Capítulo 10 – Ordem de
Execução
Seth e Florence estavam do lado de fora do que anteriormente era uma mansão, Dregan
estava recolhendo os corpos das pessoas que morreram no dia de hoje. No total, foram sete
mortos, sendo eles, os três membros do Grupo de Ataque, Stella, Maeve e Uphior e quatro
servos da mansão, que foram esmagados pelos destroços.
Appolion assistia tudo calado, seu semblante era bem sombrio. Aquela missão havia dado mais
prejuízo do que ele pensou, perder três membros do alto escalão era algo muito pesado, e ele
estava se questionando se valeu a pena todo esse gasto.
Os sobreviventes eram apenas algumas pessoas, que também estavam feridos. Os melhores
eram Dregan, Minerva, Seth e Florence, que não estavam no Grupo de Ataque, por outro lado,
o único sobrevivente desse esquadrão foi Appolion, que estava bastante ferido e exausto.
Além desses, também teve sobreviventes na mansão, foram eles, Angelus, Loren e Elizabeth,
mas a última estava desacordada.
Claro, ainda existia os guardas que Stella levou para longe, mas ninguém sabia o que
aconteceu com eles, assim como o grupo também não tinha tempo para procurar saber no
momento, exceto por uma pessoa, Minerva.
Ela havia acabado de retornar, foi até Appolion e contou a situação que estava acontecendo:
“Mestre, os guardas da mansão foram mortos pelos cidadãos.” Ela não parecia muito abalada
ao contar aquela informação, pelo contrário, demonstrava até uma certa felicidade.
Appolion estava um pouco perplexo com a informação: “Continue.”
Minerva retornou a falar: “Quando eu fui até a cidade para pegar algumas roupas para ele,
pude ver de relance uma aglomeração e fiquei interessada, ao me aproximar, consegui
perceber os rostos de algumas pessoas familiares, eram eles os guardas que Stella levou. Ela
me pediu para garantir que eles não atrapalhariam em nada, e eu fiz exatamente isso, por isso
consegui reconhecê-los.”
Ela respirou um pouco antes que voltasse a dizer: “Enfim, os cidadãos estavam bem irritados e
atacaram eles, que ainda estavam dormindo pelo efeito da Magia de Uphior. Alguns morreram
espancados, outros sufocados, teve até mesmo um que morreu com um ancinho de metal
grudado em seu pescoço. Foi um verdadeiro massacre.”
Appolion falou apressadamente: “Você não fez nada para impedir?”
Minerva falou desinteressada: “Não.”
Appolion realmente estava irritado com ela, além dos que morreram na mansão, outras várias
vidas inocentes foram ceifadas. Cada um daqueles guardas tinham um passado honrável e
muitos deles ajudaram bastante o Reino, como era o caso de Lucius e Marcus, mas agora eles
já se encontravam mortos.
“Será que foi realmente certo?” Appolion estava impaciente.
Appolion deu uma olhada para ver como estava o trabalho de Degran, no momento, ele já
tinha colocado todos os corpos onde seu mestre o ordenou.
Ele pediu para que Dregan vestisse Angelus. Ele não demorou muito para fazer isso, mas
estava um pouco perturbado ao se lembrar do que tinha acontecido momentos atrás.
Assim que Dregan terminou seu serviço, Appolion falou com uma voz sombria: “Dregan,
Minerva, vocês têm uma missão secreta.”
Os dois prestaram atenção nele.
“Eu quero que vocês vão até os cadáveres e os queimem. Nós fingiremos que aquelas mortes
nunca ocorreram e que eles estão, na verdade, desaparecidos...”
Os dois ficaram abismados com aquela ordem, até mesmo Angelus tinha se surpreendido. Com
uma risada zombeteira, ele disse: “Você tem certeza que o verdadeiro Demônio aqui sou eu?
Hahahahaha!”
Cheio de raiva, Appolion respondeu: “Calado! Você não passa de um lixo!”
Dregan e Minerva estavam parados observando a discussão, mas a voz de Appolion soou: “O
que vocês estão fazendo?! Vão logo!”
Os dois se apressaram e saíram dali. Agora, não havia mais ninguém que poderia atrapalha-lo
como o resto não estava consciente, ele poderia fazer o que quiser.
Cheio de ódio, Appolion foi até ele e disse baixinho: “Você me custou muito caro... Nada mais
justo do que usar você como eu bem entender... Não é?”
Angelus não estava intimidado pelas palavras de Appolion, pelo contrário, ele realmente não
se importava.
“Sabe, não serei eu que ficarei com a culpa das mortes dessas pessoas, será você. Para o povo,
você quem destruiu tudo, você quem matou as pessoas, você é o grande culpado, não eu, que
serei considerado um herói.” Continuou Appolion.
Angelus riu em resposta: “Hahaha, boa sorte nisso.”
“Eu sei que você não se importa, mas você já pensou em como ficará as vidas das outras
pessoas ao seu redor? Como Loren será vista? Se bem que ela também será executada, assim
como você.” Appolion estava cada vez mais irritado.
