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Conceito de Estabelecimento Empresarial

O estabelecimento empresarial, introduzido pelo Código Civil de 2002, é um complexo de bens organizados para o exercício da atividade econômica, abrangendo tanto bens corpóreos quanto incorpóreos. A recente alteração legislativa eliminou a expressão 'empresarial', ampliando o conceito para incluir qualquer sujeito que explore atividades econômicas. O estabelecimento é essencial para a exploração de bens e serviços, podendo também existir na forma virtual, refletindo a evolução do comércio na era digital.

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Conceito de Estabelecimento Empresarial

O estabelecimento empresarial, introduzido pelo Código Civil de 2002, é um complexo de bens organizados para o exercício da atividade econômica, abrangendo tanto bens corpóreos quanto incorpóreos. A recente alteração legislativa eliminou a expressão 'empresarial', ampliando o conceito para incluir qualquer sujeito que explore atividades econômicas. O estabelecimento é essencial para a exploração de bens e serviços, podendo também existir na forma virtual, refletindo a evolução do comércio na era digital.

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Módulo:

Teoria da Empresa,
Empresário e
Estabelecimento
Empresarial e suas
Aplicações no Mercado
Tema 04:
Estabelecimento Empresarial

Aula 01 – Conceito e Características do Estabelecimento


De início, cumpre salientar que o estabelecimento empresarial não possuía uma
previsão legal no Código Comercial de 1850, e nem no Código Civil de 1916. Sendo possí-
vel observar que sua implementação veio apenas com o advento do Código Civil de 2002,
especificamente nos Arts. 1.142 ao 1.149 do diploma normativo. No entanto, por mais que
os códigos anteriores não previam legalmente a figura do estabelecimento empresarial,
esse tema tinha grande preocupação e sempre foi de grande importância para operadores
do Direito.
Com essa noção introdutória, observa-se que o estabelecimento empresarial é
algo que existe há tempos, na verdade, esse tema tem início a partir da compreensão de
Fundo de Comércio, conhecido como “azienda”, ou “fonds de commerce” que, posterior-
mente, foram adotados pelo Direito norte-americano como “good will”.
Tais expressões citadas acima deram início às primeiras impressões para a futura
instituição do estabelecimento comercial, sendo “azienda” para “fundo de comércio” do
Direito Italiano, “fonds de commerce”, para a própria concepção da matéria pelo Direito
Francês e, atualmente, a expressão “good will” estabelece toda a característica de um es-
tabelecimento empresarial.
Após esse breve entendimento, torna-se de grande valia identificar o novo con-
ceito do estabelecimento empresarial de acordo com as características encontradas pelo
“good will” e, até mesmo, relacionado ao que prevê nosso Código Civil, que traz a concei-
tuação do termo em seu Art. 1.142, in verbis:
CC, Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens or-
ganizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade em-
presária.

Ao analisar o artigo supracitado, o primeiro ponto a ser levado em consideração


se relaciona à alteração do conceito introduzido pela Lei n. 14.195/2021, responsável por
diversas alterações no sistema econômico e empresarial do país.
Com essa modificação, o legislador suprimiu o conceito de “empresarial” e deixou
apenas a expressão “estabelecimento”, visto que o sujeito que explora a atividade econô-
mica não empresarial poderá ser titular de um estabelecimento. Enquanto, por sua vez, a
empresa deve ser compreendida como a atividade organizada para a produção e circula-
ção de bens ou de serviços (Art. 966 do Código Civil).
Todavia, por mais que houve tal supressão do termo “empresarial”, nota-se que a

