Estudo de Tensões em Materiais
Estudo de Tensões em Materiais
TikTok (T27)
1 Estudo de um corpo
Todo corpo é um conjunto contı́nuo de pontos com massa. Esses pontos podem ser subdividos em dois tipos:
(
B(t) = Ω ∪ Γ
Ω ∩ Γ=∅
Em que B(t) é o corpo, Ω é o conjunto de pontos internos ao corpo e Γ é a fronteira. Os corpo estão sujeitos a dois
tipos de carregamento:
i. Forças de campo (B(t), no ”volume”)
ii. Forças de contato (Γu , na ”superfı́cie”)
Sendo Γ = Γu ∪ Γq , com Γu são os pontos da fronteira onde a restrição é aplicada e Γq são os pontos da superfı́cie
onde há carregamento.
Ao cortar o corpo, surgirá um vetor t de forma a manter a condição de equilı́brio em cada parte de B(t). Sendo
t(n) = f (n), trabalhando com a base do sistema:
(1)
e1 t n1
n = e2 → t(2) ∴ t(n) = t(1) t(2) t(3) n2
e3 t(3) n3
Onde t(i) é obtido ao encontrar o vetor t correspondente ao plano de corte onde a normal é o vetor ei unitário.
t(n) = σn −→ ⃗t = t1 e1 + t2 e2 + t3 e3
Tensor:
σ = σij ei ⊗ ej
Obs.: Produto dissorial
1 0 1 0
e1 ⊗ e2 = 0 0 1 0 = 0 0 0
0 0 0 0
Todos os elementos são zero, exceto o da linha i e coluna j.
1
Exemplo 2. Dado a matriz de tensores, encontre a tal que exista normal em que t = 0
Resp.:
0 0 1 2 n1
t = σ n → 0 = 1 a 1 n2
0 2 1 1 n3
n2 + 2n3 = 0
3
1 4 2
n1 + an2 + n3 = 0 → a= ∴ ⃗n = √ , −√ , √
4 21 21 21
2n1 + n2 + n3 = 0
1 √ 1 1 1 1
Exemplo 3. Dado os vetores t1 = 2, t2 = 2 3 1 e t3 = 2 1 respectivos a n1 = 0, n2 = √1 1 e
3
3 0 1 0 1
0
n3 = 1 encontre a matriz de tensores σ
0
Resp.:
1 2 3
σ = 2 2 2
3 2 σ3
Sendo que t2 = σn2
√ √
2 √3 1 2 3 1/√3 1 2 3
2 3 = 2 2 2 1/√3 ∴ σ3 = −5 ⇒ σ = 2 2 2
0 3 2 σ3 1/ 3 3 2 −5
2 Tensões Principais
Independentemente do estado de tensão num ponto, é sempre possı́vel escolher um sistema cartesiano ortogonal de
maneira que o tensor tensão tenha as componentes de cisalhamento (τ ) nulas, ou seja, σ é uma matriz diagonal. Os
eixos desse sistema são denominados eixos principais e as tensões normais (σI , σII e σIII ) são as tensões principais.
σ 3 − I1 σ 2 − I2 σ − I3 = 0
As raı́zes da equação serão as tensões principais σI , σII e σIII , as quais independem do sistema de coordenadas,
elas são, então, invariantes assim como os coeficientes da equação.
Obs.: É como encontrar os autovalores e os autovetores da matriz tensor tensão, em que os autovalores são as
tensões principais, invariantes, e os autovetores são os vetores normais que atuam cada tensão principal.
σ = σe + σd
2
onde
σm 0 0 s1 s12 s13
σe = 0 σm 0 σd = s12 s2 s23 = σ − σe
0 0 σm s13 s23 s3
Impomos na definição de σe e σd que
σ1 + σ2 + σ3 I1
s1 + s2 + s3 = 0 ⇒ σm = =
3 3
Por estar associado a um estado de tensão esférico, σe é chamado de componente esférica do tensor tensão.
· Cisalhamento puro: Condição necessária e sufiente
σ1 + σ2 + σ3 = 0
O tensor σd (componente desviadora) é associado a um estado de cisalhamento puro ( tende a desviar o sólido
de sua forma original, enquanto pouco muda o seu volume.
As direções principais de σ e de σd coincidem. As tensões principais desses dois tensores são relacionadas por:
s3 − J1 s2 − J2 s − J3 = 0
J2 1/2
Com J1 = 0. Para determinar as raı́zes, vamos fazer a mudança de variável s = 2 3 cos θ, em que cos 3θ =
3/2
J3 3
2 J2 . As três raı́zes ficam:
1/2 1/2 1/2
J2 J2 2π J2 2π
sI = 2 cos θ, sII = 2 cos θ− , sIII = 2 cos θ+
3 3 3 3 3
σ 3 − 3σ 2 − 6σ + 8 = 0
σI = 4 M P a σII = 1 M P a σIII = −2 M P a
Obs.: Os valores da tensão principal poderiam ser determinados já a partir daquela equação do determinante, o
método que usamos aqui é para quando for difı́cil fazer pelo método tradicional.
Com os autovalores, determinamos os autovetores:
2 1 0
1 1 1
nI = √ 1 nII = √ −1 nIII = √ 1
6 1 3 −1 2 −1
3
4 Diagrama de Mohr
Do tensor tensão diagonalizado, temos:
t1 σI 0 0 n1 σI n1
t2 = 0 σII 0 n2 = σII n2
t3 0 0 σIII n3 σIII n3
Substituindo em
σ = nT t , σ 2 + τ 2 = |t|2 , |n| = 1
Temos um sistema de três equações lineares em n21 , n22 e n23 , cuja solução é
2
τ + (σ − σII )(σ − σIII )
n21 =
(σI − σII )(σI − σIII )
τ 2 + (σ − σI )(σ − σIII )
n22 =
(σII − σI )(σII − σIII )
τ 2 + (σ − σI )(σ − σII )
n23 =
(σIII − σI )(σIII − σII )
Por convenção, σI > σII > σIII , temos de n21 ≥ 0 que
2 2
σII + σIII σII − σIII
τ2 + σ − ≥
2 2
Uma circunferência centrada em ((σII + σIII )/2, 0) de raio (σII − σIII )/2, representada pelos pontos sobre C1 e
fora dela. Analogamente para n22 ≥ 0 e para n23 ≥ 0, temos:
2 2
2 σI + σIII σI − σIII
τ + σ− ≤
2 2
Uma circunferência centrada em ((σI + σIII )/2, 0) de raio (σI − σIII )/2 representada pelos pontos sobre C2 e no
seu interior. 2 2
σI + σII σI − σII
τ2 + σ − ≥
2 2
Uma circunferência centrada em ((σI + σII )/2, 0) de raio (σI − σII )/2, representada pelos pontos sobre C3 e fora
dela. No diagrama:
4
i. No diagrama, os valores de σ são completamente contemplados, mas para τ apenas avaliamos sua magnitude
(módulo);
ii. A menor e a maior tensões principais são a menor e a maior das tensões normais que atuam no ponto (são os
extremos esquerdo e direito, respectivamente, do diagrama);
iii. A máxima tensão de cisalhamento tem magnitude (σI − σIII )/2 (raio de C2 ) e atua em planos cuja tensão
normal é (σI − σIII )/2. Os planos de máxima tensão de cisalhamento são dois planos que formam um ângulo
de 45° com σI e σIII e são paralelos a σII
Para determinar o ângulo θp em que ocorre as tensões principais máxima e mı́nima, fazemos
2τ12
tan 2θp =
σ1 − σ2
Já, para determinar o ângulo da direção de cisalhamento máximo θc , fazemos
σ1 − σ2
tan 2θc = −
2τ12
Isso nos ajuda a entender como os materiais quebram!
Resp.: A circunferência de Mohr que representa os vetores tensões que atuam em planos paralelos à tensão
principal −2000 kP a (é possı́vel notar que ela é tensão principal por ter componente apenas em um dos eixos) tem
centro em:
σ1 + σ2 10000 + 6000
,0 = , 0 = (8000, 0) kP a
2 2
Esse centro é correspondente à circunferência C3 , pois −2000 kP a = σIII por ser a menor dentre as tensões
principais.