Diferente de antes, Angelus não se fez indiferente.
Appolion continuou: “Hahaha, parece que você se importa um pouco. Que pena! Caso aquela
vadiazinha apareça na rua, eu não duvido que matem ela, ou que façam até mesmo coisas
piores.” Ele apontava para Elizabeth.
Angelus olhou para Elizabeth, que estava dormindo no chão. Sua voz era calma: “Eu realmente
não me importo. Ela é só mais um peão descartado.”
“E seu filho, o que aconteceria caso fosse morto?” Perguntou Appolion.
Angelus pensou um pouco antes de responder: “Realmente, você não é muito diferente de
mim. Usando até mesmo uma criança inocente pra tentar desmoralizar o inimigo, idêntico à
um Demônio.”
“Você...” Appolion estava prestes a falar algo, mas o barulho de uma multidão chegando o
calou. Ele olhou para trás, era possível ver Seth e Florence guiando uma grande aglomeração.
Um pouco ao fundo, dava para ver uma fumaça preta subindo pelo céu, ele tinha certeza que
aquela fumaça estava saindo dos cadáveres que foram queimados por seus dois subordinados.
Appolion deu uma última olhada para Angelus, antes de ir mais perto da multidão, ao seu lado,
estava Seth e Florence. Appolion ordenou: “Use sua magia, Florence.”
Florence respondeu: “Claro, mestre.”
Ela inalou uma grande quantidade de ar e gritou: “TODOS VOCÊS, FIQUEM QUIETOS!” Aquele
som alto silenciou a aglomeração, e também atraiu a atenção de Minerva e Dregan que
haviam colocado fogo nos cadáveres.
Minerva falou: “Dregan, é melhor nós voltarmos, Florence acabou de usar sua Magia de Som.”
Dregan tinha medo do que Minerva poderia fazer com ele caso recusasse, então apenas
aceitou e foi com ela de volta para os restos da mansão.
Os dois apagaram o fogo dos cadáveres e terminaram o trabalho manualmente, só restava
cinzas no local, que com o vento que foi feito quando eles saíram de lá velozmente, foram
varridas para o além.
Depois de alguns segundos que o grito de Florence havia ecoado, Dregan e Minerva se
juntaram a eles, Appolion perguntou cautelosamente: “Vocês terminaram a missão?”
Minerva tomou a dianteira e disse: “Com perfeição, mestre.”
Dregan assentiu com a cabeça.
“Ótimo, obrigado.” Appolion agradeceu.
A multidão ainda fazia silêncio, mas seus nervos estavam à flor da pele. Appolion percebeu
aquilo e ordenou: “Seth, traga Zonomoch até aqui.”
“Certo, mestre.” Seth se curvou e cumpriu sua tarefa.
Minerva sorriu levemente ao ver aquele homem impotente caminhando com tanta
dificuldade.
Quando ele finalmente chegou ao lado deles, Appolion apontou para os corpos mortos e disse
fortemente: “Vocês estão vendo esses corpos?! Todos eles morreram no dia de hoje!” Ele
mudou o local para onde apontava, que agora era para Angelus: “Todos pelas garras dessa
criatura maligna!”
As pessoas estavam assustadas ao ouvirem aquilo, eram sete corpos no chão, todos com os
corpos bastante danificados.
Uma das pessoas não aguentou e gritou: “Demônio!”
Appolion disse imponentemente: “Além disso, uma serva sua, e também sua própria esposa
estão gravemente feridas!” Ele abriu espaço, deixando o povo ver as duas desacordadas no
chão.
Antes que qualquer pessoa emitisse algum som, Appolion se adiantou e disse: “Como se não
bastasse, ontem, isso mesmo, ontem, ele não apenas matou, como dilacerou os corpos de
quatro moradores de rua inocentes!”
Uma pessoa arremessou uma rocha dos entulhos da mansão em Angelus, mas foi parada pela
mão de Seth. A mesma pessoa resmungou: “Pare de proteger esse lixo! Ele merece algo muito
pior do que isso!”
As pessoas ao redor também xingavam:
“Desgraçado!”
“Demônio!”
“Você merece a morte!”
“Verme!”
Appolion pediu para que Florence usasse sua Magia novamente: “SILÊNCIO!” Novamente o
povo se calou.
“Eu sei como vocês se sentem, mas quero que aguardem, eu ainda não terminei minhas
palavras.” Disse Appolion.
O povo prestou atenção em suas palavras, todos estavam ansiosos para saber o que ele falaria.
Appolion continuou: “A forma como ele pagará pelos seus pecados é óbvia, execução.”
*Awooooo* O povo vibrou ao ouvir aquela palavra.
Não deixando eles comemorarem além do que deveriam, Appolion interrompeu: “Mas não
será qualquer execução, ele terá seu corpo cortado em onze pedaços, para vingar as mortes
das onze pessoas inocentes que ele matou entre ontem e hoje!”
*Wooooooaaaaaa* Dessa vez o povo realmente entrou em êxtase. Se tinha algo que o ser
humano gostava, era de desgraça e ver alguém que eles odiavam sofrendo tamanha desgraça
era exultante.
