Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul fls.
113
Comarca de Campo Grande
1ª Vara do Juizado Especial Central
Autos: 0802083-67.2024.8.12.0110
Ação: Procedimento do Juizado Especial Cível - Perdas e Danos
Autor: Jared Pereira Alves de Morais
Réu: [Link] Atividades de Internet Ltda.
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0802083-67.2024.8.12.0110 e código hInKPFgf.
Jared Pereira Alves de Morais ajuizou ação de restituição de valores c.c
danos morais em face do Mercado [Link] Atividades de Internet Ltda, todos
qualificados nos autos.
Alega ter adquirido um celular com a requerida, no dia 23/11/2023, marca
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por KAMILA XIMENES ORTEGA, liberado nos autos em 13/09/2024 às 14:09 .
Samsung Galaxy s 23, Ultra 5 G, Sim 256 Gb, pelo valor total de R$ 4.819,00, mediante
pix.
O prazo para entrega era até 27/11/2023, mas não recebeu o produto. No dia
28/11/2023 solicitou o cancelamento da compra e ressarcimento. A requerida concordou
com o pedido, mas não efetuou o reembolso.
Requer, em sede preliminar, a concessão da justiça gratuita; e a aplicação do
Código de Defesa do Consumidor e inversão do ônus da prova. No mérito, requer seja
determinado o reembolso de valores em dobro; e a condenação da requerida ao
pagamento de danos morais no valor de R$ 30.000,00.
Apresentou reclamações extrajudiciais na plataforma Reclame Aqui (fls.
20/22), informações da compra (fls. 23, 27/28), comprovante de pagamento (fls. 24/26),
tratativas por WhatsApp (fls. 29/32) e na plataforma da requerida (fls. 33/36).
O [Link] Atividades de Internet LTDA apresentou contestação
e alegou, preliminarmente, a ausência dos requisitos para inversão do ônus da prova. No
mérito, afirma que houve uma inconsistência na compra da parte autora, pois a realizou
sem estar logado no site; visando a segurança do autor, do vendedor e do ecossistema da
plataforma do Mercado Livre, a empresa requerida solicitou informações e documentos
ao requerido, que não lhe foram entregues para análise; não caberia qualquer
responsabilidade do Mercado Livre pelo problema relatado, tendo em vista que não
houve pretensão resistida; não se configurou qualquer inadimplemento ou ilícito
contratual imputável ao Mercado Livre; o valor não foi devolvido em razão de não
cooperar com a confirmação das informações necessárias para transferência; a ausência
de falha na prestação de serviços da plataforma e a inexistente o dano na esfera moral.
Modelo 500261 -ML8141 -
Endereço: Rua Sete de Setembro, 174, Centro - CEP 79002-121, Fone: 3317-8695, Campo Grande-MS -
E-mail: cgr-1jecentral@[Link]
Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul fls. 114
Comarca de Campo Grande
1ª Vara do Juizado Especial Central
Apresentou os termos e condições gerais de uso do site (fls. 90/94).
Impugnação à contestação às fls. 102/110.
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0802083-67.2024.8.12.0110 e código hInKPFgf.
É a síntese do necessário, porquanto o relatório é dispensado, com fundamento
no artigo 38 da Lei 9.099/95.
Decido
Preliminar
Aplicação do Código de Defesa do Consumidor e inversão do ônus da
prova
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por KAMILA XIMENES ORTEGA, liberado nos autos em 13/09/2024 às 14:09 .
As partes se enquadram nas figuras de consumidor e fornecedor de serviços,
conforme estabelecem os artigos 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor, motivo
pelo qual devem ser aplicadas as normas e princípios orientadores do Código
Consumerista à relação em apreço.
Dispõe o artigo 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor que, nas relações
de consumo em que há verossimilhança fática ou dificuldade em provar o direito
pleiteado pelo consumidor, impossibilitando-se uma efetiva defesa, é possível, a critério
do juiz, a inversão do ônus da prova.
As alegações do autor são plausíveis e existe maior facilidade de produção
probatória pela parte requerida, fornecedora dos serviços e, por isso, certamente detém
informações e documentos da relação jurídica discutida na ação. Dessa forma,
determino a inversão do ônus da prova.
No mérito
Ao analisar as informações e documentos apresentados, verifica-se que assiste
razão ao autor.
O autor comprovou a compra do telefone, o pedido de cancelamento, a
anuência da requerida e as reclamações efetuadas na via extrajudicial.
A requerida não impugnou a alegação de que não houve a entrega do produto.
Não comprovou o envio, a entrega, a restituição de valores ou a existência de
justificativa plausível que tenha ocasionada a demora. As alegações constantes na
contestação não foram corroboradas por nenhuma prova, embora tenha todos os
registros dos atendimentos e tratativas com o autor.
