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Djamila Ribeiro: Racismo no Brasil e Identidade

Djamila Ribeiro, filósofa brasileira, defende que a luta contra o racismo no Brasil deve usar termos que reflitam a realidade local, como 'negro' para incluir tanto 'pretos' quanto 'pardos'. Ela destaca a importância de respeitar as diferenças culturais e históricas entre o Brasil e outros países, como os Estados Unidos, na discussão sobre identidade racial. Ribeiro também enfatiza a necessidade de sensibilidade na luta contra o racismo, reconhecendo que a discriminação varia conforme a tonalidade da pele.

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Djamila Ribeiro: Racismo no Brasil e Identidade

Djamila Ribeiro, filósofa brasileira, defende que a luta contra o racismo no Brasil deve usar termos que reflitam a realidade local, como 'negro' para incluir tanto 'pretos' quanto 'pardos'. Ela destaca a importância de respeitar as diferenças culturais e históricas entre o Brasil e outros países, como os Estados Unidos, na discussão sobre identidade racial. Ribeiro também enfatiza a necessidade de sensibilidade na luta contra o racismo, reconhecendo que a discriminação varia conforme a tonalidade da pele.

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10/03/2025, 19:55 Para Djamila Ribeiro, luta contra racismo no Brasil deve manter características do país | ONU News

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Para Djamila Ribeiro, luta contra


racismo no Brasil deve manter
características do país

Reprodução de livro | Reprodução do Livro da Escravidão na Era da Memória

3 Abril 2023 Direitos humanos

Em entrevista à ONU News, filósofa brasileira afirma que as


nomenclaturas “preto” e “negro” não podem ser usadas com
base na experiência dos Estados Unidos; no Brasil, “houve um
entendimento e um consenso dos movimentos negros e de
intelectuais”, lembra a escritora.

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UN Photo/Eskinder Debebe

As palavras são importantes numa narrativa política e em estratégias de


comunicação. Elas têm significados e significantes.

Para a ex-professora universitária e filósofa, Djamila Ribeiro, a luta contra o


racismo no Brasil e o movimento negro só se fortalecem ao aplicar
conceitos e palavras que traduzam a realidade do país.

Vítimas da Escravidão
Esta é a opinião da escritora brasileira que discursou na Assembleia Geral,
em 27 de março, para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas
da Escravidão e do Comércio Transatlântico de Escravos.

Nesta entrevista à ONU News, Djamila Ribeiro, diz que no Brasil “pretos e
pardos” são reconhecidos como “negros” pelo Censo do país, realizado
pela Ibge, portanto uma pessoa negra de pele escura ou clara deve se
definir como “negra”.

“De fato, sobretudo nas redes sociais, a gente tem escutado muito as
pessoas usando este termo no Brasil. Só que o Brasil não é os Estados
Unidos. Nos Estados Unidos, faz sentido usar este contexto de black, light
skin, dark skin. Acho que cada país tem o seu contexto, e a gente não pode
negar as diferenças de cada território. No Brasil, o que foi de consenso do
movimento negro é a utilização da palavra negro. Negro significa pretos e
pardos. Então “pretos” está dentro da categoria negro assim como pardos.
O Ibge vai entender negros como pretos e pardos. Negros são aqueles
negros de pele escura, pardos são os negros de pele clara. Então, o que se
decidiu entre do consenso dos movimentos negros, dos intelectuais
negros, historicamente, no Brasil é o uso da palavra negro.”

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UN Photo

“Invenção colonial”
A filósofa acredita que existem casos, especialmente para negros que
vivem na Europa, onde outras nomenclaturas como “afrodescendente”
costumam ser usadas. Ela diz respeitar a escolha, mas acredita que
abordagem não funcionaria no Brasil por causa das marcas da história dos
africanos traficados para o país durante o regime colonial e a escravidão

“Claro que a gente pode discordar, depender do contexto. Por exemplo,


Grada Kilomba, que é portuguesa de origem de Cabo Verde, é minha
amiga. E ela não gosta da palavra negro, porque negro, de fato, é uma
invenção colonial. Ela vai usar afrodescendente.

Mas ali no contexto dela, que está na Europa, talvez ali faça sentido a
utilização deste termo. E a gente não pode nunca perder isso de vista. E no
Brasil, a gente ainda necessita falar disso, de negros, fazer essas
diferenciações porque foi um país que negou durante muito tempo a
existência do racismo. Um país, que durante muito tempo, romantizou as
relações raciais no Brasil. Então, eu sempre falo para as novas gerações
que a gente não pode importar determinados conceitos que não fazem
sentido no nosso contexto e tem que respeitar, inclusive, o trabalho desses
intelectuais e dos movimentos que entenderam um consenso porque tudo
foi discutido, debatido, que essa seria a melhor forma de denominação
para nós para a reivindicação de políticas públicas no país. Até porque,
veja: eu sou uma mulher preta, eu sou uma negra de pele escura. Uma
mulher negra, de pele clara, no Brasil, ela sofre racismo como eu. Mas a
gente sofre de maneiras diferentes. A gente não pode universalizar a
experiência de ser negro porque, no Brasil, essa questão do colorismo

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ainda é muito forte. Quanto mais claro, mais tolerado. Não é que a pessoa
não vai ser discriminada.”

Sensibilidade para enfrentar preconceito


A escritora afirma ter vivido na pele várias situações de discriminação e
preconceito. Para Djamila Ribeiro, o mais importante é ter sensibilidade
para entender que na luta contra o racismo, a coletividade é um importante
fator de sucesso no combate à discriminação.

“Todos os negros são discriminados no Brasil. Mas a gente sabe que


quanto mais escuro você é, você acaba tendo menos acesso a
determinadas coisas e o tratamento a você é diferente. A gente não pode
esquecer isso.

Djamila Ribeiro fala à ONU News sobre conceitos e luta …

Uma mulher negra, de pele clara, ela tem que se entender como negra.
Quando ela diz que é preta, ela está apagando a minha experiência que sou
uma mulher de pele escura, e desde há muito tempo, na minha vida, venho
passando por algumas situações por conta da minha cor de pele. Então, a
gente tem que ter tudo muito claro, entender como essas coisas
funcionam e não deturpar esses conceitos que são muito importantes para
nós.”

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Ibge, mais de 56%


da população brasileira são compostos de pessoas negras. Os dados são
de 2021.

O número de pessoas que se declararam pretas ou pardas ao responder ao


Censo aumentou de 2012 para 2021.

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