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Doenças Reprodutivas em Cães e Gatos

O documento aborda patologias reprodutoras, obstetrícia e neonatologia em cães e gatos, destacando a importância do manejo reprodutivo e a prevenção de doenças que afetam a reprodução. São discutidas as principais afecções genitais femininas e masculinas, incluindo doenças ovarianas, piometra e vaginites, além de enfatizar o papel do médico veterinário na saúde reprodutiva dos animais. O texto também menciona a necessidade de cuidados preventivos e a escassez de profissionais especializados na área.
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Doenças Reprodutivas em Cães e Gatos

O documento aborda patologias reprodutoras, obstetrícia e neonatologia em cães e gatos, destacando a importância do manejo reprodutivo e a prevenção de doenças que afetam a reprodução. São discutidas as principais afecções genitais femininas e masculinas, incluindo doenças ovarianas, piometra e vaginites, além de enfatizar o papel do médico veterinário na saúde reprodutiva dos animais. O texto também menciona a necessidade de cuidados preventivos e a escassez de profissionais especializados na área.
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Patologias reprodutoras, obstetrícia e

neonatologia em cães e gatos


As principais doenças reprodutivas e que afetam o sistema reprodutor masculino e feminino das espécies
canina e felina e o manejo reprodutivo obstétrico: da gravidez ao nascimento do filhote e a rotina
pediátrica.
Prof.ª Vivian Gomes
1. Itens iniciais

Propósito
Os cuidados reprodutivos com animais ainda são muito negligenciados por tutores e médicos veterinários. As
afecções reprodutivas em machos e fêmeas são motivos de óbito e perda financeira, devido à incapacidade
reprodutiva gerada por doenças. Por ser uma especialidade pouco explorada na clínica de pequenos animais é
uma grande oportunidade de atuação.

Objetivos
• Reconhecer as principais afecções genitais femininas que acometem cadelas e gatas, e seu
tratamento.

• Reconhecer as principais afecções genitais masculinas que acometem cães e gatos, e seu tratamento.

• Identificar as doenças reprodutivas que acometem pequenos animais, cães e gatos, e como preveni-
las.

• Reconhecer os fundamentos de obstetrícia, neonatologia e pediatria de cães e gatos na rotina clínica.

Introdução
A reprodução animal é uma área promissora na Medicina Veterinária, devido ao retorno econômico que pode
gerar e a escassez de profissionais especializados. O médico veterinário é crucial nesse cenário, pois somente
esse profissional pode realizar o manejo sanitário dos animais. Além disso, a medicina preventiva também
pode e deve ser aplicada nessa especialidade.

A prática em reprodução na medicina interna de pequenos animais inclui os conhecimentos de fisiologia,


anatomia, endocrinologia, farmacologia, embriologia, genética, metabolismo e nutrição. Para que ocorra a
reprodução, os animais devem estar saudáveis.

Neste conteúdo, apresentaremos as principais doenças que podem acometer os órgãos genitais de fêmeas e
machos das espécies canina e felina e como tratá-las. Estudaremos as afecções que podem comprometer a
reprodução ou a teriogenologia (a capacidade de produção de filhotes saudáveis) dessas espécies.
Compreenderemos o importante papel do médico veterinário no acompanhamento da gravidez ao parto, no
cuidado com os neonatos e na realização de uma rotina pediátrica.
1. Afecções genitais femininas

Doenças dos ovários


O sistema genital feminino de cadelas e gatas é composto pelos seguintes órgãos: ovários, útero, vagina e
vulva. A avaliação desses órgãos, pelos médicos veterinários, é denominada avaliação ginecológica.

Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem
abaixo.

Órgãos genitais femininos da gata e da cadela.

A seguir, veremos algumas doenças dos ovários, do útero, da vagina e da vulva, e neoplasias do sistema
genital feminino das espécies canina e felina.

É importante ressaltar que as doenças ovarianas podem se manifestar com alterações no ciclo estral, como:
ausência de cio, cio silencioso, entre outras.

Alterações ovarianas congênitas


As doenças congênitas já nascem com o animal. Podem ser de origem genética ou surgir em consequência de
algum manejo inadequado durante a gravidez. Detalhamos duas alterações congênitas que podem ocorrer nos
ovários:
Agenesia ovariana

Ocorre quando o animal nasce sem um ou sem os dois ovários. Assim, a fêmea é considerada infértil,
pois não produz hormônios reprodutivos, nem células como os óvulos, que são essenciais para
concepção de um filhote. Não há tratamento para essa alteração.

Hipoplasia ovariana

Ocorre por uma alteração no número ou no tamanho das células que formam os ovários. Nesse caso,
os ovários existem, mas geralmente são pequenos e firmes. Essa alteração na constituição do ovário
ocasiona, também, deficiência em suas funções e, na maioria das vezes, as cadelas e gatas que a
apresentam são inférteis. Não há cura para essa alteração.

Síndrome do ovário remanescente


Também conhecida como síndrome do resto ovariano (SRO) é considerada um erro de castração
(ovariossalpingo-histerectomia), que pode ter sido devido a uma técnica cirúrgica inadequada, com retirada
incompleta dos órgãos ou devido à permanência de uma pequena porção do tecido ovariano na cavidade
peritoneal, após cirurgia.

Esse remanescente de tecido, após algum tempo pode voltar a ter função, ou seja, uma porção do tecido
ovariano funcional permanece dentro da fêmea. Podem também originar essa síndrome:

Ovário supranumerário Ovário acessório

Hiperatividade da glândula adrenal Tumor secretor de estrógeno

Na imagem a seguir, vemos o tecido ovariano remanescente sendo mostrado na ponta da pinça, durante
laparotomia exploratória. Esse tecido permanecia no abdome da cadela após 5 anos da castração.

Tecido ovariano remanescente.

Sobre os sinais e sintomas da SRO, o principal sinal clínico é a manifestação de cio e sinais reprodutivos nas
fêmeas, como atração de machos, vocalização (gatas) e interesse em acasalar. Também ocorre o crescimento
vulvar, mas nem sempre o sangramento está presente, pois o sangramento é proveniente do útero que foi
retirado na cirurgia.
Para chegar ao diagnóstico da síndrome, é necessário descartar o uso de estrógeno externo do medicamento
dietilestilbestrol. Após isso, realiza-se o exame de citologia vaginal se a fêmea estiver demonstrando sinais
clínicos, como a atração de machos. Se o resultado da citologia for a presença de mais de 80% de células
superficiais, o diagnóstico da SRO é confirmado. Outro exame complementar é a dosagem de estradiol, que
confirma a SRO se o resultado for maior que 15 pg/mL.

Como diagnósticos diferenciais, deve-se considerar: vaginite, neoplasia, piometra de coto de cérvix
uterina, coagulopatia, terapias exógenas de estrógeno e traumatismo.

O tratamento da SRO é cirúrgico, por meio de laparotomia. O momento recomendado para a cirurgia é durante
o estro (fase em que o animal está apresentando os sintomas de cio) para facilitar a visualização e retirada
das estruturas remanescentes. Existe também o tratamento clínico para supressão do estro, caso a cirurgia
não seja possível, para:

Cadelas Gatas

Acetato de megesterol (0,5mg/kg/SID/30 dias) Acetato de megesterol (2,5mg/gata, uma vez


ou Mibolerona (contraindicado para gatos). por semana).

Cistos ovarianos
Agora, conheceremos os dois tipos de cistos ovarianos:

Cistos foliculares

São cistos produtores de estrogênio que, se persistirem no ovário da fêmea, podem causar sinais de
hiperestrogenismo, como: ciclos irregulares e prolongamentos de sinais de cio (sangramento, edema
de vulva e atração de machos). O tratamento, nesse caso, é a castração. Contudo, um tratamento
mais conservador também pode ser implementado com hormônios LH ou gonadotróficos.

Cistos lúteos

São cistos produtores de progesterona, por isso, seus principais sinais e sintomas são
pseudogestação acentuada e desenvolvimento de hiperplasia endometrial cística. São mais comuns
em cadelas do que em gatas. O tratamento recomendado é com a prostaglandina F2 alfa.

Doenças do útero
Piometra
É caracterizada pelo acúmulo de secreção purulenta no interior do útero. Geralmente, ocorre entre 4 semanas
e 4 meses depois do cio e possui duas formas: com cérvix aberta ou fechada. Raramente ocorre de forma
natural em gatas. Quando fêmeas felinas apresentam piometra é muito provável que tenham sido expostas a
progestágenos exógenos.
Atenção
A piometra fechada é um caso de emergência veterinária, gerando risco de morte.

A piometra ocorre devido a um conjunto de três fatores:

Influência hormonal no útero Infecção bacteriana

Imunidade individual da fêmea

Na fase inicial do cio, o hormônio estrogênio é predominante e tem função de promover o relaxamento da
cérvix. Com isso, o útero fica exposto à contaminação ascendente por bactérias, que podem ser provenientes
da região genital da fêmea. O estrogênio também aumenta o número de receptores de progesterona dentro do
útero.

Assim, na fase final do cio, quando a progesterona é o hormônio dominante, ela vai agir de forma exacerbada,
causando uma ativação intensa das glândulas endometriais que secretam mais fluidos dentro do útero. Esses
fluidos são um meio de cultura rico em nutrientes e o que ocorre é a multiplicação daquelas bactérias que
contaminaram o útero na fase inicial do cio.

Saiba mais
A Escherichia coli é uma bactéria comumente isolada nos casos de piometra. Essa bactéria, quando
destruída, libera endotoxinas, o que justifica o quadro clínico sistêmico da piometra.

