Modelagem e Controle de Emissões Atmosféricas
Modelagem e Controle de Emissões Atmosféricas
15.1 Conceito
M4 15A
Os modelos de dispersão são ferramentas matemáticas muito usadas atualmente nas diversas fases da implantação de
empreendimentos que apresentam impactos na atmosfera.
Modelos de dispersão atmosférica utilizam as informações sobre as fontes de emissões de poluentes, as condições
meteorológicas e a topografia, dentre outros dados, para calcular como os poluentes se movem na atmosfera, e, a partir da
concentração final destes poluentes em pontos específicos no nível do solo, a pluma de contaminantes é gerada. A figura 64
demonstra um exemplo de modelagem de dispersão. As diferentes cores da pluma representam as diferentes concentrações de
poluentes.
Efetuar os estudos de EIA/RIMA e de avaliação de atendimento aos padrões da Resolução Conama nº 491/2018;
Avaliar alternativas de combustíveis usados, antes da sua troca, para compreender se as concentrações ambientais
serão menores;
Avaliar a dispersão de contaminantes oriundos de uma explosão ou descarga acidental (requer modelos específicos);
Determinar medidas de controle (caso os resultados calculados pelo modelo nas áreas urbanas ultrapassem os
poluentes retidos pelos métodos de controle, reduzindo gastos e avaliando aqueles que são mais adequados a cada caso.
Não é possível monitorar o ar em todos os locais, pois isso implicaria em custos muito elevados. Com isso, os dados gerados
quando há baixa representatividade de amostradores podem ser insuficientes para a formulação de estratégias e o planejamento
de ações de controle da poluição. Portanto, as estimativas e modelagens permitem avaliar, de forma barata e com razoável
precisão, a qualidade do ar em áreas onde não existe monitoramento.
15.3 Tipos de Modelos
Os modelos matemáticos para dispersão atmosférica são desenvolvidos na forma de algoritmos, para estimar a concentração
de poluentes a partir de informações de terreno (topografia e uso do solo), parâmetros meteorológicos e características da fonte
de emissão. Esses modelos diferem entre si, de acordo com os conceitos físicos utilizados em sua concepção e,
consequentemente, de acordo com sua finalidade. A escolha do modelo está associada à complexidade dos processos
envolvidos na situação de estudo, ao tamanho da área avaliada, devendo-se considerar, ainda, a habilidade em modelar de forma
mais realística esse conjunto de processos.
Os modelos mais usados são os elaborados pela US EPA, bem como por outros órgãos ambientais reconhecidos
internacionalmente. Esses órgãos se dedicam a melhorar seus modelos ao longo dos anos, disponibilizando as novas versões
periodicamente.
Atualmente, existem vários modelos que simulam a pluma de dispersão de poluentes. Cada um possui diferentes características
e requer diferentes dados de entrada.
Alguns modelos são disponibilizados ao público sem nenhum custo por agências governamentais, como a US EPA, que
desenvolve modelos confiáveis desde a década de 70. Porém, eles são disponibilizados na linguagem FORTRAN - FÓRMULA
TRANSLATION - e não possuem interface gráfica, tornando-os mais difíceis de serem utilizados. Por esse motivo, vários modelos
são vendidos comercialmente por companhias privadas, em formato mais fácil de usar, que cobram apenas pelo uso da interface
gráfica do usuário (Graphical User Interface - GUI, abreviação em inglês).
29
A US EPA disponibiliza em seu site, para download, o modelo AERMOD e outros modelos, bem como seus respectivos guias.
Alguns modelos simulam também as transformações físicas e químicas e os processos de remoção do poluente da atmosfera
(modelos numéricos). Porém, os modelos mais usados atualmente não consideram esses processos (modelos gaussianos).
Na grande maioria dos processos de licenciamento ambiental no Brasil, são usados apenas os modelos gaussianos, pois seriam
necessários muito mais dados e maior capacidade computacional para utilização dos modelos numéricos. Na prática, um bom
modelo deve ser capaz de “rodar” em um laptop e fornecer bons resultados. A correlação entre os valores calculados pelos
modelos e as medidas em campo estão cada vez melhores. Porém, os modelos nunca serão capazes de representar a realidade
em sua totalidade, pois as interações na atmosfera são muito complexas.
Existem basicamente dois tipos de modelo que são mais frequentemente usados nos processos de licenciamento:
Que são de fácil aplicação, requerem menos dados e baixa capacidade de processamento - um laptop é suficiente. O modelo
Gaussiano é baseado em uma fórmula simples que descreve um campo de concentrações tridimensional gerado por uma
fonte pontual elevada (uma chaminé), sob a influência das condições meteorológicas. As condições de emissão dos poluentes
nas chaminés são consideradas contínuas e constantes - o que não é verdade -, pois as reações químicas na atmosfera
alteram as concentrações dos poluentes, mas esses modelos não consideram as reações químicas. Outra limitação é a
resolução em situações de topografia complexa, ou em situação de calmaria (velocidade do vento < 0,5 m/s) (ARYA, 1999).
Nenhum modelo considera o vento com baixa velocidade de forma realística e, portanto, despreza o cenário mais crítico para
muitos tipos de fontes de emissões, como as fugitivas, por exemplo. Por isso, é recomendado ajustar todos os valores <0,5
m/s do arquivo meteorológico para 0,5 m/s, nos modelos de estado estacionário (steady-state) (NZMFE, 2004). O domínio da
modelagem desses modelos é de, no máximo, 50 por 50 Km.
b) CALPUFF View - Long Range Transport Puff Air Dispersion Model CALPUFF View
c) Modelo receptor
29
[Link]
30
Cf. [Link]
15.4 Incertezas dos modelos
Apesar das diversas incertezas envolvidas na modelagem computacional, que dependem também da qualidade dos dados de
alimentação do modelo, existem muitas razões para a sua utilização como estratégia de controle da qualidade do ar, desde a
escala urbana ou local até a escala regional e global.
