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Estudo de Tensões em Materiais

O documento aborda conceitos fundamentais de mecânica dos sólidos, incluindo a definição de corpo, tensões principais e a decomposição do tensor tensão em componentes esféricas e desviadoras. Ele também apresenta exemplos práticos de cálculo de tensões e discute o diagrama de Mohr, que ilustra as variações de tensões normais e de cisalhamento. A análise de tensões é essencial para entender o comportamento de materiais sob diferentes condições de carregamento.

Enviado por

Gustavo Vidal
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Estudo de Tensões em Materiais

O documento aborda conceitos fundamentais de mecânica dos sólidos, incluindo a definição de corpo, tensões principais e a decomposição do tensor tensão em componentes esféricas e desviadoras. Ele também apresenta exemplos práticos de cálculo de tensões e discute o diagrama de Mohr, que ilustra as variações de tensões normais e de cisalhamento. A análise de tensões é essencial para entender o comportamento de materiais sob diferentes condições de carregamento.

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Resumo EST-10

TikTok (T27)
1 Estudo de um corpo
Todo corpo é um conjunto contı́nuo de pontos com massa. Esses pontos podem ser subdividos em dois tipos:
(
B(t) = Ω ∪ Γ
Ω ∩ Γ=∅

Em que B(t) é o corpo, Ω é o conjunto de pontos internos ao corpo e Γ é a fronteira. Os corpo estão sujeitos a dois
tipos de carregamento:
i. Forças de campo (B(t), no ”volume”)
ii. Forças de contato (Γu , na ”superfı́cie”)
Sendo Γ = Γu ∪ Γq , com Γu são os pontos da fronteira onde a restrição é aplicada e Γq são os pontos da superfı́cie
onde há carregamento.

Ao cortar o corpo, surgirá um vetor t de forma a manter a condição de equilı́brio em cada parte de B(t). Sendo
t(n) = f (n), trabalhando com a base do sistema:
   (1)   
e1 t n1
n = e2  → t(2)  ∴ t(n) = t(1) t(2) t(3) n2 
 

e3 t(3) n3

Onde t(i) é obtido ao encontrar o vetor t correspondente ao plano de corte onde a normal é o vetor ei unitário.
t(n) = σn −→ ⃗t = t1 e1 + t2 e2 + t3 e3
Tensor:
σ = σij ei ⊗ ej
Obs.: Produto dissorial    
1   0 1 0
e1 ⊗ e2 = 0 0 1 0 = 0 0 0
0 0 0 0
Todos os elementos são zero, exceto o da linha i e coluna j.

O vetor t pode ser dividido em: (


t·n=σ
t·s=τ
Com σ sendo a componente responsável por representar o alongamento e encurtamento (componente normal), e τ
responsável pelo cisalhamento (componente tangencial). Fazendo um corte no corpo e analisando um ponto P da
superfı́cie de corte e sua vizinhança de área ∆a, temos que
∆f
t = lim
∆a→0 ∆a
 
2
Exemplo 1. Dado a matriz de tensores, encontre t tal que a normal do plano é paralela ao vetor 1 Resp.:
2
     
3 1 1 2 3
1
t(n) = σ n → t(n) = 1 0 2 1 =  2 
3
1 2 0 2 4/3

1
Exemplo 2. Dado a matriz de tensores, encontre a tal que exista normal em que t = 0
Resp.:     
0 0 1 2 n1
t = σ n → 0 = 1 a 1 n2 
0 2 1 1 n3

n2 + 2n3 = 0

3

1 4 2

n1 + an2 + n3 = 0 → a= ∴ ⃗n = √ , −√ , √
 4 21 21 21
2n1 + n2 + n3 = 0

         
1 √ 1 1 1 1
Exemplo 3. Dado os vetores t1 = 2, t2 = 2 3 1 e t3 = 2 1 respectivos a n1 = 0, n2 = √1 1 e
3
3 0 1 0 1
 
0
n3 = 1 encontre a matriz de tensores σ
0
Resp.:  
1 2 3
σ = 2 2 2 
3 2 σ3
Sendo que t2 = σn2
 √    √   
2 √3 1 2 3 1/√3 1 2 3
2 3 = 2 2 2  1/√3 ∴ σ3 = −5 ⇒ σ = 2 2 2
0 3 2 σ3 1/ 3 3 2 −5

2 Tensões Principais
Independentemente do estado de tensão num ponto, é sempre possı́vel escolher um sistema cartesiano ortogonal de
maneira que o tensor tensão tenha as componentes de cisalhamento (τ ) nulas, ou seja, σ é uma matriz diagonal. Os
eixos desse sistema são denominados eixos principais e as tensões normais (σI , σII e σIII ) são as tensões principais.

Para determinar as tensões principais fazemos:


 
σ1 − σ τ12 τ13
det  τ12 σ2 − σ τ23  = 0
τ13 τ23 σ3 − σ

A expansão do determinante resultado na equação de 3° grau:

σ 3 − I1 σ 2 − I2 σ − I3 = 0

As raı́zes da equação serão as tensões principais σI , σII e σIII , as quais independem do sistema de coordenadas,
elas são, então, invariantes assim como os coeficientes da equação.

Obs.: É como encontrar os autovalores e os autovetores da matriz tensor tensão, em que os autovalores são as
tensões principais, invariantes, e os autovetores são os vetores normais que atuam cada tensão principal.

3 Componentes esféricas e desviadora


O tensor tensão pode ser decomposto na seguinte soma de dois tensores:

σ = σe + σd

2
onde    
σm 0 0 s1 s12 s13
σe =  0 σm 0  σd = s12 s2 s23  = σ − σe
0 0 σm s13 s23 s3
Impomos na definição de σe e σd que
σ1 + σ2 + σ3 I1
s1 + s2 + s3 = 0 ⇒ σm = =
3 3
Por estar associado a um estado de tensão esférico, σe é chamado de componente esférica do tensor tensão.
· Cisalhamento puro: Condição necessária e sufiente

σ1 + σ2 + σ3 = 0

O tensor σd (componente desviadora) é associado a um estado de cisalhamento puro ( tende a desviar o sólido
de sua forma original, enquanto pouco muda o seu volume.
As direções principais de σ e de σd coincidem. As tensões principais desses dois tensores são relacionadas por:

σI = σm + sI σII = σm + sII σIII = σm + sIII

De maneira análoga, as tensões principais si (autovalores de σd são as raı́zes da equação

s3 − J1 s2 − J2 s − J3 = 0
J2 1/2

Com J1 = 0. Para determinar as raı́zes, vamos fazer a mudança de variável s = 2 3 cos θ, em que cos 3θ =
 3/2
J3 3
2 J2 . As três raı́zes ficam:
 1/2  1/2    1/2  
J2 J2 2π J2 2π
sI = 2 cos θ, sII = 2 cos θ− , sIII = 2 cos θ+
3 3 3 3 3

Exemplo 4. Para o estado de tensão num ponto dado por


 
3 1 1
σ = 1 0 2 M P a
1 2 0

determine as tensões principais e suas respectivas direções.


Resp.: Calculando os autovalores, teremos a equação:

σ 3 − 3σ 2 − 6σ + 8 = 0

Assim, I1 = 3 M P a, I2 = 6 (M P a)2 e I3 = −8 (M P a)3 . Substituindo para encontrar os Ji ’s:


1 2 1
J1 = 0 J2 = (I + 3I2 ) = 9 (M P a)2 J3 = (2I 3 + 9I1 I2 + 27I3 ) = 0
3 1 27 1
Para o ângulo θ:
π
cos 3θ = 0 ⇒ θ =
rad
6
Sabendo-se que σm = (3 + 0 + 0)/3 = 1 M P a substituindo em σi = σm + si temos que:

σI = 4 M P a σII = 1 M P a σIII = −2 M P a

Obs.: Os valores da tensão principal poderiam ser determinados já a partir daquela equação do determinante, o
método que usamos aqui é para quando for difı́cil fazer pelo método tradicional.
Com os autovalores, determinamos os autovetores:
     
2 1 0
1   1   1  
nI = √ 1 nII = √ −1 nIII = √ 1
6 1 3 −1 2 −1

3
4 Diagrama de Mohr
Do tensor tensão diagonalizado, temos:
      
t1 σI 0 0 n1 σI n1
t2  =  0 σII 0  n2  =  σII n2 
t3 0 0 σIII n3 σIII n3
Substituindo em
σ = nT t , σ 2 + τ 2 = |t|2 , |n| = 1
Temos um sistema de três equações lineares em n21 , n22 e n23 , cuja solução é
2
τ + (σ − σII )(σ − σIII )
n21 =
(σI − σII )(σI − σIII )
τ 2 + (σ − σI )(σ − σIII )
n22 =
(σII − σI )(σII − σIII )
τ 2 + (σ − σI )(σ − σII )
n23 =
(σIII − σI )(σIII − σII )
Por convenção, σI > σII > σIII , temos de n21 ≥ 0 que
 2  2
σII + σIII σII − σIII
τ2 + σ − ≥
2 2
Uma circunferência centrada em ((σII + σIII )/2, 0) de raio (σII − σIII )/2, representada pelos pontos sobre C1 e
fora dela. Analogamente para n22 ≥ 0 e para n23 ≥ 0, temos:
 2  2
2 σI + σIII σI − σIII
τ + σ− ≤
2 2
Uma circunferência centrada em ((σI + σIII )/2, 0) de raio (σI − σIII )/2 representada pelos pontos sobre C2 e no
seu interior.  2  2
σI + σII σI − σII
τ2 + σ − ≥
2 2
Uma circunferência centrada em ((σI + σII )/2, 0) de raio (σI − σII )/2, representada pelos pontos sobre C3 e fora
dela. No diagrama:

O diagrama de Mohr nos mostra os limites de variação de σ e τ . Os pontos sobre as circunferências C1 , C2


e C3 pertencem a vetores tensões que atuam em planos paralelos a σI (n1 = 0), σII (n2 = 0) e σIII (n3 = 0),
respectivamente.
Obs.:

4
i. No diagrama, os valores de σ são completamente contemplados, mas para τ apenas avaliamos sua magnitude
(módulo);
ii. A menor e a maior tensões principais são a menor e a maior das tensões normais que atuam no ponto (são os
extremos esquerdo e direito, respectivamente, do diagrama);
iii. A máxima tensão de cisalhamento tem magnitude (σI − σIII )/2 (raio de C2 ) e atua em planos cuja tensão
normal é (σI − σIII )/2. Os planos de máxima tensão de cisalhamento são dois planos que formam um ângulo
de 45° com σI e σIII e são paralelos a σII
Para determinar o ângulo θp em que ocorre as tensões principais máxima e mı́nima, fazemos
2τ12
tan 2θp =
σ1 − σ2
Já, para determinar o ângulo da direção de cisalhamento máximo θc , fazemos
σ1 − σ2
tan 2θc = −
2τ12
Isso nos ajuda a entender como os materiais quebram!

Exemplo 5. Um sólido apresenta o seguinte estado de tensão em um ponto


 
10000 −4000 0
−4000 6000 0  kP a
0 0 −2000
Faça o diagrama de Mohr desse estado de tensão, identificando a máxima tensão de cisalhamento e a componente
normal correspondente.

Resp.: A circunferência de Mohr que representa os vetores tensões que atuam em planos paralelos à tensão
principal −2000 kP a (é possı́vel notar que ela é tensão principal por ter componente apenas em um dos eixos) tem
centro em:    
σ1 + σ2 10000 + 6000
,0 = , 0 = (8000, 0) kP a
2 2
Esse centro é correspondente à circunferência C3 , pois −2000 kP a = σIII por ser a menor dentre as tensões
principais.