Em relação aos sinais e sintomas, as fêmeas apresentam:

• Distensão abdominal
• Dor e secreção vaginal (principal sintoma da piometra aberta)
• Prostração
• Letargia
• Anorexia
• Vômitos
• Poliúria
• Polidipsia (frequentemente decorrente de glomerulonefrite imunomediada)
• Febre
• Leucocitose
• Hipotensão, podendo evoluir para choque séptico e morte devido à ação bacteriana sistêmica

Quanto ao diagnóstico, o nível de complexidade de tratamento varia entre os dois casos:

Piometra aberta

Diagnóstico simples. A fêmea apresenta secreção vaginal (de sanguinolenta a purulenta), associa-se
a isso o fato de a fêmea ter entrado no cio aproximadamente 2 meses antes e a outros sinais clínicos,
como apatia, por exemplo. O diagnóstico é confirmado por exames de imagem e laboratoriais.

Piometra fechada

Diagnóstico complicado. Os sinais e sintomas são muito inespecíficos (veja os citados acima). Por
isso, quando a cadela ou a gata não forem castradas é sempre importante descartar a piometra
fechada por meio de exames complementares.

Em relação ao exame clínico, a temperatura pode revelar febre (> 39,3°C) ou hipotermia em uma fase mais
avançada da doença, em que a fêmea está em choque séptico. A vaginoscopia é importante em casos de
piometra aberta para avaliar a presença de secreção e a congestão vulvar. Já a palpação abdominal deve ser
realizada de forma cuidadosa (principalmente em casos de piometra fechada), evitando assim uma ruptura
uterina.

Os exames complementares utilizados para confirmar o


diagnóstico de piometra e determinar o prognóstico são a
radiografia abdominal lateral (que revela o tamanho uterino)
e a ultrassonografia abdominal (exame de escolha que
avalia o diâmetro do útero, a espessura da parede e
descarta outros diagnósticos possíveis como gestação e
neoplasia).

A combinação dos exames de imagem com os exames


laboratoriais que mostram uma leucocitose confirma o
diagnóstico de piometra.

O tratamento recomendado para a piometra é cirúrgico


Gata realizando radiografia abdominal lateral.
(ovariossalpingo-histerectomia). Contudo, para fêmeas de
alto valor reprodutivo, pode-se tentar o tratamento clínico
conservador. O último é contraindicado em casos de piometra fechada, paciente idosa e quando a inflamação
está em estágio avançado causando risco de morte.

Útero de cadela com piometra, após cirurgia de ovariossalpingo-histerectomia.


O tratamento clínico é baseado na prostaglandina F2 alfa que causa a lise do corpo lúteo, diminuindo os níveis
de progesterona. O tratamento pode durar até 4 semanas e a paciente deve ser avaliada no segundo e no
sétimo dia de tratamento e no 10º e 14º dias após o tratamento, por meio de ultrassonografia. Outra opção é o
uso de antiprogestágenos como o aglepristone. O tratamento clínico pode ter efeitos colaterais, como cistos e
tumores ovarianos, pólipos e tumores uterinos.

Saiba mais
Antes do tratamento cirúrgico, a fêmea deve ser estabilizada do desequilíbrio hidroeletrolítico e receber
antibióticos de amplo espectro, como amoxicilina + ácido clavulânico, quinolonas e metronidazol.

O desafio do diagnóstico da piometra


Confira agora o desafio de diferenciar a piometra aberta de outras afecções que se manifestam com secreção
vaginal e do diagnóstico da piometra fechada, devido aos seus sinais e sintomas inespecíficos.

Conteúdo interativo
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Doenças da vagina e da vulva


Vaginites
Geralmente, são inflamações vaginais limitantes, ou seja, com resolução espontânea, se não estiverem
relacionadas a alterações congênitas, como o estreitamento do canal vaginal.

É comum que ocorra uma vaginite juvenil em cadelas de 2 a 3 meses de idade, que está relacionada à
deficiência do sistema imunológico. Mas quando a cadela atinge a puberdade, essa inflamação se resolve
espontaneamente, já que ocorre aumento do hormônio estrogênio e consequente produção de secreções
vaginais, que são barreiras protetoras naturais da vagina. A vaginite em fêmeas adultas é considerada um
quadro crônico. Pode ter origem em afecções congênitas ou ser adquirida.

As cadelas que apresentam vaginite não manifestam muitos sinais e podem até ser consideradas saudáveis.
Os principais sinais de vaginite incluem secreção vaginal mucopurulenta e lambedura da região genital, que
devem alertar o médico veterinário para um diagnóstico diferencial de piometra.

Atenção
Se a vaginite não for tratada, pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de piometra, por
ascensão bacteriana.

É indicada para o tratamento das vaginites a administração de anti-inflamatórios sistêmicos e antibióticos


sistêmicos e/ou locais. Tais medicamentos visam diminuir o incômodo que a inflamação causa, como o prurido
vaginal, que provoca lambedura. Também podem ser utilizadas soluções antissépticas locais a cada 12 horas
até o desaparecimento dos sintomas. Essa solução pode ser de clorexidina a 0,05%.
Prolapso e hiperplasia vaginais
Prolapso vaginal
Manifesta-se quando toda a parede vaginal se exterioriza pela vulva. É uma afecção rara na clínica de
pequenos animais, mas pode ocorrer próximo ao parto. Caso o prolapso vaginal não seja tratado por
reposicionamento manual ou cirúrgico, pode ocorrer ulceração, necrose, trauma e até automutilação.

O prolapso é classificado em três graus:

Grau I Grau II

Quando apenas se visualiza uma protuberância Quando há exteriorização da parede cranial e


que não se exterioriza pelos lábios vulvares. lateral da vagina, pela vulva.

Grau III

Quando ocorre a exteriorização de toda a


vagina, formando uma massa com aspecto de
anel e com lúmen no centro.

Vale resssaltar que o perigo do grau III é que ocorra uma torção de uretra e consequentemente dificuldade em
urinar.

Hiperplasia vaginal
É definida como o aumento do tecido vaginal por estímulo do hormônio estrogênio, que tem seus níveis mais
altos no início do cio. O tecido vaginal se apresenta edemaciado e com aspecto transparente, podendo
sobressair pela vulva. Pela semelhança com o prolapso vaginal, deve-se fazer o diagnóstico diferencial da
hiperplasia vaginal, principalmente pelo histórico reprodutivo, fase do ciclo estral e aspecto do tecido.

Na imagem a seguir, vemos vulva edemaciada de cadela da raça Buldogue francês com malformação
congênita em ânus e vulva, com o tecido de hiperplasia vaginal ao centro da vulva.
Vulva edemaciada.

A hiperplasia é autolimitante, ou seja, quando os níveis de estrogênio diminuem na corrente sanguínea, o


edema do tecido vaginal também diminui. Se houver excesso de tecido após a redução do edema, deve-se
realizar um tratamento cirúrgico conservador para retirada desse tecido que não regrediu totalmente.

Saiba mais
A chance de recidiva da hiperplasia é acima de 60% nos próximos cios, por isso, recomenda-se a
ovariossalpingo-histerectomia para resolução completa da doença.

Defeitos congênitos
Como exemplo de defeito congênito da vagina, vamos estudar a estenose vaginal.

Ela ocorre no momento da embriogênese do feto. Quando a fêmea nasce, o problema não é perceptível. O
tutor só desconfia quando e se a fêmea for acasalar, pois, no momento do acasalamento, o animal sente dor e
reluta ao ato da monta.

Algumas afecções que podem ser decorrentes desse defeito congênito são:
Vaginites Incontinência urinária

Cistites crônicas

O diagnóstico é confirmado por toque vaginal, vaginoscopia ou radiografia contrastada.

Neoplasias do sistema genital feminino


Neoplasias uterinas
Correspondem a cerca de 1 a 2% dos tumores do sistema genital feminino de cadelas e gatas. Geralmente,
ocorrem em pacientes de meia-idade a idosos e a maioria dos tumores é assintomático.

O diagnóstico é realizado por exames de imagem como radiografia e ultrassonografia abdominal ou achados
durante cirurgias abdominais. Já o diagnóstico definitivo é realizado por meio de exames histopatológicos,
ocorrendo, na maioria das vezes, após tratamento cirúrgico.

O tratamento é cirúrgico, por meio da ovariossalpingo-histerectomia. Antes da cirurgia é importante realizar o


estadiamento da neoplasia e a pesquisa de metástase. Dependendo da classificação do tumor, é necessário o
tratamento quimioterápico. Vamos a exemplos:

Leiomioma

Neoplasia benigna, de crescimento lento e não invasiva. É um tumor de origem na musculatura lisa e
pode manifestar-se sozinho ou em conjunto com outras afecções, como cistos ovarianos, síndrome
do resto ovariano e complexo hiperplasia endometrial cística.

Leiomiossarcoma

Neoplasia maligna, também de origem da multiplicação descontrolada das células da musculatura lisa
do útero. É um tumor considerado invasivo, sendo um risco não só para o sistema reprodutor, mas
também para o sistema urinário e gastrointestinal da fêmea, devido à proximidade da bexiga e dos
intestinos com o útero. Como é um tumor maligno, pode ocasionar metástase, que aparece de forma
lenta.

Neoplasias vaginais e vulvares


Entre todas as neoplasias do sistema genital feminino, as de vagina e vulva são as mais frequentes em
cadelas, mas ainda são raramente diagnosticadas em gatas.

O Tumor Venéreo Transmissível (TVT) ocorre principalmente em fêmeas jovens e sexualmente ativas.
Manifesta-se por uma lesão em formato de couve-flor, na mucosa vaginal, mucosa vulvar, mucosa oral,
conjuntival ou na pele. É um tumor friável, então, um dos sinais pode ser sangramento vulvar.
TVT localizado na mucosa vulvar de cadela e com aspecto serossanguinolento.

Como o nome revela, esse tumor é transmissível de forma venérea, ou seja, pelo coito. A frequência é
semelhante em machos e fêmeas. A transmissão pode ocorrer também pelo contato de mucosas com as
áreas lesadas (áreas com tumor). Pode gerar metástase em linfonodos regionais.

