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Geologia: Rochas e Formação do Solo

O documento aborda a formação do solo a partir de rochas e minerais, explicando conceitos de Geologia e a estrutura da Terra. Ele detalha os tipos de rochas (magmáticas, sedimentares e metamórficas) e os processos de intemperismo que transformam essas rochas em solo. A formação do solo é um processo lento, influenciado por fatores como clima, topografia e atividade biológica.

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Geologia: Rochas e Formação do Solo

O documento aborda a formação do solo a partir de rochas e minerais, explicando conceitos de Geologia e a estrutura da Terra. Ele detalha os tipos de rochas (magmáticas, sedimentares e metamórficas) e os processos de intemperismo que transformam essas rochas em solo. A formação do solo é um processo lento, influenciado por fatores como clima, topografia e atividade biológica.

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As Rochas e a Formação do Solo

Conteudista: Prof.ª Dra. Anne Elise Cesarin


Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin

Objetivos da Unidade:

Estudar os conceitos de Geologia, rochas e minerais;

Conhecer o processo de formação e as propriedades físicas do solo.

📄 Material Teórico
📄 Material Complementar
📄 Referências
📄 Material Teórico
1 /3

Introdução aos Conceitos de Geologia


O solo é formado a partir de rochas e minerais presentes na crosta terrestre, uma das principais
camadas do planeta Terra. Mas, antes de iniciar a abordagem sobre a formação e a origem do
solo com mais detalhes, vamos compreender um pouco mais sobre a Geologia e os termos

utilizados anteriormente como crosta terrestre, rocha, minerais e intemperismo?

A palavra “Geologia” vem do grego. Geo significa Terra e logos significa estudo. A Geologia é a
Ciência que estuda a estrutura, a composição, a origem e a evolução da Terra e dos processos que
moldam o Planeta ao longo do tempo. Ela investiga a história geológica da Terra, incluindo a
formação de rochas, minerais, o solo, a dinâmica dos continentes e oceanos, a atividade
vulcânica e sísmica, a formação de montanhas e das bacias sedimentares e a evolução da vida na
Terra, entre outros fenômenos geológicos. A profissão do Engenheiro Agrônomo está
relacionada à Geologia, visto que a formação do solo é um fator crucial para a produção agrícola e
a Geologia é a Ciência que estuda a formação e a evolução do solo ao longo do tempo.

Agora que compreendemos a importância da Geologia na nossa profissão, vamos falar um


pouco mais sobre o planeta Terra e a sua estrutura interna, denominada Geosfera. A estrutura
interna (ou Geosfera) do nosso Planeta pode ser dividida em diferentes camadas, cada uma com

características geológicas e geofísicas distintas.

As principais camadas do planeta Terra (QUEIROZ, 2016) são:

Crosta terrestre: é a camada mais externa do Planeta que se estende desde a


superfície até uma profundidade de 80km. Ela é formada basicamente por rochas
sólidas, e na região acima das rochas, encontra-se o solo, a água e os seres vivos;
Manto: é uma camada de rochas sólida que está localizada abaixo da crosta terrestre,
na porção intermediária entre a crosta e o núcleo da Terra, a uma profundidade
média de cerca de 2.900km. No manto, o calor e a pressão geralmente aumentam
com a profundidade. As temperaturas podem variar entre 700ºC (região mais
próxima da crosta terrestre) até 3700ºC (região mais profunda e mais próxima do
núcleo). O manto tem duas partes: manto superior (região próxima da crosta
terrestre) e manto inferior (região mais próxima do núcleo). No manto superior,
devido às altas temperaturas e diferenças de pressão que ocorrem em certas
profundidades, é comum que as rochas sejam mais ‘‘pastosas’’ e capazes de se
mover nessa região do manto. Esse material é denominado de magma. O magma em
certos pontos da Terra, além de se mover pelo próprio manto, também poderá subir
e atravessar a crosta. Quando ele atinge a crosta, forma-se um vulcão na superfície
da Terra;

Núcleo: é a camada mais interna da Terra, composta, principalmente, por ferro e


níquel. É dividido em núcleo externo, com consistência líquida, e núcleo interno,
com consistência sólida.

Continuando nossa abordagem sobre o planeta Terra, vamos compreender o significado de


rochas e minerais. Basicamente, a rocha é um material sólido, formado pela associação natural
de um ou mais minerais (geralmente, dois ou mais).

Mas você sabe o que é um mineral?

Os minerais são definidos como substâncias sólidas, naturais, inorgânicas e com composição
química definida. O mineral apresenta uma combinação de átomos que se organizam em
estruturas geométricas chamadas de cristais. Podemos dizer que a forma de cristal se refere à
forma geométrica deles. Essa estrutura cristalina confere a eles propriedades físicas e químicas
específicas.
Vídeo
Minerais – O que São?

Minerais - o que são

Tipo de Rochas
Para compreender a formação, a origem e a composição dos solos, é importantíssimo conhecer
os tipos de rochas que há na crosta terrestre, visto que o tipo de solo e suas características têm
relação direta com a “rocha-mãe” que o formou. As rochas são classificadas em três tipos:
magmáticas (ou ígneas), sedimentares e metamórficas. Em geral, a diferença entre essas rochas
consiste no processo de formação que originou cada uma delas, o que será explicado a seguir
(POPP, 2017).
Vídeo
Tipo de Rocha e Sua Formação

Tipos de rocha e sua formação

Rochas Magmáticas (ou Ígneas)


São formadas pela ascensão do magma oriundo do manto. O magma poderá atravessar toda a
crosta terrestre e extravasar para a superfície (pelos vulcões) ou ficar retido no interior do
manto terrestre. Por isso, as rochas magmáticas são divididas em dois grupos: rochas
extrusivas (ou vulcânicas) e rochas intrusivas (ou plutônicas).
Rochas Extrusivas ou Vulcânicas
Quando o magma é expelido para a superfície da crosta terrestre, o que geralmente ocorre pela
erupção vulcânica, ele se esfria e se solidifica muito rapidamente, formando rochas ígneas
denominadas extrusivas ou vulcânicas. Esse rápido resfriamento ocorre porque a temperatura
na nossa atmosfera é muito menor que o interior da crosta e manto e, por isso, ocorre um rápido
resfriamento do magma. Exemplos de rochas extrusivas são: basalto, andesito e riolito.

O magma que extravasa na superfície resfria mais rapidamente que o magma que se solidifica no
interior da crosta. Como resultado, os minerais que formam as rochas extrusivas são muito
pequenos, pois não tiveram tempo de se desenvolver bem. Quando observamos essa rocha a
olho nu, aparentemente, parece conter um ‘‘único’’ mineral, devido à coloração ser bem

homogênea. Um basalto, por exemplo, apresenta coloração escura e de tonalidade acinzentada a


preta. Aparentemente, achamos que há um ‘‘único’’ mineral presente nessa rocha devido à
coloração homogênea. Contudo, ele é formado essencialmente por piroxênio e plagioclásio, e
poderá conter olivinas e magnetitas também, mas é difícil distinguir um mineral do outro a olho

nu.

