Letucha Luís Geraldo
Trabalho de MIC
Tema:
Licenciatura em ensino de português
1º Ano - Laboral
Trabalho de caracter avaliativo a ser
entregue na Faculdade de Letras e
Humanidades na cadeira MIC lecionada
pelo dr. Enisio Cuamba
Universidade Licungo
Quelimane
2020
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Letucha Luís Geraldo
Trabalho de MIC
Tema: Causas da desistência escolar da rapariga, na escola primária do 1º e 2º Grau de
Quelimane no ano lectivo de 2019
Licenciatura em ensino de português com habilitações em Inglês
1º Ano - Laboral
Universidade Licungo
Quelimane
2020
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Índice Pag:
Capítulo I. Introdução .................................................................................................................3
1. Introdução ........................................................................................................................3
1.2. Contextualização e Problematização .............................................................................4
1.3. Justificativa ...................................................................................................................4
1.4. Objectivos .....................................................................................................................5
1.4.1. Objectivo Geral .........................................................................................................5
1.4.2. Objectivos específicos ...............................................................................................5
Capítulo II. Metodologia ..........................................................................................................6
2.2. Quanto a Abordagem do Problema ....................................................................................6
2.3. Quanto aos Objectivos ......................................................................................................6
2.4. Quanto aos Procedimentos Técnicos .................................................................................6
2.5. Técnicas de Recolha e Análise de Dados ...........................................................................6
Capitulo III. Enquadramento Teórico .......................................................................................7
3.1 Educação ...........................................................................................................................7
3.2. Direito ..............................................................................................................................7
3.3. Desistência Escolar ...........................................................................................................7
3.4. Educação como um direito ................................................................................................8
3.5. Causas da Desistência Escolar...........................................................................................9
6. Referencias Bibliográficas .............................................................................................. 10
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Capítulo I. Introdução
1. Introdução
As desistências são uma realidade no país e constituem uma grande preocupação para as
estruturas educacionais, pais e encarregados de educação.
As desistências têm comprometido o processo de ensino e aprendizagem e o rendimento escolar
dos alunos, principalmente da rapariga o que acaba atingindo o seu futuro, e isso levou-nos a
questionar as reais causas por detrás deste fenómeno dentro das escolas moçambicanas. A
UNESCO, refere que 67 milhões de crianças estavam fora da escola em 2012, e das quais mais
de um terço viviam em países de renda baixa como é o caso de Moçambique. (UNESCO,
2015:40)
A Constituição da República de Moçambique, no artigo 122, afirma que “o Estado promove,
apoia e valoriza o desenvolvimento da mulher e incentiva o seu papel na sociedade, em todas as
esferas da actividade política, económica, social e cultural”. A educação estando inclusa, pois
estamos de acordo que uma população educada é fundamental para o desenvolvimento nacional,
e que a educação é um factor chave na promoção do bem-estar social e na redução da pobreza.
A rapariga encontra-se sempre em grande desvantagem no que diz respeito a retenção e
conclusão do ciclo escolar, 43% dos homens são alfabetizados contra 13% das mulheres
alfabetizadas no centro do país, e a média dos homens alfabetizados é de 38% contra 27% das
mulheres em todo país. (FDC, 2015:11)
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[Link]ção e Problematização
Ao estabelecer o ensino gratuito e priorizar o campo da educação, o governo moçambicano
comprometeu-se a garantir a igualdade de acesso a escola para rapazes e raparigas, mais na
prática a realidade escolar ainda é muito hostil e perigosa para a rapariga.
Segundo o Relatório de avaliação do Plano Estratégico de Educação e Cultura (2006-2010/12), a
rede escolar tem sofrido uma expansão desde a assinatura dos acordos de paz em 1992 e a taxa
de admissão no EP1, quase atingiu proporções universais, durante esse período, a taxa bruta de
admissão na 1ª classe aumentou 59% para 123%, enquanto a taxa bruta de escolarização
aumentou de 60% para 112,7% e o número de escolas aumentou de 2800 para mais de 8000.