O diagnóstico é feito pelo histórico clínico e reprodutivo do paciente, exame clínico da região genital e
citologia da lesão, enquanto que o tratamento é quimioterápico, por meio de administração de sulfato de
vincristina (0,025mg/kg), por 4 a 6 semanas.

Vem que eu te explico!


Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Doenças iatrogênicas e suas consequências

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Manejo de uma neoplasia transmissível

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Verificando o aprendizado
Questão 1

Uma cadela da raça Pit Bull com 2 anos de idade é levada a clínica veterinária com queixa de apatia, hiporexia,
tosse, claudicação do membro anterior esquerdo e aumento do volume abdominal, há 5 dias. A tutora relatou
que a cadela era muito agitada e vivia pulando. Na anamnese, o médico veterinário coletou os dados
reprodutivos: a cadela era inteira e o último cio foi há aproximadamente 2 meses. No exame físico, a cadela
não apresentava secreção vaginal, porém, tinha uma hipersensibilidade ao toque em todo o corpo, o que
dificultava o exame.

Se você fosse o médico veterinário e só pudesse solicitar um exame complementar para tentar fechar o
diagnóstico da cadela, qual exame solicitaria e qual seria sua principal suspeita clínica?

Exame complementar: hemograma; suspeita clínica: tumor venéreo transmissível.

Exame complementar: ultrassonografia abdominal; suspeita clínica: piometra fechada.

Exame complementar: radiografia de membro anterior esquerdo; suspeita clínica: fratura de membro anterior
esquerdo.

Exame complementar: radiografia de tórax; suspeita clínica: leiomioma.

Exame complementar: ultrassonografia abdominal; suspeita clínica: piometra aberta.

A alternativa B está correta.


O exame complementar com maior sensibilidade para o diagnóstico de piometra fechada é a
ultrassonografia abdominal, pois será identificado o aumento do volume uterino e a presença de líquido
com celularidade. O hemograma apresentaria leucocitose com desvio à esquerda, característico de uma
infecção, mas só com esse exame não seria possível identificar o local da infecção. Os sinais e sintomas
clínicos no caso descrito na questão são inespecíficos, mas baseados em um caso real. É assim que um
animal com piometra fechada chega na clínica veterinária. Por isso, é sempre importante descartar a
possibilidade dessa doença em todas as fêmeas inteiras, já que a demora no diagnóstico pode levar o
animal à sepse ou à ruptura uterina evoluindo para o óbito.

Questão 2

Uma cadela da raça Buldogue Francês, de 8 meses de idade, que nasceu com uma malformação na vulva é
levada a uma clínica veterinária com queixa de vulva edemaciada e um tecido diferente que cresceu dentro da
vulva, há 3 dias. Após a avaliação clínica, o médico veterinário identificou que esse crescimento tecidual havia
ocorrido logo depois do sangramento do cio, a vulva do animal estava realmente edemaciada e na
vaginoscopia, o tecido se apresentava como várias membranas transparentes (semelhantes a balões de
festa), que impediam a visualização do canal vaginal.
Qual o provável diagnóstico desse animal e qual seria a recomendação de tratamento?

Diagnóstico: prolapso vaginal; tratamento: cirúrgico (ovariossalpingo-histerectomia).

Diagnóstico: hiperplasia vaginal; tratamento: cirúrgico (ovariossalpingo-histerectomia).

Diagnóstico: prolapso vaginal; tratamento: reposicionamento manual.

Diagnóstico: hiperplasia vaginal; tratamento: cirúrgico conservador (retirada apenas de excesso de tecido).

Diagnóstico: hiperplasia vaginal; tratamento: observação, aguarda resolução espontânea.

A alternativa B está correta.


O diagnóstico correto é hiperplasia vaginal, devido à fase do ciclo estral em que ocorreu e ao aspecto da
lesão. O tratamento cirúrgico com a castração seria ideal, já que o animal tem um defeito congênito. Com
isso, além de aumentar as chances de a hiperplasia ocorrer no próximo cio, também há grandes chances do
animal propagar esse defeito em vulva, caso tenha uma cria. Animais com defeitos congênitos não devem
ser incluídos em programas de reprodução.
2. Afecções genitais masculinas

Doenças dos testículos e da bolsa escrotal


O sistema genital masculino de cães e gatos é constituído por: pênis, prepúcio, bolsa escrotal, testículos,
epidídimos e glândulas acessórias como as ampolas, próstata e glândulas bulbouretrais. A avaliação desses
órgãos pelos médicos veterinários é denominada exame andrológico.

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abaixo.

Órgãos genitais do gato e do cão.

Orquite infecciosa e epididimite


A orquite infeciosa pode ocorrer junto a epididimite ou não. O que justifica que essas duas infecções ocorram
juntas é a proximidade entre os testículos e os epidídimos.

A orquite é a inflamação ou infecção de um ou ambos os testículos e se manifesta com o aumento desses


órgãos. O aumento pode ser mais visível se a infecção ou inflamação do epidídimo (epididimite) também
estiver presente. Os animais se tornam inférteis durante essas afecções.
Bolsa escrotal de cão revelando aumento de volume devido a epididimite por
infecção bacteriana.

As principais causas de orquite e epididimite são:

Dermatite e edema escrotal Neoplasia de testículo

Efusão ou hemorragia intratesticular Infecção ou doença infiltrativa


granulomatosa

Para o diagnóstico inicial é feita inspeção e palpação cuidadosa da bolsa escrotal e dos testículos, mas a
patologia só é confirmada com ultrassonografia local.

O tratamento é baseado em antibioticoterapia com duração mínima de duas a oito semanas e deve-se
prolongar caso haja prostatite bacteriana crônica associada. Após o tratamento, os animais podem voltar a ser
férteis, mas o prognóstico para fertilidade é reservado.

Criptorquidia
É definida como um defeito genital congênito, muito comum na espécie canina. Ocorre quando um ou ambos
os testículos não se encontram presentes na bolsa escrotal, no momento da puberdade. A criptorquidia pode
ser uni ou bilateral.

A descida dos testículos para bolsa escrotal ocorre entre 6 e 16 semanas de idade. Alguns animais
apresentam descida de testículos tardia (até 10 meses de idade), mas essa situação também é considerada
um defeito hereditário. Na espécie felina, a descida testicular ocorre antes do nascimento.

Atenção
A criptorquidia unilateral não torna o animal infértil.

O diagnóstico é feito quando se verifica que um ou ambos os testículos não estão na bolsa escrotal, por meio
de palpação. Deve-se, então, localizar os testículos. Quando se encontram no canal inguinal, a palpação
auxilia na investigação, mas no caso de testículos intra-abdominais, apenas a ultrassonografia abdominal
pode revelar a localização exata.

O tratamento é cirúrgico, por meio de orquiectomia bilateral, mesmo que a criptorquidia não seja bilateral, pois
essa é uma afecção hereditária, então, animais com essa doença não devem acasalar. Outra questão é o fato
de os testículos intra-abdominais estarem abrigados dentro do corpo e apresentarem uma temperatura mais
alta que os torna não funcionais, não permitindo a espermatogênese, apesar de haver produção de
testosterona e libido normais. Ainda, há alta incidência de neoplasia se esses órgãos permanecem abrigados
no abdome.

Neoplasia testicular
Esses tumores começam pequenos em um ou em ambos os testículos e com a cronicidade da doença, que na
maioria das vezes é assintomática, há um aumento testicular e, em alguns casos, a manifestação de
síndromes paraneoplásicas. É uma doença rara em felinos.

Os fatores de risco de neoplasia testicular para cães são: idade maior que 10 anos e ser criptorquida (o que
aumenta o risco em até 10 vezes).

Entre os principais tumores que afetam esses pacientes, podemos citar:

Tumores das células de Sertoli Tumores das células de Leydig

Seminomas

Os tumores originados de testículos intra-abdominais frequentemente são tumores de células de Sertoli.


Esses tumores produzem hormônios como o estrogênio, o que causa a síndrome paraneoplásica e outros
sinais e sintomas, como:

• Atrofia do testículo contralateral


• Prepúcio pendular
• Alopecia
• Hiperpigmentação
• Ginecomastia
• Supressão da medula óssea

O diagnóstico é geralmente acidental, seja por palpação minuciosa dos testículos ou por ultrassonografia
testicular. Por isso, a indicação é que cães reprodutores façam anualmente um check-up que inclua ultrassom
dos testículos.

Para o tratamento, se o animal for um valioso reprodutor e ainda estiver fértil, pode-se tentar um tratamento
conservador. Caso contrário, a recomendação é a castração. Em casos nos quais o tumor é unilateral e
limitado, a castração também pode ser unilateral.

Doenças do pênis e do prepúcio


Balanopostite
Doença definida como a inflamação ou a infecção da cavidade prepucial e do pênis. Tem maior frequência em
cães do que em gatos. A infecção é causada por bactérias da flora normal do prepúcio, porém, há
predominância de casos de infecção por Pseudomonas spp.

Prepúcio do cão afetado por Balanopostite.

Os sinais clínicos são sutis. Em alguns casos, observa-se uma secreção purulenta com origem no prepúcio,
que varia desde uma pequena quantidade de esmegma branco até uma grande quantidade de secreção
esverdeada. A lambedura excessiva da área genital também é relatada pelos tutores.

Saiba mais
Se a secreção for sanguinolenta, pode estar associada à neoplasia ou a um corpo estranho que se
acumulou no prepúcio.

O diagnóstico é realizado por meio do exame físico com avaliação do prepúcio e exposição do pênis. Se o
único sinal for uma secreção, mas o prepúcio e o pênis não apresentarem aspecto de inflamação, deve-se
realizar o diagnóstico diferencial de hiperplasia prostática benigna, prostatite, uretrite e cistite.

O tratamento é clínico. Deve-se realizar a limpeza do local, incluindo tricotomia e lavagem da cavidade
prepucial com soluções antissépticas diluídas, por exemplo, solução de clorexidina. Em casos mais graves,
pode-se realizar a aplicação tópica, na cavidade prepucial, de substâncias antibacterianas e corticosteroides.
Quando não há melhora do quadro, deve-se investigar mais por meio de citologia e cultura para descartar a
possibilidade de neoplasia ou infecção fúngica.