Os resultados das simulações com os modelos contribuem para o prognóstico da qualidade do ar, sendo o único método
disponível para esta avaliação na fase anterior à instalação dos empreendimentos com potencial impacto ambiental.
Os modelos podem calcular a influência das alterações das emissões e condições meteorológicas sobre a dispersão dos
poluentes; prever potenciais episódios de poluição; auxiliar no projeto de uma rede de monitoramento ambiental, dentre outros
objetivos.
15.5 Montagem de cenários de modelagem
A etapa de montagem, pré-processamento, definição de parâmetros e similares, é uma etapa comum a todos os tipos de
modelo. Evidentemente, o tipo de pré-processamento a ser feito depende do modelo adotado. Algumas sugestões de cenários
são apresentadas a seguir.
O primeiro cenário de modelagem deve incluir todas as fontes de emissão do projeto, operando com suas taxas máximas de
emissão propostas e considerando todo o domínio da modelagem.
O segundo cenário de modelagem será semelhante ao imediatamente anterior, mas com todos os projetos operando nas taxas
de emissão propostas.
Outro cenário refere-se a simular a dispersão atmosférica da(s) maior(es) fonte(s) de emissões, com o objetivo de priorizar seu
controle, caso o impacto das maiores fontes seja muito grande.
Pode-se montar ainda vários cenários, tais como: localização das fontes, alturas das chaminés, uso de equipamento de controle,
com o objetivo de avaliar todas as alternativas que tragam menos impactos ao meio ambiente. Esse é um dos principais
benefícios do modelo.
A experiência prática mostra que, na fase de licenciamento, o layout das fábricas que as empresas apresentam nunca é o
definitivo. As fontes de emissões, os prédios e as vias internas sempre mudam de local. As emissões também podem variar e
deverão ser modificadas e alimentadas ao modelo à medida que o empreendedor defina melhor o projeto.
15.6 Interpretação dos resultados da modelagem
O principal objetivo dos estudos de dispersão atmosférica é, em geral, determinar a relevância dos efeitos dos poluentes
lançados pelas fontes de emissão no meio ambiente e na saúde.
Os resultados devem, portanto, ser relatados de forma eficaz e concisa, de uma maneira adequada para que possam ser
compreendidos por outras pessoas, mesmo que não tenham experiência para interpretar o output dos modelos. Existem dois
elementos para isso:
De acordo com NZMFE (2004), os principais fatores envolvidos na apresentação dos resultados e, consequentemente, na
interpretação da modelagem são:
Apresentar os resultados sob a forma de gráficos de fácil compreensão, elaborando mapas dos contornos contendo
as concentrações dos poluentes para os intervalos de tempo requeridos pela legislação, e os limites legais, para avaliar se
houve ultrapassagem dos mesmos e em quais locais;
incluir sempre informações sobre os dados de alimentação do modelo. Estes ficam registrados também nos arquivos
de processamento dos modelos, que devem ser solicitados pelos órgãos ambientais a quem executou a modelagem;
Discutir com clareza a precisão dos resultados da modelagem. Existem três fontes de erros e incertezas nos
modelos: dados de entrada imprecisos; uso inadequado do modelo; e mal desempenho do modelo. Esses aspectos são
cruciais na interpretação dos resultados calculados.
Demonstrar que os inputs do modelo são tão corretos quanto possível; declarar que o modelo tem limitações; e
incluir as informações disponíveis sobre concentrações de poluentes medidos no domínio da modelagem que validem os
resultados calculados;
Indicar os fatores que são mais significativos na determinação das concentrações máximas de cada poluente no
nível do solo;
Identificar os receptores mais impactados e aqueles mais sensíveis, tais como escolas e hospitais; avaliar as
concentrações nesses locais em comparação com os limites legais. Caso necessário, indicar as modificações
necessárias para reduzir as emissões. Os limites legais não podem ser ultrapassados fora dos muros da(s) empresa(s).
A interpretação dos resultados é uma das fases mais importantes da modelagem, quando se deve ter em mente os objetivos do
estudo, a região de domínio e as áreas urbanas da modelagem, e a legislação referente à qualidade do ar do local. Deve-se ter os
resultados calculados para cada poluente avaliado, de preferência na forma de gráficos e tabelas.
Observa-se que se deve processar cada um dos poluentes separadamente, comparar as concentrações nas áreas urbanas, ou
seja, fora do muro das fábricas, com as concentrações ambientais estabelecidas pela Resolução Conama nº 491/2018. Essa
resolução não se aplica às concentrações na área interna das fábricas.
Para validar os resultados calculados pelos modelos é importante comparar as concentrações calculadas com as concentrações
medidas para a qualidade do ar na região de domínio da modelagem, quando disponíveis, pois os modelos são conservadores e,
dessa forma, pode-se ter uma correlação entre os valores reais medidos e calculados. Além disso, os modelos matemáticos
meteorológicos não descrevem bem a atmosfera na situação de ventos calmos (< 0,5 m/s) e podem existir falhas nos
inventários de emissões e nos dados meteorológicos. Portanto, é bom ter conhecimento das concentrações reais quando se
realiza a modelagem.
O output dos modelos de dispersão consiste em valores de concentração ou valores de deposição. As concentrações previstas
3
são expressas em microgramas por metro cúbico (µg/m ) de ar, enquanto as taxas de deposição devem ser expressas em
2
quilogramas por metro quadrado (kg/m ). As concentrações de gases também podem ser expressas como a razão entre o
volume da substância e o volume de ar. Nesse caso, as concentrações são expressas em partes por milhão (ppm) ou partes por
bilhão (ppb).