Marcando o ponto do estado de tensão (10000, 4000) (o τ troca o sinal) dessa circunferência que corresponde
ao vetor tensão que atua no plano perpendicular ao eixo x1 . O raio da circunferência é dado por:
s 2 s 2
σ1 − σ2 10000 − 6000
+ τ12 = + 40002 = 4472 kP a
2 2
5
As tensões principais, então, são dadas por
As três circunferências de Mohr relacionadas aos vetores tensões que atuam em planos paralelos às tensões principais
são traçadas na figura abaixo:
i. A máxima tensão de cisalhamento dentre as que atuam em planos paralelos a σIII = −2000 kP a vale (raio
de C3 )
12472 − 3528
= 4472 kP a
2
e ocorre num plano com tensão normal
12472 − 3528
= 8000 kP a
2
ii. A máxima tensão de cisalhamento no ponto é dada pelo raio da maior circunferência
12472 − (−2000)
= 7236 kP a
2
e atua num plano com tensão normal
12472 + (−2000)
= 5236 kP a
2
5 Equações de equilı́brio
Teorema da Divergência para o campo tensorial:
Z Z
G ∇x dΩ = G n dΓ
Ω Γ
6
· Para o equilı́brio de rotação, temos: Z
(xσc )∇x dv = 0
Ω′
σ∇ · v + b = 0
para b = 0 (força de volume nula) e associa ao plano x1 = 1 o vetor tensão
t = (1 + x2 )e1 + (6 − x2 )e2 .
1 − x2 + c = 6 − x2 ∴ c=5
Assim,
τ12 = x1 − x2 + 5
7
6 Deformação
Configuração: posição ocupada por um ponto de massa em um determinado instante t. Nós vamos estudar a
configuração final (deformada) a partir da configuração inicial. Para isso, vamos utilizar o sistema de coordenadas
ortogonais onde:
i. Coordenadas Lagrangianas (ou materiais): (X1 , X2 , X3 ) que identificam o ponto P , são as coordenadas da
configuração inicial;
ii. Coordenadas Eulerianas (ou espaciais): (x1 , x2 , x3 ) que identificar o ponto p, são as coordenadas da confi-
guração em um determinado t.
A configuração do sólido em qualquer tempo t pode ser expressa por:
xi = xi (X1 , X2 , X3 , t) i = 1, 2, 3
dX T dX = dxT dx → dx = F dX
8
0 1 0 F13 0
⇒ 3 = 0 1 F23 0
3 0 0 F33 2
∴ F13 = 0 e F23 = F33 = 3/2
Logo, o gradiente de transformação é dado por:
1 0 0
F = 0 1 3/2 (adimensional)
0 0 3/2
7 Deformação de Green
Além disso, o gradiente de transformação pode ser separado em duas partes:
F =I +H
Sendo H o Gradiente de Deslocamento, e I a matriz identidade. E para mensurar a deformação, vamos utilizar
a Deformação de Green:
FTF − I
ϵ=
2
Que define o Estado de Deformação do Ponto (completamente análogo ao estado de tensão do ponto, o tal do σ).
Obs.: Veja que se não houver deformação, isto é, o movimento é de corpo rı́gico, F é ortogonal, logo, ϵ = 0.
O vetor deformação E = ϵN , assim como o vetor tensão t, pode ser dividido em uma soma de componente
normal e de cisalhamento:
EN = ϵN N e Es = ϵN S S
Sendo
ϵ1 ϵ12 ϵ13
ϵ= ϵ2 ϵ23 e ϵ′ = LϵLT
Sim. ϵ3
Escrevendo ϵ em função de H:
H + H T + HH T
ϵ=
2
(Deformação em função do gradiente de deslocamento). Na maioria dos casos práticos |Hij | << 1, então:
H + HT
ϵ=
2
Exemplo 8. Determine o tensor de deformação de Green e o tensor pequena deformação para o sólido do exemplo
7 (anterior).
Resp.:
T
1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0
1 1
ϵ = 0 1 3/2 0 1 3/2 − 0 1 0 ∴ ϵ = 0 0 3
2 4
0 0 3/2 0 0 3/2 0 0 1 0 3 7
O tensor de pequena deformação é
H + HT F + FT
ϵ= = −I
2 2
0 0 0
1
ϵ= 0 0 3
4
0 3 2
9
Ambos os tensores poderia ser avaliados usando o gradiente deslocamento H:
0 0 0
H = 0 0 32
0 0 12
A magnetude de algumas componentes de H já indicaria que o emprego do tensor pequena deformação seria
inadequado.
Exemplo 9. Refaça o exemplo anterior para um sólido que rotaciona rigidamente de um ângulo θ no sentido
anti-horário em torno de X3 ≡ x3 .
Resp.: Um ponto material qualquer inicialmente na posição P , com vetor posição de módulo L e ângulo α com
o eixo X1 , suas coordenadas são:
X1 = Lcos α e X2 = Lsen α
Com a rotação, o ponto material passa ocupar a posição p, cujo vetor posição também terá módulo L e fará um
ângulo θ + α com X1 . Assim, suas coordenadas x1 e x2 serão:
É possı́vel notar que F é ortogonal, portanto, não há deformação! Além disso, o gradiente de deslocamento é dado
por
cos θ − 1 −sen θ 0
H = sen θ cos θ − 1 0
0 0 0
8 Interpretação Geométrica
Seja P ⃗Q1 e P ⃗Q2 duas fibras na configuração de referência, e pq
⃗ 1 e pq
⃗ 2 as fibras deformadas, vamos encontrar uma
relação para determinar o θ:
10
Fazendo produto escalar nas fibras, temos:
⃗ 1 T · pq
pq ⃗ 2 = ds1 · ds2 · sen θ (1)
T
P ⃗Q1 · P ⃗Q2 = 0 (2)
De (1):
(F P ⃗Q1 )T (F P ⃗Q2 ) = P QT1 · F T F · P Q2
Com F T F = 2ϵ + I e também de (1):
∂u2 ∂u1 H + HT
θ = θ1 + θ2 = + e ϵ≈
∂x1 ∂x2 2
Beleza!!! Mas isso é para quando a configuração inicial está em um sistema ortogonal né?! E se ele não for
ortogonal? Spoiler: só vai mudar o numerador por causa do produto interno em (2) na mesma demontração ali
T
de cima. Vamos seguir a partir de 3, lembrando que P ⃗Q1 · P ⃗Q2 = dS1 dS2 cos α, com α sendo o ângulo inicial da
deformação e β o ângulo final.
√ √
ds1 · ds2 · cosβ = 2dS1 dS2 N1T ϵN2 ∴ 2ϵ1 + 1 2ϵ2 + 1dS1 dS2 cos β = dS1 dS2 N1T (2ϵ + I)N2
Lembrando também que dSi são os tamanhos das fibras e Ni são as direções unitárias. Daı́ temos, isolando beta:
11
Dedução Importante!!! Quando o corpo se deforma, normalmente há mudança de volume, vamos medir
essa mudança dv−dV
dV . Dado um ponto P :
Pelo produto
misto: dV = det dX
1
dX2 dX3 , analogamente,
dv = det F dX1 F dX2 F dX3 = (det F ) · dV . Voltando para a deformação volumétrica:
dv − dV
ϵV = = det F − 1 ∴ ϵV = det F − 1
dV
Mas F T F = 2ϵ + I, aplicando determinante em ambos os termos:
p
(det F )2 = det(2ϵ + 1) ∴ ϵV = det(2ϵ + 1) − 1
∴ ϵV ≈ ϵ1 + ϵ2 + ϵ3 = tr(ϵ)
Determine:
a) o tensor deformação de Green
Resp.: H é o gradiente de deslocamento: H = ∂u
∂x
2X1 0 0
H= 0 X3 X2
2(X1 + X3 ) 0 2X1
Aqui a gente pode seguir dois caminhos que chegarão na mesma resposta, o que vai mudar é a quantidade de conta
(ou não):
H + HT + HT H FTF − I
ϵ= = com F = I + H
2 2
Escolhendo um dos dois pra fazer as contas, teremos esse trabolho aqui:
b) a deformação no ponto (X1 , X2 , X3 ) = (1, 1, 0) das fibras inicialmente paralelas aos eixos X1 e X3 , e a mudança
do ângulo entre elas.