Priapismo, parafimose e fimose


Agora, vamos estudar priapismo, parafimose e fimose e suas características. Essas três doenças do pênis são
apresentadas juntas neste conteúdo, pois uma pode ser confundida com a outra.
Priapismo
É definido como uma ereção peniana persistente, mesmo que não haja estímulo sexual. Essa afecção possui
duas classificações: o priapismo não isquêmico (arterial) e o priapismo isquêmico (venoso-oclusivo).
Geralmente, está associada a distúrbios vasculares, neuropatias (já que um conjunto de nervos é responsável
pelo processo de ereção) e distúrbios idiopáticos.

Pênis de cão diagnosticado com priapismo não isquêmico, secundário a TVT (lesões
neoplásicas na base do pênis).

O priapismo isquêmico é uma emergência na medicina interna de pequenos animais, já que pode resultar em
necrose peniana rapidamente e por ser uma condição muito dolorosa. Nos dois tipos de priapismo, o tecido
peniano pode ser lesionado e também podem evoluir para protusão do pênis e do prepúcio.

Geralmente, o priapismo é confundido com a parafimose, mas deve-se realizar o diagnóstico diferencial
também para hematoma, trauma ou outra lesão peniana. O diagnóstico é realizado pela inspeção e palpação
do pênis e prepúcio e por ultrassonografia local.

Para o tratamento do priapismo é necessário identificar e tratar a causa subjacente. No priapismo isquêmico,
deve-se realizar cirurgicamente a aspiração imediata dos corpos cavernosos. E, se necessário, injetar
fenilefrina neles, iniciando com dose baixa de 1 a 3 microgramas/kg e monitorar o sistema cardiovascular. Se
não houver sucesso, pode ser necessário realizar a amputação do pênis com uretrostomia perineal.

O priapismo não isquêmico pode ter resolução espontânea. Em todos os casos, deve-se lubrificar o
pênis para evitar lesão tecidual e recomenda-se o uso de colar elizabetano para evitar
autoescoriação e mutilação. Algumas medicações sistêmicas são sugeridas como gabapentina,
terbutalina e pseudoefedrina.

Parafimose
É uma afecção que ocorre quando o pênis não ereto não consegue ficar coberto pelo prepúcio. Não está
relacionada à estimulação sexual. Essa doença, diferente do priapismo, não é dolorosa. As principais causas
são edema do pênis, orifício prepucial muito pequeno, comprimento inadequado do prepúcio e trauma ou
fraqueza dos músculos prepuciais. É comum que ocorra de forma iatrogênica, após a coleta manual de sêmen.
Nos gatos de pelo longo, a parafimose pode ocorrer quando o pênis fica enrolado nos pelos do prepúcio.

A parafimose de longa duração (não corrigida) pode evoluir para gangrena e necrose do pênis, pois vai
ocorrendo um garroteamento da parte exposta do pênis pelo próprio orifício do prepúcio, o que diminui a
vascularização no local.
Atenção
Para diferenciar a parafimose do priapismo, pode-se realizar uma ultrassonografia com Doppler de fluxo
colorido. O ultrassom também é importante para descartar afecções como: neoplasia, hematoma, fratura
de pênis ou tromboembolismo.

Fimose
Afecção que ocorre quando o pênis fica preso dentro da cavidade prepucial, sem possibilidade de exposição.
Geralmente, é um defeito congênito do tamanho do orifício do prepúcio, mas é raro em cães e gatos. Quando
ocorre, é identificada em filhotes devido a dificuldades urinárias, com o gotejamento de urina que ficou
acumulada no prepúcio, ou é identificada quando o animal não consegue acasalar.

A correção dessa afecção é cirúrgica, na qual se realiza a abertura do orifício prepucial.

Orifício prepucial estenosado de felino diagnosticado com fimose.

Priapismo: causas e consequências


Aprofunde-se agora nas causas do priapismo, que podem ser iatrogênicas e medicamentosas, e entenda as
consequências para o macho reprodutor.

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Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

Fisiopatogenia do criptorquidismo

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Diagnóstico e tratamento da balanopostite

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Verificando o aprendizado

Questão 1

Um filhote de cão sem raça definida, com 6 meses de idade, chega ao hospital veterinário para rotina
pediátrica. Durante o exame físico, o médico veterinário nota que os testículos não estão dentro da bolsa
escrotal.

Qual exame complementar deve ser solicitado para confirmar o diagnóstico e qual é a recomendação de
tratamento?

Ultrassonografia pélvica para confirmar um defeito congênito (agenesia de testículo). Essa afecção não
precisa de tratamento.

Ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico de criptorquidia bilateral. O tratamento recomendado


é aguardar a descida testicular até os 10 meses de idade.

Ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico de hipoplasia testicular. O tratamento recomendado


é a orquiectomia.

Radiografia pélvica para confirmar o diagnóstico de criptorquidia bilateral. O tratamento recomendado é


cirúrgico com orquiectomia.

Ultrassonografia abdominal para confirmar o diagnóstico de criptorquidia bilateral. O tratamento recomendado


é orquiectomia.
A alternativa B está correta.
O exame complementar de ultrassonografia abdominal vai confirmar a ausência dos testículos na bolsa
escrotal e pela varredura abdominal, identificar onde se encontram os testículos (por exemplo: no canal
inguinal). Como o animal do caso clínico descrito ainda tem 6 meses e há relatos de descida testicular aos
10 meses de idade, é importante aguardar mais um pouco para confirmar se a descida dos testículos vai
ocorrer. Se não houver a descida testicular, o tratamento recomendado é a orquiectomia.

Questão 2

Um cão da raça Pastor Belga de Malinois, inteiro, de 3 anos de idade, chegou ao hospital veterinário com
queixa de lambedura excessiva do pênis e exposição permanente da glande peniana. Durante a anamnese, a
médica veterinária descobriu que o animal era um reprodutor de canil e tinha acabado de passar por um
procedimento de coleta manual de sêmen. No exame físico, percebeu-se que o pênis estava com a glande
exposta, porém, não estava ereto.

Qual é o provável diagnóstico e as principais causas dessa afecção?

Priapismo e as principais causas são trauma e edema de pênis.

Fimose e a principal causa é um defeito congênito.

Parafimose e a principal causa é um defeito congênito.

Priapismo e as principais causas são distúrbios vasculares, neuropatias ou medicamentos.

Parafimose e as principais causas são edema do pênis, trauma, orifício prepucial pequeno ou comprimento
inadequado do prepúcio.

A alternativa E está correta.


A parafimose é uma doença de pênis e prepúcio de ocorrência muito comum em cães que passam por
manipulação e estimulação reprodutiva, como a coleta de sêmen. Já que durante a coleta, o cão fica com o
pênis exposto por um tempo prolongado, o que pode gerar ressecamento da mucosa e dificuldade de
retorno completo para dentro do prepúcio. O priapismo é um diagnóstico diferencial para a parafimose,
porém, nesse caso, o pênis fica ereto, já que há distúrbios vasculares. Qualquer afecção que cause um
aumento do tamanho do pênis não ereto e dificuldade de cobertura total do pênis pelo prepúcio pode ser
causa de parafimose.
3. Afecções reprodutivas

Afecções reprodutivas da fêmea


Ciclos anormais
Vamos iniciar o nosso estudo sobre afecções reprodutivas da fêmea, abordando o cio silencioso e os
intervalos irregulares entre cios.

Cio silencioso
É quando não há manifestações clínicas que indiquem que a fêmea está ovulando. Então, não ocorre edema e
sangramento vulvar. Não há nem sinais sutis como na imagem a seguir.

Vulva de cadela levemente edemaciada e hiperêmica.

Intervalos irregulares entre cios


Os intervalos entre os cios podem ser mais curtos ou mais longos que o normal para espécie.

Atenção
É importante lembrar que o intervalo entre cios nas cadelas varia de acordo com a raça, sendo normal
entre 4 e 12 meses. Já as gatas possuem ovulação induzida, ou seja, podem entrar em estro várias
vezes.
Quando o intervalo entre os cios é maior do que o normal, deve-se desconfiar de doenças endócrinas, cistos
lúteos ou neoplasias ovarianas secretoras de progesterona.

Quando o intervalo é mais curto que o normal, pode estar relacionado a uma predisposição racial. Isso pode
acontecer em raças como Cocker Spaniel, Labrador Retriever e Pastor Alemão. Também pode estar
relacionado ao ambiente, por exemplo: várias fêmeas não castradas vivendo juntas em um canil. Quando uma
fêmea entra no cio, induz as outras a entrarem também, às vezes, antecipando o cio. Outra justificativa para o
intervalo mais curto entre os cios é o tratamento com agonistas de dopamina, prostaglandina F2 alfa ou
antagonista de serotonina.

Complexo hiperplasia endometrial cística


É uma alteração no endométrio, tecido que reveste o útero internamente, que pode ocorrer em cadelas e
gatas. Geralmente, é ocasionada por altos níveis de estrogênio e exposição prolongada ao hormônio
progesterona.

Esse complexo é um fator predisponente para a manifestação de:

Hidrometra Piometra

Mucometra

Como consequência, pode gerar infertilidade nas fêmeas e número de crias diminuído.

Metrite
Essa doença se caracteriza por uma infecção inflamatória do útero que ocorre geralmente no período pós-
parto imediato. A causa está relacionada a partos distócicos, retenção placentária ou de fetos mortos,
manipulações obstétricas e ascensão bacteriana.

Os principais sinais e sintomas são secreção vaginal de sanguinolenta a purulenta, desidratação, depressão,
anorexia, febre e baixa habilidade materna.

Saiba mais
O que diferencia a metrite da piometra é que essa infecção ocorre no pós-parto, enquanto na piometra
não há gestação antes da infecção.