Contudo, os índices internos de qualidade e eficiência não apresentam o mesmo padrão de
desenvolvimento. Desde 1992 os indicadores de eficiência e qualidade, tais como as taxas de
reprovação e desistência, a proporção de professores qualificados, o número de turmas e o
número de horas diárias de instrução não desenvolveram. (idem)
O nível de acesso no EP1 é muito alto, mas as taxas de conclusão e reprovação não apresentam o
mesmo grau de sucesso. A proporção dos alunos que concluem o ciclo completo do ensino
primário (1ª a 7ª classes) permanecem baixas, dos 100 alunos que ingressaram na 1ª classe,
apenas 37 sobrevivem ate a 5ª classe, na 7ª classe apenas 15 alunos permanecem no sistema.
(Idem)
Mas ainda assim, a rapariga continua sendo marginalizada dentro e fora do sistema educacional
pois, se consegue ter o acesso a educação, por outra, encontra dificuldades para continuar na
escola, daí que surge a seguinte questão de pesquisa:
Quais são as causas da desistência escolar da rapariga, na escola primária do 1º e 2º Grau de
Quelimane no ano lectivo de 2019?
1.3. Justificativa
Esta pesquisa surge da necessidade de promover a igualdade e equidade de oportunidade no
acesso a educação. Medidas concretas passam necessariamente pela criação de um ambiente
escolar sensível ao género, através da identificação e definição das modalidades de organização
do processo educativo, sensibilização da sociedade para a redução da carga de trabalho
doméstico da rapariga providenciando o acesso a água e a diminuição dos gastos em combustível
lenhoso através de fogões melhorados; aumento de numero de professoras, recrutando-as nas
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respectivas comunidades e melhorando as condições de vida e de estudos nos centros de
formação e concessão de apoio financeiro para compra de material escolar (Politica Nacional de
Educação e Estratégias de Implementação -1995).
[Link]
1.4.1. Objectivo Geral
Analisar as causas da desistência escolar da rapariga na Escola Primária do 1º e 2º Grau
de Quelimane
1.4.2. Objectivos específicos
Discutir as causas da desistência escolar;
Identificar os índices de desistência escolar da rapariga na Escola Primária do 1º e 2º
Grau de Quelimane;
Compreender o posicionamento dos professores e membros da direcção face ao abandono
escolar da rapariga da Escola Primária do 1º e 2º Grau de Quelimane.
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Capítulo II. Metodologia
É na metodologia onde traçamos os passos a seguir para testar as hipóteses do estudo, como
também alcançar os objectivos. Desse modo, para a presente pesquisa, iremos detalhar a nossa
pesquisa, seguindo a lógica da pesquisa quanto a natureza, ao problema, aos objectivos,
procedimentos técnicos, população e amostra de estudo, sendo que na última fase iremos
detalhar as técnicas de recolha.
2.2. Quanto a Abordagem do Problema
MARCONI & LAKATOS (2010), considerando o rumo que o problema toma, refere que
podemos discutir a abordagem do problema de pesquisa, tendo em conta a visão qualitativa e
quantitativa.
A nossa pesquisa orienta-se na visão qualitativa pois procura analisar dados sem ter o enfoque de
traze-los sob forma numérica, mas sim traduzi-los em inferências.
2.3. Quanto aos Objectivos
Quantos aos objectivos, a presente pesquisa enquadra-se na pesquisa exploratória, pois
pretendemos buscar maior familiaridade com o problema de pesquisa, considerando que a
mesma irá ao campo para confirmar esse problema. Podemos ainda assumir uma parte descritiva
dos nossos objectivos considerando que buscamos também discernir aquilo que são as causas.
2.4. Quanto aos Procedimentos Técnicos
Quanto aos procedimentos, cingir-se-á na pesquisa bibliográfica. Pois segundo GIL (1994), o
presente método consiste no desenvolvimento do estudo a partir de material já publicado, como
livros, artigos, periódicos, Internet.
2.5. Técnicas de Recolha e Análise de Dados
Para o alcance da pesquisa, vai se basear preferencialmente em duas técnicas de recolha de dados
entrevista e questionário. Quanto a técnica de entrevista a mesma será aplicada aos membros da
direcção escolar. De salientar que será uma entrevista estruturada. GIL (1994) refere que esse
tipo de entrevista oferece um roteiro formalizado, daquilo que vai ser o desenvolvimento da
entrevista, e ainda traz vantagens, no sentido de proporcionar contacto directo com o
entrevistado. Quanto ao questionário, esta técnica tem como objectivo conhecer as opiniões,
crenças, sentimentos, interesse, expectativas, situações vivenciadas, (GIL, 1999).