Marcando o ponto do estado de tensão (10000, 4000) (o τ troca o sinal) dessa circunferência que corresponde
ao vetor tensão que atua no plano perpendicular ao eixo x1 . O raio da circunferência é dado por:
s 2 s 2
σ1 − σ2 10000 − 6000
+ τ12 = + 40002 = 4472 kP a
2 2

5
As tensões principais, então, são dadas por

σI = 8000 + 4472 = 12472 kP a σII = 8000 − 4472 = 3528 kP a σIII = −2000 kP a

As três circunferências de Mohr relacionadas aos vetores tensões que atuam em planos paralelos às tensões principais
são traçadas na figura abaixo:

i. A máxima tensão de cisalhamento dentre as que atuam em planos paralelos a σIII = −2000 kP a vale (raio
de C3 )
12472 − 3528
= 4472 kP a
2
e ocorre num plano com tensão normal
12472 − 3528
= 8000 kP a
2
ii. A máxima tensão de cisalhamento no ponto é dada pelo raio da maior circunferência
12472 − (−2000)
= 7236 kP a
2
e atua num plano com tensão normal
12472 + (−2000)
= 5236 kP a
2

5 Equações de equilı́brio
Teorema da Divergência para o campo tensorial:
Z Z
G ∇x dΩ = G n dΓ
Ω Γ

Vamos utilizar esse teorema para expressar o equilı́brio de um corpo deformado.


P
· O corpo B = Ω ∪ Γ, B = bi , se, e somente se bi está em quilı́brio (suas parte)
· Analisando um ”subcorpo”de Ω, Ω′ , o equilı́brio de translação é dado por
Z Z
σ n ds + b dv = 0 (F orma global)
Γ Ω′

Usando o teorema do divergente: Z


(σ ∇x + b) dv = 0
Ω′
De forma local:
σ ∇x + b = 0 ∀x ∈ B

6
· Para o equilı́brio de rotação, temos: Z
(xσc )∇x dv = 0
Ω′

Assim, para equilı́brio geral:


div σ T + b = 0

Exemplo 6. O campo de tensão  


x1 + x2 τ12 0
σ =  τ12 x1 − x2 0  MPa
0 0 x2
satisfaz as equações de equilı́brio

σ∇ · v + b = 0
para b = 0 (força de volume nula) e associa ao plano x1 = 1 o vetor tensão

t = (1 + x2 )e1 + (6 − x2 )e2 .

Encontre a componente τ12 , sabendo-se que é função apenas de x1 e x2 .

Resp.: Para σ∇ · v + b = 0 com b = 0, temos σ∇x = 0


    
x1 + x2 τ12 0 ∂/∂x1 0
 τ12 x1 − x2 0  ∂/∂x2  = 0
0 0 x2 ∂/∂x3 0

Chegamos ao sistema de equações parciais:

∂ (x1 + x2 ) ∂τ12 ∂τ12




 + =0 ⇒ = −1,



 ∂x1 ∂x2 ∂x2
∂τ12 ∂ (x1 − x2 ) ∂τ12

+ =0 ⇒ = 1,
 ∂x1
 ∂x2 ∂x1


 ∂x2
=0


∂x3

∴ τ12 = −x2 + f (x1 ) e τ1 2 = x1 + g(x2 )


Assim, τ1 2 = x1 + x2 + c, com c ∈ R. É dado que o plano x1 = 1, com vetor e1 , o vetor tesão é
    
1 + x2 1 + x2 τ12 0 1
6 − x2  =  τ12 1 − x2 0  0
0 0 0 x2 0
   
1 + x2 1 + x2
6 − x2  =  τ12  ∴ τ12 = 6 − x2
0 0
Então, para τ12 = x1 − x2 + c, temos que

1 − x2 + c = 6 − x2 ∴ c=5

Assim,
τ12 = x1 − x2 + 5

7
6 Deformação
Configuração: posição ocupada por um ponto de massa em um determinado instante t. Nós vamos estudar a
configuração final (deformada) a partir da configuração inicial. Para isso, vamos utilizar o sistema de coordenadas
ortogonais onde:
i. Coordenadas Lagrangianas (ou materiais): (X1 , X2 , X3 ) que identificam o ponto P , são as coordenadas da
configuração inicial;
ii. Coordenadas Eulerianas (ou espaciais): (x1 , x2 , x3 ) que identificar o ponto p, são as coordenadas da confi-
guração em um determinado t.
A configuração do sólido em qualquer tempo t pode ser expressa por:

xi = xi (X1 , X2 , X3 , t) i = 1, 2, 3

Essa mudança de configuração é denominada transformação: x = f (X). E chamamos de deformação quando


há mudança relativa da posição da vizinha de pontos do corpo.

Deslocamento: xp − XP = uP pode ser divido em


(a) Movimento rı́gido: sem mudança da vizinhança

dX T dX = dxT dx → dx = F dX

Sendo dx = F dX o gradiente de transformação. (Com F ortogonal).


(b) Movimento deformável: quando há mudança relativa na posição da vizinhança de pontos do corpo. Se o
movimento for deformável, F não será ortogonal!

Exemplo 7. Determine o gradiente de transformação

Resp.: Vamos representar as configurações iniciais e finais:


   
0 0
{AB} = 2 → {ab} = 2 e {ab} = F {AB}
0 0
T
Daı́, F2 = 0 1 0 ;    
2 2
{AD} = 0 → {ad} = 0 e {ad} = F {AD}
0 0
T
Daı́, F1 = 1 0 0 ; Por fim,
   
0 0
{AC} = 0 → {ac} = 3 e {ac} = F {AC}
2 3

8
    
0 1 0 F13 0
⇒ 3 = 0 1 F23  0
3 0 0 F33 2
∴ F13 = 0 e F23 = F33 = 3/2
Logo, o gradiente de transformação é dado por:
 
1 0 0
F = 0 1 3/2 (adimensional)
0 0 3/2

Obs.: A deformação pode ou não haver mudança de volume.

7 Deformação de Green
Além disso, o gradiente de transformação pode ser separado em duas partes:

F =I +H

Sendo H o Gradiente de Deslocamento, e I a matriz identidade. E para mensurar a deformação, vamos utilizar
a Deformação de Green:
FTF − I
ϵ=
2
Que define o Estado de Deformação do Ponto (completamente análogo ao estado de tensão do ponto, o tal do σ).
Obs.: Veja que se não houver deformação, isto é, o movimento é de corpo rı́gico, F é ortogonal, logo, ϵ = 0.

O vetor deformação E = ϵN , assim como o vetor tensão t, pode ser dividido em uma soma de componente
normal e de cisalhamento:
EN = ϵN N e Es = ϵN S S
Sendo  
ϵ1 ϵ12 ϵ13
ϵ= ϵ2 ϵ23  e ϵ′ = LϵLT
Sim. ϵ3
Escrevendo ϵ em função de H:
H + H T + HH T
ϵ=
2
(Deformação em função do gradiente de deslocamento). Na maioria dos casos práticos |Hij | << 1, então:

H + HT
ϵ=
2

Exemplo 8. Determine o tensor de deformação de Green e o tensor pequena deformação para o sólido do exemplo
7 (anterior).
Resp.:
 T      
1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0
1 1
ϵ = 0 1 3/2 0 1 3/2 − 0 1 0 ∴ ϵ = 0 0 3
2 4
0 0 3/2 0 0 3/2 0 0 1 0 3 7
O tensor de pequena deformação é
H + HT F + FT
ϵ= = −I
2 2
 
0 0 0
1
ϵ= 0 0 3
4
0 3 2

9
Ambos os tensores poderia ser avaliados usando o gradiente deslocamento H:
 
0 0 0
H = 0 0 32 
0 0 12

A magnetude de algumas componentes de H já indicaria que o emprego do tensor pequena deformação seria
inadequado.

Exemplo 9. Refaça o exemplo anterior para um sólido que rotaciona rigidamente de um ângulo θ no sentido
anti-horário em torno de X3 ≡ x3 .

Resp.: Um ponto material qualquer inicialmente na posição P , com vetor posição de módulo L e ângulo α com
o eixo X1 , suas coordenadas são:
X1 = Lcos α e X2 = Lsen α
Com a rotação, o ponto material passa ocupar a posição p, cujo vetor posição também terá módulo L e fará um
ângulo θ + α com X1 . Assim, suas coordenadas x1 e x2 serão:

x1 = Lcos(α + θ) = X1 cos θ − X2 sen θ

x2 = Lsen(α + θ) = X2 cos θ − X1 sen θ


Assim, a transformação pode ser escrita como:
      
x1 cos θ −sen θ 0 X1 cos θ −sen θ 0
x2  = sen θ cos θ 0 X2  ∴ F = sen θ cos θ 0
x3 0 0 1 X3 0 0 1

É possı́vel notar que F é ortogonal, portanto, não há deformação! Além disso, o gradiente de deslocamento é dado
por  
cos θ − 1 −sen θ 0
H =  sen θ cos θ − 1 0
0 0 0

8 Interpretação Geométrica
Seja P ⃗Q1 e P ⃗Q2 duas fibras na configuração de referência, e pq
⃗ 1 e pq
⃗ 2 as fibras deformadas, vamos encontrar uma
relação para determinar o θ:

10
Fazendo produto escalar nas fibras, temos:

⃗ 1 T · pq
pq ⃗ 2 = ds1 · ds2 · sen θ (1)
T
P ⃗Q1 · P ⃗Q2 = 0 (2)
De (1):
(F P ⃗Q1 )T (F P ⃗Q2 ) = P QT1 · F T F · P Q2
Com F T F = 2ϵ + I e também de (1):

ds1 · ds2 · sen θ = 2dS1 dS2 N1T ϵN2 (3)

Onde N1T ϵN2 = ϵ12 . Assim, chamando 2ϵ12 = γ12 , temos

ds1 ds2 sen θ = γ12 dS1 dS2


ds2 −dS 2
Mas, de dS 2 = ϵ, temos que ds2 = (2ϵ + I)dS 2 , voltando:
γ12
∴ sen θ = p
(1 + 2ϵ1 )(1 + 2ϵ2 )

Obs.: ϵ > −1/2.