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sua conceituação se refere ao complexo de bens organizado, para o exercício da empresa,
por empresário, ou por sociedade empresária. Trazendo, assim, uma amplitude do concei-
to mencionado.
Essa ampliação do termo “estabelecimento empresarial” se dá pela sua completu-
de ser o complexo de bens funcionalmente destinados para o exercício de atividade eco-
nômica ou de empresa, trata-se de um mecanismo imprescindível para que o empresário,
ou a sociedade empresária exercer a atividade de prestação de bens ou serviços ou de
empresa.
Com isso, o estabelecimento empresarial (conceituado apenas como estabeleci-
mento pelo Código Civil) deve proteger todas as figuras que utilizam de seu mecanismo
para a correta exploração de atividade econômica ou empresária. Logo, associações, so-
ciedades simples, fundações, o próprio conceito de empresário, entre outros, são figuras
que merecem a proteção jurídica em relação ao local em que exercem suas atividades.
Então os conceitos que serão abordados a respeito do estabelecimento comercial
não se aplicarão somente ao estabelecimento do empresário ou da sociedade empresária,
mas sim de todas as pessoas jurídicas que terão esse conglomerado de bens que possuem
um valor econômico para a correta exploração da atividade econômica ou de empresa.
Dessa forma, Sílvio de Salvo Venosa estabelece o conceito amplo de estabeleci-
mento comercial como o seguinte:
O estabelecimento é um complexo de bens funcionalmente destinados ao
exercício de atividade econômica. Trata-se de organismo econômico utili-
zado pelo sujeito para explorar atividade econômica ou empresa, o que é
mais comum.

(...)

Os bens que integram o estabelecimento são todos necessários para a


atividade, incluindo bens móveis, imóveis, inclusive incorpóreos. Entre os
primeiros, podem ser citados maquinários, estoques, instalações, matéria-
-prima etc. e, entre os últimos, o ponto empresarial, marcas, desenhos in-
dustriais, título do estabelecimento, softwares, entre outros. A organização
desses bens forma o aparato para a atividade da empresa.1

Essa compreensão acima pode ser extraída pelo próprio caput do Art. 1.142 que
observamos em momento anterior, senão: o estabelecimento é todo o complexo de bens,
organizado pelo exercício da empresa, pelo empresário ou pela sociedade empresária.
Com isso, notamos que o agrupamento de bens a fim de ocasionar em um acrésci-
mo patrimonial não pode ser caracterizado como um estabelecimento empresarial se não
estiver dentro de um sistema organizado para o exercício da atividade econômica ou de
empresa. Afinal, o acúmulo de bens, por si só, não possui nenhum valor ou proteção dentro

1 VENOSA, S. S. Direito Empresarial. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2020. pg. 38.

5 Teoria da Empresa, Empresário e Estabelecimento Empresarial e suas Aplicações no Mercado


da perspectiva de estabelecimento, conforme preleciona Gladston Mamede:
Dois aspectos merecem ser destacados: em primeiro lugar, o estabele-
cimento não se confunde com o patrimônio do empresário ou sociedade
empresária, já que nesses podem existir bem ou bens que não estão desti-
nados ao exercício da empresa, a exemplo de investimentos diversos (imó-
veis, ações, títulos do tesouro). Em segundo lugar, o estabelecimento não é
apenas um somatório de bens isolados, mas uma organização de bens, o
que pressupõe a consideração de uma lógica e intenção: os bens são defi-
nidos e organizados para o exercício da empresa. Essa organização, por si
só, já remete ao conceito de aviamento, ou seja, à percepção de um plus, de
uma busca por uma vantagem de mercado (goodwill of trade). Justamente
por isso, tem-se o conceito – e, até a prática – do estabelecimento, ou seja,
da consideração dos bens inseridos dentro de um complexo, de uma orga-
nização, permitindo considerá-lo como objeto unitário de direitos, o que se
estudará a seguir.2