Rochas Intrusivas ou Plutônicas


Quando o magma fica retido no interior da crosta, ele pode esfriar e solidificar lentamente
(devido às altas temperaturas no interior da crosta), formando rochas ígneas intrusivas ou
plutônicas, como granito, diorito e gabro.

As rochas graníticas, por exemplo, são ricas em quartzo, feldspato e mica, e, devido ao processo
de resfriamento ser mais lento, é possível visualizar cada tipo de mineral presente na amostra,
visto que o tempo para que a cristalização desses minerais é maior. Consequentemente, os

cristais cresceram mais e, por isso, podemos observar grãos de cores diferentes, que
representam cada um dos minerais.

É importante salientar que o basalto (rocha extrusiva) e granito (rocha intrusiva) tem grande
ocorrência em nosso país e contribuição na origem dos nossos solos.
Rochas Sedimentares
As rochas sedimentares se formam pela decomposição e intemperismo de outras rochas pré-
existentes em uma região (ígneas, sedimentares ou metamórficas) e pelos fragmentos de
conchas e matéria orgânica transportados pela água e vento.

Mas o que é intemperismo?

Intemperismo pode ser definido como o conjunto de processos naturais que desintegram,

decompõem e alteram as rochas e minerais na superfície da Terra devido à exposição aos


agentes atmosféricos (água, vento, calor e frio) e à ação do tempo. O intemperismo ocorre por
meio da ação de agentes físicos, químicos e biológicos, ao longo de milhares ou milhões de anos
(até os dias atuais).

Podemos classificar o intemperismo da seguinte forma:

Intemperismo físico: é um processo provocado pela ação do vento, da água ou por


mudanças de temperatura, que provocam a desintegração das rochas, sem alteração
química na estrutura de minerais, ou seja, podemos dizer que esses agentes atuam
"quebrando” a rocha em partes cada vez menores, e esses “pedaços” menores
apresentam o mesmo tipo de mineral que a rocha original. De maneira bem simples:
é como quebrar um copo de vidro: os ‘‘cacos’’ continuam com a mesma
composição química do copo original, apenas foram reduzidos de tamanho;

Intemperismo químico: é o processo que ocorre a modificação mineralógica das


rochas de origem, provocado, principalmente, pela reação química da água com
minerais e rochas. Essas reações químicas provocam a dissolução total ou parcial da
rocha ou mineral. Além disso, essas reações químicas também podem provocar a
formação de novos minerais ou alterações químicas na composição de rochas e
minerais. Nesse processo, pode haver transformação química na estrutura de um
mineral após ocorrência do intemperismo, diferente do observado no intemperismo
físico;
Intemperismo biológico: resulta da relação entre rochas e seres vivos. As raízes das
plantas, por exemplo, podem crescer em rachaduras na rocha, fazendo-a partir.

Vídeo
Chemical Weathering: Acid Rain

Chemical Weathering: Acid Rain

As partículas pequenas (ou materiais “soltos”) que vão se formando durante o intemperismo de
outras rochas geralmente são classificadas como matação, calhau, cascalho, areia, argila e silte
(Tabela 1) (SANTOS et al., 2013).
Tabela 1 – Granulometria (tamanho da partícula) e visibilidade a olho nu das partículas
formadas pelo intemperismo de rochas e minerais

Tamanho da Visibilidade a olho


Tipo de partícula
partícula nu

Matação > 200 mm Visível

Calhau 20 mm – 200 mm Visível

Cascalho 2 mm – 20 mm Visível

Areia 2 mm – 0,053 mm Visível

0,053 mm – 0,002
Silte Não visível
mm

Argila < 0,002 mm Não visível

Existem dois principais tipos de rochas sedimentares, as detríticas (ou clásticas) e as químicas.

Rochas Sedimentares Detríticas


São formadas a partir da acumulação e da cimentação de sedimentos, como fragmentos ou
partes de rochas, minerais e matéria orgânica que foram transportados por agentes como rios,
correntes de mar, geleiras ou ventos. Mas, como partículas ou fragmentos ‘‘soltos’’ na Natureza
podem se unir e formar um material sólido como a rocha? São várias etapas que levam à
formação dessas rochas.
Em um primeiro estágio, a rocha original (rocha-mãe) sofre intemperismo, e os detritos ou
fragmentos formados após intemperismo são, então, transportados pela água da chuva ou vento
até a parte mais baixa do terreno. Em um segundo estágio, conforme os sedimentos vão caindo

um sob o outro, eles começam a se encaixar entre si e, geralmente, as partículas com diâmetro
semelhante ficam mais próximas entre si formando camadas diferenciadas de detritos. Em um
terceiro estágio, ocorre a compactação, em que, à medida que mais sedimentos são depositados
em cima dos sedimentos pré-existentes, o peso das camadas superiores exerce pressão sobre

as camadas inferiores. Essa pressão compacta os sedimentos, reduzindo o espaço entre eles. Por
fim, ocorre então a cimentação desses fragmentos. A cimentação ocorre quando os fragmentos
ou pedaços de rochas são consolidados e unidos pela deposição de material cimentante entre
eles. Os pequenos fragmentos de rochas se unem por compostos presentes na Natureza, com
características cimentantes, assim como o cimento na construção civil e, por essa razão,
pequenos ‘‘pedaços soltos’’ de rochas formam rochas de tamanho muito grande. É fácil
visualizar uma rocha sedimentar detrítica: geralmente, ela apresenta diferentes camadas
coloridas entre si.

Vídeo
How are Sedimentary Rocks Formed?
How Are Sedimentary Rocks Formed? [Weathering, Erosion, Depo…
Depo…

Como exemplos de rochas sedimentares detríticas, podemos citar: arenitos (formados,


principalmente, por partículas de areia), argilitos (formados, principalmente, por partículas de

argila), siltitos (formados, principalmente, por partículas de silte), conglomerados (formados


por cascalhos e areia).

Rochas Sedimentares Químicas


São formadas a partir da dissolução e da precipitação química de minerais a partir de soluções
aquosas. De maneira simples, vamos entender como poderá ocorrer a formação dessas rochas:
aqui, os minerais estão dissolvidos em uma solução (como sal misturado a uma solução aquosa).
Certas condições ambientais, como a ocorrência de evaporação, podem levar à saturação de uma
solução aquosa com relação a um determinado mineral. Isso significa que, após evaporação, a
solução contém uma quantidade excessiva de íons dissolvidos em relação à sua capacidade de
dissolução. Quando isso acontece, os íons em excesso começam a se combinar e a formar
ligações químicas sólidas, resultando na precipitação de um mineral. Exemplos de rochas
sedimentares químicas incluem calcário (que são também denominadas sedimentares
carbonáticas) e evaporitos.

