REVISTA ELETRÔNICA DE TRABALHOS ACADÊMICOS - UNIVERSO/GOIÂNIA
ANO 2 / N. 3 / 2017 - MULTIDISCIPLINAR
A NEUROPSICOLOGIA E O PSICODRAMA COM ÊNFASE NO TESTE
DE ESPONTANEIDADE
Míriam de Freitas Albernaz1
RESUMO
O objetivo deste trabalho é apresentar um estudo preliminar sobre Neuropsicologia e
Psicodrama, bem como aplicar o teste de espontaneidade. As abordagens teóricas
utilizadas foram Neuropsicologia e Psicodrama com ênfase no teste de
espontaneidade, criado por Jacob Levy Moreno (1993a). Os participantes foram cem
(n= 100) estudantes universitários e profissionais da área de Psicologia das
seguintes instituições de ensino, a saber: 37% da Universidade Salgado de Oliveira,
26% da Universidade Federal de Goiás, 20% da Pontifícia Universidade Católica de
Goiás e 17% da Faculdade Delta. Os resultados dos questionários demonstraram
que 60% se encontravam na faixa etária entre 18 a 29 anos, sendo 74% do sexo
feminino, 59% na graduação de 6º até 10º período e 60% afirmaram que seria
interessante adicionar esse teste na avaliação neuropsicológica. Ressalta-se que,
após aplicação dos questionários, os participantes que possuíam diagnóstico de leve
déficit cognitivo foram convidados para participar do teste de espontaneidade sendo
que cinco (n=5) acadêmicos se enquadravam neste critério. Verificou-se que estes
participantes do teste demonstraram uma moderada adaptação ao moldar-se de
forma espontânea e criativa às novas experiências de situações emergenciais.
Propõe-se a continuidade desta pesquisa exploratória em adicionar o teste de
espontaneidade na avaliação neuropsicológica propriamente dita, no intuito de
propor o resgate da espontaneidade e da criatividade corroborando, assim, com a
saúde psíquica do indivíduo.
Palavras-chave: Neuropsicologia, Psicodrama, Teste de espontaneidade.
INTRODUÇÃO
A Psicologia Científica, no Brasil, consolidou-se como ciência e profissão,
a partir das décadas de 1920 e 1930. Hodiernamente, há poucos testes
neuropsicológicos traduzidos e publicados no Brasil. Em decorrência dessa
problemática, essa pesquisa exploratória vislumbra a possibilidade de inserir o teste
de espontaneidade, proposto por Moreno (1993a), na avaliação neuropsicológica
com fito de respaldar a observação clínica, as atividades informais e os
1
Mestre em Psicologia. Psicóloga. Acadêmica e monitora do curso de Direito da Universidade
Salgado de Oliveira - Goiânia. E-mail: miriamalbernaz@[Link]
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procedimentos psicométricos já validados no Brasil.
Há uma escassez de estudos publicados que aborda a temática sobre
Neuropsicologia e Psicodrama. O livro intitulado “Psicodrama e Neurociência”, dos
autores Fleury, Khouri e Hug (2008) inspirou esse estudo exploratório, bem como o
artigo inédito publicado na Revista Brasileira de Psicodrama denominado “Percurso
neural da imagem para além das sombras”, do autor Guimarães (2012). Observa-se,
portanto, a necessidade de aprofundar, com prudência, os estudos sobre essa
temática. Destarte, essa pesquisa visa compreender o fenômeno no meio
acadêmico e profissional de Psicologia para que, posteriormente, em uma pesquisa
mais aprofundada, aplicar-se-á o teste de espontaneidade em pacientes que
estejam sendo submetidos à avaliação neuropsicológica propriamente dita.
O objetivo desse trabalho consiste no estudo exploratório sobre
Neuropsicologia e Psicodrama. Vale ressaltar que, na presente pesquisa, a ênfase é
descrever a opinião de inserir o teste de espontaneidade em uma avaliação
neuropsicológica, bem como aplicar o teste de espontaneidade, criado por Moreno
(1993a), no intuito de compreender e resgatar a espontaneidade-criatividade no
desempenho bem-sucedido de papeis em indivíduos com leve déficit cognitivo.
Essa pesquisa sobre Neuropsicologia e Psicodrama é relevante para
compreender o indivíduo na sua complexidade biopsicossocial e espiritual no
resgate da espontaneidade-criatividade no desempenho bem-sucedido de papéis
com a finalidade de compreender e promover uma melhora da saúde psíquica.
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1 NEUROPSICOLOGIA E PSICODRAMA
1.1 A neuropsicologia
Segundo Andrade, Santos e Bueno (2004), a fundamentação teórica da
neuropsicologia foi constituída a partir da convergência de várias ciências como a
Medicina, a Fisiologia e a Psicologia. A Psicologia foi reconhecida como ciência
após transcender as origens filosóficas se utilizando do experimentalismo. A partir
deste período, as pesquisas solidificaram-se até constituírem a neuropsicologia
como se conhece atualmente.
De acordo com Fuentes, Diniz, Camargo e Cosenza (2014), a
neuropsicologia tem avançado e vem conquistando o seu espaço. A primeira
contribuição relevante à área foi de Pierre Paul Broca (1824-1880). Broca elaborou
trabalhos na localização de um centro dedicado para a produção da fala no cérebro.
Essas evidências indicam uma relação entre disfunções cognitivas ou quadros
clínicos específicos com padrões de lesões cerebrais.
Para Fuentes, Diniz, Camargo e Cosenza (2014) um dos fundadores da
neuropsicologia contemporânea é Alexander Romanovich Luria que nasceu em
1902. Uma das ideias essenciais de Luria é a noção de que vínculos funcionais
entre regiões cerebrais são construídos historicamente. Luria, portanto, desconstrói
a questão da localização cerebral de Broca, sugerindo que ao cérebro (em sua
forma complexa e integrada) não pode ser atribuído uma única função específica
para cada localização anatômica.
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Fleury, Khouri e Hug (2008) afirmaram que, hodiernamente, estudos
demonstram que o cérebro se modifica diariamente de acordo com cada memória
armazenada, o que se denomina neuroplasticidade. A neuroplasticidade refere-se a
uma remodelação dos dendritos, na formação de novas sinapses e a proliferação de
axônios. Enfatizam que pesquisas recentes apresentam, também, o processo de
nascimento de novos neurônios, intitulado de neurogênese. Vale ressaltar duas
estruturas cerebrais que desempenham papel fundamental na interpretação dos
fatos vividos e na determinação das respostas adequadas. A primeira estrutura é o
hipocampo, chave para memória de eventos e contextos. A segunda estrutura é a
amígdala, importante para as memórias emocionais.
Conforme a pesquisa de Guimarães (2012, p. 12), o método
psicodramático de produção de imagens mentais com bases neuropsicológicas
...permitem o maior fluxo de contato entre os dois hemisférios cerebrais,
potencializando a elaboração cognitiva de novas formas de agir, sentir e
pensar, bem como novos conceitos e novas experiências capazes de
modificar o desempenho de papéis.
