometendo uma nulidade, que se traduziu na
prolação de decisão final de mérito com dispensa de uma prévia diligência imposta
por lei (audiência prévia para exercício do contraditório), suscetível de influenciar o
exame e a decisão da causa (artigo 195.º, n.º 1, do CPC);
• Considerando a omissão de convocação da audiência prévia, quando obrigatória,
uma nulidade processual inominada sujeita ao regime dos artigos 195.º e seguintes
do CPC, cf. Rui Pinto (em sentido contrário, vide Miguel Teixeira de Sousa para
quem o saneador-sentença proferido é uma decisão ilegal, não uma decisão nula,
porque não é subsumível a nenhuma das situações do artigo 615.º, n.º 1, do CPC,
nem, muito menos, uma decisão que é "atingida" pela nulidade do artigo 195.º do
CPC);
• A reação adequada, como advogado de A, seria o recurso (ordinário) de apelação;
• Artigo 595.º/3, segunda parte, do CPC: o despacho proferido teria o valor de
sentença e, caso não houvesse recurso, adquiriria força de caso julgado material
(artigo 619.º, n.º 1, do CPC).

4. […]
• O depoimento de parte deve, em regra, ser prestado na audiência final (artigo 604.º,
n.º 3, al. a), do CPC), salvo se for urgente ou o depoente estiver impossibilitado de
comparecer no tribunal (artigo 456.º, n.º 1 do CPC);
• O depoimento de parte só pode ter lugar oficiosamente (artigo 452.º, n.º 1, do
CPC) ou a requerimento da parte contrária ou do comparte (artigo 453.º, n.º 3, do
CPC);
• Logo, C poderia requerer o depoimento de parte de D;
• Importaria, não obstante, analisar e discutir se os factos eram desfavoráveis (arts.
352.º e 353.º, n.º 2, do CC) ao confitente e litisconsorte;
• Quanto à comunicação, para além da questão anterior, importaria ainda analisar se
existiria limitação quanto à prova por confissão uma vez que, nos termos do art.
1409.º, ex vi dos arts. 416.º, todos do CC, seria necessário aferir se a comunicação
teria, ou não, que ser feita por escrito, o que, sendo o caso, a prova só poderia ser
feita pelo documento legalmente exigido (art. 364.º do CC). Tal exigência quanto à
forma não resulta prevista naquele normativo;
• Quanto ao valor, tendo em conta que o Réu C suscita uma simulação quanto ao
preço no contrato de compra e venda (art. 240.º do CC), impor-se-ia verificar a
admissibilidade da prova por confissão, uma vez que o preço consta de documento
autêntico que faz prova plena dos factos e de os seus autores terem proferido as
declarações dele constante pelo que, esses factos consideram-se provados, nos
mesmos termos gerais da confissão (art. 371º do CC), na medida em que sejam
contrários aos interesses do declarante, mas não quanto à conformidade da
declaração com a vontade real;
• Assim, esta prova poderia ser afastada pela arguição da nulidade do ato [ou por
falsidade (art. 372º do CC)] in casu, provando a simulação e, consequentemente, a
nulidade do negócio simulado e a validade do negócio dissimulado, com exceção,
para este efeito, da prova testemunhal ou por presunções (art. 394.º, n.º 2);
• Não obstante, tendo em conta a matéria descrita, ambos os factos são favoráveis ao
confitente, bem como ao litisconsorte que requereu o depoimento de parte (art.
352.º do CC).