Vídeo
Chemical Sedimentary Rocks

Chemical Sedimentary Rocks

Rochas Metamórficas
As rochas metamórficas se formam a partir da transformação de rochas pré-existentes sob
altas temperaturas e pressões. Isso pode ocorrer devido ao movimento das placas tectônicas,
colisão de placas continentais ou contato com magma intrusivo. Exemplos de rochas
metamórficas incluem mármore, ardósia e gnaisse.

Processo de Formação do Solo


O solo é um material que recobre a crosta terrestre e é formado justamente pelo intemperismo
das rochas e minerais presentes na crosta. Como citado, isso acontece graças à ação dos agentes
de intemperismo físicos e químicos que desagregam e alteram as rochas ao longo do tempo,
transformando as rochas em partículas cada vez menores. As partículas formadas pelo
intemperismo físico e químico das rochas (magmática, sedimentares e metamórficas)
apresentam diferentes tamanhos (calhau, areia, argila, silte), e essas partículas estão
constantemente sofrendo ação dos agentes do intemperismo, reduzindo cada vez as partículas
maiores ou provocando alterações químicas dos minerais presentes nas partículas. As frações
silte e argila são comumente denominadas fração fina do solo, enquanto as frações de areia e
pedregulho são comumente denominadas fração grossa ou grosseira.

A velocidade da formação do solo depende de vários fatores, como o clima, a topografia, o tipo de
rocha e a atividade biológica na área. Esse processo é lento e pode levar anos para que alguns
centímetros de solo sejam formados.

A água é um dos principais agentes de intemperismo na formação do solo. Ela atua provocando o
desgaste (intemperismo físico) e a dissolução de rochas (intemperismo químico). Por exemplo,
em regiões áridas e frias (regiões temperadas), a formação do solo é mais lenta do que em áreas
quentes e úmidas (regiões tropicais) (POPP, 2017).

Em regiões de clima mais frio e baixa pluviosidade, há predomínio de intemperismo físico na


formação dos solos. Já nas regiões mais quentes e úmidas (regiões tropicais), a ação combinada
de altas temperaturas e alta precipitação pode acelerar os processos químicos do intemperismo.

A elevada temperatura acelera as reações químicas que promovem a decomposição das rochas e
a alteração mineral, enquanto a alta umidade contribui para a dissolução e o transporte de
minerais solúveis. Em solos muito intemperizados (ou solos ‘‘velhos’’), notamos a presença
apenas das partículas de areia, silte e argila, enquanto em solos mais jovens ou menos
intemperizados é comum notar a presença de partículas maiores como matação e ou calhau e ou
cascalho, além das partículas de areia, silte e argila.

É importante mencionar que a formação do solo é um processo complexo e está sujeita à

interação de outros fatores, como a composição original da rocha matriz, topografia, vegetação
e tempo. Portanto, embora regiões quentes e úmidas possam contribuir para a formação de
solos mais velhos e intemperizados, é necessário considerar todas as variáveis envolvidas para
uma análise mais precisa.

Podemos notar que o solo nada mais é que a desagregação da rocha, ou seja, os solos são
formados por partículas menores de rocha. Se não houvesse solo, e se apenas as grandes rochas
maciças estivessem presentes, seria extremamente desafiador cultivar alimentos diretamente
nessas condições. Com a formação do solo, também ocorreu a formação de espaços porosos

entre as partículas (areia, silte e argila) do solo, e isso favoreceu a mecanização da Agricultura e
o próprio crescimento das plantas. As rochas maciças, geralmente, não possuem a porosidade
necessária para permitir o armazenamento de água, a penetração e o crescimento de raízes e a
circulação de ar, que são essenciais para o crescimento saudável das plantas. A água e o ar
conseguem penetrar no interior do solo, movimentando-se pelos espaços porosos que são
formados entre as partículas do solo.

Física do Solo
Após compreender como ocorre a formação do solo, vamos aprender a definir a constituição de
um solo. É comum dividir o solo em duas fases distintas: uma fase sólida (composta por
partículas sólidas de minerais e orgânicas) e uma fase fluida (composta por água e ar):

Fase sólida do solo: é composta pela mistura de partículas de areia, silte e argila com
partículas de material orgânico. Essas partículas sólidas estão de tal forma
arranjadas no solo que favorecem a formação de espaços vazios (que denominamos
poros) entre elas, os quais são preenchidos por água e ar;

Fase fluida do solo: devido à presença de espaços porosos no solo, a água das
chuvas, a irrigação e o ar conseguem penetrar por essas galerias porosas e se
infiltrar pelo perfil do solo, promovendo as necessidades hídricas e aeróbias das
plantas.

A formação do solo transforma as rochas em partículas minerais menores, cria espaços vazios
(porosidade) e favorece a entrada de ar, água e o crescimento das plantas, consequentemente,
também favorece o acúmulo de matéria orgânica. Podemos definir a matéria orgânica do solo
como um material formado pelos resíduos de plantas, microrganismos, animais que
permanecem no solo após a morte desses organismos.

Uma parte desse material orgânico ou resíduo será decomposto pelos organismos que vivem no
solo, como microrganismos. Por exemplo, uma folha recém caída ao solo servirá de alimento
para esses organismos e, durante o processo de alimentação desses organismos, essa folha será
transformada e decomposta em partes menores, formando uma matéria orgânica denominada

húmus. O húmus é uma fração orgânica bem decomposta, com coloração escura e preta, sem
cheiro e muito rico em carbono e nutrientes essenciais às plantas.

É importante compreender, também, que há uma proporção ideal dessas partículas sólidas e
fluidas no solo. Geralmente, esperamos que um solo tenha cerca de 50% de espaço poroso

(idealmente, 25% ocupados pelo ar e 25% pela água) e 50% de espaço sólido (geralmente, há
45% de partículas minerais e 5% de matéria orgânica). Essa proporção é considerada ideal para a
maioria das plantas. No entanto, a proporção exata pode variar de acordo com as necessidades
das plantas cultivadas e as condições ambientais em que elas estão crescendo.

Uma proporção adequada de ar e água no solo permite que as plantas absorvam nutrientes,
oxigênio e água para realizar os processos metabólicos importantes, como a respiração celular.
Essa combinação de fases sólida e fluida é fundamental para a saúde e a qualidade do solo, pois
influencia a sua capacidade de suporte às plantas e aos organismos vivos presentes no solo.
Nossas culturas agrícolas, como qualquer outra planta, necessitam tanto das partículas solidas

quanto do ar e da água para completar seu ciclo de vida. Podemos dizer que a fase sólida (mineral
e matéria orgânica) fornecerá o nutriente para a planta (alimento), o ar (gás que contêm
oxigênio) será o responsável pela respiração celular (assim como nós, as plantas também
respiram e utilizam o oxigênio para produzir energia) e a água (necessária para qualquer ser
vivo).
Além disso, também é importante frisar que a água dos espaços porosos do solo contém vários
nutrientes dissolvidos, que são essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas.

