UNIVERSIDADE POLITECNICA-A POLITECNICA
Instituto Superior de Humanidade, Ciências e Tecnologias
Psicologia Clínica e de Aconselhamento
Evolução de Enfermagem em Moçambique
Calisto João
Quelimane
2025
Calisto João
Evolução de Enfermagem em Moçambique
Relatório de estágio apresentada, ao Instituto
Superior de Humanidades, Ciências e
Tecnologia como requisito parcial para
avaliação na cadeira de epistemologia em
enfermagem
Tutora: Lic.
Quelimane
2025
Índice
1. Introdução.....................................................................................................................4
1.1. Objectivo Geral.........................................................................................................5
1.1.1. Objectivos Específicos..........................................................................................5
1.2. Metodologia..............................................................................................................5
2. Enfermagem: Definição e Funções..................................................................................6
3. Contexto Histórico da Enfermagem em Moçambique....................................................7
4. Aspectos Sociais e Culturais na Evolução da Enfermagem............................................9
5. A Evolução da Formação e Qualificação dos Profissionais de Enfermagem................11
6. O Papel da Enfermagem no Sistema de Saúde Atual....................................................13
7. Conclusão......................................................................................................................16
8. Referências bibliográficas.............................................................................................17
1. Introdução
A enfermagem em Moçambique tem evoluído ao longo dos anos, reflectindo
as mudanças sociais, políticas e económicas do país. Desde o período colonial até a
independência e as reformas subsequentes, a profissão de enfermagem desempenhou
um papel crucial no sistema de saúde, especialmente na promoção de cuidados de
saúde primários, prevenção de doenças e acompanhamento de pacientes com doenças
crónicas. No entanto, os profissionais de enfermagem enfrentam desafios contínuos
relacionados à falta de recursos, infra-estrutura inadequada e sobrecarga de trabalho. O
papel crescente da enfermagem no contexto atual de Moçambique exige um olhar
atento sobre sua evolução, as funções desempenhadas pelos enfermeiros, o impacto
das reformas educacionais e as mudanças sociais e culturais que moldam o
atendimento à saúde.
Este estudo busca analisar a evolução da enfermagem em Moçambique, desde
a sua organização inicial até o papel atual desempenhado pelos profissionais no
sistema de saúde, considerando os desafios e avanços conquistados ao longo das
décadas. A compreensão da trajetória da profissão de enfermagem no país é
fundamental para refletir sobre os passos necessários para fortalecer ainda mais esse
campo essencial para o bem-estar da população.
4
1.1. Objectivo Geral
a) Analisar a evolução da enfermagem em Moçambique, destacando as transformações
sociais, políticas e educacionais que influenciaram a profissão e os desafios atuais
enfrentados pelos profissionais.
1.1.1. Objectivos Específicos
a) Investigar o início da prática de enfermagem em Moçambique, abordando o contexto
colonial e a formação inicial dos profissionais da área.
b) Examinar as reformas pós-independência e suas implicações na qualificação e no
papel dos enfermeiros no sistema de saúde moçambicano.
c) Avaliar os principais desafios enfrentados pelos profissionais de enfermagem
actualmente, como falta de recursos, infra-estrutura de saúde e sobrecarga de trabalho.
1.2. Metodologia
Para a implementação do trabalho, usado o método bibliográfico que refere-
se à pesquisa fundamentada em fontes escritas, como livros, artigos académicos e
outros documentos, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre determinado
tema. Segundo Gil (2002), essa metodologia visa a análise e interpretação crítica da
literatura existente.
5
2. Enfermagem: Definição e Funções
Definição do conceito de enfermagem
A enfermagem é uma profissão da área da saúde que envolve o cuidado
integral do paciente, com foco no bem-estar físico, mental e social. É definida pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) como "a proteção, promoção e otimização da
saúde e das habilidades de vida, prevenção de doenças e lesões, e o alívio do
sofrimento por meio do diagnóstico e tratamento humano e assistencial". A
enfermagem, portanto, vai além do simples cuidado físico, incluindo aspectos
emocionais e psicológicos dos pacientes, trabalhando para garantir sua recuperação e
qualidade de vida.