Modelo 500261 -ML8141 -
Endereço: Rua Sete de Setembro, 174, Centro - CEP 79002-121, Fone: 3317-8695, Campo Grande-MS -
E-mail: cgr-1jecentral@[Link]
Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul fls. 115
Comarca de Campo Grande
1ª Vara do Juizado Especial Central
A parte autora constituiu satisfatoriamente o seu direito, conforme determina o
artigo 373, I, CPC. Incumbia à requerida a produção probatória no sentido de
demonstrar a inexistência do fato, ou a existência de fato impeditivo, modificativo ou
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0802083-67.2024.8.12.0110 e código hInKPFgf.
extintivo do direito da parte autora, nos termos do artigo 373, II, do CPC, mas não o fez.
Portanto, determino à requerida que proceda com a restituição de valores em
favor do autor, no montante de R$ 4.819,00.
A restituição deve ser de modo simples. Não houve um pagamento indevido,
mas a demora na restituição de valores.
Dano moral
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por KAMILA XIMENES ORTEGA, liberado nos autos em 13/09/2024 às 14:09 .
No caso específico, resta evidente os requisitos necessários à configuração da
responsabilidade civil da requerida, sendo devido a fixação do valor da indenização, a
fim de dar cumprimento aos art. 14, do CDC e parágrafo único do art. 927, do CC.
Houve falha na prestação dos serviços pela requerida, ante a ausência de
entrega do produto ou a restituição de valores. A situação perdura por mais de nove
meses. O autor ficou privado do uso do produto e de quantia significativa.
Além disso, tentou resolver a questão de forma consensual, por meio de
reclamações nos canais de atendimento da requerida e plataforma Reclame Aqui, mas
não houve êxito. A situação gerou prejuízos materiais, estresse, perda de tempo útil e
frustrações.
A lei não traz os critérios para esta fixação, devendo o julgador analisar todas
as circunstâncias relacionadas ao evento danoso, considerando o que dispõe o artigo 944
do CC: “a indenização mede-se pela extensão do dano”.
O Superior Tribunal de Justiça vem se posicionando no sentido de que “na
fixação do valor o julgador deve cominar proporcionalmente o grau de culpa, ao nível
socioeconômico dos autores e, ainda, ao porte econômico dos réus, orientando-se o juiz
pelos critérios sugeridos pela doutrina e pela jurisprudência com razoabilidade,
valendo-se de sua experiência e do bom senso e atento à realidade da vida e às
peculiaridades de cada caso (AgRg no Ag 884139/SC/STJ).
No que concerne ao quantum a ser fixado, tendo em vista as peculiaridades do
caso, o grau de culpa e o poder econômico, bem como os critérios de razoabilidade e
proporcionalidade, fixo a quantia de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), por
Modelo 500261 -ML8141 -
Endereço: Rua Sete de Setembro, 174, Centro - CEP 79002-121, Fone: 3317-8695, Campo Grande-MS -
E-mail: cgr-1jecentral@[Link]
Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul fls. 116
Comarca de Campo Grande
1ª Vara do Juizado Especial Central
entendê-la justa e adequada para o caso.
Dispositivo
Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0802083-67.2024.8.12.0110 e código hInKPFgf.
Posto isso, JULGO PROCEDENTES os pedidos e extingo o processo com
resolução do mérito, com fundamento no artigo 487, I, do Código de Processo Civil, a
fim de:
- Condenar a requerida a restituir à parte autora a quantia de R$ 4.819,00
(quatro mil e oitocentos e dezenove reais), atualizada monetariamente pelo IPCA a
partir do efetivo desembolso/prejuízo (art. 389, parágrafo único, do CC), e a taxa Selic
(deduzido o IPCA, art. 406, § 1°, CC) a partir da citação (artigo 405, CC) até o efetivo
Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por KAMILA XIMENES ORTEGA, liberado nos autos em 13/09/2024 às 14:09 .
pagamento;
- Condenar a requerida a pagar à parte autora, a título de dano moral, a quantia
de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), corrigida pela taxa Selic, contados da data
da citação (artigo 405, CC) até a data do efetivo pagamento;
- Sem custas e honorários, pois incabíveis na presente fase, nos termos do art.
55, da Lei 9.099/95.
- Submeter a presente decisão à análise do MM. Juiz de Direito.
Publique-se. Registre-se. Intime-se.
Campo Grande, 13 de setembro de 2024.
Kamila Ximenes Ortega
Juíza Leiga
(assinado por certificação digital)
Modelo 500261 -ML8141 -
Endereço: Rua Sete de Setembro, 174, Centro - CEP 79002-121, Fone: 3317-8695, Campo Grande-MS -
E-mail: cgr-1jecentral@[Link]