Dentre esses nutrientes, podemos citar nitrogênio, fósforo, potássio (K+), cálcio (Ca2+),

magnésio (Mg2+) e enxofre (SO4-2), entre outros. Sendo assim, é comum chamar de ‘‘solução

do solo’’ a água que ocupa os espaços porosos do solo e na qual os nutrientes estão dissolvidos
(ALEMAYEHU; TESHOME, 2021).

A origem desses nutrientes ocorre por meio das reações químicas do intemperismo, que libera

esses nutrientes da estrutura dos minerais para a solução do solo. Observe que esses nutrientes
estão na solução do solo na forma de íons. Íons são átomos ou moléculas que apresentam uma
carga elétrica positiva ou negativa devido ao ganho ou à perda de elétrons. Quando um átomo
perde um ou mais elétrons, ele se torna um íon positivo, também chamado de cátion. Por outro
lado, quando um átomo ganha um ou mais elétrons, ele se torna um íon negativo, também
chamado de ânion.

Mineralogia do Solo: Classificação e Características

Minerais Primários e Secundários


Durante o processo de intemperismo, os minerais presentes nas rochas sofrem alterações
químicas e físicas. Como resultado, os minerais originais podem se transformar em outros

minerais quimicamente diferentes ou apenas reduzir-se a tamanhos menores, mas mantendo


sua estrutura química e composição. Diante dessa situação, é comum classificar os minerais em
dois grandes grupos: minerais primários e minerais secundários (SINGH; SCHULZE, 2015):

Minerais primários: formam-se em temperaturas elevadas a partir do resfriamento


do magma durante a solidificação original da rocha ou durante o metamorfismo.
Podemos dizer que esses minerais se formaram primeiro. Exemplo de minerais
primários: quartzo, feldspatos, grupo das micas, magnetita, olivinas, piroxênios;

Minerais secundários: são geralmente formados durante o intemperismo de


minerais primários menos resistentes. Essa transformação de mineral primário em
secundário pode ocorrer durante o intemperismo da rocha ou do solo. Esses
minerais podem ser encontrados nas rochas sedimentares ou metamórficas e nos
solos. Um exemplo de mineral secundário muito importante para os solos
brasileiros é o grupo das argilominerais, do qual fazem parte os seguintes minerais:
caulinita, gibbsita, hematita, goethita e o grupo das esmectitas, no qual o principal
representante é a montmorilonita.

À medida que os minerais primários das rochas passam por reações químicas, ocorre a
formação de minerais secundários, resultando em solos que apresentam uma proporção maior
desses minerais. Além disso, à medida que os minerais primários são intemperizados,
geralmente, ocorre liberação de nutrientes essenciais na solução de solo, que poderão ser
absorvidos pelas raízes das plantas e contribuir para o crescimento das culturas.

Intemperismo de Minerais Primários e Secundários


A alta susceptibilidade de alguns minerais primários ao intemperismo, como é o caso das micas,
olivinas e piroxênios, favorece a sua transformação química durante esse processo e,
justamente por isso, dificilmente veremos esses minerais nas frações areia, silte e argila do solo.
Em contraste, esses minerais contribuem mais para a liberação de nutrientes para a solução do
solo.

O mineral quartzo é classificado como um mineral primário, e está presente tanto nas rochas
quanto no solo, ou seja, mesmo após a exposição ao intemperismo, o quartzo mantém suas
características químicas. Por isso, o quartzo é um mineral bastante comum em rochas

sedimentares, como arenitos e nos solos. Isso ocorre porque alguns minerais são mais
resistentes à ação do intemperismo, como quartzo e feldspatos. Como resultado, o quartzo não
contribui significativamente para a liberação de nutrientes para o solo. Embora o quartzo possa
desgastar-se lentamente ao longo do tempo, o processo é muito lento e não produz quantidades
significativas de nutrientes.

Mineralogia da Fração Areia, Silte e Argila


Agora, vamos analisar a mineralogia das partículas de areia, silte e argila. Podemos dizer que
essas partículas são “pedaços” de rocha ou são resultado da transformação de outros minerais
e, sendo assim, também são formadas por minerais.

Fração argila do solo: na fração argila, podemos encontrar os seguintes minerais:


hematita, caulinita, gibbsita, magnetita, goethita, vermiculita e montmorilonita.
Como citado, em regiões áridas e frias (regiões temperadas) a formação do solo é
mais lenta do que em áreas quentes e úmidas (regiões tropicais), portanto, são
menos intemperizados. Sendo assim, nos solos brasileiros, devido ao alto grau de
intemperismo, que é consequência dos altos volumes de chuva e temperaturas,
entre outros fatores, é comum encontrar os minerais caulinita, hematita, gibbsita,
magnetita ou goethita formando grãos de argila, e não esmectitas por exemplo
(FERREIRA et al., 1999). Podemos dizer que solos com alto teor de óxidos de ferro,
como hematita e goethita, são solos muito intemperizados. Isso ocorre porque
minerais como a esmectita já sofreram a ação do intemperismo promovendo a
formação de novos minerais como caulinitas e óxidos e hidróxidos de ferro. É
comum, também, que, durante o processo de intemperismo, os minerais
secundários possam ser transformados quimicamente, levando à formação de
outros minerais secundários (Figura 1).

Os minerais primários, como micas, devido à ação do


intemperismo formam, primeiramente, argilas, como as
esmectitas e a caulinita, e com a evolução do intemperismo (ao
longo de milhares de anos), esses minerais podem, por sua vez,
ser transformados em gibbsita (Figura 1) de micas e caulinitas.
Nesse processo, também há liberação de nutrientes para o solo.
Cada partícula ou fração normalmente é constituída por um
único mineral;

Fração areia do solo: é mais comum encontrar na fração areia a presença de quartzo,
e em menor frequência feldspato;

Fração silte do solo: o silte, por sua vez, apresenta quartzo (principalmente),
feldspato, micas e gibbsita.
Compreender a mineralogia das partículas de areia, silte e argila e do solo é importante para o
Engenheiro Agrônomo porque afeta as propriedades físicas e químicas do solo, como a
capacidade de retenção de água e a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Dessa forma, o
conhecimento dessas propriedades é essencial para a gestão sustentável dos solos e para a
produção agrícola.

Figura 1 – Figura demonstrando um esquema da ação do


intemperismo ao longo do tempo e a transformação de
minerais primários em secundários

#ParaTodosVerem: Figura demonstrando um esquema da evolução do


intemperismo de minerais primários em secundários. Iniciando o esquema da
esquerda para a direita, há uma caixa de texto com a palavra mica. A partir da
caixa de texto com a palavra mica há uma flecha alaranjada acima da qual está
escrito intemperismo. Depois dessa seta, no centro do esquema, há uma caixa
de texto com a palavra caulinita. A partir da caixa de texto com a palavra
caulinita, há uma flecha alaranjada acima da qual está escrito intemperismo.
Depois dessa seta, há uma caixa de texto com a palavra gibbsita. Fim da
descrição.

