Tromboembolismo Pulmonar
(TEP)
➜
3 a causade morte cardiovascular
➜ Obstrução de vasosda circulação arterial pulmonar,
causada por migração de
êmbolo/coágulopara o
pulmão
🔹
Isquemia ➡
aumento de áreas
deespaço morto
(ventilação sem
perfusão) ➡
hipoxemia
🔹
↑Resistência vascular pulmonar(normal
seria ter resistência baixa) →↑Pós-carga do
VD→ Dilatação e hipocontratilidade do VD →
↓afluxo de sangue para o VE (↓pré carga do
VE) →↓D ébito cardíaco→Instabilidade
hemodinâmica(choque)
➜ Principal causa:
🔹
Trombose venosa profunda
■ Migração de trombo dos membros
inferiores
✔️O que deve levar a suspeitar dessa condição? 🕵️♂️
Fatores de risco
🔹
Sexomasculino
🔹
Idade avançada
229
🔹
TVP prévio
🔹
Fatores datríade de Virchow
■ Estase
🔹
Imobilização recentepor>3 dias
■ Viagem
■ Pós-operatório
■ Acamados
■ Dano endotelial
🔹
Pós-procedimentos
■ Cirurgias
■ Fraturas
■ Traumas
■ Hipercoagulabilidade
🔹
Anticoncepcional, reposição hormonal
🔹
Gestação, puerpério
🔹
Coagulopatias
■ Congênitos
🔹
Homozigose do fator V
de Leiden
🔹
Mutação do gene da
protrombina
🔹
Deficiência de proteína
C, S ou antitrombina
🔹
Hiper-homocisteína
🔹
Neoplasia
🔹
Fibrilação atrial
🔹
IAM
🔹
Síndrome do anticorpo antifosfolípide
Clínica
🔹
Dispneia aguda(súbita) (80%)
🔹
Dor torácica(50%)
■ Pleurítica
230
Isquêmica
■
■ Referida (ombro)
🔹 Tosse seca
■ Hemoptise (<10%)
🔹 Febre
🔹
Síncope (17%)
🔹
Taquipneia
🔹
Taquicardia, instabilidade hemodinâmica
🔹
Sobrecarga do coração direito
■ Hiperfonese de B2
■ Turgência jugular
🔹
Sinais de TVP(ver mais no Manual MEDSimple de
Cirurgia Vascular)
■ Edema e dor unilateral de membro inferior
■ Sinal de Homans
🔹
Dor/desconforto na panturrilha à
dorsiflexão passiva do pé
■ Sinal da Bandeira
🔹
Empastamento da panturrilha
■ Sinal de Bancroft
🔹
Dor à palpação da panturrilha
✔️Como proceder para esclarecer o diagnóstico 🔎:
1. Escore de Wells
➜ Simplificadoé mais prático (e mesma
acurácia)
Critérios
■ TVP ou TEPprévios
■ TVP(sinais clínicos sugestivos)
■ Taquicardia(FC ≥100)
231
■ “ Cem” outro diagnósticomais provável
■ Cirurgia ou imobilizaçãonas últimas 4
semanas
■ “Cof cof” (tosse) com sangue (hemoptise)
■ Câncerativo
Interpretação (simplificada):
■ 0-1 ➡ TEP improvável
■ ≥2 ➡ TEP provável
Escore de Wells original para TEP
Fonte: [Link]
Escore de Wells simplificado para TEP
232
onte:
F
[Link]
tocolos-e-pops/hospital-universitario-walter-cantidio/protocolos/unidade-do-sistema-respiratorio/pro-ures-
[Link]
Se probabilidadebaixa/TEP improvável:
2. Escore PERC
🔹
Se todas as respostas negativas ➡ descartar
TEP (chance de 1% e, se presente, boa
evolução natural)
🔹
Se alguma resposta positiva ➡ prosseguir
investigação
Escore PERC
233
onte: Martins H S, Santos R , Arnaud F et al. Medicina de Emergência: Revisão Rápida. 1ª edição. Barueri, SP:
F
Manole, 2016.