Resp.: No ponto (1, 1, 0) substituindo em ϵ:
12 0 6
1
ϵ = 0 0 1
2
6 1 9
12
Analogamente, para a fibra paralela a X3
1 12 0 6 0
ϵ3 = 0 0 1 · ·0 0 1 0 ∴ ϵ3 = 4, 5
2
6 1 9 1
9 Medição experimental
Para medir a deformação das fibras, usamos o extensômetro ou strain gage. Ele mede a deformação normal ϵN
na superfı́cie de um sólido.
A base do extensômetro é colada na superfı́cie do sólido, no ponto e direção onde se deseja medir a deformação.
Quando o sólido se deforma, o fio do dispositivo também se deforma, variando sua resistência elétrica. É possı́vel
determinar a deformação a partir da variação da resistência elétrica do fio.
Suponha que o ponto P esteja na superfı́cie de um sólido, com plano tangente a X1 X2 . O extensômetro nos
dará 3 medidas de deformação normal: ϵa , ϵb e ϵc .
Exemplo 11. Sabendo-se que as deformações normais obtidas pela roseta (agrupamento dos três extensômetros)
de 120° são ϵa = 44 · 10−6 , ϵb = −55 · 10−6 e ϵc = 66 · 10−6 , determine ϵ1 , ϵ2 e γ12
13
Exemplo 12. Num experimento, a roseta de 45◦ indicada mede na superfı́cie de uma estrutura
Determine a deformação de cisalhamento γ12 e a deformação normal ϵ′2 . Por que ϵ1 + ϵ2 = ϵ′1 + ϵ′2 ?
Resp.: Vamos fazer assim como no Diagrama de Mohr para as tensões! Determinaremos os autovalores e au-
tovetores da matriz para as deformações e direções principais ϵ:
√ √ iT
h
1+ 13 −3+ 13
ϵ I = 2 n I = 0 2 1
h iT
ϵII = −1 nII = 1 0 0
√ h √ iT
ϵIII = 1− 13 nIII = 0 − 3+ 13 1
2 2
No Diagrama de Mohr: r √
9 13 −1 + 2 1
Raio = +1= Centro = =
4 2 2 2
Sabemos que a deformação de cisalhamento máxima é dada pelo Raio do cı́rculo de Mohr:
√
13
∴ γmax =
2
10 Equações Constitutivas
Agora a gente vai levar em consideração o material que o corpo é constituido!
As equações constitutivas são, assim, modelos matemáticos que descrevem o comportamento dos materiais. São
equações que contêm parâmetros que precisam ser identificados por ensaios experimentais. Relacionando equilı́brio
com deformação:
σ = g(F )
Onde g é uma função tensorial invariante a movimento de corpo rı́gido. Quando o modelo é invariante, ou seja,
independente do observador, dizemos então que ele obedece ao princı́pio da objetividade. Para constatar que é
invariante, deve satisfazer:
g(QF ) = Qg(F )QT
Sendo Q a transformação associada ao movimento de corpo rı́gido.
14
Exemplo 14. Mostre que o modelo constitutivo σ = g(ϵ) em que o tensor tensão de Cauchy relaciona-se com o
tensor deformação de Green, é inaceitável por violar o princı́pio da objetividade.
σ = QσQT ϵ=ϵ
g(ϵ) = Qg(ϵ)QT
para qualquer Q. Como essa relação de invariância só é verificada para Q = I (movimento de translação ou nenhum
movimento), então o modelo constitutivo σ = g(ϵ) não obedece ao princı́pio da objetividade.
Se as deformações forem pequenas (na prática vamos trabalhar sempre assim a partir de agora) podemos
relacionar σ com ϵ de forma linear, usando séries de Taylor em torno de ϵ1 = ϵ2 = ... = γ12 = 0 teremos a
relação:
{σ} = [C]{ϵ}
onde
σ1
ϵ1 C11 C12 C13 C14 C15 C16
σ2 ϵ C21 C22 C23 C24 C25 C26
2
σ3 ϵ3 C31 C32 C33 C34 C35 C36
{σ} = {ϵ} = [C] =
τ23
γ23
C41
C42 C43 C44 C45 C46
τ13 γ13 C51 C52 C53 C54 C55 C56
τ12 γ12 C61 C62 C63 C64 C65 C66
Com os coeficientes Cij a serem determinados experimentalmente. (Essa expressão só é válida se as deformações
forem pequenas e o material livre de tensões iniciais!!!)
Obs.: Se C −1 existe, então é um modelo elástico. Ou seja, devemos ter uma g(ϵ) bijetora para que o material seja
elástico!
Exemplo 15. Considere que no espaço (σ1 , σ2 , ϵ1 , ϵ2 ) o comportamento de um material elástico linear seja descrito
por
σ1 = C11 ϵ1 + C12 ϵ2 σ2 = C21 ϵ1 + C22 ϵ2
Avalie o trabalho realizado pelas forças internas quando um carregamento, seguido de descarregamento, induz
a deformação a percorrer, no espaço (ϵ1 , ϵ2 ), a trajetória da figura abaixo. Depois avalie novamente o trabalho
supondo agora que o percurso se dê no sentido contrário.
Resp.: O trabalho infinitesimal, por unidade de volume, realizado pelas forças internas é
Z
w = −(σ1 dϵ1 + σ dϵ2 ) ∴ WABCDA = − (σ1 dϵ1 + σ dϵ2 )
15
Separando as seções, temos:
Z B Z A
WABCDA = − (σ1 dϵ1 + σ2 dϵ2 ) − ... − (σ1 dϵ1 + σ2 dϵ2 )
A D
Z ϵ∗
1
Z ϵ∗
2
Z 0 Z 0
WABCDA = − C11 ϵ1 dϵ1 − (C21 ϵ1 + C22 ϵ2 )dϵ2 − C11 ϵ1 dϵ1 − C12 ϵ1 dϵ2 = (C12 − C21 )ϵ∗1 ϵ∗2
0 0 ϵ∗
1 ϵ∗
2
(WABCDA = WADCBA se C12 ̸= C21 ). Para que respeite a primeira lei da termodinâmica, a relação C12 = C21
deve ser imposta de maneira que WABCDA = WADCBA = 0, restringindo as tensões a serem conservativas.
Energia de deformação: Se as tensões são conservativas, elas se derivam de um potencial, função exclusiva
das componentes da deformação:
∂U0 ∂U0
σi = τij =
∂ϵi ∂γij
O material com essas equações é dito hiperelástico e U0 é a densidade de energia de deformação. Além disso, na
matriz [C], temos:
Cij = Cji
Resp.: Para achar a matriz vamos precisar usar aquelas infinitas equações que relacionam C, com E e ν, mas
tem ν que não conhecemos, logo, ainda precisaremos usar aquela equação de cima ainda para primeiro determinar
o que falta e depois fazer as substituições para achar os valores de Cij .
ν21 = ν12
E1
E2
⇒ ν21 = 0, 0195
ν13 E3
ν31 = E1 ⇒ ν31 = 0, 0195
ν23 E3
ν32 = E2 ⇒ ν32 = 0, 46
Substituindo,
∆ = 1 − ν12 ν21 − ν13 ν31 − ν23 ν32 − 2ν13 ν21 ν32 → ∆ = 0, 7742
Assim, obtêm-se:
E1 155 155
C11 = = = = 157, 84
1 − ν23 ν32 1 − 0, 46 × 0, 46 0, 7742
ν21 E1 0, 0195 × 155
C12 = = = 5, 70
∆ 0, 7742
ν31 E1 0, 0195 × 155
C13 = = = 5, 70
∆ 0, 7742
E2 12, 1 12, 1
C22 = = = = 15, 55
1 − ν13 ν31 1 − 0, 25 × 0, 0195 0, 7742
ν32 E3 0, 46 × 12, 1
C23 = = = 7, 27
∆ 0, 7742
E3 12, 1 12, 1
C33 = = = = 15, 55
1 − ν12 ν21 1 − 0, 25 × 0, 0195 0, 7742
16
C44 = G23 = 3, 2 C55 = G13 = 4, 4 C66 = G12 = 4, 4
Portanto,
157, 84 5, 70 5, 70 0 0 0
5, 70 15, 55 7, 27 0 0 0
5, 70 7, 27 15, 55 0 0 0
[C] =
0
GPa.