Características dos Minerais


Na Tabela 2, estão contidas as classificações e as características dos principais minerais
presentes nos solos brasileiros.

Tabela 2 – Características e grupo químico dos principais minerais presentes nos solos
brasileiros
Predominância
Fórmula Grupo
Minerais no solo
química químico
brasileiro

Montmorilonita * Filossilicatos Baixa

Al4(Si4O10)
Caulinita Filossilicato Alta
(OH)8

Hematita Fe2O3 Óxidos Alta

Goethita FeO(OH) Óxihidróxido Alta

Magnetita Fe3O4 Óxido Comum

Quartzo SiO2 Tectossilicato Alta

*(Na,Ca)0,3(Al,Mg)2Si4O10(OH)2.nH2O

Alguns minerais de argila, como montmorilonita e vermiculita, são capazes de absorver água e

expandir, aumentando de volume, quando ficam úmidos, e encolher quando secam. Quanto
mais água absorvem, mais seu volume aumenta. Esse tipo de característica não ocorre em
minerais de quartzo, caulinitas e óxidos de ferro. A vermiculita é frequentemente utilizada no
preparo de substratos para mudas devido à sua capacidade de reter água e as disponibilizar para
as plantas.

Outra característica importante dos minerais é a presença de ferro em certos minerais. O ferro,
presente em minerais como goethita e hematita, é um forte agente de pigmentação e contribui
para ‘‘colorir’’ os solos. Quando o solo contém uma quantidade significativa de hematita,
apresentará coloração avermelhada. Por outro lado, quando há uma quantidade significativa de
goethita no solo, podemos observar coloração mais amarelada. Quando o solo apresenta boa
proporção de hematita e goethita, apresentará coloração mais alaranjada. A pigmentação é

devida à presença de ferro trivalente (Fe3+) em sua estrutura cristalina. Geralmente, a hematita
forma-se preferencialmente à goethita em temperaturas mais altas, condições de umidade mais
baixas e com menos matéria orgânica.

A magnetita é um mineral com propriedades magnéticas e tal fato está associado à sua estrutura
cristalina e à presença de ferro, que lhe confere propriedades magnéticas. Você poderá
facilmente fazer um teste para descobrir se o solo da sua região apresenta minerais com
propriedades magnéticas utilizando apenas um imã. Passe o imã sob o solo e verifique se a argila
ficará retida no imã. Em caso afirmativo, pode-se aferir que esse solo contém um mineral com
propriedades magnéticas, sendo a magnetita um deles.

Formação de Cargas Elétricas na Superfície de Minerais


Durante o processo de intemperismo, é observado que alguns minerais são mais suscetíveis à
decomposição do que outros, o que favorece a alteração desses minerais e a formação de novos
compostos. Como exemplo, citamos o grupo das argilominerais. Esse grupo de minerais ocorre
na fração argila do solo e são partículas eletricamente carregadas. Sim, é isso mesmo. As

partículas de argila do solo apresentam cargas elétricas em sua superfície. Essas cargas elétricas
podem ser tanto negativas quanto positivas e o predomínio de cargas positivas ou negativas
dependerá do tipo de argila e ou do pH do solo. Nos solos brasileiros, geralmente, predomina a
formação de cargas elétricas negativas.

A montmorilonita possui maior capacidade de formar cargas elétricas na sua superfície em


comparação à caulinita, à hematita e à goethita. Em relação à hematita e à goethita, esses
minerais de óxido de ferro também apresentam menor formação de cargas elétricas em suas
superfícies em comparação com a montmorilonita e a caulinita. Podemos expressar a formação
de cargas na superfície desses minerais na seguinte ordem: montmorilonita > caulinita >
hematita/goethita. Isso ocorre devido às diferenças na estrutura e na composição química
desses minerais. Nos solos brasileiros, é mais comum o predomínio de cargas elétricas
negativas na superfície das argilas (VIANA, 2019).
Com relação às demais partículas do solo, destaca-se que, na fração areia, a formação de cargas
elétricas em sua superfície é desprezível. Já nas partículas de silte, a presença de cargas elétricas
é muito baixa quando comparada às argilas e, por isso, mesmo que ocorra alguma formação de

cargas na superfície do silte, ela é geralmente considerada pouco expressiva. A fração húmus
também apresenta cargas elétricas em sua superfície e, geralmente, essas cargas formadas na
superfície são negativas. Além disso, a quantidade de cargas elétricas formadas na fração húmus
do solo é, geralmente, muito maior que nas frações de argila.

Mas você sabe qual a importância dessas cargas elétricas para o solo?

A presença de cargas elétricas na superfície dos argilominerais e matéria orgânica influencia


alguns fatores, tais como: a atração de íons, a lixiviação e a fertilidade do solo.

Atração de Íons
As cargas elétricas presentes na superfície das argilas exercem uma atração sobre os íons
presentes na solução do solo. Então, por exemplo, se a argila estiver carregada negativamente,
íons com cargas contrárias poderão ser atraídas pelas cargas negativas da argila e ficar retido
(“preso”) nessas cargas (FINKLER et al., 2018).

Esses íons retidos na superfície são disponibilizados gradualmente para as raízes das plantas.
Quando os nutrientes estão retidos na superfície da argila, eles não ficam permanentemente
fixados lá. Eles podem ser liberados gradualmente para a solução do solo, onde ficam
disponíveis para serem absorvidos pelas raízes das plantas. A taxa de liberação dos nutrientes
retidos na argila depende de vários fatores. Mas, geralmente, em condições de baixa
concentração de nutrientes na solução do solo e alta demanda das plantas, os nutrientes retidos
na argila são liberados mais rapidamente para a solução e, assim, contribuem para suprir as
necessidades das plantas.

Dessa forma, a retenção de íons na superfície das argilas contribui para a manutenção da
fertilidade do solo e para o crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Lixiviação
Anteriormente, vimos que esses nutrientes retidos na superfície das argilas e da matéria
orgânica permitem que os nutrientes fiquem retidos na superfície das argilas, impedindo sua
lixiviação com a água das chuvas e, ao mesmo tempo, disponibilizando-os gradualmente para
as raízes das plantas.

Glossário
Lixiviação: é o movimento descendente de nutrientes dissolvidos na
solução do solo após ocorrência de chuvas ou irrigação. A água que
penetra no solo poderá ficar retida nos poros do solo ou se infiltrar até
atingir o lenço freático. Durante esse processo de infiltração no
interior do solo, a água pode “carregar” consigo os nutrientes e outros
compostos solúveis presentes no solo. Esse processo de transporte de

nutrientes solúveis pelo fluxo de água é conhecido como lixiviação do


solo.