Se não descarta pelo PERC:
3. D-Dímero
➜ Produto da degradação da fibrina
■ Negativo(≤500)➡ afasta TEP ➡investigar
outras causas (↑VPN)
■ Positivo (≥500) ➡AngioTC
🔹
D-dímero não confirma TEP (não é
específico)
*Se >50 anos = considerar limite do D-dímero
10x[idade]
Outrascausas de aumento de D-dímero:
🔹
Tromboembolismo
■ Arterial
■ Venoso
■ IAM
■ AVC
■ Isquemia aguda do membro
■ Trombose intracardíaca
■ Trombose venosa profunda
234
CIVD
■
🔹 Inflamação
■ Sepse
■ COVID-19
■ Infecções severas
■ CIVD
🔹
Cirurgia/trauma
🔹
Doençahepática/renal
🔹
Doença vascular
🔹
Malignidade
🔹
Terapia trombolítica
🔹
Gestação
* Gravidade depende do tamanho do trombo e da reserva
cardiopulmonar do paciente
Se probabilidadealta/TEP provável:
2. AngioTCde tórax(exame de escolha) (⚠️exceto se
instável!)
➜ Sensibilidade98%/ Especificidade94%
■ Falhas de enchimento(trombo dentro do
vaso)
■ Sobrecarga de câmaras direitas (dilatação,
septo retificado)
Limitações
■ DRC
■ Alergia a contraste
235
Tomografia de paciente com TEP(falhas de enchimento)
Fonte: [Link]
econfirmado(ou seinstávelsem possibilidade de
S
angioTC):
4. Ecocardiogramabeira leito
➜ Estratificaçãoda doença
➜ Casos de instabilidade hemodinâmica
(Diagnóstico diferencial)
🔹
Sobrecarga de câmaras direitas (pior
prognóstico)
■ DiâmetroVD/VE ≥0,9
■ TAPSE (excursão do anel tricúspide)
<16
➜ Medida do deslocamento do
anel em relação ao ápice do VD
durante a sístole
*Se instável, suspeição alto e disfunção de câmaras
direitas ➡TEP alto risco(mesmo sem angioTC)
5. Laboratório
➜ Marcadores de disfunção ventricular direita
🔹
Troponina
236
🔹 BNP, NT-próBNP
Sobrecarga de câmaras direitas
onte:
F
[Link]
view-1B_fig1_324901911
Outros exames:
🔹 Radiografia de tórax
➜ Baixa acurácia
➜ Sinais pouco comuns
■ Sinal deWestmark
🔹
Pobreza vascular (obstrução)
■ Sinal dePalla
🔹
Aumento do calibre da artéria
pulmonar (dilatação por aumento do
fluxo)
■ Sinal deHampton
🔹
Opacidade triangular (base pleural e
vértice para o hilo)
🔹
Sugere infarto pulmonar
237
Sinais de TEP na radiografia
Fonte: [Link]
🔹 Eletrocardiograma
■ Achado mais comum ➡taquicardia
■ S1Q3T3(10% dos casos)
🔹
Indica sobrecarga de coração direito
🔹
S em D1,
🔹
Q em D3
🔹
Inversão de T em D3
■ Outros sinais de sobrecarga do coração
direito
🔹
Desvio do eixo para a direita
🔹
Bloqueio de ramo direito
238
Padrão S1Q3T3 no ECG
Fonte: [Link]
🔹 Cintilografia pulmonar de V/Q
■ Normal ➡ afasta TEP (VPN 95%)
Indicações
■ Alergia/anafilaxia ao contraste
■ Gestação
■ Doença renal crônica
Cintilografia de perfusão pulmonar
239
Fonte: [Link]
🔹 USG Doppler Venoso de MMII
➜ Alternativa à angioTC se D-dímero positivo
➜ Boa acurácia (sensibilidade 72-84% /
especificidade 53-74%)
Indicações
■ Sinal hiperdenso dentro da veia
■ Incompressibilidade venosa
■ Color Doppler evidenciando ausência de
fluxo
🔹 Angiografia pulmonar (invasivo!)
