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Teoria do Conhecimento na Filosofia

O documento discute a divisão da filosofia em três partes: teoria da ciência, teoria dos valores e concepção do universo, destacando a importância da reflexão do espírito sobre seu comportamento. Aborda também diferentes posições epistemológicas, como dogmatismo, ceticismo, empirismo, intelectualismo, apriorismo e idealismo, cada uma com suas visões sobre a possibilidade do conhecimento. A filosofia é apresentada como um meio para alcançar uma compreensão mais profunda do universo e das relações entre sujeito e objeto.
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Teoria do Conhecimento na Filosofia

O documento discute a divisão da filosofia em três partes: teoria da ciência, teoria dos valores e concepção do universo, destacando a importância da reflexão do espírito sobre seu comportamento. Aborda também diferentes posições epistemológicas, como dogmatismo, ceticismo, empirismo, intelectualismo, apriorismo e idealismo, cada uma com suas visões sobre a possibilidade do conhecimento. A filosofia é apresentada como um meio para alcançar uma compreensão mais profunda do universo e das relações entre sujeito e objeto.
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INTRODUÇÃO

2. A posição da teoria do conhecimento no sistema filosófico

A nossa definição essencial traz como consequência uma divisão da filosofia em diversas disciplinas. A
filosofia é, em primeiro lugar, como vimos, uma auto-reflexão do espírito sobre o seu comportamento
(capacidade, atitude, funções) valor comportamento (capacidadeto sobre o seu

rativo (valorizador) teórico e prático. Como reflexão sobre o comportamento tecórico, sobre aquilo a
que chamamos ciência, a filosofia é teoria do conhecimento científico, teoria da ciểncia. Como reflexão
sobre o comportamento prático do espírito, sobre o que apelidamos de valores em sentido restrito, a
filosofia é teoria dos valores. Mas a reflexão do espírito sobre si mesmo não é um fim autónomo,

mas sim um meio e um caminho para chegar a uma concepção do universo. A filosofia é, pois, em
terceiro lugar, teoria da concepção do universo. A esfera total da ilosofia divide-se, pois, em três partes:
teoria da ciência, teoria dos valores, concepção do universo.

Uma maior diferenciação destas partes tem como consequência a distinção das disciplinas filosóficas
fundamentais. A concepção do universo divide-se metafisica (que se subdivide em metafisica da
natureza e metafisica do espírito) e em concepção ou teoria do universo em sentido restrito, que
investiga os problemas de Deus, a liberdade e a imortalide.

A POSSIBILIDADE DO CONHECIMENTO

1. O dogmatismo

Entendemos por dogmatismo (de Soyua = doutrina fixada) a posição epistemológica para a qual não
existe ainda o problema do conhecimento.

O dogmatismo tem por supostas a possibilidade e a realidade do contacto entre o sujeito e o objecto. É
para ele evidente que o sujeito, a consciência cognoscente, apreenda o objecto.

Tal posição assenta numa confiança na razão humana, que ainda não está enfraquecida pela dúvida.

Este facto do conhecimento não constituir um problema para o dogmatismo assenta numa noção

deficiente da essência do conhecimento. O contacto entre o sujeito e o objecto não pode parecer

problemático a quem não veja que o conhecimento representa uma relação. E isto é o que acontece
com o dogmático. Não vê que o conhecimento é essencialmente uma relação entre um

sujeito e um objecto.
2. A posição da teoria do conhecimento

no sistema filosófico

A nossa definição essencial traz como conse-

quência uma divisão da filosofia em diversas dis-

ciplinas. A filosofia é, em primeiro lugar, como

vimos, uma auto-reflexão do espírito sobre o seu

comportamento (capacidade, atitude, funções) valo-

rativo (valorizador) teórico e prático. Como refle-

xão sobre o comportamento teórico, sobre aquilo

a que chamamos ciência, a filosofia é teoria do

conhecimento científico, teoria da ciência. Como

reflexão sobre o comportamento prático do espí-

rito, sobre o que apelidamos de valores em sentido

restrito, a filosofia é teoria dos valores. Mas a reflexão

do espírito sobre si mesmo não é um fim autónomo,

mas sim um meio e um caminho para chegar a uma concepção do universo. A filosofia é, pois, em

terceiro lugar, teoria da concepção do universo. A esfera total da filosofia divide-se, pois, em três partes:
teoria da ciência, teoria dos valores, concepção do universo.

