Resumo
O presente projeto visa desenvolver um mapeamento de indicadores sócio-demográficos
e geoeconômicos que venha a compor um banco de dados de acesso remoto com
informações sobre o território do entorno do Campus Birigui do IFSP. Para tanto,
projetamos criar um aplicativo para dispositivo móvel que seja difundido
progressivamente entre os habitantes do entorno e que inclusive seja também pelos
mesmos operados no sentido de oferecer dados ao banco. Neste trabalho, nos
concentraremos em informações a respeito de seis dimensões da cidadania, a saber,
educação, saúde, moradia, serviços, comércio e trabalho, como categorias-síntese
quanto a qualidade de vida e direitos humanos. Pretendemos com isto, numa perspectiva
de desenvolvimento de tecnologias sociais que favoreçam a democratização do acesso a
informação, convergir ao conceito de cidades inteligentes e à tônica da Agenda 2030 das
Nações Unidas, em especial ao objetivo 11.3, dos objetivos de desenvolvimento
sustentável (ODS), que projeta "aumentar a urbanização inclusiva e sustentável, e as
capacidades para o planejamento e gestão de assentamentos humanos participativos,
integrados e sustentáveis, em todos os países".
Palavras-Chaves Desenvolvimento local. Desenvolvimento sustentável. Cidades
inteligentes. Inovação. Inclusão Social.
Fundamentação Teórica
De acordo com a Carta Brasileira para Cidades Inteligentes (2016), este conceito implica
em pensar as cidades reconhecendo os conflitos em seu contexto, quer sejam territoriais
e/ou políticos. Contudo, ao buscarmos soluções frente às desigualdades observadas
social e economicamente, queremos fomentar processos que favoreçam o exercício da
cidadania e evidencie o direito à cidade ressaltando dimensões em qualidade de vida e o
acesso à informação qualificada.
Assim, ao lançarmos mão de um banco de dados com um recorte territorializado,
almejamos colaborar para que tomada de decisões e articulações sociais sejam
pensadas na forma de soluções justas e sustentáveis. Ao nos basearmos no trabalho
realizado pelo Grupo de Pesquisa e Gestão Urbana e Trabalho Organizado (GUTO),
denominado "Mapa de Exclusão/Inclusão Social e Qualidade de Vida de Marília",
pretendemos democratizar informações aos cidadãos/ãs os incentivando a uma reflexão
crítica e fundamentada sobre sua realidade territorial e sobre seus direitos.
Outra iniciativa deste projeto consiste no tratamento de dados que possam ao focar nas
dimensões de educação, saúde, serviços, comércio e trabalho, em um primeiro
momento, assinalar potencialidades e vulnerabilidades do território do entorno do
Campus Birigui do IFSP e, em ações de comunicação social, subsidiando população
residente e gestores/as públicos na formulação, execução, gestão, avaliação e controle
social de políticas públicas face aos indicadores sócio-demográficos e econômicos.
Igualmente, intencionamos que a ampliação do acesso, da análise e conhecimento dos
dados, estimulem ações que incentivem uma governança qualificada e que resultem em
um maior engajamento social e inserção produtiva do território no contexto do arranjo
produtivo local (APL), promovendo direito à cidade, qualidade de vida e, oportunamente,
antecipe informações acerca de geração de trabalho e renda.
Todavia, ao pensarmos cidades sustentáveis, lidamos com a questão da urbanização que
se projeta enquanto ações planejadas e supervisionadas a curto, médio e longo prazo.
Temos, neste compromisso institucional de inovação e participação social, a tarefa de
evidenciarmos as políticas públicas dirigidas a população urbana, ao setor produtivo, em
suma, toda a coletividade, cuja Nova Agenda Urbana (Quito/2016), se faz referência ao
apontar a adoção pelas cidades de se constituírem como "assentamentos humanos a
tornarem-se espaços mais inclusivos e sustentáveis".
Nosso projeto, traz o exercício do desenvolvimento de tecnologia social que promova
tanto a estudantes quanto a comunidade o direito de participar do patrimônio científico,
tecnológico e cultural, sobretudo ao criar uma tecnologia de democratização da
informação que será detalhada subsequencialmente.
O desenvolvimento de dispositivo tecnológico (em formato de aplicativo para celular -
APP), que possa compilar dados e permitir recortes específicos, como por exemplo,
identificação de logradouros, oferta de educação e assistência à saúde,
estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços e ofertas de trabalho, recortes
etários, perfis de empregabilidade, renda e profissionalização, por exemplo, é o produto
que nos dispomos a desenvolver.