Fleury, Khouri e Hug (2008) apresentam uma pesquisa feita na Itália
(início dos anos 1990) sobre os neurônios-espelho. Verifica-se que esses são a base
da leitura que se faz das intenções do outro, da empatia e da intersubjetividade, bem
como do conceito de tele (MORENO, 1993a). Ocorre no cérebro uma imitação do
comportamento do outro através da observação. O sulco temporal superior e parte
da área de Broca do cérebro esquerdo são ativadas por meio da observação
consciente do comportamento de outro indivíduo pelos neurônios-espelho,
estabelecendo assim uma ponte entre o fazer e o comunicar.
Para compreender os níveis de comprometimentos cerebrais de um
paciente, faz-se necessário uma avaliação com uma equipe multidisciplinar. Para
Andrade, Santos e Bueno (2004), a avaliação neuropsicológica parte do pressuposto
de que processos psicológicos podem ser investigados por exames não-invasivos,
como testes, inventários e questionários. Todos esses procedimentos são
padronizados e capazes de descrever como capacidades e habilidades mentais se
comportam após algum tipo de lesão cerebral.
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Para esses autores, a avaliação neuropsicológica, portanto, é um
procedimento que tem por objetivo investigar as funções cognitivas e práxicas dos
indivíduos, buscando compreender os distúrbios (da atenção, da memória e do
senso-percepção), bem como das gnosias, da capacidade de raciocínio, da
abstração, do cálculo e do planejamento. Por meio dos testes procede-se a uma
análise crítica dos resultados.
Vale ressaltar que o neuropsicólogo, na interpretação dos dados
decorrentes do processo de avaliação, faz a correlação clínica entre as funções
prejudicadas e o cotidiano do indivíduo, permitindo assim, a elaboração de laudos
que respondam as demandas de pacientes, familiares, médicos, bem como de
outros profissionais interessados. Hodiernamente, as funções cognitivas e suas
desordens, os avanços da bioquímica, o desenvolvimento de novas drogas, a
plasticidade neuronal, a ação de neurotransmissores e técnicas de neuroimagem
corroboram com a neuropsicologia significativamente para a evolução das
neurociências, na medida que instrumentaliza outras áreas de investigação.
Para Hockenbury e Hockenbury (2003), após a avaliação
neuropsicológica, utiliza-se a abordagem da terapia comportamental-cognitiva,
conhecida pela sigla TCC, para reabilitação. Além dessa abordagem psicoterápica,
há o Psicodrama que é considerado uma psicologia humanista que busca, assim,
uma humanização da psique, considerando o homem como um processo em
construção, detentor de liberdade e poder de escolha.
1.2 O psicodrama
Segundo Marineau (1992), Jacoy Levy Moreno tornou-se mundialmente
famoso pela criação da ciência da sociometria, da técnica do psicodrama e do
trabalho pioneiro em psicoterapia de grupo. Para Gonçalves, Wolff e Almeida (1998)
a inter-relação entre as pessoas compõe o eixo fundamental de investigação para
Moreno, criando assim, a Socionomia, a qual estuda as leis que regem o
comportamento social e grupal.
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A psicoterapia de grupo “é um método que trata, conscientemente, as
relações interpessoais e os problemas psíquicos de vários indivíduos de um grupo
de um quadro científico empírico” (MORENO 1993b, p. 71). O psicodrama “é um
método que penetra a verdade da alma através da ação. A catarse que ele provoca
é por isso uma catarse de ação” (MORENO 1993b, p. 102). Tem como alvo o
indivíduo e suas relações mútuas constituídos por características psicossociais. O
sociodrama, por sua vez, trabalha dramaticamente focalizando o próprio grupo.
1.2.1 Espontaneidade-criatividade
Para Moreno (1993a), a espontaneidade é uma palavra derivada do latim
“sponte”, que significa livre vontade. A espontaneidade inicia-se com o aquecimento
preparatório que é composto por dispositivo de arranque físico e mental. A criança,
ao nascer, faz seus movimentos de pressão com os pés para sair do útero e a mãe
colabora com os arranques físicos do bebê através das contrações do parto, sendo,
também, seus arranques físicos e mentais. O nascimento, portanto, é uma catarse,
porque a mãe e o bebê esperaram nove meses para esse primeiro ato espontâneo.
Segundo Naffah Neto (1979), o homem espontâneo foi vivenciado e
descoberto por Moreno quando tinha quatro anos de idade, brincando de ser Deus,
tentando voar, caindo e quebrando o braço. Aos 17 anos, preparou um discurso e
percebeu, no momento da apresentação, que poderia modificá-lo no presente,
utilizando de sua espontaneidade.
De acordo com Moreno (1993a), a localização topográfica da
espontaneidade ou “fator e” não é estritamente definido como um fator hereditário ou
como um fator ambiental. Estudos preliminares localizaram o “fator e” em uma inter-
relação dinâmica entre a hereditariedade (genes) e o meio ambiente (forças sociais).
A área da espontaneidade, portanto, é de uma relativa liberdade e independência
das áreas biológicas e sociais.
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Moreno (1993a) considera quatro formas de expressão de
espontaneidade, a saber: qualidade dramática 2, criatividade3, originalidade4 e
adequação da resposta5. Para esse autor, o teste de espontaneidade coloca o
sujeito numa situação vital com o objetivo de analisar sua atuação com relação à
adaptação, flexibilidade, ajustamento e reajustamento. Cada resposta do indivíduo
recebe escore positivo ou negativo. A pessoa que não enfrenta adequadamente uma
situação de emergência é desclassificada.
Moreno (1984) pesquisou a reação de indivíduos em laboratório para
avaliar a espontaneidade. Ele verificou que há sujeitos que agem de forma sui
generis, a saber: atordoadas ou assustadas ou não produzem respostas ou as
produzem falsamente.
O cérebro normal responde confusamente, mas nossos testes de surpresa
descobriram que pessoas fatigadas [...] e mecanizadas são ainda mais
inadequadas; estas não contam com respostas prontas nem sequer
organizadas; não existe uma reação inteligente para oferecer aos golpes
súbitos que parecem surgir não se sabe de onde. Condições de alta
organização cultural e tecnológica coincidem alarmantemente com uma
crescente imobilidade de pensamento e ação (p. 54).
2
Confere novidade e vivacidade a sentimentos, ações e expressões verbais que nada mais são do
que repetições do que um indivíduo experimentou antes milhares de vezes – isto é, que nada contém
de novo, original ou criador (MORENO, 1993a, p. 140).
3
Está perpetuamente empenhado em produzir novas experiências em seu próprio íntimo, a fim de
que elas possam transformar o mundo à sua volta e, assim, enchê-lo de novas situações. Estas, por
sua vez, desafiam-no a mais experiências novas, que voltam a esforçar-se por remodelar o mundo
em redor. Assim, o indivíduo está comprometido num ciclo incessante de criatividade (MORENO,
1993a, pp. 141-142).
4
Livre fluxo de expressão que, sob análise, não revela qualquer contribuição suficientemente
significativa para que se lhe chame criatividade, mas que, ao mesmo tempo, em sua produção, é uma
expressão ou variação ímpar da conversa cultural, tomada como modelo (MORENO, 1993a, p. 142).