Então o estabelecimento passa a ser um elemento indissociável da empresa, ou


seja, essa atividade econômica organizada que o empresário ou a sociedade empresária
ou qualquer pessoa estrutura para a exploração das atividades econômicas capazes de
trazer um futuro valor econômico.
O estabelecimento em seu sentido amplo adotado pelo Código Civil, deve ser todo
o conjunto organizado de bens corpóreos ou incorpóreos que, de forma a serem inseridos
dentro de um sistema econômico, são imprescindíveis para o exercício da atividade eco-
nômica ou de empresa. Logo, conforme citado anteriormente, os bens móveis ou imóveis
como maquinários e afins, bem como os bens imateriais como marca, ponto, entre outros,
são patrimônios inseridos dentro desse conjunto organizado que são imprescindíveis para
o exercício da atividade econômica.
Além disso, torna-se de grande importância ressaltar que o estabelecimento em-
presarial, por ser o complexo de bens (corpóreos ou incorpóreos) organizados para o de-
sempenho da atividade econômica, pode ser visto de forma virtual, conforme esclarece
Sílvio de Salvo Venosa:
Com a tecnologia da informática, há estabelecimentos virtuais sofistica-
dos, utilizados com o emprego exclusivo da transmissão eletrônica de da-
dos. O estabelecimento virtual é fisicamente inacessível, mas conserva a
função de ser o aparato organizado utilizado pelo empresário para explorar
a empresa. O futuro já chegou e a tendência universal, à medida que as
sociedades se sofisticam, é aumentar cada vez mais o comércio virtual.
Atualmente, já é possível negociar, investir, acessar contas bancárias de
qualquer parte do globo, sem acessar o estabelecimento material. A velha
casa de armarinhos de nossos pais e avós transformou-se em megaesta-
belecimentos virtuais.3

Portanto, diante de todas as considerações, observamos que o conceito de


estabelecimento empresarial extraído pelo Código Civil e compreendido pelos demais
doutrinadores se estabelece pela organização de bens corpóreos ou incorpóreos segun-

2 MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2020. pg. 243.
3 VENOSA, S. S. Direito Empresarial. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2020. pg. 38.

Tema 04 - Aula 01 6
do regras e princípios estabelecidos pelo Direito Empresarial que, juntos, são capazes de
explorar adequadamente a atividade econômica de prestação de serviços ou venda de
bens ou a atividade de empresa. Destacando-se entre suas características a estrutura
organizada dentro do sistema empresarial, a existência de bens corpóreos ou incorpóreos
aglomerados para a criação de tal organização e o valor econômico que é correspondido
pelo uso do estabelecimento empresarial.

Leitura Complementar

Empresário, como se sabe, é a pessoa, física ou jurídica, que exerce profis-


sionalmente uma atividade econômica organizada, para a produção ou cir-
culação de bens ou de serviços. Na atual realidade brasileira, essa pessoa,
do empresário, compreende três possibilidades: o empresário individual, a
sociedade empresária e a EIRELI (empresa individual de responsabilidade
limitada)¹.
Empresa, por sua vez, é a própria atividade econômica organizada, exercida
pela pessoa do empresário, na busca do lucro.
Tal atividade, por sua vez, é exercida no estabelecimento empresarial, que
compreende o conjunto de bens, corpóreos (tais como as máquinas, esto-
que, mobília) e incorpóreos (como o nome fantasia, ponto comercial, mar-
cas, patentes, desenhos industriais, entre outros), que a pessoa do empre-
sário reúne e organiza para viabilizar sua atividade. É o estabelecimento,
portanto, a projeção patrimonial da empresa, conforme a terminologia em-
pregada por Oscar Barreto Filho, ou ainda, nas palavras de Rubens Requião,
a base física da empresa, instrumento da atividade empresarial.

PARA LEITURA DO TEXTO


NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI:

Legislação

Código Civil

Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para


exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios


jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.

Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrenda-
mento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à
margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de

7 Teoria da Empresa, Empresário e Estabelecimento Empresarial e suas Aplicações no Mercado


Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial.

Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu pas-
sivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os cre-
dores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de
sua notificação.

Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débi-


tos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o de-
vedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos
vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento.

Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não


pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subseqüentes à transferência.
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a
proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato.

Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-rogação


do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tive-
rem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar
da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a respon-
sabilidade do alienante.

Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido pro-


duzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da
transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente.

Jurisprudência

1 - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INDÍCIOS. IN-


SUFICIÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. 1. Para que seja reconhecida a responsabilidade
pela sucessão empresarial, nos termos do artigo 133 do Código Tributário Nacional, a su-
cessora deve ter adquirido o fundo de comércio ou estabelecimento comercial da empresa
anterior, continuando a explorar a mesma atividade econômica; 2. Estabelecimento, nos
termos do art. 1.142 do Código Civil, é “todo complexo de bens organizado, para exer-
cício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária”. A aquisição de alguns
bens e a cessão da marca, tão somente, não caracterizam trespasse. Inexistentes indí-

Tema 04 - Aula 01 8
cios a caracterizar a responsabilidade prevista no art. 133 do Código Tributário Nacio-
nal, impõe-se o reconhecimento da ilegitimidade passiva da embargante. (TRF-4 - AC:
50066561320184047111 RS 5006656-13.2018.4.04.7111, Relator: RÔMULO PIZZOLATTI,
Data de Julgamento: 16/11/2021, SEGUNDA TURMA).

2 - PROFESSORA UNIVERSITÁRIA. CONTRATOS CONCOMITANTES COM UNIDA-


DES DISTINTAS DE INSTITUIÇÕES DE ENSINO DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. UNICI-
DADE CONTRATUAL. De acordo com o art. 1.142 do Código Civil, considera-se estabele-
cimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário,
ou por sociedade empresária. Assim, a empresa é a própria atividade exercida pelo em-
presário ou por sociedade, enquanto o estabelecimento ou a filial é apenas o local físico
e os demais bens voltados para o exercício da atividade empresária. A formalização de
dois contratos de trabalho, para o exercício da função de professora, concomitantemen-
te, com duas unidades diversas da mesma instituição de ensino ou de um mesmo grupo
econômico implica a unicidade contratual. (TRT-3 - RO: 00106134520205030010 MG
0010613-45.2020.5.03.0010, Relator: Flavio Vilson da Silva Barbosa, Data de Julgamento:
28/10/2021, Decima Turma, Data de Publicação: 10/11/2021.).

BRASIL, Código Civil de 2002. Brasília, DF. Disponível em: < [Link]
[Link]/ccivil_03/leis/2002/[Link] >. Acesso em: 18 de nov. 2021.

BRASIL, Código Tributário Nacional. Brasília, DF. Disponível em: < [Link]
[Link]/ccivil_03/leis/[Link] >. Acesso em: 18 de nov. 2021.

CARVALHO, D. Direito Empresarial. 2ª ed. Brasília: CP Iuris, 2021.

COELHO, F. U. Manual de Direito Comercial. 23ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.

CRUZ, A. S. Direito empresarial. 10ª ed. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Método,
2020.

ENEDINO DAS CHAGAS, E. Direito Empresarial Esquematizado. 7ª ed. São Paulo:


Saraiva Jur, 2020.

MAMEDE, G. Manual de Direito Empresarial. 14ª ed. São Paulo: Atlas, 2020.

9 Teoria da Empresa, Empresário e Estabelecimento Empresarial e suas Aplicações no Mercado


REIS, J. Cláusula de não concorrência nos contratos de trespasse no Brasil. Miga-
lhas. Disponível em: [Link] Acesso em: 18 de nov. 2021.

TEIXEIRA, T. Direito Empresarial Esquematizado: doutrina, jurisprudência e prática.


7ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018.

VENOSA, S. S. Direito Empresarial. 10ª ed. São Paulo: Atlas, 2020.

VIDO. E. Curso de Direito Empresarial. 8ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020.

VIDO. E. Curso de Direito Empresarial. 9ª ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021.

Tema 04 - Aula 01 10

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