Se as deformações forem muito pequenas, θ ≈ γ12 . No desenho:

∂u2 ∂u1 H + HT
θ = θ1 + θ2 = + e ϵ≈
∂x1 ∂x2 2
Beleza!!! Mas isso é para quando a configuração inicial está em um sistema ortogonal né?! E se ele não for
ortogonal? Spoiler: só vai mudar o numerador por causa do produto interno em (2) na mesma demontração ali
T
de cima. Vamos seguir a partir de 3, lembrando que P ⃗Q1 · P ⃗Q2 = dS1 dS2 cos α, com α sendo o ângulo inicial da
deformação e β o ângulo final.
√ √
ds1 · ds2 · cosβ = 2dS1 dS2 N1T ϵN2 ∴ 2ϵ1 + 1 2ϵ2 + 1dS1 dS2 cos β = dS1 dS2 N1T (2ϵ + I)N2

Lembrando também que dSi são os tamanhos das fibras e Ni são as direções unitárias. Daı́ temos, isolando beta:

N1T (2ϵ + I)N2


cos β = p
(2ϵ1 + 1)(2ϵ2 + 1)

11
Dedução Importante!!! Quando o corpo se deforma, normalmente há mudança de volume, vamos medir
essa mudança dv−dV
dV . Dado um ponto P :
 
Pelo produto
 misto: dV = det dX
 1
dX2 dX3 , analogamente,
dv = det F dX1 F dX2 F dX3 = (det F ) · dV . Voltando para a deformação volumétrica:

dv − dV
ϵV = = det F − 1 ∴ ϵV = det F − 1
dV
Mas F T F = 2ϵ + I, aplicando determinante em ambos os termos:
p
(det F )2 = det(2ϵ + 1) ∴ ϵV = det(2ϵ + 1) − 1

Se a deformação é pequena, ϵ = ϵe + ϵd com ϵe a componente esférica em que ∃∆V e ϵd a componente


desviadora em que ∄∆V , teremos:
p p
ϵV ≈ (2ϵ1 + 1)(2ϵ2 + 1)(2ϵ3 + 1) − 1 ≈ (1 + ϵ1 )2 (1 + ϵ2 )2 (1 + ϵ3 )2 − 1

∴ ϵV ≈ ϵ1 + ϵ2 + ϵ3 = tr(ϵ)

Exemplo 10. Num dado instante, o campo de deslocamento de um sólido é

u1 = X12 u2 = X2 X3 u3 = 2X1 X3 + X12

Determine:
a) o tensor deformação de Green
Resp.: H é o gradiente de deslocamento: H = ∂u
∂x
 
2X1 0 0
H= 0 X3 X2 
2(X1 + X3 ) 0 2X1

Aqui a gente pode seguir dois caminhos que chegarão na mesma resposta, o que vai mudar é a quantidade de conta
(ou não):
H + HT + HT H FTF − I
ϵ= = com F = I + H
2 2
Escolhendo um dos dois pra fazer as contas, teremos esse trabolho aqui:

4(X1 + 2X12 + 2X1 X3 + X32 ) 2(X1 + X3 + 2X12 + 2X1 X3


 
0
ϵ= X3 (2 + X3 ) X2 (1 + X3 ) 
Sim. 4X1 + 4X12 + X32

b) a deformação no ponto (X1 , X2 , X3 ) = (1, 1, 0) das fibras inicialmente paralelas aos eixos X1 e X3 , e a mudança
do ângulo entre elas.
Resp.: No ponto (1, 1, 0) substituindo em ϵ:
 
12 0 6
1
ϵ =  0 0 1
2
6 1 9

Para a fibra paralela a X1 , ou seja, n1 = e1 temos


  
  1 12 0 6 1
ϵ1 = 1 0 0 · ·  0 0 1 0 ∴ ϵ1 = 6
2
6 1 9 0

12
Analogamente, para a fibra paralela a X3
  
  1 12 0 6 0
ϵ3 = 0 0 1 · ·0 0 1 0 ∴ ϵ3 = 4, 5
2
6 1 9 1

Já a mudança de ângulo é dada por


 
γ13 2ϵ13 6
sen θ = p =p ∴ θ = arcsen √
(2ϵ1 + 1)(2ϵ3 + 1) (2ϵ1 + 1)(2ϵ3 + 1) 130

9 Medição experimental
Para medir a deformação das fibras, usamos o extensômetro ou strain gage. Ele mede a deformação normal ϵN
na superfı́cie de um sólido.

A base do extensômetro é colada na superfı́cie do sólido, no ponto e direção onde se deseja medir a deformação.
Quando o sólido se deforma, o fio do dispositivo também se deforma, variando sua resistência elétrica. É possı́vel
determinar a deformação a partir da variação da resistência elétrica do fio.

Suponha que o ponto P esteja na superfı́cie de um sólido, com plano tangente a X1 X2 . O extensômetro nos
dará 3 medidas de deformação normal: ϵa , ϵb e ϵc .

ϵa = NaT ϵNa ϵb = NbT ϵNb ϵc = NcT ϵNc


 
 T ϵ1 γ12 /2 γ13 /2
Em que Na = cos θa sen θa 0 , os demais são análogos, e ϵ =  ϵ2 γ23 /2.
Sim. ϵ3

Exemplo 11. Sabendo-se que as deformações normais obtidas pela roseta (agrupamento dos três extensômetros)
de 120° são ϵa = 44 · 10−6 , ϵb = −55 · 10−6 e ϵc = 66 · 10−6 , determine ϵ1 , ϵ2 e γ12

Resp.: Considerando que θa = 0◦ , θb = 120◦ e θc = 240◦ ,

ϵa = ϵ1 cos2 0◦ + ϵ2 sen2 0◦ + γ12 sen0◦ cos0◦

ϵb = ϵ1 cos2 120◦ + ϵ2 sen2 120◦ + γ12 sen120◦ cos120◦


ϵc = ϵ1 cos2 240◦ + ϵ2 sen2 240◦ + γ12 sen240◦ cos240◦
Resolvendo o sistema, temos
−ϵa + 2ϵb + 3ϵc −2ϵb + 2ϵc
ϵ1 = ϵa = 44 · 10−6 ϵ2 = = −7, 3 · 10−6 γ12 = √ = 139, 7 · 10−6
3 3

13
Exemplo 12. Num experimento, a roseta de 45◦ indicada mede na superfı́cie de uma estrutura

ϵ1 = 6 · 10−4 ϵ2 = 4 · 10−4 ϵ′1 = 8 · 10−4

Determine a deformação de cisalhamento γ12 e a deformação normal ϵ′2 . Por que ϵ1 + ϵ2 = ϵ′1 + ϵ′2 ?

Resp.: Usando o mesmo procedimento anterior, temos:


1
ϵ′1 = ϵ1 cos2 45◦ + ϵ22 45◦ + γ12 sen 45◦ cos 45◦ ∴ ϵ′1 = (ϵ1 + ϵ2 + γ12 ) ⇒ γ12 = 6 · 10−4
2
1
ϵ′2 = ϵ1 cos2 135◦ + ϵ2 sen2 135◦ + γ12 sen 135◦ cos 135◦ ∴ ϵ′2 =
(ϵ1 + ϵ2 − γ12 ⇒ ϵ′2 = 2 · 10−4
2
O traço de ϵ é invariante e X3 ≡ X3′ , pois a rotação está sendo em torno deste eixo, entao ϵ3 = ϵ′3 , portanto,
ϵ1 + ϵ2 = ϵ′1 + ϵ′2 .

Exemplo 13. O estado de deformação num ponto é dado por


 
−1 0 0
ϵ =  0 −1 1
0 1 2

Determine as deformações principais e suas direções e sua máxima deformação de cisalhamento.

Resp.: Vamos fazer assim como no Diagrama de Mohr para as tensões! Determinaremos os autovalores e au-
tovetores da matriz para as deformações e direções principais ϵ:
√ √ iT
 h
1+ 13 −3+ 13



 ϵ I = 2 n I = 0 2 1
 h iT
ϵII = −1 nII = 1 0 0


 √ h √ iT
ϵIII = 1− 13 nIII = 0 − 3+ 13 1

2 2

No Diagrama de Mohr: r √
9 13 −1 + 2 1
Raio = +1= Centro = =
4 2 2 2
Sabemos que a deformação de cisalhamento máxima é dada pelo Raio do cı́rculo de Mohr:

13
∴ γmax =
2

10 Equações Constitutivas
Agora a gente vai levar em consideração o material que o corpo é constituido!

As equações constitutivas são, assim, modelos matemáticos que descrevem o comportamento dos materiais. São
equações que contêm parâmetros que precisam ser identificados por ensaios experimentais. Relacionando equilı́brio
com deformação:
σ = g(F )
Onde g é uma função tensorial invariante a movimento de corpo rı́gido. Quando o modelo é invariante, ou seja,
independente do observador, dizemos então que ele obedece ao princı́pio da objetividade. Para constatar que é
invariante, deve satisfazer:
g(QF ) = Qg(F )QT
Sendo Q a transformação associada ao movimento de corpo rı́gido.

14
Exemplo 14. Mostre que o modelo constitutivo σ = g(ϵ) em que o tensor tensão de Cauchy relaciona-se com o
tensor deformação de Green, é inaceitável por violar o princı́pio da objetividade.

Resp.: Com um movimento de corpo rı́gido, σ e ϵ alteram-se para

σ = QσQT ϵ=ϵ

Com o modelo constitutivo passando a ser


σ = g(ϵ)
Para que o modelo não seja afetado pelo movimento, precisamos que

g(ϵ) = Qg(ϵ)QT

para qualquer Q. Como essa relação de invariância só é verificada para Q = I (movimento de translação ou nenhum
movimento), então o modelo constitutivo σ = g(ϵ) não obedece ao princı́pio da objetividade.

Se as deformações forem pequenas (na prática vamos trabalhar sempre assim a partir de agora) podemos
relacionar σ com ϵ de forma linear, usando séries de Taylor em torno de ϵ1 = ϵ2 = ... = γ12 = 0 teremos a
relação:
{σ} = [C]{ϵ}
onde      

 σ1  
 ϵ1  C11 C12 C13 C14 C15 C16
σ2  ϵ C21 C22 C23 C24 C25 C26 
   
2 

  
 
 
  
  
σ3 ϵ3 C31 C32 C33 C34 C35 C36 
 
{σ} = {ϵ} = [C] =  

 τ23 
 
 γ23 

C41
 C42 C43 C44 C45 C46 

τ13  γ13  C51 C52 C53 C54 C55 C56 

  
 

   
   

τ12 γ12 C61 C62 C63 C64 C65 C66
 

Com os coeficientes Cij a serem determinados experimentalmente. (Essa expressão só é válida se as deformações
forem pequenas e o material livre de tensões iniciais!!!)
Obs.: Se C −1 existe, então é um modelo elástico. Ou seja, devemos ter uma g(ϵ) bijetora para que o material seja
elástico!

Exemplo 15. Considere que no espaço (σ1 , σ2 , ϵ1 , ϵ2 ) o comportamento de um material elástico linear seja descrito
por
σ1 = C11 ϵ1 + C12 ϵ2 σ2 = C21 ϵ1 + C22 ϵ2
Avalie o trabalho realizado pelas forças internas quando um carregamento, seguido de descarregamento, induz
a deformação a percorrer, no espaço (ϵ1 , ϵ2 ), a trajetória da figura abaixo. Depois avalie novamente o trabalho
supondo agora que o percurso se dê no sentido contrário.

Resp.: O trabalho infinitesimal, por unidade de volume, realizado pelas forças internas é
Z
w = −(σ1 dϵ1 + σ dϵ2 ) ∴ WABCDA = − (σ1 dϵ1 + σ dϵ2 )

15
Separando as seções, temos:
Z B Z A
WABCDA = − (σ1 dϵ1 + σ2 dϵ2 ) − ... − (σ1 dϵ1 + σ2 dϵ2 )
A D
Z ϵ∗
1
Z ϵ∗
2
Z 0 Z 0
WABCDA = − C11 ϵ1 dϵ1 − (C21 ϵ1 + C22 ϵ2 )dϵ2 − C11 ϵ1 dϵ1 − C12 ϵ1 dϵ2 = (C12 − C21 )ϵ∗1 ϵ∗2
0 0 ϵ∗
1 ϵ∗
2

Se o percurso for feito no sentido contrário:

WADCBA = (C21 − C12 )ϵ∗1 ϵ∗2

(WABCDA = WADCBA se C12 ̸= C21 ). Para que respeite a primeira lei da termodinâmica, a relação C12 = C21
deve ser imposta de maneira que WABCDA = WADCBA = 0, restringindo as tensões a serem conservativas.