5
Há três reações possíveis que o indivíduo pode manifestar: (a) Nenhuma resposta numa situação
[...] (b) Uma velha resposta a uma nova situação [...] (c) Nova resposta a uma nova situação [...].
Assim, a resposta a uma nova oportunidade requer senso de oportunidade, imaginação para a
escolha adequada, originalidade de impulso próprio em emergências, pelo que deve responsabilizar-
se uma especial função e. É uma aptidão plástica de adaptação, mobilidade e flexibilidade do eu,
indispensável a um organismo em rápido crescimento num meio rápido de mudança (MORENO,
1993a, pp. 143-144).
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Na teoria moreniana, a medida que a criança amadurece, o “fator e”
converte-se em função esquecida, porque o adulto submete-se aos poderosos
estereótipos sociais e culturais que dominam a sociedade. Esses estereótipos
denominam-se conservas culturais. A conserva cultura é uma mistura bem-sucedida
de material espontâneo e criador, moldado numa forma permanentemente, ou seja,
em um produto acabado (MORENO, 1993a). Esse produto assegura a continuidade
da herança cultural. Verifica-se que o homo sapiens limitou seu potencial criador em
função do apego tecnológico. Ademais, a maioria dos indivíduos prioriza a busca
pelo poder na nossa sociedade. Em função disto, o adulto utiliza menos que a
criança o “fator e”.
Para Costa (2001), esse teste da espontaneidade é utilizado no processo
terapêutico psicodramático no intuito de desenvolver a espontaneidade no adulto,
pois quando o cliente dramatiza uma situação (tanto individual quando grupal) tem
por objetivo proporcionar ao sujeito lidar com seus conteúdos de uma forma mais
adequada, livre e, consequentemente, menos rígida. A vivência da espontaneidade,
nas formas variadas de expressões que partem de uma percepção, podem ser
transformadoras, sendo, portanto, as conservas culturais motivações para novas
expressões espontâneas. Observa-se que, no processo terapêutico, o paciente
dramatiza uma situação que o faz lidar com seus conteúdos com mais adequação
facilitando novas dimensões no desenvolvimento da personalidade.
Para Moreno (1993a), a espontaneidade é um catalisador psicológico, ou
seja, é um agente que provoca uma reação de desequilíbrio e, subsequentemente,
motiva o indivíduo a buscar um estado de homeostase. A espontaneidade funciona
no momento do seu surgimento, por isto não há um reservatório para seu
armazenamento. De acordo com Gonçalves, Wolff e Almeida (1998), a
espontaneidade é a capacidade do indivíduo agir de modo adequado diante de
novas situações, criando respostas inéditas ou renovadoras. A espontaneidade,
portanto, permite ao potencial criativo de manifestar-se.
1.2.2 Matriz de identidade e teoria de papéis
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Moreno (1993a, p. 114) define a matriz de identidade como um processo
do desenvolvimento humano que se inicia nos primeiros momentos de vida da
criança. Para esse autor, cada criança possui o seu tempo de desenvolvimento e,
portanto, sua identidade surge no momento em que ocorre a consciência de ‘si
mesmo’, do ‘outro’ e do ‘coletivo’. “A matriz de identidade é a placenta social da
criança, o locus em que ela mergulha suas raízes. Proporciona ao bebê humano
segurança, orientação e guia”.
No processo de desenvolvimento, a criança perpassa por duas fases da
matriz de identidade denominadas de Primeiro Universo e Segundo Universo. O
Primeiro Universo caracteriza-se pelo aquecimento preparatório com arranque físico,
unicidade do ato, fome de ato e amnésia infantil, porque tudo é aprendido na matriz
de identidade, no tempo presente e na dependência do ego-auxiliar (mãe). Já o
Segundo Universo caracteriza-se pela necessidade de autonomia da criança, com o
surgimento da brecha entre fantasia e realidade, portanto, o mundo da realidade e
da fantasia são claramente identificados e separados.
A partir dessa matriz de identidade, Moreno (1993a) teorizou que nas
fases do desenvolvimento humano ocorrem os desempenhos de papéis.
Compreende-se por ‘papel’ a forma de funcionamento do sujeito em cada situação.
Na teoria de papéis, Moreno (1993a) subdividiu-os em três, a saber:
psicossomáticos6, papéis sociais7 e papéis psicodramáticos8.
Na sessão psicodramática, Moreno (1993a) apresenta três etapas no
processo terapêutico. São elas: aquecimento, dramatização e o compartilhar. Na
primeira fase ocorre o aquecimento inespecífico e o aquecimento específico
propiciando a contração do limite de ‘si mesmo’ para que os papéis pouco
desenvolvidos apareçam na dramatização. Já na segunda fase é a dramatização
propriamente dita (podendo ou não utilizar de ego-auxiliar), favorecendo ao fato real
ser vivenciado pela segunda vez no contexto psicodramático, pois o “como se"
ocorre novamente naquele momento presente propiciando a adaptação, a
6
Ocorrem nas situações de dependência entre duas unidades pessoa-pessoa, sendo moldados pelo
ego-auxiliar. Estão ligados às funções biológicas de sobrevivência como, por exemplo, comer, urinar,
defecar, dentre outros.
7
Também chamado de mundo real. Ocorrem formas de representação de papéis que correlacionam
a criança com pessoas, coisas e metas no ambiente real, exterior a si mesma.
8
Também denominado de mundo da fantasia. Ocorrem formas de representação de papéis que
correlacionam a criança com pessoas, objetos e metas que ela imagina estarem fora de si mesma.
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flexibilidade, a originalidade em função da nova resposta, utilizando-se da
espontaneidade. A terceira fase é o compartilhar do processo terapêutico. Nessa
fase poderá ou não ocorrer a catarse de integração 9, no qual o ato e o conteúdo são
re-significados e co-construídos.
Consideram que, para o psicodrama, o principal fator terapêutico é a
experiência emocional corretiva, ou seja, encena-se a experiência traumática da
mesma forma como está armazenada na memória implícita do protagonista, e tudo
isto está ligado a um processo psicológico não terminado, a uma emoção suprimida
ou uma experiência emocional insatisfatória. O protagonista, assim, dramatiza a
situação traumática “como se” fosse realidade. Destarte, o psicodramatista almeja
ser um facilitador para que o indivíduo saudável transite entre a fantasia e a
realidade, ou seja, que suas respostas às situações sejam adequadas e,
principalmente, espontâneas.
2 METODOLOGIA
Essa pesquisa exploratória foi constituída por uma amostra aleatória de
cem estudantes e profissionais de Psicologia (n=100) que responderam aos
questionários nas salas de aulas de quatro instituições de ensino. Com relação ao
teste de espontaneidade, apenas 5 desses acadêmicos acima supracitados (n=5)
enquadraram-se no critério de leve déficit cognitivo.10 Vale ressaltar que,
primeiramente, foi assinado o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) 11,
ou seja, o termo de proteção ética de identidade em pesquisa científica com seres
humanos.
Os instrumentos utilizados nessa pesquisa foram dois, a saber:
questionário (anexo A) e teste de espontaneidade (anexo B). Os questionários foram
respondidos individualmente, nas salas de aula das instituições de ensino superior
(cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia) de Goiânia. Essa aplicação
9
É a mobilização de afetos e emoções ocorridas entre dois ou mais participantes de um grupo
terapêutico por meio da abordagem psicodramática.
