Geologia: Rochas e Formação do Solo
Geologia: Rochas e Formação do Solo
Objetivos da Unidade:
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A palavra “Geologia” vem do grego. Geo significa Terra e logos significa estudo. A Geologia é a
Ciência que estuda a estrutura, a composição, a origem e a evolução da Terra e dos processos que
moldam o Planeta ao longo do tempo. Ela investiga a história geológica da Terra, incluindo a
formação de rochas, minerais, o solo, a dinâmica dos continentes e oceanos, a atividade
vulcânica e sísmica, a formação de montanhas e das bacias sedimentares e a evolução da vida na
Terra, entre outros fenômenos geológicos. A profissão do Engenheiro Agrônomo está
relacionada à Geologia, visto que a formação do solo é um fator crucial para a produção agrícola e
a Geologia é a Ciência que estuda a formação e a evolução do solo ao longo do tempo.
Os minerais são definidos como substâncias sólidas, naturais, inorgânicas e com composição
química definida. O mineral apresenta uma combinação de átomos que se organizam em
estruturas geométricas chamadas de cristais. Podemos dizer que a forma de cristal se refere à
forma geométrica deles. Essa estrutura cristalina confere a eles propriedades físicas e químicas
específicas.
Vídeo
Minerais – O que São?
Tipo de Rochas
Para compreender a formação, a origem e a composição dos solos, é importantíssimo conhecer
os tipos de rochas que há na crosta terrestre, visto que o tipo de solo e suas características têm
relação direta com a “rocha-mãe” que o formou. As rochas são classificadas em três tipos:
magmáticas (ou ígneas), sedimentares e metamórficas. Em geral, a diferença entre essas rochas
consiste no processo de formação que originou cada uma delas, o que será explicado a seguir
(POPP, 2017).
Vídeo
Tipo de Rocha e Sua Formação
O magma que extravasa na superfície resfria mais rapidamente que o magma que se solidifica no
interior da crosta. Como resultado, os minerais que formam as rochas extrusivas são muito
pequenos, pois não tiveram tempo de se desenvolver bem. Quando observamos essa rocha a
olho nu, aparentemente, parece conter um ‘‘único’’ mineral, devido à coloração ser bem
nu.
As rochas graníticas, por exemplo, são ricas em quartzo, feldspato e mica, e, devido ao processo
de resfriamento ser mais lento, é possível visualizar cada tipo de mineral presente na amostra,
visto que o tempo para que a cristalização desses minerais é maior. Consequentemente, os
cristais cresceram mais e, por isso, podemos observar grãos de cores diferentes, que
representam cada um dos minerais.
É importante salientar que o basalto (rocha extrusiva) e granito (rocha intrusiva) tem grande
ocorrência em nosso país e contribuição na origem dos nossos solos.
Rochas Sedimentares
As rochas sedimentares se formam pela decomposição e intemperismo de outras rochas pré-
existentes em uma região (ígneas, sedimentares ou metamórficas) e pelos fragmentos de
conchas e matéria orgânica transportados pela água e vento.
Intemperismo pode ser definido como o conjunto de processos naturais que desintegram,
Vídeo
Chemical Weathering: Acid Rain
As partículas pequenas (ou materiais “soltos”) que vão se formando durante o intemperismo de
outras rochas geralmente são classificadas como matação, calhau, cascalho, areia, argila e silte
(Tabela 1) (SANTOS et al., 2013).
Tabela 1 – Granulometria (tamanho da partícula) e visibilidade a olho nu das partículas
formadas pelo intemperismo de rochas e minerais
Cascalho 2 mm – 20 mm Visível
0,053 mm – 0,002
Silte Não visível
mm
Existem dois principais tipos de rochas sedimentares, as detríticas (ou clásticas) e as químicas.
um sob o outro, eles começam a se encaixar entre si e, geralmente, as partículas com diâmetro
semelhante ficam mais próximas entre si formando camadas diferenciadas de detritos. Em um
terceiro estágio, ocorre a compactação, em que, à medida que mais sedimentos são depositados
em cima dos sedimentos pré-existentes, o peso das camadas superiores exerce pressão sobre
as camadas inferiores. Essa pressão compacta os sedimentos, reduzindo o espaço entre eles. Por
fim, ocorre então a cimentação desses fragmentos. A cimentação ocorre quando os fragmentos
ou pedaços de rochas são consolidados e unidos pela deposição de material cimentante entre
eles. Os pequenos fragmentos de rochas se unem por compostos presentes na Natureza, com
características cimentantes, assim como o cimento na construção civil e, por essa razão,
pequenos ‘‘pedaços soltos’’ de rochas formam rochas de tamanho muito grande. É fácil
visualizar uma rocha sedimentar detrítica: geralmente, ela apresenta diferentes camadas
coloridas entre si.