Energia de deformação: Se as tensões são conservativas, elas se derivam de um potencial, função exclusiva
das componentes da deformação:
∂U0 ∂U0
σi = τij =
∂ϵi ∂γij
O material com essas equações é dito hiperelástico e U0 é a densidade de energia de deformação. Além disso, na
matriz [C], temos:
Cij = Cji

Exemplo 16. Um certo material ortotrópico de grafite-epóxi é definido por

E1 = 155 GP a E2 = E3 = 12, 1 GP a G12 = G13 = 4, 4 GP a

G23 = 3, 2 GP a ν12 = ν13 = 0, 25 ν23 = 0, 46


Escreva a matriz constitutiva [C] do material.

Resp.: Para achar a matriz vamos precisar usar aquelas infinitas equações que relacionam C, com E e ν, mas
tem ν que não conhecemos, logo, ainda precisaremos usar aquela equação de cima ainda para primeiro determinar
o que falta e depois fazer as substituições para achar os valores de Cij .

ν21 = ν12
E1
E2
⇒ ν21 = 0, 0195
ν13 E3
ν31 = E1 ⇒ ν31 = 0, 0195
ν23 E3
ν32 = E2 ⇒ ν32 = 0, 46

Substituindo,
∆ = 1 − ν12 ν21 − ν13 ν31 − ν23 ν32 − 2ν13 ν21 ν32 → ∆ = 0, 7742
Assim, obtêm-se:
E1 155 155
C11 = = = = 157, 84
1 − ν23 ν32 1 − 0, 46 × 0, 46 0, 7742
ν21 E1 0, 0195 × 155
C12 = = = 5, 70
∆ 0, 7742
ν31 E1 0, 0195 × 155
C13 = = = 5, 70
∆ 0, 7742
E2 12, 1 12, 1
C22 = = = = 15, 55
1 − ν13 ν31 1 − 0, 25 × 0, 0195 0, 7742
ν32 E3 0, 46 × 12, 1
C23 = = = 7, 27
∆ 0, 7742
E3 12, 1 12, 1
C33 = = = = 15, 55
1 − ν12 ν21 1 − 0, 25 × 0, 0195 0, 7742

16
C44 = G23 = 3, 2 C55 = G13 = 4, 4 C66 = G12 = 4, 4
Portanto,
 
157, 84 5, 70 5, 70 0 0 0
 5, 70 15, 55 7, 27 0 0 0 
 
 5, 70 7, 27 15, 55 0 0 0 
[C] = 
 0
 GPa.
 0 0 3, 2 0 0 

 0 0 0 0 4, 4 0 
0 0 0 0 0 4, 4

11 Mudança de base
Sabendo-se que σ = Cϵ:
σ = L−1 ′
σ C Lϵ ϵ ∴ C ′ = Lσ CLTσ
Sendo Lσ dado por:

L211 L212 L213


 
2L12 L13 2L11 L13 2L11 L12
 L221 L222 L223 2L22 L23 2L21 L23 2L21 L22 
 2 
 L31 L232 L233 2L32 L33 2L31 L33 2L31 L32 
Lσ = 
L21 L31

 L22 L32 L23 L33 L22 L33 + L23 L32 L21 L33 + L23 L31 L21 L32 + L22 L31 

L11 L31 L12 L32 L13 L33 L12 L33 + L13 L32 L11 L33 + L13 L31 L11 L32 + L12 L31 
L11 L21 L12 L22 L13 L23 L12 L23 + L13 L22 L11 L23 + L13 L21 L11 L22 + L12 L21

Daı́, temos
σ ′ = LσLT e ϵ′ = LϵLT
Se C = C T o material é anisotrópico, quando suas propriedades mecânicas são diferentes em diferentes direções.
O ideal para se trabalhar na engenharia são materiais isotrópicos, em que todas as propriedades são invariantes
com as direções.
i. Material hiperelástico linear: não apresenta nenhum plano de simetria (anisotrópico); (é aquela matriz cheia
com todos os coeficientes desconhecidos, Deus me livre)

ii. Material monoclı́nico: propriedades mecânicas simétricas em relação a um único plano. Usa essa matriz aqui:
 
C11 C12 C13 C14 0 0

 C22 C23 C24 0 0 
 C33 C34 0 0 
[C] = 
 
 C44 0 0 
 C55 C56 
sim. C66

iii. Material ortotrópico: propriedades mecânicas são simétricas em relação a três planos mutuamente ortogonais.
Usa essa matriz aqui:  
C11 C12 C13 0 0 0

 C22 C23 0 0 0 
 C33 0 0 0 
[C] =  

 C44 0 0 
 C55 0 
sim. C66
Percebe que num material ortotrópico uma tensão normal não provoca deformação de cisalhamento, uma
tensão de cisalhamento não provoca deformação normal e que uma tensão de cisalhamento só provoca de-
formação de cisalhamento no plano em que atua.

17
Maaaaaaaaas, experimentalmente é difı́cil controlar a deformação, só que é fácil controlar o carregamento (a força
que aplica no material), por isso, experimentalmente montamos a matriz da relação inversa (com os carregamentos)
e depois invertemos a relação. (
σ = Cϵ, C = C T
ϵ = Sσ
Assim, temos a segunda equação dada por
− νE212 − νE313
   1 
0 0 0

ϵ1 E1 σ1
 ϵ2    − νE121 1
E2 − νE323 0 0 0   σ2 
 
   ν13
 ϵ3  − E
 = 1
− νE232 1
E3 0 0 0   σ3 
 
γ23   0 1
0 0 0 0  τ23 
 
   G23
γ13   0 1
0 0 0 0  τ13
 
G13
γ12 1 τ12
0 0 0 0 0 G12

Do ensaio, percebemos: ESSA EQ. É IMPORTANTE!!!

Ei νji = Ej νij

As relações entre as constantes ν, E e C são dadas por: (sim, a gente vai ter que fazer essas contas pra converter
;-;) (ESSAS RELAÇÕES SÃO IMPORTANTES!!!)
1 − ν23 ν32
C11 = E1

ν21 + ν31 ν23 ν12 + ν13 ν32
C12 = E1 = E2
∆ ∆
ν31 + ν21 ν32 ν13 + ν12 ν23
C13 = E1 = E3
∆ ∆
1 − ν13 ν31
C22 = E2

ν32 + ν12 ν31 ν23 + ν13 ν21
C23 = E2 = E3
∆ ∆
1 − ν12 ν21
C33 = E3

C44 = G23
C55 = G13
C66 = G12

Com
∆ = 1 − ν12 ν21 − ν13 ν31 − 2ν13 ν21 ν32
Caso especial (que amamos porque é o mais simples): Em um material isotrópico (propriedades simétricas
para todos os planos), teremos que
 
C11 C12 C12 0 0 0

 C11 C12 0 0 0  
 C 11 0 0 0 
[C] =  C11 −C12


2 0 0 
C11 −C12
 

2 0 
C11 −C12
sim. 2

Com os coeficientes dados por:


(1 − ν)E νE E
C11 = C12 = G=
(1 + ν)(1 − 2ν) (1 + ν)(1 − 2ν) 2(1 + ν)
O módulo de cisalhamento G do material isotrópico é função do módulo de Young E e do coeficiente de Poisson ν.
Obs.: Quando ν → −1 ⇒ G → ∞, γ → 0 (o material não se distorce). Em material hidrostático (só componentes
esféricas)
−1 < ν < 1/2

18
• ν → −1: sem deformação angular;
• ν → 1/2: deformação volumétrica nula (incompressı́vel).
Coeficiente de Poisson é uma medida de como um material se deforma sob tensão:
Deformação Lateral
ν=−
Deformação Axial
Módulo de Elasticidade (módulo de Young) é a medida da rigidez de um material:
Tensão
E=
Deformação
Podemos ver o tensor constitutivo também na forma:
 
2µ + λ λ λ 0 0 0

 2µ +λ λ 0 0 0
 2µ + λ 0 0 0
[C] =  

 µ 0 0
 µ 0
Sim. µ
Com ( (
νE
C11 = 2µ + λ λ = C12 = (1+ν)(1−2ν)
⇒ C11 −C12
C12 = λ µ= 2 =G

Exemplo 17. Determine o tensor tensão num ponto de um sólido de uma liga de alumı́nio com
E = 72 GP a G = 27 GP a,
Sabendo-se que o tensor deformação no ponto é
 
200 100 0
ϵ = 100 300 400 · 10−6
0 400 0

Resp.: Queremos determinar o σ, então vamos usar a equação {σ} = [C]{ϵ}. No entanto, precisamos encon-
trar as incognitas µ e λ. Da relação entre G e E:
E 1
G= ∴ ν=
2(1 + ν) 3
Daı́, temos que
νE
λ= = 54 GP a e µ = G = 27 GP a
(1 + ν)(1 − 2ν)
   
2µ + λ λ λ 0 0 0 4 2 2 0 0 0

 2µ + λ λ 0 0 0

 4 2 0 0 0
 2µ + λ 0 0 0 
 = 27 ·  4 0 0 0
[C] =  

 µ 0 0

 1 0 0
 µ 0  1 0
µ 1
Assim, temos que
      

 σ1  4 2 2 0 0 0  200 
37, 8
σ 4 2 0 0 0 300 43, 2
     
2

    

    
 
 

σ3 4 0 0 0 0 27
    
· 10−6 · 10−3 GP a
 
= 27 ·  ∴ {σ} =

 τ23 

 1 0 0 

 800 
21, 6
τ13  1 0  0  0 

 
    
 

  
 
 
 

τ12 1 200 5, 4
     
 
37, 8 5, 4 0
σ =  5, 4 43, 2 21, 6 M P a
0 21, 6 27

19
12 Teoria linear da elasticidade
A gente lineariza a teoria pra que haja uma solução única para dados carregamento e apropriadas condições de
contorno, o problema linear possui uma, e somente uma, solução. O campo de deslocamento de um corpo é dado
por
xi = Xi + ui
com x no centro geométrico. Então, (
|u| << |x|
|Hij | << 1
Com pequenos deslocamentos, as equações que já conhecemos ficam:
• Relação Deformação-Deslocamento: ϵ = (H + H T )/2;
• Relação Constitutiva: σ = Cϵ;

• Relação de Equilı́brio: σ∇X + b = 0, (∇x ≈ ∇X )

Condições de contorno: É parecido com MAT-42, tem que ter compatibilidade entre as condições de contorno
e elas vão ajudar a especificar a solução. São as informações conhecidas (deslocamentos ou forças) conhecidas na
superfı́cie. Temos as restrições de movimento representadas de diferentes formas:

Exemplo 18. Suponha que um sólido com E = 2 · 1011 N/m2 e ν = 0, 3 e que não existe carga aplicada no ponto
onde é colada a roseta, com medições

ϵ1 = 44 · 10−6 ϵ2 = −7, 3 · 10−6 γ12 = 139, 7 · 10−6

20
Determine no ponto as demais componentes do tensor deformação e todas as componentes do tensor tensão no
sistema X1 X2 X3 .