O diagnóstico é realizado pelo histórico, sinais clínicos, radiografia e ultrassonografia abdominal.

O tratamento pode ser cirúrgico (castração) ou medicamentoso. Deve-se corrigir a desidratação do animal,
administrar analgésicos, anti-inflamatórios e antibióticos de amplo espectro. Para o esvaziamento do útero
indica-se ocitocina ou prostaglandinas F2 alfa.

Endometrite
É uma inflamação do endométrio que pode gerar infertilidade em cadelas e gatas. É caracterizada como uma
doença crônica e subclínica.

O tratamento é baseado em antibioticoterapia de amplo espectro, por 15 dias, junto com aglepristone.
Prolapso uterino
É definido como a protrusão de um ou ambos os cornos uterinos pela vulva (veja na imagem a seguir). O
prolapso pode ser parcial ou total. Geralmente, ocorre ao final de partos de ninhadas numerosas ou devido a
partos distócicos (com a administração de ocitocina). Podendo ser imediatamente após ou até 2 dias pós-
parto.

Prolapso uterino em gata, com aspecto de “V” característico da protrusão completa.

O tratamento pode ser feito de duas formas:

Redução manual

É realizada no ambulatório, o animal pode ser sedado (cuidado na escolha do medicamento para a
sedação, pois a fêmea estará em fase de amamentação), e o veterinário reposiciona o útero, após
lavar o órgão abundantemente com água gelada.

Tratamento cirúrgico

Também pode visar ao reposicionamento do órgão ou pode ser realizada a ovariossalpingo-


histerectomia.

Só se deve reposicionar o útero se ele estiver íntegro e saudável.

Distúrbios mamários
As glândulas mamárias também fazem parte do sistema reprodutor de cadelas e gatas. A seguir, serão
apresentadas as principais afecções relacionadas às glândulas mamárias.

Pseudociese
A pseudociese ou pseudogestação é um fenômeno fisiológico normal nas fêmeas não gestantes. É mais
comum em cadelas e ocorre no final do cio (fase luteal), quando as concentrações do hormônio progesterona
diminuem e, consequentemente, as concentrações do hormônio prolactina aumentam.

O que leva ao diagnóstico de pseudociese é o grau de manifestação clínica que a fêmea apresenta e isso
depende de dois fatores:

Concentração maior de prolactina Sensibilidade aumentada à prolactina

Algumas fêmeas apresentam uma concentração Alguns pacientes possuem receptores com uma
maior de prolactina em órgãos alvo, como as sensibilidade aumentada à prolactina.
glândulas mamárias.

Se a fêmea em questão apresentar alguns desses dois fatores, ela manifestará os sinais e sintomas da
pseudociese.

O principal sinal clínico é o desenvolvimento das glândulas mamárias e a produção de leite. Contudo, as
fêmeas também podem apresentar um comportamento alterado, com hábito de fazer ninho ou cuidar de
objetos inanimados, ganho de peso, descarga vulvar mucosa, inapetência e inquietação.

O diagnóstico é baseado no histórico, anamnese e exame físico.

Sobre o tratamento, a pseudociese é considerada uma condição autolimitante, então, não precisaria de
tratamento. Se a regressão dos sintomas não ocorrer de uma a três semanas, é necessário entrar com o
tratamento clínico para evitar progressão para mastite. O objetivo do tratamento é a extinção da lactação,
porém, os medicamentos antigalactogênicos causam mais efeitos colaterais do que benefícios. Os
medicamentos utilizados têm como princípio ativo a metergolina e os principais efeitos colaterais são:

• Vômitos
• Diarreia
• Modificação de comportamento
• Agitação
• Depressão
• Anorexia

Um tratamento clínico alternativo e eficaz para pseudociese pode ser feito com medicamentos homeopáticos.
Porém, se o objetivo for a cura completa, sem recidivas nos próximos ciclos estrais, é recomendado o
tratamento cirúrgico com ovariossalpingo-histerectomia.

O desafio do tratamento da pseudociese


Confira agora alternativas para o tratamento da pseudociese, que costuma gerar efeitos colaterais graves nos
animais.

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Mastite
É uma inflamação séptica das glândulas mamárias. Geralmente, manifesta-se como uma inflamação cutânea,
com hipertermia e edema das mamas. Pode apresentar estase láctea com consequente endurecimento
intramamário.
O leite produzido pode se apresentar vermelho pálido ou marrom, pois está contaminado por
bactérias.

Essa afecção, geralmente, ocorre após o estímulo da prolactina, que estimula a produção de leite e o
relaxamento do orifício do teto favorecendo a entrada de bactérias da flora cutânea.

Como sintomas, a fêmea apresenta desconforto e dor nas mamas, relutância em deitar-se, anorexia, letargia e
febre. Em casos mais graves, pode ocorrer abscessos e necrose da mama com choque séptico.

O diagnóstico é baseado no exame físico e cultura e antibiograma do leite colhido de forma asséptica.

O tratamento é baseado em antibioticoterapia de amplo espectro, com a escolha do antibiótico ideal por meio
do resultado do antibiograma, em analgésicos e em medicamentos antiprolactina, para secar o leite, que é um
meio de cultivo para as bactérias. Em casos de necrose, deve-se realizar o tratamento cirúrgico com
desbridamento e mastectomia.

Hiperplasia mamária fibroadenomatosa


Afecção também conhecida como hiperplasia mamária felina, já que ocorre predominantemente na espécie
felina. É uma condição não neoplásica mediada pelo hormônio progesterona. Pode ocorrer em gatas
gestantes, com pseudociese ou em animais que receberam progestinas de forma exógena (anticoncepcional).

Gata siamesa de 9 meses de idade com hiperplasia mamária felina.

A principal manifestação é o aumento do volume mamário devido à rápida proliferação do epitélio de ductos e
estroma mamários. Pode ocorrer regressão espontânea ou evolução para mastite com abscesso e gangrena.

É necessário realizar o diagnóstico diferencial para neoplasia mamária, por meio de citologia ou biópsia.

O tratamento é realizado com antibiótico e anti-inflamatório não esteroidal, terapia antiprolactina e, em casos
graves, a mastectomia é recomendada. Contudo, a principal recomendação é o tratamento cirúrgico, com a
castração, para evitar a influência da progesterona nas glândulas mamárias e recidivas.

Afecções reprodutivas do macho


Distúrbios prostáticos
Agora, vamos estudar a hiperplasia prostática benigna e prostatite bacteriana.

Hiperplasia prostática benigna


A hiperplasia prostática benigna (HPB) pode ser cística ou não, sendo que a cística pode predispor a
abscessos prostáticos. É a doença prostática mais comum em cães acima de 5 anos, porém, é rara em gatos.
O que causa a HPB é o efeito do hormônio di-hidrotestosterona na glândula prostática, que estimula a
hiperplasia excêntrica, o que pode gerar compressão uretral. Nesse caso, a fertilidade não é prejudicada.
A manifestação clínica mais comum da HPB é o tenesmo, devido à compressão do cólon pelo aumento da
próstata, mas também podem ser observadas as seguintes manifestações:

Sangramento uretral Hematospermia

Hematúria

Para realização do diagnóstico, pode-se palpar


a próstata e realizar o toque retal. Porém, a
próstata não se apresenta dolorida à palpação.
O diagnóstico é confirmado pela
ultrassonografia abdominal e assim se
diferencia a HPB da hiperplasia prostática
benigna cística. Se necessário, pode-se realizar
citologia e biópsia para o diagnóstico
diferencial de neoplasia prostática e prostatite.

O tratamento cirúrgico (castração) é Cão realizando ultrassonografia abdominal.


considerado como curativo e extremamente
necessário em casos de HPB cística e de
abscessos prostáticos. Um tratamento
conservador seria a terapia antiandrogênica com finasterida (1,25 a 5 mg/cão, a cada 24 horas, por via oral), o
tratamento costuma ser efetivo e há redução do tamanho prostático entre uma e oito semanas.

Prostatite bacteriana
Pode ser classificada em aguda, sendo uma afecção fulminante, ou crônica e progressiva. Há alteração do
sêmen e pode ocorrer cistite associada, devido ao refluxo do fluido prostático para a bexiga. A fonte da
infecção geralmente é a ascensão bacteriana da flora uretral, mas pode ocorrer por via hematogênica. As
bactérias mais isoladas são:

Escherichia coli Staphylococcus

Streptococcus

A prostatite séptica aguda é grave e pode evoluir rapidamente para sepse e morte do paciente. Nesse quadro
a próstata é dolorosa a palpação, o que a diferencia da HPB. A ejaculação também pode ser dolorosa. Outro
sinal clínico é a linfoadenomegalia. Além de febre, letargia e anorexia. Já a prostatite crônica pode ser
assintomática.

O diagnóstico é realizado por meio de exame físico (toque retal), ultrassonografia abdominal, citologia e
cultura da próstata.

O tratamento da prostatite aguda deve ser imediato e é baseado primeiramente na correção da desidratação
para evitar choque hipovolêmico. Se houver abscesso prostático, a drenagem cirúrgica é o procedimento mais
indicado. A antibioticoterapia ideal baseia-se no antibiograma, mas se não for possível realizá-lo, pode-se
iniciar o tratamento com fluoroquinolona e amoxicilina potencializada, durante quatro semanas, no mínimo.
O tratamento com antibiótico só deve ser interrompido após uma cultura negativa da urina ou
próstata. O tratamento cirúrgico com castração ou a castração medicamentosa com finasterida deve
ser considerada já que a recidiva da infecção é comum.

O tratamento da prostatite crônica é mais difícil, devendo-se utilizar antibióticos como eritromicina,
clindamicina, cloranfenicol, enrofloxacina e ciprofloxacina, pois são agentes lipofílicos para permitir a
penetração na próstata. A escolha do antibiótico vai depender do resultado da cultura (urina ou tecido
prostático) e antibiograma, e deve ser administrado por, no mínimo, quatro semanas. A castração melhora a
resposta ao tratamento.