A Figura 2 demonstra a atração entre íons e argila. Os íons de Ca2+ e Mg2+ estão retidos na
superfície da argila eletricamente negativa devido à atração entre ambos. Nota-se que, na

solução do solo, representado pela coloração azul da imagem, há um íon de Mg2+ (cor vermelha)

dissolvido. Este íon de Mg2+ dissolvido na solução do solo está sujeito à lixiviação.
Figura 2 – Ilustração demonstrando a retenção de íons nas
superfícies das argilas

#ParaTodosVerem: ilustração de partículas de argila eletricamente negativas


atraindo íons de cargas contrárias à sua superfície. No centro da imagem, há
três círculos equidistantes entre si com coloração marrom clara, que
didaticamente representam a partícula de argila carregada negativamente. Na
superfície desses círculos, estão aderidos íons de cargas contrárias como Mg2+
e Ca2+. No fundo da imagem, com coloração azul clara, e entre os círculos de
argila, está representada a solução do solo, onde está dissolvido um íon de Mg2+
na cor vermelha. Abaixo do íon de Mg2+, está posicionada uma seta na cor
amarela, indicando a possibilidade de esse íon sofrer lixiviação. Fim da
descrição.

A retenção de nutrientes na superfície das argilas é fundamental para evitar a poluição das águas
subterrâneas e superficiais, e a perda de nutrientes essenciais às plantas. Quando os nutrientes
não são retidos na superfície das argilas, eles podem ser lixiviados para as camadas mais
profundas do solo e, eventualmente, atingir as águas subterrâneas, causando a contaminação
dessas águas com nutrientes em excesso, o que pode causar problemas ambientais e de saúde
pública. Portanto, a retenção de nutrientes na superfície das argilas é uma propriedade
importante dos solos e das partículas do solo, que contribui para a manutenção da fertilidade do

solo e para a preservação do meio ambiente.

Fertilidade
A formação de cargas na superfície de argila e húmus são responsáveis por reter e fornecer

nutrientes essenciais para as plantas. Tal fato está relacionado à fertilidade do solo, pois quanto
maior for a formação de cargas na superfície da partícula, maior também será a capacidade de
essas partículas ‘‘armazenarem’’ nutrientes e disponibilizarem esses nutrientes para as
plantas.

Como citado, a formação de cargas na superfície do húmus é geralmente maior que nas argilas e,
dessa forma, também podemos dizer que solos ricos em matéria orgânica apresentam boa
fertilidade.

Plasticidade
A plasticidade é uma propriedade das argilas em se deformar após a aplicação de uma força e
permanecer nessa forma quando a força é retirada.

Para ajudar na compreensão desse assunto, vamos usar um exemplo de plasticidade no dia a dia
do artesão e de um castelinho na areia. O artesão usa três fatores essenciais na construção do
artesanato ‘‘argila + água + força’’ para moldá-lo na forma desejada. Após a secagem do
material, o objeto formado permanecerá na sua forma desejada e não desmanchará. Agora,
vamos imaginar que estamos na areia da praia construindo um castelo. Para que isso aconteça,

será necessário também o uso de ‘‘areia + água + força’’. Contudo, com a secagem do material, o
castelo poderá facilmente se desmanchar, demonstrando que a areia apresenta baixa
plasticidade, enquanto a fração argila apresenta alta plasticidade.

É importante dizer que a plasticidade é pouco expressiva no silte, quando comparada à argila, e
nula na areia. A plasticidade das argilas ocorre pelo resultado de alguns fatores, como o tipo e
dimensão da partícula, geometria e presença de cargas na sua superfície. Esses fatores conferem
às argilas uma atração entre as próprias partículas de argila que, combinada à ação lubrificante
que se cria quando a argila entra em contato com a água, geram a capacidade de ser moldadas

em qualquer forma na presença de água e permanecer na forma moldada após a secagem do


material.

Propriedades Físicas do Solo


Como já vimos anteriormente, o solo é composto de partículas minerais (como areia, argila e
silte), matéria orgânica, ar e água. Como a proporção de cada um dos elementos pode ser
diferente em cada local e região do País, é preciso compreender e quantificar a parte sólida e
fluida, bem como analisar como elas estão arranjadas e conectadas entre si, porque isso
influencia a propriedade física do solo.

As propriedades físicas do solo são estudadas porque determinam a taxa de infiltração de água
no solo (a água da chuva ou da irrigação precisa infiltrar no solo para suprir a necessidade
hídrica da planta, contribuir no ciclo hidrológico da água e para evitar excesso de água acima do
solo que é um fator de ocorrência de erosão). Além disso, as propriedades físicas também

determinam a retenção de água dentro do solo (parte da água deve ficar retida dentro do solo e
não fluir diretamente para o lençol freático), também determina o movimento de água e
nutrientes dentro do solo (a água e o nutriente deve ter espaço suficiente para atingir as raízes
das plantas), e determina, também, a susceptibilidade dos solos a sofrer erosão e compactação.
Glossário
Erosão: é um processo em que partículas (areia, silte, argila e matéria
orgânica) são transportadas da matriz do solo para outro local por
meio da ação de algum agente, como a água. Na Agricultura, a água é o
maior agente responsável. A erosão traz prejuízos à atividade agrícola
e ao ambiente.

O solo precisa de uma estrutura física adequada para suportar as plantas e as chuvas que poderão
ocorrer nele. Se o solo não tiver uma estrutura adequada, com boa distribuição de porosidade e

matéria orgânica, a sua capacidade de retenção de água e nutrientes pode ser comprometida, o
que pode afetar negativamente o crescimento das plantas e a produção agrícola. Além disso, a
falta de uma estrutura física adequada pode aumentar a compactação do solo e erosão. Dentre as
propriedades físicas do solo, podemos citar: a textura, a estrutura, a porosidade e a cor. A seguir,
será detalhada cada uma dessas propriedades.

Textura do Solo
A textura do solo é definida pela proporção relativa das partículas minerais de areia, silte e argila
presentes no solo. A textura é classificada de acordo com o teor de argila presente no solo. A

seguir, estão as cinco classes texturais ,classificadas de acordo com o boletim técnico da
EMBRAPA (CARVALHO et al., 2006) (Tabela 3).
Tabela 3 – Classificação da textura do solo

Textura Definição

Arenosa Solos com teor de argila < que 15%

Média Solos com teor de argila entre 15% e 35%

Argilosa Solos com teor de argila entre 35% e 60%

Muito
Solos com teor de argila > que 60%
argilosa

Solos com menos de 35% de argila e menos de 15%


Siltosa
de areia

Os solos originados de rochas granito (magmática intrusiva) e arenito (sedimentar) tendem a


formar solos com mais areia grossa e ou cascalho (fragmentos de rocha com diâmetro de 2 a

20mm), formando solos com textura média ou arenosa. Já os basaltos e argilitos dão origem a
solos com textura mais argilosa. A ocorrência de solos com textura siltosa é pouco comum nos
solos brasileiros.