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Capitulo III. Enquadramento Teórico
3.1 Educação
COTRIM & PARISI (1985), consideram educação como um processo de adquirir experiências
que actuam sobre a mente e o seu físico. Essas experiências influenciam o comportamento em
termos de ideias ou acções, enquanto outros poderão ser rejeitados e não assimilados.
NÉRCI (1989), considera a educação como um processo de capacitação do indivíduo no sentido
de orientá-lo a agir conscientemente mediante as diversas situações do quotidiano,
correlacionando aprendizagens anteriores com o intuito de garantir a fácil integração de cada
indivíduo, com isso não excluindo as necessidades indivíduas nem colectivas.
Para DURKHEIM (2001), a educação é uma interacção entre gerações novas e adultas. Sendo as
adultas as que orientam as novas no sentido de prepará-los para a vida social, com intuito de lhe
fornecer certos estados físicos, intelectuais e morais.
E desta forma, o papel da educação consiste em integrar a pessoa no meio social onde ela vive,
convive, trabalha e se diverte, por meio da educação a pessoa socializa-se, adquire
conhecimentos que poderão ser úteis no presente e no futuro.
3.2. Direito
Segundo KELSEN (1998), direito é uma ordem normativa da conduta humana, ou seja, um
sistema de normas que regulam o comportamento humano.
GUSMÃO (2002) define direito como um conjunto de normas executáveis coercivamente,
reconhecidas ou estabelecidas e aplicadas por órgãos institucionais
Assim pode se afirmar que, direito é um sistema de disciplina social fundado na natureza humana
que estabelecendo nas relações entre homens uma proporção de reciprocidade nos poderes e
deveres que lhe atribui, regula as condições de existência dos indivíduos e dos grupos sociais e
em consequência da sociedade mediante normas coercivamente impostas pelo poder público.
3.3. Desistência Escolar
Etimologicamente, a palavra desistência vem do latim, o que significa “malogro, mau êxito, falta
de sucesso que se desejava” ou ainda desastre fracasso. O termo desistência ou fracasso é
habitualmente referenciado por analogia ao termo abandono que advêm do latim, o qual assume,
entre outros, os seguintes significados “o mau êxito, perda, malogro”.
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BENAVENTE (1976), a partir de diversos estudos, reuniu para esta designação vários termos
nomeadamente, abandono, desperdício, desadaptação, desinteresse, desmotivação fracasso. Face
a esta terminologia pode-se afirmar que o termo desistência escolar refere-se ao abandono da
escola pelos alunos sem atingirem a meta desejada, pois a desistência leva as reprovações,
repetências e mau rendimento escolar, originando o insucesso escolar.
O mesmo autor refere que a questão de desistência escolar pressupõe a coexistência de inúmeros
factores que incluem as políticas educativas, as questões de aprendizagem, aos conteúdos e
mesmo a relação pedagógica que se estabelece. Contudo da ênfase aos problemas que os alunos
não conseguem resolver nomeadamente:
Entre a escola e a realidade em que vivem;
Entre as aprendizagens exigidas pela escola e as da família e do meio social;
Entre as aspirações, normas e valores da família e as exigências da escola;
MARCHESI & PEREZ (2004) defendem que o termo de desistência escolar é ainda mais
discutível por enquanto encerra algumas ideias: em primeiro lugar, a ideia de que o aluno
“fracassado” não progrediu praticamente nada em âmbito dos seus conhecimentos escolares, nem
a nível pessoal e social, o que não corresponde em absoluto a realidade. Em segundo lugar,
porque o termo “fracasso” oferece uma imagem negativa do aluno ao mesmo tempo que centra
neste, toda a responsabilidade do insucesso escolar, esquecendo a responsabilidade de outros
agentes e instituições como condições sociais, a família, o sistema educativo ou a própria
escola”.
Depois de discutido a terminologia da desistência escolar, os autores acima encaram o presente
termo de forma unânime ao considera-lo como sendo um acto de deixar ou abandonar os estudos
ou a escola antes do término do período/ciclo, sem atingir os objectivos pretendidos.