Uma maior diferenciação destas partes tem como consequência a distinção das disciplinas filosóficas

fundamentais. A concepção do universo divide-se em metafísica (que se subdivide em metafísica da

natureza e metafísica do espírito) e em concepção ou teoria do universo em sentido restrito, que inves-

tiga os problemas de Deus, a liberdade e a imortalidade.


2. O cepticismo

Extrema se tangunt. Os extremos tocam-se.

Esta afirmação é igualmente válida no campo epistemológico. O dogmatismo converte-se muitas vezes
no seu contrário o cepticismo (de oxéreoα

-enganar, examinar). Enquanto que aquele considera a possibilidade de um contacto entre o sujeito e o
objecto como algo compreensível por si mesmo, este nega essa possibilidade. Segundo

o cepticismo, o sujeito não pode apreender o objecto. O conhecimento, no sentido de uma apreensão
real do objecto, é impossível para ele.

Portanto, não devemos formular qualquer juízo, mas sim abster-nos totalmente de julgar.

Enquanto que o dogmatismo desconhece de certo modo o sujeito, o cepticismo não vê o objecto.

A sua atenção fixa-se tão exclusivamente no sujeito,

na função do conhecimento, que ignora comple-

tamente a significação do objecto. A sua atenção

dirige-se inteiramente aos factores subjectivos do

conhecimento humano. Observa a forma como

todo o conhecimento sofre a influência da índole

do sujeito e dos seus órgãos do conhecimento,

assim como das circunstâncias exteriores (meio,

círculo cultural). Desta forma escapa à sua vista

o objecto, que é, sem dúvida, necessário para

2. O empirismo

O empirismo (de uneplα = experiência) opõe

à tese do racionalismo (segundo a qual o pensa-

mento, a razão, é a verdadeira fonte de conhe-

cimento), a antítese que diz: a única fonte do


conhecimento humano é a experiência. Na opi-

nião do empirismo, não há qualquer património

a priori da razão. A consciência cognoscente não

tira os seus conteúdos da razão; tira-os exclu-

sivamente da experiência. O espírito humano

está por natureza vazio; é uma tábua rasa, uma

folha em branco onde a experiência escreve. Todos

os nossos conceitos, incluindo os mais gerais e

abstractos, procedem da experiência.

3. O intelectualismo

O racionalismo e o empirismo são antagó-

nicos. Mas onde existem antagonistas, não falta,

geralmente, quem tente entre eles a mediação.

Um destes intentos de mediação entre o racio-

nalismo e o empirismo é a direcção epistemoló-

gica que pode denominar-se intelectualismo. Enquanto

que o racionalismo considera o pensamento como

a fonte e a base do conhecimento e o empirismo

a experiência, o intelectualismo é da opinião que

ambos os factores tomam parte na produção do

conhecimento. O intelectualismo sustenta com o

racionalismo que há juízos lògicamente necessá-

rios e universalmente válidos, e não apenas sobre


os objectos ideais - isto é também admitido pelos

principais representantes do empirismo, mas tam-

bém sobre os objectos reais.

4. O apriorismo

A história da filosofia apresenta uma segunda

tentativa de mediação entre o racionalismo e o

empirismo: o apriorismo. Também este considera

a experiência e o pensamento como fontes do

conhecimento. Mas o apriorismo define a relação

entre a experiência e o pensamento num sentido

directamente oposto ao intelectualismo. Como o

próprio nome do apriorismo indica, o nosso

conhecimento apresenta, no sentido desta corrente,

elementos a priori, independentes da experiência.

Esta era também a opinião do racionalismo.

b) O idealismo

A palavra idealismo usa-se em sentidos muito

diferentes. Temos de distinguir principalmente

entre idealismo no sentido metafísico e idealismo

no sentido epistemológico. Chamamos idealismo

metafísico à convicção de que a realidade tem


por fundamento forças espirituais, potências ideais.

Aqui só temos de tratar, naturalmente, do idea-

lismo epistemológico. Este sustenta a tese de que

não há coisas reais, independentes da consciência.

Agora bem; como, suprimidas as coisas reais,

só ficam duas classes de objectos, os de cons-

ciência (as representações, os sentimentos, etc.),

e os ideais (os objectos da lógica e da matemática),

o idealismo tem de considerar necessàriamente

os pretensos objectos reais como objectos de

consciência ou como objectos ideais. Resultam

daqui duas formas de idealismo: o subjectivo ou

psicológico e o objectivo ou lógico. Aquele afirma

o primeiro membro da alternativa anterior e este

o segundo.

Consideremos primeiro o idealismo subjectivo

ou psicológico. Toda

Toda a realidade está encerrada,

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