A enfermagem é essencialmente uma prática de cuidado que abrange desde
ações de promoção da saúde, como educação e prevenção de doenças, até intervenções
de emergência e suporte no processo de reabilitação. Os enfermeiros desempenham
um papel crucial na supervisão do bem-estar do paciente, gestão de medicações, apoio
em procedimentos médicos e também no acompanhamento de tratamentos em
diversos contextos (hospitalar, comunitário, domiciliar).
Funções e responsabilidades dos profissionais de enfermagem Os profissionais
de enfermagem têm uma vasta gama de funções e responsabilidades, que podem variar
dependendo do nível de formação, especialização e do contexto em que trabalham. De
maneira geral, suas funções incluem:
1. Cuidado direto ao paciente: Administração de medicamentos, monitoramento de
sinais vitais, assistência em procedimentos médicos, curativos, administração de
transfusões de sangue, entre outros.
2. Educação e orientação: Orientação aos pacientes e seus familiares sobre condições
de saúde, cuidados pós-cirúrgicos, uso de medicamentos, prevenção de doenças,
práticas de higiene, entre outros.
3. Prevenção e promoção de saúde: Participação em campanhas de vacinação,
prevenção de doenças transmissíveis e crónicas, realização de exames de rotina,
monitoramento de factores de risco, etc.
4. Gestão de cuidados: Organizar e coordenar as actividades da equipe de enfermagem,
realizar registos de saúde e acompanhar a evolução dos pacientes.
6
5. Apoio emocional: Prestar apoio psicológico e emocional a pacientes e familiares,
ajudando-os a enfrentar o diagnóstico, os tratamentos e as dificuldades relacionadas à
saúde.
Os enfermeiros também devem seguir padrões éticos e de conduta, respeitando a
privacidade, os direitos dos pacientes e atuando com competência e responsabilidade
profissional.
O papel da enfermagem na promoção da saúde e no atendimento ao paciente
O papel da enfermagem na promoção da saúde é fundamental, pois os enfermeiros
são muitas vezes os primeiros profissionais de saúde com os quais o paciente tem
contato. Eles desempenham um papel essencial na identificação precoce de doenças,
promovendo a educação em saúde e fornecendo apoio contínuo ao paciente.
No atendimento ao paciente, os enfermeiros garantem que o cuidado seja
contínuo, assegurando a execução de tratamentos médicos, administrando terapias,
realizando procedimentos, monitorando e ajustando cuidados conforme necessário,
além de ajudar no planejamento do retorno ao ambiente familiar após alta hospitalar.
Em várias situações, o enfermeiro tem a função de educar e prevenir, ajudando na
conscientização sobre hábitos saudáveis e informando os pacientes sobre o que esperar
do tratamento, buscando sempre a qualidade e segurança no cuidado prestado.
3. Contexto Histórico da Enfermagem em Moçambique
Início da Enfermagem em Moçambique: A evolução da prática desde a
época colonial até a independência do país A história da enfermagem em
Moçambique remonta ao período colonial, quando o sistema de saúde foi estruturado
de acordo com as necessidades do império português e voltado para os interesses da
administração colonial. Durante essa época, os cuidados de saúde eram limitados
principalmente às populações urbanas, enquanto as zonas rurais tinham um acesso
muito restrito aos cuidados médicos.
No início, os profissionais de enfermagem eram, em sua maioria, missionários
estrangeiros, com uma formação em enfermagem limitada e frequentemente com foco
em assistência básica. Essas enfermeiras e enfermeiros tinham o papel de auxiliar no
cuidado de doenças como a malária, cólera e doenças infectocontagiosas, que eram
prevalentes na região. A formação de enfermeiros locais era incipiente e, muitas vezes,
as práticas de enfermagem eram transmitidas de maneira informal, sem uma
padronização ou sistemas educacionais estabelecidos.
7
Primeiros profissionais de enfermagem: Formação de enfermeiros locais
durante a época colonial e os desafios enfrentados Com o tempo, e especialmente a
partir da década de 1950, houve um movimento gradual para começar a formar
enfermeiros locais em Moçambique, embora a formação ainda fosse bastante limitada.
O ensino da enfermagem se concentrava em preparar trabalhadores de saúde para
preencher uma lacuna urgente em serviços médicos, especialmente para as classes
populares que não tinham acesso a profissionais qualificados.
