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Controle da Inflação e Taxa de Câmbio

O controle da inflação no Brasil é cada vez mais atribuído à taxa de câmbio e à oferta de produtos importados, em vez da política de metas de inflação do Banco Central. A apreciação do real e o aumento das reservas internacionais são impulsionados por fatores como a liquidez internacional e a alta taxa Selic, que atraem dólares. A política econômica atual visa aumentar a demanda e o consumo, mantendo a inflação sob controle, mas levanta questões sobre a eficácia da taxa Selic em comparação com outros países emergentes.

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Controle da Inflação e Taxa de Câmbio

O controle da inflação no Brasil é cada vez mais atribuído à taxa de câmbio e à oferta de produtos importados, em vez da política de metas de inflação do Banco Central. A apreciação do real e o aumento das reservas internacionais são impulsionados por fatores como a liquidez internacional e a alta taxa Selic, que atraem dólares. A política econômica atual visa aumentar a demanda e o consumo, mantendo a inflação sob controle, mas levanta questões sobre a eficácia da taxa Selic em comparação com outros países emergentes.

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O que controla a inflação?

Amir Khair

A maioria dos analistas acredita que o Banco Central controla a inflação


usando a política de metas de inflação e a taxa de juros Selic como seu
instrumento. No entanto, pela primeira vez o voto majoritário da última reunião
do Copom atribuiu à oferta de produtos importados no câmbio atual como o fator
preponderante de controle inflacionário.

Cresce a percepção entre os analistas que a âncora cambial tem um efeito


maior sobre a inflação do que a meta de inflação que procura dar ao mercado a
expectativa para reajustar preços e salários.

Assim, pode estar em jogo o dogma das expectativas como o fio condutor
do processo inflacionário, numa economia globalizada, ou seja, os agentes
econômicos não formam seus preços. Esses são formados pela forte e crescente
concorrência internacional.

Assim, a política monetária perde eficácia atropelada pela inexorável


competição entre milhões de empresas espalhadas pelo mundo. Isso é mais
verdadeiro num país como o nosso onde as taxas de juros ao tomador final
pouco tem a ver com a taxa Selic, devido aos altos spreads bancários e onde a
oferta de crédito atinge parcela pequena da demanda.

A pergunta então é: O que faz o dólar perder valor perante o real,


causando o aumento em nossas importações, que impedem as remarcações de
preços das empresas?

Segundo uns o nível da taxa de câmbio é decorrente da farta liquidez


internacional, aos fundamentos mais sólidos da economia, ao superávit das
contas externas, ao investimento direto líquido de estrangeiros (IDLE) e aos
empréstimos externos tomados pelas empresas a taxas de juros cada vez mais
baixas devido à queda do risco país.

Desde 2004 ocorre anualmente nas contas externas uma sobra de US$ 30
bilhões devido ao saldo das transações correntes e do IDLE. Esse saldo
independe da Selic e está garantido pela forte expansão das exportações devido
a vários fatores que deverão permanecer por um bom período: nível elevado do
comércio internacional, preço e demanda elevados das commodities, exploração
mais intensa dos mercados emergentes, agregação de valor aos produtos
exportados e posição estratégica na produção de alimentos e nos
biocombustíveis.

Outros argumentam que a causa principal da apreciação cambial está na


alta taxa Selic que proporciona aplicações financeiras mais rentáveis do que em
outros países, injetando dólares em excesso na economia.

Os dois argumentos são válidos e não excludentes. O fato é que o Banco


Central abandonou há mais de um ano a política de câmbio flutuante efetuando
compras maciças de dólares para evitar ainda mais a valorização do real. Apesar
disso, da queda contínua da Selic desde setembro de 2005 e de outras medidas
visando reduzir a oferta de dólares, o real vai se apreciando a cada mês e
crescem vigorosamente as reservas internacionais.
A conseqüência natural do crescimento dessas reservas é a queda
contínua do risco país e a atração de mais dólares. A não ser que haja uma
reviravolta no mercado americano com a elevação das taxas de juros, esse
processo tende a continuar apreciando o real e trazendo para mais cedo a
obtenção do grau de investimento, que atrairá ainda mais dólares ao país.

Assim, não deveria causar espanto se ao final do ano, mantido o ritmo de


crescimento das reservas, elas se aproximassem de US$ 200 bilhões como falou
o Presidente da República.

A política econômica do governo é aumentar a demanda para gerar o


crescimento econômico, usando para isso reajustes reais no salário mínimo,
crédito consignado e expansão dos programas sociais.

O aumento da demanda gera o aumento da oferta e não o inverso. Num


primeiro momento esse aumento da demanda é atendido pelas importações e
em seguida a produção local corre atrás reduzindo margens de lucro que são
compensadas pelo aumento do volume de vendas.

O que garante tudo isso é o câmbio nos níveis atuais que constitui a
barreira para que o aumento da demanda não ocasione remarcação de preços,
preservando o poder aquisitivo dos consumidores e gerando expressivo aumento
do consumo e do emprego.

O que se perde de emprego pela perda de exportações de alguns setores


é mais do que compensado pelo crescimento de emprego pela preservação do
poder de compra dos consumidores.

Essa é a diferença marcante com a política econômica de governos


anteriores, apesar de muitos insistirem que o atual governo é uma continuidade
do anterior.

Como a inflação está sob controle independentemente do Banco Central,


isso força o Copom a proceder a quedas contínuas da Selic que sempre foi uma
aberração econômica. Não tem explicação para o fato dos 26 países emergentes
terem inflação de 4% ao ano com taxas de juros reais muito inferiores às nossas.
Isso vem de longa data e já foi muito pior.

Cabe então a pergunta: os bancos centrais destes países estão com


políticas monetárias erradas e o nosso é que está certo?

É evidente que não. Esta grande distorção na Selic comandada pelo


sistema financeiro em parceria com o Banco Central causou nos últimos dez anos
uma perda de 8% do PIB desse período em juros pagos pelo setor público. Não
existe país no mundo que tenha sofrido um golpe tão forte em suas finanças
públicas.

Para desviar a atenção dessa aberração fiscal alguns analistas, com farta
cobertura na mídia, procuraram colocar a culpa do problema fiscal do país na
Previdência Social e nos programas sociais do governo, cujas despesas
cresceram mais do que o PIB nos últimos anos.
A falha dessas análises é que só procuraram medir os custos e não a
relação custo sobre benefício. Além disso, foram incapazes de projetar esses
custos no longo prazo, pois não apresentaram cálculos atuariais, que é o mínimo
necessário para serem levadas a sério.

As perspectivas para os próximos anos são de fortes crescimentos nas


importações e taxas de câmbio decrescentes. Assim, tudo indica que o principal
instrumento de controle inflacionário esteja na taxa de câmbio que tende a se
apreciar com maior ou menor velocidade dependendo do volume de compras de
dólares pelo Banco Central, que é o piloto da inflação que ele deseja e não o da
meta de inflação de 4,5% ao ano.

Amir Khair – Mestre em Finanças Públicas pela FGV e consultor (página na Internet:
[Link]; endereço eletrônico: akhair@[Link]).

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