O acesso aos dados, primeiramente oriundos do IBGE/PNAD, SEADE, CAGED, entre
outras bases confiáveis, de acesso público e/ou institucional, focalizando o território do
entorno do IFSP Birigui, em suas especificidades sócio-demográficas e econômicas,
aliadas a pesquisa de campo por ampla amostragem que possa assinalar indicadores
relevantes ao estudo.
Ao termos as "cidades com uma estrutura de participação direta da sociedade civil no
planejamento e gestão urbana que opera de forma regular e democrática", destacamos a
última publicação do Censo nacional (2022) e, com isto teremos condições de trabalhar
com um acervo de informações recentes na direção deste projeto. Ademais, ao
refletirmos criticamente sobre dados sócioeconômicos e suas implicações, podemos
acompanhar aspectos da sociedade e instituições, ao fomentar "indicadores, pesquisas,
diagnósticos, capacitação, monitoramento e avaliação baseados em evidências. Essas
ações incluem os aspectos socioculturais, urbano-ambientais, econômico-financeiro e
político-institucionais".
Isto posto, passamos a tratar do desenvolvimento do dispositivo digital (APP), cuja
interface favorece uma forma tecnológica de democratização da informação proposta por
este projeto que deve-se construir uma arquitetura de software (dados + métodos + API +
aplicação web + aplicação para dispositivo móvel + visualização em mapa), sendo
necessário empregar técnicas para elicitação, especificação e modelagem de requisitos
com o objetivo de descrever o domínio do problema e da solução.
Com relação às técnicas, nossa opção indica o uso da Linguagem de Modelagem
Unificada (Unified Modeling Language – UML). Esta é uma linguagem de modelagem
padronizada que consiste em um conjunto integrado de diagramas usados para ajudar os
desenvolvedores de sistema a especificar, visualizar, construir e documentar os artefatos
de sistemas. A UML representa uma coleção das melhores práticas de engenharia de
software que se mostraram bem sucedidas na modelagem de sistemas grandes e
complexos.
A UML é uma parte importante do desenvolvimento de software orientado a objetos e usa,
principalmente, notações gráficas para expressar o software a ser desenvolvido. O uso da
UML ajuda as equipes de projeto a se comunicarem, explorar projetos potenciais e validar
o projeto arquitetônico do software (What is Unified Modeling Language – UML, 2025).
Muitas são as linguagens de programação, tais como Ruby (LIMA et al., 2021), NodeJS
(BROWN, 2020), Python (PAIVA, 2019) e Oracle APEX (APEX, 2025), por exemplo e, muitos
são os frameworks disponíveis para cada uma dessas linguagens, tais como Ruby on Rails
(LIMA et al., 2021), ExpressJS (BROWN, 2020) e Django (DJANGO, 2025), para
desenvolvimento de API. Quanto ao armazenamento dos dados, banco de dados
relacionais, orientado a objetos ou orientado a coleções são algumas alternativas.
Este projeto se inclina a identificar as tecnologias para linguagem de programação e
banco de dados utilizando das melhores práticas. A tarefa de selecionar as tecnologias de
software para o desenvolvimento da tecnologia social contribui para a formação do
estudante, colocando-o em condições de enfrentar o mundo do trabalho tal como ele é
em suas heterogeneidades de toda ordem.
Para a faceta digital, os dados sociodemográficos serão inseridas no sistema de
informações QGIS, que é um sistema gratuito e de código aberto, que oferece suporte à
edição, leitura e análise de dados georeferenciados.
Finalmente, para consolidar o conhecimento adquirido com a experiência vivenciada ao
longo do desenvolvimento do projeto, deve ser utilizada a técnica de lições aprendidas.
As lições aprendidas são um conjunto de boas práticas adotadas para evitar que erros ou
insucessos de um projeto sejam repetidos em outros e estimular que os acertos sejam
propagados para outros projetos.
Ao final, apresenta-se as lições aprendidas identificando o evento, a causa, o impacto e
das ações (ARAGÃO, CASTRO, et al., 2019), conforme descritas a seguir:
(i) Evento: o que ocorreu que precisa ser destacado;
(ii) Causa: por que ocorreu esse evento;
(iii) Impacto: qual foi a consequência desse evento; e
(iv) Ações: o que será feito nos próximos passos.