A concentração de uma substância varia a cada segundo. Para uso prático, as concentrações são expressas como médias em
períodos de tempo especificados pela legislação. Um cuidado que deve ser tomado antes de processar cada poluente é
alimentar os períodos de tempo especificados na Resolução Conama nº 491/2018 para cada um deles.
As concentrações previstas no nível do solo podem ser altas devido a condições meteorológicas extremas, raras e transitórias e
podem ser consideradas outliers. Portanto, valores horários acima do percentil 99,9 para cada receptor em cada ano podem ser
desconsiderados. Por exemplo, as oito maiores concentrações médias previstas de 1 hora para cada receptor em cada ano
devem ser desconsideradas. Para todos os períodos de média super-horária (períodos de média maiores que uma hora), as oito
maiores concentrações horárias previstas que foram desconsideradas para o período médio de 1 hora devem ser incluídas no
cálculo do valor do percentil 99,9. Por exemplo, a média de 8 horas removeria a média das 8 horas principais, média das 24 horas
31
não removeria a média das 24 horas principais .
31
Cf. [Link]
32
Cf. [Link]
Referências Bibliográficas
ALBERTA Environment and Parks, Government of Alberta. Draft Air Quality Model Guideline. Alberta, 2020. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 30 maio 2021.
ARYA, S.P. Air Pollution Meteorology and Dispersion. Oxford University Press. New York, 1999. Disponível em:
<[Link] Acesso em: 30 maio 2021.
FELIX, V. C. Influência da resolução da topografia na modelagem da dispersão de poluentes do modelo AERMOD. Monografia
apresentada no Curso de Especialização em Análise de Risco Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF). Niterói,
2015.
KAWANO, M. Desenvolvimento, Validação e Aplicação de um Modelo Matemático para Dispersão de Poluentes Atmosféricos,
2003. Dissertação de mestrado USFC. Disponível em:
[Link] Acesso em: 29 set. 2021.
LISBOA, H. M. Controle da Poluição Atmosférica: Capítulo VIII Meteorologia e Dispersão Atmosférica. Montreal, 2007. Disponível
em:
[Link]
Acesso em: 29 set. 2021.
NEVES, N. M. S. Formação e Dispersão de Ozônio na Região do Recôncavo Baiano, 2010. Tese de Doutorado UFBA. Disponível
em: < [Link] Acesso em: 30 maio 2021.
NEW ZEALAND MINISTRY FOR THE ENVIRONMENT (NZMFE). Good Practice Guide for Atmospheric Dispersion Modelling, 2004.
Disponível em: < [Link]
[Link]>. Acesso em: 29 set. 2021.
SOARES, L. A. e RAMALDES, L. N. Estudo Comparativo dos Modelos de Dispersão Atmosférica - Calpuff e Aermod - Através da
Análise da Qualidade do Ar na Região Metropolitana da Grande Vitória. 2012. Disponível em: <
[Link]
_calpuff_e_aermod_-_atraves_da_analise_da_qualidade_do_ar_na_regiao_m.pdf>. Acesso em: 30 maio 2021.
TADANO, Y. S. Simulação da dispersão dos poluentes atmosféricos para aplicação em análise de impacto. Campinas, SP: [s.n.],
2012. Disponível em: <[Link] Acesso
em: 30 maio 2021.
Aula 16 - Inventário de emissões atmosféricas
M4 16A
Um inventário de emissões atmosféricas consiste na compilação da quantidade de poluentes emitidos pelas fontes existentes
em uma determinada unidade industrial ou região, e em um intervalo de tempo determinado que, em geral, é de um ano. Os
inventários de emissões de poluentes atmosféricos são instrumentos estratégicos de gestão ambiental, que permitem orientar
medidas mais eficientes de intervenção.
Um inventário de fontes deve seguir uma metodologia aceita pela comunidade acadêmica / científica e pelos órgãos
responsáveis pela fiscalização e controle das emissões. Assim, um inventário de fontes deve ser: completo (todas as fontes para
cada poluente em análise); comparável (para outros anos e com outros inventários); consistente (homogeneidade no
tratamento); e transparente (deve permitir a verificação) (FEST, 2019).
A elaboração dos inventários de poluentes atmosféricos é ponto de partida de quaisquer programas voltados à melhoria da
qualidade do ar, pois estes instrumentos têm o objetivo de:
Estimar, com auxílio de modelagem, os efeitos das emissões atmosféricas na qualidade do ar;
Estabelecer tendências de emissão ao longo do tempo, com atualizações periódicas do inventário de emissões; e
Estabelecer uma base para programas / estratégias de controle de perdas (FEST, 2019).
Para a indústria, os inventários são muito importantes e exigidos pelos órgãos ambientais desde a fase de licenciamento. Estes
devem ser atualizados periodicamente - em geral, a cada dois anos e servem para:
Tomar decisões sobre mudanças no processo, equipamentos de controle, substituição de combustíveis, visando
Os inventários de emissões são essenciais para o levantamento de dados de entrada para os modelos matemáticos que
estimam a qualidade do ar e devem incluir:
Tipos de fontes;
Tipos de poluentes;
Taxas de emissão;
Altura das chaminés e de outros pontos de emissão, como pilhas de minérios, e tanques de estocagem; e
Quanto mais atuais e precisas as informações, mais confiáveis serão os resultados obtidos. Deve-se sempre registrar as fontes
de informações dos dados e, em geral, são os engenheiros de processo que os fornecem para a elaboração dos inventários.