10
Alteração no âmbito da inteligência como, por exemplo, déficit de atenção, dificuldades de
aprendizagem em geral, dentre outras. Abrange principalmente as funções mentais, a saber: atenção,
memória, percepção, linguagem, capacidades executivas e capacidade visuo espacial, bem como
raciocínio lógico e abstrato.
11
De acordo com a Resolução n. 196/96, do Conselho Nacional de Saúde/CNS.
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durou, em média, 20 minutos. Posteriormente, os participantes com leve déficit
cognitivo foram convidados para participar do teste de espontaneidade. Vale
ressaltar que foram 5 acadêmicos que dramatizaram, com duração média de 10
minutos para cada participante do teste, totalizando, em média, 50 minutos desse
procedimento psicodramático.
A sala de dramatização foi equipada com 1 tapete, 1 rádio e várias
almofadas para serem utilizadas pelo protagonista na cena “como se”, bem como
cadeiras e mesa da própria instituição. Para Moreno (1993a), a dramatização das
situações emergenciais do teste de espontaneidade pode ocorrer com os eventos
reais ou com os eventos ordenados. Esse não ocorreu um incêndio, mas o indivíduo
tem que atuar como se isso fosse verdade e aquele o incêndio acontece na
realidade.
Para facilitar o registro e a compreensão do teste de espontaneidade, a
pesquisadora (diretora do teste de espontaneidade) esclareceu aos protagonistas
deveriam verbalizar e dramatizar utilizando as almofadas “como se” fossem eventos
reais, bem como que haveriam dois acadêmicos que atuariam como egos-auxiliares
juntamente com o acadêmico protagonista em algumas situações do teste de
espontaneidade. Ademais, haveria uma junta de três psicólogos que anotariam as
verbalizações, bem como observariam a dramatização com fito de contribuir para
análise qualitativa do teste de espontaneidade.
Os dados dos questionários foram analisados quantitativamente, ou seja,
estatisticamente em porcentagens. O teste de espontaneidade foi analisado
qualitativamente por meio do quadro de referências de análise sistemática das
respostas12 em escore positivo e negativo da espontaneidade, criado por Moreno
12
Os quadros de referências de análise sistemática das respostas seguiram as seguintes etapas, a
saber: 1º) A pesquisadora comparou as respostas dos 5 acadêmicos nas situações dos eventos
ordenados “como se” fossem eventos reais para delimitar o tempo e a faixa de desvios toleráveis dos
trajetos mais curtos para as situações emergenciais. O escore positivo, portanto, seria para o
protagonista que os movimentos estivessem dentro da faixa de tolerância e escore negativo quando
ocorresse o desperdício de movimento que comprometeria o propósito da ação; 2º) Delimitou-se
“quais as ações mais apropriadas, dentro do âmbito dos sistemas valores que dominam a nossa
cultura” (MORENO, 1993a, p. 151). Os valores que estariam em conflitos - a vida em jogo (das
crianças); o status em jogo (uma mãe tem de salvar seus filhos e pais); e a propriedade em jogo
(casa, dinheiro, livro). Ao valorar, o protagonista interpretaria três papéis que estariam também em
conflitos nas situações emergências (o de salvador, o de mãe-filha e o de proprietário de bens). O
escore foi mensurado em uma escala dando valor positivo e negativo nessa ordem gradual: positivo
(valor à vida e papel de salvador ou valor status em jogo e papel mãe-filha) e negativo (valor
propriedade em jogo e papel de proprietário de bens); e 3º) Julgou-se os dados dos protagonistas no
teste de espontaneidade, também, com relação à quatro títulos: a resposta dramática, a original, a
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(1993a).
As situações emergenciais foram sendo apresentadas pela diretora
(pesquisadora) de forma gradual, sendo que o protagonista (acadêmico) deveria se
ajustar as novas situações e tomar decisões com relação às várias situações com
níveis crescentes de dificuldades. “A sua espontaneidade, por assim dizer, está
submetida a uma prova tanto mais severa quanto mais ele avançar no teste
(MORENO, 1993a, p. 150).
Vale ressaltar que, outras pesquisas implementadas por Moreno (1993a),
demonstraram que a maioria dos indivíduos dramatizava até a terceira situação do
teste de espontaneidade, mas poucos atingiam o quarto e o quinto nível
emergencial. Esses estudos verificaram que, a cada nível que a pessoa conseguiu
vivenciar, era um indicador do alcance de sua espontaneidade.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Foram realizadas, inicialmente, o levantamento das frequências das
respostas e, posteriormente, uma análise quantitativa, ou seja, a porcentagem
perfazendo os cem (n=100) participantes dessa pesquisa. A amostra aleatória dessa
pesquisa perfaz as seguintes instituições de ensino, a saber: 37% da Universidade
Salgado de Oliveira, 26% da Universidade Federal de Goiás, 20% da Pontifícia
Universidade Católica de Goiás e 17% da Faculdade Delta. A idade dos sujeitos
variou de 18 até 65 anos, sendo 60% entre 18 a 29 anos, 20% entre 30 a 39 anos,
13% entre 40 a 49 anos, 5% entre 50 a 65 anos e 2% não responderam. Vale
informar que os participantes dessa pesquisa eram 10% do sexo masculino, 74 % do
sexo feminino e 16% não responderam.
Com relação ao estado civil, 49% solteiro, 36% casado, 1% viúvo, 7%
divorciado, 2% outros e 5% não responderam. Com referência a prole 15% tinham
filhos, 29% não e 56% não responderam. A maioria da escolaridade dos
participantes estudantes cursava 6º até 10º período do curso de Psicologia. Com
relação aos alunos e aos profissionais, a titularidade acadêmica se subdividia, a
criadora e a adequada. O protagonista não enfrentasse adequadamente a situação emergencial seria
desclassificado.
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saber: 59% graduação, 25% especialização, 9% mestrado, 4% doutorado e 3% não
responderam.
Verificou-se que 44% eram estudantes, 10% psicólogos (sem área
profissional), 9% psicólogos clínicos, 7% professores universitários, 4% psicólogos
do trânsito, 4% servidores públicos, 3% psicólogos organizacionais, 2%
neuropsicólogos, 2% psicólogos sociais, 2% psicólogos jurídicos, 2% psicólogos da
saúde, 2% empresários e 9% não responderam. Com relação ao tempo de atuação
profissional, os participantes responderam, a saber: 1% menos de 1 ano, 9% entre 1
a 5 anos, 7% entre 6 a 10 anos, 8% entre 11 a 15 anos, 12% acima de 16 anos e
63% não responderam.
Com relação às respostas de adicionar o teste de espontaneidade na
avaliação neuropsicológica, 60% concordam em adicionar o teste de
espontaneidade, 28% não concordar e 32% não responderam à questão. Descreve-
se as principais justificativas evocadas pelos participantes dessa pesquisa, sendo as
três primeiras citações “a favor” e última transcrição “contra” adicionar o teste de
espontaneidade à avaliação neuropsicológica13.
