DPOC
MEDCEL 2025 + atualização GOLD2025
GOLD 2024;
É uma doença prevenível e tratável;
85% dos casos são relacionados ao cigarro;
Limitação do fluxo aéreo → distúrbio obstrutivo na espirometria (exame padrão-ouro);
Fenótipo enfisematoso: destruição irreversível dos sacos alveolares;
Fenótipo bronquítico: inflamação dos brônquios;
Na prática, os dois fenótipos coexistem;
3ª causa de morte no mundo, 4a no BR;
Fatores de risco: tabagismo ativo e passivo, DPOC intraútero, fogão à lenha, trabalho com
queima de carvão ou biomassa, poluição…
Sintomas: dispneia, tosse, expectoração;
Exame físico e radiografia
são normais na maioria das
vezes;
Diagnóstico
Espirometria → VEF1/CVF
pós-broncodilatador < 0,7
(significa que, no sopro
total, menos de 70% do ar
saiu no 1o segundo);
GOLD 2025 recomenda
utilizar VEF1 >0,7 pré
broncodilatador para
descartar DPOC
Avaliar gravidades
1. GOLD1 -> %VEF1 >80 leve
2. GOLD 2 VEF1 de 50 a 80 moderado
3. GOLD 3 VEF1 30 a 50 grave
4. GOLD 4 VEF1 <30 muito grave
Tratamento
Ensaios clínicos em pacientes com DPOC com histórico de exacerbações no ano anterior
demonstraram consistentemente a superioridade da terapia tripla sobre a combinação de um
corticosteroide inalatório (ICS) e um agonista β2 de longa ação (LABA) para prevenção de
exacerbações, função pulmonar e qualidade de vida.
Grupo E + eosinófilos ≥ 300 → corticoide inalatório (budesonida, fluticasona, etc) + LABA
+ LAMA → altera mortalidade; (Alenia).
Grupo E + eosinófilos < 300 → LABA (formoterol, etc) + LAMA (tiotrópio, etc);
Grupo A → SABA ou LABA ou SAMA ou LAMA; qualquer broncodilatador pois é o
paciente pouco sintomático e pouco exacerbador
Grupo B → LABA (agonista B2 longa duração) + LAMA (antimuscarínico de ação longa)
Muito sintomático, mas pouco exacerbador, dupla broncodilatação para melhorar sintoma
Grupo E exacerba muito (duas leves/moderadas ou uma exacerbação grave), portanto precisa de
terapia dupla, com LAMA atuando como prevenção de exacerbar. Tripla com corticoide inalatório
quando tem eosino ≥300;
Para pacientes que já estão em tratamento com LABA+ICS (muito comum, pois é mais
fácil de encontrar), é essencial avaliar o histórico de exacerbações e a resposta prévia ao
uso de ICS. Com base nessa análise, considere o seguinte:
1. Estiver bem controlado – manter
2. Mal controlado com sintomas: Se indicar resposta positiva ao ICS, pois melhorou com
corticoide no início apesar de ter sintomas agora considere a transição para
LABA+LAMA+CI se nunca melhorou com CI, mudar para LABA + LAMA
3. Mal controlado com exacerbações atuais: utilize a contagem de eosinófilos como guia. ]
o Para valores < 100 células/µl, considere mudar para LABA+LAMA;
o se ≥ 100 células/µl, o uso de LABA+LAMA+ICS é recomendado (pois já estava com
corticoide que diminui a eosinofilia na teoria).
DUPILUMABE: GOLD de 2025 recomenda que o dupilumabe seja adicionado à terapia tripla se
os pacientes continuarem a ter exacerbações e tiverem uma contagem de eosinófilos no sangue
≥ 300 células/µL e sintomas de bronquite crônica.
Oxigenoterapia
Também altera mortalidade e melhora a sobrevida;
Utilizar quando: PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88% com ou sem hipercapnia;
Se o paciente tem hipertensão pulmonar, edema periférico ou policitemia (Ht > 55%) →
utilizar precocemente (PaO2 55-60 mmHg ou SatO2 88-90%);
> 15h por dia;
Oxigenioterapia quando indicada é em baixo fluxo 1 - 3 L/min - 15 horas/dia. Melhora
qualidade de vida e sobrevida
Seguimento
Paciente em uso de LABA+LAMA exacerbando considerar adicionar Endifentrine (novo
broncodilatador);
Se terapia LABA+LAMA+ ICS continua exacerbando Pode-se adicionar no VEF<50% com
perfil de bronquite crônica = Roflumilaste
Se ex-tabagista de perfil enfisematoso = Azitromicina contínua
Se paciente em terapia tripla com eosino ≥300 = Dupilumabe
Na exacerbação: Cut-off de eosinófilos é 100 se o paciente está em terapia LABA+ LAMA
(Grupo E) e começa a exacerbar usar terapia tripla quando >100. Se eosino <100 usar Azitro ou
Romifluminaste.
Romifluminaste tratamento de manutenção grupo E refratário
ATB Exacerbação de DPOC: pacientes com catarro de aspecto purulento, associado a
piora da dispneia ou aumento da produção de escarro
Dx exacerbação
Evento agudo caracterizado pelo agravamento dos sintomas respiratórios, que pioram
progressivamente;
LEVE quando manejado em domicílio com doses adicionais de SABA
MODERADO quando uso de corticoide oral com ou sem ATB
GRAVE quando urgência/emergência com ou sem internação
Aumento da dispneia, aumento da expectoração, aumento da purulência do escarro (2 dos
3 configura exacerbação);
Microrganismo mais comum é o Haemophilus influenzae;
o Tratamento medicamentoso: Corticoide + ATB (sem fatores de risco macrolídeos,
cefurozima, doxiciclina ou Sulfa+trimetropina – com fatores de risco
amoxicilina+clavulanato ou quinolona).
Tratamento
Atb → se catarro purulento (quinolonas respiratórias);
Broncodilatador → para todos (salbutamol, ipratrópio);
Corticoide sistêmico → para todos;
Oxigenoterapia → meta de SpO2 92%;
VNI (BIPAP) pode ser utilizada se pH < 7,35 e/ou PaCO2 > 45 mmHg;
Pré-DPOC
Paciente com fatores de risco + tosse crônica + alteração no exame de imagem, mas
sem alteração na espirometria;
PRISm
Relação VEF1/CVF normal, mas espirometria anormal;
EVALI (injúria pulmonar causada por uso de cigarro eletrônico)
Uso de cigarro eletrônico nos últimos 90 dias + consolidações na radiografia ou vidro fosco
bilateral em tomografia de tórax + ausência de diagnósticos alternativos;
Deficiência de alfa-1-antitripsina
É uma proteína presente nas conexões alveolares, que promove proteção das vias aéreas;
Deficiência → colapso das paredes da via aérea por ação da enzima elastase → enfisema;
Mutação genética hereditária;
Suspeitar em pctes jovens e não fumantes, com tomografia demonstrando enfisema nas
bases pulmonares (a DPOC por inalação de fumaça afeta principalmente os ápices);
Cursa também com lesão hepática;
Tto: reposição de alfa-1-antitripsina;
Alteração climática
Aumento de mortalidade em calor e/ou frio extremos;
O GOLD recomenda que os pacientes se mantenham adequadamente hidratados, fiquem
longe do calor e tentem manter os espaços de convivência em temperaturas < 32°C e os
espaços de dormir em temperaturas < 24°C durante ondas de calor, bem como manter as
temperaturas dos quartos acima de 18°C durante o tempo frio, conforme recomendado
pela OMS