0 0 3, 2 0 0
0 0 0 0 4, 4 0
0 0 0 0 0 4, 4
11 Mudança de base
Sabendo-se que σ = Cϵ:
σ = L−1 ′
σ C Lϵ ϵ ∴ C ′ = Lσ CLTσ
Sendo Lσ dado por:
Daı́, temos
σ ′ = LσLT e ϵ′ = LϵLT
Se C = C T o material é anisotrópico, quando suas propriedades mecânicas são diferentes em diferentes direções.
O ideal para se trabalhar na engenharia são materiais isotrópicos, em que todas as propriedades são invariantes
com as direções.
i. Material hiperelástico linear: não apresenta nenhum plano de simetria (anisotrópico); (é aquela matriz cheia
com todos os coeficientes desconhecidos, Deus me livre)
ii. Material monoclı́nico: propriedades mecânicas simétricas em relação a um único plano. Usa essa matriz aqui:
C11 C12 C13 C14 0 0
C22 C23 C24 0 0
C33 C34 0 0
[C] =
C44 0 0
C55 C56
sim. C66
iii. Material ortotrópico: propriedades mecânicas são simétricas em relação a três planos mutuamente ortogonais.
Usa essa matriz aqui:
C11 C12 C13 0 0 0
C22 C23 0 0 0
C33 0 0 0
[C] =
C44 0 0
C55 0
sim. C66
Percebe que num material ortotrópico uma tensão normal não provoca deformação de cisalhamento, uma
tensão de cisalhamento não provoca deformação normal e que uma tensão de cisalhamento só provoca de-
formação de cisalhamento no plano em que atua.
17
Maaaaaaaaas, experimentalmente é difı́cil controlar a deformação, só que é fácil controlar o carregamento (a força
que aplica no material), por isso, experimentalmente montamos a matriz da relação inversa (com os carregamentos)
e depois invertemos a relação. (
σ = Cϵ, C = C T
ϵ = Sσ
Assim, temos a segunda equação dada por
− νE212 − νE313
1
0 0 0
ϵ1 E1 σ1
ϵ2 − νE121 1
E2 − νE323 0 0 0 σ2
ν13
ϵ3 − E
= 1
− νE232 1
E3 0 0 0 σ3
γ23 0 1
0 0 0 0 τ23
G23
γ13 0 1
0 0 0 0 τ13
G13
γ12 1 τ12
0 0 0 0 0 G12
Ei νji = Ej νij
As relações entre as constantes ν, E e C são dadas por: (sim, a gente vai ter que fazer essas contas pra converter
;-;) (ESSAS RELAÇÕES SÃO IMPORTANTES!!!)
1 − ν23 ν32
C11 = E1
∆
ν21 + ν31 ν23 ν12 + ν13 ν32
C12 = E1 = E2
∆ ∆
ν31 + ν21 ν32 ν13 + ν12 ν23
C13 = E1 = E3
∆ ∆
1 − ν13 ν31
C22 = E2
∆
ν32 + ν12 ν31 ν23 + ν13 ν21
C23 = E2 = E3
∆ ∆
1 − ν12 ν21
C33 = E3
∆
C44 = G23
C55 = G13
C66 = G12
Com
∆ = 1 − ν12 ν21 − ν13 ν31 − 2ν13 ν21 ν32
Caso especial (que amamos porque é o mais simples): Em um material isotrópico (propriedades simétricas
para todos os planos), teremos que
C11 C12 C12 0 0 0
C11 C12 0 0 0
C 11 0 0 0
[C] = C11 −C12
2 0 0
C11 −C12
2 0
C11 −C12
sim. 2
18
• ν → −1: sem deformação angular;
• ν → 1/2: deformação volumétrica nula (incompressı́vel).
Coeficiente de Poisson é uma medida de como um material se deforma sob tensão:
Deformação Lateral
ν=−
Deformação Axial
Módulo de Elasticidade (módulo de Young) é a medida da rigidez de um material:
Tensão
E=
Deformação
Podemos ver o tensor constitutivo também na forma:
2µ + λ λ λ 0 0 0
2µ +λ λ 0 0 0
2µ + λ 0 0 0
[C] =
µ 0 0
µ 0
Sim. µ
Com ( (
νE
C11 = 2µ + λ λ = C12 = (1+ν)(1−2ν)
⇒ C11 −C12
C12 = λ µ= 2 =G
Exemplo 17. Determine o tensor tensão num ponto de um sólido de uma liga de alumı́nio com
E = 72 GP a G = 27 GP a,
Sabendo-se que o tensor deformação no ponto é
200 100 0
ϵ = 100 300 400 · 10−6
0 400 0
Resp.: Queremos determinar o σ, então vamos usar a equação {σ} = [C]{ϵ}. No entanto, precisamos encon-
trar as incognitas µ e λ. Da relação entre G e E:
E 1
G= ∴ ν=
2(1 + ν) 3
Daı́, temos que
νE
λ= = 54 GP a e µ = G = 27 GP a
(1 + ν)(1 − 2ν)
2µ + λ λ λ 0 0 0 4 2 2 0 0 0
2µ + λ λ 0 0 0
4 2 0 0 0
2µ + λ 0 0 0
= 27 · 4 0 0 0
[C] =
µ 0 0
1 0 0
µ 0 1 0
µ 1
Assim, temos que
σ1 4 2 2 0 0 0 200
37, 8
σ 4 2 0 0 0 300 43, 2
2
σ3 4 0 0 0 0 27
· 10−6 · 10−3 GP a
= 27 · ∴ {σ} =
τ23
1 0 0
800
21, 6
τ13 1 0 0 0
τ12 1 200 5, 4
37, 8 5, 4 0
σ = 5, 4 43, 2 21, 6 M P a
0 21, 6 27
19
12 Teoria linear da elasticidade
A gente lineariza a teoria pra que haja uma solução única para dados carregamento e apropriadas condições de
contorno, o problema linear possui uma, e somente uma, solução. O campo de deslocamento de um corpo é dado
por
xi = Xi + ui
com x no centro geométrico. Então, (
|u| << |x|
|Hij | << 1
Com pequenos deslocamentos, as equações que já conhecemos ficam:
• Relação Deformação-Deslocamento: ϵ = (H + H T )/2;
• Relação Constitutiva: σ = Cϵ;
Condições de contorno: É parecido com MAT-42, tem que ter compatibilidade entre as condições de contorno
e elas vão ajudar a especificar a solução. São as informações conhecidas (deslocamentos ou forças) conhecidas na
superfı́cie. Temos as restrições de movimento representadas de diferentes formas:
Exemplo 18. Suponha que um sólido com E = 2 · 1011 N/m2 e ν = 0, 3 e que não existe carga aplicada no ponto
onde é colada a roseta, com medições
20
Determine no ponto as demais componentes do tensor deformação e todas as componentes do tensor tensão no
sistema X1 X2 X3 .
t=0
T
Sabendo-se que nesse ponto n = 0 0 1 , então
σ1 τ12 τ13 0 0
σn = t ⇒ τ12 σ2 τ23 0 = 0 ⇒ τ13 = τ23 = σ3 = 0
τ13 τ23 σ3 1 0
Onde G = E/2(1 + ν) e substituindo E e ν dados, além dos dados da roseta e resolvendo o sistema, é possı́vel
determinar os dados faltantes e teremos:
44 139, 7 0 9, 19 10, 75 0
ϵ = 139, 7 −7, 3 0 · 10−6 σ = 10, 75 1, 30 0 · 106 N/m2
0 0 −15, 7 0 0 0
X12 X2 X1 (1 − X22 )
0
3
X2 −3X2
σ = X1 (1 − X22 ) 3 0 MPa
0 0 2X32
determine:
a) a distribuição da força de volume;
b) as forças que atuam na sua superfı́cie, sabendo-se que o sólido é o paralelepı́pedo abaixo
Resp.:
a) Substituindo as componentes de σ nas equações de equilı́brio
21
obtemos
2X1 X2 − 2X1 X2 + b1 = 0 → b1 = 0
1
1 − X22 + (3X22 − 3) + b2 = 0 → b2 = 0
3
4X3 + b3 = 0 → b3 = −4X3
b) Na face X1 = 0:
0 0 0
−1 0
X23 −3X2
n= 0 σ = 0 3 0 t = σn = 0
0 2X32 0
0 0
Faremos o mesmo para X1 = 2 m, X2 = 0, X2 = 3 m, X3 = 0 e X3 = 4 m.