3.4. Educação como um direito
Segundo GUSMÃO (2002), a história do direito a educação escolar é semelhante a luta por uma
legislação protectora dos trabalhadores das indústrias nascentes, pois em ambos os casos foi no
século XIX, que se lançaram as bases para os direitos sociais como integrantes da cidadania. O
autor reafirma ainda que a educação é um pré-requisito do exercício de outros direitos civis e
para tal o saber ler e escrever é indispensável.
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A existência de um direito, seja em sentido forte ou fraco, implica sempre a existência de um
sistema normativo onde por existência, deve entender tanto o simples factor externo de um
direito histórico ou vigente, quanto ao reconhecimento de um conjunto de normas como guia da
própria acção. A figura do direito tem como correlato a figura de obrigação, (BOBBIO, 1992).
A Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, no seu artigo 26, defende que:
1. Toda a criança tem o direito a educação. A educação será gratuita, pelo menos no ensino
primário. A educação primária será obrigatória (…).
2. A educação será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e
do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais (…)
O direito a educação representa assim a possibilidade de todos os cidadãos verem garantidas as
condições para realizarem-se como pessoas, consciencializando-se face a importância de
respeitarem os direitos e deveres fundamentais que regem a vida social, de assimilarem e
praticarem os valores e padrões de vida comunitária.
3.5. Causas da Desistência Escolar
NEVES (2012), na sua dissertação, resume o ponto de inicio das causas de desistência escolar,
onde recorre ao indivíduo, família, escola e meio envolvente, defendendo que as causas da
desistência escolar tem origem nas interacções desses quatro sistemas, e que esta correlação pode
ditar o abandono escolar, primeiro pelos aspectos sócio culturais exigidas pela escola e ainda
pelo perfil do aluno que esta escola necessita, obviamente quem não se adequar ao padrão, terá
incidência de afastar desse meio. Nessa visão iremos correlacionar o ambiente externo
considerando os aspectos sócio-culturais, para aferirmos as causas e o ambiente interno a escola.
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6. Referencias Bibliográficas
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BENEVANTE, A. A escola na sociedade de classes: Lisboa, livros horizontes
Paulo. 1976
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BRANDÃO, C. Casa de Escola: Cultura Camponesa e Educação Rural. Campinas.1983
CALDAS, E. Combatendo a evasão escolar. São Paulo.2000
CUNHA, L. Educação para a democracia: uma lição de política prática.1997
DURKEIN, E. Sociologia, educação e moral. Porto, Portugal: Rés editora .2001
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pedagogie.1987
FOLQUIE, P. Dicionário da língua pedagógica, livros horizontes. Lisboa.1971
FUKUI, L. Educação e meio rural. Brasília.1982
GIL, A. Métodos e técnicas de pesquisa social, [Link]. São Paulo: atlas editor.1999
GUERREIRO, S. Insucesso e abandono escolar. Porto: centro social e paroquial nossa
senhora da vitória. 1998
GUSMÃO. P. Introdução ao estudo do direito. 32ª ed. revista. Rio de Janeiro.2002
JONASZ, M. Abandono escolar na adolescência: factores e trajectórias múltiplas. Revista
portuguesa de pedagogia.1999
LAKATOS & MARCONI. Metodologia de trabalho cientifico.4ª edição. São Paulo. 19992
LIBANÊO, J.C. Didáctica. São Paulo.1994
MARCHESI, A. O que será de nós, os maus alunos. Porto Alegre. 2006
MARCHESI, A. Perez, E. (2004). A compreensão do fracasso escolar.2004
MONTAGNER, H. Acabar com o insucesso na escola. 1996
NERICI, I. Didáctica, uma introdução. Atlas editor. São Paulo.1989
PILLET, C. Didáctica geral. Editora ática. São Paulo.2003
QUEIROZ, B. et all. Sistema Inteligente Multi-agente para Educação à Distância.2002
RUMBERGUER ,R. Why students drop out: are view of 25 years of research California
drop out research project. 2008
SIL, V. Alunos em situação de insucesso escolar. Lisboa. 2004
VAZ, J. A violência na escola: como enfrenta-la. São Paulo. 2010