INTRODUÇÃO
2. A posição da teoria do conhecimento no sistema filosófico
A nossa definição essencial traz como consequência uma divisão da filosofia em diversas disciplinas. A
filosofia é, em primeiro lugar, como vimos, uma auto-reflexão do espírito sobre o seu comportamento
(capacidade, atitude, funções) valor comportamento (capacidadeto sobre o seu
rativo (valorizador) teórico e prático. Como reflexão sobre o comportamento tecórico, sobre aquilo a
que chamamos ciência, a filosofia é teoria do conhecimento científico, teoria da ciểncia. Como reflexão
sobre o comportamento prático do espírito, sobre o que apelidamos de valores em sentido restrito, a
filosofia é teoria dos valores. Mas a reflexão do espírito sobre si mesmo não é um fim autónomo,
mas sim um meio e um caminho para chegar a uma concepção do universo. A filosofia é, pois, em
terceiro lugar, teoria da concepção do universo. A esfera total da ilosofia divide-se, pois, em três partes:
teoria da ciência, teoria dos valores, concepção do universo.
Uma maior diferenciação destas partes tem como consequência a distinção das disciplinas filosóficas
fundamentais. A concepção do universo divide-se metafisica (que se subdivide em metafisica da
natureza e metafisica do espírito) e em concepção ou teoria do universo em sentido restrito, que
investiga os problemas de Deus, a liberdade e a imortalide.
A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO
1. O dogmatismo
Entendemos por dogmatismo (de Soyua = doutrina fixada) a posição epistemológica para a qual não
existe ainda o problema do conhecimento.
O dogmatismo tem por supostas a possibilidade e a realidade do contacto entre o sujeito e o objecto. É
para ele evidente que o sujeito, a consciência cognoscente, apreenda o objecto.
Tal posição assenta numa confiança na razão humana, que ainda não está enfraquecida pela dúvida.
Este facto do conhecimento não constituir um problema para o dogmatismo assenta numa noção
deficiente da essência do conhecimento. O contacto entre o sujeito e o objecto não pode parecer
problemático a quem não veja que o conhecimento representa uma relação. E isto é o que acontece
com o dogmático. Não vê que o conhecimento é essencialmente uma relação entre um
sujeito e um objecto.
2. A posição da teoria do conhecimento
no sistema filosófico
A nossa definição essencial traz como conse-
quência uma divisão da filosofia em diversas dis-
ciplinas. A filosofia é, em primeiro lugar, como
vimos, uma auto-reflexão do espírito sobre o seu
comportamento (capacidade, atitude, funções) valo-
rativo (valorizador) teórico e prático. Como refle-
xão sobre o comportamento teórico, sobre aquilo
a que chamamos ciência, a filosofia é teoria do
conhecimento científico, teoria da ciência. Como
reflexão sobre o comportamento prático do espí-
rito, sobre o que apelidamos de valores em sentido
restrito, a filosofia é teoria dos valores. Mas a reflexão
do espírito sobre si mesmo não é um fim autónomo,
mas sim um meio e um caminho para chegar a uma concepção do universo. A filosofia é, pois, em
terceiro lugar, teoria da concepção do universo. A esfera total da filosofia divide-se, pois, em três partes:
teoria da ciência, teoria dos valores, concepção do universo.
Uma maior diferenciação destas partes tem como consequência a distinção das disciplinas filosóficas
fundamentais. A concepção do universo divide-se em metafísica (que se subdivide em metafísica da
natureza e metafísica do espírito) e em concepção ou teoria do universo em sentido restrito, que inves-
tiga os problemas de Deus, a liberdade e a imortalidade.
2. O cepticismo
Extrema se tangunt. Os extremos tocam-se.
Esta afirmação é igualmente válida no campo epistemológico. O dogmatismo converte-se muitas vezes
no seu contrário o cepticismo (de oxéreoα
-enganar, examinar). Enquanto que aquele considera a possibilidade de um contacto entre o sujeito e o
objecto como algo compreensível por si mesmo, este nega essa possibilidade. Segundo
o cepticismo, o sujeito não pode apreender o objecto. O conhecimento, no sentido de uma apreensão
real do objecto, é impossível para ele.