σ∇X + b = 0
3) Relações constitutivas: modelos matemáticos que levam em conta o material do sólido, relacionando as
variáveis dinâmicas com as variáveis cinemáticas.
Aqui a matéria é mais familiar com a de cursinho, só vai ter uma abordagem mais generalizada devido o professor,
mas o procedimento de cálculo será:
1. Transforma-se a estrutura dada num corpo livre, substituindo-se todos os vı́nculos externos pelas reações
vinculares, colocando um sentido pra cada esforço (arbitrariamente)
2. Equilı́brio externo X X X
Fx = 0 Fy = 0 Mz = 0
3. As cargas distribuidas devem ser substituidas por suas respectivas resultantes (só pro cálculo de rações exter-
nas)
4. As cargas que não tiverem nos eixos de referência (x e y) devem ser decompostas.
Exemplo 20. Seja a barra abaixo com uma força axial P aplicada na sua extremidade livre. Considere fixa a
outra extremidade.
A seguir faremos uso dos três aspectos fundamentais da Mecânica dos Sólidos:
22
• Cinemática da deformação: com base na hipótese de que as seções transversais permanecem planas e
normais ao eixo longitudinal após a deformação (isso é válido pra pequenas deformações), o eixo longitudinal
permanece reto após a deformação. Assim, as seções transversais se deslocam somente na direção axial. A
deformação longitudinal é dada por
dx∗ − dx
εx = → dx∗ = (1 + εx )dx
dx
O alongamento total δ de uma extremidade da barra de comprimento L em relação à outra extremidade é
dado por
Z L
δ = L∗ − L = εx dx
0
Da hipóstese citada, temos a relação deformação-deslocamento:
du
εx =
dx
(as componentes de deformação e de deslocamento são funções apenas da coordenada axial x da seção trans-
versal, independem de y e de z).
• Estática: Considere a região à direita da seção de corte S como um diagrama de corpo-livre para deter-
minarmos os esforços internos resultantes, a partir do equilı́brio de corpo. Do equilı́brio na direção axial
x X
Fx = 0 → −N + P = 0 → N = P
N é a força normal interna resultante, atuando sobre a seção S e do equilı́brio de momentos concluı́mos que
N atua perpendicularmente à seção. Como a seção S é arbitrária, a força N interna é constante ao longo do
eixo x nesse caso.
∆N = σx ∆A
Considerando que as componentes transversais das tensões normais são desprezı́veis comparadas com a tensão
axial:
σy = σz = 0
A força normal, portanto, é a resultante dessas forças ∆N atuando sobre cada área:
Z Z
N= σx dA ∴ N = P = σx dA
S S
23
• Relações constitutivas: Supondo-se que o material seja linearmente elástico e isotrópico:
1 1 1
εx = (σx − ν(σy + σz )) εy = (σy − ν(σx + σz )) εz = (σz − ν(σx + σy ))
E E E
com σy = σz = 0 temos
σx
εx = εy = −νεx εz = −νεx
E
Considerando E constante sobre toda seção transversal (mateiral linearmente estático, isotrópico e homogêneo)
σx = Eεx → σx independe de y e z.
Daı́,
σx P
εx = → εx =
E EA
e também Z x
P
du = εx dx → u(x) = εx dx → u(x) = x
0 EA
Portanto, o alongamento δ é dado por:
PL
δ = L∗ − L = u(L) − u(0) ∴ δ=
EA
Exemplo 21. A barra abaixo, com seções transversais é feita de uma liga de aço-carbono com E = 30×106 lb/in2 =
200 GP a e tensão de escoamento σ0 = 70 × 103 lb/in2 = 480 M P a. Determine o alongamento total produzido pelas
cargas axiais aplicadas nos pontos B e D.
b) Seção entre C e B:
N2 = 1000 lb
c) Seção entre B e A:
N3 − 800 − 1000 = 0 ∴ N3 = 1800 lb
24
Alongamento total da barra:
N1 L1 N2 L 2 N3 L3
δ= + +
E1 A1 E2 A2 E 3 A3
N1 L 1 1000 · 12
δ1 = = = 0, 00815 in
E1 A1 30 · 106 · π · (1/8)2
N2 L2 1000 · 5
δ2 = = = 0, 00151 in
E2 A2 30 · 106 · π · (3/16)2
N3 L3 1800 · 5
δ3 = = = 0, 00272 in
E3 A3 30 · 106 · π · (3/16)2
Daı́,
δ = 0, 00815 + 0, 00151 + 0, 00272 ∴ δ = 0, 0124 in
Obs.: O resultado obtido é válido se o nı́vel de tensão atuante for menor que a tensão de escoamento do material,
σ0 :
N1 1000
σ1 = A1 = π(1/8)2 = 20400 < σ0
σ2 = N 1000
A2 = π(3/16)2 = 9050 < σ0
2
σ3 = N 1800
A3 = π(3/16)2 = 16300 < σ0
3
Exemplo 22. A barra da figura abaixo é feita de um material linearmente elástico. As extremidades A e C são
rigidamente fixadas antes da carga P ser aplicada através de um colar rı́gido no ponto B. Determine a tensão normal
nas seções transversais de cada parte da barra.
25
Cálculo das reações dos suportes (já calculamos RC ):
P A2 L1
RA + RC − P = 0 ∴ RA =
A2 L1 + A1 L2
Tensões normais nas seções transversais da barra: substituindo os resultados para as reações acima nas equações
obtidas la no inı́cio das normais:
P A1 L2
N1 = −RC ∴ N1 = −
A2 L1 + A1 L2
P A2 L1
N2 = P − RC ∴ N2 =
A2 L1 + A1 L2
N1 P L2
σ1 = ∴ σ1 = −
A1 A2 L1 + A1 L2
N2 P L1
σ2 = ∴ σ2 =
A2 A2 L1 + A1 L2
Exemplo 23. Uma barra bimetálica de seção transversal quadrada, com dimensões 2b × 2b , é construı́da com
dois metais diferentes, tendomódulos de elasticidade E1 e E2 . A barra é comprimida por forças P agindo através
de placas rı́gidas nas extremidades.A linha de ação das cargas tem uma excentricidade e de magnitude tal que cada
porção da barra é tensionada uniformemente em compressão.
P
Fx = 0 → N −P =0 → N =P
P
(Mz )C = 0 → M + Ne − Pe = 0 → M = (P − N )e
26
(a) Como o momento fletor é nulo, as seções transversais permanecerão paralelas entre si após a deformação.
Portanto a deformação εx independe de y e de z. A força normal interna resultante é dada por
Z
N= σx dA
A
Com dA = 2bdy (
σ1 = E1 εx (−b ≤ y ≤ 0)
σx = Eεx →
σ2 = E2 εx (0 ≤ y ≤ b)
Substituindo em N temos
Z 0 Z b Z 0 Z b
N= σ1 2bdy+ σ2 2bdy = E1 εx 2bdy+ E2 εx 2bdy = 2b2 E1 εx +2b2 E2 εx → N = 2b2 εx (E1 +E2 )
−b 0 −b 0
Excentricidade e das cargas externas: o momento da resultante normal interna N em relação a um eixo
paralelo a z é dado por
Z Z b
Ne = yσx dA = yσx 2b dy
A −b
b3 εx (E2 − E1 )
N e = b3 εx (E2 − E1 ) ∴ e=
N
Substituindo o N encontrado anteriormente
b3 εx (E2 − E1 ) b (E2 − E1 )
e= → e=
2b2 εx (E1 + E2 ) 2 (E1 + E2 )
Z ( R0
P1 = N1 = −b σ1 2b dy
N =P = σx dA → Rb
A P2 = N2 = 0 σ2 2b dy
Como σx = Eεx , temos
P1 = 2b2 E1 εx P2 = 2b2 E2 εx
Isolando εx
N P
N = 2b2 εx (E1 + E2 ) → εx = = 2
2b2 (E1 + E2 ) 2b (E1 + E2 )
Substituindo em Pi′ s:
P E1
P1 = 2b2 E1 ∴ P1 = P
2b2 (E1 + E2 ) (E1 + E2 )
P E2
P2 = 2b2 E2 ∴ P2 = P
2b2 (E1 + E2 (E1 + E2 )
27
(c) Razão entre as tensões normais: (
σ1 = E1 εx σ1 E1
→ =
σ2 = E2 εx σ2 E2
Obs.: Para que as seções transversais permaneçam paralelas após a deformação é necessário que o momento fletor
seja nulo em qualquer seção da barra (força axial externa P colinear com a força normal interna N ). Como o ponto
de atuação da força resultante interna N tem uma excentricidade e em relação ao centróide da seção transversal, a
força axial externa P tem que ser aplicada com a mesma excentricidade.