Doenças infecciosas do sistema reprodutor


Bacterianas
Existem várias doenças do sistema reprodutor que são infecciosas e especificamente causadas por bactérias,
como a piometra, as vaginites e a prostatite. Tais bactérias, geralmente, têm origem no sistema urogenital ou
digestivo do próprio animal e causam uma infecção ascendente. As mais comuns são:

Staphylococcus spp.

Streptococcus spp.

Escherichia coli

Pasteurella spp.

Klebsiella spp.

Proteus spp.
Pseudomonas spp.

Há bactérias que não fazem parte da microbiota do animal, mas que podem infectar cães e gatos e também
causar sintomatologia no trato reprodutivo.

Chlamydia felis
É uma bactéria intracelular obrigatória, conhecida por causar conjuntivite em gatos. Entretanto, também tem
tropismo pelos órgãos genitais e sua infecção causa consequências como falhas reprodutivas.

O tratamento para essa infecção é com o antibiótico doxiciclina na dose de 5mg/kg a cada 12 horas, durante
28 dias. O ideal é manter o tratamento por mais 7 dias após o desaparecimento dos sintomas.

Brucella canis
É uma bactéria aeróbica gram-negativa pequena. Gera infecção e consequências reprodutivas em cães, que
também podem ser infectados por B. abortus, B. melitensis e B. suis. A infecção ocorre por inalação ou
ingestão da bactéria, mas também pode ocorrer pelo coito e ser transmitida da mãe para o filhote.

Os sinais clínicos são inespecíficos e discretos, podendo apenas ocorrer o aparecimento de uma secreção
vaginal 3 meses após o primeiro contato com a bactéria. No caso de cadelas gestantes, a brucelose pode
causar aborto espontâneo tardio, ou seja, entre o 30º ao 57º dia. Também causa morte embrionária e
reabsorção fetal entre o 10º e 20º dia após o acasalamento.

O diagnóstico é realizado por meio do isolamento da bactéria ou sorologia.

O tratamento depende da combinação de antibióticos, por exemplo: tetraciclinas + aminoglicosídeos. Porém,


não há relatos que o tratamento elimine o estado de portador da doença. Por isso, animais voltados para
reprodução e diagnosticados com brucelose devem sair dos programas de reprodução e de preferência serem
castrados.

Virais
Agora, vamos conhecer as doenças do sistema reprodutor causadas por vírus.

Parvovírus canino do tipo I


O tipo I do parvovírus não é aquele que causa gastroenterite hemorrágica em filhotes de cães. Esse vírus pode
ser assintomático ou gerar sinais respiratórios, mortalidade e deformidades de neonatos, absorção fetal e
outros problemas reprodutivos.

As consequências da infecção por parvovírus do tipo I depende da fase da gestação em que a cadela é
infectada. Se ocorrer na primeira metade da gestação, há absorção embrionária. Já se ocorrer nos momentos
finais da gestação, há morte neonatal.

Não existe tratamento específico com antivirais para essa doença, porém, pode-se prevenir com a vacinação
das cadelas, antes do acasalamento.

Vírus da leucemia felina


A forma de transmissão mais comum do vírus da leucemia felina (FeLV) é por contato íntimo entre gatos, mas
essa infecção também pode ocorrer de forma vertical, ou seja, por via transplacentária ou no momento do
pós-parto durante a higienização dos filhotes e da amamentação realizada por uma mãe contaminada com
FeLV.
O momento da gestação pode ser considerado uma
situação de estresse e imunossupressão, então, uma gata
que estava com a FelV latente, pode manifestar sinais da
doença durante a gestação e ocorrer absorção, morte fetal,
abortos ou natimortos. A imunossupressão gerada pela
FeLV também pode predispor a gata a apresentar outros
distúrbios reprodutivos, como endometrite e piometra.

A melhor maneira de lidar com esse vírus é fazendo a


prevenção por meio de um protocolo vacinal adequado.
Gata com FeLV amamentando filhotes.

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Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

CHEC: como um diagnóstico precoce pode evitar consequências


graves

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Rotina geriátrica reprodutiva

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Verificando o aprendizado

Questão 1

Uma cadela da raça Maltês, de 1 ano de idade, foi levada à clínica veterinária com queixa de mudança de
comportamento, há três semanas. A tutora relata que o animal fica escondido embaixo da pia do banheiro e,
quando alguém se aproxima, a cadela reage com agressividade. Na anamnese, a médica veterinária descobriu
que a cadela havia entrado no cio há aproximadamente 3 meses. No exame físico, notou edema das mamas e,
ao pressionar o teto, havia presença de leite.

Qual é o provável diagnóstico dessa cadela e a conduta mais adequada?

Gestação. Realizar ultrassonografia para confirmar o diagnóstico e aguardar o nascimento dos filhotes.

Pseudogestação. Aguardar a resolução do caso que é autolimitante.

C
Pseudociese. Realizar o tratamento clínico com antigalactogênicos.

Pseudociese. Realizar o tratamento clínico com antibióticos e antigalactogênicos.

Mastite. Realizar o tratamento clínico com antibioticoterapia.

A alternativa C está correta.


O provável diagnóstico é pseudociese, que sempre deve ser tratada quando acompanhada de sinais e
sintomas que prejudicam a qualidade de vida da fêmea. O tratamento é clínico, seja com medicamentos
que inibem a ação da prolactina ou com a homeopatia. A antibioticoterapia só é necessária quando há
contaminação bacteriana do leite (leite sanguinolento ou purulento), o que configura mastite. No caso
acima, o diagnóstico de gestação não é possível devido ao tempo decorrido após o cio.

Questão 2

Um cão macho, inteiro, da raça Poodle de 6 anos de idade é levado ao hospital veterinário para vacinação
anual. A tutora relata que a única alteração que o animal apresenta é uma dificuldade de defecar e, às vezes,
as fezes se apresentam achatadas (em forma de fita). No exame físico de toque retal, a médica veterinária
notou um aumento prostático, mas o animal não manifestou dor.

Qual a principal suspeita diagnóstica, o exame para confirmar o diagnóstico e a recomendação terapêutica?

Neoplasia prostática. Ultrassonografia abdominal com citologia e/ou biópsia. Tratamento cirúrgico.

Prostatite aguda. Ultrassonografia abdominal. Antibioticoterapia.

Prostatite crônica. Ultrassonografia abdominal. Antibioticoterapia e orquiectomia.

Hiperplasia prostática benigna. Ultrassonografia abdominal. Tratamento clínico e/ou orquiectomia.

Prostatite aguda. Ultrassonografia abdominal. Antibioticoterapia e orquiectomia.


A alternativa D está correta.
A principal suspeita é a hiperplasia prostática benigna, doença prostática mais comum em cães de meia
idade. É uma afecção quase assintomática, porém o aumento excessivo da próstata pode comprimir o
intestino gerando as fezes em fita. Como o aumento da próstata é mediado por hormônios, a castração
cirúrgica ou medicamentosa é recomendada para que essa glândula diminua de tamanho.
4. Obstetrícia, neonatologia e pediatria

Obstetrícia
Gestação
A obstetrícia é a especialidade médica veterinária que cuida da gestação, do parto e pós-parto. Os objetivos
da assistência obstétrica veterinária são:

Aumentar os nascimentos viáveis Promover maior sobrevida de neonatos


durante a primeira semana de vida

Minimizar a morbidade e mortalidade da


fêmea

Uma das informações mais importantes para o acompanhamento gestacional de pequenos animais é a idade
gestacional. Principalmente, se os tutores não sabem ao certo a data da monta. A partir de 25 dias após o
acasalamento, a idade gestacional pode ser estimada por ultrassonografia abdominal (ela é essencial para
avaliar a viabilidade dos fetos).

Já a radiografia abdominal só pode ser


realizada como método de diagnóstico de
gestação quando a paciente já está com mais
de 50 dias de gestação. Nesse exame,
identifica-se o crânio e a coluna vertebral dos
filhotes, permitindo a contagem da ninhada. A
gravidez de cadelas tem duração de
aproximadamente 58 a 68 dias e de gatas de
58 a 67 dias.

Pré-natal Radiografia abdominal.

O pré-natal constitui os cuidados realizados


antes e durante a gestação.

Nutrição perinatal e exercícios


A recomendação é que seja introduzido para a fêmea uma dieta formulada para gestantes ou lactantes na 4ª
semana de gestação e deve-se mantê-la até o final da amamentação. Durante a gestação também é
importante controlar a quantidade de alimento para manter o escore de condição corporal. Antes do
acasalamento, o ideal é que no momento da cobertura, a fêmea esteja consumindo dietas com alto teor de
ácidos graxos essenciais. Eles melhoram o tamanho da ninhada e a viabilidade neonatal.
Saiba mais
O termo perinatal corresponde ao período que compreende as semanas da gestação até o 7º dia de vida
do filhote.

Sobre as atividades para a fêmea gestante, a recomendação é de exercícios moderados, porém, progressivos,
para manter o peso. Tais atividades devem ser realizadas em local familiar, minimizando a exposição a
patógenos, principalmente, durante as últimas 3 a 4 semanas de gestação.

Vacinação e medicações
A vacinação é contraindicada durante a gestação, principalmente se a fêmea já tiver sido vacinada três anos
antes. O reforço vacinal só é recomendado antes do acasalamento. A maioria dos medicamentos são
contraindicados no primeiro mês de gestação, pois é quando ocorre a organogênese dos fetos. Nesse estágio,
os medicamentos são capazes de atravessar a placenta e atingir a circulação fetal, podendo ter efeito
teratogênico nos fetos e sobrecarregar o rim fetal imaturo.

A vermifugação é recomendada antes da cobertura e 10 dias antes do parto. Depois, junto com o protocolo
dos filhotes.

