O que é um PDL?
É simplesmente um roteiro de desenvolvimento pessoal
que visa permitir o estabelecimento de um compromisso entre o líder disci-
pulador e o líder em formação; estabelece bases para o crescimento da pessoa
nas diversas dimensões nas quais o líder precisa se desenvolver (revejam o que
falamos sobre a necessidade de estarmos vestidos com a armadura de Efésios
6 na pág. 124); permite também que se torne mais perceptível o crescimento
do líder em formação no serviço para o qual foi comissionado. O PDL facilita
o trabalho do mentor, na medida em que apresenta objetivos claros a serem
alcançados no processo de desenvolvimento do líder. Podemos dizer que o
PDL propõe ações concretas na busca do aperfeiçoamento pessoal.
O Programa Discipular Liderança busca basicamente, a partir de uma
análise compartilhada, responder às seguintes perguntas: “onde esta-
mos?”, “onde o Senhor quer que estejamos?” e “como chegaremos lá?”.
A elaboração do PDL deve ser viabilizada da seguinte forma: inicialmente
precisamos identificar os requisitos ou as competências pessoais que são neces-
sárias para que o líder em formação esteja preparado para o trabalho, a exemplo
de competências espirituais e morais, competências comportamentais e compe-
tências técnicas. Competência, no contexto da nossa proposta, deve ser com-
preendida como o conjunto de conhecimentos e habilidades que o líder precisa
para agir em determinada situação (o saber-fazer), sem conotação de excelência.
Perceba que para identificarmos essas competências precisamos compreen-
der claramente aonde desejamos chegar e em quanto tempo. De acordo com
essa proposta, precisamos ter em mente que queremos discípulos de Cristo que
lideram outros discípulos na edificação da igreja por meio do cumprimento da
Grande Comissão. Precisamos ter clareza de que a melhor estratégia, conforme
apresentada no livro de Atos, é o relacionamento discipulador no contexto do
pequeno grupo, formando líderes e multiplicando a visão. Seguem alguns exem-
plos de competências que o líder precisa desenvolver: dependência de Deus, vi-
são missionária (Grande Comissão), convicção da chamada ministerial, vida de-
vocional, relacionamento familiar, honestidade, humildade, mansidão, fidelidade,
coragem, dinamismo, organização, proatividade, conhecimento bíblico, Visão de
Igreja Multiplicadora, conhecimento a respeito da proposta de Evangelização Dis-
cipuladora, conhecimento do modelo de PGM, entre outros.
Esses exemplos não visam criar uma lista infindável de qualidades que o
líder deve possuir para ser uma espécie de super-homem altamente capacitado
e pronto. Pelo contrário, a proposta de Jesus era chamar homens imperfeitos e
trabalhar intensamente para transformá-los em líderes multiplicadores. Quere-
mos considerar que esse trabalho de aperfeiçoamento ainda continua em nos-
sos dias, pois o nosso Senhor trabalha incansavelmente e com amor para que
sejamos feitos à Sua semelhança. Dessa forma, confiaremos que o trabalho de
levar o nosso discípulo a se tornar um discípulo de Cristo irá transformá-lo
de forma a adquirir as competências necessárias para o exercício da liderança
multiplicadora. O que propomos é apenas que isso seja intencional.
Depois de listarmos os requisitos ou competências desejáveis, devemos
analisar a situação ou condição atual do líder em desenvolvimento. Essa cons-
trução deverá ser realizada por meio de um consenso obtido pela avaliação do
discípulo feita por seu líder e por outra avaliação feita por ele mesmo (autoa-
valiação). Esse duplo ângulo de avaliação é o que chamamos de avaliação 180°
(cento e oitenta graus). O consenso nessa forma de avaliação buscará identifi-
car os pontos fortes e os que precisam ser mais bem desenvolvidos, de forma
a permitir a elaboração de um plano de desenvolvimento. Vejam o esquema:
Esquema do Programa Discipular de Liderança
Identificada uma área da vida que precisa de investimento, líder multiplicador
e líder em desenvolvimento deverão projetar ações concretas para o crescimento.
Veja um exemplo de planilha que pode ser utilizada para a elaboração do PDL:
Com o PDL elaborado, o que finaliza o terceiro passo do processo, deve-
mos executá-lo com tenacidade e avaliar o seu desenvolvimento.