A formação de enfermeiros locais na época colonial era muito restrita e se
dava, em grande parte, por meio de escolas de enfermagem com uma orientação muito
voltada para os cuidados básicos, como a administração de medicamentos e cuidados
pós-cirúrgicos. Além disso, a formação estava muito relacionada com a necessidade de
servirem como assistentes dos médicos portugueses e das missões religiosas. Os
enfermeiros locais muitas vezes enfrentavam dificuldades como a falta de recursos,
infraestrutura precária, e a escassez de material didático para formar novos
profissionais.
Após a independência (1975): Reformas no sistema de saúde e a ampliação
do papel dos profissionais de enfermagem na sociedade moçambicana Com a
independência de Moçambique em 1975, o novo governo socialista, liderado pela
Frelimo, implementou uma série de reformas no sistema de saúde, buscando ampliar o
acesso a cuidados médicos para toda a população. A enfermagem se tornou um pilar
importante nesse processo, e o papel dos enfermeiros foi ampliado para incluir
cuidados mais especializados e uma maior autonomia na prestação de serviços de
saúde.
Houve uma maior valorização da formação profissional e uma tentativa de
criar um sistema educacional em enfermagem que fosse mais acessível e adequado às
necessidades locais. As escolas de enfermagem se multiplicaram, e a formação se
tornou mais rigorosa, com cursos mais estruturados em nível técnico e superior,
capacitando enfermeiros para diversas funções, desde o cuidado básico até a gestão de
serviços de saúde.
O governo também procurou integrar as práticas de saúde tradicional e
moderna, promovendo uma abordagem holística na enfermagem, que envolvia não
apenas os cuidados médicos ocidentais, mas também o respeito e o conhecimento das
práticas culturais locais.
8
Referência a Ndija (2002) sobre a organização inicial da profissão e as
influências externas (portuguesas, cubanas, etc.) De acordo com Ndija (2002), a
enfermagem em Moçambique, inicialmente, foi moldada por influências externas,
principalmente as de Portugal e Cuba. Durante o período colonial, os padrões e
métodos de enfermagem foram essencialmente importados de Portugal, o que limitava
a adaptação à realidade moçambicana.
Após a independência, a Cuba teve um impacto significativo na formação de
enfermeiros, devido à sua ajuda na área de saúde. A colaboração com Cuba resultou
na introdução de métodos de formação e atendimento mais integrados com a
comunidade, com a ênfase no cuidador comunitário. Esse modelo teve um impacto
duradouro, moldando a profissão de enfermagem em Moçambique, promovendo um
cuidado mais abrangente e participativo, em consonância com os princípios do
Sistema Único de Saúde (SUS) e com a promoção da saúde preventiva.
4. Aspectos Sociais e Culturais na Evolução da Enfermagem
Impacto das mudanças sociais: Como as mudanças políticas e sociais em
Moçambique influenciaram a profissão de enfermagem As mudanças políticas e
sociais em Moçambique, especialmente após a independência em 1975, tiveram um
impacto significativo na profissão de enfermagem. A independência trouxe consigo
uma série de reformas, que também afetaram as estruturas de saúde do país. Antes de
1975, o sistema de saúde estava fortemente estruturado de forma a atender
principalmente a população branca e urbana, com os cuidados de saúde para a maioria
da população negra sendo limitados ou inexistentes.
Após a independência, o governo da Frelimo iniciou um processo de
unificação e democratização do sistema de saúde, visando garantir acesso universal
aos cuidados. Isso resultou em uma expansão dos serviços de saúde e,
consequentemente, da profissão de enfermagem. Com o foco em saúde comunitária,
especialmente nas zonas rurais, a enfermagem passou a ter um papel mais crucial, não
só como técnica de saúde, mas também como um pilar de conscientização e promoção
da saúde.
Além disso, as mudanças sociais, com a busca por mais equidade e justiça
social, influenciaram diretamente a forma como a enfermagem passou a ser vista e
praticada. O enfermeiro não era mais visto apenas como um assistente médico, mas
como um membro central na gestão e promoção da saúde pública. Com a mobilização
9
social e a popularização da saúde preventiva, os enfermeiros começaram a ser vistos
como agentes fundamentais na educação das comunidades sobre saúde e higiene.