Com relação à análise qualitativa do teste de espontaneidade (anexo B –
verbalizações dos participantes), a 1. acadêmica recebeu escore positivo no teste de
espontaneidade, a saber: a) conseguiu dramatizar todos as situações emergenciais
em tempo hábil em função dos curtos trajetos escolhidos no seu cenário; b)
vivenciou primeiramente os valores tanto à vida quanto ao status em jogo, ou seja,
papéis de salvadora e de mãe-filha, respectivamente. Posteriormente, o valor de
propriedade em jogo com o papel de proprietária de bens; e c) recebeu os quatro
títulos: resposta dramática, original, criadora e adequada, propostos por Moreno
(1993a).
Já o 2. acadêmico recebeu tanto escore positivo quanto escore negativo
13
De acordo com uma professora e doutora em Neuropsicologia, “esse teste é um indicador
importante considerando espontaneidade é um indício de saúde. Acho relevante a observação desse
aspecto durante a avaliação” (sic). Conforme uma professora e mestre em Neuropsicologia, “porque
ele irá ajudar no resgate da espontaneidade-criatividade, pois para Moreno o homem é um ser
espontâneo e criativo e devido ao seu bloqueio, o homem se torna rígido (conserva cultural) e não
avança em seu potencial” (sic). Segundo um estudante de pós-graduação em Psicologia, “a
espontaneidade é uma característica do comportamento, então deve ser objeto de avaliação” (sic).
Para uma acadêmica de graduação em Psicologia, “porque não é ciência, logo esse teste é sem
validação”. (sic)
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no teste de espontaneidade. Foram positivos nos seguintes critérios: a) conseguiu
dramatizar todas as situações emergenciais em tempo hábil em função dos curtos
trajetos escolhidos no seu cenário no intuito de economizar energia da
dramatização; b) vivenciou primeiramente os valores tanto à vida quanto ao status
em jogo, ou seja, papéis de salvador e de mãe-filho, respectivamente.
Posteriormente, o valor de propriedade em jogo com o papel de proprietária de bens;
e c) recebeu três títulos: resposta dramática, original e criadora.
Contudo, nota-se que se preocupou em economizar energia,
principalmente na situação preliminar e, por isto, recebeu também escore negativo,
pois as respostas para limpar o pó tanto da escrivaninha quanto do chão não foram
adequadas. Isto indica, provavelmente, sua cristalização em uma conserva cultural
ao referir-se à “lei do menor esforço”, dando indícios de preservação na continuidade
do seu ego. É importante destacar que esta é uma característica da conserva
cultural. Vale ressaltar, também, que é na interação da espontaneidade e da
conserva cultural que dá origem ao “fator e” na tentativa de uma harmonização com
as leis e regras universais como, por exemplo, a lei da conservação de energia.
A 3. acadêmica recebeu escore negativo no teste de espontaneidade. Os
aspectos considerados como negativos foram, a saber: a) longo tempo de latência
para dramatização em função dos seus trajetos escolhidos no cenário “como se”
fosse dos eventos ordenados; b) não vivenciou os seguintes valores: valor à vida,
status em jogo e propriedade em jogo, ou seja, não conseguiu ser espontânea e
criativa nos papéis de salvadora e de mãe-filha ao deixar sua mãe morrer como, por
exemplo, ao afirmar “não consigo salvá-la” e quando atribui a sobrevivência da mãe
a “um milagre”, bem como não desempenhou o papel de proprietárias de bens; e c)
recebeu dois títulos, a saber: resposta dramática e original.
Assim, a protagonista não vivenciou de forma criativa e adequada os
valores e os papéis, propostos por Moreno (1993a). Ademais, utilizou-se do valor
divino, ou seja, de sua fé para, provavelmente, manter-se resiliente nas situações de
dificuldades vivenciadas na ação dramática, sendo indícios de uma conversa cultural
cristalizada por meio da religião. Verifica-se que o equilíbrio emocional da
protagonista ocorre ao buscar as leis universais divinas como, por exemplo, amor
incondicional de Deus.
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A 4. acadêmica foi desclassificada no teste de espontaneidade, conforme
critérios estabelecidos por Moreno (1993a), pois não dramatizou as quatro últimas
situações emergenciais. Outrossim, verifica-se a seguinte análise: a) não conseguiu
dramatizar a partir da segunda situação emergencial; b) não demonstrou seus
valores e nem desempenhou os papéis propostos pelo teste de espontaneidade; e c)
não recebeu os três títulos: original, criadora e adequada.
Embora a protagonista (na situação preliminar) tenha iniciado um
processo de aquecimento preparatório, nota-se que não foi suficiente para fazê-la
enfrentar de forma original, criativa e adequada a primeira emergência. Vale
ressaltar que, nessa situação, a protagonista emitiu uma resposta dramática “sui
generis” (MORENO, 1984), mas não a produziu de forma adequada (MORENO,
1993a) ao afirmar: “não... não é incêndio”. Destarte, poderia receber o título de
resposta dramática “sui generis”. Contudo, tal análise não é codificada no teste de
espontaneidade, proposto por Moreno (1993a)
A 5. acadêmica também foi desclassificada, conforme critérios
estabelecidos por Moreno (1993a), pois não dramatizou as três últimas situações
emergenciais. Ademais, verifica-se a seguinte apreciação, a saber: a) não conseguiu
dramatizar algumas situações emergenciais; b) demonstrou primeiro o valor de
propriedade em jogo e o papel de proprietária de bens ao pegar primeiro o arranjo
de flores (provavelmente pelo vínculo afetivo, pois ganhou o enfeite de presente do
seu namorado) e, posteriormente, preocupou-se em salvar os bebês (valor à vida e
papel de salvadora); e c) recebeu dois títulos tanto na situação preliminar quanto nas
duas primeiras situações emergenciais. São eles: resposta dramática e original.
Essa acadêmica recorreu a um contexto religioso da filosofia Espírita,
semelhante a 3. protagonista que, no entanto, buscou a crença Evangélica. Essa 5.
acadêmica acredita na vida após a morte e, por isso, continuou relatando e dando
prosseguimento ao conteúdo da dramatização “como se” estivesse vivenciando no
aqui-agora seus sinais vitais, sendo uma resposta dramática considerada original,
porém não adequada para o teste de espontaneidade (ao afirmar que “estou morta
na vida terrena”) não vivenciando, portanto, as três últimas situações emergenciais.
Moreno (1993a, p. 142) afirma que essa originalidade “é uma variação ímpar da
conserva cultural, tomada como modelo”. Essa protagonista, provavelmente, buscou
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solução em sua experiência religiosa para preservação e continuidade do seu ego
por meio de conserva cultural. Vale ressaltar que a conserva cultural está inter-
relacionada com a espontaneidade (Moreno, 1993a), sendo que quanto mais o
protagonista repetir situações que demonstram uma herança cultural da sociedade,
menos espontaneidade essa acadêmica vivencia na ação dramática do teste de
espontaneidade.