■ Considerado “padrão-ouro”, porém muito
pouco utilizado
■ Cateterização com constrante + Radiografia
mostrando falha de enchimento
✔️Classificação🗃️:
Estratificação de risco:
➜ Determina amortalidade intra-hospitalarouem 30
dias
240
Seinstávelhemodinamicamente ➡Alto risco
➜ Critérios de instabilidade:
■ Choque obstrutivo
🔹
PAS <90 mmHgOU necessidade de
vasopressor para manter ≥90 mmHg
🔹
+ hipoperfusão orgânica
■ Alteração do nível de
consciência
■ Pele fria, pegajosa
■ Oligo/anúria
■ ↑LDH
■ Hipotensão persistente
🔹
PAS <90 mmHgouqueda↓≥40 mmHg
por>15 minutos
* ⚠️Diagnóstico de TEP pode ser feito com disfunção de
câmaras direitas por EcoTT em vez de AngioTC nesses
casos
Seestávelhemodinamicamente:
🔹
sPESI(PESI simplificado - mesma acurácia)
Critérios:
■ 1 epidemiológico:
🔹
>80 anos
■ 2 de comorbidades
🔹
História decâncer
🔹
Doençacardiopulmonar
■ 3 de exame físico
🔹
FC≥110 bpm
🔹
PAS<100 mmHg
🔹
SpO2<90%
241
Interpretação:
■ ≥1 ➡Moderado risco
🔹
Disfunção de VD (EcoTT)E
↑Troponina ➡Intermediário alto
🔹
Se não ➡Intermediário baixo
■ 0 ➡Baixo risco
PESI normal e simplificado (e risco de mortalidade em 30 dias)
onte:
F
[Link]
8772965
242
Resumo estratificação de risco do TEP
onte:
F
[Link]
mo-pulmonar-agudo/
✔️Conduta👩⚕:️
luxograma para manejo do TEP confirmado(por angioTCou, se
F
instabilidade, EcoTT)
Fonte: [Link]
243
ealto risco(instabilidade hemodinâmica) e considerar no
S
intermediário-alto(disfunção de VD e ↑troponina):
1. Suporte
🔹
Hemodinâmico
■ Reposição de volume
■ Avaliar necessidade de drogas
vasoativas
🔹
Ventilatório
2. Heparina não fracionada
➜ Ação mais curta e reversibilidade (melhor
para pacientes graves
➜ Fazer controle do TTPa (manter 1,5 a 2x a
referência)
🔹
80 UI/kg (bolus) + 18 UI/kg/h IV
🔹
Antídoto: sulfato de protamina
3. Trombólise sistêmica
➜ Ematé 48hdo início dos sintomas (mas pode
ser feita até 14 dias)
➜ Boa resposta em90%dos casos
➜ Ativadores do plasminogênioem plasmina
➡ degradação da fibrina
🔹
Alteplase
➜ 100 mg em 2h (10 mg em bolus + 50
mg na 1a hora + 40 mg na 2a hora)
🔹
Estreptoquinase
➜ 250.000 UI em bolus + 100.000 UI/h
por 24h
🔹
Tenecteplase
➜ 30-50 mg em bolus, ajustado por peso
(5 mg a cada 10 kg)
🔹
Uroquinase
➜ 4400 UI/kg + 4400 UI/kg/h por 24h
244
Contraindicações 🚫 (↑risco de sangramento)
🔹
Absolutas
■ Sangramento ativo
■ Coagulopatia
■ TCE recente
■ Doença estrutural intracranian
■ AVCi (<90 dias), AVCh
■ Cirurgia recente de SNC ou coluna
🔹
Relativas
■ Gestantes
■ >75 anos
■ RCP prolongada
■ PAS >180 mmHg ou PAD >110 mmHG
■ Hemorragia ou cirurgia recente
Outras opções:
🔹
Trombólise guiada por cateter
➜ Boa opção se alto risco de
sangramento
🔹
Embolectomia cirúrgica
Mecanismo de ação dos trombolíticos no sistema fibrinolítico
Fonte: [Link]
245
Seseminstabilidade hemodinâmica:
4. Se risco intermediário ➡Internação
🔹
Intermediário baixo ➡Enfermaria
🔹
Intermediário alto (alteração de troponina ou
EcoTT) ➡UTI
5. Anticoagulação(fase inicial - até 7 dias) conformeo
risco
➜ Objetivo ➡ prevenir recorrência e estabilizar o
trombo
■ Trombo é destruído pelo próprio
sistema fibrinolítico do organismo
Riscoalto, intermediário alto:
🔹
Heparina não-fracionada (HNF)
➜ Inibidor indireto da trombina
➜ Ação mais curta e reversibilidade
(melhor para pacientes graves
Indicações:
■ Alto riscoeintermediário alto
■ Clearance de creatinina ≤30 mL/min
■ Obesos mórbidos (>120 kg)
Administração
■ 80 UI/kg (bolus) + 18 UI/kg/h IV
🔹
Off-label: 333 UI/kg SC bolus +
250 UI/kg 12/12h
*⚠️Não fazer dose de ataque se for
fazer o fibrinolítico!