Além disso, o inventário de emissões atmosféricas deve ser suficientemente minucioso e detalhado, capaz de representar onde,
como, quanto e quando os diversos poluentes atmosféricos são emitidos pelas fontes emissoras significativas na área de
interesse (IEMA, 2011).
O inventário de emissões atmosféricas é realizado com a intenção de descrever, da maneira mais acurada possível, a realidade
das fontes emissoras. Assim sendo, as informações contidas nos inventários podem ser utilizadas para: aplicação de modelos
de dispersão atmosférica na avaliação das áreas mais suscetíveis à alteração da qualidade do ar; subsidiar a sistemática de
implantação, revisão ou manutenção de uma rede de monitoramento da qualidade do ar, incluindo o seu dimensionamento e
rateio de custo entre as empresas com maior potencial de contribuição de emissões; e contribuir na elaboração de estudos de
diversas áreas do conhecimento, como os relacionados à saúde pública (IEMA, 2019).
16.2 Legislação e regulações nacionais e internacionais
O Relatório Anual de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais (RAPP) é uma ferramenta
instituída como obrigação acessória à Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA), pela Política Nacional de Meio
Ambiente (Lei 6.938/81, art. 17-C, § 1º). O RAPP tem como função a obtenção de dados e informações para colaborar com
procedimentos de fiscalização e controle ambiental.
Os empreendimentos que possuem fontes fixas (chaminés, conforme definido pelas Resoluções Conama nº 382/2006 e nº
436/2011, que estabelecem os limites máximos de emissão de poluentes atmosféricos para estas fontes) e com emissão
destes 4 poluentes: material particulado (MP), monóxido de carbono (CO), óxidos de enxofre (SOx) e óxidos de nitrogênio (NOx),
devem informar no módulo “Emissões de Poluentes Atmosféricos” do RAPP as seguintes informações:
Informar a quantidade total do poluente emitido em tonelada/ano (t/ano), consolidada de acordo com as metodologias
utilizadas para monitoramento das emissões atmosféricas, definidas pelo processo de licenciamento ambiental; e,
16.3 Metodologias para cálculo de inventários
Existem duas metodologias de cálculo dos inventários, quanto ao seu nível de detalhamento: Bottom Up e Top Down.
Inventários Bottom Up
O monitoramento contínuo das emissões nas fontes é, em princípio, o procedimento preferencial para estimar as emissões
atmosféricas. Não sendo possível o monitoramento contínuo, três procedimentos podem ser utilizados:
Balanço de massa; e
Balanço de massa
Fatores de emissão
Porém, é sempre preferível a utilização de fatores desenvolvidos especificamente para um determinado equipamento do que os
fatores de emissão do AP-42, ressaltando-se que os fatores de emissão utilizados devem ser aprovados pelos órgãos
ambientais.
Um fator de emissão estabelece uma relação simples entre a quantidade de poluente emitida e um parâmetro conhecido do
processo como, por exemplo, o consumo de combustível. Estes fatores são expressos como: massa do poluente, dividido por
unidade de massa, volume, distância, ou duração da atividade que emite os poluentes (ex.: kg de partículas emitidas por
tonelada de carvão queimado ou t/ano).
Os fatores são valores médios, obtidos a partir de dados com níveis variáveis de precisão. A estimativa das emissões de uma
planta com base nesses fatores deve ser, sempre que possível, confirmada por meio de medições.
Estes fatores de emissões são classificados pela US EPA com relação à confiabilidade em:
A = Excelente: fator de emissão desenvolvido a partir de medições nas fontes em muitas indústrias diferentes;
B = Acima da média: fator de emissão desenvolvido a partir de dados medidos, em um número moderado de
instalações;
C = Médio: fator de emissão desenvolvido a partir de dados de teste de um número razoável de instalações. Não está
claro se as instalações testadas representam uma amostra aleatória da indústria;
E = Pobre: fator de emissão desenvolvido a partir de dados de teste de um número muito reduzido de instalações.
16.5 Identificação das Fontes de Emissões Prioritárias
A Resolução Conama nº 01/86, que estabelece as diretrizes para o licenciamento ambiental no país, determina, em seu artigo 2º,
quais setores dependem de elaboração de Estudo de Impacto Ambiental – EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental -
RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente e do Ibama. São atividades modificadoras do meio
ambiente e com potenciais impactos ao meio ambiente, tais como:
II - Ferrovias;
IV - Aeroportos, conforme definidos pelo inciso 1, artigo 48, do Decreto-Lei nº 32, de 18.11.66;
VII - Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para fins hidrelétricos, acima de 10MW,
de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d'água,
abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques;
Xl - Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MW;
XII - Complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool,
hulha, extração e cultivo em recursos hídricos);
XIV - Exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas acima de 100 hectares ou menores, quando atingir áreas
significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental;
XV - Projetos urbanísticos, acima de 100ha ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da
SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes;
XVI - Qualquer atividade que utilize carvão vegetal, em quantidade superior a dez toneladas por dia.
Para elaboração do Estudo de Impacto Ambiental, no item referente ao meio físico, é necessário avaliar se os empreendimentos
possuem fontes de emissões atmosféricas, tanto na fase de implantação quanto na operação e, caso sejam identificadas essas
fontes, é necessário elaborar o inventário de emissões atmosféricas para ambas as fases do projeto.
As fontes móveis são representadas, principalmente, pelos veículos e máquinas móveis, e devem ser incluídas em todos os
inventários de emissões, principalmente nos inventários das zonas urbanas e de áreas de mineração, que em geral possuem
frotas de veículos de grande porte.