Appolion esperou um tempo para o povo digerir a informação completamente, antes de voltar
a falar: “A execução ocorrerá amanhã, agora, por favor, retornem de onde vieram. Nós
ficaremos aqui por mais um tempo até que as outras duas acordem.”
Assim que as pessoas foram embora, ainda xingando Angelus, Appolion pediu: “Florence, eu
quero que você se disfarce e fique de olho em aglomerações, nós devemos evitar qualquer
quantidade de caos desnecessário.”
--- Algumas horas depois ---
Eles ainda estavam no mesmo local, exceto por Florence.
O lugar estava bem mais organizado, os corpos foram levados para um necrotério por Dregan,
Seth limpou o local, Appolion ficou vigiando Angelus e Minerva cuidava das duas mulheres
desacordadas.
“Uuh?” Uma voz confusa soou.
Eles olharam na direção da voz, para perceberem que Loren tinha finalmente acordado. Antes
que ela pudesse fazer qualquer coisa, Minerva rapidamente pressionou-a com sua Mana roxa
e falou: “Você seguirá tudo que nós mandarmos, do contrário, morrerá!”
Ela olhou para Angelus, que disse para ela: “Me desculpe, querida, eu não consegui vencer.
Seus olhos voltaram para Minerva, sua voz fraca saiu de sua boca: “Tudo bem. Eu já não me
importo mais...”
Mais alguns bons minutos se passaram.
Dessa vez, quem havia acordado foi Elizabeth, que estava sozinha nas ruínas: “Onde eu estou?”
Ela se sentou e viu que algumas pessoas estavam correndo em direção contrária de onde ela
estava, aquela cena lembrou-a quando Crowley tinha saído da Mansão, que foi a última vez
que ela o viu. Inconscientemente, uma tristeza abalou seu coração, por algum motivo, ela
sentia um mau presságio ao pensar em Crowley.
Curiosa, ela foi atrás daquelas pessoas que estavam correndo. A cada passo que ela dava,
pensava que aquele lugar era muito parecido com a Mansão da Família Edwin, mas isso era
impossível de ser realidade, afinal, estava tudo destruído. Então, em sua mente, ela pensava
que aquilo era um sonho.
As pessoas na frente se distanciaram conforme o percurso foi sendo traçado, mas ela ainda
estava curiosa, então, mesmo que longe, ela continuou correndo atrás deles. Como se seu
coração estivesse pedindo, uma sensação horrível foi crescendo cada vez mais que ela seguia
aquelas pessoas. Ao mesmo tempo que ela não queria saber ao certo o que era aquilo que ela
sentia, ela tinha a sensação de que caso não fosse ver agora o que é, nunca mais saberia.
Ela foi se aproximando mais e mais das pessoas que estavam correndo, que agora estavam
caminhando. Além daquelas pessoas, um aglomerado de gente era visível à frente, assim como
vários xingamentos eram audíveis.
Elizabeth finalmente chegou em seu objetivo, cheia de tensão, ela se esgueirou entre eles para
ver o que estava acontecendo. Entretanto, a visão que ela teve não foi nada agradável, na
realidade, foi a pior coisa que ela viu em toda sua vida.
Crowley estava morto nos braços de sua mãe, que chorava para o céu, enquanto Angelus
caminhava em frente sem olhar para trás. Sem acreditar naquilo, a mulher fechou os olhos: “É
só um pesadelo! Só um pesadelo!”
Independente do quanto quisesse fugir daquela realidade, os xingamentos ainda eram
escutados pelos seus ouvidos e a sensação das pessoas ao seu redor era muito real para um
mero pesadelo.
Ela sabia que aquilo era a realidade, mas não queria aceitar que fosse. Com muita coragem, ela
abriu os olhos novamente e confirmou que Crowley realmente estava morto, Angelus já tinha
saído de cena, deixando somente os dois, Crowley e Loren, no centro da área. Os militares
estavam ao redor, retirando o povo do local.
Nesse momento, uma figura de roupa e mascará branca surgiu, pelo volume em seu busto,
Elizabeth poderia dizer com certeza que era uma mulher. Esta figura foi até Loren, com ajuda
de alguns militares e a algemou, retirando-a a força de seu filho.
Loren tentava com todas suas forças voltar para Crowley, mas não adiantava, os militares eram
muito mais forte que ela. Elizabeth estava vendo tudo com muita dor no peito, Crowley agora
estava sozinho, sem pai, mãe, e até mesmo sem vida.
Dessa vez, outra figura surgiu, dessa vez, masculina. Ela pegou o corpo de Crowley e carregou
em seus braços.
Em meio ao seu choque, um dos militares ao redor chegou em frente à Elizabeth e disse
grosseiramente: “Vá embora!”
Como se não tivesse ouvidos, Elizabeth continuou vendo a cena de Crowley sendo carregado
por alguém desconhecido. Lágrimas estavam cobrindo sua face, seu olhar perdeu o brilho. Ela
virou aqueles olhos mortos para o militar e disse: “Por favor, me mate.”