Cultura e saúde: A interação entre as práticas culturais moçambicanas e a
enfermagem ocidental, especialmente em áreas rurais Em Moçambique, a cultura
local desempenha um papel fundamental nas práticas de saúde e no cuidado prestado
pelos profissionais de enfermagem. As práticas culturais tradicionais influenciam
diretamente como as comunidades interpretam doenças e os cuidados de saúde. Muitas
vezes, as comunidades rurais recorrem a curandeiros locais e medicinas tradicionais
para tratar doenças, ao invés de procurar os serviços de saúde convencionais.
A interação entre as práticas culturais moçambicanas e a enfermagem
ocidental tem sido um dos maiores desafios e ao mesmo tempo um campo de
colaboração. Por um lado, a enfermagem ocidental traz consigo práticas científicas e
de prevenção baseadas em evidências, como vacinas, tratamentos para doenças
infecciosas e cuidados médicos modernos. Por outro lado, as práticas culturais locais
podem ter suas próprias formas de tratar doenças, o que nem sempre se alinha com a
medicina moderna.
A integração da saúde tradicional com a moderna tem sido uma preocupação
constante para os profissionais de enfermagem em Moçambique, especialmente nas
zonas rurais, onde as práticas culturais ainda predominam. Muitas vezes, os
enfermeiros precisam de sensibilidade cultural para entender as crenças locais e
trabalhar em conjunto com os líderes comunitários para promover a saúde. A
adaptação das práticas de enfermagem aos costumes locais e o respeito pelas tradições
culturais são essenciais para a aceitação e eficácia dos cuidados de saúde.
Desafios sociais: As dificuldades enfrentadas pelos profissionais de
enfermagem no contexto de Moçambique, como a falta de recursos e
infraestrutura de saúde Os profissionais de enfermagem em Moçambique enfrentam
uma série de desafios sociais que dificultam a prestação de cuidados de saúde de
qualidade. A falta de recursos e infraestrutura precária são dois dos maiores
obstáculos. Muitos hospitais e postos de saúde carecem de materiais básicos, como
medicamentos, equipamentos de diagnóstico e mesmo acesso adequado a água potável
e condições de higiene.
Além disso, a falta de pessoal qualificado é uma questão persistente. Em
algumas áreas rurais, a escassez de enfermeiros e profissionais de saúde é agravada
10
pela migração de profissionais para as grandes cidades, em busca de melhores
condições de trabalho e salários. Isso resulta em uma sobrecarga de trabalho para os
poucos enfermeiros disponíveis, que muitas vezes precisam lidar com uma grande
quantidade de pacientes e condições difíceis de trabalho.
A formação contínua e a atualização profissional também são desafios.
Muitos enfermeiros não têm acesso a programas de actualização ou especialização, o
que pode comprometer a qualidade dos cuidados prestados. A falta de recursos
financeiros e a dificuldade em implementar políticas de saúde efectivas no contexto
socioeconômico de Moçambique são outros obstáculos importantes para o
desenvolvimento da profissão.
5. A Evolução da Formação e Qualificação dos Profissionais de Enfermagem
Desenvolvimento de cursos e escolas de enfermagem: Como a educação e a
formação continuaram a se expandir e se adaptar ao longo das décadas A
formação de enfermeiros em Moçambique passou por uma evolução significativa
desde a época colonial até os dias atuais. Durante o período colonial, a educação em
enfermagem era restrita, com poucas escolas e um foco limitado em formação técnica.
Após a independência, o governo de Moçambique investiu em expansão da educação
em saúde, com o objetivo de formar profissionais qualificados para atender as
necessidades da população.
Na década de 1980, começaram a surgir novas escolas de enfermagem, tanto
em nível técnico como superior, com um foco crescente na formação de enfermeiros
para comunidades rurais e áreas periféricas. O governo procurou também expandir o
acesso à educação em áreas mais remotas, estabelecendo programas de formação de
enfermeiros comunitários, como parte de sua estratégia de unificação da saúde e
distribuição equitativa de recursos.
Com o tempo, o desenvolvimento de cursos técnicos e universitários
aumentou, e as universidades moçambicanas, como a Universidade Eduardo
Mondlane, começaram a oferecer cursos de Licenciatura em Enfermagem. A educação
de enfermeiros tornou-se mais profissionalizada, com ênfase no desenvolvimento de
habilidades clínicas, práticas de gestão de saúde e cuidados primários.