Para calcular as emissões veiculares são necessários os dados referentes a: características da frota, tais como: ano, modelo e
categoria veicular; aspectos como tamanho, peso, potência e tecnologia do motor do veículo (injeção eletrônica de combustível
ou através de carburadores), pois interferem na quantidade de poluentes emitida. Em geral, veículos novos são menos
poluidores, em função das tecnologias mais avançadas e equipamentos de redução de poluentes mais eficientes (conversor
catalítico ou catalisador).
A tecnologia de alimentação do motor por injeção eletrônica de combustível evita seu desperdício, contribuindo para a redução
das emissões. Com o uso do veículo, o desgaste de peças e componentes afeta as características de eficiência do motor,
provocando índices mais elevados de emissão.
O tipo e composição do combustível utilizado define a qualidade da queima da mistura ar-combustível (A/C) dentro do motor,
influenciando diretamente na formação dos poluentes emitidos (ARIOTTI, 2010).
A publicação AP-42 possui os fatores de emissões para essas fontes, tanto para a queima de combustível, como para a emissão
de material particulado das vias de tráfego das fontes móveis.
Os principais dados requeridos para cálculo das emissões de fontes móveis (veículos) são:
Peso médio dos veículos que circulam pela via (carregados e vazios);
Existem os fatores de emissões de partículas por ressuspensão e exaustão de freios e pneus na via, que devem ser usados para
33
cálculo desta contribuição. Esses fatores estão nos capítulos 13.2.1 do AP-42 (Paved Roads ) e 13.2.2 do AP-42 (Unpaved
34
Roads ).
Para a emissão de gases e partículas oriundos da queima de combustíveis pelas fontes móveis, a Cetesb também publica
35
fatores de emissão, expressos em gramas de poluentes por distância percorrida .
33
[Link]
34
[Link]
35
[Link]
16.6. Conteúdo dos Inventários de Emissões
16.6.1 Introdução
16.6.2 Escopo
16.6.3 Metodologia
No Brasil, poucos estados já inventariaram suas fontes potenciais de emissão de poluentes atmosféricos. Alguns fizeram para
fontes fixas e veiculares e outros somente para um tipo de fonte. Entre os trabalhos disponíveis na internet, verificou-se que os
Estados do Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, a Região da Grande Vitória - ES, assim como os municípios de Campo Grande -
MS, Belo Horizonte - MG, Betim - MG e Contagem - MG desenvolveram inventários de fontes fixas.
Os inventários precisam ser atualizados periodicamente para revisão de dados e acompanhamento das metas de redução. Esses
instrumentos possibilitam mostrar séries históricas e projeções de emissões em variados recortes, além de evidenciar lacunas
de informações que podem originar iniciativas para obtenção de dados cada vez mais confiáveis e fidedignos.
A seguir, são apresentados mais detalhes dos inventários da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), da Região
Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ) e da Região da Grande Vitória (RGV).
d) Inventários Corporativos
As emissões de poluentes regulados apresentam variações decorrentes de condições operacionais e de melhoria contínua do
processo de inventário e quantificação destes poluentes. Tais variações por melhoria da quantificação podem ser observadas
principalmente nas emissões de compostos orgânicos voláteis. Para as emissões de óxidos de enxofre e de monóxido de
carbono, destacam-se as reduções observadas em 2020 atreladas, principalmente, a melhorias operacionais nas refinarias.
Já a redução de óxidos de nitrogênio é aderente aos menores níveis de despacho termelétrico nos últimos anos. Com relação ao
material particulado, não são verificadas alterações significativas no período, com leve tendência de redução desde 2018
associada à saída das atividades de produção de fertilizantes do portfólio.
No período de 2018 a 2020, apesar do aumento da produção, observa-se a redução do volume total de hidrocarbonetos não
aproveitados, que está relacionada às ações voltadas para melhoria de eficiência operacional e redução de queima em tocha,
bem como a melhorias contínuas de inventário, caracterização e quantificação de perdas de hidrocarbonetos. Cabe destacar a
redução de gás queimado em tocha em 2020 no refino (queda de 28% em relação a 2019) e na Exploração & Produção (20% a
menos que em 2019). No geral, em 2020, registrou-se uma média de queima de 5,7 milhões de metros cúbicos por dia de gás em
tocha nas atividades, 23% abaixo do valor de 2019. Registrou-se também uma redução relevante de hidrocarbonetos dissipados
na atmosfera (PETROBRAS, 2020).
36
O Inventário Nacional de Emissões (NEI , da sigla em inglês para o National Emissions Inventory) dos Estados Unidos é uma
estimativa abrangente e detalhada das emissões atmosféricas dos poluentes regulamentados, de seus precursores e dos
poluentes atmosféricos prioritários das fontes de emissão.
O NEI é divulgado a cada três anos com base, principalmente, em dados fornecidos pelos órgãos ambientais estaduais, locais e
tribais para as fontes localizadas em suas jurisdições e complementados por dados desenvolvidos pela US EPA. O NEI é
construído usando o Sistema de Inventário de Emissões (EIS, da sigla em inglês para Emissions Inventory System)
primeiramente para coletar os dados dos órgãos ambientais estaduais e, em seguida, combinar esses dados com outras fontes
de dados.
O inventário inclui as fontes pontuais, fontes móveis e fontes móveis não rodoviárias que usam combustíveis fósseis, tais como:
aviões, locomotivas e navios; equipamentos usados na construção civil e para cortar grama em parques e jardins. São
consideradas também as emissões oriundas de queimadas para fins agrícolas e também queimadas em matas e florestas que
compõem o Inventário Nacional de Emissões de Queimadas (National Fire Emissions Inventory - NFEI).