5. […]
• Encerrada a audiência, o processo é concluso ao juiz para ser proferida sentença;
• Não obstante, se o juiz não se considerar devidamente esclarecido pode ordenar a
reabertura da audiência, ouvindo as pessoas que entender e ordenar as demais
diligências que entender necessárias (art. 607.º, n.º 1, do CPC);
• No caso em concreto, não obstante, não existia outra prova a ordenar ainda que o
juiz subsistisse na dúvida sobre se o preço realmente pago foi de €250.000,00 ou de
€300.000.00;
• Não podendo o juiz abster-se de decidir sobre esta questão, sob pena de omissão
de pronúncia (art. 615.º, n.º 1, al. b), 1.ª parte), importaria, neste caso, aferir sobre
quem recaía o ónus da prova do facto;
• De acordo com o art. 342.º, n.º 1, do CC, aquele que invoca o facto constitutivo é o
Réu, ou seja, neste caso, o Réu, na sua defesa, invoca que o direito de crédito
decorrente do preço efetivamente pago no âmbito da compra e venda corresponde,
na realidade, a €300.000,00 valor que, nos termos do art. 1410.º do CC, o Autor é
devedor tendo em conta os efeitos da ação de preferência;
• Desta forma, não havendo qualquer inversão do ónus da prova (art. 344.º do CC),
incumbiria ao Réu que invoca que o preço devido é, de facto, de €300.000,00, o
ónus de o provar (art. 341.º do CC);
• Assim, neste caso, em sede de contraprova do Autor, tendo em conta a existência
da escritura pública de compra e venda, com força probatória plena que não foi
afastada, a questão é decidida contra a parte onerada pela prova (art. 346.º do CC);
• Face ao exposto, a questão resolve-se contra a parte a quem o facto aproveitaria
(art. 414.º do CPC), ou seja, neste caso, o juiz decidiria contra a pretensão
formulada pelo Réu C, considerando que o preço efetivamente pago foi de
€250.000,00.
Recurso 2023 (Acrescent
Enunciada
Direito Processual Civil Declarativo

Faculdade de Direito
Licenciatura em Direito
Ano Letivo: 2022/2023
2º Semestre | 12/7/2023
Exame Escrito de 2ª Época
Duração: 2 (duas) horas

GRELHA DE CORREÇÃO

1. Concorda com o(s) pedido(s) formulado(s) por A? Justifique o seu raciocínio. (4 valores)
▪ Requisitos da petição inicial: formulação do pedido (artigo 552.º/1, al. e), do CPC);
▪ Caraterísticas e tipos de pedido;
▪ Artigo 555.º/1 do CPC: dedução cumulativa contra o mesmo réu, num só processo, de vários pedidos
que sejam compatíveis;
▪ Porém, in casu, há uma incompatibilidade substancial manifesta entre o pedido de decretamento do
divórcio (dissolução do vínculo conjugal) e o de anulação do casamento com fundamento em erro;
▪ Ineptidão da petição inicial (artigo 186.º, n.º 2, alínea c), do CPC); e
▪ Nulidade de todo o processo (artigo 186.º/1 e 4 do CPC);
▪ Ademais, há um erro na forma do processo (artigo 193.º do CPC);
▪ Nulidade de que o tribunal conheceria oficiosamente (artigo 196.º do CPC);
▪ E que só podia ser arguida até à contestação ou neste articulado (artigo 198.º/1 do CPC);
▪ Processo especial de divórcio sem consentimento do outro cônjuge (artigos 931.º e 932.º CPC).

2. O aviso postal tendente à citação de B foi assinado pela sua atual companheira, C, que reside consigo em Badajoz,
no passado dia 7 de junho de 2023. Até que dia poderá ser apresentada em juízo a respetiva contestação? (4 valores)
▪ Artigo 569.º/1 do CPC: prazo perentório de 30 (trinta) dias;
▪ Artigo 230.º/1 do CPC: citação efetuada em 07.06.2023;
▪ Artigo 245.º/1, al. a), e 3, do CPC: 2 dilações: 5 (cinco) dias e 30 (trinta) dias;
▪ Artigo 245.º/4 do CPC: cumulação de dilações = 35 (trinta e cinco) dias;
▪ Artigo 142.º do CPC;
▪ Artigo 279.º/b) do CC;
▪ Prazo(s) dilatório(s): de 08.06.2023 a 12.07.2023;
▪ Prazo perentório: de 13.07.2023 a 27.09.2023;
▪ Artigo 139.º/5 do CPC: 28.09 + 29.09 + 02.10.2023;
▪ Férias judiciais (artigo 28.º da LOSJ): de 16.07 a 31.08.2023;
▪ Artigo 140.º do CPC: justo impedimento;
▪ [+ Art. 931.º/5 do CPC (prazo de 30 dias para contestar após frustração da conciliação);
▪ Art. 932.º do CPC (após o prazo da contestação, seguem-se os termos do processo comum)].