Enfim, ao registrar estas fundamentações, colocamos que tais justificativas estão em
consonância com o presente edital, mormente em seus objetivos de "inserção do
estudante em atividade de pesquisa e desenvolvimento tecnológico e inovação", bem
como, de qualificação profissional no contexto de uma cidadania plena, ou seja, em
"condições de participar de forma criativa e empreendedora na sua comunidade" BRASIL,
2022).
Objetivo Geral
Desenvolver banco de dados e aplicativo para dispositivo móvel (App) enquanto
tecnologia social com vistas a evidenciar indicadores de qualidade de vida e direitos
humanos do entorno territorial do IFSP Campus Birigui, identificando aspectos da
exclusão/inclusão social.
Objetivos Específicos
Desenvolver, banco de dados acerca de dimensões socio-econômicas de território
biriguiense com vistas ao exercício da cidadania e dos direitos humanos.
Disseminar informações socioeconômicas de indicadores de qualidade de vida e direitos
humanos no território biriguiense visando o desenvolvimento local e sustentável.
Criar aplicativo digital (APP) que fomente o acesso a informações na tônica da
governança digital, gestão de dados e big data.
Metodologia da Execução do Projeto
Ao fazermos ciência, temos que inevitavelmente percorrer o método científico que
segundo Will (2012), compreende quatro fases, a saber, escolha do tema e problema,
planejamento, desenvolvimento e comunicação da pesquisa. Assim, discorremos na
sequência os procedimentos que pretendemos empreender na execução do presente
projeto.
Na definição do tema/problema trazemos o mapeamento dos indicadores de qualidade
de vida e direitos humanos no entorno territorial do Campus Birigui do IFSP. Com efeito, a
divulgação de informações reunidas em banco de dados com acesso móvel se dirige ao
favorecimento de inovação que se materializa em um aplicativo tecnológico digital (APP)
em que se busca a democratização do acesso à informação de qualidade.
Ao nos debruçarmos sobre informações sociodemográficas e econômicas, almejamos
apreender as relações qualidade de vida e direitos humanos diante das oportunidades de
inovação que perpasse pelo acesso à informação e direito à cidade. Nossa abordagem vai
na direção da interdisciplinaridade "que busca basicamente a interação entre diversos
conhecimentos (MATTAR, 2016, p. 144)".
Assim, o presente estudo enquanto pesquisa aplicada aponta uma "investigação
motivada pela necessidade de resolver problemas concretos", neste caso identificamos
como objeto de estudo/problema, os indicadores de qualidade de vida e direitos
humanos que assinalem aspectos de marginalização e/ou exclusão social. Para tanto,
partindo de levantamento bibliográfico como procedimento inicial ao realizarmos a
revisão histórica e teórica, queremos evidenciar a evolução do conceito de cidades
inteligentes, frente a "inserção dessa evolução dentro de um quadro de referência que
explique os fatores determinantes e as implicações das mudanças ocorridas", sobretudo
com relação a governança e gestão de processos, no território biriguiense.
Intencionamos observar neste levantamento aspectos da lei federal nº 10.257/21,
denominada Estatuto da Cidade, mapeando indicadores do território urbano, em
particular quanto ao artigo 2º da referida lei, em toda sua amplitude com relação a
política urbana focalizando a realidade local delimitada.
Todavia, a tecnologia da informação quanto a rapidez, precisão, acesso, síntese e análise
de dados se depara com os desafios da sociedade da informação frente aos direitos
relacionados à privacidade, propriedade intelectual e autorais no mundo digital (MATTAR,
2017). A metodologia aqui empreendida é diligente a preservar parâmetros científicos no
bojo da pesquisa aplicada e inovação como fórmula para lidar com o interesse público
coletivo.
No desenho metodológico do projeto, assinalamos a pertinência de estudos em
tecnologias sociais, como teoria que objetiva unir "por meio do eixo comum da
comunicação", a estatística, a engenharia da computação e as ciências sociais, ou seja,
esta abordagem plural se caracteriza enquanto avaliação qualiquantitativa dos
indicadores a uma leitura das mudanças e permanências no território e seus sujeitos.
O levantamento de dados sociodemográficos do território em tela implica em acesso a
banco de dados públicos por meio de pesquisa bibliográfica ou contato direto às fontes,
privilegiando as primárias. Na organização dos instrumentos, cronograma de pesquisa e
desenvolvimento serão articulados concomitantemente visando atender a questão
prática do tempo de execução do projeto (nove meses).