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How are Sedimentary Rocks Formed?
How Are Sedimentary Rocks Formed? [Weathering, Erosion, Depo…
Depo…
Vídeo
Chemical Sedimentary Rocks
Rochas Metamórficas
As rochas metamórficas se formam a partir da transformação de rochas pré-existentes sob
altas temperaturas e pressões. Isso pode ocorrer devido ao movimento das placas tectônicas,
colisão de placas continentais ou contato com magma intrusivo. Exemplos de rochas
metamórficas incluem mármore, ardósia e gnaisse.
A velocidade da formação do solo depende de vários fatores, como o clima, a topografia, o tipo de
rocha e a atividade biológica na área. Esse processo é lento e pode levar anos para que alguns
centímetros de solo sejam formados.
A água é um dos principais agentes de intemperismo na formação do solo. Ela atua provocando o
desgaste (intemperismo físico) e a dissolução de rochas (intemperismo químico). Por exemplo,
em regiões áridas e frias (regiões temperadas), a formação do solo é mais lenta do que em áreas
quentes e úmidas (regiões tropicais) (POPP, 2017).
A elevada temperatura acelera as reações químicas que promovem a decomposição das rochas e
a alteração mineral, enquanto a alta umidade contribui para a dissolução e o transporte de
minerais solúveis. Em solos muito intemperizados (ou solos ‘‘velhos’’), notamos a presença
apenas das partículas de areia, silte e argila, enquanto em solos mais jovens ou menos
intemperizados é comum notar a presença de partículas maiores como matação e ou calhau e ou
cascalho, além das partículas de areia, silte e argila.
interação de outros fatores, como a composição original da rocha matriz, topografia, vegetação
e tempo. Portanto, embora regiões quentes e úmidas possam contribuir para a formação de
solos mais velhos e intemperizados, é necessário considerar todas as variáveis envolvidas para
uma análise mais precisa.
Podemos notar que o solo nada mais é que a desagregação da rocha, ou seja, os solos são
formados por partículas menores de rocha. Se não houvesse solo, e se apenas as grandes rochas
maciças estivessem presentes, seria extremamente desafiador cultivar alimentos diretamente
nessas condições. Com a formação do solo, também ocorreu a formação de espaços porosos
entre as partículas (areia, silte e argila) do solo, e isso favoreceu a mecanização da Agricultura e
o próprio crescimento das plantas. As rochas maciças, geralmente, não possuem a porosidade
necessária para permitir o armazenamento de água, a penetração e o crescimento de raízes e a
circulação de ar, que são essenciais para o crescimento saudável das plantas. A água e o ar
conseguem penetrar no interior do solo, movimentando-se pelos espaços porosos que são
formados entre as partículas do solo.
Física do Solo
Após compreender como ocorre a formação do solo, vamos aprender a definir a constituição de
um solo. É comum dividir o solo em duas fases distintas: uma fase sólida (composta por
partículas sólidas de minerais e orgânicas) e uma fase fluida (composta por água e ar):
Fase sólida do solo: é composta pela mistura de partículas de areia, silte e argila com
partículas de material orgânico. Essas partículas sólidas estão de tal forma
arranjadas no solo que favorecem a formação de espaços vazios (que denominamos
poros) entre elas, os quais são preenchidos por água e ar;
Fase fluida do solo: devido à presença de espaços porosos no solo, a água das
chuvas, a irrigação e o ar conseguem penetrar por essas galerias porosas e se
infiltrar pelo perfil do solo, promovendo as necessidades hídricas e aeróbias das
plantas.
