[Rubrica – Paixão pelo Surfcasting ]
Olá amigos, hoje trago-vos um único tema, mas dividido em várias
partes, o meu maior foco é sempre ajudar quem está agora iniciar e
quem tenha menos experiência no Surfcasting e hoje vai ser mais uma
vez exemplo disso. Até posso ter muita teoria e muita imaginação como
fazem questão de me dizer por mensagem privada, mas o foco continua,
porque o ‘feedback’ positivo tem sido 10 vezes superior e eu só partilho
o meu testemunho e experiência, não de muitos anos, mas anos muito
intensos na pesca.
Como abordar um dia de pesca?
Para facilitar e por que é a espécie mais procurada na nossa costa vou
dirigir-me ao robalo e mais uma vez na zona centro norte!
1- Para começar e tendo já como certo que já tenham adquirido o
material para a jornada de pesca, tanto por aconselhamento nas lojas de
pesca como mediante ajuda de pescadores próximos a vocês, vou passar
diretamente para a fase de escolher o dia de pesca.
O que é um dia de pesca com condições boas? Sim, porque condições
perfeitas não existem, por mais que as procuremos, as condições nunca
são aquilo que queremos, mas existe uma base que nos possamos guiar
para ir pescar mais “pela certa” como se costuma dizer. Ou seja, para
fazer uma tentativa ao robalo, um dia dito”bom dia de pesca“ seria com
vagas de mar compreendidas entre os 2 metros e 1m/1,5m de altura
com períodos de mar(energia da onda) a rondar os 7/ 8 e os 10/11
dependendo da altura da vaga nesse dia. Por exemplo, eu prefiro
sempre pescar com uma vaga de 2 metros com períodos de 7/8 do que
um dia com uma vaga de 1,7/1.8 com períodos de 10/11. O primeiro
exemplo é sempre um mar mais certinho e apetecível para o robalo vir
comer a terra, porque consegue ter a camuflagem que gosta com uma
onda alta, mas por outro lado, a energia da onda é baixa que o permite
não andar a levar com demasiada areia nas guelras. Isto é tudo muito
relativo e difícil de explicar, mas penso que dá para ficar com uma ideia
do que é bom e do que não é tão bom. Outro fator que influência
bastante a escolha de um dia de pesca é o vento, eu procuro sempre ir
pescar com 0 vento, mas como isso muitas vezes não é possível, tento
nunca ir com ventos superiores a 15/20 nós, para além de
desconfortável para nós pescadores o robalo não gosta de muito vento,
prefere encostar e aparecer no pós nortada, por exemplo. Pegando na
nortada que é um dos quadrantes que escurece as águas na minha zona,
a cor da água também é um fator muito importante na escolha do dia de
pesca. Na minha zona, águas claras, definitivamente não são sinónimo
de peixe, muito pelo contrário, águas escuras é muito mais propicio a
que o peixe ande mais à vontade à procura de alimento. Sei que há
zonas do país em que isto não acontece, que o peixe acaba por se
habituar às condições e comer na mesma com água claras, mas aqui
para cima isso é mais complicado, para isso acontecer (apanhar um bom
molho de peixes com águas claras) é necessário que o mar esteja bem
oxigenado e a temperatura da água esteja alta para o robalo ter o
metabolismo acelerado e esteja bem ativo.