Se a barra fosse feita de um só material homogêneo, com módulo de elasticidade E = E1 = E2 , terı́amos:
P
e = 0, P1 = P2 = , σ1 = σ2
2
A excentricidade nula significa que a linha de ação da força axial externa P , colinear com N , passa pelos centróides
das seções transversais da barra.
Exemplo 24. Os três elementos da treliça mostrada na figura são de aço com E = 29 × 103 ksi e possuem, cada
um, uma área de seção transversal de 0, 75 in2 . Determine a maior carga P que pode ser aplicada à treliça de forma
que o rolete no apoio B não se desloque mais do que 0, 03 in.
Equações de equilı́brio: X
Fx = 0 → HA = 0
X
Fy = 0 → V A + V B − P = 0
X P
MA = 0 → VB (16) − P (8) = 0 → VB =
2
Substituindo a última na do meio:
P
VA =
2
O deslocamento do rolete em B depende da variação de comprimento da barra AB. Para o cálculo dessa variação
do comprimento, precisamos determinar N : Diagrama de corpo livre
28
X
Fx = 0 → −FAB − FBC cos 60◦ = 0
X P
Fy = 0 → = FBC sin 60◦ = 0
2
√
P 3 P
+ FBC = 0 ∴ FBC = − √
2 2 2 3
Substituindo em Fx
P 1 P
−FAB − − √ = 0 ∴ FAB = √
3 2 2 3
A barra AB está sendo traiconada com duas forças iguais a FAB e sentidos opostos, aplicadas em suas extremidades.
O comprimento da barra AB é LAB = 192 pol. Então a força normal interna será
P Pmax
NAB = FAB = √ → (NAB )max = √
2 3 2 3
O deslocamento do rolete será igual ao alongamento da barra:
Z L Z LAB Z 192 √
(NAB )max Pmax /2 3
δAB = εx dx = dx = dx = 0, 03 pol
0 0 EA 0 (29 · 106 )(0, 75)
√
(Pmax /2 3)(192)
= 0, 03 ∴ Pmax = 11773 lb
(29 · 106 )(0, 75)
14 Vigas
Nessa seção a gente vai conseguir relacionar deslocamentos e deformações com os esforços em uma viga. Um exemplo
prático é quando você quer saber a flexão máxima que uma ponte vai fazer com apoios só nas extremidades. Pra
isso, vamos desenvolver a teoria, observe a seguinte deformação
29
(ii) Deformação (da aproximação de deslocamentos pequenos):
β+v ′
1 u′ + yβ ′ 2 0
T
ϵ = (H + H ) = 0 0
2
Sim. 0
ϵx = u′ + yβ ′ = ϵm + yκ e γxy = β + v ′
Sendo ϵm responsável pela deformação axial (”de comprimento”) e κ pela deformação angular (é a ”curvi-
nha”da figura de cima).
σx
Com t = τxy e, de forma generalizada:
τxz
Z N
t dA = Q
A Qz
Com N a tensão normal ao plano, Q a tensão paralela ao plano e M o momento. Calculando o equilı́brio: (sendo
q o carregamento por comprimento na viga)
• Eq.x: Z
∆N
∆N + qx dx = 0 → lim + qx = 0 ∴ N ′ + qx = 0
∆x ∆x→0 ∆x
• Eq.y:
Q′ + qy = 0
• Eq. M :
∆M
∆M − Q∆x − m∗ ∆x + (qy∗ ∆x)∆x∗ = 0 → − Q + m∗1 qy∗ ∆x∗ = 0
∆x
∴ M′ − Q − m = 0 (equilı́brio de um ponto)
30
Equação local de equilı́brio fica, então, juntando a equação da membrana (N ′ + qx ) com as de flexão (Q′ + qy e
M ′ − Q − m):
N ′ + qx
(
′ ϵx = E1 σx − Eν (σy + σz )
Q + qy = 0 lembrando das relações 1
′
M −Q−m
γxy = G τxy
31
No corte em x:
N (x) = 0
Q(x) = −P
M (x) = Qx + P L = P (L − x)2
′′
′ κ = v
N EA ϵm EA u
γ = 0
Q = EI κ = EI β′ com
M
KGA
γ KGA
′
v +β
β ′ = −v ′′
′
v + β = 0 → β = −v ′
Q
Obs.: limK→∞ γ = KGA = 0.
Teoria de Euler-Bernoulli:
(
N ′ + qx = 0 desloc. axial
Equilı́brio : ′′ ′
M + qy − m = 0 desloc. transversal (flexão)
(
EAu′′ + qx = 0
⇒ , 0<x<L
−EIv (IV ) + qy − m′ = 0
Queremos descobrir o deslocamento em y, isto é, o valor de v em x = L. Assim, temos um PVC (Problema de
Valor de Contorno):
EIv (IV ) = 0
x = 0 : v(0) = 0, v ′ (0) = 0
obs.: v ′ (x) é a rotação da viga
x = L : Q = −P
x=L : M =0
Q = M ′ = −EIv ′′′
Q(L) = −P → v ′′′ (L) = EI
P
32
Exemplo 26. Qual o maior deslocamento da peça?
Resp.: (
v(0) = M (0) = u(0) = 0
v(L) = M (L) = 0
Dada as condições de contorno, vamos para as equações:
(
EAu′′ + qx = 0
, 0<x<L
−EIv (IV ) + qy − m′ = 0
5 qL4
v(L/2) =
384 EI
Extra: Para determinar os esforços:
33
HA = −N (0) = 0
VA = −Q(0)
VB = Q(L)
Exemplo 27. Existe alguma posição x = a que nos dê mais seções crı́ticas? (esforço melhor distribuı́do)
34
Quanto mais seções crı́ticas → mais a peça está apta a suportar carga.
Exemplo 28. Uma viga de aço com 1 pol de largura e 3 pol de altura é apoiada nos suportes A e B, conforme a
figura. Obter a máxima tensão de flexão no meio do vão da viga quando ela é carregada com as forças de 1000 lb
aplicadas nas suas extremidades.
Resp.:
• Equilı́brio de forças externas (Momento Fletor):
P
P Fx = 0 → HA = 0
Fy = 0 → VA + VB = 2000
P
MA = 0 → (1000)(12) + VB (60) − (1000)(72) = 0 → Rb = 1000 lb
Logo, RA = 1000 lb
• Esforços internos: (A cada trecho a gente vai acrescentando uma parte da viga, não retira a parte que já
calculou antes)
i) 0 ≤ x ≤ 12: (o trecho pega só até antes do ponto A)
X
Fy = 0 → Q − 1000 = 0 → Q = 1000 lb
X
MC = 0 → M + (1000)x = 0 → M = −1000x
ii) 12 ≤ x ≤ 72: (agora o trecho vai até antes do ponto B)
X
Fy = 0 → Q − 1000 + 1000 = 0 → Q = 0
X
MC = 0 → M + (1000)x − (1000)(x − 12) = 0 → M = −1200 [Link]
iii) 72 ≤ x ≤ 84: (por fim, agora vamos até antes do final da viga)
X
Fy = 0 → Q − 1000 + 1000 + 1000 = 0 → Q = −1000 lb
X
MC = 0 → M + (1000)x − (1000)(x − 12) − (1000)(x − 72) = 0 → M = 1000x − 84000
Podemos fazer dois gráficos, um de Q × distancia e um de M × distancia.
• Tensão de flexão máxima: (ocorre em y = h/2 = 3/2 pol)
Mz
σx = − y
Iz
y 2 dA = 2, 25 pol4
R
Sendo Iz = S
(12000)(3/2)
(σx )max = − ∴ (σx )max = 8000 lb/pol2
2, 25
(12000)(−3/2)
(σx )min = − ∴ (σx )min = −8000 lb/pol2
2, 25
Obs.: Os exercı́cios exemplo estão a partir da pag 377 das notas de aula do Adriano!