Parto
O parto fisiológico (normal) é divido em três fases:

Primeira fase do parto


Ocorre 24 horas após um declínio na concentração de progesterona (< 2-5 ng/mL) associada à queda
transitória de temperatura corporal (< 37,7ºC). Tem duração de 12 a 24 horas e o miométrio apresenta
contrações de intensidade e frequência crescentes, associadas à dilatação cervical, mas não se
evidencia esforço abdominal. As cadelas podem exibir alterações de disposição e comportamento,
tornando-se reclusas, incomodadas, aninhando-se, muitas vezes se recusando a comer e vomitando.
Pode haver arqueamento e tremores.

Segunda fase do parto


Ocorre quando as contrações abdominais podem ser observadas. Tais contrações são acompanhadas
de contrações miometriais para expulsão de um neonato. A apresentação do feto na cérvix
desengatilha o reflexo de Ferguson (promovendo a liberação de ocitocina pelo hipotálamo). Os
esforços abdominais não devem durar mais que 1 a 2 horas entre os filhotes. O parto como um todo
pode demorar de 1 a mais de 24 horas.

Terceira fase do parto


Ocorre a expulsão das placentas. Cadelas intercalam a segunda e a terceira fase do parto. Já as gatas
têm algumas particularidades. A 1ª fase do parto dura de 4 a 24 horas e a 2ª e 3ª fases do parto
duram de 2 a 72 horas (mas a expulsão dos neonatos deve ser completada dentro de 24 horas). A
sobrevivência neonatal está diretamente relacionada à qualidade do parto.
Patologias obstétricas
Distúrbios pré-parto
São os distúrbios que podem ocorrer antes do parto, ou seja, durante a gestação.

Perda gestacional
É quando há morte dos fetos nas últimas quatro semanas, antes do fim da gestação. As principais causas são
parto prematuro idiopático, doenças infecciosas ou traumas maternos significativos. Tais alterações estimulam
a deficiência luteal ou atividade uterina imprópria. Deficiência luteal gera uma produção de progesterona
inadequada para manutenção da gestação. Já a atividade uterina imprópria corresponde a contrações
miometriais e amolecimento da cérvix.

Saiba mais
O parto prematuro idiopático corresponde a perda da gestação via reabsorção ou abortamento antes do
tempo, quando nenhuma causa metabólica, infecciosa, congênita, traumática ou tóxica é identificada.

O diagnóstico é realizado por meio de avaliação minuciosa da fêmea e dos natimortos, pesquisa para doenças
metabólicas e infecciosas, avaliação histopatológica e microbiológica dos fetos abortados e da placenta. Além
de revisão do manejo do canil/gatil quanto à nutrição, medicação e aos fatores ambientais.

Quando há o diagnóstico precoce de risco de perda gestacional, o tratamento pode ser feito com
medicamentos tocolíticos, que inibem a contratilidade miometrial, como os agonistas beta adrenérgicos
(terbutalina 0,03 mg/kg/VO/TID), sulfato de magnésio, bloqueadores de canais de cálcio e inibidores de
prostaglandina-sintetase. A terapia deve ser descontinuada 24 horas antes do parto e é contraindicada
quando há presença de patologia uterina, fetal ou placentária.

Distúrbios metabólicos
A toxemia da prenhez é definida como uma alteração no metabolismo de carboidratos no fim da gestação,
resultando em cetonúria sem glicosúria ou hiperglicemia. É causada por nutrição deficiente ou anorexia
durante a 2ª metade da gestação. Entre as alterações metabólicas pode-se manifestar a lipidose hepática.

O tratamento é baseado em um plano melhorado de nutrição e a interrupção da gestação pode ser indicada
em casos graves.

Distúrbios do parto
Também conhecidos pelo termo distocia, são caracterizados pelas dificuldades na expulsão vaginal normal de
um neonato do útero. Esses distúrbios podem ocorrer devido a fatores maternos ou fetais. Os principais
fatores maternos e fetais que causam distocia são:
Fatores maternos

• Sepse;
• Inércia uterina;
• Reação inflamatória sistêmica;
• Hipotensão (por hemorragia ou choque);
• Anomalias no canal pélvico (distocia obstrutiva);
• Comprometimentos intraparto como anormalidades metabólicas (hipocalcemia e hipoglicemia).

Fatores fetais

• Tamanho exagerado;
• Anormalidades anatômicas (hidrocefalia e anasarca);
• Mau posicionamento;
• Apresentação errônea (flexão de pescoço ou de articulação escápulo-umeral).

Para que seja possível intervir nessa situação, o diagnóstico precoce de fatores que levam à distocia deve ser
feito. Para isso, é necessário um exame clínico minucioso do estado geral da fêmea, exame de palpação
digital, vaginoscopia para avaliar a patência do canal de parto, radiografia para avaliar o tamanho dos fetos e
da ninhada e ultrassonografia com Doppler para avaliar a viabilidade fetal. A desaceleração persistente dos
batimentos cardíacos fetais (< 180 bpm) refletem o estresse e sofrimento fetal.

O tratamento clínico para distocia inclui a administração de gluconato de cálcio, que aumenta a intensidade
das contrações uterinas e a administração de ocitocina, que aumenta a frequência das contrações uterinas.
Se a taxa de batimentos cardíacos fetais diminuir em resposta a administração de cálcio ou ocitocina, não se
indica novas aplicações, mas se uma cadela ou gata não responder ao tratamento clínico, ou se o sofrimento
fetal for evidenciado, o tratamento cirúrgico com cesariana é indicado.

Neonatologia
As primeiras 24 horas
Nas primeiras horas de vida do neonato, é importante que ele passe por um exame físico completo da
cavidade oral, avaliando a cobertura pilosa (que deve ser completa e limpa), membros, umbigo (que deve
estar seco, sem eritema ao redor), estruturas urogenitais (para avaliar patência) e o reflexo de sucção deve
estar presente.
Nesse período, os neonatos são extremamente sensíveis a
estresse ambiental, infecção e desnutrição. Por isso, deve
ser realizado um exame diário para avaliação de vigor e
anotação de peso. O ambiente deve ser mantido em 36°C
até a 4ª semana (luz acima da cabeça). E devido ao
desenvolvimento incompleto do sistema imunológico até o
10º dia de vida, deve-se administrar o colostro materno ou
100mL/kg de soro de um adulto imunocompetente (0,10mL/
g) por via oral até 48 horas de vida. É recomendado tratar o
umbigo com tintura de iodo após o nascimento.

Ressuscitação neonatal
Neonato da espécie felina. Os procedimentos de ressuscitação devem ser iniciados
caso a fêmea falhe (1 minuto após o nascimento) ou em
caso de cesariana. Normalmente, quando o parto é normal,
após o nascimento, a fêmea estimula o neonato a respirar, vocalizar e se movimentar. Como na cesariana a
mãe está anestesiada, é o médico veterinário quem deve realizar esses estímulos. Como na ressuscitação
convencional, são utilizados os critérios ABC:

A (airways) B (breathing)

Vias aéreas. Respiração.

C (circulation)

Circulação.

Logo após o nascimento, deve-se realizar a limpeza imediata das vias aéreas do fluido amniótico por leve
sucção com seringa ou aspirador. Colocar a cabeça em nível inferior ao tórax, melhora a drenagem. Após,
secar e estimular o neonato para promover a respiração e evitar hipotermia. Se os batimentos cardíacos
estiverem lentos, deve-se melhorar a ventilação/oxigenação.

Atenção
Não se deve sacudir os neonatos na tentativa de desobstrução das vias aéreas, pois há risco de
hemorragia cerebral por concussão. Neonatos hipotérmicos podem não responder à ressuscitação.

O suporte ventilatório deve ser realizado com o fluxo constante de oxigênio, por máscara. Se não for eficiente
após 1 minuto, utiliza-se pressão positiva com máscara ou entubação endotraqueal. Somente após o suporte
ventilatório, deve-se iniciar a estimulação cardíaca, pois a hipoxemia do miocárdio causa bradicardia ou
assistolia. A estimulação cardíaca é feita com compressões cardíacas trans torácicas diretas (utilizando dois
dedos apenas) e se necessário, deve-se administrar epinefrina diluída 1:9 (0,0002 mg/g, intravenosa ou
intraóssea). Ou 0,2mg/kg intracardíaca, se o coração estiver parado.

É importante lembrar que a temperatura retal normal do neonato é de 35 a 37,2°C na primeira


semana; de 36,1 a 37,7°C nas segunda e terceira semanas; e de 37,2 a 38,3°C ao desmame.
A ressuscitação neonatal é efetiva quando o filhote responde vocalizando, se a coloração das mucosas vai
melhorando e se o filhote estiver se movimentando. Deve ser interrompida, caso haja ausência de pulso após
10 minutos de ressuscitação (conferir com Doppler ou estetoscópio pediátrico), se a respiração do neonato for
agônica por mais de 20 minutos e se o neonato apresentar algum defeito congênito grave.

Rotina pediátrica
Nutrição
Até completar um ano de idade, cães e gatos são considerados filhotes, ou seja, precisam de cuidados
pediátricos específicos. Eles devem receber alimentos específicos para essa fase de vida, pois possuem os
nutrientes necessários para a fase de crescimento.

Particularmente, os gatos devem ter contato


com diversas formas de alimento, tanto a ração
sólida como a ração úmida, para que essa
introdução alimentar não seja mais difícil na
fase adulta.

Recomenda-se, para cães e gatos, rações


premium ou super premium ou alimentação
natural balanceada por um médico veterinário
nutricionista. A frequência de alimentação deve
ser de quatro refeições diárias para o filhote;
após 6 meses de idade, o ideal são três
refeições diárias; e após 12 meses, duas
refeições diárias. O tutor deve procurar
oferecer as refeições sempre no mesmo horário.

No caso dos felinos, a ração deve ficar sempre à disposição, pois o gato tem hábito de comer pouca
quantidade várias vezes ao dia.