A formação de enfermeiros em diferentes níveis: Enfermagem técnica,
licenciatura e pós-graduação A formação de enfermeiros em Moçambique evoluiu
ao longo do tempo para incluir diferentes níveis educacionais, permitindo que os
11
profissionais de enfermagem se especializassem de acordo com suas áreas de
interesse.
1. Enfermagem técnica: Os cursos de formação técnica em enfermagem são destinados
a formar enfermeiros com habilidades práticas para atuar nas unidades de saúde, como
postos de saúde e hospitais. Esses cursos são geralmente de 2 a 3 anos de duração,
oferecendo uma formação básica em cuidados de enfermagem, administração de
medicamentos e primeiros socorros.
2. Licenciatura em enfermagem: A graduação em enfermagem tornou-se cada vez mais
comum, com programas universitários oferecendo uma educação mais aprofundada
sobre a prática de enfermagem, gestão de saúde, ética e políticas de saúde. Esses
programas oferecem aos enfermeiros uma base sólida em ciência da saúde, preparação
para liderar equipes de saúde e gestão de serviços de saúde.
3. Pós-graduação e especializações: Com o avanço da educação superior em
Moçambique, começaram a surgir programas de pós-graduação e especialização em
áreas como enfermagem pediátrica, enfermagem obstétrica, enfermagem comunitária
e gestão hospitalar. Isso permitiu aos enfermeiros se aprofundarem em áreas
específicas e contribuir de forma mais eficaz para o sistema de saúde do país.
Reformas e políticas governamentais: De acordo com Ndija (2002), o governo
moçambicano implementou uma série de reformas educacionais na área de
enfermagem após a independência, com o objetivo de melhorar a formação de
profissionais de saúde. Essas reformas estavam alinhadas com as políticas de saúde
pública e buscavam aumentar a qualidade e quantidade dos profissionais de saúde no
país.
Uma das principais reformas foi a ampliação das escolas de enfermagem em várias
regiões do país, permitindo uma maior cobertura da formação de enfermeiros e
garantindo o atendimento a comunidades mais distantes dos grandes centros urbanos.
Além disso, houve um esforço para actualizar os currículos de enfermagem,
incorporando as novas práticas de saúde pública e atendimento comunitário, que se
tornaram pilares importantes na saúde pós-independência.
Essas reformas também incluem o fortalecimento da colaboração internacional,
com a ajuda de países como Cuba, que influenciou diretamente a educação em saúde e
a formação de enfermeiros, especialmente nas áreas rurais. Ndija (2002) também
destaca a importância de uma educação contínua e intercâmbio de conhecimentos
12
com outros países, garantindo que os enfermeiros estivessem atualizados sobre as
últimas inovações e práticas da área.
6. O Papel da Enfermagem no Sistema de Saúde Atual
Mudanças no sistema de saúde e o impacto na enfermagem: Como os
enfermeiros têm se adaptado às novas exigências do sistema de saúde
moçambicano
O sistema de saúde moçambicano passou por diversas mudanças ao longo das
últimas décadas, e os enfermeiros tiveram um papel central na adaptação a essas novas
exigências. Com a expansão dos serviços de saúde, principalmente nas zonas rurais e
periféricas, os enfermeiros se tornaram fundamentais na implementação das políticas
públicas de saúde. O modelo de cuidados de saúde primários, adotado após a
independência, transformou a função dos enfermeiros, ampliando suas
responsabilidades para além do simples cuidado hospitalar.
Os enfermeiros passaram a atuar em promoção da saúde, prevenção de doenças
e na educação comunitária, temas que são essenciais no sistema de saúde atual de
Moçambique. O aumento da demanda por cuidados de saúde também exigiu que os
enfermeiros se adaptassem ao trabalho em equipes multidisciplinares e à gestão de
doenças crônicas e infecções endêmicas como HIV/SIDA e tuberculose.
Além disso, os enfermeiros enfrentam a necessidade de adaptação tecnológica
com o avanço de novas tecnologias de saúde. Isso inclui o uso de sistemas de
prontuário eletrônico, a telemedicina e outros dispositivos tecnológicos que tornam os
cuidados mais eficientes. Embora os enfermeiros moçambicanos tenham mostrado
uma boa capacidade de adaptação a essas mudanças, a falta de treinamento adequado e
infraestrutura limita seu pleno desempenho.