3. Suponha que B não contesta a ação. O que sucederá ao nível da tramitação processual? (4 valores)
▪ Artigo 563.º do CPC: citação do réu e consequência da falta de contestação;
▪ Revelia do réu;
▪ Revelia absoluta (artigo 566.º do CPC) vs. revelia relativa;
▪ Efeitos da revelia — imediato: consideram-se confessados os factos articulados pelo autor (artigo
567.º/1 do CPC); e mediato (artigo 567.º/2 do CPC);
▪ Revelia operante (requisitos); mas,
▪ No caso sub judice, a revelia é inoperante (ex vi do artigo 568.º/c) do CPC); logo,
▪ Não realização da audiência prévia (ex vi do artigo 592.º/1, al. a), do CPC);
▪ Aplicação do disposto no n.º 2 do artigo 593.º do CPC ( ex vi do artigo 592.º/2 do CPC): o juiz tem
de proferir o despacho saneador, o despacho a identificar o objeto do litígio e a enunciar os temas
da prova e ainda o despacho a programar os atos a realizar na audiência final, a estabelecer o número
de sessões e a sua duração e a designar as respetivas datas.

4. Suponha agora que, afinal, B contesta, alegando, em suma, a incompetência do tribunal, que A sempre se rendeu e
rende aos caprichos de sua filha Dionísia (D), e não aos seus, não tendo abandonado o lar conjugal, tendo, isso sim, sido
expulsa por D, e que os levantamentos dos valores depositados foram apenas para fazer face às despesas normais do casal.
Requereu, além do mais, o depoimento de parte de A, que deverá versar sobre os artigos 8º, 11º, 13º a 17º, 21º, 24º, 26º,
41º, 47º e 68º da contestação. Quid iuris? (4 valores)
▪ Modalidades de contestação: contestação defesa e reconvenção;
▪ Defesa por impugnação e por exceção (artigo 571.º/1 e 2 do CPC);
▪ Artigo 576.º do CPC (exceções dilatórias e perentórias);
▪ Exceção dilatória de incompetência (artigos 576.º/1 e 2, e 577.º/a do CPC);
▪ Defesa por impugnação por oposição de facto direta e indireta (artigo 571.º, n.º 1 e n.º 2, do CPC);
▪ O depoimento de parte, a ser admitido, deveria ser requerido na contestação (artigo 572.º/d) CPC);
▪ Com indicação, de forma discriminada, dos factos sobre que há de recair (artigo 452.º, n.º 2, do CPC);
▪ Só pode ter lugar oficiosamente ou a requerimento da parte contrária ou do comparte (artigos 452.º,
n.º 1, e 453.º, n.º 3, do CPC);
▪ Porém, a admissibilidade deste meio de prova, que visa o reconhecimento de um facto que é
desfavorável à parte contrária (artigo 352.º do CC), pressupõe a possibilidade de confissão decorrente
da natureza dos factos sobre que incide, pelo que está arredada quando estão em causa factos
relativos a direitos indisponíveis (ex vi do artigo 354.º/b) do CC);
▪ Logo, B não poderia requerer, in casu, o depoimento de parte de A.

5. O juiz, perante a factualidade dada como provada, decide decretar a separação judicial de pessoas e bens. Quid
iuris? (4 valores)
▪ Sentença e prazo de prolação (artigos 607.º e segs. do CPC);
▪ Estrutura da sentença (relatório, fundamentação e decisão – artigo 607.º/2 e 3 do CPC);
▪ Discriminação e declaração dos factos considerados provados (artigo 607.º/3 e 4 do CPC);
▪ A sentença é nula uma vez que o juiz condenou em objeto diverso do pedido (ex vi dos artigos
609.º/1 e 615.º/1, al. e), do CPC);
▪ Nos termos do n.º 4 do artigo 615.º do CPC, esta nulidade só pode ser arguida perante o tribunal que
proferiu a sentença se esta não admitir recurso ordinário, podendo o recurso, no caso contrário, ter
como fundamento essa nulidade.

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