35
15 Energia de Deformação
Em um corpo as forças externas realizam trabalho para transformar o corpo de C0 para Cn :
Z Z
dWe = duT b dV + duT t dΓ
v Γ
dWe = σ T de
σx ∂u1 /∂x
Sendo σ = σy e e = ∂u2 /∂y . As forças transformam o corpo e teremos um trabalho externo e
τxy ∂u1 /∂y + ∂u2 /∂x
interno provocado por elas:
dW e + dW i = 0 ∴ dWi = −σ T de
Com as componentes de σ dadas por (a gente vai ver fórmulas melhores já já, mas isso é o geralzão)
É a energia armazenada no sistema na forma de deformação, cada ponto do corpo tem uma U0 (função da posição),
para o corpo todo: Z
U= U0 dV
V
Nas barras e vigas vai ficar assim:
Z L Z
1
U= σ T ϵ dA dx
2 0 A
Aqui as fórmulas que disse antes que vamos usar mais, de forma mais especı́fica:
N M I¯ Q
σx = +y e τxy = Q≈
A I bI A
σ2 τ2
1
U0 = +
2 E G
(AQUI QUE É A NATA DO NEGÓCIO) Beleza!! Agora vamos separar essa energia nas 3 componentes de
esforço, lembra daquela matriz com N, M e Q? Cada esforço tem uma energia associada:
• Esforço de membrana (N):
Z L
1
UN = N 2 dx
2EA 0
36
Obs.: A gente praticamente só vai usar essa!!! Se a área for constante e τ uniformemente distribuido
na seção (o que geralmente vai acontecer):
Z L
1
UQ = V 2 dx
2KGA 0
Com K sendo o fator de correção (propriedade da geometria), para cada seção há um K associado tal que
Z 2
1 A I
= 2 dA
K I A b
• Se estiver sujeito a todos os tipos de esforço, basta somar as energias armazenadas de cada um (superposição).
Obs.: Tomem cuidado com as notações, nas notas de aula do Alex ele usou trocou algumas letras, então cuidado
¯ as
pra não confundir, use os conceitos de cada variável! Nas notas do Alex ele trocou o seguinte: V ≡ Q e Q ≡ I,
letras a esquerda são as que ele usou e as da direita são as que usamos aqui.
É isso... agora a gente vai ver uns exemplos para entender como usar essas fórmulas ai, se liga:
Observe que não há esforço normal, então vamos calcular o momento fletor e o esforço cortante: para o momento
fletor, temos:
bh3
M = −P x com I=
12
Z L Z L
1 1 P 2 L3
UM = M 2 dx = P 2 x2 dx ∴ UM =
2EI 0 2EI 0 6EI
Agora para o esforço cortante: Q(x) = P
P 2L
UQ =
2KGA
Para determinar o K:
Z 2
1 A I
= 2 dA
K I A b
Na seção retangular,
h2
h h/2 − y ¯ = b
I¯ = A′ ȳ ′ = b −y y+ ∴ I(y) − y2
2 2 2 4
37
Voltando para expressão do K:
h/2
bh 1 b3 h2
Z
1 1 6
= − y2 dy ∴ =
K bh3 2 b2 4 4 K 5
−h/2
12
(ou seja, para qualquer seção retangular, 1/k = 6/5!!!). Para a Energia Armazenada:
P 2L 6 3P 2 L
UQ = · ∴ UQ =
2GA 5 5GA
Agora, vamos notar uma coisa interessante relacionando as energias armazenadas:
UM 5GAL2 10GL2
= =
UQ 18EI 3Eh2
E
mas G = 2(1+ν) , então,
UM 5L2
= 2
UV 3h (1 + ν)
lembrando que −1 < ν < 1/2, temos
2 2
UM 10 L L
≥ ∴ UQ ≤ 0, 9 UM
UQ 9 h h
UQ ≤ 0, 009UM
Exemplo 30. Mostre como a tensão de cisalhamento se distribui na seção transversal I a seguir. Em que região
é o cisalhamento, praticamente, todo resistido?
38
X
I= Ii + Ai d2i
Com Ii o momento de inércia do segmento no próprio centróide, Ai a área do segmento e di a distância vertical
entre o centróide do segmento e o eixo neutro.
bh3
I = 2(I1 + A1 d21 ) + I2 com Ii =
12
2 !
0, 2 · 0, 00953 0, 005 · 0, 4313
0, 431 + 0, 0095
I=2 + 0, 2 · 0, 0095 · + ∴ I = 2, 18 · 10−4 m4
12 2 12
Agora, para I¯1 , temos
I¯1 = A1 ȳ
Sendo ȳ a distância do eixo neutro ao centróide 1,
¯ 0, 431 + 0, 0095
I1 = 0, 2 · 0, 0095 · ∴ I¯1 = 4, 18 · 10−4
2
Assim,
4, 18 · 10−4
(τxy )1 = Q ∴ (τxy )1 = 9, 58Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 2
Para I¯1′ , temos
I¯1′ = I¯1 = 4, 18 · 10−4 m4
Assim,
4, 18 · 10−4
(τxy )1′ = Q ∴ (τxy )1′ = 383, 5Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 005
Agora, para I¯2 , temos
0, 431 0, 431
I¯2 = A1 ȳ1 + A2 ȳ2 = 4, 18 · 10−4 + 0, 005 · · ∴ I¯2 = 5, 34 · 10−4 m4
2 4
Assim,
5, 34 · 10−4
(τxy )2 = Q ∴ (τxy )2 = 489, 9Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 005
A região abaixo do eixo neutro ocorre por simetria. A distribuição da tensão do cisalhamento fica da forma:
39
Exemplo 31. Mostre que a distribuição da tensão de cisalhamento numa seção circular de raio r se reduz a
y2
4Q
τxy = 1− 2
3A r
Resp.: A tensão de cisalhamento é dada por
I¯
τxy = Q
bI
Com I¯ momento de área acima de um ponto y dado pela integral da área × altura em relação ao eixo neutro.
Considerando uma faixa horizontal em y ′ , temos:
Z r
¯
p 2 2 3/2
I= y ′ · 2 r2 − y ′2 dy ′ = r − y2
y 3
Voltando para o cisalhamento,
2
3/2
r2 − y2
3 4 (r2 − y 2 )
τxy = p 4
Q → τxy = Q
2 r2 − y 2 πr4 3 πr4
2
4Q y
∴ τxy = 1−
3A r2
Exemplo 32. Mostre que o fator de correção do cisalhamento transversal para seções circulares é K = 9/10.
Resp.: Determinar o fator K depende do que é fixado como referência para estabelecer a correção. Vamos pelo
procedimento usual, avaliando a energia de deformação:
Z
1
U= τxy γxy dV
2 V
devido o cisalhamento transversão, temos
Q
τxy = KGγxy =
A
Que, de forma mais exata é dado por
I¯
τxy = Q
bI
Das relações, no primerio caso, temos
Q2 Q2
Z Z Z Z Z
1 1 τxy 1 1
U= τxy γxy dV = τxy dV = 2
dA dx = dx
2 V 2 V KG 2KG A A 2KG A
No segunto caso, para seções transversais circulares, em que (encontrado na questão anterior):
y2
4Q
τxy = 1− 2
3A r
A energia passa a ser (falar a verdade aqui, eu n sei se ta certo essa expressão não, mas o raciocı́nio é por ai...
kkk) !
Z r 2 p
y2
Z Z Z
1 1 τxy 1 4Q
U= τxy γxy dV = τxy dV = 2 1− 2 2 r2 − y 2 dy dx
2 V 2 V G 2G 0 3A r
Joga no Wolfram isso ai...
Q2
Z
5
U= dx
9G A
Igualando as expressões, temos
Q2 Q2
Z Z
1 5 1 5
dx = dx → =
2KG A 9G A 2K 9
9
∴ K=
10
40
Exemplo 33. Determine a energia de deformação provocada pela flexão da viga em balanço da figura abaixo. O
módulo de elasticidade e o momento de inércia de área são constantes.