Resp.: Se nenhuma carga atua no ponto onde é colada a roseta,

t=0
 T
Sabendo-se que nesse ponto n = 0 0 1 , então
    
σ1 τ12 τ13 0 0
σn = t ⇒ τ12 σ2 τ23  0 = 0 ⇒ τ13 = τ23 = σ3 = 0
τ13 τ23 σ3 1 0
   

Usando as equações constitutivas


   1
− Eν − Eν
 
ϵ1  0 0 0  σ1 
  Eν

1
− Eν
   
ϵ2   − E 0 0 0 σ2 

 
 


    ν E  
− Eν 1
 
ϵ3 −E 0 0 0 σ3
 
= E
1

 γ 23 
  0
 0 0 G 0 0 τ23 
 
1
γ   0 0 0 0 0τ13 
   
 13 



G  
1  
γ12 0 0 0 0 0 τ12
  
G

Onde G = E/2(1 + ν) e substituindo E e ν dados, além dos dados da roseta e resolvendo o sistema, é possı́vel
determinar os dados faltantes e teremos:
   
44 139, 7 0 9, 19 10, 75 0
ϵ = 139, 7 −7, 3 0  · 10−6 σ = 10, 75 1, 30 0 · 106 N/m2
0 0 −15, 7 0 0 0

Exemplo 19. Se um sólido em equilı́brio está sob o campo de tensão

X12 X2 X1 (1 − X22 )

0

3
X2 −3X2
σ = X1 (1 − X22 ) 3 0  MPa
0 0 2X32

determine:
a) a distribuição da força de volume;

b) as forças que atuam na sua superfı́cie, sabendo-se que o sólido é o paralelepı́pedo abaixo

Resp.:
a) Substituindo as componentes de σ nas equações de equilı́brio

∂σ1 ∂τ12 ∂τ13 ∂τ12 ∂σ2 ∂τ 23 ∂τ13 ∂τ23 ∂σ3


+ + + b1 = 0 + + + b2 = 0 + + + b3 = 0
∂X1 ∂X2 ∂X3 ∂X1 ∂X2 ∂X3 ∂X1 ∂X2 ∂X3

21
obtemos
2X1 X2 − 2X1 X2 + b1 = 0 → b1 = 0
1
1 − X22 + (3X22 − 3) + b2 = 0 → b2 = 0
3
4X3 + b3 = 0 → b3 = −4X3

b) Na face X1 = 0:    

0 0 0

−1 0
X23 −3X2
n= 0 σ = 0 3 0  t = σn = 0
0 2X32 0
   
0 0
Faremos o mesmo para X1 = 2 m, X2 = 0, X2 = 3 m, X3 = 0 e X3 = 4 m.

13 Barras Sob Carga Axial


Vamos trabalhar com 3 aspectos principais! De forma geral:
1) Dinâmica (estática): equações de equilı́brio em cada ponto ou do sólido como um todo.

σ∇X + b = 0

2) Cinemática das deformações: relações de deformações-deslocamento.


∂u
u(x, y, z) εx = σx = Eεx
∂x

3) Relações constitutivas: modelos matemáticos que levam em conta o material do sólido, relacionando as
variáveis dinâmicas com as variáveis cinemáticas.
Aqui a matéria é mais familiar com a de cursinho, só vai ter uma abordagem mais generalizada devido o professor,
mas o procedimento de cálculo será:
1. Transforma-se a estrutura dada num corpo livre, substituindo-se todos os vı́nculos externos pelas reações
vinculares, colocando um sentido pra cada esforço (arbitrariamente)
2. Equilı́brio externo X X X
Fx = 0 Fy = 0 Mz = 0

3. As cargas distribuidas devem ser substituidas por suas respectivas resultantes (só pro cálculo de rações exter-
nas)
4. As cargas que não tiverem nos eixos de referência (x e y) devem ser decompostas.

Exemplo 20. Seja a barra abaixo com uma força axial P aplicada na sua extremidade livre. Considere fixa a
outra extremidade.

A seguir faremos uso dos três aspectos fundamentais da Mecânica dos Sólidos:

22
• Cinemática da deformação: com base na hipótese de que as seções transversais permanecem planas e
normais ao eixo longitudinal após a deformação (isso é válido pra pequenas deformações), o eixo longitudinal
permanece reto após a deformação. Assim, as seções transversais se deslocam somente na direção axial. A
deformação longitudinal é dada por
dx∗ − dx
εx = → dx∗ = (1 + εx )dx
dx
O alongamento total δ de uma extremidade da barra de comprimento L em relação à outra extremidade é
dado por
Z L
δ = L∗ − L = εx dx
0
Da hipóstese citada, temos a relação deformação-deslocamento:
du
εx =
dx
(as componentes de deformação e de deslocamento são funções apenas da coordenada axial x da seção trans-
versal, independem de y e de z).
• Estática: Considere a região à direita da seção de corte S como um diagrama de corpo-livre para deter-
minarmos os esforços internos resultantes, a partir do equilı́brio de corpo. Do equilı́brio na direção axial
x X
Fx = 0 → −N + P = 0 → N = P
N é a força normal interna resultante, atuando sobre a seção S e do equilı́brio de momentos concluı́mos que
N atua perpendicularmente à seção. Como a seção S é arbitrária, a força N interna é constante ao longo do
eixo x nesse caso.
∆N = σx ∆A
Considerando que as componentes transversais das tensões normais são desprezı́veis comparadas com a tensão
axial:
σy = σz = 0
A força normal, portanto, é a resultante dessas forças ∆N atuando sobre cada área:
Z Z
N= σx dA ∴ N = P = σx dA
S S

Para o cálculo de momento:


∆My = z∆N = zσx ∆A ∆Mz = −y∆N = −yσx ∆A
No limite com ∆A → 0 Z
My = N z = zσx dA
S
Z
Mz = −N y = − yσx dA
S
As coordenadas do ponto de aplicação da força normal resultante N sobre a seção transversal são dadas por
 R
z = RS zσx dA
G≡ R S σx dA
y = RS yσx dA
σx dA
S

Considerando-se agora a origem de um sistema de coordenadas no ponto G:


X
(MG )y = 0 → My + P a = 0 → My = −P a
X
(MG )z = 0 → Mz − P b = 0 → Mz = P b
Como os momentos fletores devem ser nulos,
My = M z = 0 → a = b = 0 (P ̸= 0)
Logo, a força externa P deve ser colinear com a força interna N .

23
• Relações constitutivas: Supondo-se que o material seja linearmente elástico e isotrópico:
1 1 1
εx = (σx − ν(σy + σz )) εy = (σy − ν(σx + σz )) εz = (σz − ν(σx + σy ))
E E E
com σy = σz = 0 temos
σx
εx = εy = −νεx εz = −νεx
E
Considerando E constante sobre toda seção transversal (mateiral linearmente estático, isotrópico e homogêneo)

σx = Eεx → σx independe de y e z.

Da relação da normal N podemos escrever:


Z Z
N P
N= σx dA = σx dA → σx = =
S S A A

Daı́,
σx P
εx = → εx =
E EA
e também Z x
P
du = εx dx → u(x) = εx dx → u(x) = x
0 EA
Portanto, o alongamento δ é dado por:
PL
δ = L∗ − L = u(L) − u(0) ∴ δ=
EA

Exemplo 21. A barra abaixo, com seções transversais é feita de uma liga de aço-carbono com E = 30×106 lb/in2 =
200 GP a e tensão de escoamento σ0 = 70 × 103 lb/in2 = 480 M P a. Determine o alongamento total produzido pelas
cargas axiais aplicadas nos pontos B e D.

Resp.: Diagramas de corpo livre


a) Seção entre D e C:
N1 = 1000 lb

b) Seção entre C e B:
N2 = 1000 lb

c) Seção entre B e A:
N3 − 800 − 1000 = 0 ∴ N3 = 1800 lb

24
Alongamento total da barra:
N1 L1 N2 L 2 N3 L3
δ= + +
E1 A1 E2 A2 E 3 A3
N1 L 1 1000 · 12
δ1 = = = 0, 00815 in
E1 A1 30 · 106 · π · (1/8)2
N2 L2 1000 · 5
δ2 = = = 0, 00151 in
E2 A2 30 · 106 · π · (3/16)2
N3 L3 1800 · 5
δ3 = = = 0, 00272 in
E3 A3 30 · 106 · π · (3/16)2
Daı́,
δ = 0, 00815 + 0, 00151 + 0, 00272 ∴ δ = 0, 0124 in
Obs.: O resultado obtido é válido se o nı́vel de tensão atuante for menor que a tensão de escoamento do material,
σ0 :
N1 1000

σ1 = A1 = π(1/8)2 = 20400 < σ0

σ2 = N 1000
A2 = π(3/16)2 = 9050 < σ0
2

σ3 = N 1800
A3 = π(3/16)2 = 16300 < σ0
3

Exemplo 22. A barra da figura abaixo é feita de um material linearmente elástico. As extremidades A e C são
rigidamente fixadas antes da carga P ser aplicada através de um colar rı́gido no ponto B. Determine a tensão normal
nas seções transversais de cada parte da barra.

Resp.: Diagrama de corpo livre


a) Reações dos suportes: X
Equilibrio → Fx = 0 → RA + RC − P = 0
Uma equação e 2 incognitas - problema hiperestático.
b) Forças normais internas: X
Fx = 0 → RC + N1 = 0 ∴ N1 = −RC
X
Fx = 0 → RC − P + N2 = 0 ∴ N2 = P − RC

Alongamneto total da barra


N1 L1 N2 L2 N1 L 1 N2 L2
δ= + =0 ∴ + =0
E 1 A1 E2 A2 E1 A1 E 2 A2
Substituindo pelos Ni ’s encontrados antes:
(−RC )L1 (P − RC )L2 P A1 L2
+ =0 ∴ RC =
A1 A2 A2 L1 + A1 L2

25
Cálculo das reações dos suportes (já calculamos RC ):
P A2 L1
RA + RC − P = 0 ∴ RA =
A2 L1 + A1 L2
Tensões normais nas seções transversais da barra: substituindo os resultados para as reações acima nas equações
obtidas la no inı́cio das normais:
P A1 L2
N1 = −RC ∴ N1 = −
A2 L1 + A1 L2
P A2 L1
N2 = P − RC ∴ N2 =
A2 L1 + A1 L2
N1 P L2
σ1 = ∴ σ1 = −
A1 A2 L1 + A1 L2
N2 P L1
σ2 = ∴ σ2 =
A2 A2 L1 + A1 L2

Exemplo 23. Uma barra bimetálica de seção transversal quadrada, com dimensões 2b × 2b , é construı́da com
dois metais diferentes, tendomódulos de elasticidade E1 e E2 . A barra é comprimida por forças P agindo através
de placas rı́gidas nas extremidades.A linha de ação das cargas tem uma excentricidade e de magnitude tal que cada
porção da barra é tensionada uniformemente em compressão.

a) Determine a excentricidade e das cargas;


b) Determine as forças axiais e nas duas porções da barra;
c) Determine a razão das tensões nas duas partes da barra.
Resp.: Equações de equilı́brio: o diagrama de corpo livre mostra a força normal interna que atua sobre as seções
transversais da barra:

P
Fx = 0 → N −P =0 → N =P
P
(Mz )C = 0 → M + Ne − Pe = 0 → M = (P − N )e

N =P → M = (P − P )e → M = 0 (momento fletor nulo)

26
(a) Como o momento fletor é nulo, as seções transversais permanecerão paralelas entre si após a deformação.
Portanto a deformação εx independe de y e de z. A força normal interna resultante é dada por
Z
N= σx dA
A

Com dA = 2bdy (
σ1 = E1 εx (−b ≤ y ≤ 0)
σx = Eεx →
σ2 = E2 εx (0 ≤ y ≤ b)
Substituindo em N temos
Z 0 Z b Z 0 Z b
N= σ1 2bdy+ σ2 2bdy = E1 εx 2bdy+ E2 εx 2bdy = 2b2 E1 εx +2b2 E2 εx → N = 2b2 εx (E1 +E2 )
−b 0 −b 0

Excentricidade e das cargas externas: o momento da resultante normal interna N em relação a um eixo
paralelo a z é dado por
Z Z b
Ne = yσx dA = yσx 2b dy
A −b

Substituindo σx = Eεx na equação acima


Z 0 Z b Z 0 Z b
Ne = yσ1 2b dy + yσ2 2b dy = yE1 εx 2b dy + yE2 εx 2b dy = −E1 εx b3 + E2 εx b3
−b 0 −b 0

b3 εx (E2 − E1 )
N e = b3 εx (E2 − E1 ) ∴ e=
N
Substituindo o N encontrado anteriormente
b3 εx (E2 − E1 ) b (E2 − E1 )
e= → e=
2b2 εx (E1 + E2 ) 2 (E1 + E2 )

(b) Forças axiais P1 e P2 :

Z ( R0
P1 = N1 = −b σ1 2b dy
N =P = σx dA → Rb
A P2 = N2 = 0 σ2 2b dy
Como σx = Eεx , temos
P1 = 2b2 E1 εx P2 = 2b2 E2 εx
Isolando εx
N P
N = 2b2 εx (E1 + E2 ) → εx = = 2
2b2 (E1 + E2 ) 2b (E1 + E2 )
Substituindo em Pi′ s:
P E1
P1 = 2b2 E1 ∴ P1 = P
2b2 (E1 + E2 ) (E1 + E2 )
P E2
P2 = 2b2 E2 ∴ P2 = P
2b2 (E1 + E2 (E1 + E2 )

27
(c) Razão entre as tensões normais: (
σ1 = E1 εx σ1 E1
→ =
σ2 = E2 εx σ2 E2

Obs.: Para que as seções transversais permaneçam paralelas após a deformação é necessário que o momento fletor
seja nulo em qualquer seção da barra (força axial externa P colinear com a força normal interna N ). Como o ponto
de atuação da força resultante interna N tem uma excentricidade e em relação ao centróide da seção transversal, a
força axial externa P tem que ser aplicada com a mesma excentricidade.