A formação do solo transforma as rochas em partículas minerais menores, cria espaços vazios
(porosidade) e favorece a entrada de ar, água e o crescimento das plantas, consequentemente,
também favorece o acúmulo de matéria orgânica. Podemos definir a matéria orgânica do solo
como um material formado pelos resíduos de plantas, microrganismos, animais que
permanecem no solo após a morte desses organismos.
Uma parte desse material orgânico ou resíduo será decomposto pelos organismos que vivem no
solo, como microrganismos. Por exemplo, uma folha recém caída ao solo servirá de alimento
para esses organismos e, durante o processo de alimentação desses organismos, essa folha será
transformada e decomposta em partes menores, formando uma matéria orgânica denominada
húmus. O húmus é uma fração orgânica bem decomposta, com coloração escura e preta, sem
cheiro e muito rico em carbono e nutrientes essenciais às plantas.
É importante compreender, também, que há uma proporção ideal dessas partículas sólidas e
fluidas no solo. Geralmente, esperamos que um solo tenha cerca de 50% de espaço poroso
(idealmente, 25% ocupados pelo ar e 25% pela água) e 50% de espaço sólido (geralmente, há
45% de partículas minerais e 5% de matéria orgânica). Essa proporção é considerada ideal para a
maioria das plantas. No entanto, a proporção exata pode variar de acordo com as necessidades
das plantas cultivadas e as condições ambientais em que elas estão crescendo.
Uma proporção adequada de ar e água no solo permite que as plantas absorvam nutrientes,
oxigênio e água para realizar os processos metabólicos importantes, como a respiração celular.
Essa combinação de fases sólida e fluida é fundamental para a saúde e a qualidade do solo, pois
influencia a sua capacidade de suporte às plantas e aos organismos vivos presentes no solo.
Nossas culturas agrícolas, como qualquer outra planta, necessitam tanto das partículas solidas
quanto do ar e da água para completar seu ciclo de vida. Podemos dizer que a fase sólida (mineral
e matéria orgânica) fornecerá o nutriente para a planta (alimento), o ar (gás que contêm
oxigênio) será o responsável pela respiração celular (assim como nós, as plantas também
respiram e utilizam o oxigênio para produzir energia) e a água (necessária para qualquer ser
vivo).
Além disso, também é importante frisar que a água dos espaços porosos do solo contém vários
nutrientes dissolvidos, que são essenciais para o crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Dentre esses nutrientes, podemos citar nitrogênio, fósforo, potássio (K+), cálcio (Ca2+),
magnésio (Mg2+) e enxofre (SO4-2), entre outros. Sendo assim, é comum chamar de ‘‘solução
do solo’’ a água que ocupa os espaços porosos do solo e na qual os nutrientes estão dissolvidos
(ALEMAYEHU; TESHOME, 2021).
A origem desses nutrientes ocorre por meio das reações químicas do intemperismo, que libera
esses nutrientes da estrutura dos minerais para a solução do solo. Observe que esses nutrientes
estão na solução do solo na forma de íons. Íons são átomos ou moléculas que apresentam uma
carga elétrica positiva ou negativa devido ao ganho ou à perda de elétrons. Quando um átomo
perde um ou mais elétrons, ele se torna um íon positivo, também chamado de cátion. Por outro
lado, quando um átomo ganha um ou mais elétrons, ele se torna um íon negativo, também
chamado de ânion.
À medida que os minerais primários das rochas passam por reações químicas, ocorre a
formação de minerais secundários, resultando em solos que apresentam uma proporção maior
desses minerais. Além disso, à medida que os minerais primários são intemperizados,
geralmente, ocorre liberação de nutrientes essenciais na solução de solo, que poderão ser
absorvidos pelas raízes das plantas e contribuir para o crescimento das culturas.
O mineral quartzo é classificado como um mineral primário, e está presente tanto nas rochas
quanto no solo, ou seja, mesmo após a exposição ao intemperismo, o quartzo mantém suas
características químicas. Por isso, o quartzo é um mineral bastante comum em rochas
sedimentares, como arenitos e nos solos. Isso ocorre porque alguns minerais são mais
resistentes à ação do intemperismo, como quartzo e feldspatos. Como resultado, o quartzo não
contribui significativamente para a liberação de nutrientes para o solo. Embora o quartzo possa
desgastar-se lentamente ao longo do tempo, o processo é muito lento e não produz quantidades
significativas de nutrientes.