Qualquer mudança na alimentação deve ser feita de forma gradativa, misturando a cada dia porções maiores
do novo alimento e diminuindo as porções do antigo alimento. Evitando, assim, irritação do sistema
gastrointestinal e sinais como vômito e diarreia.

A quantidade de água que o animal deve ingerir é de até 80mL por quilo por dia. As recomendações para a
fonte de água ideal são cuidar da caixa-d’água e filtrar a água que recebe em casa.

Higiene
Evite dar banho nos primeiros meses de vida. Os banhos devem ser quinzenalmente, com água morna e
sabonete neutro próprio para cães. Durante o banho, as orelhas devem ser protegidas com algodão para
evitar a entrada de água. Já os banhos em pet shops, somente são indicados após completar o protocolo de
vacinação. Os gatos não precisam de banho. A escovação dos dentes deve ser diária para cães e gatos, a
partir dos 6 meses de idade (quando os animais já têm os dentes permanentes).
Escovação dos dentes de felino.

Vacinação
Na maioria dos casos, o protocolo vacinal se inicia aos 2 meses de idade com as vacinas múltiplas, da
seguinte maneira:

Para os cães Para os gatos

Óctupla ou déctupla. Tríplice, quádrupla ou quíntupla.

São três doses da vacina com intervalo de 30 dias entres as doses, sendo importante que o protocolo vacinal
seja finalizado quando o filhote já tiver 4 meses de idade. Só após os 4 meses é que o sistema imune do
filhote já tem autonomia para produzir os seus próprios anticorpos. Antes disso, há muita interferência dos
anticorpos maternos, podendo prejudicar a memória imune contra os agentes da vacina. Após, o reforço
vacinal deve ser anual ou conforme o estilo de vida do animal, como as recomendações da World Small Animal
Veterinary Association (WSAVA).

Saiba mais
A vacina quíntupla só pode ser administrada para gatos com teste de FIV e FeLV negativo. A
recomendação é que esse teste seja feito a partir dos 4 meses de idade, evitando resultados falso-
negativos.

Vermifugação e medicamentos
Os filhotes de cães e gatos devem ser vermifugados a partir de 15 dias de vida. Uma segunda dose de
vermífugo deve ser administrada com 1 mês de vida e a terceira dose com 2 meses de vida, finalizando o
protocolo de desverminação antes do início do protocolo vacinal. O vermífugo é calculado de acordo com o
peso dos pets, por isso, é importante pesar o animal sempre antes de medicar.

Após essas três doses, o animal deve ser vermifugado com uma frequência de 4 em 4 meses ou
semestral, dependendo do tipo de exposição.

O vermífugo é administrado em dose única, geralmente por via oral, mas também existem opções em spot on
(apresentação em pipeta) para gatos. Após essa dose única, recomenda-se uma dose de reforço do
vermífugo após 15 dias, pois o medicamento mata os vermes adultos, mas não seus ovos. Após duas semanas
da primeira dose, os ovos já se tornam vermes adultos e toda a população é eliminada com a dose de reforço.
Qualquer medicamento só deve ser administrado sob prescrição do médico veterinário. Anticoncepcionais são
proibidos.

Cuidados com o neonato


Confira agora os cuidados que devem ser realizados logo após o nascimento dos neonatos, principalmente em
caso de cesariana e como realizar a ressuscitação neonatal com modelo inanimado.

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Vem que eu te explico!


Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.

As fases do parto

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Tratamento clínico na distocia

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Verificando o aprendizado

Questão 1

Uma fêmea da raça Cocker Spaniel, reprodutora de canil, de 5 anos de idade, acasalou e foi confirmada a
gestação no 30º dia, por ultrassonografia abdominal. No momento do parto, todos os filhotes nasceram
mortos, caracterizando uma perda gestacional.

O que pode ter causado essa alteração?

Infecção por Brucella canis no final da gestação.

Distúrbios espermáticos do macho que acasalou com a paciente.

C
Deficiência do hormônio estrogênio, o que dificultou a manutenção da gestação.

Infecção por Chlamydia felis na metade do período gestacional.

Administração de vermífugo no final da gestação.

A alternativa A está correta.


A principal causa de perda gestacional é a infecção por agente infeccioso durante a gestação. Isto ocorre,
principalmente, em cadelas não vacinadas ou em caso de infecção por agentes que não possuem vacina
contra eles. A maioria dos agentes infecciosos é espécie-específico. O hormônio responsável pela
manutenção da gestação é a progesterona e a administração de vermífugos é recomendada na fase final
da gestação.

Questão 2

Um filhote de gato da raça Siamês, de 2 meses de idade, chega à clínica veterinária para tomar a segunda
dose da vacina quádrupla. Quando a médica veterinária analisa a carteira de vacinação, observa que a
primeira dose da vacina foi aplicada quando o animal tinha um mês de idade.

Qual a conduta ideal para que o felino complete o protocolo vacinal com segurança?

A médica veterinária deve aplicar a segunda dose da vacina nessa consulta e a terceira e última dose após 30
dias.

A médica veterinária não deve aplicar a segunda dose da vacina nessa consulta. Só aplicar a segunda dose
quando o animal completar 3 meses e a última dose após 30 dias.

A médica veterinária deve aplicar a segunda dose da vacina nessa consulta e a terceira e última dose só
quando o animal tiver quatro meses de idade.

A médica veterinária deve recomendar que o felino tome quatro doses da vacina no total, com intervalo de 30
dias entre as doses, para que a última dose seja quando o animal complete 4 meses de idade.

A médica veterinária deve recomendar a vacinação mensal do felino até ele completar 6 meses de idade.
A alternativa D está correta.
O protocolo vacinal de filhotes felinos é composto de três doses com o intervalo de 30 dias entre elas,
iniciando com dois meses de idade e terminando aos 4 meses de idade. Quando há qualquer alteração
neste protocolo, o importante é respeitar o intervalo de 30 dias entre as doses para manter o estímulo
imunológico e que a última dose ocorra quando o animal tiver 4 meses de idade ou mais, devido à
interferência dos anticorpos maternos no filhote, antes desse período.
5. Conclusão

Considerações finais
Aprendemos como são feitos a identificação, o diagnóstico e tratamento de afecções genitais femininas e
masculinas, assim como aquelas que afetam o sistema reprodutor e a fertilidade de cães e gatos. Aprendemos
boas práticas de conduta voltadas para a saúde do animal, considerando que alguns animais têm um valor
reprodutivo elevado e, por isso, os tratamentos conservadores são mais adequados. Vimos que tratamentos
definitivos como a ovariossalpingo-histerectomia e a orquiectomia são essenciais para manutenção da vida de
cães e gatos em muitos casos.

O objetivo de um manejo reprodutivo adequado é a obtenção de filhotes saudáveis, sem prejudicar a saúde de
seus progenitores. Vimos importantes aspectos relacionados à obstetrícia, neonatologia e pediatria na rotina
clínica, que são baseados na medicina preventiva e devem ser mais valorizadas tanto pelos tutores, quanto
pelo médico veterinário.

Podcast

Ouça agora sobre os tratamentos conservadores para as doenças do trato reprodutivo com base na
Medicina Veterinária integrativa, citando alguns exemplos.

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Aprenda mais sobre a escolha de antimicrobianos e resistência antimicrobiana em animais para fazer a melhor
prescrição para o tratamento de doenças reprodutivas, lendo o artigo ACVIM Consensus Statement on
Therapeutic Antimicrobial Use in Animals and Antimicrobial Resistance, de J. S. Weese, S. Giguère, L.
Guardabassi, P. S. Morley, M. Papich, D.R. Ricciuto e J. E. Sykes.

Referências
ATALLAH, F. A.; SILVA, R. S.; RAMOS, M. L. M.; OLIVEIRA, A. L. A.; FRANÇA, T. N.; BRITO, M. F. Complicações
pós-cirúrgicas em cadelas submetidas a ovário-histerectomia no Rio de Janeiro. Revista Brasileira de Medicina
Veterinária, v. 35, p. 61-69, 2013.

BASTOS, M. M. S.; PANTOJA, A. R.; EVERTON, E. B.; CARNEIRO, M. J. C.; AIRES, E. O. M. Postioplastia por
circuncisão para redução de fimose em gato: relato de caso. Medicina Veterinária (UFRPE), v. 14, n. 2, p.
113-116, 2020.

BRANDÃO, C. V. S.; BORGES, A. G.; RANZANI, J. J. T.; RAHAL, S. C.; TEIXEIRA, C. R.; ROCHA, N. S. Tumor
venéreo transmissível: estudo retrospectivo de 127 casos (1998 - 2000). Revista de Educação Continuada
CRMV-SP, v. 5, n. 1, p. 25-31, 2002.

FILGUEIRA, K. D.; REIS, P. F. C. C.; DE-PAULA, V. V. Relato de caso: Hiperplasia mamária felina - sucesso
terapêutico com o uso do aglepristone. Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 4, p. 1010-1016, 2008.

MOSTACHIO, G. Q.; VICENTE, W. R. R.; CARDILLI, D. J.; MOTHEO, T. F.; TONIOLLO, G. H. Relato de caso:
prolapso uterino em gata e retroflexão uterina em cadela. Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 3, p. 801-805,
2008.

SANT’ANA, F. J. F.; GARCIA, E. C.; RABELO, R. E.; BRAGA, C. A. S. B.; LIMA, C. R. O.; COSTA, Y. L. Relato de
caso: epididimite crônica por Enterobacter cloacae em cão. Ciência Animal Brasileira, v. 9, n. 3, p.796-800,
2008.

SANTOS, M. S.; LIMA, V. F. S.; DE-JESUS, L. L. R.; RODRIGUES, E, M, S.; ROCHA, L. B. Priapismo não isquêmico
secundário a tumor venéreo transmissível em um cão: relato de caso. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico
Conhecer, v. 10, n. 18; p. 2366-2372, 2014.

SILVA, E. I. C. Anatomia e Fisiologia do Sistema Reprodutivo dos Animais Domésticos. Recife: UFRPE, 2020.

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