A análise da textura do solo é geralmente realizada em Laboratório, utilizando técnicas de


granulometria para determinar a proporção relativa de partículas minerais de diferentes
tamanhos (areia, silte e argila) presentes no solo. Existem várias metodologias para realizar essa
análise, e os resultados são geralmente apresentados em forma de um triângulo textural, que
permite classificar o solo em diferentes classes texturais de acordo com a sua composição

granulométrica (SANTOS et al., 2018). Os laboratórios fornecem os resultados da análise textural


do solo por meio de um relatório que descreve as proporções relativas das diferentes frações de
partículas presentes no solo. As unidades adotadas e fornecidas no relatório podem ser
expressas em porcentagem (%) de cada fração na amostra de solo ou em g/kg (gramas da
partícula em um quilo de solo).

É possível analisar a textura do solo de forma mais rápida aplicando um teste que denominamos

de ‘‘teste do tato’’. O teste do tato consiste em utilizar as mãos para fornecer uma ideia das
partículas que predominam em um solo. Contudo, o teste fornece apenas uma estimativa da
textura do solo. Essa avaliação visual e tátil pode não ser precisa o suficiente para identificar a
proporção exata. Para uma avaliação mais precisa da textura do solo, é recomendável realizar

uma análise laboratorial usando técnicas como a análise granulométrica, que mede as
proporções das diferentes frações do solo.

O teste poderá ser realizado respeitando os seguintes procedimentos:

Coleta do material: primeiro, é necessário coletar uma pequena amostra de solo


(quantidade do tamanho de uma noz). Não coletar restos vegetais, apenas solo;

Umedecer o solo: adicione água à amostra para umedecê-la ligeiramente. Isso


ajudará a melhorar a sensação tátil. Aqui, é necessário que a amostra esteja úmida e
não encharcada. Sabemos que o solo está encharcado quando parte da água escorre
por entre os dedos após aplicarmos uma pressão, ‘‘amassando’’ a amostra, por
exemplo;

Manipular o solo: comece amassando suavemente a amostra já umedecida por entre


os dedos e a esfregando (nesta etapa, tente perceber se a mostra apresenta uma
sensação mais áspera, ou mais pegajosa ou mais sedosa, como um sabonete, ao
toque. Algumas dessas sensações poderão predominar na amostra. Em seguida,
tente moldar e fazer uma pequena bolinha (nesta etapa, avalie a facilidade em
moldar uma bolinha ou não). Após moldar a bolinha, se possível, analise a facilidade
de desmanchá-la.

Aqui, estão algumas características gerais que podem ser observadas durante o teste. Um solo
mais arenoso, ao manipular e esfregar uma amostra com uma grande quantidade de areia, será
possível perceber um "rangido" causado pelo atrito das partículas de areia entre si. Ao tentar
moldar a amostra em formato de bolinha, espera-se que o solo não forme uma bola tão
facilmente e, quando apertado, também não se mantém em sua forma, ele se ‘‘desmancha’’
facilmente. Em uma amostra mais argilosa, notamos que o solo é pegajoso e tende a aderir à
mão. Ele tende a formar uma bola quando pressionado e mantém sua forma após a moldagem. O
solo argiloso é composto por partículas finas e que não emitem som de ‘‘rangido’ ‘após esfregar
uma à outra.

Estrutura do Solo
O termo estrutura do solo se refere ao arranjo/união das partículas de areia, silte, argila e matéria
orgânica. Mas como essas partículas se unem? As partículas do solo são unidas por meio de
agentes cimentantes, que podem ser orgânicos ou inorgânicos. Os agentes orgânicos incluem
as raízes das plantas, os fungos e as bactérias, enquanto os inorgânicos incluem água, argilas e

húmus. A estrutura do solo se refere à organização das partículas do solo em agregados, ou seja,
como as partículas se unem formando agregados com diferentes tamanhos e formas.

A estrutura do solo está relacionada ao próprio processo de formação do solo. Durante a


formação do solo, as partículas de areia, silte, argila, matéria orgânica vão se unindo umas às

outras, pela ação dos agentes cimentantes e, nesse processo de união, podem apresentar
diferentes formatos. Esses formatos recebem o nome de agregados. Então, podemos dizer que a
estrutura do solo descreve a maneira como as partículas do solo estão agregadas e isso
influencia uma característica física do solo muito importante: a porosidade.

A estrutura do solo pode ser classificada de acordo com o diâmetro e forma dos agregados,

gerando a seguinte classificação: estrutura granular, em blocos, prismática e laminar


(CAPECHE, 2016).

Estrutura granular: é caracterizada pela presença de pequenos agregados com


forma mais arredondada, com dimensões entre 2mm e 1cm. É comum encontrar
essa estrutura nas camadas próximas à superfície do solo, em áreas preparadas
(áreas que normalmente utilizam implementos agrícolas que promovem a
descompactação do solo) ou áreas em conservação com grande presença de matéria
orgânica e atividade biológica. Esse formato de agregados permite uma boa aeração
e infiltração de água no solo e um bom desenvolvimento radicular. As partículas de
areia, silte, argila e matéria orgânica se unem, formando um material mais redondo
e pequeno;
Estrutura em blocos: formada por agregados maiores e angulares, com dimensões
entre 1,5 e 7cm. Estrutura mais comumente encontrada nos solos e formada pela
presença de minerais de caulinitas e óxidos de Fe. Esse formato de agregados
também permite uma boa aeração e infiltração de água no solo e um bom
desenvolvimento radicular;

Estrutura prismática ou colunar: as partículas do solo formam uma estrutura com


dimensão vertical maior que a lateral, o que lhes confere forma de prisma ou coluna.
Formada por minerais expansivos. Esse tipo de estrutura é mais comum em regiões
áridas e semiáridas, e apresenta como característica a limitação do movimento de
água e o crescimento de raízes;

Estrutura laminar: as partículas do solo apresentam uma aparência mais laminar,


em que suas dimensões horizontais são maiores que as verticais. Esse tipo de
estrutura é mais comum nas camadas superficiais do solo, mas ocasionalmente
pode ser encontrado em camadas mais profundas. Apresentam restrição ao
movimento de água no solo e sua origem está relacionada ao próprio processo de
formação do solo (forma-se de maneira natural) ou devido ao elevado tráfego de
máquinas agrícolas (que provocam a deformação da estrutura natural para laminar).

O tamanho e a feição (forma) dos agregados do solo dependem de vários fatores, tais como a
composição mineralógica do solo, a quantidade e o tipo de matéria orgânica presente, a textura
do solo, a umidade, a temperatura e a ação de agentes cimentantes. A estrutura pode ser
identificada visualmente, pela observação da forma e do tamanho dos agregados, ou por meio da

análise de amostras do solo em laboratório.