Fração areia do solo: é mais comum encontrar na fração areia a presença de quartzo,
e em menor frequência feldspato;
Fração silte do solo: o silte, por sua vez, apresenta quartzo (principalmente),
feldspato, micas e gibbsita.
Compreender a mineralogia das partículas de areia, silte e argila e do solo é importante para o
Engenheiro Agrônomo porque afeta as propriedades físicas e químicas do solo, como a
capacidade de retenção de água e a disponibilidade de nutrientes para as plantas. Dessa forma, o
conhecimento dessas propriedades é essencial para a gestão sustentável dos solos e para a
produção agrícola.
Tabela 2 – Características e grupo químico dos principais minerais presentes nos solos
brasileiros
Predominância
Fórmula Grupo
Minerais no solo
química químico
brasileiro
Al4(Si4O10)
Caulinita Filossilicato Alta
(OH)8
*(Na,Ca)0,3(Al,Mg)2Si4O10(OH)2.nH2O
Alguns minerais de argila, como montmorilonita e vermiculita, são capazes de absorver água e
expandir, aumentando de volume, quando ficam úmidos, e encolher quando secam. Quanto
mais água absorvem, mais seu volume aumenta. Esse tipo de característica não ocorre em
minerais de quartzo, caulinitas e óxidos de ferro. A vermiculita é frequentemente utilizada no
preparo de substratos para mudas devido à sua capacidade de reter água e as disponibilizar para
as plantas.
Outra característica importante dos minerais é a presença de ferro em certos minerais. O ferro,
presente em minerais como goethita e hematita, é um forte agente de pigmentação e contribui
para ‘‘colorir’’ os solos. Quando o solo contém uma quantidade significativa de hematita,
apresentará coloração avermelhada. Por outro lado, quando há uma quantidade significativa de
goethita no solo, podemos observar coloração mais amarelada. Quando o solo apresenta boa
proporção de hematita e goethita, apresentará coloração mais alaranjada. A pigmentação é
devida à presença de ferro trivalente (Fe3+) em sua estrutura cristalina. Geralmente, a hematita
forma-se preferencialmente à goethita em temperaturas mais altas, condições de umidade mais
baixas e com menos matéria orgânica.
A magnetita é um mineral com propriedades magnéticas e tal fato está associado à sua estrutura
cristalina e à presença de ferro, que lhe confere propriedades magnéticas. Você poderá
facilmente fazer um teste para descobrir se o solo da sua região apresenta minerais com
propriedades magnéticas utilizando apenas um imã. Passe o imã sob o solo e verifique se a argila
ficará retida no imã. Em caso afirmativo, pode-se aferir que esse solo contém um mineral com
propriedades magnéticas, sendo a magnetita um deles.
partículas de argila do solo apresentam cargas elétricas em sua superfície. Essas cargas elétricas
podem ser tanto negativas quanto positivas e o predomínio de cargas positivas ou negativas
dependerá do tipo de argila e ou do pH do solo. Nos solos brasileiros, geralmente, predomina a
formação de cargas elétricas negativas.
cargas na superfície do silte, ela é geralmente considerada pouco expressiva. A fração húmus
também apresenta cargas elétricas em sua superfície e, geralmente, essas cargas formadas na
superfície são negativas. Além disso, a quantidade de cargas elétricas formadas na fração húmus
do solo é, geralmente, muito maior que nas frações de argila.
Mas você sabe qual a importância dessas cargas elétricas para o solo?
Atração de Íons
As cargas elétricas presentes na superfície das argilas exercem uma atração sobre os íons
presentes na solução do solo. Então, por exemplo, se a argila estiver carregada negativamente,
íons com cargas contrárias poderão ser atraídas pelas cargas negativas da argila e ficar retido
(“preso”) nessas cargas (FINKLER et al., 2018).
Esses íons retidos na superfície são disponibilizados gradualmente para as raízes das plantas.