■ Fazer controle do TTPa (manter 1,5 a
2x a referência)
Outros (riscointermediário baixo ou baixo)
🔹
Heparina de baixo peso molecular (HBPM)
➜ Inibidor do fator Xa
246
Enoxaparina
■
Administração
■ SC 1 mg/kg 12/12h
■ OU 1,5 mg/kg/dia
🔹 FondaparinuX
➜ inibidor seletivo do fator Xa
Administração
■ <50 kg: 5 mg/dia SC
■ 51-100 kg: 7,5 mg/dia SC
■ >100 kg: 10 mg/dia SC
Anticoagulante heparina e derivados
onte: GOLAN, D.E. Princípios de Farmacologia – A base fisiopatologica da farmacologia, 3a Ed, Guanabara
F
Koogan, 2014.
🔹 Va
rfarina(ou outrosinibidores devitamina K)
247
➜ Pico de ação em36-72h
🔹
Iniciarjuntocom heparina(e
depois suspender a heparina)
➜ Dose inicial 5-10 mg/dia
VO
■ ControlarINR(manter entre2 e 3)
■ Interações medicamentosas
*Se SAAF, utilizar varfarina!
🔹 DOACs(Anticoagulantes Orais Diretos)
■ Rápido início de ação
■ Mais seguros (menor risco de
sangramento)
Opções:
■ ApiXabana
🔹
10 mg VO 2x/dia nos primeiros
7 dias
🔹
Após: 5 mg VO 2x/dia
■ RivaroXabana
🔹
15 mg VO 2x/dia por 3 semanas
🔹
Após: 20 mg/dia
■ EdoXabana
🔹
>60 kg: 60 mg VO 1x/dia
🔹
≤60 kg (ou ClCr 15-50): 30 mg
VO 1x/dia
*Apenas após anticoagulação com
hepatina
■ Dabigatrana (inibidor datrombina)
🔹
Requer ponte com heparina 5
dias antes
🔹
150 mg VO 2x/dia
*Após anticoagulação com heparina 5
dias
248
*Antigamente chamados de NOACs (Novos
Anticoagulantes Orais)
6. Cuidados gerais
🔹
Oxigenoterapia (se SpO2 <90%)
🔹
Analgésicos
🔹
Dieta pobre em vitamina K (se for utilizar
varfarina
7. D
efinirtempo de tratamento
Calcularrisco de recorrência:
🔹
Baixo(<3% ao ano)
■ Fatoresremovíveisassociados a risco
>10xpara TEV (ex.: cirurgia, fratura,
trauma, imobilidade)
🔹
Intermediário(3-8% ao ano)
■ Fator associado com risco de TEV<10x
🔹
Ex.: gestação, uso de
estrógeno, viagem prolongada
■ Fator de riscopersistente(mas não
associado a neoplasia)
🔹
Doença autoimune, DII
■ Sem fatores de risco
🔹
Alto(>8% ao ano)
■ Fatores não-removíveis associados a
risco >10x para TEV
🔹
Câncer em atividade
🔹
SAAF
Tempo conforme o risco:
🔹
1° episódio e com baixo risco ➡3 meses
249
🔹 2° episódio e sem risco removível OU
trombofilia de alto risco ➡Prolongado
(tempo indefinido, avaliar caso a caso)
🔹
Se câncer ➡ enquantoativo(mínimo 6
meses)
Medicações
🔹
DOACs
🔹
Inibidores da vitamina K
250
💡
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