16.7.3 Inventário elaborado para avaliar a evolução das concentrações de ozônio na troposfera
Em 2005 foi elaborado um inventário internacional para avaliar o aumento das concentrações de ozônio no mundo no período de
1890 e 1990, por meio de modelo matemático (LAMARQUE et al, 2005).
As emissões de todas as substâncias químicas foram baseadas no banco de dados EDGAR-HYDE 1.4. Os totais anuais globais
(fontes antropogênicas e naturais) desse estudo são apresentados no quadro 19 (LAMARQUE et al, 2005).
Quadro 19: Evolução das emissões mundiais totais (antrópicas e biogênicas) de alguns compostos na atmosfera (Tg/ano)
Essas emissões são baseadas nas atividades que, historicamente, ocorreram no mundo, e foram calculadas para cada período
de 10 anos, desde 1890. No quadro 19 pode-se observar que as emissões de NO tiveram um aumento quase exponencial,
37
passando de 15,3 Teragramas de NO/ano, em 1890, para aproximadamente 74 Teragramas de NO/ano, em 1990 (LAMARQUE
et al, 2005). Esse aumento é oriundo, principalmente, das emissões antrópicas diretas, como, por exemplo, indústrias
metalúrgicas e têxteis, além das emissões originadas do uso de fertilizantes no solo e da queima de biomassa.
As emissões de NO do solo levaram em consideração o uso crescente de fertilizantes. Com relação às emissões de aviões,
considerou-se que no período entre 1890 e 1930 elas eram zero; em 1940 equivaliam a 10% das emissões de 1990; e a partir de
1950 atribuiu-se um percentual de aumento dessas emissões de 20% ao ano, até 1990.
O estudo demonstrou, através da modelagem usando esses dados, que houve um aumento de 30% nas concentrações de ozônio
presentes na troposfera no período compreendido entre 1890 e 1990, ou seja, entre o fim do século 19 e o fim do século 20.
Portanto, é possível calcular um inventário referente a um período anterior ao atual, reconstituindo as emissões para o período de
interesse.
36
[Link]
37
Teragrama (Tg) = 1.000.000 de toneladas
Referências Bibliográficas
ARIOTTI, Paula. Método para aprimorar a estimativa de emissões veiculares em áreas urbanas através de modelagem híbrida
em redes, 2010. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 15 jul. 2021.
FEST - FUNDAÇÃO ESPÍRITO SANTENSE DE TECNOLOGIA. Avaliação Técnica da Metodologia e dos Resultados Apresentados
pela Empresa Ecosoft (rtc190018) para Atualização do Inventário de Emissões Atmosféricas da Região da Grande Vitória Ano
Base – 2015. Publicado em 2019. Disponível em:
[Link]
IEMA. Inventário de Emissões Atmosféricas da Região da Grande Vitória, 2011. Publicado em 2012. Disponível em:
[Link] Acesso em: 15 jul. 2021.
IEMA. Inventário de Emissões Atmosféricas da Região da Grande Vitória Ano Base – 2015. Publicado em 2019. Disponível em:
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LAMARQUE, J.F.; HESS, P. E; EMMONS, L. Tropospheric ozone evolution between 1890 and 1990. Journal of Geophysical
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OLIVEIRA, Vinicius de. A qualidade do ar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro: a saúde pública como elo central de
articulação e suas implicações na gestão integrada saúde e ambiente. Rio de Janeiro: s.n., 2008. Disponível em:
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SANTOS, Fábio Soares dos. Diagnóstico das emissões atmosféricas em Minas Gerais: um estudo para as fontes fixas e
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US EPA. AP-42 - Compilation of Air Pollutant Emissions Factors, 2018. Disponível em: [Link]
factors-and-quantification/ap-42-compilation-air-emissions-factors. Acesso em: 10 jan. 2021.
Aula 17 - Plano de controle de emissões atmosféricas
17.3.3 Verificação
17.1 Conceito e Objetivo
M4 17A
O Plano de Controle de Emissões Atmosféricas é um documento propositivo, com políticas, diretrizes, ações e instrumentos
destinados à orientação da seleção das medidas de controle e mitigação mais eficazes, de acordo com o cenário real da
poluição do ar, que tem como objetivo a melhoria da gestão da qualidade do ar.
De acordo com o inciso VI do artigo 2º da Resolução Conama nº 491/2018, o Plano de Controle de Emissões Atmosféricas é o
documento contendo a abrangência geográfica e regiões a serem priorizadas; a identificação das principais fontes de emissão e
respectivos poluentes atmosféricos; as diretrizes e ações, com respectivos objetivos, metas e prazos de implementação, visando
o controle da poluição do ar no território estadual ou distrital, observando os Padrões de Qualidade definidos e as estratégias
estabelecidas no Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar – Pronar.
Conforme a Resolução Conama nº 491/2018, art. 5º, os órgãos ambientais estaduais e distrital deverão elaborar, em até 3 anos
(dezembro/2021), a partir da entrada em vigor da resolução, um Plano de Controle de Emissões Atmosféricas.
17.2 Conteúdo Mínimo
O parágrafo 2º do artigo 5º da Resolução Conama nº 491/2018 determina que o Plano de Controle de Emissões
Atmosféricas deve conter, no mínimo:
Deve ser informada a região de abrangência do plano e as áreas prioritárias de atuação, com base nas informações e
dados disponíveis nas Unidades Federativas.
O Plano de Controle de Emissões Atmosféricas busca identificar as fontes de emissões atmosféricas que possam
impactar negativamente o meio ambiente e a saúde da população e atuar sobre elas, selecionando as medidas de controle
e mitigação mais eficazes. Ele deve abranger tanto as fontes móveis (veículos) quanto as emissões de fontes fixas ou
estacionárias.