Quando os nutrientes estão retidos na superfície da argila, eles não ficam permanentemente
fixados lá. Eles podem ser liberados gradualmente para a solução do solo, onde ficam
disponíveis para serem absorvidos pelas raízes das plantas. A taxa de liberação dos nutrientes
retidos na argila depende de vários fatores. Mas, geralmente, em condições de baixa
concentração de nutrientes na solução do solo e alta demanda das plantas, os nutrientes retidos
na argila são liberados mais rapidamente para a solução e, assim, contribuem para suprir as
necessidades das plantas.
Dessa forma, a retenção de íons na superfície das argilas contribui para a manutenção da
fertilidade do solo e para o crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Lixiviação
Anteriormente, vimos que esses nutrientes retidos na superfície das argilas e da matéria
orgânica permitem que os nutrientes fiquem retidos na superfície das argilas, impedindo sua
lixiviação com a água das chuvas e, ao mesmo tempo, disponibilizando-os gradualmente para
as raízes das plantas.
Glossário
Lixiviação: é o movimento descendente de nutrientes dissolvidos na
solução do solo após ocorrência de chuvas ou irrigação. A água que
penetra no solo poderá ficar retida nos poros do solo ou se infiltrar até
atingir o lenço freático. Durante esse processo de infiltração no
interior do solo, a água pode “carregar” consigo os nutrientes e outros
compostos solúveis presentes no solo. Esse processo de transporte de
A Figura 2 demonstra a atração entre íons e argila. Os íons de Ca2+ e Mg2+ estão retidos na
superfície da argila eletricamente negativa devido à atração entre ambos. Nota-se que, na
solução do solo, representado pela coloração azul da imagem, há um íon de Mg2+ (cor vermelha)
dissolvido. Este íon de Mg2+ dissolvido na solução do solo está sujeito à lixiviação.
Figura 2 – Ilustração demonstrando a retenção de íons nas
superfícies das argilas
A retenção de nutrientes na superfície das argilas é fundamental para evitar a poluição das águas
subterrâneas e superficiais, e a perda de nutrientes essenciais às plantas. Quando os nutrientes
não são retidos na superfície das argilas, eles podem ser lixiviados para as camadas mais
profundas do solo e, eventualmente, atingir as águas subterrâneas, causando a contaminação
dessas águas com nutrientes em excesso, o que pode causar problemas ambientais e de saúde
pública. Portanto, a retenção de nutrientes na superfície das argilas é uma propriedade
importante dos solos e das partículas do solo, que contribui para a manutenção da fertilidade do
Fertilidade
A formação de cargas na superfície de argila e húmus são responsáveis por reter e fornecer
nutrientes essenciais para as plantas. Tal fato está relacionado à fertilidade do solo, pois quanto
maior for a formação de cargas na superfície da partícula, maior também será a capacidade de
essas partículas ‘‘armazenarem’’ nutrientes e disponibilizarem esses nutrientes para as
plantas.
Como citado, a formação de cargas na superfície do húmus é geralmente maior que nas argilas e,
dessa forma, também podemos dizer que solos ricos em matéria orgânica apresentam boa
fertilidade.
Plasticidade
A plasticidade é uma propriedade das argilas em se deformar após a aplicação de uma força e
permanecer nessa forma quando a força é retirada.
Para ajudar na compreensão desse assunto, vamos usar um exemplo de plasticidade no dia a dia
do artesão e de um castelinho na areia. O artesão usa três fatores essenciais na construção do
artesanato ‘‘argila + água + força’’ para moldá-lo na forma desejada. Após a secagem do
material, o objeto formado permanecerá na sua forma desejada e não desmanchará. Agora,
vamos imaginar que estamos na areia da praia construindo um castelo. Para que isso aconteça,
será necessário também o uso de ‘‘areia + água + força’’. Contudo, com a secagem do material, o
castelo poderá facilmente se desmanchar, demonstrando que a areia apresenta baixa
plasticidade, enquanto a fração argila apresenta alta plasticidade.