Se a barra fosse feita de um só material homogêneo, com módulo de elasticidade E = E1 = E2 , terı́amos:
P
e = 0, P1 = P2 = , σ1 = σ2
2
A excentricidade nula significa que a linha de ação da força axial externa P , colinear com N , passa pelos centróides
das seções transversais da barra.

Exemplo 24. Os três elementos da treliça mostrada na figura são de aço com E = 29 × 103 ksi e possuem, cada
um, uma área de seção transversal de 0, 75 in2 . Determine a maior carga P que pode ser aplicada à treliça de forma
que o rolete no apoio B não se desloque mais do que 0, 03 in.

Resp.: Forças na treliça:

Equações de equilı́brio: X
Fx = 0 → HA = 0
X
Fy = 0 → V A + V B − P = 0
X P
MA = 0 → VB (16) − P (8) = 0 → VB =
2
Substituindo a última na do meio:
P
VA =
2
O deslocamento do rolete em B depende da variação de comprimento da barra AB. Para o cálculo dessa variação
do comprimento, precisamos determinar N : Diagrama de corpo livre

28
X
Fx = 0 → −FAB − FBC cos 60◦ = 0
X P
Fy = 0 → = FBC sin 60◦ = 0
2

P 3 P
+ FBC = 0 ∴ FBC = − √
2 2 2 3
Substituindo em Fx  
P 1 P
−FAB − − √ = 0 ∴ FAB = √
3 2 2 3
A barra AB está sendo traiconada com duas forças iguais a FAB e sentidos opostos, aplicadas em suas extremidades.
O comprimento da barra AB é LAB = 192 pol. Então a força normal interna será
P Pmax
NAB = FAB = √ → (NAB )max = √
2 3 2 3
O deslocamento do rolete será igual ao alongamento da barra:
Z L Z LAB Z 192 √
(NAB )max Pmax /2 3
δAB = εx dx = dx = dx = 0, 03 pol
0 0 EA 0 (29 · 106 )(0, 75)

(Pmax /2 3)(192)
= 0, 03 ∴ Pmax = 11773 lb
(29 · 106 )(0, 75)

14 Vigas
Nessa seção a gente vai conseguir relacionar deslocamentos e deformações com os esforços em uma viga. Um exemplo
prático é quando você quer saber a flexão máxima que uma ponte vai fazer com apoios só nas extremidades. Pra
isso, vamos desenvolver a teoria, observe a seguinte deformação

(i) Relações cinemáticas:


  ′
ux (x, y, z) = u(x) + y sen(β(x)) = u + yβ u + yβ ′
  
 u + yβ  β 0
uy (x, y, z) = v(x) − (1 − cos β)y = v(x) → u= v e H=  v′ 0 0
0 0 0 0
  
uz (x, y, z) = 0

29
(ii) Deformação (da aproximação de deslocamentos pequenos):
β+v ′
 
1 u′ + yβ ′ 2 0
T
ϵ = (H + H ) =  0 0
2
Sim. 0

Assim, temos as relações de deformação-deslocamento dadas por

ϵx = u′ + yβ ′ = ϵm + yκ e γxy = β + v ′

Sendo ϵm responsável pela deformação axial (”de comprimento”) e κ pela deformação angular (é a ”curvi-
nha”da figura de cima).

Agora note em uma pequena proximidade de um ponto da viga:

 
 σx 
Com t = τxy e, de forma generalizada:
τxz
 

 
Z N 
t dA = Q
A Qz
 

em que as tensões generalizadas são dadas por


Z Z Z
N= σx dA Q= τxy dA M= σx y dA
A A A

Com N a tensão normal ao plano, Q a tensão paralela ao plano e M o momento. Calculando o equilı́brio: (sendo
q o carregamento por comprimento na viga)
• Eq.x: Z
∆N
∆N + qx dx = 0 → lim + qx = 0 ∴ N ′ + qx = 0
∆x ∆x→0 ∆x

• Eq.y:
Q′ + qy = 0

• Eq. M :
∆M
∆M − Q∆x − m∗ ∆x + (qy∗ ∆x)∆x∗ = 0 → − Q + m∗1 qy∗ ∆x∗ = 0
∆x
∴ M′ − Q − m = 0 (equilı́brio de um ponto)

30
Equação local de equilı́brio fica, então, juntando a equação da membrana (N ′ + qx ) com as de flexão (Q′ + qy e
M ′ − Q − m):
 N ′ + qx 
  (
′ ϵx = E1 σx − Eν (σy + σz )
Q + qy = 0 lembrando das relações 1
 ′
M −Q−m
 γxy = G τxy

Além disso, temos que


σx = Eϵx = Eϵm + Eyκ e τxy = Gγ
Na equação da membrana: Z Z
N= Eϵm dA + Eyκ dA ∴ N = EAϵm
A A
Na primeira equação de flexão: Z
Q= Gγ dA ∴ Q = KGAγ
A
Com K sendo um fator de correção (depende da geometria da peça) e γ = v ′ + β. Em resumo:
       ′ 
N  EA ϵm  EA  u 
M = EI  κ = EI  β′
 ′
Q KGA γ KGA v +β
    

Definindo Iz como o momento de inércia de área da seção transversal em relação ao eixo z:


Z
Iz ≡ y 2 dA
S

além disso, tempo que


1 Mz
k≡ =
ρ EIz
onde k é a curvatura da linha neutra e EI é o coeficiente de rigidez à flexão da viga. Quanto maior for esse
coeficiente, menor será a curvatura da viga para um mesmo momento fletor Mz . Das equações constitutivas para
um material elástico linear isotrópico e homogêneo, temos:
Mz Mz
ϵx = − y σx = − y
EIz Iz
Obs.: (To achando que vai ter pergunta teórica disso) Por que são utilizadas vigas com seção retangular e não
quadrada?
N M
σx = +y
A I
Em vigas de seção retangular, área e momento de inércia aumentam, então teremos tensões menores σx (para o
caso o lado maior da seção está na direção da carga). Já quando a direção de carregamento é incerta, a melhor
seção é a circular.

Exemplo 25. Em x = 0 tem-se u = v = β = 0, N = M = 0 e Q = −P . Lembrando que u e v são os


deslocamentos horizontal e vertical, respectivamente.

Na ”parede”por equilı́brio de forças externas, temos:



Rx = 0

Ry = P

Mz = P L

31
No corte em x:


N (x) = 0

Q(x) = −P

M (x) = Qx + P L = P (L − x)2

′′

       ′  κ = v

N  EA  ϵm  EA  u  
γ = 0
Q = EI  κ = EI  β′ com
M
 
KGA
 
γ KGA
 ′
v +β
 

 β ′ = −v ′′
 ′
v + β = 0 → β = −v ′
Q
Obs.: limK→∞ γ = KGA = 0.
Teoria de Euler-Bernoulli:
(
N ′ + qx = 0 desloc. axial
Equilı́brio : ′′ ′
M + qy − m = 0 desloc. transversal (flexão)
(
EAu′′ + qx = 0
⇒ , 0<x<L
−EIv (IV ) + qy − m′ = 0
Queremos descobrir o deslocamento em y, isto é, o valor de v em x = L. Assim, temos um PVC (Problema de
Valor de Contorno):


 EIv (IV ) = 0
x = 0 : v(0) = 0, v ′ (0) = 0

obs.: v ′ (x) é a rotação da viga


 x = L : Q = −P
x=L : M =0

Perceba que temos dois conjuntos de informação: Deslocamentos Su e Esforços St


Su : u, v, v ′ St = N , M , Q
Quando não conhecemos um termo de Su , temos que especificar um termo de St e vice versa.
Resolvendo O PVC (EDO, sdds MAT-32...)
1
v ′′′ + c1 = 0 → v ′′ + c1 x + c2 = 0 → v ′ + c1 x2 + c2 x + c3 = 0
2
1 1 1 1
v = − c1 x3 − c2 x2 − c3 x − c4 das condições de contorno: c3 = c4 = 0 v = − c1 x3 − c2 x2
6 2 6 2
Com c1 e c2 determinados pelas condições em St :
M = −EIv ′′



M (L) = 0 → v ′′ (L) = 0



 Q = M ′ = −EIv ′′′
Q(L) = −P → v ′′′ (L) = EI
P

Da 1° eq. (v ′′′ + c1 = 0), então c1 = −P/EI.


Da 2° eq. (v ′′ + c1 x + c2 = 0), então c2 = P L/EI. Assim, temos que
P 3 PL 2 P 2 x 
v(x) = x − x ∴ v(x) = x −L
6EI 2EI 2EI 3
Por fim, para x = L
P L3
v(L) = −
3EI

32
Exemplo 26. Qual o maior deslocamento da peça?

Resp.: (
v(0) = M (0) = u(0) = 0
v(L) = M (L) = 0
Dada as condições de contorno, vamos para as equações:
(
EAu′′ + qx = 0
, 0<x<L
−EIv (IV ) + qy − m′ = 0

Na segunda equação, temos


q
−EIv (IV ) + q = 0 → EIv (IV ) = q ∴ v (IV ) =
EI
Integrando:
q q 2
v ′′′ = x + c1 v ′′ = x + c1 x + c2
EI 2EI
Da primeira condição de contorno:
−EIv ′′ = M = 0 ∴ c2 = 0
e, em x = L
qL2 −qL
0= + c1 L ∴ c1 = −
2EI 2EI
Assim,
q 2 qL
v ′′ (x) = x − x
2EI 2EI
Além disso, M (x) = −EIv ′′ = − 2q x2 + qL
2 x em L/2, pois intuitivamente é o ponto em que haverá maior desloca-
mento:
qL2 qL2 qL2
   
L L
M =− + ∴ M =
2 8 4 2 8
Integrando mais uma vez o v:

qx3 qLx2 qx4 qLx3


v′ = − + c3 v= − + c3 x + c4
6EI 4EI 24EI 12EI
Da primeira condição de contorno c4 = 0 e de x = L

qL4 qL4 qL3


v(L) = − + c3 L ∴ c3 =
24EI 12EI 24EI
Assim, temos
qL4 x4 2x3
 
x
v(x) = 4
− 3 +
24EI L L L
Em L/2, onde ocorrerá o maior deslocamento:

5 qL4
v(L/2) =
384 EI
Extra: Para determinar os esforços:

33

HA = −N (0) = 0

VA = −Q(0)

VB = Q(L)

Das equações constitutivas:


N M
σx = Eϵx → σx = +y
A I
bh3
com N = 0 e I = 12
h qL2 12 3 qL2
σx,max = ∴ σx,max =
2 8 bh3 4 bh2

Exemplo 27. Existe alguma posição x = a que nos dê mais seções crı́ticas? (esforço melhor distribuı́do)

Resp.: Subdividindo a viga assim como na parte extra da questão anterior:


• No trecho 1:
Q = qx 0 < x < a
• No trecho 2:
qL
Q = qx − a<x<L−a
2
• No trecho 3:
Q = −q(L − x) L − a < x < L
Diagrama de esforço:

34
Quanto mais seções crı́ticas → mais a peça está apta a suportar carga.

Exemplo 28. Uma viga de aço com 1 pol de largura e 3 pol de altura é apoiada nos suportes A e B, conforme a
figura. Obter a máxima tensão de flexão no meio do vão da viga quando ela é carregada com as forças de 1000 lb
aplicadas nas suas extremidades.