A elaboração de um plano de controle de emissões atmosféricas requer a definição de diretrizes e ações, com seus
respectivos objetivos, metas e prazos de implementação a serem aplicados visando à melhoria da qualidade do ar e ao
atendimento dos padrões de qualidade do ar estabelecidos.
17.3 Estrutura básica do Plano de Controle de Emissões Atmosféricas
M4 17B
Para o desenvolvimento do Plano de Controle de Emissões Atmosféricas apresenta-se na sequência uma proposta de estrutura,
dividida em 3 etapas, e os conteúdos recomendados que deverão ser detalhados pelos elaboradores. O fluxograma básico de
elaboração do plano, apresentado na figura 68, demonstra as 3 etapas propostas e seus conteúdos, sendo: Etapa 1: Diagnóstico;
Etapa 2: Ações de Redução; e Etapa 3: Verificação.
É necessário conhecer a realidade local com a identificação das fontes de emissão que contribuem para a poluição, com o
mapeamento das áreas mais impactadas, com a identificação dos poluentes mais importantes, assim como a identificação das
condições meteorológicas locais, para embasar a construção do plano de controle de emissões. Essas informações
possibilitarão a elaboração de um documento propositivo, com políticas, diretrizes, ações e instrumentos destinados à melhoria
da gestão da qualidade do ar, orientando a escolha das medidas de controle e mitigação mais eficazes, de acordo com o cenário
real. Para tanto, é necessário proceder a:
38
Cf. European Integrated Pollution Prevention and Control Bureau (EIPPCB) - [Link]
39
Cf. Cetesb - [Link]
40
Poluição na construção civil pode ser evitada com medidas de baixo custo. Disponível em: [Link]
construcao-civil-pode-ser-evitada-com-medidas-de-baixo-custo Acesso em 16 de abril de 2021.
41
Best Practices for the Reduction of Air Emissions From Construction and Demolition Activities. Cheminfo/Environment Canada. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 abr 2021.
42
The control of dust and emissions from construction and demolition - Best Practice Guidance. Greater London Authority. Disponível em:
[Link]
17.3.3 Verificação
definir prioridades e ações de controle das fontes emissoras e avaliar a necessidade do aperfeiçoamento das ações.
utilizar instrumentos de controle preventivo das fontes de poluição, podendo-se citar como exemplos o zoneamento e o
licenciamento ambiental, por meio dos quais o poder público pode evitar a instalação de fontes de poluição específicas em
determinado local, bem como definir as medidas de controle (como a aplicação de limites de emissão e a exigência da melhor
tecnologia disponível) para cada fonte poluidora.
a) Monitoramento da qualidade do ar
b) Inventários de Emissão
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Compromisso pela Qualidade do Ar e Saúde Ambiental, Brasília, 2009. Disponível em:
[Link]
DEFRA, Department of Environment, Food and Rural Affairs. Clean Air Strategy – 2018. Londres, Inglaterra, 2018. Disponível em:
[Link]
consultation/supporting_documents/Clean%20Air%20Strategy%202018%[Link]. Acesso em 28 maio 2021.
IBAMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Programa de controle da poluição do ar por
veículos automotores - Proconve/Promot/Ibama, 3 ed. — Brasília: Ibama/Diqua, 2011. Disponível em:
[Link] Acesso em 28 maio
2021.
RESENDE, F., CARDOSO, F. F. Poluição atmosférica por emissão de material particulado: avaliação e controle nos canteiros de
obras de edifícios. Boletim Técnico da Escola Politécnica da USP, Departamento de Engenharia de Construção Civil. São Paulo –
SP, 2008.
SANTOS, I, M. Exposição a material particulado em um canteiro de obra da construção civil e sua associação com marcadores
inflamatórios sanguíneos. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental, da Universidade
Tecnológica Federal do Paraná. Londrina, 2018.
UNEP, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Urban Air Quality Management Toolbook, 2005. Disponível em:
[Link]
sequence=3&%3BisAllowed= Acesso em 28 maio 2021
Aula 18 - Relatório de Avaliação da Qualidade do Ar
18.3 Panorama nacional sobre a elaboração e publicação dos relatórios de monitoramento da qualidade do ar
M4 18A
Os dados gerados e validados durante o ano (janeiro a dezembro) devem ser consolidados nesse relatório, que deve incluir
também:
b) Desconformidades;
Um Relatório Anual de Avaliação da Qualidade do Ar desempenha um papel fundamental para o balizamento e a adoção de
ações de controle de políticas públicas visando a melhoria do meio ambiente, identificando vulnerabilidades e áreas prioritárias
de atuação.
Os relatórios anuais de avaliação da qualidade do ar devem possuir um resumo executivo, onde devem ser contemplados os
principais resultados do relatório, em linguagem compreensível, possibilitando acesso fácil às informações mais relevantes.
18.2 Resolução Conama n° 491/2018
A Resolução Conama n° 491/2018 estabelece, no seu art. 6º, a obrigatoriedade aos órgãos ambientais estaduais e distrital de
elaborarem relatórios de qualidade do ar.
Parágrafo único. O relatório de que trata o caput deve conter os dados de monitoramento e a evolução da qualidade
do ar, conforme conteúdo mínimo estabelecido no Anexo II, e resumo executivo, de forma objetiva e didática, com
informações redigidas em linguagem acessível.
Os referidos relatórios devem conter os dados de monitoramento e a evolução da qualidade do ar, sendo definido no Anexo II da
resolução o conteúdo mínimo a ser atendido.