É importante dizer que a plasticidade é pouco expressiva no silte, quando comparada à argila, e
nula na areia. A plasticidade das argilas ocorre pelo resultado de alguns fatores, como o tipo e
dimensão da partícula, geometria e presença de cargas na sua superfície. Esses fatores conferem
às argilas uma atração entre as próprias partículas de argila que, combinada à ação lubrificante
que se cria quando a argila entra em contato com a água, geram a capacidade de ser moldadas
As propriedades físicas do solo são estudadas porque determinam a taxa de infiltração de água
no solo (a água da chuva ou da irrigação precisa infiltrar no solo para suprir a necessidade
hídrica da planta, contribuir no ciclo hidrológico da água e para evitar excesso de água acima do
solo que é um fator de ocorrência de erosão). Além disso, as propriedades físicas também
determinam a retenção de água dentro do solo (parte da água deve ficar retida dentro do solo e
não fluir diretamente para o lençol freático), também determina o movimento de água e
nutrientes dentro do solo (a água e o nutriente deve ter espaço suficiente para atingir as raízes
das plantas), e determina, também, a susceptibilidade dos solos a sofrer erosão e compactação.
Glossário
Erosão: é um processo em que partículas (areia, silte, argila e matéria
orgânica) são transportadas da matriz do solo para outro local por
meio da ação de algum agente, como a água. Na Agricultura, a água é o
maior agente responsável. A erosão traz prejuízos à atividade agrícola
e ao ambiente.
O solo precisa de uma estrutura física adequada para suportar as plantas e as chuvas que poderão
ocorrer nele. Se o solo não tiver uma estrutura adequada, com boa distribuição de porosidade e
matéria orgânica, a sua capacidade de retenção de água e nutrientes pode ser comprometida, o
que pode afetar negativamente o crescimento das plantas e a produção agrícola. Além disso, a
falta de uma estrutura física adequada pode aumentar a compactação do solo e erosão. Dentre as
propriedades físicas do solo, podemos citar: a textura, a estrutura, a porosidade e a cor. A seguir,
será detalhada cada uma dessas propriedades.
Textura do Solo
A textura do solo é definida pela proporção relativa das partículas minerais de areia, silte e argila
presentes no solo. A textura é classificada de acordo com o teor de argila presente no solo. A
seguir, estão as cinco classes texturais ,classificadas de acordo com o boletim técnico da
EMBRAPA (CARVALHO et al., 2006) (Tabela 3).
Tabela 3 – Classificação da textura do solo
Textura Definição
Muito
Solos com teor de argila > que 60%
argilosa
20mm), formando solos com textura média ou arenosa. Já os basaltos e argilitos dão origem a
solos com textura mais argilosa. A ocorrência de solos com textura siltosa é pouco comum nos
solos brasileiros.
É possível analisar a textura do solo de forma mais rápida aplicando um teste que denominamos
de ‘‘teste do tato’’. O teste do tato consiste em utilizar as mãos para fornecer uma ideia das
partículas que predominam em um solo. Contudo, o teste fornece apenas uma estimativa da
textura do solo. Essa avaliação visual e tátil pode não ser precisa o suficiente para identificar a
proporção exata. Para uma avaliação mais precisa da textura do solo, é recomendável realizar
uma análise laboratorial usando técnicas como a análise granulométrica, que mede as
proporções das diferentes frações do solo.
Aqui, estão algumas características gerais que podem ser observadas durante o teste. Um solo
mais arenoso, ao manipular e esfregar uma amostra com uma grande quantidade de areia, será
possível perceber um "rangido" causado pelo atrito das partículas de areia entre si. Ao tentar
moldar a amostra em formato de bolinha, espera-se que o solo não forme uma bola tão
facilmente e, quando apertado, também não se mantém em sua forma, ele se ‘‘desmancha’’
facilmente. Em uma amostra mais argilosa, notamos que o solo é pegajoso e tende a aderir à
mão. Ele tende a formar uma bola quando pressionado e mantém sua forma após a moldagem. O
solo argiloso é composto por partículas finas e que não emitem som de ‘‘rangido’ ‘após esfregar
uma à outra.
Estrutura do Solo
O termo estrutura do solo se refere ao arranjo/união das partículas de areia, silte, argila e matéria
orgânica. Mas como essas partículas se unem? As partículas do solo são unidas por meio de
agentes cimentantes, que podem ser orgânicos ou inorgânicos. Os agentes orgânicos incluem
as raízes das plantas, os fungos e as bactérias, enquanto os inorgânicos incluem água, argilas e
húmus. A estrutura do solo se refere à organização das partículas do solo em agregados, ou seja,
como as partículas se unem formando agregados com diferentes tamanhos e formas.
outras, pela ação dos agentes cimentantes e, nesse processo de união, podem apresentar
diferentes formatos. Esses formatos recebem o nome de agregados. Então, podemos dizer que a
estrutura do solo descreve a maneira como as partículas do solo estão agregadas e isso
influencia uma característica física do solo muito importante: a porosidade.