A EMBRAPA apresenta um manual fácil e rápido para avaliar a estrutura do solo, que é
denominado “Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo” (RALISCH et al., 2017).

Porosidade do Solo
Os espaços porosos do solo são os vazios existentes entre as partículas sólidas do solo. Eles são
compostos por diferentes tamanhos e formas de poros. A porosidade é definida como a
proporção de volume dos espaços vazios (poros) em relação ao volume total do solo. Existem
dois tipos principais de poros no solo: os macroporos e os microporos. O diâmetro dos poros é o
parâmetro utilizado para classificar a porosidade dos solos da seguinte maneira: macroporos (>
0,06mm) e microporos (< 0,06mm).

Macroporos: são poros maiores que ficam entre os agregados do solo e são
importantes para o movimento da água, permitindo a infiltração e a percolação da
água em profundidade (movimento e infiltração da água até o lençol freático). Os
macroporos também são responsáveis pela aeração do solo, pois permitem a
entrada e a saída de ar do solo. Sua presença favorece o desenvolvimento de raízes
profundas e a circulação de microrganismos que vivem no solo, ajudando no
processo de decomposição da matéria orgânica;

Microporos: formam-se no interior dos agregados e são responsáveis pela retenção


da água no solo e pela disponibilidade de água para as plantas. Os microporos são
importantes para o armazenamento de água no solo, permitindo que as raízes das
plantas tenham acesso à água e aos nutrientes, mesmo em períodos de estiagem.

A concentração de microporos, somando-se a macroporos, determina a porosidade total do


solo. A porosidade total é dada pela soma da porcentagem de volume dos microporos e dos
macroporos do solo. Portanto, a porosidade total do solo é a proporção de volume dos espaços

vazios totais em relação ao volume total do solo, incluindo tanto os microporos quanto os
macroporos.

Cor
A cor do solo é uma propriedade física que se refere à aparência visual do solo em termos de sua
tonalidade. A cor do solo é influenciada por vários fatores, incluindo a composição mineralógica,
o teor de matéria orgânica, a presença de óxidos de ferro, a umidade do solo e os processos de
intemperismo.

A cor do solo é facilmente determinada em campo pela comparação visual de amostras secas e
úmidas utilizando-se a carta de Munsell (GUIMARÃES, 2016).
Indicativo de drenagem e umidade do solo: solos mal drenados ou saturados de
água geralmente têm uma cor acinzentada, devido à presença de minerais
reduzidos. Os solos com cores acinzentadas indicam ambientes hidromórficos (que
significa áreas encharcadas). Esses ambientes são aqueles próximos de cursos de
água como as várzeas;

Indicativo da fertilidade do solo: solos com alta concentração de matéria orgânica,


geralmente, são mais férteis e têm maior capacidade de retenção de nutrientes. O
húmus tem uma coloração preta e quando misturado ao solo vemos as tonalidades
de vermelho ou amarelo, por exemplo, em tons mais escuros;

Indicativo da mineralogia do solo: são várias as técnicas e metodologias disponíveis


para determinar os tipos de minerais presentes em uma amostra de solo (CAMARGO
et al., 2009). Geralmente, esse tipo de análise é realizado por pesquisadores e
Universidades que mapeiam os solos de várias regiões agrícolas. Mas o produtor e o
Engenheiro Agrônomo poderão ter uma ideia do tipo de mineral que se encontra em
uma área agrícola pela cor do solo. Por exemplo, solos avermelhados podem sugerir
a presença de óxidos de ferro, como a hematita, enquanto solos mais amarelados
indicam a presença de goethita.
📄 Material Complementar
2/3

Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros

Elementos da Natureza e Propriedades dos Solos


BRADY, N. C.; WEIL, R. R. Elementos da natureza e propriedades dos solos. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2013. (e-Book)

19 Lições de Pedologia
LEPSCH, I. F. 19 Lições de Pedologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. (e-Book)

Morfologia e Gênese do Solo


PELINSON, N. S. et al. Morfologia e gênese do solo. Porto Alegre: SAGAH, 2021. (e-Book)
Decifrando a Terra
TEIXEIRA, W. Decifrando a terra. 2. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2009.
📄 Referências
3/3

ALEMAYEHU, B.; TESHOME, H. Soil colloids, types and their properties: A review. Open Journal of
Bioinformatics and Biostatistics, v. 5, n.1, p. 08-13, 2021.

CAMARGO, O. A. et al. Métodos de análise química, mineralógica e física de solos do instituto


agronômico de campinas. Campinas: Instituto Agronômico, 2009. (Boletim técnico, 106).

CAPECHE, C. L. Noções sobre tipos de estrutura do solo e sua importância para o manejo

conservacionista. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2016.

CARVALHO, A. P. et al. Definições provisórias de 5º e 6º níveis categóricos. In: SANTOS, H. G. et


al. (ed.). Sistema brasileiro de classificação de solos. 2. ed. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006.

FERREIRA, M. M.; FERNANDES, B.; CURI, N. Mineralogia da fração argila e estrutura de latossolos

da região sudeste do BRASIL. Revista Brasileira de Ciências do Solo, [S.l.], v. 23, n. 3, p. 507-514,
1999.

FINKLER, R. et al. Ciências do solo e fertilidade. Porto Alegre: SAGAH, 2018.

GUIMARÃES, T. L. B. Determinação da cor do solo pela Carta de Munsell e por Colorimetria.

Monografia (Graduação) – Universidade de Brasília/Faculdade de Agronomia e Medicina


Veterinária, 2016.

POPP, J. H. Geologia Geral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 2017.
QUEIROZ, R. C. Geologia e geotecnia básica para engenharia civil. São Paulo: Blucher, 2016.

RALISCH, R. et al. Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo – DRES. Londrina: Embrapa Soja,
2017. 64p. (Embrapa Soja. Documentos, 390).

SANTOS, H. G. et al. Sistema brasileiro de classificação de solo. Rio de Janeiro: Embrapa solos,
2018. Disponível em: <[Link]
atributos>. Acesso em: 20/06/2023.

SANTOS, R. D. et al. Manual de descrição e coleta de solo no campo. 6. ed. rev. e ampl. Viçosa:

Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, 2013.

SINGH, B.; SCHULZE, D. G. Soil Minerals and Plant Nutrition. Nature Education Knowledge, [S.l.],
v. 6, n. 1, p. 1, 2015.

VIANA, J. H. M. Mineralogia das frações areia e silte dos solos da IX RCC. In: SILVA, L. M. et al.

(ed.). Pesquisas coligadas da IX Reunião Brasileira de Classificação e Correlação de Solos: solos


de formações sedimentares em sistemas amazônicos: potencialidades e demandas de pesquisa.
Brasília: Embrapa, 2019.

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