18.2.1 Conteúdo Mínimo dos Relatórios de Qualidade do Ar
a) condições meteorológicas;
4. Redes de monitoramento
a) Rede automática
b) Rede manual
6. Metodologia de monitoramento
8. Representatividade de dados
a) Rede automática
b) Rede manual
11. Considerações gerais sobre estimativas de emissão de fontes móveis e fontes estacionárias
Alguns pontos importantes que devem ser inseridos nos relatórios de Avaliação da Qualidade do Ar estão relacionados
abaixo:
Apresentação dos valores máximos medidos e as ultrapassagens do padrão por parâmetro, relacionados com a
Todos esses dados devem ser apresentados de forma gráfica com uma descrição técnica para cada item.
18.3 Panorama nacional sobre a elaboração e publicação dos relatórios de
monitoramento da qualidade do ar
Dentre as Unidades Federativas que realizam monitoramento da qualidade do ar, somente seis estados (SP, RJ, ES, DF, RS e GO)
elaboraram relatórios recentes. Os estados do Paraná e de Minas Gerais elaboraram relatórios de qualidade do ar da Região
Metropolitana de Curitiba e da Região Metropolitana de Belo Horizonte, nos anos de 2001 e 2013, respectivamente. Não foram
localizados relatórios dos demais estados que realizam o monitoramento (BA, CE, MS e PE).
De acordo com os dados apresentados nas análises realizadas nos Relatórios de Qualidade do Ar dos Estados de SP, RJ, ES, DF,
RS e GO, constatou-se uma tendência de melhoria da qualidade do ar, assim como a presença de alguns problemas localizados
em regiões industrializadas e, especificamente em relação ao ozônio, nas zonas urbanas.
as redes de monitoramento estaduais são heterogêneas: algumas monitoram somente poucos poluentes enquanto
outras monitoram todos aqueles elencados na Resolução Conama nº 491/2018 ou até mais poluentes, como os
compostos orgânicos voláteis e metais;
o conjunto de informações levantadas não permite avaliar se todas as redes de monitoramento geram dados
o quadro de descontinuidade da operação, a baixa cobertura, as falhas nas redes de monitoramento e a ausência de
monitoramento de todos os poluentes regulados revelam a existência de problemas estruturais em várias das redes de
monitoramento estaduais.
Os relatórios avaliados demonstram que o monitoramento no Brasil ainda é incipiente, pois somente seis estados divulgam
relatórios de qualidade do ar atualizados, sendo que cada um disponibiliza seus dados em formato próprio, sem nenhuma
padronização, o que dificulta a avaliação e comparação entre os resultados.
Apesar de uma tendência de melhora observada na qualidade do ar nas regiões consideradas, as informações levantadas
demonstram a necessidade de aprimoramento na gestão da qualidade do ar em todos os níveis federativos, de modo a alcançar
concentrações de poluentes que causem menos risco à saúde da população.
18.4 Modelos de Relatórios de Avaliação da Qualidade do Ar
A seguir são apresentados os tópicos que foram desenvolvidos pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)
quando da elaboração do relatório de avaliação da Qualidade do ar no Estado de São Paulo – 2020, e pela Empresa de Proteção
Ambiental do Polo Petroquímico de Camaçari (Cetrel) ao elaborar o relatório da Rede de Monitoramento do Polo Petroquímico de
Camaçari. Foram escolhidas essas duas redes de monitoramento como exemplos em função de uma ter sido implantada na
década de 70 (Cetesb) e a outra na década de 90 (Cetrel) e ambas contarem com elaboração de relatórios anuais de
consolidação dos dados gerados.
18.4.1 Modelo da Cetesb
Ao observar o Relatório da Qualidade do Ar do estado de São Paulo – Ano 2020, constata-se que a Cetesb desenvolveu os
seguintes tópicos para consolidar os dados gerados pela sua rede:
Resumo Executivo
Condições Meteorológicas
Poluentes Atmosféricos
a) Material Particulado
Partículas Inaláveis
Partículas Inaláveis Finas
Fumaça
Partículas Totais em Suspensão
b) Gases
Ozônio
Dióxido de Nitrogênio
Monóxido de Carbono
Dióxido de Enxofre
Considerações Gerais
Cubatão
1 • Introdução
3 • Redes de Monitoramento
4.1 Considerações gerais sobre estimativas de emissão de fontes móveis e fontes estacionárias
[Link] Aldeídos
[Link] Evolução das concentrações de Carbono Orgânico e Carbono Elementar no MP2,5 na atmosfera de São Paulo
(Cerqueira César)
Referências
O relatório de Avaliação da Qualidade do Ar de São Paulo é disponibilizado na internet por meio do link:
[Link]
[Link]
18.4.2 Modelo do Polo Petroquímico de Camaçari / Cetrel
Quanto ao Relatório de Avaliação da Qualidade do Ar da Rede de monitoramento da Polo Petroquímico de Camaçari, elaborado
pela Cetrel, observa-se o desenvolvimento dos seguintes tópicos:
1. Sumário Executivo
2. Introdução
4.1. Pressão
4.2. Temperatura
4.5. Precipitação
5. 1. Dióxido de Enxofre
5. 2. Monóxido de Carbono
5. 3. Dióxido de Nitrogênio
5. 4. Ozônio
5. 7. Amônia
6. Considerações Finais
7. Recomendações
8. Referências Bibliográficas
9. Anexos
O relatório de avaliação da qualidade do ar da rede do Polo Petroquímico de Camaçari, por ser elaborado por uma empresa
particular, é disponibilizado por meio de solicitação direta à empresa Cetrel.
Espera-se que, com a demonstração dos tópicos trabalhados nos dois relatórios apresentados, o processo de elaboração do
relatório de acompanhamento do desenvolvimento da qualidade do ar se torne menos desafiador para aqueles que contarem
com a responsabilidade de confeccioná-lo.