A estrutura do solo pode ser classificada de acordo com o diâmetro e forma dos agregados,
O tamanho e a feição (forma) dos agregados do solo dependem de vários fatores, tais como a
composição mineralógica do solo, a quantidade e o tipo de matéria orgânica presente, a textura
do solo, a umidade, a temperatura e a ação de agentes cimentantes. A estrutura pode ser
identificada visualmente, pela observação da forma e do tamanho dos agregados, ou por meio da
A EMBRAPA apresenta um manual fácil e rápido para avaliar a estrutura do solo, que é
denominado “Diagnóstico Rápido da Estrutura do Solo” (RALISCH et al., 2017).
Porosidade do Solo
Os espaços porosos do solo são os vazios existentes entre as partículas sólidas do solo. Eles são
compostos por diferentes tamanhos e formas de poros. A porosidade é definida como a
proporção de volume dos espaços vazios (poros) em relação ao volume total do solo. Existem
dois tipos principais de poros no solo: os macroporos e os microporos. O diâmetro dos poros é o
parâmetro utilizado para classificar a porosidade dos solos da seguinte maneira: macroporos (>
0,06mm) e microporos (< 0,06mm).
Macroporos: são poros maiores que ficam entre os agregados do solo e são
importantes para o movimento da água, permitindo a infiltração e a percolação da
água em profundidade (movimento e infiltração da água até o lençol freático). Os
macroporos também são responsáveis pela aeração do solo, pois permitem a
entrada e a saída de ar do solo. Sua presença favorece o desenvolvimento de raízes
profundas e a circulação de microrganismos que vivem no solo, ajudando no
processo de decomposição da matéria orgânica;
vazios totais em relação ao volume total do solo, incluindo tanto os microporos quanto os
macroporos.
Cor
A cor do solo é uma propriedade física que se refere à aparência visual do solo em termos de sua
tonalidade. A cor do solo é influenciada por vários fatores, incluindo a composição mineralógica,
o teor de matéria orgânica, a presença de óxidos de ferro, a umidade do solo e os processos de
intemperismo.
A cor do solo é facilmente determinada em campo pela comparação visual de amostras secas e
úmidas utilizando-se a carta de Munsell (GUIMARÃES, 2016).
Indicativo de drenagem e umidade do solo: solos mal drenados ou saturados de
água geralmente têm uma cor acinzentada, devido à presença de minerais
reduzidos. Os solos com cores acinzentadas indicam ambientes hidromórficos (que
significa áreas encharcadas). Esses ambientes são aqueles próximos de cursos de
água como as várzeas;
Livros
19 Lições de Pedologia
LEPSCH, I. F. 19 Lições de Pedologia. São Paulo: Oficina de Textos, 2011. (e-Book)
ALEMAYEHU, B.; TESHOME, H. Soil colloids, types and their properties: A review. Open Journal of
Bioinformatics and Biostatistics, v. 5, n.1, p. 08-13, 2021.
CAPECHE, C. L. Noções sobre tipos de estrutura do solo e sua importância para o manejo
FERREIRA, M. M.; FERNANDES, B.; CURI, N. Mineralogia da fração argila e estrutura de latossolos
da região sudeste do BRASIL. Revista Brasileira de Ciências do Solo, [S.l.], v. 23, n. 3, p. 507-514,
1999.
POPP, J. H. Geologia Geral. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos Editora S. A., 2017.
QUEIROZ, R. C. Geologia e geotecnia básica para engenharia civil. São Paulo: Blucher, 2016.
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SINGH, B.; SCHULZE, D. G. Soil Minerals and Plant Nutrition. Nature Education Knowledge, [S.l.],
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VIANA, J. H. M. Mineralogia das frações areia e silte dos solos da IX RCC. In: SILVA, L. M. et al.