Outra atividade é a prática no laboratório de dispositivos programáveis do IFSP Birigui,
como base de desenvolvimento do App, lançando mão de seus recursos e acervo, uma
vez que o resultado final do projeto se materializa em um produto tecnológico (aplicativo
para Android), cuja fundamentação inicial já fundamentamos anterior e teoricamente.
Por fim, no que diz respeito ao processo de construção do software, desde a coleta e
elicitação de requisitos até a entrega do produto (APP), as atividades a serem
desenvolvidas se nortearão pelo paradigma do Processo Unificado (JACOBSON, 1998),
por meio da execução das fases concepção, elaboração, construção e transição.
Viabilidade de execução
O presente projeto encontra viabilidade em sua execução respaldado pela racionalidade
pensada a partir do conceito de cidades inteligentes. Em síntese, objetiva-se colocar em
prática iniciativa no bojo da meta 11.3 da Agenda 2030 das Nações Unidas que trata das
capacidades para o "planejamento e gestão de assentamentos humanos participativos e
integrados".
Na atualidade, o desenvolvimento de inovações como tecnologias sociais coaduna com a
era digital demandante de interdisciplinaridade e abordagem colaborativa como método.
Portanto, nosso trabalho se sustenta por uma base referencial em cidades inteligentes e
sustentáveis em conjunto à inovação. Com isto, acreditamos lograr êxito, particularmente
com a participação colaborativa de pesquisadores/as da área de tecnologias sociais e
educação do Campus Birigui.
Este projeto, em sua viabilidade, tem como base tecnológica o curso livre ministrado pelo
docente do Campus Birigui do IFSP (ONODERA, 2020), cujo potencial e otimização dos
recursos formativos e de desenvolvimento de aplicativo (App), são vocacionados à
execução produtiva e eficiente deste trabalho.
Quanto a cocriação, isto é, a elaboração e execução colaborativa do projeto, esta é
igualmente objeto de unidade de esforços educacionais, tendo o estudante da área
tecnológica (sistema de informação e/ou engenharia da computação) o perfil discente
para constituir-se como bolsista, empreendendo sua formação como estudante
pesquisador/a em tecnologias sociais/digitais e, ainda como pesquisador/a em cidades
inteligentes e sustentáveis.
A bolsa de iniciação científica neste momento, é garantia de viabilidade institucional do
projeto, bem como, da certeza de que as implicações tecnológicas de curto, médio e
longo prazo que o mesmo desencadeia encontra lastro nesta oportunidade.
Assim, considerando que o tratamento e criação de banco de dados a partir do uso do
laboratório de dispositivos programáveis do Campus, em acesso a dados públicos,
desenhado com o software indicado - Sistema de Informação Geográfica/QGIS, como
aplicativo Livre e de Código Aberto, nas atividades por parte da coordenação do projeto e
do discente bolsista acreditamos no alcance dos objetivos geral e específicos elencados
anteriormente.
Em suma, anotamos a viabilidade do presente cronograma, ações e resultados,
responsabilizando nos por sua execução conforme apresentado.
Resultados Esperados e Disseminação
Temos a pretensão de apresentar como resultados deste trabalho a criação do banco de
dados, um aplicativo (App) e sua disseminação entre os residentes do território. Também
pretendemos em nosso cronograma realizar evento público de apresentação do trabalho
para estudantes, residentes e gestores/as públicos.
Igualmente, almejamos realizar a comunicação deste em evento científico, o submetendo
a avaliação e crítica pública, bem como, contribuições ao seu aprimoramento, visando
um alcance mais amplo e divulgação.
Quanto à divulgação, pretendemos utilizar do laboratório de mídia (StudioLab) do
Campus, produzindo conteúdo que possa compor o acervo digital junto ao canal oficial
do YouTube do Campus Birigui, com convite por meio da página oficial do mesmo.
Por fim, este projeto se constitui como primeiro produto por parte do Observatório de
Tecnologias Sociais/Digitais: Qualidade de Vida e Direitos Humanos – “Observatório
Argentina Maria”, que se pretende uma iniciativa institucional e, por isto, permanente em
nossa Instituição, na tônica de se constituir ação não apenas em pesquisa, mas também
de ensino e extensão. E ainda, contamos com a expectativa de novos estudos e
abordagens sobre cidades inteligentes no âmbito regional.