Resp.: Cortando-se a viga numa posição x a partir da extremidade livre, temos o seguinte diagrama de corpo
livre:
x wx2
M + wx =0→M =−
2 2
Substituindo o momento encontrado na equação da energia armazenada de momento, temos:
Z L Z L
1 1 (−2x2 /2)2 w 2 x5 L
UM = M 2 dx → UM = dx =
2EI 0 2EI 0 2EI 8EI 5 0
w2 L5
∴ UM =
40EI
41
No geral, as equações que vamos usar para resolver os problemas são: (as demonstrações estão a partir da p.543
das Notas do Adriano, caso precisem)
• Da cinemática:
dϕ
γxθ = γxθ (r) = r
dx
• Do equilı́brio estático: Z
T = rτxθ dA Momento torçor
S
dϕ
T = GJ
dx
Com J o momento polar de inércia dado por
Z
J= r2 dA
S
Algumas outras equações que podemos usar vem da manipulação das mostradas acima. Isolando a deformação
generalizada na equação constitutiva:
Z Z 2π Z R
dϕ T
=R com Gr2 dA = Gr2 r dr dθ
dx S
Gr2 dA S 0 0
dϕ Tr
(×r) → r = γxθ = R
dx S
Gr2 dA
GT r Tr Tr
(×G) → γxθ G = τxθ = R (G cte) τxθ = R =
S
Gr2 dA s
r 2 dA J
Essa é a variação da tensão de cisalhamento τxθ na seção transversal ao longo do raio. Se liga que a tensão
máxima é na extremidade
GT R TR
τxθ, max = R 2 dA
(G cte) τxθ, max =
S
Gr J
Se pedir o giro total da barra:
Z L
T
ϕ0 = R dx
0 S
Gr2 dA
42
Para um material homogêneo (com seção circular maciça!!!)
TL
ϕ0 =
GJ
Tem mais dois casos diferentes de barras circulares:
• Seção tubular (vazada):
π(R4 − r4 )
J=
2
Com r sendo o raio interno e R o raio externo.
• Barras que variam continuamente o raio ao longo do comprimento:
Z L
T (x)r T (x)
τxθ = ∆ϕ = dx
J(x) 0 GJ(x)
Exemplo 34. O eixo maciço de material linear elástico, isotrópico e homogêneo, de raio c é submetido ao torque
T , conforme a figura abaixo. Determinar a fração de T que é resistida pelo material contido na região com raio
interno c/2 e raio externo c.
Daı́, da pra achar a razão entre as tensões (τ )r = rc (τ )max . E a parcela de contribuição no torque total da força
de cisalhamento sobre uma área ∆A é dada por
dT = r(τ )r dA = r2 (τ )r dθdr
43
Nesse caso, a fração do torque que ele pediu é entre r = c/2 e r = c, daı́:
Z Z 2π Z c Z c
′ 2 r
T = r(τ )r dA = r (τ )max dr dθ = 2π r2 (τ )max dr
S′ 0 c/2 c/2 c
15π
T′ = (τ )max c3
32
Como J = πR4 /2 = πc4 /2
Tc 2T
(τ )max = = 3
J πc
Por fim,
′ 15π 2T 15
T = c3 ∴ T′ = T
32 πc3 16
Obs.: Note que T ′ ≈ 94%T , ou seja, apenas 6% do torque total é suportado pelo núcleo do raio. Portanto, o material
localizado na área mais extrema da barra é altamente efetivo para suportar o torque. Então a gente pode usar eixos
tubulares no lugar de eixos sólidos para economizar muito material e aliviar o peso da estrutura.
Exemplo 35. Três discos idênticos A, B e C estão soldados nas extremidades de três narras idênticas. As barras
estão num plano comum e os discos estão em planos perpendiculares aos eixos das barras. As barras estão soldadas
na interseção D para formar uma conexão rı́gida. Cada barra tem diâmetro d1 = 10 mm e cada disco tem diâmetro
d2 = 75 mm. As forças P1 , P2 e P3 criam torques agindo nos discos A, B e C, respectivamente, submetendo assim
as barras à torção. Se P1 = 100 N , qual é a tensão de cisalhamento máxima devido à torção?
Resp.: O diagrama de corpo livre mostra os torques atuando nas 3 barras. Foram definidos a partir dos sentidos
das forças P1 , P2 e P3 , aplicando a regra da mão direita.
44
Equações de equilı́brio:
• Em x: X
Mx = 0 → T3 cos 45◦ − T1 = 0
• Em y: X
My = 0 → T3 sen 45◦ − T2 = 0
Tmax
τmax = rmax
J
onde
πR4 π(d1 /2)4
J= = (rmax = d1 /2)
2 2
Então, escrevemos
T3 d1
τmax = ∴ τmax = 54 M P a
J 2
Exemplo 36. O dispositivo funciona como uma mola de torção compacta. È feito de aço e consiste em um
eixo interno maciço CB circundado e acoplado a um tubo AB por meio de um disco rı́gido em B. O anel em A
também pode ser considerado rı́gido e impedido de girar. Supondo que seja aplicado um torque T = 2000 [Link]
ao eixo, determinar o ângulo de torção na extremidade C e a tensão de cisalhamento máxima no tubo e no eixo.
Gaço = 11 · 103 ksi
45
Resp.: Quando o torque T é aplicado na extremidade C ele gira e o disco B gira no mesmo sentido. Então, o
conjunto é equivalente ao sistema:
Como B é rı́gido, o ângulo de torção ϕB se transmite integralmente para o tubo BA. O anel A também é rı́gido
e impedido de girar. Então, podemos escrever
Equações de equilı́brio
• Trecho entre C e B: X
Mx = 0 → TCB − 2000 = 0 → TCB = 2000 [Link]
• Trecho entre B e A : X
Mx = 0 → TBA − 2000 = 0 → TBA = 2000 [Link]
Ângulo de torção em C:
X Ti Li
∆ϕ =
i
Gi Ji
TCB LCB TBA LBA
ϕC = ϕC/A = ϕC/B + ϕB/A = +
GCB JCB GBA JBA
Com TCB = TBA = 2000 [Link], LCB = 24 pol, LBA = 12 pol, GCB = GBA = 11 · 106 lb/pol2 , JCB = πreixo 4
/2 =
4 4 4 4 4 2 4
π(0, 5) /2 = 0, 0982 pol , JBA = π(R − rtubo )/2 = π((1) − (0, 75)) /2 = 1, 0738 pol . Substituindo os valores:
(2000)(24) (2000)(12)
ϕC = ϕC/A = + → ϕC = 0, 0465 rad = 2, 66◦
(11 · 106 )(0, 0982) (11 · 106 )(1, 0738)
Tensões de cisalhamento:
TCB 2000
(τeixo )max = reixo = (0, 5) → (τeixo )max = 10, 2 ksi
JCB 0, 0982
TBA 2000
(τtubo )max = R= (1, 0) → (τtubo )max = 1, 86 ksi
JBA 1, 0738
46
Exemplo 37. O eixo de aço maciço mostrado na figura tem diâmetro de 20mm. Se for submetido aos dois
torques, quais serão as reações nos apoios fixos A e B?
Exemplo 38. Determine o deslocamento horizontal da articulação C da treliça de aço, mostrada na figura a
seguir. A área da seção transversal de cada elemento é indicada na figura. Considere E = 210 · 103 N/mm2 .
Resp.: Queremos determinar o deslocamento horizontal em C, então vamos aplicar uma força variável Q nesse
ponto! Depois essa força vai ser igualada a 40kN . Pelo equilı́brio dos nós da treliça, determinamos as forças internas
N em cada elemento. A energia de deformação total da treliça é obtida da equação geral que mostrei ali em cima
aplicada a cada elemento!
X N 2L
Ui =
2EA
E o deslocamento horizontal qC do ponto C é dado por
∂Ui
= qC
∂Q
47
Assim, temos
∂ X N 2L X
∂N L
qC = = N
∂Q 2EA ∂Q EA
∂N
Elemento N (kN) ∂Q N (Q = 40 kN) L (mm) N ∂N∂Q
AB 0 0 0 4000 0
BC 0 0 0 3000 0
AC 1,67Q 1,67 66670 5000 556, 7 · 106
CD -1,33Q -1,33 -53330 4000 283, 7 · 106
Exemplo 39. Obtenha a deflexão no centro da viga em balanço da figura abaixo usando o Segundo Teorema de
Castigliano. O coeficiente de rigidez à flexão EI é constante.
48