Resp.:
• Equilı́brio de forças externas (Momento Fletor):
P
P Fx = 0 → HA = 0

Fy = 0 → VA + VB = 2000

P
MA = 0 → (1000)(12) + VB (60) − (1000)(72) = 0 → Rb = 1000 lb
Logo, RA = 1000 lb
• Esforços internos: (A cada trecho a gente vai acrescentando uma parte da viga, não retira a parte que já
calculou antes)
i) 0 ≤ x ≤ 12: (o trecho pega só até antes do ponto A)
X
Fy = 0 → Q − 1000 = 0 → Q = 1000 lb
X
MC = 0 → M + (1000)x = 0 → M = −1000x
ii) 12 ≤ x ≤ 72: (agora o trecho vai até antes do ponto B)
X
Fy = 0 → Q − 1000 + 1000 = 0 → Q = 0
X
MC = 0 → M + (1000)x − (1000)(x − 12) = 0 → M = −1200 [Link]
iii) 72 ≤ x ≤ 84: (por fim, agora vamos até antes do final da viga)
X
Fy = 0 → Q − 1000 + 1000 + 1000 = 0 → Q = −1000 lb
X
MC = 0 → M + (1000)x − (1000)(x − 12) − (1000)(x − 72) = 0 → M = 1000x − 84000
Podemos fazer dois gráficos, um de Q × distancia e um de M × distancia.
• Tensão de flexão máxima: (ocorre em y = h/2 = 3/2 pol)
Mz
σx = − y
Iz
y 2 dA = 2, 25 pol4
R
Sendo Iz = S

(12000)(3/2)
(σx )max = − ∴ (σx )max = 8000 lb/pol2
2, 25
(12000)(−3/2)
(σx )min = − ∴ (σx )min = −8000 lb/pol2
2, 25
Obs.: Os exercı́cios exemplo estão a partir da pag 377 das notas de aula do Adriano!

35
15 Energia de Deformação
Em um corpo as forças externas realizam trabalho para transformar o corpo de C0 para Cn :
Z Z
dWe = duT b dV + duT t dΓ
v Γ

Aqui tem muuuito algebrismo... vamos chegar em

dWe = σ T de
   
 σx   ∂u1 /∂x 
Sendo σ = σy e e = ∂u2 /∂y . As forças transformam o corpo e teremos um trabalho externo e
τxy ∂u1 /∂y + ∂u2 /∂x
   
interno provocado por elas:
dW e + dW i = 0 ∴ dWi = −σ T de
Com as componentes de σ dadas por (a gente vai ver fórmulas melhores já já, mas isso é o geralzão)

∂U0 ∂U0 ∂U0


σx = σy = τxy =
∂ϵx ∂ϵy ∂γxy

Daı́, teremos uma fórmula bem importante!


1 T
U0 = σ ϵ Densidade de Energia
2

É a energia armazenada no sistema na forma de deformação, cada ponto do corpo tem uma U0 (função da posição),
para o corpo todo: Z
U= U0 dV
V
Nas barras e vigas vai ficar assim:
Z L Z
1
U= σ T ϵ dA dx
2 0 A
Aqui as fórmulas que disse antes que vamos usar mais, de forma mais especı́fica:

N M I¯ Q
σx = +y e τxy = Q≈
A I bI A
σ2 τ2
 
1
U0 = +
2 E G
(AQUI QUE É A NATA DO NEGÓCIO) Beleza!! Agora vamos separar essa energia nas 3 componentes de
esforço, lembra daquela matriz com N, M e Q? Cada esforço tem uma energia associada:
• Esforço de membrana (N):
Z L
1
UN = N 2 dx
2EA 0

• Momento fletor (M):


Z L
1
UM = M 2 dx
2EI 0

• Esforço cortante (Q):


L
Q2
Z Z 
1 I
UQ = dA dx
2G 0 I2 A b2
Sendo I o momento de área (vamos mostrar como achar ele ainda, calma), mas no geral, a fórmula é
Z
I≡ ȳ dA
A1

36
Obs.: A gente praticamente só vai usar essa!!! Se a área for constante e τ uniformemente distribuido
na seção (o que geralmente vai acontecer):
Z L
1
UQ = V 2 dx
2KGA 0
Com K sendo o fator de correção (propriedade da geometria), para cada seção há um K associado tal que
Z  2
1 A I
= 2 dA
K I A b

• Se estiver sujeito a todos os tipos de esforço, basta somar as energias armazenadas de cada um (superposição).
Obs.: Tomem cuidado com as notações, nas notas de aula do Alex ele usou trocou algumas letras, então cuidado
¯ as
pra não confundir, use os conceitos de cada variável! Nas notas do Alex ele trocou o seguinte: V ≡ Q e Q ≡ I,
letras a esquerda são as que ele usou e as da direita são as que usamos aqui.

É isso... agora a gente vai ver uns exemplos para entender como usar essas fórmulas ai, se liga:

Exemplo 29. Viga com uma extremidade fixa e força P na outra.

Observe que não há esforço normal, então vamos calcular o momento fletor e o esforço cortante: para o momento
fletor, temos:
bh3
M = −P x com I=
12
Z L Z L
1 1 P 2 L3
UM = M 2 dx = P 2 x2 dx ∴ UM =
2EI 0 2EI 0 6EI
Agora para o esforço cortante: Q(x) = P
P 2L
UQ =
2KGA
Para determinar o K:
Z  2
1 A I
= 2 dA
K I A b
Na seção retangular,

h2
    
h h/2 − y ¯ = b
I¯ = A′ ȳ ′ = b −y y+ ∴ I(y) − y2
2 2 2 4

37
Voltando para expressão do K:
h/2
bh 1 b3 h2
Z  
1 1 6
= − y2 dy ∴ =
K bh3 2 b2 4 4 K 5

−h/2
12

(ou seja, para qualquer seção retangular, 1/k = 6/5!!!). Para a Energia Armazenada:

P 2L 6 3P 2 L
UQ = · ∴ UQ =
2GA 5 5GA
Agora, vamos notar uma coisa interessante relacionando as energias armazenadas:

UM 5GAL2 10GL2
= =
UQ 18EI 3Eh2
E
mas G = 2(1+ν) , então,
UM 5L2
= 2
UV 3h (1 + ν)
lembrando que −1 < ν < 1/2, temos
 2  2
UM 10 L L
≥ ∴ UQ ≤ 0, 9 UM
UQ 9 h h

ainda vale lembrar que, na viga, h é no máximo 0, 1L, portanto,

UQ ≤ 0, 009UM

Ou seja, no caso de soma de energias armazenadas, podemos desprezar o a contribuição do cisalhamento em


detrimento da energia do momento fletor. Em resumo, sabendo que
L
Esbeltez =
h
Quanto maior a esbeltez da viga, menor a influência do cisalhamento!

Exemplo 30. Mostre como a tensão de cisalhamento se distribui na seção transversal I a seguir. Em que região
é o cisalhamento, praticamente, todo resistido?

Resp.: Tensão de cisalhamento é dada por



τxy =
Q
bI
Vamos seccionar a face em 3 retângulos. Para o momento de inércia em torno do eixo neutro:

38
X
I= Ii + Ai d2i
Com Ii o momento de inércia do segmento no próprio centróide, Ai a área do segmento e di a distância vertical
entre o centróide do segmento e o eixo neutro.
bh3
I = 2(I1 + A1 d21 ) + I2 com Ii =
12
2 !
0, 2 · 0, 00953 0, 005 · 0, 4313

0, 431 + 0, 0095
I=2 + 0, 2 · 0, 0095 · + ∴ I = 2, 18 · 10−4 m4
12 2 12
Agora, para I¯1 , temos
I¯1 = A1 ȳ
Sendo ȳ a distância do eixo neutro ao centróide 1,
 
¯ 0, 431 + 0, 0095
I1 = 0, 2 · 0, 0095 · ∴ I¯1 = 4, 18 · 10−4
2
Assim,
4, 18 · 10−4
(τxy )1 = Q ∴ (τxy )1 = 9, 58Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 2
Para I¯1′ , temos
I¯1′ = I¯1 = 4, 18 · 10−4 m4
Assim,
4, 18 · 10−4
(τxy )1′ = Q ∴ (τxy )1′ = 383, 5Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 005
Agora, para I¯2 , temos
0, 431 0, 431
I¯2 = A1 ȳ1 + A2 ȳ2 = 4, 18 · 10−4 + 0, 005 · · ∴ I¯2 = 5, 34 · 10−4 m4
2 4
Assim,
5, 34 · 10−4
(τxy )2 = Q ∴ (τxy )2 = 489, 9Q P a
2, 18 · 10−4 · 0, 005
A região abaixo do eixo neutro ocorre por simetria. A distribuição da tensão do cisalhamento fica da forma:

39
Exemplo 31. Mostre que a distribuição da tensão de cisalhamento numa seção circular de raio r se reduz a
y2
 
4Q
τxy = 1− 2
3A r
Resp.: A tensão de cisalhamento é dada por

τxy = Q
bI
Com I¯ momento de área acima de um ponto y dado pela integral da área × altura em relação ao eixo neutro.
Considerando uma faixa horizontal em y ′ , temos:
Z r
¯
p 2 2 3/2
I= y ′ · 2 r2 − y ′2 dy ′ = r − y2
y 3
Voltando para o cisalhamento,
2
3/2
r2 − y2
3 4 (r2 − y 2 )
τxy = p 4
Q → τxy = Q
2 r2 − y 2 πr4 3 πr4
2
 
4Q y
∴ τxy = 1−
3A r2

Exemplo 32. Mostre que o fator de correção do cisalhamento transversal para seções circulares é K = 9/10.