Destarte, as cinco sessões do teste de espontaneidade em acadêmicos
portadores de leve déficit cognitivo, destinou-se a analisar o desempenho de papéis
de cada protagonista diante de situações inusitadas por meio da espontaneidade-
criatividade. Ademais, favoreceu uma tomada de consciência, pois quanto maior
esse autoconhecimento, melhor sua capacidade de autocontrole, autodomínio e auto
expressão dos próprios sentimentos no intuito de propor o resgate da
espontaneidade e da criatividade corroborando, assim, com a saúde psíquica do
indivíduo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo desse trabalho foi apresentar um estudo preliminar sobre
Neuropsicologia e Psicodrama, com ênfase no teste de espontaneidade. Os dados
quanti-qualitativos demonstraram que os cem (n=100) participantes classificaram de
uma forma organizada suas opiniões sobre incluir o teste de espontaneidade em
uma avaliação neuropsicológica.
No que tange ao teste de espontaneidade, os resultados dos cinco (n=5)
participantes no critério qualitativo do quadro de referências para análise sistemática
das respostas, ratificou-se que o resgate da espontaneidade se torna imprescindível
para uma melhora na qualidade de vida, não só de ‘si mesmo’, mas, também, de sua
inter-relação com ‘o outro’ inserido em uma sociedade. Em alguns acadêmicos,
pressupunha-se que os fatores inibidores (rigidez imposta pela conserva cultural)
prejudicariam a expressão livre da essência (espontaneidade e criatividade).
Nota-se que o universo de participantes foi reduzido no teste de
espontaneidade. Isso posto, seria necessário ampliar o número de participantes,
para análise quanti-qualitativa dos dados, no intuito de se aprofundar na temática.
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O teste de espontaneidade possivelmente contribuirá para a avaliação
neuropsicológica, porque as situações psicodramáticas conduzem o indivíduo a uma
conexão hemisférica cerebral tanto do lado direito e quanto do esquerdo, bem como
a uma mudança autêntica do sistema de representação cognitiva condizentes com o
propósito espontâneo e criativo.
Destarte, o teste de espontaneidade poderá ser utilizado na avaliação
neuropsicológica, bem como servir de base para o resgate da espontaneidade-
criatividade no tratamento psicoterápico. As finalidades desses procedimentos serão
tanto para contribuir com o desenvolvimento da autoestima e da qualidade de vida
do paciente, quanto para proporcionar uma nova visão de sua autolimitação em
função do comprometimento neuropsicológico. Sugere-se continuar esse estudo,
para adicionar o teste de espontaneidade em pacientes que estejam sendo
submetidos à avaliação neuropsicológica propriamente dita.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANDRADE, V. M., SANTOS, F. H., BUENO, O. F. A. Neuropsicologia hoje. São
Paulo: Artes Médicas, 2004.
COSTA, R. P. Um homem à frente do seu tempo: o psicodrama de Moreno no
século XXI. São Paulo: Ágora, 2001.
FLEURY, H. J., KHOURI G. S., HUG, E. Psicodrama e neurociência: contribuições
para a mudança terapêutica. São Paulo: Ágora, 2008.
FUENTES, D., DINIZ, L. F. M., CAMARGO, C. H. P., CONSENZA, R. M.
Neuropsicologia: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed, 2014.
GONÇALVES, C. S., WOLFF, J. R., ALMEIDA, W. C. Lições de Psicodrama:
introdução ao pensamento de J. L. Moreno. São Paulo: Ágora, 1998.
GUIMARÃES, L. A. Percurso neural da imagem para além das sombras. In: Revista
Brasileira de Psicodrama (v. 20, n. 2, p. 1-12), São Paulo: FEBRAP, 2012.
HOCKENBURY, D. H.; HOCKENBURY, S. E. Descobrindo a psicologia. São
Paulo: Manole, 2003.
MARINEAU, R. Jacob Levi Moreno, 1889-1974: pai do psicodrama, da sociometria
e da psicoterapia de grupo. São Paulo: Ágora, 1992.
MORENO, J. L. O teatro da espontaneidade. São Paulo: Summus, 1984.
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______. Psicodrama. São Paulo: Cultrix, 1993a.
______. Psicoterapia de grupo e psicodrama. São Paulo: Psy, 1993b.
NAFFAH NETO, A. Psicodrama: descolonizando o imaginário. São Paulo:
Brasiliense, 1979.
ANEXO A - QUESTIONÁRIO
Caro acadêmico e profissional,
Esse trabalho faz parte de um estudo preliminar acerca da Neuropsicologia e
Psicodrama com ênfase no teste de espontaneidade. Tal pesquisa exploratória está
sendo realizada pela Psicóloga Ms. Míriam de Freitas Albernaz. Espero contar com a
sua colaboração respondendo sinceramente às questões abaixo. Não há respostas
certas ou erradas. Não passe à questão seguinte sem ter respondido à anterior. Não
deixe nenhuma questão em branco. Por favor, não se identifique, porque o interesse
dessa pesquisa não se dirige ao conhecimento dos indivíduos, mas do grupo. Nesse
sentido, ficará resguardado o direito ao sigilo. Vale ressaltar que os resultados dessa
pesquisa exploratória serão divulgados em publicações científicas. Obrigada!
1. parte: Informações gerais
Idade:
( ) 18 – 29 anos ( ) 30 – 39 anos ( ) 40 – 49 anos ( ) 50 – 65 anos
Sexo: ( ) masculino ( ) feminino
Estado civil: ( ) solteiro ( ) casado ( ) viúvo ( ) divorciado ( ) outros
Têm filhos: ( ) sim ( ) não
Escolaridade: ( ) graduação ( ) especialização ( ) mestrado
( ) doutorado ( ) pós-doutorado
Profissão atual (área de atuação): ................................................................
Caso já seja formado em Psicologia, há quanto anos atua nessa área?
( ) Menos de 1 ano ( ) 1 ano a 5 anos ( ) De 6 a 10 anos
( ) De 11 a 15 anos ( ) Acima de 16 anos
2. parte: Neuropsicologia e psicodrama
O psicodramatista J. L. Moreno desenvolveu o “teste de espontaneidade” que
proporciona um “insight” adicional sobre as relações interpessoais. Na sua
opinião, seria interessante adicionar esse teste na avaliação neuropsicológica.
( ) sim ( ) não
Justifique sua resposta.
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
........................................................................................................................................
.................................
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ANEXO B - TESTE DE ESPONTANEIDADE
Situação preliminar: A diretora aquece preparatoriamente o
sujeito, estabelecendo a cena: “Você está numa casa, perto da rua
principal de uma pequena cidade”.
“Você está na sala; junto à parede do lado direito a uma
escrivaninha. Estantes carregadas de livros estão de ambos os lados da
escrivaninha. Sobre uma prateleira há um telefone. Junto à parede da
esquerda há um divã e um rádio”.
“Siga-me, mostrar-lhe-ei o arranjo da casa. Esta porta dá para a
sala de jantar. Ao lado da sala de jantar está a cozinha. Da sala de jantar
há uma porta que leva ao quarto das crianças”.
“Voltemos à sala de estar”.
Eles voltam.
“Veja a escrivaninha. Precisa que lhe limpe o pó.”
“Olhe o chão. Está sujo. Vá limpá-lo. A vassoura está na
cozinha”.