2- Material comprado, dia de pesca escolhido, agora chegou a hora de
escolher a isca consoante as condições de mar que vamos encontrar, a
zona onde vamos pescar e a época do ano em que vamos pescar. Esta
para mim é fácil, como só faço a pesca de praia entre abril e setembro e
por ser uma zona de arte xávega, o cardápio fica logo menor. Ou seja, os
anelídeos para mim são logo postos de parte porque neste período
compreendido entre o fim da primavera e o fim do verão, principio de
outono, o peixe gosta muito mais de iscadas volumosas para conseguir
armazenar o máximo possível de energia para depois ter bastantes
reservas na altura da desova. Ressalvo que não estou a dizer que não se
apanha robalos com anelídeos nesta fase, não é nada disso, mas para
mim faz muito mais sentido usá-los no inverno e com temperaturas da
água mais baixas e sem a interferência do “engodo” imposto pela arte
xávega. Começo sempre a época com iscadas de tiras de choco, e assim
que haja essa possibilidade de isco, uso na maioria das vezes lula de
bico, muito forte, sobretudo em Maio e Junho, tem anos que se pode
prolongar mais um pouco devido aos tipos de comedoria disponíveis na
costa nesse ano. O resto da época e dependendo do que o peixe pedir,
pesco com caranguejo pilado, e petinga/ biqueirão, depende muito da
vontade do peixe e das quantidades de alimento disponíveis na costa
nesse ano. Resumindo eu dou muito mais importância ao relacionar o
tipo de isca à época do ano do que propriamente às condições de mar no
dia que escolhi, para mim compensa muito mais insistir em variadas
condições apenas com aquele isco da época do que andar sempre a
saltar de isco em isco e andar sempre atrás do prejuízo. É óbvio que se o
mar estiver mais parado, uma isca volumosa não será tão discreta para
essas condições, mas podemos, por exemplo, procurar zonas com mais
corrente e mais mexidas, pescar de noite com a lua tapada ou mesmo
não ir porque simplesmente não é um bom dia para o robalo.
3- Agora vamos passar a escolher o pesqueiro consoante as condições
de mar que temos e que tipo de marés estão nesse dia, marés de lua
nova/lua cheia que secam muito e enchem muito ou marés de quarto de
lua, que nem enchem muito, nem secam muito. Vamos imaginar que
nesse dia a vaga seja de 1.1/1.2m e o período de vaga 7 ou 8 em marés
de lua. O mar vai se apresentar relativamente calmo, por isso mesmo
não podemos ir pescar na maré cheia, quanto mais água tiver no
pesqueiro mais parado fica, e a atividade pára drásticamente, nesta
situação temos que aproveitar as horas de menos água do pesqueiro,
que vai ser a altura em que o mar vai mexer mais e é a altura que o
robalo se vai alimentar, muitas vezes com muito pouca água. Agora
imaginemos que a vaga é de 2 metros e o período de 9, com marés de
lua. Será exatamente o oposto, certamente que o mar estará grande, por
isso mesmo temos que procurar as horas de mais água no pesqueiro, na
maioria das vezes o mar quando faz a viragem da maré de cheia para
começar a vazar tem tendência a perder alguma força e essa pode ser
uma janela de oportunidade para pescar ao robalo, muitas vezes
fazemos as últimas 3 horas de enchente com estas condições sem sinal
de peixe, depois quando a maré dá a volta e começa a ter sinais
evidentes de descida, o peixe aparece, isto não é por acaso, é
recorrente. Agora um exemplo de luas de quarto para não me alongar
mais, imaginemos que estamos perante um quarto minguante onde o
nível da água varia pouco, por norma não costumo pescar com mar
muito grande nesta fase da lua, o pesqueiro mete pouca água e o peixe
tem dificuldade em entrar, por outro lado, adoro esta fase da lua para
pescar com vagas de 1.5 / 1.6 com períodos de 8, por exemplo, junto a
pequenos fundos, aproveito o constante nível de água no pesqueiro e a
boa entrada do fundo para pescar muito mais horas e o peixe encontra-
se ativo muito mais tempo do que se fosse uma maré de grande
amplitude que o peixe só está ativo enquanto tem água suficiente.
Consigo mover-me no pesqueiro com mais facilidade e consigo ter
atividade nas 3 canas que uso, o pesqueiro fica com muito mais largura
e durante mais tempo.
Espero ter conseguido ser claro e exemplificativo de maneira que
consiga ajudar a fazer uma jornada de pesca de modo a aumentar a
vossa probabilidade de sucesso. Sabemos perfeitamente que as
variáveis são muitas, os fatores são muitos e a dificuldade de transmitir
o que tenho experienciado não é nada fácil, viver as coisas e ganhar a
experiência na areia é completamente diferente.
Se puderem, partilhem para me ajudar a chegar a mais pescadores. E
Sigam a minha página de vendas Nature & Fishing Portugal.
Um forte abraço a todos.
NFishing Portugal