Resp.: Determinar o fator K depende do que é fixado como referência para estabelecer a correção. Vamos pelo
procedimento usual, avaliando a energia de deformação:
Z
1
U= τxy γxy dV
2 V
devido o cisalhamento transversão, temos
Q
τxy = KGγxy =
A
Que, de forma mais exata é dado por

τxy = Q
bI
Das relações, no primerio caso, temos
Q2 Q2
Z Z Z Z  Z
1 1 τxy 1 1
U= τxy γxy dV = τxy dV = 2
dA dx = dx
2 V 2 V KG 2KG A A 2KG A
No segunto caso, para seções transversais circulares, em que (encontrado na questão anterior):
y2
 
4Q
τxy = 1− 2
3A r
A energia passa a ser (falar a verdade aqui, eu n sei se ta certo essa expressão não, mas o raciocı́nio é por ai...
kkk) !
Z r 2 p
y2
Z Z Z 
1 1 τxy 1 4Q
U= τxy γxy dV = τxy dV = 2 1− 2 2 r2 − y 2 dy dx
2 V 2 V G 2G 0 3A r
Joga no Wolfram isso ai...
Q2
Z
5
U= dx
9G A
Igualando as expressões, temos
Q2 Q2
Z Z
1 5 1 5
dx = dx → =
2KG A 9G A 2K 9
9
∴ K=
10

40
Exemplo 33. Determine a energia de deformação provocada pela flexão da viga em balanço da figura abaixo. O
módulo de elasticidade e o momento de inércia de área são constantes.

Resp.: Cortando-se a viga numa posição x a partir da extremidade livre, temos o seguinte diagrama de corpo
livre:

x wx2
M + wx =0→M =−
2 2
Substituindo o momento encontrado na equação da energia armazenada de momento, temos:
Z L Z L
1 1 (−2x2 /2)2 w 2 x5 L
UM = M 2 dx → UM = dx =
2EI 0 2EI 0 2EI 8EI 5 0
w2 L5
∴ UM =
40EI

16 Torção de barras de seção circular


Vamos fazer isso em barras de seção circular por causa da axissimitria:
a) Geométria;
b) Material (G = G(r));
c) De carregamento.

41
No geral, as equações que vamos usar para resolver os problemas são: (as demonstrações estão a partir da p.543
das Notas do Adriano, caso precisem)
• Da cinemática:

γxθ = γxθ (r) = r
dx
• Do equilı́brio estático: Z
T = rτxθ dA Momento torçor
S

• Das equações constitutivas: Z



T = Gr2 dA
S dx

Sendo dx a deformação generalizada e, caso G constante, temos


T = GJ
dx
Com J o momento polar de inércia dado por
Z
J= r2 dA
S

Algumas outras equações que podemos usar vem da manipulação das mostradas acima. Isolando a deformação
generalizada na equação constitutiva:
Z Z 2π Z R
dϕ T
=R com Gr2 dA = Gr2 r dr dθ
dx S
Gr2 dA S 0 0

dϕ Tr
(×r) → r = γxθ = R
dx S
Gr2 dA
GT r Tr Tr
(×G) → γxθ G = τxθ = R (G cte) τxθ = R =
S
Gr2 dA s
r 2 dA J

Essa é a variação da tensão de cisalhamento τxθ na seção transversal ao longo do raio. Se liga que a tensão
máxima é na extremidade
GT R TR
τxθ, max = R 2 dA
(G cte) τxθ, max =
S
Gr J
Se pedir o giro total da barra:
Z L
T
ϕ0 = R dx
0 S
Gr2 dA

42
Para um material homogêneo (com seção circular maciça!!!)

TL
ϕ0 =
GJ
Tem mais dois casos diferentes de barras circulares:
• Seção tubular (vazada):
π(R4 − r4 )
J=
2
Com r sendo o raio interno e R o raio externo.
• Barras que variam continuamente o raio ao longo do comprimento:
Z L
T (x)r T (x)
τxθ = ∆ϕ = dx
J(x) 0 GJ(x)

Se houver mais de uma seção na barra:


n n
X X Ti Li
∆ϕ = ∆ϕi =
i i
Gi Ji

Exemplo 34. O eixo maciço de material linear elástico, isotrópico e homogêneo, de raio c é submetido ao torque
T , conforme a figura abaixo. Determinar a fração de T que é resistida pelo material contido na região com raio
interno c/2 e raio externo c.

Resp.: A tensão de cisalhamento varia linearmente com o raio


Tr Tc
(τ )r = → (τ )max =
J J

Daı́, da pra achar a razão entre as tensões (τ )r = rc (τ )max . E a parcela de contribuição no torque total da força
de cisalhamento sobre uma área ∆A é dada por

dT = r(τ )r dA = r2 (τ )r dθdr

43
Nesse caso, a fração do torque que ele pediu é entre r = c/2 e r = c, daı́:
Z Z 2π Z c Z c
′ 2 r
T = r(τ )r dA = r (τ )max dr dθ = 2π r2 (τ )max dr
S′ 0 c/2 c/2 c

15π
T′ = (τ )max c3
32
Como J = πR4 /2 = πc4 /2
Tc 2T
(τ )max = = 3
J πc
Por fim,  
′ 15π 2T 15
T = c3 ∴ T′ = T
32 πc3 16
Obs.: Note que T ′ ≈ 94%T , ou seja, apenas 6% do torque total é suportado pelo núcleo do raio. Portanto, o material
localizado na área mais extrema da barra é altamente efetivo para suportar o torque. Então a gente pode usar eixos
tubulares no lugar de eixos sólidos para economizar muito material e aliviar o peso da estrutura.

Exemplo 35. Três discos idênticos A, B e C estão soldados nas extremidades de três narras idênticas. As barras
estão num plano comum e os discos estão em planos perpendiculares aos eixos das barras. As barras estão soldadas
na interseção D para formar uma conexão rı́gida. Cada barra tem diâmetro d1 = 10 mm e cada disco tem diâmetro
d2 = 75 mm. As forças P1 , P2 e P3 criam torques agindo nos discos A, B e C, respectivamente, submetendo assim
as barras à torção. Se P1 = 100 N , qual é a tensão de cisalhamento máxima devido à torção?

Resp.: O diagrama de corpo livre mostra os torques atuando nas 3 barras. Foram definidos a partir dos sentidos
das forças P1 , P2 e P3 , aplicando a regra da mão direita.

44
Equações de equilı́brio:

• Em x: X
Mx = 0 → T3 cos 45◦ − T1 = 0

• Em y: X
My = 0 → T3 sen 45◦ − T2 = 0

O torque T1 é dado por


T1 = P1 d2 = 100 × 0, 075 → T1 = 7, 5 N.m
Voltando para o momento em x √
2 √
T3 − 7, 5 = 0 → T3 = 2(7, 5) N.m
2
No momento em y √
√ 2
2(7, 5) − T2 = 0 → T2 = 7, 5 N.m
2

Então, a maior tensão de cisalhamento ocorre para o torque Tmax = T3 = 2(7, 5) N.m

Tmax
τmax = rmax
J
onde
πR4 π(d1 /2)4
J= = (rmax = d1 /2)
2 2
Então, escrevemos
T3 d1
τmax = ∴ τmax = 54 M P a
J 2

Exemplo 36. O dispositivo funciona como uma mola de torção compacta. È feito de aço e consiste em um
eixo interno maciço CB circundado e acoplado a um tubo AB por meio de um disco rı́gido em B. O anel em A
também pode ser considerado rı́gido e impedido de girar. Supondo que seja aplicado um torque T = 2000 [Link]
ao eixo, determinar o ângulo de torção na extremidade C e a tensão de cisalhamento máxima no tubo e no eixo.
Gaço = 11 · 103 ksi

45
Resp.: Quando o torque T é aplicado na extremidade C ele gira e o disco B gira no mesmo sentido. Então, o
conjunto é equivalente ao sistema:

Como B é rı́gido, o ângulo de torção ϕB se transmite integralmente para o tubo BA. O anel A também é rı́gido
e impedido de girar. Então, podemos escrever

ϕC = ϕC/A = ϕC/B + ϕB/A

Para o cálculo do torque interno, consideremos os seguinetes diagramas de corpo livre:

Equações de equilı́brio
• Trecho entre C e B: X
Mx = 0 → TCB − 2000 = 0 → TCB = 2000 [Link]

• Trecho entre B e A : X
Mx = 0 → TBA − 2000 = 0 → TBA = 2000 [Link]

Ângulo de torção em C:
X Ti Li
∆ϕ =
i
Gi Ji
TCB LCB TBA LBA
ϕC = ϕC/A = ϕC/B + ϕB/A = +
GCB JCB GBA JBA
Com TCB = TBA = 2000 [Link], LCB = 24 pol, LBA = 12 pol, GCB = GBA = 11 · 106 lb/pol2 , JCB = πreixo 4
/2 =
4 4 4 4 4 2 4
π(0, 5) /2 = 0, 0982 pol , JBA = π(R − rtubo )/2 = π((1) − (0, 75)) /2 = 1, 0738 pol . Substituindo os valores:

(2000)(24) (2000)(12)
ϕC = ϕC/A = + → ϕC = 0, 0465 rad = 2, 66◦
(11 · 106 )(0, 0982) (11 · 106 )(1, 0738)

Tensões de cisalhamento:
TCB 2000
(τeixo )max = reixo = (0, 5) → (τeixo )max = 10, 2 ksi
JCB 0, 0982
TBA 2000
(τtubo )max = R= (1, 0) → (τtubo )max = 1, 86 ksi
JBA 1, 0738

46
Exemplo 37. O eixo de aço maciço mostrado na figura tem diâmetro de 20mm. Se for submetido aos dois
torques, quais serão as reações nos apoios fixos A e B?

Resp.: Suguei... ta na pag.571 das notas do Adriano

17 Segundo teorema de Castigliano


Vamo dar uma brincada com energia. Para um sistema em equilı́brio:
∂Ui
= qj
∂Qj
Sendo qj deslocamento generalizado correspondente ao ponto de aplicação da força Qj e na sua direção e sentido.
Aaaah mas e esse Ui ai?? TOMA ESSA! Em geral, para uma viga sujeita a carregamento axial, flexão, cisalhamento
e torção (tudo que tem direito fi) a gente vai fazer a tal da soma das energias:
1 L N2 M2 V2 T2
Z  
(Ui )total = + + + dx
2 0 EA EI κGA GJ
E é só isso... Agora é só exercı́cios!

Exemplo 38. Determine o deslocamento horizontal da articulação C da treliça de aço, mostrada na figura a
seguir. A área da seção transversal de cada elemento é indicada na figura. Considere E = 210 · 103 N/mm2 .

Resp.: Queremos determinar o deslocamento horizontal em C, então vamos aplicar uma força variável Q nesse
ponto! Depois essa força vai ser igualada a 40kN . Pelo equilı́brio dos nós da treliça, determinamos as forças internas
N em cada elemento. A energia de deformação total da treliça é obtida da equação geral que mostrei ali em cima
aplicada a cada elemento!
X N 2L
Ui =
2EA
E o deslocamento horizontal qC do ponto C é dado por
∂Ui
= qC
∂Q

47
Assim, temos
∂ X N 2L X
 
∂N L
qC = = N
∂Q 2EA ∂Q EA

∂N
Elemento N (kN) ∂Q N (Q = 40 kN) L (mm) N ∂N∂Q
AB 0 0 0 4000 0
BC 0 0 0 3000 0
AC 1,67Q 1,67 66670 5000 556, 7 · 106
CD -1,33Q -1,33 -53330 4000 283, 7 · 106

X 556, 7 · 106 283, 7 · 106



∂N L
qC = N =0+0+ + = 4, 24 + 1, 08
∂Q EA (210 · 103 )(625) (210 · 103 )(1250)
qC = 5, 32 mm

Exemplo 39. Obtenha a deflexão no centro da viga em balanço da figura abaixo usando o Segundo Teorema de
Castigliano. O coeficiente de rigidez à flexão EI é constante.

Resp.: (sugou... ta na pagina 611 das notas do adriano)

48

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