Devemos, agora, avançar para o Quarto Passo: acompanhar, avaliar e solicitar
contas das ações planejadas. Essa avaliação deverá ser promovida por meio de
um encontro de prestação de contas periódico. É fundamental destacar que a
avaliação precisa ser desenvolvida a partir de uma postura de amor e cumplici-
dade. O líder multiplicador deve cuidar para que
o líder em desenvolvimento sinta que o proces-
so está sendo desenvolvido com o objetivo de
apoiá-lo em seu crescimento pessoal. Ademais, o
líder também é um aprendiz durante todo o pro-
cesso de acompanhamento e apoio. Ele também
cresce à medida que apoia. Não há espaço para
uma postura de superioridade ou de inferioridade, ambos estão aprendendo
com Deus. Dessa forma, o momento de prestação de contas deve ser também
um momento de oração e realizado em particular. Muitas das coisas que trata-
remos nesses momentos precisam de sigilo, de forma a viabilizar um ambiente
de confiança mútua. A solicitação e prestação de contas deve ser realizada
com cuidado e amor. Destacar e comemorar os avanços é muito importante.
Devem-se tratar os pontos ainda a serem desenvolvidos com uma perspectiva
positiva, sem deixar, é claro, de admoestar quando necessário. A Palavra de
Deus deverá sempre ser a bússola de todo o processo.
O líder multiplicador deve estar também em processo de acompa-
nhamento e de desenvolvimento do seu próprio PDL, formando, assim,
uma cadeia de aprendizado e multiplicação da visão.
O Quinto Passo: incentivar o líder em formação a multiplicar o processo com outras
pessoas deve ser desenvolvido já durante o acompanhamento e avaliação do
PDL. Para que isso seja possível, é preciso ensinar que o líder em formação
precisa multiplicar a visão e cuidar de outros, mesmo durante o seu processo
de crescimento. Em resumo, o aperfeiçoamento do líder multiplicador inclui
supervisioná-lo enquanto ele apoia outros no cumprimento da missão.
Aperfeiçoamento do Líder Multiplicador
Em todo o processo de formação de liderança devemos incluir o conhe-
cimento mais amplo possível do contexto onde estamos desenvolvendo o
ministério e, a partir desse conhecimento, identificar as competências neces-
sárias para uma liderança efetiva. Devemos avaliar o outro e a nós mesmos,
não buscando formar julgamento particular, mas para identificarmos áreas
nas quais é necessário crescer e se desenvolver. Devemos, também, buscar,
de forma perseverante e por meio de ações concretas e planejadas, o desen-
volvimento do ministério e da liderança, e avaliar sempre o avanço obtido,
de forma a corrigir rumos e comemorar as vitórias, que são acrescentadas
por Deus.
De forma a fazermos uma ligação com o que
já foi apresentado no livro, queremos destacar
que o ambiente do Pequeno Grupo Multiplicador –
PGM é extremamente adequado para que possa-
mos desenvolver o nosso processo de formação
de novos líderes. PGM e formação de liderança
estão intimamente ligados. É disso que falaremos
no próximo item.
Como já estudamos no Capítulo de Evangelização Discipuladora, a estratégia
de Pequenos Grupos Multiplicadores - PGMs tem sido usada com sucesso pela igre-
ja em todos os seus dias.
O ambiente do Pequeno Grupo Multiplicador é altamente adequado
para que o processo de formação de liderança se desenvolva.
O PGM é um celeiro de lideranças, por permitir o exercício dos dons e mi-
nistérios por parte de todos os seus integrantes, o que leva à identificação e à
multiplicação de novos líderes, que muitas vezes ficariam invisíveis nos bancos
das reuniões de celebração. Muitas dessas pessoas nem sabem o potencial que
possuem e precisam ser estimuladas a crescer, competindo ao líder de PGM dar
espaço ao surgimento e o aprimoramento de novas lideranças. A respeito disso
e com detalhes, confira o material específico publicado por Missões Nacionais.
Assumir a responsabilidade como líder, de formar outros líderes, requer
alguns cuidados. Primeiramente, é preciso compreender e acreditar que a ca-
pacidade de liderar pode ser desenvolvida nas pessoas em quem se pretende
investir. Também é necessário sensibilidade para identificar a direção de Deus
em relação a este investimento pessoal. Segundo o exemplo do próprio Jesus,
antes de definir os doze que seriam chamados de apóstolos, Ele orou intensa-