Primeira emergência:
“Subitamente, a diretora interrompe:
“Deflagrou um incêndio na sala de jantar, no degrau que dá para
o quarto onde os dois bebês estão dormindo.”
“Você não pode ver o fogo, porque a porta entre a sala de estar
e a sala de jantar encontra-se fechada. Não lhe cheira a fumaça do
incêndio?”
A diretora nota o sujeito que encarou o incêndio levianamente.
Emite logo uma nova ordem: “O incêndio não esmorece".
“A fumaça está tomando conta da parede. A cortina da parede
corre o perigo de arder. Está fumegando entre as divisórias. O incêndio
está difícil de ser dominado sem auxílio”.
Ela repete esta declaração a outros sujeitos, se necessário.
Segunda emergência
O sujeito começa se descontraindo, pensando que o perigo já
passou. Então a diretora anuncia uma nova emergência:
“Sua mãe está chamando e entrou no porão, diretamente por
baixo da escada onde começou o fogo. Há perigo naquele local. Pense
em suas joias de inestimável valor, no quarto contíguo ao das crianças,
em seu manuscrito, fruto de muitos anos de pesquisas, em sua câmera
de filmar, casacos de peles, joias de família”.
Terceira emergência:
(O sujeito volta-se, pensando em ir ao quarto onde as crianças
estão dormindo). A diretora ordena uma mudança de cena:
“Seu pai (ego-auxiliar) está lá fora clamando por socorro. É um
grito débil e desesperado. Ele parece doente. Você sabe que ele sofre do
coração”.
“A parede começa fumegando. Mas ainda há tempo de ir buscar
as joias com segurança”.
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Quarta emergência:
A diretora ordena uma mudança de cena:
“A mãe das crianças (ego-auxiliar) está entrando em casa”.
A mãe entra e desmaia. A diretora continua:
“Você escuta a voz de uma terceira criança, o irmão mais velho,
que está se aproximando da perigosa escada do porão, correndo atrás
da mãe. Ainda é seguro ir buscar as joias, se você for imediatamente”.
Quinta emergência:
(O sujeito tem as joias e o manuscrito em suas mãos, e está
pronto para sair de casa).
A diretora detém-no, ordenando uma mudança de cena:
“A parte da cena que inclui o quarto onde você está encontra-se
envolta numa nuvem de fumaça. Para sair do quarto, deve quebrar a
janela e saltar de três metros para o chão, ou arriscar-se e atravessar a
cortina de fumaça.
Fonte: Teste de espontaneidade, criado por J. L Moreno (1993a, pp. 145-150).
Seguem as verbalizações dos participantes, a saber:
- 1. acadêmica, sexo feminino e 19 anos:
Situação preliminar: “Vou arquitetar minha casa usando dessas almofadas como
se fossem os objetos e espaços para eu me sentir dentro dela... adoro esse arranjo
de rosas vermelhas... ganhei essas flores do meu namorado. Estou feliz e, por isso,
ligo o rádio, pois adoro fazer faxina escutando músicas divertidas. Pego um pano
úmido na cozinha para limpar a escrivaninha. Em seguida, vou novamente à cozinha
e pego a vassoura para varrer toda casa... há muita poeira” (sic).
Primeira emergência: “Solto a vassoura e corro em direção aos dois bebês
(almofadas). Coloco os bebês deitados no divã e vou à cozinha pegar baldes d’água
para jogar em cima do fogo... nossa, meu Deus... as chamas estão altas... não vou
conseguir... ligo para o corpo de bombeiros para avisar do incêndio. Saio da casa e
toco a campainha da vizinha... deixo os bebês com ela... volto para minha casa para
tentar apagar o fogo com mais baldes d’água... resolvo abrir as janelas para não
ficar asfixiada com o excesso de fumaça... saio para rua tonta e percebo que os
bombeiros estão demorando...” (sic).
Segunda emergência: “Socorro... socorro... ajudem-me... (gritos altos e
desesperados envolvidos em um choro compulsivo). Meu Deus... havia me
esquecido... minha mãe está no porão... graças a Deus, os bombeiros estão
chegando para me auxiliar... Eles resgataram minha mãe e colocaram deitada na
rua e começaram... eles finalmente começaram a apagar o incêndio... por enquanto,
não me preocupo com os bens materiais... estou preocupada com minha mãe e
meus irmãos...” (sic).
Terceira emergência: “Penso em ir à casa da vizinha para ver os bebês, no
entanto, preciso chamar alguém que está passando pela rua para ligar para o
‘SAMU’, pois meu pai (ego-auxiliar) está tendo um infarto e minha mãe (ego-auxiliar)
ainda está deitada no chão...” (sic).
Quarta emergência: “Aí meu Deus... havia me esquecido do meu irmão mais
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velho... nossa... minha mãe é custosa ou é instinto maternal?!... Ela levantou-se do
chão na rua para entrar dentro de casa (ego-auxiliar), pois meu outro irmão ainda
está lá dentro... pensei que ele estivesse brincando de bola na pracinha... grito
(continuou chorando) para os bombeiros, pois ao entrar minha mãe desmaiou... grito
novamente para os bombeiros para ajudarem minha mãe... eles resgataram minha
mãe e, também, meu irmão..." (sic).
Quinta emergência: “Sim... sim... agora que todos estão seguros fora da casa...
vou à casa da vizinha para ver os bebês... a ambulância já chegou para dar os
primeiros socorros para meus familiares... peço à minha vizinha um cobertor úmido
para eu entrar dentro da casa... pego as joias e os manuscritos e sai envolvida pelo
cobertor em meio a cortina de fumaça... agora sim... teremos recursos financeiros
para reconstruir nossa casa ao vender essas joias e eu entregar esses manuscritos
de trabalho extra que peguei para ganhar um dinheiro... graças a Deus... estamos
todos bem” (sic).
- 2. acadêmico, sexo masculino e 23 anos:
Situação preliminar: “esses são os objetos da minha casa (almofadas)... xiii... esse
arranjo de flor está murcho, não é?! (olhou para diretora e começou a rir)... esqueço
de molhar as plantas... na verdade não gosto de plantas... Não estou nem aí para
sujeira dos móveis e, por isso, não me preocupo em pegar o pano... vou apenas
passar minhas mãos para despistar essa camada de poeira (ri)... prefiro não pegar a
vassoura porque vou arrastar com meus pés essa sujeira para debaixo do tapete
(olha para diretora)... lei do menor esforço... (ri novamente)” (sic).
Primeira emergência: “acho que aqui, em casa, tem um extintor... tenho que
encontrá-lo para apagar esse incêndio... xiii... não estou encontrando... então... vou
à cozinha para pegar os baldes d’água e começo jogar nesse fogo... deve ter
acontecido um curto circuito em algum eletrodoméstico... (olhou para diretora)... não
consigo entender como começou esse fogo? Bem... já que não consigo resolver o
problema do incêndio, resolvo pegar os bebês e sair de casa... coloco eles deitados
no jardim... (sic).
Segunda emergência: “Ué... minha mãe está lá dentro... como assim? Por quê ela
não salvou os bebês? (olhou para diretora com tom de voz de irritação)... Aff...
credo... então... vou lá salvá-la, né? Aproveito para pegar as joias etc e tal...” (sic).