Desafios atuais: Falta de equipamentos, sobrecarga de trabalho e condições de trabalho
A falta de recursos continua a ser um dos maiores desafios para os enfermeiros
no sistema de saúde moçambicano. A escassez de equipamentos médicos,
medicamentos essenciais e material de proteção tem dificultado a capacidade dos
profissionais de enfermagem em fornecer cuidados adequados. Em muitas regiões, os
enfermeiros enfrentam uma escassez de materiais básicos como luvas, agulhas e
medicamentos para controle de doenças comuns, como malária e hipertensão.
Além disso, a sobrecarga de trabalho é um desafio recorrente. O número de
enfermeiros disponíveis é insuficiente para a crescente população, o que resulta em
13
uma carga de trabalho intensa para os profissionais. A superlotação dos hospitais e a
falta de pessoal qualificado também agravam esse problema, colocando os enfermeiros
em uma posição difícil de atender à demanda de forma eficiente e humana.
As condições de trabalho também são uma preocupação constante. Em muitas
unidades de saúde, os enfermeiros trabalham em ambientes precários, com
infraestrutura inadequada, falta de equipamentos de proteção individual e uma
exposição constante a riscos de contaminação. A insatisfação salarial e a falta de
incentivos também contribuem para a baixa moral entre os profissionais, afetando
diretamente a qualidade do atendimento.
O futuro da profissão de enfermagem: O papel crescente dos enfermeiros
na gestão da saúde e cuidados preventivos
O futuro da enfermagem em Moçambique está intimamente ligado à evolução
do sistema de saúde e às mudanças nas políticas públicas de saúde. O papel dos
enfermeiros tende a se expandir, especialmente nas áreas de gestão da saúde e
cuidados preventivos. O sistema de saúde de Moçambique está começando a
reconhecer a importância de cuidados primários e preventivos, o que coloca os
enfermeiros como figuras chave nesse processo.
A gestão de doenças crônicas, como a hipertensão, diabetes e HIV/SIDA, exige
enfermeiros altamente qualificados para monitorar o tratamento e educar os pacientes
sobre a autogestão da saúde. Além disso, com o aumento da telemedicina e das
consultas de saúde remotas, espera-se que os enfermeiros desempenhem um papel
mais ativo na gestão de saúde à distância, utilizando tecnologias para acompanhar o
progresso dos pacientes e garantir que recebam o cuidado adequado.
O desenvolvimento de liderança e gestão dentro da profissão também é uma
tendência crescente. Enfermeiros estão assumindo papéis de gestão hospitalar e
coordenação de serviços de saúde, o que permite uma melhor integração e eficiência
no sistema de saúde. Nesse contexto, a formação contínua e a especialização serão
cada vez mais necessárias para que os enfermeiros possam lidar com as demandas de
um sistema de saúde em constante transformação.
14
7. Conclusão
A evolução da enfermagem em Moçambique reflete as transformações
sociais, políticas e econômicas do país. Desde a época colonial, onde a enfermagem
era limitada a uma função assistencial e centrada nas grandes cidades, até a
independência e as reformas subsequentes, a profissão foi se adaptando às
necessidades da população. Com o foco em cuidados de saúde primários,
especialmente nas zonas rurais, os enfermeiros se tornaram um pilar essencial no
sistema de saúde, enfrentando desafios como a falta de recursos, sobrecarga de
trabalho e condições de trabalho precárias.
Embora a enfermagem em Moçambique tenha avançado significativamente, o
sistema de saúde ainda enfrenta inúmeros desafios. A falta de recursos e a
insuficiência de pessoal qualificado são obstáculos permanentes. No entanto, os
enfermeiros têm desempenhado um papel crescente na promoção da saúde e no
atendimento a doenças crônicas e doenças infecciosas, mostrando a importância da
formação contínua e da gestão adequada da saúde pública. A integração das práticas
culturais com as abordagens da enfermagem moderna também representa um grande
desafio, mas também uma oportunidade para melhorar a aceitação dos cuidados de
saúde.
15
8. Referências bibliográficas
1. Gil, A. C. (2002). Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas.
2. Ndija, J. (2002). Textos sobre a Enfermagem. Maputo: Anemo.
3. Organização Mundial da Saúde. (2018). Relatório sobre a saúde no mundo 2018: A
atenção primária à saúde. Recuperado de [Link]
health-care
16