Portanto, não devemos formular qualquer juízo, mas sim abster-nos totalmente de julgar.
Enquanto que o dogmatismo desconhece de certo modo o sujeito, o cepticismo não vê o objecto.
A sua atenção fixa-se tão exclusivamente no sujeito,
na função do conhecimento, que ignora comple-
tamente a significação do objecto. A sua atenção
dirige-se inteiramente aos factores subjectivos do
conhecimento humano. Observa a forma como
todo o conhecimento sofre a influência da índole
do sujeito e dos seus órgãos do conhecimento,
assim como das circunstâncias exteriores (meio,
círculo cultural). Desta forma escapa à sua vista
o objecto, que é, sem dúvida, necessário para
2. O empirismo
O empirismo (de uneplα = experiência) opõe
à tese do racionalismo (segundo a qual o pensa-
mento, a razão, é a verdadeira fonte de conhe-
cimento), a antítese que diz: a única fonte do
conhecimento humano é a experiência. Na opi-
nião do empirismo, não há qualquer património
a priori da razão. A consciência cognoscente não
tira os seus conteúdos da razão; tira-os exclu-
sivamente da experiência. O espírito humano
está por natureza vazio; é uma tábua rasa, uma
folha em branco onde a experiência escreve. Todos
os nossos conceitos, incluindo os mais gerais e
abstractos, procedem da experiência.
3. O intelectualismo
O racionalismo e o empirismo são antagó-
nicos. Mas onde existem antagonistas, não falta,
geralmente, quem tente entre eles a mediação.
Um destes intentos de mediação entre o racio-
nalismo e o empirismo é a direcção epistemoló-
gica que pode denominar-se intelectualismo. Enquanto
que o racionalismo considera o pensamento como
a fonte e a base do conhecimento e o empirismo
a experiência, o intelectualismo é da opinião que
ambos os factores tomam parte na produção do
conhecimento. O intelectualismo sustenta com o
racionalismo que há juízos lògicamente necessá-
rios e universalmente válidos, e não apenas sobre
os objectos ideais - isto é também admitido pelos
principais representantes do empirismo, mas tam-
bém sobre os objectos reais.
4. O apriorismo
A história da filosofia apresenta uma segunda
tentativa de mediação entre o racionalismo e o
empirismo: o apriorismo. Também este considera
a experiência e o pensamento como fontes do
conhecimento. Mas o apriorismo define a relação
entre a experiência e o pensamento num sentido
directamente oposto ao intelectualismo. Como o
próprio nome do apriorismo indica, o nosso
conhecimento apresenta, no sentido desta corrente,
elementos a priori, independentes da experiência.
Esta era também a opinião do racionalismo.
b) O idealismo
A palavra idealismo usa-se em sentidos muito
diferentes. Temos de distinguir principalmente
entre idealismo no sentido metafísico e idealismo
no sentido epistemológico. Chamamos idealismo
metafísico à convicção de que a realidade tem
por fundamento forças espirituais, potências ideais.
Aqui só temos de tratar, naturalmente, do idea-
lismo epistemológico. Este sustenta a tese de que
não há coisas reais, independentes da consciência.
Agora bem; como, suprimidas as coisas reais,
só ficam duas classes de objectos, os de cons-
ciência (as representações, os sentimentos, etc.),
e os ideais (os objectos da lógica e da matemática),
o idealismo tem de considerar necessàriamente
os pretensos objectos reais como objectos de
consciência ou como objectos ideais. Resultam
daqui duas formas de idealismo: o subjectivo ou
psicológico e o objectivo ou lógico. Aquele afirma
o primeiro membro da alternativa anterior e este
o segundo.
Consideremos primeiro o idealismo subjectivo
ou psicológico. Toda
Toda a realidade está encerrada,