Terceira emergência: “Pego meu celular que está no quarto e os meus
manuscritos, também pego a caixinha de joias, etc e tal... saio de casa correndo e
ligo do meu celular para o bombeiro e para a ambulância... estou muito irritado,
porque nenhum vizinho me ajudou... Faço uma massagem cardíaca no meu pai
(ego-auxiliar)... ele vai ficar bem... é só o susto mesmo...” (sic).
Quarta emergência: “Como assim? Minha mãe (ego-auxiliar) entrou dentro de
casa? Nem a vi entrar, porque estou aqui ajudando meu pai. Estamos no Brasil
mesmo... até agora nada de bombeiros... nada de ambulância... nada de vizinhos...
e... se brincar... ainda seremos assaltados aqui na porta de casa... Ah, tá?!
Entendi... Minha mãe entrou para tentar salvar a terceira criança e o restante das
joias... afinal, mãe é mãe... Como ela desmaiou... vou entrar dentro da casa para
salvar minha mãe e, também, meu irmão...” (sic).
Quinta emergência: “Já peguei as joias, etc e tal... Têm mais joias lá? (olhou para
diretora)... hum... que bom... vou pegar tudo... aí... para sair de casa... pego o
criado-mudo que está no quarto e quebro a janela... pulo, pois sei que cairei dentro
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da piscina que amortecerá minha queda... estou bem... e nada de bombeiros e
ambulância até agora.... estamos no Brasil, né? (olhou para diretor novamente)...“
(sic).
- 3. acadêmica, sexo feminino e 20 anos:
Situação preliminar: “arrumo minha casa (almofadas)... esse arranjo é muito
importante para minha mãe... foi meu pai quem deu-lhe as flores... limpo a
escrivaninha com um pano (pegou uma almofada pequena para ser o pano) e
começo a cantar uma música gospel. Vou à cozinha e pego a vassoura para limpar
o chão e continuo cantando...” (sic).
Primeira emergência: “primeiro oro e peço sabedoria para Deus... e... depois pego
água e começo a jogar no fogo (várias almofadas são jogadas em direção ao
chão)... escuto os bebês chorando e vou pegá-los e saio da casa...” (sic).
Segunda emergência: “Deixo minha mãe morrer, pois não consigo salvá-la (choro
compulsivo)... estou com os bebês no meu colo (duas almofadas) em pânico...
nunca me senti tão desesperada... oro para Deus e peço-Lhe um milagre...” (sic).
Terceira emergência: “Meu pai (ego-auxiliar)... ainda estou com os bebês no meu
colo... então peço ajuda para uma pessoa que está passando na rua... essa pessoa
ajuda meu pai e liga para o bombeiro e para a ambulância... (sic).
Quarta emergência: “Entrego os bebês para meu pai (continuou chorando
compulsivamente)... entro na casa para resgatar meu irmão mais velho... meu
Deus... um milagre... minha mãe só está desmaiada (ego-auxiliar)... ela não
morreu... nesse instante meu irmão e eu arrastamos minha mãe para fora de casa”
(sic).
Quinta emergência: “Não entro na casa novamente para pegar as joias... meus
tesouros são meus familiares... agradeço a Deus, porque estamos vivos... (parou de
chorar, levantou as mãos para cima e começou louvar a Deus com tom de voz alto
como se gritasse)” (sic).
- 4. acadêmica, sexo feminino e 24 anos:
Situação preliminar: “essa é a casa da minha mãe, em Morrinhos... eu moro em
apartamento com outras meninas, pois estudamos em Goiânia... vou mostrar como
é a casa da minha mãe... (distribuiu as almofadas e sinalizou todos os cômodos
olhando para diretora)... é um arranjo de flores... trouxe de Goiânia de presente para
minha mãe... são orquídeas... ela adora... vou à área de serviços e pego um pano
para limpar os móveis (limpa uma almofada como se fosse a escrivaninha)... pego o
aspirador de pó na cozinha, ao invés da vassoura, porque preciso limpar esse
tapete...” (sic).
Primeira emergência: “não... não é incêndio... (riu e mexeu a cabeça para diretora
fazendo movimentos de negação)... esse cheiro de fumaça é porque minha vizinha
já acendeu a churrasqueira na casa dela... ela é muito amiga da minha mãe, como
se fossem irmãs... tanto que a chamo de tia... então, vamos almoçar carne assada
lá...” (sic). (diretora finalizou nesse instante a dramatização).
Segunda emergência: (não participou dessa situação).
Terceira emergência: (não participou dessa situação).
Quarta emergência: (não participou dessa situação).
Quinta emergência: (não participou dessa situação).
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- 5. acadêmica, sexo feminino e 19 anos:
Situação preliminar: “vou mostrar a disposição da minha casa (usou as
almofadas)... esse arranjo de flores brancas... ganhei do meu namorado... limpo a
escrivaninha com um pano (pegou um lencinho de papel dentro do bolso da calça
jeans para simbolizar o pano)... posso ligar o rádio? Faço faxina ouvindo música
sertaneja... vou ligar, tá? (olhou para diretora)... pego a vassoura na cozinha e
começo a dançar usando a vassoura como meu parceiro... intercalo varridinhas com
passos de dança... tipo forró arrochado... (olhou para diretora com rosto corado e
emite um sorriso tímido)... vou dançando até a sala... vou retirar esse tapete do
chão, porque preciso varrer toda casa...” (sic) (literalmente, ela dobra o tapete e
coloca em um canto perto de algumas almofadas).
Primeira emergência: Estou com medo desse incêndio, pego meu arranjo de flores
brancas e coloco na mesa da varanda... depois pego os dois bebês e, também,
deixo-os deitados das cadeiras dessa varanda... entro na casa... ligo para os
bombeiros e, também, vou para varada esperá-los...“ (sic).
Segunda emergência: “Nossa... minha mãezinha está lá dentro (olhou para
diretora)... entro na casa e deixo minha mãe na varanda olhando os bebês... em
seguida, entro na casa e consigo pegar todos os objetos... joias... manuscritos...
tudo... nossa... ao tentar sair... percebo muito fogo... está quente... não vou consegui
sair... muita fumaça... muito fogo...não consigo respirar... socorro... socorro...
desmaio (ela cai abruptamente no chão e fica em silêncio por um tempo)... estou me
sentindo morta... semelhante aquele filme ‘Ghost – Do Outro Lado da Vida’ (ela fala
com um tom de voz lento e baixo)... sim... estou morta na vida terrena, mas
espiritualmente estou vendo toda situação do desespero na minha família... (ela
continua deitada e falando lentamente e muito baixo) ... os bombeiros chegaram...
estão apagando o incêndio... vejo uma luz muito forte vindo do céu em minha
direção... são os espíritos de luz que vieram me buscar... agora posso ir descansar
(ela chora compulsivamente até ficar em silêncio)...” (sic) (diretora finalizou a cena)
Terceira emergência: (não participou dessa situação).
Quarta emergência: (não participou dessa situação).
Quinta emergência: (não participou dessa situação).